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	<title>Arquivos Diversidade - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos Diversidade - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;A fala pública de mulheres políticas não precisa caber no modelo da fala masculina&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 23:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[fala pública]]></category>
		<category><![CDATA[Juliana Romão]]></category>
		<category><![CDATA[linguagem e poder]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
		<category><![CDATA[participação feminina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por que é tão mais difícil para as mulheres falar em público? Em seu primeiro livro, A linguagem das mulheres políticas: desmecanizar o pensamento é emancipar a fala pública, da Editora Appris, a jornalista Juliana Romão fala sobre como o modelo de fala pública vigente na política é feito por e para homens. E é [&#8230;]</p>
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<p>Por que é tão mais difícil para as mulheres falar em público? Em seu primeiro livro, <em>A linguagem das mulheres políticas: desmecanizar o pensamento é emancipar a fala pública</em>, da Editora Appris, a jornalista Juliana Romão fala sobre como o modelo de fala pública vigente na política é feito por e para homens. E é elitizado e conservador. “Importa o que está sendo dito e como, mas na valoração social o elemento definidor é quem está dizendo. A cor da pele, o gênero e o CEP são marcadores estruturantes das desigualdades e definem igualmente o grau de audiência à fala e à expressão”, disse a autora, em entrevista para a Marco Zero.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:43% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="648" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro-648x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-76383 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro-648x1024.jpeg 648w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro-190x300.jpeg 190w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro-768x1214.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro-972x1536.jpeg 972w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro-150x237.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/a-linguagem-das-mulheres-livro.jpeg 1012w" sizes="(max-width: 648px) 100vw, 648px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>No livro, que será lançado nesta quinta-feira, às 19h, na Livraria do Jardim, Juliana defende que mulheres não precisam aprender a caber no molde da fala masculina, mas “desmecanizar” o pensamento: pensar sobre o próprio pensar antes de pensar no microfone. Cursos de oratória e <em>media training</em> capacitam a caber no modelo tradicional de fala. Romão não os descarta, e diz que são ferramentas importantes de letramento ao jogo midiático, mas argumenta que, quando despolitizados, como ocorre na maioria deles, reforçam um cânone estereotipado e esvaziam a força do discurso.</p>



<p>Mestra em comunicação pela Universidade de Brasília (UnB), Juliana Romão é assessora especial no Ministério da Igualdade Racial, professora universitária e há anos assessora discursos de candidatas, parlamentares e movimentos de mulheres. Nesta entrevista, ela fala sobre o que trava a mudança linguística no Brasil e sobre o tribunal das redes, mas avisa que não existe perfil prévio adequado: a boa oradora nunca é, até que seja.</p>
</div></div>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;A boa oradora nunca é, até que seja&#8221;</h2>



<p>Marco Zero &#8211; <strong>Você conta que apresentou um projeto de pesquisa sobre dominação masculina na linguagem e ouviu que o tema não frutificaria. O livro nasce dessa recusa?</strong></p>



<p><strong>Juliana Romão</strong> &#8211; Não exatamente. Olhando pelo retrovisor, essa recusa foi um significativo marco desmotivador, que talvez, por um tempo, tenha me feito achar que tudo o que eu enxergava era mais individual, “coisa minha”. Mas o interesse pelos fascínios da linguagem e de como ela está entranhada nas relações sociais e políticas sempre foi muito genuíno, então não parei de me misturar com o tema, estudando, refletindo, praticando.</p>



<p>Importa o que está sendo dito e como, mas na valoração social o elemento definidor é quem está dizendo. A cor da pele, o gênero e o CEP são marcadores estruturantes das desigualdades e definem igualmente o grau de audiência à fala e à expressão.</p>



<p>Levantei muitos debates sobre o tema em sala de aula, escrevi diversos artigos que sempre trouxeram perspectivas desse debate sobre poder, linguagem e gênero. As diversas funções na minha atuação profissional estiveram umbilicalmente marcadas por essas lentes. Nesse percurso, me aproximei também das mulheres da política institucional e passei a atuar na gestão de narrativas e articulação política. De maneira muito natural, a conexão entre os desafios da fala pública dessas mulheres diversas na política e as violências e as barreiras de acesso ao poder fizeram muito sentido e provaram que nunca foi uma questão individual, e sim um fenômeno coletivo.</p>



<p>Desenvolvi uma formação para fala pública de mulheres com a proposta de pensar a própria narrativa tendo referências da linguística, da política, da filosofia, do jornalismo, dos feminismos, das artes e da vida vivida. Não mais apenas pelos moldes pré-formatados de cursos de oratória, que se mostram sim importantes, mas depois da segunda página não são suficientes para dar conta das demandas ao mesmo tempo singulares, de cada potencialidade e trajetória, e coletivas.</p>



<p>O livro nasce de todos esses acúmulos, ficaram mais estruturados com a formação.</p>



<p>“<strong>A linguagem das mulheres políticas” se dirige a candidatas, eleitas, professoras, assessoras, jornalistas, ativistas. O que essas mulheres têm em comum quando pegam o microfone?</strong></p>



<p>Todas as mulheres são desafiadas na fala pública. Todas. A curta experimentação feminina na aparição pública com protagonismo não é de A ou B ou C, mas comum ao gênero, consequência da histórica dominação masculina na expressão do mundo. Ainda que as mulheres estejam cada vez mais presentes e atuantes, o déficit de tempo longe do púlpito é grande e simbólico.</p>



<p>Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Clarice mostrou que “saúde”, “educação” e “família” são os lugares vistos como naturais para elas. Já a “ciência e tecnologia”, “negócios” são espaços onde ainda parece estranho vê-las, sendo o grau máximo a “política”.</p>



<p>Por isso digo no livro que as mulheres falam com um canivete do julgamento mirando a jugular e isso as afeta diretamente, mas não é sobre elas, pessoalmente, tem relação com o que todas estão tentando desafiar, é sobre o padrão que não ‘pode’ ser desfeito.</p>



<p>E, nesse sentido, sem dúvida as mulheres plurais da política institucional sofrem desafios extras, uma vez que o discurso público é matéria prima da sua atuação. É comum falarmos que dar voz às pessoas, mas não é exatamente sobre ter voz, e sim sobre ter uma voz audível, respeitada.</p>



<p><strong>Você diz no livro que para cada especialista em redes sociais deveria haver uma especialista em vida real. O que se perde quando o discurso é construído pensando apenas na repercussão online?</strong></p>



<p>De cara, perde autenticidade e a rica dimensão de modulação discursiva desenvolvida com a troca, a partir da conexão que ocorre quando os olhos se cruzam. Não há edição que alcance o calor do abraço, a energia extraordinária da presença.</p>



<p>Agora, é indiscutível que a mensagem narrada nas redes, recortada e visibilizada em audiovisual, é a mais consistente estratégia de massificação discursiva do nosso tempo. Não integrar a virtualidade nem é mais uma opção viável para quem precisa se comunicar publicamente, então o desafio é movimentar-se bem e conscientemente na maré. Refletir, a partir da prática, sobre como atuar com segurança, estratégia e personalidade. Sem ingenuidade.</p>



<p>A fala que repercute nas redes, então, será tão ou mais potente quanto mais corresponder, em alguma medida, à vida de carne e osso, desenquadrada de uma tela. O efeito do virtual pode ser conduzido não para substituir quem somos, mas para alargar a performance, expandir e espalhar a mensagem que conduzimos.</p>



<p><strong>As redes sociais adicionaram uma camada nova ao receio das mulheres diante da fala pública? Nesses espaços, elas são julgadas mais que os homens e por fatores que extrapolam suas qualificações, como o corpo, a roupa, a aparência física. Isso muda o cálculo que uma mulher faz antes de se expor?</strong></p>



<p>As redes virtuais têm a capacidade de massificar ainda mais os discursos, que ganham contornos extraordinariamente mais vastos e complexos do que já era um sintoma com o advento da TV, quando a fala para grandes multidões presentes passou a ser feita para multidões ausentes; quando a imagem passou a ser tão o mais importante do que o conteúdo discursado.</p>



<p>Esse julgamento já existia na fala do púlpito, mas era exercido por menos pessoas. O tribunal das redes é mais violento e repetível, podendo ganhar escala, então sem dúvida essa camada muda o cálculo que se faz ao compor mensagens nas redes. Um cálculo que deve compor a estratégia comunicativa, não para paralisar, mas como medida de proteção e consciência, inclusive sobre as formas de denúncia e uso do ferramental jurídico para coibir práticas violentas e discriminatórias. Com firmeza e sem ingenuidade.</p>



<p><strong>No capítulo &#8220;Quem pode falar&#8221;, você retoma a <a href="https://medium.com/@fabi2moraes/falar-de-falar-sobre-falar-com-3b9e6ddb85a1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">distinção de Fabiana Moraes </a> entre falar “de” e falar “por”. Como manter a legitimidade de quem vive a experiência sem que isso restrinja os temas que uma pessoa pode abordar</strong>?</p>



<p>A legitimidade da experiência de quem vive é intransferível e inalienável. Mas não é a única perspectiva, inclusive pessoas que vivem realidades semelhantes podem ter visões distintas ou não. Essa dimensão de validação das abordagens exige um amadurecimento mesmo quanto aos caminhos para avançarmos.</p>



<p>Olhares distintos, vistos de perto, de longe ou de qualquer ângulo, enriquecem o debate, possibilitando o acesso a enquadramentos diversos do mesmo objeto, que de tão complexo são vários, com múltiplas interpretações. Nenhum deles é ilegítimo a priori. Eles vão ser primários, secundários, perspectivados, enviesados.</p>



<p>E tem algo importante também, tanto os discursos potentes quanto os vazios ou oportunistas podem ser identificados por quem escuta. Não devemos subestimar a capacidade interpretativa das pessoas e suas trajetórias.</p>



<p><strong>Você é professora, dá palestras, assessorou discursos de candidatas e parlamentares. O que desse método testou primeiro em si mesma e qual é a recomendação mais difícil de colocar em prática?</strong></p>



<p>Sem dúvida mirei em mim primeiro. Mas não como um teste de um método externo, ao contrário, a escuta e reflexão interna quanto às minhas inseguranças, potências, dúvidas e habilidades me mostrou o caminho para desenvolver uma proposta de formação alicerçada nas minhas pesquisas, estudos e práticas.</p>



<p>No livro deixo muito cristalino que não me considero uma exímia oradora e nem o objetivo é formar exímias oradoras. O projeto é dar suporte para comunicar melhor o que pretendemos, com troca, verdade e adubo para crescermos neste movimento superlativo que é pôr em comum.</p>



<p>Não existe um jeito “certo” de fazer, uma receita infalível à venda na Shopee. Então a proposta é também sobre libertação, de não precisar seguir um padrão. Não há perfil prévio adequado; a boa oradora nunca é, até que seja.</p>



<p><strong>Apesar do livro não ser exatamente um manual, há várias recomendações para quando uma mulher for falar em público: chegar cedo ao evento, não ficar no celular durante as demais falas, levar anotações impressas. Uma das recomendações mais específicas do livro é nunca abrir uma fala dizendo que está nervosa. Por quê?</strong></p>



<p>Sim, há recomendações muito abertas. Não faz muito sentido pra mim as normas imperativas que dizem como fazer. É como pensar nas risíveis roupas tamanho único. Elas, ao final, não cabem em ninguém.</p>



<p>Mas sobre a recomendação de verbalizar o nervosismo, eu trouxe esse ponto pois é um recurso muito comum e um genuíno movimento por empatia. Não há nada errado com isso especificamente, contudo, é importante que saibamos que ao mencionar essa condição, é bem provável que ela seja acionada na cabeça de muita gente uma “confirmação” da imagem estereotipada de inexperiência ou de inabilidade, comumente associadas às mulheres quando discursam. Será erguida uma impressão ou barreira que tende reduzir o que virá depois.</p>



