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	<title>Arquivos gge parnamirim - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos gge parnamirim - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Shopping na praça de Casa Forte é mais um exemplo de urbanismo sem participação dos moradores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jul 2021 20:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[gge parnamirim]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Foi com um pequeno anúncio, escondido entre as páginas de um jornal em outubro do ano ano passado, que foi comunicado à vizinhança de Casa Forte a construção de um novo shopping ali pertinho da praça projetada por Burle Marx. O anúncio, claro, passou despercebido. Foi só entre abril e maio deste ano que os vizinhos do novo empreendimento, já então aprovado nos licenciamentos da Prefeitura do Recife, começaram a ouvir falar da &#8220;reforma&#8221; do antigo e abandonado Hospital Gomes Maranhão, na avenida Dezessete de Agosto.<br><br>Naquele ponto, faltava só a aprovação do projeto no Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU), órgão que, em tese, avalia a construção de um empreendimento de impacto, como é o caso de um shopping. O que os vizinhos descobriram bem rápido é que, no Recife, os moradores têm pouca, ou nenhuma, voz quando se trata das decisões de como um bairro cresce e se desenvolve.<br><br>O CDU é a última instância para a provação de um empreendimento de impacto. Até chegar lá, o projeto tem que seguir uma série de processos burocráticos e técnicos. Um deles é um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), feito pela própria construtora ou empreendedor. E pasmem: não é necessário que a vizinhança seja nem ouvida, nem informada além do anúncio de jornal e de uma placa na obra. &#8220;Na prática, os projetos não ouvem a vizinhança. Há uma recomendação para isso, mas não uma obrigação&#8221;, conta o arquiteto e urbanista Vitor Araripe, representante do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) no CDU.<br><br>O projeto do chamado Burle Garden Mall, do empresário Ítalo Santos, foi apresentado na reunião do CDU no dia 29 de abril e, se não fosse pelo pedido de vistas de Vitor Araripe, teria sido aprovado ali mesmo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Imagem e legenda do parecer do LUP/MUDUFPE</p>
	                
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<p>A ata daquela reunião mostra que o Iphan deu chancela ao projeto mesmo não apresentando 60% da área de solo natural, como rege a legislação para o zoneamento em que ele se encontra. Isso porque o projeto tramitou como se fosse apenas uma &#8220;reforma com acréscimo de área&#8221;, mesmo contando com demolição do prédio do hospital, abandonado há quase 30 anos, e escavação do subsolo.<br><br>Apresentando o projeto, a arquiteta Cristiana Araújo Estelita leu estudos realizados pelo próprio empreendimento que afirmam que não haverá impacto algum no trânsito já congestionado da Av. Dezessete de Agosto. &#8220;O empreendimento não possui alta capacidade de gerar altos fluxos. Ou seja: não haveria impactos deletérios advindos da implementação do empreendimento&#8221;, diz trecho da fala da representante do empreendimento, que consta na ata daquela reunião.<br><br>A estimativa de investimento é de R$ 20 milhões para o Burle Garden Mall. São mais de 7 mil metros quadrados de área construída, com 3 pavimentos, 28 lojas e 10 salas comerciais, além de 107 vagas de estacionamento do shopping. Mesmo assim, a representante do empreendimento afirma que não há nenhum impacto negativo. As ações de mitigação propostas são modestas: câmeras de segurança para a praça de Casa Forte, um projeto de sinalização para o jardim e restauro dos canteiros e da grama da praça de Casa Forte. Além de uma mudança de ambulantes que havia em frente ao local, já realizada, e que não foi aceita como ação mitigadora na reunião seguinte. <br><br>Depois da apresentação, que foi sucinta, seria então o espaço para o os conselheiros do CDU questionarem os representantes do empreendimento. Tirarem dúvidas, confrontarem informações, pedir outras, estabelecer ou mudar medidas de mitigação. Vale lembrar que o CDU é uma câmara também técnica. E essa é a justificativa para não haver participação popular.<br><br>Vamos aos comentários dos conselheiros após a apresentação:<br><br>O representante da Federação das Associações de Microempresas (Femicro) Gleyson Vitorino de Farias diz apenas: “Quero parabenizar a equipe do empreendimento. Um belo projeto”. O conselheiro Roberto Lemos Muniz, representante do CREA/PE, diz que vai se pronunciar como morador do bairro. &#8220;Gostei muito do projeto. É isso que sonho para o Poço da Panela, uma entrega de qualidade, não de quantidade&#8221;, elogia.<br><br>Depois de uma longa discussão sobre a questão da manutenção das câmeras de segurança &#8211; que o empresário não quer bancar &#8211; é o secretário de Desenvolvimento Econômico Ciência Tecnologia e Inovação, Rafael Dubeux, quem sai em apoio ao novo shopping. Ele reclama de ter que colocar a manutenção das câmeras como mais uma ação mitigadora, já que seriam incorporados novos custos &#8220;sem mesmo se saber o valor&#8221;.<br><br>E acrescenta: &#8220;Quero parabenizar também pelo fato da população local ter sido ouvida, consultada. Nossa Constituição diz: tudo que é feito para o povo, e que vai pertencer ao povo, tem que ser discutido com o povo”. Naquela reunião, mesmo com o pedido de vistas, 20 dos 22 conselheiros presentes já deixaram seus votos favoráveis.</p>



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	                                        <p class="m-0">O anúncio em que o empresário Ítalo Santos comunicou a vizinhança sobre o novo shopping</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">O que diz a comunidade</h2>



<p>Acontece que, ao contrário do que o secretário falou, os moradores não foram comunicados, nem tampouco discutiram o projeto. Na apresentação, os arquitetos falam que &#8220;a TGI Consultoria, realizou pesquisa para identificar quais os serviços que seriam de bons usos para a população local&#8221;. Ou seja, uma pesquisa de mercado, e não uma discussão aberta com os moradores sobre o empreendimento de impacto no bairro. </p>



<p>Após a a publicação desta reportagem, a TGI informou nunca ter prestado qualquer tipo de serviço para o Empresarial Burle Marx, mas outra empresa em que tem participação societária, a LMS/TGI, especializada em gestão de empreendimentos comerciais, realizou a análise de uma pesquisa de mercado contratada a terceiros.<br><br>Antes da reunião em que o parecer do IAB foi apresentado, os moradores se uniram. Queriam ser ouvidos pelo empreendimento, pelo CDU, queriam propor ações mitigadoras, discutir o projeto. Enviaram e-mails para o secretário Leonardo Bacelar, presidente do CDU. O conselheiro Vitor Araripe juntou vários pareceres, documentações e cartas dos moradores para embasar seu relatório do pedido de vistas. <br><br>Na ata da reunião seguinte, quando o projeto foi aprovado, consta que o secretário Leonardo Bacelar fez pouco caso das reclamações. &#8220;Foi publicado em jornal de grande circulação, na cidade do Recife. Houve várias discussões. Inclusive, o agendamento de uma reunião pública, solicitada pela vereadora Liana Cirne, que no dia da reunião, cancelou. Sempre estivemos abertos ao diálogo&#8221;, falou, citando aquele minúsculo anúncio numa folha de jornal e uma reunião que foi marcada após o pedido de vistas do projeto.</p>



