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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Vizinhos do Dona Lindu conseguem na Justiça proibição de festa durante a madrugada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2026 14:27:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[concessão privada]]></category>
		<category><![CDATA[parques do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Justiça de Pernambuco barrou a realização do evento de música eletrônica AUMMA, que inauguraria a nova fase da galeria Janete Costa, no Parque Dona Lindu, como um espaço também de aluguel para festas. O local está sob gestão privada da empresa Viva Parques desde março do ano passado, mas, na prática, a galeria deixou [&#8230;]</p>
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<p>A Justiça de Pernambuco barrou a realização do evento de música eletrônica AUMMA, que inauguraria a nova fase da galeria Janete Costa, no Parque Dona Lindu, como um espaço também de aluguel para festas. O local está sob gestão privada da empresa Viva Parques desde março do ano passado, mas, na prática, a galeria deixou de funcionar como espaço voltado para as artes plásticas desde 26 de abril, data do encerramento da última exposição e <a href="https://www.instagram.com/galeriajanetecosta?igsh=bDJ4eWQ3czM3cGI3">seu perfil no Instagram sequer está sendo atualizado.</a> No final de semana de 23 e 24 de maio, por exemplo, o espaço foi tomado por um evento do mercado de café.</p>



<p>Na sexta-feira (29), oito condomínios das redondezas do Parque Dona Lindu solicitaram uma liminar ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) para impedir a realização do evento, alegando possível perturbação sonora. Horas antes do início da festa, a juíza Adriana Cintra Coêlho concedeu a liminar. A multa pelo descumprimento da ordem judicial era de R$ 200 mil.</p>



<p>A produtora ainda tentou reverter a decisão, sem sucesso.</p>



<p>No despacho, a juíza considerou que a autorização da prefeitura era até às 2h deste domingo, mas todas as peças de propaganda da festa divulgava que o evento iria até às 6h30min. “Além disso, os documentos juntados demonstram que a discussão acerca dos impactos sonoros decorrentes da realização de eventos no Parque Dona Lindu não constitui fato isolado ou episódico, tanto é que já fora discutido em audiência pública promovida pelo Ministério Público”, diz trecho da liminar.</p>



<p>A AUMMA só cancelou oficialmente a festa à meia-noite do sábado. Em comunicado, a produtora afirmou que havia conseguido todas as licenças junto à prefeitura do Recife e ao Corpo de Bombeiros. A produtora afirmou que vai reembolsar quem comprou ingresso. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/parque-dona-lindu-recebe-rave-na-madrugada-de-sabado-mesmo-apos-denuncia-de-poluicao-sonora-2/" class="titulo">Parque Dona Lindu recebe rave na madrugada de sábado mesmo após denúncia de poluição sonora</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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		<item>
		<title>Viva Parques não pode demolir pista de bicicross da Jaqueira, adverte Ministério Público estadual</title>
		<link>https://marcozero.org/viva-parques-nao-pode-demolir-pista-de-bicicross-da-jaqueira-adverte-ministerio-publico-estadual/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Nov 2025 15:45:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Ministério Público]]></category>
		<category><![CDATA[parques públicos]]></category>
		<category><![CDATA[privatização de parques]]></category>
		<category><![CDATA[viva parques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A empresa Viva Parques, que assumiu a gestão privada dos parques públicos do Recife, enfrentou mais um revés nesta quinta-feira, 13 de novembro. O Ministério Público de Pernambuco publicou no Diário Oficial uma recomendação de quatro páginas direcionada à Prefeitura do Recife e à concessionária Viva Parques. As promotoras Fernanda Henriques da Nóbrega e Belize [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A empresa Viva Parques, que assumiu a gestão privada dos parques públicos do Recife, enfrentou mais um revés nesta quinta-feira, 13 de novembro.<strong> </strong>O Ministério Público de Pernambuco publicou no Diário Oficial uma recomendação de quatro páginas direcionada à Prefeitura do Recife e à concessionária Viva Parques. As promotoras Fernanda Henriques da Nóbrega e Belize Câmara Correia, do Centro de Apoio de Defesa do Meio Ambiente do MPPE, foram explícitas: as obras de demolição da pista de bicicross não devem acontecer.</p>



