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	<title>Arquivos hiv/aids - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos hiv/aids - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Uma questão de preconceito</title>
		<link>https://marcozero.org/uma-questao-de-preconceito/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Mar 2024 17:17:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[concurso público]]></category>
		<category><![CDATA[hiv/aids]]></category>
		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[Médico da Família]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após denúncias da comunidade médica e de participantes do concurso público para Médico de Família e Comunidade, a Secretaria de Saúde do Recife anulou uma questão da prova realizada no último domingo, 17 de março. De acordo com os médicos que participaram do processo seletivo, a questão 26 da prova reafirmava um estigma e reforçava [&#8230;]</p>
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<p>Após denúncias da comunidade médica e de participantes do concurso público para Médico de Família e Comunidade, a Secretaria de Saúde do Recife anulou uma questão da prova realizada no último domingo, 17 de março. De acordo com os médicos que participaram do processo seletivo, a questão 26 da prova reafirmava um estigma e reforçava o preconceito com a comunidade LGBTQIA+.</p>



<p>O quesito de múltipla escolha da prova questionado pelos médicos fazia a seguinte indagação: “O sarcoma de Kaposi (SK) constitui outro risco à saúde para pacientes gays. Embora associado à infecção pelo HIV, o SK parece advir da infecção por um herpesvírus distinto”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Questão 26 da prova. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Instagram</span>
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                    </figure>

	


<p>Na segunda-feira, 18 de março, a Associação Pernambucana de Medicina da Família e Comunidade e a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade emitiram uma nota de repúdio à questão, solicitando a anulação da mesma. No documento, as entidades de saúde explicaram porque a colocação presente na prova era equivocada e preconceituosa, argumentando que “colocar essa questão não avalia a competência do médico de família e comunidade para a abordagem da pessoa que vive com HIV. Na verdade, reafirma o estigma, reforça o preconceito e não corrobora com as boas práticas da especialidade, nem da Atenção Primária, muito menos do SUS” </p>



<p>Depois de uma forte repercussão nas redes sociais, com postagens e comentários que afirmavam o viés homofóbico da questão, uma vez que reforçava uma relação entre a AIDS e homens gays, o Instituto Brasileiro de Apoio e Desenvolvimento Executivo (Ibade), responsável pela organização do concurso, resolveu anular a pergunta. Em uma nota de esclarecimento postada em seu site, o Ibade afirmou que “o conteúdo da mesma [questão 26] não está em concordância com os princípios de inclusão e respeito à diversidade que pautam o Instituto, que repudia quaisquer comportamentos preconceituosos contra a população LGBTQIA+”. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Nota de repúdio da Associação Pernambucana de Medicina da Família e Comunidade e da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">A Associação Pernambucana de Medicina de Família e Comunidade, assim como a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade e entidades médicas de todo o Brasil foram surpreendidas com uma questão da prova do concurso público da Prefeitura da Cidade do Recife para Médico de Família e Comunidade, que ocorreu no dia 17/03/2024.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O IBADE Instituto Brasileiro de Apoio e Desenvolvimento Executivo é o instituto responsável pelas provas, e, no dia de hoje, 18/03/2024, sendo que ao tentar acessar o espelho da prova, o mesmo não constava no site. A questão versava sobre o sarcoma de Kaposi (SK), uma doença oportunista, que durante a epidemia da AIDS na década de 80 estigmatizou milhões de pessoas, com a crença de que relações homoafetivas eram risco para a transmissão do vírus do HIV. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O SK se tornou uma marca da discriminação, com pessoas deixadas jogadas em enfermarias, e a perseguição e intolerância contra homens gays se intensificou e culminou em muita luta do movimento LGBT pelos seus direitos à saúde.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos no século 21, e não há mais base científica que sustente população de risco para o HIV ser homens que fazem sexo com homens. O HIV é uma infecção sexualmente transmissível (IST), e a prevenção combinada é a melhor técnica para evitar a doença, que consiste na utilização de várias abordagens com diversas técnicas, em variados níveis de atenção e atendendo às necessidades de saúde da população e as formas de transmissão do vírus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Colocar essa questão não avalia a competência do médico de família e comunidade para a abordagem da pessoa que vive com HIV. Na verdade, reafirma o estigma, reforça o preconceito e não corrobora com as boas práticas da especialidade, nem da Atenção Primária, muito menos do SUS.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Prefeitura do Recife, como instituição contratante da IBADE, deveria primar pelo perfil de MFC que quer para a rede da cidade. Essa gestão vem se destacando nas ações e programas que ampliam a cobertura da APS, com qualidade, universal, incluindo a PreP (profilaxia pré-exposição ao HIV) na rotina da APS, e nos surpreende ao deixar de exigir a formulação da prova por especialistas em MFC, alinhada aos princípios que a gestão tanto preza.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A APEMFC, com total apoio da SBMFC, solicita a ANULAÇÃO da questão, tendo a certeza de que o MFC deve combater a LGBTfobia e que não pode concordar que algo assim passe despercebido.</span></p>
	</div>