<p>Os mesmos 20 votos a favor se mantiveram. E quatro conselheiros votaram contra o empreendimento.<br><br>No seu voto, a conselheira Circe Maria Gama Monteiro, representante do Mestrado em Desenvolvimento Urbano da UFPE, lembrou que a legislação do Recife está ultrapassada. A Lei de Uso e Ocupação do Solo, por exemplo, está atrasada em relação ao Plano Diretor do Recife, aprovado a toque de caixa no final do ano passado. “Creio que não estamos nesse Conselho só para verificar se a legislação está sendo cumprida (…). Realmente, a cidade do Recife é destruída muito rapidamente. Para que isso não continue acontecendo, temos que discutir as coisas que estão no cerne da questão. Quais os conceitos e qual a cidade do futuro, que realmente queremos. Outro conceito importante: o que é a participação popular? Como se considera essa participação popular?&#8221;, questionou.<br><br>Os moradores do bairro, mobilizados tardiamente como coletivo Amo Poço-Forte, fizeram uma série de questionamentos no chat da reunião do YouTube. Todos solenemente ignorados pela presidência do CDU.<br><br>Moradora há 40 anos do Poço da Panela, a arquiteta Bárbara Kreuzig conta que as mudanças no bairro nunca foram discutidas com a vizinhança. &#8220;E, quando discutidas, já induzidas para aquilo que mais convém aos empreendedores, e não ao bairro e à cidade&#8221;, diz. &#8220;Eu concordo que a ruína do hospital deve ser transformada, mas não dessa forma. Fui surpreendida com o projeto já na aprovação final. E fiquei mais surpresa ainda quando assisti na reunião do CDU o secretário já afirmando que o empreendimento era muito bom e que muitos arquitetos tinham opinado a favor&#8221;, conta.<br><br>Também integrante do coletivo Amo Poço-Forte, a moradora Silvana Rocha lembra que são bairros históricos, patrimônios do Recife. &#8220;A quem interessa a preservação do Poço da Panela e da Praça de Casa Forte? é um equívoco achar que é apenas de interesse dos moradores. Não vivemos em uma ilha. O bairro é muito visitado. São pessoas que vêm passear, fotografar, há eventos, feirinhas. Esse reconhecimento do patrimônio pelo recifense já existe&#8221;, diz.<br><br>O Laboratório de Urbanismo de Patrimônio Cultural do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano da UFPE (LUP-MDU-UFPE) fez um parecer sobre a construção, assinado pelas arquitetas Fátima Campello e Natália Miranda, destacando dois pontos. O primeiro é a incoerência de se ter um shopping center como porta de entrada para a Zona Especial de Preservação Histórica do Poço da Panela. O outro, é que o projeto não deveria ter tramitado como reforma, mas sim como uma construção. Abaixo, o antes e depois que consta no parecer. O CDU desconsiderou os dois questionamentos.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Extinção do CDU?</strong></h3>



<p><a href="https://licenciamento.recife.pe.gov.br/atas?field_especifica_entidade_value=CDU&amp;field_ata_numero_value=&amp;field_ata_descricao_value=&amp;field_atas_data_reuniao_value%5Bmin%5D%5Bdate%5D=&amp;field_atas_data_reuniao_value%5Bmax%5D%5Bdate%5D=&amp;=Buscar" target="_blank" rel="noreferrer noopener">As atas das reuniões do CDU </a>deixam claro que o conselho não cumpre seu papel de ser uma espécie de guardião dos padrões de desenvolvimento da cidade, como diz a lei orgânica do Recife. Os projetos são apenas apresentados. As discussões são breves, muitas vezes redundantes e as ações mitigadoras não são previamente discutidas com as vizinhanças. Não é incomum que as ações, inclusive, ocorram em bairros distantes de onde está o empreendimento de impacto.<br><br>O CDU é formado por 30 conselheiros, sendo <a href="https://licenciamento.recife.pe.gov.br/node/948" target="_blank" rel="noreferrer noopener">15 da sociedade civil e 15 do poder público</a>.  Na prática, é dominado pelos interesses da construção civil e das imobiliárias. Não há nenhuma associação de moradores. Mas estão lá representantes da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi/PE), da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) e de órgãos de classe de arquitetos e engenheiros. Ou seja, todos interessados, primordialmente, em construir.<br><br>A extinção do CDU e a transferência das atribuições para o Conselho da Cidade vem sendo pleiteada pela sociedade civil desde a última Conferência da Cidade do Recife, ocorrida em 2016. O Conselho é mais diversificado: possui 45 titulares e tem representação de movimentos sociais e populares, o que não acontece no CDU.<br><br>O Conselho da Cidade, porém, passou boa parte de 2020 sem reuniões. O CDU também: após o começo da pandemia, em março de 2020, só retornou as reuniões em setembro, pelo zoom, para a aprovação rápida e unânime de um centro de compras no espaço do colégio Americano Batista, na Boa Vista. Era ainda o secretário João Braga, antes do prefeito João Campos (PSB) assumir a gestão de continuidade do mesmo campo político, que se estende há 20 anos no Recife, desde João Paulo (então do PT). <br><br>Nas últimas reuniões, a pedido de conselheiros por mais transparência, as discussões do CDU são também transmitidas em tempo real pelo YouTube da TV Urbana, canal da prefeitura do Recife. O público interessado só pode participar da discussão pelo chat, que não é lido na reunião. Além disso, tanto as transmissões online quanto os vídeos de reuniões anteriores ficam disponíveis apenas por link restritos e não estão listados no canal. Ou seja, só quem recebe o link pode ver.<br><br>A Marco Zero teve acesso ao <a href="https://www.youtube.com/watch?v=WVQ4cKb6Kb4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">link do vídeo da reunião de aprovação do shopping em Casa Forte</a>, mas não a do pedido de vistas. O conselheiro Vitor Araripe afirma que foi pressionado pelo secretário Rafael Dubeux a dar logo o voto e não solicitar vistas, para não atrasar por um mês a aprovação do empreendimento. Essa situação, porém, não está na ata, mesmo com Araripe tendo feito o pedido para que a fala do secretário fosse incluída. A Marco Zero solicitou o link do vídeo desta reunião para a Secretaria de Política Urbana e Licenciamento (Sepul), órgão ao qual o CDU é vinculado e cujo secretário é o presidente &#8211; atualmente, Leonardo Bacelar. <br><br>A resposta da prefeitura foi que a não divulgação dos vídeos da reunião &#8220;se deve à questão dos direitos de exposição de imagem dos participantes do Conselho. Eventualmente, alguém pode não autorizar que sua imagem em uma reunião seja disponibilizada na internet para o público em geral. No entanto, qualquer cidadão pode, mediante demanda, ter acesso ao link e receber os áudios dos encontros através da secretária do CDU, Graça Barreto, pelo e-mail gbarreto@recife.pe.gov.br&#8221;. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/planejamento-urbano-privatizado-um-legado-da-esquerda-recifense/" class="titulo">Planejamento urbano “privatizado”, um legado da esquerda recifense</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h4 class="wp-block-heading">O caso do GGE Parnamirim</h4>



