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	<title>Arquivos terceira dose - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 12:45:02 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos terceira dose - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Ernesto Marques: &#8220;Ainda não temos a solução definitiva contra o coronavírus, temos as soluções emergenciais&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Feb 2022 21:20:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[dose de reforço]]></category>
		<category><![CDATA[fim da pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando entrou no curso de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o cientista Ernesto Marques não tinha a menor noção do que era pesquisa. Até que conheceu o professor José Luiz Lima, hoje diretor do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika), que havia acabado de chegar de um doutorado na Escócia. Marques entrou pela [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando entrou no curso de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o cientista Ernesto Marques não tinha a menor noção do que era pesquisa. Até que conheceu o professor José Luiz Lima, hoje diretor do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika), que havia acabado de chegar de um doutorado na Escócia. Marques entrou pela primeira vez em um laboratório e não saiu mais. &#8220;Não foi uma escolha fácil. Sabia desde o início as dificuldades, não só no Brasil, de uma carreira hipercompetitiva&#8221;, conta.<br><br>Ao longo de três décadas, Marques construiu uma carreira bem sucedida dentro e fora do Brasil. Na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi um dos responsáveis pela formação do departamento de virologia do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães, no Recife, que custou US$ 7 milhões. Foi pesquisador e professor visitante na Universidade John Hopkins, líder em pesquisa em saúde nos Estados Unidos, onde também concluiu o doutorado.<br><br>Desde 2009 dá aulas sobre prevenção de infecções, virologia, imunidade e vacinas na Universidade de Pittsburgh, de onde conversou com a Marco Zero na semana passada. <a href="https://publichealth.pitt.edu/Resources/FacultyAndStaff/pdf/1c3dfdba-fa1e-4c07-b612-5441c0a00dcd.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Com mais de 150 artigos publicados</a>, também participa de pesquisas nos Estados Unidos e no Brasil sobre covid-19, zika, HIV e para o desenvolvimento de uma nova vacina da dengue. Na entrevista abaixo, ele fala sobre como o vírus e as vacinas contra a covid-19 podem evoluir e como investimento é essencial para pavimentar uma ciência brasileira independente.</p>



<p>Marco Zero Conteúdo &#8211; <strong>A pandemia parecia estar sendo controlada com as duas doses de vacinas quando surgiu a ômicron, com uma explosão de casos muito acima das outras ondas. A ômicron pegou o mundo de surpresa?</strong></p>



<p><strong>Ernesto Marques </strong>&#8211; A adaptação viral é esperada. Já se tinha reconhecido que a taxa de mutação e adaptação desse vírus é grande e tem padrões diferentes de transmissão e sintomatologia. A ômicron tem uma característica: ela tem preferência por certas células da via aérea superior enquanto que as outras variantes tinham uma preferência maior para infectar o pulmão, causando portanto mais pneumonia. A ômicron afeta mais a via superior, mas não exclusivamente ela também pode afetar os pulmões. Essa característica de preferência por um tipo de célula é uma adaptação ao processo de transmissão. E isso é dar uma maior vantagem na transmissão porque você está produzindo a cepa logo ali na saída da via respiratória, facilitando a transmissão. Por haver mais casos assintomáticos, ou com poucos sintomas, as pessoas estão andando e distribuindo o vírus mais à vontade. Eu não acredito que essa vai ser a última cepa que vai aparecer. Outras vão aparecendo.<br><br><strong>Quando a ômicron surgiu, se falou que poderia ser uma variante mais leve&#8230;</strong></p>



<p>A Ômicron não é um vírus atenuado, como muita gente pensou, de que seria como uma &#8220;vacina&#8221; de um vírus atenuado. Muito longe disso. O vírus está matando no Brasil 800 pessoas por dia. No mundo, dez mil pessoas por dia. Então, pra quem acha que pegar a ômicron é menos arriscado que a vacina, é ter menos efeito colateral, não está olhando para a realidade. Já foram aplicadas mais de dez bilhões de doses de vacina contra a covid-19 pelo mundo e os óbitos associados à vacina &#8211; o que não quer nem dizer que tem a confirmação de causa e efeito, é bom frisar &#8211; é na faixa de um para um milhão.</p>



<p><strong>Quando as vacinas surgiram, algumas delas, como as da Pfizer e da Moderna, evitavam a infecção e também a transmissão do vírus. Hoje, com a ômicron, a terceira dose ajuda a evitar agravamento e morte, mas não a infecção. Por que isso ocorreu?</strong></p>



<p>Vou usar a dengue como exemplo. Temos quatro tipos de sorotipos: um, dois, três e quatro. O que isso significa? Para cada tipo de dengue, é induzido um tipo de anticorpo. Tem o anticorpo que vai neutralizar a dengue 1, mas não a dengue 2. Se você é infectado por um tipo, você ainda pode ter os outros três. Nesses dois anos, o Sars-Cov2 vem se adaptando e evoluindo em um ambiente imunológico que segue mudando. No início, ninguém tinha sido infectado, ninguém tinha sido imunizado. Então o vírus corria solto e sem barreiras imunológicas na comunidade que pressionassem ele a escapar dessas barreiras. Com o passar do tempo, com as inúmeras infecções e reinfecções de covid e pessoas imunizadas expostas à doença, o vírus passa por um processo de seleção. Aquele vírus que consegue infectar melhor as pessoas e se adapta para superar a resistência imunológica prospera mais do que os outros. A ômicron já é, de certa forma, uma solução da evolução do vírus pra enfrentar a resistência imunológica que ele encontra. Da mesma forma que as vacinas feitas com a cepa original de Wuhan não funcionam tão bem contra a ômicron, podemos esperar que o reverso seja verdadeiro. Se você tem anticorpos contra a ômicron não quer dizer que você vai estar protegido contra a cepa original ou outras. Nesse processo, enquanto a gente passa dessa transição de pandemia para uma endemia, vamos ter vários momentos de altas e baixas até chegar a um equilíbrio real e, talvez, surjam diferentes sorotipos. Agora, a evolução viral depende do número de infecções. Cada vez que uma pessoa se infecta é uma oportunidade de surgir um mutante resistente à vacina atual ou aos anticorpos induzidos pelas infecções anteriores.<br><br><strong>Então por isso também que não é bom deixar o vírus como está atualmente, com recorde atrás de recorde de casos? Pode prolongar a pandemia?</strong></p>