<p>A Secretaria de Saúde do Recife também repudiou a questão presente no concurso e reconheceu que a pergunta “fez uma associação ultrapassada e estigmatizante entre a população LGBTQIA+ e a infecção por HIV”. O órgão afirmou ainda que notificou o IBADE e solicitou que a questão fosse anulada.</p>
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		<title>Conheça a PrEP, o kit de prevenção do HIV que ajuda a reduzir contágio e ainda é pouco usado em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/conheca-a-prep-o-kit-de-prevencao-do-hiv-que-ajuda-a-reduzir-contagio-e-ainda-e-pouco-usado-em-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Dec 2021 22:51:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[camisinha]]></category>
		<category><![CDATA[hiv]]></category>
		<category><![CDATA[hiv/aids]]></category>
		<category><![CDATA[infectologia]]></category>
		<category><![CDATA[PrEP]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os índices do boletim epidemiológico de HIV no Brasil, com dados comparativos dos anos de 2009 e 2019, mostram que, enquanto municípios das regiões Sul e Sudeste apresentaram uma queda considerável no número de casos de infecção do vírus da imunodeficiência humana (HIV/Aids), as regiões Norte e Nordeste tiveram um aumento no contágio. Só o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os índices do boletim epidemiológico de HIV no Brasil, com dados comparativos dos anos de 2009 e 2019, mostram que, enquanto municípios das regiões Sul e Sudeste apresentaram uma queda considerável no número de casos de infecção do vírus da imunodeficiência humana (HIV/Aids), as regiões Norte e Nordeste tiveram um aumento no contágio.</p>



<p>Só o município de São Paulo reduziu em 36% o número de casos em 2020, se comparado aos dados de 2016. A queda acontece de maneira efetiva desde 2017 e, de acordo com infectologistas, isso se deve às políticas de prevenção, que apresentam como principais medidas o aumento de testagem de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e da distribuição dos medicamentos antirretrovirais, que reduzem os riscos de contágio do HIV.</p>



<p>“São Paulo é uma grande referência no diagnóstico de HIV porque desde a implementação da PrEP [Profilaxia Pré-exposição] os índices de infecção têm diminuído bastante em um intervalo de tempo relativamente pequeno, e isso se deve a política de saúde que foi adotada. Em São Paulo, eles têm diversas ações nas ruas de conscientização e monitoramento dos candidatos ao medicamento e um atendimento ampliado de médicos e distribuição da profilaxia”, declarou o médico infectologista da Clínica do Homem do Recife, Bruno Ishigami. </p>



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	                                        <p class="m-0">Evolução do contágio por HIV/Adis de 2009 a 2019</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)?</strong></h2>



<p>A Profilaxia Pré-Exposição, mais conhecida pela sigla PrEP, é um medicamento utilizado antes da exposição a um determinado patógeno para reduzir a probabilidade de infecção. No caso do HIV, a PrEP é utilizada justamente para ser mais uma barreira contra o vírus e pode ter resultados bastante eficazes se combinada a outras medidas de prevenção, como o uso de camisinha e a testagem regular. </p>



<p>Atualmente, no Brasil, para se tornar um usuário da PrEP é preciso procurar os centros de saúde que fornecem o medicamento e solicitar atendimento, que acontece nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, por ser um serviço recente no país &#8211; com apenas cinco anos de implementação &#8211; , o uso da profilaxia ainda é bastante limitado,. Para ser ter acesso é preciso atender a um certo perfil, determinado de acordo com as demandas detectadas pelos profissionais de saúde da rede pública. Atualmente, pessoas com uma vida sexual ativa e com múltiplos parceiros e parceiras sexuais são os principais candidatos ao uso da PrEP. </p>



<p>“Devido a esse critério da exposição a gente tem grupos específicos que são fortes candidatos ao uso da PrEP, como profissionais do sexo, transexuais, homossexuais, pessoas que costumam praticar sexo anal e, por isso, correm mais risco em contrair HIV. Entretanto, não há um critério tão objetivo, porque, por exemplo, se você é uma pessoal heterossexual e tem múltiplos parceiros sexuais, você já é um forte candidato ao uso de PrEp”, afirmou Ishigami. </p>



<p>De acordo com Jô Meneses, coordenadora de Programas Institucionais da ONG Gestos e integrante do Fórum Estadual de Prevenção Combinada das ISTs, atualmente, há uma preocupação em tornar a profilaxia mais acessível às pessoas negras, de baixa renda e transexuais, já que, de acordo com os dados de Pernambuco, a grande maioria dos usuários da PrEP no estado são homens cisgêneros de classe média.</p>