<p>Então, se possível, segura essa informação, jajá o nervosismo vai passar. Em 30 segundos após o começo da fala, mergulho na água gelada ficará mais agradável e até prazeroso. Deixemos o frio na barriga vir, o coração acelerar; costumo dizer que ambos são manifestações de vida e homenagem. É o nosso corpo em perfeita sintonia com o momento presente.</p>



<p><strong>Do Chile ao México, mulheres estão exigindo o feminino no nome do cargo. No Brasil, o pedido de Dilma Rousseff para ser chamada &#8220;presidenta&#8221; foi recusado, mesmo havendo uma lei de 1956 que determina a flexão em cargos públicos. Por que aqui isso trava?</strong></p>



<p>De maneira macro, esse assunto revela a violenta desigualdade de distribuição de poder e de espaços de decisão. A dificuldade das mulheres, especialmente as diversas, alçarem espaços de poder aumenta exponencialmente na medida em que os cargos ficam mais “altos”. Temos pouquíssimas mulheres presidentas no mundo, de modo que o imaginário demora a assimilá-las no poderosíssimo lugar de líder de uma nação. O mesmo vale para a língua, que se move orientada pelas necessidades de uso social. Como ainda são poucas as mulheres presidentas, a engrenagem linguística não tem forças para se impor, e o uso da palavra no feminino sofre rejeição, parece incorreção e soa estranha e desnecessária.</p>



<p>Revela também que as transformações estão em curso, mas são lentas, não lineares e nem sem tensão. No Brasil, elegemos nossa primeira e até agora única presidenta, Dilma Rousseff, 14 anos antes do México, contudo, não apenas Dilma foi retirada do poder por sua agenda e condição de gênero, como os mecanismos de política para uma &#8216;cota forte&#8217; sofreram e sofrem resistência contínua dos parlamentos.</p>



<p>No Brasil, as mudanças combinadas, que possam se dar ao mesmo tempo, sofrem barreiras mais consistentes e isso trava tudo mais visivelmente. Digo isso pois o caminho é conhecido, mas pouco aplicado. É necessário uma legislação inequivocamente orientada à mudança cultural, que favoreça a equidade de gênero e raça na política; também precisamos de uma corte firme, capaz de fazer cumprir as normas; além de estruturas partidárias mais democráticas e a forte atuação dos movimentos de mulheres. E uma ação linguística também: é preciso empurrar a engrenagem da língua para incluir e visibilizar as mulheres em sua pluralidade, como ocorreu no caso da Câmara do Chile. E torná-las cada vez mais conscientes da própria capacidade de expressão.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Serviço</span>

		<p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal" dir="ltr">Lançamento de <em>A linguagem das mulheres políticas: desmecanizar o pensamento é emancipar a fala pública</em>, de Juliana Romão (Editora Appris), com bate-papo com a autora e a professora da UFPE Ana Veloso, prefaciadora do livro<br />
<strong>Quando:</strong> Quinta-feira, 6 de agosto, às 19h<br />
<strong>Onde:</strong> Livraria do Jardim — Av. Manoel Borba, 292, Boa Vista, Recife<br />
<strong>Quanto:</strong> Entrada gratuita. O livro custa R$ 55</p>
	</div>
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		<title>Aos 80 anos, pescador que virou artesão reproduz barcos em miniatura no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 19:19:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[artesão]]></category>
		<category><![CDATA[barcos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasília Teimosa]]></category>
		<category><![CDATA[fenearte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Todas as manhãs, o pescador aposentado Rosiélio Pereira de Paula, 80 anos, trabalha na sede da Colônia de Pescadores Z1, em Brasília Teimosa, Zona Sul do Recife. Mesmo aos domingos e feriados, fica até umas 11h em uma salinha sem lâmpadas perto do estacionamento. Ali, ninguém o chama por outro nome que não seja Carpinteiro. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todas as manhãs, o pescador aposentado Rosiélio Pereira de Paula, 80 anos, trabalha na sede da Colônia de Pescadores Z1, em Brasília Teimosa, Zona Sul do Recife. Mesmo aos domingos e feriados, fica até umas 11h em uma salinha sem lâmpadas perto do estacionamento. Ali, ninguém o chama por outro nome que não seja Carpinteiro. Por muitos anos, construiu barcos que iam para o alto mar atrás de cavalas, ciobas, arabaianas, sirigados. Hoje, os barcos que faz são de decoração: jangadas, navios, lagosteiros, escunas, tudo em tamanho diminuto. Usa lixadeira e serra, mas o grosso do trabalho é feito “na pontinha da faca”, ou seja, à mão.</p>



<p>As peças impressionam. Carpinteiro faz tudo no seu tempo, caprichando em buscar na memória as cores e formas originais. São peças cheias de pequenos detalhes, como portinhas que se abrem no navio de cruzeiro com piscina. “Eu tenho um dom que Deus me deu: eu vi esse navio passar no cais do Porto do Recife. Eu estava lá quando ele entrou, aí eu olhei para ele e disse &#8216;vou fazer um igual'&#8221;, conta, sobre a memória fotográfica que o faz reproduzir os barcos em escala reduzida.</p>



<p>A boa memória vem desde os tempos de pescaria. “O pescador tem uma cabeça que vai além do GPS. Porque o GPS marca um lugar e às vezes você perde o GPS. E se o pescador botou cem covos (armadilhas de pesca) em um lugar no mar, ele encontra os cem, só marcando pela posição na terra”, diz ele, que começou a pescar ainda criança, no Rio Grande do Norte.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Rosiélio reproduz de memória os barcos que já viu no mar, como esta escuna
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<p>&#8220;Meu pai fazia barcos, mas eu só queria pescar. Eu vivia na beira da praia, eu via os peixes, o povo chegando do mar, eu me animei para aquilo. Eu quis ser pescador, aí fui pescar”, lembra. Foi se acostumando aos pouquinhos com o balanço do mar e dominando os fortes enjoos das primeiras idas.</p>



<p>Na fase mais intensa da vida na pesca, chegava a passar 12 dias direto no mar, em barcos de 12 metros com seis pessoas. Mal dormia. &#8220;Você não sai para o mar para dormir. A gente chama, “bora para a dormida”. Ali só é para acomodar o corpo, só para descansar, para começar de novo, tirar um cochilo. Mas dormir mesmo, você só dorme em casa”, diz.</p>



<p>Carpinteiro amava a independência da vida de pescador, confiando apenas na própria habilidade para o seu sustento. &#8220;Para ser pescador não precisa de gravata, nem terno, nem sapato. É só ele botar um calçado, uma camisa, uma faca nos quartos e ir embora trabalhar. A faca é a caneta do pescador&#8221;, afirma. Mas o que Carpinteiro gostava mais da vida no mar era algo bem mais comezinho: a caldeirada que fazia no barco, com peixe fresco. &#8220;Pega o peixinho na hora assim, mata ele e faz aquele pirão. Eu adorava&#8221;, lembra, com água na boca.</p>



<p>Ele perdeu a conta de quantos tubarões viu e também de quantos comeu. Não tem medo, nunca teve. “Se o pescador tivesse medo do tubarão, não tinha pescador no mar”, afirma. Diz que o medo que o pescador artesanal tem no mar é o de navio. De noite ou de dia, é preciso estar atento para não entrar na rota dos navios, altos e gigantescos, e sofrer uma colisão.</p>



<p>Há outra situação de temor que Carpinteiro lembra, mas foi algo entre o medo e o deslumbre: o encontro com uma baleia, a várias milhas da costa do Recife. &#8220;A gente estava em um barco pequeno de oito metros, quatro homens em cima dele. E a gente viu a baleia lá longe: ela veio, veio, chegou perto do barco. Aí ela mergulhou. Chegou mais perto do barco, assim de banda do barco, e então ela subiu, pulou&#8221;, descreve.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Da pesca em alto mar às miniaturas de barcos</h2>



<p>Os barquinhos de decoração não existiriam sem os barcos de verdade. &#8220;Eu comecei a construir embarcação por intermédio do meu pai&#8221;, diz. “Ele tinha o maior prazer de, quando morresse, ter um filho para representar ele. Mas os seis filhos não queriam nem ser pescador nem trabalhar de carpintaria. Lá de casa, o pescador que veio foi só eu mesmo”, conta.</p>



<p>Aprendeu a fazer barco vendo o pai fazer, mas foi só depois que o pai morreu, na casa dos 90 anos, que Carpinteiro seguiu sua segunda vocação. Já estava aposentado pelo INSS e, aos 60 anos, passou a construir embarcações. &#8220;Minha esposa disse: ‘mas rapaz, como é que tu vai fazer barco se tu nunca trabalhou nem de ajudante’, aí eu disse: ‘mas eu vi meu pai fazendo’&#8221;. A primeira embarcação foi para ele próprio: passou mais de 10 anos no mar com ela. Depois, ainda fez 13 embarcações para outros pescadores de Brasília Teimosa e do Pina, algumas com mais de 12 metros de comprimento.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/55372934939_922b6e3ee7_c.jpg" alt="A foto mostra pequenos modelos de jangadas artesanais dispostos sobre uma prateleira. Cada jangada é feita de madeira rústica, com velas triangulares coloridas — branca, verde e amarela — presas por cordas e fios. Os detalhes incluem bancos, mastros e amarras feitos à mão, com fios azuis e brancos enrolados nas estruturas. O fundo é simples, com uma parede bege, destacando o trabalho manual e o cuidado nos detalhes dessas miniaturas." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Jangadas feitas com cabos de vassoura velhos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A idade foi avançando e também não conseguia mais encontrar madeiras como a do mulungu, boa para se fazer jangadas. Um dia estava em casa, olhou um cabo de vassoura e viu que dava para fazer uma pequena jangada com ele. Cortou a madeira, fez as tábuas, o mastro, modelou os bancos. Hoje, raramente compra madeira. Passou a reciclar para fazer seus trabalhos em miniatura. Se alguém tem um armário velho em casa, doa para Carpinteiro fazer um barco. Também segue usando cabos de vassouras velhas.</p>



<p>Uma jangada pequena leva umas três manhãs para ficar pronta. Em um quartinho contíguo ao ateliê, lugar que tem a única lâmpada do imóvel, há uma réplica de um navio lagosteiro. Carpinteiro já pescou em um desses, de verdade, com uns 15 metros de comprimento, que lançava armadilhas entre quatro e dez milhas da costa do Recife. “Tem pedra no mar, tem lagosta”, vaticina. Das lembranças do mar, fez a miniatura do lagosteiro de 1,20 metro, toda detalhada. “Essa grade que ele tem aqui atrás é para carregar os covos para pescar a lagosta&#8221;, explica. O barco tem cabine com portinha que abre e fecha dos dois lados. Está à venda por R$ 1 mil e levou três meses de trabalho para ser feito. As jangadas menores saem por R$ 200.</p>



<p>Apesar do talento, Carpinteiro não pensa em participar da <a href="https://fenearte.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fenearte, a maior feira de artesanato da América Latina,</a> que se encerra neste domingo (19) no Centro de Convenções. Como tudo é feito à mão do começo ao fim, diz que iria levar anos para ter uma quantidade suficientemente boa para participar da feira. Prefere trabalhar do jeito que sempre fez, em terra ou em mar: no seu ritmo, no seu tempo.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/aos-86-anos-funcionario-mais-antigo-da-cepe-recicla-fragmentos-de-papel-fazendo-arte/" class="titulo">Aos 86 anos, funcionário mais antigo da Cepe recicla fragmentos de papel fazendo arte</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/aos-80-anos-pescador-que-virou-artesao-reproduz-barcos-em-miniatura-no-recife/feed/</wfw:commentRss>
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			</item>
		<item>
		<title>Mastectomia no SUS devolve liberdade do banho de mar para pessoas transmasculinas</title>
		<link>https://marcozero.org/mastectomia-no-sus-devolve-liberdade-do-banho-de-mar-para-pessoas-transmasculinas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2026 18:54:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[CISAM]]></category>
		<category><![CDATA[dia do orgulho LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[homens trans]]></category>
		<category><![CDATA[Hospital da Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Hospital das Clínicas]]></category>
		<category><![CDATA[mastectomia]]></category>
		<category><![CDATA[orgulho LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas trans]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tomar um banho de mar livremente pode não ser algo tão fácil para algumas pessoas. A comunidade trans e travesti, ou seja, das pessoas que não se identificam com o sexo atribuído na certidão de nascimento, enfrenta estigmas e preconceitos diariamente e uma simples ida a praia é motivo de medo e insegurança. Isso, no [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tomar um banho de mar livremente pode não ser algo tão fácil para algumas pessoas. A comunidade trans e travesti, ou seja, das pessoas que não se identificam com o sexo atribuído na certidão de nascimento, enfrenta estigmas e preconceitos diariamente e uma simples ida a praia é motivo de medo e insegurança. </p>