<p>Não é recomendável de forma alguma. No mundo, são três milhões ou mais de casos por dia, dez mil mortes por dia, isso não é aceitável. Em um ano ruim de influenza morrem nos Estados Unidos quarenta mil pessoas. São várias ordens de amplitude menor do que se morre pela ômicron. A questão é que, até hoje, e desde o início da epidemia, lá no começo de 2020, agimos como se a epidemia fosse acabar em três meses e já se vão dois anos nessa conversa. Não vai acabar sem um planejamento a longo prazo, com as adaptações e comportamentos necessários. As pessoas têm que ser capazes de funcionar na sua vida em termos de trabalho e socialmente, mas precisam de um nível de segurança razoável para viver o seu dia a dia de maneira que minimize a transmissão das doenças respiratórias como um todo. E isso não se fez. Aí fica sempre nessa iminência de que a epidemia vai acabar. De que vamos aguentar um tempo, e ninguém faz um planejamento a longo prazo.<br><br><strong>Qual a importância da terceira dose para a ômicron?</strong></p>



<p>É pela quantidade de anticorpos que são gerados. Não significa que os anticorpos contra a cepa original não reagem contra a ômicron. Eles reagem, mas como é uma cepa diferente, eles reagem com uma força menor. Se a pessoa tiver um nível médio de anticorpos e vier a cepa original, a vacina segura. Porque a vacina é forte para segurá-lo. Mas quando vem uma variante que é diferente, a pessoa já não segura com tanta força. Um anticorpo sozinho, vamos dizer, não é capaz de controlar a ômicron, mas se tiver três, quatro, cinco, um número maior de anticorpos, segura. Porque pode ser um anticorpo com afinidade menor, mas eu tenho tantos anticorpos que acabam segurando a doença. Essa é a lógica quando você toma um reforço. Tem um artigo recente mostrando que três doses, ou três exposições à espícula, com vacina ou infecção, têm uma abrangência maior na cobertura das várias cepas. Desde o início da imunização, quando as vacinas foram liberadas, a pergunta era até quando os anticorpos iriam durar. E a conclusão é que duram na faixa de seis meses. E, por isso, também há necessidade do reforço, para manter a imunidade tanto contra a cepa original e tanto contra as outras variantes.<br><br><strong>Pode acontecer com o coronavírus o que acontece, por exemplo, com a gripe, em que em um ano circula mais uma cepa, no outro ano circula mais outra?</strong></p>



<p>Pode. Também com a dengue é a mesma coisa. Tem ano que temos mais dengue 1, tem ano que temos mais dengue 4. Não é que a outra cepa foi extinta da natureza. Ela continua circulando na natureza. No momento, a ômicron é dominante e, em um determinado momento, vai encontrar uma resistência maior. Há dois caminhos que o vírus pode seguir: ou ele muta e gera novas variantes resistentes ou alguma das variantes antigas, que são menos afetadas pelas respostas imunes, vão ressurgir. E pode acontecer como a gripe, que de tempos em tempos aparece uma nova variante, ainda sem vacina, como aconteceu com os surtos da H3N2.<br><br><strong>A evolução natural de todos os vírus é ele ficar mais fraco, mas infectar mais pessoas? Ou pode ser que surja uma variante que se espalhe tanto contra a Ômicron, mas que cause doença mais grave?</strong></p>



<p>É esperado que, a medida que um vírus vai se adaptando ao hospedeiro, ele vá matando menos. Essa adaptação é para que ocorra uma simbiose que garanta uma melhor sobrevivência do vírus. Acho que um exemplo bem documentado é o caso do HIV. E, no entanto, o vírus não para de evoluir e vive aparecendo cepas resistentes aos medicamentos. Se as pessoas não tomarem o medicamento rigorosamente, se não controlar bem, o HIV fica mais resistente também. Por isso você tem uma variedade de medicamentos, se usa um esquema tríplice ou uma combinação maior ainda para o HIV. O Sars-Cov2 pode evoluir e causar uma doença mais branda, mas a direção não é sempre para esse lado. Pode seguir outros caminhos, outras direções que não necessariamente são favoráveis ao hospedeiro. A direção também não é sempre a mesma, não é sempre constante indo para o lado de menos doença. Pode ir para o lado de mais doença em alguns momentos. O vírus da influenza, por exemplo, tem cepas que são altamente patogênicas, outras que não. Com a dengue, a mesma coisa. A cepa da dengue 2 é bem mais propensa a causar dengue severa ou dengue hemorrágica. Essa expectativa de uma covid mais branda no futuro é uma expectativa, eu diria, que otimista, com um fundo de embasamento real, mas não é uma garantia.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ernesto Marques no laboratório da Universidade de Pittsburgh. Crédito: www.publichealth.pitt.edu</p>
	                
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<p><strong>E como é que o senhor vê essa questão da atualização das vacinas? É uma urgência?</strong></p>



<p>Eu acho que o desenvolvimento das novas versões da vacina ou versões multivalentes das vacinas está evoluindo no prazo correto. Temos que considerar que uma boa parte da população mundial continua sem ter vacina disponível, então, ainda precisa ser fabricada quantidades enormes das vacinas atuais. E, no caso das novas versões, temos já duas em fase 3 de testes e, como são muito similares às vacinas atuais, o processo de validação, certificação de eficácia e segurança deve ser um processo relativamente rápido, já que as atuais já têm autorização plena, não é mais uma autorização emergencial.<br><br><strong>O que você vê de mais promissor no futuro de vacinas contra a covid-19?</strong></p>



