<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos marielle franco - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/marielle-franco/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/tag/marielle-franco/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 13:19:48 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos marielle franco - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/tag/marielle-franco/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Dani Portela assume a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Alepe</title>
		<link>https://marcozero.org/dani-portela-assume-a-presidencia-da-comissao-de-direitos-humanos-da-alepe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Mar 2023 17:43:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[alepe]]></category>
		<category><![CDATA[Assembléia Legislativa de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Dani Portela]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<category><![CDATA[PSOL]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=54263</guid>

					<description><![CDATA[<p>A deputada estadual Dani Portela (PSOL) é a nova presidenta da Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular da Assembleia Legislativa de Pernambuco. A definição foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (14). Dani Portela ocupa a presidência do colegiado no lugar do mandato coletivo das Juntas e, com isso, o PSOL se firma [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/dani-portela-assume-a-presidencia-da-comissao-de-direitos-humanos-da-alepe/">Dani Portela assume a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Alepe</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A deputada estadual Dani Portela (PSOL) é a nova presidenta da Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular da Assembleia Legislativa de Pernambuco. A definição foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (14).</p>



<p>Dani Portela ocupa a presidência do colegiado no lugar do mandato coletivo das Juntas e, com isso, o PSOL se firma à frente da comissão há três legislaturas. “Essa é uma conquista não só minha, mas de toda a sociedade civil organizada. […] Nós iremos continuar o trabalho importantíssimo desenvolvido pelas Juntas Codeputadas na última legislatura e isso é tanto uma alegria, quanto uma responsabilidade imensa”, declarou a deputada.</p>



<p>Em seu primeiro mandato na Alepe, Dani Portela se candidatou para ocupar a presidência da comissão ainda no início dos trabalhos parlamentares e contou com o apoio de mais de 70 organizações da sociedade civil, que assinaram um manifesto endossando a sua indicação.</p>



<p>A deputada ressaltou a importância simbólica de ter a confirmação de seu nome para assumir a presidência da comissão neste 14 de março, dia em que se completam cinco anos da morte de Marielle Franco.</p>



<p>“Neste dia uma defensora de direitos humanos foi morta no país que mais assassina defensores em todo mundo. O nosso compromisso reforça que os Direitos Humanos não é uma pauta única, mas sim um guarda-chuva mais amplo de todos os direitos. A presidência dessa comissão é um espaço fundamental na luta por um Pernambuco mais justo e igualitário para todas e todos”, concluiu Dani Portela.</p>



<p>A Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular é responsável por analisar matérias relativas aos temas de violência, direitos dos cidadãos e cidadãs, da criança, do adolescente e do idoso; discriminações raciais, étnicas, sociais, de identidade de gênero e orientação sexual, entre outras. Além disso, é a CCDHPP que fiscaliza o sistema prisional; o acompanhamento às vítimas de violência e a seus familiares; os direitos do consumidor e do contribuinte; as políticas de segurança pública do Estado e as sugestões legislativas apresentadas pela sociedade civil.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/dani-portela-assume-a-presidencia-da-comissao-de-direitos-humanos-da-alepe/">Dani Portela assume a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Alepe</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Força Tururu premia compositora e lança clipe em homenagem a Marielle</title>
		<link>https://marcozero.org/forca-tururu-premia-compositora-e-lanca-clipe-em-homenagem-a-marielle/</link>
					<comments>https://marcozero.org/forca-tururu-premia-compositora-e-lanca-clipe-em-homenagem-a-marielle/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Nov 2020 19:44:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[bomba do hemetério]]></category>
		<category><![CDATA[Força Tururu]]></category>
		<category><![CDATA[gessica beda]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=32818</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nesta sexta-feira (20), Dia Nacional da Consciência Negra, o Coletivo Força Tururu lançará em suas redes sociais o videoclipe da música Marielle, composição de Gessica Beda. As gravações realizadas pela equipe do Coletivo aconteceram na Bomba do Hemetério, zona norte do Recife, bairro onde Gessica mora, e também no Centro da Cidade. A música foi [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/forca-tururu-premia-compositora-e-lanca-clipe-em-homenagem-a-marielle/">Força Tururu premia compositora e lança clipe em homenagem a Marielle</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nesta sexta-feira (20), Dia Nacional da Consciência Negra, o Coletivo Força Tururu lançará em suas redes sociais o videoclipe da música Marielle, composição de Gessica Beda. As gravações realizadas pela equipe do Coletivo aconteceram na Bomba do Hemetério, zona norte do Recife, bairro onde Gessica mora, e também no Centro da Cidade.</p>



<p>A música foi a vencedora do edital Canta pra Vida, promovido pelo Coletivo Força Tururu com o apoio da Escola de Ativismo. Para participar, era preciso ser mulher, acima de 18 anos, cantora e compositora de Abreu e Lima, Paulista (cidade do Coletivo), Olinda, Recife, Camaragibe ou Jaboatão. A letra da música inscrita deveria tratar de alguns dos seguintes temas: resistência, luta social, enfrentamento ao preconceito, organização popular, amor à vida.</p>



<p>Ao todo, 20 cantoras e compositoras se inscreveram. O anúncio da vencedora aconteceu em agosto. Na sequência, foi feita a gravação da música no estúdio Duca do Beat, na Bomba do Hemetério. Nas últimas semanas, começaram as gravações nas ruas do bairro e do Centro. “Nós temos uma prática de fortalecimento de grupos e pessoas periféricas e decidimos dar uma força para as compositoras, apoiando sua produção”, conta o pedagogo André Fidélis, do Força Tururu.</p>



<p>Vencedora do edital, Gessica Beda está familiarizada com a música desde criança. Aos 12 anos fez parte de corais, depois estudou violão, balé clássico, teatro, frevo e dança contemporânea. Em entrevista para os integrantes do Coletivo Tururu, ela contou que toda essa experiência a fez transitar por diversas influências rítmicas, mas que o território tem um peso importante nas suascanções. “Por crescer entre a Bomba do Hemetério e o Alto do Pascoal fui muito influenciada e inspirada pelas vivências nesses lugares em minhas composições. Na música da Marielle, especificamente, fui inspirada pela indignação diante da história da morte dela”, contou.</p>



<p>A vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (Psol) e o motorista Anderson Gomes foram assassinados a tiros no dia 14 de março de 2018. Passados mais de dois anos das mortes, a Polícia não revelou quem foram os mandantes do crime.</p>



<iframe width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/qIniGnxWC8M" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>



<p>Quando escreveu a música, há mais de um ano, Gessica estava pressionada para entregar um trabalho da faculdade e angustiada com a memória de Marielle e do assassinato. “Comecei a pesquisar, anotar detalhes… e tudo na minha cabeça foi se organizando. Em um dia acabei a música e pra mim foi como um consolo diante da história. O trabalho da faculdade atrasou, mas a música saiu”.</p>



<p>Gessica soube do edital pelo Instagram do Tururu e agora está finalmente poderá atender à pressão dos amigos que queriam que ela gravasse a música de todo jeito. “Estou muito feliz e empolgada. Não só pela realização do clipe e a gravação, mas por toda a equipe estar engajada na ideia e no discurso que a música traz. Isso, nenhum dinheiro compra”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/11/WhatsApp-Image-2020-11-18-at-15.56.16-300x138.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/11/WhatsApp-Image-2020-11-18-at-15.56.16-1024x472.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/11/WhatsApp-Image-2020-11-18-at-15.56.16-1024x472.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Equipe do Coletivo Tururu com Gessica Beda nas filmagens do videoclipe. Crédito: Coletivo Força Tururu</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Formação e informação</h2>



<p>Criado há 12 anos na comunidade do Tururu, em Paulista, o Coletivo Força Tururu é uma referência na comunicação popular da Região Metropolitana do Recife. Alêm da produção de conteúdo local, tem uma atuação importante no apoio e na formação de outros grupos de comunicação periféricos.</p>



<p>Em outubro o grupo realizou oficinas nas comunidades do Alto do Sol Nascente, em Olinda, e no Córrego do Jenipapo, no Recife, sempre em parceria com coletivos das comunidades locais, como o Grupo Sol e o Jenipapo em Foco.</p>



<p>Para os integrantes do Tururu, a comunicação popular é uma das formas mais importantes de empoderamento e fortalecimento das comunidades para criar estratégias de incidência e mudanças nos territórios periféricos.</p>



<p>O Coletivo Tururu compõe a Rede Coppa, Rede de Coletivos Populares de Paulista, juntamente com o Escambo Coletivo, o Observatório de Maranguape I, o coletivo M1 e o Coletivas. </p>



<p>Nestas eleições 2020, os movimentos se juntaram para colocar nas ruas das periferias uma campanha contra o clientelismo, com a produção de vídeos, lambes e ações nas redes sociais. “Somos contra os políticos assistencialistas, que querem que os problemas continuem a existir para eles oferecerem seus pequenos serviços. Nosso lado é dos que defendem pautas de luta social e dos direitos humanos e que valorizam as comunidades”, explica André Fidelis.</p>



<p>Os coletivos periféricos têm tido um papel relevante durante a pandemia no trabalho cotidiano de fazer frente à desinformação e às fake news que circulam sobre a prevenção e o tratamento da Covid-19. Estiveram à frente também da arrecadação de alimentos e materiais de higiene, bem como das ações políticas de pressão sobre o poder público para garantir água, merenda escolar e apoio às famílias mais vulneráveis.</p>


<p>O post <a href="https://marcozero.org/forca-tururu-premia-compositora-e-lanca-clipe-em-homenagem-a-marielle/">Força Tururu premia compositora e lança clipe em homenagem a Marielle</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/forca-tururu-premia-compositora-e-lanca-clipe-em-homenagem-a-marielle/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ato no centro do Recife lembra legado político de Marielle Franco</title>
		<link>https://marcozero.org/ato-no-centro-do-recife-lembra-legado-politico-de-marielle-franco/</link>
					<comments>https://marcozero.org/ato-no-centro-do-recife-lembra-legado-politico-de-marielle-franco/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2020 22:43:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Anderson Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=26119</guid>

					<description><![CDATA[<p>Quem mandou matar Marielle e Anderson? A pergunta que continua sem resposta, há dois anos, foi lembrada hoje nas ruas do centro do Recife. Por volta das 16h30, dezenas de pessoas se concentraram em frente ao Tribunal de Justiça de Pernambuco e de lá seguiram em caminhada até a Praça da Independência, onde algumas delas [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/ato-no-centro-do-recife-lembra-legado-politico-de-marielle-franco/">Ato no centro do Recife lembra legado político de Marielle Franco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>  </p>



<p>Quem mandou matar Marielle e Anderson? A pergunta que continua sem resposta, há dois anos, foi lembrada hoje nas ruas do centro do Recife. </p>



<p>Por volta das 16h30, dezenas de pessoas se concentraram em frente ao Tribunal de Justiça de Pernambuco e de lá seguiram em caminhada até a Praça da Independência, onde algumas delas fizeram falas em memória à vereadora carioca assassinada em 14 de março de 2018. </p>



<p>Mulheres do PSOL e de movimentos feministas foram maioria a se pronunciar no microfone, mas o que havia em comum entre todos os presentes é ainda a sensação de luto e a força incansável que leva essas pessoas a reivindicar por respostas e justiça.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Ato-2-anos-morte-de-Marielle-300x84.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Ato-2-anos-morte-de-Marielle-1024x288.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/Ato-2-anos-morte-de-Marielle-1024x288.png" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crédito: Débora Britto/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Da periferia do Recife, a cineasta Yane Mendes espera que a luta e a morte de Marielle sirvam para proteger outras mulheres que, como ela, não nasceram com privilégios. O exercício de dialogar com as pessoas que passavam pelo centro da cidade no início da noite, já cansadas, também marcou sua fala. &#8220;A gente tem por obrigação não falar por, a gente tem que falar com as pessoas que são como Marielle, faveladas&#8221;, disse.</p>



