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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Intercom discute os efeitos perversos do monopólio das cinco gigantes da internet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Oct 2021 21:20:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os últimos dias têm sido difíceis para a imagem do Facebook. Primeiro, foram as denúncias da ex-funcionária Frances Haugen. Em seguida, a queda da rede social e também do Instagram e WhastApp, ambos controlados pela empresa. Certamente, nas seis horas de interrupção dos serviços, na última segunda-feira, 4 de outubro, o prejuízo para micro e [&#8230;]</p>
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<p>Os últimos dias têm sido difíceis para a imagem do Facebook. Primeiro, foram as denúncias da ex-funcionária Frances Haugen. Em seguida, a queda da rede social e também do Instagram e WhastApp, ambos controlados pela empresa. Certamente, nas seis horas de interrupção dos serviços, na última segunda-feira, 4 de outubro, o prejuízo para micro e pequenos empresários que dependem dessas plataformas foi bem maior, proporcionalmente, do que para o lucro estratosférico de uma das (poucas) gigantes da internet.</p>



<p>As denúncias de Frances Haugen, de que Facebook “&amp; cia” manipulam os desejos dos usuários para fazer dinheiro, não são exatamente uma novidade. Mas, vindas de alguém que viveu isso por dentro, têm um grande peso na discussão sobre a internet como um ambiente regulado num mundo altamente conectado através de uma rede monopolizada e colonizada por Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft (“Gafam”).</p>



<p>É nessa trincheira que se encontra a comunicação, com o desafio da democratização dos meios não só pelo acesso, mas também pela equidade tecnológica. Esse foi um dos pontos debatidos nesta quinta, 7 de outubro, no <a href="https://marcozero.org/intercom-maior-evento-cientifico-de-comunicacao-comeca-segunda-feira-e-sera-promovido-pela-unicap/">44º Intercom – Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação</a>, na mesa “Sobre o direito e o dever de resistir: a comunicação na trincheira”, com os debatedores Fernando Oliveira Paulino (UnB/Socicom), Helena Martins (UFC) e Marcos Dantas (UFRJ), com mediação de Erick Felinto (Uerj).</p>



<p><a href="https://marcozero.org/a-comunicacao-sob-a-otica-de-paulo-freire-no-centro-dos-debates-do-44o-intercom/">Paulo Freire e a comunicação como prática de liberdade, resistência e cidadania</a> são os grandes temas do maior evento científico da área de comunicação da América Latina que acontece este ano na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no Recife, até o próximo sábado, 9 de outubro.</p>



<p>Professor titular de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marcos lembrou do poder de destruição ética e estética que a internet e as redes sociais introduziram na sociedade e que não é a tecnologia que determina relações sociais; são as relações sociais que determinam o rumo das tecnologias. “A internet tornou-se tão essencial quanto a energia elétrica”, resumiu, ao falar do apagão da última segunda, enfatizando a necessidade de submeter esses rumos a algum controle público, um movimento que conta com a resistência de segmentos que lutam por efetiva democratização dos meios através de um sistema regulatório. “Cada vez mais, o mundo clama por regular a internet, mais precisamente as grandes plataformas que operam sobre a internet”, afirmou.</p>



<p>A denúncia da ex-funcionária do Facebook vem reforçar que não somente os usuários, mas, em grande parte, os provedores de acesso e as grandes plataformas são também responsáveis pelo conteúdo que circula na rede, com seus algoritmos e impulsionamentos para gerar mais vínculos e interações. O problema é que estão nisso conteúdos de ódio, fake news e obscurantismo. “Esses discursos sempre existiram. A questão é se têm direito de circular livremente pela internet”, provocou Marcos, que é membro eleito do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e foi, entre outros cargos públicos, secretário de Planejamento e Orçamento do Ministério das Comunicações (2003).</p>



<p>No Brasil, o Projeto de Lei 2630, conhecido como PL das Fake News, busca impor alguns desses limites a toda essa “liberdade”. O projeto trata da Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, cujo parecer do relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), tem data de entrega agendada para esta sexta, 8 de outubro.</p>



<p>Professora da Universidade do Ceará, Helena Martins afirmou que “não dá mais para manter esse estado das coisas e ver a internet se transformar em mais um campo de mercantilização, como aconteceu com o rádio e a TV”. “Há urgência de pensar não só o uso, mas a superação desse estado de coisas”, explicou. Para ela, essa crise mais recente demanda uma retomada do pensamento crítico que faça uma articulação de resistência com estratégias em relação às formas de comunicação.</p>



<p>O professor Fernando Oliveira Paulino, da Universidade de Brasília, destacou que, nesse hall de ataques, há um alvo muito presente: as instituições públicas de educação. Ele definiu o sistema acadêmico brasileiro como sendo ainda muito “autofágico, autocentrado”. “O baixo grau de educação científica no país contribui com esse desaguar de ressentimentos com as instituições”, avaliou ele, que também é da Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Sociocom).</p>



<p>A fala de Fernando foi para reforçar a importância de a comunicação das universidades e dos institutos fortalecerem a difusão de suas produções, atividades, pesquisas e extensões e também o diálogo entre os pares e com a sociedade. “Uma grande trincheira é necessidade de trabalhar ombro a ombro nesse momento”, definiu.</p>