<p>É fazer a vacina universal contra o coronavírus. Esse que é o &#8220;santo graal&#8221; da história. E as estratégias são diferentes. Uma vez que se conhece os locais onde o vírus aceita modificação e escapa do sistema imunológico, nós também reconhecemos áreas em que ele não consegue se modificar. E no momento que você identifica essas regiões em que ele não consegue se modificar, você faz vacinas contra essas regiões mais rígidas do vírus, que ele não consegue mutar pra escapar da resposta imunológica. Para isso, tem várias estratégias diferentes que estão em andamento. Talvez levem mais tempo porque são bem mais sofisticadas do que as vacinas que temos hoje, não na plataforma tecnológica mas na estrutura do antígeno que se usa na vacina. <br><br><strong>E quanto tempo pode levar pra desenvolver essa vacina universal?</strong></p>



<p>Como sempre, depende da quantidade de investimento e interesse. O que acontece com frequência é que, uma vez tendo um produto comercializado, o investimento em desenvolvimento de novos produtos diminui, porque o mercado vai ficar dividido. A não ser que exista uma falha real do produto atual, o investimento em um novo produto não é mais tão atraente porque o mercado é menor, a expectativa de lucro é menor.<br><br><strong>A pandemia completou dois anos e a ciência, extremamente pressionada, conseguiu dar uma ótima resposta com o desenvolvimento das vacinas contra a covid-19. Como você vê o legado desses dois anos?</strong></p>



<p>O êxito na produção da vacina de uma forma tão rápida não foi graças ao desenvolvimento de agora. Isso foi graças ao desenvolvimento que vem sendo feito há 30 anos. Em 1995 já se fazia vacina de adenovírus. Já se fazia vacina de mRNA em modelos animais. A vacina de DNA, que chegou também a ser testada em pessoas, já foi usada em estudos para HIV.<br><br><strong>Então o que faltava foi esse investimento que teve nesses dois anos?</strong></p>



<p>Exatamente. Foi aí que se pegou a tecnologia que tinha sido originalmente feita muitos anos atrás, e continuava evoluindo, mas apenas nos bastidores da ciência. E, quando receberam a injeção grande de recursos, essas tecnologias estavam prontas pra deslanchar. E foi um sucesso. Eu considero que, nesses anos de pandemia, o sucesso é graças ao conhecimento anterior, que foi buscado para uma solução urgente, para resolver o problema de agora. No entanto, ainda falta muita compreensão sobre a doença em si. Por que o jovem não tem tanta doença grave? Por que a doença é tão letal em algumas pessoas e outras sentem tão pouco? É por causa da cepa do vírus? É por causa do <em>background</em> genético da pessoa? Ou é por causa de algum outro fator ambiental? Algum fator do hospedeiro, como infecções prévias? Ou alguma característica específica do sistema imunológico? Isso tudo ainda está em aberto. E é também o conhecimento dessas questões que poderá levar a ser feita vacinas para todos os coronas, remédios eficazes pra evitar a morte etc. Ainda não temos a solução definitiva contra o coronavírus, temos as soluções emergenciais mesmo.<br><br><strong>E para responder a essas questões ainda vai ser necessário muito investimento em pesquisa nos próximos anos?</strong></p>



<p>Uma coisa que é importante lembrar: a vacina é da Pfizer porque a Pfizer basicamente comprou uma empresa menor, a BioNTech, que foi fundada no início dos anos 2000. E, até 2020, ela teve investidores que já tinham colocado nela US$ 180 milhões. Para desenvolver a tecnologia, a BioNTech vivia no vermelho, não tinha superávit durante todos esses anos. Era uma uma empresa que vivia graças ao investimento. E, como foram extremamente bem sucedidos nesse projeto, a Pfizer comprou, porque a fabricação e distribuição requerem uma empresa global. Em termos de desenvolvimento de vacinas, as pessoas falam tanto em teorias da conspiração, mas a vacina não é um produto farmacêutico que dá lucro. O que dá lucro é vender remédio pra tosse, pra desentupir nariz, sonda pra intubar, respirador, isso é o que dá dinheiro. Tomar uma dose de Pfizer que o Brasil comprou por US$ 10, não. Quanto gasta uma pessoa doente em casa com sintomas leves de covid-19? É mais do que R$ 50, R$ 60. Se juntar todo o investimento feito na indústria farmacêutica, 97% é dedicado a desenvolver remédio. Só 3% é dedicado a vender, a produzir, a desenvolver novas vacinas. Isso já diz tudo. Vacina é um investimento longo, de grande risco, caro. E que sofre esses preconceitos de alguns grupos sem justificativa. Não há grande interesse econômico em prevenir doenças. O grande interesse econômico é vender remédio, procedimento médico, isso gera dinheiro. E as pessoas esquecem disso. A BioNTech deve ter feito um lucro enorme agora, mas muito justo. São pessoas que passaram 15 anos ou mais investindo numa empresa que não sabiam se iria dar retorno ou não. E um dia teve. E a gente vê também por outro lado. Por que que a gente não tem vacina pra zika? Porque ainda hoje a gente não tem uma vacina para dengue, para esquistossomose ou para HIV? É um investimento mais lucrativo vender antiviral de HIV do que vender uma vacina de US$ 20 pra uma pessoa. Isso é uma mentalidade que precisa mudar. No lado particular, a preocupação é sempre se tem mercado ou não. No lado público, a preocupação não é o mercado, mas a parte política. E no Brasil há um apetite de risco muito pequeno, não há investimento em desenvolvimento de tecnologia local.<br><br><strong>É verdade que de todas as vacinas distribuídas pelo SUS nenhuma é com tecnologia brasileira?</strong></p>