<p>A manifestação reforça que a luta por justiça para Marielle e Anderson deve abranger todas as pessoas que carregam e sofrem as consequências da desigualdade brasileira, especialmente as mulheres negras.</p>


<p>O post <a href="https://marcozero.org/ato-no-centro-do-recife-lembra-legado-politico-de-marielle-franco/">Ato no centro do Recife lembra legado político de Marielle Franco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/ato-no-centro-do-recife-lembra-legado-politico-de-marielle-franco/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Após dois anos sem resposta, Psol e família de Marielle realizam atos por justiça</title>
		<link>https://marcozero.org/apos-dois-anos-sem-resposta-psol-e-familia-de-marielle-realizam-atos-por-justica/</link>
					<comments>https://marcozero.org/apos-dois-anos-sem-resposta-psol-e-familia-de-marielle-realizam-atos-por-justica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2020 17:51:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Anderson Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=26048</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em 14 de março de 2020, serão dois anos ou 731 dias transcorridos desde o assassinato brutal da vereadora carioca Marielle Franco e de Anderson Gomes, seu motorista. São dois anos em que as perguntas feitas desde o dia do crime seguem sem respostas. Quem mandou matar? E por que? São dois questionamentos que, se [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/apos-dois-anos-sem-resposta-psol-e-familia-de-marielle-realizam-atos-por-justica/">Após dois anos sem resposta, Psol e família de Marielle realizam atos por justiça</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 14 de março de 2020, serão dois anos ou 731 dias transcorridos desde o assassinato brutal da vereadora carioca Marielle Franco e de Anderson Gomes, seu motorista. São dois anos em que as perguntas feitas desde o dia do crime seguem sem respostas. Quem mandou matar? E por que? São dois questionamentos que, se respondidos, podem abalar a estrutura da frágil democracia brasileira.&nbsp;<br></p>



<p>Ao longo desses dois anos, a incessante luta por justiça e pela memória de Marielle se tornou foco da ação da família da vereadora e também de movimentos feministas, sociais e do Psol, partido ao qual ela era filiada.&nbsp;<br></p>



<p>Grandes eventos adquirem mais importância com o tempo e deixam marcas que não podem ser esquecidas. Onde você estava quando recebeu a notícia e o que tem feito, até hoje, para que não caia no esquecimento?&nbsp;<br></p>



<p>Por todo o país, o mês e o dia 14 de março terá manifestações e atos que pedem por justiça e reforçam a trajetória de luta e defesa de direitos humanos que era uma das marcas de Marielle. O Instituto Marielle Franco, criado pela família da vereadora e presidido por Aniele Franco, irmã, realiza, no Rio de Janeiro, uma dia de manifestações que reforçam o objetivo da organização: buscar justiça, defender a memória, multiplicar o legado e regar sementes de Marielle Franco.&nbsp;<br></p>



<p>No Recife, na sexta-feira (13), ato organizado pelo setorial de Mulheres do Psol sairá do Tribunal de Justiça de Pernambuco. O evento tem início marcado para as 16h, com apresentação de um manifesto. Com velas acesas, a caminhada segue em direção à antiga Ocupação Marielle Franco, na Praça da Independência, bairro de Santo Antônio, onde acontecerá um ato ecumênico e intervenção artístico-política para chamar atenção da sociedade.&nbsp;A organização estendeu o convite à sociedade e também para movimentos feministas e sociais, organizações de defesa de direitos humanos e partidos políticos.&nbsp;<br></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-10-at-16.58.07-240x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-10-at-16.58.07-819x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/WhatsApp-Image-2020-03-10-at-16.58.07-819x1024.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" width="332">
            </picture>

	                </figure>

	


<p>Dani Portela, do setorial de Mulheres do Psol Pernambuco e ex-candidata a governadora, explica que a ideia da manifestação é denunciar a falta de resposta e exigir justiça. &#8220;Passados dois anos, apesar de ter duas pessoas presas, não se chegou à autoria. Por isso escolhemos que o ato saísse do Palácio da Justiça, porque para a gente responder a pergunta &#8216;Quem mandou matar Marielle?&#8217; é uma questão de justiça e fundamental para o rumo que a democracia brasileira está tomando&#8221;, diz.&nbsp;</p>



<p>Segundo ela, a democracia brasileira sempre esteve em vertigem &#8211; em uma alusão ao documentário de Petra Costa -, fato que era ignorado ou negligenciado por muitos setores da política. Hoje, para a psolista, as mobilizações por justiça por Marielle e Anderson tomaram a proporção de definir o rumo do que resta das instituições democráticas. &#8220;Para alguns grupos, como as pessoas negras, pobres, faveladas&#8230; essa democracia nunca havia chegado. Hoje, conseguir responder essa pergunta é garantir as nossas instituições democráticas. Estamos no país que mais mata defensores e defensoras de direitos humanos no mundo&#8221;, lembra.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Investigações </strong></h2>



<p>Apesar de ter identificado e prendido duas pessoas acusadas de participarem do assassinato, o caso Marielle e Anderson envolve diversas linhas de investigação. Isso porque o envolvimento de milícias do Rio de Janeiro avança lentamente. No último dia 10 de março, o Tribunal de Justiça do Rio determinou que os acusados Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz vão a júri popular, mas sem data definida. Ainda há margem para a defesa recorrer. </p>



<p>Mas o andamento jurídico é só uma ponta do problema. &#8220;A gente sabe que dois anos após um assassinato brutal, com várias ligações com a milícia no Rio de Janeiro, e da milícia com grupos políticos, sabemos que há muito interesse em não se revelar os verdadeiros mandantes do assassinato de Marielle&#8221;, argumenta Dani Portela. </p>



<p>O Psol estabeleceu que acompanhar o caso e pedir por justiça é uma prioridade partidária e, sendo assim, também vem acompanhando as investigações do caso, fazendo, inclusive, a defesa de não federalizar as investigações. &#8220;A gente não acredita que a federalização do caso vá garantir isonomia do processo&#8221;, lembrou Dani, justamente devido às conexões não esclarecidas entre as milícias cariocas e a família do atual presidente da República. &#8220;A gente acredita que uma figura como Marielle nesse momento tem uma força muito grande para, inclusive, derrubar esse governo. A partir da força que se gerou a partir das sementes de Marielle&#8221;, completa Dani. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Levante de mulheres negras</strong></h2>



<p>Uma das ações que articulam a memória e a importância de defender pessoas como Marielle foi a instituição do dia 14 de março como <a href="https://uploads.strikinglycdn.com/files/a2f3fe15-58d0-424c-8865-87d26155be1e/1552592697415_PL%20Dia%20Estadual%20das%20Defensoras%20e%20Defensores%20de%20Direitos%20Humanos.pdf">Dia Estadual das Defensoras e Defensores de Direitos Humanos</a>. A proposta de lei é uma iniciativa das Juntas Codeputadas estaduais, aprovada em 2019.<br></p>



<p>O assassinato político que interrompeu prematuramente a vida de Marielle, no entanto, não silenciou a insurgência de mulheres, especialmente de mulheres negras, que se viu após aquele 14 de março. Apesar do agravamento do contexto conservador nas casas legislativas e da eleição de Jair Bolsonaro para a presidência, 2018 foi o ano em que também mais mulheres negras foram eleitas.&nbsp; </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/32279966277_06dee56fc4_h-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/32279966277_06dee56fc4_h-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/32279966277_06dee56fc4_h-1024x683.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Jô Cavalcanti, das Juntas, no dia da posse como deputada estadual. Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Jô Cavalcanti, codeputada estadual das Juntas, é uma dessas mulheres que chegaram ao poder a partir da articulação política e social desencadeada e inspirada em Marielle. A própria candidatura coletiva das Juntas, composta por cinco mulheres diversas, das quais três são negras, uma delas trans, reflete algumas das principais bandeiras de luta que a vereadora carioca levantava.&nbsp;<br></p>



<p>Para a codeputada pernambucana, Marielle se tornou um símbolo de luta por justiça para todas as mulheres, especialmente as negras. &#8220;A continuidade da luta por justiça é no dia a dia, trazendo mais mulheres negras para estarem também disputando isso aqui. Enquanto não existir mais de nós aqui a gente sempre vai ser mais uma. Essa casa, a Alepe, é antiga, tem 184 anos e eu sou a segunda mulher negra a subir e falar na tribuna. Quem está lá e sempre esteve são homens de famílias tradicionais e a gente vem da cara no sol&#8221;, argumenta Jô.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O desafio da segurança</strong><br></h2>



<p>Para Jô, apesar de estar em Pernambuco, estado que não passa pelo acirramento e a violência política como no Rio de Janeiro, o sentimento de medo existe e não deve ser ignorado. Outras parlamentares que, como Marielle Franco, vêm de espaços periféricos e levantam bandeiras para mudar a estrutura desigual da sociedade brasileira, vivem hoje com escolta devido a ameaças.<br></p>



<p>Garantir a segurança das mulheres que entraram na política ainda é terreno nebuloso. Parlamentares precisam pagar do próprio bolso por segurança privada, por exemplo. Para Jô, esse é um debate que os partidos precisam fazer com urgência. &#8220;Uma lição é que a gente tem que estar ocupando esses espaços, mas também ter uma rede de proteção porque aconteceu com Marielle, mas pode acontecer com qualquer uma de nós&#8221;, aponta Jô.<br></p>



<p>Para ela, a violência diária que as mulheres sofrem nas casas legislativas é outra questão que passa imperceptível, mas precisa ser combatida. &#8220;A gente é agredida todos os dias quando somos expulsas de uma comissão, como Robeyoncé foi aqui na Alepe. Quando é falado sobre seu jeito de vestir, seu jeito de falar, é querer constranger você quando está na tribuna falando. Ou não dão atenção ou começam a falar mais alto que você ou então dizem que você está nervosa, como se a gente não fosse ser humano&#8221;, conta Jô.<br></p>



<p>Esse relato lembra, inclusive, o último discurso em tribuna realizado por Marielle. Quando impedida de continuar a falar por outros vereadores, ela ergueu a voz e afirmou que não seria interrompida.&nbsp;Ao lado da luta por justiça, o compromisso com a memória de quem foi e pelo que lutava Marielle é não permitir que mulheres como ela sejam interrompidas novamente.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Leia também</h3>



<h3 class="wp-block-heading"><a href="http://marcozero.org/marielle-resiste-nas-mulheres-negras-que-nao-silenciam/">Marielle resiste nas mulheres negras que não silenciam</a></h3>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/apos-dois-anos-sem-resposta-psol-e-familia-de-marielle-realizam-atos-por-justica/">Após dois anos sem resposta, Psol e família de Marielle realizam atos por justiça</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/apos-dois-anos-sem-resposta-psol-e-familia-de-marielle-realizam-atos-por-justica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As lutas de março</title>
		<link>https://marcozero.org/as-lutas-de-marco/</link>
					<comments>https://marcozero.org/as-lutas-de-marco/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2020 13:17:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[dia da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[manifestações]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos estudantis]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos sociais]]></category>
		<category><![CDATA[sindicatos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=25869</guid>

					<description><![CDATA[<p>As lutas de março de 2020 podem ser um termômetro para medir nas ruas o campo de resistência das esquerdas em oposição ao governo Bolsonaro. Com bandeiras que mobilizam diversos setores, desde mulheres feministas, estudantes e profissionais da educação até organizações que combatem a institucionalização das milícias do Rio de Janeiro no seio do Governo [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/as-lutas-de-marco/">As lutas de março</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As lutas de março de 2020 podem ser um termômetro para medir nas ruas o campo de resistência das esquerdas em oposição ao governo Bolsonaro. Com bandeiras que mobilizam diversos setores, desde mulheres feministas, estudantes e profissionais da educação até organizações que combatem a institucionalização das milícias do Rio de Janeiro no seio do Governo Federal.</p>



