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	<title>Arquivos Prefeitura de Olinda - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 10 Feb 2026 22:27:57 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Prefeitura de Olinda - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Empresários apagam vídeos das bandas da &#8220;farra dos cachês&#8221; no Carnaval de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 18:45:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[a farra dos cachês]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vídeos que comprovam a realização dos shows das bandas e dos cantores de pouca expressão que receberam cachês de valores elevados no Carnaval de Olinda em 2025 já não estão disponíveis no YouTube. As peças começaram a ser retiradas do ar no início da tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, horas após a reportagem sobre [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/empresarios-apagam-videos-das-bandas-da-farra-dos-caches-de-olinda/">Empresários apagam vídeos das bandas da &#8220;farra dos cachês&#8221; no Carnaval de Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vídeos que comprovam a realização dos shows das bandas e dos cantores de pouca expressão que receberam <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cachês de valores elevados no Carnaval de Olinda em 2025</a> já não estão disponíveis no YouTube. As peças começaram a ser retiradas do ar no início da tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, horas após a reportagem sobre a farra dos cachês, publicada pela <strong>Marco Zero</strong>. A <strong>MZ</strong>, no entanto, baixou e salvou a maioria dos filmes e fez um compilado dos &#8220;melhores momentos&#8221;. Confira:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Compilado shows (Reportagem Farra dos Cachês)" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/IlYsLYhzT8U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><br><br>Os primeiros vídeos a serem retirados foram do cantor Maurinho e banda, que tinha as imagens de suas apresentações postadas na página da empresa M. Lira Produções. Maurinho recebeu R$ 120 mil em cachê por três shows em Rio Doce. Dois deles foram em festas promovidas por blocos e outro no polo oficial da prefeitura. Para efeitos de comparação, a tradicional Pitombeira dos Quatro Cantos recebeu R$ 123 mil por vários desfiles ao longo de todo o ano de 2025.</p>



<p>A M. Lira pertence ao empresário Marcos Pinheiro de Lira Júnior. De acordo com o site <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=13444210000110&amp;nomeFornecedor=M%20LIRA%20PRODUCOES%20LTDA&amp;tipoCredorPessoa=2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tome Conta</a>, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), a produtora forneceu camisetas para um festival de teatro patrocinado pela prefeitura em 2012, mas só voltou a prestar serviços para o poder público em Pernambuco em 2024. A empresa participou de 17 licitações em Pernambuco, gerando em seu favor 24 empenhos municipais das prefeituras de Goiana, Gravatá, Jucati e Olinda, além de outros quatro empenhos emitidos pelo Governo do Estado.</p>



<p>Em 2025, a prefeitura de Olinda emitiu 11 empenhos em favor desse CNPJ, dos quais nove foram efetivamente pagos, todos direcionados para fazer pagamentos a atrações do Carnaval: Rabo da Gata, Pegada Prime e o já mencionado Maurinho.</p>



<p>À noite, foram retirados os vídeos da banda Arreda e Dance, que tocou cinco vezes no último Carnaval, a um cachê de R$ 50 mil para cada apresentação, totalizando R$ 250 mil pagos com verba pública. Todos os shows tinham comprovação publicada no Youtube. Em contato com o produtor da banda, a reportagem questionou quanto seria o cachê para uma suposta festa particular. Recebeu como resposta a informação que seria entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.</p>



<p>De acordo com o <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=36486990000167&amp;nomeFornecedor=BRENO%20NASCIMENTO%20DE%20ANDRADE%20PRODUCOES&amp;tipoCredorPessoa=2">site do TCE</a>, a produtora da Arreda e Dance, a AO Produções, foi beneficiária de 25 empenhos de duas prefeituras, todos no ano de 2025. Desse total, 14 empenhos são da prefeitura de Goiana e 11, de Olinda. Entre os empenhos de Olinda, cinco foram pagos e seis deles acabaram sendo anulados e substituídos em seguida pelos outros que foram efetivamente pagos, tendo como objetivo o pagamento das bandas Amarula e Forrozão Arreda e Dance.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" class="titulo">A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Não tenho nada a ver com Mirella e Lupércio&#8221;</h2>



<p>A AO Produções, junto com outras três empresas cujas bandas foram beneficiadas por contratos com cachês no valor em torno de R$ 50 mil por apresentação, dividem o mesmo endereço, o número 1000 da rua Maria Luiza da Silva, em Igarassu, Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>De acordo com o empresário Anderson Oliveira, pai do responsável jurídico pela produtora, o jovem Breno Nascimento de Andrade, as bandas Amarula e Arreda e Dance apenas cumpriram aquilo que dizia o edital da prefeitura. Segundo ele, seu maior desconforto com a publicação da reportagem &#8220;foi ver meu nome como se eu estivesse metido com Mirella e Lupércio, pois eu nem gosto desses dois, não tenho nada a ver com essa mulher e esse homem. Politicamente para mim é péssimo vocês terem me colocado junto com esses dois&#8221;. Anderson diz ser comunista, do PCdoB, há 25 anos.</p>



<p>Segundo o empresário, sua empresa ainda tem dinheiro a receber da prefeitura de Olinda. Realmente, de acordo com o Tome Conta, um empenho de R$ 50 mil relativo a um show da banda Amarula aparece como liquidado, mas com o pagamento ainda em aberto. Questionado diretamente pela <strong>MZ</strong> se teve de dividir o valor dos cachês com algum vereador ou gestor municipal de Olinda, ele negou: &#8220;não trabalho com isso, não&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Trabalhismo e profissionalismo&#8221;</h3>



<p>A única artista citada na reportagem que entrou em contato com a <strong>Marco Zero</strong> foi a cantora Natália Rosa. Agenciada pela MSC Promoções, ela tem 24,5 mil seguidores em seu perfil de Instagram. Segundo o portal da transparência da Prefeitura de Olinda e o <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=47534968000161&amp;nomeFornecedor=MSC%20PROMOCOES%20LTDA&amp;tipoCredorPessoa=2">portal do TCE</a>, ela fez dois shows no Carnaval 2025 com cachês de R$ 70 mil cada, recebendo, portanto, R$ 140 mil da gestão. As apresentações foram nos blocos Rainha e Urso do Pote de Ouro.</p>



<p>De acordo com sua assessoria de imprensa, “o cachê atualmente praticado pela artista Natalia Rosa é fruto de um processo contínuo de construção de carreira, pautado pelo trabalho, profissionalismo e investimento em divulgação e posicionamento artístico”.</p>



<p>Com presença em programas de televisão em Pernambuco e na Paraíba, “além de citações e matérias publicadas na Folha de Pernambuco”, ela teria – sempre de acordo com a assessoria -, conquistado um “histórico de visibilidade, aliado ao crescimento do público e à consolidação de sua atuação no mercado musical, compõe critérios objetivos e legítimos para a definição de cachê, conforme as práticas adotadas no setor cultural”.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/empresarios-apagam-videos-das-bandas-da-farra-dos-caches-de-olinda/">Empresários apagam vídeos das bandas da &#8220;farra dos cachês&#8221; no Carnaval de Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2026 09:33:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[a farra dos cachês]]></category>
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		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto dez das mais tradicionais agremiações de frevo de Olinda receberam, juntas (e com atraso), menos de R$ 500 mil em cachês no Carnaval do ano passado, a prefeitura de Mirella Almeida (PSD) empenhou quase R$ 3 milhões para aproximadamente 30 artistas e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural do Estado. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Enquanto dez das mais tradicionais agremiações de frevo de Olinda receberam, juntas <a href="https://marcozero.org/agremiacoes-de-frevo-temem-mais-um-carnaval-de-atrasos-apos-mirella-vetar-prazo-para-caches/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(e com atraso)</a>, menos de R$ 500 mil em cachês no Carnaval do ano passado, a prefeitura de Mirella Almeida (PSD) empenhou quase R$ 3 milhões para aproximadamente 30 artistas e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural do Estado.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> analisou, no portal da transparência do município e na ferramenta Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), os 407 contratos artísticos da festa de 2025 e encontrou um padrão: diversas contratações desse tipo por cachês bastante altos. Em sua maioria, no valor de R$ 50 mil — mas até de R$ 70 mil — para apresentações em polos descentralizados e blocos da periferia, vários ligados a políticos locais, incluindo o vereador Felipe Nascimento (PSD), marido de Mirella, e o ex-prefeito Lupércio Nascimento (PSD), tio de Felipe.</p>



<p>Além disso, a reportagem encontrou, ao longo da apuração, relações de parentesco entre os sócios de algumas das produtoras que mais receberam pagamento no Carnaval e que agenciaram esse tipo de show. Sendo que quatro dessas empresas estão cadastradas num mesmo endereço, uma rua sem asfalto em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife (confira detalhes ao longo deste texto).</p>



<p>São grupos como o <a href="https://www.instagram.com/arredaedanceofc/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Forró Arreda e Dance</a>, que tocou cinco vezes no último Carnaval, a um cachê de R$ 50 mil, totalizando R$ 250 mil pagos com verba pública. Todos os shows têm comprovação publicada no Youtube. A <strong>MZ</strong> conseguiu o contato do produtor da banda e telefonou para saber quanto seria o cachê para uma suposta festa particular. A resposta: entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.</p>



<p><em><strong>Após a publicação da reportagem, diversos vídeos foram apagados do Youtube.</strong></em></p>



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<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.youtube.com/watch?v=iSL6KFLedDU&#038;t=105s
</div></figure>



<p>Outra questão que chamou a atenção no levantamento da <strong>MZ</strong> é que, em sua maioria, os termos de autorização das contratações da folia de 2025 foram assinados pela secretária de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Gabriela Campelo, à frente da pasta de Cultura na segunda gestão Lupércio (2021-2024). O orçamento da secretaria, no entanto, sequer menciona a palavra “Carnaval”, conforme pode ser verificado nas páginas 134 e 135 da<a href="https://www.olinda.pe.leg.br/institucional/projeto-de-lei/projetos-de-lei-2024/pl-69-2024-autor-poder-executivo-loa.pdf"> lei orçamentária de 2025</a>. Todo o orçamento da festa, pouco mais de R$ 13,6 milhões, está concentrado na Secretaria de Patrimônio, Cultura e Turismo.</p>



<p>As apresentações do Forró Arreda e Dance aconteceram no Polo Tabajara e em quatro blocos da periferia, todos bancados com verba pública pela atual gestão. Dois desses blocos estão ligados ao vereador Felipe Nascimento, com apoio cultural de Lupércio. Um desses dois blocos é o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=iSL6KFLedDU&amp;t=105s" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rouxinol</a>, em Rio Doce, reduto eleitoral dos Nascimento. O nome de Felipe e de Lupércio aparece em diversas postagens no <a href="https://www.instagram.com/p/DUJMInbkeQW/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram</a>.</p>



<p>O outro bloco é o Priquitudas. Neste <a href="https://www.youtube.com/watch?v=vidCLSr_6oI" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vídeo</a> do show do Arreda e Dance, o apresentador do palco menciona expressamente os apoios. Ele diz assim: “Com vocês, para vocês, um oferecimento da Prefeitura de Olinda, vereador Felipe Nascimento e Professor Lupércio no palco das Priquitudas”.</p>



<p>As outras duas apresentações do Arreda e Dance foram no bloco <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CcNbJE9lR1Y&amp;list=RDCcNbJE9lR1Y&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O Tabacudo do Vizinho</a>, ligado ao vereador <a href="https://www.instagram.com/p/DP_hDbADWk4/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ricardo Sousa</a> (Avante), pai da secretária de Comunicação de Olinda, Dandara Maryanna, jornalista recém-formada e nomeada para o cargo, no final do ano passado, com apenas 22 anos. E no bloco <a href="https://www.youtube.com/watch?v=jE8PEpx5tf0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Os Chegados</a>, apoiado pelo vereador <a href="https://www.instagram.com/p/DGig1zCxa_p/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Milcon Rangel</a> (MDB).</p>



<p>Outra banda dentro desse padrão encontrado pela reportagem no portal da transparência de Olinda é a Farra Boa, que realizou quatro apresentações no último Carnaval, com cachês de R$ 40 mil cada, totalizando R$ 160 mil. A Farra Boa se apresentou na <a href="https://www.youtube.com/watch?v=XgLScs3He7M" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TCM Acorda Tu</a>, apoiada pelo <a href="https://www.instagram.com/p/C3LRJ13gcjO/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vereador Biai</a> (Avante), em seu nono mandato consecutivo; no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=mlXb_WYDX8A" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco Menina de Rio Doce</a>, apoiado pelo ex-vereador <a href="https://www.instagram.com/p/Co_EQMbsYUN/?img_index=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tonny Magalhães</a> (PSB); Os Papudinhos do Santa; e no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ST41o_X-bUc" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polo de Rio Doce</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um negócio em família</h2>



<p>A empresa agenciadora da banda Arreda e Dance é a AO Produções, registrada em nome de Breno Nascimento de Andrade. Breno é um jovem dono de uma oficina de motos na Várzea, zona oeste do Recife, e filho de Anderson Oliveira, produtor cultural, cujas iniciais dão nome à produtora (AO). Somente em 2025, a Prefeitura de Olinda empenhou um total de R$ 600 mil e pagou R$ 302 mil à AO até a data de publicação desta reportagem.</p>



<p>O endereço de cadastro da empresa — rua Maria Luiza da Silva, 1000, em Igarassu — é o mesmo de outras três agenciadoras de bandas de pequeno porte e sem histórico na cena cultural do estado que fecharam contrato com a gestão Mirella no último Carnaval. São elas: P2 Produções, Argos e Bereshit.</p>



<p>A P2 Produções somou R$ 1,5 milhão em empenho e R$ 882 mil em valores pagos. Entre suas agenciadas, está a banda Farra Boa. Quem comanda a P2 é Leo Pimentel. A empresa está registrada no nome do pai dele, Aurides de Sousa Pimentel, falecido em julho de 2025. Já a mãe de Leo, Maria Linete Soares da Fonseca, é o nome que aparece no registro da Argos Produções, agenciadora da Brasil Nambuco, uma orquestra de seis integrantes.</p>