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		<title>Acuados, bolsonaristas estão mais insanos e ameaçadores nos grupos de WhatsApp</title>
		<link>https://marcozero.org/acuados-bolsonaristas-estao-mais-insanos-e-ameacadores-nos-grupos-de-whatsapp/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Apr 2021 20:07:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dizer que as redes bolsonaristas estão em pé de guerra seria mais do mesmo. É assim que elas sempre estão, porém, agora, às vésperas do início das investigações da CPI da Covid, percebe-se uma tensão crescente. Impulsionados perpetuamente pela retórica agressiva de Jair Bolsonaro, os perfis, comunidades e os integrantes dos grupos de WhatsApp e [&#8230;]</p>
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<p>Dizer que as redes bolsonaristas estão em pé de guerra seria mais do mesmo. É assim que elas sempre estão, porém, agora, às vésperas do início das investigações da CPI da Covid, percebe-se uma tensão crescente.</p>



<p>Impulsionados perpetuamente pela retórica agressiva de Jair Bolsonaro, os perfis, comunidades e os integrantes dos grupos de WhatsApp e Telegram de extrema-direita acostumaram-se a permanecer na ofensiva. Aos poucos, o tom triunfalista das postagens foi arrefecendo.</p>



<p>A queda nos índices de aprovação do presidente ao longo de 2021 foi acompanhada de queixas contra aqueles que não o deixam governar: STF, Tribunal de Contas, deputados, senadores, governadores, prefeitos, cientistas, universidades, OMS, ONU, a China, Joe Biden, Lula, Rede Globo, mídia. Ou seja, todos os atores políticos e institucionais que não sejam bolsonaristas de carteirinha se transformam em alvo tanto de ameaças quanto reclamações.</p>



<p>Diante da possibilidade do Governo Federal enfrentar uma reação concreta e articulada no Congresso, a fúria parece ter cedido terreno para a preocupação. Enquanto a CPI não começa, os bolsonaristas evitam comentar abertamente ou postar conteúdos explícitos sobre a Comissão &#8211; com exceção para a possibilidade efêmera de Renan Calheiros não ser o relator. </p>



<p>Aqui na Marco Zero acompanhamos pelo menos cinco desses grupos bolsonaristas – eram seis, mas um deles se dissolveu devido ao grande número de esquerdistas infiltrados que acabaram esculhambando demais as coisas por lá. Não é difícil perceber que eles estão na defensiva, parecem esperar por um comando mais claro do “mito”, que, acuado, tenta fingir que não teme ser jogado para as cordas.</p>



<p>Num desses grupos, um homem com telefone de prefixo de Pernambuco e que usa o nome de “Coronel Fernando” postou, pouco antes das 13h de segunda-feira, 26 de abril, um link do Jornal da Cidade Online alertando para o fato de “Bolsonaro rompe o silêncio: está chegando a hora, nossa bandeira jamais será vermelha”. O Jornal da Cidade é um dos sites propagadores de conteúdos falsos que está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal no chamado inquérito das <em>Fake news</em>.</p>



<p>Depois da postagem do coronel, no entanto, nenhum dos outros integrantes teve ânimo para postar mais nada, nem mesmo para se questionar qual silêncio Bolsonaro teria rompido, já que o presidente não cansa de fazer lives e de dar entrevista para jornalistas amigos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mais insanidade</strong> (por incrível que pareça)</h2>



<p>Sim, é difícil de acreditar, mas quando estão na defensiva, os apoiadores de Bolsonaro são capazes de elevar mais alguns graus na escala da maluquice. As teses bizarras, novas ou recicladas, não param de circular. Em outro grupo, com integrantes de vários estados, um cearense chamado França da Silva (nenhum parentesco com o autor dessas linhas, juro) postou repetidas vezes, sem nenhum link ou comprovação, que “estava entrando muito dinheiro em Fortaleza. Desse jeito o lockdown não vai acabar nunca”. Nenhuma teoria sobre a origem dessa fortuna que a capital do Ceará estaria arrecadando com o fechamento do comércio.</p>



<p>Em outro grupo, o administrador de um perfil do instagram de nome enigmático – “Derrubando as Pedras Guias da Geórgia”, numa referência a um monumento erguido no estado da Geórgia, nos Estados Unidos – postou um alerta bizarro: “Já estão proibidas as colheitas agrícolas em algumas cidades do Brasil e em pouco tempo assim estará no país inteiro (…) Já estamos em redução populacional. Esta é a nova ordem mundial”.</p>



<p>Nem tentamos entender de onde teria vindo a ideia de que alguém estaria proibindo agricultores de fazerem seu trabalho, mas é comum relacionarem a pandemia com a tal Nova Ordem Mundial, que os mais íntimos chamam de NOM. Para os adeptos das teorias da conspiração do estilo, a NOM seria uma espécie de governo mundial totalitário, mas um bom entendedor percebe fácil que é um dos nomes que a extrema-direita dá à repulsa que sentem diante da perspectiva de um mundo sem racismo, menos machista, mais igualitário.</p>



<p>O uso de máscaras é assunto que, volta e meia, faz sucesso entre os fanáticos. Um bolsonarista chamado Marcos Nogueira, que em seu perfil de instagram se autointitula “Representante do Governo” e tem mais de 30 mil seguidores, defende uma tese exótica sobre as máscaras: “Se começarmos a usar máscaras escrito ‘Bolsonaro 2022’, quanto tempo você acha que vai levar até os especialistas informarem que não precisaremos mais usar e quem sabe até proibir?”. Sua postagem com a frase lapidar foi compartilhada em vários grupos nas últimas semanas.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A obsessão por 2022 e o medo de Lula</strong></h3>



