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	<title>Arquivos Diversidade - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 15 Apr 2026 16:29:55 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Diversidade - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>A luta de uma mulher com deficiência para ser nomeada professora no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 16:16:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[concurso público]]></category>
		<category><![CDATA[pessoa com deficiência]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mariana Clarissa, do site Eficientes O que começou como um inchaço no joelho transformou-se em uma jornada de 17 anos de cirurgias, radioterapia e dores agudas para Milena Barros Gomes, hoje professora de Geografia. Aos 19 anos, ela enfrentou uma sinovite vilonodular pigmentada, uma inflamação rara tratada como tumor, que desgastou sua cartilagem e [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Mariana Clarissa, do site <a href="https://eficientes.org.br/2026/04/14/pessoas-com-deficiencia-enfrentam-obstaculos-para-nomeacao-na-prefeitura-do-recife/">Eficientes</a></strong></p>



<p>O que começou como um inchaço no joelho transformou-se em uma jornada de 17 anos de cirurgias, radioterapia e dores agudas para Milena Barros Gomes, hoje professora de Geografia. Aos 19 anos, ela enfrentou uma sinovite vilonodular pigmentada, uma inflamação rara tratada como tumor, que desgastou sua cartilagem e a fez usar muletas até a implantação de uma prótese de joelho em 2023. Ironicamente, a maior barreira que ela encontrou não foi a doença, mas o poder público.</p>



<p>Após ser aprovada no concurso da Prefeitura do Recife, em 2023, para as vagas reservadas a pessoas com deficiência (PcD), Milena foi desclassificada em uma perícia médica que, de acordo com ela, durou poucos minutos. Segundo a professora, a médica da banca sequer analisou o raio-X que mostrava a prótese metálica em sua perna, alegando que sua condição era meramente estética. O caso de Milena não é isolado e ilustra o capacitismo estrutural que permeia as instituições brasileiras, onde a lei de cotas é frequentemente contornada por interpretações subjetivas e restritivas.</p>



<p>O conceito de deficiência no Brasil, consolidado pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI), deveria seguir o modelo biopsicossocial, que considera não apenas o impedimento físico, mas as barreiras que impedem a participação plena do indivíduo na sociedade. Na prática, porém, as bancas examinadoras, como a do <a href="https://www.cebraspe.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cebraspe</a>, no caso de Milena, muitas vezes recuam para um modelo puramente médico e, por vezes, negligente.</p>



<p>A justificativa de que uma prótese total de joelho, que impede a candidata de correr, pular ou ficar longos períodos em pé, seria uma questão estética ignora o caráter funcional e permanente da deficiência. &#8220;Ao negar minha condição, nega-se quem eu sou, o meu corpo, as minhas dores, tudo o que vivi&#8221;, afirma Milena. Esse tipo de avaliação é apontado por especialistas como uma forma de violência institucional, onde a sobrecarga da prova recai sobre a pessoa com deficiência.</p>



<p>A resistência em reconhecer direitos estende-se ao Poder Judiciário. No processo movido por Milena contra a Prefeitura do Recife e o Cebraspe, o Ministério Público opinou pela realização de uma nova perícia médica para sanar as dúvidas. Enquanto Milena concordou prontamente, tanto o município quanto a banca organizadora se posicionaram contra o novo exame, alegando que a decisão administrativa deveria prevalecer. Os advogados do Cebraspe, no entanto, teriam perdido um prazo e o caso seguirá com uma nova perícia médica.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/Milena-Eficientes-decisao-819x1024.jpeg" alt="Documento oficial do Poder Judiciário do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Tribunal de Justiça de Pernambuco. Poder Judiciário. 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital. AUTOR(A): MILENA BARROS GOMES. RÉU: CEBRASPE, MUNICIPIO DO RECIFE. DECISÃO: Vistos, etc … Decreto a revelia do Cebraspe, ante a intempestividade da contestação, deixando, contudo, de aplicar os efeitos materiais da presunção de veracidade, nos termos do art. 345, I, do CPC. Acolho o parecer ministerial e, mantendo a coerência com a decisão de ID [suprimido], que fixou a competência deste Juízo pela complexidade da causa, DEFIRO a produção de prova pericial médica. Quanto ao nome do perito, deve a Secretaria deste juízo escolher entre os nomes cadastrados, por ordem alfabética e, antes de formalizar qualquer termo, tentar manter contato com o mesmo para fins de anuência. Definido o nome do perito e tomado o compromisso, intimem-se as partes para indicarem seus assistentes e quesitos. Quanto ao pedido de reconsideração da decisão que indeferiu o pedido de antecipação da tutela (Id [suprimido]), postergo a análise do pedido para após a entrega do laudo pericial. Cumpra-se! RECIFE, 11 de fevereiro de 2026." class="" loading="lazy" width="629">
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	                                        <p class="m-0">Justiça acatou pedido de Milena e determinou nova perícia
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Essa postura revela uma contradição profunda: o mesmo Estado que emite uma identidade oficial de pessoa com deficiência para Milena, por meio da Secretaria de Defesa Social, é o que tenta barrar sua entrada no serviço público sob o argumento de que ela não se enquadra nos requisitos legais. Para a candidata, a lentidão e a insensibilidade do poder público funcionam como um adiamento deliberado de um direito conquistado no mérito das provas.</p>



<p>Enquanto a decisão judicial não vem, o custo é emocional e financeiro. Como arrimo de família, Milena precisa se desdobrar em até três empregos e a espera gera uma situação de vulnerabilidade que afeta a autonomia e o planejamento de vida.</p>



<h1 class="wp-block-heading">O custo da exclusão</h1>



<p>Embora a Constituição Federal e a LBI garantam a reserva de vagas (que pode chegar a 20% em alguns editais), a implementação dessas cotas é cercada de armadilhas burocráticas. A sensação descrita por quem passa por esse processo é de que o sistema é desenhado para que os candidatos percam a força de insistir em ocupar seus lugares por direito.</p>



<p>O caso de Milena e tantas outras pessoas expõe que o cumprimento da Lei de Cotas está refém de bancas que executam falhas na transparência e vão de encontro à realidade clínica dos candidatos. A docente destaca que quem hoje se prepara para concursos públicos sendo PcD, a orientação é amarga. &#8220;Prepare-se para precisar de justiça e contar com a sorte&#8221;.</p>



<p>A reportagem enviou questionamentos detalhados à Prefeitura do Recife e ao Cebraspe sobre os critérios técnicos que levaram à desclassificação de Milena, a qualificação dos profissionais da banca e os motivos para a resistência em realizar a nova perícia médica sugerida pelo Ministério Público. Até o fechamento deste texto, não obtivemos resposta de nenhum dos órgãos citados. O espaço permanece aberto para que as instituições enviem seus esclarecimentos sobre os pontos questionados.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Atualização 15/04/2026, às 13h30min:</strong> após a publicação desta reportagem, o Cebraspe enviou nota informando que os questionamentos da candidata são tratados no âmbito de ação judicial e que, por essa razão, os esclarecimentos são feitos exclusivamente nos autos do processo.</li>
</ul>



<p></p>
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		<title>Pás e Vassourinhas explicam como frevo nasceu do suor dos trabalhadores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 20:13:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Clube das Pás]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história de dois dos clubes carnavalescos mais antigos do Brasil, o Clube das Pás e o Vassourinhas, ajudam a entender como o ritmo que é a marca registrada do carnaval pernambucano foi criado por trabalhadores negros de bairros da periferia do Recife. Criadas no final do século XIX como associações que representavam categorias profissionais, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A história de dois dos clubes carnavalescos mais antigos do Brasil, o Clube das Pás e o Vassourinhas, ajudam a entender como o ritmo que é a marca registrada do carnaval pernambucano foi criado por trabalhadores negros de bairros da periferia do Recife. Criadas no final do século XIX como associações que representavam categorias profissionais, as duas agremiações seguem varrendo o tempo como guardiãs da cultura popular.</p>