<p>Quando foi morar na pequena e pacata rua Abraham Lincoln, no bairro do Parnamirim, no final dos anos 90, a servidora pública Sylvia Couceiro costumava tirar fotografias do horizonte para observar e comparar as mudanças na paisagem urbana. Depois de alguns anos, deixou de fotografar. Não havia mais horizonte. &#8220;Mesmo com a Lei dos 12 bairros, vimos vários prédios altos sendo construídos&#8221;, reclama.<br><br>Nos últimos dois anos, Sylvia acompanhou como poucos os meandros do licenciamento e aprovação de um empreendimento de impacto no Recife. Tudo já estava aprovado no licenciamento da prefeitura quando ela e os vizinhos descobriram casualmente que o que estava sendo construído a poucos metros de suas casas era um enorme colégio para mais de mil alunos. E não havia nem placa dizendo do que se tratava a obra.</p>



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	                                        <p class="m-0">O GGE Parnamirim já está em atividade. Foto: MCS/MZ</p>
	                
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<p>Desde então, Sylvia e a advogada Clarissa Capela, também moradora da vizinhança, mantêm mobilizados os moradores da região, que continuam a travar uma batalha judicial com o GGE Parnamirim. &#8220;O processo (de aprovação dos empreendimentos de impacto) todo é muito obscuro e sem acesso, a gente vê o prédio crescendo e não se sabe nada sobre o empreendimento. Até na Justiça há dificuldade de conseguir informações. O juiz solicitou vários documentos que ainda não foram entregues, não é só para o cidadão comum que é um procedimento obscuro&#8221;, conta.</p>



<p>O caso do GGE segue hoje em duas direções: uma ação popular, movida com o advogado André Souza, especializado em direitos urbanos, e que já levantou uma série de irregularidades contra o empreendimento; e outra no Ministério Público de Pernambuco, que recebeu e analisa a denúncia.<br><br>O projeto do GGE Parnamirim, que também recebeu elogios rasgados no CDU, na prática não se concretizou, não do jeito que foi apresentado e aprovado. O advogado contratado pelos moradores da vizinhança, André Souza, elencou para a Marco Zero uma série de irregularidades que estão sendo questionadas na Justiça, como informações conflitantes sobre vagas de estacionamento e certidão da Emlurb fora dos parâmetros. Do telhado verde prometido, nem sinal.<br><br>Outro ponto que os moradores do bairro de Parnamirim questionam na petição ao MPPE é que seja apurada a participação do então secretário de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente Bruno Schwambach na aprovação do projeto. Isso porque ele é filho do sócio majoritário da empresa Plus Imobiliária, Pedro Everton Schwambach, construtora do colégio.<br><br>O processo administrativo para licenciamento do GGE foi protocolado no dia 19 de outubro de 2018. E até dezembro daquele ano Bruno Schwambach ocupava a pasta, sendo gestor da área responsável pelo licenciamento ambiental do empreendimento do pai. &#8220;Assim, é importante ter acesso ao processo para observar se o secretário participou ou não dos atos administrativos que culminaram com a emissão da licença prévia. Caso tenha participado, algum ou alguns dos atos podem ser considerados nulos de pleno direito em face do impedimento legal em funcionar no processo&#8221;, diz a petição.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/segredo-influencia-e-manobra-a-construcao-do-colegio-gge-na-praca-do-parnamirim/" class="titulo">Segredo, influência e manobra: a construção do colégio GGE na Praça do Parnamirim</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h4 class="wp-block-heading">O caso do Atacado dos Presentes</h4>



<p>Além do novo shopping e do GGE, outro empreendimento de impacto na mesma região é o de um Atacado dos Presentes, a poucos metros da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Com a experiência que acumulou, Sylvia Couceiro tem orientado os vizinhos dos dois outros estabelecimentos. &#8220;O <em>modus operandi</em> é o mesmo. Documentos de fachada, sem embasamento, que se se constroem em cima da legislação. Um absurdo são as ações mitigadoras. Como podem ser propostas sem uma conversa com a vizinhança? No caso do GGE, ergueram um elefante e a ação mitigadora proposta foi instalar seis semáforos. São ações de fachada, com documentações de fachada, para dizer que seguiram todos os procedimentos&#8221;, denuncia Sylvia.<br><br>No caso do Atacado dos Presentes do Poço da Panela, os moradores contam com o apoio da Fundaj, que se movimenta institucional e politicamente contra a construção do empreendimento. Um dos argumentos contra o empreendimento é o de que a loja pode interferir no tombamento do conjunto arquitetônico da Fundação.<br><br>Para o morador do Poço Ricardo Bandeira de Melo, atuante na questão do Atacado, há uma grande distância entre a prefeitura e os moradores quando se trata dos rumos da construção da cidade. &#8220;A única forma de nossa voz ser escutada é se todos nós, cidadãos, falarmos, conversarmos e pensarmos juntos. Estamos vivendo uma era de mudanças, onde essa distância do Poder Público deve cada vez mais se dissipar&#8221;, acredita.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Prefeitura diz que é transparente e sociedade participa do CDU</h4>



<p>A Marco Zero solicitou à Secretaria de Política Urbana e Licenciamento esclarecimentos sobre a participação dos moradores nas decisões sobre empreendimentos de impacto. Na resposta, o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e o Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) são colocados como os espaços em que os moradores podem ser ouvidos. Como vimos nos exemplos desta reportagem, não são espaços de debate ou mesmo escuta. </p>



<p>A nota também fala sobre a &#8220;ampla participação popular&#8221; no novo Plano Diretor. Sobre esse assunto, o leitor pode ter outra perspectiva na reportagem <a href="https://marcozero.org/vereadores-do-recife-aprovam-513-emendas-e-228-artigos-do-plano-diretor-em-apenas-uma-sessao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Vereadores do Recife aprovam 513 emendas e 228 artigos do Plano Diretor em apenas uma sessão</strong></a> e na entrevista <strong><a href="https://marcozero.org/estao-abrindo-as-porteiras-para-o-mercado-imobiliario-e-o-fim-das-zeis-alerta-a-arquiteta-norma-lacerda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Estão abrindo as porteiras para o mercado imobiliário. É o fim das ZEIS”, alerta a arquiteta Norma Lacerda</a></strong>. </p>



