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	<title>Arquivos Polícia Civil - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 18 May 2026 17:18:04 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Polícia Civil - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Polícia Civil conclui que secretária da Mulher do Cabo forjou atentado a tiros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 16:49:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Polícia Civil de Pernambuco anunciou o surpreendente resultado da investigação sobre o suposto atentado a tiros sofrido pela secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho: Aline Melo forjou o crime com a ajuda do seu motorista e do pai deste, que teria sido o motoqueiro autor dos disparos. No dia 27 de março [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Polícia Civil de Pernambuco anunciou o surpreendente resultado da investigação sobre o suposto atentado a tiros sofrido pela secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho: Aline Melo forjou o crime com a ajuda do seu motorista e do pai deste, que teria sido o motoqueiro autor dos disparos.</p>



<p>No dia 27 de março deste ano, a secretária procurou a polícia para registrar ocorrência de tentativa de homicídio na qual ela seria a vítima. Segundo Aline Melo, o carro em que ela estava acompanhada do motorista foi interceptado na PE-28, estrada que dá acesso às praias de Enseada dos Corais e Gaibu, por dois homens em uma motocicleta que efetuaram os disparos – um dos tiros atingiu o banco de passageiros, a poucos centímetros da sua cabeça.</p>



<p>A delegada responsável pelo caso, Myrthor Freitas de Andrade, relatou em entrevista coletiva que a análise de imagens de várias câmeras de segurança cedidas por estabelecimentos comerciais revelou que a história era falsa. Segundo a policial, uma das câmeras registrou o momento em que “o carro em que estavam as duas vítimas parou na banqueta para se encontrar com uma moto com as características daquela que eles tinham informado no depoimento”.</p>



<p>A moto pertencia ao pai do motorista da secretária, que, inicialmente, negou que tinha passado pelo local, mas, depois, admitiu que tinha ido até lá para entregar um lote de canetas emagrecedoras ao filho e a Aline Melo. Só depois de ser confrontada com as imagens, a gestora pública “lembrou” da parada para encontrar o pai do seu motorista. Com isso, a versão do atentato foi desmontada.</p>



<p>De acordo com a delegada, todos foram indiciados. Aline Melo e seu motorista responderão por falsa comunicação de crime, enquanto que o motoqueiro, pai do motorista, foi indiciado por tentativa de homicídio, pois a perícia constatou que, realmente tiros foram disparados contra a picape.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/secretaria-da-mulher-do-cabo-de-santo-agostinho-sofre-atentado-a-tiros/" class="titulo">Secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho sofre atentado a tiros</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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			</item>
		<item>
		<title>A delegada, o coronel e os livros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2025 15:45:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Caruaru]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em que tipo de empreendimento um casal formado por uma delegada da Polícia Civil e um coronel da Polícia Militar decidiu investir depois que ela se aposentou e ele foi para a reserva? Se você não escolheu a última opção, preferindo as mais óbvias, lamento informar: você se precipitou. Na contramão dos estereótipos dos profissionais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em que tipo de empreendimento um casal formado por uma delegada da Polícia Civil e um coronel da Polícia Militar decidiu investir depois que ela se aposentou e ele foi para a reserva?</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Empresa de vigilância privada;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Clube de tiro;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Cursinho para jovens interessados em prestar concurso para a polícia;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Loja de armas;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Livraria especializada em literatura universal e autores de esquerda, com exposições de arte e debates sobre temas progressistas.</p>
            </div>
            </div>



<p>Se você não escolheu a última opção, preferindo as mais óbvias, lamento informar: você se precipitou.</p>



<p>Na contramão dos estereótipos dos profissionais de segurança e da realidade do mercado editorial brasileiro, a delegada Rita de Cássia Valença e o coronel Givanildo dos Santos apostaram no interesse dos caruaruenses em ler clássicos, literatura contemporânea e ensaios sobre a revolução proletária.</p>



<p>Sejamos sinceros, quem escolheu a opção “1” acertou parcialmente.</p>



<p>O coronel Givanildo é dono de uma empresa de “gerenciamento de riscos” que já funcionava no mesmo prédio em que a <a href="https://www.instagram.com/cultural_livraria_cafeteria">Livraria Cultural</a> foi instalada em maio deste ano. A decisão de abrir um estabelecimento que funcionasse como espaço cultural foi de Rita, recém-aposentada: “revisitei muito o meu passado, percebi que queria algo completamente diferente de lidar com violência e crime. Sempre que pensava em abrir uma empresa ou negócio, a primeira palavra que me vinha à mente eram os livros”.</p>



<p>Em dois pavimentos, o térreo e um mezanino, a loja do casal de policiais está longe de ser uma megalivraria como a falida Cultura do Paço Alfândega, principal referência de Rita de Cássia. Mesmo assim, tem dois pavimentos, o térreo e o mezanino o que, convenhamos, parece imensa para uma cidade como Caruaru.</p>



<p>Espalhadas pela loja, há homenagens a livreiros e produtores culturais, com destaque para Tarcísio Pereira, o criador da famosa Livro 7. “Não o conheci pessoalmente, mas admiramos muito o legado dele”, admite a delegada, que, na juventude, pensou em cursar Biblioteconomia antes de optar por Direito.</p>



<p>O mais surpreendente é o conteúdo de suas prateleiras. Logo na entrada, há um espaço dedicado a livros que tratam de revoluções populares: soviética, sandinista, zapatista, vietnamita, cubana ou a comuna de Paris.</p>



<p>Entre as estantes ou por trás do balcão da cafeteria, a proprietária circula com seu boné verde-oliva com bandeirinha de Cuba e estrela vermelha. “O livro ainda é uma das formas mais potentes de resistência, de educação e de cuidado com o outro. A livraria é o meu jeito de contribuir para um mundo mais consciente e sensível”, explica a delegada.</p>



<p>O posicionamento da esposa, expresso na decoração e no acervo para que nenhum cliente tenha dúvidas, não incomoda o coronel Givanildo, um oficial que já foi comandante do batalhão de policiamento de Caruaru. “Partilhamos com grande força o pensamento político social, e isso, tornou mais prazeroso realizar em conjunto a construção deste ambiente de livros”, resumiu Givanildo.</p>



<p>“Muitos colegas esperavam que eu abrisse um clube de tiro, mas fizemos um clube de livros”. Givanildo é bom em frases de efeito, como se confirmará mais adiante.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Vendas surpreendem</h2>



<p>E o público ainda compra livros? Em Caruaru não falta clientela, garante Givanildo. “Desde o início o movimento nos surpreende positivamente, não sei se é porque havia uma carência desse tipo de estabelecimento aqui na cidade, mas nosso resultado de vendas está ótimo, não temos do que reclamar”, explica o coronel da reserva e livreiro iniciante.</p>



