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	<title>Arquivos venezuela - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos venezuela - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Fome e casas superlotadas ainda são rotina para os indígenas que emigraram da Venezuela para o Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Nov 2021 22:37:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[abrigos]]></category>
		<category><![CDATA[imigrantes venezuelanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um imóvel abandonado, no bairro de Santo Amaro, centro do Recife, é possível encontrar olhares tristes e inconsoláveis. Vítimas de uma diáspora impulsionada com a crise econômica venezuelana, os indígenas da etnia Warao, agora vivem a crise brasileira sem saber quando o processo constante de instabilidade e insegurança vai passar. “Se não saímos às [&#8230;]</p>
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<p>Em um imóvel abandonado, no bairro de Santo Amaro, centro do Recife, é possível encontrar olhares tristes e inconsoláveis. Vítimas de uma diáspora impulsionada com a crise econômica venezuelana, os indígenas da etnia Warao, agora vivem a crise brasileira sem saber quando o processo constante de instabilidade e insegurança vai passar. “Se não saímos às ruas não comemos e a comida está muito cara”, revelou Antônio, indígena de 57 anos que se mudou para Recife em 2019, junto com um grupo de mais de 300 pessoas e agora habita a ocupação junto com alguns poucos parentes que ainda continuam na capital pernambucana.</p>



<p>A falta de políticas públicas capazes de garantir moradia, alimentação, educação e saúde para os imigrantes do Recife fez com que a maioria dos warao continuassem em movimento e buscassem outros lugares para viver. Em março de 2021,<a href="https://marcozero.org/falta-de-politicas-publicas-expulsa-os-warao-do-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> a matéria publicada pela Marco Zero</a> denunciou as condições precárias em que viviam os indígenas venezuelanos, agora, oito meses depois, o que encontramos é um cenário muito similar e sem expectativas de melhora.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Superlotação e carência</strong></h2>



<p>“A prefeitura esteve aqui e disse que já está com dinheiro para ajudar os venezuelanos e que nós temos que esperar, mas nós já estamos esperando há muito tempo, se eles querem nos ajudar tem que ser logo”. Essas são as palavras de Maria Moreno, filha de seu Antônio e atual liderança na ocupação dos indígenas warao localizada do centro do Recife. A indígena está na casa há dois anos, junto com seus pais, três filhas e o marido.</p>



<p>Com a voz trêmula, Maria não cansa de repetir o quão desesperadora é a situação em que a sua família se encontra e afirma que “não dá mais para continuar assim”. A angústia da indígena é compreensível quando conhecemos como ela está vivendo há mais de dois anos.</p>



<p>O imóvel, que já chegou a abrigar cerca de 150 pessoas, agora é ocupado por 56 pessoas, entre crianças, adultos e idosos. Porém, a diminuição do número de ocupantes não ameniza a situação precária em que o local se encontra. Com apenas um banheiro, sem ventiladores ou camas, e apenas um fogão para todos, as pessoas estão acomodadas em cômodos equipados com colchões velhos e redes. Além disso, algumas grades da casa estão deterioradas e, por isso, há relatos de furtos.</p>



<p>Questionada porque não se muda para o abrigo cedido pela prefeitura, localizado no bairro do Torreão, Maria revela que os conflitos entre as várias famílias, fez com que a convivência entre eles ficasse impossível.LO grupo se dividiu entre a ocupação, o abrigo da prefeitura e casas alugadas no bairro do Pina. </p>



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	                                        <p class="m-0">Maria Moreno (segurando a rede) ao lado de sua mãe. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
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<p>Poucos dias antes de visitarmos a ocupação, um novo grupo de warao chegou para habitar o local, eles moravam em uma casa alugada em Jaboatão dos Guararapes, porém, devido à falta de dinheiro, precisaram sair e buscaram ajuda com Maria e seus parentes.</p>



<p>“A prefeitura de Jaboatão disse que não tinha recursos para ajudar a gente, por isso viemos para cá [Recife], porque nós precisamos de ajuda, precisamos de uma casa, alimentos, saúde e educação para que nossas crianças possam ir à escola”, declarou o Cacique Celso. O líder alegou que eles conseguiam se manter em uma casa alugada graças ao dinheiro arrecadado nas ruas, como pedintes, mas, com a chegada da pandemia, as doações diminuíram.</p>



<p>Agora, os indígenas da ocupação aguardam a resposta da entidade social Cáritas Brasileira que, graças à parceria firmada com o Governo do Estado, deve alugar quatro casas paraabrigá-los.</p>



<p>“No momento nós estamos escutando os indígenas para conhecer as necessidades deles e ajudar da melhor forma. Já estamos com tudo organizado para o aluguel das casas, mas ainda aguardamos o recurso do Governo do Estado, que já foi aprovado, mas ainda não foi repassado devido às burocracias&#8221;, afirmou Sirley Vieira, coordenador do Projeto Emergencial para Ajuda Humanitária à População Indígena Warao, da Cáritas Arquidiocesana de Olinda e Recife.</p>



<p>De acordo com Vieira, o recurso fornecido possibilitará o aluguel de quatro casas e o fornecimento de água, luz, alimentos e materiais de limpeza por cinco meses. “Durante esse tempo nós vamos trabalhar para que os indígenas consigam criar um canal de comunicação direta com a Prefeitura do Recife e com o Governo do Estado para que suas necessidades sejam atendidas”, disse o coordenador.</p>



<p>Enquanto esperam o recurso, os indígenas seguem em uma situação desumana e lutam para manter as esperanças. “Eu, como representante da família warao de Jaboatão, estou lutando, mas é muito difícil não ficar triste com essa situação”, declarou o Cacique Celso.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>No abrigo da prefeitura do Recife</strong></h3>



<p>A pouco menos de três quilômetros de distância, no bairro do Torreão, mais seis famílias de indígenas warao esperam o apoio prometido pela prefeitura do Recife. Os imigrantes, que antes estavam alojados em duas casas localizadas no bairro dos Coelhos, foram transferidos para um único abrigo.</p>