<p>Você conta nos dedos as patentes de vacinas brasileiras originais. E nem todas patentes viram produto. O que o Brasil faz são acordos de transferência de tecnologia. O que não quer dizer que, depois que a tecnologia é transferida, não seja adaptada ou evoluída dentro das instituições. A Fiocruz tem um parque grande, um número grande de pesquisadores, mas nenhuma vacina que a Fiocruz produz hoje foi feita ou desenvolvida por um dos seus pesquisadores.<br><br><strong>Falta investimento?</strong></p>



<p>É falta de seriedade no investimento. A instituição investe, mas em valores amadores, vamos dizer assim. É mais no nível acadêmico, é um investimento que não tem o cacife pra transformar aquela descoberta da bancada em um produto. Há tentativas, há programas que tentam avaliar, mas é muito pacato, muito discreto. No setor público existe um trauma. Principalmente nas instituições idôneas, do bem: há muito medo de investir dinheiro em uma coisa que não dê certo porque vão ser alvo de críticas, de que foi corrupção, de que foi isso, de que foi aquilo. Então, pra você investir em pesquisa naquilo que você tem certeza que vai dar certo não existe. Por isso que no Brasil se espera o outro fazer, e, se der certo, compra. É menos risco.</p>



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		<title>Pernambuco vai manter vacinação de adolescentes com a vacina da Pfizer</title>
		<link>https://marcozero.org/pernambuco-vai-manter-vacinacao-de-adolescentes-com-a-vacina-da-pfizer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Sep 2021 22:17:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[adolescentes]]></category>
		<category><![CDATA[astrazeneca]]></category>
		<category><![CDATA[pfizer]]></category>
		<category><![CDATA[terceira dose]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O dia começou com uma bomba: a repercussão da decisão infundada do Ministério da Saúde, publicada na noite de ontem, de simplesmente suspender a recomendação da vacinação de adolescentes sem comorbidades com mais de 12 anos. Em uma nota técnica com erros de informação, o Ministério da Saúde afirma que, entre outras coisas, a Organização [&#8230;]</p>
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<p>O dia começou com uma bomba: a repercussão da decisão infundada do Ministério da Saúde, publicada na noite de ontem, de simplesmente suspender a recomendação da vacinação de adolescentes sem comorbidades com mais de 12 anos. Em uma nota técnica com erros de informação, o Ministério da Saúde afirma que, entre outras coisas, a Organização Mundial de Saúde não recomenda a imunização de criança e adolescente e de que os &#8220;benefícios (da vacinação nessa faixa etária) não estão claramente definidos&#8221;. Como era esperado, houve uma enxurrada de reações contrárias da comunidade médica e científica.<br><br>Alagoas, Bahia e Minas Gerais são alguns dos estados que já anunciaram que suspenderam a vacinação de adolescentes. São Paulo afirmou que vai manter. Pernambuco também. A não ser que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emita um parecer técnico contra a vacinação desse grupo, o que é improvável, já que foi a própria agência quem autorizou a vacina Pfizer para o grupo acima de 12 anos.<br><br>Em coletiva nesta quinta-feira, o secretário estadual de Saúde, André Longo, afirmou que foi pego de surpresa com o que chamou de &#8220;anúncio infeliz do Ministério da Saúde&#8221;. Em seguida, ele anunciou que &#8220;vamos aguardar a posição da Anvisa. O próprio Ministério da Saúde afirma que foram vacinados 3,5 milhões de adolescentes no Brasil e em apenas 1,5 mil foram relatados efeitos adversos (o que representa 0,042% do total). A grande maioria de reações leves. Há um caso suspeito de reação mais grave, que ainda não pode ser atribuído à vacina, é preciso ser investigado&#8221;, afirmou Longo.<br><br>Em Pernambuco, mais de 168 mil adolescentes já foram vacinados com a primeira dose de Pfizer, o que corresponde a apenas 15% do total. A vacina norte-americana é a única autorizada no Brasil para esta faixa etária. Um outro dado do MS é de que 93% das 1,5 mil reações adversas notificadas foram em adolescentes que, por erro, não tomaram Pfizer, mas sim imunizantes de outras marcas.<br><br>Em entrevista também realizada durante a tarde, o ministro Marcelo Queiroga não conseguiu justificar tecnicamente a decisão, que vai contra o que a ciência, até agora, evidencia. Ele falou sobre a alta probabilidade crianças e adolescentes não terem agravamento da doença. Mas esqueceu que vacinação é saúde coletiva e de que um a cada dez adolescentes que pegam o coronavírus desenvolvem a chamada &#8220;covid longa&#8221;, doença debilitante que perdura por meses. Com a variante delta, se calcula que a porcentagem de vacinados deve superar os 80% da população, o que só é possível com a vacinação também dos adolescentes.<br><br>Queiroga também vetou a segunda dose para esse público. &#8220;Aqueles sem comorbidades, independente da vacina que tomaram, param por aí e não tomam outra, até por uma questão de cautela&#8221;, disse.<br><br><strong><em>Atualização:</em></strong> Na live de Bolsonaro na noite desta quinta-feira, Queiroga confirmou que retirou os adolescentes sem comorbidades do Plano nacional de Imunização (PNI) após conversas com o presidente. &#8220;O senhor tem conversado comigo sobre esse tema e nós fizemos uma revisão detalhada no banco de dados dos Datasus…&#8221;, diz, até ser interrompido por Bolsonaro. O presidente, então, diz que conversas não são imposições. &#8220;Eu levo para ele o meu sentimento, o que eu leio, o que eu vejo, o que chega ao meu conhecimento”, disse Bolsonaro.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://twitter.com/PedroHallal/status/1438504975173177346?s=20
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Secretários pedem explicação à Anvisa</h2>



