<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/marco-zero/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 24 Jul 2026 22:15:18 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.7</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
	<link>https://marcozero.org/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Lideranças comunitárias e evangélicas se unem para protestar por transparência do ProMorar</title>
		<link>https://marcozero.org/liderancas-comunitarias-e-evangelicas-se-unem-para-protestar-por-transparencia-do-promorar/</link>
					<comments>https://marcozero.org/liderancas-comunitarias-e-evangelicas-se-unem-para-protestar-por-transparencia-do-promorar/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 22:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[protesto]]></category>
		<category><![CDATA[rio Tejipió]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=76300</guid>

					<description><![CDATA[<p>Neste sábado (25), o Movimento Gota D’Água, formado por organizações sociais, lideranças comunitárias e evangélicas realizará um ato público na Praça do Marco Zero, em Recife, a partir das 7h da manhã. O encontro reunirá moradores das comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, lideranças sociais e igrejas evangélicas para a leitura [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/liderancas-comunitarias-e-evangelicas-se-unem-para-protestar-por-transparencia-do-promorar/">Lideranças comunitárias e evangélicas se unem para protestar por transparência do ProMorar</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Neste sábado (25), o Movimento Gota D’Água, formado por organizações sociais, lideranças comunitárias e evangélicas realizará um ato público na Praça do Marco Zero, em Recife, a partir das 7h da manhã. O encontro reunirá moradores das comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, lideranças sociais e igrejas evangélicas para a leitura de uma Carta Manifesto e coleta de testemunhos de moradores sobre os impactos do Projeto ProMorar/BID na Bacia do Rio Tejipió.</p>



<p>O documento, que será apresentado às autoridades municipais, ao Judiciário e a organismos internacionais como Organização das Nações Unidas (ONU), Organização dos Estados Americanos (OEA) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), denuncia a falta de transparência do escritório social responsável por fazer a ligação entre a Prefeitura do Recife e as comunidades atendidas pelo programa. Além disso, também há queixas referentes aos riscos à saúde provocados pelas enchentes recorrentes e a ineficiência das obras de dragagem nas imediações da comunidade do Barro, realizadas em 2024.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Trecho da Carta Manifesto</span>

		<p>&#8220;As comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, por meio das entidades acima citadas, vêm reivindicar publicamente informações claras, transparentes e prévias sobre o andamento do PROMORAR em seus territórios; a garantia de participação efetiva nos processos de deliberação sobre os projetos; a comunicação antecipada acerca de eventuais reassentamentos das famílias que poderão ser impactadas; a apresentação de propostas de moradia adequada para essas famílias; a regularização fundiária dessas localidades; e, sobretudo, a implementação de soluções que ponham fim às inundações e aos alagamentos que, de forma recorrente, impõem perdas materiais, comprometem a saúde física e mental e que violam o direito à vida digna das moradoras e dos moradores&#8221;.</p>
	</div>



<p>Entre as reivindicações estão a garantia de permanência das famílias no território, reassentamento apenas após a entrega das novas unidades habitacionais, indenizações justas de no mínimo R$ 85 mil e obras estruturantes contra alagamentos. O movimento também exige maior participação feminina nos processos decisórios e formativos, ao criticar a superficialidade das ações voltadas às mulheres ao citar as oficinas de estética e autocuidado oferecidas pelo programa.</p>



<p>O evento contará com a presença de entidades como Instituto Solidare, Instituto Transformar, Cendhec, MNDH/PE, Nós na Criação e Fórum Popular do Rio Tejipió (Forte), além de lideranças religiosas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Movimento-Gota-Dagua-212x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Movimento-Gota-Dagua-722x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Movimento-Gota-Dagua-722x1024.jpeg" alt="A imagem de um cartaz que traz uma mensagem direta e mobilizadora: “Até quando vamos sofrer com as inundações? É hora de agir!”. Ele convoca moradores cansados de perder móveis, ver suas casas alagadas e viver com medo sempre que chove a se unir ao Movimento Gota D’Água. O ato está marcado para sábado, 25 de julho, com concentração às 6h da manhã no Marco Zero, em Recife. Haverá ônibus saindo das comunidades às 4h30, e o texto encerra com o chamado: “Sua presença pode mudar essa história”." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/liderancas-comunitarias-e-evangelicas-se-unem-para-protestar-por-transparencia-do-promorar/">Lideranças comunitárias e evangélicas se unem para protestar por transparência do ProMorar</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/liderancas-comunitarias-e-evangelicas-se-unem-para-protestar-por-transparencia-do-promorar/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Marcha da Consciência Negra toma as ruas do Recife nesta quinta-feira</title>
		<link>https://marcozero.org/marcha-da-consciencia-negra-toma-as-ruas-do-recife-nesta-quinta-feira/</link>
					<comments>https://marcozero.org/marcha-da-consciencia-negra-toma-as-ruas-do-recife-nesta-quinta-feira/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 20:11:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[dia da consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Recife Antigo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=73499</guid>

					<description><![CDATA[<p>Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, as ruas do Recife vão ser ocupadas pela Marcha da Consciência Negra 2025. A mobilização, organizada pela Articulação Negra de Pernambuco em parceria com diversos movimentos sociais, terá concentração a partir das 14h, no Marco Zero. O percurso seguirá pelas ruas do Recife Antigo e do bairro [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/marcha-da-consciencia-negra-toma-as-ruas-do-recife-nesta-quinta-feira/">Marcha da Consciência Negra toma as ruas do Recife nesta quinta-feira</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, as ruas do Recife vão ser ocupadas pela Marcha da Consciência Negra 2025. A mobilização, organizada pela Articulação Negra de Pernambuco em parceria com diversos movimentos sociais, terá concentração a partir das 14h, no Marco Zero. O percurso seguirá pelas ruas do Recife Antigo e do bairro de Santo Antônio, com encerramento no Monumento a Zumbi dos Palmares, localizado no Pátio do Carmo.</p>



<p>Com o tema “Pelo fim da violência policial, por reparação e bem viver”, a marcha deste ano denuncia a criminalização da população negra pelas forças policiais. A escolha do tema faz referência à chacina ocorrida nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, no início do mês. E também se conecta à Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, marcada para o dia 25 de novembro, em Brasília.</p>



<p>A marcha propõe o debate sobre “reparação” como acesso a direitos, redistribuição de oportunidades, preservação da memória e transformação das estruturas que sustentam o racismo. Já o conceito de “bem viver” é apresentado como um projeto coletivo baseado na dignidade, autonomia e segurança da população negra.</p>



<p>A programação inclui falas políticas, intervenções artísticas e apresentações culturais. Às 15h, começam as falas e intervenções; às 15h45, ocorre a Batalha de MCs; às 16h30, apresentação do Maracatu Real da Várzea; às 17h15, Coco de Água Doce. A saída do ato está prevista para 17h30, com cortejo de batucadas. Às 18h, haverá intervenção com pintura no chão com a frase “Vidas Negras Importam”, seguida por intervenção com velas e performance de Cris Nascimento na Praça do Diário, às 18h30. O encerramento está marcado para as 19h.</p>



<p>Esta será a segunda edição da marcha após o Dia da Consciência Negra ter sido reconhecido como feriado nacional, por meio da Lei nº 14.759/2023. A data homenageia Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares, morto em 1695, símbolo de resistência e organização política do povo negro.</p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/marcha-da-consciencia-negra-toma-as-ruas-do-recife-nesta-quinta-feira/">Marcha da Consciência Negra toma as ruas do Recife nesta quinta-feira</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/marcha-da-consciencia-negra-toma-as-ruas-do-recife-nesta-quinta-feira/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Decisão sobre &#8220;zeppelin&#8221; será tomada em Brasília</title>
		<link>https://marcozero.org/decisao-sobre-zeppelin-sera-tomada-em-brasilia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Arthur Maciel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2024 20:21:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[iphan]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Recife Antigo]]></category>
		<category><![CDATA[zeppelin]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=61521</guid>

					<description><![CDATA[<p>O debate em torno da construção de um restaurante em forma de zeppelin sobre dois prédios do Recife Antigo chegou a Brasília e pode ter mais um capítulo nas próximas semanas. O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, está avaliando tanto a íntegra do projeto REC Cultural, incluindo a [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/decisao-sobre-zeppelin-sera-tomada-em-brasilia/">Decisão sobre &#8220;zeppelin&#8221; será tomada em Brasília</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O debate em torno da construção de um restaurante em forma de zeppelin sobre dois prédios do Recife Antigo chegou a Brasília e pode ter mais um capítulo nas próximas semanas. O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, está avaliando tanto a íntegra do projeto REC Cultural, incluindo a construção no teto dos edifícios, quanto o recurso apresentado por 21 organizações do Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro.</p>



<p>Mesmo após a empresa Ebrasil Energia, responsável pelo projeto, ter anunciado a suspensão do “zeppelin” e que &#8220;qualquer intervenção relativa à ocupação da cobertura ficará para depois e somente será realizada a partir de um processo de consulta pública&#8221;, o Fórum protocolou o recurso contra a decisão do superintendente do Instituto em Pernambuco, Jacques Ribemboim autorizando o projeto da forma como foi elaborado pela empresa.</p>



<p>Na argumentação do recurso assinado por Augusto Ferrer de Castro Melo, do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/PE), e Natália Miranda Vieira de Araújo, do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da UFPE, os arquitetos e urbanistas questionam “não ser possível enquadrar uma obra arquitetônica dessa natureza como ‘instalação temporária’, também seria preciso considerar qual o reforço estrutural necessário para poder receber o peso desta estrutura”. Mais adiante acusam a empresa de tentar “burlar a legislação utilizando o insustentável argumento da ‘instalação artística provisória’.”</p>



<p>O documento do Fórum também levanta dúvidas sobre a segurança do projeto, que não teria incluído “laudo técnico que comprove que a demolição das alvenarias dobradas no imóvel não<br>trará dano estrutural ao mesmo”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os argumentos do superintendente</strong></h2>



<p>Mesmo diante da repercussão e do posicionamento contrários de entidades e até da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), a autorização permanece sendo defendida pelo superintendente do Iphan em Pernambuco, Jacques Alberto Ribemboim.</p>



<p>“Primeiramente eu gostaria de esclarecer que a carta enviada ao proponente e que está incorporada ao processo do Pronac, de captação de recursos via Lei Rouanet, não significa uma posição técnica e sim manifesta conhecimento do projeto e concorda com a sua análise. Isso é uma praxe dos processos Pronac que incluem bens tombados pelo Iphan e não tem relação com os documentos do Sistema Eletrônico de Informações do instituto. Não há exigência nem necessidade de se incorporar esse tipo de documento ao sistema”, afirma Ribemboim.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/Ribemboim.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/Ribemboim.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/Ribemboim.jpg" alt="Foto colorida de Jacques Ribemboim, homem branco de meia idade, cabelos curtos castanhos claros, usando óculos de aro retangular. ele está usando uma jaqueta cinza sobre uma camisa quadriculada azul e branca." class="" loading="lazy" width="300">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Jacques Ribemboim
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A questão foi levantada pela MZ, quando foi revelada a existência do documento, no qual o superintendente “declara que está ciente e de acordo com a apresentação do projeto em referência (…) para obter o benefício da Lei Federal de Incentivo à Cultura. No entendimento desta superintendência, o projeto deverá proporcionar impactos fortemente positivos no âmbito cultural e social”. O documento é datado de 22 de setembro de 2023, mais de 30 dias antes do parecer técnico 191/2023, emitido pela coordenação técnica do Iphan em 31 de outubro de 2023. Segundo Ribemboim, o documento não tem caráter de análise técnica do projeto, apenas expressa conhecimento de sua existência e sinaliza concordância com sua apreciação.<br><br>“O projeto é de um centro cultural que prevê a instalação de um museu de arte pernambucana, em dois edifícios históricos do Bairro do Recife que estão em elevado grau de degradação. Dentro desse projeto existe a instalação de um restaurante, lanchonete e loja, que dão uma característica de autossustentabilidade, uma forma de atenuar os elevados custos de manutenção de um equipamento que necessita de climatização adequada, controle de umidade, segurança, são muitos e elevados os custos de manutenção. Os técnicos entenderam que deveria haver uma negativa, principalmente pelo item que contempla a construção do restaurante em forma de zeppelin. Pela ótica deles haveria uma interferência paisagística considerada grave e eu entendo o posicionamento deles”, afirma.</p>



<p>E complementa dizendo que “a análise dos técnicos foi muito bem feita do ponto de vista arquitetônico, foi bem detalhada, eu sempre disso isso e incorporei exigências feitas por eles em meu parecer. Entretanto, analiso que diante dos benefícios gerados pela instalação do museu, pelo conteúdo cultural e informativo, pela integração com outros equipamentos existentes no lugar, pela necessidade de se criar ali um arranjo produtivo localizado, vocacionado para a cultura, o lazer e o turismo, a interferência paisagística gerada pela execução do projeto fica aquém de todo benefício que o museu trará para a cidade e o próprio Bairro do Recife. Estou absolutamente tranquilo quanto à minha decisão, que foi técnica e que tem embasamento em uma análise mais abrangente, além da órbita exclusiva da arquitetura”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/superintendente-do-iphan-assinou-oficio-favoravel-a-zeppelin-um-mes-antes-de-parecer-tecnico/" class="titulo">Superintendente do Iphan assinou ofício favorável a &#8220;zeppelin&#8221; um mês antes de parecer técnico</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h3 class="wp-block-heading"><strong>45 dias até a decisão</strong></h3>