<p>Mais conhecido por seus bailes notunos e pela tradicional gafieira em seu salão de dança no coração de Campo Grande, bairro da zona norte do Recife, o Clube das Pás é bem mais do que um espaço para dançar. O que muitos recifenses talvez não saibam é que ele é o clube carnavalesco mais antigo em atividade na capital pernambucana, que desfila desde 1988 como clube pedestre nos desfiles oficiais organizados pelo poder público.</p>



<p>Fundado em 19 de março de 1888, uma segunda-feira de carnaval, antes mesmo da abolição da escravatura no Brasil, o clube nasceu após um grupo de carvoeiros, trabalhadores que faziam carregamento de carvão, abastecerem um navio durante um período de greve de portuários e escravos de ganho &#8211; pessoas escravizadas que trabalhavam nas ruas fazendo diferentes serviços ou vendendo mercadorias, obrigados a dar parte dos seus rendimentos aos “senhores”.<br><br>Os trabalhadores fizeram o serviço e foram comemorar, com suas pás nas costas, o salário recebido no Clube dos Caiadores, no bairro de São José. Com alguns trocados no bolso e em pleno carnaval, eles tinham motivos para festejar, tanto que decidiram criar o Clube Carnavalesco Misto das Pás.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:44% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c.jpg" alt="" class="wp-image-74620 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“O clube passa, em todos os momentos históricos e políticos do Brasil, 1888, 19 de março, em 13 de maio, a libertação dos escravos. Depois vem a república, o estado novo, a ditadura militar em 64, vem a redemocratização e em todos os momentos, o Clube das Pás participa efetivamente aqui no estado de Pernambuco”, conta Álvaro Melo, diretor de promoções e eventos do Clube das Pás, que é apaixonado pelo clube desde quando o conheceu, há 30 anos. </p>
</div></div>



<p></p>



<p>Hoje, o clube continua desfilando e ganhando prêmios com suas apresentações no grupo especial do Recife. Todos os preparativos acontecem na sede da agremiação, em um espaço acima do famoso salão de dança, com uma equipe de dez pessoas que começa a se preparar até seis meses antes do carnaval. Lá são confeccionadas roupas e adereços.</p>



<p>Os carros alegóricos também são construídos pela própria equipe do Clube das Pás, que, este ano, desfilará no domingo à noite, na passarela da avenida Dantas Barreto concorrendo com outros cinco clubes de frevo &#8211; Reizado Imperial, Amante das Flores, Guaiamum na Vara, Girassol da Boa Vista e o já mencionado Vassourinhas.</p>



<p>Carnavalesca e administradora do barracão, Gislaine Cordeiro, está na função há dois anos e é a pessoa que comanda o espaço e comanda o desenho dos desfiles. “É muita luta, a gente corre muito, a gente tem aquela dinâmica de chegar cedo pra terminar cedo, o mais breve possível. Mas sabe onde é que a gente sente alegria? Quando bota na avenida, até as apresentações pela prefeitura são gratificantes, você se sente feliz é uma emoção, porque você sabe que aquele trabalho saiu de todo um conjunto de pessoal”, conta.</p>



<p>Já quem cuida dos figurinos é Hilário da Silva, carnavalesco responsável pela parte de criação e confecção dos figurinos e adereços, também participa de todos os processos. Na função há 11 anos, ele conta que existe um processo do tema ao protótipo para chegar na confecção e que todos eles são feitos com muita dedicação. “Eu amo, adoro fazer carnaval. Quando eu começo, dedico minha vida, porque se você não se dedicar de corpo e alma, a coisa não sai. Então, quando a gente gosta de carnaval, a gente tem o sangue na veia mesmo, a gente já está pensando no próximo trabalho”, diz.</p>



<p>Mas o clube não é feito apenas por essa equipe, existem centenas de pessoas envolvidas para que as apresentações aconteçam, são entre 250 e 300 pessoas que vão para a avenida em dia de desfiles.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Pas-2-1024x582.jpeg" alt="A cena mostra um desfile carnavalesco cheio de cores e detalhes. No centro, há um grande estandarte ornamentado com franjas douradas e símbolos de pás cruzadas, trazendo inscrições que remetem a um clube fundado em 1888. Ao redor do estandarte, pessoas vestem fantasias elaboradas, em tons vivos de amarelo, com enfeites de estrelas e flores nas cabeças. Ao fundo, espectadores assistem sentados diante de uma parede multicolorida." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Clube das Pás e Vassourinhas desfilam na avenida Dantas Barreto, no domingo de Carnaval.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo Clube das Pás</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">“O frevo não é uma brincadeira inocente”</h2>



<p>Um ano depois do surgimento do Clube das Pás, em 1889, um outro grupo de trabalhadores decidiu criar o Vassourinhas, tão importante para a história do frevo por ter como o hino a Marcha nº 1.<br><br>Entre as várias versões que existem sobre o surgimento do grupo, a que mais apresenta evidências históricas, segundo o diretor Thomás Ricardo, conta que um grupo de amigos se reuniu após o trabalho, próximo à Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no bairro de São José, na festa do Dia de Reis, em 6 de janeiro, a primeira depois da abolicão.<br><br>“O Clube Vassourinhas vai surgir justamente no final do século XIX, início do século XX num contexto pós-abolição, num contexto de proclamação da república, onde os populares vão cada vez mais, apesar ainda de muitas restrições impostas, mas esses dois condicionantes, esse contexto vai favorecer para que o clube surja, assim como outras agremiações também vão surgir”, conta Thomás.</p>



<p>Diferente do Clube das Pás, todos os trabalhadores não necessariamente eram varredores de rua, apesar de também existirem em bom número no grupo. Thomás afirma que eles exerciam diferentes funções, mas como era uma tendência da época nomear um clube carnavalesco com o nome de algum instrumento de trabalho ou então com o nome de alguma categoria profissional, assim o fizeram.</p>



<p>“É muito importante a gente sempre reverenciar e destacar que o frevo, ele não é uma brincadeira inocente. O surgimento desse clube não vai ser uma brincadeira pura e simplesmente inocente, não”, reforça Thomás. “As elites não queriam que os populares tivessem direito de acesso às ruas, só que os populares não vão aceitar, assim como também os fundadores do Vassourinhas, eles vão cada vez mais conquistando as ruas, cada vez mais conquistando adeptos, até se transformar no grande clube carnavalesco que vai surgir e que vai justamente conquistar o Brasil”, continua.</p>



<p>Durante o século XX, o clube consolidou sua força. Em 1909, Joana Batista e Matias da Rocha, ambos negros e vindos das periferias do Recife, compuseram o hino que se tornaria quase um sinônimo de frevo, a Marcha nº1.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Clique <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fRPS-Ud-DpU" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui para escutar uma gravação de 1945</a> ou <a href="https://www.youtube.com/watch?v=5pLhkCBo1fY" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui para a versão antológica que levanta multidões</a> já nos primeiros acordes.</p>
        </div>
    </div>



<p>Nos anos 1950, em uma viagem ao Rio de Janeiro para se apresentar oficialmente, a excursão que reuniu aproximadamente 60 músicos da banda da Polícia Militar de Pernambuco, além de fantasias e estandartes, fez uma escala em Salvador que transformou o percurso em um momento histórico.</p>



