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	<title>Arquivos violência da PM - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 14 Oct 2025 18:10:56 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos violência da PM - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>PM não identificou nem afastou do serviço o militar acusado de estupro em posto policial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Oct 2025 15:57:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[estupro]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Polícia Militar de Pernambuco admitiu que não afastou nem identificou o policial acusado de estuprar uma mulher de 48 anos nas dependências do posto do Batalhão de Polícia Rodoviária na rodovia PE-60, pouco depois do shopping center Costa Dourada, no Cabo de Santo Agostinho. “Assim que os policiais envolvidos forem identificados, eles serão afastados [&#8230;]</p>
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<p>A Polícia Militar de Pernambuco admitiu que não afastou nem identificou o policial acusado de estuprar uma mulher de 48 anos nas dependências do posto do Batalhão de Polícia Rodoviária na rodovia PE-60, pouco depois do shopping center Costa Dourada, no Cabo de Santo Agostinho. “Assim que os policiais envolvidos forem identificados, eles serão afastados de suas funções operacionais enquanto as investigações estiverem em andamento”, anuncia a nota oficial distribuída pela assessoria da PM na manhã desta terça-feira, três dias após o caso ter sido registrado na Delegacia da Mulher.</p>



<p>O comando da PM admite ainda que a corporação só ficou sabendo da denúncia ontem, segunda-feira: “nesta segunda-feira (13), a PMPE tomou conhecimento de uma denúncia registrada na 14ª Delegacia da Mulher do Cabo de Santo Agostinho. O caso, ocorrido em 10 de outubro de 2025, envolve um policial militar do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv)”.</p>



<p>A Secretaria de Defesa Social também emitiu uma nota de conteúdo genérico, repudiando condutas que desrespeitem os direitos humanos e informando que o caso está investigado tanto pela Corregedoria quanto pela Polícia Civil: “a Corregedoria Geral da SDS instaurou Investigação Preliminar (IP) para apurar a conduta sob o ponto de vista ético-disciplinar, de forma paralela à investigação criminal conduzida pela Polícia Civil. Todas as medidas cabíveis serão adotadas com o devido rigor, assegurando a responsabilização, caso as denúncias sejam confirmadas”.</p>



<p>Até o final da manhã desta terça-feira, a governadora Raquel Lyra ainda não tinha comentando a denúncia. <a href="https://www.instagram.com/reel/DPyewbpDsBw/?igsh=am1qMGw5Z3hheW5j">Seus perfis oficiais </a>nas redes sociais preferiram destacar a assinatura de um empréstimo junto ao Banco do Brasil e a presença da “carreta da mulher” diante do Palácio do Campo das Princesas.</p>



<p>Os posicionamentos oficiais da PM e da SDS-PE provocaram uma reação indignada na advogada da vítima, Maju Leonel: &#8216;&#8221;É inadmissível a SDS dizer que só tomou conhecimento dos fatos na segunda feira, porque no sábado, dia seguinte ao crime, a vítima foi à delegacia e informou o ocorrido. Inclusive, disseram que ela deveria fazer a denúncia na corregedoria, a conduziram até Recife, mas antes de chegar ao destino, mandaram voltar para o Cabo, informando que todo o procedimento seria feito lá. Os comissários entram em contato com a corregedoria, então o comandante de plantão, cujo nome desconhecemos, enviou fotos para que ela reconhecesse o acusado, ela o reconheceu, mas nada disso foiformalizado&#8221;.</p>



<p>Na Ordem dos Advogados do Brasil, as notas oficiais também repercutiram mal. Nara Santa Cruz Oliveira, presidente da comissão de Direitos Humanos da entidade, foi enfática: &#8220;não adianta só lamentar e ficar lamentando, é preciso tomar providências concretas&#8221;. Para ela, &#8220;há intencionalidade em tentar omitir o fato de que o caso era de conhecimento das autoridades desde o sábado e que providências não foram tomadas, não realizaram o exame de corpo delito, não a encaminharam a um serviço de saúde&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Cobrança à governadora</h2>



<p>O Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), entidade que acompanha e monitora políticas de segurança pública e a violência policial, subiu o tom na manhã desta terça-feira e fez uma cobrança direta a Raquel Lyra: &#8220;posicionamento público da governadora de Pernambuco, reconhecendo a gravidade do ocorrido e assumindo compromisso político e institucional com a apuração rigorosa do caso. O silêncio ou a demora em se manifestar diante de um crime dessa natureza apenas reforçará a sensação de impunidade e enfraquecerá a confiança da sociedade nas instituições de<br>segurança pública&#8221;.</p>



<p>A Marco Zero também solicitou à assessoria do Governo do Estado um pronunciamento da governadora. Com viagem marcada para Dinamarca e China, ela concedeu entrevista à Rádio Folha, mas não tocou no assunto, limitando-se aos autoelogios e autopropaganda da gestão.</p>
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		<title>Advogadas pedem afastamento imediato de PM acusado de estupro em posto policial no litoral sul</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Oct 2025 01:57:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[estupro]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Advogadas, Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE) e o Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) pedem que um policial militar acusado de estuprar uma mulher dentro do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco, seja imediatamente afastado de suas [&#8230;]</p>
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<p>Advogadas, Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE) e o Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) pedem que um policial militar acusado de estuprar uma mulher dentro do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco, seja imediatamente afastado de suas funções. O caso aconteceu no último fim de semana e, até o momento, a vítima desconhece o nome do acusado, não sabe se ele está fora de suas funções e também não tem conhecimento se o inquérito policial foi instaurado.</p>



<p>A mulher estava conduzindo seu carro em direção a uma das praias do litoral sul. Ao chegar ao posto do Batalhão de Polícia Rodoviária, na rodovia PE-60, pouco depois do shopping center Costa Dourada, foi parada numa blitz composta por três policiais militares. Ela entregou os documentos a um dos PMs, que informou que, por constar no sistema um débito referente ao licenciamento, o carro teria que ser apreendido.</p>



<p>Por ordem do policial, ela saiu do carro e, no pátio externo do posto, explicou que desconhecia a dívida por ter comprado o veículo há pouco tempo. Ela chegou a telefonar para o vendedor, que atendeu, mas disse que só poderia fazer o pagamento na segunda-feira, pois estavam em pleno final de semana. Então, foi conduzida para dentro da unidade. No caminho, o policial disse aos dois colegas que ela iria “beber água” &#8211; a vítima sequer havia mencionado que estava com sede.</p>



<p>Até aí, a mulher achava que aquilo fazia parte do procedimento normal. Ao entrar em um quarto com dois beliches, o terror começou. O PM apagou a luz e tentou penetrá-la. A mulher resistiu, mas foi obrigada a fazer sexo oral no policial, que ejaculou em sua boca e a obrigou a beber água para limpar os resíduos. “Beba água para tirar a gala da boca”, teria dito. Enquanto isso, os outros dois policiais militares, do lado de fora, nada fizeram.</p>



<p>Antes de informar que ela estava “liberada”, o PM anotou seu telefone. Ela saiu sem olhar para trás. Desnorteada, seguiu para a casa de uma parente. Ainda no fim de semana, procurou a unidade da Delegacia da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, onde registrou a ocorrência e teve as roupas recolhidas para perícia, mas não foi levada para fazer exame de corpo delito, procedimento que foi colocado para ela como uma opção, não como um protocolo. Na delegacia, reconheceu por fotografia o policial que a estuprou.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Afastamento imediato</h2>



<p>O afastamento dos três policiais militares que estavam juntos de plantão, afirma a advogada da vítima, Maju Leonel, deveria ser feito imediatamente após a identificação do acusado. A mulher fez a denúncia na Corregedoria nesta segunda-feira, 13 de outubro, no Recife, porém as autoridades estaduais já sabiam oficialmente do ocorrido desde o sábado (11) à noite, quando ela registrou o Boletim de Ocorrência na Delegacia da Mulher do Cabo e identificou o PM após fotos de vários policiais terem sido enviadas pela própria corregedoria e mostradas a ela.</p>



<p>Após a identificação, a vítima questionou o nome do acusado, ainda na delegacia, mas não tem conhecimento, até o momento, de como ele se chama. “Isso é informação pública. Se você chega hoje numa delegacia, vai ter policial de plantão. A informação do policial plantonista é pública. Então os policiais que fizeram a abordagem, ela tinha o direito de saber o nome. São agentes públicos prestando serviço público”, diz Leonel.</p>



<p>Ainda que a vítima sequer tivesse identificado o PM que a abusou, enfatiza a advogada, tem como o Estado saber quem eram todos os policiais de plantão naquele dia. “Inclusive para apurar os fatos, para chamar aquelas pessoas, porque a gente está diante de uma denúncia que é extremamente grave”, explica, dizendo que é preciso saber também se o inquérito policial foi instaurado.</p>