<p>Segundo o texto do projeto apresentado pelo centro de Integração Social José Cantarelli, a instalação do REC Cultural prevê a exposição de um acervo que inclui obras de artistas como Cícero Dias, Abelardo da Hora, Francisco Brennand, Lula Cardoso Ayres, Reynaldo Fonseca, José Cláudio, Tereza Costa Rego e Maria Carmen. São bens adquiridos diretamente de familiares e que, apesar de retratarem boa parte da história cultural, política e social de Pernambuco ao longo do século XX, a maioria nunca foi exibida ou acessada pelo grande público local.</p>



<p>O recurso dirigido ao presidente do Iphan, Leandro Grass, deve ser apreciado e respondido num prazo de 45 dias contados a partir do recebimento.</p>



<p>Por enquanto, vigora a decisão do superintendente do Iphan em Pernambuco, que dá outorga para a implementação do REC Cultural da forma em que foi apresentado no recurso dirigido ao Instituto, com todos os equipamentos previstos e a construção do restaurante em forma de zepelim com caráter provisório, sendo possível a sua remoção, sem danos ao patrimônio, no prazo de 60 meses. É isso que está aprovado até o momento.</p>



<p>Caso a presidência do Iphan determine o veto ao projeto apresentado, um novo processo terá que ser iniciado, com a apresentação de um novo e diferente projeto, se for do interesse do proponente.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/decisao-sobre-zeppelin-sera-tomada-em-brasilia/">Decisão sobre &#8220;zeppelin&#8221; será tomada em Brasília</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Show de João Gomes pode não render dividendos políticos para o PSB</title>
		<link>https://marcozero.org/show-de-joao-gomes-pode-nao-render-dividendos-politicos-para-o-psb/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Aug 2022 18:40:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#eleições2022]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[joão gomes]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[show]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=50379</guid>

					<description><![CDATA[<p>Um dia depois do início da campanha eleitoral, o Marco Zero recebeu um dos maiores shows dos últimos tempos. Palco gigantesco, público assombroso. O ídolo do momento, o hiper carismático João Gomes, com um repertório estourado, cantando para a gravação de um DVD. Foi uma superprodução e o partido do prefeito do Recife, João Campos [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/show-de-joao-gomes-pode-nao-render-dividendos-politicos-para-o-psb/">Show de João Gomes pode não render dividendos políticos para o PSB</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/Marca-Eleicoes-2-300x169.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/Marca-Eleicoes-2.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/06/Marca-Eleicoes-2.png" alt="" class="" loading="lazy" width="139">
            </picture>

	                </figure>

	


<p>Um dia depois do início da campanha eleitoral, o Marco Zero recebeu um dos maiores shows dos últimos tempos. Palco gigantesco, público assombroso. O ídolo do momento, o hiper carismático João Gomes, com um repertório estourado, cantando para a gravação de um DVD. Foi uma superprodução e o partido do prefeito do Recife, João Campos (PSB), não deixou de tentar tirar algum proveito. Mas a estratégia pode ter virado contra.</p>



<p>Ainda na terça-feira, começou a circular nas redes sociais uma imagem apócrifa mostrando Danilo Cabral (PSB) e Lula (PT) ladeando João Gomes, com a frase &#8220;Frente Popular do Piseiro&#8221;. Antes do show, João Campos e João Gomes se encontraram nos bastidores. No seu perfil oficial no Instagram, o prefeito postou dez <em>stories</em> sobre o show. Primeiro, mostrou a estrutura, fazendo questão de afirmar que a apresentação teve &#8220;zero custo para a prefeitura&#8221; e que vai ter &#8220;um retorno incrível, mostrar nossa cidade para o Brasil e para o mundo&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/joao-138x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/joao-473x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/joao-473x1024.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" width="260">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Credito: Instagram/João Campos</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Depois de mostrar o palco, Campos surgiu ao lado de João Gomes, tomando um cafezinho, sua marca registrada. O prefeito falou que o artista tinha escolhido o Recife e que ia ser histórico. Sorridente, João Gomes se limitou a dizer que estava sendo uma benção e que o Recife que o tinha escolhido, agradecendo. João Campos ainda postou uma <em>selfie</em> com o cantor e depois fez vídeo e foto com o sanfoneiro Jeovanny Gabriel, amigo de infância e integrante da banda de João Gomes. Para finalizar, postou duas lindas fotos aéreas do Recife Antigo tomado pela multidão. No <em>feed</em>, a publicação ao lado de João Gomes está com quase 40 mil curtidas, bem acima da média da conta do prefeito.</p>



<p>A militância do PSB também aproveitou e muito o show de João Gomes. E com todo conforto. Vários militantes postaram fotos e vídeos bem em frente ao palco, em uma espécie de área vip. Ex-secretária executiva de juventude da Prefeitura do Recife, Camila Barros fez <em>stories</em> para seus quase 10 mil seguidores com vários outros militantes socialistas no espaço. Ainda com o show rolando, aproveitou para divulgar a inauguração do comitê de Pedro Campos, candidato a deputado federal.</p>



<p>Um dia depois do show, a campanha de Danilo Cabral aproveitou para circular um vídeo em que João Gomes segura no palco uma camisa da farda escolar da rede estadual. &#8220;É a mais famosa do Brasil&#8221;, afirmou o cantor, com a farda na mão. A referência é para as dancinhas do TikTok em que alunos da rede aparecem com a farda. Militantes do PSB postaram um vídeo que usa esse trecho, puxando para o lado de Danilo Cabral. &#8220;As fardas da rede estadual de ensino de Pernambuco são um sucesso. Elas surgiram em 2008, como uma política pública de Danilo, que era secretário de educação no governo Eduardo Campos&#8221;, diz trecho do vídeo da campanha de Danilo. </p>



<p>Mas o &#8220;retorno incrível&#8221; esperado pelo prefeito talvez não venha. Ou só venha para João Gomes &#8211; que teve um show elogiadíssimo por quem foi. Pouco depois da festa acabar, o que se viu nas redes sociais foi uma enxurrada de vídeos que não vão reverter bem para as gestões do PSB na capital e no estado: muitos arrastões e muitas brigas. Nos comentários, a oposição acabou fazendo a festa, denunciando a falta de segurança.</p>



<p>O Governo do Estado colocou 410 policiais militares no show. A estimativa é de que 150 mil pessoas tenham ido até o Recife Antigo para ver João Gomes. Em nota, a Secretaria de Defesa Social afirmou que foram registrados 12 ocorrências, sendo apenas quatro flagrantes. Também foi divulgado que foram realizados apenas três atendimentos do Samu, todos por conta de agressões. Números que se afastam das  imagens de confusões generalizadas nos vídeos  das redes sociais. A volta pelo transporte público, um calo histórico do Recife, também ganhou destaque nas reclamações. Nas redes sociais, o prefeito já virou a página e hoje não deu um pio sobre o show, apostando no engajamento de ontem para divulgar a construção de um novo Compaz, no Ibura.</p>



<h2 class="wp-block-heading">João Gomes, sem se envolver em debate político</h2>



<p>João Gomes é do sertão pernambucano, de Serrita, mas morou a maior parte da vida em Petrolina. É um artista do seu tempo: em 2019 começou a postar cantando no Instagram, assinou com um empresário do ramo e começou a fazer sucesso. Hoje, aos 20 anos, está no auge. Tem música na novela Pantanal (<em>Eu tenho a senha</em>, com melodia e letra muitos graus acima da média radiofônica) e lota festas pelo Nordeste afora. Ao falar do novo disco <em>Digo ou não digo</em>, o <a href="https://monkeybuzz.com.br/resenhas/albuns/joao-gomes-digo-ou-nao-digo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">crítico de música GG Albuquerque</a> afirmou que o artista faz a trilha de uma urbanização dos interiores do país. &#8220;O movimento de João Gomes é menos tornar-se pop, mas reler o vocabulário pelo seu local de origem. É um projeto de renovação que está sempre fincado nas histórias de quem veio antes&#8221;, escreveu.</p>



<p>Afora a relevância na música popular, e o poderio empresarial por trás, João Gomes construiu uma imagem extremamente carismática nas redes sociais. Frequentemente se mostra com saudades de ou acompanhado da mãe, da avó, dos amigos e parentes do sertão. Faz vídeos contemplando as paisagens da caatinga, tomando seu café da garrafa térmica. Ex-estudante do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), é religioso e gravou uma música gospel para a mãe. Sempre fala de Deus para seus 13,5 milhões de seguidores no instagram. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/joao1-239x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/joao1-816x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/08/joao1-816x1024.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" width="271">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crédito: Reprodução/Instagram</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A postagem do <em>feed</em> de João Gomes sobre o show, publicada na madrugada de hoje, tem um erro que constrange a Prefeitura do Recife. A postagem afirma que &#8220;<strong><em>milhares de vidas em Recife se perderam esse ano devido a fortes chuvas</em></strong>. Aquele dia meu coração partiu por essa cidade….e hoje me encheu de alegria&#8221;. O que aconteceu foi uma tragédia, a maior dos últimos 100 anos no Grande Recife, mas não é verdade que &#8220;milhares de vidas&#8221; se perderam, já que oficialmente foram 132 mortes em Pernambuco nas chuvas do final de maio.</p>



<p>A posição política de João Gomes é pouca divulgada: não segue Bolsonaro, nem Lula. Também não repostou os <em>stories </em>com o prefeito João Campos, nem o segue. Entre os candidatos ao governo de Pernambuco, a conta dele no instagram segue apenas Miguel Coelho, prefeito de Petrolina, do partido de direita União Brasil. Fagner e Vanessa da Mata foram as participações especiais da gravação do DVD no Marco Zero. Fagner apoiou Bolsonaro em 2018, mas se arrependeu e já acionou a Justiça Eleitoral para que apoiadores do presidente parem de divulgar um vídeo que ele gravou na época. Já Vanessa da Mata, que passou anos sendo &#8220;isentona&#8221;, tem declarado em shows que vai votar em Lula. João Gomes, até agora, segue discreto.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong></cite></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/show-de-joao-gomes-pode-nao-render-dividendos-politicos-para-o-psb/">Show de João Gomes pode não render dividendos políticos para o PSB</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um &#8220;boulevard&#8221; entre o turismo e a miséria</title>
		<link>https://marcozero.org/um-boulevard-entre-o-turismo-e-a-miseria/</link>
					<comments>https://marcozero.org/um-boulevard-entre-o-turismo-e-a-miseria/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Dec 2017 21:44:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade do Pilar]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Júlio]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Câmara]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Recife Antigo]]></category>
		<category><![CDATA[turismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=6381</guid>

					<description><![CDATA[<p>Os recentes investimentos públicos na revitalização da Avenida Rio Branco, no Recife Antigo, obra para a qual o Governo do Estado destinou R$ 5,5 milhões financiados pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), por meio do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), abrem caminho para o debate sobre a ocupação democrática de espaços públicos. Se por [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/um-boulevard-entre-o-turismo-e-a-miseria/">Um &#8220;boulevard&#8221; entre o turismo e a miséria</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[Os recentes investimentos públicos na revitalização da Avenida Rio Branco, no Recife Antigo, obra para a qual o Governo do Estado destinou R$ 5,5 milhões financiados pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), por meio do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), abrem caminho para o debate sobre a ocupação democrática de espaços públicos. Se por um lado é louvável a iniciativa de valorizar áreas de convivência que priorizem os pedestres, por outro, conectar as comunidades periféricas a esses novos ambientes é um desafio que ainda não parece pautar os planos urbanísticos da capital pernambucana.

Chamado de “boulevard”, o projeto de requalificação da Rio Branco foi inaugurado na última quinta-feira (21). O passeio público recebeu novo piso, bancos, iluminação, teve os fios embutidos e ganhou novos quiosques de venda de alimentos e revistas, que se uniram a lanchonetes e salões de beleza já presentes no local. A cerimônia de entrega do equipamento teve clima de campanha com bandas, apresentações artísticas e a presença de secretários de governo e do município, além do governador Paulo Câmara (PSB) e do prefeito Geraldo Júlio (PSB). Os políticos percorreram parcimoniosamente os 300 metros de extensão da via distribuindo cumprimentos entre turistas e frequentadores do bairro.

A proposta é que o projeto fomente o turismo, considerando que a via é uma importante ligação com o Marco Zero da cidade, visitado por milhares de turistas, onde atualmente funcionam bares e restaurantes no antigo espaço de armazéns. “É também um lugar onde as pessoas podem se encontrar, fazer apresentações culturais”, disse o prefeito Geraldo Júlio. O gestor não detalhou, contudo, se há um planejamento de atividades para integrar comunidades periféricas que fazem parte daquela região, como a do Pilar, a menos de dez minutos de caminhada da Avenida Rio Branco, ao novo espaço.

“O projeto é positivo porque se inicia uma nova forma de pensar o Recife Antigo, cujo desenvolvimento antes estava muito ligado a prédios privados. A ideia de priorizar espaços para pedestres é importante, sobretudo numa cidade desenhada para carros. Mas é importante que o plano de ocupação desses espaços seja conhecido, o que ainda não aconteceu nesse caso”, pondera a professora titular do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE, Circe Monteiro. Para estimular a apropriação do espaço por parte da população, é importante que se ofereçam atividades. “É preciso ter um mix de programações em vários horários e voltadas para diversas classes sociais”, pontua.

A estudante Tamires Flora de Paula, 23 anos, moradora do Pilar, pouco sabia sobre o projeto que promete ser um espaço aberto à convivência. Para ela, o esposo e o filho dele, que tem apenas cinco anos, um passeio naquelas ruas tão próximas da sua pequena casa é, na verdade, uma realidade distante. “Meu marido trabalha de flanelinha no Recife Antigo, porém está com problemas porque a prefeitura não está liberando o cadastro dele. Não temos dinheiro para passear. O que sobra é pra comprar comida e gás”, diz.