<p>Segundo Thomás Ricardo, “a cidade de Salvador realmente enlouqueceu com aquela apresentação. Eles nunca tinham visto o frevo, nunca tinham visto um carnaval sendo feito daquela forma”. A multidão se reuniu para assistir ao espetáculo, e o impacto foi tão grande que alguns músicos se machucaram em meio à aglomeração. Para garantir a segurança, surgiu a ideia de colocar os músicos sobre um carro, como solução improvisada que inspiraria Dodô e Osmar na criação do trio elétrico.</p>



<p>Esse detalhe mostra como o Vassourinhas não apenas consolidou o frevo como expressão pernambucana, mas também influenciou diretamente o carnaval baiano. “O Clube Vassourinhas realmente possui uma história muito bonita, que se confunde com a história do Carnaval do Brasil”, resume Tomás, reforçando o papel da agremiação como ponte entre tradições regionais e como catalisadora de novas formas de festa popular.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Próximo objetivo é retomar as ruas</strong></h3>



<p>Hoje, assim como o Clube das Pás, o Vassourinhas de Recife desfila no Grupo Especial do Concurso de Agremiações do Carnaval do Recife, mas o desejo da diretoria é retomar os desfiles de rua que, outrora, foram a marca desses clubes.</p>



<p>Historicamente, os clubes centenários realizavam arrastões pelas ruas da cidade, mas com o tempo, ao migrarem para sedes próprias nas periferias do Recife, ficaram mais restritos a bailes e concursos oficiais. Ele defende que essa prática precisa ser retomada: “eu acho que é muito importante que as agremiações do Recife tenham (seus arrastões). Não só o Vassourinhas, mas eu queria que os Lenhadores, o Clube das Pás também tivessem seus arrastões, porque se a gente for ver nos jornais antigos, essas agremiações faziam arrastão.”</p>



<p>Tomás cita exemplos de Olinda, onde os Lenhadores e o Vassourinhas mantêm seus arrastões, e reforça que o Vassourinhas do Recife, o original, fundado em 1889, deveria seguir essa tradição. Para ele, os arrastões são uma forma de devolver os clubes às ruas, aproximando-os dos foliões e reafirmando sua identidade popular.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55078594301_fa543fb2fc_c-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55078594301_fa543fb2fc_c.jpg" alt="A imagem mostra Thomás Ricardo, um homem em pé, de braços cruzados, diante de dois estandartes festivos e ornamentados. Ele veste uma camiseta amarela com desenhos que combinam com os símbolos dos estandartes, indicando ligação com o grupo representado. Os estandartes são ricamente decorados em cores vivas como dourado, azul e vermelho, trazendo inscrições que mencionam “Vassourinhas” e “Recife”, além de figuras e emblemas. O conjunto transmite orgulho cultural e celebração de tradições locais." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Agremiações pedestres que contam a história de um tempo</strong></h3>



<p>Luiz Vinícius Maciel, historiador e coordenador de memória do Paço do Frevo, conta a importância da existência desses clubes até hoje. São agremiações pedestres que contam a história de um tempo e que permanecem resistindo aos desafios enfrentados ao longo dos anos.</p>



<p>“Essa trajetória longa que esses clubes têm, que diante de muitos desafios continua existindo até hoje, é valiosa não só para um lugar de salvaguarda e cuidado com a tradição do que é o frevo, de muitos elementos que vêm do passado, de recontar essas histórias, de transmitir essas histórias, esses saberes de como geriam a agremiação e como é que a manifestação acontece na rua, da dança, da música”, aponta o historiador.</p>



<p>Maciel também aponta a importância desses clubes para as comunidades que estão inseridas até hoje. “São agremiações que nasceram no centro do Recife, mas que por mil motivos, ao longo da história da cidade, foram se espalhando para as periferias. Você tem o Clube das Pás está em Campo Grande, o Vassourinhas está em Afogados, os Lenhadores estão na Mustardinha. E são espaços que muitas vezes vai ter o brega do fim de semana, vai ter a festa da terceira idade, vai ter o velório de alguém, tem situações, às vezes, da escola quebrou o ar-condicionado, a turma vai ter aula no clube. Então, são espaços importantes também para aquelas comunidades de troca social, de sociabilidade, até hoje, em 2026”, reflete.</p>
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		<title>O regresso das multidões do Elefante de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 20:06:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
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<p>Era domingo de Carnaval, há mais de dez anos, quando o minguado — porém, ainda vivo — Elefante de Olinda passou pouco aclamado pelo povo e sem nenhum ardor pela avenida Joaquim Nabuco, no Varadouro. Com quase nenhum esplendor, mas ainda exaltando suas tradições, a agremiação desfilava ao som de apenas dois clarins, uma faixa de tecido desgastado, uma orquestra de dez músicos, um pequeno grupo de foliões e desfilantes com fantasias velhas. Com no máximo 25 pessoas, aquele era o retrato do declínio do clube carnavalesco fundado em 1952 que, por muito tempo, arrastou multidões e cujo hino se confunde com o hino do Carnaval de Olinda.</p>



<p>Alguns anos depois dessa cena, o gigante acordou e, no Carnaval de 2026, e se prepara para, mais uma vez, arrastar uma multidão de 30 mil desfilando seu recorde: seis alas de fantasias, abre-alas, faixa, dois porta-estandartes, duas companhias de dança, vários clarins e duas orquestras. Nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, o clube comemora 74 anos com uma nova diretoria que atuou para revibrar corações de amor a sonhar, numa Olinda sem igual. Atualmente o Elefante realiza quatro desfiles carnavalescos: o Trote, o Baile Encarnado, o Elefantinho e o desfile oficial, sempre aos domingos.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-2-1024x682.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma celebração noturna de rua, provavelmente ligada ao carnaval ou a um festival cultural. No centro, há um grande estandarte bordado com a inscrição “Elefante de Olinda”, destacando os anos 1952 e 2023, em referência aos 71 anos desse grupo tradicional. O estandarte é colorido e ornamentado com desenhos de sol, palmeiras e paisagem. Abaixo dele, uma multidão de pessoas festeja com braços erguidos, enquanto confetes ou espuma caem sobre elas. As ruas estão enfeitadas com fitas coloridas e iluminadas, criando um ambiente alegre e vibrante de comemoração coletiva." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elefante de Olinda desfila a frente de 30 mil pessoas no Carnaval de Olinda. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito Hugo Muniz</span>
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                    </figure>

	


<p>“Estávamos na calçada, na casa da minha sogra, quando, de repente, vi a faixa ‘Elefante de Olinda’. Eu gritei &#8216;minha gente, corre, é o Elefante de Olinda&#8217;. E sai desfilando com meu companheiro, Anax Botelho”. Quem revive essa história em detalhes é Juliana Serretti, 36 anos, que hoje compõe a diretoria do clube.</p>



<p>“Como pode a gente passar o Carnaval todo cantando o hino do Elefante, que virou até um grande clichê, e a agremiação estar desse jeito? Precisamos fazer alguma coisa”, pensou Juliana. Foi quando ela e Anax — cujos pais se conheceram e se apaixonaram durante um desfile do Elefante — começaram a buscar quem estava à frente da agremiação.</p>



<p>“Aí conhecemos seu João, já falecido e um dos homenageados do Elefante no Carnaval 2026. Ele foi, por muitos anos, presidente e carregou o clube nas costas. É graças à teimosia de seu João que ainda estamos aqui”, relembra ela. O Elefante, mesmo à míngua, nunca deixou de desfilar um só Carnaval. “Depois começamos a chamar várias pessoas que sabíamos que têm amor pela folia e algum vínculo com o Elefante, sempre frisando para seu João que a gente não queria cachê nem tomar o poder dele. Nosso desejo era realmente levantar o clube”, detalha.</p>



