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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Transparência no São João: Painel revela cachês dos artistas em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Nov 2024 19:50:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) lançou uma plataforma online que oferece transparência sobre os gastos das prefeituras com os festejos juninos no estado. O projeto, realizado em parceria com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e a Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), permite que o público visualize os contratos realizados, os valores pagos e os artistas contratados para as apresentações. A plataforma também revela que Caruaru foi a cidade que mais investiu em festejos juninos, seguida por Petrolina e Recife. O MPPE pretende expandir o projeto para outras festas populares, como o Carnaval.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) entregou o Selo Transparência Festejos Juninos 2024 às prefeituras e setores do governo estadual que colaboraram voluntariamente com informações sobre contratações artísticas do período. O evento, organizado em parceria com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e a Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), aconteceu na semana passada.</p>



<p>É importante destacar que o selo não avalia a legalidade dos contratos, mas sim a iniciativa de disponibilizar as informações de forma transparente. Todos os 184 municípios e o Distrito de Fernando de Noronha colaboraram com o painel, assim como a Empresa de Turismo (Empetur) e a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), do governo estadual.</p>



<p><a href="https://portal.mppe.mp.br/web/festejos-juninos">Confira aqui o Painel de Transparência dos Festejos Juninos </a></p>



<p>Os dados, repassados ao painel pelos gestores, apontam 5.275 apresentações e 2.656 artistas contratados, com um total de R$ 203,2 milhões aplicados.</p>



<p>Pela plataforma do MPPE, é possível saber quais atrações foram contratadas pelos órgãos, quanto foi pago e a data dos shows. A dupla sertaneja Henrique &amp; Juliano foi quem recebeu o maior cachê do São João em Pernambuco: 1,5 milhão para uma apresentação em Caruaru, no dia oito de junho. </p>



<p>Wesley Safadão e a estrela baiana Ivete Sangalo ficam empatados com o segundo maior cachê, de R$ 900 mil. Mas Wesley Safadão fez dois shows no estado (Petrolina e Santa Cruz do Capibaribe) e Ivete apenas um, em Caruaru. O terceiro maior cachê, de R$ 800 mil, é da dupla sertaneja Jorge &amp; Mateus, que cantou em Petrolina.</p>



<p>Os cachês mais baixos são dos artistas locais e da cultura popular. Oziel e sua boneca Rita recebeu apenas R$ 133 por cada uma das dez apresentações que fez em Limoeiro.</p>



<p>A plataforma mostra que Caruaru foi o município que mais gastou com os festejos juninos, com investimentos de R$ 29,28 milhões. Em seguida, vem Petrolina com R$ 15,29 milhões e o Recife, com R$ 9,5 milhões.</p>



<p>O trabalho para criação do painel foi coordenado pelo Centro de Apoio Operacional em Defesa do Patrimônio Público e Terceiro Setor do MPPE. De acordo com o promotor de Justiça Hodir Flávio Guerra Leitão de Melo, coordenador do CAO Patrimônio Público, a intenção é manter o painel nos próximos anos e criar a versão para outras festas populares, como o Carnaval.</p>
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		<title>&#8220;Terra sem lei&#8221; dos megaeventos no Brasil explica morte e caos no show de Taylor Swift</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Nov 2023 20:13:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Erika Muniz* e Henrique Tenório** Ela é a artista que coleciona o maior número de Grammys na categoria principal de Álbum do Ano e a única mulher a vencer nessa modalidade três vezes. Além disso, é a cantora que conquistou, neste ano, o maior número de vendas de álbuns nos EUA. Ela também é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Erika Muniz* e Henrique Tenório**</strong></p>



<p>Ela é a artista que coleciona o maior número de Grammys na categoria principal de Álbum do Ano e a única mulher a vencer nessa modalidade três vezes. Além disso, é a cantora que conquistou, neste ano, o maior número de vendas de álbuns nos EUA. Ela também é a primeira artista a ter seis lançamentos de álbuns em primeiro lugar nas paradas – para se ter uma ideia, apenas em 2023, são mais de um milhão e meio de cópias vendidas em seu país, além de mais de três milhões e meio no resto do mundo. E, em junho de 2023, a cantora e compositora Taylor Swift – dona desses números – anunciou sua vinda ao Brasil para a apresentação de seis shows da sua mais recente turnê <em>The Eras</em>. Em novembro, a ícone pop chegou aos palcos brasileiros para finalizar a sua primeira passagem com grandes shows pela América Latina, se apresentando em estádios como o Engenhão (RJ) e Allianz Parque (SP), além de já ter passado pelo Foro do Sol, no México, e pelo Monumental de Nuñes, na Argentina. </p>



<p>Entretanto, na sexta-feira (17), dia do primeiro show da artista, na capital carioca, uma alta onda de calor com temperaturas até 5ºC acima da média, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), dificultou a experiência do público. Alguns veículos de comunicação afirmam que os fãs foram submetidos a uma sensação térmica de até 59,3ºC no estádio Nilton Santos. Embora estivesse diante deste cenário de perigo climático, os espectadores foram impedidos de entrar no evento com garrafas de água, resultando em casos de desidratação, por conta das altas temperaturas no local. A noite da primeira apresentação acabou sendo marcada por uma morte e mais de 1.000 desmaios, segundo o Corpo de Bombeiros fluminense registrou.</p>



