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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Enquanto governo estadual comemora, Grande Recife bate recordes de violência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 15:41:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Fogo Cruzado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Maria Franca* Raquel Lyra se elegeu com a bandeira da segurança pública como prioridade. Prometer reduzir a violência é fácil. Difícil é sustentar o compromisso com políticas eficientes. Em novembro de 2023, a governadora apresentou o plano estadual “Juntos Pela Segurança” com a ambiciosa meta de reduzir em 30% as mortes violentas intencionais [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Ana Maria Franca*</strong></p>



<p>Raquel Lyra se elegeu com a bandeira da segurança pública como prioridade. Prometer reduzir a violência é fácil. Difícil é sustentar o compromisso com políticas eficientes.</p>



<p>Em novembro de 2023, a governadora apresentou o plano estadual “Juntos Pela Segurança” com a ambiciosa meta de reduzir em 30% as mortes violentas intencionais até 2026. No entanto, a poucos meses do prazo estabelecido pelo próprio governo, o Relatório Anual do Fogo Cruzado indica que as metas de segurança pública seguem distantes da realidade. Enquanto a governadora comemora reduções pontuais, Pernambuco bate recordes históricos de violência armada.</p>



<p>Em 2025, a região metropolitana do Recife registrou recordes em três indicadores críticos: 16 crianças de 0 a 11 anos baleadas, o maior número desde 2019; 132 adolescentes de 12 a 17 anos baleados; e 72 pessoas foram vítimas de bala perdida, um aumento de 49% em relação a 2024 e recorde nos últimos sete anos.</p>



<p>Os dados contrastam com a narrativa governamental. A taxa de Mortes Violentas Intencionais foi de 32,74 por 100 mil habitantes em 2025 — uma redução que a governadora celebra, mas ainda muito distante da meta de 26,5 prometida para 2026.</p>



<p>A estratégia do governo tem sido priorizar o investimento no aumento de efetivo policial e aparato bélico. No entanto, os recordes mostram que insistir na lógica do confronto e da ostensividade não protege quem mais precisa.</p>



<p>Entre abril de 2018 e dezembro de 2025, período em que monitoramos a região, 902 adolescentes foram baleados no Grande Recife, sendo que 42% dessas vítimas ocorreram durante a gestão Lyra. E as circunstâncias dessas mortes revelam um padrão: 96% foram homicídios diretos.</p>



<p>Chama atenção também que quase 80% das mortes violentas intencionais foram cometidas com armas de fogo, mas o plano estadual não apresenta estratégias específicas para reduzir a circulação desses armamentos.</p>



<p>Em ano eleitoral, o governo Lyra tende a apresentar investimentos em efetivo e equipamentos como “avanços”, mas crianças e adolescentes que fazem parte do grupo prioritário do plano continuam desprotegidos, as disputas entre grupos armados explodiram e o recorde de vítimas de balas perdidas mostra o descontrole da violência armada.</p>



<p>Os dados produzidos pela sociedade civil são importantes para a população compreender de fato o que acontece em suas cidades, para além dos dados oficiais. Metas e promessas precisam ser checadas. E as informações produzidas pelo Fogo Cruzado estão à disposição para isso.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Ana Maria Franca</strong> é coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco</p>
    </div>



<p></p>
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		<title>É tiro certeiro</title>
		<link>https://marcozero.org/e-tiro-certeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Jan 2023 21:27:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[bala perdida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Ana Maria Franca* Recife, início dos anos 1990. O Brasil vivenciava os primeiros anos da abertura política após uma ditadura de 21 anos, encerrada em 1985. Eram anos difíceis no campo econômico, com inflação descontrolada e desafios diversos a serem enfrentados. A capital de Pernambuco era considerada uma das cidades com maiores níveis de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Ana Maria Franca</strong>*</p>



<p>Recife, início dos anos 1990. O Brasil vivenciava os primeiros anos da abertura política após uma ditadura de 21 anos, encerrada em 1985. Eram anos difíceis no campo econômico, com inflação descontrolada e desafios diversos a serem enfrentados. A capital de Pernambuco era considerada uma das cidades com maiores níveis de desigualdade. Mas, a despeito do caos que a dominava, nascia nessa época um movimento cultural que influenciou para sempre a cultura brasileira.</p>



<p>O Manguebeat surge nessa época em Recife e se destaca pela sua complexa originalidade de combinar diversos gêneros musicais. Ele se caracteriza pela fusão entre maracatu, rock, rap, funk e música eletrônica ao dar origem a um novo gênero, completamente distinto do que então se tinha como registro de música popular brasileira. Melodia e letra valorizavam as culturas regionais nordestinas e o desenvolvimento de um senso local de identidade própria, sem deixar de criticar as condições de vida da população e o estado de conservação do manguezal. A potência dos riffs de guitarra com o batuque grave das alfaias e a lírica do rap arrebatou multidões.</p>



<p>“Maracatu psicodélico, capoeira da pesada, bumba meu rádio, berimbau elétrico”: dessa antropofagia nasceu Chico Science &amp; Nação Zumbi, um dos mais importantes grupos musicais do movimento Manguebeat e que apresentou Recife e Pernambuco para o Brasil e o mundo. Esses mangueboys, liderados por Francisco de Assis França, lançaram em 1994 sua obra-prima: o icônico <em>Da Lama ao Caos</em>. Uma faixa do disco, intitulada <em>Maracatu de Tiro Certeiro</em>, é um resumo único da dura e violenta realidade vivida pelos jovens do Recife. A música era protesto e denúncia:</p>



<p><em>De tiro certeiro, é de tiro certeiro</em></p>



<p><em>Como bala que já cheira a sangue</em></p>



<p><em>Quando o gatilho é tão frio</em></p>



<p><em>Quando quem tá na mira &#8211; o morto!</em></p>



<p><em>Eh, foi certeiro &#8211; Oh se foi</em></p>



<p>Quase trinta anos se passaram e a letra soa como um lançamento. A violência armada na região metropolitana do Recife faz sofrer a população de hoje, novos caranguejos deste mangue bonito e violento. Os tiros seguem certeiros.</p>



<p>O Instituto Fogo Cruzado, que atua desde 2018 no estado, mapeou, em 2022, 233 pessoas baleadas em casa no Grande Recife. Desse total, 180 morreram. O indicador de baleados em residência é um dos que mais aparecem na região, gerando um fenômeno que chamamos de tiros endereçados. Tiros certeiros.</p>



<p>Por um lado, essa dinâmica pode sugerir algum controle, já que quem morre sempre é o outro, alguém que tinha algum envolvimento criminal e por isso está sendo alvo de acerto de contas. Mas os dados do Fogo Cruzado mostram que esse discurso, além de superficial, não condiz com a realidade. Apesar de termos um número alto de pessoas mortas com tiros endereçados, há em 2022 um aumento no número de pessoas atingidas por balas perdidas. Nesse ano, 68 pessoas foram feridas por balas perdidas; destas, dez morreram. Isso representa um aumento de 84% em relação aos três anos anteriores.</p>