<p>Chamou atenção também o fato de que a suspensão foi uma decisão do Ministério da Saúde e não da Anvisa, que é o órgão técnico que autoriza ou não os imunizantes no Brasil. Para o secretário André Longo, a decisão do Ministério não foi clara ao evidenciar os verdadeiros motivos – que seria uma possível falta de vacinas para começar a dose de reforço dos idosos acima de 70 anos imunossuprimidos.<br><br>&#8220;O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) <a href="https://www.conass.org.br/conass-e-conasems-consultam-a-anvisa-sobre-a-autorizacao-para-uso-da-vacina-em-adolescentes-de-12-a-17/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">fizeram um documento para a Anvisa</a>, que regulamenta a vacinação, solicitando informações. A vacina da Pfizer tem registro definitivo da Anvisa no Brasil. Pernambuco e a maioria dos estados vão continuar com a vacinação dos adolescentes&#8221;, afirmou Longo na coletiva. A Anvisa ainda não se pronunciou. </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Ministério da saúde errou e erra consistentemente. Levem seus adolescentes para vacinarem assim que puderem. O problema não é apenas a morte, mas sequelas permanentes que podem acometer esses adolescentes e podem impactar a vida deles. A Pfizer está aprovada pela ANVISA, é segura</p>&mdash; Ethel Maciel, PhD (@EthelMaciel) <a href="https://twitter.com/EthelMaciel/status/1438570511911489541?ref_src=twsrc%5Etfw">September 16, 2021</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
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<p>O médico pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações em Pernambuco, também estava presente na coletiva e pediu tranquilidade às famílias e responsáveis. Ele reforçou que não existe recomendação técnica da OMS contra a aplicação de vacinas em adolescentes. Na verdade, seria uma questão moral: de que idosos e adultos tenham prioridade, em locais em que não há vacinas para todos.<br><br>&#8220;A segunda dose é fundamental e todos os adultos acima de 18 anos devem tomar as duas doses e os idosos devem completar o reforço. Se houver vacinas disponíveis, da Pfizer, é autorizada pela Anvisa a aplicação em adolescentes. E pelos Estados Unidos e por grande parte dos países da Europa. Como todo medicamento, podem ocorrer reações, a grande maioria leve. Hoje, a orientação é que de que a vacina da Pfizer é segura para adolescentes. Estamos aguardando a Anvisa e a reunião amanhã do comitê (de imunização de Pernambuco), mas com tranquilidade do que estamos falando. Há evidências de bases sólidas: a vacina da Pfizer foi testada e aprovada para adolescentes&#8221;, afirmou.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Atraso nas segundas doses de AstraZeneca</h3>



<p>Completando oito meses do início da campanha de vacinação contra a covid-19 o Brasil ainda não tem nem 37% da população imunizada. Apesar dos números de mortes e internações terem caído, o patamar segue alto, com cerca de 600 mortes por dia. Antes da pandemia, o Brasil tinha uma média de 14 mortes diárias por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).<br><br>Atrelada à lentidão, o Brasil vive uma inconsistência na distribuição de doses. Hoje, 40 cidades de Pernambuco estão sem a vacina AstraZeneca para serem aplicadas em quem já passou do (longo) prazo de 90 dias até a segunda dose. A falta, que acontece em diversos estados, se deu pela falta de insumo farmacêutico na Fiocruz, que produz as vacinas.<br><br>A lacuna de cerca de dez dias na produção gerou um efeito de bola de neve. Hoje, Pernambuco recebeu 47 mil doses da Fiocruz, mas não é suficiente para zerar a fila. Deve receber mais doses ainda nesta semana, já que hoje a Fiocruz entregou mais um lote de 2,3 milhões de doses para serem dividas pelos estados. O secretário afirmou que 740 mil pessoas, segundo o ministério, estão com a segunda dose em atraso em Pernambuco, mas não especificou quantas pessoas esperam pela vacina da AstraZeneca.<br><br>Os municípios pactuaram com o estado a realização de um grande mutirão para diminuir o número de pessoas sem segunda dose na semana que vem. O &#8220;Dia D&#8221; será o sábado, 25 de setembro. &#8220;Caso a vacina da AstraZeneca chegue em quantidade razoável até lá, quem recebeu a primeira dose com AstraZeneca vai completar o esquema com a mesma vacina. Se não, usaremos a Pfizer como segunda dose, a partir da próxima semana. De todos os esquemas heterólogos (quando se usa mais de uma marca de vacina), o que tem mais pesquisa e comprovada eficácia é primeira dose de AstraZeneca e a segunda de Pfizer. Não temos a menor dúvida de que esse esquema é seguro e eficaz&#8221;, disse.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Ministério da Saúde não envia vacinas para a 3ª dose</h4>