<p>A Brasil Nambuco fez três apresentações no Carnaval 2025, cada cachê foi R$ 50 mil: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_YGiMVuALT4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco do Rouxinol</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=B_GqAACQadI" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco Cachorro Teimoso</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ov63p45t_hg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco dos Churros</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=m2jj1UUdEjg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polo Guadalupe</a>. Ainda segundo o portal da transparência, a gestão Mirella empenhou R$ 863 mil para a Argos e pagou, até agora, R$ 341 mil.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.youtube.com/watch?v=_YGiMVuALT4
</div></figure>



<p>A quarta e última empresa com o mesmo endereço na rua sem asfalto na periferia de Igarassu é a Bereshit (nome hebraico), uma produtora especializada em eventos gospel. O registro da Bereshit está em nome de Paulo Luiz Correia do Carmo, barbeiro e fiel da igreja evangélica Embaixada da Comunhão, em Maranguape, município de Paulista, Região Metropolitana do Recife, cujo pastor sênior é Leonardo Martins, que aparece em posts <em>collab</em> com Leo Pimentel no Instagram.</p>



<p>Uma das bandas agenciadas pela Bereshit na festa do ano passado foi a Bregueço do Brasil, que somou três shows e um total de R$ 150 mil cachês. O grupo se apresentou nos blocos <a href="https://www.youtube.com/watch?v=AV3LvPRhwO8&amp;list=RDAV3LvPRhwO8&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Menina de Rio Doce</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=qvSiNZwKYTg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cachorras de Jatobá</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=i_NKVgJ5rpU&amp;list=RDi_NKVgJ5rpU&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gato Mia</a>.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Banda Bregueço  do Brasil no bloco Menina de Rio doce dia 04/03/2025" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/AV3LvPRhwO8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>A reportagem tentou contato com Leo Pimentel por telefone e WhatsApp, mas não teve retorno até o fechamento desta publicação.</p>



<p>Além das bandas que receberam seus cachês por meio de pagamentos feitos às quatro produtoras de Igarassu, os mais de 400 contratos analisados indicam que outras bandas e cantores pouco conhecidos receberam valores acima dos praticados no mercado. Foram os casos de um cantor chamado <a href="https://www.youtube.com/watch?v=z96X9KMqRS8">Maurinho</a>, das banda Rabo da Gata, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ivKeojwcLu4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amarula</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=RdcwYiTAeZY" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Furacão do Arrocha</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=DTA2tHWmPO8" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Som Brasileiro</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=H8HlHhCSbmw&amp;list=RDH8HlHhCSbmw&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Espartilho</a>, além da autointitulada rainha do bregocha, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JnItEIp9RbY&amp;list=RDJnItEIp9RbY&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Natália Rosa</a>.</p>



<p>Todos com cachês acima de R$ 30 mil por cada apresentação em festas de blocos ou nos acanhados palcos de bairro. Outra cantora, Luanny Vital aparece como beneficiária de R$ 80 mil referentes a dois shows, mas os empenhos aparecem como anulados tanto no portal da transparência quanto no site do TCE.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Agremiações pedem mais investimento público</h3>



<p>Enquanto isso, agremiações tradicionais receberam, para realizar vários desfiles, cachês bem mais baixos do que a soma de muitas dessas bandas citadas pela reportagem, a exemplo de Elefante de Olinda (R$ 42 mil) — para três desfiles: Trote, abertura do Carnaval e desfile oficial —; Pitombeira (R$ 123 mil); Ceroula (R$ 54 mil); Cariri (R$ 40 mil); Boi da Macuca (R$ 27 mil); Homem da Meia Noite (R$ 80 mil por quatro apresentações em eventos oficiais); John Travolta (R$ 40 mil); Vassourinhas (R$ 43 mil); Menino da Tarde (R$ 12 mil); e Flor da Lira (R$ 12 mil).</p>





<p>Para uma agremiação ir para rua, é preciso mobilizar uma grande cadeia produtiva, que passa pelos clarins, carregadores de faixa, seguranças, passistas, porta-estandarte, orquestra e confecção de fantasias. Para além desses elementos unânimes em quase todas elas, existem custos operacionais durante o ano e atividades formativas que algumas agremiações assumem, como aulas e cursos. </p>



<p>A <strong>MZ</strong> apresentou dados do levantamento do Portal da Transparência à Associações das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo), disse ter recebido as informações com “espanto”. “Nós recebemos com espanto esses dados, porém isso só comprova o nosso sentimento de que a maior fatia dos investimentos públicos em contratações durante o Carnaval já não era para as tradicionais agremiações de rua. Mesmo entendendo a importância dos polos descentralizados e das atrações dos mais variados gêneros durante o Carnaval, como forma de tornar plural e acessível o contato com a cultura em todas áreas da cidade, é preciso que a maior parte dos investimentos públicos sejam destinados para os fazedores de cultura tradicionais da nossa cidade”, afirmou em nota.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a Prefeitura de Olinda</strong></h3>



<p>Questionada, a gestão Mirella respondeu através de nota. Confira na íntegra:</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Prefeitura de Olinda esclarece que todas as contratações artísticas realizadas para o Carnaval seguem rigorosamente os princípios da legalidade, da transparência, da impessoalidade e do interesse público, por meio de convocatória pública amplamente divulgada, com regras, critérios técnicos e limites financeiros previamente estabelecidos.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Os valores pagos às atrações artísticas são definidos a partir de critérios objetivos previstos em edital público, que incluem a comprovação de preço de mercado, o detalhamento completo dos custos envolvidos, a quantidade de apresentações autorizadas e as características específicas de cada formato de evento.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>É fundamental destacar que não existe um valor único ou padronizado para apresentações artísticas, pois cada contratação considera variáveis como número de integrantes, equipe técnica envolvida, estrutura de produção, logística, tempo de apresentação e responsabilidades tributárias. Dessa forma, comparações diretas entre atrações de naturezas distintas, como bandas de palco, orquestras itinerantes e cortejos de cultura popular, não refletem adequadamente a complexidade de cada contratação.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Os valores divulgados nos contratos correspondem ao valor global da contratação, que engloba cachê artístico, pagamento de músicos, equipe técnica, produção, logística, impostos e encargos legais. Esse modelo assegura formalização, rastreabilidade dos recursos públicos e fiscalização administrativa de toda a cadeia produtiva envolvida.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Além disso, todas as propostas passam por análise técnica e administrativa, com possibilidade de negociação e adequação de valores, conforme previsão expressa no edital, sempre observando os valores praticados no mercado e a disponibilidade orçamentária.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Pernambuco, e Olinda, em especial, é reconhecido nacionalmente como um celeiro de talentos, com uma produção artística diversa, contínua e em permanente renovação. A política cultural do Carnaval de Olinda prioriza a valorização do artista pernambucano, diretriz expressa na convocatória pública, que estabelece que no mínimo 95% da programação seja composta por atrações do Estado.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Embora não exista qualquer obrigatoriedade de repetição de artistas entre um ano e outro, é natural que determinados nomes voltem a integrar a programação, especialmente nos polos descentralizados e eventos de bairro, pensados para ampliar oportunidades, fortalecer trajetórias locais e garantir circulação artística nos territórios.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A eventual recorrência de atrações decorre exclusivamente da habilitação regular nos editais, do atendimento aos critérios técnicos e do interesse público, não havendo qualquer forma de indicação política, privilégio ou direcionamento, sendo vedada, inclusive, a contratação de artistas que afrontem as normas legais e os dispositivos de prevenção ao nepotismo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Prefeitura de Olinda reconhece a centralidade histórica e cultural das agremiações de frevo para a identidade do Carnaval da cidade. Por esse motivo, após o Carnaval, a gestão municipal já alinhou com a Associação do Frevo a realização de um seminário específico, com o objetivo de avaliar, discutir e realinhar os parâmetros de cachês das agremiações, considerando suas particularidades, custos reais, sustentabilidade das entidades e a valorização do patrimônio cultural imaterial.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A iniciativa reforça o compromisso da Prefeitura com o diálogo permanente com o setor cultural e com o aprimoramento contínuo dos instrumentos de fomento e contratação artística.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A participação de artistas em edições posteriores do Carnaval de Olinda está sempre condicionada ao cumprimento integral das regras da convocatória vigente, à apresentação de documentação atualizada, à análise técnica e à negociação administrativa prevista nos instrumentos normativos.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Não há recondução automática de atrações, tampouco garantia prévia de contratação, sendo todas as participações submetidas aos critérios legais, técnicos e orçamentários da Administração Pública.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>No Carnaval de 2025, foi adotada uma organização administrativa integrada, com divisão de responsabilidades entre secretarias, visando garantir maior eficiência, controle e capacidade de execução de um evento de grande porte.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A produção executiva dos palcos dos polos ficou sob responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Inovação e Tecnologia, enquanto a Secretaria de Patrimônio, Cultura e Turismo concentrou sua atuação nos cortejos de cultura popular, nas agremiações tradicionais e nas expressões diretamente vinculadas ao patrimônio cultural imaterial da cidade.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Essa divisão foi formalizada por decreto municipal, com abertura de crédito específico e definição clara das competências de cada pasta, não representando desvio de finalidade nem sobreposição de funções, mas sim uma estratégia administrativa de gestão integrada do evento.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Prefeitura de Olinda reafirma seu compromisso com a transparência, a valorização da cultura local, o fortalecimento da economia criativa e o uso responsável dos recursos públicos. Todas as contratações passam por controle documental, prestação de contas e fiscalização administrativa, estando disponíveis para consulta nos canais oficiais de transparência.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A gestão municipal permanece à disposição para prestar esclarecimentos adicionais, sempre com base em dados oficiais, documentos públicos e nos instrumentos legais que orientam a política cultural do município.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li>A diretoria do Homem da Meia Noite informa que recebeu R$ 80 mil por quatro apresentações em eventos promovidos pela prefeitura de Olinda e não R$ 100 mil, conforme publicado originalmente. Por essa razão, o texto foi modificado às 15h45min do dia 9 de fevereiro de 2026.</li>
</ul>



<p><strong>*Colaborou Inácio França</strong></p>



<p><em>Reportagem atualizada em 10/02/2026, às 01h38</em></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/">A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Agremiações de frevo temem mais um Carnaval de atrasos após Mirella vetar prazo para cachês</title>
		<link>https://marcozero.org/agremiacoes-de-frevo-temem-mais-um-carnaval-de-atrasos-apos-mirella-vetar-prazo-para-caches/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 18:42:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Troças, clubes e blocos de frevo de Olinda estão apreensivos com o cenário de pagamento dos cachês deste ano e temem mais um Carnaval de atrasos. Com repasses da festa do ano passado ainda em aberto, a prefeita Mirella Almeida (PSD) vetou integralmente, nesta quarta-feira, 21 de janeiro, a emenda à Lei Municipal do Carnaval [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Troças, clubes e blocos de frevo de Olinda estão apreensivos com o cenário de pagamento dos cachês deste ano e temem mais um Carnaval de atrasos. Com repasses da festa do ano passado ainda em aberto, a prefeita Mirella Almeida (PSD) vetou integralmente, nesta quarta-feira, 21 de janeiro, a emenda à Lei Municipal do Carnaval que estabelecia prazo máximo de até 45 dias após a folia para quitação de cachês de todos os fazedores de cultura.</p>



<p>O argumento de Mirella para o veto é de cunho constitucional. Segundo ela, a emenda viola o Artigo 141 da Lei Federal 14.133/2021 e a Lei Orgânica do município (saiba mais adiante). No entanto, para a categoria que constrói e sustenta a tradição do Carnaval olindense, a questão passa por vontade política, planejamento, organização e dignidade do trabalho desenvolvido por músicos, passistas, artesãos, costureiras e demais profissionais. </p>



<p>Agora a comunidade do frevo — ritmo reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade —, por meio da recém-criada Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo), pressiona a prefeita por “uma explicação plausível para tal decisão, bem como uma alternativa concreta que assegure às agremiações melhores condições de previsibilidade e respeito”. O pedido foi feito em nota pública nesta quarta (22).</p>



<p>&#8220;O que não pode continuar acontecendo é que agremiações de frevo precisem aguardar longos meses para receber pelas atividades culturais executadas durante o Carnaval, comprometendo sua sustentabilidade, sua organização interna e a própria continuidade de suas atividades&#8221;, diz o texto (confira, mais abaixo, a nota na íntegra).</p>



<p>A emenda à Lei Municipal do Carnaval nº 5.306/01 foi proposta pela vereadora Eugênia Lima (PT) e aprovada por unanimidade pela Câmara de Vereadores em dezembro, quando aproximadamente 60% das atrações que participaram do Carnaval de 2025 ainda não haviam recebido seus cachês.</p>



<p>O texto aprovado buscava garantir previsibilidade e respeito ao trabalho cultural, argumenta a parlamentar, uma vez que a proposta vai além da questão do prazo de 45 dias. A emenda prevê também penalidades em caso de descumprimento, como atualização monetária, juros de 1% ao mês e multa de 2%. Também estabelece prioridade desses débitos no cronograma de restos a pagar do exercício seguinte.</p>



<p>A proposta ainda obriga o Poder Executivo a comunicar e justificar eventuais atrasos ao órgão central de controle interno e ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, apresentando um plano de regularização em até 15 dias após o vencimento do prazo. Em casos de atrasos superiores a 60 dias referentes a exercícios anteriores sem plano de quitação aprovado, o município ficaria impedido de publicar novos editais ou programações oficiais de shows, salvo situações de interesse público devidamente justificadas.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira a nota das agremiações na íntegra</span>