<p>A mobilização pelo Dia Internacional das Mulheres é um marco importante na agenda de luta de entidades e movimentos feministas e, neste ano, com a data em um domingo, terá atividades descentralizadas antes e depois do 8 de março. No Recife, mais de 30 coletivos e movimentos que constroem juntos a marcha das Mulheres estão envolvidos neste processo, que promoverá ações em territórios periféricos no dia 8 e ato no centro da cidade no dia 9 de março, segunda-feira. </p>



<p>Diante dos dois anos do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o dia 14 de março também se transformou em uma data de luta política e de cobrança por justiça. Até hoje, as investigações não avançaram para identificar os mandantes do crime. O PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz estão presos sob suspeita de terem participado da execução. </p>



<p>Março também será palco de uma mobilização nacional em defesa da educação pública. Convocada pela União Nacional do Estudantes (UNE) e uma série de entidades representativas do movimento estudantil secundarista, com a adesão das centrais sindicais, a manifestação do dia 18 de março está sendo construída como paralisação nacional em defesa de direitos.</p>



<p>A demonstração de força nas ruas ganha ainda mais relevância depois do anúncio da manifestação de grupos de extrema-direita contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para o dia 15 de março e endossada pelo presidente da República. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dia Internacional da Mulher #8M </strong> </h2>



<p>Neste ano, a mobilização das mulheres nas ruas será diferente dos anos anteriores: com um tema amplo, as organizadores convocam as mulheres a refletir sobre as violências que o Estado brasileiro produz sobre diferentes sujeitas.</p>



<p>O tema “Feministas contra a violência do Estado racista, patriarcal e capitalista” lembra, logo de cara, a análise interseccional que marca a obra da filósofa norte americana Angela Davis. </p>



<p>Para Natália Cordeiro, coordenadora do Fórum de Mulheres de Pernambuco, que está na construção das marchas do 8 de março há muitos anos, o desafio para os movimentos sempre foi chegar a mulheres e territórios para além do centro da capital. Neste processo, ela avalia que a realização do 8 de março tem se tornado cada vez mais coletiva no Recife. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/40356104193_da0f27caca_b-300x225.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/40356104193_da0f27caca_b-1024x767.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/40356104193_da0f27caca_b-1024x767.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="479">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Em 2019, o #8M no Recife denunciava o machismo, racismo e ataque à previdência</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A mudança de contexto político também contribuiu para que elas mudassem o processo de organização e mobilização neste ano. &#8220;Se a gente vinha antes num processo de cobrança por políticas públicas, por diálogo mais direto com o governo, depois do golpe [2016] a gente tem sentido nossas vidas muito ameaçadas. Estamos agora então assumindo postura de demarcação de nós, feministas, como sujeitas políticas”, explica. </p>



<p>Ao afirmar e fortalecer as mulheres não apenas como pauta de luta, mas como força política, a possibilidade de mudança é maior, defende Ingrid Farias, integrante da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Renfa) e da rede de Mulheres Negras de Pernambuco. Para ela, a centralidade das lutas do mês de março está vinculada às lutas e modo de construir das mulheres. “Nós queremos levar mulheres às ruas, mas queremos mais ainda levar a compreensão de que a organização e movimentos feministas são uma força política de debate da sociedade”, defende. </p>



<p>Para Adriana do Nascimento, diretora de Política para as Mulheres da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pernambuco (Fetape),  o 8 de março representa, para as mulheres do campo, a oportunidade de dar continuidade às pautas e reivindicações da Marcha das Margaridas. A plataforma mais ampla dá conta também da urgência de disputar as eleições municipais de 2020 por mulheres do campo. &#8220;A ideia é que possamos intensificar as mobilizações também para dia 14. Pois o chamado para este dia 15 ameaça a pauta de luta das mulheres. Estamos vendo o próprio estado afrontando o que ele deveria proteger”, avalia.</p>



<h2 class="wp-block-heading">18 de março</h2>



<p>As mobilizações marcadas para o dia 18 de março em todo o país começaram a ser articuladas pelos principais movimentos estudantis e de trabalhadores da educação ainda em dezembro de 2019. A princípio, a pauta estava voltada para a defesa da educação pública, mas tomou outras dimensões com as recentes declarações autoritárias do presidente Jair Bolsonaro, que convocou a população para os atos contra o Congresso Nacional e o STF marcados para o dia 15 desse mês.</p>



<p>Segundo os movimentos envolvidos na organização do 18 de março, a manifestação nacional tem o objetivo de unificar forças, já que acontece logo após o Dia Internacional de Luta das Mulheres, o 8 de Março, e também depois do dia 14, quando o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL e defensora dos Direitos Humanos, Marielle Franco, completa dois anos sem respostas sobre os mandantes do crime. </p>



<p>A pauta que representa a junção das lutas encampadas pelos movimentos feministas, de trabalhadores e estudantes é a defesa da democracia. Contudo, as reivindicações específicas de cada setor permanecem em evidência. De acordo com a diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), Rosa Amorim, o segmento estudantil reivindica a saída do ministro da Educação, Abraham Weintraub. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/48020237146_8bf698e0b9_b-300x225.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/48020237146_8bf698e0b9_b-1024x768.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/03/48020237146_8bf698e0b9_b-1024x768.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ato em defesa da educação pública em 2019, no Recife.</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O ano de 2019 foi marcado por tentativas do governo federal de concretizar mais retrocessos na educação pública e pela resistência dos estudantes e das instituições diante dessas ameaças. A UNE considera uma vitória o governo ter recuado a respeito dos cortes orçamentários, mas aponta que o desmonte se apresenta de outras maneiras.</p>



<p>“Nós estamos sentindo o corte no Programa Nacional de Alimentação Escolar que é o que basicamente paga a permanência dos estudantes nas universidades. Por conta desses cortes, a evasão de estudantes tem crescido. Ainda estamos na luta para que os municípios e estados consigam bancar a educação básica por meio do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB) e, fora isso, tivemos a calamidade que representou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2019. Não há respostas eficazes do Ministério da Educação”, critica Rosa.</p>



<p>A garantia da autonomia universitária, estabelecida pela Constituição Federal de 1988, também está na pauta do 18 de março e faz parte de uma campanha organizada pelos estudantes que se chama “Eu Defendo a Educação”. A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) e União dos Estudantes de Pernambuco estão na organização da mobilização.</p>



<p>Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores de Pernambuco (CUT-PE), Paulo Rocha, o dia 18 de março não deve ser visto como uma resposta às manifestações bolsonaristas do dia 15, porque a data havia  sido articulada desde o ano passado e foi somada a uma diversidade de reivindicações como a “defesa do serviço público”. “É uma greve geral da educação, mas também estamos questionando qual o país que queremos. Mesmo que o Congresso Nacional apoie a pauta de Bolsonaro e tenha aprovado a reforma da previdência, é em defesa do estado democrático que estamos indo às ruas&#8221;, argumenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Partidos</h2>



<p>Na última terça-feira (3), partidos de esquerda e centro-esquerda lançaram uma nota intitulada “Unidade em Defesa da Democracia, dos Direitos e do País”. O texto tem seis pontos que delimitam  formas para a atuação dessa unidade. PSB, PT, PDT, PSOL, PCdoB, Rede, PV e UP assinam o documento.</p>



<p>Em entrevista para a Marco Zero, o vereador do Recife pelo PSOL, Ivan Moraes, lembra que essa movimentação tem acontecido nacionalmente e ultrapassa divergências partidárias locais. “Além dos partidos, o importante é juntar a maioria da sociedade que quer viver em um estado democrático. A gente precisa fazer com que o país volte a ter uma construção democrática e isso não é apenas uma luta de partidos políticos. Essa unidade não está atrelada às eleições. Infelizmente, ainda existe um segmento da sociedade que se beneficia privadamente de algumas mudanças que têm sido feitas desde o governo Temer, as reformas trabalhista e da previdência, por exemplo. Mas uma mobilização bem sucedida é aquela que bota mais gente do povo na rua”, enfatiza.</p>



<p>Questionado se essa unidade pode se transformar, aos poucos, em uma frente ampla contra o governo Jair Bolsonaro, o senador Humberto Costa (PT) pondera. “Nós continuamos fazendo o que fizemos no ano passado que é organizar a nossa postura de oposição ao governo federal e trabalhando em coisas concretas. Mais para a frente a gente vai construir tudo isso. Hoje, nós já temos essa frente de esquerda e estamos abertos para discutir a sua ampliação. Sem dúvida, é uma construção&#8221;.</p>