<p>Segundo o casal, um dos trunfos do empreendimento é o modelo de negócios adotado. “Não é só uma livraria, é um espaço cultural, um ponto de encontro, um ambiente para pequenos eventos”, explica Rita de Cássia. Segundo ela, o desafio é manter o público interessado: “este é um trabalho permanente, as atividades precisam ser bem pensadas para que as pessoas sintam prazer em descobrir o quanto a leitura e o conhecimento podem ser fascinantes”.</p>



<p>Os livros que vão parar nas estantes são escolhidos sob critérios inegociáveis. Inflexíveis mesmo. “Nosso acervo é voltado à filosofia, história do mundo, história do Brasil, antropologia, psicologia e literatura”, explica a delegada, ressalvando que é preciso energia para conter as editoras que tentam empurrar apenas os gêneros que vendem milhões.</p>



<p>Bem humorado, seu marido faz a lista dos gêneros que, de jeito nenhum, são vendidos na Cultural: “não trabalhamos com livros de autoajuda, coach, pseudociência e dogmas religiosos!”</p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Brasil tem avanços no esclarecimento de homicídios, mas impunidade ainda é alta</title>
		<link>https://marcozero.org/brasil-tem-avancos-no-esclarecimento-de-homicidios-mas-impunidade-ainda-e-alta/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Nov 2024 16:44:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[homicidios]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Pública]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Instituto Sou da Paz publica anualmente um relatório que analisa o indicador nacional de esclarecimento de homicídios no Brasil. O relatório, baseado em dados coletados junto aos Ministérios Públicos e Tribunais de Justiça estaduais, avalia a proporção de homicídios dolosos que resultaram em denúncias pelo Ministério Público em cada unidade federativa, com foco em entender o problema da impunidade no país e promover políticas públicas de segurança mais eficazes. O relatório também explora o perfil das vítimas de homicídios esclarecidos, incluindo dados sobre raça/cor, idade e sexo, e analisa iniciativas para a criação de um indicador oficial de esclarecimento de homicídios no país.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Instituto Sou da Paz divulgou, nesta terça-feira (12), o relatório &#8220;Onde Mora a Impunidade?&#8221;, que analisa o esclarecimento de homicídios dolosos no Brasil entre 2015 e 2022. Em sua sétima edição, o documento define como &#8220;esclarecido&#8221; o homicídio em que pelo menos um autor foi denunciado pelo Ministério Público. O estudo revela um aumento no indicador nacional de esclarecimento de homicídios, que chegou a 39% em 2022, após uma queda registrada de 2019 (35%) a 2020 (32%), com uma retomada de crescimento em 2021 (37%).</p>



<p><a href="https://lp.soudapaz.org/onde-mora-a-impunidade" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Confira aqui o relatório completo</a></p>



<p>Apesar do avanço, o índice ainda está bem abaixo da média mundial, que é de 63%, e consideravelmente inferior ao de países europeus, que alcançam 92% de esclarecimento.</p>



<p>Para o relatório, 18 estados forneceram dados completos para o cálculo do indicador. Nove estados, incluindo Pernambuco, não puderam ter seus indicadores calculados devido a &#8220;dados incompletos, sem a data dos homicídios ou sem o preenchimento desse dado em ao menos 20% do total de registros&#8221;, segundo o Sou da Paz. Os dados para o cálculo do índice nacional são coletados junto aos Ministérios Públicos e Tribunais de Justiça dos estados.</p>



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	                                        <p class="m-0">Fonte: Instituto Sou da Paz
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A região Centro-Oeste se destaca com os melhores índices de esclarecimento, com destaque para o Distrito Federal (90%), Goiás (86%) e Mato Grosso do Sul (71%). Em contrapartida, a Bahia apresenta o pior desempenho do país, com apenas 15% dos homicídios ocorridos em 2022 esclarecidos.</p>



<p>O estudo reforça que o tempo é um fator crucial para o esclarecimento de homicídios, com a maioria das denúncias (cerca de 2/3) ocorrendo no mesmo ano do crime. </p>



<p>Outro ponto importante é a análise do perfil das vítimas. O Sou da Paz aponta que o esclarecimento de homicídios de vítimas do sexo feminino é superior à média nacional, possivelmente em decorrência da maior atenção dada aos feminicídios e às dinâmicas que os envolvem.</p>



<p>O relatório também identifica um apagão de dados sobre a raça/cor/etnia das vítimas na maioria dos estados, o que, segundo o instituto, impede a compreensão do impacto da desigualdade racial na resposta do sistema de justiça.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Desafios para a resolução dos homicídios no Brasil:</span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>● <strong>Impunidade persistente:</strong> Apesar da melhora, o indicador nacional ainda está abaixo da média mundial (63%) e muito aquém de países europeus, que chegam a 92% de esclarecimento.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● <strong>Desigualdade regional:</strong> A Bahia tem o pior desempenho do país, com apenas 15% de esclarecimento, evidenciando a disparidade regional na capacidade de resposta do estado.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● <strong>Inconsistência de dados:</strong> Nove estados não tiveram seus indicadores calculados em 2022 devido a dados incompletos, dificultando a análise e o acompanhamento da situação em todo o país.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● <strong>Apagão de dados sobre raça:</strong> A falta de informações sobre a raça das vítimas na maioria dos estados impede a compreensão do impacto da desigualdade racial na resposta do sistema de justiça.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>● <strong>Subnotificação de homicídios de autoria conhecida:</strong> A metodologia pode superestimar a capacidade investigativa ao considerar denúncias de homicídios com autoria já conhecida.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Eleição acontece em paz e Conselho de Moradores de Brasília Teimosa terá nova diretoria</title>
		<link>https://marcozero.org/eleicao-acontece-em-paz-e-conselho-de-moradores-de-brasilia-teimosa-tera-nova-diretoria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 May 2023 19:35:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Brasília Teimosa]]></category>
		<category><![CDATA[conselho de moradores]]></category>
		<category><![CDATA[fraude]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Civil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com 1.341 votos, a chapa de oposiçãovenceu as eleições para o Conselho de Moradores de Brasília Teimosa, derrotando Wilson Lapa, que estava à frente da entidade há 17 anos. Apesar da disputar ter se transformado em caso de polícia e de Justiça, contra todas as expectativas a votação, que ocorreu domingo, 30 de abril, foi [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com 1.341 votos, a chapa de oposiçãovenceu as eleições para o Conselho de Moradores de Brasília Teimosa, derrotando Wilson Lapa, que estava à frente da entidade há 17 anos. Apesar da disputar ter se transformado em caso de polícia e de Justiça, contra todas as expectativas a votação, que ocorreu domingo, 30 de abril, foi tranquila e sem intercorrências, de acordo com a comissão eleitoral.</p>