		<p>A AFREVO – Associação das Agremiações de Frevo de Olinda – vem a público se manifestar acerca do veto integral da Emenda à Lei do Carnaval de Olinda, recentemente aprovada pela Câmara Municipal, que estabelecia prazo para o pagamento dos cachês das agremiações participantes do Carnaval.</p>
<p>A decisão da Prefeitura em vetar a referida emenda gera preocupação e impacta diretamente as agremiações de frevo da cidade, que são responsáveis por sustentar, há décadas, o caráter popular, democrático e culturalmente singular do Carnaval de Olinda. O pagamento em tempo hábil dos cachês não se trata apenas de uma questão administrativa, mas de uma condição básica para o planejamento, a organização e a dignidade do trabalho desenvolvido por músicos, passistas, artesãos, costureiras e demais profissionais que fazem o verdadeiro carnaval de Olinda.</p>
<p>Diante do veto, a Afrevo espera que seja apresentada, de forma clara e objetiva, uma explicação plausível para tal decisão, bem como uma alternativa concreta que assegure às agremiações melhores condições de previsibilidade e respeito. O que não pode continuar acontecendo é que agremiações de frevo precisem aguardar longos meses para receber pelas atividades culturais executadas durante o Carnaval, comprometendo sua sustentabilidade, sua organização interna e a própria continuidade de suas atividades.</p>
<p>O Frevo, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, é elemento central da identidade de Olinda. Sua permanência e vitalidade dependem, necessariamente, do fortalecimento de suas agremiações e do respeito aos seus direitos. A previsibilidade nos pagamentos é parte fundamental desse processo, garantindo não apenas a continuidade das tradições, mas também relações institucionais mais justas e transparentes entre o poder público e quem faz o Carnaval acontecer.</p>
<p>A AFREVO reafirma que seu papel é o de representar, defender e valorizar as agremiações de frevo, atuando de forma propositiva e aberta ao diálogo com o poder público. Entendemos que o caminho para o fortalecimento do Carnaval de Olinda passa pela construção coletiva de soluções que respeitem quem historicamente sustenta essa manifestação cultural.</p>
<p>Seguimos à disposição para o diálogo institucional, certos de que é possível avançar em medidas que assegurem melhores condições para as agremiações e contribuam para a preservação do frevo, da cultura popular e da própria história de Olinda.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Articulação para derrubar veto</h2>



<p>Eugênia Lima afirmou que já está se articulando com um conjunto de vereadores para tentar derrubar o veto de Mirella assim que os trabalhos legislativos forem retomados, em fevereiro.</p>



<p>“Ao contrário do que a prefeita argumentou, não estamos invadindo a competência do Executivo ao propor fixação de prazos. Também não estamos impondo gastos. O que queremos é transparência no que está sendo contratado. A prefeitura de Olinda não pode contratar fazedores de cultura sem garantia de pagamento. Quando Mirella diz que a emenda é inconstitucional, ela está indo contra a lei que, na verdade, já existe e estabelece o prazo de 15 dias após o Carnaval para pagamento de agremiações e orquestras especificamente. A lei muda conforme a vontade dela?”, questiona a vereadora.</p>



<p>Em nota, a prefeitura “ressalta a importância de todos os artistas e fazedores de cultura para o município”, mas que, “apesar de relevante”, o projeto é “inconstitucional”. A gestão cita o Artigo 141 da Lei Federal 14.133/2021, que diz que “no dever de pagamento pela Administração, será observada a ordem cronológica para cada fonte diferenciada de recursos”. E também a Lei Orgânica de Olinda em seus incisos IV e V do Art. 33. A saber: “São da competência privativa do prefeito, os projetos de lei que disponham sobre: organização administrativa, orçamentária, serviços público e pessoal da administração (IV) e Criação, estruturação e definição de atribuições dos órgãos da administração pública municipal (V)”.</p>



<p>“Por estes motivos, embora a gestão reafirme a importância dos fazedores de cultura para o Carnaval, fez-se necessário o veto para a preservação da legalidade e da responsabilidade fiscal”, explicou a prefeitura em nota.</p>



<p>“Mesmo assim, a gestão destaca que está empenhada para realizar os pagamentos dos artistas e fazedores de cultura em até 45 dias após o evento. Os devidos repasses devem ser realizados em tempo hábil, levando-se em consideração o recebimento das cotas de patrocínio e convênio, assim como a prestação de contas necessária por parte de cada artista”, prometeu.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Estudo da UFPE e Iphan indicará caminhos para nova legislação do Sítio Histórico de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Dec 2025 20:22:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[iphan]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[patrimoniolinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[preservação]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Olinda é único. Uma mistura da arquitetura de seis séculos, em meio a um vasto verde, emoldurada pelo céu azul e o verde do mar. É só olhar para o horizonte do Alto da Sé para entender que o Sítio Histórico é algo que o Brasil deve preservar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Olinda é único. Uma mistura da arquitetura de seis séculos, em meio a um vasto verde, emoldurada pelo céu azul e o verde do mar. É só olhar para o horizonte do Alto da Sé para entender que o Sítio Histórico é algo que o Brasil deve preservar a todo custo. O tombamento de Olinda pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) veio em 1968. Em 1982, foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco. A segunda cidade brasileira a receber o título, depois de Ouro Preto, em Minas Gerais.</p>



<p>A legislação municipal que rege o Sítio Histórico é de 1992, mas, em 2023, o Ministério Público de Pernambuco recomendou que a lei fosse atualizada, levando em conta as novas dinâmicas da cidade. A legislação federal é da década de 1980. Para fazer essa atualização, o Iphan fez uma parceria técnica com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que, desde o ano passado, está fazendo pesquisas para diagnósticos que foram publicamente lançados de julho a setembro deste ano. O estudo, que segue até o próximo ano, traz um panorama da atual situação do Sítio Histórico de Olinda.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/instabilidade-do-solo-e-falhas-de-drenagem-ameacam-sitio-historico-de-olinda/" class="titulo">Instabilidade do solo e falhas de drenagem ameaçam Sítio Histórico de Olinda</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“Em relação a outras cidades históricas, Olinda já era mais ou menos privilegiada, porque já tem essa normativa federal desde 1982. E agora estamos fazendo esses estudos que vão dar os recursos para que essa normativa possa ser revista e atualizada pelo Iphan”, explicou a professora de arquitetura e urbanismo da UFPE Natália Miranda Vieira-de-Araújo, que coordena o estudo junto com a pesquisadora Juliana Barreto, do Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural da UFPE.</p>



<p>A ideia é que a próxima legislação seja mais detalhada, com parâmetros bem definidos, e que evite conflitos entre diferentes níveis de normas. “Em alguns setores, a sobreposição com a normativa federal ou planos posteriores revela inconsistências. Por exemplo, no Setor B do Sítio Histórico, existe a definição de uma taxa máxima de ocupação de 35%, o que conflita com a recomendação de preservar as características da vizinhança”, explica Juliana Barreto.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Falta de fiscalização é o grande problema</h2>



<p>Apesar de várias fachadas do Sítio Histórico estarem claramente fora das normas – como se vê em uma rápida visita aos bares dos Quatro Cantos –, em grande parte as fachadas permanecem preservadas, mostra o diagnóstico. O desafio maior é no que acontece nas áreas internas das edificações, nos quintais e no âmbito da gestão municipal. “A legislação está defasada, mas a fiscalização é hoje o grande problema de Olinda. O controle urbano está muito prejudicado e houve uma erosão do setor de patrimônio na prefeitura. O Iphan também tem poucos técnicos”, aponta Natália.</p>



<p>Um dos maiores conflitos é o desrespeito à vocação residencial do Sítio Histórico, o que gera o abandono de imóveis e o uso inadequado de espaços. “A prefeitura muitas vezes demonstra pouca clareza na aplicação da lei. Existem usos que, em grande proporção, entra em conflito diretamente com o uso residencial do imóvel&#8221;, aponta a arquiteta e urbanista Juliana Barreto. Outro problema grave é a falta de capacitação dos servidores, o que impacta na aprovação desses projetos, permitindo intervenções inadequadas: &#8220;Já vimos projetos arquitetônicos que foram aprovados dizendo que vai ter demolições internas que não são permitidas. Então, o próprio corpo técnico da prefeitura aprova projetos que a lei atual não permite. É preciso mais rigor nessas avaliações”, acredita.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/setorizacao1.png" alt="O mapa apresenta o acervo arquitetônico e urbanístico do Sítio Histórico de Olinda, em Pernambuco, destacando os setores que compõem a área protegida da cidade. A delimitação da zona tombada é indicada por uma linha vermelha, chamada de “Polígonal de Tombamento”. Dentro dessa área, os setores são organizados por cores: verde claro para os setores A1 e A2, verde amarelado para os setores B1 a B4, verde escuro para os setores C1 a C4, e amarelo para os setores D1 e D2. Cada setor representa diferentes níveis de preservação e características urbanas. O mapa também utiliza símbolos para marcar bens tombados (quadrados vermelhos) e monumentos não tombados (círculos amarelos). À direita, o Oceano Atlântico aparece como referência geográfica, e há uma escala gráfica que indica distâncias de até 600 metros, além de uma rosa dos ventos apontando o norte." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O Sítio Histórico de Olinda dividido em setores.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: LUP/UFPE</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A integridade paisagística também está em risco devido à perda da cobertura vegetal, uma característica essencial de Olinda. Natália Vieira-de-Araújo lembra que, na década de 1960, o consultor da Unesco Michel Parent, que foi o responsável pelo primeiro parecer feito sobre o patrimônio de Olinda, disse que a cidade era &#8220;um jardim pontuado por igrejas e pelo casario histórico&#8221;. “Essa citação dimensiona a importância da cobertura vegetal para a paisagem de Olinda. O parecer de Parent serviu para iluminar o processo de tombamento nacional da cidade”, diz.</p>



<p>A consultoria da pesquisa revelou uma diminuição significativa da vegetação nos últimos 20 anos, com destaque para os quintais. Não foi possível quantificar essa perda, mas as imagens mostram que a citação já não é mais verdade: o verde está restrito a bolsões. Muitas das áreas verdes privadas, nos quintas, foram sendo transformadas em puxadinhos e espaços para festas, com a retirada de árvores e a construção de bares. A fiscalização precária também permite a circulação de veículos de grande porte nas ladeiras e ruas estreitas, o que é proibido por lei desde 1987, além de causar acidentes e fissuras nas paredes históricas devido à trepidação.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-prefeitura-omissa-moradores-de-olinda-sofrem-com-desequilibrio-entre-festas-e-preservacao/" class="titulo">Com prefeitura omissa, moradores de Olinda sofrem com desequilíbrio entre festas e preservação</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
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	            </div>
        </div>

		


<p>A pesquisadora Natália Vieira-de-Araújo ressalta que é preciso achar um equilíbrio. “A aplicação prática da legislação também enfrenta a falta de continuidade do serviço público, um problema crônico na gestão brasileira. Com a rotatividade de secretários e a aposentadoria dos técnicos mais antigos sem reposição por concurso público, o conhecimento e o compromisso com a preservação se perdem”, diz.</p>



<p>Apesar da falta de comprometimento das gestões municipais e da ameaça de descaracterização, Olinda ainda mantém seu fascínio. Recentemente, Natália ajudou a organizar um seminário internacional sobre patrimônio com pesquisadores e pesquisadoras do Chile, Bolívia, Espanha, Itália, Argentina, México e Estados Unidos, que ficaram hospedados em um convento no Alto da Sé. Todos ficaram encantados com a beleza do Sítio Histórico. “Mesmo com todos os desafios encontrados em Olinda, ainda temos muito pelo que brigar. Tem muito problema, tem muita transformação, mas temos um tesouro ali. A história não está perdida”, afirma Natália.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Os desafios atuais do Sítio Histórico de Olinda</span>

		<p>Os diagnósticos elaborados pela pesquisa da UFPE/Iphan <a href="https://lup-ufpe.net.br/temp/" target="_blank" rel="noopener">estão disponíveis no site do LUP</a>. Aqui, um pequeno resumo da caracterização e dos desafios de cada setor do Sítio Histórico:</p>
<p><b>Setor A</b> <b>(Área urbana de preservação rigorosa)</b><span style="font-weight: 400;">: É o núcleo urbano com maior densidade monumental, incluindo Amparo e Carmo. É caracterizado pela presença de casario e sobrados de caráter colonial. A normativa federal atual estabelece um maior compromisso com o rigor das ações interventivas, buscando a preservação ampliada das tipologias construtivas de longa duração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal desafio deste setor é a gestão dos detalhes: a lei em vigor reconhece a necessidade de &#8220;Planos especiais de quadras&#8221; para orientar as intervenções, mas eles nunca foram desenvolvidos. A legislação municipal, embora mais detalhada, é considerada difusa e, em alguns pontos, flexível demais, concentrando muita responsabilidade no servidor que analista a questão. Além disso, como parte da colina histórica, o Setor A enfrenta a ameaça persistente de riscos geotécnicos, como infiltrações e deslizamentos de terra. Os estudos identificaram também a degradação das estruturas de contenção, como muros, em edifícios religiosos e monumentos, além de sinais de movimentação lenta e progressiva do solo, fenômeno que afeta as estruturas históricas.</span></p>
<p><b>Setor B (Área urbana de preservação ambiental)</b><span style="font-weight: 400;">: É a zona de transição entre a área de proteção rigorosa e as ocupações mais recentes, incluindo trechos de Varadouro, Carmo, Guadalupe e Bonsucesso. Abrange áreas importantes onde se concentra a ocupação a partir do século XX, apresentando casas com afastamentos frontais e laterais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior desafio aqui é a imprecisão da legislação. A lei federal para o Setor B é criticada por utilizar parâmetros pouco precisos e que podem causar tensões, como a recomendação de que gabaritos e cores sejam assumidos em relação ao &#8220;caráter da vizinhança&#8221;. O diagnóstico revelou problemas de adensamento construtivo e ocupação irregular de quintais, principalmente em vias como a Estrada do Bonsucesso. Há também conflitos na paisagem, com o plantio de espécies vegetais sendo realizado sem levar em conta a essência do lugar e a visibilidade da paisagem histórica.</span></p>
<p><b>Setor C (Área verde de preservação rigorosa): </b><span style="font-weight: 400;">É caracterizado pela densa vegetação, incluindo áreas dos bairros do Carmo e do Monte. É o setor que possui a segunda maior extensão do Polígono de Tombamento e tem forte presença da cobertura vegetal, incluindo as cercas conventuais, como do Mosteiro de São Bento e do Convento de São Francisco, o antigo Horto Del Rey (Sítio dos Manguinhos) e o Sítio de Seu Reis.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O principal desafio do Setor C é a preservação da vegetação e a gestão fundiária. A legislação existente é limitada em relação a definições e controle de usos para essas áreas verdes. Há uma pressão crescente por conta de ocupações irregulares, notadamente nas margens do Horto D’el Rey. Embora os conventos permaneçam, a forma de uso se modificou, impactando a continuidade da manutenção dessas áreas. Além disso, a lei exige a definição de parâmetros claros para as intervenções, o que ainda não foi totalmente consolidado.</span></p>
<p><b>Setor D</b> <span style="font-weight: 400;">(Área de proteção e ambiência da colina histórica): </span>É a área ao redor da colina histórica, delimitando partes dos bairros de Guadalupe, Bonsucesso, Monte, Amparo e Amaro Branco. É marcado por ocupação espontânea e relativamente recente, sendo distinta dos Setores A e B pela escassez de qualidades arquitetônicas e históricas significativas no casario. Este setor é crucial para a proteção do ambiente e visibilidade do sítio.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal desafio é a fragilidade da paisagem visual e a falta de detalhamento normativo. A lei federal exige que o ambiente e a visibilidade sejam &#8220;desembaraçados de quaisquer elementos nocivos&#8221;, mas não detalha os procedimentos para isso. O diagnóstico de campo revelou que o local está comprometido pela presença de elementos adulterados e não tradicionais, como fiação exposta, postes, caixas d&#8217;água, equipamentos de climatização e publicidade excessiva, que interferem drasticamente na paisagem. Outro ponto crítico é a ausência de trabalhos acadêmicos específicos sobre a formação dessa vizinhança e sobre as manifestações culturais de raízes afro-indígenas que ali existem, resultando em menos subsídios para uma gestão culturalmente integrada.</span></p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-6-solo.jpg" alt="A imagem mostra uma rua de paralelepípedos em uma área residencial, vista de um ângulo baixo próximo ao chão. Os paralelepípedos estão molhados, indicando chuva recente, e há pequenos tufos de grama entre eles. À esquerda, parte de um carro preto é visível; mais adiante, um carro branco está estacionado próximo a cones laranja. A rua tem uma leve inclinação e é ladeada por casas com fachadas coloridas. O fundo desfocado destaca o relevo e a textura das pedras no primeiro plano." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Deslocamento e afundamento do solo põem monumentos em risco
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/estudo-da-ufpe-e-iphan-indicara-caminhos-para-nova-legislacao-do-sitio-historico-de-olinda/">Estudo da UFPE e Iphan indicará caminhos para nova legislação do Sítio Histórico de Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Com prefeitura omissa, moradores de Olinda sofrem com desequilíbrio entre festas e preservação</title>
		<link>https://marcozero.org/com-prefeitura-omissa-moradores-de-olinda-sofrem-com-desequilibrio-entre-festas-e-preservacao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Dec 2025 14:45:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[patrimoniolinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[preservação]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Antes de se mudar para o Sítio Histórico de Olinda, o chef de cozinha Thiago das Chagas achava que não iria ter problemas em morar lá. Afinal, tinha os pré-requisitos que achava necessários: gostava de carnaval e de música. Ele só não contava com o barulho constante, sem intervalos, da batucada de samba colada com a casa dele durante todo e qualquer domingo. Antes mesmo da Pitombeira decretar o início das prévias no dia 7 de setembro, as batucadas começam a ensaiar em quintais e praças de Olinda. Quando não queriam curtir a folia, ele e a companheira tinham que deixar a Cidade Alta. “A gente não conseguia nem conversar dentro de casa. Não conseguia assistir televisão, nada”, lembra.</p>



