Armas de fogo de diversos tamanhos e calibres (pistolas, fuzis, metralhadoras, revólveres etc) e munição jogadas aleatoriamente sobre uma superfície marrom.
Crédito: WorldSpectrum/Pixabay

O monitoramento realizado pela organização não-governamental Instituto Fogo Cruzado, entidade parceira da Marco Zero, está sendo usado como fonte de informações para as análises do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) sobre o aumento da violência armada na Região Metropolitana do Recife. Os dados do Fogo Cruzado indicam que, só no mês de outubro, 27 pessoas foram baleadas dentro de casa (14 mortas e 13 feridas) e outras 14 foram atingidas em bares (duas mortas e 12 feridas).

De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, Rafael Cavalcanti, esses dados são reflexo de uma “carioquização” da violência em Pernambuco: “o crime organizado vem entrando e tomando conta do tráfico, rivalizando ou fazendo parcerias com organizações criminosas locais. Ao mesmo tempo há essa difusão indiscriminada de armas de fogo que, de alguma forma, acabam parando, por desvios ou por roubos e furtos, nas mãos da criminalidade, que se abastece quando você tem mais acesso e um varejo maior de armas. O número crescente de armas à disposição colocam os Policiais em mais riscos dentro de um Estado onde nós já não temos treinamento constante, efetivo e estrutura”, explica o sindicalista.

“A vantagem do Policial é justamente ele ter a capacidade de operar uma arma de fogo, mas isso está sendo diluído principalmente diante das do uso de armas pelas mais variadas pessoas, que não tem as mesmas amarras legais que os profissionais de Segurança Pública têm”, enfatiza Cavalcanti

Durante o mês de outubro, de acordo com o Instituto Fogo Cruzado, houve 159 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Recife, um aumento de 5% em comparação com o mesmo período do ano passado, que acumulou 151 tiroteios. Além disso, cresceu também o número de baleados. Ao menos 191 pessoas foram baleadas no Grande Recife: 115 morreram e 76 ficaram feridas. Um acréscimo de 14% entre os mortos e de 27% entre os feridos em comparação com outubro de 2021, que deixou 161 baleados: 101 mortos e 60 feridos.

Encontro com Raquel Lyra

Os dirigentes do Sinpol-PE acreditam que podem contribuir na formulação de políticas públicas de segurança do novo governo estadual. Para isso, eles solicitaram à equipe da futura governadora um encontro para discutir o assunto, lembrando que, antes do primeiro turno, a então candidata pelo PSDB visitou o Sinpol e assinou uma carta compromisso com a posição dos policiais civis a respeito da segurança pública.

De acordo com o presidente do Sindicato, enfrentar o crime e reduzir a violência é papel do Estado, tanto por meio da Polícia quanto do Poder Judiciário. “O acesso às armas não pode ser tão fácil para a população para que a gente não veja, indivíduos querendo resolver questões pessoais se sobrepondo e utilizando de meios violentos para impor a sua “verdade” com uma arma de fogo. Não podemos deixar que Pernambuco siga a violência que tanto nos chocava ao longe, como no Rio de Janeiro, se estabelecer aqui”.

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