<p><strong>Confira abaixo a nota completa da Prefeitura do Recife</strong>: </p>



<p>&#8220;De acordo com o novo Plano Diretor do Recife, &#8220;são considerados empreendimentos de impacto aqueles, públicos ou privados, que podem causar impacto no ambiente natural ou construído, sobrecarga na capacidade de atendimento da infraestrutura urbana, na mobilidade urbana ou ter repercussão ambiental significativa&#8221;. Deverão ter um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), instrumento que define medidas de adequação dos impactos urbanísticos e ambientais ou interferência na vizinhança, para subsídio ao licenciamento ou autorização da construção.<br><br>Ainda segundo o novo Plano Diretor, a população em geral, e os moradores da área de vizinhança em especial, deverão ser informados sobre o empreendimento, através de publicação no portal do município na internet e mediante placa indicativa instalada no local de construção, com os devidos contatos dos órgãos competentes, para o caso de eventuais questionamentos sobre o processo.<br><br>Com base no EIV, o poder público poderá condicionar a aprovação do empreendimento à execução de medidas, às custas do empreendedor, para eliminar ou minimizar impactos negativos porventura gerados pelo empreendimento. Os documentos do EIV deverão estar disponíveis para consulta de quaisquer interessados, no portal do município na internet ou no órgão municipal competente. Além disso, o órgão responsável pela análise do EIV, sempre que solicitado, realizará audiência pública para conhecimento e considerações da população sobre o empreendimento, na forma da lei específica.<br><br>A não disponibilização, para o público geral e de forma aberta, dos vídeos das reuniões do Conselho de Desenvolvimento Urbano se deve à questão dos direitos de exposição de imagem dos participantes do Conselho. Eventualmente, alguém pode não autorizar que sua imagem em uma reunião seja disponibilizada na internet para o público em geral. No entanto, qualquer cidadão pode, mediante demanda, ter acesso ao link e receber os áudios dos encontros através da secretária do CDU, Graça Barreto, pelo e-mail gbarreto@recife.pe.gov.br. As atas escaneadas de todas as reuniões &#8211; assim como o acompanhamento de todos os processos discutidos no CDU &#8211; também estão disponíveis no Portal de Licenciamento da Prefeitura do Recife.<br><br>A Prefeitura do Recife reitera a total transparência na discussão sobre a política urbana do município, como prova a elaboração do próprio Plano Diretor, com ampla participação popular. Da mesma forma, através do Conselho de Desenvolvimento Urbano são discutidos e votados projetos urbanísticos com impacto no município. A sociedade é amplamente representada no Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) do Recife, com 15 assentos, enquanto os poderes públicos têm outros 15.&#8221;</p>



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		<title>GGE Parnamirim: moradores contestam empresários e cobram mais ações mitigadoras</title>
		<link>https://marcozero.org/gge-parnamirim-moradores-contestam-empresarios-e-cobram-mais-acoes-mitigadoras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Sep 2019 16:05:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[gge parnamirim]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O plenarinho da Câmara dos Vereadores do Recifeficoucheio para a reunião pública nesta quarta-feira (18) sobre a construção de uma unidade do colégio GGE bem na Praça do Parnamirim. Moradores dos bairros de classe média da Zona Norte questionam o empreendimento por vários motivos: desde o tráfego que vai gerar em uma região de trânsito [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[O plenarinho da Câmara dos Vereadores do Recifeficoucheio para a reunião pública nesta quarta-feira (18) sobre a construção de uma unidade do colégio GGE bem na Praça do Parnamirim. Moradores dos bairros de classe média da Zona Norte questionam o empreendimento por vários motivos: desde o tráfego que vai gerar em uma região de trânsito já pesado, ao saneamento nas ruas vizinhas, passando pelo corte de árvores e a poluição sonora. Há também a sombra de um processo rápido e na surdina, sem ouvir os moradores da vizinhança e com a placa sobre a obra em desacordo com a legislação municipal até a semana passada.

Antes de começar a apresentar o projeto na reunião pública, convocada pelo vereador Jayme Asfora (sem partido), o arquiteto Bruno Ferraz, representante do empreendimento na mesa, se mostrou ressentido com a repercussão negativa. &#8220;Uma escola é algo desejado em um bairro&#8221;, argumentou. Começou, então, a mostrar os mesmos slides que já havia levado às apresentações no Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) e na Comissão de Controle Urbanístico (CCU). Sócios e dirigentes do GGE e da Plus Imóveis/Grupo Parvi (esses, responsáveis pela construção) estavam presentes na reunião, mas não quiseram compor a mesa. Alegando a todo momento estar com muita pressa e que clientes estavam à espera dele, Bruno Ferraz encontrou uma plateia bem mais crítica do que nas reuniões do CDU e CCU.
<blockquote>
<h3><a href="http://marcozero.org/segredo-influencia-e-manobra-a-construcao-do-colegio-gge-na-praca-do-parnamirim/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Segredo, influência e manobra: a construção do colégio GGE na Praça do Parnamirim</a></h3>
</blockquote>
Antes de tudo, defendeu os dois conselhos como &#8220;ambientes democráticos&#8221;. &#8220;Não podemos descredibilizá-los, como vi em algumas matérias na internet&#8221;, disse. Afirmou que o GGE Parnamirim era uma escola de vizinhança, mesmo com previsão de 900 alunos, e que era, veja bem, um &#8220;centro comunitário&#8221;. Nesse ponto, uma moradora não se conteve. &#8220;É uma escola privada, com a mensalidade mais barata em torno de um salário mínimo. Não tem nada a ver com um centro comunitário&#8221;, protestou. Bruno Ferraz argumentou apenas que o GGE &#8220;tem cotas&#8221; &#8211; talvez confundido o termo com bolsas escolares.

Na apresentação em que abre com uma tal revolução industrial 4.0 (&#8220;hoje o concorrente da escola é o <em>smartphone</em>&#8220;), destacou uma azeitoneira que será mantida no terreno e que é o centro do desenho arquitetônico do colégio. A fala, meio deslocada em uma audiência pública em que as pessoas querem é saber de outras coisas, não passou despercebida pelo representante do <a href="https://marcozero.org/construcao-de-atacado-dos-presentes-e-a-nova-polemica-do-poco-da-panela/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">movimento contra o Atacado dos Presentes no Poço da Panela</a>, Ricardo Bandeira de Melo. &#8220;Parece aqueles filmes pós-apocalípticos em que tudo o que sobra é uma única árvore&#8221;, disse, ao pegar o microfone no fim do debate. No projeto do colégio, no entanto, está escrito que são 26 árvores, das quais 11 já são do terreno. Outras 50 mudas serão doadas &#8211; e plantadas em outro local, escolhido pela prefeitura.

O arquiteto apresentou vários números que embasam uma lógica em que se afirma que o empreendimento não terá impacto no trânsito &#8211; e até vai ajudar na fluidez da área. O decréscimo de emplacamento de carros no Recife (em 2010, 77.118; 2018, 50.963 veículos) e até o desemprego (&#8220;as pessoas ficam em casa, não se deslocam, isso é fato&#8221;) foram alguns dos argumentos usados parajustificaro empreendimento. Um vídeo com imagens aéreas de alunos do GGE chegando a pé na unidade de Boa Vigem, perto da Via Mangue, sem engarrafamento algum, foi mostrado pelo arquiteto. O problema, para ele, é que todos que estavam ali moram na Zona Norte. E sabem exatamente as condições do tráfego no local e as diferenças de mobilidade em relação a Boa Viagem.

<img decoding="async" class="alignleft size-medium wp-image-19156" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/reuniao1-300x166.jpg" alt="reuniao1" width="300" height="166">Apressado, Bruno Ferraz ouviu parte das críticas dos moradores, como a da representante do grupo Amigos do Parnamirim, Clarissa Capela. Ela questionou alguns números do projeto, como as vagas disponíveis no bicicletário, insuficientes &#8211; cerca de12 (há informações diferentes nos documentos)para os 900 alunos. &#8220;Nenhum morador é contra uma escola. Somos contra um empreendimento de impacto ser construído sem ouvir os moradores da vizinhança&#8221;, afirmou Clarissa. Sobre os números conflitantes (há por exemplo, previsão de 1.129 alunos em um documento e de 900 em outro), Bruno Ferraz explicou que, ao longo dos dois anos de projeto, houve ajustes. Sobre o bicicletário, afirmou que pode ser ampliado. Foi embora da reunião às pressas, deixando apenas os representantes da prefeitura e do bairro na mesa.