<p>Para Isaltino Nascimento (PSB), líder do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco, uma frente pode significar, também, a aproximação das esquerdas com o Centro na defesa da Democracia. &#8220;Dia 18 reúne a questão da manutenção do Estado Democrático de Direito, a defesa do serviço público e a importância da educação como elemento central para culminar com a denúncia do momento que estamos vivendo e a necessidade de envolver as centrais sindicais e, obviamente, aquelas que são de centro para compreender que o momento é muito grave. O presidente está fazendo o movimento de chancelar ao seu lado as alas mais conservadoras e retrógradas do nosso país&#8221;, afirma. </p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/as-lutas-de-marco/">As lutas de março</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/as-lutas-de-marco/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>&#8220;Perdemos tanto, que perdemos o medo&#8221;, diz Monica Benicio, companheira de Marielle Franco</title>
		<link>https://marcozero.org/perdemos-tanto-que-perdemos-o-medo-diz-monica-benicio-companheira-de-marielle-franco/</link>
					<comments>https://marcozero.org/perdemos-tanto-que-perdemos-o-medo-diz-monica-benicio-companheira-de-marielle-franco/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Apr 2019 12:50:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Abril pro Rock]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<category><![CDATA[Mônica Benício]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=15157</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Débora Britto e Helena Dias Defensora de direitos humanos, Monica Benicio assumiu como missão de vida a luta por justiça e pela memória de Marielle Franco, sua companheira, com quem iria se casar em 2019. “O Estado matou minha mulher e não me dá uma resposta de quem fez isso. Perdemos tanto, que perdemos [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/perdemos-tanto-que-perdemos-o-medo-diz-monica-benicio-companheira-de-marielle-franco/">&#8220;Perdemos tanto, que perdemos o medo&#8221;, diz Monica Benicio, companheira de Marielle Franco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Débora Britto e Helena Dias</strong></p>
<p>Defensora de direitos humanos, Monica Benicio assumiu como missão de vida a luta por justiça e pela memória de Marielle Franco, sua companheira, com quem iria se casar em 2019. “O Estado matou minha mulher e não me dá uma resposta de quem fez isso. Perdemos tanto, que perdemos o medo”, afirma, com a camisa estampada com a pergunta que a acompanha.</p>
<p>Com o tom de voz sereno, mas firme, Monica tem viajado o Brasil e o mundo denunciando as investidas contra os direitos e retoma o que trouxe o país ao cenário atual: de 2016, com o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff até a ascensão do discurso de ódio que coloca Bolsonaro no poder em 2018. Hoje, ela trabalha na liderança do Psol na Câmara Federal.</p>
<p>A fala e a presença de Monica inspiram solidariedade e convocam ativistas, cidadãos, pessoas comuns, a lutar coletivamente. “A gente deveria sentir medo e recuar, mas a gente não recuou. Então eles têm medo porque colocaram uma força enorme e agora esperam uma reação. O momento é de esperança. A tendência é as violências aumentarem, mas precisamos de articulação, de solidariedade. Precisamos parar de ter preguiça de acompanhar a política e nos manter em constante movimento”, afirma.</p>
<p>Atuando em diversas frentes de defesa de direitos, ela chama atenção para a importância de não hierarquizar dores e de convergir forças para a luta coletiva. “Como mulher branca, favelada, lésbica eu sei também o meu lugar. Eu deixei de ter muitas portas fechadas apenas pelo fato de não ser negra”, reflete e acrescenta que “é preciso ter cuidado para não desumanizar Marielle, não a colocar no pedestal e endeusar. Marielle se tornou um símbolo de luta por muitas”.</p>
<p>No dia 400 sem resposta sobre quem foi o mandante do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a Marco Zero Conteúdo conversou com Monica Benicio, que esteve no Recife participando do debate sobre Ativismo, Arte e Feminismo, na quinta-feira (18), no Cais do Sertão.</p>
<p><div id="attachment_15161" style="width: 410px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/1Mônica-Benício_Foto-Mayara-Santana-e1555675551304.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15161" class="wp-image-15161" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/1Mônica-Benício_Foto-Mayara-Santana-e1555675551304-300x205.png" alt="1Mônica Benício_Foto Mayara Santana" width="400" height="274"></a><p id="caption-attachment-15161" class="wp-caption-text">Monica chama atenção para não hierarquizar dor e convergir força por ação coletiva</p></div></p>
<h3 style="padding-left: 30px;">Entrevista com Monica Benicio, ativista de direitos humanos e companheira de Marielle Franco</h3>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>Qual o lugar da arte na sua militância?</strong></p>
<p style="padding-left: 30px;">Olha, a arte teve mais lugar na minha vida antes do 14 de março de 2018. Antes de 400 dias atrás. Porque, enquanto arquiteta e urbanista, a arte foi uma paixão que eu cultivei muito e quis fazer Belas Artes, inclusive. Mas, hoje, a arte tem sido uma parceira na luta. Em eventos como esse, em outros festivais também, nas pessoas que replicam a imagem da Marielle de diversas formas possíveis no mundo inteiro. Então, a arte tem sido uma ferramenta parceira nesta luta.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>Seu mestrado é sobre a violência na relação das pessoas com as cidades onde vivem. Qual o papel da arte neste contexto?</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">Há um diálogo, mas ele não chega para todo mundo. Falando especificamente da minha experiência no Rio de Janeiro, a favela pouco se relaciona com a arte da iniciativa cultural. E, obviamente, há muita cultura na favela e na periferia e essa arte que tem origem na favela não chega com a força e expressividade que deveria chegar para o resto da cidade. Eu acho que falta diálogo, falta uma conexão fluida. Sem dúvida nenhuma, a arte é uma expressão da própria linguagem da gente se ver e se percebe na cidade. No Rio de Janeiro, por exemplo, esse diálogo da periferia com o centro é feito através do grafite, uma arte urbana que é muito marcada por uma arte marginalizada. Retirar o estigma, tirar o olhar de criminalização do que é feio, ou do que é o conceito de arte, é uma coisa que a gente tem que estar dialogando. Modificar essa relação que a gente tem do corpo e de como esse corpo se relaciona com os espaços fluidos da cidade.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>Dois dias antes de completar um ano da morte de Marielle Franco, dois acusados de executar Marielle foram presos. Para você, o que mudou depois disso? Como você analisa a condução do inquérito?</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">Os acusados de serem executores chegaram ali na véspera de um ano. Lamentável essa resposta que o Estado tem mais do que obrigação em dar. Demorou muito, um ano não pode ser um tempo aceitável para um crime dessa repercussão. Para nenhum tipo de assassinato, mas para um crime político de repercussão internacional, o Brasil passa uma vergonha internacional hoje a não responder quem mandou matar Marielle. Ouvi essa notícia com algum ânimo, porque pareceu que alguma coisa andou. Compreendo que o Estado não faz mais que a sua obrigação, mas dá um certo fôlego e esperança de que as coisas estão caminhando. O mais importante, o verdadeiro assassino, ainda não foi descoberto e a pergunta mais importante não foi respondida. Quem mandou matar? Esse é o verdadeiro assassino de Marielle Franco.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>Como você sente a reação da bancada do Psol e de outros parlamentares de esquerda&nbsp; na cobrança pela resposta de quem mandou matar Marielle dentro do Congresso?<br />
</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">O PSOL é o partido que Marielle ajudava a construir. Obviamente, é o partido que tem mesmo que ser o mais empenhado nesta luta. A gente tem um Congresso super conservador, em que a maior parte dele tem interesse que não se responda &#8220;Quem mandou matar?&#8221;. O que a gente faz enquanto partido é estar continuando a pressionar para que essa pergunta não caia no esquecimento, para que as pessoas não caiam no conformismo ou no erro de acreditar que a resposta de quem matou Marielle já foi respondida. Porque a resposta de quem matou deve ser, na verdade, quem mandou matar. Essa é uma pauta que a gente tem que estar constantemente alimentando. E o Congresso anda do jeito que a gente conhece, legislando em causa própria, trabalhando em prol dos seus próprios interesses, que nada representam para o povo brasileiro.</p>
<p><div id="attachment_15187" style="width: 410px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/2Mônica-Benício_Foto-Mayara-Santana2.png"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15187" class="wp-image-15187" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/2Mônica-Benício_Foto-Mayara-Santana2-300x228.png" alt="2Mônica Benício_Foto Mayara Santana" width="400" height="305"></a><p id="caption-attachment-15187" class="wp-caption-text">Ativista carrega memória e luta por Marielle</p></div></p>
<h4><strong>O que Marielle diria sobre o governo Bolsonaro?</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">Estamos fodidas. Porque é isso, assim, lamentavelmente ele é uma tragédia anunciada já em 2016. É um erro acreditar que ele aconteceu em 2018. Essa configuração da eleição de 2018 começa com o golpe de 2016 que já estava ali retirando a presidente eleita, com características misóginas. Toda a postura e a opinião de Marielle sempre ao longo da vida dela e na atuação da política institucional era justamente contra a política que Jair Bolsonaro representa. Ela não poderia ser outra coisa se não resistência nesse momento.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>E ela estava na lida direta com a família Bolsonaro lá no Rio de Janeiro, não é?</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">Ela dividia o mesmo andar com o vereador no Rio, Carlos Bolsonaro. Era um debate constante, mas sempre tratado com respeito. Marielle sempre teve um relacionamento muito diplomático e cordial com todo mundo.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>É sempre um incomodo se colocar como “a figura”, mas hoje quando se pensa em uma ativista lésbica, que coloca a pauta lésbica, as pessoas lembram logo de você. Como você tem carregado isso? Na morte de Marielle, a imprensa fez uma confusão sobre Marielle ser lésbica ou bissexual.</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">A gente tinha um casamento planejado agora para o dia 7 de setembro, era um relacionamento monogâmico. Era um relacionamento lésbico e a gente se entende dentro dessa relação como mulheres lésbicas. Por mais que eu já tenha tido experiências com homens e Marielle também. A lesbofobia é tão grande na sociedade brasileira que hoje existe um debate sobre isso porque tem uma intenção de cristalizar a imagem da Marielle. Porque como já era mulher, negra e favelada, então “vamos botar um bi” para ver se fica mais palatável para a sociedade. Estar neste lugar de ativista LGBT de visibilidade internacional é difícil principalmente nesta conjuntura, mas é um lugar que eu enxergo com muita responsabilidade porque eu sei das dificuldades que eu tive na vida, meu relacionamento com a Marielle. Eu sei da dor que sinto, da dor que carrego e é uma dor que eu não desejo para ninguém. Sobretudo, para uma defensora dos direitos humanos. Justiça por Marielle é a modificação dessa sociedade e é garantir que todo mundo possa chegar em casa para jantar com a família sem que isso seja terminado numa grande catástrofe. Numa sociedade genocida como esta, extremamente lgbtfóbica, que constrói a sua política em cima dos nossos corpos, das nossas vidas e dos nossos amores. É necessário que a gente modifique esse cenário e é essa a minha disponibilidade de luta.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>Você pretende continuar participando destes debates do campo LGBT?</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">Sem dúvida. Quando eu passo a ocupar este lugar de figura pública, é através de uma tragédia. Não foi planejado ou construído. Mas hoje é fundamental que se ocupe (esse espaço). É uma experiência muito rica ver que o mundo inteiro está ferrado para caramba e não é um privilégio nosso. Cada um com dificuldades específicas, alguns com dificuldades restritivas ou com maior índice de violência, mas não tem hierarquização de dor. Se todo mundo sofre, a gente precisa fazer um planejamento onde todos parem de sofrer. Quando a companheira citou hoje &#8220;não sou livre enquanto uma mulher for prisioneira ainda que as correntes dela sejam diferentes das minhas”, eu lembrei que falei isso no primeiro dia do seminário (na Ucrânia), em uma mesa que nem era minha. Para falar que a gente não vai conseguir terminar de construir o debate e a solução para a lesbofobia se a gente não fizer o debate de classe, se a gente não fizer o debate antiracial. É ilusão, não dá para ficar hierarquizando ou buscando uma opressão para chamar de sua. Quando eu falo sobre o olhar da solidariedade e da empatia é, justamente, para não ter hierarquização da dor. Você tem as suas dores, eu tenho as minhas e a gente precisa dar um jeito de resolver para que não só a gente deixe de sentir, mas para que as próximas gerações não passem pelo o que a gente passou. Não tenham a necessidade de estar vivendo num Estado tão truculento com os nossos corpos e com as nossas decisões de vida. Hoje, ocupar um espaço como figura pública é a minha contribuição para a modificar essa sociedade.</p>
<h4 style="padding-left: 30px;"><strong>Nesta trajetória recente, você tem sofrido alguma agressão ou perseguição de cunho lgbtfóbico?</strong></h4>
<p style="padding-left: 30px;">Agressão física não. Já teve xingamentos na rua, inclusive, um mais violento que foi um carro me perseguindo. Mas é tanto que eu tenho uma medida cautelar pela Comissão Interamericana, estou dentro do programa de proteção aos defensores dos direitos humanos. É um Estado truculento, é uma sociedade que está muito contaminada pelo discurso de ódio, mas eu não vejo nenhum motivo ou razão para diminuir a luta ou parar. Muito pelo contrário, se a gente está incomodando, é sinal que estamos no caminho certo.</p>
<p><div id="attachment_15175" style="width: 1010px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Debate-arte-ativismo_Foto-Mayara-Santana-18.04.2018.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15175" class="wp-image-15175" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Debate-arte-ativismo_Foto-Mayara-Santana-18.04.2018-300x132.png" alt="Debate arte ativismo_Foto Mayara Santana 18.04.2018" width="1000" height="441"></a><p id="caption-attachment-15175" class="wp-caption-text">Roda de conversa reuniu diversas expressões de arte e ativismo, com foco na resistência e articulação de mulheres</p></div></p>
<h3>Ativismo, Arte e Feminismo</h3>
<p>O debate que trouxe Monica ao Recife integrou a programação do festival Abril pro Rock, que dedica,&nbsp; esta sexta-feira a apresentações de grupos de mulheres. Entre eles, não apenas a expressão do rock e variações do gênero musical, mas também de grupos de coco e RAP. A ialorixá, cantadora de coco e ativistas cultural Mãe Beth de Oxum também se apresenta, após 17 anos da primeira vez em que subiu ao palco do festival.</p>
<p>A ativista, que é referência na cultura popular, defendeu a presença dos brinquedos e tradições culturais populares em grandes festivais como modo de apoiar a luta de quem está nas bases. De um beco no bairro de Guadalupe, na periferia de Olinda, Mãe Beth toca há dez anos um projeto de formação em tecnologia com jovens negros. “A cultura não pode ficar apenas no dia 20 de novembro. Temos que tirar a cultura de dentro dos livros. Eu sou uma educadora e vivo quebrando pau dentro da escola”, contou.</p>
<p style="color: #000000;">Lenne Ferreira, produtora cultural e jornalista, também participou do debate e trouxe para o centro da questão a dificuldade, primeira, de chegar ali. Artistas negras, da periferia, que enfrentam não apenas o desafio de ter o trabalho reconhecido, mas também a incompreensão e inabilidade de produtores, festivais, espaços de circulação de arte de as contratarem para seus eventos. “Muitas artistas não têm a grana da passagem de ônibus para chegar aqui, por exemplo. Estar aqui é reparação, a gente não tem que estar agradecendo nada”, afirma.</p>
<p style="color: #000000;">Para ela, é preciso compromisso para enfrentar a desigualdade e promover oportunidade de visibilidade a artistas negras e periféricas, especialmente. “Não temos o mesmo acesso que os homens na cultura. E a gente está fazendo revolução pela arte e fazendo luta também com o discurso que as artistas trazem”, defende. A Aqualtune Produções, produtora da qual a jornalista faz parte, agencia principalmente mulheres artistas, com foco no RAP.</p>
<p>Também participou do debate Jamille Pinheiro, tradutora do livro <em>Um Guia Pussy Riot para o Ativismo</em>, de Nadya Tolokonnikova, uma das integrantes da banda russa de punk Pussy Riot. O grupo, além da música, também é conhecido pelas intervenções políticas e artísticas que abordam pautas relacionadas ao feminismo e à pauta LGBT. Jamille compartilhou a experiência de poder articular diversos campos de luta e arte a partir do local que ocupa no mercado editorial. “O conservadorismo é global. Nós precisamos conversar entre nós para que ganhem força as pautas antilgbtfobicas e das mulheres. O livro é a oportunidade de engrossar esse caldo”, conta.</p>
<p><div id="attachment_15177" style="width: 1010px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Debate-Ativismo-Arte-e-Feminismo-18.04.2018.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15177" class="wp-image-15177" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Debate-Ativismo-Arte-e-Feminismo-18.04.2018-300x111.jpg" alt="Debate Ativismo, Arte e Feminismo 18.04.2018" width="1000" height="370"></a><p id="caption-attachment-15177" class="wp-caption-text">Lenne Ferreira, produtora cultural, Jamille Pinheiro, tradutora do livro Um Guia Pussy Riot para o Ativismo, e Mãe Beth de Oxum. Foto: Mayara Santana</p></div></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/perdemos-tanto-que-perdemos-o-medo-diz-monica-benicio-companheira-de-marielle-franco/">&#8220;Perdemos tanto, que perdemos o medo&#8221;, diz Monica Benicio, companheira de Marielle Franco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/perdemos-tanto-que-perdemos-o-medo-diz-monica-benicio-companheira-de-marielle-franco/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Moradores deixam Ocupação Marielle Franco, no Centro do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/moradores-deixam-ocupacao-marielle-franco-no-centro-do-recife/</link>
					<comments>https://marcozero.org/moradores-deixam-ocupacao-marielle-franco-no-centro-do-recife/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Apr 2019 00:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[centro]]></category>
		<category><![CDATA[iptu]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<category><![CDATA[MTST]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=14840</guid>