<p>Não foram poucas as vezes em que batia a hora estabelecida para o fim da festa e a música alta seguia. “Eu era o primeiro a ligar para todos os órgãos competentes, às 20h. Tem um órgão da prefeitura que cuida dessa parte de barulho, o controle urbano. Mas só quem aparecia era a polícia”, reclama. Quando a filha do casal nasceu, decidiram que não dava mais: as paredes da casa onde moravam vibravam com o som incessante da batucada. A família se mudou.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/instabilidade-do-solo-e-falhas-de-drenagem-ameacam-sitio-historico-de-olinda/" class="titulo">Instabilidade do solo e falhas de drenagem ameaçam Sítio Histórico de Olinda</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Nos últimos dez anos, o Sítio Histórico de Olinda sofre os efeitos das omissões e ações que mudaram o convívio dos moradores com a festa. Sendo um lugar com intensa atividade cultural e patrimônio histórico tombado, reconhecido internacionalmente pela Unesco, Olinda tem que se equilibrar nessa linha fina entre festa e preservação. Mas especialistas e moradores ouvidos pela Marco Zero acreditam que esse equilíbrio há muito foi para as cucuias. E os moradores, pilares da manutenção do Sítio Histórico, estão insatisfeitos.</p>



<p>“A gente sabe que Olinda precisa ter a folia, precisa ter o comércio, mas quem segura o Sítio Histórico são os moradores. Por exemplo, no processo de revitalização para o centro do Recife estão correndo atrás de quê? De moradia. Estão doidinhos atrás de gente pra morar no Centro, que está abandonado. Olinda ainda tem gente interessada em morar lá. Quem segura qualquer sítio histórico são os moradores. O que deixa ele vivo são os moradores. Óbvio que tem que existir o turismo, o comércio, essa organicidade toda tem que existir. Só que o pessoal confunde isso com bagunça”, critica Thiago, que segue morando no Sítio Histórico, mas agora na parte baixa, longe do barulho.</p>



<p>“Olinda é uma cidade à venda”, diz a arquiteta e urbanista Vera Milet, professora aposentada da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e integrante do Conselho de Preservação de Olinda e da Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta (Sodeca). A afirmação tem dois sentidos: um deles é que o Sítio Histórico está aberto a toda sorte de especulação. A outra, é mais literal. “Quando uma localidade perde moradia, isso significa que ela vai se deteriorar. Porque quem assegura que os imóveis fiquem preservados é o morador. É ele que vai cuidar da casa”, diz Milet, que mora no Sitío Histórico há mais de cinco décadas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-5-geral.jpg" alt="A foto aérea mostra uma parte do sítio histórico de Olinda vista do alto, revelando um conjunto de casas antigas com telhados de cerâmica vermelha alinhadas ao longo de ruas estreitas. As fachadas são coloridas, em tons de amarelo, azul, branco e vermelho, típicas da arquitetura colonial da cidade. Árvores grandes e áreas de mata cercam algumas quadras, criando manchas verdes entre as construções. Ao fundo, o terreno sobe em direção às ladeiras de Olinda, onde surgem igrejas, casarões e mais casas espalhadas pelas colinas. No horizonte, já distante, aparece parte da região metropolitana, com prédios mais altos e estruturas urbanas modernas." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Equipe responsável pela manutenção do Sítio Histórico foi desarticulada pelo ex-prefeito Lupércio
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Entre os censos de 2000 e de 2010, a área do Polígono de Tombamento – que corresponde ao Sítio Histórico de Olinda e tem cerca de 1,5 quilômetro quadrado &#8211; perdeu mais de 3 mil residentes, indo de 17.363 habitantes para cerca de 14 mil. Não há, ainda, dados do Censo mais recente, de 2022. A população do Sítio Histórico responde por, mais ou menos, 4% da população total do município de Olinda. “Por onde você passar, qualquer rua, tem uma casa para vender no Sítio Histórico. As pessoas estão indo embora porque não aguentam mais tanto barulho dos bares, das festas. Não aguentam mais conviver com xixi entrando pelos portões, porque a Prefeitura de Olinda não coloca banheiros públicos, e, quando coloca, não limpa com frequência”, reclama.</p>



<p>Olinda, que já foi pioneira na gestão de seu patrimônio, estabelecendo em 1973 a Fundação Centro de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda — a primeira estrutura municipal desse tipo na América Latina — viu sua base técnica ser sistematicamente desmantelada em gestões recentes, culminando na situação crítica atual. Embora a estrutura de Fundação tenha sido convertida em Secretaria de Patrimônio em 1995, trocando autonomia técnica por maior influência política, o golpe mais severo veio com a administração de Lupércio (PSD), de 2017 a 2023, que desarticulou o corpo técnico de preservação da prefeitura, e segue na gestão da prefeita Mirella Almeida, também do PSD.</p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;O pior momento para o patrimônio histórico&#8221;</h2>



<p>Este período é classificado pela arquiteta e urbanista Vera Milet como o pior para a preservação de Olinda, pois houve o corte de pessoal com décadas de experiência e perda de receita. Milet relata que todo esse processo visou desarticular a governança da preservação. “Como consequência direta, cerca de R$ 46 milhões em recursos destinados a projetos de restauro, captados pela gestão anterior de Renildo Calheiros (PCdoB) junto ao Governo Federal, foram perdidos porque os projetos não foram executados”, conta.</p>



<p>O desmonte da prefeitura transformou o controle urbano em uma função ineficaz. Olinda tem um controle urbano específico para o Sítio Histórico, como é exigido pelo tombamento, mas com apenas três funcionários. Outros órgãos simplesmente deixaram de existir. O Laboratório de Bens Móveis, essencial para o restauro de objetos sacros das igrejas e documentos históricos como o livro de tombos da cidade, foi desativado completamente pela prefeitura após a aposentadoria dos técnicos, sem que o Conselho de Preservação conseguisse reverter a decisão.</p>



<p>A própria sede do Conselho, na rua do Amparo, está sem uso por conta de uma infiltração que deteriorou o teto do imóvel. O acesso ao Fundo de Preservação – que é para onde deveriam ir o pagamento de multas e taxas de preservação – está bloqueado há anos pela prefeitura. Além disso, desde a primeira gestão de Lupércio que as decisões do Conselho não são acatadas, com exceção das autorizações para reformas.</p>



<p>Há apenas duas únicas arquitetas responsáveis pela fiscalização do patrimônio de Olinda – focadas em reformas e construções fora dos padrões do tombamento. “As profissionais até notificam as irregularidades, mas a estrutura judicial e administrativa não dá prosseguimento às ações, minando o trabalho técnico”, diz Milet.</p>



<p>No entanto, há sinais de mudanças recentes, ainda pequenas, mas que dão alguma esperança de progresso. Em 2023, o Governo Federal anunciou uma série de investimentos no patrimônio de Olinda pelo Novo PAC, como a restauração da Igreja de São Pedro e restauração do Cine Teatro Duarte Coelho, que ainda aguarda liberação da verba. Em setembro, Iphan e Fundarpe anunciaram a liberação de R$ 1,2 milhão para o início da reforma da Igreja de São Pedro Mártir de Verona, no Carmo.</p>



<p>A movimentação da Fundarpe junto ao Iphan e ao Governo Federal trouxe uma certa pressão política para Mirella, que é do mesmo partido da governadora Raquel Lyra (PSD). Em agosto deste ano, houve mudança na secretaria de Patrimônio e Cultura, com a jornalista Marília Banholzer assumindo a pasta. Houve também a nomeação de uma técnica especializada, Márcia Chamixaes, para a secretaria executiva do Patrimônio. “As novas secretárias têm escutado as nossas reivindicações. Elas foram para uma reunião recente do conselho, coisa que há uns dez anos que ninguém da prefeitura fazia”, reconhece Milet.</p>



<p>Outra esperança é o convênio entre o Iphan e a UFPE para elaborar subsídios técnicos visando a criação de uma nova lei para o Sítio Histórico de Olinda, já que a legislação federal é de 1982 e está defasada. <a href="https://marcozero.org/estudo-da-ufpe-e-iphan-indicara-caminhos-para-nova-legislacao-do-sitio-historico-de-olinda/">Em outras duas reportagens</a>, a Marco Zero aborda esse estudo.</p>



<p>Solicitamos uma entrevista com a secretária de Patrimônio e Cultura, Marília Banholzer, para falar sobre a situação do Sítio Histórico de Olinda. Ela preferiu responder as perguntas por e-mail. Sobre a falta de funcionários, a secretária informou que a estratégia da prefeitura nessa área é “é objetiva e legal: reposição por meio da convocação dos profissionais aprovados em concurso público. Assim que houver vacância efetiva ou necessidade formalizada, a administração acionará a lista de aprovados, priorizando técnicos com experiência em patrimônio, museologia, conservação preventiva e arquivos. Paralelamente, estamos fortalecendo parcerias técnicas (universidades, IPHAN) e implementando rotina de manutenção preventiva para reduzir passivos de conservação”.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center"><strong>Paredão de som com aval oficial</strong></h2>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:45% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="575" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-1-paredao-575x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-73751 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-1-paredao-575x1024.jpeg 575w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-1-paredao-168x300.jpeg 168w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-1-paredao-150x267.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-1-paredao.jpeg 584w" sizes="(max-width: 575px) 100vw, 575px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Na semana passada, para comemorar o Dia do Samba, Olinda recebeu a escola de samba Viradouro, do Rio de Janeiro, e várias batucadas locais. A festa enveredou madrugada adentro, em plena quinta-feira. Já tarde da noite, um morador do Sítio Histórico se espantou ao ver um paredão de som no Largo do Amparo, em frente da igreja – construída no século 17 e, como todo Sítio Histórico, tombada. “O problema não é o repertório nem o estilo musical, e sim o uso de paredões de som para amplificar voz e instrumentos, prática inexistente no frevo”, contou o morador, que preferiu ficar no anonimato. </p>
</div></div>



<p>“Essa prática é uma agressão às tradições e ao patrimônio arquitetônico”, reclamou o mesmo olindense. Poucos dias depois, no domingo, outro paredão de som estava na Prudente de Morais, também com uma batucada, em um evento patrocinado por uma grande empresa de delivery.</p>



<p>O próprio instagram da Prefeitura de Olinda mostrou o paredão de som no Dia do Samba. A secretária Marília Banholzer informou à MZ que “foi permitido apenas um veículo com o equipamento de som necessário para a apresentação dos intérpretes de samba”. A resposta também afirma que a bateria da Viradouro levou para as ruas o enredo &#8220;Malunguinho Viradouro&#8221;, do Carnaval 2025, que celebra o líder quilombola. “A visita é uma contrapartida ao investimento feito pela Empetur na realização do enredo, e que visou promover o intercâmbio cultural, divulgando o turismo de Pernambuco no carnaval carioca. O evento contou com a participação voluntária das demais baterias de samba que ensaiam em Olinda, com seus instrumentos percussivos”.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h3 class="wp-block-heading">Casas desocupadas e briga de vizinhos</h3>