<p>A retomada dos direitos políticos do ex-presidente Lula foi outro ponto de inflexão nos grupos bolsonaristas. As postagens sucessivas mal escondem o temor diante da possibilidade do confronto direto Lula x Bolsonaro em 2022, porém antes mesmo do ministro Edson Fachin ter decidido pela incompetência de Sérgio Moro em julgar o petista, a reeleição do atual presidente sempre já dava o tom de boa parte das mensagens trocadas nos grupos e comunidades.</p>



<p>Para os apoiadores de Bolsonaro, toda iniciativa de qualquer ator político que não faça parte do entorno do presidente, teria como objetivo prejudicá-lo em 2022. Esse “raciocínio” vale para as medidas restritivas de contenção do coronavírus, a recomendação para uso de máscaras, decisões do STF, defesa do uso da vacina, apelos por auxílio-emergencial, aulas online. A lista é imensa. Em compensação, todas as iniciativas e palavras de Bolsonaro são percebidas como uma tentativa de fazer o bem do Brasil, incluindo as tentativas de impedir que seus filhos sejam investigados, os ataques a parceiros comerciais e a recusa em comprar vacinas.</p>



<p>Se Lula voltou a ser protagonista também no bolsonarismo, não há nada que os irrite mais do que as notícias de pesquisas de opinião que apontam o ex-presidente à frente do “mito” da extrema-direita. Os argumentos contra os números das sondagens de voto podem até ser ridículos para quem está de fora desse ambiente, mas rendem debate, são passados adiante como válidos e consistentes.</p>