<p>Isso, no entanto, está mudando. Homens trans e pessoas transmasculinas têm recorrido cada vez mais ao Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer os tratamentos hormonais e cirurgias necessárias para reafirmar suas identidades, a exemplo da mastectomia bilateral masculinizadora ou mamoplastia masculinizadora  (retirada das mamas) e da histerectomia, nome que se dá à retirada de útero e ovários.</p>



<p>O SUS é um catalisador dessa afirmação e, apesar dos desafios, contribui com a adequação de gênero dessa comunidade. Em Pernambuco, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), vinculado à Universidade de Pernambuco (UPE) e o Hospital da Mulher do Recife realizam acompanhamento ambulatorial e realizam as cirurgias de readequação de gênero. A Policlínica Lessa de Andrade também oferece o atendimento ambulatorial.</p>



<p>Juntos, os três hospitais já realizaram 99 procedimentos de mastectomia. No Hospital das Clínicas (HC), primeiro do estado a oferecer o serviço, desde 2016 foram 54 procedimentos, o Cisam/UPE realizou 21, enquanto no Hospital da Mulher aconteceram 24. Com a chegada da cirurgia no Hospital da Mulher, o acesso ao serviço por parte das pessoas trans atendidas foi acelerado, considerando que a fila foi reduzida. Hoje, o tempo médio de espera na unidade por alguma dessas cirurgias demora de 45 a 60 dias. </p>



<p>“Cada dia que passa é algo muito grandioso. É acordar e se sentir bem, se sentir dentro de você mesmo. Sair sem ter tanto medo, porque é isso que eu sentia quando eu tinha as mamas”, conta o auxiliar de serviços gerais, Jack Mowatt, de 30 anos, que recentemente fez a mastectomia bilateral masculinizadora no Hospital da Mulher do Recife.</p>



<p>Foi possível ver o brilho no olhar de Jack ao contar como o procedimento realizado há pouco mais de dois meses transformou sua vida. Ele foi uma das dez primeiras pessoas trans a passar pelo bloco cirúrgico no Hospital da Mulher, que começou a oferecer o serviço no final de 2025.</p>



<p>Natural de Rio Formoso, na mata sul de Pernambuco, veio morar no Recife aos 12 anos de idade. Desde criança sempre soube quem era, mas só ao chegar na capital e conhecer e dialogar com outros homens trans, pôde compreender melhor sua identidade ainda durante a adolescência.</p>



<p>Os desafios foram muitos e apenas na vida adulta começou o acompanhamento para a readequação de gênero. “Só agora na fase adulta é que eu consegui, de fato, ter essa autonomia, tanto financeira quanto pessoal, para encarar uma terapia, me entender melhor pra chegar nesse processo da transição e da mastectomia também”, afirma.</p>



<p>Jack conta que começou seu acompanhamento no Hospital da Mulher para um tratamento de mioma no ambulatório especializado da unidade. Por causa desses problema de saúde, precisou fazer uma histerectomia e passou a ser atendido pelo serviço de acompanhamento psicológico. O tratamento hormonal veio dois anos depois, culminando com a mastectomia em abril de 2026.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-23-at-11.24.37-1024x683.jpeg" alt="A imagem mostra Jack Mowatt, uma pessoa jovem ajoelhada em uma quadra esportiva coberta, sorrindo amplamente e abrindo os braços em sinal de comemoração. À sua frente, há três troféus metálicos de tamanhos diferentes, todos brilhantes e ornamentados — o maior tem alças curvas e uma tampa com uma pequena figura alada no topo. A pessoa veste um uniforme esportivo preto com detalhes lilás e rosa, e um crachá pendurado no pescoço. No uniforme, há um logotipo circular com o desenho de um felino e algumas palavras parcialmente legíveis. Ao fundo, vê-se arquibancadas com assentos coloridos em amarelo, azul e verde, além de banners com inscrições como “Recife”, “2025” e “Movimento”." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Jack Mowatt passou pela cirurgia de mastectomia em abril de 2026
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo pessoal</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“É como se fosse algo que você não reconhecesse no seu corpo. Algo que incomodasse. Algo que fosse desconfortável em você, como uma mancha, algo assim. E quando você tira aquilo parece que tudo muda. A qualidade de vida diferente, surreal de tudo que eu já tinha sentido. Até quando vestia uma roupa qualquer, quando ia na praia não tirava roupa, não tomava um banho, ficava só era naquele chuveirão e muito mal, e corria logo porque achava que alguém estava olhando parecia uma fobia. Agora estou bem mais relaxado”, reflete.</p>



<p>Agora, Jack segue livre para ser quem é no seu trabalho em uma academia de <em>crossfit</em>, no sonho de realizar a graduação de Educação Física e como jogador no time de futsal Força Trans.</p>



<h2 class="wp-block-heading">“Sempre fui uma pessoa do mar”</h2>



<p>“Passando pra dar notícias para pessoas que amo muito que deu tudo certo com minha mastectomia, estou aqui na recuperação”, esse foi o áudio enviado pelo multiartista e artivista Vyvo Dayo, de 29 anos, poucas horas após sua mastectomia que aconteceu no sábado, 27 de junho, um dia antes do dia do orgulho LGBTIA+. Conversamos com Dayo dois dias antes para entender a expectativa que vivia. </p>



<p>Acompanhado pelo Cisam/UPE, o multiartista não imaginava que sua cirurgia iria ser realizada agora, pois a fila de espera na unidade é longa, por atender a todo o estado. No entanto, acabou conseguindo o procedimento no Hospital da Mulher, unidade que está ajudando a desafogar as filas de espera dos hospitais maiores.</p>



<p>Segurança e saúde são os fatores que mais pesaram para Dayo nos dias de expectativa antes da cirurgia, afinal as pessoas trans e travestis convivem durante anos com o medo de agressões e violações, o que as obriga a usarem mecanismos para disfarçar determinadas características. No caso de quem tem mama, é comum usar fitas e o <em>binder</em>, uma espécie de colete colocado para comprimir os seios. Por este e outros motivos, Dayo vê na mastectomia uma nova possibilidade de viver. E viver com qualidade. </p>



<p>“A minha expectativa para ter uma mastectomia é muito porque quero esse lugar da segurança, da segurança e da saúde. De não estar usando roupas ou fitas prendendo o meu peito, pois depois do uso o mpeito fica cortado. Quantas vezes meu peito fica todo machucado&#8230; às vezes com partes em carne viva, porque eu não consegui me adequar, inclusive ao binder por causa da respiração, já tive falta de ar”, desabafa.</p>



<p>O procedimento pode trazer a segurança necessária para fazer aquilo que, em outro tempo, era parte da rotina. “Sempre que eu tinha um tempinho eu corria ou então até me exercitar na praia, enfim, sempre fui uma pessoa muito do mar, da praia e também uma pessoa de muito de não ter vergonha de mostrar a minha pele, de gostar de roupas curtas. A transição voltada para os corpos, para as identidades da gente, cai muito nisso de não mostrar o seu corpo, por isso transmasculinas usam muito roupas folgadas”, conta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-28-at-08.30.16-768x1024.jpeg" alt="A imagem mostra uma pessoa jovem deitada em uma cama, sorrindo para a câmera em um ambiente de aparência simples e clara. Essa pessoa tem pele clara, cabelo curto e loiro, barba rala e bigode. Está sem camisa e parece relaxada, com expressão tranquila e alegre. Ao lado da cabeça há uma camiseta cinza dobrada e um travesseiro preto. No fundo, vê-se uma parede branca com um painel elétrico fixado, contendo tomadas e cabos conectados — o que dá a impressão de um quarto ou ambiente hospitalar." class="" loading="lazy" width="564">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dayo foi operado na véspera do Dia do Orgulho LGBTQIA+
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo pessoal</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Diferente de Jack, o multiartista é uma pessoa não-binária, cuja identidade de gênero não se encaixa nos gêneros tradicionais, transitando entre eles. Por isso, conta que diversas vezes já foi confundido com mulheres trans ou homens gays afeminados. “Cada vivência é submetido a um controle diferente. O controle que bate muito na gente é que transmasculino, pessoas não-binárias, passa por ‘esconda esse corpo, não se mostre’, afirma.</p>



<p>Até se entender como não-binário, Dayo passou por conflitos internos, processos depressivos e questionamentos, mas conta que a arte ajudou a salvá-lo. “Me descobri uma pessoa não-binária com uns 24 anos, mas ainda com muito medo do que isso iria significar socialmente. Sentia muito medo da repressão que já sofria sem apoio, sem referência. Até que fui buscando coletivos e descobrir referências na cultura <em>ballroom</em>”, relembra.</p>



<p>A cultura <em>ballroom</em> é um movimento político, artístico e de resistência criado por pessoas negras, latinas e LGBTQIA+ nos Estados Unidos na década de 1960. Esse movimento vai além de entretenimento, atuando como rede de apoio e acolhimento para corpos dissidentes, celebrando a diversidade por meio da dança, moda e autoexpressão.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Saúde e pertencimento caminham juntos</strong></h2>



<p>Há três anos, a organização não governamental <a href="https://gestos.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gestos</a> passou a oferecer atendimento psicológico em grupo para homens trans e transmasculinos, dos 18 aos 29 anos. Para a psicóloga Juliana Mazza, que acompanha o grupo desde o início, o procedimento é desejado pela maioria das pessoas atendidas no grupo, salvo algumas exceções que não o fariam por diferentes fatores.</p>



<p>&#8220;A gente percebeu que eles recebem a pessoa que fez a mastectomia de volta no grupo com muita felicidade e com muita propriedade. E a gente foi perguntando quem faria, quem não faria. E digamos que 98% do grupo faria a mastectomia. As pessoas que não fariam são as pessoas que, ou tem muito medo da cirurgia, acham que a cirurgia vai ser muito desgastante, ou temem o resultado, tem medo do processo. Ou ainda pessoas que, por terem as mamas pequenas, acreditam que com treino e hormônio conseguem bom resultado sem intervenção&#8221;, analisa.</p>



<p>Para a profissional a cirurgia também reduz a disforia, que tem a ver com a incompatibilidade dessa imagem corporal da pessoa. Ela explica que &#8220;a disforia tem relação com a saúde mental e com a imagem corporal. É conseguir ficar bem com o seu corpo. Essa ideia de se olhar no espelho, de se sentir como se não tivesse algum órgão intruso no corpo, sabe? Por isso que chamam de intruso também. Então, além de diminuir a disforia de gênero, aumenta a autonomia. Porque a ideia de poder treinar, de poder ir à praia, de poder tirar camisa, que tem a ver também com um comportamento que tem relação com o gênero&#8221;. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55355935597_5bc27cfec0_c.jpg" alt="A imagem mostra alguns folhetos impressos dispostos sobre uma superfície clara, como uma mesa. O foco está em um folheto em primeiro plano, enquanto os outros aparecem desfocados ao fundo. O folheto principal é de cor branca e contém texto em português com mensagens de conscientização sobre respeito às pessoas trans. No centro, lê-se em letras grandes: “PESSOAS TRANS SÃO COMO VOCÊ: HUMANAS E MERECEM RESPEITO”. Abaixo, há a frase “TRANSforme suas ideias!”. O design inclui pequenos símbolos de gênero — masculino, feminino e trans — espalhados ao redor do texto. Na parte superior, há um logotipo de uma instituição, mas os detalhes não estão totalmente legíveis." class="" loading="lazy" width="661">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A enfermeira e supervisora do Espaço Trans do HC da UFPE, Paula Graça, reitera essa ideia da autonomia e liberdade. &#8220;Se sentir bem no seu corpo, se ver, se visualizar como a pessoa se enxerga e ser passável por uma sociedade. A passibilidade quer dizer que ela ou ele passa pela sociedade, transita sem ser identificado como uma pessoa trans. Isso é muito importante porque a gente sabe do estigma, a gente sabe que os olhares e as pessoas trans sentem esse olhar perverso, né? Então, essas cirurgias vão melhorar a autoestima da pessoa, porque ela se sente um homem, ela se sente uma mulher, ela quer ter os órgãos que ela acha que deve ter&#8221;, explica.</p>