<p>“É preciso saber se esses policiais ainda estão operando. Se esses policiais não vão fugir”, reforça. Além de ter identificado o PM abusador, o vestido da vítima foi coletado para análise ainda no sábado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Estupro teria acontecido em posto próximo à cruz feita com carros na rodovia PE-60 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: reprodução/YouTube</span>
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<p>“A gente sabe que a violência sexual é uma forma que a polícia tem de manter as torturas. Sobretudo quando estamos falando de periferia. Infelizmente não temos esses dados de maneira oficial. Porque as mulheres têm medo de retaliação, é óbvio. A polícia está circulando ali naquele ambiente toda hora. O estupro infelizmente é uma ação comum da polícia. Mas esse caso é emblemático porque foi um estupro a uma mulher no meio de uma abordagem de blitz, em que ele retira a mulher do carro e a leva para uma cama dentro da unidade policial”, avalia Maju.</p>



<p>E ressalta: “Há uma exaustão para além de tudo. Uma exaustão física e mental. Então você tem que resistir a tudo isso para poder prosseguir com uma denúncia. Você só resiste a isso se tiver minimamente um amparo. E a maior parte das mulheres não tem e não sabem nem a quem procurar”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Ministério Público acionado</h3>



<p>O Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) e a comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) acionaram o Ministério Público solicitando a identificação do policial acusado, “bem como adoção das providências cabíveis, visando ao acompanhamento e à fiscalização das medidas investigativas pertinentes”.</p>



<p>No mesmo documento, o Gajop e a OAB pedem encaminhamento da mulher aos núcleos de apoio do MP para “assegurar escuta sensível, atendimento psicológico e acompanhamento especializado”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O que diz o Governo do Estado?</h3>



<p>A Marco Zero questionou a Secretaria de Defesa Social (SDS-PE) a respeito das providências tomadas para que a denúncia seja apurada. Até o momento de fechamento deste texto, não houve resposta. Foram enviadas as seguintes perguntas:</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>1) Os policiais que estavam de plantão no dia do ocorrido já foram afastados ou continuam trabalhando normalmente?</p>
<p>2) Os policiais já foram convocados para prestar depoimento? Alguma diligência ou perícia já foi realizada no posto da BPRv, afinal a Polícia Civil está informada do fato desde sábado?</p>
<p>3) A vítima conta que, no sábado, reconheceu por fotografia o policial acusado do estupro. A SDS e a PM já têm a identificação dele? Se sim, qual o nome?</p>
<p>4) No sábado à noite, após o registro da ocorrência, a vítima foi trazida pela equipe da Delegacia da Mulher para a corregedoria, no Recife. No entanto, ao chegar na Imbiribeira, retornaram sob o argumento de que aquele não era o procedimento correto. Por que isso ocorreu?</p>
<p>5) Na Delegacia da Mulher, a vítima conta que foi questionada se queria fazer o exame de corpo delito. Ao informar que já tinha escovado os dentes várias vezes, não foi levada para fazer o exame. É opção da vítima não fazer o exame ou há um protocolo que independe da opinião da vítima?</p>
	</div>



<p>Já a Secretaria da Mulher informou &#8220;que acolheu a vítima assim que tomou conhecimento do caso. E imediatamente entrou em contato com a Delegacia da Mulher do Cabo de Santo Agostinho e com a gestora do Departamento de Polícia da Mulher&#8221;. </p>



<p>De acordo com a nota oficial enviada, &#8220;todos os procedimentos legais foram realizados com agilidade, acolhimento e total respeito à vítima. A própria secretária da Mulher, Juliana Gouveia, ligou pessoalmente para a corregedoria da Polícia Militar que falou diretamente com a vítima, reforçando que todos os encaminhamentos necessários foram tomados&#8221;. A assessoria da Secretaria da Mulher garante que irá continuar acompanhando o caso.</p>
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		<title>Corregedoria da SDS-PE inocenta policial militar réu por homicídio doloso de jovem negro</title>
		<link>https://marcozero.org/corregedoria-da-sds-pe-inocenta-policial-militar-reu-por-homicidio-doloso-de-jovem-negro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Aug 2023 20:37:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* A Corregedoria da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco inocentou &#8211; de forma sumária &#8211; um policial militar que já havia sido indiciado e denunciado à Justiça por homicídio doloso. A família da vítima, um jovem negro menor de idade chamado Jhones Lucindo Ferreira, só ficou sabendo que o matador foi inocentado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>A Corregedoria da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco inocentou &#8211; de forma sumária &#8211; um policial militar que já havia sido indiciado e denunciado à Justiça por homicídio doloso. A família da vítima, um jovem negro menor de idade chamado Jhones Lucindo Ferreira, só ficou sabendo que o matador foi inocentado quando, junto com parentes de outras vítimas de violência policial, promoveram um ato em frente à sede do órgão, na avenida Conde da Boa Vista, área central da capital pernambucana.&nbsp; &nbsp;<br><br>O crime aconteceu numa comunidade em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, e completou três anos no último dia 5 de agosto. O protesto ocorreu exatamente para marcar a data e cobrar da Corregedoria a reabertura do caso.</p>



<p>Ao ser recebida pelo comando da Corregedoria, a comissão de familiares da vítima e advogados da Assembleia Legislativa e do Gajop foi informada que, pouco mais de um ano depois do assassinato, no dia 3 de novembro de 2021, a Corregedoria concluiu o processo administrativo pela absolvição sumária do PM. Na Justiça estadual, porém, o processo tramita na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Jaboatão, com o número 0001326-10.2021.8.17.0810.<br><br>“O que nos foi dito é que, a qualquer momento, o procedimento pode ser reaberto de ofício pela Corregedoria ou por nova denúncia, diante de fatos novos”, relata a advogada Marília Falcão.</p>



<p>A defensora conta ainda que a comissão alertou o órgão em relação aos prazos prescricionais. Ela integra o Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), organização da sociedade civil que desenvolve trabalho de acolhimento e apoio a familiares de pessoas mortas por operadores da segurança pública, principalmente policiais militares.</p>



<p>Jhones foi morto no início da tarde de uma quarta-feira, na rua Sete de Setembro, na comunidade de Rio das Velhas, no bairro de Prazeres. Ele trabalhava como soldador numa oficina mecânica e estava indo de carona na moto de um amigo buscar uma ferramenta na casa da avó, para consertar a máquina de lavar de uma tia. Morreu com um tiro na nuca, sem chance de defesa, durante abordagem de policiais do 6º Batalhão.&nbsp;</p>



<p>A versão do sargento, de que disparou porque o suspeito portava um simulacro de arma de fogo, foi desmontada pelas investigações da 11ª Delegacia de Homicídios. Em depoimento, o sargento que atirou em Jhones alegou que o jovem desceu da moto já puxando um objeto da cintura. E que disparou por acreditar que o rapaz atiraria contra o policiamento. Duas viaturas do GATI chegaram depois. Os policiais que fizeram a abordagem, então, colocaram o jovem na mala de um dos carros e seguiram para a UPA do bairro de Sotave. De lá, houve a transferência para o Hospital da Restauração, onde Jhones morreu.&nbsp;</p>



<p>Na Corregedoria da SDS, a denúncia de violência letal por parte de um agente do Estado foi formalizada no mesmo dia da morte da vítima: 5 de agosto de 2020. Um dia depois, o PM autor do disparo teve aceito o pedido de aposentadoria e entrou para a reserva. Em seguida, a Polícia Civil concluiu por homicídio doloso e indiciou o sargento da PM. Em novembro de 2020, o Ministério Público estadual ofereceu denúncia à Justiça.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>A explicação da SDS:</strong><br><br>Em nota, a Corregedoria da SDS-PE não respondeu ao questionamento da reportagem sobre o que fundamentou o parecer pela absolvição sumária. “O processo em questão foi feito com as cautelas de praxe, seguindo o devido processo legal. Com a ação na esfera judiciária ainda em andamento, um novo processo administrativo poderá ser aberto, caso o acusado seja condenado”. Na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Jaboatão, o processo ainda está na fase de instrução. E não há previsão de quando o réu será levado a júri.&nbsp;</p></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>F</strong>amílias despedaçadas</h2>



<p>Além do caso de Jhones, o Gajop acompanha outros 13. Em comum, as vítimas são pessoas jovens, pretas ou pobres, moradoras de bairros e áreas periféricas, sem antecedentes criminais. O caso mais antigo é o de Marcus Laurindo. O jovem, então com 21 anos, foi morto por um soldado da PM dentro de casa, na comunidade de Bola na Rede, na Guabiraba, Zona Norte do Recife, no dia 17 de maio de 2013. As lembranças ainda machucam dona Lúcia e seu Francisco. O casal segue na busca pela responsabilização criminal do responsável pela morte do filho.</p>



<p>O caso mais recente de violência letal assistido pelo Gajop aconteceu no último 27 de abril, na comunidade do Detran, Iputinga, Zona Oeste do Recife. Rafael Paulo da Costa foi atingido por disparo efetuado por um policial. Neste caso, a Polícia Civil concluiu pela não responsabilização do PM, mas o Ministério Público estadual devolveu o inquérito indicando a necessidade de mais diligências, como a oitiva de novas testemunhas e a reprodução simulada.&nbsp;&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quando a morte veste farda</strong></h3>