Representando o secretário de Mobilidade e Controle Urbano João Braga, a chefe de Divisão de Licenciamento e Urbanismo do Recife, Mira Meira, fez questão de assegurar, por repetidas vezes, a lisura do empreendimento. Por outras diversas vezes, reafirmou a solidez das licenças do colégio. &#8220;Eu vejo que há uma discussão e não é uma discussão em segredo&#8221;, afirmou, enumerando os vários órgãos que tiveram que dar pareceres sobre o projeto. &#8220;A gente sabe que em uma unidade de vizinhança (bairro) são importantes alguns equipamentos. E escola é um deles. É interessante que esses usos estejam próximos de unidades de vizinhança&#8221;, defendeu, afirmando ainda que a circulação de pessoas deixa os locais mais seguros.

O representante da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), Antônio Henrique, do setor de mobilidade sustentável, falou pouco e foi repetitivo, apenas defendendo os pareceres do órgão.

Na plateia, um dos moradores resumiu em uma frase as apresentações: &#8220;A prefeitura fez uma defesa do projeto muito melhor do que o próprio arquiteto&#8221;. E completou afirmando que é necessário fiscalizar os projetos após ficarem prontos. Os moradores temem que a escola, por exemplo, se torne uma faculdade à noite ou que adicione andares com o passar dos anos.

Fora a mobilidade, os moradores da Rua Abraham Lincoln, onde vai ser a entrada de carros do colégio, alertam também para os constantes alagamentos na via. &#8220;Quando chove, alaga e a gente não sai de casa, não precisa nem ser uma tempestade. No nosso prédio, inclusive, tem uma comporta porque senão a água invade a garagem e destrói a maquinaria dos elevadores. Em dias de chuva, os carros nem saem, nem entram na garagem. Não tem possibilidade do canal de esgoto suportar um colégio&#8221;, reclama o médico Ricardo Pernambuco. Um dos engenheiros responsáveis pela obra, João Eduardo Marinho, sócio da Marca Engenharia, é casado com a presidente da Compesa, a engenheira civil Manuela Marinho. O parecer da Compesa atestando a viabilidade do empreendimento foi concedido antes de ela assumir o cargo.

Morador do Parnamirim e ativista da Ameciclo, Daniel Valença integrou a mesa e destacou a insuficiência das ações mitigadoras quando os projetos são aprovados pela prefeitura. &#8220;Os processos continuam chegando à Câmara exatamente para poder mitigar ações que deveriam ser feitas pela prefeitura, se houvesse esse processo de escuta. As ações mitigadoras (deste projeto) são ridículas. Fico preocupado com o habite-se, porque não há fiscalização depois, para ver como o projeto está funcionando. Tem parques em prédios habitacionais que viram vagas de estacionamento. As farmácias colocam cobogós no chão e depois trocam por cimento&#8221;, disse.

Para Daniel, a pressão agora deve ser na Prefeitura do Recife, para que ela exija ações mitigadoras mais eficientes. &#8220;Ela tem poder de fazer isso&#8221;, diz Daniel, que defende que as atribuições do CDU sejam transferidas para Conselhos da Cidade. &#8220;Há três Conferências da Cidade que pedimos isso. Um conselho paritário, com movimentos, organizações da sociedade civil organizada, universidades. É uma composição muito mais favorável à sociedade. O CDU tem hoje uma configuração perversa, com a sociedade tendo pouca voz e direito, é praticamente apenas para referendar os projetos&#8221;, afirma.
<h2>Empreendimento custará R$ 13 milhões</h2>
A coleção de sobrenomes tradicionais que foi ao plenarinho não saiu satisfeita com as explicações dadas pelos empreendedores e pela prefeitura. Em momento algum, durante a audiência, o arquiteto, a representante da prefeitura ou o representante da CTTU admitiram o que os moradores da região percebem como óbvio: o empreendimento, por ficar em um ponto estratégico para o trânsito da Zona Norte, vai ter um grande impacto na mobilidade. Nenhuma nova ação mitigadora ou compensatória foi acordada. De concreto, o compromisso de uma nova reunião, desta vez privada: será formada uma comissão de moradores para dialogar diretamente com o grupo construtor do empreendimento.

Ao final da reunião, uma das fundadoras do grupo Amigos do Parnamirim, Sylvia Costa Couceiro, conversou com o sócio da Plus Imóveis Walmar Coelho Filho e o gestor do GGE Geraldo Faria. Eles mais ouviram que falaram. Sylvia foi certeira ao cobrar um diálogo franco. &#8220;Não adianta vocês dizerem que não vai ter impacto, que o trânsito não vai ser afetado ou que vai até diminuir. Nós sabemos como os números podem ser manipulados. Por favor, vamos partir do pressuposto verdadeiro. Vamos ver como minimizar esse impacto. É isso que a gente quer de vocês, e não que nos tentem convencer que vai ser bom em tudo&#8221;, afirmou.

<div id="attachment_18913" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18913" class="wp-image-18913 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/GGE-interno-2-1024x679.jpg" alt="Projeto do colégio" width="702" height="465"><p id="caption-attachment-18913" class="wp-caption-text">Projeto do colégio para 900 alunos</p></div>

&#8220;É um empreendimento grande e em um ponto estratégico. Vai mexer com a vida de todo mundo. Vocês estão olhando pelo lado do empresariado e temos uma certa sensibilidade, pois é um empreendimento de educação, mas como é que algo de educação começa desse jeito? Começa errado da base. A educação vem da participação, do senso crítico. Essa formação do grupo (Amigos do Parnamirim) vai além do trânsito, é pela participação cidadã na cidade. Se vocês tivessem chegado antes (para apresentar o projeto), nada disso teria acontecido. O colégio já está entrando no bairro com uma má fama&#8221;, afirmou Sylvia, que leu todo o projeto do GGE Parnamirim. &#8220;É apenas mais um exemplo do que acontece na cidade. Com o Cais Estelita, as casas modernistas na Rosa e Silva, as Torres Gêmeas, e com outros tantos feitos desta forma, enfiados goela abaixo na população&#8221;, criticou.

