“Holocausto Brasileiro”

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O livro, publicado pela editora Geração, nasceu a partir de uma série de reportagens de Daniela Arbex, publicadas no jornal Tribuna de Minas em 2011, na qual a jornalista investigou o tratamento desumano dedicado aos pacientes internados no Hospital Colônia de Barbacena, localizado no município mineiro de mesmo nome.

Na instituição, criada em 1903 e que chegou a ter cinco mil pacientes na década de 1960, os internos eram submetidos aos mais diversos – e cruéis – maus-tratos: eram  espancados, tinham os cabelos raspados ao chegarem, eram alimentados com ratos e água do esgoto e sofriam eletrochoques tão fortes e tão costumeiros que a sobrecarga derrubava a rede elétrica do município. Morriam de frio, fome e doença – foram mais de 60 mil óbitos ao longo das décadas.

Contudo, apenas 30% dos pacientes da Colônia tinham diagnóstico de doença mental. O que Daniela mostra é que o Hospital foi usado como uma espécie de campo de concentração para perpetrar um projeto de “limpeza étnica”: a maioria dos internos, na verdade, eram pertencentes a minorias e outros estratos marginalizados da sociedade: epiléticos, alcóolatras, cidadãos em situação de rua, prostitutas, gays, e meninas grávidas – violentadas ou tendo perdido a virgindade antes de se casarem.

(Aline Soares e Dandara Palankof e Cruz )

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