<p>Um exemplo postado por um cearense que usa como nome de contato Diga n ao comunismo: “Em pesquisa feita no Twitter por um digital influencer, sobre o resultado do levantamento XP/Ipespe, o presidente Jair Bolsonaro lidera com 77,6% das intenções de voto para 2022, contra 22,4% de Lula”. Isso mesmo, você não leu errado, uma enquete no twitter feita por um influenciador digital numa rede social teria mais peso do que um levantamento de um instituto de pesquisa.</p>
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		<title>Mensagem no Whatsapp pede que estudantes denunciem professores no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Oct 2018 20:57:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudante recifense, com a eleição de Bolsonaro, é possível que “professores” doutrinadores façam de suas salas de aula verdadeiros palanques. Filme ou grave qualquer caso de doutrinação e nos envie pelo Whatsapp: (81) 99629.1609. Fixar ideologia política na cabeça dos alunos NÃO é papel do verdadeiro professor! A mensagem acima é assinada pelo Movimento pelas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Estudante recifense, com a eleição de Bolsonaro, é possível que “professores” doutrinadores façam de suas salas de aula verdadeiros palanques. Filme ou grave qualquer caso de doutrinação e nos envie pelo Whatsapp: (81) 99629.1609. Fixar ideologia política na cabeça dos alunos NÃO é papel do verdadeiro professor!</i></b></p>
<p>A mensagem acima é assinada pelo Movimento pelas Crianças e passou a circular pelos grupos de Whatsapp após a divulgação do resultado eleitoral, no último domingo (28). O canal informal para denúncias dos estudantes pela internet, que surgiu no Recife, repete o mesmo modelo utilizado pela deputada estadual de Santa Catarina, Ana Caroline Campagnolo (PSL). No início desta semana, a deputada divulgou uma imagem nas suas redes sociais pedindo denúncias dos estudantes de manifestações políticas e ideológicas dos professores, ato que está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) por “possível violação ao direito à educação dos estudantes catarinenses.”</p>
<p>O chamado para uma fiscalização de conteúdos divulgados nas escolas da capital pernambucana foi repudiado pelas entidades de representação dos professores locais, inclusive por ferir legislações municipais e estaduais. É que, em Pernambuco, a Lei 15.507, de 2015, proíbe o uso de celulares e equipamentos eletrônicos nos estabelecimentos de ensino públicos ou privados, no âmbito do estado, ou seja, não seria permitido fazer uso desses aparelhos para filmar ou gravar os professores. Desde 2012, a lei municipal 17.837 já proibia o uso dos aparelhos celulares e equipamentos eletrônicos na sala de aula das escolas do Recife, exceto para fins pedagógicos. <a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/WhatsApp-Image-2018-10-30-at-11.40.30-1.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-11687 " src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/10/WhatsApp-Image-2018-10-30-at-11.40.30-1.jpeg" alt="WhatsApp Image 2018-10-30 at 11.40.30 (1)" width="505" height="682"></a> “O mais&nbsp;gritante nesse caso é a tentativa de tolher a liberdade do professor no cumprimento do seu dever, que é o aprendizado e a avaliação dos alunos, como determina o artigo 13 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, norma que está abaixo apenas da Constituição Federal. A categoria lamenta que esse tipo de conduta”, disse Wallace Melo, secretário de comunicação do Sindicato dos Professores de Pernambuco (Sinpro-PE), que representa os cerca de 90 mil docentes da rede privada do estado.</p>
<p>Wallace classificou a&nbsp;divulgação da mensagem como “mais um episódio de discursos fascistas que continuam ganhando força pós-eleições”. O Sinpro-PE informou que até agora não recebeu denúncias de professores que tenham sido vítimas desses tipos de ações, mas ofereceu previamente o apoio do seu departamento jurídico para os docentes.</p>
<p>A divulgação da mensagem pelo Whatsapp mobilizou uma reunião plenária do Conselho Municipal de Educação do Recife nesta terça-feira (30), mas o órgão ainda não se pronunciou sobre que medidas irá tomar. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), que representa os professores da rede pública, informou que divulgará uma nota sobre o caso em breve. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) adiantou apenas que está debatendo o assunto, porém não emitiu nenhum posicionamento até a publicação desta matéria.</p>
<p>Presidente da Ordem dos Advogados de Pernambuco, Ronnie Preuss Duarte lamentou o ambiente de ‘patrulhamento’ no país, mesmo após o período eleitoral. “Esse tipo de discurso convocando uma fiscalização de conteúdo em sala de aula não se sustenta. Nenhum órgão público abre uma investigação baseado em boatos”, argumentou. Perguntado sobre a possibilidade de uma atuação mais direta da OAB-PE no caso, o presidente informou que nenhuma ação está sendo articulada até o momento.</p>
<p><b>Movimento pelas Crianças</b></p>
<p>Durante esta terça-feira (30), a reportagem fez várias ligações em horários diferentes para o número divulgado pelo Movimento pelas Crianças no Whatsapp, mas todas elas foram direcionadas para a caixa de mensagens. &nbsp;O mesmo número de telefone também aparece na página do movimento no Facebook, que tem 2,6 mil seguidores. Na última segunda-feira (29), essa página publicou o mesmo conteúdo distribuído pelo Whatsapp. O post tem pouco mais de 60 curtidas e 12 comentários, divididos entre mensagens de apoio e de críticas.</p>
<p>No Facebook, o Movimento pelas Crianças se diz formado por “pais e familiares indignados com as crescentes tentativas de manipulação moral e sexualização das crianças”.&nbsp; A breve descrição informa ainda que o grupo foi formado inicialmente por 82 pessoas. As publicações da página começaram a ser divulgadas em setembro do ano passado, com conteúdos contrários à exposição do Queermuseu, que foi cancelada pelo Santander Cultural após críticas de movimentos religiosos. A mostra reunia obras de 85 artistas, incluindo nomes como Cândido Portinari.</p>
