Rodrigo Maia ameniza escândalo do PSL e articula apoio à reforma da Previdência em Pernambuco

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Enquanto os desentendimentos internos desgastam o governo Bolsonaro, é o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) que tem assumido o papel de articulador da reforma da Previdência. Em sua segunda visita a Pernambuco neste ano, o político se reuniu com o governador Paulo Câmara (PSB), na noite da última quinta-feira (14), para pedir o apoio do gestor em favor das mudanças. Um pouco antes do parlamentar chegar ao Palácio do Campo das Princesas, o Governo Federal havia divulgado que o texto da reforma trará idade mínima para aposentadorias de 65 anos para homens e 62 para mulheres, mas os detalhes da proposta só serão conhecidos no próximo dia 20.

Na rápida passagem por Pernambuco – chegou por volta das 18h e voltou para Brasília às 22h30 – Maia comentou o escândalo envolvendo candidatos laranjas do PSL em Pernambuco, partido do presidente Bolsonaro. Ele amenizou as denúncias do suposto esquema, que envolve o nome do presidente do PSL e atual 2º vice-presidente da Câmara, Luciano Bivar.

A história veio à tona em matéria da Folha de S. Paulo. O jornal apurou o direcionamento de R$ 400 mil à candidata Lourdes Paixão nas eleições de 2018. Foi o terceiro maior volume de recursos concedido pelo PSL no país, embora a candidata tenha obtido apenas 274 votos.

Questionado, Maia disse que procura não “pré-julgar ninguém”. Atenuou o teor das denúncias, que desencadearam uma crise no governo recém-eleito, dizendo que a regra vigente, que determina uma cota de 30% de candidaturas femininas nos partidos, pode ter causado a “impressão de que houve outra finalidade do recurso que não a campanha eleitoral”. “Como foi uma decisão de última hora, que ninguém estava preparado – foi depois do prazo de filiação, muitos podem ter alocado muitos recursos em uma candidata que teve pouco votos”, disse.

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A cota de participação feminina também foi criticada pelo pernambucano Luciano Bivar, que é apontado pela Folha de S. Paulo como o criador das candidaturas laranjas em Pernambuco. Em entrevista ao jornal, o dirigente do partido, que até agora passa incólume à crise no governo do PSL, chegou a dizer que o problema era a “falta de vocação das mulheres para a política”.

De forma concreta, a maior consequência das denúncias de candidatos laranjas do PSL até agora foi o embate entre o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno (PSL), e o filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL). Bebianno era presidente do PSL na eleição passada, com o afastamento provisório de Bivar do cargo. Depois que o escândalo veio à tona, criou-se uma expectativa de sua saída do governo. O ministro negou rumores de seu afastamento dizendo que tinha conversado com o presidente a respeito, mas foi desautorizado por Carlos Bolsonaro, filho do chefe do Executivo, que o chamou de mentiroso pelo Twitter.

Bebianno, que é próximo de Maia e, segundo o presidente da Câmara, “tem muita condição de ajudar, não apenas na Previdência, mas na articulação do governo”, continua no cargo até agora. Rodrigo Maia negou que uma possível saída do ministro possa prejudicar a votação da reforma da Previdência, que seria votada apenas a partir de meados de maio. Por outro lado, ele deixou o recado para Bolsonaro dizendo que  “interferências familiares geram insegurança”.

“Com o retorno do presidente a Brasília, ele vai organizar bem a sua articulação política”, comentou. Apesar do claro apoio à permanência do ministro, Maia disse que não cabe a ele decidir a questão. E defendeu seu território. “Ou a gente mantém uma relação respeitosa, mas independente dos poderes, ou amanhã ele (o presidente) vai querer também interferir na Câmara dos Deputados”.

Reforma da Previdência

A reunião de Rodrigo Maia com o governador Paulo Câmara (PSB) aconteceu a portas fechadas, no Palácio do Campo das Princesas. O encontro foi acompanhado pelos deputados Silvio Costa Filho (PRB), Fernando Monteiro (PP) e Augusto Coutinho (SD).

O PSB não abraçou a candidatura de Maia à reeleição da Câmara, devido à aproximação do candidato do DEM ao PSL, contrariando a posição de Paulo Câmara, que queria apoiar o parlamentar. Câmara não falou com a imprensa sobre a conversa desta quinta-feira.

Antes de desembarcar em Pernambuco, Maia, que está em cruzada pelos estados para evangelizar os governadores em relação à reforma da Previdência, já tinha conversado com o governador do Piauí, Wellington Dias. Mas “foi como pregar para convertido”, confessou o assessor do parlamentar, porque embora o governador piauiense seja do PT, ele se mostrou bem aberto à proposta do governo Bolsonaro.

Para convencer os gestores, Maia é enfático. “Se nada for feito, 19 dos 27 estados ficarão sem condições de pagar seus servidores até 2022”, disse. Ele também estaria oferecendo contrapartidas em troca do apoio. No “toma lá, dá cá” estaria a aprovação do projeto de securitização da dívida ativa, que tramita no Plenário. O texto permite à União, estados, Distrito Federal e municípios ceder direitos de dívidas ao setor privado, antecipando receitas.

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Sobre o autor

Mariama Correia trabalhou por mais de três anos como repórter do caderno de Economia da Folha de Pernambuco. Antes disso, adquiriu ampla experiência atuando como freelancer e em assessorias de imprensa. Tem cursos nas áreas de jornalismo de dados (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), fact-checking e mídias digitais (Kings Brighton).

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