<p>A argumentação das promotoras baseia-se em um documento óbvio, o contrato de concessão entre a prefeitura e a empresa concessionária, que, segundo o parecer, prevê apenas a manutenção da pista, sem fazer quaisquer referências à <a href="https://marcozero.org/pista-de-bicicross-da-jaqueira-esta-com-os-dias-contados/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">substituição ou demolição daquela estrutura esportiv</a>a. E, se não há nada estabelecido no contrato, o MPPE adverte que, caso a prefeitura tenha autorizado a obra, estaria &#8220;descumprindo frontalmente os termos contratuais que regem este processo de concessão&#8221;.</p>



<p>O parecer definiu &#8220;que o espaço gastronômico que está sendo anunciado para ocupar parte da área da pista de bicicross constitui um espaço destinado à exploração comercial e consumo pago, o que representa uma alteração fundamental na vocação do espaço público da pista de bicicross&#8221;.</p>



<p>As autorizações da prefeitura, aliás, seriam insuficientes para a realização de obras na Jaqueira. Como o parque faz parte da Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural Ponte D&#8217;Uchôa, qualquer intervenção no espaço teria de ter licença do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A falta dessa permissão, aliás, levou o Iphan a embargar a obra da pista de <em>pumptrack</em>, para uso misto de bicicletas, skate e patinetes.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/iphan-embarga-obras-feitas-sem-licencas-no-parque-da-jaqueira/" class="titulo">Iphan embarga obras feitas sem licenças no Parque da Jaqueira</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A Viva Parques se posicionou informando que respeita o papel do MPPE, mas que irá demonstrar que &#8220;as as intervenções em curso no Parque da Jaqueira estão sendo realizadas em estrita observância ao contrato de concessão, aos pareceres técnicos da Prefeitura do Recife e às tratativas anteriormente conduzidas com o próprio Ministério Público&#8221;. </p>



<p>Reproduzimos abaixo a nota completa enviada pela equipe de comunicação da concessionária:</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a empresa Viva Parques</span>

		<p>A Viva Parques manifesta profundo respeito pelas funções institucionais do Ministério Público e reconhece o seu papel fundamental na tutela do meio ambiente urbano, da paisagem e do patrimônio histórico-cultural.</p>
<p>Naturalmente, entendemos que as razões que motivaram a expedição da referida Recomendação merecem esclarecimentos técnicos e jurídicos complementares, de modo a evidenciar que as intervenções em curso no Parque da Jaqueira estão sendo realizadas em estrita observância ao contrato de concessão, aos pareceres técnicos da Prefeitura do Recife e às tratativas anteriormente conduzidas com o próprio Ministério Público.</p>
<p>A concessionária permanece, como em todas as tratativas com o MPPE até o momento, à inteira disposição para prestar todas as informações necessárias, reforçando seu compromisso com a transparência, com o cumprimento integral das normas vigentes e com a preservação responsável do patrimônio histórico e ambiental do Parque da Jaqueira.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">MPPE quer que João Campos tome providências</h2>



<p>As recomendações destinadas ao prefeito João Campos (PSB) são incisivas. Após advertir que o órgão de gestão ambiental municipal &#8220;não tem poder discricionário ilimitado ou &#8216;cheque em branco&#8217; para aprovar qualquer tipo de intervenção, ou seja, (…) não pode autorizar uma ação que a lei veda expressamente&#8221;, as promotoras recomendam que o prefeito do Recife atue para assegurar a imediata paralisação das obras atualmente em andamento no Parque da Jaqueira.</p>



<p>Mais adiante, o documento recomenda que João Campos &#8220;se abstenha de autorizar ou suspenda autorização já concedida para a desativação e demolição da pista de bicicross&#8221;.</p>