<p>A mortalidade por intervenção policial é um fenômeno acompanhado há uma década pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Apesar do que a nomenclatura pode sugerir, nem todos os casos envolveram confronto e, portanto, não estão inseridos nos casos em que ao agente é permitido o uso da força letal.&nbsp;</p>



<p>No ano passado, pelo menos 6.430 pessoas foram mortas por policiais em serviço ou em horário de folga. O número representa 17 vítimas por dia, uma pessoa a cada uma hora e meia. A estatística de 2022 indica tendência de estabilidade ao ser comparada com os registros feitos no ano anterior, quando agentes mataram 6.524 pessoas; redução de 1,4% em 12 meses.</p>



<p>Numa parceria, a <a href="https://quandoamortevestefarda.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Marco Zero Conteúdo e o Gajop realizaram uma reportagem especial</a> &#8211; site e documentário &#8211; para tratar do fenômeno e visibilizar a luta das famílias por justiça em Pernambuco. A história de Jhones aqui foi contada. </p>



<p>“Eu vivia dizendo para ele: Jhones não corre, não corre. A gente é preto, sempre vai ter um alvo nas costas. Na hora do susto acontece muita coisa na cabeça da pessoa, mas ele não era envolvido com nada. Quando correu, (o policial) mirou na cabeça e puxou o gatilho. E todo mundo sabe que o lugar mais fatal que tem é o coração e a cabeça”, relembra Jéssica, irmã mais velha de Jhones.</p>



<p>*<strong>Jornalista com 19 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã.</strong></p>



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		<title>Policiais Militares, cuidado: Bolsonaro os manipula!</title>
		<link>https://marcozero.org/policiais-militares-cuidado-bolsonaro-os-manipula/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2022 15:47:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolosnarismo]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
		<category><![CDATA[violência da PM]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
		<category><![CDATA[Violência Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Adilson Paes de Souza* Durante os meus 30 anos de serviço, tive o desprazer de conhecer comandantes que se portavam de maneira idêntica à de Bolsonaro. Falavam e se portavam tal qual o presidente. Estimulavam os policiais, inclusive com elogios e condecorações, a cometeram abusos e mesmo a matarem, pois garantiria impunidade. Quando esses [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Adilson Paes de Souza*</strong></p>



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<p>Durante os meus 30 anos de serviço, tive o desprazer de conhecer comandantes que se portavam de maneira idêntica à de Bolsonaro. Falavam e se portavam tal qual o presidente. Estimulavam os policiais, inclusive com elogios e condecorações, a cometeram abusos e mesmo a matarem, pois garantiria impunidade.</p>



<p>Quando esses policiais eram presos ou adoeciam, no entanto, ele era o primeiro a abandoná-los. Em muitas ocasiões, tive a oportunidade de conversar com policiais militares presos e com seus familiares. Em todas as ocasiões, o sentimento de abandono aflorava, e o comandante, antes “ponta firme”, sequer os dignou a visitá-los; simplesmente desapareceu. O sentimento de serem manipulados era latente. Cenário muito triste.</p>



<p>Tenho certeza de que Bolsonaro agirá de maneira semelhante com vocês. Creio ser importante destacar ensinamentos que Sigmund Freud proporciona sobre a ligação entre os liderados e o líder da massa. Estudando a sua obra <em>Psicologia das massas e análise do Eu</em>, vemos que o líder exerce domínio sobre os liderados, de maneira tal, que estes se submetem à vontade daquele de maneira acrítica. Para os liderados, o líder representa tudo aquilo que eles gostariam de ser e de fazer, mas não se sentem hábeis para tal. Então, diante desse sentimento de impotência e/ou de autodesvalorização, projetam seus anseios, suas frustrações em alguém. O liame entre líder–liderado se estabelece. Para Freud, numa massa artificial – a polícia militar e o exército &#8211; o líder, na pessoa do comandante, representa o substituto do amor paterno para seus liderados, um pai severo, que procura “cuidar” de seus filhos, guiando-os para o que devem fazer. Essa estrutura libidinal constitui o fator fundamental de existência da massa.</p>



<p>Creio ser o que ocorre com grande parte dos policiais militares no Brasil de hoje. Eles desejam ser Bolsonaro, agir como Bolsonaro, se portar como Bolsonaro, que se apresenta como um super-homem. No limite, ele cometeu e comete crimes em escala, profere absurdos e todo dia ofende pessoas das quais não gosta e, ao final, nada acontece. Eles querem ser Bolsonaro, que se apresenta como alguém que deve ser temido em vez de desejar ser respeitado. Bolsonaro representa o mesmo sentimento de policiais que, no exercício de suas funções, causam medo nas pessoas, principalmente àquelas pertencentes às camadas mais marginalizadas da sociedade. Estes policiais, como Bolsonaro, confundem autoridade com truculência, arbítrio e violência. Estes policiais, tal qual Bolsonaro, não admitem críticas, questionamentos e possibilidades de controle às suas ações. A figura do super-homem, com superpoderes, é realçada a cada momento.</p>



<p>Há uma boa parcela de policiais militares que apoia Jair Bolsonaro e se identifica com suas pautas. Bolsonaro se apresenta como o porta voz dos anseios desta classe trabalhadora, constantemente lança promessas de valorização salarial e de suporte às suas atividades desenvolvidas. Ele promete, inclusive, isentar de qualquer investigação os policiais que matarem alguém no exercício de suas funções. Ou seja, ele promete impunidade.</p>



<p>Bolsonaro convoca os policiais para estarem com ele, em caso de derrota nas eleições, numa luta contra fraudes que vierem a ocorrer. Ele lança ataques ao sistema eleitoral brasileiro, cuja excelência de funcionamento é reconhecida internacionalmente e nacionalmente, desde sempre. Ele e seus filhos foram eleitos, sucessivas vezes, sem qualquer tipo de problema utilizando o mesmo sistema eleitoral. Enfim, Bolsonaro convoca os policiais militares para apoiá-lo.</p>



<p>Policiais militares, cuidado! Bolsonaro os manipula para seu projeto personalista de poder e, afirmo, sem medo de errar, que irá descartá-los em caso de conseguir atingir seu objetivo.</p>



<p>Bolsonaro, durante os quase 30 anos que exerceu o mandato de deputado federal, nunca fez nada em favor da classe policial. Nada, nem um único projeto. Seu mandato foi marcado por ofensas, absurdos e escândalos. Vocês devem se lembrar que, durante a campanha presidencial em 2018, ele prometeu melhoria salarial. O que foi feito? Nada. Até mesmo porque este é um assunto de competência dos governos estaduais. Pergunto: Como alguém que exerceu mandato durante tanto tempo e que nada fez, de concreto, para o bem dos policiais, iria fazer isto em algum momento? A manipulação é evidente. Ele brinca com os medos, as necessidades, os anseios, as preocupações e as desilusões de cada policial.</p>



<p>Estejam atentos, policiais, que vocês serão julgados pelos crimes que cometerem. Não há nada que Bolsonaro possa e queira fazer para assegurar impunidade. Cada um de vocês terá que constituir advogado de defesa, arcando com os custos e com as consequências. Repito, cansei de ver essa cena durante a minha carreira.</p>



<p>Ernesto Geisel, um dos presidentes da República na ditadura militar, numa entrevista concedida em 28 de julho de 1993, se referiu a Bolsonaro da seguinte maneira: “Não contemos o Bolsonaro, porque o Bolsonaro é um caso completamente fora do normal, inclusive um mau militar&#8230;”. Pergunto a vocês, policiais militares, como confiar em alguém desse tipo? Como se espelhar num mau militar?</p>



<p>Bolsonaro representa o que há de pior num péssimo comandante: egocêntrico, egoísta, insensível. Há evidentes manifestações de um narcisismo patológico. Policiais militares, Bolsonaro não deseja o bem de vocês. Bolsonaro não merece o voto de cada um de vocês.</p>



<p><strong>*Tenente-Coronel, aposentado, da Polícia Militar do Estado de São Paulo</strong>, <strong>doutor em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pelo Instituto de Psicologia da USP</strong> <strong>e integrante do Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio</strong> <strong>(IPPES)</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong><em>.</em></cite></blockquote>



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		<title>Ancião indígena morre em viatura da Polícia Militar e povo atikum protesta no sertão</title>
		<link>https://marcozero.org/anciao-indigena-morre-em-viatura-da-policia-militar-e-povo-atikum-protesta-no-sertao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jun 2022 18:13:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[atikum]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaubeira da Penha]]></category>
		<category><![CDATA[indígenas de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ariel Sobral Com as atenções da mídia e do público focadas nos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, a morte de um ancião indígena durante uma abordagem policial no sertão de Pernambuco poderia passar despercebida não fosse a reação imediata do povo atikum. Edvaldo Manoel de Souza, de 61 [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Ariel Sobral</strong></p>



