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	<title>Arquivos sustentabilidade - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 28 Jul 2025 21:01:10 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos sustentabilidade - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Aos 86 anos, funcionário mais antigo da Cepe recicla fragmentos de papel fazendo arte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Jul 2025 19:55:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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<p>“Eu não sei exatamente, porque isso sempre me acompanhou”, respondeu Júlio Gonçalves, o funcionário mais antigo da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) ao ser questionado quando começou a se interessar por arte. Aos 86 anos completados neste domingo, 27 de julho, o artista autodidata iniciou sua trajetória profissional como gráfico e, hoje, assumiu a missão de reduzir o impacto ambiental gerado pelos fragmentos de papel. Ele faz isso dando vida a obras de arte usando os resíduos gerado pelas máquinas encadernadoras da empresa gráfica do estado.</p>



<p>Ao longo de 50 anos de trabalho, foi responsável por desenvolver a capa de mais de 300 livros, a criação das páginas editoriais do Diário Oficial do Estado (DOE), do arquivo documental da empresa e do Calendário Cepe, entre outros projetos marcantes, mas quando assumiu a gerência do parque gráfico, Gonçalves enxergou o potencial para que os fragmentos tivessem um destino diferente. Em vez de ser jogado no lixo, ele percebeu que o material poderia render se fosse reaproveitado em um processo muito parecido com o papel machê.</p>



<p>“Eu já conhecia o processo do papel machê. Então, quando tomei contato com esses fragmentos de papel, percebi que tudo estava pronto aqui. Eu percebi que metade do caminho já estava feito. Era só hidratar um pouquinho aquele papel fragmentado e botar uma cola”, afirma Gonçalves. De fato, o fragmento de papel que já vem triturado, exigindo apenas que os artesãos hidratem e coloquem a cola para formar uma base. A partir daí, se abre um universo de possibilidades, desencadeado pela imaginação e criatividade do veterano.</p>



<p>Sua ideia deu início a um projeto de sustentabilidade e economia criativa chamado Galeria Reciclada. Criado em 2017, o projeto oferece uma reflexão sobre o descarte consciente de resíduos que impactam o meio ambiente e mostra como eles podem ser ressignificados. Além dos fragmentos de papel também são utilizadas embalagens plásticas e outros produtos nocivos à natureza.</p>



<p>Quem visita a Cepe para comprar livros ou por motivos profissionais, é impactado nos corredores por obras de arte ricas em detalhes, texturas, cores diversas. Há quem imagine se tratar de esculturas medievais feitas de ferro ou murais armoriais, por exemplo. Raros não se espantam quando são informados que é tudo feito com sobras de papel. </p>



<p>Seu Júlio explica que a inspiração está sempre presente, a todo momento, ela chega com força. Quando ele fala do assunto, parece estar se referindo a uma revelação espiritual que o leva a construir uma nova peça.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:44% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/54648042035_ca596169c9_k-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-71777 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/54648042035_ca596169c9_k-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/54648042035_ca596169c9_k-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/54648042035_ca596169c9_k-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/54648042035_ca596169c9_k-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/54648042035_ca596169c9_k-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/54648042035_ca596169c9_k.jpg 1365w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Seu Júlio explica que a inspiração está sempre presente, a todo momento, ela chega com força. Quando ele fala do assunto, parece estar se referindo a uma revelação espiritual que o leva a construir uma nova peça.</p>



<p> &#8220;A inspiração vem por vários caminhos. De repente, uma forma qualquer pode dar a partida e eu começo a desenhar, o primeiro desenho já inspira outros, até chegar o que eu quero. Pelo meu desejo, pelo meu estilo, ele sempre tem uma base geométrica muito forte”, afirma Júlio Gonçalves.</p>
</div></div>



<p>O projeto ganhou força e corpo com o passar dos anos e, em 2023, se tornou um setor dentro do organograma da Cepe. O ateliê da Galeria Reciclada fica ao lado do parque gráfico e conta com mais quatro funcionários que, no dia a dia, têm a tarefa de executar as obras concebidas por Júlio Gonçalves. </p>



<p>“A gente vê a transformação do papel em tantas coisas bacanas”, conta a historiadora Ana Guimarães que trabalhava no setor de digitalização da Cepe e foi transferida para a Galeria. Lá, ela se encantou com todas as possibilidades que o papel possibilita e se apaixonou pela nova função.</p>



<p>Jorge Felipe, passou pouco tempo como técnico gráfico. Logo foi convidado por seu Júlio para integrar a equipe. Júlio percebeu a delicadeza em que o rapaz trabalhava. Desde então, ele atua na maior parte do tempo montando os moldes das peças e na preparação das cores. “É muito importante estar aqui, porque nós trabalhamos e relaxamos, trabalhamos também nosso psicológico”, afirma.</p>



<p>A equipe também é integrada pela artista visual Ligia Régis e o técnico gráfico David Cardoso. Juntos, todos eles também ministram oficinas em eventos, projetos parceiros e órgãos públicos. Levando as diferentes possibilidades de criar e explorar todos os materiais à disposição da criatividade.</p>





