Ao falar sobre Rio Capibaribe, Geraldo ignora projeto de Eduardo Campos que não saiu do papel

0

naoebemassimSite“A gente, infelizmente, o encontrou (o rio Capibaribe) esquecido e abandonado. Chamamos a universidade, as comunidades, desenvolvemos um grande projeto chamado Parque Capibaribe, que vai fazer moradia para as pessoas que moram nas áreas ribeirinhas e cuidar dos 30 quilômetros de rio que a gente tem cortando a nossa cidade”, Geraldo Julio em entrevista à Folha de Pernambuco no dia 15 de outubro.

A campanha de Geraldo Julio fez, sábado (15/10), uma grande mobilização em torno do Capibaribe. Um dos principais símbolos da cidade, até agora o rio não tinha tido protagonismo na disputa eleitoral. Entre gravações de imagens para a propaganda na TV e entrevistas para os jornais, Geraldo trouxe o assunto para o debate ao afirmar que o rio estava esquecido e abandonado, fazendo uma crítica indireta às gestões anteriores (leia-se aos 12 anos do PT à frente da Prefeitura).

O Truco Eleições 2016 – projeto de fact-checking da Agência Pública em parceria com a Marco Zero Conteúdo em Recife – checou a declaração de Geraldo Julio e concluiu que ela está distorcida. Por tanto, recebe a carta “Não é bem assim”.

Ao afirmar que “encontrou o rio esquecido e abandonado”, Geraldo omite um dado importante: a situação do Capibaribe estaria bem melhor se o projeto “Rios da Gente” tivesse saído do papel. Lançado em maio de 2012 pelo então governador Eduardo Campos (PSB), o “Rios da Gente” previa dois ramais de navegação. O primeiro, com 11 km, ligaria o Centro do Recife à Zona Oeste. O segundo, com 2,9 km, iria do Centro até as imediações do Shopping Tacaruna.

Nas duas rotas funcionaria um modal de transporte público com 13 embarcações, que atenderia algo em torno de 335 mil passageiros por mês. O projeto chegou a ser iniciado, com a drenagem de cerca de 80% do leito do rio, e deveria ter sido concluído para a Copa do Mundo de 2014. Atualmente, as obras estão abandonadas.

Durante a campanha eleitoral de 2012, no documento “Um novo Recife – Programa de Governo da Frente Popular do Recife (2013 – 2016), na parte em que trata do “Transporte e mobilidade urbana”, o então candidato Geraldo Julio foi categórico ao vincular sua futura gestão ao projeto “Rio da Gente”.

O programa é bem claro ao dizer que a Prefeitura iria “garantir a execução do programa de navegabilidade do Capibaribe, lançado pelo governo de Pernambuco, através de ações de competência da prefeitura como a remoção de palafitas, a recuperação das margens do rio, saneamento ambiental e reurbanização de áreas degradadas”. Geraldo ainda citava a importância da ação para a atividade econômica da cidade. “Além de uma opção para a mobilidade, cria-se assim um importante veículo para a promoção do turismo, a partir das estações integradas ao sistema de transporte público de passageiros da RMR”.

Com relação às obras relacionadas ao Rio Capibaribe, prometidas no Plano de Governo de 2012, a atual gestão só pode contabilizar a construção do Jardim do Baobá, inaugurado há pouco mais de um mês. Mesmo assim, o parque de 2,2 mil metros quadrados (o primeiro trecho do Parque Capibaribe) foi um projeto do InCiti, grupo de pesquisa e inovação para cidades ligado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Além disso, os recursos investidos no projeto (cerca de R$ 1 milhão) vieram do Hospital Português do Recife, como contrapartida de obras de impacto ambiental.

Quanto ao Projeto Parque do Capibaribe – embora Geraldo fale de forma simplificada e deixando a entender que os resultados serão mais imediatos – de fato há um convênio da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) com o InCiti/UFPE. Segundo o site do próprio InCiti, o Recife completa 500 anos. Com 30 quilômetros de extensão e uma abrangência territorial de 7.250 hectares, o projeto atingirá cerca de 400 mil pessoas. Prevê ainda um aumento da área verde pública da cidade de 1,2 metros quadrados por habitante (2014) para 20 metros quadrados por habitante (2037).

Compartilhe:

Sobre o autor

Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, trabalhou no Diario de Pernambuco entre 1998 e 2014. Começou a carreira como repórter da editoria de Esportes onde, em 2002, passou a ser editor-assistente. Ocupou ainda os cargos de editor-executivo (2007 a 2014) e de editor de Política (2004 a 2007). Em 2011 concluiu o curso Master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais, vinculado à Universidade de Navarra. Venceu o Prêmio Cristina Tavares de Jornalismo (2005), o Prêmio Caixa de Jornalismo Social (2006) e foi finalista do Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo (2004/2005) e do Prêmio Embratel de Jornalismo (2007).

Deixe um comentário