<p>Com as atenções da mídia e do público focadas nos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, a morte de um ancião indígena durante uma abordagem policial no sertão de Pernambuco poderia passar despercebida não fosse a reação imediata do povo atikum. <br><br>Edvaldo Manoel de Souza, de 61 anos, morreu após ser interrogado por policiais militares do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati) no quintal de sua casa, na quarta-feira, dia 15. Assim que a notícia da morte se espalhou, a comunidade atikum iniciou os protestos em Carnaubeira da Penha, a 501 quilômetros do Recife.</p>



<p>Lideranças indígenas e organizações de defesa dos direitos dos indígenas se reuniram hoje, sexta-feira, na aldeia Olho D’água do Padre, onde está sendo velado o corpo do indígena. Segundo os moradores, Edvaldo, um dos anciãos da aldeia, já vinha sendo perseguido pelos agentes que o acusava de possuir uma espingarda de cartucho de forma ilegal.<br><br>Os policiais militares lotados na 1ª CIPM que já tinham apreendido uma espingarda de bucha “soca-soca” que pertencia ao senhor para a caça dentro da terra indígena, insistiam em acusá-lo de esconder uma arma de fogo em sua residência. Segundo a cunhada de Edvaldo que presenciou a abordagem realizada, após negar a existência da arma, o senhor teria sido agredido e levado para o “barraquinho”, um barraco no fundo do quintal, onde teria sido pressionado pelos policiais para confessar a posse da espingarda. “Antes de levá-lo para o barraquinho, o primeiro que lhe deu um tapa ameaçou: ‘você já me denunciou. Vá me denunciar de novo?’”, disse sua cunhada, cujo nome será mantido em reserva.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Morte na viatura</h2>



<p>De acordo com os PMs, o indígena, que era hipertenso, teria desmaiado durante o interrogatório devido a falta de remédio de pressão. Foi levado em uma viatura para a unidade de saúde da cidade, onde chegou morto. “Toda vez que o Gati entra na reserva ele faz esse trabalho fora da lei. Batendo nos indígenas quando eles querem informações. E não importa se é mulher, criança ou homem, é com brutalidade. É ação sem mandato, invasão! Não foi a primeira vez que batem em Edvaldo, e ele já tinha denunciado as agressões passadas na delegacia. E então retornaram dias depois e espancaram ele novamente,&#8221; relatou Clóvis Atikum, cacique da Aldeia.<br><br>Na manhã da quinta-feira (16) aproximadamente 300 indígenas saíram da aldeia em protesto pelas ruas da cidade até a delegacia cobrando justiça pela morte de Edvaldo. O ato pacífico contou com cartazes, cantos, danças e com a esposa, filhos e netos do senhor. Foi entregue na unidade um abaixo assinado exigindo uma investigação eficiente sobre o caso, e o boletim de ocorrência registrado pelos policiais que interrogaram e socorreram Edvaldo. O documento oculta dados importantes do ocorrido como o nome do agressor, que foi registrado como “Desconhecido (autor/agente)”, e as agressões sofridas pelo indígena.&nbsp;</p>



<p>De acordo com o cacique da aldeia, os agentes tentaram convencer a médica da unidade de saúde a registrar a chegada de Edvaldo com vida, mas ela se negou a mentir no registro. Após a constatação da morte, o corpo foi levado para Petrolina, onde foi analisado pelo Instituto de Medicina Legal (IML), e retornou para o funeral na aldeia. O laudo do IML ainda não foi liberado. “É o terceiro indígena assassinado na reserva pela polícia. O primeiro foi há cinco anos atrás, o caso foi pra corregedoria. O segundo foi há dois anos atrás. E agora, este”, afirmou cacique Clóvis.<br><br>Os indígenas encaminharam o caso para a Fundação Nacional do Índio (Funai), em Paulo Afonso, na Bahia, e para a Secretaria de Direitos Humanos de Pernambuco, e aguardam as providências a serem tomadas. “Queremos justiça, e uma resposta rápida. Precisamos discutir essa forma de trabalho da polícia dentro do nosso território. Não somos contra a entrada da polícia na nossa terra, a polícia é pra nos proteger, mas com essa forma de abordagem, com isso nós não concordamos”, queixou-se o líder indígena.<br></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Polícia civil se posiciona</strong></h3>



<p>Ao contrário das lacônicas e breves notas oficiais que é rotina, a Polícia Civil de Pernambuco se posicionou apresentando informações sobre o caso, incluindo o que está ocorrendo nos âmbito administrativo e criminal, garantindo mais informações após conclusão do caso. <br><br>A equipe da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos também foi procurada e, assim que recebermos seu posicionamento, esta reportagem será atualizada. Abaixo, segue o conteúdo integral da nota enviada pela Polícia Civil:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Nota da Polícia Civil</strong></p><cite>A Polícia Civil de Pernambuco, por meio da Delegacia de Carnaubeira da Penha, registrou morte a esclarecer ocorrida na tarde do último dia 15, na Aldeia Olho D&#8217;Água do Padre, na Zona Rural de Carnaubeira da Penha. Foi instaurado Inquérito Policial para apurar o fato, tendo sido ja realizadas diligências, incluindo oitivas de familiares da vítima, vizinhos e lideranças indígenas. Importante ressaltar que o Ministério Público de Pernambuco está acompanhando as investigações, também auxiliadas por perícias criminais, realizadas pela Polícia Científica.<br><br>Na esfera administrativa, a Corregedoria Geral da SDS instaurou Investigação Preliminar e está apurando, no local, se houve infração disciplinar por parte de policiais militares envolvidos nessa ocorrência. A Polícia Militar, através da Diretoria de Policia Judiciaria Militar (DPJM), instaurou Inquérito Policial Militar para apurar as circunstâncias em que se deu o fato. A Ouvidoria da SDS está com uma equipe presente no município e está à disposição da população para receber denúncias e informações, pelo telefone 0800.081.5001 (ligação gratuita).<br><br>Os trabalhos conduzidos no âmbito criminal e também disciplinar prosseguirão dentro da legalidade, com seriedade e imparcialidade, de modo a elucidar as circunstâncias do fato no menor tempo possível. Outras informações serão concedidas com a conclusão das investigações, para que não haja prejuízo às diligências em curso.</cite></blockquote>