<p>As eleições aconteceram na Escola de Referência em Ensino Médio João Bezerra, das 8h às 17h. O resultado foi anunciado pela comissão eleitoral por volta das 23h. Apesar do voto ser opcional, ao todo 2.437 moradores participaram da votação, destes, 1.341 escolheram a Chapa 2, 1.051 votaram na Chapa 1, e 45 anularam seus votos. Com isso, os opositores reunidos do grupo Muda Brasília Teimosa, liderada por Ewerton Bibi e Aldinho, saiu vitoriosa. Porém, a data em que a nova diretoria assumirá os cargos ainda não está definida.</p>



<p>O resultado da votação foi encaminhado para a 31ª Vara Cível da Justiça de Pernambuco, que está fiscalizando todo o processo eleitoral. “O juiz pediu que o pleito fosse realizado e afirmou que depois resolveria qualquer pendência. Então, nós levamos as atas e todo o apurado das eleições para que fosse anexado ao processo e vamos aguardar a decisão do juiz”, afirmou Celeste Valença, membro da comissão eleitoral.</p>



<p>Além disso, membros do Conselho de Moradores de Brasília Teimosa aguardam a decisão dos policiais da Delegacia de Boa Viagem, que solicitou perícia nas atas de assembleias que foram apresentadas por Wilson Lapa, sob suspeita de fraude com assinaturas falsificadas.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/eleicao-do-conselho-de-moradores-de-brasilia-teimosa-vira-caso-de-policia-e-vai-parar-na-justica/" class="titulo">Eleição do Conselho de Moradores de Brasília Teimosa vira caso de polícia e vai parar na Justiça</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


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		<title>Quatro meses após ser chamado de ladrão, jovem negro tenta provar racismo na Riachuelo</title>
		<link>https://marcozero.org/quatro-meses-apos-ser-chamado-de-ladrao-jovem-negro-tenta-provar-racismo-na-riachuelo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Apr 2023 13:09:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Lojas Riachuelo]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[Projeto Oxé]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[racismo estrutural]]></category>
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<p>Quando esta matéria entrar no ar, na manhã desta segunda-feira, Hiago Gabriel do Monte Rodrigues irá à delegacia do Rio Doce a chamado da escrivã Camila, que telefonou para o jovem na manhã da última quinta-feira, dia 20, exatamente quando a equipe da MZ o entrevistava no shopping center Patteo Olinda. O telefonema da Polícia Civil era aguardado por Hiago desde dezembro, quando registrou boletim de ocorrência por ter sido chamado de ladrão e acusado de furto por uma segurança da loja Riachuelo do shopping.</p>



<p>Hiago é negro, tem 25 anos, desempregado, ganha a vida como trabalhando como motoboy para aplicativos enquanto não consegue um novo emprego como auxiliar de farmácia, sua profissão. Com este perfil, ele sabe o que é sofrer preconceito, mas nada tão explícito quanto o que viveu na noite de 16 de dezembro de 2022, uma sexta-feira às vésperas do Natal.</p>



<p>“Juntei um dinheiro e fui na Riachuelo comprar roupa de final de ano para minha esposa e minha filha, que tinha cinco meses na época”, recorda Hiago, que, ao entrar na loja carregando caixas de brindes que havia recebido no próprio shopping, pediu uma sacola para não ter de ficar segurando os objetos na mão. “Minha esposa já estava cansada de segurar nossa filha no colo, então saí da Riachuelo para tentar encontrar um desses carrinhos de bebê que o Patteo oferece”, conta o rapaz.</p>



<p>Hiago, no entanto, não chegou a dar cinco passos fora da loja. “Uma mulher da segurança da Riachuelo gritou no meio do corredor lotado ‘volte e devolva as coisas que você roubou’, entendi na mesma hora que era comigo, por isso voltei logo, mas veio outro segurança, um homem, e passaram a me tratar como ladrão na frente dos outros clientes”. Ele conta que, com muita raiva e vergonha ainda maior, esvaziou a sacola, pediu a presença da gerência.</p>



<p>Quando a esposa chegou junto com a bebê, os integrantes a equipe da Riachuelo perceberam o erro e começaram os pedidos de desculpas. “Minha esposa me ajudou a gravar um vídeo contando o que houve dentro da loja, mas os seguranças se esconderam. Na segunda-feira, fui na delegacia dar queixa”, explica. O boletim de ocorrência tem o título de “calúnia” e não há qualquer referência a racismo.</p>



<p>“Quando cheguei em casa, me acabei de chorar. Foi a maior vergonha da minha vida”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Polícia em silêncio</strong></h2>



<p>Ao prestar queixa, Hiago informou aos policiais que percebeu duas câmeras de segurança localizadas no teto, sobre a saída onde foi abordado. Em janeiro, voltou a procurar a delegacia na esperança de ver as imagens, mas foi informado pela escrivã que ele só teria acesso às gravações se viesse acompanhado de um advogado. “Procurei uma advogada, mas ela disse que cobra R$ 200 só para ir lá comigo. Não tenho esse dinheiro”, lamentou o motoboy. Ele acredita que o tratamento dado pela Polícia também é racista: “Se eu fosse branco e com dinheiro, já teria visto as imagens, a Polícia já teria se mexido para fazer alguma coisa”.</p>



<p>A Marco Zero procurou a assessoria de imprensa da Polícia Civil e recebeu uma resposta lacônica, mas que revela como o caso vinha sendo tratado: “A Polícia Civil de Pernambuco, por meio da Delegacia de Rio Doce, informa que as devidas providências com relação ao caso estão sendo tomadas. Mais informações não podem ser repassadas no momento”.</p>



<p>Esses foram os questionamentos feitos pela equipe de reportagem: “1) quais as providências tomadas pela Delegacia Rio Doce após o registro da ocorrência? Algum inquérito foi instaurado? Se sim, quais os depoimentos tomados? 2) Por qual razão a vítima não teve acesso às imagens das câmeras de segurança da loja? O procedimento de só permitir acesso às imagens com advogado tem previsão legal? Se sim, qual é a legislação que impõe essa condição?”. Nem mesmo a pergunta sobre a restrição de acesso às imagens, se é que elas foram solicitadas, mereceu resposta.</p>



<p>Lembra do telefonema recebido por Hiago com o convite para ir hoje à delegacia? Ele só ocorreu dois dias depois que a MZ enviou essas perguntas sobre o caso. Por via das dúvidas, o rapaz foi à delegacia acompanhado de uma advogada do Projeto Oxé, uma parceria entre a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, o Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) e a Articulação Negra de Pernambuco (Anepe) para oferecer assessoria jurídica e atendimento psicológico para vítimas de racismo.</p>