<p></p>
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		<title>ONGs oferecem curso de Gastronomia Sustentável em Salvador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Feb 2024 13:06:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[gastronomia popular]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um curso de gastronomia sustentável gratuito está com vagas abertas para pessoas de baixa renda da cidade de Salvador. O Instituto Capim Santo, organização social que democratiza o acesso à gastronomia sustentável, está oferecendo o curso do projeto Cozinha do Amanhã com apoio da ONG baiana Instituto Terra Firme. As inscrições podem ser feitas até [&#8230;]</p>
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<p>Um curso de gastronomia sustentável gratuito está com vagas abertas para pessoas de baixa renda da cidade de Salvador. O <a href="https://institutocapimsanto.org.br/">Instituto Capim Santo</a>, organização social que democratiza o acesso à gastronomia sustentável, está oferecendo o curso do projeto Cozinha do Amanhã com apoio da ONG baiana <a href="https://institutoterrafirme.com.br/">Instituto Terra Firme</a>. As inscrições podem ser feitas até o final desta quarta-feira, 21 de fevereiro.</p>



<p>De acordo com as duas organizações, o projeto Cozinha do Amanhã oferece formação profissional de excelência na área de gastronomia, incluindo conceitos sustentáveis, que considera valores como o uso integral dos alimentos, valor nutricional e ingredientes locais. As aulas também abordarão técnicas com carnes, peixes, ovos, massas, dentre outros conhecimentos para o dia a dia em uma cozinha profissional.</p>



<p>Com uma carga horária de 200 horas, as aulas abrangem técnicas práticas e teóricas. Após a conclusão do curso, aproximadamente 80% dos formandos, em média, seguem carreiras na área da gastronomia, seja como funcionários ou empreendedores. O projeto já formou 2.700 alunos em São Paulo, Rio de Janeiro, Itacaré (BA) e Trancoso (BA).</p>



<p><strong>As inscrições estão abertas até o dia 21/02 e podem ser realizadas através do site: <a href="https://click.cse360.com.br/Click/AddCampaignEmailClick/ffed19c3-e75c-4565-5378-08dc26ecd46f/https%253a%252f%252finstitutocapimsanto.org.br%252fportfolio-items%252fcozinha-do-amanha%252f/c4bd3d6d-7cc5-4ea5-e762-08d7c5ff26d1/marcozero@marcozero.org/True" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://institutocapimsanto.org.br/portfolio-items/cozinha-do-amanha/</a>.</strong></p>
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		<title>Desfile de moda preta e sustentável de Gaby Dantas encanta turistas e moradores de Itamaracá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Nov 2023 16:02:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Cultura Negra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* Descartes no meio ambiente de cabos de internet, fios de náilon, CDs, garrafas PET, peças de alumínio, sacos de ráfia e sacolas de plástico. Tudo virou roupas, acessórios e beleza nas mãos da designer Gaby Dantas, 26 anos, e da equipe de mulheres que participou da realização do Moda Sustentável do Sossego, [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Descartes no meio ambiente de cabos de internet, fios de náilon, CDs, garrafas PET, peças de alumínio, sacos de ráfia e sacolas de plástico. Tudo virou roupas, acessórios e beleza nas mãos da designer Gaby Dantas, 26 anos, e da equipe de mulheres que participou da realização do Moda Sustentável do Sossego, na Ilha de Itamaracá, no Grande Recife. O projeto foi concluído no domingo (19) em grande estilo e cenário paradisíaco. O desfile de moda tendo a areia da praia como passarela foi aplaudido por moradores e turistas da ilha de modo efusivo.&nbsp;</p>



<p>“Tudo o que está aí à nossa volta é possível transformar. Essa moda preta sustentável foi construída por tecnologias da minha vivência. Cresci vendo minha avó transformando abandono em arte, no reuso das coisas com sabedoria”, contou Gaby, ao microfone, para a plateia, logo após o desfile. Um dos figurinos, por exemplo, foi elaborado tendo como matéria-prima 70 sacolas plásticas recolhidas da faixa de areia e terrenos da ilha.&nbsp;</p>



<p>O material que pode levar até mil anos para se decompor na natureza foi transformado em fios e, com ele, Gaby e equipe montaram peças em formato de flores. A técnica de pescadores para tecer redes também serviu à moda. Foram concebidas saídas de banho para o calor do verão. E sacos de ráfia rasgados que tentaram, em vão, conter o avanço do mar foram transformados em pantalonas, como a usada pela estilista.</p>



<p>O Moda Sustentável do Sossego foi pensado e realizado com primor e atenção aos detalhes. Do recolhimento e processamento dos materiais reutilizados até o horário da apresentação do elenco de modelos &#8211; a maioria mulheres e jovens moradores da ilha -, que precisou levar em consideração os movimentos da maré.</p>



<p>O desfile começou por volta das 15h30 no lado da Praia de Jaguaribe, atravessou a água em direção à plateia, na Praia do Sossego. Com os pés na areia, pessoas acomodadas em cadeiras ou debaixo de tendas assistiam à apresentação enquanto eram atendidas nos comes e bebes pelo pessoal do bar da Mozona. O evento foi sucesso de crítica e também de público, confirmado pelo freezer do estabelecimento que terminou vazio.</p>



<p>Ao final da apresentação, Gaby dividiu os aplausos com todas as pessoas que participaram das fases do projeto. “Esse desfile foi feito por muitas mãos e serve para demarcar a potência do nosso lugar, que é também um território sagrado. Meu agradecimento a toda essa comunidade”, concluiu. Em tupi-guarani, Itamaracá quer dizer pedra que canta. E, agora, também desfila.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>A moda como posicionamento político</strong></h2>



<p>O evento, realizado às vésperas do Dia da Consciência Negra, contou também com um reforço internacional: a trancista Lilian Katchaki veio da Guiné-Bissau para fazer o penteado das/os modelos. O país, localizado na costa atlântica da África, faz fronteira ao norte com Senegal e foi a primeira colônia a ter a independência de Portugal reconhecida na África, mas só em 1974. Colonização essa que não tem espaço na moda de Gaby. “A gente precisa usar a nossa arte e o nosso trabalho para nos afirmar enquanto pessoas negras que têm potencialidades, ciência e beleza”.</p>