<p>A vacinação da terceira dose de idosos maiores de 70 anos, que receberam a segunda dose há mais de seis meses, e de imunossuprimidos deveria ter começado ontem. Porém, o Ministério da Saúde não enviou nenhum novo lote de vacinas. Algumas cidades, com doses a mais, iniciaram a vacinação, como foi o caso do Recife. Outras, como Petrolina, ainda esperam mais vacinas.<br><br>&#8220;Havia expectativa de doses adicionais, mas não tivemos esse envio&#8221;, disse Longo, na coletiva. De acordo com ele, a decisão do Ministério da Saúde de suspender a vacinação de adolescentes pode ter relação com o receio de que não haja doses suficientes para o reforço dos idosos.<br><br>&#8220;Algumas pessoas passaram atribuir o movimento do Ministério da Saúde (de suspender a vacinação dos adolescentes) ao de falta de vacina. É preciso que haja clareza: suspender de adolescentes, para ter doses para o reforço, mas isso tem que ser feito às claras. Esse ruído na comunicação acaba gerando um ambiente que não contribui para o avanço da vacinação&#8221;, afirmou.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-vacinacao-contra-a-covid-19-vai-ser-todo-ano-para-todo-mundo/" class="titulo">A vacinação contra a covid-19 vai ser todo ano, para todo mundo?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/pernambuco-vai-manter-vacinacao-de-adolescentes-com-a-vacina-da-pfizer/">Pernambuco vai manter vacinação de adolescentes com a vacina da Pfizer</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<item>
		<title>Pernambuco quer 3ª dose da vacina também para profissionais de saúde</title>
		<link>https://marcozero.org/pernambuco-quer-3a-dose-da-vacina-tambem-para-profissionais-de-saude/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Aug 2021 18:45:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[terceira dose]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Ministério da Saúde anunciou que, a partir do dia 15 de setembro, vai iniciar a aplicação da terceira dose em idosos de 70 anos para cima e em pessoas imunossuprimidas. O anúncio era esperado por conta de estudos que comprovam o declínio da eficácia de todas as vacinas com o passar do tempo e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Ministério da Saúde anunciou que, a partir do dia 15 de setembro, vai iniciar a aplicação da terceira dose em idosos de 70 anos para cima e em pessoas imunossuprimidas. O anúncio era esperado por conta de estudos que comprovam o declínio da eficácia de todas as vacinas com o passar do tempo e também da baixa eficácia da coronavac em idosos.<br><br>Para as pessoas imunossuprimidas, o intervalo mínimo entre a segunda e a terceira dose deve ser de, pelo menos, 28 dias. Para os idosos acima de 70 anos, a recomendação é de que tenham completado as duas doses há pelo menos seis meses.<br><br>A vacinação da terceira dose vai ser heteróloga, ou seja, os idosos e imunossuprimidos irão receber uma dose de um imunizante feito com uma tecnologia diferente daquela das duas primeiras doses. O MS recomenda a aplicação prioritária da vacina Pfizer, feita com a tecnologia de RNA mensageiro. É uma vacina que ainda não estava disponível no Brasil no início da vacinação dessa faixa etária, já que o governo Bolsonaro, deliberadamente, atrasou as negociações com a farmacêutica norte-americana.<br><br>Caso não haja disponibilidade da vacina Pfizer, o MS recomenda a terceira dose com vacinas de vetor viral, que são a AstraZeneca/Fiocruz e a Janssen. O pesquisador Rafael Dhalia, da Fiocruz-PE, diz que as pesquisas apontam para uma maior eficiência da dose heteróloga de reforço. “Uma vez que esta terceira dose, utilizando uma tecnologia diferente, é capaz de promover um estímulo diferente, e consequentemente maior, para o sistema imunológico. A combinação de diferentes antígenos, utilizando diferentes tecnologias, parece ser o caminho”, afirma.<br><br>Cerca de 15 países já iniciaram ou já aprovaram a terceira dose para idosos, pessoas com comorbidades ou imunossuprimidos. Dois países da América do Sul já iniciaram a aplicação da terceira dose. No Chile, os idosos estão recebendo reforço de uma dose da coronavac. No Uruguai, a terceira dose é com a vacina da Pfizer. Nos dois países, a terceira dose é voltada exclusivamente para quem tomou as duas primeiras doses de coronavac.<br><br>No Brasil, a terceira dose vale para esses dois públicos, sem distinção entre os tipos das vacinas usadas nas duas primeiras doses.</p>



<h2 class="wp-block-heading">1,5 milhão tomarão 3ª dose em Pernambuco</h2>



<p>Após o anúncio do Ministério da Saúde, o estado de São Paulo anunciou um antecipação da terceira dose a partir de 6 de setembro para idosos acima de 60 anos e imunosuprimidos. Ao contrário da recomendação do Ministério da Saúde, foi anunciado que será usada a vacina que estiver disponível, o que inclui a coronavac.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/entenda-porque-a-3a-dose-da-vacina-sera-aplicada-para-idosos-que-tomaram-a-coronavac/" class="titulo">Entenda porque a 3ª dose da vacina será aplicada para idosos que tomaram a coronavac</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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<p>Em Pernambuco, o secretário estadual de saúde, André Longo, afirmou hoje que o comitê de imunização contra covid-19 vai se reunir nesta quinta-feira (26) para definir como vai ser a aplicação da terceira dose no estado. &#8220;Pernambuco vai fazer todo um trabalho para garantir que a vacinação da terceira dose dos idosos seja prioritária, assim que as doses sejam liberadas e distribuídas pelo Ministério da Saúde&#8221;, afirmou o secretário em coletiva de imprensa hoje, acrescentando que o estado deverá adotar o esquema heterólogo para a terceira dose.<br><br>De acordo com Longo, Pernambuco possui uma população de 1,2 milhão de pessoa acima de 60 anos e imunossuprimida. &#8220;Estudos mostram que essa vulnerabilidade começaria já aos 55 anos. Nós vamos ter que debater também isso&#8221;, disse o secretário, citando um estudo do InCor (Instituto do Coração) e da USP, ainda não revisado e feito apenas com pessoas que tomaram coronavac. O estudo tem uma amostram bem pequena: apenas 101 vacinados, dos quais só 42 tinham acima de 55 anos.<br><br>&#8220;Acho que será inevitável que toda a população tenha que tomar uma terceira dose. E é natural que isso se faça de forma decrescente por faixa etária e atendendo alguns públicos vulneráveis e de maior importância dentro do contexto pandêmico. É preciso lembrar também que os trabalhadores da saúde foram vacinados primeiro, lá em janeiro e fevereiro, e eles são muito importantes na linha de frente. Então a gente também vai ter que aguardar uma posição do Ministério da Saúde em relação a esses trabalhadores da saúde. Vamos cobrar a necessidade dos trabalhadores da saúde serem incluídos nessa primeira fase. Já passaram esses seis meses da vacinação&#8221;, disse o secretário.<br><br>De acordo com Longo, Pernambuco tem cerca de 300 mil trabalhadores da saúde.</p>



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	                                        <p class="m-0">Imunossuprimidos e idosos acima de 60 anos são 1,2 milhão de pessoas em Pernambuco. Crédito: Marcos Pastich/PCR</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading">Menos tempo entre as doses</h3>