<p>Em alguns vídeos contrários à exposição,&nbsp;Rogério Magalhães, que foi candidato a vereador pelo DEM em 2016, mas não se elegeu, se apresenta como coordenador do movimento. Rogério Magalhães é oficial de Justiça do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e sobrinho do ex-prefeito e ex-governador Magalhães. O telefone que está divulgado na mensagem direcionada aos alunos do Recife é o mesmo contato que ele divulga nos seus perfis nas redes sociais (há pelo menos três no Facebook, um deles com 15 mil curtidas). Esse número não atendeu nossas ligações.</p>
<p>Em sua postagem mais recente feita nesta terça-feira,&nbsp; contudo, Rogério publicou uma mensagem onde diz: “liberdade de ensino sim, doutrinação ideológica não”. A mensagem informa ainda que o grupo que ele representa é contra qualquer tipo de censura ou doutrinação ideológica em sala de aula, &#8220;mas que as crianças merecem um ensino de qualidade e não formação político-partidária&#8221;, e arremata com uma hashtag em defesa do projeto Escola sem Partido no Congresso &#8211; uma das bandeiras do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). O Escola sem Partido&nbsp; propõe uma série de limitações aos docentes na abordagem de assuntos ligados à política e à religião, entre outros.</p>
<p>ATUALIZAÇÃO</p>
<p>Dois dias após a publicação desta matéria, o&nbsp;Sintepe (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco) enviou uma nota sobre o caso. Abaixo reproduzimos o material na íntegra:</p>
<blockquote><p>Na tarde desta quarta-feira (31) quatro entidades sindicais que representam trabalhadores em educação em Pernambuco reuniram-se com a promotora Eleonora Rodrigues, do Ministério Público de Pernambuco, para apresentar denúncia contra uma campanha de assédio aos professores e professoras em sala de aula, liderada por um autodenominado &#8220;Movimento pelas Crianças&#8221;. As entidades foram Sintepe (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco), Sinpoja (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Jaboatão dos Guararapes), Sinpmol (Sindicato dos Professores Municipais de Olinda) e Sinpere (Sindicato dos Professores do Recife).<br />
.<br />
Nas redes sociais, o &#8220;movimento&#8221; incentiva os estudantes a constranger seus professores e professoras utilizando telefones celulares para gravar suas aulas e &#8220;denunciá-los&#8221; por supostamente &#8220;fixar ideologia política na cabeça dos alunos&#8221;.<br />
.<br />
O Sintepe (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco) assinou denúncia apresentada à Promotoria de Justiça de Defesa da Educação. Para o Sindicato, o movimento de extrema-direita visa constranger e agredir professores e professoras em sala de aula.<br />
.<br />
A denúncia do Sintepe alerta que postagem confronta o princípio de liberdade de cátedra, inscrito em nossa Constituição, em seu artigo 205, que assegura, claramente, “a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber”. Contraria também o que está explícito, logo em seu artigo 3º, na nossa Lei de Diretrizes e Bases Nacional – LDB (Lei 9,394/1996).<br />
.<br />
O documento-denúncia também recomenda que a Secretaria de Educação do Estado garanta, por meio de ações afirmativas e imediatas, a proteção dos docentes, a autonomia didático-científica e pedagógica e o direito de livre expressão e iniciativas das professores e professores.<br />
.<br />
Por fim, o Sintepe concorda com a Recomendação Conjunta do Ministério Público Federal e Ministério Público de Pernambuco à Secretaria de Educação de Pernambuco e demais secretarias de educação que &#8220;se abstenham de qualquer atuação ou sanção arbitrária em relação a professores, com fundamento que represente violação aos princípios constitucionais e demais normas que regem a educação nacional, em especial quanto à liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber e ao pluralismo de ideias e de concepções ideológicas, adotando as medidas cabíveis e necessárias para que não haja nenhuma forma de assédio moral em face desses profissionais, por parte de estudantes, familiares ou responsáveis&#8221;.</p></blockquote>
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		<title>Bolsonaro e a trapaça como arma eleitoral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Oct 2018 17:00:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Maria Carolina Santos e Raissa Ebrahim Um homem está na biblioteca de Londrina, no Paraná. Ele pega um livro da estante e, escondido, tira fotos das páginas, já desgastadas pelo uso. É uma denúncia gravíssima: ali, em fotos ruins de celular, a “prova” de que Fernando Haddad, candidato à presidência pelo PT, escreveu um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Maria Carolina Santos e Raissa Ebrahim</strong></p>
<p>Um homem está na biblioteca de Londrina, no Paraná. Ele pega um livro da estante e, escondido, tira fotos das páginas, já desgastadas pelo uso. É uma denúncia gravíssima: ali, em fotos ruins de celular, a “prova” de que Fernando Haddad, candidato à presidência pelo PT, escreveu um livro defendendo o incesto e a pedofilia. Em segundos, a mensagem, e as fotos, se espalham pelo WhatsApp.</p>
<p>De muito pouco adianta o fato de que a mentira havia sido plantada um dia antes pelo “filósofo” Olavo de Carvalho no Facebook. De nada adianta os desmentidos posteriores – inclusive do próprio Olavo. O estrago estava feito.</p>
<p>Quem trabalha com campanha política diz que não é debate, não é Facebook, não é Whatsapp, não é a Imprensa que ganha uma eleição. O que ganha é política.</p>
<p>Nesta eleição, a máxima pode ter prevalecido. Porém, mais do que as alianças políticas, é o uso heterodoxo de técnicas de propaganda que domina o debate público neste segundo turno. O WhatsApp e as fake news são os protagonistas.</p>
<blockquote><p><a href="https://marcozero.org/whatsapp-denuncia-contra-bolsonaro-evidencia-crise-de-mediacao/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">WhatsApp: denúncia contra Bolsonaro evidencia crise de mediação</a></p></blockquote>