<p>Ana Clara Benevides, jovem negra de 23 anos, veio a óbito após passar mal devido ao calor excessivo e sofrer uma parada cardíaca. Fã de Taylor Swift, Ana era estudante de Psicologia na Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) e tinha o sonho de assistir a artista estadunidense. Em nota publicada nas redes sociais, a empresa Time For Fun (T4F), produtora responsável pelos shows da <em>The Eras</em>, no Brasil, informou que, após se sentir mal, Ana recebeu pronto-atendimento de brigadistas e paramédicos. A seguir, foi encaminhada para o posto médico do estádio e transferida ao Hospital Salgado Filho, no Méier, falecendo cerca de uma hora após o início do atendimento de emergência.</p>



<p>Em pronunciamento no Instagram, Taylor Swift sinalizou o luto, em trecho: “Quero dizer agora que sinto a perda profundamente, e meu coração partido está junto com ela, sua família e amigos”. Por conta da permanência das altas temperaturas, o segundo show que ocorreria no sábado (18/11) no Engenhão, foi adiado para a segunda-feira (20/11). Até o momento da publicação deste texto, tanto a produtora T4F quanto a equipe da artista não assumiram oficialmente responsabilidade sobre os problemas ocorridos durante o evento que levaram a fã ao óbito.</p>



<p>Os grandes espetáculos de música voltaram com intensidade após o fim da obrigação do uso de máscaras por conta da pandemia, em março de 2022. Ao mesmo tempo, são recorrentes as denúncias e insatisfações em relação à falta de organização e às estruturas precárias. Em março de 2023, o festival de música Lollapalooza, realizado em São Paulo e organizado também pela T4F, recebeu, assim como em 2019, denúncias de trabalho análogo à escravidão após fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego. Foram resgatados cinco trabalhadores que prestavam serviços informais para o festival. Em setembro do mesmo ano, relatos de superlotação e riscos de aglomeração marcaram a primeira edição do festival The Town, de Roberto Medina, realizada, assim como o Lollapalooza, no Autódromo de Interlagos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Festival Lollapalooza no autódromo de Interlagos. Crédito: Instagram @lollapaloozabr</p>
	                
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<p>A normalização da precariedade na organização de grandes eventos de música faz parte de um descaso estrutural no Brasil, indica Adriana Amaral, professora da Universidade Paulista (Unip), pesquisadora do CNPq e coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Cultura Pop, Comunicação e Tecnologias (Cultpop) da Unip. Ou seja, existe uma questão financeira relacionada ao capitalismo, que prioriza o lucro, mas não se compromete com a qualidade da contratação e prestação de serviços, mesmo com a cobrança de altos valores dos ingressos. </p>



<p>Há também um discurso que naturaliza essa dinâmica, justificando que: “evento grande é assim mesmo, faz parte da experiência”. Esse cenário, segundo ela, faz com que, no país, as políticas que regulam o funcionamento de espaços de entretenimento atendam a demandas posteriores à ocorrência de catástrofes. É como se, ao invés de prevenir fatalidades, somente após uma situação gravíssima, como a da última sexta (17), os órgãos responsáveis pela fiscalização fossem mobilizados para garantir a total segurança do público presente. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Faltou água, mas teve distribuição de Rivotril</h2>



<p>O setor de eventos é responsável por aproximadamente 4% do PIB brasileiro, segundo dados da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape). No primeiro semestre de 2023, o saldo do setor apresentou um crescimento de 42,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o IBGE e o Ministério do Trabalho e da Previdência.</p>



<p>O alto preço dos ingressos e a presença massiva de patrocinadores marca a realização não só dos festivais de música – o bilhete para o Lollapalooza chegou a custar entre R$ 550 (meia-entrada) a R$ 2.420 (inteira <em>Lounge Day</em>) para um único dia de shows –, como também de apresentações solo de artistas internacionais, que vêm ao Brasil. </p>



<p>Um exemplo mais recente é a passagem do cantor canadense The Weeknd, em outubro de 2023, com a turnê <em>After Hours Til Dawn,</em> no mesmo estádio Engenhão, onde Taylor está se apresentando. Na ocasião, os valores variavam de R$175 (meia-entrada para cadeira superior) a R$ 860 (inteira pista premium). Para o show de Taylor Swift da atual turnê, os preços dos ingressos variaram entre R$ 75 (meia-entrada cadeira superior) e R$ 2.250 (pacote VIP), por pessoa. Mesmo antes do anúncio de sua vinda, a cantora já era uma atração aguardada pelo público brasileiro, por isso, as vendas foram disputadas para todos os setores dos estádios.</p>



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	                                        <p class="m-0">Fãs de Taylor Swift pagaram até R$ 2.250 por um ingresso. Crédito: Instagram @taylorswift</p>
	                
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<p>A precificação – isto é, o valor atribuído, estabelecido por critérios subjetivos – de ingressos para shows no Brasil é complexa. “Além da lógica produtiva, correspondente aos custos totais da produção do espetáculo (geralmente calculados em dólar), é notável como questões de legislações sobre direito a meia-entrada, acordos comerciais de vendas exclusivas e posições em relação ao palco influenciam na produção dos preços”, explica Victor Pires, professor da Universidade Federal do Alagoas (UFAL) e pesquisador vinculado ao Laboratório de Análise de Música e Audiovisual.&nbsp;</p>