<div id="attachment_6372" style="width: 810px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/12/Pilar_-4.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6372" class="wp-image-6372 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/12/Pilar_-4.jpeg" alt="Pilar_ (4)" width="800" height="450"></a><p id="caption-attachment-6372" class="wp-caption-text">Tamires não frequenta o Recife Antigo por falta de recursos. Foto: Inês Campelo</p></div>

<strong>TÃO PERTO E TÃO LONGE</strong>

Quem passeia tranquilamente pelas lanchonetes e quiosques de coco do agradável cenário do &#8220;boulevard&#8221; construído na Avenida Rio Branco pode duvidar que, tão perto dali, se revele um ambiente de tanta escassez como a comunidade do Pilar. À margem do desenvolvimento econômico e turístico da região onde se insere, a dura realidade dos moradores da comunidade reproduz os contrastes sociais da cidade. As ruas, sem saneamento público e sem calçamento, abrigam moradores que muitas vezes vivem em barracos e em construções precárias, como é o caso de Tamires. Ela, assim como muitos moradores da comunidade, aguardam o cumprimento da promessa de entrega de apartamentos que seriam construídos pela Prefeitura do Recife.

“Já faz mais de cinco anos. Mês passado teve uma reunião com a prefeitura, mas eles não resolveram nada”, conta Tamires. “Tem a promessa de fazer um mercado público aqui para abrigar o comércio local. Há mais de dez anos a gente espera por isso”, reclama o comerciante Marcelo Ezequiel Soares, que mantém um pequeno mercadinho de bairro na casa onde mora. O projeto de requalificação da comunidade do Pilar foi anunciado no ano 2000 e teve início dez anos depois. Contudo, até agora, a totalidade dos habitacionais não foi entregue. E, em alguns casos, mesmo quem chegou a receber o apartamento, revela problemas. “Meu apartamento foi entregue cheio de defeitos, vazamentos. Além disso me colocaram no terceiro andar, mas eu não podia ficar porque tenho um problema ortopédico”, conta Lucivânia Gomes, dona de casa que precisou desocupar o apartamento, seis meses atrás, por não conseguir um acordo com o Poder Público. “O apartamento está fechado e o caso está na Justiça”, acrescenta a moradora do Pilar.

<div id="attachment_6369" style="width: 810px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/12/Pilar_-1.jpeg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6369" class="wp-image-6369 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/12/Pilar_-1.jpeg" alt="Pilar_ (1)" width="800" height="450"></a><p id="caption-attachment-6369" class="wp-caption-text">Marcelo Soares ainda aguarda o residencial prometido pela prefeitura. Foto: Inês Campelo</p></div>

No ano passado, o Ministério Público Federal em Pernambuco (MPF/PE) expediu uma recomendação à Empresa de Urbanização do Recife (URB) para que entregasse, até setembro de 2016, as então 108 unidades habitacionais restantes do Programa de Requalificação Urbana e Social da Comunidade do Pilar. Mas a entrega não foi finalizada. As obras foram financiadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e previam um conjunto habitacional com 588 apartamentos populares, escola, creche, posto de saúde, mercado público comunitário, praça, pavimentação e iluminação pública, que deveriam ter sido construídas até 2012. A reportagem perguntou à Prefeitura do Recife quantos residenciais ainda precisam ser entregues, mas não obteve resposta até o momento de publicação desta matéria. A prefeitura também não emitiu posicionamento sobre a situação das famílias do Pilar. Confira a situação da comunidade do Pilar no vídeo:

<iframe src="https://www.youtube.com/embed/pMhVaAr0g08" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe><p>O post <a href="https://marcozero.org/um-boulevard-entre-o-turismo-e-a-miseria/">Um &#8220;boulevard&#8221; entre o turismo e a miséria</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/um-boulevard-entre-o-turismo-e-a-miseria/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fotos comprovam avanço de camarotes sobre calçadas, ruas e praças públicas no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/fotos-comprovam-avanco-de-camarotes-sobre-calcadas-ruas-e-pracas-publicas/</link>
					<comments>https://marcozero.org/fotos-comprovam-avanco-de-camarotes-sobre-calcadas-ruas-e-pracas-publicas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Feb 2017 17:22:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Camarote Downtown]]></category>
		<category><![CDATA[Camarote Parador]]></category>
		<category><![CDATA[camarote privado]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Galo da Madrugada]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=4313</guid>

					<description><![CDATA[<p>O prefeito Geraldo Julio (PSB) disse recentemente que não havia camarotes privados no Marco Zero. Sua assessoria o corrigiu: não existiriam camarotes privados ocupando espaços públicos. Erraram os dois, o prefeito e seus assessores. O principal polo popular do Carnaval do Recife está cercado por camarotes privados que avançam sobre espaços públicos por todos os [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/fotos-comprovam-avanco-de-camarotes-sobre-calcadas-ruas-e-pracas-publicas/">Fotos comprovam avanço de camarotes sobre calçadas, ruas e praças públicas no Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[O prefeito Geraldo Julio (PSB) disse recentemente que não havia camarotes privados no Marco Zero. Sua assessoria o corrigiu: não existiriam camarotes privados ocupando espaços públicos. Erraram os dois, o prefeito e seus assessores. O principal polo popular do Carnaval do Recife está cercado por camarotes privados que avançam sobre espaços públicos por todos os lados.

Exemplos são o Camarote da Skol (no prédio da Associação Comercial de Pernambuco) e o Camarote Palácio do Antigo (ex-Santander Cultural). Embora ocupem prédios privados, eles avançam sobre as calçadas em frente dos edifícios, forçando os pedestres a caminhar pela rua. O puxadinho cria uma espécie de varanda, lugar privilegiado desses camarotes VIPS. Lugar público, diga-se de passagem, ocupado pela iniciativa privada.

No próprio espaço da praça do Marco Zero, o maior de todos os camarotes locais, o do restaurante Seu Boteco, também avança alguns bons metros sobre a área. Os organizadores alegam que o espaço pertence ao próprio restaurante e que a área pública municipal se resume ao perímetro central do Marco Zero. Curiosamente (ou não) há três anos o palco central da praça, montado pela Prefeitura do Recife, mudou de lugar, garantindo aos “clientes-foliões” do Seu Boteco uma visão frontal para os shows pagos com recursos públicos, mesmo privilégio dos clientes dos camarotes Skol e do Palácio do Antigo.

<div id="attachment_4316" style="width: 4042px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/IMG_15131.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4316" class="wp-image-4316 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/IMG_15131.jpg" alt="Camarote Palácio Antigo, No Marco Zero" width="4032" height="3024"></a><p id="caption-attachment-4316" class="wp-caption-text">Camarote Palácio do Antigo, no Marco Zero</p></div>

<div id="attachment_4326" style="width: 4042px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/priva-skoll1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4326" class="wp-image-4326 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/priva-skoll1.jpg" alt="Camarote Skol, no Marco Zero" width="4032" height="3024"></a><p id="caption-attachment-4326" class="wp-caption-text">Camarote Skol, no Marco Zero</p></div>

<div id="attachment_4322" style="width: 4042px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/priva-Caixa.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4322" class="wp-image-4322 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/priva-Caixa.jpg" alt="Camarote Caixa Cultural, no Marco Zero" width="4032" height="3024"></a><p id="caption-attachment-4322" class="wp-caption-text">Camarote Caixa Cultural, no Marco Zero</p></div>

<div id="attachment_4329" style="width: 4042px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/privaParador.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4329" class="wp-image-4329 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/privaParador.jpg" alt="Camarote Parador, ao lado do Armazém 14, na área do Porto do Recife" width="4032" height="3024"></a><p id="caption-attachment-4329" class="wp-caption-text">Camarote Parador, ao lado do Armazém 14, na área do Porto do Recife</p></div>

Frequentar um desses camarotes privados que avançam sobre as calçadas públicas não é para qualquer um. O camarote Skol está aberto apenas para convidados. Tem espaço de bar, salão de beleza, praça de alimentação e shows. Nada menos do que 12 artistas se apresentarão na área interna. O camarote Palácio do Antigo, que “estreia” em 2017, segue a mesma linha do vizinho: open bar, buffet, spa e shows privativos ao vivo. Aberto também apenas para convidados. Já a entrada no Camarote Seu Boteco custa entre R$ 220,00 (mulheres) e R$ 250,00 (homens) por dia.

A prática de avançar sobre as calçadas públicas não é monopólio de camarotes privados. O mesmo expediente é praticado no Camarote instalado no prédio federal da Caixa Cultural. Bem ao lado dos camarotes da Skol e do Palácio do Antigo.

A cerca de 500 metros dali o Camarote Parador (que vende 4 mil ingressos por dia acima de R$ 300,00 cada um) ocupa espaço público pertencente ao Estado, mas arrendado a um consórcio privado, que subloca o terreno em local privilegiado para outro grupo empresarial. Os tapumes metálicos do Parador também invadem parte do espaço de passagem dos pedestres. Do lado de fora, 40 banheiros químicos instalados pelo Poder Público vão atender aos clientes da Casa de Shows. Pesam ainda sobre o erário o reforço na segurança pública e no ordenamento de trânsito do local.

O avanço do interesse privado sobre o espaço público é ainda maior no trajeto do desfile do Galo da Madrugada. Cerca de 70 metros de uma das faixas da Avenida Dantas Barreto estão tomados por uma megaestrutura de luxo do Camarote Spettus (ingressos a R$ 400,00). Numa das áreas por onde mais circulam ônibus no Recife e o comércio ambulante impera, o caos comum de todo dia se transformou em inferno para os pedestres e usuários de transporte público com a instalação do camarote VIP. Eles não só perderam metade do espaço de circulação na própria avenida, como toda a calçada central foi também tomada pelo camarote privado.

Curioso é que a poucos metros dali, há três anos, a Rede Globo teve que desmobilizar o Camarote montado durante 15 Carnavais na Praça da Independência, pressionada por entidades civis que reclamavam da ocupação indevida do espaço público. Agora, tudo se repete com o Camarote Spettus em seu terceiro ano de funcionamento.

<div id="attachment_4327" style="width: 1290px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/priva-Spettus.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4327" class="size-full wp-image-4327" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/priva-Spettus.jpg" alt="Camarote Spettus, na Avenida Dantas Barreto" width="1280" height="768"></a><p id="caption-attachment-4327" class="wp-caption-text">Camarote Spettus, na Avenida Dantas Barreto</p></div>

<div id="attachment_4331" style="width: 4042px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/Galogalo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4331" class="wp-image-4331 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/Galogalo.jpg" alt="Camarotes do Galo da Madrugada, na Praça Sérgio Loreto" width="4032" height="3024"></a><p id="caption-attachment-4331" class="wp-caption-text">Camarotes do Galo da Madrugada, na Praça Sérgio Loreto</p></div>

<div id="attachment_4330" style="width: 4042px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/PrivaDowntown1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4330" class="wp-image-4330 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/PrivaDowntown1.jpg" alt="Camarote Downtown, na Praça Sérgio Loreto" width="4032" height="3024"></a><p id="caption-attachment-4330" class="wp-caption-text">Camarote Downtown, na Praça Sérgio Loreto</p></div>

<div id="attachment_4325" style="width: 4042px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/Priva-Sérgio-Loreto.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4325" class="wp-image-4325 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/Priva-Sérgio-Loreto.jpg" alt="Grandes protegem camarote em calçada na Rua Imperial" width="4032" height="3024"></a><p id="caption-attachment-4325" class="wp-caption-text">Grades protegem camarote em calçada na Rua Imperial</p></div>

Na Praça Sérgio Loreto, no Bairro de São José, o esquema é o mesmo. Dividida ao meio pela Rua Imperial, a Praça é completamente ocupada dos dois lados por camarotes privados. Num lado, o Camarote Oficial do Galo e o Camarote do Downtown (R$ 320,00 o ingresso individual), do outro 66 camarotes pertencentes ao Galo e vendidos ao público por valores entre R$ 7 mil e R$ 9 mil. Com 20 lugares cada um. As instalações privadas ocupam toda a praça e avançam pelas calçadas. Aos pedestres, restam as ruas e o buzinaço dos motoristas irritados que não querem dividir o espaço dos seus automóveis com os sem-calçadas.

Em todo o trajeto da Rua Imperial e da Avenida Sul, por onde se realizará o desfile do Galo, no sábado (25), é possível constatar a tomada de calçadas por camarotes privados instalados para dar “conforto e visão privilegiada” aos foliões dispostos a gastar entre R$ 160,00 e R$ 500,00. O maior deles nesta região é o Camarote do Balança a Rolha, situado embaixo do Viaduto Capitão Temudo. Ao lado, o Camarote Estação Frevo ocupou boa parte da faixa de circulação dos pedestres, num local onde os carros trafegam em alta velocidade.

Na Avenida Sul, o Camarote Privado Partiu Galo, não satisfeito em ocupar com a sua estrutura todo o espaço das calçadas ainda criou um improvisado estacionamento de veículos cercado por grades em plena Avenida Sul. Sem fiscalização, os abusos não parecem ter limites. Sem transparência, a sociedade fica sem saber com clareza quem está lucrando com tudo isso.