<p>“As pessoas negras e transexuais geralmente estão mais expostas aos riscos de contrair HIV, pois elas são maioria entre profissionais do sexo, mas essas pessoas muitas vezes não têm acesso à informação e não conhecem a PrEP. Por isso, só procuram os serviços de saúde quando já estão infectadas. A profilaxia seria uma segurança importante para elas”, defendeu a coordenadora. </p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Implementação da PrEP em Pernambuco</strong></h3>



<p>A distribuição da Profilaxia Pré-exposição só teve início em Pernambuco no ano de 2018. De acordo com dados do Fórum Estadual de Prevenção Combinada das IST, Aids e Hepatites Virais, atualmente, 536 pessoas fazem uso da PrEP. Outras 361 solicitaram o uso do medicamento, mas seguem na fila de espera. </p>



<p>Os atendimentos e distribuição da PrEP no estado acontecem em apenas cinco unidades de saúde: Hospital Universitário Oswaldo Cruz e Hospital das Clínicas, no Recife; Centro de Testagem e Aconselhamento em Caruaru; Serviço de Assistência ESpecializada (SAE) e Unidade de Saúde Básica Bernardino Campos Coelho, ambos em Petrolina. </p>



<p>Segundo os dados do Fórum Estadual, mais de 80% dos usuários da profilaxia são homens cisgêneros homossexuais, seguidos de mulheres cisgêneros, homens cisgêneros héteros, mulheres trans e, por último, travestis.“Assim que a PrEp foi implementada no Brasil só quem tinha acesso era quem tinha uma maior escolaridade e a gente vê que isso ainda é frequente, a maioria dos usuários de PrEp hoje são homens brancos homossexuais”, explicou o infectologista Bruno Ishigami.</p>



<p>Entre as pessoas que solicitaram acesso ao uso da PrEP e seguem na fila de espera a maioria são mulheres, homens cisgêneros heterossexuais e caminhoneiros. Além disso, os dados mostram que o grupo populacional que tem mais dificuldade em acessar a profilaxia são pessoas trans, travestis e profissionais do sexo, um dado que enfatiza a importância da ampliação de informações sobre o medicamento e sua maior distribuição para pessoas de baixa renda.</p>



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<p>O baixo recebimento de medicamentos para distribuição e a falta de profissionais de saúde com carga horária disponível para realizar os atendimentos faz com que o número de pessoas usuárias da PrEP seja reduzido e, consequentemente, o perfil do usuário que tem prioridade no uso da profilaxia se torna estigmatizado e excludente, como reforça Ishigami. </p>



<p>“O HIV ainda é uma infecção que carrega muitos estigmas devido ao seu histórico, de ter uma grande incidência em homossexuais. As medidas de prevenção até hoje refletem esses estigmas, mas, atualmente, no Brasil, a gente testemunha um crescimento importante da HIV na população heterossexual, idosa e gestante. Então, eu acho que a gente precisa fazer um grande esforço para mudar essa realidade”, declarou.</p>



<p>“É muito triste quando a gente recebe um paciente que é forte candidato a ser usuário da PrEP, mas por falta de medicamento ele acaba demorando muito a receber a profilaxia. Já vi casos de pessoas que estão na fila para receber a PrEP e acabam se infectando antes mesmo de ter a chance de usar o medicamento”, completou o infectologista.</p>



<p>A fim de atender um número maior de pessoas, foi apresentado ao Fórum Estadual de Prevenção uma proposta de ampliação da distribuição da PrEP em Pernambuco, com serviços de atendimento em mais cinco hospitais do estado localizados na Região Metropolitana do Recife, agreste e sertão. Além disso, uma medida do Ministério da Saúde, que possibilita a prescrição da PrEP também por profissionais de saúde da rede privada, tende a proporcionar uma folga na rede pública e aumentar o número de usuários atendidos. </p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Prevenção combinada</strong></h4>



<p>Apesar de ter mais de 90% de eficácia na prevenção do HIV, a Profilaxia Pré-disposição não é uma barreira para outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), por isso, especialistas reforçam que o uso da PrEP deve ser acompanhado de outras medidas eficazes, como uso de camisinha. </p>



<p>“Nos últimos anos, o que a gente testemunha é o crescimento de outras ISTs, como sífilis e gonorreia, e para essas doenças a melhor prevenção segue sendo o uso do preservativo, por isso, o uso da PrEP não pode ser uma justificativa para descartar a camisinha”, declarou Jô Meneses. </p>



<p>No entanto, o uso da PrEP requer a testagem frequente do usuário e o acompanhamento por profissionais de saúde, o que possibilita um maior controle do contágio de todas as ISTs, como explica o cineasta e diretor do documentário <em>Deus tem AIDS</em>, Gustavo Vinagre, usuário da profilaxia desde 2017. “É uma experiência muito boa você ter uma barreira a mais contra o HIV, e com o uso da PrEP a gente tem um acompanhamento médico e faz exames de ISTs a cada três meses, o que possibilita a detecção rápida e o tratamento imediato das infecções. A gente passa a ter obrigação e a estar sempre vigilante com a saúde do nosso corpo”.</p>