<p>A Riachuelo foi contactada pela MZ e respondeu por meio do seu perfil oficial no Instagram, mas limitou-se a solicitar mais informações sobre o caso em mensagem privada. Os dados foram repassados, incluindo número do boletim de ocorrência, mas não houve nova resposta.</p>



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		<title>&#8220;Por que tanta injustiça? Por que eu sou negro e pobre?&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/por-que-tanta-injustica-por-que-eu-sou-negro-e-pobre/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jun 2022 00:07:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[André Arcanjo]]></category>
		<category><![CDATA[areias]]></category>
		<category><![CDATA[inocente]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Civil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Seis meses, 24 dias, 17 horas e 43 minutos. André Arcanjo tem na ponta da língua o tempo que passou preso após ser indiciado pela Polícia Civil de Pernambuco pela participação num latrocínio que ele assegura não ter qualquer envolvimento. “Eu só quero que a verdade prevaleça. Porque eu perdi muita coisa. Ganhei muitos amigos [&#8230;]</p>
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<p>Seis meses, 24 dias, 17 horas e 43 minutos. André Arcanjo tem na ponta da língua o tempo que passou preso após ser indiciado pela Polícia Civil de Pernambuco pela participação num latrocínio que ele assegura não ter qualquer envolvimento. “Eu só quero que a verdade prevaleça. Porque eu perdi muita coisa. Ganhei muitos amigos que eu nem imaginava e também perdi. Perdi tempo, perdi um pedaço muito valioso na minha vida”, lamenta. </p>



<p>A vítima foi um vizinho idoso a quem André, órfão de pai vivo, ajudava nos cuidados com a esposa acamada e com quem desenvolveu uma relação paternal que já durava 20 anos. Auxiliar de farmácia, agora desempregado, André é um homem negro, de 41 anos, morador do bairro de Areias, na zona oeste do Recife. Na ocasião do crime, ele estava no lugar certo, mas na hora errada.</p>



<p>“Estar lá dentro, pagando por algo que você não cometeu é terrível. A todo momento, eu me perguntava o porquê disso, o porquê de tanta injustiça. Por que eu sou negro? Por que eu sou pobre? Por quê?”, questionou. “Eu fui preso sem saber o porquê. Chegando no Cotel (Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna), quando a gente entrou ali naquele presídio, meu mundo acabou. Todas as esperanças ali acabaram. Eu disse ‘meu Deus, o que é que está acontecendo?’”, lembrou André.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> <a href="https://marcozero.org/mae-e-amigos-lutam-para-provar-que-homem-negro-esta-preso-injustamente-por-latrocinio-no-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">começou a acompanhar a história dele</a> em outubro de 2021 e, neste mês, entrevistou-o pessoalmente, já em casa, junto com a mãe, Maria do Carmo, de 62 anos, aposentada. André contou detalhes do dia do crime e também dos dias de desespero no Cotel. Depois de um habeas corpus inicialmente negado, ele e os outros dois acusados receberam<a href="https://www.instagram.com/p/Cc89QLask6I/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> alvará de soltura</a> no final de abril. Nesta quinta-feira, 2 de junho, acontecerá a segunda audiência de instrução no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).</p>





<p>Na <a href="https://www.instagram.com/p/CclkMU3r8QW/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">primeira audiência de instrução</a>, em 19 de abril, de acordo com a defesa, nenhuma das quatro testemunhas ouvidas &#8211; consideradas peças-chave da acusação &#8211; apontou qualquer envolvimento de André no crime de latrocínio. Pelo contrário, testemunhas na verdade apontaram que ele é uma pessoa de confiança e evidenciaram sua relação de longa data com a vítima. Uma delas até desmentiu a versão do inquérito da Polícia Civil de que André teria facilitado a entrada dos bandidos na casa onde aconteceu o crime.</p>



<p>A defesa de André defende, desde o início, que ele foi <a href="https://marcozero.org/apos-seis-meses-preso-andre-arcanjo-sera-julgado-por-um-crime-que-assegura-nao-ter-cometido/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">indiciado mesmo sem provas consistentes</a>. A única prova contra ele é um vídeo de uma câmera de segurança da vizinhança que mostra André e um colega entrando na casa da vítima, Edvaldo Oliveira Carvalho, de 71 anos, conhecido como seu Valdo. À reportagem, André contou que foi convidado, como de costume, para ir à casa do idoso. Era julho de 2021. Depois que entrou e o colega estava fechando um dos portões de acesso, os dois foram surpreendidos por dois homens que saíram de um carro HB20 estacionado próximo e, já dentro do imóvel, armados, anunciaram o assalto.</p>



<p>“Eles levaram a gente lá para atrás (da casa). Renderam eu, meu colega e um prestador de serviço que estava trabalhando para Valdo e botaram a gente perto de um quarto, onde Valdo guardava as coisinhas dele. Então começou aquele momento de tortura, em que eles diziam ‘Encontrei vocês, eu quero dinheiro, eu quero o cofre, cadê o cofre?’”, relembra. “Eu enrolei dizendo &#8216;Não tem cofre não, leve o que você quiser, pelo amor de Deus’, apanhando muito também. A todo momento, eles diziam que iam atirar na gente, que iam atirar nas nossas cabeças.”</p>



<p>André conta que, a partir daí, começaram a ouvir seu Valdo pedindo que não mexessem na esposa dele. Depois, André e o colega escutaram dois tiros. O colega se levantou, saiu correndo para ver o que tinha acontecido e constatou que Seu Valdo tinha sido baleado. Os bandidos fugiram. A primeira reação de André foi ligar para o Samu, que demorou bastante para chegar. Com orientação de um médico ao telefone, ele fez massagem cardíaca na tentativa de reanimar Valdo, mas o senhor não resistiu. Quando a ambulância chegou, já estava sem vida.</p>



<p>André permaneceu no local até a chegada do Instituto de Medicina Legal (IML). Depois, para cooperar com a polícia, ele e os outros dois homens presentes na casa no momento do crime foram, de livre e espontânea vontade, à delegacia, sem advogados, para prestar depoimento e até forneceu o próprio celular na ideia de contribuir com as investigações. Três meses depois do fato, o susto: de testemunha, ele passou a réu.</p>



<p>A história dele mobilizou amigos, familiares e a igreja evangélica da qual André faz parte, a Igreja Mangue, que conseguiu um advogado e assim o caso ganhou repercussão nas redes sociais e na imprensa. O <a href="https://www.change.org/p/tjpe-oficial-mppe-noticias-liberte-andr%C3%A9-arcanjo-justi%C3%A7aporandr%C3%A9arcanjo-liberdadeparaandr%C3%A9arcanjo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">abaixo-assinado</a> pedindo a soltura dele ultrapassou 13 mil assinaturas. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem atualmente quase 920 mil pessoas privadas de liberdade no Brasil. Desse total, cerca de 413 mil são presos provisórios (ainda sem condenação, aguardando julgamento), entre homens e mulheres, isto é, quase 45% do total.</p>