<p>A quarta recomendação parece ainda mais incômoda: &#8220;proceda à instauração de processo administrativo destinado à apuração das infrações previstas no contrato de concessão, praticadas pela concessionária, mediante a lavratura de auto de infração ou documento correspondente, com a eventual aplicação, ao final, das sanções/penalidades adequadas, também previstas no contrato de concessão assinado&#8221;.</p>



<p>A assessoria de comunicação da Prefeitura do Recife se posicionou por meio da seguinte nota, reproduzida integralmente abaixo:</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a prefeitura</span>

		<p>A Prefeitura do Recife informa ter ciência da recomendação do Ministério Público de Pernambuco e que, dentro do tempo estipulado, responderá à instituição.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Esclarece que a documentação técnica sobre a intervenção, acompanhada do parecer técnico elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, por meio do Instituto da Cidade Pelópidas Silveira (ICPS) – órgão municipal responsável pela análise e acompanhamento das intervenções em áreas protegidas –, está em apreciação pelo Iphan.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Importa destacar que todas as ações previstas no projeto da pista de <em>pumptrack</em> observam as diretrizes legais e técnicas de preservação do patrimônio cultural, buscando valorizar o conjunto paisagístico e o contexto histórico do Parque da Jaqueira, cuja relevância simbólica e cultural é amplamente reconhecida.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>O conjunto das intervenções visa aprimorar a fruição pública do Parque da Jaqueira, ampliando a oferta de espaços de convivência, esporte e lazer, sempre de maneira compatível com a ambiência histórica do sítio, preservado também em nível municipal, e com o devido respeito à capela de Nossa Senhora da Jaqueira e seu entorno protegido.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Adianta ainda que o parecer técnico municipal com relação à pista de <em>pumptrack</em> apontou as seguintes considerações sobre o projeto da obra realizado pela Viva Parques em relação à normativa de preservação municipal:</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>&#8211; O traçado novo proposto dialoga com o traçado do equipamento anteriormente existente no local;</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>&#8211; Enquanto os usos esportivos e de lazer do Parque configuram atributos imateriais do Parque, a configuração dos equipamentos passou por diversas adaptações e ajustes às novas demandas ao longo do tempo;</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>&#8211; A proposta possui baixo impacto sobre a ambiência do sítio histórico preservado, incluindo a única construção remanescente do Sítio das Jaqueiras, a saber, a capela de N. Sr.ª da Conceição.</p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Jaqueira-MPPE-pista-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Jaqueira-MPPE-pista.jpg" alt="A imagem mostra uma placa verde instalada em uma cerca preta, promovendo o Pumptrack da Jaqueira, com o slogan Uma pista para todos os ritmos. O espaço é voltado para atividades como bicicleta, skate e patinete, indicado por ícones ilustrativos. À direita da placa, há uma imagem aérea da pista com curvas e elevações suaves. O ambiente ao redor é arborizado, com prédios ao fundo, sugerindo um parque urbano. Na parte inferior da placa, aparece o site parquedajaqueira.com.br, indicando que o local faz parte do Parque da Jaqueira." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Obra da pista de pumptrack está interditada pelo Iphan por falta de licença
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
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			</item>
		<item>
		<title>Quem frequenta a Jaqueira teme elitização do parque sob controle de empresa privada</title>
		<link>https://marcozero.org/quem-frequenta-a-jaqueira-teme-elitizacao-do-parque-sob-controle-de-empresa-privada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Dec 2022 09:10:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[concessão]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[parque da jaqueira]]></category>
		<category><![CDATA[parques públicos]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É tarde de um domingo ensolarado no parque da Jaqueira. Nos gramados, várias famílias e grupos de amigos se reúnem, descansam, fazem festas, comemoram aniversários. Um deles é o da pequena Aniele, que celebra dois anos de idade. No piquenique, mais de uma dúzia de familiares e amigos, balões de festa, caixa térmica para levar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>É tarde de um domingo ensolarado no parque da Jaqueira. Nos gramados, várias famílias e grupos de amigos se reúnem, descansam, fazem festas, comemoram aniversários. Um deles é o da pequena Aniele, que celebra dois anos de idade. No piquenique, mais de uma dúzia de familiares e amigos, balões de festa, caixa térmica para levar comidas e bebidas. Não são frequentadores assíduos do parque, mas escolheram comemorar ali pela tranquilidade, a facilidade de ter um local gratuito e com bons brinquedos para as crianças, além de todo verde ao redor. Ninguém ali sabia que a prefeitura do Recife vai conceder a Jaqueira &#8211; junto dos parques da Macaxeira, Santana e Dona Lindu &#8211; para a iniciativa privada por longos 30 anos.</p>