<p>A campanha do presidenciável Jair Bolsonaro usa o que o professor de Publicidade e Propaganda da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) Fernando Fontanella chama de “estratégia da trapaça” &#8211; uma fuga da propaganda tradicional. “Você tem o uso de dinheiro obscuro para espalhar fake news ou usando algoritmos. É uma estratégia super sofisticada de distribuição de informação que pega de surpresa quem joga pelas regras tradicionais (legais ou não)”, diz o professor da Unicap.</p>
<p>“O caso do livro na biblioteca de Londrina é uma propaganda tosca. Mas a encenação dá autenticidade, parece feita por um cidadão preocupado. Porém, quem fez sabe muito bem o que está fazendo. Por trás de algo que parece tão amador, há um planejamento muito profissional, um gênio diabólico”, explica Fernando Fontanella, que recebeu as imagens pelo WhatsApp.</p>
<p><iframe src="https://cdn.knightlab.com/libs/timeline3/latest/embed/index.html?source=1kZVSx4Uw6l22ak5L72HRImXabAXWHjC6VKLO8kxtsVc&amp;font=Default&amp;lang=pt-br&amp;initial_zoom=2&amp;height=350" allowfullscreen="allowfullscreen" width="100%" height="350" frameborder="0"></iframe></p>
<p>Pesquisa do grupo <a href="https://www.eleicoessemfake.dcc.ufmg.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&#8220;Eleições sem fake&#8221;</a>, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostra que Bolsonaro monopoliza os debates na maior parte dos grupos públicos de WhatsApp. &#8220;Monitoramos 272 grupos que debatem política, 37 deles só de Bolsonaro. Somos um sistema enviesado porque há mais grupos de apoiadores dele do que de outros candidatos&#8221;, disse Fabrício Benevenuto, professor do departamento de Ciência da Computação da UFMG e criador do projeto, em entrevista ao El País.</p>
<p>Outro estudo, do Instituto para Internet de Oxford, mostrou que os bolsonaristas produziram entre 18 e 29 de agosto 5,9 milhões de postagens com apenas 50 mil autores, o que indica o uso de &#8220;robôs&#8221; no Twitter.</p>
<p>Definindo como “selvagem” a tática de campanha de Bolsonaro, Fontanella acha que nem a equipe de Bolsonaro tinha tanta certeza de que tal estratégia iria funcionar. “É algo que também foge ao controle do núcleo, porque os próprios apoiadores começam a criar conteúdos e divulgá-los”.</p>
<p>A campanha de Bolsonaro ganhou fôlego não só com os disparos em massa – realizados, segundo reportagem publicada na semana passada pela Folha de S. Paulo, nos dias anteriores ao primeiro turno – mas principalmente com uma estratégia de comunicação que passou mais de um ano testando conteúdos e formatos e identificando pessoas que passariam essas mensagens para frente.</p>
<p>Assim, os estrategistas sabiam da força que conteúdos como o &#8220;kit gay&#8221; – uma mentira alimentada e moldada por anos – teria na campanha. “Eles chegaram na campanha sabendo o que funciona mais com cada público. E sabendo com quem contar para espalhar essa mensagem de forma rápida”, diz Fontanella.</p>
<blockquote><p><strong>&nbsp;</strong></p>
<h3>O que aconteceu até agora depois da denúncia da Folha de São Paulo:</h3>
<p>TSE abre investigação sobre Bolsonaro e compra de pacotes de disparo de mensagens contra o PT no WhatsApp.</p>
<p>PGR pede à Polícia Federal abertura de inquérito para apurar suposto esquema ilegal tanto na campanha de Bolsonaro quanto na de Haddad.</p>
<p>WhatsApp notifica extrajudicialmente e bloqueia contas ligadas às empresas Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market, suspeitas de venderem esse tipo de serviço.</p>
<p>WhatsApp diz, em entrevista à BBC News Brasil, que não pretende fazer novas alterações ligadas a mensagens encaminhadas ou à criação e participação em grupos na reta final das eleições brasileiras.</p>
<p>WhatsApp anuncia que baniu 100 mil usuários por uso irregular do aplicativo na última semana</p>
<p>Facebook remove 68 páginas e 43 contas que replicavam postagens favoráveis a Bolsonaro que violam a política de uso da rede social</p></blockquote>
<p>O publicitário baiano André Torretta foi sócio, durante alguns meses, entre o final de 2017 e o início de 2018, da Cambridge Analytica, a empresa que foi à falência após a descoberta de que usou informações dos perfis&nbsp;de mais de 50 milhões de norte-americanos para moldar notícias falsas e influenciar a eleição de Donald Trump.</p>
<p>Torretta avalia que houve uma adaptação para o modelo brasileiro, com o WhatsApp na linha de frente. “Uma rede (WhatsApp) tem 160 milhões de usuários, a outra (Facebook) tem 100 milhões. Só os idiotas não apostaram no WhatsApp”, dispara. “O Brasil é um país pobre. Depois do dia 15, muita gente fica sem internet no celular. Vão pegar wi-fi na farmácia e não têm tempo para entrar em sites. Ficam no WhatsApp”.</p>
<p>O problema que ele vê, para quem trabalha nas campanhas, é certa dificuldade em aferir a recepção da mensagem. “No WhatsApp não há regras. Você lança a mensagem e não sabe se funcionou ou não. Você atira e reza. Como toda comunicação, dá resultado, mas não é algo tão preciso de se aferir como no Facebook”, diz.</p>
<p>Para Torretta, o que ficou da experiência da breve sociedade com a Cambridge Analytica foi a divisão do eleitorado por perfis psicológicos. “O Brasil tem bons bancos de dados, como o do IBGE. Mas nunca tinha trabalhado com a divisão baseada em personalidade, dentro de uma rede social. Isso foi um aprendizado”.</p>
<p>Sobre os disparos, Torretta afirma que podem ser encontrados em &#8220;toda esquina, é só digitar no Google&#8221;. Ele não acha que as informações falsas vão diminuir nas próximas eleições. Pelo contrário, acredita que deverão ficar mais sofisticadas. Mas minimiza o impacto que elas possam ter. “Não é uma invenção de agora. Antes você tinha as fofocas, as revistas impressas. Fake news sempre existiu. Mesma lógica para os disparos por WhatsApp: antes tínhamos as listas telefônicas”.</p>
<blockquote>
<h3>“Crise é por desinteresse em política”</h3>
