Crédito: Instagram/Shell Osmo

O Coletivo Pão e Tinta, grupo de graffiti que atua no bairro do Pina há dez anos, irá apresentar uma denúncia formal nas comissões de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) por ameaça e agressão contra uma equipe da Polícia Civil. Na segunda-feira, 12 de julho, dois policiais ainda não identificados agrediram com coronhadas e invadiram a casa do grafiteiro, artista plástico e leiloeiro Shell Osmo para tentar tomar seu celular.

Pouco antes, Shell estava almoçando com sua família quando escutou gritos vindos da avenida Encanta Moça, na comunidade do Bode. Ao sair para ver do que se tratava, presenciou uma equipe de policiais civis fazendo abordando três rapazes, moradores do bairro, com tapas e socos. “Saquei o celular já no final da abordagem. Comecei a filmar porque podia acontecer mais alguma coisa, um deles percebeu que estava filmando e veio em minha direção, deu a ‘botada’ no celular, mas eu me protegi e entrei na casa dos meus pais”, contou o artista plástico.

De acordo com o artista, nesse momento os policiais invadiram o estreito corredor no terreno particular que separa as duas casas da sua família. Com as pistolas em punho, correram atrás do artista e o atingiram com coronhadas nas costas e braços para fazê-lo parar e entregar o celular. Isso tudo no terreno da sua residência.

Na porta da sala, esmurraram suas costas na frente de duas crianças, o filho e a sobrinha do grafiteiro. Eles ainda tentaram entrar na casa com objetivo de recolher o celular, mas a resistência dos pais de Shell fez a dupla recuar. “Antes de ir, ameaçaram avisando que saberiam onde me encontrar e que aquela confusão iria ter um preço”, contou Shell.

Shell Osmo é um dos principais nomes da street art no Nordeste (Crédito: Instagram/Shell Osmo)

A Polícia Civil informou que não seria possível identificar os policiais responsáveis pela abordagem sem o registro de boletim de ocorrência por parte da vítima.

O Coletivo Pão e Tinta decidiu tornar pública as ameaças sofridas por Shell para que a visibilidade ajudasse a protegê-lo. Inicialmente, postaram fotos e relatos do que aconteceu no instagram. Enquanto isso, a advogada Jessica Jansen finalizava a documentação a ser entregue à Alepe e OAB. “A ideia é que as comissões de Direitos Humanos acionem a Corregedoria da Polícia Civil”, explicou a advogada.

Jessica Jansen lembrou que Shell passou o domingo trabalhando no leilão do Coletivo, que arrecadou recursos para os artistas visuais do bairro. Além de leiloeiro, ele é o autor de dezenas de painéis espalhados pela cidade, principalmente pela Zona Sul. Seus traços e as cores intensas que usa são conhecidos por quem circula pelo Recife.