<p>A PrEP não apresenta nenhuma reação adversa grave e os efeitos colaterais mais frequentes detectados pelos estudos do medicamento são dor de cabeça, dor de estômago, perda de apetite, náuseas, flatulência, vômitos, tonturas, fadiga, dor nas costas e aumento leve das enzimas presentes no fígado. Na grande maioria dos casos, os efeitos só acontecem no momento inicial da ingestão e desaparecem em até três meses de uso. De acordo com Bruno Ishigami, o acompanhamento frequente com profissionais de saúde possibilita a suspensão imediata da PrEP em caso de efeito colateral grave ou adverso tornando o tratamento bastante seguro.</p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project</a>.</strong></em></p>



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			</item>
		<item>
		<title>Serviço inédito entrega testes para detecção do HIV/Aids em domicílio no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/servico-inedito-entrega-testes-para-deteccao-do-hiv-aids-em-domicilio-no-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kleber Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Apr 2021 18:23:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Gestos]]></category>
		<category><![CDATA[hiv]]></category>
		<category><![CDATA[hiv/aids]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pandemia do coronavírus provocou uma queda de 20% na procura de testes para detecção do HIV/Aids no ano passado com relação a 2019, segundo levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O dado preocupa, pois sem o diagnóstico precoce, a pessoa que teve contato com o vírus pode ter sérias complicações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A pandemia do coronavírus provocou uma queda de 20% na procura de testes para detecção do HIV/Aids no ano passado com relação a 2019, segundo levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O dado preocupa, pois sem o diagnóstico precoce, a pessoa que teve contato com o vírus pode ter sérias complicações se não for acolhida rapidamente pelo serviço especializado de saúde. Com o desafio de reverter esse cenário e evitar mortes, a organização não-governamental Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero lançou um serviço inédito de entrega do autoteste em casa.<br><br>Para solicitar e exame, o interessado deve ligar para a Gestos ou enviar uma mensagem pelo WhatsApp no número (81) 99902-0064. A pessoa será atendida por uma profissional de enfermagem especializada em saúde e sexualidade que fará o primeiro acolhimento com orientações detalhadas de como fazer o teste e sobre a importância do autocuidado. Em seguida, o kit é enviado para o local indicado, conforme agendamento prévio e com respeito ao sigilo. Também é possível retirar o material diretamente na sede da entidade, na Boa Vista.<br><br>Basicamente, o procedimento consiste na coleta de uma gota de sangue do dedo por meio de uma lançeta, semelhante àquela utilizada para teste de glicose, e a mistura do fluido em uma solução reagente. O resultado sai em 30 minutos. Poucos dias depois dessa etapa, profissionais da Gestos entram em contato para fazer um novo acolhimento, desta vez com orientações sobre os serviços de saúde e assistência social. No caso de confirmação da infecção por HIV, a entidade faz o encaminhamento para as unidades de saúde que oferecem o tratamento gratuito pelo SUS.</p>