<p>A Marco Zero esteve domingo, 11 de dezembro, no Parque da Jaqueira e conversou com dezenas de frequentadores sobre a concessão dos parques. Só duas pessoas sabiam da decisão da prefeitura, e foram informadas por meio da imprensa. Nenhum dos entrevistados concorda com a concessão, por diversas razões que podem ser reunidas em uma só: vai aumentar a desigualdade no Recife, que já é, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capital mais desigual do Brasil.</p>



<p>No piquenique de Aniele, a moradora da Imbiribeira Denise Gomes ficou sabendo pela reportagem da Marco Zero sobre a concessão. “É como se as coisas fossem feitas no silêncio mesmo”, disse. Mesmo com a prefeitura garantindo que aquilo que existe hoje vai continuar gratuito, mas que na Jaqueira pode ser construído um &#8220;polo gastronômico&#8221;, Denise considerou a proposta problemática.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/prefeitura-corre-para-privatizar-gestao-de-parques-do-recife-e-deixa-perguntas-sem-respostas-em-audienciia/" class="titulo">Prefeitura corre para privatizar gestão de parques do Recife e deixa perguntas sem respostas em audiência</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“Qualquer pessoa pode chegar aqui, jogar uma toalha na grama e deixar os filhos correndo. Se tiver um polo gastronômico, vai ficar estranho. Você se sente constrangido em sentar em uma praça de alimentação de shopping e não consumir nada. Aqui vai ser um constrangimento fazer um piquenique do lado de um restaurante, uma lanchonete. Isso faz com que só venha quem tem condições de pagar. Se tiver um brinquedo diferente com ingresso pago, a criança vai querer, cria um constrangimento em quem não pode pagar. Isso só vai separar quem tem condições de pagar e quem não tem. Vai ficar um espaço elitizado. Quem não pode, vai se afastando cada vez mais dos espaços públicos”, criticou.</p>



<p>O grupo lembrou da situação precária do Treze de Maio, que não está neste primeiro pacote de concessões. “Não dá mais para fazer aniversário lá, por conta da segurança. A impressão que dá é que só tem lazer hoje quem pode pagar”, criticou a moradora de Paulista Anne Caroline.</p>



<p>Do outro lado do parque, deitados em uma toalha na grama, com frutas e guloseimas, quatro moradores da Zona Norte aproveitavam o domingo. Estavam com sete crianças, que se divertiam nos brinquedos do parque. Algumas vieram correndo na hora de tirar a foto para esta reportagem. Ninguém sabia da concessão.</p>



<p>Para a dona de casa Cássia Fernanda, também não cabe espaços ou atrações pagas dentro da Jaqueira. “Vai gerar uma divisão, não gostei”, disse. Levando sempre muitas crianças para Jaqueira, como filhos, enteados e sobrinhos, Allysson Cândido diz ser impossível pagar por atrações ou entrada em novos brinquedos. “Vai valorizar o parque. Para quem tem dinheiro, é bom. Mas para gente, que traz as crianças só para brincar, vai ficar caro”.</p>