<div id="attachment_4338" style="width: 4042px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/CamaBalança.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4338" class="wp-image-4338 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/CamaBalança.jpg" alt="CamaBalança" width="4032" height="3024"></a><p id="caption-attachment-4338" class="wp-caption-text">Camarote Balança a Rolha, embaixo do viaduto Capitão Temudo, na Avenida Sul</p></div>

<div id="attachment_4323" style="width: 4042px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/priva-GaloGalo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-4323" class="wp-image-4323 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/02/priva-GaloGalo.jpg" alt="priva GaloGalo" width="4032" height="3024"></a><p id="caption-attachment-4323" class="wp-caption-text">Camarote Partiu Galo, na Avenida Sul</p></div>

Os terrenos públicos ocupados por camarotes privados na Avenida Dantas Barreto, Praça Sérgio Loreto e Avenida Sul são cedidos pela Prefeitura do Recife por meio de “termo de permissão de bem público de uso comum do povo” ao Galo da Madrugada, que os subloca para outras empresas privadas fazerem a exploração da venda de ingressos e bebidas. Em troca, a Prefeitura recebe 20% do espaço publicitário de divulgação nas fachadas do Camarote Oficial do próprio Galo.

Numa cidade conhecida nacionalmente pelo Carnaval popular e democrático, uma pergunta fica no ar: os interesses privados estão prevalecendo sobre o interesse público no Recife?<p>O post <a href="https://marcozero.org/fotos-comprovam-avanco-de-camarotes-sobre-calcadas-ruas-e-pracas-publicas/">Fotos comprovam avanço de camarotes sobre calçadas, ruas e praças públicas no Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/fotos-comprovam-avanco-de-camarotes-sobre-calcadas-ruas-e-pracas-publicas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um dia no Campo do Onze</title>
		<link>https://marcozero.org/um-dia-no-campo-do-onze/</link>
					<comments>https://marcozero.org/um-dia-no-campo-do-onze/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Aug 2016 00:58:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Estudantes]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Parceria]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Santo Amaro]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://beta.marcozero.org/?p=2534</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Mário Fontes* Recife, manhã de domingo. Enquanto boa parte da cidade, consumida pela ressaca da noite anterior, dorme em berço esplêndido, os times Sem Estresse e Acabadinho já estão de pé no Campo do Onze, próximo ao Shopping Tacaruna, em Santo Amaro, para mais uma partida da Copa dos Cinquentões. Os primeiros jogadores começam [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/um-dia-no-campo-do-onze/">Um dia no Campo do Onze</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<strong><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2774980_CreateAgif.gif"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2303 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2774980_CreateAgif.gif" alt="2774980_CreateAgif" width="120" height="90"></a>por Mário Fontes*</strong>

Recife, manhã de domingo. Enquanto boa parte da cidade, consumida pela ressaca da noite anterior, dorme em berço esplêndido, os times Sem Estresse e Acabadinho já estão de pé no Campo do Onze, próximo ao Shopping Tacaruna, em Santo Amaro, para mais uma partida da Copa dos Cinquentões.

Os primeiros jogadores começam a aparecer por volta das 8h. São moradores do bairro, que chegam andando ou de bicicleta e vão arrumando o material do jogo, trazem água, se aquecem, conversam com os amigos, tanto os colegas de time quanto os que vieram para assistir ao jogo, que é truncado, duro e até feio. Isso porque, o campo tem dimensões desproporcionais (longe de ser retangular) e o terreno desnivelado.

Certamente esta não é uma grande final de campeonato e nem mesmo uma das competições mais disputadas e aguardadas da própria comunidade de Santo Amaro (status que pertence aos torneios juvenil e adulto, que vai “dos 18 anos até onde o cara aguentar”). Porém, apenas a partir dela, já é possível perceber como o futebol atua como um elemento agregador entre aquelas pessoas.

Mesmo em um dia de jogo morno, dezenas de pessoas estão ali reunidas, bebendo, comendo, confraternizando ou observando, nem que seja por puro e simples tédio. Mas estão ali. Enquanto a mídia e o Governo incutem uma cultura de medo e vigilância, elas estão ali. Enquanto a avassaladora especulação imobiliária do Recife toma áreas de convivência, construções históricas e áreas de patrimônio público, elas estão ali. Enquanto a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer da cidade destaca atividades num programa higienizado e higienizador no Bairro do Recife e ignora a manutenção dos campos de Várzea, elas continuam ali. Os campos e o futebol praticado nessas comunidades são posturas de resistência intrínseca. “O Governo é a gente mesmo”, resume em seco Marconi Gadelha, organizador do torneio e do União Futebol Clube, do qual também é técnico.

O futebol se desvela um catalisador dos encontros. Está além de seu tão propagado potencial para a inclusão social: tem a ver com perceber a si mesmo enquanto ser coletivo-comunidade marginalizada e uma forma de empoderamento e ação. As conversas vão da política ao futebol, sempre entrecortados por inúmeras saudações aos conhecidos que passam por ali.

Em meio a tantos debates e teses sobre a “crise de representatividade” política e social, um simples jogo de bola instiga identificações, afetos e desencontros. Não é à toa que Marconi organiza as partidas há quase 30 anos. O quadro branco na pequena e modesta sede do União F.C., junto aos troféus, aponta os mandamentos do clube: humildade, compromisso, responsabilidade, comprometimento, profissionalismo, pontualidade.

<div id="attachment_2539" style="width: 1175px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/11f.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2539" class="size-full wp-image-2539" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/11f.jpg" alt="Foto: Gabriel Albuquerque" width="1165" height="699"></a><p id="caption-attachment-2539" class="wp-caption-text">Foto: Gabriel Albuquerque</p></div>

Entre esses compromissos está também a vontade de manter aquele local vivo, pulsante, através do futebol. É aquele pedaço de Santo Amaro que a comunidade usa para seu lazer, nos fins de semana principalmente. E praticamente sem nenhuma outra alternativa, o bairro transformou o Campo do Onze num espaço quase sagrado. Por isso, o campo acaba resistindo em meio à feroz busca de espaços para a construção civil, principalmente para a iniciativa privada.

Marconi recorda quando, em 2003, a comunidade recebeu uma notificação da Prefeitura do Recife informando que o campo daria lugar a um conjunto residencial. A &#8220;intimação&#8221; não foi aceita pelos habitantes do local, que se reuniram e conseguiram manter o espaço sob seu domínio.

Rogério, que foi campeão brasileiro em 1987 pelo Sport, e hoje é comentarista esportivo, é uma das &#8220;crias&#8221; do Onze, e ainda joga todos os domingos por lá. &#8220;Eu comecei aqui na comunidade de Santo Amaro jogando pelo Ramezoni, time de várzea. Depois, o treinador Nereu Pinheiro me chamou para a Seleção Pernambucana, de onde eu acabei saindo para o Náutico e fui seguir minha vida&#8221;, disse ele.

Assim como o ex-jogador, outros destaques também deram seus primeiros piques atrás da bola no Campo do Onze. É o caso do meio-campo Kássio, que jogou pelo União. O atleta teve passagem pelo Sport, e foi campeão da Copa do Brasil de 2008 com o rubro-negro da Ilha do Retiro.

E é justamente por isso que o local se faz tão importante. Mesmo sem um luxo de um gramado perfeito ou o glamour de uma Arena da Copa, o &#8220;terrão&#8221; é acessível para os jovens. Sem portas ou cadeados, é uma tentação para quem quiser jogar. A sedução do campo é uma saída para evitar que os jovens não participem de tráfico de drogas nem cometam crimes. Os valores ensinados no União, por exemplo, além da ocupação do tempo de lazer, soam como um mapa para afastar os mais jovens do caminho da droga e do crime.

&#8220;Eu acho muito importante essa união que se faz aqui de alguns treinadores. Tira muitas crianças das coisas erradas, porque aqui é muito fácil delas saírem para o &#8216;outro&#8217; lado, e mostra que aqui em Santo Amaro tem coisas boas também, não só as ruins&#8221;, disse Rogério, ao ser perguntado sobre a importância da sua &#8216;cancha&#8217; predileta.

<strong>Bola para todos</strong>

<div id="attachment_2540" style="width: 1253px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/11d.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2540" class="size-full wp-image-2540" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/11d.jpg" alt="Foto: Gabriel Albuquerque" width="1243" height="699"></a><p id="caption-attachment-2540" class="wp-caption-text">Foto: Gabriel Albuquerque</p></div>

<strong></strong>Jovens, velhos, altos, baixos, gordos e magros. Todos podem ter acesso a um campo de várzea, e mesmo não sendo um craque, cada toque na bola e cada chute dado são momentos únicos na vida de uma pessoa, seja uma criança ou cinquentão grisalho. São essas emoções que fazem com que um torneio disputado em uma comunidade adquira ares de final de Copa do Mundo. Emoções renovadas toda vez que uma criança se sinta como um profissional e sonhe. Ou toda vez que alguém encontre um amigo para se divertir.

É por isso que os “terrões” devem ser valorizados. Porque não são espaços desperdiçados, ou vazios, são a alma de uma região, de uma comunidade. E o futebol é uma força que pulsa em todos que dependem de um campinho de barro.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/mario.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2536 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/mario.jpg" alt="mario" width="150" height="150"></a>* Mário é estudante de Jornalismo na UFPE, fã de esportes, apaixonado por futebol, rúgbi e futebol americano. É colaborador no site Torcedores.com e repórter esportivo na Folha de Pernambuco. Já trabalhou também no Cabanga Iate Clube de Pernambuco.<p>O post <a href="https://marcozero.org/um-dia-no-campo-do-onze/">Um dia no Campo do Onze</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/um-dia-no-campo-do-onze/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O despertar da sororidade</title>
		<link>https://marcozero.org/o-despertar-da-sororidade/</link>
					<comments>https://marcozero.org/o-despertar-da-sororidade/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Aug 2016 20:57:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Estudantes]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[interseccionalidade]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero UFPE jornalismo estudante curso Recife Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Parceria]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[sororidade]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://beta.marcozero.org/?p=2521</guid>

					<description><![CDATA[<p>A união feminina, no sentido de irmandade, cuidado e respeito mútuo mostra exemplos de atitudes capazes de melhorar e facilitar a vida de muitas mulheres que precisam sobreviver em uma sociedade machista e hostil por Lara Tôrres* Sororidade é uma palavra desconhecida por muitas pessoas, porém bastante familiar às integrantes dos movimentos feministas. O termo [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-despertar-da-sororidade/">O despertar da sororidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<em><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2774980_CreateAgif.gif"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2303 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2774980_CreateAgif.gif" alt="2774980_CreateAgif" width="120" height="90"></a>A união feminina, no sentido de irmandade, cuidado e respeito mútuo mostra exemplos de atitudes capazes de melhorar e facilitar a vida de muitas mulheres que precisam sobreviver em uma sociedade machista e hostil</em>

por Lara Tôrres*

Sororidade é uma palavra desconhecida por muitas pessoas, porém bastante familiar às integrantes dos movimentos feministas. O termo significa fraternidade, irmandade, união e cuidado mútuo entre mulheres, algo primordial para que haja um sentimento de grupo e reconhecimento das opressões sofridas em conjunto pelas mulheres que vivem em sociedades machistas.

O feminismo, hoje, também abraça uma ideia definida por outra palavra pouco comum: a interseccionalidade, pré-requisito para que a irmandade feminina possa ser mais atenta e cuidadosa, observando as necessidades especiais de cada grupo de mulheres e as diferentes formas de opressão que elas sofrem. A ideia de interseccionalidade implica que não exista primazia de uma opressão sobre as outras e que não pensemos nas mulheres como uma categoria universal, fazendo-se necessário o reconhecimento das particularidades de cada grupo de mulheres e de suas opressões. Uma mulher negra, por exemplo, que precisa lidar ao mesmo tempo com o machismo e com o racismo, é diferente de uma branca. Quando praticada prezando pela ideia de interseccionalidade, a sororidade se concretiza plenamente.

Nesta reportagem, serão apresentados alguns exemplos do poder transformador que a sororidade pode exercer na vida das mulheres mundo afora. Você conhecerá grupos de apoio mútuo, trabalhos voluntários e ações feministas que proporcionar uma vida melhor às mulheres em meio às dificuldades impostas pelo patriarcalismo e machismo social presente e forte no Brasil.

<strong>Costura e Boa Vontade </strong>

Fernanda La Ruina vive no Rio de Janeiro e ganha a vida como professora de português para estrangeiros. Além disso, criou, no final de 2015, um projeto chamado “Costura e Boa Vontade”. Ela, que aprendeu a costurar com sua mãe, confecciona vestidos para as meninas atendidas pelo orfanato feminino Rita de Cássia usando materiais doados. Tudo começou com uma postagem no Facebook, onde Fernanda pedia doações para iniciar o seu projeto: “Comecei com um post na minha página pessoal pedindo saias usadas para transformar em vestidinhos. Daí, recebi 200 peças doadas pela mãe de uma amiga feminista e fui correndo comprar tecidos novos e aviamentos.”

Fernanda trabalha sozinha na confecção dos vestidos, mas aceita auxílio de quem leva jeito para costura e aceite “dar uma mão” voluntariamente. Por enquanto, o orfanato Rita de Cássia é o único atendido pelo Costura e Boa Vontade. Há duas razões para isso: primeiro, o número de vestidos que podem ser feitos atualmente não permite a inclusão de outra instituição a ser beneficiada, depois a proposta é atender exclusivamente meninas, afinal Fernanda preza pela sororidade em sua iniciativa.

No momento Fernanda está impossibilitada de costurar devido a complicações decorrentes de uma queda, mas afirma que gostaria muito de conseguir ensinar mais pessoas a costurar e assim poder ajudar mais meninas: “Faço tudo na minha casa. Um apartamento bem pequenininho com espaço dedicado para essa máquina de costura velha (tem uns 30 anos, sério!). Ter um espaço, ensinar outras meninas e poder levar vestidos a orfanatos é um sonho meu. Como agora sou sozinha para isso, acabo me limitando. Agora mesmo sequer posso andar e tive que parar de costurar. Assim que puder, volto”.