<p></p>
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		<title>Quatro meses após assassinato, família de Victor Kawan cobra punição para policiais militares</title>
		<link>https://marcozero.org/quatro-meses-apos-assassinato-familia-de-victor-kawan-cobra-punicao-para-policiais-militares/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 20:03:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[PM de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[policia militar]]></category>
		<category><![CDATA[victor kawan]]></category>
		<category><![CDATA[violência da PM]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando soube da morte da menina Heloysa Gabrielle, em Porto de Galinhas, a manicure Janaína Souza desabou. &#8220;Logo veio na mente o meu filho&#8221;, contou. Há quatro meses, o filho mais novo dela, Victor Kawan, de 17 anos, foi baleado e morto em uma situação parecida. O jovem estava de carona na moto de um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando soube da morte da menina Heloysa Gabrielle, em Porto de Galinhas, a manicure Janaína Souza desabou. &#8220;Logo veio na mente o meu filho&#8221;, contou. Há quatro meses, o filho mais novo dela, Victor Kawan, de 17 anos, foi baleado e morto em uma situação parecida. O jovem estava de carona na moto de um amigo durante uma abordagem da Polícia Militar, no sítio dos Pintos, em Dois Irmãos, zona oeste do Recife. O amigo demorou a parar a moto. A dupla de PM que fez a abordagem &#8211; dois cabos, um homem e uma mulher &#8211; teria disparado por dez vezes. Uma única bala acertou Victor, de uma costela a outra, passando pelo coração. Ele faleceu no local, a alguns quarteirões de onde a família ainda mora.<br><br>Na manhã da quarta-feira, 13 de abril, os pais e a irmã de Victor, acompanhados de amigos, familiares e pessoas que estão ajudando no caso, se reuniram na praia do Pina para um ato simbólico: colocar 100 cruzes com balões brancos na areia. As cruzes representam crianças e adolescentes vítimas de violência em Pernambuco. &#8220;Isso não pode mais ficar acontecendo. Essa violência da polícia tem que acabar. É preciso justiça&#8221;, pede.<br><br>Victor Kawan morava com o pai, a mãe e a irmã. Estava terminando o terceiro ano do Ensino Médio e trabalhava em um lava jato e em uma hamburgueria. As horas livres passava na casa da namorada. &#8220;Ele era um menino que gostava de ajudar as pessoas&#8221;, lembra a mãe. No dia em que foi abordado pela pela polícia, ele havia ido comprar um lanche para a mãe. Depois, foi capinar parte de um terreno com um amigo.<br><br>Foi na volta dessa tarefa que, de moto, os dois foram passados por uma viatura da PM. Era por volta de 16h30 de um sábado, 11 de dezembro de 2021. A partir daí, os depoimentos divergem. Em um primeiro momento, a Polícia Militar informou que houve troca de tiros e uma arma foi encontrada com Victor. Família, testemunhas e moradores da área negam.<br><br>O que as testemunhas contaram à polícia e à família é de que o piloto da moto, Wendel Alves, de 18 anos, não tinha carteira de motorista e, por isso, teria hesitado em parar. Então, a dupla de policiais começou a atirar. Ao todo, foram dez tiros.<br><br>Os PMs teriam até entrado de volta na viatura, quando alguém da comunidade falou que havia um morto. &#8220;A policial mulher se desesperou&#8221;, conta o pai de Victor Kawan, o servente José Luiz Amâncio. Chamaram reforço. Três viaturas chegaram ao local: uma delas com o revólver que seria colocado na cena do crime, denuncia a família. &#8220;A própria policial saiu recolhendo as cápsulas das balas, que estavam no chão&#8221;, denuncia a mãe de Victor.<br><br>A câmera de uma casa da vizinhança gravou parte da ação, inclusive quando Victor é retirado sem vida por um PM e um morador da área. Em nota na época do crime, a Polícia chegou a afirmar que Victor foi socorrido com vida e morreu na UPA, em decorrência dos ferimentos.<br><br>O caso está sendo apurado tanto na corregedoria da Secretaria de Defesa Social quanto pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. Na corregedoria, foi sugerido que a família de Victor se mudasse do Sítio dos Pintos, para evitar represálias. &#8220;Não tenho medo, só quero justiça. Meu filho era inocente&#8221;, pede José, que conta que não chegou a ser ameaçado.<br><br>Janaína diz que sempre perguntam porque a moto não parou rapidamente ao ver a viatura da PM atrás. &#8220;Os PMs não chegaram a dar ordem para a moto parar&#8221;, diz. &#8220;O outro menino pode ter se assustado porque não tinha carteira. Sempre disse para Victor para não entrar em discussão com policial&#8221;, diz Janaína.<br><br>A família do amigo que estava com ele, que sobreviveu sem ferimentos, participou do protesto na praia, mas não quis falar com a imprensa. Wendel Alves, por cautela, não compareceu ao ato na praia.<br><br>Quando foi até a UPA da Caxangá aa procura de informações sobre o irmão, Mickaelly Rayane, de 22 anos, ouviu um PM falar que &#8220;atirou para matar mesmo, porque era bandido&#8221;. Essa é uma dor de injustiça que a mãe de Victor não admite. Durante a entrevista, ela sai e pega na bolsa um objeto. É um par de havaianas envolto em um saquinho de plástico transparente. Em um pé, um buraco. No outro, um prego segura as tiras. &#8220;Me diga, isso é o calçado de um bandido? Um bandido usaria uma sandália assim?&#8221;, questiona, com lágrimas nos olhos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Família e amigos de Victor Kawan protestaram na praia do Pina. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Racismo como <em>modus operandi</em> da PM</h2>



<p>No final de fevereiro, dentro da investigação do DHPP, foi feita uma reprodução simulada dos fatos, a chamada reconstituição do crime. &#8220;Foi bastante favorável, fortalecendo a narrativa da família de Victor&#8221;, diz o advogado Eliel Silva, coordenador do <a href="https://oabpe.org.br/projeto-oxe-e-lancado-na-oab-pernambuco/">Projeto Oxé,</a> que acompanha juridicamente o caso. O Oxé foi criado em novembro do ano passado, fruto da parceria entre a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, o Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) e a Articulação Negra de Pernambuco (Anepe). A atuação do projeto é no oferecimento de serviços jurídicos e psicossociais para vítimas de racismo no estado.<br><br>Segundo Eliel, participaram dois peritos junto com dois delegados da 5ª delegacia de homicídios. &#8220;Foi um momento para a família entender como aconteceu. A reprodução simulada é um instrumento ainda é pouco utilizado aqui em Pernambuco. E isso dá mais garantia de como ocorreram os fatos. As testemunhas participaram. Só os policiais que estavam na abordagem não participaram&#8221;, diz o advogado. Os dois PMs foram afastados das ruas durante as investigações do crime.</p>



<p>O inquérito ainda não foi concluído. &#8220;Temos que esperar essa conclusão. Vamos ficar no aguardo da perícia da reprodução simulada para fazer novos encaminhamentos, no sentido também de pedir a prisão preventiva dos policias envolvidos&#8221;, explica Eliel.<br><br>Eliel vê com preocupação o aumento da violência policial em Pernambuco. &#8220;Percebemos que é um <em>modus operand</em>i da polícia, de uma filtragem racial para fazer essas abordagens. Também do local de onde acontecem essas abordagens que resultam em morte, que são as periferias, com a desculpa de um suposto conflito. E a nossa perspectiva é de que estão tentando legitimar essas abordagens afirmando que os danos não são tão grandes em relação ao nível de enfrentamento que a polícia diz fazer contra o tráfico de drogas. É como se regiões periféricas fossem regiões que servissem apenas ao tráfico de drogas&#8221;, critica o advogado.<br><br>Entre as soluções para o enfrentamento da violência policial, Eliel cita o fortalecimento das instituições de fiscalização, como promotorias de controle externo. &#8220;O promotor ou promotora deve se posicionar e ir em busca de respostas ágeis. E precisamos fazer funcionar a ouvidoria da polícia em Pernambuco e tornar os procedimentos da corregedoria mais transparentes&#8221;, defende o coordenador do projeto Oxé, que também cita a formação dos policiais e o uso de câmeras nos coletes.<br><br>A Marco Zero perguntou à Secretaria de Defesa Social (SDS) o que faltava para o inquérito na DHPP ser concluído, como estava a investigação na corregedoria, se os policiais envolvidos no caso permaneciam afastados das ruas e se a Polícia Militar ainda mantém a nota de que Victor estava armado no momento da abordagem.<br><br>Em nota, a SDS respondeu que &#8220;as circunstâncias da morte de Victor Kawan continuam em investigação, nas esferas administrativa e criminal. Os dois policiais militares envolvidos no caso foram afastados das atividades operacionais, enquanto durarem as apurações&#8221;. A nota termina afirmando que &#8220;os esclarecimentos serão dados com a conclusão dos trabalhos&#8221;.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/moradores-de-porto-de-galinhas-vivem-noite-de-terror/" class="titulo">Moradores de Porto de Galinhas vivem noite de terror após protestar contra violência da PM</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/violencia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Violência</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h3 class="wp-block-heading">Violência policial contra adolescentes aumentou</h3>



<p><a href="https://cesecseguranca.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Inf%C3%A2ncia-interrompida_n%C3%BAmeros-da-viol%C3%AAncia-contra-crian%C3%A7as-e-adolescentes.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Relatório produzido no ano passado pela Rede de Observatórios de Segurança </a>apontou que 165 crianças e adolescentes foram vítimas de homicídio em Pernambuco entre junho de 2019 e junho de 2021. Outras 19 foram vítimas de bala perdida, no mesmo período. Entre os estados do Nordeste presentes no estudo, Pernambuco é o que mais registrou violências contra crianças e adolescentes.<br><br>Outra pesquisa mostra que tem aumentado a violência policial contra crianças e adolescentes no Brasil. Elaborado pela Unicef, o <a href="https://www.unicef.org/brazil/media/16421/file/panorama-violencia-letal-sexual-contra-criancas-adolescentes-no-brasil.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Panorama da violência letal e sexual contra crianças e adolescentes no Brasil</a> identificou um total de 34.918 mortes violentas intencionais (MVI) de crianças e adolescentes de 0 a 19 anos de idade entre 2016 e 2020.<br><br>A principal causa de mortes violentas na faixa etária de 10 a 19 anos são os homicídios dolosos. Porém, a participação desses crimes no total de mortes vem sofrendo redução e, ano após ano, as mortes decorrentes de intervenção policial vêm crescendo. Em 2020, representaram mais de 15% das mortes violentas dessa faixa etária no Brasil.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
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		<item>
		<title>Como foram os últimos segundos de vida da menina Heloysa Gabrielle</title>
		<link>https://marcozero.org/como-foram-os-ultimos-segundos-de-vida-da-menina-heloysa-gabrielle/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Apr 2022 01:32:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[guerra às drogas]]></category>
		<category><![CDATA[policia militar]]></category>
		<category><![CDATA[porto de galinhas]]></category>
		<category><![CDATA[violência da PM]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Abalados com o assassinato e com medo da repressão da policial, os parentes da menina Heloysa mantiveram a decisão de não dar entrevistas. A revolta, que foi silenciada por uma ação policial truculenta na noite do dia 31 de março, se transformou em temor e quietude, consequência da presença constante da polícia na rua onde [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Abalados com o assassinato e com medo da repressão da policial, os parentes da menina Heloysa mantiveram a decisão de não dar entrevistas. A revolta, que foi silenciada por uma ação policial truculenta na noite do dia 31 de março, se transformou em temor e quietude, consequência da presença constante da polícia na rua onde vivem as principais testemunhas oculares do crime.</p>