<p>Criadora da marca Cabrochas Brechó, nas redes sociais a empreendedora é<a href="https://www.instagram.com/pretaquepariu/?igshid=OGQ5ZDc2ODk2ZA%3D%3D" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> @pretaquepariu</a> e tem presença ativa ao alinhavar moda com questões ambientais, de raça e gênero. “É preciso que haja um consumo consciente e sustentável. O mercado da moda tem chamado a atenção para isso, mas é preciso também identificar quem faz isso de forma real, sem apropriação. E são as comunidades tradicionais que realizam esse trabalho”, analisa.</p>



<p>Gaby Dantas foi a única estilista com atuação em Pernambuco entre 20 profissionais selecionada/os pelo Re-Farm Cria, edital de fortalecimento de jovens talentos cujo trabalho tenha conexão com&nbsp; o chamado ecossistema da moda. Ao todo, foram 370 inscrições das cinco regiões do Brasil. A Marco Zero Conteúdo contou essa em outubro e acompanhou de perto o desfile a convite da Seabra Produções para a vivência ecocultural.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/gaby-dantas-a-estilista-que-faz-moda-sustentavel-na-praia-do-sossego-em-itamaraca/" class="titulo">Gaby Dantas, a estilista que faz moda sustentável na praia do Sossego, em Itamaracá</a>
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        </div>

		


<p>*<strong>Jornalista com 19 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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		<title>Iniciativas de jornalismo independente do Nordeste se unem e lançam campanha de financiamento coletivo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Nov 2023 17:53:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O “Balaio Nordeste de Jornalismo Independente” surge com o objetivo de estimular a produção de conteúdo jornalístico de qualidade na região Com o intuito de fortalecer o jornalismo independente do Nordeste, diversas organizações da região se uniram de forma inédita para lançar uma campanha conjunta de financiamento coletivo. A proposta leva o nome de&#160; “Balaio [&#8230;]</p>
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<p><em>O “Balaio Nordeste de Jornalismo Independente” surge com o objetivo de estimular a produção de conteúdo jornalístico de qualidade na região</em></p>



<p>Com o intuito de fortalecer o jornalismo independente do Nordeste, diversas organizações da região se uniram de forma inédita para lançar uma campanha conjunta de financiamento coletivo. A proposta leva o nome de&nbsp; “Balaio Nordeste de Jornalismo Independente”. Os recursos arrecadados devem garantir a&nbsp; produção de conteúdo jornalístico de qualidade feito a partir do próprio território. Com a arrecadação online, pretende-se atingir a meta de R$32 mil.</p>



<p>O projeto foi idealizado pela <strong>Marco Zero Conteúdo</strong>, em parceria com o Mestrado de Indústrias Criativas da Unicap e apoio da OAK Foundation e International Fund for Public Interest Media (IFPIM). O Balaio Nordeste de Jornalismo Independente reúne veículos de comunicação distribuídos por oito estados da região, que precisam de apoio e investimento para o desenvolvimento e subsistência das suas atividades.&nbsp;</p>



<p>A ideia surge a partir da necessidade de garantir a manutenção e a existência de um jornalismo plural no Nordeste, feito de maneira independente, sem amarras e qualquer interferência de grandes empresas e grupos políticos nas linhas editoriais dos veículos. Para a jornalista Helena Dias, uma das organizadoras da campanha e integrante do Coletivo Tejucupapos, projetos como esse são importantes para descentralizar as narrativas jornalísticas e ampliar a diversidade de pautas. “São muitas iniciativas de comunicação local nesses territórios que já fazem jornalismo e que precisam do fortalecimento dessa atuação para poder continuar comunicando sem estereótipos”, comenta Helena. “É uma questão de lugar de fala. Quem melhor que o Nordeste para falar do Nordeste?”, provoca a jornalista.</p>



<p>Segundo o Atlas da Notícia, censo que mapeia o jornalismo no Brasil, 56,7% das cidades nordestinas não possuem nenhum veículo de comunicação. Mesmo enfrentando grandes desafios com relação à sustentabilidade financeira, a atuação de coletivos independentes na segunda região mais populosa do Brasil contribui com a mudança desse cenário e também com a luta comprometida com a visibilidade de comunidades e pessoas marginalizadas pela sociedade.&nbsp;</p>



<p>Em uma região marcada pelo esquecimento e a indisposição da cobertura da mídia tradicional hegemônica, são justamente os veículos independentes que cobrem<em> in loco</em>, com constância e de maneira empática pautas relacionadas à nossa cultura e às nossas questões cotidianas. “Isso tem mudado ao longo do tempo, mas a gente ainda vê muito essa identidade nacional marcada por uma identidade branca, de um sotaque sudestino e sulista, quando na verdade a diversidade do Brasil é muito grande, quando esse Nordeste existe e tem suas características que também precisam aparecer na comunicação e no jornalismo”, pontua Helena. E acrescenta, ao destacar a importância da campanha inédita: “ É muito dessas duas coisas: a qualidade do jornalismo e também a disputa de uma identidade que precisa ser mais diversa ao ser retratada”.</p>



<p>A campanha de financiamento coletivo é essencial para que as organizações captem recursos para cobrir despesas administrativas, remunerar suas equipes, adquirir equipamentos audiovisuais e ampliar a cobertura aprofundada de pautas relevantes. Para apoiar, acesse a campanha em catarse.me/balaionordeste e ajude a fortalecer o jornalismo independente e nordestino. As contribuições variam de R$20 a R$500 reais, com recompensas criativas e exclusivas.</p>