A Marco Zero, Walmar afirmou que o empreendimento vai custar R$ 13 milhões. As ações mitigadoras geralmente são estabelecidas entre 1% e 2% do valor total dos empreendimentos. Só para os seis semáforos inteligentes, que são a principal ação mitigadora do colégio, o arquiteto Bruno Ferraz afirmou que serão gastos por volta de R$ 300 mil. Só aí já se extrapola o valor usual. Em momento algum da reunião o grupo empreendedor se comprometeu formalmente a acrescentar outras medidas mitigadoras, apesar de se mostrar aberto ao diálogo com uma comissão de moradores. &#8220;Essas ações (mitigadoras) podem ser mudadas. Assinamos um termo de compromisso para fazer essas ações, mas podem mudar&#8221;, afirmou Walmar.<p>O post <a href="https://marcozero.org/gge-parnamirim-moradores-contestam-empresarios-e-cobram-mais-acoes-mitigadoras/">GGE Parnamirim: moradores contestam empresários e cobram mais ações mitigadoras</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Segredo, influência e manobra: a construção do colégio GGE na Praça do Parnamirim</title>
		<link>https://marcozero.org/segredo-influencia-e-manobra-a-construcao-do-colegio-gge-na-praca-do-parnamirim/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Sep 2019 22:54:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[gge parnamirim]]></category>
		<category><![CDATA[João Braga]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se você frequenta a Zona Norte do Recife, já está familiarizado com a Praça do Parnamirim. É ao redor dela que funciona um girador, ponto crucial para a distribuição do tráfego de bairros como Casa Forte, Jaqueira, Casa Amarela e tudo que conecta a região. Se você acha que o trânsito ali já é pesado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Se você frequenta a Zona Norte do Recife, já está familiarizado com a Praça do Parnamirim. É ao redor dela que funciona um girador, ponto crucial para a distribuição do tráfego de bairros como Casa Forte, Jaqueira, Casa Amarela e tudo que conecta a região. Se você acha que o trânsito ali já é pesado – e é mesmo – se prepare: pode piorar. Isso porque quase na esquina com a Estrada do Encanamento está sendo construído um colégio de grande porte. A unidade Parnamirim do colégio GGE já está indo para o quinto piso. A planta do projeto prevê capacidade para 900 alunos.

Moradores da região e bairros vizinhos foram pegos de surpresa pelo empreendimento. Quando houve a demolição da casa de número 452 da avenida Desembargador Góis Cavalcante, muitos acharam que ia ser o de sempre no bairro, mais um prédio. Quando começou a subir, ficaram desconfiados com a estrutura de pré-moldados.

<div id="attachment_18919" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/Obre-de-construção-do-GGE-Parnamirim_-7.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18919" class="size-medium wp-image-18919" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/Obre-de-construção-do-GGE-Parnamirim_-7-300x200.jpg" alt="Placa da Marca Engenharia no local da obra. Foto: MZC" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-18919" class="wp-caption-text">Placa da Marca Engenharia no local da obra. Foto: MZC</p></div>

A desconfiança cresceu, também, porque a placa da obra &#8211; gigantesca, mais assemelhada a um outdoor &#8211; é irregular. Em desacordo com a legislação municipal, ela não indica nem quantos pavimentos serão construídos, nem qual o tipo do empreendimento. Moradores foram descobrindo por acaso ou em conversas com os operários. Questionada pela Marco Zero, a Prefeitura do Recife afirmou, em nota, que a Diretoria Executiva de Controle Urbano (Dircon) “já notificou o empreendimento para o acréscimo das informações exigidas por lei”.

Quando descobriram que ali ia ser um colégio, moradores do Parnamirim e bairros vizinhos se uniram contra o projeto. A primeira reunião foi na semana passada e uma nova já está marcada para a próxima segunda-feira (16). Foram feitas articulações com políticos e imprensa.

Foi também criado o grupo de whatsapp Amigos do Parnamirim para mobilizar os moradores. O trânsito, claro, é o assunto mais discutido. O relatório de impacto do trânsito, <a href="https://marcozero.org/quem-manda-nas-avenidas-do-recife/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">produzido pela empresa Fratar</a>, chega a apontar que o congestionamento na área pode até diminuir com a construção do colégio. Por esse estudo privado, obrigatório para o licenciamento da construção, dois pontos serão afetados: o cruzamento da Estrada do Encanamento com a rua Ferreira Lopes vai decair da categoria B para C, e o da Praça do Parnamirim de C para D – em uma escala de classificação que vai de A (melhor) para H (pior). A Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) acatou o relatório.

“O estudo usa dados de 2014 da CTTU, atualizados pela própria empresa pra 2017. A CTTU realmente verificou a metodologia usada neste estudo? Ainda colocam que o número de carros na região diminuiu de 2014 para 2017. Estamosem uma das capitais com menor extensão geográfica do Brasil, é preciso se pensar em soluções para o tráfego. Não dá para ter um carro, levando uma única criança para a escola todo dia”, diz o vereador Jayme Asfora (sem partido), morador de Casa Forte, integrante do grupo e autor de um projeto de lei que obriga que sejam realizadas pesquisas com a vizinhança para empreendimentos de grande porte.

O impacto de qualquer estabelecimento nas imediações da praça é sentido por boa parte de quem frequenta a Zona Norte, e não só moradores. Ali funciona também um corredor de ônibus, por onde passam linhas que atendem às universidades federais e os morros da ZN. Em um raio de menos de 600 metros, há três hospitais que atendem o SUS: Agamenon Magalhães, Correia Picanço e Maria Lucinda. Só no Agamenon são mais de 14 mil atendimentos mensais, entre emergência e ambulatórios.

<img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-18963" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/ruaabraham-293x300.jpg" alt="ruaabraham" width="234" height="240">Há outras questões além do trânsito, como a sobrecarga no sistema de saneamento e drenagem. Gestor do GGE, Geraldo Faria afirmou que “a título de informação, o acesso principal do colégio se dará por via secundária, no caso a Rua Abraham Lincoln&#8221;. Trata-se uma rua pequena, residencial, e que, quando chove, alaga muito, como mostra a imagem ao lado. A Compesa deu o aval para questões de saneamento e abastecimento de água do colégio ainda no ano passado. Está tudo realmente dentro da lei. Mas quem questiona esses pareceres?
<h3>Segredo – A opinião da vizinhança não importa</h3>
Há um sentimento de que o empreendimento enganou a vizinhança, porque ela não foi consultada. Acontece que ainda não há nenhuma regulamentação, nenhuma lei, que obrigue um empreendimento de impacto (toda obra em terrenos com mais de5 mil metros quadrados ou em áreas com restrições) a ouvir a população. Esse sistema de democracia direta não existe. São somente os órgãos da prefeitura e órgãos com representantes da sociedade civil que avaliam os projetos.

O gestor do GGE Geraldo Faria afirmou que “a sociedade civil foi ouvida no processo”. Não deixa de ser verdade, já que o projeto foi aprovado no Conselho Desenvolvimento Urbano (CDU). Falaremos sobre como foi a reunião para aprovação do projeto mais na frente. <em>Spoiler</em>: o projeto mudou de relator na hora e foi coberto de elogios.

No grupo de WhatsApp <strong>Amigos do Parnamirim</strong>são postadas fotos do trânsito caótico do local de dentro dos veículos: pois é de carro que os moradores circulam, mesmo em um bairro repleto de serviços. “Achar que existe alguma solução para reduzir o trânsito na Praça do Parnamirim focando no automóvel é tentar apagar incêndio com gasolina. A redução da praça (ocorrida em 2012, justamente para implantação do girador) e sua inutilidade estão aí como prova. O tempo ensina. Todo o problema para as ruas calmas por trás do GGE, onde as pessoas moram, é esperado pelo aumento na circulação de automóveis e não na circulação de pessoas. Circulação de pessoas traz segurança e vida para o bairro. A forma de se diminuir o impacto é exigir medidas compensatórias que estimulem as pessoas a ir e voltar ao GGE de ônibus, bicicleta ou a pé”, acredita o advogado Cezar Martins, uma voz dissonante no grupo.