<p>A vizinha da criança e amiga de longa data da família, que prefere não se identificar, fez questão de contar como tudo aconteceu no dia 30 de março. Emocionada, ela conta que nunca imaginou ver uma “cena de terror daquelas” e lembra do momento em que tentou salvar Heloysa.“Eu não esqueço nunca mais, isso fica na nossa mente. Eu fecho os olhos e vejo ela [Heloysa] no chão. Minha maior revolta é que eu ainda gritei ‘para! baleou Lôlô, para!’ e eles [policiais] não pararam e depois ainda passaram pela gente com cara de deboche e saíram procurando os cartuchos das balas. Foi tudo muito rápido, parecia uma cena de novela, não deu tempo nem da gente correr”, relatou.O recolhimento dos cartuchos vazios prejudica ou mesmo impede o trabalho da perícia.</p>



<p>A vizinha que concedeu esta entrevista estava próxima a Heloysa e também do irmão dela, um menino de apenas quatro anos. Ela correu com as crianças junto com outras mulheres que estavam na rua, todas vizinhas da avó da menina. Ela conta com detalhes tudo que lembra sobre o crime que custou a vida de Lôlô, apelido pelo qual Heloysa era conhecida carinhosamente na comunidade. O próximo parágrafo é a transcrição literal do trecho da gravação em que ela conta os momentos de terror que viveu:</p>



<p>“Eles [policiais] já chegaram atirando. O rapaz [que a polícia estava perseguindo] caiu da moto. O policial que estava perseguindo o rapaz, tropeçou e caiu, quando levantou ele estava com muita raiva e começou a atirar na direção que eu estava junto com a minha comadre e uma vizinha. Lôlô estava na bicicleta junto com o irmão dela na rua. Eu vi o rapaz caindo da moto e o carro da polícia atrás. Nesse momento eu gritei para minha comadre: ‘entra, é polícia’. Aí ela olhou pra mim e respondeu: ‘as crianças’. Daí eu só escutei os tiros. Mesmo que o rapaz tivesse armado não teria dado tempo de ter atirado porque foi muito rápido, só a polícia atirou. Aquele tiro ia me pegar, mas pegou em Lôlô. Quando eu olhei pra ela (Heloysa), ela estava gritando “eu tô com medo, titia’, aí eu peguei na mão dela e coloquei ela dentro do terraço da casa da avó e ela ficou lá parada. Até então eu não tinha visto que ela estava baleada. Depois disso, eu peguei ela e coloquei atrás das minhas pernas, quando eu segurei as mãos dela eu senti que ela apertou com força e logo em seguida soltou a minha mão e depois já foi arriando no chão. A partir daí eu comecei a gritar desesperada: ‘para, para, vocês mataram Lôlô’ e eles [policiais] não pararam de atirar. Na hora do desespero eu nem consegui tirar ela do chão, quem pegou ela foi a minha comadre e colocou ela nos braços do pai dela. Com a filha nos braços ele olhou para os policiais e falou: ‘olha o que vocês fizeram com a minha filha’ e um deles respondeu: ‘Ela estava na rua’”.</p>



<p>Mesmo amedrontada pelas ameaças da polícia, a vizinha fez questão de contar o que sabe e afirmou que não vai ficar calada porque quer que a justiça seja feita o mais rápido possível. “Eles querem que a gente fale que foi troca de tiro, mas não foi troca de tiro. Eu estava no momento e vi o que foi a pior cena da minha vida. Eu sou nativa de Porto de Galinhas e nunca vi uma situação daquela”, disse.</p>



<p>A entrevistada fez questão de nos levar até a cena do crime e mostrar as marcas de bala nas paredes das casas. Na casa da avó da criança, foi possível ver as marcas das balas e abicicleta com que a criança estava brincando na hora do ocorrido. No momento, havia crianças e mulheres sentadas nas portas das casas e imaginar que os disparos foram feitos em uma rua tão estreita e movimentada dá a perspectiva de que a tragédia poderia ter sido ainda maior.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/moradores-de-porto-de-galinhas-vivem-noite-de-terror/" class="titulo">Moradores de Porto de Galinhas vivem noite de terror após protestar contra violência da PM</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/violencia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Violência</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p>



<p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p>



<p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p>



<p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p>



<p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p>



<p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p>
</blockquote>
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		<title>PM e tráfico impõem dupla lei do silêncio a moradores e comerciantes de Porto de Galinhas</title>
		<link>https://marcozero.org/pm-e-trafico-impoem-dupla-lei-do-silencio-a-moradores-e-comerciantes-de-porto-de-galinhas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Apr 2022 01:18:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[guerra às drogas]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
		<category><![CDATA[porto de galinhas]]></category>
		<category><![CDATA[violência da PM]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eram 9h30 da manhã quando chegamos a Porto de Galinhas. Na entrada da cidade, três rapazes negros com trajes de praia tinham deixado as bicicletas de lado e estavam sendo revistados pela polícia. O primeiro de muitos baculejos que vimos acontecer. O perfil dos abordados seguia um padrão: homens negros vestidos com bermudas e chinelos. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eram 9h30 da manhã quando chegamos a Porto de Galinhas. Na entrada da cidade, três rapazes negros com trajes de praia tinham deixado as bicicletas de lado e estavam sendo revistados pela polícia. O primeiro de muitos baculejos que vimos acontecer. O perfil dos abordados seguia um padrão: homens negros vestidos com bermudas e chinelos.</p>



<p>Uma semana após a morte da menina Heloysa Gabrielle, de seis anos, baleada na porta da casa de sua avó no dia 30 de março, o principal destino turístico de Pernambuco ainda vive sob vigilância policial e seus moradores, assustados, temem mais violência. Na comunidade de<a href="http://oxerecife.com.br/2021/10/30/o-lado-sem-brilho-de-porto-de-galinhas/"> Salinas</a>, local onde a criança foi assassinada, a sensação aparente é de calmaria, mas basta conversar com alguém para saber que, na verdade, trata-se de um silêncio instaurado pelo terror.</p>



<p>“Aqui agora é a lei do silêncio, ninguém fala nada”. Relatou um comerciante que preferiu não se identificar nem gravar entrevista. Assim como ele, todas as pessoas abordadas pela reportagem pediram para não ter seus nomes revelados. A justificativa é a mesma: “Se a gente falar a polícia pode ameaçar e até agredir, e também tem os traficantes”. A presença dos policiais é tão constante e intimidadora que até nós, repórter e fotógrafo, fomos aconselhados a não usar nossas credenciais e equipamentos fotográficos, a fim de evitar uma abordagem violenta da PM. </p>



<p>Durante a nossa visita à cidade, que durou pouco mais de cinco horas, vimos ao menos 15 viaturas policiais em diversos pontos. Os relatos que escutamos denunciavam os diversos abusos cometidos pela polícia: invasão a residências, agressão aos moradores, constrangimento público, violação da privacidade com policiais tomando celulares para checar as mensagens nos telefones das pessoas. O clima é de ameaça constante.</p>



<p>A presença e as ações ostensivas da PM são tão frequentes que os moradores já naturalizaram o baculejo. “Quando eu saio de bermuda eu já sei que vão me parar, tem que andar com os documentos”, afirmou um comerciante entrevistado. Enquanto conversávamos, o comerciante recebeu uma mensagem de sua mãe pedindo para que ele tomasse cuidado pois soube que haveria uma operação na cidade. “Ela quer que eu vá dormir com ela para ficar mais seguro”, disse.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/e-melhor-ter-uma-policia-menor-e-controlada-do-que-uma-policia-grande-descontrolada-diz-bruno-paes-manso/" class="titulo">&#8220;É melhor ter uma polícia menor e controlada do que uma polícia grande descontrolada&#8221;, diz Bruno Paes Manso</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/violencia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Violência</a>
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        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">População não apoia os traficantes</h2>



<p>Os trabalhadores que moram nas comunidades, explicam que o problema não é a realização das abordagens, mas sim como elas são feitas. “Quando eles [policiais] chegam na gente aqui no centro dão até boa noite, mas quando estamos lá na comunidade a abordagem é ‘encosta, vagabundo’”, desabafou um líder comunitário de Porto de Galinhas. O &#8220;centro&#8221; ao qual ele se refere é área onde os turistas costumam circular, repleto de operadoras de turismo, lojas, galerias, cafés e restaurantes</p>



<p>De acordo com os moradores, as ações policiais violentas começaram a acontecer com mais frequência há cerca de seis meses e elas estão ligadas ao aumento do tráfico de drogas na cidade. “O tráfico aqui está sério mesmo e precisa ser combatido, nós não somos contra isso. O que nós questionamos é porque sempre que tem operação policial aqui tem corpo estirado no chão, eles não dão chance para que os traficantes se entreguem, eles já chegam atirando”, declarou o líder comunitário. Ainda segundo ele, as ações mais violentas são comandadas pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE). “Eles não diferenciam quem é morador e quem é bandido, para eles é tudo a mesma coisa”, disse.</p>