<p>“O pessoal veio para esse abrigo no auge da pandemia, sem ninguém estar vacinado. A prefeitura fechou as duas casas em fevereiro e trouxe todo mundo pra cá, juntou duas casas e, na época, ninguém estava vacinado”, relatou Raíra Pereira, agente do ServiçoPastoral dos Migrantes do Nordeste (SPM NE).</p>



<p>Raíra contou ainda que a vacinação dos warao demorou para acontecer porque muitos deles estavam resistentes em receber a imunização. “A gente sentiu que a resistência vem mais por trauma da vacinação compulsória que acontece na fronteira. Eles não sabiam quais vacinas estavam sendo aplicadas, não sabiam para quê elas serviam, simplesmente chegavam e aplicavam. Por isso, muita gente ficou com medo de tomar a vacina do coronavírus, mas nós promovemos diálogo e, aos poucos, eles aceitaram”, disse.</p>



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	                                        <p class="m-0">Yhonni Malta com sua esposa Marisol e sua filha Maria / Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
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<p>Pai de Maria, de apenas dois anos e marido de Marisol, grávida de sete meses, Yhonni Mata acompanhou todo o processo de mudança de abrigos dos imigrantes venezuelanos e se despediu de muitos familiares que foram em busca de uma vida melhor em outras cidades do Brasil.</p>



<p>“Eu vi muita gente indo embora da casa que ficava no bairro dos Coelhos, porque era muita gente em uma casa muito pequena. A gente falava com a prefeitura e a prefeitura não queria ajudar, por isso as pessoas começaram a ir para outra cidade. Um grande grupo foi para Belo Horizonte e já estão em um abrigo lá, com espaço grande e com comida garantida”, disse Mata.</p>



<p>Vivendo no abrigo cedido pela prefeitura, em uma casa menos lotada &#8211; mas ainda assim pequena para acomodar tantas famílias -, Yhonny tem como preocupação principal a alimentação. “Eles nos deram o abrigo, mas sem nada, somente a casa, disseram que iam dar mais comida, carne, ovo, frango, mortadela, mas até agora isso não chegou”, disse o indígena de 23 anos.</p>



<p>Semanalmente, a Prefeitura do Recife fornece uma cesta básica aos imigrantes venezuelanos. Tanto os indígenas que moram na ocupação quanto os que estão no abrigo recebem arroz, feijão, macarrão, açúcar e mais alguns outros itens alimentícios, além de garrafões de água mineral. Porém, as famílias reclamam que falta leite para as crianças e proteínas em geral, pois carne, ovo, frango, tudo precisa ser comprado por fora porque não é fornecido.</p>



<p>Sem experiência no mercado de trabalho e com diversas dificuldades para se adaptar ao idioma do novo país, os imigrantes acabam sem opções e arrecadam donativos nas ruas. Todavia, desde a chegada da pandemia, as doações estão cada vez mais difíceis e, por isso, eles não conseguem dinheiro para arcar com despesas extras para compra de roupa e alimentos.</p>



<p>Este ano, o vereador Ivan Moraes (Psol) criou um Projeto de Lei que previa a instituição das bases para a elaboração da “Política Municipal de Promoção dos Direitos dos Migrantes e Refugiados”. O PL foi sancionado na Lei 18.798/21, mas o prefeito João Campos vetou o artigo 6º, que previa justamente ações do poder público municipal para oferecer um atendimento de qualidade aos imigrantes.</p>



<p>A Marco Zero procurou a Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Políticas sobre Drogas do Recife e perguntou se existe algum projeto para melhorar a situação de moradia dos warao. Questionamos também quais são as políticas públicas adotadas pela prefeitura para apoiar os imigrantes e se há um acompanhamento da situação dessas famílias.</p>



<p>Até o fechamento desta reportagem nenhuma resposta foi enviada, caso o retorno aconteça, a matéria será atualizada.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A importância do apoio da sociedade civil</strong></h4>



<p>Com as dificuldades de conseguir dinheiro nas ruas e sem um auxílio financeiro do governo, as indígenas venezuelanas recorreram à tradição e à arte de seu povo para conseguir uma renda para suas famílias.</p>



<p>Sabendo da aptidão das mulheres warao para confeccionar acessórios com miçanga e Chinchorro &#8211; rede confeccionada com uma técnica das indígenas venezuelanas &#8211; , voluntários do SPM NE em parceria com as irmãs carmelitas forneceram um atelier onde as imigrantes se reúnem para produzir peças para venda. A matéria-prima utilizada na confecção é comprada através de doações da sociedade civil.</p>



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	                                        <p class="m-0">Agripina Beria confeccionando um Chinchorro / Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
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<p>As peças são comercializadas através da página do <a href="https://instagram.com/tallerwarao?utm_medium=copy_link">instagram Taller Warao</a>, nome dado ao atelier onde acontecem as confecções. O local, localizado na Zona Norte do Recife, foi cedido pela igreja católica, e funciona também como um centro de reuniões dos indígenas Warao, onde toda quarta-feira são realizadas aulas de português para os imigrantes.</p>



<p>Graças a articulação das entidades civis, os Warao conseguiram um estande para expor e vender suas peças na Fenearte 2021, que acontecerá entre os dias 10 a 19 de dezembro, no Centro de Convenções, em Olinda. Todo o dinheiro arrecadado será destinado aos indígenas venezuelanos. Aqueles que se interessarem em oferecer qualquer doação aos indígenas Warao ou comprar os seus produtos, devem entrar em contato através do instagram.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/atelie-de-artesanato-warao-gera-renda-e-muda-perspectiva-de-indigenas-venezuelanos-no-recife/" class="titulo">Ateliê de artesanato warao gera renda e muda perspectiva de indígenas venezuelanos no Recife</a>
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		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project</a>.</strong></em></p>