Com o Costura e Boa Vontade, Fernanda quer ajudar ao máximo essas meninas que já passaram por tantas dificuldades desde tão pequenas e que têm tantas necessidades.

A intenção é levar alento e autoconfiança às meninas, ao mesmo tempo em que oferece alento e um ombro a pequenas mulheres em formação: <em>“</em>Eu quero interagir com elas, quero conversar e mostrar que elas podem ser o que elas quiserem ser, e podem fazer o que quiserem fazer. É como se o vestido fosse uma maneira gentil e física de quebrar o bloqueio, como se dissesse ‘estou vindo aqui para tentar ser sua amiga, para ouvir você, e você me ouvir!’ Um vestido, dentro da constituição machista, é algo muito feminino. O que eu estou tentando despertar nessas meninas é algo delicado e um carinho, para que elas se sintam mais amadas e tenham orgulho. Porque a gente vive numa sociedade vista pelas etiquetas. Mas eu quero que elas se sintam orgulhosas delas mesmas.”

<div id="attachment_2526" style="width: 778px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/sororidade3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2526" class="size-full wp-image-2526" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/sororidade3.jpg" alt="Fernanda La Ruina criou, no final de 2015, um projeto chamado “Costura e Boa Vontade”. Foto: Elias Azevedo/ Divulgação)" width="768" height="531"></a><p id="caption-attachment-2526" class="wp-caption-text">Fernanda La Ruina criou, em 2015, o projeto “Costura e Boa Vontade”. Foto: Elias Azevedo/ Divulgação</p></div>

Quem mora no Rio de Janeiro e se interessa pelo projeto pode ajudar com doações de roupas, tecidos, aviamentos e dinheiro. No caso de pessoas que moram longe, é possível enviar as doações por pessoas que estejam indo ao Rio ou com dinheiro através de depósito bancário na conta da própria Fernanda:
<blockquote><strong>Bradesco
ag 0991
poupança 1001193-0
CPF 100685637
Fernanda C Vieira La Ruina</strong></blockquote>


<strong>Universitárias criam sistema para ajudar colegas com “acidentes” menstruais </strong>

Manu Marinho é uma estudante de Design recifense de 20 anos de idade que leva a irmandade feminina muito a sério – e acredita que ela deve se converter em ação coletiva. Com uma caixa de plástico, uma folha de papel, canetas e um punhado de absorventes, ela criou um posto de doações de absorvente num dos banheiros do Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para que ninguém mais passe por constrangimentos quando for surpreendida pela menstruação. Na plaquinha, escreveu: <em>Pegue um, caso precise. Deixe um, se tiver sobrando.</em>

O que ela não sabia era que, naquele momento, estava criando um movimento, plantando uma ideia de ação permanente que espalhou solidariedade e sororidade para muito além do que havia imaginado.

A ideia foi muito bem recebida e logo começou a ser estendida a outros banheiros da universidade. Até o encerramento da apuração desta reportagem, em maio de 2016, somente no campus do Recife existiam caixas de doação em, pelo menos, 16 banheiros.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/sororidade2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2528" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/sororidade2.jpg" alt="sororidade2" width="680" height="872"></a>

Em alguns deles, a ideia foi além da doação de absorventes, sendo possível também encontrar outras coisas úteis e importantes para a preservação da boa saúde, como tubos de pasta de dente e preservativos femininos. “Eu só lembro de ter visto uma ideia parecida no Facebook e na hora pensei em fazer na minha universidade. Coloquei só no banheiro do térreo e logo a ideia se espalhou sozinha”, conta. “Eu estou muito feliz, não imaginei que outros centros fossem aderir, que as minas fossem colocar outras coisas além de absorventes”.

A estudante de Geologia Mirella Rodrigues diz que trouxe as caixinhas aos banheiros do seu centro de estudos para criar uma corrente de cuidados entre mulheres<em>. </em>“Foi só mais uma forma de lembrar o quanto essas pequenas coisas são importantes e podem ajudar alguém. O que aconteceu no nosso departamento foi semear as boas ideias. A colega que um dia passar por uma situação desagradável agradece desde já”.

Ingridhy Figueiredo, 23 anos, estuda Engenharia de Produção. Ela decidiu levar a iniciativa adiante por achar que seria muito útil para todas as mulheres. “É meio ruim pedir absorvente a alguém no meio da aula. Pior ainda se você não conhece ninguém, fica toda sem jeito; ir no banheiro e já saber que vai encontrar na caixinha é muito mais simples. Apesar de hoje eu não ser mais pega de surpresa por tomar remédio e já saber os dias certinhos, eu quis propagar a ideia pra ajudar as outras”.

Ingridhy também espera que as estudantes passem a se engajar mais em projetos de movimentos sociais que possam trazer benefícios coletivos. “Vi meninas comentando na publicação que nunca pensaram em ver isso no Centro de Engenharias, então, espero que daqui pra frente todas elas façam esforço pra aderir a qualquer movimento social que traga benefício pra gente e pra nossa universidade como um todo”.

Ainda no Recife, a ideia saiu dos limites da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e se estendeu por outras instituições de ensino superior da cidade, tanto do sistema público (Universidade Federal Rural de Pernambuco e UFPE, no campus de Vitória de Santo Antão) quanto do privado (Universidade Maurício de Nassau). Não parando por aí, também foi identificada a existência de caixinhas de coleta de absorventes para doação em banheiros femininos de cursos preparatórios para vestibular da cidade.

Fora da capital pernambucana, também existem caixinhas postas na Escola de Referência em Ensino Médio da cidade de Bezerros, no Agreste pernambucano; Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), no mesmo estado; Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Universidade de Campinas (UNICAMP) também têm caixinhas de doação em alguns dos seus banheiros.

<strong>Mete a Colher </strong>

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/sororidade4.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2527" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/sororidade4.png" alt="sororidade4" width="802" height="801"></a>

O Mete a Colher nasceu em uma Startup Weekend Women (grupo de mulheres à procura de um modelo de negócios inovador) e está se organizando para, em breve, lançar uma rede de apoio a mulheres vítimas de violência. O aplicativo, de uso exclusivamente feminino, vai focar em ajudar mulheres que estejam precisando de apoio psicológico, apoio jurídico, abrigo ou inserções no mercado de trabalho. Só mulheres vão poder baixar o aplicativo. A ajuda poderá vir de pessoas físicas ou de empresas.

Estão previstas três formas de prestar apoio às mulheres que se encontrem em situação de violência de gênero. Será possível fornecer apoio emocional por meio de conversas que busquem confortar e dar forças à mulher para conseguir quebrar o ciclo de agressões, fornecer apoio em processos jurídicos e auxiliar as vítimas através de inserções no mercado de trabalho, visando quebrar a dependência financeira entre vítima e agressor.

O aplicativo Mete a Colher ainda não está pronto mas, segundo Renata Albertim, responsável pela área de comunicação do projeto, o que já existe é “uma plataforma tipo teste para a gente ajustar as falhas e perceber se de fato o aplicativo estava funcionando de forma intuitiva”.

O projeto está inscrito em editais de financiamento para que seja possível concretizar o investimento necessário para que o aplicativo fique disponível para download grátis. Caso não seja aprovado nos editais, será lançada uma plataforma de arrecadação de fundos por meio de campanha de financiamento coletivo.

No que diz respeito à segurança do aplicativo, existem algumas ferramentas para possibilitar a maiores garantias possíveis de estarem em um ambiente seguro e exclusivamente feminino, destinado à sororidade.

O controle das pessoas será feito através de um cadastro por meio do Facebook, ferramenta essa que permitirá filtrar quem usa o aplicativo a partir do gênero que declara nas redes sociais; existirá ainda uma senha de acesso para cada usuária, de modo a garantir que pessoas estranhas e possíveis agressores se infiltrem. Ainda com tudo isso, caso alguma usuária suspeite que o aplicativo está sendo usado por um homem, ela poderá informar o caso à moderação do Mete a Colher para que sejam tomadas providências quanto á conta que estiver sob suspeita.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/lara.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2524 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/lara.jpg" alt="lara" width="150" height="150"></a>*Lara Tôrres veio de Pesqueira-PE, tem 20 anos, estuda jornalismo na UFPE, é vegetariana, feminista, leonina, amante de cabelos naturalmente enrolados e fã da Disney. Acredita no bom jornalismo e no dever social que ele tem; defende a regulamentação da mídia, liberdade de expressão, jornalismo independente e comunicação pública.<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-despertar-da-sororidade/">O despertar da sororidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/o-despertar-da-sororidade/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Transcender: a transexualidade muito além das imposições sociais</title>
		<link>https://marcozero.org/transcender-a-transexualidade-muito-alem-das-imposicoes-sociais/</link>
					<comments>https://marcozero.org/transcender-a-transexualidade-muito-alem-das-imposicoes-sociais/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2016 12:58:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Estudantes]]></category>
		<category><![CDATA[extensão]]></category>
		<category><![CDATA[gênero]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Parceria]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[transexual]]></category>
		<category><![CDATA[transgenitalização]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://beta.marcozero.org/?p=2312</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Mariah Villanova** Da infância vivida ouvindo Beatles, Allan* herdou o gosto pelo rock das décadas de 70, 80 e 90. Apaixonado pelo Queen, também guarda espaço no coração para Aerosmith e Van Halen. Nas roupas, Allan quase sempre estampa o amor por Star Wars &#8211; são cerca de seis camisas da saga &#8211; e [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/transcender-a-transexualidade-muito-alem-das-imposicoes-sociais/">Transcender: a transexualidade muito além das imposições sociais</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2774980_CreateAgif.gif"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-2303" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2774980_CreateAgif.gif" alt="2774980_CreateAgif" width="120" height="90"></a>por Mariah Villanova**

Da infância vivida ouvindo Beatles, Allan* herdou o gosto pelo rock das décadas de 70, 80 e 90. Apaixonado pelo Queen, também guarda espaço no coração para Aerosmith e Van Halen. Nas roupas, Allan quase sempre estampa o amor por Star Wars &#8211; são cerca de seis camisas da saga &#8211; e a contradição de não gostar de vestir preto, mas estar sempre trajando a cor escura. É fã de Noviça Rebelde, já quase despontou a carreira na natação e queria ser jogador de futebol, mas fazia futsal escondido na infância porque, segundo o próprio pai, o esporte é “coisa de homem”. Allan*, estudante, 24 anos, se reconheceu como homem <b>transexual</b> há um ano.

O prefixo <i>trans</i>-, de origem grega, significa “além de”. Ir além dos limites do que é socialmente imposto desde o dia em que se respira pela primeira vez: <i>gênero</i>. A sociedade não pauta a transexualidade, muitas vezes não sabe sobre o que se trata, evita a abordagem e essa cadeia de desinformação molda um cenário de invisibilidade e discriminação. As consequências são reveladas através de estatísticas: o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo, segundo <a href="http://tgeu.org/transgender-day-of-visibility-2016-trans-murder-monitoring-update/">pesquisa da organização não governamental (ONG) Transgender Europe (TGEU)</a>. São 802 mortes de pessoas transgênero contabilizadas no país entre 2008 e 2015, para um total de 2016 assassinatos registrados no planeta, no mesmo período.
<dl id="attachment_2406" class="wp-caption alignnone">
 	<dt class="wp-caption-dt">

<div id="attachment_2406" style="width: 2058px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/alan-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2406" class="wp-image-2406 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/alan-3.jpg" alt="Allan, estudante, 24 anos, se reconheceu como homem transexual há um ano. Foto: Mariah Villanova" width="2048" height="1536"></a><p id="caption-attachment-2406" class="wp-caption-text">Allan, estudante, 24 anos, se reconheceu como homem transexual há um ano. Foto: Mariah Villanova</p></div></dt>
</dl>
<div>O termo<b> transexual</b> se opõe aos vocábulos <b>cisgênero</b> ou <b>cissexual</b>, que são pessoas que se identificam com o gênero determinado pelo sexo designado no nascimento. Há cerca de um ano, Allan revelou aos amigos que se reconhece como pessoa do gênero masculino. “Foi no maior impulso, nada planejado, mas assim que eu descobri a minha verdadeira identidade, quis recuperar o tempo perdido e contar pro mundo todo. Minha família é bem fora de cogitação ainda, mas como fui agraciado com amigos incríveis, quis compartilhar com eles e deu super certo, apesar de alguns terem reagido de maneira indelicada comigo”, conta. Ele foi questionado sobre ter demorado a contar a situação e sobre a própria sexualidade. “Perguntaram se isso não era apenas eu me descobrindo lésbica”, diz.</div>
<script id="infogram_0_979ef997-3374-4a10-bbbf-497e352d2958" title="Untitled infographic" src="//e.infogr.am/js/embed.js?Fy9"></script>
<div style="padding: 8px 0; font-family: Arial!important; font-size: 13px!important; line-height: 15px!important; text-align: center; border-top: 1px solid #dadada; margin: 0 30px;"><a style="color: #989898!important; text-decoration: none!important;" href="https://infogr.am/979ef997-3374-4a10-bbbf-497e352d2958" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Untitled infographic</a>
<a style="color: #989898!important; text-decoration: none!important;" href="http://charts.infogr.am/line-chart?utm_source=embed_bottom&amp;utm_medium=seo&amp;utm_campaign=line_chart" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Create line charts</a></div>
<span style="font-weight: 400;">A ausência de aceitação, porém, inicia cedo, ainda dentro de âmbito educacional. Segundo a </span><a href="http://flacso.org.br/files/2015/11/LIVROWEB_Juventudes-na-escola-sentidos-e-buscas.pdf"><span style="font-weight: 400;">pesquisa &#8220;Juventudes na Escola, Sentidos e Buscas: Por que frequentam?&#8221;, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO)</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2,5% dos jovens entre 15 a 29 anos não queriam ter uma pessoa transexual como colega de classe. “Sofri muito bullying na escola por conta do meu jeito. Os colegas de classe me apelidaram de um nome masculino. Depois do treino de futsal, eles me encurralavam no corredor e me pediam para ensiná-los a jogar que nem homem”, relata Allan.</span>

A descoberta sobre o que é identidade de gênero, no entanto, aconteceu tardiamente na vida de Allan, muito embora o desconforto estivesse sempre presente. Durante a infância, algumas situações causaram inquietação, como a primeira menstruação, que foi motivo de choro e incômodo. Entre outras características, divergentes do que se tem como padrão social de comportamento feminino, odiava esmaltes, bijuterias, maquiagem e, nas fotos com as primas, era o único sem camisa.