<p>O Ministério da Saúde também anunciou a redução do intervalo entre as doses da Pfizer e Astrazeneca de 12 para oito semanas. De acordo com o Ministério, a previsão é que essa atualização também seja feita a partir da segunda quinzena de setembro.<br><br>De acordo com a pasta, a medida foi possível porque 77% da população alvo da campanha &#8211; acima de 18 anos &#8211; já recebeu pelo menos a primeira dose.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-vacinacao-contra-a-covid-19-vai-ser-todo-ano-para-todo-mundo/" class="titulo">A vacinação contra a covid-19 vai ser todo ano, para todo mundo?</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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<p><br>No Recife, o intervalo entre as duas doses da AstraZeneca já estava sendo adotado desde o começo de julho, quando havia disponibilidade da vacina na cidade. &#8220;Temos que acelerar a vacinação o máximo que pudermos. Estamos em um momento epidemiológico, com a delta e indicadores ainda altos, que devemos fazer várias ações. Além de diminuir o tempo entre as doses, é preciso resolver a iniquidade vacinal: temos o aplicativo <a href="https://conectarecife.recife.pe.gov.br/">Conecta Recife</a>, que é excelente, mas ficamos preocupados hoje com as pessoas que não tiveram acesso ainda a marcação. Isso precisa ser resolvido&#8221;, diz o médico Eduardo Jorge, membro dos comitês de imunização contra o coronavírus de Pernambuco e do Recife.<br><br>A diminuição do tempo entre as doses não é um consenso entre os cientistas. As pesquisas têm mostrado que um maior tempo entre a primeira e a segunda dose melhoram a resposta imune dos vacinados. Ao mesmo tempo,  indicam também que contra a variante delta só as duas doses das vacinas garantem maior eficiência contra o novo coronavírus.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Números da vacinação</h4>



<p>O Brasil atingiu ontem a marca de 180 milhões de doses aplicadas das vacina contra a covid-19. Dessas, 123,2 milhões foram de primeira dose e 55,2 milhões foram de doses dois ou de imunizantes de dose única. Esses números correspondem a 77% do público alvo (cima de 18 anos) com pelo menos uma dose contra a covid-19, de acordo com Ministério da Saúde.<br><br>Em Pernambuco, 71,09% da população geral recebeu a primeira dose e 29,36% a segunda dose. Pouco mais de 2% da população recebeu a vacina Janssen, de dose única. Mais de 7,4 milhões de doses já foram aplicadas no estado.<br><br>De acordo com um levantamento da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), no mês de julho, 58% dos registros de casos graves de covid-19 registrados em Pernambuco foram em pessoas não vacinadas e 31,6% em pacientes que tomaram apenas uma dose do imunizante.<br><br>A segunda dose é essencial para a eficiência das vacinas. De acordo com o ministério da Saúde, mais de 8,5 milhões de brasileiros não compareceram aos postos para tomar a segunda dose.</p>



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<p></p>
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		<item>
		<title>A variante delta chegou. E agora?</title>
		<link>https://marcozero.org/a-variante-delta-chegou-e-agora/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jul 2021 20:35:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[terceira dose]]></category>
		<category><![CDATA[vacinação]]></category>
		<category><![CDATA[variante]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A variante delta surgiu ao mundo com imagens chocantes de uma Índia arrasada pelo coronavírus. A delta foi devastadora por lá: em uma população ainda não vacinada, quase triplicou as mortes entre abril e maio. Nas últimas semanas, a variante fez com que países com populações em sua maioria vacinadas retrocedessem nas etapas de reabertura. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A variante delta surgiu ao mundo com imagens chocantes de uma Índia arrasada pelo coronavírus. A delta foi devastadora por lá: em uma população ainda não vacinada, quase triplicou as mortes entre abril e maio. Nas últimas semanas, a variante fez com que países com populações em sua maioria vacinadas retrocedessem nas etapas de reabertura. Os Estados Unidos, por exemplo, voltaram a recomendar o uso de máscaras em ambientes fechados, mesmo para vacinados.</p>



<p>Nesta semana, mais evidências preocupantes. Um relatório interno do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) vazou com alguns dados: a variante é mais transmissível que a gripe comum e a varíola. É tão transmissível quanto a catapora. Se o vírus original partia de um R0 (a capacidade média de transmissão) de 3, a delta dobra e pode ultrapassar esse número. Um único infectado pode, em média, infectar de 6 a 8 outras pessoas, se não tomar as medidas de prevenção.</p>



<p>O relatório diz ainda que a delta “provavelmente causa doenças mais severas”. Pessoas não vacinadas são às mais vulneráveis à variante, mas mesmo as duas doses das vacinas de mRNA, as mais eficazes, podem não ser capazes de segurar a capacidade de transmissão da delta, ainda que não cause doença grave.</p>



<p>Dados do relatório apontam que pessoas vacinadas tinham carga viral tão alta quanto a de não vacinados. “Isso pode indicar uma capacidade de transmissão mesmo naqueles imunizados que não manifestam sintomas graves”, alerta o médico virologista Ernesto Marques, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor da Universidade de Pittsburgh (EUA).</p>



<p>O ponto principal da variante delta, destaca Ernesto Marques, é uma certa resistência às vacinas. Por ora, as vacinas disponíveis funcionam contra a variante, mas com a necessidade de duas doses para manter uma boa eficácia, como mostram dados da Escócia e do Canadá.</p>



<p>Para Marques, uma terceira dose de vacina vai ser eventualmente necessária. “É uma cepa de maior patogenicidade. Dependendo do nível de controle que o órgão de saúde queira atingir, a terceira dose vai ser necessária sim. No Brasil, ainda faltam primeiras doses, não podemos comparar com os Estados Unidos, por exemplo. Mas a terceira dose já é uma necessidade, principalmente para quem tomou coronavac, que tem uma eficácia mais baixa, lá no começo do ano”, afirma. </p>