<p>Mas nem toda pessoa trans deseja fazer uma intervenção cirúrgica. Graça explica existem pessoas trans que não desejam fazer intervenções e que elas não deixam de ser trans por isso. No entanto, nos casos que existe a disforia é extremamente importante. &#8220;Se essa pessoa tem uma disforia por aquele órgão que é sensual, no caso da mama, que chama a atenção como uma pessoa de gênero feminino, mas ela se sente gênero masculino, então essa mama incomoda. A retirada, a remoção dessa mama e colocar um peitoral masculino faz eles se sentirem livres. Para a questão psicológica da pessoa, a questão social melhora acho que 90%. Não melhora 100% sempre por conta da sociedade&#8221;, avalia.</p>



<p>O processo transexualizador no SUS exige que as unidades tenham equipes multidisciplinares para cuidar e acompanhar os pacientes. O HC tem a equipe composta por enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, endocrinologistas, assistentes sociais, ginecologistas, urologistas, mastologistas, cirurgiões plásticos, fonoaudiólogos, otorrinolaringologia e recepcionista.</p>



<p>No caso do HC, o acompanhamento acontece até um ano após a cirurgia. Apesar de ter sido o quinto serviço de saúde cadastrado no Ministério da Saúde para ter um espaço ambulatorial e cirúrgico para a população trans e travesti, uma referência nacional, o espaço trans enfrenta problemas estruturais. Para efeitos de comparação: desde 2016 foram realizados 54 procedimentos de mastectomia, enquanto que, no Hospital da Mulher do Recife, que começou a oferecer o serviço no fim do ano passado, já foram realizados 24, quase metade.</p>



<p>Isso acontece, porque o HC dispõe de quatro salas cirúrgicas para todos os procedimentos de afirmação de gênero previstos. Com a ampliação da equipe em 2025, foi possível ampliar o número de cirurgias de oito para até 18 ao ano, como explica Graça. Mesmo assim, a fila de espera do hospital é de mais de 1400 pessoas, por este motivo, eles aconselham as pessoas a iniciarem o acompanhamento nos serviços de saúde dos respectivos municípios.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Para não errar!</span>

		<p><strong>Sexo Biológico: </strong>conjunto de características corporais que diferenciam machos e fêmeas, definido desde a concepção. Expressa-se inicialmente pelos genitais: pênis (menino) ou vulva (menina).</p>
<p><strong>Identidade de Gênero:</strong> é como a pessoa se reconhece: masculina, feminina ou uma combinação dos dois, independentemente do sexo biológico. Pode ou não coincidir com o gênero atribuído ao nascer e envolve percepção do corpo, estilo, fala e comportamento social.</p>
<p><strong>Orientação Sexual: </strong>refere-se ao gênero das pessoas por quem sentimos desejo e afeto. Relaciona-se à identidade de gênero dos envolvidos, não ao sexo biológico.</p>
<p><strong>Transgeneridade: </strong>condição de quem possui identidade de gênero diferente daquela designada ao nascer, buscando viver e ser respeitada no gênero com que se identifica. Também chamada de transexualidade ou transidentidade.</p>
<p><strong>Cisgeneridade:</strong> condição de quem possui identidade de gênero correspondente ao gênero atribuído ao nascer.</p>
<p>Fonte: Cartilha Espaço Trans HC-UFPE/HUBrasil</p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Indígenas pankará se preparam para cultivar maconha medicinal no sertão de Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/indigenas-pankara-se-preparam-para-cultivar-maconha-medicinal-no-sertao-de-pernambuco/</link>
					<comments>https://marcozero.org/indigenas-pankara-se-preparam-para-cultivar-maconha-medicinal-no-sertao-de-pernambuco/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 21:36:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[maconha]]></category>
		<category><![CDATA[Pankará]]></category>
		<category><![CDATA[sertão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pela primeira vez no Brasil, um povo indígena se organiza para produzir medicamentos à base de maconha de forma institucionalizada. No sertão de Pernambuco, o povo Pankará Serrote dos Campos deu início à criação da Associação Indígena de Medicina Ancestral para Cannabis Medicinal e Cânhamo Industrial (Acarapuá), iniciativa que pretende viabilizar o cultivo da planta [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pela primeira vez no Brasil, um povo indígena se organiza para produzir medicamentos à base de maconha de forma institucionalizada. No sertão de Pernambuco, o povo Pankará Serrote dos Campos deu início à criação da Associação Indígena de Medicina Ancestral para Cannabis Medicinal e Cânhamo Industrial (Acarapuá), iniciativa que pretende viabilizar o cultivo da planta para fins terapêuticos dentro do território.</p>



<p>A associação já possui estatuto e Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e agora inicia uma longa jornada jurídica e técnica para obter autorização judicial para o plantio. Os pankará vivem no município de Itacuruba, a quase 500 quilômetros do Recife. </p>



<p>O pajé Geraldo Leal relata que o povo deixou de cultivar maconha há décadas por medo da criminalização. Segundo ele, a planta fazia parte dos saberes terapêuticos tradicionais da comunidade. “Como a maconha é proibida, ninguém mais quer nos dar raízes e ser descoberto”, lamenta.</p>



<p>Para os pankará, a retomada do cultivo representa não apenas a busca por novos tratamentos de saúde, mas também a recuperação de conhecimentos tradicionais interrompidos pela política de proibição das drogas no país.</p>



<p>A criação da Acarapuá resulta de um projeto coordenado pelo Centro de Prevenção às Dependências (CPD), organização não governamental que recebeu uma emenda parlamentar do deputado estadual João Paulo (PT) para estruturar a associação.</p>



<p>Para Ana Glória Melcop, coordenadora do CPD, a iniciativa possui também um caráter de reparação histórica. “A cannabis entrou no Brasil por africanos escravizados e logo os indígenas também começaram a usá-la para fins medicinais. Foram perseguidos, presos e mortos pelo plantio e pelo uso. Hoje trabalhar e ter essa associação é uma reparação, é um dever que a sociedade e o Estado brasileiro têm com os povos indígenas”, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O caminho para a autorização judicial</h2>



<p>Embora a associação já esteja formalizada, o caminho até o cultivo efetivo ainda deve levar alguns anos. Atualmente não existe no Brasil um marco regulatório consolidado para associações de maconha medicinal produzirem seus próprios medicamentos. Segundo a advogada da Aliança Medicinal e vice-presidente da Comissão de Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE), Lyane Menezes, as autorizações existentes têm sido obtidas por meio de decisões judiciais.</p>



<p>“Não existe hoje um caminho regulatório consolidado. O que existe são autorizações obtidas judicialmente, seja por ações cíveis ou por habeas corpus coletivos”, explica. Segundo ela, existem mais de 300 associações de cannabis no Brasil, mas apenas cerca de 30 conseguiram autorização judicial para cultivar a planta.</p>



<p>O primeiro passo dos pankará foi constituir juridicamente a associação. Agora lideranças indígenas participam de processos de formação técnica e científica para estruturar o projeto. Na última semana, um grupo formado por lideranças, entre elas agrônomos e o pajé Geraldo Leal, participou de uma capacitação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), parceira da iniciativa. </p>



<p>Durante as atividades, professores do Departamento de Farmácia apresentaram os princípios ativos da cannabis, métodos de extração e boas práticas de fabricação de medicamentos. “Mostramos como obter preparados, extratos e outros produtos para fins medicinais que vão ajudar o povo pankará”, explica a professora Larissa Rolim, pesquisadora da cannabis sativa na UFPE.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Reunião de fundação da associação Aracauá
</p>
	                
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<p>“Foi muito bom aprender de cada coisa um pouquinho e conhecer a utilidade da maconha para o ser humano”, comemora o pajé Geraldo Leal.</p>



<p>Além da formação acadêmica, as lideranças visitaram, nesta quinta-feira, 18 de junho, a associação de pacientes Aliança Medicinal, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife, onde conheceram experiências de cultivo e produção de derivados da maconha. Segundo o diretor-executivo da Aliança Medicinal, Ricardo Hazin Asfora, a próxima etapa será identificar, dentro do território indígena, os pacientes que poderão ser beneficiados pelo tratamento e capacitar os profissionais de saúde que atendem as aldeias.</p>



<p>“A associação precisa demonstrar a necessidade do uso medicinal entre os pacientes. A partir disso, o jurídico poderá ingressar com ações judiciais solicitando autorização para o cultivo&#8221;, explica. De acordo com Hazin, somente após obter autorização judicial será possível iniciar o plantio experimental e a produção dos primeiros extratos medicinais.</p>



<p>Posteriormente a associação poderá tentar integrar o chamado sandbox regulatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mecanismo criado para estudar e testar modelos de regulamentação para associações de pacientes.</p>
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		<title>Sábado, dia 30 de maio, vai ter Marcha da Maconha no centro do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 19:39:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Cannabis sativa]]></category>
		<category><![CDATA[maconha]]></category>
		<category><![CDATA[Marcha da Maconha Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Recife será palco, neste sábado (30), de mais uma edição da Marcha da Maconha, movimento que desde 2008 reúne vozes em defesa da legalização e regulamentação da cannabis no Brasil. Com concentração marcada para as 14h na Praça do Derby, os participantes seguem em passeata às 16h20 até o caranguejo da rua da Aurora, [&#8230;]</p>
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<p>O Recife será palco, neste sábado (30), de mais uma edição da Marcha da Maconha, movimento que desde 2008 reúne vozes em defesa da legalização e regulamentação da <em>cannabis</em> no Brasil. Com concentração marcada para as 14h na Praça do Derby, os participantes seguem em passeata às 16h20 até o caranguejo da rua da Aurora, tudo com aval das autoridades públicas e ofício devidamente enviado à Polícia Militar.</p>



<p>O tema deste ano é direto: &#8220;Usuário não é criminoso: em luta por liberdade, reparação e direitos&#8221;. A ideia é colocar em debate as consequências das políticas de drogas no Brasil e como a criminalização tem atingido, sobretudo, negros e periféricos. “A chamada guerra às drogas nunca foi sobre substâncias. Foi e segue sendo uma política de controle social, que criminaliza e encarcera em massa corpos negros e periféricos”, afirma Joanna Santos, uma das organizadoras.</p>



<p>A marcha, que acontece desde 2008 e é uma das mais antigas do país, chega em um momento crucial: o debate em torno da PEC 45, a chamada &#8220;PEC das drogas&#8221;. A proposta surgiu como resposta do Senado à decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o porte de maconha para consumo pessoal — até 40 gramas ou seis plantas fêmeas. Mas a PEC 45 incluiu na Constituição a criminalização da posse de qualquer quantidade de droga, deixando ao juiz a decisão de quem é usuário e quem é traficante.</p>



<p>Entre as pautas da marcha estão o fim do proibicionismo, a descriminalização de usuários, a legalização da cannabis com justiça econômica, o desencarceramento por crimes sem violência, a reparação histórica às populações criminalizadas, o cultivo doméstico e associativo, o acesso à cannabis medicinal e políticas de redução de danos.</p>