<script id="infogram_0_d2448fea-f171-4130-b038-45cad520017b" title="Untitled infographic" src="//e.infogr.am/js/embed.js?4bu"></script>
<div style="padding: 8px 0; font-family: Arial!important; font-size: 13px!important; line-height: 15px!important; text-align: center; border-top: 1px solid #dadada; margin: 0 30px;"><a style="color: #989898!important; text-decoration: none!important;" href="https://infogr.am/d2448fea-f171-4130-b038-45cad520017b" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Untitled infographic</a>
<a style="color: #989898!important; text-decoration: none!important;" href="http://charts.infogr.am/line-chart?utm_source=embed_bottom&amp;utm_medium=seo&amp;utm_campaign=line_chart" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Create line charts</a></div>
Há um ano, quando começou a questionar o próprio gênero, Allan se considerava uma <b>pessoa trans não-binária</b> &#8211; indivíduo que não se identifica como homem e nem como mulher ou que se identifica como ambos, o chamado <b>gênero fluido</b>. Ele tinha a concepção de se encaixar numa estética andrógina, percebendo-se através de ambas as designações, homem e mulher. “Tem coisas em mim que lembram papeis de gênero [socialmente considerados] femininos e na minha cabeça um homem trans não podia ser feminino, mas isso era errado. Quando eu me descobri trans, tive que desconstruir isso em mim também”, conta.

Allan tem seios, não fez tratamento hormonal para estimular o crescimento de pelo facial ou para tornar a voz mais grave. A cirurgia de <b>transgenitalização</b> (processo cirúrgico para ressignificação do gênero) não é um desejo e ele se sente totalmente confortável com o corpo que possui, da cintura para baixo. “Tenho certa resistência quanto a me submeter a muitas mudanças apenas para agradar ao padrão que a sociedade estabeleceu como masculino. Queria fazer uma mastectomia, pois o que mais me incomoda é o volume dos seios, mas tenho muito medo de fazer uma intervenção irreversível com o meu corpo”, comenta.

Por não se adequar ao padrão cis, que muitas vezes não reconhece o homem trans afeminado, Allan, assim como vários homens e mulheres transgênero, vive uma barreira para ser reconhecido diante do corpo social tradicional. “A construção da transgeneridade independe da relação sexo-gênero, um homem não precisa fazer cirurgia para ganhar o status de homem trans e o mesmo vale para as mulheres”, explica Luciana Vieira, professora do Departamento de Psicologia da UFPE e responsável pela Diretoria LGBT da Universidade.

A questão se estende às atividades rotineiras e Allan permanece frequentando banheiros femininos por receio do preconceito. “Frequento banheiros femininos porque me sinto mais seguro, tenho medo de ser hostilizado ou sofrer alguma agressão física em banheiros masculinos. É traumático toda vez que eu olho pra porta do banheiro e vejo a figurinha de saia, mas é pela minha integridade”.

No âmbito pessoal, redes sociais de relacionamento como o Tinder evidenciam o preconceito não só com a pessoa transgênero, mas principalmente com os que optam por não realizar interferências no próprio corpo. “Quando estou conversando com uma menina e ela me chama pelo feminino, corrijo e ela simplesmente some&#8230; Não aconteceu uma vez só, mas várias. Parece que as pessoas correm quando sabem disso”, comenta Allan.

Na vida profissional, como estudante, Allan teve a sorte de ser bem acolhido em estágios, sendo respeitado e reconhecido diante da identidade de gênero. Apesar disso, pensa em prestar o concurso do Itamaraty para der Diplomata, mas acredita que, na área, dificilmente respeitariam a identidade masculina. “Não acho que estou disposto a abrir mão de quem eu sou por conta de um sonho profissional, por isso eu resolvi fazer mestrado para me tornar professor de alguma universidade pública. Nesse lugar eu acho mais fácil me respeitarem, porque foi na universidade pública que eu comecei a minha desconstrução”, diz.

Allan cita, ainda, a campanha “Meu Nome Importa”, da Universidade Federal de Pernambuco, como um ponto de segurança na instituição. O projeto visa conscientizar alunos e docentes sobre a importância de respeitar o nome social, aceito na Universidade. Caso entre para o mestrado, essa se desenha como a próxima luta que Allan pretende assumir, para ter registrado nos documentos universitários o nome que o identifica.

<script id="infogram_0_0b163a9d-a6be-405a-bd3d-563872e9d028" title="Untitled infographic" src="//e.infogr.am/js/embed.js?ktw"></script>
<div style="padding: 8px 0; font-family: Arial!important; font-size: 13px!important; line-height: 15px!important; text-align: center; border-top: 1px solid #dadada; margin: 0 30px;"><a style="color: #989898!important; text-decoration: none!important;" href="https://infogr.am/0b163a9d-a6be-405a-bd3d-563872e9d028" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Untitled infographic</a>
<a style="color: #989898!important; text-decoration: none!important;" href="http://charts.infogr.am/line-chart?utm_source=embed_bottom&amp;utm_medium=seo&amp;utm_campaign=line_chart" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Create line charts</a></div>
*Allan é um nome fictício utilizado para proteger a integridade pessoal do personagem entrevistado.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/mariah.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2411 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/mariah.jpg" alt="mariah" width="150" height="150"></a>**Mariah é estudante de Jornalismo pela UFPE. Durante a graduação, se aventurou no jornalismo gastronômico, através do blog Gastrô404, e na organização da II Semana de Jornalismo da UFPE. Teve experiências em assessoria de imprensa e mídias digitais e, hoje, se arrisca na reportagem.<p>O post <a href="https://marcozero.org/transcender-a-transexualidade-muito-alem-das-imposicoes-sociais/">Transcender: a transexualidade muito além das imposições sociais</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/transcender-a-transexualidade-muito-alem-das-imposicoes-sociais/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Reforma psiquiátrica: conflitos e entraves no tratamento em saúde mental</title>
		<link>https://marcozero.org/a-reforma-psiquiatrica-no-brasil-conflitos-e-entraves-no-tratamento-em-saude-mental/</link>
					<comments>https://marcozero.org/a-reforma-psiquiatrica-no-brasil-conflitos-e-entraves-no-tratamento-em-saude-mental/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Aug 2016 17:42:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Estudantes]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[loucura]]></category>
		<category><![CDATA[Luta Antimanicomial]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Maurice Utrillo]]></category>
		<category><![CDATA[Nise da Silveira]]></category>
		<category><![CDATA[Parceria]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://beta.marcozero.org/?p=2384</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Aline Soares e Dandara Palankof e Cruz * Em 2016, a polêmica Lei Paulo Delgado, como também é conhecida Lei 10.2016/2001, que implementa a reforma psiquiátrica no Brasil, completa quinze anos. Contudo, continua a ser alvo de críticas e, portanto, divisora de opiniões. O projeto tramitou no Congresso Nacional por quase doze anos, até [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-reforma-psiquiatrica-no-brasil-conflitos-e-entraves-no-tratamento-em-saude-mental/">Reforma psiquiátrica: conflitos e entraves no tratamento em saúde mental</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2774980_CreateAgif.gif"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2303 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/07/2774980_CreateAgif.gif" alt="2774980_CreateAgif" width="120" height="90"></a>por Aline Soares e <i>Dandara Palankof e Cruz</i> *

<span style="font-weight: 400;">Em 2016, a polêmica Lei Paulo Delgado, como também é conhecida <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/L10216.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Lei </a></span><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/L10216.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">10.2016</span></a><span style="font-weight: 400;"><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/L10216.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer">/2001</a>, que implementa a reforma psiquiátrica no Brasil, completa quinze anos. Contudo, continua a ser alvo de críticas e, portanto, divisora de opiniões. </span>

<span style="font-weight: 400;">O projeto tramitou no Congresso Nacional por quase doze anos, até ser aprovado em 2001. A lei prevê um sistema de atenção à saúde mental que se proponha a tratar o cidadão “com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade”. </span>

<span style="font-weight: 400;">Assim, o texto aprovado institui não apenas um tratamento com maior participação da família, como estabelece a internação psiquiátrica como último recurso e cria uma política de fechamento dos hospitais psiquiátricos, uma vez que, de acordo com seu Artigo 6º “é vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares”.</span>

<b>Contexto histórico</b>

<span style="font-weight: 400;">A criação e a evolução da instituição hospitalar tem suas bases na Europa do século XVII e levou também à chamada institucionalização do paciente, recolhido e isolado da sociedade. Uma prática corrente até meados do século XX, que transformou hospitais em hospícios, semelhantes à prisões – onde o crime, muitas vezes, era não apenas ser mentalmente incapacitado, mas simplesmente diferente; o recolhimento indevido de pessoas, como moradores de ruas ou usuários de drogas, aos chamados manicômios foi apenas um dos abusos constatados no estabelecimento rotineiro de hospitais psiquiátricos, sem os devidos cuidados médicos.</span>

<span style="font-weight: 400;">Além disso, ao longo do tempo, a busca empírica da construção do conhecimento psiquiátrico levou a uma série de tratamentos que passaram a ser vistos como nada mais do que torturas, como a eletroconvulsoterapia, popularmente conhecida por eletrochoque. É a partir disso que surgem os movimentos pela reforma do tratamento da saúde mental; seu expoente é o psiquiatra italiano Franco Basaglia, que na década de 1960 lutou pela reforma psiquiátrica em seu país. E ainda que muitos brasileiros não estejam a par do tema, está em curso no Brasil desde a década de 1970 uma reforma psiquiátrica e com isso a implementação de uma série de mudanças.</span>

<span style="font-weight: 400;">Nesse momento histórico de luta pelo fim da ditadura, tomaram forma os movimentos de reforma sanitária e psiquiátrica. Em 1979, é realizado o I Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental. O II Encontro é realizado em Bauru, interior de São Paulo, em 1987. É nessa segunda ocasião que o lema “Por uma sociedade sem manicômios” é documentado no Manifesto de Bauru, tornando o dia 18 de maio o Dia Nacional da Luta Antimanicomial.</span>

<span style="font-weight: 400;">A partir de então, uma série de acontecimentos históricos contribuem e fomentam a reforma psiquiátrica no país: os métodos de terapia ocupacional de Nise da Silveira no Rio de Janeiro, a criação do primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), em São Paulo, ainda em 1987; a aprovação da Constituição de 1988, que cria o Sistema Único de Saúde (SUS); até o projeto de lei antimanicomial ser colocado em votação na Câmara, em 1989, pelo deputado Paulo Delgado.</span>

<span style="font-weight: 400;">Com o propósito de compreender o cenário da assistência em saúde mental, entrevistamos dois profissionais: Vinícius Suares, psicólogo e membro da Luta Antimanicomial, e o dr. Everton Botelho Sougey, psiquiatra e presidente da Sociedade Pernambucana de Psiquiatria.</span>

<b>Liberdade e autonomia</b>

<span style="font-weight: 400;">Existem diferenças gritantes no modelo de assistência à saúde mental promovido nos hospitais psiquiátricos e o modelo instituído com a reforma psiquiátrica. É o que afirma Vinícius Suares<span style="background-color: #ffffff; color: #000000; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">, </span></span>psicólogo, técnico de Referência de Residências Terapêuticas no Cabo de Santo Agostinho e Gerente do CAPS Livremente no Recife. Integrante da Luta Antimanicomial de Pernambuco, e<span style="font-weight: 400;">le ressalta que há, no hospital, um contingente de pessoas em tratamento muito maior, o que impossibilita um cuidado mais direcionado com o paciente; e que “em lugares fechados, onde há muitas pessoas, é inevitável que haja um processo de institucionalização muito forte. As pessoas então começam a perder a noção de tempo, de espaço, de individualidade e da capacidade de desenvolver sua própria vida naquele ambiente.”</span>

<span style="font-weight: 400;">Outro aspecto destacado por Suares é que nos hospitais há uma forte tendência de a medicalização do paciente ser administrada de modo a simplesmente dopar o paciente. Assim, o intuito da reforma psiquiátrica é a promoção de outros espaços, que sejam da ordem da reinserção social, de modo que o usuário esteja desperto, desenvolvendo atividades diárias.</span>

<span style="font-weight: 400;">O psicólogo também afirma que é essencial para o movimento da Luta Antimanicomial pensar as relações sociais que envolvem a loucura. Para ele, é preciso refletir sobre a problemática cultural que leva a sociedade a enxergar os portadores de distúrbios psiquiátricos como incapazes para convivência e inúteis para a produção em âmbito social. Ele afirma que “nesta concepção, as pessoas associam a loucura ao retardo, inferindo que a pessoa portadora de qualquer transtorno mental está impossibilitada de desenvolver todo tipo de atividade”. Assim, para os integrantes do movimento, o trabalho da saúde mental não pode ficar restrito ao âmbito da saúde; ele precisa acontecer nas áreas da educação, da assistência social, da cultura, do trabalho refletindo sobre em quais dimensões é possível transformar as relações que envolvem a sociedade e loucura. “Precisamos transformar as relações de quais lugares são adequados para tratar e cuidar dos transtornos da saúde mental e gerar a consciência de que espaços asilares não são necessários; porque enquanto os hospitais existirem, as pessoas ainda enxergarão neles possibilidades e referência em cuidados pras pessoas”, afirma.</span>