<p>Desempregada, Isla Patrícia, de 25 anos, não viu em canto nenhum a mudança na Jaqueira, que frequenta desde criança. “Para o pessoal de baixa renda fica complicado. A gente vem com criança. Se tiver uma sorveteria aqui as crianças vão querer sorvete. E um sorvete aqui vai custar o que? uns dez reais. Não tem como a gente pagar isso. E aí vamos pensar duas vezes antes de vir para cá e ter esse estresse”, reclamou.</p>



<p>Era a primeira vez na Jaqueira do grupo de Jaqueline Ferreira da Silva, moradora de Caetés I, em Abreu e Lima. Estavam já indo embora depois de um dia de brincadeiras. “Achei ótimo ficar aqui. É organizado, gostei da paisagem, as crianças gostaram dos brinquedos, são ótimos. Em Abreu e Lima não tem nada parecido”, afirmou. Com a perspectiva de atrações pagas e restaurantes no parque, ela afirmou que não faria a viagem novamente. “Com condições, eu faria. Mas sem condições, não voltaria”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Qual o interesse?</h2>



<p>Na casa do tatuador Leonardo da Silva Santos e da bancária Marcela de Castro, só ela sabia que a concessão irá acontecer. Soube pelo jornal. “Na reportagem não dizia qual a finalidade dessa concessão. A prefeitura diz que não vai ter cobrança para utilizar o local. Aí a gente fica querendo saber qual o interesse de uma empresa em assumir o parque”, questionou. “Por que a prefeitura não consegue manter e uma empresa vai achar isso aqui lucrativo?”</p>



<p>Quando ficou sabendo dos projetos de “vocação” dos parques, feito pelo BNDES, que indicam algumas atrações e/ou estabelecimentos com cobrança, Marcela achou que é uma forma de elitizar os parques. “Temos poucos espaços públicos hoje, gratuitos, que agregam toda a população. Todo parque dia de domingo é lotado. Estamos em uma situação de crise econômica e a população tem direito a lazer gratuito. As crianças vão querer consumir e isso vai afastar do espaço público os pais que não têm dinheiro. Termina elitizando”.</p>



<p>Ao ficar sabendo da concessão, o tatuador Leonardo questionou porque não foi feita em parques que estão mais abandonados. “Pelos parques que vão ser concedidos, a gente logo percebe uma pegada comercial agressiva”, opina.</p>



<p>Para o casal, não ficou claro ainda o que a população vai ganhar com a concessão dos parques. “O que se espera é que haja algumas melhorias. Fui no banheiro do Parque Santana com minha filha e estava inutilizável. Tivemos que voltar para casa. Mas são melhorias pontuais, que a própria prefeitura deveria fazer, não precisa de concessão”, afirmou. “Mas sabemos que isso é uma estratégia. Para que a população compre a ideia de privatizar, eles sucateiam antes, para que o povo ache que vai ser melhor com a iniciativa privada. É um ciclo bem conhecido”. </p>



<p>Marcela sugere, em oposição à concessão, que a prefeitura invista em educação e engajamento. “A prefeitura poderia fazer ações para que a população se sinta parte da coisa pública, que sinta que é deles, para que cuidem também. A população ainda não se sente dona do que é público, é como se não fosse de ninguém, então não cuidam. Vai ficando nesses espaços apenas quem não tem outra opção e esse espaços vão se acabando, entrando nesse ciclo de sucateamento e privatização”, lamenta.</p>



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	                                        <p class="m-0">No domingo, dia 11, a maior parte dos frequentadores não tinha ouvido falar das intenções da PCR. Na foto, amigos e familiares de  Allysson Cândido e Isla Patrícia que foram passar a tarde no parque. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading">Falta de divulgação e a resposta da prefeitura</h3>



<p>Mesmo com apenas sete hectares, a Jaqueira é casa de grupos de dança, de esportes diversos &#8211; do aikido a bicicross -, de grupos de terapia, de corrida, de ginástica, de yoga. A pequena quadra perto da entrada principal é um dos espaços disputados pelos grupos de dança. É lá que encontramos quatro mulheres que fazem parte do grupo projeto Orium, que dança kpop, o pop coreano.</p>