<p>Segundo Victor, cada vez mais a precificação do acesso aos shows é estabelecida por um valor especulado em cima de quanto importa a experiência no evento. Nesse contexto, “não existe concorrência quando o assunto é shows”, explica o pesquisador, e complementa: “se a T4F está vendendo os shows da Taylor Swift no Brasil, os fãs estão meio que na ‘mão’ da empresa. Afinal, quanto vale estar perto e ver uma artista pop no seu auge?”. Junto a isso, ele pontua que ainda não existe regulação para as taxas de serviço cobradas por plataformas online de vendas de ingresso. Desse modo, os preços acabam ainda mais caros. “Ficamos a ver um classismo cada vez maior no acesso ao show ao vivo”, conclui.</p>



<p>A <em>The Eras Tour</em>, da Taylor Swift, tem o banco C6 como o principal patrocinador no Brasil. Para a turnê, o vínculo possibilitou a pré-venda exclusiva de ingressos, acesso à crédito para compra de entradas através de investimentos financeiros dos fãs no C6 e sorteio de ingressos. Diferentemente da práxis de apresentações musicais em outros países, como nos EUA, em que a venda de ingressos para a pista é limitada a assentos com o lugar previamente marcado, o que regula o número de pessoas na plateia de maneira mais consistente e diminui o risco de superlotar; no Brasil, existe uma priorização da plateia em pé. Isso amplia a capacidade de espectadores no show, aumentando os lucros para as produtoras, mas também os riscos de aglomerações e tragédias, como a que ocorreu na última sexta.</p>





<p>  Uma das milhares de pessoas que enfrentaram a fila, no estádio Engenhão, para assistir à apresentação de Taylor Swift, a carioca Jéssica Lassance comprou ingresso para a cadeira superior leste. Durante o show, ela afirma que a temperatura estava realmente alta, dificultando até aproveitar a experiência musical. Mas, desde a entrada no local, o calor já fazia parte. Em entrevista à <strong>Marco Zero</strong>, ela conta que, onde estava, era possível comprar água, porém “depois de mais ou menos meia hora, a água vendida estava quente. E o copo de 400ml estava custando R$ 8. Dentro do estádio não vi quase ninguém vendendo água. Era você mesmo que tinha que ir até o lado de fora comprar.”</p>



<p>Relatos de fãs no X (ex-Twitter), como a influenciadora digital Bel Rodrigues, indicam que parte do público não conseguiu ficar dentro do estádio até o final do show. Ainda antes da primeira música, ela estava no setor da pista próxima à grade que separa o público do palco, conta que apresentou sintomas de desidratação, como tontura, visão embaçada e sensação de desmaio. Ao procurar mais de uma vez o posto médico, localizado no interior de onde acontecia o evento, ela relata que foi sugerido pela equipe de saúde o uso de uma dose de clonazepam sublingual – genérico do Rivotril, medicamento tarja preta e só pode ser comercializado com prescrição médica e recolhimento de receita. A indicação e medicação com o comprimido sedativo é relatada na rede X por mais pessoas que buscavam ajuda. O mais alarmante é que uma das possíveis reações adversas do remédio (segundo a bula) é a desidratação. Ou seja, ao invés de uma melhora no quadro de saúde, poderia resultar no agravamento.</p>





<p>Diante de fenômenos da cultura pop que mobilizam fãs do Brasil inteiro – e do mundo – a enfrentarem filas quilométricas, investirem afeto, tempo, dedicação e recursos financeiros na busca por chegar mais próximo e assistir um show de seu ídolo, essas são algumas das questões contemporâneas que fundamentam dinâmicas da vida social.  Sobre esses engajamentos por parte dos fãs, a pesquisadora Adriana Amaral reflete que fazem parte desses investimentos, questões ligadas à sociabilidade, construção de comunidade e senso de pertencimento a um determinado grupo e/ou identidades. No entanto, o que se tem visto, por parte da grande mídia, em relação às abordagens em torno de artistas pop são percepções com pouco aprofundamento ao abordar temas como esses, trazendo perspectivas desatualizadas para pensar questões de consumo e desses fenômenos culturais. Atribuindo, ainda, um lugar de menosprezo com grupos de fãs, principalmente os que são formados por mulheres cis e pela comunidade LGBQTIAP+.</p>



<p>“Acho que a visão da mídia mais tradicional, em geral, é muito redutora sobre o que é o fenômeno da cultura de fãs, ela não consegue compreender essas nuances. E não é que eu esteja dizendo que tudo é lindo e maravilhoso, porque tem problemas, tem questões estruturais dentro dos próprios grupos, mas acho que tem coisas contraditórias, vários elementos, e a imprensa tende a não enxergá-los. A gente sabe que a questão da cultura pop, desde que ela surgiu, tem essa coisa de ‘fútil’, de ‘raso’, é o mesmo argumento desde o século passado. As pessoas não param para pensar sobre esses argumentos, só que eu sempre brinco, digo assim: ‘Ok, a cultura pop é efêmera, mas ela é, ao mesmo tempo longeva, porque até hoje está aqui se discutindo, pode mudar o artista, pode mudar o gênero musical, mas ela perdura’. É uma das coisas que mais perdura em termos de fenômeno midiático. Acho que falta um pouco essa leitura mais culturalista”, afirma Amaral.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Mais regulação e fiscalização</h3>



<p>A importância da regulação e de uma legislação que considere essa realidade como parte da cultura de nosso país, promovendo uma maior segurança e conforto ao público brasileiro, em diferentes eventos de música e de outras expressões artísticas, é imprescindível para que tragédias como a ocorrida na última sexta (17), no Rio de Janeiro, não voltem a se repetir. Além disso, a fiscalização e a garantia de providências cabíveis de recursos de segurança, considerando, inclusive, as mudanças climáticas que vêm se evidenciando, precisam ser efetivas.&nbsp;</p>