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		<title>Dificuldade de acessar auxílio emergencial expõe indígenas venezuelanos à Covid-19 e à fome no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/warao-pandemia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2020 15:10:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[auxilio]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[venezuela]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os indígenas da etnia warao, originários da Venezuela, viviam no Recife desde o ano passado basicamente de doações e do que chamam de coleta, pedindo dinheiro em sinais e nas ruas. Povo em intensa migração no Brasil desde 2018, os waraos se encontram à margem do trabalho formal. A pandemia do coronavírus os deixou ainda [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os indígenas da etnia warao, originários da Venezuela, viviam no Recife desde o ano passado basicamente de doações e do que chamam de coleta, pedindo dinheiro em sinais e nas ruas. Povo em intensa migração no Brasil desde 2018, os waraos se encontram à margem do trabalho formal. A pandemia do coronavírus os deixou ainda mais vulneráveis. Há duas semanas, um idoso de 81 anos morreu em uma das três casas comunitárias onde vivem os cerca de cem indígenas no Recife. Impossibilitados de fazer a coleta e com as doações diminuindo, os waraos ainda encontram dificuldades para conseguir o auxílio emergencial do Governo Federal. <br><br>Divididos em duas casas na Rua dos Prazeres e uma na Rua Gouveia de Barros, todas na região central do Recife, a maioria dos moradores não fala português, nem espanhol, mas apenas a língua warao. Um dos representantes das cinco famílias que dividem a casa na Gouveia de Barros, Juan Perez conta que dos 15 adultos residentes, apenas cinco conseguiram o benefício emergencial. <br><br>&#8220;Está muito difícil para nós. Não estamos mais saindo. As doações chegam, mas não é todo dia. É uma vez a cada três ou quatro dias&#8221;, conta Juan, que diz que não há doentes na residência onde moram 32 pessoas, sendo 15 crianças. &#8220;Fui na Caixa, peguei o protocolo, mas meu auxílio foi negado&#8221;, lamenta Juan. &#8220;Quem já recebeu o auxílio, ajuda a comprar arroz e frango&#8221;, diz, sobre a base da alimentação dos waraos no Recife. <br><br>O direito ao auxílio emergencial é garantido para migrantes e refugiados, como os waraos, explica o defensor público da União André Carneiro Leão. &#8220;Estamos vendo uma resistência nas agências daqui da Caixa Econômica Federal. Alguns dos indígenas só têm cédula de identidade da Venezuela e o documento de refugiado. Houve uma ação civil pública, feita pela defensoria em São Paulo, mas que tem abrangência nacional, para que fosse garantido o cumprimento da <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9474.htm">lei 9474 </a>que prevê a flexibilização dos documentos para refugiados&#8221;, detalha o defensor. <br><br>Por ora, a Defensoria Pública da União enviou um ofício circular para a Caixa Econômica, para que cumpra a lei. &#8220;Em algumas agências está sendo cumprido, em outras não&#8221;, diz André. A DPU avalia ainda outras ações para garantir o auxílio aos waraos. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Óbito por coronavírus</h2>



<p>No dia 6 de maio, Francisco José Burio, 81 anos, faleceu em um das casas da Rua dos Prazeres e o exame confirmando o coronavírus só saiu após a morte. Os demais moradores da casa não foram testados. A Prefeitura do Recife ofereceu um abrigo para quem apresentasse sintomas da Covid-19, e não precisasse de internação hospitalar, pudesse ficar em isolamento. A prefeitura também fez vacinação contra gripe entre os moradores das duas casas da Rua dos Prazeres, já que os moradores costumam frequentar ambas as casas. Também foi feita a sanitização da casa onde ocorreu o óbito. <br><br>&#8220;Foi acertado o abrigo para se fazer o isolamento, mas não quiseram ir. Existe esse desejo de todos permanecerem juntos, várias famílias, é uma dinâmica diferente da nossa, uma outra visão de mundo&#8221;, diz o defensor público do estado, Henrique da Fonte.  &#8220;Houve uma resistência inicial em relação à vacinação contra a gripe, mas, com diálogo, aceitaram. Há muitas diferenças culturais. Tem que haver diálogo e conscientização&#8221;, explica<br> <br>Para evitar a disseminação do coronavírus nas casas, a Cáritas faz campanhas de arrecadação não só de alimentos, mas também de material de limpeza, álcool em gel e máscaras. &#8220;Com a pandemia,  estamos atuando, junto com a prefeitura, na sensibilização para que eles reforcem a higiene e usem máscaras. É uma cultura bem diferente da nossa e precisa haver uma sensibilização sobre a necessidade do isolamento&#8221;, afirma Lucina Florêncio, da direção de migração da Cáritas. <br><br>A pandemia também mudou a dinâmica da rede de apoio que os waraos tinham. As doações da Cáritas, por exemplo, vão agora para um convento perto, e eles vão até lá fazer a retirada. O contato com as defensorias é feito apenas por telefone. </p>



<h3 class="wp-block-heading">Mudança de casas</h3>



<p>Até pouco depois do carnaval, o maior grupo de indígenas habitava duas precárias casas na Rua da Glória, no centro do Recife, que não ofereciam condições mínimas de moradia. &#8220;Uma era condenada pela Defesa Civil e a outra apresentava rachaduras&#8221;, conta o defensor André Carneiro. Em outubro do ano passado, a Marco Zero visitou as casas e relatou a precariedade em que os waraos viviam.</p>



<p> <blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="BhFKG3L2ci"><a href="https://marcozero.org/waraos-no-recife/">Sem falar português nem espanhol, indígenas venezuelanos lutam para sobreviver no Recife</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Sem falar português nem espanhol, indígenas venezuelanos lutam para sobreviver no Recife&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/waraos-no-recife/embed/#?secret=8ifhFx7s2h#?secret=BhFKG3L2ci" data-secret="BhFKG3L2ci" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>