<p>Uma dessas pessoas é Rafael Antônio, 36 anos, neto de Élcio, um dos fundadores da agremiação, e que hoje também faz parte da diretoria e é porta-estandarte. “Minha família sempre alugou casa em Olinda no Carnaval e, quando eu era pequeno e vinha uma troça muito grande, as pessoas lá de casa colocavam as crianças e as cadeiras para dentro. O Elefante, quando chegou uma vez, minha avó, ainda viva, ficou muito triste porque, na época, o clube passou já muito pequeno. Não passou gigante como era antes, quando as fantasias, inclusive, eram feitas na casa dela”, recorda ele, dizendo que, depois disso, nunca mais viu a agremiação passar novamente.</p>



<p>Rafael também relembra o motivo do nome “Elefante”: “Antigamente, havia as festas que o pessoal chamava de assustado. As pessoas entravam na casa dos outros, que ofereciam comes e bebes. Num desses assustados, Chuquinha, um dos fundadores, pegou um pequeno elefante de biscuit em cima da geladeira e guardou no bolso. A turma comeu, bebeu e foi embora. Quando chegaram nos Quatro Cantos de Olinda, Chuquinha colocou o elefantinho na cabeça e começou a dançar”.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1024x643.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma festa popular realizada à noite em uma rua cheia de pessoas. A multidão veste roupas festivas, muitas em vermelho, e duas bandeiras grandes e ornamentadas se destacam no centro. Uma delas traz o nome “Cariri” com bordados em azul e dourado; a outra celebra os 70 anos do grupo “Elefante de Olinda”, com bordados coloridos e a figura de um elefante sob o sol. Acima da rua, há fitas verdes e amarelas penduradas, e também um letreiro em forma de coração com a palavra “Paz”. O clima é alegre, vibrante e transmite a energia de uma celebração cultural tradicional brasileira." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elefante e Cariri juntos no Carnaval de Olinda. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Hugo Muniz</span>
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                    </figure>

	


<p>E as cores? “O Elefante usa vermelho e branco porque, no seu primeiro desfile, o grupo jogava no Bonfim Futebol Clube, em que meu tio era goleiro. As cores do time eram vermelho e branco e o pessoal saiu para desfilar vestindo as camisas do Bonfim”.</p>



<p>A reportagem também perguntou sobre a rivalidade com a Pitombeira dos Quatro Cantos, que já foi motivo de muita violência com brigas e facadas, mas hoje tornou-se mais um motivo de brincadeira. A dupla da diretoria conta, rindo, a origem dessa rivalidade. Num desfile, há muitas décadas, uma pessoa levou uma plaquinha escrita “A Pitombeira não morreu, está doente”, porque, naquele ano, a troça não saiu no Carnaval. No ano seguinte, ela também não desfilou e essa mesma pessoa exibiu a plaquinha “A Pitombeira morreu, aqui jaz”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Juliana e Rafael, da diretoria do Elefante. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">O financiamento do regresso</h2>



<p>Rafael comenta que o ressurgimento do Elefante de Olinda manteve uma outra tradição: a de ser composto por amigos-foliões. O ano era 2017 quando o grupo conquistou totalmente a confiança de seu João e ele passou a diretoria para a nova geração.</p>



<p>“E aí o nosso grande orgulho foi quando as pessoas começaram a dizer novamente ‘recolhe que o Elefante vem aí’&#8221;, comemoram, explicando, em seguida, que as coisas não aconteceram de uma hora para outra. Foi através da venda de produtos como camisa, boné, bolsa e, este ano, meias (que esgotaram rapidamente) que a diretoria foi conseguindo mais verba, além do <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cachê pequeno</a> pago pela Prefeitura de Olinda, este ano de apenas R$ 48 mil para três exibições.</p>



<p>Mesmo com pouca verba pública, o Elefante mantém o baile como um evento gratuito, em que só se toca frevo e nada além disso. O clube conta com um patrocínio de R$ 10 mil da Pitú e não aceita dinheiro das bets, apesar de algumas empresas já terem oferecido. O desfile do domingo de Carnaval, o maior de todos, não sai por menos de R$ 60 mil.</p>



<p>Quem também chegou junto com força nessa história foi o maestro Oséas Leão, da Furiosa: “Ele também é responsável por esse renascimento. Ter a orquestra de Oséas no Elefante foi uma grande conquista, no nosso primeiro Trote. Mas isso porque ele topou cobrar um cachê que conseguíamos pagar”, afirma Juliana.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1-1024x682.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma celebração de rua à noite, cheia de cores e detalhes festivos. No centro, há uma pessoa vestida com uma fantasia elaborada de elefante: cabeça grande com presas, coroa e roupas bordadas com pedras e enfeites brilhantes. Ao lado dela, aparece um estandarte ricamente decorado com bordados coloridos e franjas, trazendo a inscrição “Elefante de Olinda – 70 anos – 1952 2022”, além da figura de um elefante dourado sob o sol, cercado por palmeiras. Ao fundo, outras pessoas em trajes festivos participam da comemoração, reforçando o clima alegre e cultural de um carnaval ou festa tradicional brasileira." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Um dos estandartes do clube com o Elefante símbolo da agremiação. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Hugo Muniz</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">O hino &#8220;Regresso do Elefante&#8221;</h3>



<p>Ao longo das décadas em que o Elefante esteve adormecido, muito da sua história se perdeu. Uma dessas perdas foi a partitura do hino <a href="https://www.youtube.com/watch?v=klKix-hvcCk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Regresso do Elefante</a>, que era (e agora voltou a ser) tocado quando a orquestra recolhe, ao final dos desfiles. Tradicionalmente a agremiação encerra com esse frevo e inicia com o frevo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=E5XuKm_PKhk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A chave de tudo é o segredo</a>. Isso faz parte da mística do Elefante, é quando Oséas faz, com as mãos, um sinal de que está girando uma chave.</p>



<p>“Mas ninguém sabia nem como era esse frevo, nunca tínhamos ouvido. Sabíamos apenas uns trechos da letra graças à Newtinho, do bloco Dez de Xarque e uma Latinha. Por sorte, Célio Gouveia, também da diretoria do Elefante, encontrou um vinil super antigo, num sebo, e lá estava o Regresso do Elefante&#8221;, conta Juliana. O grupo entregou o vinil à Lúcio, maestro da Orquestra Henrique Dias, que conseguiu refazer a partitura.</p>



<p>“Às vezes, estou varrendo a sala de casa quando ouço as orquestras, no Clube Vassourinhas, perto da minha casa, ensaiando e tocando novamente o Regresso do Elefante. É quando penso ‘ele está vivo’, compartilha.</p>



<p>Essa é uma das várias histórias sobre o ressurgimento do clube presentes no documentário recém-lançado Elefante Encarnado, de Juliana Beltrão, um filme da memória viva do Elefante e do amor de um povo que transforma tradição em alegria e resistência.</p>



<p>“A gente está no Elefante, mas a gente passa. O Elefante fica. O elefante veio antes, estamos aqui durante e ele vai continuar depois. Então o Elefante não é nosso, não é de ninguém, mas é de todo mundo junto”, declara Juliana ao final da entrevista.</p>



<p>Uma coisa é certa: mesmo nos anos mais difíceis, quem algum dia brincou o Carnaval nas ladeiras de Olinda cantou o hino do Elefante, talvez a música mais tocada da folia em Pernambuco e que se tornou quase um hino não oficial tanto da festa quanto da própria cidade.</p>