					<description><![CDATA[<p>Com Maria Carolina Santos A Ocupação Marielle Franco, no Centro Recife, foi um marco na luta pela moradia popular no centro da cidade. Foi também simbólica na participação feminina à frente dos movimentos sociais e ajudou a mudar a percepção de grupos mais sensíveis da sociedade civil e de parte da mídia tradicional, sobre as ocupações [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/moradores-deixam-ocupacao-marielle-franco-no-centro-do-recife/">Moradores deixam Ocupação Marielle Franco, no Centro do Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com Maria Carolina Santos</p>
<p>A Ocupação Marielle Franco, no Centro Recife, foi um marco na luta pela moradia popular no centro da cidade. Foi também simbólica na participação feminina à frente dos movimentos sociais e ajudou a mudar a percepção de grupos mais sensíveis da sociedade civil e de parte da mídia tradicional, sobre as ocupações populares (que já foram por muito tempo tratadas como invasões) e sobre as razões pelas quais famílias inteiras decidem enfrentar riscos como a ameaça das desocupações violentas e reações negativas de outros grupos sociais ao ato de &#8220;violar a propriedade privada&#8221;, mesmo em nome da justiça social.</p>
<p>Neste sábado (6), depois de 382 dias, ela chegou ao fim. Mas não foi por ordem judicial, pelo enfraquecimento da articulação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que coordenou a ocupação, ou por desistência por parte das mulheres que comandaram todo o processo. O imóvel, localizado no  número 91 da Praça da Independência, bem no Centro do Recife, abandonado há dez anos, deixou de oferecer condições dignas e seguras às famílias que resistiram no local por mais de um ano. &#8220;É muita tristeza, mas não perdemos a luta&#8221;, assegura Edilene Correia, de 45 anos, na ocupação desde o início.</p>
<p><div id="attachment_14862" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_Branca_.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14862" class="wp-image-14862 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_Branca_.jpg" alt="Edilene fixou na sua porta a placa de Marielle Franco. Ao lado, o caminhão com sua mudança pronto para seguir. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="530" /></a><p id="caption-attachment-14862" class="wp-caption-text">Edilene fixou na sua porta cartaz de Marielle Franco. Ao lado, o caminhão com sua mudança pronto para seguir. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Na madrugada do dia 20 de março do ano passado, cerca de 200 famílias iniciaram a ocupação do antigo Edifício SulAmérica. Liderada por Mulheres do MTST, a ocupação ganhou o nome de Marielle Franco, em homenagem à vereadora que havia sido brutalmente assassinada uma semana antes. Na assembleia realizada na noite da última sexta (5), restavam apenas 30 famílias entre os atuais moradores e, conjuntamente com a direção do MTST, elas decidiram deixar o prédio.</p>
<p><div id="attachment_14858" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_escadaria_.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14858" class="wp-image-14858 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_escadaria_.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="354" /></a><p id="caption-attachment-14858" class="wp-caption-text">Móveis dos andares altos desceram amarrados em corda, enquanto os ocupantes carregavam sacolas e objetos pequenos pela escadaria. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>A decisão não foi fácil. Por um ano, essas famílias puderam morar no centro da cidade, ter acesso a serviços e espaços restritos apenas a quem tem condições financeiras de morar em bairros centrais, mas viveram parte do tempo também sem água, sem esgoto, sem energia e, principalmente, sem esperança de uma solução por parte do poder público que ignora os imóveis abandonados e deteriorados no centro da cidade, mesmo com a legislação em vigor que determina a função social da propriedade. A sociedade civil, que inicialmente se mobilizou para defender a ocupação e viabilizar doações, passada a comoção, também se afastou do problema e as doações ficaram cada vez mais escassas.</p>
<blockquote><p><a href="http://marcozero.org/domingo-na-ocupacao-marielle-franco/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Domingo na Ocupação Marielle Franco</a></p></blockquote>
<p>A precariedade do edifício, abandonado desde 2008, se mostrou um grave risco à integridade dos ocupantes. Os problemas do sistema de água e esgoto, por exemplo, foram se agravando, e o custo para a manutenção ficou cada vez mais alto. Parte do primeiro andar, que abrigava o mobiliário doado para a creche, estava inundado por esgoto. O sistema de bombas, instalado por iniciativa da sociedade civil e responsável por puxar água do poço para as caixas d&#8217;água, queimava periodicamente. Sem abastecimento, as famílias precisavam carregar água para os seis andares e o projeto da cozinha comunitária ficou inviável.</p>
<p>Dez famílias seguiram para outra ocupação do MTST, a Carolina de Jesus, no Barro, Zona Oeste do Recife. Algumas foram para casa de familiares e outras continuam a busca por moradia digna por conta própria. O mobiliário doado ficará armazenado pelo movimento para ser utilizado posteriormente na Ocupação Carolina de Jesus. O edifício foi fechado e o portão soldado após a completa desocupação, finalizada neste sábado (6), por volta das 20h, . O clima de despedida na arrumação da mudança era de tristeza, mas também de firmeza. É necessário, se posicionaram as mulheres, honrar essa trajetória que durou pouco mais de um ano e transformou a vida e a luta por moradia.</p>
<p><div id="attachment_14857" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_Rejane_.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14857" class="wp-image-14857 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_Rejane_.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="1158" /></a><p id="caption-attachment-14857" class="wp-caption-text">A vista preferida de Rejane e as paredes desenhadas pela filha de 11 anos. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>&#8220;Aqui foi muito bom, mas agora é outro tempo. Estamos saindo com o coração despedaçado, mas sabendo que essa resistência mostrou a força da mulher. E é isso que o movimento representa: a luta, ensinando a gente a ser guerreira, a ter tranquilidade e a ser rude quando precisa. Eu me reconheci aqui, aos 45 anos de idade, e estou saindo de cabeça erguida&#8221;, diz Rejane Oliveira, esperando em meio aos sacos já fechados para descer com a mudança.</p>
<p>Em nota, o MTST enumera as dificuldades encontradas para a manutenção do prédio: &#8220;Dar vida a um patrimônio abandonado há tanto tempo tem seu preço. Nesse período, para manter a ocupação foram necessárias várias ações de reforma e manutenção no prédio, desde o conserto recorrente das bombas d’água, instalação de caixas d’água e um sistema de encanação por andar, reparos elétricos, recuperação da encanação dos banheiros, etc. Por um lado, essas ações acabaram sendo muito custosas, por outro, é necessário desenvolver reformas que sejam de caráter definitivo, para que se garanta moradia adequada para as famílias&#8221;.</p>
<blockquote><p><a href="http://marcozero.org/ocupacao-marielle-franco-completa-30-dias-de-resistencia-e-sonhos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ocupação Marielle Franco completa 30 dias de resistência e sonhos</a></p></blockquote>
<p>O fim da ocupação, no entanto, não representa o fim da luta por moradia digna para os moradores, tampouco significa que o MTST abre mão do prédio – que deve quase R$ 1,5 milhão em IPTU à Prefeitura do Recife. O Movimento quer que a prefeitura cumpra o decreto municipal 31.671/2018, que prevê a desapropriação de imóveis abandonados. Uma das exigências do decreto é justamente que o imóvel não esteja ocupado.</p>
<p>O MTST também vai solicitar que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) acompanhe o caso, já alvo de inquérito civil com o objetivo de garantir o direito à moradia digna das famílias da Ocupação Marielle Franco.</p>
<p><strong>Confira na íntegra a nota do MTST:</strong></p>
<p><em>QUE OS IMÓVEIS ABANDONADOS E DEVEDORES VIREM MORADIA E TRABALHO PRA O POVO!</em></p>
<p><em>Nota sobre a Ocupação Marielle Franco.</em></p>
<p><em>O MTST Brasil vem comunicar que, após um ano de muita luta, resistência e esperança, a Ocupação Marielle Franco seguirá a luta em outro formato.</em></p>
<p><em>Isso porque a continuidade desse processo, diante do completo descompromisso da gestão municipal em avançar num diálogo fundamental para a cidade, exige de nós bastante responsabilidade e outras garantias. Dar vida a um patrimônio abandonado há tanto tempo tem seu preço. Nesse período, para manter a ocupação foram necessárias várias ações de reforma e manutenção no prédio, desde o conserto recorrente das bombas d’água, instalação de caixas d’água e um sistema de encanação por andar, reparos elétricos, recuperação da encanação dos banheiros, etc. Por um lado, essas ações acabaram sendo muito custosas, por outro, é necessário desenvolver reformas que sejam de caráter definitivo, para que se garanta moradia adequada para as famílias.</em></p>
<p><em>Neste sentido, tomamos a iniciativa de desocupar o prédio para:</em></p>
<p><em>· Exigir da Prefeitura da Cidade do Recife o cumprimento do Decreto nº 31.671 de 2018, que prevê a desapropriação de imóveis abandonados, sendo uma de suas exigências que o imóvel não esteja ocupado;</em></p>
<p><em>· Finalizar os projetos de reforma hidráulica e elétrica, captar os recursos necessários e implementar os mesmos, sem que as famílias estejam expostas a uma situação de risco;</em></p>
<p><em>· Que os projeto de creche, cozinha produtiva para as mulheres e outras iniciativas sejam implementados para as famílias em outros locais viabilizados pelo movimento;</em></p>
<p><em>· Solicitar do Ministério Público o acompanhamento do caso, mediante Inquérito Civil já aberto com o objetivo de garantir o direito à moradia das famílias da Ocupação Marielle Franco, recomendando para isso que a Prefeitura da Cidade do Recife tome também as medidas cabíveis para que isso aconteça.</em></p>
<p><em>Agradecemos a todas e todos apoiadores que até aqui fortaleceram esse marco da resistência no Recife, afirmando que esse é mais um passo necessário para a conquista definitiva que atingiremos.</em></p>
<p><em>Fé na luta, venceremos!</em></p>
<p><em>MTST, a luta é pra valer!</em></p>
<p>[Best_Wordpress_Gallery id=&#8221;88&#8243; gal_title=&#8221;Desocupação da Marielle Franco&#8221;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/moradores-deixam-ocupacao-marielle-franco-no-centro-do-recife/">Moradores deixam Ocupação Marielle Franco, no Centro do Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/moradores-deixam-ocupacao-marielle-franco-no-centro-do-recife/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Visões sobre a crise da democracia brasileira a partir da França</title>
		<link>https://marcozero.org/visoes-sobre-a-crise-da-democracia-brasileira-a-partir-da-franca/</link>
					<comments>https://marcozero.org/visoes-sobre-a-crise-da-democracia-brasileira-a-partir-da-franca/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Mar 2019 13:28:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[democracia no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[jair bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Jean Wyllys]]></category>