<p>Joanna reforça que o impacto da política proibicionista é ainda mais violento para mulheres negras, periféricas, pessoas trans, travestis, não binárias e LGBTQIAPN+. &#8220;São esses corpos que sustentam famílias diante do encarceramento em massa, enfrentam a violência institucional e muitas vezes são criminalizadas em contextos de sobrevivência.&#8221;</p>



<p></p>
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		<title>A luta de uma mulher com deficiência para ser nomeada professora no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 16:16:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[concurso público]]></category>
		<category><![CDATA[pessoa com deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mariana Clarissa, do site Eficientes O que começou como um inchaço no joelho transformou-se em uma jornada de 17 anos de cirurgias, radioterapia e dores agudas para Milena Barros Gomes, hoje professora de Geografia. Aos 19 anos, ela enfrentou uma sinovite vilonodular pigmentada, uma inflamação rara tratada como tumor, que desgastou sua cartilagem e [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Mariana Clarissa, do site <a href="https://eficientes.org.br/2026/04/14/pessoas-com-deficiencia-enfrentam-obstaculos-para-nomeacao-na-prefeitura-do-recife/">Eficientes</a></strong></p>



<p>O que começou como um inchaço no joelho transformou-se em uma jornada de 17 anos de cirurgias, radioterapia e dores agudas para Milena Barros Gomes, hoje professora de Geografia. Aos 19 anos, ela enfrentou uma sinovite vilonodular pigmentada, uma inflamação rara tratada como tumor, que desgastou sua cartilagem e a fez usar muletas até a implantação de uma prótese de joelho em 2023. Ironicamente, a maior barreira que ela encontrou não foi a doença, mas o poder público.</p>



<p>Após ser aprovada no concurso da Prefeitura do Recife, em 2023, para as vagas reservadas a pessoas com deficiência (PcD), Milena foi desclassificada em uma perícia médica que, de acordo com ela, durou poucos minutos. Segundo a professora, a médica da banca sequer analisou o raio-X que mostrava a prótese metálica em sua perna, alegando que sua condição era meramente estética. O caso de Milena não é isolado e ilustra o capacitismo estrutural que permeia as instituições brasileiras, onde a lei de cotas é frequentemente contornada por interpretações subjetivas e restritivas.</p>



<p>O conceito de deficiência no Brasil, consolidado pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI), deveria seguir o modelo biopsicossocial, que considera não apenas o impedimento físico, mas as barreiras que impedem a participação plena do indivíduo na sociedade. Na prática, porém, as bancas examinadoras, como a do <a href="https://www.cebraspe.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cebraspe</a>, no caso de Milena, muitas vezes recuam para um modelo puramente médico e, por vezes, negligente.</p>



<p>A justificativa de que uma prótese total de joelho, que impede a candidata de correr, pular ou ficar longos períodos em pé, seria uma questão estética ignora o caráter funcional e permanente da deficiência. &#8220;Ao negar minha condição, nega-se quem eu sou, o meu corpo, as minhas dores, tudo o que vivi&#8221;, afirma Milena. Esse tipo de avaliação é apontado por especialistas como uma forma de violência institucional, onde a sobrecarga da prova recai sobre a pessoa com deficiência.</p>



<p>A resistência em reconhecer direitos estende-se ao Poder Judiciário. No processo movido por Milena contra a Prefeitura do Recife e o Cebraspe, o Ministério Público opinou pela realização de uma nova perícia médica para sanar as dúvidas. Enquanto Milena concordou prontamente, tanto o município quanto a banca organizadora se posicionaram contra o novo exame, alegando que a decisão administrativa deveria prevalecer. Os advogados do Cebraspe, no entanto, teriam perdido um prazo e o caso seguirá com uma nova perícia médica.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/Milena-Eficientes-decisao-819x1024.jpeg" alt="Documento oficial do Poder Judiciário do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Tribunal de Justiça de Pernambuco. Poder Judiciário. 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital. AUTOR(A): MILENA BARROS GOMES. RÉU: CEBRASPE, MUNICIPIO DO RECIFE. DECISÃO: Vistos, etc … Decreto a revelia do Cebraspe, ante a intempestividade da contestação, deixando, contudo, de aplicar os efeitos materiais da presunção de veracidade, nos termos do art. 345, I, do CPC. Acolho o parecer ministerial e, mantendo a coerência com a decisão de ID [suprimido], que fixou a competência deste Juízo pela complexidade da causa, DEFIRO a produção de prova pericial médica. Quanto ao nome do perito, deve a Secretaria deste juízo escolher entre os nomes cadastrados, por ordem alfabética e, antes de formalizar qualquer termo, tentar manter contato com o mesmo para fins de anuência. Definido o nome do perito e tomado o compromisso, intimem-se as partes para indicarem seus assistentes e quesitos. Quanto ao pedido de reconsideração da decisão que indeferiu o pedido de antecipação da tutela (Id [suprimido]), postergo a análise do pedido para após a entrega do laudo pericial. Cumpra-se! RECIFE, 11 de fevereiro de 2026." class="" loading="lazy" width="629">
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	                                        <p class="m-0">Justiça acatou pedido de Milena e determinou nova perícia
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Essa postura revela uma contradição profunda: o mesmo Estado que emite uma identidade oficial de pessoa com deficiência para Milena, por meio da Secretaria de Defesa Social, é o que tenta barrar sua entrada no serviço público sob o argumento de que ela não se enquadra nos requisitos legais. Para a candidata, a lentidão e a insensibilidade do poder público funcionam como um adiamento deliberado de um direito conquistado no mérito das provas.</p>



<p>Enquanto a decisão judicial não vem, o custo é emocional e financeiro. Como arrimo de família, Milena precisa se desdobrar em até três empregos e a espera gera uma situação de vulnerabilidade que afeta a autonomia e o planejamento de vida.</p>



<h1 class="wp-block-heading">O custo da exclusão</h1>



<p>Embora a Constituição Federal e a LBI garantam a reserva de vagas (que pode chegar a 20% em alguns editais), a implementação dessas cotas é cercada de armadilhas burocráticas. A sensação descrita por quem passa por esse processo é de que o sistema é desenhado para que os candidatos percam a força de insistir em ocupar seus lugares por direito.</p>



<p>O caso de Milena e tantas outras pessoas expõe que o cumprimento da Lei de Cotas está refém de bancas que executam falhas na transparência e vão de encontro à realidade clínica dos candidatos. A docente destaca que quem hoje se prepara para concursos públicos sendo PcD, a orientação é amarga. &#8220;Prepare-se para precisar de justiça e contar com a sorte&#8221;.</p>



<p>A reportagem enviou questionamentos detalhados à Prefeitura do Recife e ao Cebraspe sobre os critérios técnicos que levaram à desclassificação de Milena, a qualificação dos profissionais da banca e os motivos para a resistência em realizar a nova perícia médica sugerida pelo Ministério Público. Até o fechamento deste texto, não obtivemos resposta de nenhum dos órgãos citados. O espaço permanece aberto para que as instituições enviem seus esclarecimentos sobre os pontos questionados.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Atualização 15/04/2026, às 13h30min:</strong> após a publicação desta reportagem, o Cebraspe enviou nota informando que os questionamentos da candidata são tratados no âmbito de ação judicial e que, por essa razão, os esclarecimentos são feitos exclusivamente nos autos do processo.</li>
</ul>



<p></p>
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		<title>Pás e Vassourinhas explicam como frevo nasceu do suor dos trabalhadores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 20:13:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Clube das Pás]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
		<category><![CDATA[Vassourinhas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história de dois dos clubes carnavalescos mais antigos do Brasil, o Clube das Pás e o Vassourinhas, ajudam a entender como o ritmo que é a marca registrada do carnaval pernambucano foi criado por trabalhadores negros de bairros da periferia do Recife. Criadas no final do século XIX como associações que representavam categorias profissionais, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A história de dois dos clubes carnavalescos mais antigos do Brasil, o Clube das Pás e o Vassourinhas, ajudam a entender como o ritmo que é a marca registrada do carnaval pernambucano foi criado por trabalhadores negros de bairros da periferia do Recife. Criadas no final do século XIX como associações que representavam categorias profissionais, as duas agremiações seguem varrendo o tempo como guardiãs da cultura popular.</p>



<p>Mais conhecido por seus bailes notunos e pela tradicional gafieira em seu salão de dança no coração de Campo Grande, bairro da zona norte do Recife, o Clube das Pás é bem mais do que um espaço para dançar. O que muitos recifenses talvez não saibam é que ele é o clube carnavalesco mais antigo em atividade na capital pernambucana, que desfila desde 1988 como clube pedestre nos desfiles oficiais organizados pelo poder público.</p>



<p>Fundado em 19 de março de 1888, uma segunda-feira de carnaval, antes mesmo da abolição da escravatura no Brasil, o clube nasceu após um grupo de carvoeiros, trabalhadores que faziam carregamento de carvão, abastecerem um navio durante um período de greve de portuários e escravos de ganho &#8211; pessoas escravizadas que trabalhavam nas ruas fazendo diferentes serviços ou vendendo mercadorias, obrigados a dar parte dos seus rendimentos aos “senhores”.<br><br>Os trabalhadores fizeram o serviço e foram comemorar, com suas pás nas costas, o salário recebido no Clube dos Caiadores, no bairro de São José. Com alguns trocados no bolso e em pleno carnaval, eles tinham motivos para festejar, tanto que decidiram criar o Clube Carnavalesco Misto das Pás.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:44% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c.jpg" alt="" class="wp-image-74620 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“O clube passa, em todos os momentos históricos e políticos do Brasil, 1888, 19 de março, em 13 de maio, a libertação dos escravos. Depois vem a república, o estado novo, a ditadura militar em 64, vem a redemocratização e em todos os momentos, o Clube das Pás participa efetivamente aqui no estado de Pernambuco”, conta Álvaro Melo, diretor de promoções e eventos do Clube das Pás, que é apaixonado pelo clube desde quando o conheceu, há 30 anos. </p>
</div></div>



<p></p>



<p>Hoje, o clube continua desfilando e ganhando prêmios com suas apresentações no grupo especial do Recife. Todos os preparativos acontecem na sede da agremiação, em um espaço acima do famoso salão de dança, com uma equipe de dez pessoas que começa a se preparar até seis meses antes do carnaval. Lá são confeccionadas roupas e adereços.</p>



<p>Os carros alegóricos também são construídos pela própria equipe do Clube das Pás, que, este ano, desfilará no domingo à noite, na passarela da avenida Dantas Barreto concorrendo com outros cinco clubes de frevo &#8211; Reizado Imperial, Amante das Flores, Guaiamum na Vara, Girassol da Boa Vista e o já mencionado Vassourinhas.</p>



<p>Carnavalesca e administradora do barracão, Gislaine Cordeiro, está na função há dois anos e é a pessoa que comanda o espaço e comanda o desenho dos desfiles. “É muita luta, a gente corre muito, a gente tem aquela dinâmica de chegar cedo pra terminar cedo, o mais breve possível. Mas sabe onde é que a gente sente alegria? Quando bota na avenida, até as apresentações pela prefeitura são gratificantes, você se sente feliz é uma emoção, porque você sabe que aquele trabalho saiu de todo um conjunto de pessoal”, conta.</p>



<p>Já quem cuida dos figurinos é Hilário da Silva, carnavalesco responsável pela parte de criação e confecção dos figurinos e adereços, também participa de todos os processos. Na função há 11 anos, ele conta que existe um processo do tema ao protótipo para chegar na confecção e que todos eles são feitos com muita dedicação. “Eu amo, adoro fazer carnaval. Quando eu começo, dedico minha vida, porque se você não se dedicar de corpo e alma, a coisa não sai. Então, quando a gente gosta de carnaval, a gente tem o sangue na veia mesmo, a gente já está pensando no próximo trabalho”, diz.</p>