<p>Para doar a partir de R$20 acesse: <a href="https://www.catarse.me/balaionordeste" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.catarse.me/balaionordeste</a></p>



<h2 class="wp-block-heading"><span class="has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color">Organizações participantes</span></h2>



<p><strong>COAR</strong> &#8211; Organização independente de Fact-checking e Debunking que produz reportagens e checagens no Piauí e no Nordeste. Instagram: <a href="https://www.instagram.com/coarnoticias/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@coarnoticias</a></p>



<p><strong>Coletivo Acauã </strong>&#8211; Veículo de jornalismo independente focado na produção jornalística local e no preenchimento de lacunas noticiosas em municípios considerados desertos de notícias no Sertão e Agreste de Pernambuco. Instagram: <a href="https://www.instagram.com/coletivoacaua" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@coletivoacaua</a></p>



<p><strong>Conquista Repórter</strong> &#8211; Organização de mídia local que produz jornalismo independente em Vitória da Conquista, na Bahia, a partir de uma cobertura crítica, plural e humanizada. Instagram:<a href="https://www.instagram.com/conquistareporter" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> @conquistareporter</a></p>



<p><strong>Inova.aê </strong>&#8211; Iniciativa que nasce a partir da parceria da Eficientes, uma organização de Jornalismo Independente que aborda a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade a partir de diversas perspectivas, levando informação acessível e de qualidade, e da Lume Acessibilidade, uma empresa de consultoria, cursos e treinamentos em acessibilidade para empresas jornalísticas e de produção de conteúdos acessíveis. Instagram: @<a href="https://www.instagram.com/inova.ae_/#" target="_blank" rel="noreferrer noopener">inova.ae_</a></p>



<p><strong>Mangue Jornalismo</strong> &#8211; Associação apartidária e sem fins lucrativos que busca realizar um jornalismo de qualidade e independente com foco no estado de Sergipe e produção de reportagens. Instagram: <a href="https://www.instagram.com/manguejornalismo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@manguejornalismo</a></p>



<p><strong>Malamanhadas Podcast</strong> &#8211; Um projeto independente nascido e criado no Piauí. Busca refletir e debater questões diversas levando em conta a perspectiva de quem vive e/ou produz conhecimento no Nordeste, mudando a ótica de assuntos pautados na sociedade. Se propõe a ser um espaço de diálogo construído e pensado por mulheres feministas e nordestinas com o objetivo de levantar debates que contribuam para a união, protagonismo e garantia de direitos das mulheres. Instagram: <a href="https://www.instagram.com/malamanhadas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@malamanhadas</a></p>



<p><strong>Ocorre Diário</strong> &#8211; Plataforma de comunicação popular e colaborativa, que ousa sonhar-fazer uma comunicação que liberte as potências emancipatórias, dialógicas, plurais e decoloniais da informação. Atuando com foco na promoção dos direitos humanos e da natureza, tendo como mote o exercício da comunicação como potencializadora da cocriação de outros mundos possíveis. Nascemos em 2018, das mentes e corações de jovens comunicadores da Chapada do Corisco (Teresina-PI). Instagram: <a href="https://www.instagram.com/ocorrediario" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@ocorrediario</a></p>



<p><strong>Revista Alagoana</strong> &#8211; Coletivo de jornalismo independente em Alagoas que visa protagonizar tradições e, por vezes vozes distantes e ignoradas, das pessoas responsáveis por perpetuar a cultura local. Com conteúdos semanais de salvaguarda, tem o propósito de trazer o melhor da produção cultural com DNA alagoano, para a população alagoana. Instagram: <a href="https://www.instagram.com/revistaalagoana" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@revistaalagoana</a></p>



<p><strong>Sargento Perifa</strong> &#8211; Criado através da união dos moradores da comunidade Córrego do Sargento, no bairro da Linha do Tiro, Zona Norte do Recife/PE, com a intenção de mostrar o que acontece na comunidade e dar a devida visibilidade aos moradores, desfazendo o retrato manchado da periferia, apresentado pela mídia tradicional. Instagram: <a href="https://www.instagram.com/sargento_perifa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@sargento_perifa</a></p>



<p><strong>Site Coreto</strong> &#8211; Veículo de jornalismo hiperlocal, fundado em 2022, que realiza a cobertura da cidade de Poções e sua microrregião. Atua com três eixos principais: jornalismo, educação midiática e cultura, exercendo um serviço essencial para que a população local tenha acesso à informação e possa participar da vida pública. Instagram: <a href="https://www.instagram.com/sitecoreto/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@sitecoreto</a></p>



<p><strong>Tejucupapos </strong>&#8211; Iniciativa que atua na Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco, com formações e produções de conteúdos jornalísticos locais, fortalecendo práticas de comunicação que contribuam para o desenvolvimento de diversos territórios. Instagram: <a href="https://www.instagram.com/tejucupapos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@tejucupapos</a></p>



<p>Orçamento</p>



<p>A nossa meta foi pensada para garantir que os coletivos envolvidos possam manter suas atividades por mais tempo. O valor total será distribuído em:</p>



<p>Divisão entre as organizações participantes &#8211; R$ 27.000 (84,4%)<br>Taxas do Catarse &#8211; R$ 4.160 (13%)</p>



