Geraldo Julio erra ao falar sobre gastos com cargos comissionados

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blefePeq“Olha, eu tenho uma estrutura de liderança na Prefeitura, né, que é uma organização que tem mais de 30 mil trabalhadores, que cuida de uma série de ações na cidade inteira, né. A gente tem que cuidar das ruas, da iluminação, da saúde, a gente tem que cuidar de tudo que vai acontecendo na cidade todos os dias. […] A gente gasta 1% com a estrutura de liderança da Prefeitura”, Geraldo Julio em entrevista à Rádio Jornal no dia 26 de outubro.

A declaração de Geraldo Julio é uma resposta à pergunta feita durante sabatina com os candidatos a prefeito do Recife na Rádio Jornal. Ao falar sobre gestão, a jornalista Maria Luiza Borges fez o seguinte questionamento: “Com relação a corte de gastos, a Prefeitura do Recife ainda mantém uma estrutura, comparativamente com outras Prefeituras de porte semelhante, como Fortaleza, Porto Alegre, é uma Prefeitura que alguns consideram ainda inchada. Mas o senhor não fala em reduzir secretarias, em diminuir cargos comissionados. Não há uma certa incoerência com relação ao discurso de corte de gastos?”

Dentro deste contexto, levando em consideração o que foi perguntado pela jornalista e o que foi respondido pelo candidato, a equipe do Truco Eleições 2016 – projeto de fact-checking da Agência Pública, no Recife feito em parceria com a Marco Zero Conteúdo – consultou o Portal da Transparência do Recife e considerou a declaração de Geraldo Julio errada. Portanto, ele recebe a carta “Blefe”.

Ao abordar a estrutura da Prefeitura, a pergunta referia-se claramente ao tamanho do secretariado e ao gasto com cargos comissionados. Ao responder, Geraldo Julio evitou empregar o termo “comissionado” e, em seu lugar, usou “lideranças”. O Truco foi ao Portal da Transparência do Recife e checou quanto representa percentualmente o gasto com “gratificações para cargos comissionados e funções gratificadas” (é assim que esse tipo de gasto está especificado no Relatório de Despesas Totais do Recife).

Em 2015, o gasto com as gratificações para cargos comissionados e funções gratificadas, as chamadas “lideranças”, ficaram em torno de R$ 103,8 milhões. Já as despesas com “Pessoal e Encargos Sociais” fecharam o ano em R$ 2,04 bilhões. Ou seja, o gasto com comissionados representou 5,1% da folha de pagamento da Prefeitura. Bem mais do que o apontado por Geraldo.

Quando este mesmo cálculo é feito em relação a Receita Total da Prefeitura do Recife em 2015 (R$ 4,05 bilhões), os gastos com “gratificações para cargos comissionados e funções gratificadas” caem para 2,56%. Mesmo assim, um número ainda muito acima do 1% dito na entrevista.

Ao levar em consideração a série histórica de gastos com cargos comissionados e funções gratificadas fica claro que este tipo de despesa cresceu na atual gestão, como mostra a tabela:

comissionadoxfolha

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Sobre o autor

Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, trabalhou no Diario de Pernambuco entre 1998 e 2014. Começou a carreira como repórter da editoria de Esportes onde, em 2002, passou a ser editor-assistente. Ocupou ainda os cargos de editor-executivo (2007 a 2014) e de editor de Política (2004 a 2007). Em 2011 concluiu o curso Master em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais, vinculado à Universidade de Navarra. Venceu o Prêmio Cristina Tavares de Jornalismo (2005), o Prêmio Caixa de Jornalismo Social (2006) e foi finalista do Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo (2004/2005) e do Prêmio Embratel de Jornalismo (2007).

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