<p>O número é ainda mais doloroso se pusermos uma lupa sobre as vítimas: das 68 pessoas acertadas por balas perdidas, nove eram crianças. Esses tiroteios aconteceram em situações como as que apontamos acima: tiros endereçados que atingem inocentes, pessoas que nada tinham a ver com a situação que gerou os disparos.</p>



<p>É triste pensar que, depois de quase 30 anos, o Fogo Cruzado segue chamando atenção para a violência armada outrora explicitada por Chico Science. Quantas gestões públicas mais serão necessárias para que a população receba dignidade e paz, direitos garantidos na Constituição? Divulgar e detalhar esses dados é importante: a transparência na segurança pública é fundamental para podermos cobrar dos responsáveis medidas de segurança para a população.</p>



<p>A alta circulação de armas nas mãos de civis, o sucateamento de políticas de segurança e a falta de transparência do estado aumentam a sensação de insegurança da população e contribuem com o aumento da violência. O Fogo Cruzado hoje mapeia a violência armada para que Maracatu de Tiro Certeiro fique no passado de Pernambuco. Não a música, claro. Mas a triste realidade que ela denuncia. Não dá mais para aceitarmos que o tiro certeiro seja o futuro da juventude pernambucana. Nossos jovens querem ouvir e cantar maracatus, capoeiras, caboclinhos e frevos. Nossos jovens querem, acima de tudo, permanecer vivos!</p>



<p><strong>* Ana Maria Franca é coordenadora regional do Fogo Cruzado em Pernambuco</strong></p>
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		<title>Presidente do Sinpol defende restrições às armas de fogo para conter aumento da violência</title>
		<link>https://marcozero.org/presidente-do-sinpol-defende-restricoes-as-armas-de-fogo-para-conter-aumento-da-violencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Nov 2022 20:52:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O monitoramento realizado pela organização não-governamental Instituto Fogo Cruzado, entidade parceira da Marco Zero, está sendo usado como fonte de informações para as análises do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) sobre o aumento da violência armada na Região Metropolitana do Recife. Os dados do Fogo Cruzado indicam que, só no mês de outubro, [&#8230;]</p>
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<p>O monitoramento realizado pela organização não-governamental <a href="https://fogocruzado.org.br/">Instituto Fogo Cruzado</a>, entidade parceira da Marco Zero, está sendo usado como fonte de informações para as análises do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) sobre o aumento da violência armada na Região Metropolitana do Recife. Os dados do Fogo Cruzado indicam que, só no mês de outubro, 27 pessoas foram baleadas dentro de casa (14 mortas e 13 feridas) e outras 14 foram atingidas em bares (duas mortas e 12 feridas).</p>



<p>De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, Rafael Cavalcanti, esses dados são reflexo de uma “carioquização” da violência em Pernambuco: “o crime organizado vem entrando e tomando conta do tráfico, rivalizando ou fazendo parcerias com organizações criminosas locais. Ao mesmo tempo há essa difusão indiscriminada de armas de fogo que, de alguma forma, acabam parando, por desvios ou por roubos e furtos, nas mãos da criminalidade, que se abastece quando você tem mais acesso e um varejo maior de armas. O número crescente de armas à disposição colocam os Policiais em mais riscos dentro de um Estado onde nós já não temos treinamento constante, efetivo e estrutura”, explica o sindicalista.<br><br>“A vantagem do Policial é justamente ele ter a capacidade de operar uma arma de fogo, mas isso está sendo diluído principalmente diante das do uso de armas pelas mais variadas pessoas, que não tem as mesmas amarras legais que os profissionais de Segurança Pública têm”, enfatiza Cavalcanti<br><br>Durante o mês de outubro, de acordo com o Instituto Fogo Cruzado, houve 159 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Recife, um aumento de 5% em comparação com o mesmo período do ano passado, que acumulou 151 tiroteios. Além disso, cresceu também o número de baleados. Ao menos 191 pessoas foram baleadas no Grande Recife: 115 morreram e 76 ficaram feridas. Um acréscimo de 14% entre os mortos e de 27% entre os feridos em comparação com outubro de 2021, que deixou 161 baleados: 101 mortos e 60 feridos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Encontro com Raquel Lyra</strong></h2>



<p>Os dirigentes do Sinpol-PE acreditam que podem contribuir na formulação de políticas públicas de segurança do novo governo estadual. Para isso, eles solicitaram à equipe da futura governadora um encontro para discutir o assunto, lembrando que, antes do primeiro turno, a então candidata pelo PSDB visitou o Sinpol e assinou uma carta compromisso com a posição dos policiais civis a respeito da segurança pública.</p>



<p>De acordo com o presidente do Sindicato, enfrentar o crime e reduzir a violência é papel do Estado, tanto por meio da Polícia quanto do Poder Judiciário. “O acesso às armas não pode ser tão fácil para a população para que a gente não veja, indivíduos querendo resolver questões pessoais se sobrepondo e utilizando de meios violentos para impor a sua &#8220;verdade&#8221; com uma arma de fogo. Não podemos deixar que Pernambuco siga a violência que tanto nos chocava ao longe, como no Rio de Janeiro, se estabelecer aqui”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa&nbsp;<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a>&nbsp;</strong>ou, se preferir, usar nosso&nbsp;<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<item>
		<title>Porque o Fogo Cruzado mapeia tiros no Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/por-que-o-fogo-cruzado-mapeia-tiros-no-grande-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Apr 2022 00:36:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Cecília Olliveira* A sensação de insegurança e o medo da violência são sentimentos comuns de boa parte dos moradores do Grande Recife. Entender a dimensão desta violência é o desafio do Fogo Cruzado, instituto que há quatro anos tem produzido dados sobre a violência armada na Região Metropolitana do Recife. Ancoramos por aqui em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Cecília Olliveira* </strong></p>



<p>A sensação de insegurança e o medo da violência são sentimentos comuns de boa parte dos moradores do Grande Recife. Entender a dimensão desta violência é o desafio do Fogo Cruzado, instituto que há quatro anos tem produzido dados sobre a violência armada na Região Metropolitana do Recife. Ancoramos por aqui em abril de 2018, e desde então mapeamos mais de 6 mil tiroteios, que deixaram mais de 4.600 mortos. Os números são altíssimos, e justificam esse medo. Se não há plano de governo que alcance bons resultados na segurança pública, precisamos agir.</p>



<p>Passamos a mapear os tiroteios na Região Metropolitana do Recife em 2018 porque queríamos entender, através dos dados, as dinâmicas da violência armada na região. O que o Grande Recife carrega de diferente de outras metrópoles brasileiras? O que tem de igual? O que deu certo em outros lugares que pode funcionar também por aqui? Descobrimos, por exemplo, que muitas das mortes por armas de fogo acontecem dentro de casa. Nesses quatro anos, 784 pessoas foram baleadas naquele que deveria ser seu lugar mais seguro, o lar. Analisando esta informação, foi possível notar que estas balas têm alvo certo, normalmente frutos de acerto de contas ou homicídios sob encomenda. Percebemos também que o número de tiroteios dentro de presídios é absurdo. Foram 23 tiroteios com 61 baleados nos últimos quatro anos. Como aquelas armas entraram ali?? Como uma pessoa consegue atirar dentro de um presídio sem qualquer obstáculo?</p>