<p>Cliquei abaixo para escutar com arranjo e regência do maestro Duda.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Maestro Duda e Sua Orquestra - Elefante de Olinda" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/Bl_2eRGpsdQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p><br><br></p>
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		<title>Às vésperas do Carnaval, terceirizados da Fundarpe denunciam atrasos de salários</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 21:17:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Fundarpe]]></category>
		<category><![CDATA[terceirizadas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com o Carnaval batendo na porta, funcionários das empresas Únika e Atitude, que prestam serviço para a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), estão com os salários de janeiro atrasados. O pagamento deveria ter sido feito na sexta-feira passada, o quinto dia útil do mês. Apesar d atraso ser de poucos dias, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com o Carnaval batendo na porta, funcionários das empresas Únika e Atitude, que prestam serviço para a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), estão com os salários de janeiro atrasados. O pagamento deveria ter sido feito na sexta-feira passada, o quinto dia útil do mês. Apesar d atraso ser de poucos dias, funcionários das empresas denunciam que os atrasos são recorrentes, que a Únika não deposita o FGTS desde novembro do ano passado e que o pagamento dos auxílios de alimentação e transporte também está atrasado. Quem entrou de férias também não recebeu o salário adiantado.</p>



<p>“Desde novembro os atrasos vêm acontecendo e a demanda de serviços aumentando, devido às contratações para o Carnaval. O salário de dezembro foi pago no dia 13 de janeiro. Há uma pressão absurda para o trabalho continuar, mas sem previsão alguma para o pagamento”, denunciou um funcionário, que não quis ser identificado.</p>



<p>Órgão do Governo do Estado responsável pelo patrimônio e difusão cultural, a Fundarpe não possui funcionários públicos próprios, pois nunca houve concurso para preencher as vagas de seu organograma. Há concursados emprestados de outros órgãos, comissionados, terceirizados e aprovados em seleções simplificadas. No ano passado, tanto o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) quanto o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) já emitiram notificações para que o Governo faça concurso público para a Fundarpe.</p>



<p>Por e-mail, outro funcionário denunciou que a empresa alterou unilateralmente a forma de pagamento dos benefícios do mês de janeiro, passando a pagar vale-alimentação e vale-transporte de forma parcial e sem qualquer comunicação prévia. “A legislação trabalhista é clara: a inadimplência do poder público não exime a empresa do cumprimento das obrigações trabalhistas. O risco da atividade econômica é do empregador e não dos trabalhadores. Apesar de o sindicato da categoria estar informado, a situação permanece sem solução. Diversas denúncias já foram feitas ao MPPE, TCE-PE, Ministério do Trabalho e Justiça do Trabalho de Pernambuco”, afirmou.</p>



<p>Quando os terceirizados chegaram para trabalhar na segunda-feira (9), os rumores eram de que o salário não iria sair até o Carnaval. Ainda na segunda, a direção da Fundarpe fez reuniões com representantes das duas empresas contratadas, mas os comunicados divulgados pelo órgão após as reuniões deixaram os funcionários das duas empresas ainda mais apreensivos.</p>



<p>“O que foi repassado para a gente foi um texto mal feito que dava a entender que a Fundarpe concordava que as empresas só fizessem o pagamento daqui a 30 dias. Isso gerou muita indignação. Os valores pagos já são muito baixos. Os funcionários da Atitude recebem aproximadamente R$ 2,5 mil e a Únika paga R$ 3,5 mil brutos. A gente também não recebe por hora extra, que são muitas neste período, com o Carnaval e o festival Pernambuco Meu País. O trabalho a mais é só trocado por folgas”, reclamou um terceiro funcionário ouvido pela MZ.</p>



<p>A Marco Zero teve acesso a dois comunicados internos emitidos pela Fundarpe nesta semana. Um deles citava que as pendências seriam regularizadas “o mais breve possível”, sem citar datas. Afirmava também que “a empresa apresentou uma proposta que está sendo analisada pela gestão, devidamente assessorada pela diretoria jurídica, com o objetivo de assegurar que as empresas contratadas sanem as pendências existentes, em estrita observância às cláusulas contratuais e às normas legais aplicáveis”.</p>



<p>O outro comunicado, assinado pela gestora contratual Tereza Campos, tratava da reunião com a Únika e informava que a empresa, representada por Michel Nóia, afirmava que estava em “situação de descapitalização” e em tratativas com a Caixa Econômica Federal para parcelar os débitos do FGTS. O texto também dizia que a Fundarpe havia tomado todas as providências administrativas cabíveis e que também já foram adotadas medidas “contratuais e legais” em relação à Únika.</p>



<p>O ponto que deixou os funcionários apreensivos foi a parte que afirma que vai ser elaborado um termo de compromisso para que a Únika se comprometa a “sanar integralmente os débitos trabalhistas apontados, no prazo máximo de 30 dias, como condição para a liberação excepcional das faturas mencionadas”. Isso porque o Governo do Estado não liberou os repasses de dezembro e janeiro para a Únika, em sanção aos atrasos de salários.</p>



<p>A Marco Zero entrou hoje em contato com as empresas Únika e Atitude, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta sobre quando será feito o pagamento dos funcionários. Além da Fundarpe, a Únika tem contratos de prestação de serviços para outros órgãos do Governo do Estado e também com secretarias da prefeitura do Recife. Nas redes sociais, também há relatos de trabalhadoras terceirizadas da prefeitura denunciando atraso nos salários deste mês.</p>



<p>Em nota à Marco Zero, a Fundarpe afirmou que os repasses financeiros para as empresas estão temporariamente suspensos, pelo não cumprimento do contrato, e que foi elaborado um termo de compromisso que estabelece que, após o repasse do pagamento pela Fundarpe, as empresas terceirizadas deverão efetuar os pagamentos aos terceirizados em até 48 horas.</p>



<p>Sem dar prazos, a Fundarpe afirmou que está cobrando para que as pendências sejam regularizadas o mais rapidamente possível e destacou que a “responsabilidade pelo pagamento dos salários e por eventuais benefícios é exclusiva das empresas contratadas, conforme previsto nos contratos firmados”.</p>



<p>A Fundarpe também informou que 35 terceirizados irão trabalhar durante o Carnaval e que está “priorizando a regularização da situação trabalhista pelas empresas antes da execução dos serviços”.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Confira a nota completa:</strong></li>
</ul>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) informa que os repasses financeiros às empresas Unika e Atitude estão temporariamente suspensos em razão do não cumprimento, por parte das prestadoras, de obrigações legais, previdenciárias e trabalhistas previstas em contrato. De acordo com a legislação vigente, a Fundarpe só pode efetuar pagamentos às empresas após a comprovação da regularidade dessas obrigações.</p>
<p>Desde o primeiro dia em que tomou conhecimento do atraso salarial, a Fundarpe entrou em contato com as empresas, cobrando esclarecimentos e adotando as providências administrativas cabíveis. Entre as medidas tomadas, foi elaborado um termo de compromisso. Este mesmo estabelece que, após o repasse do pagamento pela Fundarpe, as empresas terceirizadas deverão efetuar os pagamentos aos colaboradores em até 48h.</p>
<p>A Fundarpe segue acompanhando de perto a situação, mantendo diálogo permanente com as prestadoras de serviço e reforçando a cobrança para que as pendências sejam regularizadas o mais rapidamente possível, garantindo os direitos dos trabalhadores envolvidos. Cabe destacar que a responsabilidade pelo pagamento dos salários e por eventuais benefícios é exclusiva das empresas contratadas, conforme previsto nos contratos firmados.</p>
<p>Em relação às atividades previstas para o período do Carnaval, 35 deles irão atuar trabalhando nos dias de festa. A Fundarpe informa que o acompanhamento da atuação dos trabalhadores terceirizados seguirá sendo feito de forma responsável, dentro dos limites legais e contratuais, priorizando a regularização da situação trabalhista pelas empresas antes da execução dos serviços.</p>
	</div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/as-vesperas-do-carnaval-terceirizados-da-fundarpe-denunciam-atrasos-de-salarios/">Às vésperas do Carnaval, terceirizados da Fundarpe denunciam atrasos de salários</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Frevo pede passagem em carta sobre baterias de samba no Carnaval de Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/frevo-pede-passagem-em-carta-sobre-baterias-de-samba-no-carnaval-de-olinda/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 19:01:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[samba]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após diversos episódios de baterias de samba com som amplificado tomando o lugar do anfitrião e grande responsável pela tradição do Carnaval de Olinda — o frevo —, a associação que representa as agremiações do mais pernambucano dos ritmos resolveu ir a público pedir passagem (literalmente). Além de disputar espaço com as orquestras, algumas baterias [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após diversos episódios de baterias de samba com som amplificado tomando o lugar do anfitrião e grande responsável pela tradição do Carnaval de Olinda — o frevo —, a associação que representa as agremiações do mais pernambucano dos ritmos resolveu ir a público pedir passagem (literalmente). Além de disputar espaço com as orquestras, algumas baterias contam com mais verba da Prefeitura de Olinda do que as agremiações (veja, mais abaixo, alguns cachês).</p>