<p>Em decorrência da onda de calor que teria causado a jovem estudante Ana Clara Benevides e fez com que mais de mil pessoas desmaiassem, o Ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino se pronunciou, nesse sábado (18), e editou portaria de cumprimento obrigatório e imediato, afirmando que a entrada em shows e outros espetáculos com garrafas de água, além da disponibilização gratuita da bebida, em casos de alta exposição ao calor, será permitida, convocando a empresa responsável pelo evento a oferecer um ambiente adequado ao público presente.</p>



<p>Reiterando que “água é um direito” universal, a deputada Erika Hilton (PSOL) prestou solidariedade à família e amigos de Ana Clara e também se pronunciou sobre o ocorrido. Para ela, a proibição da entrada no estádio com garrafas de água é “criminosa”, decidindo abrir uma denúncia contra a empresa T4F ao Ministério Público Federal.</p>



<p>Entre as últimas atualizações, páginas de fãs da Taylor Swift estão se mobilizando a partir de um abaixo-assinado digital pedindo a criação da Lei Ana Benevides: Água Gratuita em eventos. A petição online já conta mais de 300 mil assinaturas e o engajamento da comunidade de fãs brasileiros de outras artistas internacionais, como Olivia Rodrigo e Billie Eillish, e dos fãs da cantora sertaneja Ana Castela. Em Minas Gerais, a deputada estadual Andréia de Jesus (PT) já protocolou o projeto de lei na Assembleia Legislativa. Na cidade do Rio de Janeiro, a vereadora Thais Ferreira (PSOL) junto a deputada estadual Renata Souza (PSOL), anunciaram o desenvolvimento de um projeto de lei para implantação de tendas de hidratação no município.</p>





<p>*<strong>Jornalista, também é formada em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco. Assina trabalhos na Revista Continente, Quatro Cinco Um, Revista O grito! e Jornal do Commercio.</strong></p>



<p><strong>**Jornalista, pesquisador e doutorando em Comunicação na UFPE</strong></p>



<p></p>
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		<title>Missa do Vaqueiro vira megaevento com show de Gusttavo Lima e briga na Justiça</title>
		<link>https://marcozero.org/missa-do-vaqueiro-vira-megaevento-com-show-de-gusttavo-lima/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2023 17:31:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Serrita &#8211; Luiz Gonzaga moldou um imaginário do Nordeste na música, mas também tinha um projeto de Nordeste. E ele próprio fazia questão de executá-lo. Na sua adorada Exu construiu o primeiro posto de gasolina e um complexo turístico com pousada e museu &#8211; o Parque Aza Branca. Acreditando na educação, pagava ônibus para levar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Serrita &#8211;</strong> Luiz Gonzaga moldou um imaginário do Nordeste na música, mas também tinha um projeto de Nordeste. E ele próprio fazia questão de executá-lo. Na sua adorada Exu construiu o primeiro posto de gasolina e um complexo turístico com pousada e museu &#8211; o Parque Aza Branca. Acreditando na educação, pagava ônibus para levar os estudantes para a faculdade na vizinha Crato, no Ceará. Quando o primo vaqueiro Raimundo Jacó, de Serrita, foi assassinado e o crime ficou impune, em 1954, Gonzaga fez uma das suas canções mais bonitas e doídas<em>, <a href="https://music.youtube.com/watch?v=DjwxlsRXD6o&amp;feature=share" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A morte do vaqueiro</a></em>. Mas não ficou só nisso.</p>



<p>Em 1971, o então pároco de Serrita, padre João Câncio, o procurou e, juntos, deram forma à Missa do Vaqueiro no Sítio Lajes, onde Jacó trabalhou e foi encontrado morto, a 35 quilômetros do centro da cidade, no caminho para Exu. Câncio era um padre progressista, cheio de ideias, que incorporava a cultura da região nas suas missas. Nas mãos do “padre vaqueiro” e de Gonzagão, a missa era não só uma homenagem a Jacó, mas um grito contra as injustiças e impunidades contra o povo mais pobre, em meio a tantas brigas sangrentas por terras e poder político no Sertão.</p>



<p>O que se desenvolveu ao longo dos anos 1970 e 80 é um mosaico da iconografia sertaneja: a figura do vaqueiro trajado de couro, o cortejo a cavalo, o altar com as peças de couro no ofertório. Ainda havia as músicas especialmente compostas para a ocasião por Janduhy Finizola, os poemas e repentes de Pedro Bandeira, também um dos fundadores da missa, os lindos e quase infinitos aboios. Tudo envolvido na liturgia católica, na comunhão do religioso com o sagrado gonzagueano.</p>



<p>À missa, foram se incorporando shows de artistas do forró pé de serra. Foi, por muito tempo, uma festa e uma celebração para os vaqueiros, suas famílias e os aficionados pela ideia do Nordeste vivo, resiliente, festeiro e justo de Gonzaga e seus seguidores.</p>



<p>Corta para 2023.</p>



<p>O comentário em Serrita é sobre a maior Missa do Vaqueiro já vista. É número para todo lado: 500 vaqueiros no cortejo, mais de 400 mil pessoas nos quatro dias de eventos. E o show de Gusttavo Lima? o maior já visto por ali, um público de 120 mil pessoas, mais de 3h de congestionamento para sair do Parque João Câncio, no Sítio Lajes. “Foi um exagero, uma coisa nunca vista por aqui”, diz o vaqueiro Mário Artur, que participa da Missa do Vaqueiro desde a primeira edição.</p>