<p>Com um ateliê na rua 27 de Janeiro, o artista Henry da Cruz Melo aponta as casas que estão desocupadas ao redor do seu local de trabalho. São pelo menos cinco: muitas delas ficam vazias o ano todo e só são ocupadas no carnaval ou alugadas para festas. Morando há alguns anos em Casa Caiada, Henry, que nasceu e se criou na Cidade Alta, diz que não tem &#8220;nem um pouquinho de vontade de passar uma noite&#8221; por lá. “Fico acompanhando o grupo de WhatsApp dos moradores e não é raro ter alguém dizendo que não consegue voltar para casa, porque não tem como entrar de carro na rua. Quando você quer se divertir e vai pro carnaval, é uma coisa. Mas você morar aqui dentro, qualquer hora pode ser carnaval”, diz.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/estudo-da-ufpe-e-iphan-indicara-caminhos-para-nova-legislacao-do-sitio-historico-de-olinda/" class="titulo">Estudo da UFPE e Iphan indicará caminhos para nova legislação do Sítio Histórico de Olinda</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Henry lembra quando ainda morava no Sítio Histórico e a cachorrinha que criava faleceu na sexta-feira antes do carnaval. “Pedi um táxi, que não conseguiu entrar e parou na frente do Colégio São Bento. Peguei a cachorrinha e fui andando com ela no braço, enrolada em um pano, por uns 40 minutos, atravessando o carnaval. Foi muito estranho e triste. Você simplesmente não tem acesso à sua casa”, contou. “E agora é carnaval o ano todo, não para”, diz Henry, que vê como positiva a solidariedade entre os moradores que esse “isolamento” gerou. “Como padaria e supermercado ficam meio longe, um vizinho ajuda o outro com leite, pão…”, conta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-2-henry.jpg" alt="A foto mostra Henry Melo, um homem de pele clara e cabelos grisalhos, sentado em uma cadeira dentro de um ateliê de pintura. Ele veste uma camiseta vermelha e um short bege, com postura relaxada e expressão séria, olhando diretamente para a câmera. À sua volta, o ambiente está repleto de quadros coloridos apoiados nas paredes: retratos, figuras humanas, elementos fantásticos e paisagens. À direita, sobre um cavalete, há uma pintura em andamento de um cachorro marrom deitado sobre um fundo vibrante composto por quadrados com flores multicoloridas. Partes da tela ainda estão em esboço. O chão é de ladrilhos antigos e a mesa ao lado está repleta de materiais de trabalho, como pinceis, tintas e uma paleta." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Cinco casas ao redor do ateliê de Henry Melo passam a maior parte do ano vazias
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Mas a falta de controle no Sítio Histórico de Olinda também mina as relações entre os próprios moradores. Háaproximadamente três anos, o quintal da casa 111 da rua 27 de Janeiro passou a receber todo domingo os ensaios de um bloco de samba. O quintal, que tem barracas para vendas de bebidas e palco, pertence à família do artista Zé Som, falecido em 2020.</p>



<p>A arquiteta Conceição Sarmento, viúva do artista, ainda mantém o ateliê e a casa, mas diz que quando quer tranquilidade, viaja para a praia de Serrambi, no litoral sul. Para ela, as batucadas de samba têm todo o direito de ocupar o Sítio Histórico, assim como as orquestras de frevo, os grupos de maracatu e de afoxé. “Tem um movimento que quer tirar o samba dos quintais e colocar nas praças. Mas se isso acontecer as batucadas vão ficar sem nenhum respaldo de segurança, de banheiros. Porque a prefeitura não coloca banheiro químico em nenhum evento que acontece por aqui”, aponta Conceição.</p>



<p>Para ela, as reclamações contra as festas de samba que acontecem no Sítio Histórico são preconceituosas. “Às vezes a gente tá dormindo e passa um bloco na zoeira de meia-noite. Mas as batucadas não podem? Eu acho que é porque os frequentadores não são daqui, são da periferia, dos Bultrins, Rio Doce, e são pretos. Eu acho que é uma discriminação, uma falsa moralidade”, denuncia.</p>



<p>Vizinha de muro, Anésia Eulálio sempre liga para o controle urbano de Olinda quando o barulho incomoda. E isso é em praticamente toda festa. Desde que se mudou para a rua 27 de Janeiro, há menos de três anos, não consegue descansar aos domingos. “Não tem nada de preconceito. Aqui passam dezenas de maracatus, de sambas, de troças. Mas só passam. A orquestra da Pitombeira fica aqui na rua um tempo e depois vai embora, sai pelas outras ruas. A batucada no quintal não: é sem parar. Às vezes começa às 8h30 e vai até 20h, barulho alto o tempo todo. É desesperador estar dentro da sua própria casa em um dia de domingo e não poder descansar, não poder nem conversar. Não tem mais almoço de domingo, não tem mais aniversário”, lamenta.</p>



<p>Anésia conta que já organizou um abaixo-assinado com vizinhos para solicitar que a prefeitura de Olinda impeça as festas aos domingos. Não deu em nada. “A prefeitura já prometeu muita coisa, mas nunca fez nada. Eu ligo para o controle urbano, a pessoa às vezes até vem, mas fica parada aqui na frente. Diz que não pode fazer nada, que a festa é autorizada pela prefeitura”, conta Anésia, que tem um restaurante na casa onde mora. “Desisti de abrir aos domingos. Não tenho condições de cozinhar. Não conseguia nem atender as pessoas que chegavam, tamanho é o barulho”, disse. A desavença entre vizinhas já foi parar na delegacia, com uma registrando boletim de ocorrência contra a outra.</p>



<p>Na entrevista por e-mail para a Marco Zero, a secretária Marília Banholzer falou que “o Sítio Histórico é regido por legislação que disciplina usos e atividades (Lei n.º 4.849/92), com regras para preservar a paisagem, a vizinhança e a qualidade de vida. Ensaios de rua e atividades culturais são parte da vida da cidade, mas devem respeitar normas de ruído, horários e boa convivência” e que a prefeitura atua mediante denúncias e fiscalizações. “Quando há reclamação, a equipe de Controle Urbano verifica enquadramento (horários, intensidade do som, alvará) e aplica orientações ou medidas administrativas cabíveis. É importante destacar que a Lei municipal 4.849/92 não traz norma específica que libere ou proíba ensaios em quintais, por isso a atuação é feita caso a caso, com foco em diálogo e disciplinamento para evitar impacto aos vizinhos”, escreveu.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-3-anesia-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-3-anesia.jpg" alt="A foto mostra Anésia Eulálio, uma mulher idosa de pele clara e cabelos grisalhos curtos, apoiada na janela aberta de um casarão antigo e vibrante no sítio histórico de Olinda; ela veste uma camisa roxa e observa a rua com expressão tranquila, com os braços cruzados sobre o parapeito azul. A fachada do prédio é pintada em tons fortes de azul e laranja, com grades também azuis nas portas e janelas, e acima dela há um letreiro que diz “Rango de Mãe – Restaurante”, indicando o funcionamento de um pequeno restaurante familiar. A rua estreita exibe construções antigas em sequência, fios elétricos sobrepostos e um clima típico de bairro histórico." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Por causa do barulho, Anésia deixou de abrir restaurante aos domingos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para o arquiteto e urbanista Bruno Firmino esse descontrole no Sítio Histórico de Olinda – uma área em que, segundo dados da prefeitura de 2018, 87% das cerca de 1,5 mil edificações são de uso residencial – acontece porque a Prefeitura de Olinda não tem ações de educação patrimonial, não tem planejamento nem faz as fiscalizações necessárias. “Em um lugar como Olinda é necessário trabalhar com a educação patrimonial de maneira contínua. E quanto mais educação patrimonial a gente tiver, menor vai ser a necessidade de fiscalizar, porque as próprias pessoas vão ter consciência do uso adequado daquele espaço”, diz. “Se a gente for olhar para trás, para a gestão de Luciana Santos (PCdoB), por exemplo, algumas situações que pareciam ser impossíveis depois que a Lei do Carnaval foi colocada na rua (em 2001) voltaram devido ao afrouxamento de políticas de controle urbano e das políticas de patrimônio”, diz.</p>



<p>Entre as situações que já estão naturalizadas o urbanista aponta carros de som em festas e no carnaval do Sítio Histórico. Nos últimos carnavais, foram registradas batucadas com caixas de som e orquestras ficaram sem conseguir se locomover, por conta da quantidade de carros estacionados nas ruas e também da quantidade de integrantes dos grupos de samba, que, claro, andam juntos.</p>



<p>Para Firmino, a questão mais urgente hoje em Olinda é o disciplinamento das prévias. “A dinâmica das prévias mudou e agora acontecem com muito mais intensidade e também com mais quantidade de pessoas. E praticamente o ano todo. Mas não estamos vendo nenhum tipo de ação que coordene a gestão do espaço público nessa época. E isso acaba gerando uma série de conflitos: conflito entre comerciantes, entre quem faz carnaval, entre visitante e, principalmente, entre moradores. Porque tá todo mundo meio que jogado à própria sorte”, afirma. “Quando uma agremiação vai pra rua, ela preenche um formulário falando o dia e o horário que vai sair. Mas não há nenhum tipo de apoio no dia da prévia. Não há desvio de trânsito, controle urbano, nada. No final das contas, o único braço do Estado que aparece nesses períodos é a polícia”, diz ele, que também é carnavalesco.</p>



<p>Para Firmino, a prefeitura de Olinda deveria se preparar para reforçar o suporte adequado ao Sítio Histórico na longa temporada de prévias. “Já teve situação de gente que levou choque. A mureta do Largo do Amparo por mais de uma vez teve problema estrutural. Aí só no carnaval que colocavam tapume. É como se a prefeitura estivesse contando com a sorte, sabe?”. O urbanista afirma que a prefeitura deveria ter um protocolo com regras para antes, durante e depois dos blocos passarem. “A prévias poderiam servir também como laboratório de testes de algumas medidas para o carnaval. Um sítio histórico demanda uma zeladoria séria, ainda mais quando recebe uma quantidade muito grande de pessoas”, afirma.</p>



<p>Neste sábado, haverá um seminário  aberto ao público, convocado pela vereadora petista Eugênia Lima, na Prefeitura de Olinda (rua de São Bento, 123 – Varadouro) com o tema “Cabe todo mundo no carnaval”. A ideia é discutir sobre planejamento e gestão urbana do carnaval, além de fomento e incentivo à cultura popular. As mesas de debate acontecem das 8h às 12h.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Outras perguntas para a secretária de Patrimônio e Cultura de Olinda, Marília Banholzer</span>

		<p><!-- wp:heading {"level":3} --></p>
<p><strong>A Prefeitura pretende implementar o plano aprovado pelo Conselho de Preservação para impedir passagem de veículos pesados na Cidade Alta? Quando?</strong></p>
<p>Sim. Recentemente, a prefeita Mirella Almeida assegurou um investimento, via emenda parlamentar, no valor de R$ 2 milhões para a implementação de balizadores hidráulicos em 12 pontos específicos da Cidade Alta. Hoje a execução depende da liberação do recurso e da conclusão do projeto executivo, que está sendo elaborado para ser licitado e executado: assim que o projeto for concluído e recursos assegurados, o cronograma de implantação será divulgado oficialmente. Além disso, a Secretaria Executiva de Patrimônio tem enviado ofícios de orientação a diversos órgãos, como a empresa de coleta de resíduos, reforçando a necessidade de cumprimento de regras específicas sobre a circulação de veículos de grande porte no Sítio Histórico de Olinda.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Há casas com fachadas descaracterizadas, especialmente nos Quatro Cantos (ex.: Black Bar). Quais processos a prefeitura usa para identificar, embargar e multar essas intervenções? Existe projeto para melhorar a fiscalização?<br />
</strong><br />
A prefeitura atua com instrumentos técnicos e administrativos previstos na legislação de preservação (leis municipais e resoluções do Conselho de Preservação):</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:list --></p>
<ul class="wp-block-list">
<li style="list-style-type: none;">
<ul class="wp-block-list"><!-- wp:list-item --></p>
<li><strong>Identificação:</strong> vistoria técnica da equipe de Patrimônio/Controle Urbano e registro fotográfico das intervenções.</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p><!-- /wp:list-item --> <!-- wp:list-item --></p>
<ul class="wp-block-list">
<li style="list-style-type: none;">
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Medidas imediatas:</strong> notificação formal ao proprietário/estabelecimento, aplicação de autos de infração e, quando necessário, embargo de obra/uso.</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p><!-- /wp:list-item --> <!-- wp:list-item --></p>
<ul class="wp-block-list">
<li style="list-style-type: none;">
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Segurança jurídica:</strong> encaminhamento de processos administrativos com apoio técnico do Conselho de Preservação para caracterização do dano ao bem tombado. Para melhorar a fiscalização contínua, a gestão está revisando fluxos internos, aumentando integração entre fiscalização (controle urbano), gabinete jurídico e Conselho de Preservação, e estudando a ampliação da capacidade técnica via convocações de aprovados em concurso e cooperação técnica com institutos (USP/UFPE/IPHAN) para laudos e pareceres. O objetivo é transformar as decisões técnicas do Conselho em medidas de campo mais céleres e efetivas.</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p><!-- /wp:list-item --> <!-- wp:list-item --></p>
<ul class="wp-block-list">
<li style="list-style-type: none;">
<ul class="wp-block-list">
<li>Vale ressaltar que o próprio imóvel citado foi notificado pela gestão municipal.</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p><!-- /wp:list-item --></p>
<p><!-- /wp:list --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Diante da importância do Conselho de Preservação, a gestão municipal assegurará que as definições técnicas do Conselho sejam respeitadas e transformadas em ações práticas</strong>?</p>
<p>A Administração reconhece o papel consultivo do Conselho de Preservação e está empenhada em traduzir suas deliberações em ações concretas.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/com-prefeitura-omissa-moradores-de-olinda-sofrem-com-desequilibrio-entre-festas-e-preservacao/">Com prefeitura omissa, moradores de Olinda sofrem com desequilíbrio entre festas e preservação</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Carnaval de Olinda 2025: quando o interesse privado se sobrepõe ao interesse público</title>
		<link>https://marcozero.org/carnaval-de-olinda-2025-quando-o-interesse-privado-se-sobrepoe-ao-interesse-publico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Mar 2025 19:28:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Eugênia Lima* O carnaval de Olinda chegou ao fim e, confesso, foi uma experiência que me deixou com sentimentos contraditórios. Amo o carnaval, amo a energia contagiante das pessoas que brincam ao meu lado, a riqueza cultural e a alegria que só essa festa e esse povo são capazes de proporcionar. No entanto, a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Eugênia Lima*</strong></p>