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<p><br>O serviço de testagem da Gestos também é gratuito e tem capacidade para atender até 70 pessoas por semana. O público-alvo são jovens com idades entre 18 anos e 29 anos. “Essa ação é muito importante no momento em que o acesso aos serviços de saúde está mais restrito devido às medidas de distanciamento social exigidas para controlar a covid-19. Esse é um teste que vende em farmácia, mas não é tão acessível a todos, pois custa em torno de R$ 60, mas a Gestos consegue oferecer de graça”, explica a coordenadora de Programas Institucionais da ONG, Jô Meneses.<br><br>Quem não se sentir seguro para fazer o teste em casa pode optar por realizar o diagnóstico no espaço da Gestos, por meio da técnica do fluido oral, que consiste na coleta da saliva na mucosa da boca. O atendimento conta com todo cuidado e as devidas orientações antes e depois do resultado, seja ele positivo ou negativo. “Desde a retomada entre agosto e setembro voltamos a ofertar o exame rápido na instituição, sobretudo, para quem não se sente acolhido nos serviços municipais e estaduais que ainda alimentam o estigma e o preconceito contra essas pessoas”, diz Jô.<br><br>A iniciativa de testagem rápida e do autoteste faz parte do projeto Viva Melhor Sabendo Jovem realizado pela Gestos com apoio da Unicef e da Prefeitura do Recife.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/estigma-contra-pessoas-com-hiv-compromete-tratamento-e-expoe-rede-publica-de-saude/" class="titulo">Estigma contra pessoas com HIV compromete tratamento e expõe rede pública de saúde</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Esta reportagem é uma produção do Programa de Diversidade nas Redações, realizado pela Énois – Laboratório de Jornalismo Representativo, com o apoio do Google News Initiative”.</em></p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero</strong>…</p><cite>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.<br><br>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.<br><br>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.<br><br>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.<br><br>É hora de assinar a Marco Zero <a target="_blank" href="https://marcozero.org/assine/" rel="noreferrer noopener">https://marcozero.org/assine/</a></cite></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/servico-inedito-entrega-testes-para-deteccao-do-hiv-aids-em-domicilio-no-recife/">Serviço inédito entrega testes para detecção do HIV/Aids em domicílio no Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>&#8220;Rede de saúde mental precisa ser mais robusta para atender demanda&#8221;, diz a psicóloga Anamaria Faria Carneiro</title>
		<link>https://marcozero.org/rede-de-saude-mental-precisa-ser-mais-robusta-para-atender-demanda-diz-a-psicologa-anamaria-faria-carneiro/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Kleber Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Dec 2020 17:25:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[apoio psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[estigma e discriminação HIV Aids]]></category>
		<category><![CDATA[hiv/aids]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos últimos cinco anos, Pernambuco registrou 14.538 novos casos de infecção por HIV, sendo 65% em pessoas com idades entre 20 e 39 anos, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. No mundo, aponta a Unaids, só em 2019 foram mais de 1,7 milhão de novos infectados pelo vírus que pode provocar a Aids.A velocidade [&#8230;]</p>
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<p>Nos últimos cinco anos, Pernambuco registrou 14.538 novos casos de infecção por HIV, sendo 65% em pessoas com idades entre 20 e 39 anos, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. No mundo, aponta a Unaids, só em 2019 foram mais de 1,7 milhão de novos infectados pelo vírus que pode provocar a Aids.<br><br>A velocidade com que esse contingente vem crescendo é acompanhada pela ciência, que cada vez mais tem oferecido tratamentos medicamentosos eficazes para reduzir e, na maioria dos casos, suprimir a letalidade do vírus. No entanto, o cuidado com a saúde mental não segue o mesmo ritmo e o resultado tem sido desastroso para os soropositivos.<br><br>Sem o apoio necessário, muitas pessoas que convivem com o HIV deixam de buscar o tratamento médico por medo de sofrer discriminação, como mostrou o Índice de Estigma e Discriminação em relação às pessoas vivendo com HIV/Aids. O estudo inédito no Brasil foi feito no Recife e em mais seis capitais pela Unaids, Gestos e PUC-RS com o apoio do Pnud.<br><br>“Há uma insuficiência de recursos humanos na rede de atenção à saúde mental das pessoas vivendo com HIV/Aids. Nos serviços especializados, o quantitativo [de psicólogos] é pequeno, não suporta a demanda”, afirma a psicóloga Anamaria Faria Carneiro.<br><br>Em entrevista à Marco Zero Conteúdo, Anamaria, que é conselheira do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco 2ª Região (CRP-02), também explica como a pandemia de Covid-19 poderia ter sido uma oportunidade para o fortalecimento da rede de saúde mental, mas expôs ainda mais a precariedade do sistema.<br><br><strong>Qual a sua avaliação em relação às ações de prevenção ao HIV e à Aids, e ao cuidado aos pacientes infectados pelo vírus?</strong><br><br>Uma das estratégias para a diminuição de novos casos de infecção pelo HIV e de Aids, e também dos estigmas e preconceitos que essa população sofre, é a informação. Quanto mais falamos do assunto, seja relacionado à medicação, formas de prevenção, saúde mental ou qualquer outro tema correlato, melhor. Mas o que a gente vem acompanhando é a diminuição das campanhas públicas que falam sobre o HIV para além do mês de dezembro. Quando há alguma, ela fica restrita para grupos específicos, o que é muito problemático. Pesquisas já comprovaram que para o HIV/Aids não existe mais grupo de risco, o que vemos é o aumento de casos em mulheres, heterossexuais em relacionamento estável.<br><br><strong>Então na sua opinião além de menos campanhas de prevenção e incentivo ao tratamento dos infectados as que ainda são feitas erram na estratégia?</strong><br><br>Campanhas limitadas a períodos como o Carnaval e a públicos específicos como aconteciam nas décadas de 1980 e 1990 só reforçam o estigma, enquanto o restante da população que, de fato, tem visto crescer o número de casos ano após ano, fica sem informação adequada.<br><br><strong>Estudo inédito divulgado este mês pela Unaids, Gestos, PUC-RS e Pnud mostrou que quase 65% das pessoas vivendo com HIV/Aids sofreram discriminação e boa parte delas deixaram de procurar o tratamento por medo do estigma. O que esses dados revelam sobre a rede pública de saúde mental?</strong><br><br>O que nós profissionais da psicologia percebemos é que há uma insuficiência de recursos humanos na rede de atenção à saúde mental das pessoas vivendo com HIV/Aids. Nos serviços especializados, o quantitativo [de psicólogos] é pequeno, não suporta a demanda. Sabemos que mais de 50% dessas pessoas desejam o acompanhamento psicológico, mas na ponta elas não vão encontrar. O que há, falando aqui de Pernambuco, são psicólogos fazendo um serviço de acompanhamento pontual, muitas vezes restrito àquele primeiro momento do diagnóstico. O que esses pacientes necessitam é de um atendimento constante, semanal, seja individual ou em grupo, e há muitos anos apontamos essa deficiência.</p>