<p>Mas o clube não é feito apenas por essa equipe, existem centenas de pessoas envolvidas para que as apresentações aconteçam, são entre 250 e 300 pessoas que vão para a avenida em dia de desfiles.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Pas-2-300x171.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Pas-2-1024x582.jpeg" alt="A cena mostra um desfile carnavalesco cheio de cores e detalhes. No centro, há um grande estandarte ornamentado com franjas douradas e símbolos de pás cruzadas, trazendo inscrições que remetem a um clube fundado em 1888. Ao redor do estandarte, pessoas vestem fantasias elaboradas, em tons vivos de amarelo, com enfeites de estrelas e flores nas cabeças. Ao fundo, espectadores assistem sentados diante de uma parede multicolorida." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Clube das Pás e Vassourinhas desfilam na avenida Dantas Barreto, no domingo de Carnaval.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo Clube das Pás</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">“O frevo não é uma brincadeira inocente”</h2>



<p>Um ano depois do surgimento do Clube das Pás, em 1889, um outro grupo de trabalhadores decidiu criar o Vassourinhas, tão importante para a história do frevo por ter como o hino a Marcha nº 1.<br><br>Entre as várias versões que existem sobre o surgimento do grupo, a que mais apresenta evidências históricas, segundo o diretor Thomás Ricardo, conta que um grupo de amigos se reuniu após o trabalho, próximo à Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no bairro de São José, na festa do Dia de Reis, em 6 de janeiro, a primeira depois da abolicão.<br><br>“O Clube Vassourinhas vai surgir justamente no final do século XIX, início do século XX num contexto pós-abolição, num contexto de proclamação da república, onde os populares vão cada vez mais, apesar ainda de muitas restrições impostas, mas esses dois condicionantes, esse contexto vai favorecer para que o clube surja, assim como outras agremiações também vão surgir”, conta Thomás.</p>



<p>Diferente do Clube das Pás, todos os trabalhadores não necessariamente eram varredores de rua, apesar de também existirem em bom número no grupo. Thomás afirma que eles exerciam diferentes funções, mas como era uma tendência da época nomear um clube carnavalesco com o nome de algum instrumento de trabalho ou então com o nome de alguma categoria profissional, assim o fizeram.</p>



<p>“É muito importante a gente sempre reverenciar e destacar que o frevo, ele não é uma brincadeira inocente. O surgimento desse clube não vai ser uma brincadeira pura e simplesmente inocente, não”, reforça Thomás. “As elites não queriam que os populares tivessem direito de acesso às ruas, só que os populares não vão aceitar, assim como também os fundadores do Vassourinhas, eles vão cada vez mais conquistando as ruas, cada vez mais conquistando adeptos, até se transformar no grande clube carnavalesco que vai surgir e que vai justamente conquistar o Brasil”, continua.</p>



<p>Durante o século XX, o clube consolidou sua força. Em 1909, Joana Batista e Matias da Rocha, ambos negros e vindos das periferias do Recife, compuseram o hino que se tornaria quase um sinônimo de frevo, a Marcha nº1.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Clique <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fRPS-Ud-DpU" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui para escutar uma gravação de 1945</a> ou <a href="https://www.youtube.com/watch?v=5pLhkCBo1fY" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui para a versão antológica que levanta multidões</a> já nos primeiros acordes.</p>
        </div>
    </div>



<p>Nos anos 1950, em uma viagem ao Rio de Janeiro para se apresentar oficialmente, a excursão que reuniu aproximadamente 60 músicos da banda da Polícia Militar de Pernambuco, além de fantasias e estandartes, fez uma escala em Salvador que transformou o percurso em um momento histórico.</p>



<p>Segundo Thomás Ricardo, “a cidade de Salvador realmente enlouqueceu com aquela apresentação. Eles nunca tinham visto o frevo, nunca tinham visto um carnaval sendo feito daquela forma”. A multidão se reuniu para assistir ao espetáculo, e o impacto foi tão grande que alguns músicos se machucaram em meio à aglomeração. Para garantir a segurança, surgiu a ideia de colocar os músicos sobre um carro, como solução improvisada que inspiraria Dodô e Osmar na criação do trio elétrico.</p>



<p>Esse detalhe mostra como o Vassourinhas não apenas consolidou o frevo como expressão pernambucana, mas também influenciou diretamente o carnaval baiano. “O Clube Vassourinhas realmente possui uma história muito bonita, que se confunde com a história do Carnaval do Brasil”, resume Tomás, reforçando o papel da agremiação como ponte entre tradições regionais e como catalisadora de novas formas de festa popular.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Próximo objetivo é retomar as ruas</strong></h3>



<p>Hoje, assim como o Clube das Pás, o Vassourinhas de Recife desfila no Grupo Especial do Concurso de Agremiações do Carnaval do Recife, mas o desejo da diretoria é retomar os desfiles de rua que, outrora, foram a marca desses clubes.</p>



<p>Historicamente, os clubes centenários realizavam arrastões pelas ruas da cidade, mas com o tempo, ao migrarem para sedes próprias nas periferias do Recife, ficaram mais restritos a bailes e concursos oficiais. Ele defende que essa prática precisa ser retomada: “eu acho que é muito importante que as agremiações do Recife tenham (seus arrastões). Não só o Vassourinhas, mas eu queria que os Lenhadores, o Clube das Pás também tivessem seus arrastões, porque se a gente for ver nos jornais antigos, essas agremiações faziam arrastão.”</p>



<p>Tomás cita exemplos de Olinda, onde os Lenhadores e o Vassourinhas mantêm seus arrastões, e reforça que o Vassourinhas do Recife, o original, fundado em 1889, deveria seguir essa tradição. Para ele, os arrastões são uma forma de devolver os clubes às ruas, aproximando-os dos foliões e reafirmando sua identidade popular.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55078594301_fa543fb2fc_c.jpg" alt="A imagem mostra Thomás Ricardo, um homem em pé, de braços cruzados, diante de dois estandartes festivos e ornamentados. Ele veste uma camiseta amarela com desenhos que combinam com os símbolos dos estandartes, indicando ligação com o grupo representado. Os estandartes são ricamente decorados em cores vivas como dourado, azul e vermelho, trazendo inscrições que mencionam “Vassourinhas” e “Recife”, além de figuras e emblemas. O conjunto transmite orgulho cultural e celebração de tradições locais." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Agremiações pedestres que contam a história de um tempo</strong></h3>



<p>Luiz Vinícius Maciel, historiador e coordenador de memória do Paço do Frevo, conta a importância da existência desses clubes até hoje. São agremiações pedestres que contam a história de um tempo e que permanecem resistindo aos desafios enfrentados ao longo dos anos.</p>



<p>“Essa trajetória longa que esses clubes têm, que diante de muitos desafios continua existindo até hoje, é valiosa não só para um lugar de salvaguarda e cuidado com a tradição do que é o frevo, de muitos elementos que vêm do passado, de recontar essas histórias, de transmitir essas histórias, esses saberes de como geriam a agremiação e como é que a manifestação acontece na rua, da dança, da música”, aponta o historiador.</p>



<p>Maciel também aponta a importância desses clubes para as comunidades que estão inseridas até hoje. “São agremiações que nasceram no centro do Recife, mas que por mil motivos, ao longo da história da cidade, foram se espalhando para as periferias. Você tem o Clube das Pás está em Campo Grande, o Vassourinhas está em Afogados, os Lenhadores estão na Mustardinha. E são espaços que muitas vezes vai ter o brega do fim de semana, vai ter a festa da terceira idade, vai ter o velório de alguém, tem situações, às vezes, da escola quebrou o ar-condicionado, a turma vai ter aula no clube. Então, são espaços importantes também para aquelas comunidades de troca social, de sociabilidade, até hoje, em 2026”, reflete.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pas-e-vassourinhas-explicam-como-frevo-nasceu-do-suor-dos-trabalhadores/">Pás e Vassourinhas explicam como frevo nasceu do suor dos trabalhadores</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>O regresso das multidões do Elefante de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 20:06:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
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<p>Era domingo de Carnaval, há mais de dez anos, quando o minguado — porém, ainda vivo — Elefante de Olinda passou pouco aclamado pelo povo e sem nenhum ardor pela avenida Joaquim Nabuco, no Varadouro. Com quase nenhum esplendor, mas ainda exaltando suas tradições, a agremiação desfilava ao som de apenas dois clarins, uma faixa de tecido desgastado, uma orquestra de dez músicos, um pequeno grupo de foliões e desfilantes com fantasias velhas. Com no máximo 25 pessoas, aquele era o retrato do declínio do clube carnavalesco fundado em 1952 que, por muito tempo, arrastou multidões e cujo hino se confunde com o hino do Carnaval de Olinda.</p>



<p>Alguns anos depois dessa cena, o gigante acordou e, no Carnaval de 2026, e se prepara para, mais uma vez, arrastar uma multidão de 30 mil desfilando seu recorde: seis alas de fantasias, abre-alas, faixa, dois porta-estandartes, duas companhias de dança, vários clarins e duas orquestras. Nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, o clube comemora 74 anos com uma nova diretoria que atuou para revibrar corações de amor a sonhar, numa Olinda sem igual. Atualmente o Elefante realiza quatro desfiles carnavalescos: o Trote, o Baile Encarnado, o Elefantinho e o desfile oficial, sempre aos domingos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-2-1024x682.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma celebração noturna de rua, provavelmente ligada ao carnaval ou a um festival cultural. No centro, há um grande estandarte bordado com a inscrição “Elefante de Olinda”, destacando os anos 1952 e 2023, em referência aos 71 anos desse grupo tradicional. O estandarte é colorido e ornamentado com desenhos de sol, palmeiras e paisagem. Abaixo dele, uma multidão de pessoas festeja com braços erguidos, enquanto confetes ou espuma caem sobre elas. As ruas estão enfeitadas com fitas coloridas e iluminadas, criando um ambiente alegre e vibrante de comemoração coletiva." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elefante de Olinda desfila a frente de 30 mil pessoas no Carnaval de Olinda. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito Hugo Muniz</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Estávamos na calçada, na casa da minha sogra, quando, de repente, vi a faixa ‘Elefante de Olinda’. Eu gritei &#8216;minha gente, corre, é o Elefante de Olinda&#8217;. E sai desfilando com meu companheiro, Anax Botelho”. Quem revive essa história em detalhes é Juliana Serretti, 36 anos, que hoje compõe a diretoria do clube.</p>



<p>“Como pode a gente passar o Carnaval todo cantando o hino do Elefante, que virou até um grande clichê, e a agremiação estar desse jeito? Precisamos fazer alguma coisa”, pensou Juliana. Foi quando ela e Anax — cujos pais se conheceram e se apaixonaram durante um desfile do Elefante — começaram a buscar quem estava à frente da agremiação.</p>



<p>“Aí conhecemos seu João, já falecido e um dos homenageados do Elefante no Carnaval 2026. Ele foi, por muitos anos, presidente e carregou o clube nas costas. É graças à teimosia de seu João que ainda estamos aqui”, relembra ela. O Elefante, mesmo à míngua, nunca deixou de desfilar um só Carnaval. “Depois começamos a chamar várias pessoas que sabíamos que têm amor pela folia e algum vínculo com o Elefante, sempre frisando para seu João que a gente não queria cachê nem tomar o poder dele. Nosso desejo era realmente levantar o clube”, detalha.</p>



<p>Uma dessas pessoas é Rafael Antônio, 36 anos, neto de Élcio, um dos fundadores da agremiação, e que hoje também faz parte da diretoria e é porta-estandarte. “Minha família sempre alugou casa em Olinda no Carnaval e, quando eu era pequeno e vinha uma troça muito grande, as pessoas lá de casa colocavam as crianças e as cadeiras para dentro. O Elefante, quando chegou uma vez, minha avó, ainda viva, ficou muito triste porque, na época, o clube passou já muito pequeno. Não passou gigante como era antes, quando as fantasias, inclusive, eram feitas na casa dela”, recorda ele, dizendo que, depois disso, nunca mais viu a agremiação passar novamente.</p>