<p>No ano passado, armas de fogo foram usadas em mais de 80% dos homicídios cometidos no Estado. Mas a Secretaria de Defesa Social não tem um banco de dados com detalhes sobre as armas apreendidas &#8211; o que era previsto pelo Pacto pela Vida quando o programa foi instituído, em 2007. E sabe qual o impacto disso? Não é possível saber quem matou quem, com que arma, se essa arma foi usada em outros crimes, de onde ela veio. Estas armas precisam ser rastreadas para que seja possível elucidar crimes e para mapear as ocorrências. A falta dessas informações dificulta o combate à violência.</p>



<p>Somado a isso, no ano passado a Polícia Civil descobriu que mais de 300 armas e milhares de munições foram furtadas do depósito da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), no Recife. De acordo com a investigação, o material foi vendido para traficantes. Ou seja, as armas da polícia podem estar matando por aí. É preciso manter um controle rígido sobre os paióis das polícias e investigar estes desvios.</p>



<p>Ao mesmo tempo em que o acesso às armas foi sendo facilitado, os mecanismos de fiscalização e investigação não foram aprimorados.</p>



<p>O Pacto Pela Vida, tido como transformador em sua criação, em 2007, murchou com o passar dos anos. O programa do governo do estado que tinha como meta a redução de homicídios é passado. Isso é comum com muitos programas que não são construídos como projeto de estado, mas de governo. A gestão passa, e o projeto também.</p>



<p>Há quase uma década, as regiões Norte e Nordeste, que concentram apenas 35% da população brasileira, respondem por mais da metade das mortes violentas do país &#8211; a maioria delas perpetradas com armas de fogo. Isso mostra o tamanho do problema da segurança pública. A população nordestina assiste seus estados serem aqueles que mais sobem no ranking de mortes por armas de fogo ano após ano. A região é líder nesse índice (37% do total), e supera o Sudeste em números absolutos desde 2009.</p>



<p>O contexto da violência em Pernambuco é difícil: policiais civis se manifestam por valorização e melhores condições de trabalho, e delegacias têm até fechado mais cedo porque faltam profissionais e estrutura, gerando subnotificações de denúncias e queixas de crimes. Nesta brecha, grupos armados tomam conta de regiões inteiras. No Cabo de Santo Agostinho houve até toque de recolher no ano passado. Este ano não está sendo muito diferente: 2022 já começou com a morte de um menino de 9 anos, filho de um líder rural, assassinado a tiros por homens encapuzados na Mata Sul. O promotor do Grupo de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público que investiga o crime disse que &#8216;é típico de atividade de grupo de extermínio e pistolagem&#8217;</p>



<p>Todo esse cenário de falência na segurança pública é ancorado pela falta de transparência na gestão. Foi isso que motivou a abertura do Fogo Cruzado em Pernambuco. Em 2017, a divulgação diária dos números de homicídios, informações como os nomes, idades e cor da pele das vítimas no estado, saiu do ar. Desde então é divulgado apenas um boletim mensal com o número de mortes por cidade. O Ministério Público então começou a investigar a falta de transparência &#8211; e isso ainda está pendente.</p>



<p>Esse vácuo estratégico na produção e divulgação de dados mostra que nós temos que agir. Dados sobre violência armada, em específico, não eram produzidos &#8211; e não apenas em PE. Estes dados nos revelam mais sobre dinâmicas criminais do que a análise dos homicídios em si, devido a sua agilidade e também a possibilidade de análise em menores períodos de tempo.</p>



<p>Nós, sociedade, podemos fazer isso. Produzir as informações que precisamos para cobrar a responsabilidade das autoridades com propriedade. É essa a chave.</p>



<p><strong>* Cecília Olliveira é jornalista investigativa dedicada à cobertura do tráfico de drogas e de armas e à violência. Em 2016, frustrada com a falta de dados publicamente disponíveis, ela começou a mapear os tiroteios no Rio de Janeiro. Essa ideia se transformou no Fogo Cruzado, hoje um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada. Hoje o FC está se espalhando por todas as grandes cidades do Brasil. Ela foi a única finalista latino-americana do Prêmio Repórteres Sem Fronteiras para a Imprensa de 2020, que celebra vozes intrépidas e corajosas na mídia global.</strong></p>
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		<title>Balas e histórias perdidas</title>
		<link>https://marcozero.org/balas-e-historias-perdidaass/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jan 2022 20:22:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Mekson Dias* Era começo da noite do dia 1º de novembro de 2002 e, no Coque, comunidade da região central do Recife, uma criança de apenas um ano e três meses foi atingida na cabeça por uma bala perdida. Estava na frente de casa, no colo de sua mãe, que demorou algumas horas para [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Mekson Dias*</strong></p>



<p>Era começo da noite do dia 1º de novembro de 2002 e, no Coque, comunidade da região central do Recife, uma criança de apenas um ano e três meses foi atingida na cabeça por uma bala perdida. Estava na frente de casa, no colo de sua mãe, que demorou algumas horas para entender o que de fato tinha acontecido. A mãe era Hozana da Silva Dias, uma costureira, na época com 31 anos e dois filhos pequenos. O bebê, Mekson, era eu.</p>



<p>Em 2010, no caminho para a padaria, Juliana Gomes Cavalcante, uma adolescente de 14 anos, se assusta com um tumulto na rua do lado de onde morava. Escuta um barulho e, ao levar a mão ao rosto, sente o sangue escorrendo. Esconde-se na casa dos vizinhos para, em seguida, se dar conta que, mesmo sem nenhum envolvimento com o tiroteio, tinha sido baleada. Juliana se tornou mais uma vítima desse tipo de violência urbana que, só no Recife, em 2020, vitimou 24 pessoas.</p>



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	                                        <p class="m-0">Juliana fala sobre o trauma de ser atingida no rosto por uma bala perdida quando tinha apenas 14 anos. Crédito: Coletivo Revelar.si</p>
	                
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<p>O então aluno de ensino médio Vinícius Simões também entrou para as estatísticas das balas perdidas. Era 2018 e Vinícius estava com amigos em uma festa de rua, ao lado do canal Ibiporã, em Joana Bezerra. Enquanto tomavam a primeira cerveja, sentiu o impacto de dois projéteis. As marcas no seu pulso e coxa são cicatrizes que, três anos depois, aparecem nessa videorreportagem.</p>



<p>Não é só uma bala de calibre 38 que une essas três histórias. Nem é só por elas passarem todas na mesma periferia de Recife e nem pelo esforço que as vítimas precisaram fazer para, na chegada ao hospital, explicar que não eram bandidos. “Balas e histórias perdidas” é uma videorreportagem que traz à tona memórias de pessoas que sofreram esse tipo muito específico de violência. Pessoas que, assim como eu, tiveram suas vidas alteradas por um acontecimento violento e traumático.</p>