<p>O carnaval de Olinda chegou ao fim e, confesso, foi uma experiência que me deixou com sentimentos contraditórios. Amo o carnaval, amo a energia contagiante das pessoas que brincam ao meu lado, a riqueza cultural e a alegria que só essa festa e esse povo são capazes de proporcionar. No entanto, a desorganização que presenciei este ano me fez questionar se estamos cuidando devidamente dessa manifestação popular tão importante. O que deveria ser a celebração máxima da nossa cultura, infelizmente, foi marcado por cenas de desordem e descaso, que não podem ser ignoradas.</p>



<p>Esses desafios, no entanto, não diminuem meu amor pela festa, mas reforçam a necessidade de uma reflexão séria e coletiva para que possamos preservar e melhorar o carnaval que tanto amamos.</p>



<p>A não efetivação da Comissão Permanente do Carnaval, prevista por lei, e o desenrolar das prévias já eram indícios claros da desordem que se instalaria. Olinda, cidade histórica e patrimônio cultural da humanidade, mostrou-se incapaz de oferecer um planejamento adequado. O resultado foi um cenário complicado, no qual as leis que deveriam reger o evento foram ignoradas ou desrespeitadas, evidenciando a falta de compromisso com o interesse público.</p>



<p>Faz tempo que se debate a necessidade de organizar os trabalhadores ambulantes, que, em condições subumanas, tentam garantir o sustento durante a festa. Barracas improvisadas, pessoas dormindo sob estruturas precárias, carrinhos de mão no meio dos blocos e uma falta de padronização foram apenas alguns dos problemas. Muitos trabalhadores pagaram uma taxa de uso do solo, que, em tese, deveria garantir estrutura mínima e dignidade. Enquanto alguns cumpriam as regras, outros burlavam os bloqueios com facilidade, sem qualquer fiscalização eficiente. Essa falta de organização não só prejudica os trabalhadores, mas também afeta a experiência dos foliões.</p>



<p>O caos no trânsito foi outro capítulo preocupante. Em pleno desfile dos blocos, carros, caminhões e motos transitavam livremente pelas ladeiras, sem qualquer controle. As barreiras de trânsito, que deveriam garantir a segurança e a fluidez do evento, mostraram-se ineficazes ou ausentes. Além disso, a proliferação de casas de camarote, que se apropriam indevidamente do espaço público, transformando áreas que deveriam ser de todos em enclaves privados, descaracteriza a festa como um bem comum. A arquitetura da cidade, com ruas estreitas e ainda ocupadas por alguns carros e comerciantes desordenados nas calçadas, agrava o problema, dificultando a circulação e comprometendo a segurança dos foliões. Especialmente nos grandes desfiles de agremiações que utilizam paredões de som e cordões de isolamento.</p>



<p>A decoração das ruas, ou melhor, a ausência dela, foi outro ponto que chamou a atenção. Em uma cidade conhecida por sua beleza e tradição cultural, era desolador ver ruas completamente desprovidas de qualquer referência ao carnaval ou ao bonito tema deste ano, assinado pelo artista Raoni Assis. As poucas ruas decoradas exibiam rafias que mais escondiam do que embelezavam, deixando a cidade ainda mais sombria. As ruas e becos estavam mal iluminados e sujos, pois não foram lavados como de costume. Outro ponto crítico foi a estrutura dos banheiros, que se mostrou insuficiente para atender à demanda do público. Pergunto-me onde estava o esplendor que deveria caracterizar o carnaval de Olinda.</p>



<p>A violência, que já demonstrou sua gravidade desde as prévias, também foi alarmante. No principal palco da cidade, sete pessoas foram baleadas, um episódio gravíssimo que mancha a imagem do nosso carnaval. Esse tipo de ocorrência não pode ser tratado como algo normal ou aceitável.</p>



<p>A prefeitura apresentou um balanço com números expressivos, tanto de público quanto de movimentação financeira. No entanto, o relatório divulgado tem lacunas na apresentação de dados, especialmente na avaliação de segurança, mobilidade e eficiência do uso de recursos públicos. O carnaval de Olinda não pode ser tratado pela gestão municipal como um festival qualquer. É nosso patrimônio cultural, um símbolo da identidade de um povo, e, como tal, deve ser tratado com o respeito e a seriedade que merece. Isso implica planejamento prévio, fiscalização, transparência, descentralização e, acima de tudo, respeito à cultura e à tradição.</p>



<p>É preciso garantir que os recursos arrecadados sejam usados de forma correta, que as leis sejam cumpridas e que a festa seja organizada de maneira a beneficiar todas e todos. Afinal, o cumprimento da lei não é discricionário e não pode ser regido por conveniência. Mas, infelizmente, foi isso que vimos. Que sirva de alerta. Um alerta para que possamos refletir sobre a importância do interesse público e sobre a necessidade de colocá-lo no centro de todas as decisões. Esse princípio, fundamental para o funcionamento de qualquer sociedade democrática, estabelece que o bem-estar coletivo deve sempre prevalecer sobre os interesses individuais ou de grupos específicos.</p>



<p>Fica agora o compromisso de pressionar politicamente para que os pagamentos dos cachês sejam feitos com a maior celeridade possível. Os artistas e trabalhadores que dedicam seu talento e esforço ao carnaval merecem respeito e agilidade na remuneração pelo seu trabalho. Além disso, é essencial que a Comissão Permanente do Carnaval seja efetivada com antecedência e funcione de fato, garantindo um planejamento contínuo ao longo do ano. E que os erros cometidos em 2025 não se repitam no próximo ano. Outro ponto crucial é uma maior descentralização da festa, levando o carnaval para outros bairros além do Sítio Histórico, de modo a democratizar o acesso e aliviar a pressão sobre as áreas centrais.</p>



<p>Enquanto parlamentar municipal, nosso mandato realizou uma série de escutas com agremiações, trabalhadores, foliões e moradores, que culminou em uma audiência pública no dia 19 de fevereiro. Acredito que é preciso pensar o Carnaval de Olinda ouvindo todos aqueles que participam e são afetados por ele. Só assim poderemos garantir que o nosso carnaval, e tantas outras manifestações culturais, continuem a existir não apenas como festas, mas como expressões legítimas da nossa identidade e da nossa cultura. O interesse público não pode ser negociável; ele deve ser a base de tudo.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Vereadora de Olinda, advogada e mestra em desenvolvimento urbano.</strong></p>
    </div>



<p><br></p>
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		<title>Assembleia de Deus quer ganhar terreno público onde deveria ser uma praça em Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/assembleia-de-deus-quer-ganhar-terreno-publico-onde-deveria-ser-uma-praca-em-olinda/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Feb 2025 21:25:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Assembleia de Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade Tabajara]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Moradores da Cidade Tabajara, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife, aguardam desde 2011 pela construção de uma praça em uma das poucas áreas verdes do bairro. Naquele ano, viram a promessa ser oficializada por meio de uma placa que anunciava o investimento federal: R$ 2,6 milhões para a construção de mini áreas de lazer [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Moradores da Cidade Tabajara, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife, aguardam desde 2011 pela construção de uma praça em uma das poucas áreas verdes do bairro. Naquele ano, viram a promessa ser oficializada por meio de uma placa que anunciava o investimento federal: R$ 2,6 milhões para a construção de mini áreas de lazer em 10 bairros da cidade. Porém, até hoje nem um banco ou uma simples mesa de dominó chegaram a ser erguidos pelo poder público. A manutenção da área é feita pela própria população.</p>



<p>Há duas semanas, os moradores foram surpreendidos com a chegada de um caminhão da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Abreu e Lima, liderada pelo presidente Roberto José, cheio de tapumes para cercar o terreno onde deveria ser uma praça. Para dar lugar à igreja, árvores frondosas precisariam ser derrubadas. </p>



<p>Houve protesto. Revoltadas, algumas pessoas arrancaram os tapumes para conter o início das obras. Neste fim de semana, parte da população se reuniu em mutirão para melhoria do local como forma de seguir ocupando e reivindicando o espaço.</p>



<p>Durante duas gestões — Renildo Calheiros (PCdoB) e Lupércio Nascimento (PSD) —, a Cidade Tabajara esperou para que a obra anunciada na placa se transformasse em realidade. Enquanto as opções públicas de lazer se deterioravam, a quantidade de igrejas evangélicas se multiplicou e os fundamentalistas adentraram a gestão municipal. Agora, na gestão da prefeita Mirella Almeida (PSD), sucessora de Lupércio, a população de Tabajara luta para ver o sonho coletivo de ter uma área de lazer, sem perder espaço para mais um templo.</p>



<p>O que era para ser um projeto poliesportivo em formato de T, em alusão à “Tabajara”, em frente ao posto de saúde, hoje existe apenas uma quadra e uma pista de skate deterioradas. No ano passado, a prefeitura derrubou algumas árvores da praça, que foram replantadas pelos próprios moradores.</p>





<p>O morador Pedro Rogério relata que representantes da Assembleia de Deus de Abreu e Lima informaram que a prefeitura havia doado o terreno para a construção de uma nova unidade da igreja. “Mas não tivemos uma audiência pública, a população não foi ouvida. Nós queremos pelo menos o documento mostrando que a Prefeitura de Olinda doou o terreno para a igreja”, cobrou Pedro no dia do protesto.</p>



<p>“A gente conversou com o pessoal e perguntou se eles tinham alguma autorização. Eles disseram que tinham autorização e que a gente procurasse o Ministério Público”, detalhou à reportagem.</p>



<p>“A gente pediu então para que eles parassem a obra, aí eles ligaram para a prefeitura. Estiveram aqui funcionários da Secretaria de Gestão Urbana e da Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento Urbano. A Defesa Civil já estava presente aqui quando vieram colocar os tapumes. A gente disse que só queria a documentação, ninguém tinha. E até agora não apresentaram”, relata Pedro.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Prefeitura confirma: igreja pediu doação da área</h2>



<p>Em resposta à <strong>Marco Zero</strong>, a Prefeitura de Olinda confirmou que recebeu um pedido formal da Igreja Assembleia de Deus para a doação do terreno e informou que o pedido está em análise pela Procuradoria Geral do Município. “O parecer sobre a viabilidade jurídica do processo será emitido em breve, e as partes envolvidas serão notificadas assim que a análise for concluída”, disse a nota oficial.</p>



<p>A gestão também informou que a igreja não tinha autorização para cercar a praça e também não há autorização para a derrubada de árvores no terreno, uma vez que o processo de doação não foi oficializado. Disse ainda que os funcionários municipais presentes no local “estavam apenas para dirimir o conflito, não tendo como objetivo acompanhar a instalação de tapumes”.</p>



<p>“Os planos para o local ainda estão sendo avaliados, e a Prefeitura segue à disposição para mais esclarecimentos, assim que o processo avançar”, complementou a equipe da prefeita Mirella. “A Prefeitura de Olinda está dialogando com os moradores e as partes interessadas. A situação continua sendo analisada pela Procuradoria Geral do Município, e a Prefeitura segue comprometida em garantir transparência no processo e em manter as partes envolvidas devidamente informadas”, frisou a nota.</p>



<p>A reportagem solicitou entrevista com um representante da Assembleia de Deus de Abreu e Lima na semana passada, mas não obteve retorno.</p>



<p>Um <a href="https://peticaopublica.com.br/?pi=BR147190" target="_blank" rel="noreferrer noopener">abaixo-assinado online</a> endereçado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e à Prefeitura de Olinda reivindica, entre vários pontos, a construção da praça, transparência e investigação imediata sobre o destino do investimento de R$ 2,6 milhões para a construção de praças e espaços de lazer em 2011.</p>





<p>“Isso é um absurdo. Somos um bairro bastante carente, a gente já sofre por falta de saúde e educação. A gente não tem um lugar digno para as nossas crianças brincarem, esse é o único espaço verde em que já existe um projeto e a gente não vai perder esse espaço para a prefeitura de jeito nenhum”, reforça Pedro.</p>



<p>“Eu prefiro a praça para as nossas crianças e os nossos idosos caminharem do que a igreja. O bairro já tem muita igreja, o bairro precisa mais de praça”, diz Irineu William, trabalhador da área de tecnologia de informação, que costuma passear com o filho pequeno e interagir com as pessoas idosas no local.</p>



<p>A aposentada Aleide Mirada também dá sua opinião: “Isso aqui é uma área de mata verde, é um lazer para a gente de idade. Às vezes, a gente vem com as compras lá de baixo e o único lugar que a gente chega para respirar é aqui. Eles querem acabar com uma coisa que serve para o povo. A gente vem de tarde, bota os meninos para brincar. Não estou de acordo, a igreja pode comprar um terreno”.</p>



<p>A vereadora de oposição Eugênia Lima (PT) tem feito cobranças à gestão olindense e se reuniu, no dia 30 de janeiro, com os moradores para tratar da questão. Segundo ela, no entanto, a prefeitura ainda não deu qualquer retorno.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/Tabajara-4-arvores-1.jpg" alt="A imagem mostra uma área arborizada com um caminho de terra que se estende ao longo da foto. Há várias árvores grandes e altas, com troncos robustos e copas densas que fornecem sombra ao caminho. À esquerda do caminho, há uma cerca de concreto e algumas construções ao fundo, incluindo uma pessoa de pé perto da cerca e outra pessoa caminhando. À direita, o caminho é ladeado por mais árvores e vegetação. A luz do sol está baixa, criando sombras longas das árvores no chão." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">No final de semana, comunidade realizou mutirão para limpar o terreno
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/assembleia-de-deus-quer-ganhar-terreno-publico-onde-deveria-ser-uma-praca-em-olinda/">Assembleia de Deus quer ganhar terreno público onde deveria ser uma praça em Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Adesão a Vinicius Castello inclui aliados de Lupércio e agremiações de carnaval</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Oct 2024 20:43:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[eleição 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Menos de uma semana depois do primeiro turno das eleições, com costura do prefeito reeleito do Recife, João Campos (PSB), aliados do prefeito Lupércio (PSD) estão mudando de lado e anunciando apoio a Vinicius Castello (PT) para a Prefeitura de Olinda. Nesta sexta-feira, 11 de outubro, foi a vez do MDB anunciar que está com [&#8230;]</p>
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<p>Menos de uma semana depois do primeiro turno das eleições, com costura do prefeito reeleito do Recife, João Campos (PSB), aliados do prefeito Lupércio (PSD) estão mudando de lado e anunciando apoio a Vinicius Castello (PT) para a Prefeitura de Olinda. Nesta sexta-feira, 11 de outubro, foi a vez do MDB anunciar que está com o petista. </p>