<div id="attachment_2476" style="width: 706px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/viniciusSuares3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2476" class="size-full wp-image-2476" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/viniciusSuares3.jpg" alt="Vinicius Suares, psicólogo,técnico de Referência de Residências Terapêuticas no Cabo de Santo Agostinho e Gerente do CAPS Livremente, no Recife, integrante da Luta Antimanicomial de Pernambuco" width="696" height="534"></a><p id="caption-attachment-2476" class="wp-caption-text">Vinicius Suares, psicólogo,técnico de Referência de Residências Terapêuticas no Cabo de Santo Agostinho e Gerente do CAPS Livremente, no Recife, integrante da Luta Antimanicomial de Pernambuco</p></div>

<span style="font-weight: 400;">Suares também critica a perspectiva ainda comum à sociedade de enxergar na instituição do manicômio uma alternativa para tirar do convívio os indivíduos considerados indesejáveis. Ele lembra que Franco Basaglio, precursor da reforma psiquiátrica na Itália, alertou para a visão de que os manicômios são instituições para pessoas que não conseguem produzir através do trabalho na sociedade.</span>

<span style="font-weight: 400;">Há também um aspecto que tomou força durante o período da ditadura militar: o do capital sobre a assistência em saúde mental. Suares conta que, a partir de 1964, teve início a expansão de redes hospitalares privadas, em que o hospital particular recebia os pacientes e o governo repassava ao seu proprietário o valor referente à diária para seu tratamento. A chamada </span><a href="http://marcozero.org/industria-da-loucura/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">“Indústria da Loucura”</span></a><span style="font-weight: 400;"> promoveu um aumento de 3 a 4 vezes no número de hospitais psiquiátricos e de seus internos entre as décadas de 1960 a 1970. “Pessoas começaram a aprisionar outras para ganhar mais dinheiro”, afirma o psicólogo.</span>

<span style="font-weight: 400;">Suares conta que, ao longo da história, os hospitais psiquiátricos foram denunciados e responsabilizados por violências das mais diversas ordens &#8211; tendo se tornado, assim, as chamadas instituições totais, nas quais o indivíduo é privado de direitos e liberdades individuais. As crueldades aconteciam não somente em práticas médicas invasivas, como a lobotomia e a eletroconvulsoterapia (popularmente conhecido como eletrochoque) &#8211; contra as quais a psiquiatra </span><a href="http://marcozero.org/nise-o-coracao-da-loucura/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">Nise da Silveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi uma das primeiras a se manifestar, mas também por maus-tratos como incitação de brigas entre os internos e pela negligência com outros quadros clínicos apresentados pelos pacientes, como diabetes e hipertensão &#8211; muitos dos quais vinham a óbito. Por essas razões, o psicólogo e demais representantes da Luta Antimanicomial mantêm suas ressalvas quanto aos hospitais: “Não negamos a necessidade da internação em um espaço hospitalar”, ele rebate. “Apenas entendemos que não é no modelo do hospital psiquiátrico, um espaço que não provê o cuidado e que, principalmente, leva ao esquecimento, que devemos nos concentrar para o tratamento da saúde mental”. Para ele, a chamada Lei Antimanicomial preconiza casos em que possa haver necessidade de internação e é por isso que a </span><a href="http://marcozero.org/a-rede-de-atencao-psicossocial/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">Rede de Atenção Psicossocial</span></a><span style="font-weight: 400;"> (RAPS) prevê a existência de leitos em saúde mental hospitais gerais.</span>

<span style="font-weight: 400;">Porém, Suares admite que existe, sim, uma dificuldade da atual rede de atendimento à saúde mental em atender todas as demandas de crises e surtos psicóticos. Mas o psicólogo acredita que o principal motivo para a emergência do Hospital Ulysses Pernambucano &#8211; conhecido entre os recifenses como Tamarineira &#8211; ter pacientes à espera de atendimento a qualquer hora do dia é o fato de ele estar fortemente cristalizado no imaginário popular como o lugar de referência para acolhimento. “Durante muito tempo, o único modelo de assistência a saúde mental era o hospital psiquiátrico. Então, se a pessoa tivesse uma crise, era levada para o hospital. Isso cria um comodismo: os familiares preferem deixar a pessoa no hospital em tempo integral para não precisar levá-la e buscá-la a cada crise”, ele explica. “Essa perspectiva do abandono é modificada com o atendimento nos CAPS, os Centros de Atenção Psicossocial, onde o usuário recebe assistência, mas não fica meses ou anos internado, e precisa retornar para casa. Assim, a responsabilidade do tratamento é compartilhada com a família &#8211; o que acaba, em muitos casos, não sendo muito fácil”.</span>

<span style="font-weight: 400;">Suares explica ainda que, apenas em 2001, com a aprovação da Lei 10.216, é que surge o estímulo para a reflexão quanto às alternativas de práticas, equipamentos e instrumentos para o sistema de assistência em saúde mental. Entre elas, estão os CAPS 24h e a incorporação de políticas relacionadas ao consumo de álcool de outras drogas &#8211; culminando na criação, em 2004, dos CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas). Passa-se a ter também a percepção de que há uma demanda de dispositivos específicos para o tratamento de crianças e adolescentes portadoras de distúrbios, o que leva à formação dos CAPS Infanto-Juvenis. Assim, para Suares, a preparação da rede para lidar com toda a gama de especificidades é um processo que está em constante construção.</span>

<span style="font-weight: 400;">“Hoje, a RAPS</span><span style="font-weight: 400;">conta com vários equipamentos para atender às demandas de assistência em saúde mental. Entre elas, estão o Consultório na Rua, os CAPS, as residências terapêuticas, as unidades de acolhimento transitório, os hospitais gerais. Até mesmo o Samu acaba sendo componente da rede, porque é muitas vezes a porta de entrada de uma situação de crise”, conta Suares. “E o Samu pode ser visto como um dos gargalos, já que nem sempre as equipes estão sensibilizadas para entender que o transtorno mental não é questão de polícia, mas sim uma questão de saúde como qualquer outra, a ser remetida aos hospitais gerais.”</span>

<span style="font-weight: 400;">É nesses momentos emergenciais em que Suares vê a importância do espaço hospitalar, de modo que sejam garantidas ao indivíduo as condições de cuidados clínicos. Ilustrando essa situação, o psicólogo relata o caso do morador de uma residência terapêutica que apresentou repetidas crises intensas, levando a comportamentos violentos. O psiquiatra do CAPS então determinou o tratamento com psicofármacos atípicos &#8211; que produzem uma resposta psiquiátrica satisfatória rapidamente, mas podem trazer outros efeitos clínicos indesejados. Assim, o morador foi encaminhado para um leito no Hospital das Clínicas, por um período de 30 dias, para que o uso e a reação do medicamento fossem monitoradas. “Em seguida ele pôde retornar bem à residência, fazendo uso do medicamento atípico, com seu quadro clínico estável”, conclui.</span>

<span style="font-weight: 400;">Suares defende que a própria política da reforma psiquiátrica preconiza que haja um determinado número de leitos em hospitais gerais para emergência psiquiátrica, a fim de garantir que a equipe tenha melhores condições no cuidado dos internos. Além disso, ele aponta que “é preciso ter em mente que a existência desses leitos em hospitais gerais é importante e necessária para dar conta de questões que o CAPS, que o serviço residencial terapêutico, que o consultório de rua ou qualquer outro dispositivo como esses, não dá conta; que precisaria da dimensão de um espaço como o hospital. Mas não na dimensão em que foram construídos historicamente os hospitais psiquiátricos.”</span>

<span style="font-weight: 400;">Para o psicólogo, é preciso destacar que, mesmo nos ambientes dos CAPS que funcionam 24h, a política de internação inevitavelmente difere da política dos hospitais psiquiátricos. No primeiro, há a disponibilização de um leito por um período de 15 a 30 dias, para que a pessoa possa se estabilizar e retornar para casa. Já no segundo, as pessoas dão entrada na emergência e lá ficam durante meses, podendo até mesmo passar para a ala hospitalar de internação, sem a previsão ou o intuito do recebimento da alta.</span>

<span style="font-weight: 400;">Se hoje há um grande entrave para a reforma psiquiátrica é a resistência de determinadas parcelas da sociedade. Mas para Suares, as manifestações contrárias acontecem não pela crença de que que esta não é a alternativa mais adequada de cuidado à saúde mental, mas pela ausência de serviços. “A reforma realmente está em construção e nem sempre a gente tem serviços suficientes para suprir a demanda que o território apresenta. Recife tem 17 CAPS, e considero que há a necessidade de mais unidades, mas não estamos conseguindo qualificar a discussão para a expansão”, explica o psicólogo. “Então, a dificuldade é pensar como conseguimos garantir uma reforma assegurando a quantidade suficiente de equipamentos para que as pessoas não se sintam desassistidas; essa é uma discussão da saúde mental, mas que perpassa as outras áreas da saúde”.</span>

<span style="font-weight: 400;">O movimento antimanicomial vem conseguindo fortalecimento e organização progressivos para o enfrentamento de uma série de pautas, cientes das dificuldades impetradas pelo contexto político atual, tanto em nível estadual quanto nacional. E para Suares, elas não são poucas &#8211; nem simples. “Hoje, tanto no âmbito estadual quanto municipal, nossas atenções estão voltadas para a precarização dos vínculos trabalhistas, com a terceirização de vários serviços; para a dificuldade de expansão da rede psicossocial, tanto no Recife quanto no interior de Pernambuco; e para a ampliação da discussão sobre o uso álcool e outras drogas, principalmente com a popularização das unidades terapêuticas de cunho religioso, onde a cada inspeção são encontradas diversas violações aos direitos humanos; assim como nos hospitais.”</span>

<b>Pela valorização do saber médico</b>

<span style="font-weight: 400;">“Apesar de ter sido norteada por princípios de base humanista, a lei de 2001 foi um tanto precipitada”. Essa é a visão de Everton Botelho Sougey, psiquiatra clínico, professor da Universidade Federal de Pernambuco e presidente da Sociedade Pernambucana de Psiquiatria – instituição federada à Associação Brasileira de Psiquiatria. Ambas as instituições, assim como várias outras ligadas ao tratamento da saúde mental, são signatárias do documento </span><a href="http://marcozero.org/as-diretrizes-da-contestacao/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">“Diretrizes para um modelo de atenção integral em saúde mental no Brasil”</span></a><span style="font-weight: 400;">. Redigido em 2014 e entregue aos mais diversos órgãos governamentais ligados à área de saúde, o documento lista uma série de propostas que visam não se contrapor diretamente à Lei Antimanicomial, mas sim repensar seu funcionamento e ampliar seu alcance diante das dificuldades de sua total implantação – mas sem retrocesso.</span>

<span style="font-weight: 400;">Para Sougey, ainda que o atual modelo de assistência aos portadores de transtornos mentais em Pernambuco e no Brasil seja passível de uma série de críticas, o caminho não é mais um total contraponto aos pressupostos defendidos pelos integrantes da chamada Luta Antimanicomial. Diante da conjuntura atual, em que a maioria dos hospitais já se encontra fechado e o atendimento é centrado principalmente nos CAPS (Centro de Assistência Psicossocial), Dr. Everton acredita que o diálogo entre as duas correntes seja o caminho mais benéfico rumo à uma assistência próxima do ideal. “A lei, é fato, não tem mais volta”, ele afirma. “Então, como todo corpo funciona em harmonia com suas duas metades, o mais interessante na atual conjuntura seria que pudéssemos estabelecer conversas entre as duas correntes, que nos levassem a um caminho comum.”</span>

<span style="font-weight: 400;">A assistência ao portador de distúrbio mental no Brasil, ele admite, sempre foi “o calcanhar de Aquiles da psiquiatria”: ao longo do tempo, a busca pelo conhecimento que formaria a base de um tratamento psiquiátrico adequado, através do empiricismo, levou a práticas totalmente condenáveis; assim como as distorções na implantação do sistema de hospitalização, principalmente durante os anos 1970, levaram ao recolhimento indevido de milhares de cidadãos em situação de rua – todos fatores admitidos por Sougey. </span>

<span style="font-weight: 400;">Contudo, segundo ele, o abrupto abandono do </span><a href="http://marcozero.org/alguns-dos-hospitais-psiquiatricos-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">sistema de internação</span></a><span style="font-weight: 400;"> causou uma série de efeitos colaterais imediatos. “A Lei Antimanicomial, surge com uma proposta muito interessante – no papel. Na prática, se vai desmontar um sistema, que tinha muitos defeitos, e substituí-lo por uma rede de assistência que não estava devidamente capilarizada.” Os efeitos disso seriam sentidos até hoje: pacientes que, ao voltarem às casas de famílias repentinamente confrontadas com a necessidade de lidarem com distúrbios que podem dificultar a convivência, acabam confinados em cômodos (os quartinhos ou “puxadinhos”), transformados em verdadeiras celas; ou acabam abandonados, vagando pelas ruas e sendo recolhidos, dessa vez, pela polícia – os últimos anos registram aumento significativo de portadores de distúrbios psiquiátricos nas prisões brasileiras. Além disso, Sougey afirma que o número de CAPS criados, bem como o número de profissionais designados para estes centros, era insuficiente para atender à demanda gerada pelo fechamento dos hospitais – e com a alta demanda e o desgaste gerado, muitos destes profissionais decidiram desligar-se da área de assistência. Para ele, tudo isso configura um verdadeiro retrocesso. “Voltamos à era pré-psiquiátrica”, afirma.</span>