<p>Faz tempo que o prefeito de Serrita, Aleudo Benedito (MDB), não vem tendo uma vida fácil com a Câmara de Vereadores, formada por uma maioria de aguerrida oposição. Já houve até ameaça de impeachment. Na madrugada de quarta para quinta-feira, ele teve um trunfo: foi chamado ao palco por Gusttavo Lima, e, ao lado da primeira dama, discursou para o público. “A prefeitura agradece seu show. Você está realizando um sonho de muitos serritenses, obrigado por tudo, por ter adotado a cultura do vaqueiro, nossa história”, falou no microfone.</p>



<p>Havia, no entanto, uma liminar que proibia que o prefeito subisse ao palco, usando a Missa do Vaqueiro com possíveis fins políticos. Há uma briga judicial ao redor do evento deste ano: de um lado, a Fundação Padre João Câncio, que por 22 anos fez a produção da festa, do outro, a prefeitura de Serrita, que conta com o apoio do Governo do Estado e da Diocese de Salgueiro.</p>



<p>No cerne da questão, a descaracterização da Missa do Vaqueiro de um evento tradicional sertanejo, com o vaqueiro como protagonista, para um mega festival de música, no estilo da gigantesca ExpoCrato. E um gasto vultoso, que ultrapassa os R$ 3 milhões, em um cidade com apenas 18,2 mil habitantes e 54,5% da população vivendo com menos de um salário mínimo por mês.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/missa10-1024x683.jpg" alt="Grupo de vaqueiros montados em seus cavalos e usando trajes de couro, segurando bandeiras do Brasil e uma bandeira com as cores do arco-íris." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Vaqueiros marcam posição com bandeiras do movimento LGBTQIA+. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo.
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading">Uma missa apressada, quase sem aboios nem repente</h2>



<p>Os shows no palco principal se encerraram na noite de sábado. A Marco Zero esteve na Missa do Vaqueiro no domingo pela manhã. Muitos quilômetros antes do Sítio Lajes começa a movimentação intensa de carros, ônibus e caminhões carregando gente e animais. Nos acostamentos, homens, mulheres e crianças seguem montados em seus cavalos.</p>



<p>São imagens bonitas: algumas centenas de metros antes da entrada do Parque João Câncio, os vaqueiros, vaqueiras &#8211; ou, na verdade, qualquer pessoa que tenha uma montaria disponível &#8211; vão chegando para esperar o cortejo até o palco onde é feita a missa.</p>



<p>Se esperou até que a governadora Raquel Lyra (PSDB) e a vice, Priscila Krause (Cidadania) &#8211; ambas cobertas por bandeiras de Pernambuco &#8211; se posicionassem em seus cavalos brancos, ao lado do prefeito de Serrita e do deputado estadual Aglailson Victor (PSB). Esse quarteto foi à frente das centenas de vaqueiros e vaqueiras durante todo o trajeto. Assistiram também boa parte da missa montados em seus cavalos. Na parte final, subiram ao palco.</p>



<p>Recém-chegado à diocese de Salgueiro &#8211; da qual a paróquia de Serrita faz parte &#8211; o bispo Dom José Vicente já começou a celebração se desculpando. Era a primeira vez dele ali, mas ia precisar fazer uma missa enxuta pois, sem se aperceber das longas distâncias do Sertão, havia marcado um compromisso em Araripina &#8211; que fica a 178 quilômetros de Serrita &#8211; às 16h.</p>



<p>Logo depois, cometeu uma gafe: chamou Francisco Assis Domingos de filho de Raimundo Jacó. Não é: Assis Vaqueiro, como é conhecido, estava no palco representando os vaqueiros, mas não é parente do primo de Gonzagão. Único filho ainda vivo de Raimundo Jacó, Vicente Jacó não compareceu à missa deste ano.</p>



<p></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>A matéria não acaba aqui</strong>, mas interrompemos sua leitura para lembrar que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro.</p>



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</blockquote>



<p>Na missa, os vaqueiros não pegaram o microfone &#8211; apenas um, para uma rápida leitura bíblica. O tradicional coral de aboios mal foi ouvido. A diocese não quis que músicas originais, compostas para a missa por Janduhy Finizola, fossem executadas. “Não será permitida a &#8216;Toada de Gado&#8217; e o ato a que se destina”, diz mensagem da diocese enviada para Helena Câncio &#8211; que se casou com João Câncio nos anos 1980, quando ele abandonou a batina, e comanda a fundação que leva o nome do marido.</p>



<p>Desde o ano 2000, ela estava à frente da organização da Missa do Vaqueiro. Com as exigências do novo bispo, ela desistiu de participar da missa neste ano. Outra mudança drástica estabelecida pela paróquia de Serrita e a diocese foi no ofertório: “Os vaqueiros poderão depositar indumentárias e apetrechos próprios dos vaqueiros, contudo, em silêncio e sem manifestação. Não serão lidos textos”, diz outra mensagem da diocese enviada para Helena.</p>



<p>Ainda que tolhida, houve emoção na missa, principalmente para quem estava ali pela primeira vez. Do altar, se via um mar de vaqueiros e vaqueiras trajados de couro. Velhos, moços, meninas. Chocalhos ressoavam no ar nas respostas ao rito.</p>