<p>Recompensas &#8211; R$ 840 (2,6%)</p>
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		<title>Gaby Dantas, a estilista que faz moda sustentável na praia do Sossego, em Itamaracá</title>
		<link>https://marcozero.org/gaby-dantas-a-estilista-que-faz-moda-sustentavel-na-praia-do-sossego-em-itamaraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Oct 2023 20:40:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* Da Praia do Sossego, na Ilha de Itamaracá, no Grande Recife, de onde cria e produz, Maria Gabrielly Dantas, 26 anos, é a única empreendedora com atuação em Pernambuco entre 20 profissionais selecionada(o)s pelo Re-Farm Cria, edital de fortalecimento de jovens talentos cujo trabalho tenha conexão com  o chamado ecossistema da moda. [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Da Praia do Sossego, na Ilha de Itamaracá, no Grande Recife, de onde cria e produz, Maria Gabrielly Dantas, 26 anos, é a única empreendedora com atuação em Pernambuco entre 20 profissionais selecionada(o)s pelo <a href="https://www.farmrio.com.br/re-farm-cria" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Re-Farm Cria</a>, edital de fortalecimento de jovens talentos cujo trabalho tenha conexão com  o chamado ecossistema da moda. Ao todo, foram 370 inscrições das cinco regiões do Brasil. Na categoria sustentabilidade, ela executa um dos quatro projetos aprovados, o Moda Sustentável do Sossego. Em meados de novembro, um desfile acontecerá em praça pública na ilha. O objetivo é envolver a comunidade e valorizar o território e a produção artística que será confeccionada por artesãos e pescadores durante os encontros.</p>



<p>“Hoje eu construo moda preta sustentável numa perspectiva do que a minha avó já fazia. Ela pegava a blusa de lã do bazar da igreja, desmanchava e costurava uma nova. Hoje, com o acesso da moda, isso se chama mundialmente <em>upcycling</em>”, conta Gaby, como a empreendedora também é conhecida. A especialidade de ressignificar coisas, objetos e lugares é um aprendizado repassado de uma geração a outra. Os encontros do Moda Sustentável Sossego acontecem na Casa de Sal, construção que une os conceitos de moradia e ecologia popular que ela e a mãe, Edna Dantas, ergueram. A empreitada durou seis meses de trabalho e teve com matéria-prima mais de 13 mil garrafas de vidro recolhidas do meio ambiente.</p>



<p>Nos encontros do projeto, acontecerá o processo de produção de peças e artigos de moda a partir de boas práticas, como a recuperação de resíduos e o “design vernacular”. A expressão se refere a formas não-acadêmicas de design com artefatos do dia-a-dia de quem a realiza e vínculo com a cultura local. “Produzo moda numa linguagem conectada com os jovens negros, periféricos, LGBTQIA+, criados por vó. Reuso criativo é a sabedoria popular de quem vive num país escasso”, analisa. </p>



<p>Criadora da Cabrochas Brechó, Gaby Dantas tem presença ativa nas redes sociais. No Instagram, ela é a <a href="https://www.instagram.com/pretaquepariu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@pretaquepariu</a>. Surge exuberante sempre em modelos coloridos, alegres e personalizados. Muitos dos cenários tem a Ilha de Itamaracá como locação para as fotos e vídeos. “A minha grande referência na ilha é a Lia de Itamaracá. Me apresentei para esse território, que tem me acolhido e potencializado. E aqui eu estou. Com o meu trabalho, acredito que também posso ser guardiã desse território negligenciado na política socioambiental”, conta. Pretaquepariu é natural de Curitiba, no Paraná. Habita a Praia do Sossego há cinco anos.</p>



<p>O ambiente sem barreiras físicas do mundo digital tem sido ferramenta para a projeção do trabalho de Gaby Dantas para o Brasil. No final do ano passado, ela estampou as páginas do Estadão, na editoria de Meio Ambiente e Sustentabilidade. Falou um pouco do que significa produzir moda fora do eixo Rio-São Paulo para o jornal que é a cara e a voz da elite paulista.</p>





<p>Abaixo, veja um pouco da conversa da designer de moda com a reportagem da Marco Zero Conteúdo.</p>



<p>Marco Zero &#8211; <strong>Qual a dimensão da influência da sua avó na sua formação e no seu trabalho?</strong></p>



<p><strong>Gaby Dantas</strong> &#8211; Minha avó, dona Severina, 84 anos, sempre cuidou de mim enquanto minha mãe trabalhava. Sempre foi uma referência, talvez pelo fato de eu ter sido uma criança negra em um dos estados mais brancos do Brasil, o Paraná. E ter uma referência nordestina dentro de casa, num contexto de Sul, de racismo e xenofobia, foi importante. Minha avó é pernambucana, do agreste, do município de Iati, um lugar indígena. E isso tudo foi formando a minha opinião, o meu pensamento crítico, meu lugar afetivo. Posso dizer que a maior parte boa em mim, da minha veia artística, é minha avó, uma guardiã de saberes, uma mulher do reaproveitamento, do reuso criativo.</p>



<p><strong>Qual a tua experiência sobre produzir no Nordeste, fora do eixo Rio-São Paulo?</strong></p>



<p>O Nordeste é um dos maiores berços culturais da humanidade. Não tem como falar de Cultura sem falar do Nordeste brasileiro, que acaba sendo um grande lugar de inspiração e referência para muitos criativos, para muitas marcas. Mas, na maioria das vezes, na hora do desenvolvimento dos projetos aqui, usa a estrutura do Sul. Ou seja, não fomenta, de fato, o Nordeste. O mundo inteiro está vendo os artistas de brega funk acontecerem, por exemplo. Na grande maioria, jovens negros das periferias de Pernambuco, que batem números que são verdadeiros recordes. E você não vê uma marca grande fazendo publicidade com esses jovens, que têm Instagram com muitos números, já que é isso que importa, os números.</p>