<p>Um ponto sobre a festa, no entanto, é unânime e une frevo, samba e foliões: o caos de se fazer qualquer desfile no Sítio Histórico de Olinda por causa da falta de ordenamento urbano por parte da prefeitura da cidade. Sobram depoimentos e imagens de bateria e orquestra se cruzando nas ladeiras e ruas estreitas. Mas também não faltam provas de que ambas precisam, a todo tempo, driblar ambulantes, carros de mão, veículos estacionados, motos e até caminhões.</p>





<p>Nesta terça-feira, 10 de fevereiro, a Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo) publicou uma carta aberta sobre as baterias de samba. “A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais”, diz trecho do texto.</p>



<p>A Afrevo, em defesa do ritmo, argumenta que “a crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo”.</p>



<p>“Não se trata de disputa entre culturas, mas de adequação ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de sistemas amplificados de som. Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo”, expõe a associação. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira, na íntegra, a nota a Afrevo</span>

		<p>O Carnaval de Olinda é uma das mais importantes expressões da identidade cultural brasileira, enquanto sua principal trilha sonora, o frevo, é patrimônio imaterial da humanidade reconhecido pela Unesco. Um bem cultural dessa magnitude exige responsabilidade coletiva de preservação.</p>
<p>O frevo arrasta multidões nas ruas estreitas da cidade, nascido e criado com uma formação musical própria para execução acústica, sem a necessidade de amplificação mecânica. As orquestras desfilam há mais de um século em harmonia com os modos de vida do Sítio Histórico de Olinda.</p>
<p>A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo.</p>
<p>Não se trata de disputa entre culturas, mas de adequação ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de sistemas amplificados de som. Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo.</p>
<p>Na nossa terra, junto com o frevo, convivem amorosamente maracatus de baque virado, maracatus rurais, caboclinhos, papangus, caretas e tantas outras manifestações da cultura popular, inclusive o samba quando celebrado harmonicamente com nossas tradições.</p>
<p>O frevo é código-fonte do Carnaval pernambucano. É algo que nos torna únicos no planeta. Nossa impressão digital.</p>
<p>A maestria do frevo no ciclo momesco é generosa e multicultural, mas também é bravia e vigilante nas trincheiras da resistência clássica do povo pernambucano.</p>
<p>A fala do Maestro Oséas sobre a dificuldade frente às baterias de samba amplificadas é um alerta necessário. Proteger o frevo não é conservadorismo pueril. É compromisso com a memória, com a cidade e com o futuro do nosso Carnaval.</p>
<p>Da madeira que o cupim foge do cheiro, é feito o frevo. Eterno!</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os cachês das baterias de samba</strong></h2>



<p>Na esteira das críticas à invasão das baterias, a<strong> MZ</strong> levantou, no Portal da Transparência de Olinda, os cachês dos cinco grupos que mais receberam verba da gestão Mirella Almeida (PSD) na festa de 2025: Auê (R$ 60 mil, por três apresentações), Cabulosa (R$ R$ 66 mil por três apresentações), D’breck (40 mil, por duas apresentações), Fábrica de Samba (R$ 70 mil por quatro apresentações) e Patusco (R$ 60 mil, por três apresentações).</p>



<p>Alguns dos valores estão acima do que receberam algumas das mais tradicionais agremiações de frevo da cidade para realizarem várias saídas carnavalescas no ano passado: Elefante de Olinda (R$ 42 mil), Ceroula (R$ 54 mil), Cariri (R$ 40 mil), Boi da Macuca (R$ 27 mil), John Travolta (R$ 40 mil), Vassourinhas (R$ 43 mil), Menino da Tarde (R$ 12 mil) e Flor da Lira (R$ 12 mil).</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> mostrou, em reportagem publicada nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, que muitos cantores e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural de Pernambuco receberam cachês bem mais altos que agremiações tradicionais. Leia <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>. Vários desses pagamentos também são mais altos do que o das baterias de samba.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Prefeitura de Olinda publica decreto</h3>



<p>De 2001, a chamada Lei do Carnaval de Olinda (5309/2001) regulamenta a questão do som, impedindo sons potentes em pontos fixos que não sejam os polos oficiais. São permitidas freviocas e trios desde que haja autorização. A lei, porém, não versa especificamente sobre as baterias de samba, uma vez que, naquela época, essa não era uma problemática.</p>



<p>Após diálogo com o frevo e o samba, a prefeitura publicou, na tarde desta quarta-feira, 11 de fevereiro,  em seu site, um <a href="https://www.olinda.pe.gov.br/prefeitura-de-olinda-regulamenta-uso-de-equipamentos-de-som-no-carnaval-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decreto temporário (008/2026)</a>, válido para este ano, que regulamenta a utilização de equipamentos móveis de sonorização durante o Carnaval. Entre as medidas, estão: &#8220;as passarelas naturais terão prioridade para a circulação contínua de foliões e, especialmente, das agremiações tradicionais, como blocos de frevo, maracatus e afoxés. Fica proibido o uso de equipamentos sonoros que impeçam ou dificultem a evolução dessas manifestações, bem como qualquer obstrução física ou sonora que comprometa o caráter tradicional da festa.</p>



<p>A utilização de equipamentos móveis de sonorização dependerá de autorização prévia e expressa da Prefeitura. As agremiações interessadas deverão protocolar requerimento com antecedência mínima de 24 horas antes do início do período carnavalesco, apresentando documentação completa, descrição técnica do equipamento, roteiro e cronograma do desfile, além de termo de responsabilidade. A autorização poderá ser suspensa ou cassada a qualquer momento em caso de descumprimento das normas estabelecidas.</p>



<p>O descumprimento das regras poderá resultar na apreensão imediata do equipamento, aplicação de multa inicial de R$ 10 mil, além da perda de incentivos financeiros municipais e responsabilização administrativa, cível ou criminal&#8221;.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Samba reclama da falta de ordenamento urbano</strong></h4>



<p>Em entrevista à <strong>Marco Zero</strong>, o representante da Associação do Samba de Olinda, Deco Guimarães, do Patusco, fundado há 64 anos, disse temer que o acirramento termine em episódios de violência, uma vez que, segundo ele, alguns grupos de samba vêm recebendo ameaças na internet. “São pessoas dizendo que vão quebrar os carros e se juntar para atrapalhar os desfiles”, reporta.</p>