<p>O professor de Publicidade e Propaganda Fernando Fontanella afirma que é importante marcar que a eleição mudou por causa da tecnologia, mas que a tecnologia é um produto da sociedade, e não uma causa. “Não é que a tecnologia veio do nada e mudou como as pessoas lidam com o processo. Na verdade, é um processo gradual”, diz</p>
<p>“Um pouco do ambiente político que a gente vê agora nas mídias sociais já é resultado do Facebook se moldando ao modo das pessoas conversarem. Estamos há anos com um problema de saturação de informação, o público está de saco cheio. Então você precisa de ferramentas que fazem curadoria de conteúdo, você precisa de mediadores que vão simplificar as coisas. O Facebook há sete anos já limita com os algoritmos o que chega no nosso feed. Ele vai fazendo uma curadoria automatizada. E agora está todo mundo nas suas bolhas. Mas nós buscamos essas bolhas. O Facebook só está dando certo porque a gente quis a bolha: estávamos muito sobrecarregados”, diz Fontanella.</p>
<p>Com os eleitores saturados de informações e com uma visão negativa da política, as redes sociais se tornaram um refúgio seguro. “A gente tem que lembrar que a maioria dos eleitores não gosta de eleições: a direção que fazem em direção ao Facebook e ao WhatsApp vem de valorizar uma versão mais simplificada da vida mesmo. De alguém que faça essa curadoria, que dê esse raciocínio mastigadinho”.</p>
<p>“A política não é o centro da vida das pessoas. Neste ambiente eleitoral, a gente é levado a pensar isso, mas na verdade a gente busca conforto: a gente mergulha na bolha e ela reforça nossa visão de mundo. A crise parece ser causada pelas redes sociais, mas a crise não é causada pelas redes sociais, mas pelo desinteresse que as pessoas têm em política”, completa.</p>
<p>Fontanella lembra que havia a expectativa em como se daria esta eleição no Brasil, após as polêmicas campanhas de Donald Trump, no Estados Unidos, e o Brexit, no Reino Unido. “Eleitoralmente o Brasil estava atrasado, a política tradicional e os políticos tradicionais têm dificuldade em lidar com estratégias mais atuais de comunicação. Eles não entendiam e não investiam nisso. Sempre se confiou muito no horário eleitoral e na militância de rua. Essa eleição veio para consolidar a mudança de foco. A surpresa foi o quanto mudou”, diz.</p></blockquote>
<h2>Rede social oferece proximidade com eleitores</h2>
<p>Um empresário pernambucano de 35 anos &#8211; que preferiu não se identificar para não atrapalhar seu negócio &#8211; contou à Marco Zero Conteúdo que entrou em um grupo de apoio a Bolsonaro no WhatsApp e terminou recebendo mensagens privadas do administrador do grupo, que dizia ser Flávio Bolsonaro, um dos filhos do candidato à presidência, deputado estadual do Rio de Janeiro pelo PSL e o senador mais votado desta eleição.</p>
<p>Flávio teve a conta banida pelo WhatsApp por causa de spam, comportamento que fere as regras de uso do aplicativo. A empresa, que pertence ao Facebook, afirmou que a conduta não teve a ver com a denúncia publicada pela Folha de São Paulo na última quinta (18). Segundo nota enviada à imprensa, o WhatsApp disse que o número de Flávio Bolsonaro foi bloqueado no dia 11. O desbloqueio foi feito no dia 14 após pedido de análise.</p>
<p>“Me mandaram um link e eu entrei no grupo para discordar de um ponto, o 13º do Bolsa Família, que Bolsonaro disse que ia acontecer. O grupo era bem tranquilo, não tinha nada agressivo, extremista”, relata o empresário, que enfatiza não ser militante e prezar pelo sigilo do voto.</p>
<p>O que chamou a atenção dele é que, quando ele lançou a crítica no grupo, foi respondido diretamente pelo suposto Flávio no privado, que se encarregou de explicar com mais detalhes a proposta e dizer que a ideia ainda precisaria de uma aprovação. “Ele foi simples e pragmático na resposta. Acredito que a pessoa podia ser um militante ou alguém da campanha de Bolsonaro. Não acho que Flávio teria tempo para isso, ainda mais de responder um nordestino”, avalia o empresário.</p>
<p>Sendo ou não Flávio Bolsonaro, a história é mais uma mostra de como age a campanha em prol do candidato de extrema-direita, que lidera as pesquisas desde o 1º turno.</p>
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		<title>WhatsApp: denúncia contra Bolsonaro evidencia crise de mediação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Oct 2018 23:39:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O WhatsApp virou o centro das atenções neste segundo turno. Reportagem de capa desta quinta-feira (18) da Folha de S. Paulo afirma que empresários pagaram até R$ 12 milhões por disparos de mensagens em massa pelo aplicativo, que também pertence ao Facebook. As mensagens seriam de apoio ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), o mais bem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O WhatsApp virou o centro das atenções neste segundo turno. <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/empresarios-bancam-campanha-contra-o-pt-pelo-whatsapp.shtml" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Reportagem de capa desta quinta-feira (18) da Folha de S. Paulo</a> afirma que empresários pagaram até R$ 12 milhões por disparos de mensagens em massa pelo aplicativo, que também pertence ao Facebook. As mensagens seriam de apoio ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), o mais bem cotado nas pesquisas, e com ataques ao PT, partido de Fernando Haddad. A prática é ilegal, já que empresas não podem fazer doações a candidatos, o que configura o crime de caixa 2 na campanha.</p>
<p>Em resposta ao teor da reportagem, o PDT afirmou que vai entrar com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) questionando o resultado do primeiro turno, alegando fraude eleitoral. “Nós estamos falando aí de 20 a 30 empresários envolvidos nesse esquema. Se prender um, em menos de dez dias a gente vai ter a relação de todos os empresários que estão financiando com caixa dois uma campanha difamatória. A democracia que está em jogo”, disse Haddad hoje, antes de um evento de campanha em São Paulo.</p>