<p>Dados da Secretaria de Defesa Social (SDS) apontam que em janeiro e fevereiro deste ano, 10 pessoas foram assassinadas no município de Ipojuca, onde está localizado o distrito de Porto de Galinhas. O que os moradores alegam, no entanto, é que houve mortes que não foram notificadas pela polícia, pois, por se tratar de pessoas envolvidas com o tráfico, as famílias preferem não denunciar.No entanto, os dados do <a href="https://fogocruzado.org.br/">Fogo Cruzado</a>, plataforma digital que monitora a violência armada nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e Recife, não confirmam essa hipótese e são ainda menores do que os números oficiais.</p>



<p>Além disso, os moradores relatam que a escalada de assassinatos aconteceu em março, após a morte de três adolescentes na comunidade de Salinas, no dia 17 de março. “Depois desses assassinatos a população queimou um ônibus e a polícia começou a fazer mais operações, o BOPE começou a vir aqui com mais frequência”, explicou o líder comunitário.</p>



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	                                        <p class="m-0">Moradores contam que Pms se comportam de maneira diferente no centro e na periferia de Porto. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
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<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p>



<p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p>



<p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p>



<p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p>



<p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p>



<p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p>
</blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pm-e-trafico-impoem-dupla-lei-do-silencio-a-moradores-e-comerciantes-de-porto-de-galinhas/">PM e tráfico impõem dupla lei do silêncio a moradores e comerciantes de Porto de Galinhas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Família da menina assassinada em Porto de Galinhas denuncia ameaças e pede punição a policiais militares</title>
		<link>https://marcozero.org/familia-da-menina-assassinada-em-porto-de-galinhas-denuncia-ameacas-e-pede-punicao-a-policiais-militares/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Apr 2022 21:08:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Câmara]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
		<category><![CDATA[protesto Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[violência da PM]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aos gritos de “não houve troca de tiros”, parentes e amigos da família da menina Heloysa Gabrielle, de apenas seis anos, realizaram um ato cobrando por justiça, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, na manhã desta segunda-feira.A manifestação aconteceu no momento em que os pais de Heloysa estavam reunidos com o secretário-executivo da [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/familia-da-menina-assassinada-em-porto-de-galinhas-denuncia-ameacas-e-pede-punicao-a-policiais-militares/">Família da menina assassinada em Porto de Galinhas denuncia ameaças e pede punição a policiais militares</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Aos gritos de “não houve troca de tiros”, parentes e amigos da família da menina Heloysa Gabrielle, de apenas seis anos, realizaram um ato cobrando por justiça, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, na manhã desta segunda-feira.A manifestação aconteceu no momento em que os pais de Heloysa estavam reunidos com o secretário-executivo da Casa Civil do Governo de Pernambuco, Eduardo Figueiredo, para tratar sobre o andamento das investigações do assassinato da criança e pedir o fim das operações policiais na cidade de Porto de Galinhas, litoral sul do estado.</p>



<p>Abalados, os pais da criança decidiram não dar entrevistas, mas fizeram questão de afirmar que “não houve troca de tiros”, reforçando, mais uma vez, que a menina foi morta por disparos feitos por policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope).Se os pais não quiseram falar, outros parentes fizeram relatos com detalhes dolorosos.</p>



<p>Tia da criança assassinada, Wilma Fernandes passava a semana cuidando de Heloysa enquanto seus pais trabalhavam. Para ela, a dor e a revolta do assassinato são sentimentos que nunca vão passar:“A sensação que eu tenho é que perdi uma filha. Ela passava muito tempo comigo, os pais dela saíam para trabalhar e ela ficava no hotelzinho que eu tenho junto com a minha filha. Infelizmente, nunca mais vou ter ela comigo. Tudo que eu quero agora é justiça por ela”, afirmou a tia.</p>



<p>Presente no ato desta segunda-feira, Wilma pediu por segurança para a família e afirmou que está sendo intimidada por policiais. “Todos os dias, eles [policiais] passam pela nossa casa, eu e minha mãe estamos muito assustadas, não conseguimos dormir”, disse. O irmão da garota, de apenas quatro anos, viu o momento em que a irmã morreu, no dia 31 de março, na frente da casa da avó . Os parentes que participaram do protesto contam que toda a família está em choque, bastante balada, e precisando de acompanhamento psicológico.</p>



<p>Vizinhos e amigos da família presentes no ato fizeram questão de afirmar o quanto a menina era querida na comunidade, reforçando também as denúncias contra a violência policial que tem assustado os moradores de Porto de Galinhas.“Nós queremos justiça, queremos que nosso grito seja ouvido, porque além de perder Heloysa nós estamos sendo ameaçados dentro da nossa comunidade. As ações da polícia ainda acontecem de forma constante, eles vão na casa da família, tentando nos amedrontar para distorcer os fatos”, declarou Marilene Rosália, vizinha da família de Heloysa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A reação do </strong>Governo</h2>



<p>De acordo com o advogado Eliel Silva, que presta assistência jurídica à família de Heloysa, na reunião desta segunda-feira, o representante da Casa Civil, Eduardo Figueiredo, afirmou que o governador Paulo Câmara deve se encontrar com os pais da criança ainda esta semana.“O secretário disse que o estado de Pernambuco não tolera qualquer tipo de violência, mas as organizações e o Movimento Negro de Pernambuco têm denunciado publicamente o nível de truculência da abordagem policial, então, o governador pode até não tolerar, mas a prática e o <em>modus operandi</em> da polícia são outros”, afirmou Eliel Silva.</p>



<p>Ainda de acordo com o advogado, na reunião desta segunda-feira, foram apresentadas as reivindicações da família de Heloysa e dos demais moradores de Porto de Galinhas que afirmam estar sob constante ameaça da Polícia Militar. As principais demandas manifestadas foram a realização um encontro da família de Heloysa com o governador, o afastamento imediato dos policiais envolvidos na operação que culminou na morte da criança, celeridade nas investigações do caso e fim das operações do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) em Porto de Galinhas.</p>



<p></p>



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	                                        <p class="m-0">Advogado Eliel Silva informou que governador receberá pais de Heloysa. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Após a reunião, a família seguiu para Corregedoria, onde formalizaram todas as denúncias sobre o assassinato de Heloysa. As investigações do caso estão sendo conduzidas pela Divisão de Homicídios Metropolitana Sul, localizada em Jaboatão dos Guararapes. De acordo com Eliel Silva, o inquérito já foi instaurado e a transparência e celeridade das investigações serão acompanhadas de perto pela família.</p>



<p>“Se a polícia e a proteção não chegaram antes dessa situação, para salvar a vida de Heloysa, que chegue pelo menos agora nas investigações e responsabilizações imediatas de quem atirou e de quem corroborou com essa violência que está instalada em Ipojuca”, disse o advogado.</p>



<p>“Não somos contra a polícia, somos contra o que eles estão fazendo na comunidade, a forma que eles estão agindo, tratando todo mundo como bandido. Não somos bandidos, lá [Porto de Galinhas] moram famílias e pessoas de bem. A gente não dorme, a gente não descansa por medo do que estamos vivendo hoje em nossa comunidade. Nós estamos sendo coagidos e intimidados por olhares, por armamentos pesados, porque eles [policiais] chegam nas ruas como se fossem pegar um bandido”, ressaltou Mayara Talita, prima de Heloysa Gabrielle.</p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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		<title>Moradores de Porto de Galinhas vivem noite de terror após protestar contra violência da PM</title>
		<link>https://marcozero.org/moradores-de-porto-de-galinhas-vivem-noite-de-terror/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Apr 2022 21:13:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
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		<category><![CDATA[violência da PM]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A gente voltou a viver em uma ditadura? Onde é que a gente vai protestar contra o assassinato de uma criança e a polícia vem nos atacar?” Esse é o questionamento de uma moradora que está aterrorizada e incrédula diante da ações violentas da Polícia Militar de Pernambuco nos últimos dias na praia de Porto [&#8230;]</p>
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<p>“A gente voltou a viver em uma ditadura? Onde é que a gente vai protestar contra o assassinato de uma criança e a polícia vem nos atacar?” Esse é o questionamento de uma moradora que está aterrorizada e incrédula diante da ações violentas da Polícia Militar de Pernambuco nos últimos dias na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no litoral Sul de Pernambuco.</p>



<p>No dia 30 de março, após o assassinato de Heloysa Gabrielle, de apenas seis anos &#8211; atingida no peito por uma bala durante uma perseguição policial, enquanto brincava na rua da casa de sua avó &#8211; , os moradores da cidade litorânea resolveram protestar e cobrar por justiça. Porém, ao invés de receber acolhida e ser escutada pelas autoridades de segurança do Governo do Estado, a população relata que está sendo ainda mais intimidada pela PM.</p>



<p>Vídeos que circulam nas redes sociais mostram a ostensiva operação policial que foi instaurada em Porto de Galinhas na noite dessa quinta-feira, 31 de março. De acordo com uma publicação do próprio governador Paulo Câmara, o objetivo da ação é “restabelecer a tranquilidade no Litoral Sul”. Não é isso que dizem os moradores.</p>