<p>“A questão não é o samba, é o som. Realmente houve um crescimento de baterias, dos blocos de samba e todas utilizam seu som. Mas isso tomou uma proporção tão grande e desnecessária que está se tornando até perigosa para a gente o samba”, comentou, dizendo que agora tudo virou culpa do samba. Na avaliação de Deco, a questão, que se tornou uma “perseguição”, “vai ter que ser resolvida de todo jeito”, mas as mudanças agora “só serão possíveis para o Carnaval 2027”, uma vez que a abertura da folia já é nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, e, há anos, o assunto vem sendo debatido sem surtir qualquer transformação.</p>



<p>Na avaliação do presidente da associação, não há desrespeito ao frevo, e, sim, dificuldade em conciliar todos os ritmos por falta de organização. “O que acontece é que, às vezes, a rua está muito congestionada de ambulantes, carros sem adesivo, carros de serviço, em pleno horário da folia. O problema mais é estrutural”. A sugestão de Deco é também que a prefeitura criasse “corredores da folia”, nos principais pontos de desfile, como Largo do Guadalupe, Ribeira, Ladeira da Prefeitura e Quatro Cantos.</p>



<p>Deco frisa que a associação tem interesse em chegar a um “denominador comum que seja bom para todo mundo”. Deco disse que não vê problema em desfilar na parte baixa de Olinda ou em um polo dedicado ao samba, desde que haja estrutura para isso. </p>



<p>Sobre os cachês pagos pela gestão Mirella, o presidente defende que as agremiações de frevo, sobretudo as mais tradicionais e que arrastam mais foliões, precisam receber mais verba municipal.</p>



<p>A bateria Cabulosa anunciou, nesta terça-feira, 10 de fevereiro, que já este ano não desfilará mais pelas ladeiras. O grupo realizará seu desfile na parte baixa da cidade, na Av Sisnundo Gonçalves, em frente ao Colégio São Bento, com concentração na Praça do Jacaré.</p>



<p>“Diante das últimas notícias, entrevistas e informações que vêm gerando debates entre baterias, foliões, admiradores do frevo, blocos e orquestras, a Bateria Cabulosa optou, de forma consciente e responsável, por evitar embates e transtornos, realizando seu primeiro desfile em um espaço que também é belíssimo, simbólico e plenamente adequado para o Carnaval de Olinda”, diz a nota. Confira <a href="https://www.instagram.com/bateriacabulosa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> a íntegra.</p>
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		<title>A universidade que aprende com o quilombo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 21:58:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição das Crioulas]]></category>
		<category><![CDATA[educação quilo]]></category>
		<category><![CDATA[educação quilombola]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há pouco menos de um ano, no dia 30 de maio de 2025, a Comunidade Quilombola de Carapotós, em Caruaru, no agreste pernambucano, recebeu a certificação da Fundação Cultural Palmares. O reconhecimento marca um novo momento para os moradores do Sítio Carapotós, o início de uma trajetória ainda mais consolidada do processo de fortalecimento e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><span style="font-weight: 400">A série de reportagens </span><i><span style="font-weight: 400">Ciência dos saberes ancestrais: a força da Educação Quilombola</span></i><span style="font-weight: 400"> parte do pioneirismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ao criar a licenciatura em Educação Escolar Quilombola, baseada na resolução nº 8/2012 do Conselho Nacional de Educação. A iniciativa reconhece a relevância cultural, social e histórica das comunidades quilombolas e reforça que seus modos de ensinar e produzir conhecimento também constituem ciência. A proposta da série é expor a importância da educação quilombola, suas potências pedagógicas, os desafios de implementação e a valorização de tecnologias e saberes tradicionais, contribuindo para ampliar o compromisso de outras instituições de ensino com essa modalidade educacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Com três reportagens, a série percorre tanto o ambiente acadêmico quanto o próprio território quilo,bola, articulando a formação de docentes na licenciatura da UFPE com a prática educacional desenvolvida nas comunidades. O foco recai especialmente sobre Conceição das Crioulas, em Salgueiro, referência histórica na construção de um projeto educativo próprio, enraizado na coletividade, na cultura e na luta por direitos.</span><span style="font-weight: 400"> A série foi contemplada na “Seleção Petrobras de Jornalismo – Ciência e Diversidade”. </span></p>
	</div>



<p>Há pouco menos de um ano, no dia 30 de maio de 2025, a Comunidade Quilombola de Carapotós, em Caruaru, no agreste pernambucano, recebeu a certificação da Fundação Cultural Palmares. O reconhecimento marca um novo momento para os moradores do Sítio Carapotós, o início de uma trajetória ainda mais consolidada do processo de fortalecimento e resistência da identidade cultural quilombola.</p>



<p>“Nós sempre escutamos muitas histórias das pessoas mais velhas da comunidade e através de uma pesquisa de campo, com ajuda de cientistas, fizemos um estudo e produzimos um relatório para enviar para a Fundação Palmares”, conta o professor e morador da comunidade quilombola, Jonathan Arruda. Formado em licenciatura nos cursos de História e Geografia, Jonathan revela que o fortalecimento da identidade quilombola entre os moradores do sítio ainda é um desafio a ser solucionado e acredita que a educação é o melhor caminho para isso. Foi pensando em ampliar o acesso à educação para a sua comunidade que o professor se tornou um dos primeiros alunos a ingressar no curso de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola da Universidade Federal de Pernambuco.</p>



<p>“A gente, como liderança comunitária, tem que sensibilizar o pessoal da comunidade para a questão da política pública, principalmente na política de educação. Por isso, a partir do momento que surgiu a oportunidade da licenciatura, eu comecei a sensibilizar as pessoas da nossa comunidade para que elas fizessem o curso também”, afirma Jonathan Arruda. Além do professor, outros três moradores da Comunidade Quilombola de Carapotós ingressaram na licenciatura.</p>



<p>O curso é uma das iniciativas pioneiras em Educação Escolar Quilombola no Brasil. Anunciado no segundo semestre de 2024, a iniciativa tem o objetivo de garantir a formação docente específica para as populações quilombolas do estado. Além da UFPE, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS) inauguraram o curso dedicado à população quilombola nos anos de 2024 e 2025, respectivamente.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/10/216491985_4422851654421289_2799464916813170336_n-300x225.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/10/216491985_4422851654421289_2799464916813170336_n-1024x768.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/10/216491985_4422851654421289_2799464916813170336_n-1024x768.jpg" alt="A imagem mostra o prédio principal do campus da UFPE em Caruaru, um prédio moderno de vários andares, com formato simétrico. A parte central tem muitas janelas pequenas organizadas em grade, enquanto as laterais têm estruturas verticais vermelhas com grandes janelas espelhadas. Na frente há uma entrada larga, com escadas e uma rampa. O chão é pavimentado e há apenas um carro prateado estacionado. O céu está nublado e ao redor não há muita vegetação ou construções." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Prédio central do campus da UFPE em Caruaru
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/UFPE</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Homenagem a um líder</h2>



<p>Propondo um modelo de educação descentralizada, a Licenciatura em Educação Escolar Quilombola da UFPE teve início em julho de 2025. Além do pioneirismo da formação, o curso e sua base de formação homenageia o intelectual quilombola Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo.</p>



<p>Filósofo, poeta, escritor, professor e ativista político, Nego Bispo foi uma liderança da comunidade quilombola Saco do Curtume em São João do Piauí e se tornou uma das vozes mais influentes do movimento quilombola no Brasil.</p>



<p>Como escritor, Nêgo Bispo publicou diversos livros e artigos, incluindo obras como <em>Quilombos, modos e significados</em> (2007); <em>Colonização, Quilombos: modos e significados</em> (2015); <em>A Terra dá, a Terra quer</em> (2023), nas quais apresenta seu conceito crítico de contracolonização, que propõe fortalecer culturas e organizações de povos tradicionalmente marginalizados como resposta à imposição colonial. O líder quilombola faleceu em dezembro de 2023, aos 63 anos, mas seu legado e suas obras seguem sendo uma grande referência no Brasil, e têm conquistado cada vez mais espaço nas universidades.</p>