<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="6PBDI5CJVc"><a href="https://marcozero.org/estigma-contra-pessoas-com-hiv-compromete-tratamento-e-expoe-rede-publica-de-saude/">Estigma contra pessoas com HIV compromete tratamento e expõe rede pública de saúde</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Estigma contra pessoas com HIV compromete tratamento e expõe rede pública de saúde&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/estigma-contra-pessoas-com-hiv-compromete-tratamento-e-expoe-rede-publica-de-saude/embed/#?secret=dG2aW57fzu#?secret=6PBDI5CJVc" data-secret="6PBDI5CJVc" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>



<p><strong>Os governos Federal, Estadual e os municipais alegam que têm uma rede de saúde mental com centros especializados. Não é suficiente?</strong></p>



<p>Nos anos 2000, de fato, houve uma ampliação da rede multidisciplinar e interdisciplinar para atender pacientes com HIV ou doentes de Aids a partir de uma série de cuidados, inclusive aqui no Recife. A estrutura pode até existir ainda, mas está sem equipe suficiente. Enquanto categoria profissional que trabalha diretamente com a saúde mental, o que nós reforçamos é que o sistema de saúde carece de uma rede mais robusta e completa.<br><br><strong>A pandemia do novo coronavírus enfraqueceu ainda mais essa rede?</strong><br><br>[A pandemia] era uma oportunidade para incrementar a rede de saúde mental, pois essas pessoas estão ainda mais em risco. São pacientes duplamente marcados em seus corpos, primeiro pelo HIV, que sem tratamento retira as defesas do corpo e, segundo, pela Covid-19. E o que o poder público fez? Nada. Não aconteceram investimentos nessa área de apoio. Era preciso pelo menos dobrar a capacidade de profissionais de psicologia e o que vimos foi uma redução nos quadros com o afastamento dos psicólogos do grupo de risco ao coronavírus sem a reposição. Mais uma vez, os soropositivos e pessoas com outras condições de saúde precisaram recorrer às faculdades que oferecem atendimento, inclusive, on-line a preços baixos. Em outros casos, as entidades da sociedade civil que militam nessa área acabaram tendo que cobrir de novo a ausência do Estado.<br><br><strong>Qual o impacto da falta da rede de saúde mental na vida de uma pessoa vivendo com HIV/Aids? E como cada um pode ajudar a minimizar esse problema?</strong><br><br>As pessoas diagnosticadas com HIV, assim como pacientes vítimas de doenças crônicas, lidam com um processo de luto, pois há a morte do antigo corpo. Esse processo de perda precisa ser vivenciado e só um trabalho de saúde mental pode devolver o chão a essa pessoa. O diagnóstico vem acompanhado de muitas informações sobre o vírus, tratamento, riscos, enfim uma gama de assuntos, durante esse processo o indivíduo precisa elaborar seus sentimentos para retomar a vida. A palavra para todos, sociedade, poderes públicos e famílias é acolhimento. É preciso acolher essa pessoa, o que significa não julgar, respeitá-la e ajudá-la a fortalecer os vínculos familiares e comunitários. Ao mesmo tempo, fica para todos nós assumirmos a luta pelo fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), que vem sendo tão atacado nos últimos tempos. Que a gente não desista e ajude a ecoar essas vozes que têm seus direitos e precisam ser respeitados.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Esta reportagem é uma produção do Programa de Diversidade nas Redações, realizado pela Énois &#8211; Laboratório de Jornalismo Representativo, com o apoio do Google News Initiative&#8221;.</em></p></blockquote>