<p>Rafael também relembra o motivo do nome “Elefante”: “Antigamente, havia as festas que o pessoal chamava de assustado. As pessoas entravam na casa dos outros, que ofereciam comes e bebes. Num desses assustados, Chuquinha, um dos fundadores, pegou um pequeno elefante de biscuit em cima da geladeira e guardou no bolso. A turma comeu, bebeu e foi embora. Quando chegaram nos Quatro Cantos de Olinda, Chuquinha colocou o elefantinho na cabeça e começou a dançar”.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1024x643.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma festa popular realizada à noite em uma rua cheia de pessoas. A multidão veste roupas festivas, muitas em vermelho, e duas bandeiras grandes e ornamentadas se destacam no centro. Uma delas traz o nome “Cariri” com bordados em azul e dourado; a outra celebra os 70 anos do grupo “Elefante de Olinda”, com bordados coloridos e a figura de um elefante sob o sol. Acima da rua, há fitas verdes e amarelas penduradas, e também um letreiro em forma de coração com a palavra “Paz”. O clima é alegre, vibrante e transmite a energia de uma celebração cultural tradicional brasileira." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elefante e Cariri juntos no Carnaval de Olinda. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Hugo Muniz</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>E as cores? “O Elefante usa vermelho e branco porque, no seu primeiro desfile, o grupo jogava no Bonfim Futebol Clube, em que meu tio era goleiro. As cores do time eram vermelho e branco e o pessoal saiu para desfilar vestindo as camisas do Bonfim”.</p>



<p>A reportagem também perguntou sobre a rivalidade com a Pitombeira dos Quatro Cantos, que já foi motivo de muita violência com brigas e facadas, mas hoje tornou-se mais um motivo de brincadeira. A dupla da diretoria conta, rindo, a origem dessa rivalidade. Num desfile, há muitas décadas, uma pessoa levou uma plaquinha escrita “A Pitombeira não morreu, está doente”, porque, naquele ano, a troça não saiu no Carnaval. No ano seguinte, ela também não desfilou e essa mesma pessoa exibiu a plaquinha “A Pitombeira morreu, aqui jaz”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Juliana e Rafael, da diretoria do Elefante. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading">O financiamento do regresso</h2>



<p>Rafael comenta que o ressurgimento do Elefante de Olinda manteve uma outra tradição: a de ser composto por amigos-foliões. O ano era 2017 quando o grupo conquistou totalmente a confiança de seu João e ele passou a diretoria para a nova geração.</p>



<p>“E aí o nosso grande orgulho foi quando as pessoas começaram a dizer novamente ‘recolhe que o Elefante vem aí’&#8221;, comemoram, explicando, em seguida, que as coisas não aconteceram de uma hora para outra. Foi através da venda de produtos como camisa, boné, bolsa e, este ano, meias (que esgotaram rapidamente) que a diretoria foi conseguindo mais verba, além do <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cachê pequeno</a> pago pela Prefeitura de Olinda, este ano de apenas R$ 48 mil para três exibições.</p>



<p>Mesmo com pouca verba pública, o Elefante mantém o baile como um evento gratuito, em que só se toca frevo e nada além disso. O clube conta com um patrocínio de R$ 10 mil da Pitú e não aceita dinheiro das bets, apesar de algumas empresas já terem oferecido. O desfile do domingo de Carnaval, o maior de todos, não sai por menos de R$ 60 mil.</p>



<p>Quem também chegou junto com força nessa história foi o maestro Oséas Leão, da Furiosa: “Ele também é responsável por esse renascimento. Ter a orquestra de Oséas no Elefante foi uma grande conquista, no nosso primeiro Trote. Mas isso porque ele topou cobrar um cachê que conseguíamos pagar”, afirma Juliana.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1-1024x682.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma celebração de rua à noite, cheia de cores e detalhes festivos. No centro, há uma pessoa vestida com uma fantasia elaborada de elefante: cabeça grande com presas, coroa e roupas bordadas com pedras e enfeites brilhantes. Ao lado dela, aparece um estandarte ricamente decorado com bordados coloridos e franjas, trazendo a inscrição “Elefante de Olinda – 70 anos – 1952 2022”, além da figura de um elefante dourado sob o sol, cercado por palmeiras. Ao fundo, outras pessoas em trajes festivos participam da comemoração, reforçando o clima alegre e cultural de um carnaval ou festa tradicional brasileira." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Um dos estandartes do clube com o Elefante símbolo da agremiação. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Hugo Muniz</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">O hino &#8220;Regresso do Elefante&#8221;</h3>



<p>Ao longo das décadas em que o Elefante esteve adormecido, muito da sua história se perdeu. Uma dessas perdas foi a partitura do hino <a href="https://www.youtube.com/watch?v=klKix-hvcCk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Regresso do Elefante</a>, que era (e agora voltou a ser) tocado quando a orquestra recolhe, ao final dos desfiles. Tradicionalmente a agremiação encerra com esse frevo e inicia com o frevo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=E5XuKm_PKhk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A chave de tudo é o segredo</a>. Isso faz parte da mística do Elefante, é quando Oséas faz, com as mãos, um sinal de que está girando uma chave.</p>



<p>“Mas ninguém sabia nem como era esse frevo, nunca tínhamos ouvido. Sabíamos apenas uns trechos da letra graças à Newtinho, do bloco Dez de Xarque e uma Latinha. Por sorte, Célio Gouveia, também da diretoria do Elefante, encontrou um vinil super antigo, num sebo, e lá estava o Regresso do Elefante&#8221;, conta Juliana. O grupo entregou o vinil à Lúcio, maestro da Orquestra Henrique Dias, que conseguiu refazer a partitura.</p>



<p>“Às vezes, estou varrendo a sala de casa quando ouço as orquestras, no Clube Vassourinhas, perto da minha casa, ensaiando e tocando novamente o Regresso do Elefante. É quando penso ‘ele está vivo’, compartilha.</p>



<p>Essa é uma das várias histórias sobre o ressurgimento do clube presentes no documentário recém-lançado Elefante Encarnado, de Juliana Beltrão, um filme da memória viva do Elefante e do amor de um povo que transforma tradição em alegria e resistência.</p>



<p>“A gente está no Elefante, mas a gente passa. O Elefante fica. O elefante veio antes, estamos aqui durante e ele vai continuar depois. Então o Elefante não é nosso, não é de ninguém, mas é de todo mundo junto”, declara Juliana ao final da entrevista.</p>



<p>Uma coisa é certa: mesmo nos anos mais difíceis, quem algum dia brincou o Carnaval nas ladeiras de Olinda cantou o hino do Elefante, talvez a música mais tocada da folia em Pernambuco e que se tornou quase um hino não oficial tanto da festa quanto da própria cidade.</p>



<p>Cliquei abaixo para escutar com arranjo e regência do maestro Duda.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Maestro Duda e Sua Orquestra - Elefante de Olinda" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/Bl_2eRGpsdQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p><br><br></p>
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		<title>Às vésperas do Carnaval, terceirizados da Fundarpe denunciam atrasos de salários</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 21:17:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Fundarpe]]></category>
		<category><![CDATA[terceirizadas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com o Carnaval batendo na porta, funcionários das empresas Únika e Atitude, que prestam serviço para a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), estão com os salários de janeiro atrasados. O pagamento deveria ter sido feito na sexta-feira passada, o quinto dia útil do mês. Apesar d atraso ser de poucos dias, [&#8230;]</p>
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<p>Com o Carnaval batendo na porta, funcionários das empresas Únika e Atitude, que prestam serviço para a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), estão com os salários de janeiro atrasados. O pagamento deveria ter sido feito na sexta-feira passada, o quinto dia útil do mês. Apesar d atraso ser de poucos dias, funcionários das empresas denunciam que os atrasos são recorrentes, que a Únika não deposita o FGTS desde novembro do ano passado e que o pagamento dos auxílios de alimentação e transporte também está atrasado. Quem entrou de férias também não recebeu o salário adiantado.</p>



<p>“Desde novembro os atrasos vêm acontecendo e a demanda de serviços aumentando, devido às contratações para o Carnaval. O salário de dezembro foi pago no dia 13 de janeiro. Há uma pressão absurda para o trabalho continuar, mas sem previsão alguma para o pagamento”, denunciou um funcionário, que não quis ser identificado.</p>



<p>Órgão do Governo do Estado responsável pelo patrimônio e difusão cultural, a Fundarpe não possui funcionários públicos próprios, pois nunca houve concurso para preencher as vagas de seu organograma. Há concursados emprestados de outros órgãos, comissionados, terceirizados e aprovados em seleções simplificadas. No ano passado, tanto o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) quanto o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) já emitiram notificações para que o Governo faça concurso público para a Fundarpe.</p>



<p>Por e-mail, outro funcionário denunciou que a empresa alterou unilateralmente a forma de pagamento dos benefícios do mês de janeiro, passando a pagar vale-alimentação e vale-transporte de forma parcial e sem qualquer comunicação prévia. “A legislação trabalhista é clara: a inadimplência do poder público não exime a empresa do cumprimento das obrigações trabalhistas. O risco da atividade econômica é do empregador e não dos trabalhadores. Apesar de o sindicato da categoria estar informado, a situação permanece sem solução. Diversas denúncias já foram feitas ao MPPE, TCE-PE, Ministério do Trabalho e Justiça do Trabalho de Pernambuco”, afirmou.</p>



<p>Quando os terceirizados chegaram para trabalhar na segunda-feira (9), os rumores eram de que o salário não iria sair até o Carnaval. Ainda na segunda, a direção da Fundarpe fez reuniões com representantes das duas empresas contratadas, mas os comunicados divulgados pelo órgão após as reuniões deixaram os funcionários das duas empresas ainda mais apreensivos.</p>



<p>“O que foi repassado para a gente foi um texto mal feito que dava a entender que a Fundarpe concordava que as empresas só fizessem o pagamento daqui a 30 dias. Isso gerou muita indignação. Os valores pagos já são muito baixos. Os funcionários da Atitude recebem aproximadamente R$ 2,5 mil e a Únika paga R$ 3,5 mil brutos. A gente também não recebe por hora extra, que são muitas neste período, com o Carnaval e o festival Pernambuco Meu País. O trabalho a mais é só trocado por folgas”, reclamou um terceiro funcionário ouvido pela MZ.</p>



<p>A Marco Zero teve acesso a dois comunicados internos emitidos pela Fundarpe nesta semana. Um deles citava que as pendências seriam regularizadas “o mais breve possível”, sem citar datas. Afirmava também que “a empresa apresentou uma proposta que está sendo analisada pela gestão, devidamente assessorada pela diretoria jurídica, com o objetivo de assegurar que as empresas contratadas sanem as pendências existentes, em estrita observância às cláusulas contratuais e às normas legais aplicáveis”.</p>



<p>O outro comunicado, assinado pela gestora contratual Tereza Campos, tratava da reunião com a Únika e informava que a empresa, representada por Michel Nóia, afirmava que estava em “situação de descapitalização” e em tratativas com a Caixa Econômica Federal para parcelar os débitos do FGTS. O texto também dizia que a Fundarpe havia tomado todas as providências administrativas cabíveis e que também já foram adotadas medidas “contratuais e legais” em relação à Únika.</p>



<p>O ponto que deixou os funcionários apreensivos foi a parte que afirma que vai ser elaborado um termo de compromisso para que a Únika se comprometa a “sanar integralmente os débitos trabalhistas apontados, no prazo máximo de 30 dias, como condição para a liberação excepcional das faturas mencionadas”. Isso porque o Governo do Estado não liberou os repasses de dezembro e janeiro para a Únika, em sanção aos atrasos de salários.</p>



<p>A Marco Zero entrou hoje em contato com as empresas Únika e Atitude, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta sobre quando será feito o pagamento dos funcionários. Além da Fundarpe, a Únika tem contratos de prestação de serviços para outros órgãos do Governo do Estado e também com secretarias da prefeitura do Recife. Nas redes sociais, também há relatos de trabalhadoras terceirizadas da prefeitura denunciando atraso nos salários deste mês.</p>