<p>André agora está em busca de um novo trabalho e vivendo uma nova rotina, com medo de sair no bairro, apesar do apoio dos vizinhos. Enquanto a reportagem fazia essa entrevista, alguns moradores acenaram para ele no portão demonstrando apoio.</p>



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	                                        <p class="m-0">André Arcanjo em casa com a mãe, Maria do Carmo. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>“O que passou na minha cabeça foi desespero quando meu outro filho ligou e disse ‘Mainha, André foi preso’. Eu não associava André, prisão… Não tinha como aceitar isso. Eu me desesperei, fiquei sem chão. Eu não tinha mais nenhuma perspectiva, meu filho está preso, está entregue às autoridades, pagando pelo crime que não cometeu. Por quê?”, lembra a mãe de André, dona Carminha. “Porque eu tenho dois filhos, eu criei com uma formação como um menino pobre, de bairro pobre mesmo sendo negro, mas eu criei dois filhos com personalidade”, afirma lembrando da relação paternal que André tinha com seu Valdo.</p>



<p>“Eu dizia ‘Meu Deus, meu filho só fez o bem’. Valdo vinha aqui uma hora, duas horas da madrugada, chamava André às pressas, no meio do desespero. André ia. Não sabia dar o ‘não’. E eu questionava com Deus, ‘Deus, ele só ajudou e agora meu filho está preso?’.”</p>



<p>Os planos de André agora são aguardar que o julgamento prove a sua inocência e conseguir um novo emprego. “Acredito que, por eu ser pobre e negro, eu possa ser confundido com um marginal. Isso é fato, é visível. E essa injustiça tem que acabar, tem que dar um basta nisso. Não é porque você é preto, pobre, está com uma sandália um pouco mais desgastada que você é um marginal, perigoso. O mundo só vai vencer quando a gente começar a lutar para valer”, finalizou a entrevista.</p>



<p><em><strong>As imagens desta reportagem foram produzidas com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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<p></p>
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		<title>Após Justiça decretar prisão preventiva, mãe de Arcanjo reafirma inocência do filho</title>
		<link>https://marcozero.org/apos-justica-decretar-prisao-preventiva-mae-de-arcanjo-reafirma-inocencia-do-filho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 20:00:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[areias]]></category>
		<category><![CDATA[latrocínio]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O auxiliar de farmácia André Arcanjo, de 41 anos, está preso há mais de 30 dias por um crime de latrocínio que ele assegura não ter cometido. Agora a Justiça converteu sua prisão em preventiva, após acatar denúncia oferecida pelo Ministério Público. As imagens de um vídeo em que André aparece entrando na casa da [&#8230;]</p>
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<p>O auxiliar de farmácia André Arcanjo, de 41 anos, está preso há mais de 30 dias por um crime de latrocínio que <a href="https://marcozero.org/mae-e-amigos-lutam-para-provar-que-homem-negro-esta-preso-injustamente-por-latrocinio-no-recife/">ele assegura não ter cometido</a>. Agora a Justiça converteu sua prisão em preventiva, após acatar denúncia oferecida pelo Ministério Público. </p>



<p>As imagens de um vídeo em que André aparece entrando na casa da vítima, um vizinho idoso que ele costumava ajudar no bairro de Areias, onde ambos moravam, são a única prova apresentada pelo delegado responsável pelo caso, Vitor Meira Toscano Pereira, da 4ª Delegacia de Polícia de Homicídios do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A Polícia Civil não comenta inquéritos já concluídos e agora o processo corre em sigilo.</p>



<p>“Meu filho está em estado de choque. E eu também. Infelizmente, a prisão que era temporária passou para preventiva”, avisou, chorando, a mãe de André, Maria do Carmo Arcanjo, de 62 anos, aposentada. “Isso não é justo, um inocente pagando por uma coisa que não cometeu. Você não sabe como está o coração de uma mãe”, disse. “Meu coração está dilacerado, eu não sei quando meu filho vai sair dali. Meu filho é um trabalhador, com residência fixa, um menino de igreja”, clamou Maria do Carmo.</p>



<p>De testemunha, André passou a réu. Mesmo tendo colaborado com as investigações, indo até a delegacia prestar depoimento por livre e espontânea vontade, sem advogado, e cedendo o próprio celular. As imagens do vídeo, capturadas por uma câmara da vizinhança, também mostram os dois principais suspeitos do crime saindo de um carro estacionado na rua e entrando no imóvel, aproveitando a porta aberta.</p>





<p>A vítima foi Edvaldo Oliveira Carvalho, de 71 anos, conhecido na comunidade como “Seu Valdo”. André tinha com ele uma relação de amizade e solidariedade há mais de 20 anos, ajudando-o nas tarefas de cuidado e higiene da agora viúva, que sofre de Mal de Alzheimer. Por ser auxiliar de farmácia e trabalhar em unidades de saúde, ajudava até mesmo a dar banho na mulher. Como agradecimento, Seu Valdo sempre convidava André para almoçar ou tomar um café.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mae-e-amigos-lutam-para-provar-que-homem-negro-esta-preso-injustamente-por-latrocinio-no-recife/" class="titulo">Mãe e amigos lutam para provar que homem negro está preso injustamente por latrocínio no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/raca/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Raça</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A defesa de André já entrou com um novo pedido de liberdade, dessa vez com um habeas corpus.</p>



<p>A <a href="https://www.change.org/p/judici%C3%A1rio-do-estado-de-pernambuco-ajude-a-libertar-andr%C3%A9-arcanjo-justi%C3%A7aporandr%C3%A9arcanjo/u/29803310?cs_tk=AgrPmfRQ1K9fSTUfjWEAAXicyyvNyQEABF8BvF9gsxvQ2ww4-ahYKyaVlBk%3D&amp;utm_campaign=8a89d1059c02438aa16bf4f66b7a8f73&amp;utm_content=initial_v0_5_0&amp;utm_medium=email&amp;utm_source=petition_update&amp;utm_term=cs" target="_blank" rel="noreferrer noopener">campanha</a> na internet para pressionar pela retirada de André do Centro de Observação Criminológica e Triagem Prof. Everardo Luna (Cotel), onde ele está preso desde o início de outubro, já recolheu mais de 11 mil assinaturas. Nesta sexta-feira, 5 de novembro, às 14h, acontece um tuitaço com as hashtags #JustiçaPorAndréArcanjo e #LiberdadeParaAndréArcanjo.</p>



<p>O movimento está sendo puxado por parentes, amigos, companheiros de igreja e colegas de trabalho. Todos negam as acusações e se dizem estarrecidos com a situação vivida por André.</p>