<p>O mais bonito mesmo foi a hora do ofertório, certamente por ser a única com alguma participação dos vaqueiros e vaqueiras. Sem sair da sela dos cavalos, eles cruzam o palco e fazem das suas peças de couro uma oferta ao altar. Com os aboios dos vaqueiros e os repentes deve ser muito mais emocionante. Mesmo assim, é um momento intenso, com perneira, gibão, alforje, colete, chapéu, chicote, luvas, botas e outras peças sendo montadas uma a uma no altar.</p>



<p>Ao final da missa, que durou menos de duas horas, o bispo Dom José Vicente relembrou o tão importante e inadiável compromisso em Araripina para avisar que não tiraria fotos com os fiéis. Estava apressado.</p>



<p>Ficou a dúvida: algo deveria ser mais importante para um bispo da diocese de Salgueiro do que a Missa do Vaqueiro, a mais famosa do sertão?</p>





<h3 class="wp-block-heading">A disputa pelo legado de Câncio e Gonzaga</h3>



<p>No mesmo ano em que Gonzagão morreu, faleceu também João Câncio. A Missa do Vaqueiro ficava órfã em 1989 &#8211; Pedro Bandeira não se envolvia tanto na produção. Ao longo de 53 anos, o evento teve algumas organizadoras. A Fundação Quinteto Violado foi a responsável de 1976 a 1983. “Depois outra fundação tomou conta. Neste ano, o prefeito convidou o Quinteto e ficamos muito felizes”, contou o vocalista Marcelo Melo. A última vez do grupo no evento havia sido em 2014.</p>



<p>Na época em que o Quinteto Violado organizava a festa, não havia estrada com asfalto, nem energia elétrica no Sítio Lajes. Tinha que levar gerador. Apesar de dizer que não quer se envolver na polêmica entre a Fundação e a prefeitura, Marcelo considera que há uma descaracterização do evento. “É uma festa que tem a ver com o grito de justiça do vaqueiro e por melhores condições de trabalho. Sempre batalhamos nesse caminho. Mas esses shows não têm nada a ver com a nossa realidade. Agora, tem a mídia que domina sobre a juventude e quer esse tipo de música, mas que não tem identidade cultural com a região. O importante é a emoção, a identificação cultural. A festa é para o vaqueiro”, diz.</p>



<p>Quando o Quinteto Violado parou de produzir a festa, o padre João Câncio assumiu tudo. Mas houve um afastamento quando ele se casou e, por conta das represálias da Igreja Católica, deixou o Nordeste. Quando faleceu, a missa também ficou por 11 anos sem uma produção. Nesses hiatos, foi a paróquia de Serrita quem assumiu, junto com a prefeitura, a Missa do Vaqueiro. Desde 2000 a Fundação João Câncio fazia quase tudo, privilegiando artistas regionais, do forró pé de serra.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/missa11-1024x576.jpg" alt="Vista aérea do palco onde se celebra a missa do vaqueiro, com cavaleiros de roupa de couro em seus cavalos, em amplo espaço de terra batida." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Com prefeitura e paróquia, cantores sertanejos ganharam espaço que era da cultura popular. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo.
</p>
	                
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<p>O imbróglio entre a Fundação e a prefeitura de Serrita começou ano passado quando Aleudo Benedito tomou para si a organização da festa, com apoio do Governo do Estado e da paróquia, conduzida por um sacerdote de perfil conservador. Teve show de Wesley Safadão nos dias de festa pagã, mas quem organizou a missa em si foi a Fundação, com o então bispo Dom Magnus Henrique Lopes, que abraçava a causa do vaqueiro &#8211; ele foi transferido neste ano para a diocese do Crato (CE).</p>



<p>Em 2023, o prefeito foi mais longe. Tentou mudar o nome das festividades de Missa do Vaqueiro para “Festa do Jacó”. Como não tem a maioria da Câmara de Vereadores, não conseguiu. Mas montou uma área vip em frente e ao lado do imenso palco dos shows – coisa digna do carnaval no Marco Zero – com cobrança de ingressos. E não foi só Gusttavo Lima quem veio: teve show de Nattan &#8211; estouradíssimo no Brasil, com mais de 30 shows no mês de junho –, Simone, ex-dupla de Simaria e que está com tudo nos eventos do governo Raquel Lyra, Xand Avião, Priscilla Sena, entre outros.</p>



<p>A Fundação, então, entrou na Justiça questionando a cessão da prefeitura para explorar comercialmente o Parque Estadual João Câncio, como é chamado hoje o Sítio Lajes.</p>



<p>Na pequena cidade, há uma propagação imensa de boatos, difamando ambas as partes. Quase sempre, os boatos envolvem desvios de verbas públicas para festa. Uma das causas de boatos contra a Fundação é o não pagamento de muitos dos fornecedores da festa de 2019.</p>



<p>Helena Câncio afirma que não recebeu os R$ 500 mil então prometidos pela Empetur naquele ano. “Esse dinheiro era para fazer absolutamente tudo. Da limpeza do parque até a produção de shows. Desde 2015, o projeto vinha sofrendo com glosas (faturamentos recusados) de valores relativamente altos. Mas sempre comprovamos por A mais B os investimentos da Empetur, que na verdade nem davam para cobrir tudo. Em 2019, o Governo do Estado não pagou um real e estamos devendo”, lamenta.</p>