<p><strong>Como você descreve o seu trabalho e a dimensão da sustentabilidade nele? </strong></p>



<p>A luta socioecocultural eu trago enquanto uma postura de pensar. Que eu posso criar e fomentar algo bom para meu povo, que precisa de muita coisa. Eu vejo na sustentabilidade, na moda preta sustentável que eu produzo, esse caminho. Ailton Krenak traz isso, né: ideias para adiar o fim do mundo. Estamos vivendo num mundo que pede cuidado, que pede conservação, a nossa atenção. Para isso alcançar mais gente, é preciso criar estratégias de grandes redes, nos conectar, conectada com a periferia a grande massa.</p>



<p>*<strong>Jornalista com 19 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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		<title>Discurso de sustentabilidade contrasta com aumento de uso de plásticos</title>
		<link>https://marcozero.org/discurso-de-sustentabilidade-contrasta-com-aumento-de-uso-de-plasticos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 21:46:13 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>por <strong>Andréa Machado, da <a href="https://www.agencianossa.com/2021/10/29/discurso-de-sustentabilidade-nas-empresas-contrasta-com-aumento-de-plasticos/">Agência Nossa</a></strong></p>



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<p>A primeira impressão ao entrar no <a href="http://www.abiplast.org.br/">site da Associação Brasileira da Indústria do Plástico</a> (Abiplast) é de que se trata de uma instituição ligada ao meio ambiente.&nbsp;Verde predominante no layout, logotipo que até lembra o formato de uma folha e palavras como sustentabilidade e reciclagem em destaque. O que não fica tão óbvio à primeira vista é o próspero mercado que, segundo o Perfil 2020 da associação, produziu 7,3 milhões de toneladas de plástico no ano passado, um crescimento de 2,4% em relação a 2019 e o maior quantitativo desde 2015, quando a produção foi de 7,6 milhões de toneladas.</p>



<p>O faturamento do segmento também cresceu, com um índice de 5,5%, alcançando a marca de R$ 90,8 bilhões no ano passado. Só a brasileira Braskem, sexta maior petroquímica do mundo – indústria fundamental para a produção de plásticos – encerrou o ano de 2020, em plena pandemia, com R$ 58,5 bilhões de receita líquida. O relatório da empresa informa ainda que o ano passado ficou marcado pelo recorde trimestral de vendas de resinas no mercado brasileiro e aumento de vendas nos Estados Unidos, na Europa e no México, levando a um resultado operacional ajustado de aproximadamente R$ 11 bilhões.</p>



<p>Teoricamente, no entanto, o mundo está mudando e as empresas de plástico e matérias-primas do setor estão comprometidas com práticas sustentáveis. O principal produto da indústria do plástico, aliás, nem é mais o plástico e sim o “transformado plástico”, uma mudança sutil, em consonância com o segmento que adota o discurso da sustentabilidade.&nbsp;</p>



<p>Em setembro, a Abiplast anunciou a “Rede Pela Circularidade do Plástico“, novo nome para o projeto de economia circular da instituição, que antes se chamava “Rede de Cooperação para o Plástico“. “O plástico não precisa acabar, precisa circular”, diz o novo slogan do projeto, que combina muito pouco com a boa fase do segmento. Outra iniciativa foi a parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em 2020, com o objetivo de aprimorar a gestão de resíduos sólidos. A ação inclui projetos de educação e conscientização, como o Movimento Plástico Transforma, realizado em parceria com a Braskem.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Atlas do Plástico</h2>



<p>Especialistas, entretanto, são unânimes ao afirmar que só a redução do plástico pode ser considerada uma ação sustentável. De acordo com o <a href="https://youtu.be/XwjbVWa6iVE">Atlas do Plástico 2020</a>, publicação da Fundação Heinrich Böll, apenas 1,28% das 11,3 milhões de toneladas de resíduo plástico produzido por ano é de fato reciclada no Brasil. A publicação, que traz informações e números sobre os polímeros sintéticos no Brasil e no mundo, informa que o Brasil tem reciclagem de&nbsp; 145 mil toneladas anuais segundo as informações mais recentes.</p>



<p>Os EUA seguem como campeões de produção de lixo plástico, com 70,782 milhões por ano, mas a taxa de reciclagem é de 34,60%, enquanto esta média no mundo é de, pelo menos, 9%. A publicação também aponta que o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico no mundo.</p>



<p>&nbsp;“A Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei nº 12.305/10, fala bem claro qual é o caminho: primeiro a não geração, depois a redução, reutilização, reciclagem e tratamento, ou seja, não gerar seria o fundamental. Reciclagem é só a segunda forma mais eficiente, não produzir e não consumir é o ideal“, destaca o coordenador de Programas e Projetos na área de Justiça Socioambiental da Fundação Heinrich Böll no Brasil, Marcelo Montenegro.</p>



<p>Montenegro destaca que uma lei em vigor em toda a União Europeia já baniu o plástico de uso único, que gera maior quantidade de resíduos, como plástico filme, embalagens, talheres e copinhos. Montenegro acredita que uma legislação similar seria o caminho ideal para minimizar o problema do descarte de plástico no Brasil.</p>



<p>De acordo com o jurista ambiental, muitos produtores de plástico no país não levam em conta a cadeia produtiva nem mesmo cumprem a lei, como os fabricantes de embalagens de biscoitos salgadinhos, que, segundo o especialista, é confeccionado a partir de uma combinação de diversos tipos de plásticos não recicláveis.</p>