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	                                        <p class="m-0">Vinícius expõe a pressão que sofreu da polícia para provar que era vítima e não um criminoso. Crédito: Coletivo Revelar.si</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Eu, enquanto uma dessas vítimas, sempre senti a urgência de abordar o assunto. Um tema que marcou minha vida, seja nas histórias contadas por minha mãe – que lembra com detalhes de quando eu cantarolei um brega logo após a cirurgia –, seja por ter ficado conhecido na minha rua e na escola como o “pirraia da bala”.&nbsp;</p>



<p>Segundo dados do Fogo Cruzado, instituto que monitora a violência por arma de fogo nas Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro e do Recife, 47 pessoas foram vítimas de bala perdida entre 2019 e 2021, somente na capital pernambucana. Já na Região Metropolitana do Recife, chegou a 115 o número de pessoas vitimadas por balas perdidas: 14 delas morreram.&nbsp;</p>



<p>Apesar de altos, esses números me dizem pouco e essa videorreportagem parte de um desejo de mergulhar no tema e transformar a cicatriz que carrego na cabeça em relatos, memórias e histórias partilhadas.</p>



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<p>* <strong>Mekson Dias é estudante de artes visuais, ator e comunicador popular. Integra a Rede Coque (R)existe e o coletivo Coquevídeo de formação e experimentação em audiovisual. Morador do Coque, foi vítima de bala perdida em 2002.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Esta reportagem é resultado da bolsa para o laboratório-escola Dados em Narrativas Jornalísticas, realizado em parceria pela Marco Zero Conteúdo, Instituto Fogo Cruzado, Escola de Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco e Fundação Friedrich Ebert.</strong></p></blockquote>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/balas-e-historias-perdidaass/">Balas e histórias perdidas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Edital oferece bolsas para laboratório-escola de jornalismo de dados em PE</title>
		<link>https://marcozero.org/dados-em-narrativa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Oct 2021 21:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Institucional]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo de dados]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Pública]]></category>
		<category><![CDATA[Violência armada]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Marco Zero Conteúdo, o Instituto Fogo Cruzado e a Escola de Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) se uniram para oferecer um laboratório-escola de jornalismo e visualização de dados sobre segurança pública no estado. A iniciativa conta com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Brasil e visa ampliar a capacidade de jornalistas e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Marco Zero Conteúdo, o Instituto Fogo Cruzado e a Escola de Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) se uniram para oferecer um laboratório-escola de jornalismo e visualização de dados sobre segurança pública no estado. A iniciativa conta com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Brasil e visa ampliar a capacidade de jornalistas e comunicadores de produzir conteúdos e análises na área e traduzi-los de forma clara e acessível para diferentes públicos.</p>



<p>Serão oferecidas cinco bolsas de 1,5 mil reais para jornalistas, comunicadores ou estudantes que atuem em grupos de mídia ou coletivos de comunicação e apresentem proposta de pauta de reportagem sobre o tema da segurança pública e violência armada em Pernambuco. A seleção acontece por meio de edital lançado nesta segunda-feira (11) – <strong>leia o documento completo abaixo</strong> – e que se encerra no dia 29 de outubro.</p>



<p>O laboratório será dividido em dois momentos. O curso de jornalismo e visualização de dados propriamente, com 18 horas-aula entre 16 e 26 de novembro, seguido de mentoria para o desenvolvimento das propostas de pauta com o acompanhamento de editores da MZ Conteúdo. Os conteúdos produzidos pelos cinco bolsistas serão publicados no início da janeiro nos sites da Marco Zero e do Fogo Cruzado.</p>



<p>A coleta e organização de dados na área de segurança pública podem ser instrumentos de mudança qualitativa na cobertura jornalística. &#8220;A violência não é um problema de um só bairro &#8211; esse bairro é parte de uma cidade, que está inserida num Estado, que é parte de uma Federação. Precisamos entender o todo para entender o local. E precisamos entender o local, para ver o impacto no todo. Jornalistas mais capacitados ajudam a população a conhecer melhor seus problemas e a cobrar resultados melhores de quem ela elege&#8221;, analisa Cecília Oliveira, diretora-executiva do Fogo Cruzado.</p>



<p>Para ela, a falta de transparência e a omissão de dados ainda são obstáculos ao trabalho jornalístico.  &#8220;A cobertura sobre violência, milícias, tráfico de drogas e armas tem se mantido restrita à cobertura policial – e precisa ser muito mais que isso. A falta de dados prejudica não só a cobertura e cobranças às autoridades, mas também perpetua um desconhecimento sobre nossa realidade&#8221;.</p>



<p>Além dos cinco bolsistas selecionados via edital, o curso oferecerá vagas para alunos da Unicap e contará também com a participação de integrantes de oito organizações de mídia independente parceiras da Marco Zero no Nordeste: <a href="https://midiacaete.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Mídia Caeté</strong></a><strong> </strong>(AL), <a href="https://olhosjornalismo.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Olhos Jornalismo</strong></a><strong> </strong>(AL), <a href="https://www.retruco.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Retruco</strong></a>(PE), <a href="https://www.adiadorim.org/post/diadorim-jornalismo-independente-em-defesa-dos-direitos-da-populacao-lgbti" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Diadorim</strong></a><strong> </strong>(PE), <a href="https://www.saibamais.jor.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Saiba Mais</strong></a><strong> </strong>(RN), <a href="https://agenciaeconordeste.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Agência Eco Nordeste</strong></a><strong> </strong>(CE), <a href="https://revistaafirmativa.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Revista Afirmativa</strong></a><strong> </strong>(BA) e a newsletter <a href="https://cajueira.substack.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Cajueira</strong></a><strong> </strong>(NE). Juntos com a MZ Conteúdo e a Unicap, os coletivos foram selecionados na edição 2021 do <a href="https://newsinitiative.withgoogle.com/innovation-challenges/"><u><strong>Google News Initiative Innovation Challenge</strong></u></a>.</p>



<p>&#8220;A pauta da segurança pública é fundamental para o debate público em Pernambuco e é importante que a discussão seja fortalecida e qualificada com as perspectivas, ferramentas e tecnologias do jornalismo de dados. Para a Escola de Comunicação, esta também é uma oportunidade para complementar a formação dos nossos estudantes”, avalia Carol Monteiro, diretora da Escola de Comunicação da Unicap e cofundadora da Marco Zero.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sobre os parceiros</h2>



<p>A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, criada em 2015, no Recife, e que tem por objetivo qualificar o debate público promovendo o jornalismo investigativo e independente.</p>



<p>O<strong> Instituto Fogo Cruzado </strong>é uma organização que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. Em Pernambuco, atua em parceria com o Gabinete de Assessoria Jurídica a Organizações Populares – Gajop.</p>



<p>A <strong>Escola de Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap)</strong> reúne os cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Fotografia e Jogos Digitais, em nível de Graduação, e, também, em nível de Pós-Graduação a primeira Especialização em Jornalismo Independente do Brasil.</p>