		<category><![CDATA[Márcia Tiburi]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<category><![CDATA[Monica Francisco]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=14579</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Maria Eduarda Rocha e Yvana Fechine, de Paris, especial para a Marco Zero Conteúdo É crescente o interesse acadêmico pelo contexto político brasileiro como testemunhou o colóquio “La crise de la démocratie et le néolibéralisme à lumière de la situation brésilienne (A crise da democracia e o neoliberalismo a luz da situação brasileira), realizado [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/visoes-sobre-a-crise-da-democracia-brasileira-a-partir-da-franca/">Visões sobre a crise da democracia brasileira a partir da França</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Maria Eduarda Rocha e Yvana Fechine, de Paris, especial para a Marco Zero Conteúdo</strong></p>
<p>É crescente o interesse acadêmico pelo contexto político brasileiro como testemunhou o colóquio “La crise de la démocratie et le néolibéralisme à lumière de la situation brésilienne (A crise da democracia e o neoliberalismo a luz da situação brasileira), realizado nos dias 20 e 21 de março e organizado pela Universidade Paris Nanterre por meio do Laboratoire de Sociologie, Philosophie et Antropologie Politiques (Laboratório de Sociologia, Filosofia e Antropologia Políticas). Os debates sugerem algumas tendências na forma como o país está sendo visto na França.</p>
<p>Em primeiro lugar, existe um esforço para situar o caso brasileiro dentro de uma onda global de ascensão da extrema-direita. Isso coloca em um primeiro plano fatores que extrapolam a vida política brasileira, como o fato de que o fascismo tem sido uma resposta política a várias formas de insegurança que se acentuam no contexto atual, do medo da perda do emprego ao sentimento de identidade ameaçada, potencializado por discursos que pretendem defender uma comunidade imaginária diante de seus “inimigos”.</p>
<p>Esta comunidade pode ser imaginada a partir de elementos étnicos, raciais, de gênero, religião e orientação sexual, entre outras coisas, mas, em todos os casos classificáveis como “fascismo”, há uma proposta mais ou menos violenta de restauração da “pureza perdida” através da extirpação da ameaça ou, em outras palavras, um apelo a um certo “darwinismo social”.</p>
<p>Possivelmente, a diferença maior em relação à primeira onda fascista, na década de 1930, seja a centralidade das questões de gênero e sexualidade nesses discursos, o que amplia o apoio à extrema direita entre homens brancos heterossexuais. Se isso é verdade, as discussões recentes, também na França, permitem concluir que o caráter reativo da onda conservadora ao avanço dos direitos de mulheres e LGBTs precisa ser mais destacado e analisado, especialmente no caso brasileiro no qual a questão da imigração não tem o mesmo peso que na Europa e nos Estados Unidos.</p>
<p>Outro ponto em destaque foi o espelhamento entre os dois grandes do continente americano. No Brasil, a enorme inoperância da justiça e da justiça eleitoral permitiram o uso das táticas de guerrilha das redes sociais já testadas com sucesso na eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos. No Brasil, foi o sistema ainda mais oligopolizado de mídia que preparou o terreno para a guerra de desinformação disseminando, desde muito tempo, o ódio ao PT e o anti-lulismo.</p>
<p>Mas o que salta aos olhos de analistas que vimos circular por Paris é o caráter “grotesco” ou “disfuncional” do protagonista do “fascismo à brasileira”. As declarações de Jair Bolsonaro ainda como deputado e suas atitudes na Presidência são inimagináveis em qualquer contexto com um mínimo de cultura política democrática e com algum respeito pela liturgia do cargo.</p>
<p>Como mencionado por vários analistas, o presidente não desligou o “modo campanha”, e seu estilo dificilmente seria tolerado em um país como a França, apesar da escalada autoritária traduzida nas medidas recentes do Governo Macron contra o direito à manifestação e no potencial de crescimento da extrema-direita francesa nas próximas eleições europeias. Ou seja, por enquanto, bater tão abaixo da cintura como faz Bolsonaro nas redes sociais é algo ainda difícil de aceitar e explicar mesmo na França de Emmanuel Macron.</p>
<p>É evidente também entre analistas franceses a falta de articulação entre as três forças do Governo Bolsonaro, a neoliberal, a fanático-religiosa e a militar, para não falar da tumultuada relação com o Congresso. Tudo leva a crer que Bolsonaro, convertido no “cavalo de tróia” do anti-lulismo (na falta de apelo eleitoral dos candidatos de centro-direita), não tem proposta a não ser destruir as políticas públicas em nome de um neoliberalismo mais tosco, que pretende cortar direitos sociais, entregar para o capital privado os serviços de saúde e educação, além de privatizar as estatais. Criticou-se tanto a “militarização da administração pública” quanto o desrespeito às minorias que parecem conduzir o Brasil a uma “democratura” (uma espécie de ditadura com aparência de democracia).</p>
<p>Márcia Tiburi lamenta que, apesar do crescente interesse de acadêmicos e entidades pelo Brasil, as lideranças políticas da Europa parecem não se interessar muito pelo que está acontecendo no país sulamericano. “Nesse sentido é bom, entre aspas, que sujeitos que possam falar fora do Brasil alertem para tudo isso porque o que conhecemos do nosso destino até aqui é terrível. Temos histórias prévias que nos ensinam que precisamos puxar o freio de mão da história”, conclui a filósofa, referindo-se, entre outros, a movimentos como o Nazismo e reconhecendo a necessidade de maior pressão internacional. Tiburi juntou-se esta semana em Paris às vozes que denunciam os riscos que corre a democracia brasileira.</p>
<h2><strong>Homenagens a Marielle e o &#8220;sonho político&#8221; que ela representava</strong></h2>
<p>A situação política no Brasil foi o tema de pelo menos seis eventos acadêmicos e políticos realizados em Paris ao longo deste mês que marca um ano das execuções da vereadora Marielle Franco e do seu motorista, Anderson Gomes. O último deles foi realizado, na terça-feira (26), na sede da Prefeitura de Paris da décima região administrativa da cidade, com as presenças da deputada carioca Mônica Francisco (PSOL), que trabalhou com Marielle, e da filósofa, escritora e ex-candidata do PT ao Governo do Rio, Márcia Tiburi, que deixou o Brasil por receber ameaças de morte de grupos de extrema-direita.</p>
<p>O seminário “Marielle à Paris” foi organizado pela Red.br &#8211; Réseau Européen pour la Democratie au Brésil, que entrou com solicitação junto à Prefeitura de Paris pedindo que um lugar público da cidade receba o nome de Marielle Franco para marcar a solidariedade dos franceses com os defensores de direitos humanos no Brasil, sobretudo aos que estão engajados nas lutas das mulheres, dos negros e LGBTs, como Marielle.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/WhatsApp-Image-2019-03-26-at-21.15.48.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-medium wp-image-14582" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/WhatsApp-Image-2019-03-26-at-21.15.48-300x225.jpeg" alt="WhatsApp Image 2019-03-26 at 21.15.48" width="300" height="225"></a></p>
<p>Para Márcia Tiburi, Marielle representava um “sonho político” que afrontava diretamente o “pesadelo” que o Brasil vive desde o Golpe de 2016 e que se aprofundou com o Bolsonarismo. “Marielle é o espectro que assombra o fascismo”, completou o ex-deputado do PSOL, Jean Wyllys, no vídeo exibido no evento como parte da campanha junto à Prefeitura de Paris para homenagear a vereadora do Rio, assassinada em 14 de março de 2018. Jean Wyllys, que também deixou o Brasil por sofrer ameaças de morte, gravou o vídeo e proferiu três palestras em Paris sobre a situação política brasileira ao longo da semana passada, uma delas na École de Hautes Études em Sciense Sociales (EHESS), a convite do Groupe de Refléxion sur le Brésil Contemporain (GRBC).</p>
<p>Nas manifestações em homenagem à vereadora carioca em Paris, com a participação de Wyllys e Tiburi, chegou-se a uma mesma constatação: a centralidade da luta das mulheres na resistência ao fascismo fez de Marielle um personagem universal. E por que Marielle se tornou esse símbolo? Em todas as intervenções, destacou-se sua condição de mulher, negra, lésbica, de origem pobre, mas sem esquecer sua ascensão social através da educação e da política, o que, segundo Marcia Tiburi, tornaram Marielle a materialização desse “sonho político” que ela encarnava.</p>
<p>“É mais que um nome de rua, é a prova da força da democracia e da vida”, disse a deputada carioca Mônica Francisco, dirigindo aos franceses e representantes da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, presentes no evento. Mônica Francisco lembrou que a morte de Marielle lançou luz sobre a crescente violência política no Brasil e advertiu que precisa haver muita pressão externa para que se responda, de fato, a questão “Quem mandou matar Marielle?”. Responder essa questão, segundo Mônica Francisco, não diz respeito apenas ao caso Marielle, no qual há, comprovadamente, envolvimento das milícias cariocas. Para ela, a elucidação das execuções de Marielle e Anderson é importante também para a situação de outros militantes dos direitos ameaçados ou mortos no Brasil. Assim como fez Jean Wyllys, em Paris, Mônica Francisco voltou a denunciar as ligações da família Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro.</p>
<p>O seminário, que, também teve o apoio da associação Autres Brésils e da Coletiva Marielles, faz parte da campanha da Red.br para obter uma decisão favorável da Prefeitura de Paris quanto ao seu pedido de homenagem a Marielle. A decisão do Conselho Municipal de Paris deve ser tomada na próxima semana. Marielle também foi homenageada na capital francesa, ao longo do mês, em outros dois eventos realizados pela associação Autres Brésils e pela Coletiva Marielle.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/visoes-sobre-a-crise-da-democracia-brasileira-a-partir-da-franca/">Visões sobre a crise da democracia brasileira a partir da França</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/visoes-sobre-a-crise-da-democracia-brasileira-a-partir-da-franca/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>“A besta do fascismo saiu do controle”, diz Jean Wyllys na França</title>
		<link>https://marcozero.org/a-besta-do-fascismo-saiu-do-controle-diz-jean-wyllys-na-franca/</link>
					<comments>https://marcozero.org/a-besta-do-fascismo-saiu-do-controle-diz-jean-wyllys-na-franca/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Mar 2019 14:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[jair bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Jean Wyllys]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<category><![CDATA[milícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=14143</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por&#160;Yvana Fechine, de Paris, especial para a Marco Zero Conteúdo Em uma palestra realizada em Paris, no último sábado (16), o ex-deputado do PSOL, Jean Wyllys, que renunciou ao mandado e saiu do Brasil por sofrer ameaças de morte, argumentou que tão importante quanto perguntar “Quem mandou matar Marielle?” é questionar por que só agora [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-besta-do-fascismo-saiu-do-controle-diz-jean-wyllys-na-franca/">“A besta do fascismo saiu do controle”, diz Jean Wyllys na França</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por&nbsp;<strong>Yvana Fechine, de Paris, especial para a Marco Zero Conteúdo</strong></p>