<p>“Quando se vê este plástico na rua, se culpa o cidadão, o município que deveria ser responsável pela coleta e até o coitado do catador de material reciclado, mas a empresa fabricante não entra neste questionamento e não aparece. Pela lei, a empresa é a responsável por dar fim ao plástico que ela gera e deveria estar respondendo, criando um sistema de coleta deste material e incentivando este processo todo“, observa Montenegro.</p>



<p>De acordo com o Atlas, o verão de 2018/2019 foi o recordista de animais mortos nas praias brasileiras, principalmente por ingestão de plástico. No ranking dos maiores poluidores do oceano por plástico, o Brasil ocupa a 16ª posição, com 2,4 milhões de toneladas&nbsp; descartadas de forma irregular e 7,7 milhões de toneladas despejados em aterros sanitários.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Danielle Chevrand / Agência Nossa</p>
	                
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<p>“Tenho achado cada vez mais plástico no mar, só piorou nos últimos meses. Tem menos sacolas plásticas mas em compensação muito mais quentinhas de isopor, garrafas pet. Copo de Guaravita, aquele guaraná barato que vende aqui no Rio, é febre”, conta a remadora Danielle Chevrand, fundadora de um clube de canoa que usufrui das belas enseadas da Baía de Guanabara, em Niterói (RJ).</p>



<p>“Quase toda semana encontramos uma tartaruga morta ou precisando de ajuda para se livrar de saco plástico ou outros lixos”, afirma a atleta, que também é jornalista.</p>



<p>O diretor superintendente da Abiplast, Paulo Teixeira, argumenta que, do total do plástico produzido, cerca de 70% têm ciclo de vida longo ou médio, como canos para construção civil, peças para carros e máquinas, próteses ortopédicas, e, dos 30% restantes, cerca de 2,5% são os chamados descartáveis, como plásticos de uso único.&nbsp;</p>



<p>De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos (RSU) no Brasil 2020, das 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos gerados no país, 72,7 milhões foram coletadas, mas não há atividades de coleta seletiva em diversos municípios brasileiros.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Lógica importada não reflete realidade brasileira, diz Abiplast</strong></h3>



<p>“O nosso maior desafio é adaptar a lógica dos países centrais à realidade do Brasil. Temos uma sociedade com grande grau de desigualdade, com questões socioeconômicas complexas e graves, como a fome, a renda, o emprego. Não existe gestão de resíduos sólidos universalizada no país, há vários municípios sem coleta de lixo. Nem estamos falando em coleta seletiva! Muitas cidades não contam com água encanada ou tratamento de esgoto”, observa o presidente da Abiplast.</p>



<p>O professor do Instituto Oceanográfico da USP e coordenador da Cátedra Unesco de Sustentabilidade do Oceano Alexandre Turra explica que a simples prática individual da reciclagem é insuficiente para resolver o problema do tratamento do resíduo sólido. Para que esta gestão seja eficaz, é necessário que administrações municipal, estadual e federal viabilizem estas ações.</p>



<p>“O plástico é um produto interessante para várias aplicações. Em termos de termodinâmica, é necessário se valorizar este produto, mas não tem o menor sentido ir pra o aterro. A solução é atribuir ao plástico o valor que ele realmente tem, incorporar os custos para tirar da natureza e minimizar os custos ambientais“, destaca Teixeira.</p>



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	                                        <p class="m-0">Reciclagem individual é insuficiente para resolver poluição. Crédito: Sergei Tokmakov / Pixabay</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>&nbsp;ifood aceita reduzir plásticos, mas outros apps resistem</strong></h3>



<p>Em agosto deste ano, o&nbsp; iFood se comprometeu a reduzir a oferta de itens plásticos descartáveis em seus serviços de entrega, assinando o compromisso para a campanha “DeLivreDePlástico”, da ONG Oceana e da Mares Limpos, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Lançada em dezembro de 2020, a iniciativa reivindicava aos aplicativos de entrega de comida a redução da quantidade de plástico descartável que enviam aos consumidores.</p>



<p>De acordo com o documento assinado pelo iFood, as metas de redução estão distribuídas em três fases e a meta é que, até dezembro de 2021, 100% dos restaurantes parceiros terão a opção de não enviar descartáveis. Até 2025, a empresa garantirá que 80% dos pedidos não incluam o envio de&nbsp; guardanapos, talheres, pratos, copos e canudos plásticos. O compromisso inclui, ainda, o desenvolvimento de planos de trabalho com metas de redução para sacolas e embalagens descartáveis até março de 2022 e de inserção de embalagens reutilizáveis até março de 2023.</p>



<p>“Esse foi um primeiro passo, muito importante, porque o Ifood é o maior <em>player</em> da indústria de <em>delivery</em> e tem um papel muito importante nesta transição. Mas o compromisso tem três fases e ainda vamos cobrar o cumprimento das metas, como a redução de embalagens, sacolas e aumento de embalagem retornáveis”, destacou a gerente de Campanhas da Oceana, a engenheira ambiental Lara Iwanicki.</p>



<p>A ONG, no entanto, ainda tenta firmar o mesmo acordo com outros aplicativos. Entre as ações de sustentabilidade, o aplicativo Rappi divulga a integração de um projeto em parceria com a marca de cerveja Corona para a criação do selo Less Plastic, que incentiva restaurantes a reduzirem a quantidade de plástico utilizado. Outra iniciativa da parceria foi a doação, com início em julho, de embalagens feitas a partir de fécula de mandioca, material com tempo de decomposição muito inferior ao plástico, para lojas e restaurantes de São Paulo e do Rio de Janeiro.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Uber Eats incentiva redução de descartáveis</strong></h4>