<p>Por meio do Comitê Interinstitucional em Favor de Migrantes, Pessoas de em Situação de Migração, Refúgio e Apátrida foi criada uma rede de apoio, que inclui as defensorias públicas, entidades assistenciais e universidades. <br><br>Em fevereiro deste ano, após chuvas fortes antes do carnaval, os waraos procuraram o grupo em desespero com a possibilidade das casas desabarem. &#8220;Ajuizamos então uma ação e foi deferida uma liminar para que a Prefeitura do Recife fizesse em 15 dias o acolhimento humanitário. A prefeitura recorreu e conseguiu postergar o cumprimento em 60 dias&#8221;, lembra o defensor.  <br><br>Mas antes do término do prazo judicial houve um acordo com a prefeitura. &#8220;Tínhamos receio de que pudesse acontecer uma tragédia. A prefeitura se comprometeu a pagar um valor de auxílio aluguel para 15 famílias. Esse valor foi fechado em R$ 3 mil e foram alugadas duas casas&#8221;, afirma.  A Cáritas ficou como responsável financeira pelas casas dos waraos, que permaneceram no tradicional arranjo com várias famílias em uma habitação. <br><br>O desafio da sobrevivência pós-pandemia permanece, já que os waraos contam majoritariamente com doações. &#8220;É um grupo que, antes da pandemia, estava em constante migração. No começo do ano, havia cerca de 170 pessoas da etnia warao no Recife. Hoje, calculamos em cem. Alguns foram para João Pessoa, Campina Grande, outros lugares do Brasil.  Eles têm uma ligação muito forte com a água, é um povo que morava perto de uma foz de rio na Venezuela. O trabalho urbano não faz parte da realidade deles. No Norte do Brasil, uma das saídas foi a criação de cooperativas. Eles estão migrando pelo Brasil e é uma situação que grande parte das capitais vai ter que pensar&#8221;, reflete Luciana Florêncio. </p>
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		<title>Sem falar português nem espanhol, indígenas venezuelanos lutam para sobreviver no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Oct 2019 17:13:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[migração]]></category>
		<category><![CDATA[venezuela]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Nattasha Pollyane Em meio à correria da Boa Vista, existem dois endereços ainda mais agitados que o comércio e o trânsito do bairro. Próximo ao alarido de buzinas, ofertas de camelôs e dos locutores atraindo clientes diante das lojas, um idioma estranho aos recifenses é predominante nas casas 400 e 485 da rua da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<strong>por Nattasha Pollyane</strong>

Em meio à correria da Boa Vista, existem dois endereços ainda mais agitados que o comércio e o trânsito do bairro. Próximo ao alarido de buzinas, ofertas de camelôs e dos locutores atraindo clientes diante das lojas, um idioma estranho aos recifenses é predominante nas casas 400 e 485 da rua da Glória, onde, até o momento de fechamento desta reportagem, vivem aproximadamente 120 índios venezuelanos do grupo Warao (ou Guarao).

Só os representantes de cada casa – o cacique Santo e o casal Marisol e Johnny – arranham o português, ou melhor, o portunhol. Os demais se comunicam usando sua língua-mãe, o guarao, idioma falado por esse povo. Nem o espanhol falam.

Nas duas casas, crianças de todas as idades se divertem escutando o reggaeton-gospel do cantor Leonel Nunez em pequenas caixas de som. São dezenas de meninos e meninas que vieram acompanhando seus pais desde Tucupita, no estado de Delta Amacuro, norte da Venezuela, de onde saíram há oito meses. No caminho até o Recife, passaram por diversas cidades brasileiras.

Entraram no Brasil por Pacaraima, em Roraima, se deslocando até a capital Boa Vista, de ônibus. Ora de barco, ora de ônibus, cruzaram a Amazônia, passando alguns meses em Belém para, daí, seguir viagem. São Luís, Fortaleza, Natal foram cidades onde estiveram e e deixaram alguns dos seus parentes e amigos. Ao chegarem em Natal, permaneceram por mais um mês para juntar o dinheiro necessário para fazer o próximo trecho até o Recife.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/ROTA_VENEZUELANOS-01_.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-19916" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/ROTA_VENEZUELANOS-01_.jpg" alt="Web" width="1076" height="516" /></a>

O casal Marisol e Jonhny Yhonnimata, por exemplo, negociou com um taxista potiguar que os trouxe, junto com a filha caçula, uma bebê de poucos meses nascida em Belém, por R$ 300. A viagem durou quase cinco horas. Marisol é a representante da casa 485 e responsável pela maior parte das informações que compõem este relato.

“Nós passamos cinco dias para tirar o documento na fronteira, lá tinha muitos venezuelanos, querendo entrar no Brasil, não tivemos nenhum auxílio, passamos muita fome”, diz Johnny.  Eles têm dois filhos, mas o primogênito ficou no Maranhão com a mãe de Marisol. Nesse ponto da conversa, os olhos de Johnny enchem de lágrimas.

As primeiras famílias chegaram no dia 6 de outubro e se dirigiram à pensão situada na casa 400, onde os caciques Santo e Américo os aguardavam. Os três quartos, um banheiro, uma cozinha, com apenas um fogão e nenhuma geladeira, saíram por R$ 400. Trinta pessoas dividem esse espaço onde se acumulam pelo chão colchões, roupas, restos de alimentos, mamadeiras e garrafas de refrigerantes, item consumido exageradamente por eles.

<div id="attachment_19907" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/venezuelanos__1.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19907" class="size-full wp-image-19907" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/venezuelanos__1.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="534" /></a><p id="caption-attachment-19907" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

“Se pagarem, podem continuar, isso aqui não é meu, é arrendado. O aluguel todo da casa é R$ 2.500,00 incluindo energia, água e IPTU. Eles estão aqui porque eu pensava que eram poucos. Várias pensões estão se negando a alugar quarto a eles por causa da quantidade de gente. Você já foi na outra casa?”, questiona a dona da pensão Ana Cláudia, que não quis informar o sobrenome.

Na outra casa, Marisol é a única moradora que entende português e representa o grupo no diálogo com os recifenses, sejam autoridades públicas ou voluntários trazendo doações.

Na pensão chama a atenção o casal Inácio e Yudene, com seus oito filhos, número sugestivo da alta taxa de fertilidade de sua etnia. Usando os falantes de portunhol como intérprete, as mulheres das casas contaram  que métodos contraceptivos, como o uso de qualquer anticoncepcional, seriam atualmente ilegais entre seu povo &#8211; ao menos em sua região.

As últimas famílias a chegarem na capital pernambucana desembarcaram na terça-feira, 22 de outubro. Seis dessas famílias seguiram para o segundo endereço dos venezuelanos no Recife:  Rua da Glória, 485. No local, cedido por um mês (outubro), já estavam abrigados vários waraos. Um vizinho, sensibilizado ao ver a grande quantidade de crianças que ficariam na rua, sem um teto e sem apoio, apelou ao proprietário, que abriu as portas da casa anteriormente desocupada.