<p>Em uma palestra realizada em Paris, no último sábado (16), o ex-deputado do PSOL, Jean Wyllys, que renunciou ao mandado e saiu do Brasil por sofrer ameaças de morte, argumentou que tão importante quanto perguntar “Quem mandou matar Marielle?” é questionar por que só agora a imprensa brasileira está colocando em evidência as relações da família Bolsonaro com as milícias do Rio envolvidas com os executores do assassinato da vereadora carioca. Empenhado em denunciar na Europa os ataques à democracia brasileira, Wyllys responde à própria questão com uma hipótese: “A besta do fascismo saiu do controle!”, afirmou o ex-deputado, referindo-se ao presidente Jair Bolsonaro (PSL).</p>
<p>No debate, após a palestra a convite de entidades de defesa dos direitos humanos e da Anistia Internacional na França, Jean Wyllys destacou o fato das ligações do clã Bolsonaro com as milícias estarem sendo reveladas “agora, e somente agora, embora estivessem evidentes muito antes”, inclusive durante a última campanha eleitoral.</p>
<p>O ex-deputado argumenta que a as elites e a imprensa brasileiras começaram a reconhecer a “irresponsabilidade por terem fingido que Bolsonaro não era quem era” para garantir seus próprios interesses e, agora, estão apavorados porque “o presidente tem abrigado no governo fanáticos religiosos, que beiram a psicose, e pessoas completamente incompetentes, e essa atuação pífia e esse comportamento errático, a continuação do modo de campanha no governo, têm ameaçado a agenda econômica que se deseja implementar no País”.</p>
<p>O ex-deputado referia-se, sobretudo, à aprovação de medidas neoliberais, como a Reforma da Previdência. Para Wyllys, foi somente depois que o presidente da República passou a tratar como inimigos pessoais não apenas opositores políticos, mas também jornalistas, que uma parte da mídia brasileira que o apoiou parece, finalmente, estar reconhecendo que “a besta do fascismo saiu do controle”.</p>
<p>As declarações de Jean Wyllys foram feitas durante uma palestra realizada no International Folk Culture Center de Paris, um centro político-cultural que acolheu muitos exilados latino-americanos, entre eles muitos brasileiros perseguidos pela Ditadura Militar. Ele participou do seminário “Um ano depois do assassinato de Marielle Franco: denunciar a violência de Estado”, que foi organizado por três coletivos – Autres Brésils, Coletiva Marielles e Femmes Unies du Brésil – com o apoio da Anistia Internacional na França.</p>
<p><strong>AMEAÇAS DE MORTE</strong></p>
<p>No evento, Wyllys contou que as ameaças de morte, que culminaram com sua saída do País, intensificaram-se depois que ele presidiu a Comissão Parlamentar Externa que acompanhou as investigações sobre os assassinatos de Marielle e Anderson, pressionando as autoridades de segurança pública estaduais e federais para que apresentassem respostas.</p>
<p>Jean Wyllys voltou a destacar as relações existentes entre a família Bolsonaro e os milicianos responsáveis pela execução de Marielle e Anderson. Diante de uma plateia formada não apenas por brasileiros, mas por muitos franceses e outros latino-americanos, Jean Wyllys, convidou todos a analisarem os fatos: “Fato: Bolsonaro elogiou em várias ocasiões a atuação das milícias no Rio de Janeiro, mesmo sabendo que constituíam uma espécie de máfia ou poder paralelo. Fato: Flávio Bolsonaro empregou em seu gabinete a mãe e a esposa de membros das milícias do Rio de Janeiro. Fato: a família Bolsonaro não expressou qualquer solidariedade quando da execução de Marielle Franco e Flavio Bolsonaro fez um tweet protocolar de solidariedade que apagou no dia seguinte. Fato: Flávio Bolsonaro fazia malversação do dinheiro publico através de “laranjas” e o seu operador era um membro da milícia que está, inclusive, foragido. Fato: a Polícia Civil e o Ministério Público denunciaram como executores dos assassinatos de Marielle e Anderson um ex-PM e um PM reformado, membro da milícia e que, coincidentemente, morava próximo da casa de Bolsonaro num condomínio de luxo na Barra da Tijuca. Com um desses acusados, a polícia encontrou 117 fuzis, ou seja, esta pessoa está ligada ao tráfico de armas no Rio de Janeiro. Fato: a filha desse sujeito namorou o filho do Bolsonaro. Agora vamos às perguntas: como a inteligência, a ABIN, como a Polícia Federal, o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, não sabiam disso, tendo Bolsonaro supostamente sido atacado com uma facada na campanha? Como essas instituições não sabiam que Bolsonaro estava a poucos metros de um assassino traficante de armas?”, questionou o ex-deputado.</p>
<p><strong>CRIME POLÍTICO</strong></p>
<p><div id="attachment_14149" style="width: 778px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/cartaz-evento-Marielle-em-Paris.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14149" class="wp-image-14149 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/cartaz-evento-Marielle-em-Paris.jpg" alt="cartaz evento Marielle em Paris" width="768" height="1024"></a><p id="caption-attachment-14149" class="wp-caption-text">Cartaz sobre Marielle produzido pela Anistia Internacional</p></div></p>
<p style="text-align: left;">Depois de afirmar em Portugal que “Marielle vai derrubar Bolsonaro”, Jean Wyllys voltou a cobrar o desdobramento das investigações para que se chegue aos mandantes do assassinato da vereadora carioca e insistiu em afirmar que não se tratou de um crime de ódio, mas de uma execução com motivação política evidente e com envolvimento no caso de grupos que estão no poder. Para Wyllys, a identificação de milicianos como executores do crime torna óbvio que “os assassinos receberam para executar ou deram a execução de presente”.</p>
<p>O ex-deputado contou que teve a certeza que não estaria mais seguro no Brasil quando, ainda durante o recesso parlamentar, eclodiu o escândalo envolvendo o ex-deputado do Rio e atual senador Flavio Bolsonaro, com Fabrício Queiroz, acusado de movimentações financeiras suspeitas, quando atuava como seu assessor, o que evidenciou as ligações da família com as milícias do Rio.</p>
<p>Jean Wyllys confessou que, diante “dessas relações estreitas entre a família que ocuparia o Palácio do Planalto e as milícias que controlam territórios e se tornaram parte do Estado no Rio”, sentiu-se ainda mais ameaçado. Ressaltou também que, mesmo diante dos riscos que estava correndo, o governo Brasileiro “ignorou solenemente o pedido de medida cautelar feita pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos em relação à minha vida e da minha família”.</p>
<p>Wyllys lembrou que se tornou um alvo preferencial dos ataques da família do presidente desde que cuspiu na cara de Jair Bolsonaro, durante a sessão de votação do impeachment, quando ele dedicou o voto ao torturador de Dilma Roussef, Carlos Brilhante Ulstra. O ex-deputado destacou ainda que, mesmo não sendo candidato à presidência, foi uma das principais vítimas das <em>fake news</em> difundidas pela campanha de Bolsonaro, em 2018, por sua condição de homossexual e sua luta contra a homofobia.</p>
<p>“As pessoas naturalizaram a ideia de que quando Bolsonaro vencesse as eleições eu morreria, eu seria assassinado, e elas me diziam isso textualmente: se prepare, 2019 vem aí, você não passa de 2019!”, contou.</p>
<p><strong>ATUAÇÃO FORA DO PAÍS</strong></p>
<p>O ex-deputado disse que, mesmo reeleito, saiu da campanha exausto e amedrontado e que tomou a difícil decisão de sair do País porque estava “seguro de que morreria mesmo”. Wyllys admitiu que não queria se tornar “mais um mártir” da defesa dos direitos humanos e que, no atual contexto, poderia atuar melhor fora do Brasil, como vem fazendo. Acrescentou que a própria Marielle, que, para ele, já se tornou uma mártir das lutas pelas minorias certamente não escolheria “ser martirizada”.</p>
<p><div id="attachment_14148" style="width: 1034px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Irmã-de-Marielle-skype-paris.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14148" class="wp-image-14148 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Irmã-de-Marielle-skype-paris.jpg" alt="Irmã de Marielle skype paris" width="1024" height="768"></a><p id="caption-attachment-14148" class="wp-caption-text">Anielle Franco participou do evento em Paris por skype</p></div></p>
<p>Evento em homenagem à memória de Marielle, do qual participou Jean Wyllys, contou ainda com exibição de vídeos da vereadora carioca pontuado por falas de seus companheiros de partido, além da sua viúva, Mônica Benício. Também houve um depoimento ao vivo (via Skype) de sua irmã, Anielle Franco. Em nome da família, ela agradeceu a homenagem e anunciou para a plateia a criação do Instituto Marielle, que pretende trabalhar sobretudo na Favela da Maré (Rio), com a mesma pauta social da vereadora executada a tiros, junto com o seu motorista Anderson, quando voltava de um evento político em 14 de marco de 2018.</p>
<p>Emocionada, Anielle disse: “Eles acordaram um gigante, e o primeiro gigante que acordou fui eu. A gente vai honrar muito o que minha irmã fez e que vocês possam segurar em nossas mãos”.</p>
<p><strong>COALISÃO INTERNACIONAL PELA DEMOCRACIA NO BRASIL</strong></p>
<p>No evento, a representante do coletivo Autres Brésils, Érika Campelo, anunciou que está sendo articulada o que ela denominou de uma “coalisão contra os ataques à democracia brasileira”, reunindo 25 movimentos sociais e entidades de defesa dos direitos humanos na França. Essas entidades já começaram a se reunir para discutir e planejar ações concretas. A vinda de Jean Wyllys a Paris já é resultado das primeiras parcerias entre entidades que participam dessa articulação mais ampla.</p>
<p>No próximo dia 20 de março, Jean Wyllys, fará, também em Paris, a conferência intitulada “Os impactos dos discursos de ódio e das fake news: o caso do Brasil”. A conferência será realizada na École des Hautes Etudes en Sciences Sociales &#8211; EHESS (Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (Amphithéâtre François Furet), atendendo ao convite do Groupe de Reflexion su Le Brésil (Grupo de Reflexão sobre o Brasil Contemporâneo).</p>
<p>O evento conta também com o apoio da ARBRE (<a href="https://www.facebook.com/arbrerecherche/?eid=ARAqMAaq1Du8JQnmOc1-D0sMDK1yK4yKFtRepW7tQ6BMTw7rP2qTcpSft4LU7h5TYAqpUTMhCZSsJ8Hi">Association pour la Recherche sur le Brésil en Europe</a>)&nbsp; e da APEB (Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na França). O ex-deputado tem viajando por vários países europeus, atendendo a convites de coletivos e entidades de defesa dos direitos humanos, mas tem planos de fazer um doutorado em Berlim (Alemanha), cujo tema versará sobre discursos de ódio e<em> fake news</em>, problemas que sentiu na própria pele.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-besta-do-fascismo-saiu-do-controle-diz-jean-wyllys-na-franca/">“A besta do fascismo saiu do controle”, diz Jean Wyllys na França</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/a-besta-do-fascismo-saiu-do-controle-diz-jean-wyllys-na-franca/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Agricultoras marcham contra o racismo e em homenagem a Marielle</title>
		<link>https://marcozero.org/agricultoras-marcham-contra-o-racismo-e-em-homenagem-a-marielle/</link>
					<comments>https://marcozero.org/agricultoras-marcham-contra-o-racismo-e-em-homenagem-a-marielle/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Mar 2019 23:08:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Marcha das margaridas]]></category>