<p>Na missa, em entrevista à MZ, o prefeito Aleudo Benedito afirmou que a festa deste ano teve um custo total de mais de R$ 3 milhões e que desde o ano passado a Empetur triplicou o investimento na festa, passando para R$ 1,5 milhão. A prefeitura bancou os outros 50%, segundo ele. “Fizemos tudo sem jamais prejudicar o erário público do município, mantendo as contas e nossas obrigações em dia”, garantiu. “As atrações foram pagas uma parte pelo município e outra parte pela Empetur”, disse. No dia seguinte à festa, ele anunciou nas redes sociais o pagamento de 50% do 13º salário dos servidores da prefeitura.</p>



<p>A Marco Zero entrou em contato com a Empetur para saber o motivo das contas de 2019 da Fundação João Câncio não terem sido aceitas e também quanto foi investido na Missa do Vaqueiro deste ano. Assim que chegar a resposta, esta matéria será atualizada.</p>



<p>Sobre as críticas à descaracterização da Missa do Vaqueiro, o prefeito afirma que o público deu a resposta. “São opiniões contrárias a tudo isso que vivenciamos. A nossa gestão está transformando e dando uma roupagem nova aqui para toda estrutura desse evento. E o que aconteceu este ano? Colocamos o maior público. Buscamos recursos junto ao Governo do Estado, ao Governo Federal e agora Serrita já está incluída no calendário de eventos nacionais”, afirmou.</p>



<p>Como se nota, há novamente uma tentativa de tensionar as mudanças na festa para a disputa entre tradição e modernidade, tão comum ultimamente nas festas tradicionais nordestinas &#8211; <a href="https://marcozero.org/falta-forro-no-sao-joao-da-capital-do-forro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vide o São João de Caruaru</a>. É como se no Nordeste tudo tivesse que ceder às poderosas e irresistíveis forças populares do sertanejo, mantendo apenas um tiquinho de sua essência. Vale lembrar que recentemente um levantamento feito com Google Trends e YouTube mostrou que Pernambuco é o estado com o menor interesse em música sertaneja, com apenas 15% das buscas.</p>



<p>(E aqui a repórter abre um parênteses: uma boa forma de “modernizar” a Missa do Vaqueiro seria fiscalizar os maus tratos contra os animais. Sol a pino, e dois imensos bois Nelores, visivelmente extenuados, eram usados para que as pessoas tirassem fotos em cima deles. Um dos bois tinha uma argola no nariz e nela colocaram uma corda que o prendia a uma estaca. Exausto, o boi se deitou no chão e ficou com o focinho levantado, pois a corda era muito curta para que pudesse abaixar a cabeça. Uma maldade.)</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sem leite e sem saúde, mas com Gusttavo Lima</h2>



<p>Há dúvidas se é mesmo a afinidade com o gosto do público o que leva uma prefeitura de 18,2 mil habitantes no Sertão a gastar tanto na contratação de sertanejos como Gusttavo Lima e Simone. O Ministério Público solicitou da prefeitura de Serrita o fornecimento de vários documentos, incluindo planilha de todos os gastos com a festividade.</p>



<p>O MPPE afirma que serviços públicos básicos essenciais estão sendo postergados por alegação de incapacidade financeira do município de Serrita. Há diversos procedimentos extrajudiciais instaurados na Promotoria de Justiça de Serrita envolvendo demandas relacionadas à prefeitura. “Há, ainda, ações civis públicas ajuizadas perante o Poder Judiciário contra o município de Serrita para garantir tratamentos de saúde, fornecimento de leite, além de serviços de fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia à população que necessita”, diz nota do MPPE.</p>



<p>O Ministério Público também recomendou que a prefeitura faça a atualização imediata de seu <a href="https://serrita.pe.gov.br/acessoainformacao.php" target="_blank" rel="noreferrer noopener">portal de transparência</a>, divulgando informações sobre licitações e contratações públicas, em conformidade com a Lei de Acesso à Informação.</p>



<p>Ao ser questionada pela Marco Zero sobre a descaracterização da Missa do Vaqueiro, a governadora Raquel Lyra, disse que não tem participado das discussões. “Nosso propósito como governo é garantir que o evento possa acontecer. E a gente espera que haja sempre conciliação entre todos os atores envolvidos, que são super importantes na manutenção desta tradição, que são o poder público, o terceiro setor, a família do padre João Câncio, de Raimundo Jacó. Que possam estar todos juntos ano que vem e essas brigas sejam superadas”.</p>



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<p></p>
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		<title>Pernambuco libera eventos com 10 mil pessoas e retira obrigatoriedade de teste de covid-19</title>
		<link>https://marcozero.org/pernambuco-libera-eventos-com-10-mil-pessoas-e-retira-obrigatoriedade-de-teste-de-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Mar 2022 18:14:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[aglomeração]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[estádios de futebol]]></category>
		<category><![CDATA[eventos]]></category>
		<category><![CDATA[festas]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[shows]]></category>
		<category><![CDATA[torcidas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta terça-feira (15), em coletiva de imprensa, o Governo de Pernambuco anunciou novas flexibilizações do Plano de Convivência com a covid-19. O Gabinete de Enfrentamento à doença definiu que está liberada a realização de eventos – incluindo sociais, corporativos e culturais – com até 10 mil pessoas ou 70% da capacidade do local (o que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nesta terça-feira (15), em coletiva de imprensa, o Governo de Pernambuco anunciou novas flexibilizações do Plano de Convivência com a covid-19. O Gabinete de Enfrentamento à doença definiu que está liberada a realização de eventos – incluindo sociais, corporativos e culturais – com até 10 mil pessoas ou 70% da capacidade do local (o que for menor). A medida entra em vigor nesta quarta (16), com validade até 31 de março.</p>