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<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Estamos trabalhando de forma integrada com nossas forças operativas e ainda nesta noite de quinta-feira estamos reforçando o efetivo para restabelecer a tranquilidade no Litoral Sul.</p>&mdash; Paulo Câmara (@paulocamaraofc) <a href="https://twitter.com/paulocamaraofc/status/1509699432077484035?ref_src=twsrc%5Etfw">April 1, 2022</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Violência intensificada nos últimos meses</strong></h2>



<p>Residente de uma rua próxima onde aconteceu o assassinato da menina Heloysa Gabrielle, a moradora de Porto de Galinhas &#8211; que não será identificar nesta reportagem para que não sofra represálias por parte da PM -, revela que a violência policial tem sido constante na região nos últimos meses.</p>



<p>“A gente tem percebido que, desde dezembro do ano passado, houve um aumento nas ações da polícia aqui na cidade e a situação se agravou ainda mais no mês de março, principalmente depois do dia 17, quando três adolescentes foram assassinados em uma dessas operações da polícia. No dia 19 de março, houve outra operação na cidade, era meio-dia quando a polícia chegou atirando. Eles estavam encapuzados, como sempre, e com as armas expostas. Como era sábado, não tinha muita gente na rua e ninguém se feriu. Infelizmente, na quarta-feira [30 de março], quando os policiais chegaram atirando mais uma vez, era feriado na cidade, aniversário de Ipojuca e, por isso, tinham muitas crianças brincando na rua, e uma das balas atingiu Heloysa”, disse.</p>



<p>A moradora relembra o dia do ocorrido e se emociona ao afirmar que seu filho também estava brincando na rua no momento dos disparos e poderia ter sido vítima da polícia. “A gente ouviu três tiros, as crianças entraram correndo e depois ouvimos mais dois tiros. A polícia alega que houve troca de tiros, mas não houve, eles estão mentindo. O que as pessoas que estavam na hora viram foi um carro da polícia, com policiais armados apontando as armas pra fora das janelas, perseguindo um rapaz que estava empinando uma moto, mas não houve confronto. Depois dos disparos eu só ouvi choro, muito choro e eu, que estava na rua ao lado, não consegui entender direito o que havia acontecido”.</p>



<p>Segundo a entrevistada, logo após o ocorrido, ao saber da morte da criança, a comunidade se uniu para promover uma manifestação pacífica. Além disso, em comum acordo, integrantes das associações de turismo e comerciantes da cidade decidiram, por conta própria, decretar três dias de luto e paralisaram as atividades durante este período.</p>



<p>“Nós não fechamos as portas dos nossos estabelecimentos por medo de tráfico e das facções criminosas, como a polícia saiu dizendo por aí, foi um protesto nosso, para saber o motivo do Estado ter matado uma criança de seis anos e pedir um apoio jurídico”, declarou uma comerciante, que disse ainda acreditar que alguns estabelecimentos voltaram a funcionar nesta sexta-feira por pressão dos policiais.&#8221;Fiquei sabendo que uma padaria foi obrigada a abrir para servir o café da manhã a 50 policiais&#8221;, disse.</p>





<p>Com medo de sair de casa, esta moradora afirma que, desde a manhã de 31 de março, policiais circulam encapuzados e armados pelas ruas de Porto de Galinhas, bombas são disparadas contra a população e helicópteros da polícia sobrevoam as casas em voos rasantes. Durante a entrevista por telefone, foi possível ouvir o ruído dos rotores das aeronaves que sobrevoavam a área.</p>



<p>Para a entrevistada, o que acontece na cidade é o retrato da opressão: “A comunidade perde uma criança de seis anos e ainda tem que ficar presa dentro de casa porque a mesma polícia que assassinou agora está tocando o terror na população?”, questiona.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“A gente nunca viu nada parecido”</strong></h3>



<p>“Eles [policiais] estão buscando algo que nem nós moradores sabemos o que é, porque não há necessidade dessa quantidade de policiais aqui em Porto, não há necessidade de tantas agressões e violências que a gente está vivendo aqui”. Outra mulher que também pede para não ser identificada por medo de sofrer intimidação, relata os dias de terror vividos na comunidade de Salinas, em Porto de Galinhas.</p>



<p>A grande quantidade de policiais que ocuparam a cidade, citada pela moradora, foi uma medida adotada pelo próprio Governo do Estado. Em nota enviada à imprensa, na noite dessa quinta-feira, 31 de março, a assessoria do governador informou:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>“O governador Paulo Câmara determinou o reforço da segurança em Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, na noite desta quinta-feira (31.03). Cerca de 250 homens das polícias Militar e Civil se concentraram na sede da PMPE, no Derby, para seguir em comboio para o litoral sul do Estado.</strong></p><p><strong>Paulo Câmara monitorou os protestos em Porto de Galinhas durante todo o dia, ao lado do secretário estadual de Defesa Social, Humberto Freire, e do comandante da PMPE, coronel Roberto Santana. As manifestações ocorreram em vários pontos da cidade de Ipojuca, por causa da morte de uma criança de seis anos, vítima de um disparo de arma de fogo durante um confronto entre policiais e dois suspeitos, na comunidade das Salinas”.</strong></p></blockquote>



<p>Se as operações policiais já estavam acontecendo com mais frequência desde o início de março, os protestos pela morte de Heloysa Gabrielle agravaram ainda mais a situação. De acordo com a moradora, parece ter sido um pretexto para que “a polícia pudesse invadir de vez usando a desculpa do combate ao tráfico de drogas”.Ela descreve como a chegada dos policiais à cidade modificou o cotidiano da população:</p>



<p>“Desde 17 de março, todos os dias têm operações violentas da polícia aqui. E não importa a hora do dia, eles não estão preocupados com a segurança dos moradores. Os policiais chegaram a quebrar os quebra-molas das ruas para poder correr mais com os carros. Eu já vi uma mãe com sua criança no colo quase sendo atropelada pelo carro da polícia em uma dessas ruas, já vi os policiais apontando arma para idosos. Nós tínhamos que sair de casa com todos os documentos e havia até a recomendação para sairmos sempre com a farda do trabalho, porque eles estavam abordando todo mundo e alguns chegaram a ser agredidos. Um dia, eu testemunhei um rapaz que levou tapas dos policiais porque estava mexendo no celular e eles acharam que ele estava passando informações para alguém”.</p>



<p>A moradora enfatiza o abuso de autoridade exercido pelos policiais que, segundo ela, andam pelas ruas portando armas de grosso calibre apontadas para os moradores, além de estarem sempre encapuzados. Ela diz ainda que muitos deles ordenam que os moradores permaneçam dentro de casa e ameaçam os que desobedecem.“Os policiais já chegam atirando sem se importar quem está na mira. É uma situação muito aterrorizante porque a gente nunca viu nada parecido acontecer aqui em Porto de Galinhas”, declara.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crianças, amigos e parentes da garota Heloysa protestam contra violência policial e pedem punição aos assassinos. Crédito: Rayanne Carlota</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Apoio das organizações sociais</strong></h3>



<p>Nesta sexta-feira, 1º de abril, representantes de diversas instituições e organizações sociais de garantia aos direitos humanosparticiparam de uma reunião com os moradores da cidade de Porto de Galinhas. Entre as entidades presentes na reunião, estavam as comissões de Direitos Humanos, de Advocacia Popular, de Segurança Pública da secção pernambucana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), Articulação Negra de Pernambuco, Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) e  comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco.</p>



<p>O objetivo do encontro é prestar apoio jurídico e psicossocial à família de Heloysa Gabrielle e também aos moradores da cidade que denunciam as ações violentas da polícia, a fim de abrir um diálogo com a Secretaria de Defesa Social para resolver a situação atual na cidade do Litoral Sul.</p>



<p>“A população não está se sentindo ameaçada por outros moradores ou pelo tráfico, ela está se sentindo ameaçada pelo aparato policial que está chegando na cidade. Os moradores estão protestando contra a violência da própria polícia e do Estado, que matou uma criança de seis anos e três adolescentes no mês de março. Para quê tanta polícia em uma cidade que tem um contingente populacional pequeno?”, contestou Igor Travassos, comunicador da Articulação Negra de Pernambuco.</p>



<p>No final da tarde, parentes e amigos da menina Heloysa Gabrielle, de seis anos &#8211; morta após ser atingida por um disparo de arma de fogo efetuado pela polícia -, realizaram mais um ato pedindo justiça.</p>



<p>O ato aconteceu de forma pacífica na cidade de Porto de Galinhas, onde a criança foi assassinada. Vestidos de branco e carregando bolas brancas, os manifestantes caminharam pacificamente pelas ruas da comunidade da Salinas em direção ao centro da cidade. Sob a justificativa de fazer a escolta ou a proteção dos participantes, policiais militares acompanharam a manifestação armados com fuzis.</p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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