<p><br></p>
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		<title>Abstinência e medo: as campanhas do Ministério da Saúde no carnaval</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Feb 2020 22:16:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[hiv/aids]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Imagens que aparecem na tela e somem rapidamente mostram manchas e feridas. &#8220;Se no mundo acontece um milhão de casos de IST (infecções sexualmente transmissíveis) todo dia, para que arriscar a sua saúde nessa perigosa loteria?&#8221;, narra um jovem, enquanto faces igualmente jovens e preocupadas surgem na tela. A campanha de carnaval do Ministério da [&#8230;]</p>
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<p>Imagens que aparecem na tela e somem rapidamente mostram manchas e feridas. &#8220;Se no mundo acontece um milhão de casos de IST (infecções sexualmente transmissíveis) todo dia, para que arriscar a sua saúde nessa perigosa loteria?&#8221;, narra um jovem, enquanto faces igualmente jovens e preocupadas surgem na tela. A campanha de carnaval do Ministério da Saúde neste ano, com slogan de &#8220;Usar camisinha é uma responsa de todos&#8221;, gerou críticas em instituições que trabalham com jovens e HIV/Aids.<br><br>Isso porque a campanha vai pelo viés do reforço negativo, o que leva a estigmatização não só da doença, mas dos doentes. &#8220;Quando eu vi, me lembrou as campanhas que eram feitas no início da epidemia de HIV, há quase 40 anos, quando o Estado se isentava e responsabilizava a pessoa pela infecção&#8221;, diz Wladimir Reis, coordenador geral da GPT+,  ong que atua na educação e saúde preventiva. <br><br>Para Jô Menezes, da Gestos &#8211; Soropositividade, Comunicação e Gênero, é uma campanha que volta a trabalhar com o medo. &#8220;Tem uma proposta de temor, e não uma proposta de diálogo sobre prevenção. Há também um desrespeito com quem convive com HIV/Aids, porque reforça o estigma. O <em>´você tem que ter medo da doença´ </em>estimula o <em>´você tem que ter medo do doente</em>´, que é algo que combatemos tanto ao longo dos anos&#8221;, lamenta. <br><br>Jô também faz um link com a campanha de prevenção à gravidez na adolescência, lançada pelo Ministério da Saúde na mesma semana, e que ficou conhecida como a &#8220;campanha da abstinência&#8221;. &#8220;As duas campanhas se alinham porque não propõem um diálogo sobre a vivência da sexualidade. Parece que a mensagem que fica é assim: `<em>não transe! e, se você transar, olhe aí o que pode acontecer, cuidado</em>!`&#8221;, acredita.<br><br>Um dos coordenadores do Bigu, coletivo que trabalha com ativismo na comunicação entre jovens, Thiago Jerohan também estabeleceu uma ligação entre as campanhas. &#8220;Ninguém é responsabilizado porque comeu muita gordura e agora tem hipertensão. Ninguém é responsabilizado porque levou chuva e está resfriado. Mas as pessoas são responsabilizadas moralmente pelo sexo &#8211; não pela infecção. Há uma criminalização do sexo e da juventude, que está muito atrelada ao discurso da campanha de Damares (Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) sobre abstinência. Essa campanha do carnaval diz que é sobre camisinha, mas na verdade é sobre o medo de transar&#8221;, diz. </p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.youtube.com/watch?v=e04cD5ExJ2o
</div></figure>



<p>Nem mesmo a rima que o Ministério da Saúde afirma ter sido inspirada na &#8220;poesia slam&#8221; é vista como positiva.  &#8220;É um texto todo rimado, como um poema, mas tem um discurso amedrontador. É a tática de ter medo do sexo, do prazer, para fomentar a abstinência e colocar as pessoas com HIV e outras ISTs em um lugar moral, e não de saúde pública. Esse discurso moralista afasta as pessoas da prevenção, do teste e do tratamento. Acaba alimentando uma cultura de preconceito&#8221;, analisa. <br><br>Em nota, a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids repudiou as campanhas e a fala do presidente Jair Bolsonaro, dada no começo deste mês, de que as pessoas com HIV/Aids eram uma &#8220;despesa&#8221;. &#8220;A desinformação e a irracionalidade dos argumentos por chefes de estado têm sido uma tática recorrente para avançar em um modelo de sociedade onde a mercantilização dos direitos sociais é a peça da vez&#8221;, diz trecho da nota. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Falta de diálogo e informação</h2>



<p>Outra crítica dos movimentos é sobre a falta de diálogo com a sociedade civil ao se construir as campanhas do Ministério da Saúde. Representante em Pernambuco da Rede Nacional de Pessoas Convivendo com HIV/Aids, José Cândido lembra que até antes do governo Michel Temer havia reuniões para sugestões e colaborações.<br><br>&#8220;A gente discutia, opinava. Aceitavam algumas propostas e recusavam outras, mas a gente era ouvido, havia uma construção. É difícil, claro, que tenha uma campanha 100% aprovada pelos movimentos, mas essa é uma campanha sem foco, antiquada, colocada goela abaixa&#8221;, diz José Cândido. <br><br>Em dezembro passado, a campanha do Dia Mundial da Aids também foi alvo de críticas. &#8220;Outras formas de prevenção, além da camisinha, estão sendo &#8216;esquecidas&#8217; pelas campanhas. Não se fala da PEP (profilaxia pós-exposição), da Prep (pré-exposição), desses novos métodos como um todo&#8221;, reclama Cândido. <br><br>Para Jerohan, é uma estratégia do Ministério da Saúde. &#8220;O governo está apostando em falta de informação, porque o próprio site tem uma mandala com 9 estratégias de prevenção e o MS foca somente na camisinha e não fala nas outras formas, está omitindo informações importantes para a população. Omite inclusive a questão de tratamento e o que fazer se for infectado. É uma campanha focada no medo e sem saída: o discurso é de que não se tem o que fazer. Assim, o estado se isenta de oferecer as medicações necessárias&#8221;, diz. </p>