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		<title>Coletivo Pão e Tinta denuncia agressão e ameaças de policiais a artista que filmou abordagem violenta no Pina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jul 2021 10:30:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[abordagem violenta]]></category>
		<category><![CDATA[pina]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Coletivo Pão e Tinta, grupo de graffiti que atua no bairro do Pina há dez anos, irá apresentar uma denúncia formal nas comissões de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) por ameaça e agressão contra uma equipe da Polícia Civil. Na segunda-feira, 12 de julho, [&#8230;]</p>
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<p>O Coletivo Pão e Tinta, grupo de graffiti que atua no bairro do Pina há dez anos, irá apresentar uma denúncia formal nas comissões de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) por ameaça e agressão contra uma equipe da Polícia Civil. Na segunda-feira, 12 de julho, dois policiais ainda não identificados agrediram com coronhadas e invadiram a casa do grafiteiro, artista plástico e leiloeiro Shell Osmo para tentar tomar seu celular.</p>



<p>Pouco antes, Shell estava almoçando com sua família quando escutou gritos vindos da avenida Encanta Moça, na comunidade do Bode. Ao sair para ver do que se tratava, presenciou uma equipe de policiais civis fazendo abordando três rapazes, moradores do bairro, com tapas e socos. “Saquei o celular já no final da abordagem. Comecei a filmar porque podia acontecer mais alguma coisa, um deles percebeu que estava filmando e veio em minha direção, deu a ‘botada’ no celular, mas eu me protegi e entrei na casa dos meus pais”, contou o artista plástico.</p>



<p>De acordo com o artista, nesse momento os policiais invadiram o estreito corredor no terreno particular que separa as duas casas da sua família. Com as pistolas em punho, correram atrás do artista e o atingiram com coronhadas nas costas e braços para fazê-lo parar e entregar o celular. Isso tudo no terreno da sua residência.</p>



<p>Na porta da sala, esmurraram suas costas na frente de duas crianças, o filho e a sobrinha do grafiteiro. Eles ainda tentaram entrar na casa com objetivo de recolher o celular, mas a resistência dos pais de Shell fez a dupla recuar. “Antes de ir, ameaçaram avisando que saberiam onde me encontrar e que aquela confusão iria ter um preço”, contou Shell.</p>



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	                                        <p class="m-0">Shell Osmo é um dos principais nomes da street art no Nordeste (Crédito: Instagram/Shell Osmo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A Polícia Civil informou que não seria possível identificar os policiais responsáveis pela abordagem sem o registro de boletim de ocorrência por parte da vítima.</p>



<p>O Coletivo Pão e Tinta decidiu tornar pública as ameaças sofridas por Shell para que a visibilidade ajudasse a protegê-lo. Inicialmente, postaram fotos e relatos do que aconteceu no instagram. Enquanto isso, a advogada Jessica Jansen finalizava a documentação a ser entregue à Alepe e OAB. “A ideia é que as comissões de Direitos Humanos acionem a Corregedoria da Polícia Civil”, explicou a advogada.</p>



<p>Jessica Jansen lembrou que Shell passou o domingo trabalhando no leilão do Coletivo, que arrecadou recursos para os artistas visuais do bairro. Além de leiloeiro, ele é o autor de dezenas de painéis espalhados pela cidade, principalmente pela Zona Sul. Seus traços e as cores intensas que usa são conhecidos por quem circula pelo Recife.</p>



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		<title>Hackeando o Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/hackeando-o-brasil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2015 01:53:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vazamento do WikiLeaks detalha investidas da empresa italiana Hacking Team para vender software espião a polícias de todo o país, de olho nas Olimpíadas. A PF teria começado a usar o produto em maio deste ano Por Natalia Viana Da Agência Pública A notícia de que a empresa Hacking Team teve seus e-mails hackeados em [&#8230;]</p>
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				<em>Vazamento do WikiLeaks detalha investidas da empresa italiana Hacking Team para vender software espião a polícias de todo o país, de olho nas Olimpíadas. A PF teria começado a usar o produto em maio deste ano</em>

Por <a href="http://apublica.org/autor/natalia-viana/" rel="tag">Natalia Viana</a>
Da <a href="http://apublica.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agência Pública</a>

A notícia de que a empresa Hacking Team teve seus e-mails hackeados em junho foi um choque para o mercado da vigilância digital. Normalmente acostumada a espionar e-mails alheios, a companhia viu suas comunicações internas vazarem a conta-gotas na internet. Em 8 de julho, o WikiLeaks publicou nada menos que 1 milhão de e-mails, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/">organizados em um banco de dados</a> que pode ser explorado através de buscas por palavras-chave.

Os documentos mostram como a empresa – que vende somente para governos e tem entre seus clientes desde o FBI e o exército americano até regimes que reprimem e perseguem oposicionistas como Marrocos, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein e Azerbaijão – atua para fazer lobby e conquistar novos clientes. No Brasil, a Hacking Team tem atuado fortemente junto à Polícia Federal, o Exército e diversas polícias estaduais desde 2011. Por outro lado, diversas forças policiais brasileiras procuraram os italianos em busca dos seus produtos.

Em maio deste ano, através de um contrato com a representante nacional YasniTech, um dos polêmicos softwares de espionagem da Hacking Team foi usado para uma investigação da PF, em um projeto piloto de três meses, segundo os e-mails.
<h3><strong>Controle de celulares e computadores</strong></h3>
O negócio da Hacking Team é desenvolver maneiras de “infectar” diferentes aparelhos digitais para permitir seu monitoramento ao vivo, 24 horas por dia, a chamada “tecnologia de segurança ofensiva” – ou espionagem digital. Seus equipamentos permitem às polícias realizar vigilância seletiva e também vigilância massiva, em milhares de celulares e computadores ao mesmo tempo.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/Foto_monitoring-and-loggingP.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-965" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/Foto_monitoring-and-loggingP.jpg" alt="Foto_monitoring-and-loggingP" width="750" height="500" /></a>

Seu principal produto é o Sistema de Controle Remoto “Da Vinci”, que permite invadir e controlar uma máquina, driblando as comunicações criptografadas, além de espionar Skype e comunicações por chat. Segundo a empresa, o Da Vinci pode ligar remotamente microfones e câmeras de computadores e celulares e depois gravar todo o conteúdo. E, mesmo com o computador desconectado da internet, pode acessar históricos, conversas, fotos e deletar ou modificar arquivos. Para a “infecção” a Hacking Team usava, <a href="http://g1.globo.com/tecnologia/blog/seguranca-digital/assunto/virus/1.html">por exemplo</a>, uma brecha no programa Flash, criando páginas na internet web que instalavam automaticamente o software através do programa. “É uma tecnologia de segurança ofensiva. É um <em>spyware</em>. É um cavalo de Troia. É um grampo. É uma ferramenta de monitoramento. É uma ferramenta de ataque. É uma ferramenta para controlar os pontos finais, ou seja, os PCs”, diz a Hacking Team <a href="https://www.wikileaks.org/spyfiles/files/0/31_200810-ISS-PRG-HACKINGTEAM.pdf">em uma propaganda</a> feita para seus clientes.