<p>Elas contam que pouco antes da pandemia começar, a guarda municipal engrossou contra os grupos de dança. Retiraram as tomadas da quadra. Tiraram a lâmpada de um quiosque que fica perto. Proibiram som. Começaram a expulsar os grupos. Os de passinho, que são de jovens da periferia, eram os mais visados. “Com essa concessão, não temos garantia nenhuma de como irão tratar os grupos. Como vai ser uma gestão privada, a gente não sabe quais serão as regras e qual vai ser nosso espaço de negociação como sociedade civil. Não sabemos o que vai ser imposto. As aulas vão poder ser mantidas? Os aniversários vão poder continuar? E os ensaios fotográficos?”, questiona Camila Mendes.</p>



<p>Socióloga, que já colaborou com o projeto de transparência Meu Recife, Camila era a outra frequentadora da Jaqueira que a Marco Zero entrevistou que sabia da concessão. “Um dia João Campos acordou e resolveu privatizar os parques. Não se preocupou em falar com ninguém”, reclama. </p>



<p>Apenas uma audiência pública foi marcada pela prefeitura do Recife para discutir a questão dos parques. Ela aconteceu no dia 29 de novembro, online, entre 10h e 12h, em um dia de semana. Mesmo com um horário e formato bem complicado, no meio de uma Copa do Mundo, houve uma enxurrada de questionamentos por parte da sociedade civil. O Secretário Executivo de Parcerias Estratégica Thiago Barros Ribeiro representou a prefeitura e não ofereceu muitas respostas.</p>



<p>Não haverá, segundo a prefeitura, outra audiência pública. A experiência como ativista leva Camila Mendes a afirmar que as audiências públicas não são utilizadas como espaços para realmente ouvir a população e incorporar as demandas aos editais. “É um processo de participação limitada. O falecido vereador Carlos Gueiros dizia muito: &#8216;Ouvir, a gente ouve. Mas não quer dizer que a gente vá fazer alguma coisa com isso&#8217;. Na audiência pública muitas vezes você vai, reclama, consta nos autos, mas o efeito é nulo. Ter audiência pública é importante, mas há outros mecanismos de escuta popular que deveriam ser feitos e não são”, afirma, dizendo que a prefeitura não procurou os grupos de dança do local.</p>



<p>A prefeitura claramente não se esforçou para informar os frequentadores sobre a concessão. Ainda que os gastos da prefeitura do Recife com publicidade sejam altos &#8211; no ano passado foi de mais de R$ 42 milhões &#8211; não há nada na Jaqueira que indique que o parque será concedido para a iniciativa privada por três décadas: nenhum cartaz, nenhuma faixa, <em>banner</em>, nada. Mesmo antes do dia 9 de dezembro, data limite para manifestação sobre a mudança, nenhuma campanha publicitária era vista no parque para que os frequentadores participassem com sugestões.</p>



<p>Em nota, a prefeitura também afirmou que a “Secretaria Executiva de Parcerias Estratégicas (SEPE) da Prefeitura do Recife, responsável pelo projeto de concessão de quatro parques públicos da cidade, informa que o diálogo com a população acontece de forma permanente, com o objetivo de alinhar a necessidade dos usuários com o edital apresentado.”</p>



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	                                        <p class="m-0">Moradora de Abreu e Lima, Jaqueline Ferreira levava a família pela primeira vez para a Jaqueira. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>A prefeitura também destaca a consulta popular que ficou aberta até o dia 9 de dezembro “na qual foram disponibilizados o edital completo, a minuta de contrato, documentos de referência, caderno de encargos e todo o material referente ao potencial de cada equipamento público e à estrutura econômico-financeira do projeto”. São centenas de páginas, algumas em excel. Não há, como foi apontado pela população na única audiência pública, um resumo de fácil e direto sobre o que vai mudar.</p>