<h3 class="wp-block-heading">Publicitários: pode ser eficiente, mas não soma</h3>



<p>Para o publicitário Giovanni di Carlli, da agência BG9, a campanha de carnaval do Ministério da Saúde dá o recado. &#8220;Ela cumpre seu papel. Aborda o tema de forma muito direta&#8221;, acredita. &#8220;Estamos vivendo tempos  de um grau de intolerância muito grande, então qualquer escorregãozinho as pessoas reclamam. Achei que a mensagem foi passada de forma responsável&#8221;, diz. <br><br>Do ponto de visto técnico, Giovanni diz que é uma produção de &#8220;primeira linha&#8221;. &#8220;A fotografia, a direção e a abordagem estão dentro dos padrões&#8221;, afirma. <br><br>Professor de publicidade e propaganda na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Fernando Fontanella afirma que a peça é datada. &#8220;É uma campanha que dá ênfase ao estímulo negativo. É uma abordagem ingênua. É um tipo de campanha que é feita por quem não está inserido na discussão, o que não é o que se espera de um Ministério da Saúde, que deveria ter uma expertise no assunto&#8221;, afirma. <br><br>De acordo com o professor, a publicidade contemporânea tenta construir a motivação por meio de estímulos positivos. &#8220;Para quem faz campanha o desafio é a motivação. Você pode fazer uma abordagem racional, a pessoa vai entender e concordar, mas não necessariamente agir. Não só basta convencer, mas tem que trazer o motivacional &#8211; e isso é com emoção.  Essa campanha traz a emoção, que é o medo. Pode ser eficaz, mas a publicidade pode tentar construir essa motivação em cima do coletivo e não com uma campanha que vai pelo egoísmo&#8221;, diz. <br><br>Fontanella vê as recentes campanhas do Ministério da Saúde como uma tendência do governo Bolsonaro. &#8220;Trabalha muito com o moralismo. Na perspectiva também de apontar um culpado. Mas isso é feito de uma forma até sutil, em um governo que não trabalha com sutilezas&#8221;, comenta. </p>



<h4 class="wp-block-heading">Campanha discreta</h4>



<p>Não é fácil achar a campanha no site do Ministério da Saúde, repleto de <em>banners </em>e notícias sobre o coronavírus, que, até a véspera do carnaval, ainda não tinha caso confirmado no Brasil. Não há nenhuma chamada na home do site para a campanha de carnaval. <br><br>Na página de Facebook do Ministério da Saúde há quatro postagens sobre a campanha. A mais recente é do dia 15 de fevereiro, com um <em>gif</em> de camisinha e o slogan. No texto, o MS recomenda: &#8220;se notar sinais de uma IST, procure uma unidade de saúde e informe-se&#8221;. Sem dizer quais seriam esses sinais &#8211; e sem considerar que algumas ISTs demoram meses ou anos para manifestar sinais. <br><br>A segunda postagem, de 11 de fevereiro, um dia dia após o lançamento oficial, avisa que &#8220;Comportamento de risco eleva infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no Brasil&#8221;, reforçando o tom moralista da campanha.<br><br>Além da invisibilidade nos meios oficiais, o lançamento da campanha também foi discreto. O ministro Luiz Henrique Mandetta participou de um evento na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, no segundo sábado de fevereiro. <br><br>Foi bem diferente da campanha de prevenção à gravidez, a chamada campanha da abstinência, que contou com coletiva de imprensa em Brasília, exibida ao vivo pelas redes do MS, com a presença da ministra Damares Alves, que contou na ocasião que passou um ano construindo a campanha junto ao Ministério da Saúde. A ideia é de que a campanha da abstinência seja levada para as escolas após o carnaval.<br></p>



<p>A Marco Zero questionou o Ministério da Saúde sobre os gastos com produção e veiculação das campanhas, além do período de cada uma e espaço nas mídias. </p>



<p>Em nota, o Ministério respondeu que a campanha do uso da camisinha será veiculada durante o ano de 2020 todo. &#8220;A campanha é permanente e veiculada em TVs aberta e fechada, rádio, mídia exterior, internet e cinema. Foram investidos R$ 15 milhões&#8221;. <br><br>Sobre a da abstinência, o Ministério afirma que &#8220;fez parte da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, instituída pelo governo federal, no ano passado, por meio da lei nº 13.798&#8221;. A campanha aconteceu na primeira semana de fevereiro. O orçamento, para apenas uma semana, foi de R$ 3,5 milhões para TV aberta, mídia exterior e internet. </p>
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