<p>A <strong>Fundação Friedrich Ebert Brasil</strong> (FES) é uma plataforma de diálogo político que atua na promoção e fortalecimento da democracia, de um desenvolvimento econômico ambientalmente sustentável e no apoio à construção de uma sociedade mais justa, igualitária e inclusiva.</p>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-left is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>EDITAL DE SELEÇÃO PARA LABORATÓRIO-ESCOLA DE JORNALISMO E VISUALIZAÇÃO DE DADOS EM SEGURANÇA PÚBLICA E VIOLÊNCIA ARMADA</strong></p><p><strong>Do objetivo geral</strong>: Formação de jornalistas e comunicadores na área de jornalismo e visualização de dados para ampliar sua capacidade de produzir conteúdos e análises na área de segurança pública a partir de dados do Fogo Cruzado e outras fontes e traduzi-los de forma clara e acessível para diferentes públicos.</p><p><strong>Do objetivo específico</strong>: Selecionar cinco bolsistas para laboratório-escola em jornalismo e visualização de dados na área de segurança pública e violência armada.</p><p><strong>Do laboratório</strong>: Com duração de 16 de novembro a 17 de dezembro de 2021, acontecerá em dois momentos. O primeiro, uma oficina de 18 horas-aula dividida em quatro módulos (visualização de dados, design da informação, coleta e análise de dados e reportagem) ministrados entre os dias 16 e 26 de novembro.</p><p>Na sequência, entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro, haverá uma mentoria para o desenvolvimento de reportagem de dados na área de segurança pública e violência armada, com 4 horas de acompanhamento da produção para cada bolsista por um mentor/editor da Marco Zero Conteúdo. O conteúdo das reportagens (uma por bolsista) deve ser entregue entre 13 e 17 de dezembro e será editado e publicado nos sites da Marco Zero e do Fogo Cruzado, com publicação prevista para a primeira quinzena de janeiro.</p><p>As oficinas e mentorias serão 100% remotas.</p><p><strong>Das bolsas: </strong>As bolsas terão o valor de 1,5 mil reais e serão pagas em duas vezes &#8211; no início do programa e na entrega final do trabalho proposto, de acordo com o estabelecido na seção &#8220;certificação, avaliação e condicionantes&#8221;.</p><p><strong>Da certificação, avaliação e condicionantes: </strong>As pessoas selecionadas devem se comprometer a cumprir no mínimo 75% da carga horária das oficinas e das mentorias separadamente, bem como entregar os trabalhos nas datas previstas e previamente acordadas, para receberem a certificação final de participação no laboratório-escola. O não cumprimento das exigências mínimas também pode implicar na perda de metade do valor da bolsa.</p><p><strong>Da inscrição: </strong>As inscrições estarão abertas entre 11 e 29 de outubro de 2021 e devem ser realizadas mediante preenchimento de <a href="https://forms.gle/Hf6Jf89ksbnUKSbn8" target="_blank" rel="noreferrer noopener">FORMULÁRIO ONLINE</a> específico disponibilizado no site e divulgado nas redes da Marco Zero Conteúdo e do Fogo Cruzado</p><p>Podem concorrer às vagas jornalistas e comunicadores que atuem em veículos de comunicação, coletivos e grupos de produção de conteúdo informativo no estado de Pernambuco.</p><p>Os postulantes às bolsas deverão fornecer informações sobre si e também sobre os veículos, grupos e coletivos do qual fazem parte.</p><p>Também terão que encaminhar uma proposta de pauta na área de jornalismo e visualização de dados em segurança pública e violência armada contendo tema, problema, contexto, justificativa e fontes.</p><p>A pauta deve estar relacionada ou trazer subsídios para o debate sobre a atuação do Estado na área da segurança em Pernambuco, considerando a perspectiva dos direitos humanos e da proteção à vida.</p><p><strong>Qualquer dúvida sobre este edital ou sobre o preenchimento do formulário de inscrição deve ser encaminhada para o email: jornalismodedados@marcozero.org</strong></p><p><strong>Da seleção: </strong>As propostas serão julgadas por banca formada por editores e editoras da Marco Zero Conteúdo, professores e professoras da Escola de Comunicação da Unicap e representantes do Instituto Fogo Cruzado.</p><p>Serão levados em conta a diversidade de perfis dos candidatos/as e a proposta de pauta, considerando a relevância do tema, a consistência da proposta e a exequibilidade da reportagem no prazo proposto pelo edital.</p><p><strong>Dos resultados</strong>: Os nomes dos cinco selecionados neste edital serão divulgados no dia 5 de novembro nos sites e redes sociais da Marco Zero e do Fogo Cruzado.</p></blockquote>



<p></p>
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		<title>Não é só sobre isso: trabalhadores informais e violência armada na pandemia</title>
		<link>https://marcozero.org/nao-e-so-sobre-isso-trabalhadores-informais-e-violencia-armada-na-pandemia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jul 2021 23:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[mototaxistas]]></category>
		<category><![CDATA[trabalhadores informais]]></category>
		<category><![CDATA[Violência armada]]></category>
		<category><![CDATA[violência Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[violência Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Ailce Moreira* “‘Nois’ não existia, agora, ‘nois’ existe, mano. Então, acho que a conquista é essa:‘nois’ existe. E, agora, qualquer problema que a cidade tiver que resolver, ela vai terque lidar com a chamada uberização, precarização do trabalho.&#8221;Paulo Lima, Galo [Entregadores antifascistas] A chegada da pandemia da Covid-19 à realidade brasileira atingiu em cheio [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-left"><strong>Por Ailce Moreira*</strong></p>



<p class="has-text-align-right"><br><em>“‘Nois’ não existia, agora, ‘nois’ existe, mano. Então, acho que a conquista é essa:<br>‘nois’ existe. E, agora, qualquer problema que a cidade tiver que resolver, ela vai ter<br>que lidar com a chamada uberização, precarização do trabalho.&#8221;<br></em><strong><em>Paulo Lima, Galo [<a href="https://www.youtube.com/watch?v=ttciccleoIg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Entregadores antifascistas</a>]</em></strong></p>



<p class="has-text-align-left"><br>A chegada da pandemia da Covid-19 à realidade brasileira atingiu em cheio a<br>vida de todas as pessoas, sem exceção. Todavia, <a href="https://fogocruzado.org.br/relatorio-semestral-grande-recife-2021/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dados do Instituto Fogo Cruzado</a><br>apontam que, no primeiro semestre de 2021, os trabalhadores informais (incluindo<br>motoristas de aplicativos, vendedores ambulantes e mototaxistas) da Região<br>Metropolitana do Recife, em Pernambuco, também foram alvo, de forma significativa,<br>da violência armada. O indicativo é de aumento proporcional em relação aos anos<br>anteriores, principalmente, no que se refere a pessoas baleadas com desfecho em<br>morte.</p>



<p class="has-text-align-left">Nos últimos 12 meses, entre julho de 2020 e junho de 2021, houve um aumento de<br>62% no número de mortos em relação ao mesmo período anterior. Justamente no<br>auge da contaminação pela pandemia, esse segmento de trabalhadores ficou ainda<br>mais vulnerável. Já o número de feridos, vítimas de disparos de arma de fogo, caiu em relação aos anos anteriores. Podemos interpretar que os disparos tiveram maior letalidade, principalmente, se o recorte analisado considerar somente os mototaxistas. Esta categoria apresenta aumento de 175% no número das mortes por arma de fogo em relação ao mesmo período do ano de 2020.</p>