<p>Outra grande novidade é a liberação do teste negativo de covid-19 para acessar eventos de médio e grande porte. O comitê julgou que essa medida não é mais necessária. Outra mudança é sobre a apresentação do passaporte vacinal. Ele segue obrigatório para estabelecimentos de alimentação e eventos em geral, mas quem for maior de 18 anos precisará apresentar também a dose de reforço, caso já tenha cumprido o prazo de quatro meses desde a segunda aplicação. Para todas as pessoas entre 12 e 17 anos, será exigida a segunda dose da vacina.</p>



<p>O secretário estadual de Saúde, André Longo, descartou mais uma vez a liberação do uso de máscaras, que segue obrigatória em Pernambuco, em locais fechados e também abertos. “Apesar de um cenário promissor, a pandemia ainda não acabou, tampouco virou uma endemia. As pessoas estão ansiosas pelo seu fim e com um desejo enorme de retirar as máscaras, mas isso só será possível se conseguirmos aumentar o número de pessoas efetivamente protegidas, porque nossa prioridade precisa continuar sendo com a saúde e com a vida dos pernambucanos”, afirmou.</p>



<p>Nos estádios de futebol, será permitida a presença das torcidas obedecendo o limite de 50% da capacidade do local. O maior estádio de Pernambuco, o Arruda, tem lugar para 60 mil pessoas. Mas, desde o final de janeiro, após vistoria do Corpo de Bombeiros, teve a capacidade reduzida 37.400 pessoas. Com as novas regras, poderá então receber metade desse público: 18.700. No caso do próprio Arruda e da Ilha do Retiro, a presença de público ainda não foi liberada por razões alheias à pandemia, pois Santa Cruz e Sport, proprietários dos estádios, ainda não atenderam às exigências de segurança do Corpo de Bombeiros.</p>



<p>Para outros eventos esportivos e competições em geral, será permitido um público de até 10 mil pessoas ou 70% da capacidade (o que for menor).</p>



<p>Já os serviços de alimentação poderão, nesse mesmo período, operar com capacidade máxima, com cumprimento dos protocolos estabelecidos pelo setor, incluindo máscara e distanciamento. Cinemas, teatros, circos, museus e demais equipamentos culturais também atuarão com 100% do público.</p>



<p>O protocolo atual, que vale até esta terça (15), permitia eventos sociais e esportivos, incluindo estádios, com até 3 mil pessoas em locais abertos e com até 1,5 mil pessoas em espaços fechados ou até 70% da capacidade para ambos os casos (o que fosse menor).</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/quanto-tempo-vai-durar-a-onda-da-variante-omicron-no-brasil/" class="titulo">Quanto tempo vai durar a onda da variante ômicron no Brasil?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vacinação ainda precisa avançar</strong></h2>



<p>O secretário Longo informou que Pernambuco ainda não conseguiu atingir a marca de 80% de cobertura da segunda dose, ou dose única, no público acima de 18 anos. Entre as crianças de 5 a 11 anos, o <a href="https://www.instagram.com/p/Cae0zCkLYDj/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">percentual de cobertura é de apenas 44% na primeira dose</a>. E na terceira dose, apenas 39% do público elegível foi vacinado.</p>



<p>Nos idosos a cobertura está abaixo dos 70%. São mais de 350 mil pessoas com mais de 60 anos que tomaram a segunda dose, mas ainda não voltaram para tomar a dose de reforço.</p>



<p>“Apesar da segurança e eficácia das vacinas, ainda estamos com coberturas aquém do desejado e, mesmo colhendo bons indicadores semana após semana, ainda temos, neste momento, 480 pacientes internados nos leitos de UTI da rede. Assim, se quisermos vencer o vírus precisamos manter o cuidado, especialmente com o uso da máscara, e ampliar a vacinação”, pontuou Longo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Indicadores caem pela 5ª semana</strong> seguida</h3>



<p>Desde o início da pandemia, o Estado já soma 21.226 mortes em decorrência da covid-19. Nas últimas 24 horas, foram contabilizados 11 óbitos, ocorridos entre 13 de março de 2021 e 10 de março de 2022. Também foram confirmados mais 2.379 casos, sendo 36 (1,5%) de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) e 2.343 (98,5%) leves. Agora, Pernambuco totaliza 868.742 confirmações da doença.</p>



<p>De acordo com os dados apresentados por Longo na coletiva desta terça (15), o estado tem uma tendência contínua de redução dos indicadores do novo coronavírus. Na Semana Epidemiológica 10, que compreende o período entre 6 e 12 de março, pela quinta semana seguida houve redução nos casos de Srag com resultado positivo para a covid-19. Foram 55 registros, uma queda de 40% e de 58% em comparação às semanas epidemiológicas 9 e 8, respectivamente.</p>



<p>A positividade para a covid-19 entre as amostras processadas no Lacen-PE registrou queda de 95% no período de seis semanas. Na última semana de janeiro, de cada 100 exames processados, 52 positivaram. Atualmente, de cada 100 testes de RT-PCR, apenas 2,5 dão positivo. Já os dados da Central de Regulação Hospitalar apontam que a Semana 10 registrou o menor patamar de pedidos por leitos de UTI deste ano. Foram 251 solicitações, uma queda de 19% em uma semana e de 18% em 15 dias.</p>



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