Em 2013, a organização Repórteres sem Fronteiras colocou a empresa na lista dos <a href="http://surveillance.rsf.org/en/hacking-team/">inimigos da internet</a>. “Crescentemente o uso de censura cibernética e a vigilância cibernética estão ameaçando o modelo de internet idealizado pelos seus fundadores: a internet como um lugar de liberdade, um lugar para a troca de informações, conteúdo e opiniões, um lugar que transcende fronteiras”, disse a organização na ocasião.

O software é vendido sob uma licença para o “usuário final” durante determinado tempo, com um contrato de confidencialidade. Segundo <a href="http://www.spiegel.de/netzwelt/netzpolitik/eric-rabe-vom-hacking-team-trifft-auf-den-aktivisten-jacob-appelbaum-a-886744.html">reportagem</a> da revista alemã <em>Der Spiegel</em>, o porta-voz da Hacking Team afirmou durante um debate que a empresa pode compreender “até certo limite” o que os clientes fazem com seu software, já que o programa mantém contato “constante e não especificado” com seus criadores. Após o vazamento, a segurança dos produtos da Hacking Team tem sido ainda mais questionada.
<h3><strong><em>Roadshow</em></strong><strong> no Brasil</strong></h3>
“Os produtos de nossos competidores só conseguem gerenciar algumas dezenas de alvos ao mesmo tempo”, explicou o gerente de vendas da Hacking Team, Marco Bettini, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/446795">em um email</a> de outubro de 2012. “Já com o Da Vinci você pode aumentar para centenas de milhares de aparelhos monitorados apenas adicionando hardware.” No mesmo e-mail, ele diz ainda que “dentre as instalações que temos atualmente no mundo todo, mais de três têm aproximadamente dois mil aparelhos monitorados cada”.

O e-mail de Bettini foi enviado em resposta ao então representante brasileiro Gualter Tavares Neto, ex-secretário adjunto de Transporte do Distrito Federal (DF) e sua empresa DefenceTech, a primeira a trazer a tecnologia da Hacking Team ao Brasil, em 2011.

No final de 2012, Gualter Tavares organizou um verdadeiro <em>roadshow</em> dos produtos entre polícias e militares brasileiros. Para isso, dois membros da Hacking Team vieram ao Brasil, o gerente de contas Massimiliano Luppi e o engenheiro de sistemas Alessandro Scarafile.

<a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/446723">Foram feitas exibições</a> de uso dos produtos para o Comando da Aeronáutica no dia 27 de novembro, com a presença do chefe de inteligência; no dia 28, às 2 da madrugada, a equipe esteve na sede do Departamento de Inteligência da Polícia Civil do Distrito Federal, com presença de toda a equipe; no mesmo dia, às 17h30, fizeram uma demonstração na sede do Departamento de Polícia Federal, em Brasília. Estiveram também na sede do Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército Brasileiro (CCOMGEX) no dia 29. O grupo foi ainda recebido na sede da Abin no dia 30 de novembro às 8h30.

Em meados do ano seguinte, Gualter organizou mais uma rodada de reuniões pessoais em Brasília, inclusive com a Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo os e-mails. “Ontem nós recebemos um pedido do Sr. Marcelo Beltrão Caiado (chefe da Divisão da Segurança da Informação da Procuradoria-Geral da República – PGR) requisitando que a reunião seja no dia 25 de julho entre as 14 e as 17 horas. Embora haja agora uma discussão sobre os poderes do Procurador-Geral para investigações. Apesar desse debate, o procurador segue investigando e nós acreditamos que o debate vai acabar fortalecendo a PGR”, diz Gualter <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/446721">em e-mail</a> no dia 19 de junho de 2013. Na mesma visita, Massimiliano esteve com a Polícia Civil do Distrito Federal, após intervenção junto ao gabinete do governador, diz outro <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/446943">e-mail</a>.

Nas correspondências, o brasileiro mostrava preocupação em convencer as polícias nacionais sobre a superioridade da Hacking Team contra concorrentes, como os softwares espiões da empresa israelense Elbit Systems e o Finfisher, do britânico Gamma Group, também conhecido e apreciado pelos potenciais clientes.

As negociações, no entanto, avançaram pouco. No ano seguinte, a Hacking Team ainda não havia concretizado nenhuma venda. “Durante todo esse tempo, nós tivemos a chance de estar em Brasília diversas vezes e fizemos algumas demonstrações”, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/7226">escreveu Massimiliano Luppi</a> no final de fevereiro de 2014. Ele afirma ter feito mais de três demonstrações à PF, mais de três à Polícia Civil do Distrito Federal, além do Exército, a PGR e a Abin. “Depois das ‘demos’, não houve nenhum <em>follow-up</em>”, reclama. Em especial, lhe desagradava o sobrepreço do “parceiro” brasileiro na negociação com a PF: “Eles vieram com um preço extremamente alto se comparado com o nosso orçamento para eles”. Enquanto a Hacking Team teria pedido 700 mil euros, a DefenseTech teria enviado um orçamento de “mais de 1,5 milhão [de euros] para o usuário final”.

Assim, Luppi decidiu cortar o intermediário e negociou diretamente com o Centro de Instrução de Guerra Eletrônica (CIGE) uma visita no dia 19 daquele mês, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/439472">comunicando-se</a> com o capitão instrutor Flávio Augusto Coelho Regueira Costa.

Procurada pela reportagem da <strong>Pública</strong>, a assessoria do Comando do Exército reconheceu ter feito contatos com a Hacking Team para avaliar os produtos da empresa, mas disse que não houve aquisição. “A prospecção de ferramentas que permitem a realização de testes de penetração em sistemas de informática é um fato cotidiano que é realizado para manter o CIGE atualizado e identificar novas ferramentas que possam simular para seus alunos o ambiente real de ataques que ocorrem nos sistemas informacionais”, disse o CIGE por meio de nota.
<h3><strong>Sem legislação</strong></h3>
A partir de 2014, outro representante brasileiro, Luca Gabrielli, da empresa 9isp (e, posteriormente, da YasniTech), assume as negociações com as polícias brasileiras, com um <em>approach</em> bastante diferenciado, como detalha um <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/440433">e-mail </a>em italiano, de 28 de maio de 2014. A nova estratégia de entrada no mercado brasileiro foi traçada com a colaboração do advogado Antenor Madruga, ex-secretário Nacional de Justiça e ex-diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional.