<p>Os vereadores Saulo Holanda — o mais votado destas eleições e presidente da Câmara Municipal — e Milcon Rangel declararam publicamente apoio a Vinicius. Além disso, dezenas de agremiações carnavalescas estão se articulando esta semana para fazer um grande desfile conjunto em apoio ao candidato da esquerda no sábado (19) no Sítio Histórico de Olinda. </p>



<p>Vinicius obteve 80.422 votos no primeiro turno (38,75%), à frente da adversária Mirella, com 62.289 mil votos (30,02%).</p>



<p>Na quarta (9), ele embarcou para Brasília para um encontro com Lula e os senadores petistas Humberto Costa e Teresa Leitão com o objetivo de tentar a vinda do presidente, além de garantir fotos e vídeos para reforçar a campanha.</p>



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	                                        <p class="m-0">Vinicius Castello foi a Brasília para tentar agenda de Lula em Olinda. Crédito: Ricardo Stuckert</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Antes, no mesmo dia, em coletiva de imprensa, o vice-prefeito e presidente do PP de Olinda, Márcio Botelho, desafeto de Lupércio, anunciou apoio a Vinicius. Botelho concorreu nestas eleições e terminou em quatro lugar, com 9.989 votos (4,81%).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Márcio Botelho (PP) declara apoio a Vinicius Castello (PT) para o segundo turno em Olinda. Crédito: @viniciuscastelllo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Antônio Campos (PRD) também se aliou ao petista contra Lupércio e Mirella, que tem apoio da governadora Raquel Lyra (PSDB). Antônio obteve 3.124 votos (1,51%) no último domingo (6).</p>



<p>O Avante também deve debandar da base de Lupércio e mudar o apoio de Mirella Almeida (PSD) para Vinicius, segundo informações que circulam nos bastidores. A confirmação deve ser feita ainda nesta sexta (11). Reeleito para o nono mandato consecutivo, o vereador Biai já teria dito que está com a oposição neste segundo turno.</p>



<p>A tendência é que todos os vereadores eleitos, com exceção dos nomes do PSD, apoiem Vinicius.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Olinda terá carnaval para Vinicius</h2>



<p>Nesta quinta (10), o tradicional Eu Acho É Pouco, fundado em 1977, ainda na Ditadura Militar, foi o primeiro a anunciar formalmente que está com Vinicius e que, “em breve”, divulgará “todos os detalhes do desfile em prol da campanha”.</p>



<p>“Para nós, não há outra possibilidade que não seja o caminho pela esquerda, o apoio às candidaturas de esquerda”, disse à <strong>MZ</strong> Luciana Veras, integrante do Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho É Pouco.</p>



<p>Ela lembrou que “Olinda é uma cidade libertária por excelência. Uma cidade pujante no campo da cultura, do patrimônio histórico, da arquitetura. Uma cidade que precisa fazer jus a todo esse potencial”, complementou justificando o apoio a Vinicius.</p>
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		<title>Rio Doce, em Olinda, espera por reforma de policlínica desde o início da gestão Lupércio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Sep 2024 20:21:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[rio doce]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Parte da população da IV etapa de Rio Doce, em Olinda, onde vivem cinco mil pessoas, enfrenta o abandono de uma policlínica há sete anos. Em vez de atendimento médico, o que se vê no terreno é mato alto, lixo, entulho e grades e janelas furtadas. Na frente, uma placa escancara o atraso: com recurso [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Parte da população da IV etapa de Rio Doce, em Olinda, onde vivem cinco mil pessoas, enfrenta o abandono de uma policlínica há sete anos. Em vez de atendimento médico, o que se vê no terreno é mato alto, lixo, entulho e grades e janelas furtadas. Na frente, uma placa escancara o atraso: com recurso de cerca de R$ 1 milhão assegurada pelo Governo Federal, a mais recente promessa de reforma deveria ter começado em agosto de 2023 e terminado em janeiro deste ano. </p>



<p>Enquanto isso, as famílias que precisam de atendimento têm que se deslocar para outras unidades de saúde e enfrentar filas de espera. Em um dos redutos eleitorais do prefeito Professor Lupércio (PSD), há quase oito anos à frente da gestão municipal, a saúde na VI etapa de Rio Doce é o tema da segunda reportagem da série <em>A Olinda que a prefeitura esqueceu</em>. Ao final, conheça as propostas dos candidatos à prefeitura este ano.</p>



<p>“Para eu pegar a ficha para o médico é difícil. Porque eu não posso andar, eu tenho a perna amputada. Para eu andar, eu tenho que depender de uma cadeira, de um carro, de dinheiro, de gente. Quando a policlínica era aqui pertinho, era mais fácil”, diz a aposentada Rosilene Maria Dias, 65 anos, moradora da rua Esperança, ao lado da policlínica, há 18 anos. O local atendia, segundo a prefeitura, entre 150 e 200 pessoas por dia quando estava em funcionamento. Quase cega por conta da diabetes, ela perdeu parte de uma perna para a doença em 2020 e precisa constantemente de consultas e exames. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0457.jpg" alt="Foto da placa Reforma na policlínica de Rio Doce, diante de prédio térreo de paredes brancas e aparentando desgaste. Em torno do prédio há um terreno baldio e de relevo acidentado. A foto foi tirada de dia, com céu azul pálido." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A cuidadora de Rosilene, Maria Luciene da Silva, 56 anos, conta que aguarda há três anos por uma colonoscopia. “Fiz a cirurgia de retirada de um tumor em 2019, tenho a requisição para o exame, mas o pessoal só manda aguardar”, relata, relatando que “todo telefone que toca eu tenho a esperança de que seja do posto de saúde”.</p>



<p>O caso da policlínica abandonada foi parar no Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Em novembro de 2022, foi tema de uma audiência pública em que foi debatida a necessidade de reabertura dos serviços. A audiência aconteceu também para “incentivar a participação efetiva da comunidade diretamente afetada pela ausência da prestação de serviço à saúde no entorno”, como destacou, na época, a promotora Maisa Silva Melo de Oliveira, no texto da convocação.</p>



<p>Em frente à unidade, localizada na rua Trinta e Oito, fica o conjunto habitacional Júlia Beatriz, do Minha Casa Minha Vida, inaugurado pelo então governador Paulo Câmara, em dezembro de 2019, e onde vivem 224 famílias.</p>





<p>Em nota enviada à <strong>Marco Zero</strong> esta semana, o MPPE informou que a 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda acompanha, por meio do procedimento administrativo, as obras da policlínica da IV etapa de Rio Doce. Como último andamento, dentro desse procedimento, a promotoria oficiou a Prefeitura de Olinda, no dia 3 de setembro, cobrando informações atualizadas da reforma. A gestão municipal tem um prazo de 30 dias para responder.</p>



<p>A dona de casa Francinete Maria Pimentel, 43 anos, tem cinco filhos, mora desde 1998 na comunidade CSU (Centro Social Urbano), como é conhecida essa localidade da IV etapa. Ela denuncia que cupins da policlínica abandonada já invadiram casas e que a quantidade de muriçocas aumentou bastante por causa do mato. De acordo com Francinete, para marcar médico em outro posto é preciso se arriscar saindo de casa de madrugada. Por orientação municipal, a policlínica da II etapa, a dois quilômetros, e outra policlínica da IV etapa, a um quilômetro de distância, estão acumulando os pacientes da comunidade CSU. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0473.jpg" alt="Foto de Francinete Maria Pimentel e sua filha Débora Vitória. Ela é uma mulher negra, de cabelos crespos grisalhos presos atrás da cabeça, usando um vestido preto estampado com flores brancas. A menina é negra, usando vestido estampado laranja de alças." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo os indicadores de saúde (2017 a 2020), somente 50% dos olindenses tinham cobertura de agentes de saúde e 39% de saúde bucal. “A população aqui precisa muito, sobretudo as crianças e os idosos. Aqui perto, só temos a policlínica”, acrescenta a dona de casa. Além disso, ela reclama que não há dentista. Recentemente precisou se apertar para pagar por um procedimento dentário. &#8220;Mas a gente não tem condições muitas vezes de pagar R$ 100 a um dentista. Somos pessoas que vivem de Bolsa Família, de faxina&#8221;, explica. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Empresa contratada descumpriu contrato </h2>



<p>À reportagem, a Prefeitura de Olinda informou que a primeira empresa licitada para reformar a policlínica da IV etapa de Rio Doce, a BSR Construtora e Incorporadora, descumpriu o contrato e foi punida. O reinício das obras está agora a cargo da Projetar Construções e Projetos. Diferente do que a MZ constatou na semana passada e do que os moradores da área relatam, a prefeitura afirma que a Projetar reiniciou os serviços em julho. No dia em que visitamos o local, havia somente um vigilante. </p>



<p>Segundo o plano de ação pactuado com a Caixa Econômica Federal, acrescentou a prefeitura, as obras se estenderão até 26 de dezembro de 2024.Entre a saída de uma e a entrada da outra, “a edificação passou por processo de vandalismo e depreciação, levando a necessidade de retrabalho alguns destes detectados por ocasião dos serviços ora executados”, diz a nota.</p>



<p>Assim, segundo a gestão, “os valores inicialmente pactuados para reforma da unidade sofreram ajustes necessários para garantia da funcionalidade da unidade custeados como contrapartida do município, através do Tesouro Municipal” e o valor da reforma está agora em R$ 946.752,86.</p>



<p>A prefeitura também acrescentou que há um esforço em reabrir 10 unidades de saúde que estavam fechadas quando Lupércio assumiu. A policlínica da IV etapa de Rio Doce é a única ainda sem entrega.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Resumo das principais propostas para a saúde</span>

		<p><b>Mirella</b> <b>(PSD)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Instituir um modelo de implantação de regiões sanitárias<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar a cobertura da Estratégia de Saúde da Família<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Transformar o perfil da Policlínica João de Barros Barreto em uma UPA-E<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Firmar parceria com o governo estadual para instalação de uma UPAe<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reabertura da Maternidade Brites de Albuquerque<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Instituir uma Política Municipal de Atenção à Saúde Bucal<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implementar duas Policlínicas da Mulher<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Investir na qualificação do atendimento em saúde para os casos de violência </span><span style="font-weight: 400;">doméstica e sexual<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Instituir uma Política Municipal de Regulação em Saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implementar o Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD)<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar as ações de promoção, prevenção e assistência da saúde mental<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar um centro municipal de atenção às pessoas com Transtorno do Espectro </span><span style="font-weight: 400;">Autista (TEA)<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar o acesso aos medicamentos da atenção básica e a entrega em casa de kit de </span><span style="font-weight: 400;">medicamentos de uso contínuo<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Disponibilizar meios de transporte para atendimento de emergência<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aprimorar a atenção à saúde para atendimento da população descoberta e de áreas </span><span style="font-weight: 400;">de difícil acesso<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Criar área dentro da gestão para apoiar a formação continuada dos profissionais de </span><span style="font-weight: 400;">saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aprimorar a informatização de todas as unidades de assistência à saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Otimizar os canais de comunicação e interação com os usuários<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Qualificar a gestão das unidades de saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fortalecer e ampliar o atendimento nos CAPS<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Modernizar a Vigilância Sanitária<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fortalecer as ações desenvolvidas pelos agentes comunitários de saúde e pelos </span><span style="font-weight: 400;">agentes comunitários de endemias<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Realizar eventos municipais de saúde, com vista à educação da comunidade<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Criação do Programa Nova Visão, com exames oftalmológicos e aquisição de óculos<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aumentar a quantidade de Academias da Saúde</span></p>
<p><b>Vinícius Castello (PT)</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Requalificar, reformar e ampliar o serviço público de saúde municipal, melhorando as </span><span style="font-weight: 400;">Unidades de Saúde, os Pronto-Socorros e reestruturando os hospitais, ampliando o número de </span><span style="font-weight: 400;">leitos para pronto-atendimento</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span>&#8211; Garantir acesso ao atendimento ginecológico de qualidade e ampliar o número de leitos <span style="font-weight: 400;">da obstetrícia, com incentivo aos programas de parto humanizado<br />
</span>&#8211; Expandir o Ambulatório Rafaella Cicarelli, de atenção às pessoas LGBTQIAPN+<br />
&#8211; Apoiar e ampliar o Programa Brasil Sorridente<br />
&#8211; Implementar Práticas Integrativas e Complementares de Saúde (PICS)<br />
&#8211; Fortalecer as Políticas Municipais de Vigilância em Saúde &#8211; sanitária, epidemiológica, <span style="font-weight: 400;">ambiental e de trabalhadoras e trabalhadores<br />
</span>&#8211; Criação de centro técnico especializado de referência em saúde e atenção psicossocial <span style="font-weight: 400;">às pessoas atípicas e com deficiência.</span></p>
<p><b>Izabel Urquiza (PL)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Investir em políticas de saúde da pessoa com deficiência<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Investir em políticas de atenção básica, ampliando a cobertura da estratégia saúde da família e instituindo horários estendidos<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Priorizar a saúde bucal, contratando unidades odontológicas móveis<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover o controle de doenças crônicas não transmissíveis<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fomentar programas de saúde ocular e de atenção à saúde da mulher<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Retomar a maternidade municipal<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar um aplicativo que conecte a população aos serviços de saúde do município<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar um núcleo de telemedicina<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar o número de equipes e equipamentos de diagnóstico por imagem<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Investir na assistência farmacêutica criando um comitê de farmacoterapia<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover políticas e rede de urgência e emergência, fortalecendo o SAMU<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Viabilizar programas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA)<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover a regulação operacional da saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover e garantir cuidados abrangentes e de qualidade para a população idosa<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fortalecer a equipe médica através da contratação de profissionais por processos seletivos ou concursos públicos<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fazer parcerias com faculdades para recrutar internos e aprimorar a formação da equipe<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Melhorar o atendimento nas policlínicas e centros de especialidades<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar a oferta de serviços especializados<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Oferecer diagnósticos precoces e tratamentos especializados mais acessíveis<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar alternativas de contratação e fixação de profissionais médicos especialistas<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar telemedicina para consultas de especialistas de difícil fixação local<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar prontuário eletrônico na rede especializada integrado à atenção básica<br />
</span>&#8211; Aumentar a adesão e o acesso aos serviços de saúde da família rural<br />
<span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar e qualificar os serviços de pré-natal e pós-natal<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Desenvolver campanhas educativas sobre cuidados durante a gravidez e planejamento familiar<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implementar programas de educação sexual em escolas e comunidades<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Disponibilizar métodos contraceptivos gratuitos (DIU hormonal) e serviços de orientação sobre planejamento familiar<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover campanhas de conscientização sobre a prevenção e controle de ISTs<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Disponibilizar testes rápidos e gratuitos para ISTs<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Oferecer suporte contínuo para pessoas vivendo com HIV/AIDS<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Expandir os programas de rastreamento e diagnóstico precoce de câncer de colo de útero e mama<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reduzir as taxas de morbidade e mortalidade feminina associadas a doenças evitáveis e condições graves<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aprimorar a atenção clínico-ginecológica</span></p>
<p><b>Antônio Campos</b> <b>(PRTB)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Médicos nos bairros<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reestruturação dos postos de saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Rotatividade mamamóvel<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aumento de equipes PSF<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aplicativo Saúde Agora<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Hospital da Mulher<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Centro de saúde mental<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Banco de leite </span></p>
<p><b>Márcio Botelho</b> <b>(PP)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover a informatização do sistema de saúde para eliminar filas e resolver problemas de marcação e atendimento<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Desenvolver app municipal para agendar consultas e exames e acompanhar entrega de medicamentos, resultados de exames e marcações de consultas<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Expandir a Estratégia Saúde da Família (ESF)<br />
</span>&#8211; Incentivar mutirões de saúde para reduzir filas<br />
<span style="font-weight: 400;">&#8211; Implementar o sistema HÓRUS, do Ministério da Saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Estabelecer laboratório de prótese dentária<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Estabelecer Centro de Imagem Municipal, com raio-X, ultrassonografia, mamografia, ecocardiograma e eletrocardiograma<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reestruturar unidades de saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reabrir, investir e expandir laboratório de coletas de exames<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar casa de parto</span></p>
	</div>
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		<title>Quem mora junto aos morros de Olinda vive com medo de perder tudo a cada inverno</title>
		<link>https://marcozero.org/quem-mora-nos-morros-de-olinda-vive-com-medo-de-perder-tudo-a-cada-inverno/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Sep 2024 20:59:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
		<category><![CDATA[geomantas]]></category>
		<category><![CDATA[lonas plásticas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem mora em Águas Compridas, em Olinda, conhece alguém ou mora em uma área próxima a barreiras e encostas. O bairro, que se espalha por vários altos e morros da Região Político Administrativa 2 (RPA), enfrenta diversos problemas em relação à infraestrutura. Eu sou uma dessas pessoas. Olindense, vivi minha infância e adolescência em diferentes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco, Olinda é uma das cidades mais populosas de Pernambuco, onde vivem quase 400 mil pessoas. Boa parte dessa população se queixa que foi esquecida pela prefeitura e relata problemas de infraestrutura, segurança, educação, acesso à saúde e assistência social. A Marco Zero visitou os bairros olindenses durante os últimos 15 dias, conhecendo os problemas que não foram solucionados em quase oito anos da gestão do professor Lupércio Nascimento (PSD) e que serão desafios para quem assumir o cargo em 2025. Desta quarta-feira (11) até sábado (14), a <strong>MZ</strong> apresenta algumas dessas histórias e as propostas dos candidatos à Prefeitura de Olinda na série de reportagens <em>A Olinda que a prefeitura esqueceu</em>, produzida por Jeniffer Oliveira e Raissa Ebrahim com imagens de Arnaldo Sete.</p>
    </div>