<div id="attachment_19904" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/venezuelanos__.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19904" class="size-full wp-image-19904" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/venezuelanos__.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="354" /></a><p id="caption-attachment-19904" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Após duas visitas as casas, a reportagem constatou que, pelo menos, 60% dos moradores são crianças, visivelmente desidratadas, com inflamações nos olhos (algumas com terçol, outras com olhos inchados e vermelhos), ferimentos na cabeça. Uma delas, no dia 25 de outubro, havia contraído catapora, dividindo o mesmo espaço com as demais. Como na pensão, mau cheiro, roupas espalhadas e caixas com doações de comida por todo lado.

Tudo indica que o fluxo migratório não tem data para terminar. Por celular, o cacique se comunica constantemente com seus parentes que estão para chegar ao Recife. &#8220;Foi tudo feito com controle, a gente se ligava e perguntava ‘onde está você?&#8217;, o endereço é tal, rua tal, número tal’,” revela Santo, em seu português sofrível. Santo afirma que o objetivo do grupo não é morar no Recife, mas em qualquer lugar onde lhes arrumem um pedaço de terra para plantar, pois são todos agricultores, sem experiência alguma em viver na cidade. Talvez por isso, sejam tão arredios e não se deixem fotografar.

À falta de dinheiro, soma-se o choque cultural, evidente nos hábitos alimentares. A dieta cotidiana dos indígenas inclui arroz, macarrão, cebola, pimentão, além de banana comprida e asa de frango, só a asinha mesmo, os warao não estão nem aí para as outras partes da galinha.
<h2>A única ajuda</h2>
<div id="attachment_19902" style="width: 1454px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/Venezuelanos_-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19902" class="size-full wp-image-19902" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/Venezuelanos_-4.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1444" height="964" /></a><p id="caption-attachment-19902" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Boa parte da comida, além dos produtos de limpeza, colchões e um fogão foram doados por  voluntários que, diariamente, estão lá para dar ajudar e trazer novos donativos. Esse grupo formado espontaneamente vem sendo uma das únicas fontes de apoio que os venezuelanos podem contar no Recife. &#8220;É preciso unirmos forças para ajudar essas famílias. Não podemos permitir que eles tenham saído do seu país para não morrer de fome, deixando para trás lares e parentes para, quando chegam aqui, acabarem morrendo de fome por falta de mãos estendidas,” afirma a comerciária Priscilla Souza, uma das articuladoras do grupo de ajuda.

Outra ajuda, ainda que institucional e sem efeitos práticos, veio da comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, que incumbiu os vereadores  Ivan Moraes (PSOL) e Michelle Collins (PP) de, juntos, fazerem a ligação entre os venezuelanos e a Prefeitura do Recife.

“É obrigação da Prefeitura do Recife garantir o bem estar dessas pessoas, independentemente de quem elas são, de onde elas vêm. Porque se estão no Recife, já passam a ser responsabilidade da gestão pública, independentemente se desejarem pedido de asilo ou obter qualquer tipo de institucionalização da estadia. Nós não podemos admitir que nem eles, nem quaisquer outras pessoas no Recife, fiquem desatendidas. Os imigrantes devem ter acesso aos direitos básicos garantidos pelo poder público”, disse Ivan Moraes.

A prefeitura informou, por meio da assessoria da Secretaria de Desenvolvimento Social, Juventude, Política Sobre Drogas e Direitos Humano, estar ciente do caso. Uma equipe da secretaria foi ao local acompanhando os representantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal. Segundo a assessoria, constatou-se uma relutância por parte dos venezuelanos diante das autoridades. Questionada sobre prazos e datas para possíveis ações de suporte, não houve respostas concretas.

André Carneiro Leão, da Defensoria Pública da União, explicou que, “na sua grande maioria, os venezuelanos passaram pela Operação Acolhida, que funciona na fronteira da Brasil-Venezuela. Nela, eles recebem toda a documentação necessária para permanecer no país, o que inclui um protocolo de solicitante de refúgio, com foto. Além disso, recebem também um CPF especial que precisa ser renovado. Contudo, deve haver alguns que não possuem a renovação desse protocolo, criando um problema administrativo que pretendemos resolver com a Polícia Federal.”

“Solicitei à prefeitura que verificasse a possibilidade de conseguirem um abrigo para eles ou, pelo menos, o pagamento de um aluguel social. Isso está sendo estudado. A situação é muito recente, mas estamos preocupados, sobretudo, com as crianças, pois é preciso garantir que elas tenham o atendimento médico que for necessário, e que possam, o quanto antes, voltar para escola”, detalhou o defensor público da União.<p>O post <a href="https://marcozero.org/waraos-no-recife/">Sem falar português nem espanhol, indígenas venezuelanos lutam para sobreviver no Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Jogo ideológico de Bolsonaro tenta sem fundamentos culpar Venezuela por vazamento de óleo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Oct 2019 21:01:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[óleo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em quase dois meses, um dos poucos consensos públicos a respeito do desastre ambiental provocado pelo óleo nas praias do Nordeste é de que o petróleo tem DNA venezuelano, como foi demonstrado pela Petrobrás e pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). A partir deste fato, acusar o governo da Venezuela de ser responsável pelo vazamento, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Em quase dois meses, um dos poucos consensos públicos a respeito do desastre ambiental provocado pelo óleo nas praias do Nordeste é de que o petróleo tem DNA venezuelano, como foi demonstrado pela Petrobrás e pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). A partir deste fato, acusar o governo da Venezuela de ser responsável pelo vazamento, como quer o governo Bolsonaro, a distância é grande.

Ao menos que o material tenha vazado de um dos campos da Venezuela, chegado até aqui por uma hipotética inversão da corrente marítima das Guianas (que vai do Sul para o Norte) e dado a volta na Guiana, no Suriname, na Guiana Francesa e parte do Norte do Brasil sem ser notado, o Governo Bolsonaro dificilmente tem alguma evidência técnica e científica que justifique a estratégia ideológica de culpar e responsabilizar o país de Nicolás Maduro e sua estatal PDVSA.