“Não há nenhuma legislação específica para o uso de um produto como esse e/ou uma doutrina legal clara. Por isso, temos que construir uma estratégia de vendas para impedir a venda antes de queimar o produto (isso inclui todos os atores: políticos – nossos apoiadores –, jornalísticos, comerciais etc.).” Luca Gabrielli sugere ter cuidados com órgãos que poderiam fazer uso ilegal do software, como as polícias civis do Rio de Janeiro e do Amazonas. “Todo mundo concorda que o produto será bem-sucedido, mas vendê-lo antes das eleições em outubro é um risco alto, com grande probabilidade de abusos.” A consequência, explica ele, é que como intermediária sua empresa poderia ser corresponsabilizada nesse caso. “Precisamos realmente construir uma estratégia de comercialização completa, sabendo que, como provavelmente acontecerá no Brasil, pode haver tanto uso impróprio quanto uma publicação em algum jornal.”

A solução, para ele, era identificar um primeiro cliente “que não impacte negativamente a opinião pública” – a Polícia Federal.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/Yasnitech-600x270.png"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-966" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/Yasnitech-600x270.png" alt="Yasnitech-600x270" width="600" height="270" /></a>
<h3><strong>Abrindo as portas na Polícia Federal </strong></h3>
O novo intermediário promoveu, em novembro de 2014, uma nova visita dos italianos ao Brasil. Os detalhes são discutidos ao longo de vários <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/440130">e-mails</a>. Primeira parada: Polícia Civil de São Paulo, onde Luca realizou, ao lado do técnico Eduardo Pardo, uma “demo” no departamento de inteligência (Dipol). Entusiasmados, os chefes da Polícia Civil agendaram duas demonstrações no dia seguinte, no Departamento de Narcóticos (Denarc) e no Departamento de Investigações Criminais (Deic).

Na mesma viagem ao Brasil, a Hacking Team <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/7305">fez apresentações</a> para o Departamento de Inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro (Cinpol), o Ministério Público fluminense e o cliente preferencial, a PF, cuja sede foi visitada nos dias 20 e 21 de novembro. Finalmente, os esforços valeram a pena.

Para utilizar o produto, a equipe da PF obteve a necessária autorização judicial – foi a primeira vez no Brasil, segundo os e-mails.

As comunicações mais recentes revelam que, no final de <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/1102033">maio</a> deste ano, a equipe da Hacking Team esteve em Brasília treinando delegados da PF para usarem não apenas o software, mas “engenharia social”, um método de investigação que inclui a manipulação de pessoas para conseguir acesso a informações confidenciais, em busca de conhecer melhor os “alvos” a serem infectados. Mostram, ainda, que a equipe do Hacking Team teve amplo acesso à investigação, treinando, opinando e orientando os delegados brasileiros – desde o técnico enviado ao Brasil até o CEO e fundador, David Vincenzetti. O custo do contrato, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/7014">segundo e-mail</a> de Luca Gabrielli (a esta altura ele já respondia em nome da empresa YasniTech), foi de R$ 25 mil por mês, durante três meses.

“Na segunda-feira [18 de maio] começamos o projeto conforme o plano com o cliente [PF]. Em 3 meses teremos IMPRESSIONADO o cliente que aceitou ser uma referência para nós. Nós fechamos o acordo para [fornecer o software a] 100 agentes que eles têm a proposta e todos nós finalmente celebramos bebendo MUITA caipirinha ou vinho – você escolhe. Nós seguimos adiante com a PC-SP [polícia civil de São Paulo] baseada na referência da PF (estou esperando esse começo para buscar ativamente a PC-SP que está esperando uma referência)”, explica Gabrielli no e-mail.

O passo seguinte leva em conta as Olimpíadas, a serem realizadas em 2016 no Rio “Nós vamos tentar tornar essa solução um padrão no Brasil via SESGE”, escreve, referindo-se à Secretaria Especial de Segurança para Grandes Eventos, ligada ao Ministério da Justiça.
<h3><strong>Olimpíadas vigiadas </strong></h3>
Levado pelas mãos do delegado da PF, o representante da Hacking Team <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/6963">manteve conversas</a> com membros da Secretaria desde o começo deste ano. “Nós (eu e Hugo) discutimos com o Secretário Especial da SESGE uma implantação global no país para auxiliar na segurança dos Jogos Olímpicos; as licenças, então, seriam doadas para a PF em vários estados. Eu fiz uma apresentação para o departamento de inteligência da SESGE, que quer uma demonstração durante o piloto [da PF]. Nesta fase, há a possibilidade de expansão para até 1000 agentes em todo o país (a SESGE confirmou a disponibilidade de orçamento mas apenas se executada em agosto/setembro de 2015). Tudo depende do sucesso do projeto-piloto.”

Não foi a primeira vez que a SESGE demonstrou interesse nos softwares espiões. Pouco depois da Copa do Mundo, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/239414">no dia 4 de setembro de 2014</a>, o coordenador-geral de Contrainteligência da secretaria, Rogerio Giampaoli, escreveu para o gerente de vendas da Hacking Team, Alex Velasco: “Prezado Senhor Alex, Gostaríamos de conhecer um pouco mais sobre a ferramenta GALILEO de vossa empresa, tais como funcionalidade e operacionalidade. Teriam algum representante no Brasil?”. Um ano antes Alex Velasco já tinha feito sucesso na maior feira de venda de equipamentos para inteligência e vigilância do mundo, a ISS World, que ocorrera em Washington de 25 a 27 de setembro de 2013. Ali, um agente do Departamento de Estado americano o procurou para falar da necessidade de vigilância nas Olimpíadas. “O Brasil quer um sistema para a Copa do Mundo da FIFA e as Olimpíadas. Eles vão trabalhar junto com o Departamento de Estado dos EUA para conseguir financiamento. É do interesse dos EUA estar em boa cooperação com o Brasil, não apenas pelas relações internacionais mas também por razões de segurança. Isso é o que o agente do Departamento de Estado Peter MacDonald mencionou para mim”, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/329194">escreveu</a> aos chefes.

Procurada pela <strong>Pública</strong>, a assessoria de comunicação da Polícia Federal não respondeu à publicação. A SESGE também não respondeu às perguntas da reportagem.

<a href="http://apublica.org/2013/09/empresas-que-lucram-com-o-mercado-de-vigilancia/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Leia também: Quem lucra com a vigilância?</a>

<a href="http://apublica.org/2013/09/copa-brasil-vira-mercado-prioritario-da-vigilancia/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Leia Também: Com a Copa, Brasil vira mercado prioritário da vigilância</a>		<p>O post <a href="https://marcozero.org/hackeando-o-brasil/">Hackeando o Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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