<p>Em nota à Marco Zero, a Fundarpe afirmou que os repasses financeiros para as empresas estão temporariamente suspensos, pelo não cumprimento do contrato, e que foi elaborado um termo de compromisso que estabelece que, após o repasse do pagamento pela Fundarpe, as empresas terceirizadas deverão efetuar os pagamentos aos terceirizados em até 48 horas.</p>



<p>Sem dar prazos, a Fundarpe afirmou que está cobrando para que as pendências sejam regularizadas o mais rapidamente possível e destacou que a “responsabilidade pelo pagamento dos salários e por eventuais benefícios é exclusiva das empresas contratadas, conforme previsto nos contratos firmados”.</p>



<p>A Fundarpe também informou que 35 terceirizados irão trabalhar durante o Carnaval e que está “priorizando a regularização da situação trabalhista pelas empresas antes da execução dos serviços”.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Confira a nota completa:</strong></li>
</ul>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) informa que os repasses financeiros às empresas Unika e Atitude estão temporariamente suspensos em razão do não cumprimento, por parte das prestadoras, de obrigações legais, previdenciárias e trabalhistas previstas em contrato. De acordo com a legislação vigente, a Fundarpe só pode efetuar pagamentos às empresas após a comprovação da regularidade dessas obrigações.</p>
<p>Desde o primeiro dia em que tomou conhecimento do atraso salarial, a Fundarpe entrou em contato com as empresas, cobrando esclarecimentos e adotando as providências administrativas cabíveis. Entre as medidas tomadas, foi elaborado um termo de compromisso. Este mesmo estabelece que, após o repasse do pagamento pela Fundarpe, as empresas terceirizadas deverão efetuar os pagamentos aos colaboradores em até 48h.</p>
<p>A Fundarpe segue acompanhando de perto a situação, mantendo diálogo permanente com as prestadoras de serviço e reforçando a cobrança para que as pendências sejam regularizadas o mais rapidamente possível, garantindo os direitos dos trabalhadores envolvidos. Cabe destacar que a responsabilidade pelo pagamento dos salários e por eventuais benefícios é exclusiva das empresas contratadas, conforme previsto nos contratos firmados.</p>
<p>Em relação às atividades previstas para o período do Carnaval, 35 deles irão atuar trabalhando nos dias de festa. A Fundarpe informa que o acompanhamento da atuação dos trabalhadores terceirizados seguirá sendo feito de forma responsável, dentro dos limites legais e contratuais, priorizando a regularização da situação trabalhista pelas empresas antes da execução dos serviços.</p>
	</div>
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		<item>
		<title>Frevo pede passagem em carta sobre baterias de samba no Carnaval de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 19:01:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[samba]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após diversos episódios de baterias de samba com som amplificado tomando o lugar do anfitrião e grande responsável pela tradição do Carnaval de Olinda — o frevo —, a associação que representa as agremiações do mais pernambucano dos ritmos resolveu ir a público pedir passagem (literalmente). Além de disputar espaço com as orquestras, algumas baterias [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após diversos episódios de baterias de samba com som amplificado tomando o lugar do anfitrião e grande responsável pela tradição do Carnaval de Olinda — o frevo —, a associação que representa as agremiações do mais pernambucano dos ritmos resolveu ir a público pedir passagem (literalmente). Além de disputar espaço com as orquestras, algumas baterias contam com mais verba da Prefeitura de Olinda do que as agremiações (veja, mais abaixo, alguns cachês).</p>



<p>Um ponto sobre a festa, no entanto, é unânime e une frevo, samba e foliões: o caos de se fazer qualquer desfile no Sítio Histórico de Olinda por causa da falta de ordenamento urbano por parte da prefeitura da cidade. Sobram depoimentos e imagens de bateria e orquestra se cruzando nas ladeiras e ruas estreitas. Mas também não faltam provas de que ambas precisam, a todo tempo, driblar ambulantes, carros de mão, veículos estacionados, motos e até caminhões.</p>





<p>Nesta terça-feira, 10 de fevereiro, a Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo) publicou uma carta aberta sobre as baterias de samba. “A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais”, diz trecho do texto.</p>



<p>A Afrevo, em defesa do ritmo, argumenta que “a crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo”.</p>



<p>“Não se trata de disputa entre culturas, mas de adequação ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de sistemas amplificados de som. Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo”, expõe a associação. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira, na íntegra, a nota a Afrevo</span>

		<p>O Carnaval de Olinda é uma das mais importantes expressões da identidade cultural brasileira, enquanto sua principal trilha sonora, o frevo, é patrimônio imaterial da humanidade reconhecido pela Unesco. Um bem cultural dessa magnitude exige responsabilidade coletiva de preservação.</p>
<p>O frevo arrasta multidões nas ruas estreitas da cidade, nascido e criado com uma formação musical própria para execução acústica, sem a necessidade de amplificação mecânica. As orquestras desfilam há mais de um século em harmonia com os modos de vida do Sítio Histórico de Olinda.</p>
<p>A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo.</p>
<p>Não se trata de disputa entre culturas, mas de adequação ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de sistemas amplificados de som. Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo.</p>
<p>Na nossa terra, junto com o frevo, convivem amorosamente maracatus de baque virado, maracatus rurais, caboclinhos, papangus, caretas e tantas outras manifestações da cultura popular, inclusive o samba quando celebrado harmonicamente com nossas tradições.</p>
<p>O frevo é código-fonte do Carnaval pernambucano. É algo que nos torna únicos no planeta. Nossa impressão digital.</p>
<p>A maestria do frevo no ciclo momesco é generosa e multicultural, mas também é bravia e vigilante nas trincheiras da resistência clássica do povo pernambucano.</p>
<p>A fala do Maestro Oséas sobre a dificuldade frente às baterias de samba amplificadas é um alerta necessário. Proteger o frevo não é conservadorismo pueril. É compromisso com a memória, com a cidade e com o futuro do nosso Carnaval.</p>
<p>Da madeira que o cupim foge do cheiro, é feito o frevo. Eterno!</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os cachês das baterias de samba</strong></h2>



<p>Na esteira das críticas à invasão das baterias, a<strong> MZ</strong> levantou, no Portal da Transparência de Olinda, os cachês dos cinco grupos que mais receberam verba da gestão Mirella Almeida (PSD) na festa de 2025: Auê (R$ 60 mil, por três apresentações), Cabulosa (R$ R$ 66 mil por três apresentações), D’breck (40 mil, por duas apresentações), Fábrica de Samba (R$ 70 mil por quatro apresentações) e Patusco (R$ 60 mil, por três apresentações).</p>



<p>Alguns dos valores estão acima do que receberam algumas das mais tradicionais agremiações de frevo da cidade para realizarem várias saídas carnavalescas no ano passado: Elefante de Olinda (R$ 42 mil), Ceroula (R$ 54 mil), Cariri (R$ 40 mil), Boi da Macuca (R$ 27 mil), John Travolta (R$ 40 mil), Vassourinhas (R$ 43 mil), Menino da Tarde (R$ 12 mil) e Flor da Lira (R$ 12 mil).</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> mostrou, em reportagem publicada nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, que muitos cantores e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural de Pernambuco receberam cachês bem mais altos que agremiações tradicionais. Leia <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>. Vários desses pagamentos também são mais altos do que o das baterias de samba.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Prefeitura de Olinda publica decreto</h3>



<p>De 2001, a chamada Lei do Carnaval de Olinda (5309/2001) regulamenta a questão do som, impedindo sons potentes em pontos fixos que não sejam os polos oficiais. São permitidas freviocas e trios desde que haja autorização. A lei, porém, não versa especificamente sobre as baterias de samba, uma vez que, naquela época, essa não era uma problemática.</p>



<p>Após diálogo com o frevo e o samba, a prefeitura publicou, na tarde desta quarta-feira, 11 de fevereiro,  em seu site, um <a href="https://www.olinda.pe.gov.br/prefeitura-de-olinda-regulamenta-uso-de-equipamentos-de-som-no-carnaval-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decreto temporário (008/2026)</a>, válido para este ano, que regulamenta a utilização de equipamentos móveis de sonorização durante o Carnaval. Entre as medidas, estão: &#8220;as passarelas naturais terão prioridade para a circulação contínua de foliões e, especialmente, das agremiações tradicionais, como blocos de frevo, maracatus e afoxés. Fica proibido o uso de equipamentos sonoros que impeçam ou dificultem a evolução dessas manifestações, bem como qualquer obstrução física ou sonora que comprometa o caráter tradicional da festa.</p>



<p>A utilização de equipamentos móveis de sonorização dependerá de autorização prévia e expressa da Prefeitura. As agremiações interessadas deverão protocolar requerimento com antecedência mínima de 24 horas antes do início do período carnavalesco, apresentando documentação completa, descrição técnica do equipamento, roteiro e cronograma do desfile, além de termo de responsabilidade. A autorização poderá ser suspensa ou cassada a qualquer momento em caso de descumprimento das normas estabelecidas.</p>



<p>O descumprimento das regras poderá resultar na apreensão imediata do equipamento, aplicação de multa inicial de R$ 10 mil, além da perda de incentivos financeiros municipais e responsabilização administrativa, cível ou criminal&#8221;.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Samba reclama da falta de ordenamento urbano</strong></h4>



<p>Em entrevista à <strong>Marco Zero</strong>, o representante da Associação do Samba de Olinda, Deco Guimarães, do Patusco, fundado há 64 anos, disse temer que o acirramento termine em episódios de violência, uma vez que, segundo ele, alguns grupos de samba vêm recebendo ameaças na internet. “São pessoas dizendo que vão quebrar os carros e se juntar para atrapalhar os desfiles”, reporta.</p>



<p>“A questão não é o samba, é o som. Realmente houve um crescimento de baterias, dos blocos de samba e todas utilizam seu som. Mas isso tomou uma proporção tão grande e desnecessária que está se tornando até perigosa para a gente o samba”, comentou, dizendo que agora tudo virou culpa do samba. Na avaliação de Deco, a questão, que se tornou uma “perseguição”, “vai ter que ser resolvida de todo jeito”, mas as mudanças agora “só serão possíveis para o Carnaval 2027”, uma vez que a abertura da folia já é nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, e, há anos, o assunto vem sendo debatido sem surtir qualquer transformação.</p>



<p>Na avaliação do presidente da associação, não há desrespeito ao frevo, e, sim, dificuldade em conciliar todos os ritmos por falta de organização. “O que acontece é que, às vezes, a rua está muito congestionada de ambulantes, carros sem adesivo, carros de serviço, em pleno horário da folia. O problema mais é estrutural”. A sugestão de Deco é também que a prefeitura criasse “corredores da folia”, nos principais pontos de desfile, como Largo do Guadalupe, Ribeira, Ladeira da Prefeitura e Quatro Cantos.</p>



<p>Deco frisa que a associação tem interesse em chegar a um “denominador comum que seja bom para todo mundo”. Deco disse que não vê problema em desfilar na parte baixa de Olinda ou em um polo dedicado ao samba, desde que haja estrutura para isso. </p>



<p>Sobre os cachês pagos pela gestão Mirella, o presidente defende que as agremiações de frevo, sobretudo as mais tradicionais e que arrastam mais foliões, precisam receber mais verba municipal.</p>



<p>A bateria Cabulosa anunciou, nesta terça-feira, 10 de fevereiro, que já este ano não desfilará mais pelas ladeiras. O grupo realizará seu desfile na parte baixa da cidade, na Av Sisnundo Gonçalves, em frente ao Colégio São Bento, com concentração na Praça do Jacaré.</p>



<p>“Diante das últimas notícias, entrevistas e informações que vêm gerando debates entre baterias, foliões, admiradores do frevo, blocos e orquestras, a Bateria Cabulosa optou, de forma consciente e responsável, por evitar embates e transtornos, realizando seu primeiro desfile em um espaço que também é belíssimo, simbólico e plenamente adequado para o Carnaval de Olinda”, diz a nota. Confira <a href="https://www.instagram.com/bateriacabulosa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> a íntegra.</p>
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