O aceno do presidente de extrema-direita serve para saciar apenas seu próprio eleitorado e tentar mascarar a situação, que, na verdade, é de <a href="http://marcozero.org/governo-bolsonaro-tenta-salvar-aparencia-mas-falta-estrutura-e-sobra-improviso-para-conter-oleo/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">negligência, despreparo e fragilidade das instituições federais</a>. A informação rasa disseminada por Bolsonaro nas redes sociais e reforçada pela cúpula do governo não é suficiente. O petróleo ser da Venezuela não significa que ele foi transportado por uma embarcação venezuelana &#8211; que não distribui nem transporta petróleo -, caso o desfecho das investigações, que correm em sigilo, realmente apontem para um vazamento num petroleiro. “Não passa de verborragia ideológica, uma irresponsabilidade”, classifica Breno Altman, jornalista e fundador do site <a href="https://operamundi.uol.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Opera Mundi</a>.

“Da forma como Bolsonaro vem falando, parece que o petróleo saiu da Venezuela e desembarcou diretamente no Brasil, o que é impossível geograficamente”, atesta. Seria preciso investigar e publicizar também as apurações de como o material chegou aqui, em que embarcação e de quem é essa embarcação &#8211; ou embarcações. Informações que, até o momento, não foram postas. “Assim sendo, a questão mais relevante é de quem é o navio e por que o governo demorou tanto para agir mostrando organismos extremamente frágeis e falhos”, avalia Breno.

Não há, portanto, fatos para acusar a Venezuela. “Parece que resolveram bater em ‘cachorro morto’ para fazer bonito para a população inocente, na expectativa de que não terão resposta a altura da provocação feita por um país a outro, sem qualquer base legal”. Esse é o entendimento de Yara Schaeffer Novelli, doutora e professora sênior da Universidade de São Paulo (USP). Ela foi a primeira perita judicial da primeira ação civil pública movida no Brasil por dano ambiental, em 1983, num rompimento de oleoduto da Petrobras na Baixada Santista. Confira <a href="http://marcozero.org/estamos-sendo-feitos-de-tolos-alerta-a-mais-experiente-perita-brasileira-em-danos-ambientais-por-vazamento-de-oleo/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui</a> a entrevista que a <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> fez com ela no início do mês.

“Se o óleo é venezuelano e veio por uma navio clandestino, coisa que ainda não se sabe, a culpa se configura numa imagem geopolítica”, reforça o biólogo e oceanógrafo Clemente Coelho Júnior, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Pernambuco (UPE). Ele lembra que, no mercado de transferência de óleo de barco para barco (ship to ship) feito em alto-mar, existe ainda a possibilidade de uma embarcação ser legal e a outra não, o que reforça a necessidade de investigação.

A Venezuela, por sua vez, é taxativa em dizer que é impossível o óleo ter partido diretamente de lá. Em <a href="http://www.pdvsa.com/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=9368:comunicado-oficial&amp;catid=10:noticias&amp;Itemid=589&amp;lang=es" target="_blank" rel="noopener noreferrer">comunicado</a> único até o momento, no dia 24 de outubro, a PDVSA informou que, em momento algum, recebeu pedido de apoio para determinar se o óleo detectado realmente correspondia a campos de exploração de petróleo bruto exportados pela Venezuela, “razão pela qual é improvável a apresentação de qualquer tipo de opinião ou análise unilateral com resultados tendenciosos e irresponsáveis”.

O comunicado, que reforça a necessidade de investigação, dizia ainda que “a PDVSA rejeita as acusações feitas pelo governo brasileiro, que pretende politizar e responsabilizar a República Bolivariana da Venezuela pelas manchas de petróleo que afetam a costa nordeste do país desde o início setembro de 2019”.

Para a jornalista e editora da revista venezuelana Correo del Alba, Maria Fernanda Barreto, o governo Bolsonaro está escolhendo uma lado sem ter qualquer comprovação. Lamentando que se faça uso política da tragédia, ela reforça que o governo não está buscando a causa nem a solução do problema, assim como fez com as queimadas na Amazônia, e comenta que o assunto não tem sido pauta entre a população de seu país e nem na imprensa local.

“É estranho que na costa norte do Brasil esteja a Guiana, o Suriname e a Guiana Francesa, além de Trinidade e Tobago, onde há um movimento de contrabando de gente que rouba combustível venezuelano. E dessa gente não se falou. Na Guiana, há uma grande produção petroleira dirigida pela ExxonMobil, muito mais próximo da costa nordeste brasileira, e o governo brasileiro em nenhum momento insinuou a possibilidade de que esse vazamento tivesse chegado por ação de algum barco da ExxonMobil”, complementa Maria Fernanda.

O contexto da Venezuela é duro. Depois que os Estados Unidos impuseram o embargo pararam de comprar petróleo venezuelano, o mercado local foi ao chão. No auge das vendas, o país chegou a marca de 3,2 milhões de barris comercializados por dia. Hoje, o número não chega a um milhão.
<h2>Jogo ideológico também acusa ONGs</h2>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="pt">Tem umas coincidências na vida né&#8230; Parece que o navio do <a href="https://twitter.com/hashtag/greenpixe?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#greenpixe</a> estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano&#8230; <a href="https://t.co/ebCoOPhkXJ">pic.twitter.com/ebCoOPhkXJ</a></p>
— Ricardo Salles MMA (@rsallesmma) <a href="https://twitter.com/rsallesmma/status/1187406485195821056?ref_src=twsrc%5Etfw">October 24, 2019</a></blockquote>
<script src="https://platform.twitter.com/widgets.js" async="" charset="utf-8"></script>

O jogo sujo ideológico também coloca em xeque a atuação das ONGs, assim como vem acontecendo no caso amazônico. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, insinuou no Twitter, na semana passada, com uma imagem de 2016, que o navio responsável pela derramamento de óleo no Nordeste seria do #GreenPixe, expressão que usou para classificar a organização internacional Greenpeace, que se posicionou. Confira a nota enviada à imprensa:

<em>Enquanto o óleo continua atingindo as praias do Nordeste, o ministro Ricardo Salles nos ataca insinuando que seríamos os responsáveis por tal desastre ecológico. Trata-se, mais uma vez, de uma mentira para criar uma cortina de fumaça na tentativa de esconder a incapacidade de Salles em lidar com a situação. É bom lembrar que isso vem de alguém conhecido por mentir que estudava em Yale e ser condenado na Justiça por fraude ambiental.</em>

<em>O nosso navio Esperanza faz parte de uma campanha internacional chamada “Proteja os Oceanos”, que saiu do Ártico e vai até a Antártida ao longo de um ano, denunciando as ameaças aos mares. Ele passou pela Guiana Francesa, entre agosto e setembro, onde realizou uma expedição de documentação e pesquisa do recife conhecido como Corais da Amazônia, com o propósito de lutar pela proteção dos oceanos e contra a exploração de petróleo em locais sensíveis para a biodiversidade marinha. No momento, o navio está atracado em Montevidéu, no Uruguai.</em>

<strong>LEIA TAMBÉM:</strong>
<ul>
 	<li><a href="http://marcozero.org/resposta-do-governo-bolsonaro-e-patetica-diz-um-dos-maiores-especialistas-internacionais-em-derramamento-de-oleo/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Resposta do governo Bolsonaro é patética, diz um dos maiores especialistas internacionais em derramamento de óleo</a></li>
 	<li><a href="http://marcozero.org/negligencia-e-sigilo-do-governo-bolsonaro-expoem-saude-dos-voluntarios-que-limpam-oleo-das-praias/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Negligência e sigilo do Governo Bolsonaro expõem saúde dos voluntários que limpam óleo das praias</a></li>
 	<li><a href="http://marcozero.org/mar-contaminado-compromete-o-sustento-de-milhares-de-pescadores/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Mar contaminado compromete o sustento de milhares de pescadores</a></li>
</ul><p>O post <a href="https://marcozero.org/jogo-ideologico-de-bolsonaro-tenta-sem-fundamentos-culpar-venezuela-por-vazamento-de-oleo/">Jogo ideológico de Bolsonaro tenta sem fundamentos culpar Venezuela por vazamento de óleo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Venezuelanos no Recife tentam reconstruir a vida longe da crise humanitária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Feb 2019 12:01:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[migração]]></category>
		<category><![CDATA[refúgio]]></category>
		<category><![CDATA[venezuela]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Quando chegamos em Boa Vista dormimos no chão, nas ruas, passamos fome. Levamos chuva, sol, foi forte até que por fim tivemos a oportunidade de nos refugiar&#8221;, conta José Nieto que, com 62 anos é o mais velho venezuelano de grupo de migrantes que chegou ao Recife em dezembro 2018. Engenheiro mecânico aposentado, veio ao Brasil com seu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[“Quando chegamos em Boa Vista dormimos no chão, nas ruas, passamos fome. Levamos chuva, sol, foi forte até que por fim tivemos a oportunidade de nos refugiar&#8221;, conta José Nieto que, com 62 anos é o mais velho venezuelano de grupo de migrantes que chegou ao Recife em dezembro 2018. Engenheiro mecânico aposentado, veio ao Brasil com seu filho, nora e neta, mas deixou na Venezuela uma filha, netos e genro.

Apesar da barreira linguística, o Recife tem se mostrado receptivo e acolhedor para os venezuelanos. A incerteza pelo futuro é motivo de apreensão, mas não desanima. Para eles, a situação já está muito melhor do que em Boa Vista, capital de Roraima, estado por onde <span style="color: #000000;">milhares de migrantes venezuelanos têm entrado no Brasil</span>. Junto com Nieto, vieram 32 mulheres e 34 homens, contando só os adultos, para quem a prioridade é encontrar emprego e garantir a moradia no Recife para, finalmente, enviar dinheiro aos familiares que ficaram. Todas as 25 crianças que compõem o grupo estão matriculadas em escolas e creches.

O grupo é heterogêneo, incluindo mulheres grávidas, bebês e dois idosos que, repetindo a saga de tantas migrantes ao longo da história, optaram por deixar o país de origem para trás e tentar a vida em um local com idioma, costumes e cultura diferentes.

A assistente social Mona Mirella Marques atua diretamente com as famílias venezuelanas que chegaram no Recife para tentar  reconstruir a vida como podem. Para isso, os migrantes contam com o apoio da Casa de Direitos, espaço que integra o programa Pana, uma articulação da Cáritas para integrar migrantes na sociedade brasileira, em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e parceiros locais. Em Pernambuco, essa parceira é protagonizada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

Foi o Pana que permitiu a esse primeiro grupo de venezuelanos desembarcar no Recife com a garantia de seis meses de moradia, cursos de português, capacitações para buscar empregabilidade e assistência jurídica. A escolha pela cidade foi feita pelos próprios migrantes. A existência da Casa de Direitos como espaço de referência na integração dos imigrantes foi decisiva para essa opção.

Segundo Mona Mirella, o maior desafio é dar condições para que os migrantes, todos solicitantes de refúgio, consigam emprego. “A gente está com uma proximidade muito grande com prefeitura do recife, através da secretaria de Assistência Social. A gente encaminha os migrantes para os serviços, mas não tutelamos ninguém, ninguém recebe status de prioridade. Eles são agora cidadãos de direitos inscritos nos programas de Recife”, explica Mona. Ainda em Boa Vista, os beneficiários do Pana conseguiram tirar CPF, Carteira de Trabalho, documento de solicitante de Refúgio, e fazer a atualização de vacinas. Essa documentação é necessária para o processo de integração.
<h3><strong>Migração é questão da sociedade</strong></h3>
<p style="color: #000000;">A crise humanitária chamou atenção e, apesar da distância do foco dos conflitos, entidades, universidades e organizações que atuam diretamente com a população de migrantes no estado criaram o Comitê Interinstitucional de Promoção dos Direitos das Pessoas em Situação de Migração, Refúgio e Apátridas de Pernambuco para atender às necessidades dessa população. A chegada dos venezuelanos é um aspecto nesse debate, que precisa dar conta também das necessidades e condições de acesso a políticas públicaspara pessoas de outras nacionalidades e ciclos migratórios que estabeleceram residência em Pernambuco.</p>
<p style="color: #000000;">Para o advogado Manoel Moraes, a perspectiva de receber cada vez mais pessoas na condição de migrantes ou solicitantes de refúgio precisa ser enxergada como uma questão da sociedade e não apenas de governos ou fronteiras. “A impressão que eu tenho é que estamos recebendo um fluxo cada vez maior de migrantes ou refugiados sem situação de grande vulnerabilidade, por conta de virem em função de migração planejada. Em função de questões ambientais nos seus países ou crises políticas”, analisa.</p>
<p style="color: #000000;">Para o advogado, é preciso apostar no apelo humanitário e empatia. “O país não pode, enquanto sociedade, enquanto povo, enquanto seres humanos, não podemos prescindir do valor da solidariedade. A gente não pode deixar de ajudar alguém, ajudar um país ou a população de um país, o que seria mais grave ainda”, argumenta.</p>