<p>A Marco Zero questionou à prefeitura sobre como foi realizada a divulgação da consulta popular. A resposta, por nota, foi de que “a consulta pública foi publicada no Diário Oficial do Município, além dos sites da Prefeitura do Recife e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sdecti). A consulta também foi divulgada nas redes sociais da Prefeitura do Recife. Todo o material segue disponível em <a href="https://desenvolvimentoeconomico.recife.pe.gov.br/consulta-publica-parques-urbanos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://desenvolvimentoeconomico.recife.pe.gov.br/consulta-publica-parques-urbanos</a>.”</p>



<p>Sempre ativo para divulgar em primeira mão notícias positivas da prefeitura, o <a href="https://instagram.com/joaocampos?igshid=YmMyMTA2M2Y=" target="_blank" rel="noreferrer noopener">instagram do prefeito João Campos</a> passou em brancas nuvens pela consulta pública. Com 464 mil seguidores, o prefeito não fez nenhuma postagem no feed entre 5 de novembro e 9 de dezembro sobre o assunto, ainda que tenha publicado 107 posts neste período, tempo em que a população poderia ter enviado as sugestões para o edital de concessão.</p>



<p>O instagram da prefeitura, com 315 mil seguidores, menos do que o de João Campos, fez apenas um único post neste período, no dia 07 de novembro, afirmando que serão R$ 550 milhões investidos (sem citar que esse valor seria ao longo de três décadas), que vai haver “maior conservação dos parques” e que a população poderia opinar e oferecer sugestões até o dia nove de dezembro. Dos 229 comentários, a maioria esmagadora é de críticas às concessões. Nas respostas às críticas, a prefeitura convoca para a única audiência pública como um espaço para “dialogar” sobre a concessão.</p>



<p>É bom lembrar que as sugestões população são apenas para ajustar o edital. A concessão é um fato: o projeto de lei foi enviado pelo prefeito João Campos para a Câmara de Vereadores e aprovado em agosto do ano passado. O edital deve ser lançado já no começo de 2023. </p>



<p><strong><em>Confira a nota completa da prefeitura: </em></strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Nota sobre concessão do Parques da Jaqueira, da Macaxeira, de Dona Lindu e de Santana</p><p>A Secretaria Executiva de Parcerias Estratégicas (SEPE) da Prefeitura do Recife, responsável pelo projeto de concessão de quatro parques públicos da cidade, informa que o diálogo com a população acontece de forma permanente, com o objetivo de alinhar a necessidade dos usuários com o edital apresentado.</p><p>Assegurando o diálogo com a população, uma consulta pública foi aberta de 5 de novembro a 9 de dezembro, na qual foram disponibilizados o edital completo, a minuta de contrato, documentos de referência, caderno de encargos e todo o material referente ao potencial de cada equipamento público e à estrutura econômico-financeira do projeto. A consulta pública foi publicada no Diario Oficial do Município, além dos sites da Prefeitura do Recife e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sdecti). A consulta também foi divulgada nas redes sociais da Prefeitura do Recife. Todo o material segue disponível em https://desenvolvimentoeconomico.recife.pe.gov.br/consulta-publica-parques-urbanos.</p><p>Além disso, também foram realizadas reuniões com representantes dos parques e de grupos que utilizam os equipamentos, como times de corrida e de bicicross, além de professores das academias da cidade, por exemplo. Representantes da sociedade civil, como associação de bairros e lideranças comunitárias que utilizam os parques participaram dos encontros, assim como os representantes das secretarias municipais de esportes e de segurança. Todo o material apresentado nesses encontros subsidiou os estudos técnicos.</p><p>Outra possibilidade de tirar dúvidas e oferecer sugestões sobre os projetos foi uma audiência pública realizada em meio virtual no dia 29 de novembro, de 10h às 12h, por meio da plataforma Google Meet.</p></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/quem-frequenta-a-jaqueira-teme-elitizacao-do-parque-sob-controle-de-empresa-privada/">Quem frequenta a Jaqueira teme elitização do parque sob controle de empresa privada</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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