<p>A Folha cita as empresas Quickmobile, a Yacows, Croc Services e SMS Market. A matéria afirma que entre as empresas compradoras dos pacotes para WhatsApp está a Havan, cujo proprietário fez vários vídeos a favor do candidato do PSL.</p>
<p>A reportagem, assinada pela jornalista Patrícia Campos Mello, apurou que os preços variam de R$ 0,08 a R$ 0,12 por disparo de mensagem para a base própria do candidato e de R$ 0,30 a R$ 0,40 quando a base é fornecida pela agência. Segundo a reportagem, as bases de usuários são fornecidas ilegalmente por empresas de cobrança ou por funcionários de empresas telefônicas. As empresas citadas ou negaram fazer os disparos ou afirmaram fazer de acordo com a lei – com base de dados dos candidatos.</p>
<p>Pelas redes sociais, Jair Bolsonaro se defendeu afirmando ao site Antagonista que “eu não tenho controle se tem empresário simpático a mim fazendo isso. Eu sei que fere a legislação. Mas eu não tenho controle, não tenho como saber e tomar providência&#8221;. Bolsonaro foi além, sugerindo uma teoria da conspiração: &#8220;pode ser gente até ligada à esquerda que diz que está comigo para tentar complicar a minha vida me denunciando por abuso de poder econômico&#8221;, disse ao site.</p>
<blockquote>
<h2>O que o WhatsApp pode fazer para conter as fake news?</h2>
<p>Em artigo publicado ontem no<a href="https://www.nytimes.com/2018/10/17/opinion/brazil-election-fake-news-whatsapp.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> jornal norte-americano The New York Times</a>, os pesquisadores Fabrício Benevenuto (UFMG) e Pablo Ortellado (USP) e a jornalista Cristina Tardáguila apontam três sugestões para diminuir o alcance de fake news no WhatsApp.</p>
<p>A <strong>primeira seria restringir as mensagens encaminhadas</strong>. Em todo o mundo, o aplicativo permite que uma mesma mensagem seja encaminhada para até 20 pessoas. Na Índia, depois que a disseminação de rumores causou linchamentos, o WhatsApp restringiu esse número para 5. Os autores do artigo defendem a mesma medida no Brasil.</p>
<p>A <strong>segunda seria restringir as transmissões</strong>. Pelo aplicativo, uma mensagem pode ser enviada para até 256 contatos de uma única vez. Novamente, os autores defendem a limitação deste número, já que “isso significa que um pequeno grupo coordenado pode facilmente conduzir uma campanha de desinformação em grande escala”.</p>
<p>A <strong>terceira seria limitar o tamanho dos grupos de WhatsApp neste tempo que falta até as eleições</strong>, sem afetar grupos já existentes. Os três autores contectaram o WhatsApp que respondeu afirmando que não haveria tempo hábil para implantar essas medidas. “Nós não concordamos: na Índia, levou apenas poucos dias para que o WhatsApp fizesse esses ajustes. O mesmo é possível no Brasil”, dizem Benevenuto, Ortellado e Tardáguila.</p></blockquote>
<p>O alto nível de engajamento e a propagação de conteúdos de extrema-direita no WhatsApp já evidenciavam que dificilmente esses resultados estariam sendo alcançados apenas de forma orgânica. Os novos fatos mostram que, ao contrário do que se pensou quando a eleição começou a ser desenhada, há muito dinheiro envolvido na propagação de conteúdo incendiário plataforma de troca de mensagens instantâneas mais usada do Brasil.</p>
<p>Mas que poder é esse que o WhatsApp tem sobre a disseminação de informação? E por que os brasileiros são tão contaminados a compartilhar conteúdo sem checar? Na visão do doutorando em comunicação e pesquisador do MediaLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Paulo Faltay, <strong>a arquitetura do WhatsApp favorece esse tipo de desresponsabilização da informação</strong> que é passada adiante.</p>
<p>Além disso, boa parte do conteúdo que circula sem qualquer freio (ou com poucos) tem uma dimensão mais afetiva do que racional. São conteúdos de denúncias, explosivos, polêmicos, que terminam reforçando ainda mais a polarização e o conteúdo incendiário.</p>
<p>“O que está acontecendo é uma reconfiguração do que são os discursos públicos e privados e da circulação do debate político. Isso impõe uma grande crise de mediação, mais do que de representatividade, tanto do sistema político quanto da imprensa. As pessoas não acreditam mais na política institucional estabelecida e também não creem mais na imprensa. E aí existe um certo tipo de sedução de encontrar outras formas de mediação desse debate público”, analisa Faltay.</p>
<p>“A campanha de Bolsonaro foi muito boa em refutar a imprensa. Conseguiram criar um cordão de isolamento: o que é contra é sempre mentira da imprensa. Eles precisam minar as outras fontes de informação que podem ir contra o disparo do que é divulgado”, complementa.</p>
<p>O pesquisador acredita que, apesar da “tempestade perfeita” para se ter no Brasil um candidato como Bolsonaro, aparentemente a extrema direita conseguiu criar uma metodologia digital (assim como Steve Bannon, estrategista da campanha de Donald Trump) usando plataformas para tentar minar a democracia liberal e as instituições de representatividade de mediação.</p>
<p>Mas ainda assim, Faltay não acha que o WhatsApp é determinante para decidir a eleição, uma vez que, como há a dimensão da dúvida, as informações são corroboradas ou refutadas por outras redes de confiança e proximidade das pessoas, seja online ou offline, como a igreja, a escola, a família, o trabalho, os vizinhos. Ele acha que o papel do WhatsApp está sendo superdimensinado.</p>
<p>“Não teríamos essa campanha se não fosse o WhatsApp, mas ele não é determinante. A campanha de Bolsonaro teve, ao que tudo indica, uma enxurrada de <em>fake news</em> de cunho homofóbico e moralista, e teve também, ao mesmo tempo, as igrejas evangélicas reafirmando esse tipo de informação”, exemplifica.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/whatsapp-denuncia-contra-bolsonaro-evidencia-crise-de-mediacao/">WhatsApp: denúncia contra Bolsonaro evidencia crise de mediação</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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