Mesmo com a obra tomando forma, os moradores estão se articulando em algumas frentes. A primeira é pressionar a prefeitura para que tome a iniciativa de rever as licenças concedidas à obra. Para isso, uma reunião pública foi convocada pelo vereador Jayme Asfora para a próxima quarta-feira (18), às 9h, na Câmara Municipal do Recife. Os proprietários do GGE, os responsáveis pela construção e o secretário de Mobilidade e Controle Urbano, João Braga, serão convidados para a reunião.

<div id="attachment_18916" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18916" class="wp-image-18916 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/Obre-de-construção-do-GGE-Parnamirim_-11-1024x682.jpg" alt="Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="702" height="467"><p id="caption-attachment-18916" class="wp-caption-text">Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Como muitos não acreditam que, a essa altura do campeonato, a prefeitura vá rever as licenças – nota da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano diz que o empreendimento “percorreu todo o trâmite obrigatório até a sua aprovação, respeitando todas as leis urbanísticas vigentes” -, o grupo de moradores também vai tentar o embargo pelas vias judiciais. A ideia é primeiro tentar uma representação junto ao Ministério Público. Se não conseguirem, poderão entrar com uma ação judicial contra a prefeitura e o empreendimento.

A reunião do Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) em que foi aprovado o projeto também é questionada. O grupo está se articulando também com moradores do Poço da Panela, que se mobilizam contra a construção de um Atacado dos Presentes na avenida Dezessete de Agosto.

Os dois casos de mobilização de moradores contra um empreendimento mostram que é urgente que o projeto urbano do Recife seja repensado. É um modelo que caminha a passos largos para o esgotamento não só estrutural e de fontes naturais, mas de convivência. “A cidade está traindo sua essência. As pessoas estão só no universo do dinheiro. Ainda se encontram núcleos de humanidade, mas o padrão geral é transformar o Recife em uma cidade completamente desumana. Mas não é só o Recife, mas no Recife é mais forte, porque os gestores são arrogantes, não querem ver os bons exemplos de outros lugares”, afirma o geógrafo francês Jan Binout, professor aposentado da UFPE, em entrevista sobre o projeto do Plano Diretor concedida à Marco Zero em abril.

Apesar de ser constantemente desrespeitado, a elaboração do Plano Diretor é uma oportunidade para que os moradores pressionem o poder público por mudanças. As oficinas já acabaram, as audiências públicas, que a Marco Zero acompanhou, também. Não havia associação ou grupo do Parnamirim presente. O projeto do PD da Prefeitura do Recife está agora em tramitação na Câmara. Foi prorrogado por mais seis meses e só deve ser votado no próximo ano. Os vereadores têm até o dia 24 deste mês para apresentar emendas. Lembra em quem votou nas últimas eleições? Essa é uma boa hora para cobrar por mudanças.
<h3>Influência &#8211; Construção é de empresário ligado ao PSB</h3>
Há muitos anos já não havia moradores no casarão, com enorme área verde. O imóvel era esporadicamente usado como comitê de políticos. Nas últimas eleições, foi a sede da campanha de reeleição do governador Paulo Câmara e comitê central do PSB. As ligações com o PSB não se esgotam aí.

O empreendimento vai sediar um colégio do GGE, mas não é o colégio quem está bancando a obra. A construção é o que o mercado chama de “build to suit”: uma construtora ou empresa imobiliária constrói o imóvel de acordo com o que o cliente quer e é assinado um contrato de aluguel de longa duração. No caso do colégio, a empresa dona do terreno e da obra é a Plus Imóveis, do empresário Pedro Everton Schwambach. Um dos filhos dele, Bruno Schwambach, foi secretário de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente de Geraldo Júlio (PSB), na Prefeitura do Recife, e desde o começo do ano assumiu como secretário da gestão de Paulo Câmara (PSB), na pasta de Desenvolvimento Econômico, responsável também pelo Porto de Suape, o Porto do Recife, a AD Diper e a Copergás.

Com um capital social de quase R$ 222 milhões, a Plus Imóveis não é a faceta mais conhecida de Pedro Schwambach. Ele é o principal sócio do Grupo Parvi, que possui mais de 60 concessionárias, em 13 estados do Brasil. O grupo é dividido em empresas como a Parvi Assessoria e Participações LTDA (capital de R$ 6,7 milhões), a Parvi Locadora (R$ 10 milhões) e a Auto Parvi (R$ 5 milhões), que engloba as marcas Toyolex, Bremen, Rivoli e Fiori, entre outras.

A locadora, por exemplo, existe desde 2006. Em 2009, começou a ter contratos com o governo estadual. Começou com R$ 571,6 mil em 2009, época em que Eduardo Campos era governador. Os contratos seguem uma crescente. Subiu de R$ 2,2 milhões em 2013 para R$ 11 milhões em 2015, ano do primeiro governo de Paulo Câmara. Em 2018, chegou a receber R$ 13,2 milhões. Neste ano, já foram pagos pelo estado R$ 12,1 milhões para a Parvi Locadora, que atende 48 secretarias e órgãos estaduais.

Com a Prefeitura do Recife, são oito contratos vigentes neste ano. Só o aluguel de uma caminhonete cabine dupla custa R$ 325 mil aos cofres públicos. São quatro diferentes alugueis com o mesmo valor, mais outros três com valores menores, somando cerca de R$ 1,4 milhão em 2019.
<h3>Manobra &#8211; Projeto foi aprovado no CDU sem parecer do relator</h3>
Todo empreendimento de impacto precisa ser apresentado e aprovado pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU), que é, coincidentemente, presidido pelo secretário João Braga. É a última instância de aprovação de um projeto. A ata da reunião do dia 8 de fevereiro deste ano, em que o projeto do colégio do GGE foi aprovado, é uma pequena amostra de como certos aspectos do interesse público são sublimados em nome do interesse econômico de um grupo.

O relator designado para o projeto foi o arquiteto Pedro Guedes, representante do Instituto Brasileiro de Arquitetura (IAB), que, segundo a ata, não estava presente nem enviou seu parecer ou suplente. De acordo com a ata, “ligou, informando que não teve tempo hábil para elaborar o parecer”. Pedro contesta essas informações (leia abaixo). Logo no começo da reunião, Braga inverteu a ordem da pauta. A apresentação do colégio, que deveria abrir a reunião, foi colocada para encerrar. O arquiteto Bruno Ferraz, representando a construtora, foi quem apresentou o projeto.

<div id="attachment_18910" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18910" class="wp-image-18910 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/GGE-fachada-3-1024x576.jpg" alt="Imagem do projeto do GGE Parnamirim" width="702" height="394"><p id="caption-attachment-18910" class="wp-caption-text">Imagem do projeto do GGE Parnamirim</p></div>

Ele afirmou que a lógica da “mobilidade será invertida. Primeiro, é ir à pé. Segundo, de bicicleta, terceiro de ônibus, e, por último de carro”. Há de se pensar como eles iriam convencer e incentivar pais e alunos a aceitarem essa hierarquia. O projeto, aliás, prevê um bicicletário com apenas 54 vagas para bicicletas – e são 900 alunos. Mas nenhuma pergunta é feita sobre esse aspecto. Pelo contrário, um elogio é oferecido: “Sempre criativo e com excelentes projetos apresentados no CDU”, exclamou o secretário.