<p class="has-text-align-left">Sendo assim, ficam os questionamentos: esses números são somente indicativos da segurança pública? Se não, do que tratam além dela? Parafraseando um jargão da internet, eles não falam só “sobre isso”, e não, não “está tudo bem”. Com o início da maior crise sanitária do planeta dos últimos 100 anos, cresceu o número de subempregos, o que expõe a precarização nas relações do trabalho com a falta de regulamentação das funções e dos benefícios sociais garantidos pela legislação brasileira. Quando uma bala fere o corpo do trabalhador informal, quem são os atingidos?</p>



<p>A maioria dos disparos mapeados pelo Fogo Cruzado aconteceu no entorno<br>das cidades da Região Metropolitana do Recife e,<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-07/trabalho-informal-durante-pandemia-e-tema-d o-caminhos-da-reportagem" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> segundo a Agência Brasil</a>, a população negra e periférica é a mais impactada pela informalidade em nosso país. Os disparos, portanto, têm classe e endereço certos e a informalização das relações de trabalho é diretamente proporcional à falta de segurança que os trabalhadores informais experimentam em suas jornadas diárias.</p>



<p>Para eles, não há garantias, contrariando o artigo 6º de nossa Constituição<br>Federal em vigor, que assegura aos cidadãos e cidadãs brasileiras, no mesmo<br>patamar de importância, os direitos ao trabalho e à segurança. Nas ruas, a lei é do<br>“cada um por si” e os trabalhadores criam estratégias de organização autônoma<br>coletiva para enfrentar a violência. Eles compartilham rotas com seus pares, alertas em aplicativos de mensagens instantâneas e mantêm contato frequente com suas casas. Proteger a vida, enquanto garante o sustento da família, passa a ser também função do próprio cidadão. Com isso, empresários e Estado falham na garantia dos direitos previstos por lei.</p>



<p>Prevalece, então, a falácia das vantagens de ser empreendedor ao invés de se<br>ver como força de trabalho que resulta, em última linha, na supressão de direitos,<br>sejam trabalhistas ou relacionados à segurança, de forma interseccional. A situação que se consolidou durante a pandemia não é nova e coloca o trabalhador informal em situação de fragilidade porque serve a interesses de uma classe que, sobretudo, não quer perder seus privilégios sociais e econômicos.</p>



<p>Este período marca o agravamento, a potencialização e a atualização da lógica<br>de escravização que funda esse país e se perpetua através da institucionalidade da<br>exploração do trabalhador. Em última instância, compactua com o genocídio da<br>população periférica, negra e de origem indígena.</p>



<p>Não é possível, portanto, olhar para os corpos feridos e mortos sem sentir a dor da sua origem, da sua cor, das suas famílias e das suas comunidades. Segurança pública não é apenas ter mais policiais e batalhões nas ruas ou melhor aparelhamento dos sistemas prisionais. Passa, antes, e acima de tudo, pela garantia dos direitos fundamentais constitucionais, dos quais, a vida é o primeiro.</p>



<p><strong><a href="https://fogocruzado.org.br/relatorio-semestral-grande-recife-2021/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Acesse o relatório semestral do Fogo Cruzado</a></strong></p>



<p><strong>* </strong><em><strong>Sou mulher brasileira, indígena em retomada, de pele preta, evangélica, artista, progressista e feminista. Jornalista e licenciada em Dança por formação, mestra em Artes Visuais. Milito por uma sociedade de justiça, paz e alegria para todas, todos e todes. Integro a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e o Movimento Nós na Criação. Fui fundadora e membra durante três anos do Movimento PE de Paz. Amo dançar, ir à praia, ler, estar com a família e amigos. Acredito na potência de transformação da arte. Tento todos os dias ser uma pessoa melhor no mundo na esperança de que, assim, possamos construir outros mundos possíveis e melhores</strong></em></p>
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		<item>
		<title>Aumenta número de crianças e adolescentes vítimas de bala perdida no Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/aumenta-numero-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-bala-perdida-no-grande-recife/</link>
					<comments>https://marcozero.org/aumenta-numero-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-bala-perdida-no-grande-recife/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jan 2021 19:43:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fogo Cruzado]]></category>
		<category><![CDATA[Violência armada]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra criança e adolescente]]></category>
		<category><![CDATA[violência letal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sem aulas e sem projetos sociais, culturais e esportivos, crianças e adolescentes estiveram dentro de casa boa parte do tempo em 2020, mas isso não quer dizer que estiveram fora de perigo. No ano em que a pandemia do novo coronavírus mudou radicalmente a vida de muitas pessoas, a violência letal por bala de fogo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sem aulas e sem projetos sociais, culturais e esportivos, crianças e adolescentes estiveram dentro de casa boa parte do tempo em 2020, mas isso não quer dizer que estiveram fora de perigo. No ano em que a pandemia do novo coronavírus mudou radicalmente a vida de muitas pessoas, a violência letal por bala de fogo vitimou 11 crianças e 93 adolescentes na Região Metropolitana do Recife &#8211; destes, duas crianças e 57 adolescentes morreram. Os dados são do Fogo Cruzado Recife, que a Marco Zero teve acesso com exclusividade.</p>



<p>Comparado com o ano de 2019, o número de crianças baleadas (10) aumentou 10% e o de adolescentes baleados (109) diminuiu 15%. Apesar da sutil redução no grupo de adolescentes (Idade entre 12 anos e 18 anos incompletos), o contexto em que jovens são alvos de balas não mudou.</p>



<p>Um dado que chama atenção, de acordo com a leitura do Fogo Cruzado, é a quantidade de vítimas de balas perdidas. No Grande Recife, das crianças e adolescentes baleados, 64% das crianças (7) e 8% dos adolescentes (7) foram vítimas de bala perdida.</p>



<p>No entanto, para Deila Martins, coordenadora executiva do Gajop, organização parceria do Fogo Cruzado e que trabalha no monitoramento de políticas de segurança pública, bala perdida é termo que não dá conta do contexto da violência letal contra crianças e adolescentes. &#8220;A gente usa o termo bala perdida, mas infelizmenteela tem uma direção”, afirma.</p>



<p>O perfil de quem é alvejado é a reprodução da lógica da violência em geral: homens, negros e jovens numa faixa etária de 13 a 16 anos.&#8221;A principal característica dessa violência é que se referem principalmente a adolescentes do sexo masculino, negros, e moradores da periferia. São adolescentes que muitas vezes estão à margem das políticas públicas. Eles não estão inseridos em projetos sociais,e pelos casos que a gente vem acompanhando muitos não estão matriculados nas escolas e não estão tendo suporte de políticas de prevenção à violência”, explica.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bala perdida com destino</strong> certo</h3>