<p>Quem mora em Águas Compridas, em Olinda, conhece alguém ou mora em uma área próxima a barreiras e encostas. O bairro, que se espalha por vários altos e morros da Região Político Administrativa 2 (RPA), enfrenta diversos problemas em relação à infraestrutura. Eu sou uma dessas pessoas. Olindense, vivi minha infância e adolescência em diferentes endereços de diversos bairros da cidade, dessa mesma região. </p>



<p>Quando minha família retornou à Águas Compridas, em janeiro de 2015, eu, minha mãe e meus irmãos não imaginávamos que viveríamos com medo do deslizamento de terra em cima de nossa casa, que é exatamente o que se passa com 50% da população olindense que vive em áreas de morros. A residência em questão, localizada na Estrada de Mirueira, foi construída em um terreno comprado nos anos 1980, lugar em que minha mãe cresceu e, até maio de 2022, os fortes ventos e chuvas não eram uma preocupação, mas passaram a ser depois da madrugada de 28 de maio de 2022.</p>



<p>Naquele dia, parte da barreira que fica atrás da nossa casa deslizou. No padrão das ocupações de morro, essa barreira fica no quintal de três casas que estão na parte baixa e, em cima dela, existem outras duas. Minha mãe, Michele Oliveira, 45 anos, relembra que “já havia cedido antes, mas muito pouco. Porém, em 2022, foi a primeira vez que cedeu muito e em pontos maiores”. A partir daquele dia, estar na nossa casa não parecia seguro, e não era.</p>



<p>Nós dividimos por dois meses a moradia com mais quatro pessoas na casa da frente, até a Prefeitura de Olinda, depois de muitos acionamentos, colocar a lona plástica. De acordo com a gestão municipal, aproximadamente 50 locais estão listados como prioridade para a Secretaria Executiva de Defesa Civil, entre eles Caixa D’Água, Águas Compridas, Córrego do Abacaxi, Córrego do Abacate, Alto Nova Olinda, Passarinho e Alto da Bondade.</p>



<p>Segundo o Plano de Contingência para ações de Resposta a Desastre e Situações Emergenciais de 2023/2024, realizado pela prefeitura, 122 locais são considerados setores de risco, classificados entre baixo e muito alto. Para minimizar os danos, equipes de instalação de lonas plásticas estão nas ruas com a meta de cobrir um espaço de 850 mil metros quadrados este ano.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0423.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0423.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0423.jpg" alt="A imagem mostra uma grande encosta erodida coberta com lonas pretas. Na base da encosta, há uma mulher negra, de meia-idade, usando um vestido de estampa florida, olhando para a câmera. Ao redor dessa pessoa, há vários pedaços de madeira e destroços espalhados no chão, sugerindo uma barreira improvisada ou danos estruturais anteriores. Também há várias galinhas visíveis no primeiro plano, no canto inferior direito da foto." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Valdelice Barbosa convive há 20 anos com o medo
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>No entanto, moradores precisam se mobilizar para conseguir atendimento da Defesa Civil. Perto dali, no Córrego da Bondade, localizado entre o Alto da Bondade e o Alto Sol Nascente, a pensionista Valdelice Barbosa, de 63 anos, convive há 20 anos com o risco iminente da barreira deslizar sobre sua casa. No caso dela, nem acionar a gestão municipal adiantou para que a lona plástica fosse instalada. Valdelice conta que, em todos esses anos, a Defesa Civil colocou o material apenas uma vez.</p>



<p>“Faz dois anos que eu compro lona no armazém, porque eles não têm capacidade nem de dar o material nem de vir botar. E eu ainda tenho que pagar para botarem. Isso é falta de consideração e respeito pelo próximo. Verbas existem, eles poderiam muito bem colocar ‘manta geo’, porque é disso que eu preciso”, relata Valdelice.</p>



<p>De fato, a prefeitura informa que a edição mais recente da Operação Inverno contou com investimentos de R$ 32 milhões e que os recursos têm sido utilizados para aluguel de maquinário, instalação de lonas e serviços, incluindo o corte de pontos de vegetação que possam gerar a movimentação de barreiras. Esse recurso também é direcionado à aplicação da geomanta, material que impermeabiliza as barreiras, evitando a erosão e o deslizamento. São cerca de 38 mil metros quadrados previstos para esse processo, mas a gestão não detalhou as áreas que serão contempladas.</p>



<p>Enquanto isso, os moradores seguem convivendo com a angústia. “Quando pega o inverno a gente fica preocupado, até pra dormir fica com medo. A gente dorme no quarto da frente, mas aqui atrás a gente não fica. Evitamos ficar na cozinha e nos quartos de trás”, afirma Aldemar Freire, de 57 anos, que mora no local com a esposa há 19 anos. Na casa ao lado, mora a filha, o genro e os quatro netos.</p>



<p>Ele conta que a barreira já deslizou e o barro chegou até a porta da sua cozinha, mas não derrubou a estrutura. “Até hoje só fazem colocar um plástico e pronto. Nunca vieram fazer nada aqui (além disso). A gente faz o pedido e demora muito pra chegar, fica naquela ‘peleja’, esperando eles botarem. Esse plástico mesmo já faz um bom tempo que colocaram, já está até ressecado”, completa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0436.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0436.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0436.jpg" alt="Foto de Aldemar Freire, homem de meia idade, negro e magro, usando camiseta branca com listas amarelas e azuis, posando diante de uma encosta parcialmente coberta por uma lona preta rasgada, tendo ao fundo uma construção precária, de tijolos aparentes bastante desgastados." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Por pouco a barreira não derroubou a casa de Aldemar Freire no inverno anterior
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Lona plástica e geomanta são paliativos</h2>



<p>Com a necessidade da manutenção recorrente e trocas anuais, as lonas plásticas são soluções paliativas. O ideal seriam soluções de engenharia para as áreas de barreiras e encostas. É o que explica a engenheira civil Hilda Gomes, diretora executiva da empresa Colmeia Arquitetura e Engenharia, que é servidora aposentada do município e já foi secretária de Obras da cidade. </p>



<p>“A lona plástica não é uma solução definitiva, porque ela não estabiliza o talude, ela apenas protege o talude da erosão, da água cair sobre ele e fazer erosões maiores. A lona é um simples paliativo que se coloca para que depois venha uma solução definitiva de contenção do talude”, esclarece.</p>



<p>Talude é o termo técnico usado na construção civil para barreiras e encostas, que são chamadas de taludes naturais, se caracterizando por ser uma superfície inclinada de terra ou rocha. Para que a instalação da lona cumpra seu papel de forma efetiva, é necessário algumas especificações.</p>



<p>“Não é só jogar a lona em cima do talude. Tem que colocar direito para que a água não penetre por trás da lona. Realmente, no inverno rigoroso, ela, pelo menos, serve de um paliativo para que aquela barreira não se eroda mais ainda e não venha a cair. Inclusive, se não trocar, ela resseca o sol e com o tempo, rasga também”, afirma.</p>



<p>Existem algumas soluções mais duradouras. Diferente do entendimento do senso comum, a engenheira explica que a geomanta também é uma solução paliativa, pois é executada apenas para a impermeabilização do solo, mas com uma durabilidade maior que a lona plástica.</p>



<p>O ideal seriam soluções de engenharia executadas a partir de uma análise técnica profissional. “O muro de arrimo é uma solução de engenharia. Aqui em Recife usa-se muito também o rip rap, que são sacos preenchidos com solo e cimento. Também o gabião, que é um outro tipo de muro de arrimo colocado com tela. Tudo isso são soluções de engenharia, porque são calculados, a engenharia calcula para fazer esse projeto”, reforça.</p>



<p>Para a efetividade de qualquer projeto definitivo de contenção, precisam ser pensados uma série de fatores e um dos principais é a drenagem, como explica Hilda: “A gente tem também que fazer a micro drenagem chegar à macro drenagem. Ou seja, drenar aquela barreira para chegar a uma drenagem maior, que seja um córrego, um rio, um local de escoamento, porque senão você só transfere o problema de um local para outro”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0415.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0415.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0415.jpg" alt="A imagem mostra uma grande encosta de terra erodida, coberta por várias peças de lona preta rasgada. A lona parece ser uma tentativa de proteger a encosta da erosão ou de conter a terra, mas está danificada e ineficaz em alguns pontos, com rasgos e buracos que deixam a terra exposta. No topo da encosta, há vegetação e uma cerca de arame ao longo da borda." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Prefeitura não respondeu sobre troca das lonas do Córrego da Bondade
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A equipe da Marco Zero questionou a prefeitura de Olinda sobre quantos metros quadrados de lona plástica foram instaladas e quantos metros quadrados de geomanta foram construídos. Perguntamos também a respeito do prazo de substituição das lonas plásticas do Córrego da Bondade. Não houve resposta aos nossos questionamentos. Quando houver retorno, o texto será atualizado com as informações.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Desafio para a próxima gestão</h3>



<p>Quem for eleito vai precisar olhar para essas localidades e para as que não estão no atual plano de contingência, mas que fazem parte da mesma região. Ao analisar as propostas de governo de cada um dos seis candidatos à prefeitura de Olinda, é possível ver que apenas dois citam barreiras e áreas de risco, duas apresentam soluções para encostas e os outros dois não citam os temas em suas propostas de governo.</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Vinicius Castello, propõe implementar uma infraestrutura de saneamento ambiental nas áreas de risco de deslizamento e inundações e elaborar um Plano Municipal de Adaptação às Mudanças Climáticas com participação ampla das pessoas e dos territórios mais impactados pelos efeitos da mudança do clima. </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Antônio Campos, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), apresenta apenas as diretrizes básicas do plano de governo, entre elas o monitoramento das áreas de risco e aplicação de “gel (sic) mantas” em barreiras.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Izabel Urquiza, do Partido Liberal (PL), não fala especificamente sobre barreiras, mas cita minimizar a infiltração e sobrecarga nas encostas, para melhorar a segurança das áreas vulneráveis e prevenir futuros deslizamentos, além de superar a abordagem paliativa da antiga gestão, adotando soluções permanentes e técnicas adequadas para garantir a proteção e estabilidade das áreas afetadas.</p>
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                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>A candidata Mirella Almeida, do Partido Social Democrático (PSD), também fala sobre encostas, propondo criar um setor, dentro da gestão pública, de captação de recursos para a área de infraestrutura, priorizando as encostas, rios e canais.</p>
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                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Os candidatos Márcio Botelho, do Partido Progressista (PP) e Clécio Basílio, do Partido da Causa Operária (PCO), não apresentam soluções para barreiras, encostas e áreas de risco.</p>
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