O único questionamento de Braga, é se, com tantos bons colégios na Zona Norte, o empreendimento será economicamente viável.

Bruno aproveita para retribuir o elogio: “ótima pergunta”. Ele afirma que uma escola com “apenas 900 alunos, já é um grande atrativo”. E por iniciativa própria fala da mobilidade: “Do ponto de vista da mobilidade, não é um elemento gerador de atração de tráfego. Pelo contrário. Nos nossos cálculos, vai retirar cerca de 10% a 15% do tráfego local”. Se algum conselheiro questionou como foi possível fazer tais cálculos, foi única e exclusivamente em pensamento.

Quando é anunciado que o relator não está presente, nem enviou o parecer, o sócio e diretor da Plus Imóveis Walmar Coelho Filho, pede a palavra e fala que o projeto deveria ter sido apresentado no ano passado, que o colégio quer funcionar já em 2020, que em outubro teria inspeção do MEC e pede para que o relatório da Comissão de Controle Urbanístico (CCU) seja aceito no lugar do parecer do CDU.

João Braga responde que “essa situação nunca tinha acontecido conosco” e, logo depois, que “talvez essa relatoria possa ser incorporada ao conselho”. Pede para que o relato da Divisão de Normatização e Análise Viária da Diretoria Executiva de Licenciamento e Urbanismo seja lido. Após a leitura do parecer, favorável, João Braga interpreta que, como presidente, pode indicar outro relator.

Ele indica a Procuradora Geral do Município, Andréa Galiza. Ela fala que o projeto terá “um certo impacto no trânsito”, mas que o filho dela estuda no colégio São Luiz e quer ir para a escola de bicicleta. E com o novo GGE ele poderá fazer isso. “Temos que ter em mente que não podemos ficar presos ao paradigma de que não vamos aprovar um projeto dessa natureza apenas porque vai gerar impacto no trânsito”. E avisa ao secretário João Braga que ele vai ter trabalho em fiscalizar e multar pessoas que fazem “fila dupla e, às vezes, até tripla” na frente dos colégios. Vale lembrar aqui que a avenida Desembargador Góis Cavalcante só tem três faixas.

Os demais conselheiros seguiram o voto da recém-instituída relatora, muitos carregando nos elogios ao projeto. Representante da Femicro-PE, Gleyson Vitorino de Farias elogiou que o projeto prevê que o aluno chegue “a pé, de bicicleta”, mas pergunta: “Teria porventura existido consulta aos moradores da rua e do entorno, como eles receberiam o projeto?”. Representante do Condepe/Fidem, moradora do bairro de Santana, Ana Cristina Assis de Oliveira questiona o secretário sobre a mobilidade na região.

O arquiteto Bruno Ferraz diz que “precisa acreditar” na quebra de paradigma (que os alunos não irão mais de carro, mas a pé ou bicicleta). “O ato de projetar é assim, preciso acreditar”, repete, antes de, pela primeira vez, admitir que “sei que terei problema de mobilidade, mas preciso enfrentar”. Mas não ia ter redução de 10% a 15% no tráfego da área?! Ele também afirma que não foi feita nenhuma consulta aos moradores da região. Teoricamente, justamente as pessoas que, pelo projeto, irão matricular seus filhos no GGE.

A reunião encerra com a exigência de um estudo específico para implantação das ações mitigadoras “referentes à mudança de circulação, conexão de ciclofaixas, semáforo para pedestres e travessias elevadas”.
<h3>Ata de Conselho é contestada</h3>
Em entrevista à Marco Zero, o arquiteto Pedro Guedes desmente a ata do CDU. “A ata me difama. Já pedi para retificar e não retificaram”, reclama. Ele conta que recebeu o projeto para dar seu parecer 15 dias antes da reunião e começou a fazer o relatório. “Os estudos de impacto de vizinhança e no trânsito que foram apresentados são absurdos. O de trânsito tem um trecho que diz que o trânsito vai diminuir, porque o colégio fica antes dos outros engarrafamentos. É uma loucura. O de impacto de vizinhança é só um relatório sobre o bairro. Uma das propostas da Comissão de Controle Urbanístico (CCU), como ação mitigadora, era de que o colégio construísse uma passarela suspensa de pedestres, em frente ao Hospital Português, distante muitos quilômetros do local”, critica.

“No parecer, eu tinha indicado a necessidade de várias ações mitigadoras, como a melhoria da praça do Parnamirim e colocação de faixas de pedestres e ciclofaixas”, diz Pedro, que era representante do Instituto Brasileiro de Arquitetura (IAB). O relatório elaborado por ele não chegou a ficar pronto, nem foi apresentado porque Pedro ocupou um cargo na gestão municipal e não poderia mais assinar o documento. “Avisei e escrevi uma carta três ou quatro dias antes da reunião e pedi para que a votação do projeto fosse adiada, para dar tempo para outro representante se preparar. No dia da reunião, recebo mensagens da secretária perguntando onde eu estava”, reclama Pedro.

<div id="attachment_18915" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18915" class="wp-image-18915 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/GGE-1024x576.jpg" alt="Localização do prédio" width="702" height="394"><p id="caption-attachment-18915" class="wp-caption-text">Localização do prédio</p></div>

Também morador do Parnamirim, o arquiteto acredita que não há muito mais o que se fazer. “Os moradores poderiam ter participado das oficinas do Plano Diretor, mas muita gente acha que é uma coisa que não afeta a vida delas. A essa altura, os moradores não podem fazer nada. Não podem exigir nada, toda lei foi cumprida. O que pode ser feito é questionar no Ministério Público o mérito técnico dos estudos, que não dizem nada”, acredita.
<h3><strong>Ações mitigadoras? Reprogramação de semáforos</strong></h3>
No projeto apresentado ao CDU, a principal ação mitigadora para não impactar o trânsito na área foi a reprogramação dos semáforos. “O estudo diz que os atrasos observados podem ser, parcial ou totalmente, mitigados com a otimização da programação semafórica da área”, afirmou o arquiteto Bruno Ferraz, de acordo com a ata da reunião.

Ora, quem passa na Estrada do Encanamento com o cruzamento da avenida Desembargador Góis Cavalcante sabe que essa reprogramação já é feita “manualmente”, por um agente de trânsito, principalmente no final da tarde e início da noite. Mesmo assim, a área é engarrafada. O estudo foi acatado pela Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU).

Segundo a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano, a Prefeitura do Recife fez duas exigências após a reunião do CDU: uma baia de embarque e desembarque e a criação de uma faixa de espera de veículos, ambos no interior do lote. “Além disso, atendendo a uma lei municipal, o projeto prevê que os portões de entrada e saída de carros estarão localizados em uma via secundária. Na principal, ficará apenas a entrada de pedestres. Já sobre as medidas mitigadoras, não há a obrigatoriedade de um cronograma. No entanto, as ações precisam estar implantadas quando a análise do habite-se for ser feita, ao final da construção”, afirma nota enviada à Marco Zero Conteúdo. O secretário João Braga não falou com a reportagem.<p>O post <a href="https://marcozero.org/segredo-influencia-e-manobra-a-construcao-do-colegio-gge-na-praca-do-parnamirim/">Segredo, influência e manobra: a construção do colégio GGE na Praça do Parnamirim</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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