<p>Uma vez desassistidos por políticas públicas, esse é o perfil de quem mais morre por armas de fogo. Dos 93 adolescentes baleados em 2020, 7 foram vítimas de bala perdida no Grande Recife: destes, um morreu e seis ficaram feridos. Em 2019 o número de crianças e adolescentes vítimas foi menor: cinco crianças e um adolescente foram vítimas de bala perdida na RMR &#8211; destes, uma criança morreu.</p>



<p>Equipamentos públicos com serviços para a juventude e famílias, como Compaz, foram fechados durante período longo. Na avaliação de Deila, a falta de alternativas e a dificuldade das famílias manterem as crianças dentro de casa agravaram a exposição a situações de violência.</p>



<p>&#8220;Muitos serviços foram fechados e a abertura foi gradual, como vários outros equipamentos sociais. Os CREAs deixaram de fazer atendimento presenciale isso impacta principalmente aqueles adolescentes que estão cumprindo medida socioeducativa em meio aberto, que são adolescentes que muitas vezes já tiveram a trajetória marcada pela violência. Então, eles precisam de um atenção especial e essa atenção ficou precarizada no contexto da pandemia”, exemplifica.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Prevenção no município</strong></h3>



<p>Com a pandemia, os sistemas de assistência e ocupação destinados a crianças e adolescentes fecharam as portas ou reduziram drasticamente o atendimento. Deila, no entanto, destaca o papel fundamental de atuar na prevenção à violência que os municípios deveriam assumir, mas nem sempre o fazem.</p>



<p>&#8220;Quando a gente pensa CVLI (Crimes Violentos Letais Intencionais) a gente sempre pensa no papel do Governo do Estado, mas a gente precisa compreender a política de segurança pública em um aspecto mais amplo, e quando se trata de crianças e adolescentes muitos dos recursos para combater e, principalmente, prevenir estão nos municípios”, defende.</p>



<p>Essa violência está vinculada à presença ou ausência de políticas nos municípios. Segundo ela, pelo que é possível analisar dos dados levantados pelo Fogo Cruzado, que monitora notícias e recebe informações por meio de aplicativo e rede de parceiros, um diagnóstico preciso das localidades ajudaria a combater esse tipo de violência com inteligência e ações integradas. &#8220;Os recursos para prevenção da violência, que é o que de fato vai incidir na redução do número de homicídios de adolescentes, precisa acontecer com investimento municipalnos equipamentos sociais”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Políticas públicas</strong></h3>



<p>Deila reconhece que 2020 foi um período muito difícil em todas as áreas e não foi diferente para o campo da prevenção na segurança pública.A implementação e o controle de políticas públicas ficaram mais complicados.</p>



<p>Apesar de os dados do Fogo Cruzado apresentarem uma redução no grupo de adolescentes alvejados por arma de fogo, o número ainda é alto e incompatível com uma sociedade que tem, na Constituição Federal, a criança e adolescente como prioridades.</p>



<p>&#8220;Do que a gente tem conhecimento houve iniciativa municipal provocada pelo COMDICA (Conselho Municipal de Defesa e Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Cidade do Recife) em fortalecer rede de atenção e de proteção para criança e adolescente. Foi formado um comitê com presença de vários atores, não só municipais, mas da sociedade civil. Essa é uma iniciativa importante de destacar porque é um trabalho em rede, que é o que a gente precisa fortalecer”, pontua Deila.</p>



<p>Mas, na sua avaliação, um ponto ainda negligenciado é a construção de planos municipais de redução da violência letal contra crianças e adolescentes. &#8220;É preciso ter um diagnóstico mais específico do perfil da vítima da violência, dos equipamentos disponíveis e das dificuldades enfrentadas para que seja desenvolvido um plano Municipal de redução da violência letal.Isso é algo que não existe aqui em Pernambuco em nenhum município”, afirma.</p>



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		<title>Tiroteios aumentam durante pandemia e mulheres continuam vulneráveis dentro de casa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2020 17:43:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[feminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[Fogo Cruzado Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Violência armada]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos seis primeiros meses de 2020, a Região Metropolitana do Recife teve uma média de cinco tiroteios por dia. É o que aponta o levantamento da plataforma Fogo Cruzado. que registrou 869 tiroteios e disparos de arma de fogo no período. Em comparação com o primeiros semestre de 2019 (quando foram registrados 717 disparos e/ou [&#8230;]</p>
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<p>Nos seis primeiros meses de 2020, a Região Metropolitana do Recife teve uma média de cinco tiroteios por dia. É o que aponta o levantamento da plataforma <a href="https://fogocruzado.org.br">Fogo Cruzado</a>. que registrou 869 tiroteios e disparos de arma de fogo no período. Em comparação com o primeiros semestre de 2019 (quando foram registrados 717 disparos e/ou tiroteios), houve aumento de 21% em 2020, mesmo com a pandemia.</p>



<p>De acordo com o Fogo Cruzado, desde que iniciou o monitoramento no estado, em abril de 2018, este foi o semestre mais violento. &#8220;Dos 869 tiroteios registrados neste semestre, em 544 dos casos (63%) houve mortos, em 322 (37%) houve feridos e em apenas 52 (6%) deles não houve vítimas. Comparado aos 6 primeiros meses de 2019, quando houve 511 mortos e 254 feridos, houve um aumento de 22% no número total de baleados (932)”, detalha o relatório.</p>



<p>A análise do projeto também destacou que houve diminuição de 25% da participação de agentes de segurança em casos de violência armada, com registro de 52 casos em 2020 &#8211; em 2019 foram 69.</p>



<p>O levantamento contabilizou 29 mulheres mortas por armas de fogo no primeiro semestre de 2020. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o dado representa uma queda de 2%. No entanto, para as mulheres, a aparente estabilidade dos números oculta uma possível subnotificação, como se verá mais adiante. </p>



<p>Do total de 869 tiroteios ou disparos de arma de fogo registrados no grande Recife este ano, 932 pessoas foram baleadas &#8211; destas, 60 eram mulheres: 29 delas morreram e 31 ficaram feridas.No ano passado, foram 28 mulheres foram mortas e 33 feridas.</p>



<p>A necessidade de isolamento social e permanência dentro de casa devido à pandemia do coronavírus não alterou o cenário de violência e vulnerabilidade ao qual as mulheres estão submetidas. Apesar do dado não transparecer uma mudança concreta, ativistas e analistas dos dados avaliam o contexto de subnotificação e alternativas para analisar a condição das mulheres durante a pandemia.</p>



<p>Segundo o relatório do Fogo Cruzado, 15 das mulheres baleadas foram atingidas dentro de casa. Apesar de, nos primeiros seis meses do ano passado, terem sido registrados 17 casos &#8211; o que representa uma queda de 12% -, nove mulheres morreram devido aos ferimentos. A relação entre número de mulheres baleadas e mortas é importante para observar como a característica da violência contra as mulheres é letal e não dá trégua.</p>