<div id="attachment_2394" style="width: 646px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/everton-botelho2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2394" class="size-full wp-image-2394" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/everton-botelho2.jpg" alt="Everton Botelho Sougey, psiquiatra clínico, professor da Universidade Federal de Pernambuco e presidente da Sociedade Pernambucana de Psiquiatria" width="636" height="640"></a><p id="caption-attachment-2394" class="wp-caption-text">Everton Botelho Sougey, psiquiatra clínico, professor da Universidade Federal de Pernambuco e presidente da Sociedade Pernambucana de Psiquiatria</p></div>

<span style="font-weight: 400;">Assim, a necessidade da existência de hospitais psiquiátricos torna-se o ponto de maior discordância entre os adeptos da Luta Antimanicomial e outras instituições voltadas à saúde mental: para a associação presidida por Sougey e muitas outras, há, sim, a necessidade de um espaço constituído dentro de moldes hospitalares, que ofereça o tratamento adequado aos pacientes possuidores de distúrbios mentais. “Se a cardiologia e a maternidade, por exemplo, possuem um ambiente hospitalar específico, por que não a psiquiatria?”, ele questiona. “Mas os integrantes da luta não concebem que alguém possa defender um modelo de assistência que funcione com a existência de hospitais.”</span>

<span style="font-weight: 400;">Sua posição é a de que o ambiente hospitalar deve ser aprimorado, não extinto. E uma das medidas visando esse aprimoramento seria a constituição de equipes multidisciplinares, unindo as mais diversas competências, em um ambiente de estrutura moderna e apropriada – diferente dos modelos popularizados em décadas anteriores. Ainda assim, ele afirma que as instituições de psiquiatria não se posicionam contra as residências terapêuticas ou os lares protegidos – experiências que, segundo ele, tiveram sucesso na Inglaterra (nas chamadas “comunidades terapêuticas”) e foram responsáveis por um processo de humanização da especialidade. Mas sem prescindir do tratamento em ambiente hospitalar.</span>

<span style="font-weight: 400;">Uma outra crítica de Sougey à Lei Paulo Delgado, como também é conhecida, diz respeito ao fato de que, segundo o psiquiatra, seu norteamento é mais ideológico do que científico. Um dos indícios que comprovariam esse fato é justamente a utilização do termo que dá nome ao movimento. “Manicômio é uma instituição psiquiátrica para tratar terapeuticamente, em regime fechado, doentes mentais que cometeram crimes sérios”, ele explica. “Se a reforma não estivesse a serviço de uma ideologia, não chamariam hospitais de manicômio, nem psiquiatras de torturadores. A desconstrução de um conhecimento, que possui uma história – mas não a esconde – é muito perigoso. Afinal, a medicina tem andado pra frente”, continua Sougey. “Talvez tenhamos tido uma época difícil, onde o médico ficou desumanizado. Principalmente porque as condições de trabalho, na maioria do tempo, são de enorme dificuldade. Mas discordo do discurso cada vez mais difundido que relega a figura do psiquiatra a um plano de menor importância no tratamento dos distúrbios mentais.”</span>

<span style="font-weight: 400;">É partindo do pressuposto de uma disputa política que Sougey refuta a afirmação de que os profissionais da psiquiatria, ao defenderem o modelo hospitalar, estariam desprezando o bem-estar de seus pacientes. “Numa profissão juramentada como a medicina, quem pode, em sã consciência, concordar com um modelo asilar como o que ocorria? Concordar com uma Tamarineira, com 1200 pacientes?”, ele pondera. “Contudo, décadas atrás, não havia outra alternativa. Os tratamentos medicamentosos só começaram a surgir nos anos 1950. Historicamente, é algo muito recente. Ninguém é a favor de ‘holocaustos’ – como no livro </span><a href="http://marcozero.org/holocausto-brasileiro/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">‘Holocausto Brasileiro’</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobre o caso ocorrido em Minas Gerais. O problema é outro: o fato de o modelo de hospitalização ser muito complexo.” Sougey afirma ainda que o único outro país a adotar uma visão de desmonte da prática hospitalar foi a Itália, na reforma da saúde psiquiátrica coordenada por Franco Basaglia – modelo que serviu de referência à reforma implementada no Brasil. Mas para Everton, essa foi uma experiência totalmente fracassada. </span>

<span style="font-weight: 400;">A internação em modelo hospitalar, contudo, não prescindiria da aplicação de outros métodos, em conjunto, durante o tratamento. O psiquiatra afirma que isso nem mesmo pode ser considerado novidade, ao citar como exemplo os métodos desenvolvidos por </span><a href="http://marcozero.org/ulysses-pernambucano-o-pioneiro/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">Ulysses Pernambucano</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Hospital da Tamarineira (que hoje, inclusive, leva seu nome), durante a década de 1930; lá, o psiquiatra desenvolveu, junto à Anita Paes Barreto, tratamentos que utilizavam, entre outras técnicas, a terapia ocupacional. “Havia uma padaria na Tamarineira, na qual os pacientes faziam seu próprio pão”, lembra o psiquiatra. “Mas ele nunca perdeu a visão científica.” </span>

<span style="font-weight: 400;">É essa visão científica que Sougey evoca como maior aliada do tratamento psiquiátrico. Para ele, a resolutibilidade dos problemas psiquiátricos obteve avanço significativo nas últimas três décadas, fazendo com que a realidade, hoje, seja muito diferente daquela do início do sistema psiquiátrico no Brasil. Mas ele afirma que o conhecimento médico desenvolvido e acumulado nesse período vem sendo deixado de lado no atual modelo de assistência. “Defensores da lei chegam a afirmar que não existe doença – o que vemos como um absurdo.” Segundo o psiquiatra, para que a assistência psiquiátrica fosse instituída a partir de preceitos que não os da medicina, ela teria que ter sido desenvolvida a partir da ciência social – o que não é o caso. “Mas nossa visão é médico-naturalista, de forma que o psiquiatra enxergue não apenas o distúrbio, mas a saúde e a pessoa do paciente de forma integral; ainda assim, uma visão médica, científica.”</span>

<span style="font-weight: 400;">Assim, a solução dos problemas enxergados por Sougey, pela associação que preside e por outras signatárias do documento “Diretrizes (…)”, seria o investimento massivo e o planejamento detalhado – atitudes que, ele afirma, estiveram ausentes na implantação da Lei de 2001 (ainda que ele admita que o investimento em saúde, em todas as áreas, seja precário). </span>

<span style="font-weight: 400;">Diferente do Movimento Antimanicomial, Everton acredita que o investimento na adequação e modernização das estruturas, além das equipes multidisciplinares capacitadas, que criariam um modelo hospitalar distante das chamadas “instituições totais” – aquelas que acabam por retirar a autonomia e os direitos individuais daqueles que nelas são confinados. Assim, as internações não se dariam de forma inadequada, nem por um tempo além do necessário. “Para mim, o discurso de que o hospital, em si, desumaniza, é puramente político. Um hospital preparado, que realmente atenda às necessidades do paciente, não teria esse efeito.”, ele afirma.</span>

<span style="font-weight: 400;">Contudo, o tratamento seria sempre voltado para o menor tempo de internação possível e para restabelecer totalmente a capacidade de o indivíduo gerenciar sua própria vida. Esse é um ponto de convergência com as propostas da Lei Paulo Delgado, mas que hoje é executado de outras maneiras – para Sougey, de forma totalmente improvisada. Ele cita como exemplo a adaptação de vários CAPS de forma improvisada, sem sistematização, como determinadas unidades que preveem a internação. Isso acarretaria um contrassenso à própria lei e enfraqueceria um de seus objetivos mais destacados: a desinstitucionalização. “Se o paciente diz que adora o CAPS, ele não demonstra ainda estar institucionalizado? A falta de planejamento vem criando uma colcha de retalhos”, conclui o psiquiatra.</span>

<b>Paciente ou usuário?</b>

<span style="font-weight: 400;">Contrapondo-se as falas de Vinícius Suares e Everton Sougey, percebe-se uma diferença no termo utilizado para se referir a uma pessoa portadora de distúrbios mentais que seja atendida pelo sistema de saúde psiquiátrica. Enquanto Vinícius, representante da Luta Antimanicomial, utiliza o termo “usuários”, Sougey dá preferência ao costumeiro pacientes. Mas o que essa diferenciação significa?</span>

<span style="font-weight: 400;">Em um artigo intitulado “Da institucionalização da loucura à reforma psiquiátrica: as sete vidas da agenda pública em saúde mental no brasil”, a pesquisadora Eliane Maria Monteiro da Fonte diz o seguinte:</span>
<blockquote><span style="font-weight: 400;">“Como afirma Perrusi (2010: 102-103), o uso de psicotrópicos produziu um processo de diferenciação na clientela psiquiátrica, que não precisa mais ser identificada como reclusa no asilo, produzindo internamentos intermitentes (com duração limitada) e possibilitando a boa parte dos pacientes o uso de serviços extra-hospitalares. Atualmente no Brasil, assim como em muitos outros países, os serviços psiquiátricos e de atenção psicossocial são utilizados voluntariamente pelos pacientes, identificados como ‘usuários’, no papel de doentes, ou seja, ‘num papel reconhecido e sancionado socialmente, como qualquer outro serviço de saúde pública ou privada’, contribuindo para minimizar o estigma da intervenção psiquiátrica. Como resultado conjunto da reforma institucional (hospitalização do asilo + instituições extra-hospitalares), o portador do sofrimento psíquico pôde deixar de ocupar uma linha biográfica, a carreira moral de paciente psiquiátrico, cujo resultado era a cronicidade do paciente, se transformando em usuário.”</span></blockquote>
<b>Sobre a loucura e a lucidez</b>

<span style="font-weight: 400;">Já cantou Caetano Veloso que, de perto, ninguém é normal. Muito provavelmente, dentre as pessoas atendidas no posto de saúde onde Yasmin** trabalha, nenhuma delas seja capaz de imaginar o passado e o histórico em saúde mental da técnica de enfermagem que os assiste. Observam, porém, a dedicação e o bom trato que ela tem com as crianças e o empenho a cada dia de vacinação. </span>

<span style="font-weight: 400;">Yasmin, por sua vez, equilibra em sua agenda o trabalho, o andamento da construção de sua casa, os planos para o casamento, os estudos para aprovação em um concurso público e os encontros semanais com sua psiquiatra. Yasmin tem esquizofrenia e se enche de orgulho ao contar que leva uma vida normal.</span>

<span style="font-weight: 400;">Ela teve três surtos psicóticos ao longo da vida, que a ensinaram a necessidade de se reerguer. O primeiro, em abril de 2003, foi ocasionado por uma estafa mental e estresse no ambiente de trabalho. O segundo no ano de preparação para o vestibular; e o último, em 2007, pela convicção que a invadiu de que o pai era um suicida. “Eu tranquei meu pai no terraço para que ele não pudesse mais fazer mal a ele mesmo, pois eu tinha em mim a certeza de que ele beber muito significava que ele queria se matar”, conta ela.</span>

<span style="font-weight: 400;">Em todas as situações, Yasmin passou por tratamento. Chegou a ser atendida na emergência psiquiátrica do Hospital Otávio de Freitas e foi acompanhada pelos profissionais do CAPS David Capistrano. “Precisei ser socorrida, mas meu tratamento foi mesmo no CAPS, que na minha época tinha uma estrutura muito boa. Mas hoje em dia está bastante sucateado”.</span>

<span style="font-weight: 400;"></span><span style="font-weight: 400;">Yasmin conta que após cada episódio, a parte mais difícil é retomar uma vida normal. “As pessoas tendem a não acreditar em você, elas acham que você é inválida”.</span>
<blockquote><i><span style="font-weight: 400;">“O meu maior sonho e o de muitos pacientes é poder ser respeitado no seu local de trabalho, que seu chefe, seu colega saiba que você foi paciente da saúde mental, mas que saiba que você pode trabalhar, que nos dê uma chance e acredite que a gente tem potencial.”</span></i></blockquote>
<span style="font-weight: 400;">O relato de Yasmin vem cheio de sonhos: o casamento, a vontade de ser aprovada num concurso público&#8230; O maior deles, porém, talvez se concretize na luta diária que ela trava com o mundo para ter uma vida normal. “Eu quero dar o exemplo para que ninguém desista! Qualquer pessoa tem direito de ter </span><b>loucura</b><span style="font-weight: 400;">, de sofrer das emoções, mas essa pessoa pode se reerguer. O que não pode é a gente ficar </span><b>excluído</b><span style="font-weight: 400;"> ou ser visto como doente pro resto da vida.”</span>

<span style="font-weight: 400;">**Nome fictício utilizado a pedido da entrevistada.</span>

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/aline.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2401 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/aline.jpg" alt="aline" width="186" height="151"></a>

*Aline Soares, bacherela em Rádio, TV e Internet pela UFPE e estudante do 4º período de Jornalismo.





<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/dandara.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2402 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/dandara.jpg" alt="dandara" width="185" height="151"></a><i>*Dandara Palankof e Cruz é radialista, mestranda em comunicação pela UFPB e tradutora de histórias em quadrinhos.</i><p>O post <a href="https://marcozero.org/a-reforma-psiquiatrica-no-brasil-conflitos-e-entraves-no-tratamento-em-saude-mental/">Reforma psiquiátrica: conflitos e entraves no tratamento em saúde mental</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/a-reforma-psiquiatrica-no-brasil-conflitos-e-entraves-no-tratamento-em-saude-mental/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