		<category><![CDATA[marielle franco]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=14096</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em parceria com De Olho nos Ruralistas No décimo ano da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, as agricultoras e agricultores do Polo da Borborema (PB), junto à associação AS-PTA, reforçaram a pergunta que ecoa em todo o país: “Quem mandou matar Marielle Franco?&#8221;. Mulheres, muitas delas negras como Marielle, integrantes dos 13 [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/agricultoras-marcham-contra-o-racismo-e-em-homenagem-a-marielle/">Agricultoras marcham contra o racismo e em homenagem a Marielle</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Em parceria com <a href="https://deolhonosruralistas.com.br/">De Olho nos Ruralistas</a></strong></p>
<p>No décimo ano da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, as agricultoras e agricultores do Polo da Borborema (PB), junto à associação AS-PTA, reforçaram a pergunta que ecoa em todo o país: “Quem mandou matar Marielle Franco?&#8221;. Mulheres, muitas delas negras como Marielle, integrantes dos 13 sindicatos de trabalhadoras e trabalhadores rurais que fazem parte do polo marcharam pelas ruas do município de Remígio, no Agreste da Paraíba, para falar sobre o combate ao racismo.</p>
<p>A mobilização se concentrou durante cerca de três horas no Alto da Colina e cruzou a cidade até o Parque da Lagoa. O Grupo de Teatro do Polo da Borborema encenou uma peça sobre racismo e machismo ainda no começo do ato. Houve apresentações de Lia de Itamaracá no início e no fim da marcha, que culminou na feira agroecológica &#8220;Sementes e Sabores&#8221;.</p>
<p><div id="attachment_13991" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Mulheres-líderes-camponesas-do-Polo-da-Borborema-na-Paraíba_-8.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-13991" class="wp-image-13991 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Mulheres-líderes-camponesas-do-Polo-da-Borborema-na-Paraíba_-8-1024x683.jpg" alt="Remígio, 12 de março de 2019. Marcha das Margaridas em Remígio, Paraíba." width="702" height="468"></a><p id="caption-attachment-13991" class="wp-caption-text">Sindicato de Trabalhadoras e Trabalhadores de Remígio (PB). Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Tradicionalmente, a marcha acontece no Dia Internacional de Luta das Mulheres, em 8 de março. Mas, sendo o combate ao racismo o tema deste ano e Marielle Franco uma mulher negra e defensora dos direitos humanos assassinada no dia 14 de março de 2018, a coordenação da mobilização decidiu por alterar a data. Segundo a assessora técnica da AS-PTA e da Coordenação da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, Adriana Galvão, o dia foi alterado para o aniversário da morte de Marielle por ser uma data simbólica.</p>
<p>&#8220;Na marcha passada, fizemos o tema da diversidade e já sabíamos que era importante trabalhar com o tema da identidade racial e do racismo. Eu acho que toda a simbologia que Marielle traz de uma mulher negra, periférica, bissexual que ocupa um espaço de poder com grande destaque, isso, por si só, já era uma inspiração para as mulheres locais e de todo o Brasil. Mas, ao calar essa voz, o tema se fortalece muito mais dentro da marcha que vem para homenagear todas as mulheres que foram caladas ao ocupar esses espaços&#8221;.</p>
<p>Segundo dados da AS-PTA, o Polo da Borborema, além dos 13 sindicatos, possui aproximadamente 150 associações comunitárias e uma organização regional de agricultores ecológicos. Os municípios do planalto da Borborema que integram o polo são Solânea, Cassenrengue, Arara, Remígio, Algodão de Jandaíra, Esperança, Areial, Montadas, Lagoa da Roça, Puxinanã, Lagoa Seca, Matinhas, Alagoa Nova, Serra Redonda e Queimadas.</p>
<p>Para além da homenagem a Marielle Franco, as trabalhadoras do campo homenageiam anualmente a sindicalista, agricultora e defensora dos direitos humanos Margarida Maria Alves, assassinada há 50 anos, em Alagoa Grande, na Paraíba. &#8220;A Marcha das Margaridas&#8221; acontece desde 2000, no mês de agosto, e é organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG).</p>
<h2><a href="http://marcozero.org/de-margaridas-a-marielles-a-luta-camponesa-no-interior-da-paraiba/">De Margaridas a Marielles: a luta camponesa no interior da Paraíba</a></h2>
<p><div id="attachment_14069" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/de-margaridas-a-marielles-a-luta-camponesa-no-interior-da-paraiba/"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14069" class="wp-image-14069 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-1-300x168.jpg" alt="Remígio, 14 de março de 2019. Pelo décimo ano, as mulheres do Polo da Borborema, em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, realizaram a “Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia”. O evento surgiu em 2010, com dois grand" width="300" height="168"></a><p id="caption-attachment-14069" class="wp-caption-text">Aposentada Francisca Miguel dos Santos, moradora de Remígio (PB). Crédito: Helena Dias/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Durante toda a caminhada, moradores e comerciantes saiam de suas casas e estabelecimentos para ver as mulheres passarem. A aposentada Francisca Miguel de Souza gosta de ver a mobilização das agricultoras, mas não pode acompanhar a marcha porque há seis anos tem problemas de mobilidade. Filha de trabalhadores rurais, viveu da roça quando era adolescente e hoje complementa a aposentadoria com as vendas do fiteiro.</p>
<p>“A marcha está maravilhosa e muito bonita. Moro nesta rua há40 anos, mas não é sempre que vemos algo assim. Por isso, há dez anos eu vi a primeira marcha passar e faço o mesmo hoje”.</p>
<p><div id="attachment_14070" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14070" class="wp-image-14070 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-2-300x168.jpg" alt="Maria da Paz, aposentada e integrante do grupo de mulheres do CRAS de Lagoa da Roça (PB). Crédito: Helena Dias/MZ Conteúdo" width="300" height="168"></a><p id="caption-attachment-14070" class="wp-caption-text">Maria da Paz, aposentada e integrante do grupo de mulheres do CRAS de Lagoa da Roça (PB). Crédito: Helena Dias/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Maria da Paz, de 67 anos, lembra que estava no Rio de Janeiro quando a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o seu motorista Anderson Gomes foram assassinados a tiros na região central do Rio. Maria foi agricultora durante 40 anos, mas hoje está aposentada e atua no grupo de mulheres do Centro de Referência de Assistência Social do município de Lagoa da Roça.</p>
<p>“Recebi a notícia como um choque, uma tristeza. Até então, eu não conhecia Marielle, mas me reconheço como mulher negra e estou aqui por todas nós, para combater o racismo e lembrar de dizer não à reforma da previdência de Bolsonaro”.</p>
<p>Há também quem vem de longe para apreciar a marcha e se juntar aos cantos de luta das mulheres do campo. A professora de artes do Instituto Nacional de Educação de Surdos (RJ), Maria Lúcia Vinholi, de 53 anos, conheceu a marcha há cinco anos quando produziu estandartes para a mobilização a pedido da AS-PTA. Diz que se encantou com a luta das agricultoras e, principalmente, com a força delas.</p>
<p><div id="attachment_14075" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-54.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14075" class="wp-image-14075 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-54-300x200.jpg" alt="Professora de artes Maria Lúcia Vinholi (RJ). Créditos: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-14075" class="wp-caption-text">Professora de artes Maria Lúcia Vinholi (RJ). Créditos: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>“Aqui é muito verdadeiro. Há muito envolvimento dos jovens. Eles participam e sabem falar da agroecologia de maneira muito linda, comovente e envolvente. A gente se encanta e tem vontade de compartilhar essa realidade com os jovens de lá (do Rio de Janeiro)”.</p>
<p>Enquanto a marcha seguia por Remígio, a agricultora Josefa Miranda dos Santos, de 58 anos, aguardava a chegada das mulheres no Parque da Lagoa com a sua barraca repleta de frutas agroecológicas para vender na feira “Sementes e Sabores”. Ao mesmo tempo que vendia seus produtos, Josefa respondia à reportagem. “Já me aposentei há quatro anos, mas continuo como agricultora. Participo da marcha desde a primeira, mas só nesta fiquei na feira.”</p>
<p>Quando questionada sobre a sua identificação com Marielle Franco, ela lamenta a morte da vereadora carioca e diz que hoje está ali para representá-la.</p>
<p><div id="attachment_14090" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-128.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14090" class="wp-image-14090 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-128-300x200.jpg" alt="Agricultora Josefa Miranda dos Santos, de Remígio (PB). Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-14090" class="wp-caption-text">Agricultora Josefa Miranda dos Santos, de Remígio (PB). Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Marcia Araújo dos Santos, 36 anos, é secretaria do Sindicato de Água Seca (PB) e integrante do Grupo de Teatro do Polo da Borborema. Na 10ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, ela interpretou a personagem “Zefinha”, uma jovem negra que sonha em concluir os estudos, mas tem que trabalhar como empregada doméstica para contribuir no sustento da família.</p>
<p>A história encenada por Márcia evidencia como o racismo e o machismo se manifestam no ambiente doméstico e também na relação entre patrões e funcionárias.</p>
<p>“Minha mãe trabalhou em casa de família e essa peça que apresentamos hoje é muito parecida. Minha mãe tinha que dormir num quarto separado da casa dos patrões e só podia almoçar depois que eles almoçassem. Ela me levava para ajudar. Muitas mulheres se identificam com essa realidade. Eu me orgulho de ser negra e agricultora”, conta.</p>
<p><div id="attachment_14077" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-58.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14077" class="wp-image-14077 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Marcha-das-Margaridas-em-Remígio_Pela-vida-das-mulheres-e-pela-agroecologia_-58-1024x682.jpg" alt="Remígio, 14 de março de 2019. Pelo décimo ano, as mulheres do Polo da Borborema, em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, realizaram a “Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia”. O evento surgiu em 2010, com dois grand" width="702" height="467"></a><p id="caption-attachment-14077" class="wp-caption-text">Grupo de Teatro do Polo da Borborema, em Remígio (PB). Crédito: Inês Campelo</p></div></p>
<p>Ao final do ato, que durou cerca de cinco horas, as manifestantes dançavam ciranda ao som de Lia de Itamaracá para mostrar que não existe cansaço na luta pelos direitos do povo do campo. Aquelas que não moram em Remígio começaram a se despedir e ir ao encontro dos ônibus que voltaram para os outros municípios do Planalto da Borborema (PB).</p>
<p>[Best_Wordpress_Gallery id=&#8221;82&#8243; gal_title=&#8221;Marcha das Margaridas&#8221;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/agricultoras-marcham-contra-o-racismo-e-em-homenagem-a-marielle/">Agricultoras marcham contra o racismo e em homenagem a Marielle</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/agricultoras-marcham-contra-o-racismo-e-em-homenagem-a-marielle/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