<p>Um dos casos destacadas pela plataforma é o triplo homicídio que aconteceu em 10 de abril, já durante a quarentena em Pernambuco: &#8220;Randy Maria dos Santos, de 36 anos, a filha Randy Carla dos Santos, de 19 anos e uma amiga de 33 anos foram baleadas <a href="https://tvjornal.ne10.uol.com.br/noticias/2020/04/11/homem-e-suspeito-de-matar-duas-mulheres-e-tentar-assassinar-outra-em-itapissuma-186856">quando estavam em casa</a>, no Loteamento Cidade Criança, conhecido como Favelinha, em Itapissuma. <a href="https://tvjornal.ne10.uol.com.br//noticia/2020/04/12/caso-itapissuma-terceira-mulher-baleada-morre-no-hospital-da-restauracao-186867">Randy Carla</a> foi socorrida, mas morreu no dia seguinte no Hospital da Restauração. A mãe dela e a amiga morreram na hora”.</p>



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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Subnotificação de feminicídios</strong></h2>



<p>O ciclo de violência contra a mulher, quando não encerrado com a denúncia, segue a tendência de acabar em feminicídio. Apesar de não ser uma categoria no levantamento, Edna Jatobá, coordenadora do Gajop (Gabinete Assessoria Jurídica Organizações Populares) e porta-voz do Fogo Cruzado em Pernambuco, explica que é um aspecto que precisa e pode ser observado a partir dos dados mobilizados por iniciativas da sociedade civil.</p>



<p>A comparação possível com os dados oficias aponta que a sociedade civil contabiliza mais feminicídios do que as estatísticas oficias do governo. &#8220;No nosso entender existe ainda um número residual de feminicídios que não foram tratados como tal. Eu nem digo que isso é por vontade política, estou falando da necessidade de treinamento de profissionais para entender o que se fala”, afirma.</p>



<p>A contabilização dos dados do levantamento acontece a partir de notícias de crimes contra as mulheres, mês a mês. &#8220;Os dados oficiais de feminicídio demoram muito a serem divulgados. Antes tínhamos divulgação do feminicídio por mês, assim como os Crimes Violentos Letais Intencionais. O que a gente observou é que, no conjunto dos números que dá para comparar, a gente contabiliza mais feminicídios que o Estado”.</p>



<p>A tipificação do feminicídio foi reconhecida apenas em 2015. Desde então, secretarias de seguranças ainda estão implantando nos estados os métodos de registro e formação de agentes para tal.</p>



<p>&#8220;Isso envolve treinamento dos agentes, sobretudo da Polícia civil, perícia. Envolve também a discricionariedade dos agentes. O feminicídio a gente não espera o resultado das investigações, da Justiça, a gente observa as características iniciais do crime. A polícia observa as características iniciais e aquilo que os policiais entendem é que é reportado para a estatística oficial. Pode acontecer de o crime ser um feminicídio, mas a polícia interpretar como lesão corporal seguida de morte ou como homicídio culposo, onde não há intenção explícita de matar”, explica.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Monitoramento da sociedade civil</strong></h3>



<p>Segundo Edna, os números do levantamento têm também o objetivo de colocar em evidência o problema da produção de dados confiáveis sobre violência contra a mulher e sobre feminicídio. &#8220;A sociedade civil insiste que é preciso melhorar coleta de dados e insistir para melhorar essa politica publica, como isso é percebido”, defende.</p>



<p>Além do Fogo Cruzado, o Gajop, instituição da qual é coordenadora, também realiza um monitoramento de índices de violência pela Rede de Observatórios de Segurança, formada por organizações dos estados de Pernambuco, Ceará, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. O <a href="http://observatorioseguranca.com.br/wp-content/uploads/2020/07/Racismo-motor-da-violencia-1.pdf">relatório anual</a> (com dados de junho de 2019 a maio de 2020) da iniciativa contabilizou também números de violência contra a mulher e feminicídio nos estados citados.</p>



<p>No levantamento, São Paulo foi o estado mais casos identificados como feminicídios (175), seguido de Pernambuco (90) e Bahia (75). O dado chama atenção para um problema que é anterior à pandemia e não diminuiu. Pelo contrário, pode ter aumentado sem que haja possibilidade de notificação.</p>



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<h3 class="wp-block-heading">Mais vítimas em locais mais vulneráveis</h3>



<p>O município com mais casos de violência armada contra a mulher foi o Cabo de Santo Agostinho, com nove disparos contabilizados. Os bairros onde houve mais mulheres baleadas foram Centro e Ponte dos Carvalhos, com três mulheres baleadas em cada. Chama a atenção a natureza dos crimes e o contexto local.</p>



<p>Nivete Azevedo, professora e coordenadora da organização não-governamental Centro das Mulheres do Cabo (CMC), explica que os bairros com mais disparos são conhecidos pela contexto de violência e vulnerabilidade de mulheres. Ponte dos Carvalhos é o maior distrito do Cabo e é no limite dele que está a Delegacia da Mulher da cidade. &#8220;A gente não vê isso como um fato inibidor, por exemplo, da violência”, observa.</p>



<p>Outro dado importante é que, durante a pandemia, o centro de referência no atendimento às mulheres vítimas de violência teve o funcionamento comprometido devido à contaminação de funcionários e afastamento de outros que fazem parte do grupo de risco. &#8220;O centro de referência deve ser a porta de entrada dessa proteção, desse acolhimento das mulheres para fazer chegar aí na rede de atuação. Depois do centro de referência deveria vir a delegacia. Se o centro de referência não funcionou, já tem um problema”, analisa Nivete.</p>



<p>A própria Delegacia da Mulher teve um período conturbado: durante a pandemia, três delegadas interinas passaram por lá até a definição de uma nova titular. Em maio, a nova delegada foi indicada, mas a organização avalia que houve descontinuidade no atendimento. Além disso, a delegacia não tem plantão, funcionando apenas de segunda à sexta, das 8h às 17h. &#8220;Nossa grande luta ainda é o plantão da delegacia da mulher. Conseguimos neste mês a patrulha da mulher, uma vitória, mas ainda há o que melhorar”, explica.</p>



<p>Para Nivete, há indícios de que, na pandemia, as mulheres podem estar denunciando menos as violências que sofrem. O CMC atua há 36 anos na cidade e acaba sendo um ponto de referência para muitas mulheres, mas também precisou fechar as portas devido à crise sanitária. &#8220;São questões da própria dinâmica da pandemia que dificultou muito. Pode ser uma questão de subnotificação, não significa dizer que houve diminuição da violência”, avalia.</p>



<p>A alternativa encontrada para continuar apoiando mulheres em vulnerabilidade foi, primeiro, ajudar com o básico. O CMC vem distribuindo cestas básicas e itens de higienes para mulheres em que colocam também panfletos com orientações sobre a Lei Maria da Penha. Uma ação simples, mas que já teve efeito. Segundo Nivete, algumas mulheres procuraram as ativistas para denunciar e foram encaminhadas ao centro de referência. Em um caso específico, a organização precisou viabilizar o transporte de uma mulher. </p>



<p>Neste momento, a ong deu início a uma pesquisa em dez bairros para entender como as mulheres estão atravessando a pandemia e, a partir disso, poder demandar do poder público ações de proteção mais efetivas.</p>
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