<h3>A condição de refugiado</h3>
Devido à idade, José Nieto não tem expectativa de encontrar emprego na área, mas deseja aprender logo a falar português e poder para ter condições de encontrar um trabalho. Na Venezuela, ele tinha uma aposentadoria que garantia uma vida digna até que a crise econômica tornou insustentável viver com o que recebe. “Na Venezuela, a situação está muito delicada em muitos aspectos, na segurança, economia. Não há produtos de alimentação. Por causa dessa situação eu me vi obrigado a emigrar da Venezuela para o Brasil com meu filho. Ele também pensa igual a mim e a muitos venezuelanos”, conta.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/José-Nieto_venezuelano-que-mora-no-Recife_-2-e1551036652974.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright  wp-image-13570" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/José-Nieto_venezuelano-que-mora-no-Recife_-2-e1551036652974-300x200.jpg" alt="Recife, 13 de fevereiro de 2019. Matéria sobre imigrantes no Recife." width="430" height="286" /></a>Agora no Recife, José conta que seu objetivo de vida é buscar trabalho para “ficarmos independentes e nos consolidar aqui”. “Eu tomei a decisão contando com meu filho, que é jovem e pode trabalhar. Se eu tiver sorte, consigo um trabalho para fazer limpeza, como ajudante de cozinha, o que seja. O título de engenheiro ficou para trás”, explica.

Para participar do programa, é preciso assinar um termo de adesão. O projeto terá duração até setembro de 2019 e irá receber um novo grupo, ainda sem data definida para chegar à cidade. Depois desse período, as famílias precisarão desocupar os imóveis. “Para ter autonomia, precisam de emprego. É um desafio. Só que aos poucos isso vai acontecendo, a questão da dificuldade de emprego é nacional, não é de Recife. Eles não vieram com discurso de que aqui há garantia. É uma situação de fato de necessidade”, avalia Mona.

As aulas são opcionais, uma das razões pelas quais algumas turmas têm pouca presença. “Eles estão deixando de vir porque estão procurando emprego, mas sempre conversamos para explicar a importância e o que esses cursos podem agregar”, explica a assistente social do programa. O programa ajuda os migrantes a acessar políticas públicas, como o acesso à educação para crianças, adolescentes, ao SUS e programas de emprego. Além disso, o Pana também articula a doação de materiais de limpeza e higiene para as famílias.

Todos os venezuelanos com quem a reportagem conversou contam que, no Recife, a recepção tem sido calorosa e amigável. A maior dificuldade é mesmo o mercado de trabalho. “Todos os dias vamos procurar, mas está sendo difícil. Se não me engano, há nove pessoas vivendo na casa em que estamos. Três companheiros conseguiram marcar entrevistas de emprego, espero que consigam ser contratados”, diz José.

<div id="attachment_13573" style="width: 510px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/Liscarli-Alvanez_venezuelana-que-mora-no-Recife_.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-13573" class="wp-image-13573" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/Liscarli-Alvanez_venezuelana-que-mora-no-Recife_-300x200.jpg" alt="Liscarli Alvanez_venezuelana que mora no Recife_" width="500" height="333" /></a><p id="caption-attachment-13573" class="wp-caption-text">Liscarli, de 19 anos, veio da Venezuela com a família em busca de refúgio</p></div>

Liscarli Alvanez, de 19 anos, veio no primeiro grupo acompanhado pelo programa da Cáritas. Ela conseguiu um emprego temporário em uma farmácia, entregando folhetos de publicidade. Ela começaria o trabalho no dia seguinte à entrevista. “Não é muito, pois é apenas por um mês, mas é bom para que eu comece. Estava desesperada porque minha filha necessita de coisas e eu precisava trabalhar”, conta Liscarli.

Conseguir dar uma vida digna para a filha de um ano e oito meses foi o que motivou decisão de vir para o Brasil em busca de refúgio. “Já não tinha alimento para ela. Eu amamentava e fui ficando fraca também porque não me alimentava bem. Tinha medo de que ela adoecesse. Lá eu não podia dar uma vida melhor para ela”, lembra a jovem, que vive no Recife com a mãe, pai e irmão. O pai da sua filha ficou na Venezuela.

Segundo Mona, o grupo que chegou já tem pessoas empregadas, mas a maioria em trabalhos informais. As mulheres têm encontrado trabalho como diaristas, realizando faxinas, e outros trabalham em supermercados ou na construção civil.

“Tem um enfermeiro que, agora, está trabalhando em um supermercado. O perfil é diferente da nossa população de rua de recife, por exemplo, que, em geral, não tem escolaridade. Eles tem uma condição de vulnerabilidade em função do refúgio”, ela explica. Para quem tem curso superior, a burocracia é um desafio, mas chega a ser menor que o custo para concluir a revalidação do diploma, explica a assistente social.

<a href="https://marcozero.org/assine/"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter  wp-image-13037" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/MARCO_ZERO_HORA_DE_ASSINAR_BANNER-300x39.jpg" alt="MARCO_ZERO_HORA_DE_ASSINAR_BANNER" width="577" height="75" /></a>

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