<p>Já a plataforma Uber Eats atua na redução de consumo de descartáveis. Ao selecionar o pedido no aplicativo, o cliente pode escolher se deseja os utensílios e os restaurantes participantes da ação possuem um selo de “restaurante com uso de plástico reduzido”, dentro do App.</p>



<p>“A campanha ‘DeLivreDePlástico’ nasceu durante a pandemia e foi uma resposta ao aumento de consumo e de pedidos de delivery em casa. O consumidor passou a consumir mais em casa, tanto por aplicativo como .por <em>home office</em> e isso aumentou muito a emissão de sacolas, isopor e até de mesmo de embalagens plásticas, como&nbsp; plástico filme, em volta destas do isopor, para evitar o vazamento dos produtos. Os consumidores estavam recebendo pilhas de plástico”, contou Iwanicki.</p>



<p>A gerente ambiental afirma que a própria população está cobrando medidas sustentáveis das empresas e que, em um futuro próximo, quem não se adequar vai perder clientes. Em março, uma pesquisa realizada pelo Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), atendendo a uma solicitação da Oceana e do Pnuma, mostrou que 7 em cada 10 consumidores querem receber seus pedidos sem plástico descartável e que 15% já deixaram de solicitar o serviço por se sentirem incomodados pela quantidade de polímeros enviados junto com a refeição.</p>



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            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/com-indices-importados-esg-no-brasil-deixa-de-lado-desmatamento-fome-e-corrupcao/" class="titulo">Com índices importados, selos de Boas Práticas no Brasil deixam de lado desmatamento, fome e corrupção</a>
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<h4 class="wp-block-heading"><strong>Especialista propõe mudanças na relação de consumo</strong></h4>



<p>O movimento global Break Free From Plastic (BFFP) vai mais fundo na questão da contaminação do meio ambiente por polímeros e preconiza um futuro livre do plástico. Com mais de 11.000 organizações e apoiadores individuais no mundo inteiro, a instituição exige reduções maciças em plásticos de uso único e pressiona por soluções duradouras para a crise de poluição. A ONG acredita que este trabalho deva inserir toda cadeia produtiva, da extração ao descarte, “com foco na prevenção ao invés da cura“ e no fornecimento de soluções eficazes.</p>



<p>Integrante do BFFP, Elisabeth Grimberg é coordenadora de Resíduos Sólidos do Instituto Pólis, representante da América Latina de GAIA – Aliança Global Alternativas à Incineração, além de coprotetora da Aliança Resíduo Zero Brasil. A especialista propõe uma verdadeira revolução na sociedade, com legislação mais rígida, redesign dos produtos e mudança de hábitos da sociedade.</p>



<p>“O recomendável é que os plásticos duráveis, usados em modem de computador, TV, na fabricação de bens duráveis em geral, sejam reaproveitados quando o equipamento apresentasse alguma falha. O ideal era que estas estruturas fossem passíveis de reaproveitamento, que, se possível apenas se substituísse o motor de um ventilador, por exemplo, assim como outros equipamentos. Estas medidas representariam uma grande eficiência energética e gerariam muito menos impacto ambiental“, recomenda a especialista.</p>



<h4 class="wp-block-heading">O que é o <em><strong>Greenwashing</strong></em>?</h4>



<p>Elisabeth afirma que temas como responsabilidade ambiental e sustentabilidade no campo de produção de plásticos dão uma sensação de<em> greenwashing</em><em> (</em>ou banho verde, em português), termo utilizado para definir empresas que mascaram o dano provocado ao meio ambiente com medidas de marketing.</p>



<p>A ambientalista também sustenta que são necessárias mudanças no sistema de distribuição de alimentos, lembrando que os supermercados e hortifrútis estão entre alguns dos maiores emissores de plásticos não recicláveis no planeta. Para Grimberg, o ideal seria um sistema com circuitos curtos de produção e consumo, por meio do contato direto com o produtor agrícola, banindo, desta forma, o saquinho plástico de supermercados, proveniente não só das famosas sacolas, como também das embalagens.</p>



<p>“Um sistema com governança, sustentabilidade e responsabilidade maior teria que oferecer linhas de créditos de financiamento com baixos juros para, por exemplo, incentivar a venda de produtos a granel. Nas feiras livres, estimular os comerciantes a conversar com os consumidores para botar o plástico no carrinho sem plástico. Estimular vendas descentralizadas a granel, é toda uma mudança de lógica“, afirmou.</p>



<p>A integrante do BFFP argumenta que esta mudança de hábito de consumo e produção não é tão inviável, tendo em vista que em um passado bem recente, refrigerantes, bebidas alcoólicas, além dos tradicionais copos de requeijão, eram embalados por vidros, recipientes bem menos poluentes e reutilizáveis.</p>



<p>“Por que o plástico não desapareceu? Por causa do custo, basicamente. Tem que chamar estas grandes corporações e questionar: vocês querem ser sustentáveis? Então voltem para o vidro, que é 30 ou 35 vezes mais reutilizável para a mesma finalidade. Assim, você vai gerar essa massa absurda de plástico, mesmo que reciclável“, destaca.</p>



<p>A especialista também adverte que mesmo a reciclagem de plástico provoca impacto ambiental e não deve ser encarada como única solução para poluir menos o ecossistema.</p>



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<p>O post <a href="https://marcozero.org/discurso-de-sustentabilidade-contrasta-com-aumento-de-uso-de-plasticos/">Discurso de sustentabilidade contrasta com aumento de uso de plásticos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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