<p>País exemplo da vacinação contra a covid-19, Israel foi o primeiro do mundo a adotar, nesta semana, uma terceira dose de vacinas de mRNA (Pfizer e Moderna) em todos acima de 60 anos, já a partir de domingo. Por lá, a eficiência das vacinas nesse grupo caiu de 97% para 81%, em relação às doenças graves. “É consequência tanto da delta quanto de uma queda natural nos títulos de anticorpos das vacinas. E para neutralizar a delta, precisa de uma concentração mais alta de anticorpos. Felizmente, mesmo não prevenindo a infecção, as duas doses da vacina conseguem combater a doença. É uma questão da saúde publica. A nível individual a pessoa vacinada pode ter uma doença leve, mas transmitir para outras, que podem ser não vacinadas ou mais vulneráveis”, explica.</p>



<p>Enquanto Israel aplica a terceira dose e tem mais de 60% da população vacinada com as duas doses desde maio, o país da África com maior percentual de vacinados é Botsuana e tem apenas 5,3% da população imunizada. A Indonésia, com média acima de 1,5 mil mortes por dia, é hoje o epicentro da pandemia do coronavírus. Por lá, apenas 7,1% da população recebeu as duas doses.</p>



<p>Essa desigualdade mundial no acesso às vacinas pode prolongar ainda mais a pandemia. “Enquanto estiver ocorrendo centenas de milhares de casos pelo mudo, vamos ter novas variantes toda semana, todo dia, com maior ou menor transmissibilidade. A delta não vai ser a última”, diz o virologista, que acredita que a vacinação deverá ocorrer todo ano ou a cada dois anos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p></p><cite><strong>Vigilância genômica</strong><br>Para saber se uma nova variante está em circulação, só existe um jeito: sequenciar o genoma do vírus. Isso é feito em algumas redes de pesquisa no Brasil e ganhou força neste ano, com mais investimentos dos governos. É um trabalho que não é simples.<br><br>Uma dessas redes é formada pelas unidades da Fiocruz., que recebe material recolhido dos Laboratórios Centrais de Saúde Pública dos Estados (Lacens). Quando é algo urgente, como aconteceu com o navio filipino que ancorou no Porto do Recife, é sequenciado apenas um pedacinho do vírus, que já dá a informação sobre a variante. É um resultado mais rápido, que geralmente sai em 3 ou 4 dias.<br><br>A estratégia usual envolve o sequenciamento genético do vírus inteiro, feito em uma máquina específica, e que leva cerca de uma semana, fora o tempo de análise desse material. A Fiocruz-PE tem sequenciado semanalmente até 300 amostras, chegando a 500 quando é necessário.<br></cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading">Como a delta vai se comportar no país da gama?</h2>



<p>Enquanto o mundo se preocupa com a delta, no Brasil a história é outra. O Rio de Janeiro já tem um calendário prevendo abertura total ainda em novembro. Para setembro, shows, estádios de futebol e boates já poderão funcionar, com metade da capacidade. Em Pernambuco, na mesma coletiva em que anunciou os primeiros casos de delta no estado, em meados de julho, o governo flexibilizou o funcionamento de bares e restaurantes, sem fazer distinção entre espaços abertos e fechados. O Recife já quer se planejar para o carnaval 2022 e pipocam na internet ingressos para festas de réveillon.<br><br>A organização Mundial da Saúde (OMS) já afirmou que, por conta da alta transmissibilidade, a delta deve se tornar a cepa dominante no mundo. O mesmo, porém, foi dito para gama, em março, e não se concretizou.<br><br>Por ora, o Brasil tem São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná com transmissão comunitária da variante delta. Foram confirmados laboratorialmente 247 casos e quatro mortes no país. Em Pernambuco, foram três casos identificados, todos no navio filipino que ancorou por aqui em meados de julho. Um dos estrangeiros faleceu. Nenhum dos contactantes em terra dos infectados positivou para a delta.</p>



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	                                        <p class="m-0">Reforço contra a variante delta: mais de 200 mil doses de vacinas contra a Covid-19 chegaram a Pernambuco na terça-feira (27). Crédito: Aluisio Moreira/SEI</p>
	                
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<p><br><br>A cepa dominante no Brasil segue sendo a gama, anteriormente chamada de P1 e identificada primeiramente em Manaus. Até agora, não há nenhum país em que a gama já tenha sido desbancada pela delta.<br><br>“Em países em que a alpha (a variante do Reino Unido) era dominante, a delta substitui essa linhagem rapidamente, em cerca de um mês, um mês e meio. Ainda está em aberto como será o comportamento da delta no Brasil. Até agora, ela não está se espalhando tão rápido como ocorreu em outros países, dominados pela alpha. Não temos ainda a resposta para o fato de que aqui está mais devagar”, conta o pesquisador da Fiocruz-PE Gabriel Wallau, que trabalha com vigilância genômica.<br><br>Como a gama não se espalhou muito pelo mundo, ficou mais restrita à América do Sul, e como a delta ainda não se espalhou por essa região, ainda não há dados de outros países de se e como a delta pode se tornar predominante em regiões onde a gama predomina.<br><br>Não há dúvidas, porém, de que a delta é a mais transmissível das variantes. As características genéticas da população do país, porém, podem entrar nessa equação. “O vírus não funciona sozinho, ele interage com o hospedeiro. Vai ter sempre essas duas entidades, que vão ser levadas em consideração, que podem aumentar ou não a prevalência de uma ou outra variante na população. Como será o comportamento da delta entre a população brasileira ainda é uma pergunta em aberto”, diz Wallau.<br><br>Com o Brasil, ainda sem nem um quinto da população vacinada com as duas doses, a chegada de uma nova variante pode fazer estragos. “A questão óbvia do Brasil é que o relaxamento das restrições é muito mais rápido do que a melhora dos dados epidemiológicos. O Brasil está com média de mortes acima de 7 mil semanalmente e o patamar de casos em 50 mil diários. São dados elevados, mas a população parece que se acostumou, os governantes não se importam mais. O brasileiro pode não rejeitar a vacina, mas rejeita às outras medidas de prevenção. E para se prevenir da delta, além da vacinação, é repetir tudo que todo mundo está careca de saber: máscaras, distanciamento, higienização… “, avisa o virologista Ernesto Marques.<br></p>



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