<p>Tomando como referência os saberes de Nego Bispo, a fim de valorizar a cultura e o conhecimento dos povos tradicionais, a licenciatura da UFPE possui uma formação baseada na pedagogia da alternância, como explica o doutor em Antropologia e professor da UFPE, Sandro Guimarães: “a pedagogia da alternância considera uma carga horária na universidade e uma carga horária na comunidade. Isso contribui para uma articulação dos conhecimentos mais acadêmicos, mais compartilhados aqui na universidade, com a vivência nos quilombos, e isso é muito importante para que essa licenciatura seja um curso específico, diferenciado, intercultural, como a gente espera”.</p>



<p>“Nós pensamos também na importância de ter um currículo voltado para os interesses que dialoguem com as pautas das comunidades quilombolas, e que também reconheça uma dívida que a universidade e o Estado têm em relação às suas comunidades, no que diz respeito às epistemologias, esses saberes que por muito tempo não foram considerados. Portanto, tem essa dimensão técnica, porque a gente pretende formar professores, com todas as disciplinas que são importantes na formação de um professor, mas também dimensões outras, como a ética, a humanística, a política, a epistêmica”, conclui o professor que contribuiu no processo de formação da base curricular do curso.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/negobispo-300x119.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/negobispo-1024x406.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/negobispo-1024x406.jpg" alt="Foto de Nego Bispo, um homem idoso, de barba grisalha, está sentado em uma sala iluminada, vestindo camisa listrada colorida. À sua frente, sobre a mesa, há dois livros vermelhos em destaque; o da frente traz o título ‘Colonização, Quilombos: Vozes e Sobrevivências’, com a imagem estilizada de um rosto em vermelho e preto. O ambiente lembra uma biblioteca ou sala de estudo, com janelas grandes e papéis espalhados" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Antônio Bispo dos Santos é o intelectual quilombola que inspira a Licenciatura em Educação Escolar Quilombola da UFPE
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo pessoal</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O curso, que possui duração de oito semestres, foi estruturado por meio de uma parceria entre o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), Campus Garanhuns, e o Instituto Federal de Educação do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), contando ainda com o apoio da Coordenação Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas de Pernambuco. As parcerias possibilitaram uma formação descentralizada, uma vez que as aulas acontecem em quatro cidades de Pernambuco: em Garanhuns, no agreste do estado; e em Santa Maria da Boa Vista, no Sertão do estado; em Caruaru, também Agreste, e na capital, Recife.</p>



<p>A licenciatura tem como foco tanto a formação inicial de professores, oferecendo uma segunda graduação para docentes que já atuam em escolas quilombolas, mas que ainda não possuem a titulação exigida pela resolução nº 8/2012 do Conselho Nacional de Educação (CNE). Os profissionais formados poderão atuar em diferentes modalidades da educação básica, com ênfase nos anos iniciais do ensino fundamental, nas áreas de Pedagogia, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Sociais. Além da docência, a formação também habilita os egressos para funções de gestão escolar e para o desenvolvimento de práticas educativas em contextos escolares e não escolares, fortalecendo iniciativas que contribuam diretamente para o desenvolvimento das comunidades quilombolas.</p>



<p>Atualmente, o curso conta com 100 alunos matriculados e com entrada única, ou seja, só após a conclusão da primeira turma é que haverá a convocação para a próxima, como explica Sandro Guimarães: “O curso Intercultural Indígena criado aqui na UFPE foi utilizado como referência para nós e ele iniciou assim, com uma entrada única, só depois se tornou uma graduação com entrada anual, e é isso que nós esperamos que aconteça com a Licenciatura em Educação Escolar Quilombola”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Racismo presente na sala de aula</strong></h2>



<p>O acesso de estudantes assentados da reforma agrária e de comunidades quilombolas à universidade pública esteve no centro de uma polêmica recente em Pernambuco. Após o anúncio da criação no país da primeira turma de Medicina vinculada ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Campus Caruaru, a iniciativa passou a ser alvo de ataques e da disseminação de desinformação por parte de figuras públicas da extrema direita contrários à proposta.</p>



<p>Entre os argumentos utilizados por críticos da iniciativa estava a alegação de que o curso beneficiaria assentados e quilombolas em detrimento de outros candidatos, como se as vagas estivessem sendo “roubadas” do público geral. A disputa ganhou repercussão jurídica e o caso chegou à Justiça. Apesar das tentativas de barrar a iniciativa, a solenidade de abertura do curso foi realizada em dezembro de 2025.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/por-que-curso-de-medicina-para-assentados-e-quilombolas-virou-alvo-de-ataques-e-fake-news/" class="titulo">Por que curso de Medicina para assentados e quilombolas virou alvo de ataques e fake news</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A violência presente na tentativa de barrar o ingresso de pessoas quilombolas acaba por demarcar um lugar de privilégio no acesso às universidades públicas no Brasil. Diante disso, muitas pessoas pertencentes aos grupos tradicionais sentem dificuldade em se sentir parte da academia. O reflexo disso está nos casos de racismo que aconteceram com alunos de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola. Apenas no primeiro semestre do curso pelo menos três casos foram registrados pela coordenação, como conta o professor Sandro Guimarães:</p>



<p>“Infelizmente, tivemos algumas denúncias de racismo vindas dos próprios estudantes. Tivemos um caso em Caruaru, um caso em Recife e também em Santa Maria da Boa Vista. E esse tem sido um grande desafio, porque a universidade não foi feita para a diferença, a universidade ainda está aprendendo a lidar com isso. Os professores, os estudantes, eles não estão preparados para isso. Então, é um outro paradigma com o qual a gente ainda está aprendendo a lidar com ele”.</p>



<p>“Os casos que tem provas a gente toma todas as providências possíveis e cabíveis, mas às vezes são insultos que são proferidos e os alunos não conseguem identificar quem fez”, disse Guimarães.</p>



<p>Devido a esse cenário, ainda há resistência de algumas pessoas em querer ocupar a universidade. “Ainda é um trabalho de formiguinha convencer as pessoas da comunidade quilombola que esse espaço é nosso, que nós temos que ocupar ele, até para poder desenvolver mais coisas para o nosso próprio território, mas nós estamos avançando e em um único semestre já fizemos coisas importantes”, diz Jonathan Arruda.</p>



<p>Em uma das disciplinas desse semestre o líder quilombola desenvolveu, junto com os demais moradores do quilombo que também integram o curso, materiais didáticos sobre a Comunidade Quilombola de Carapotós, entre eles um livro sobre a história do território.</p>



<p>Porém, muito antes da formação na Licenciatura em Educação Escolar Quilombola Jonathan Arruda e outros professores já tocavam iniciativas educativas na Escola Municipal Manoel Brajano de Arruda, a fim de fortalecer a identidade quilombola da comunidade. A construção dessa base educacional quilombola foi fundamental para a criação de um curso superior pensado exclusivamente em uma educação quilombola, como veremos na próxima reportagem da série <em>Ciência dos saberes ancestrais: a força da Educação Quilombola.</em></p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/antes-da-universidade-o-quilombo-ja-ensinava/" class="titulo">Antes da universidade, o quilombo já ensinava</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
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        </div>

		


<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-universidade-que-aprende-com-o-quilombo/">A universidade que aprende com o quilombo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quando os saberes ancestrais e a pedagogia crioula ocupam o mundo acadêmico</title>
		<link>https://marcozero.org/quando-os-saberes-ancestrais-e-a-pedagogia-crioula-ocupam-o-mundo-academico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 21:41:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quilombola da comunidade Conceição das Crioulas, Rozeane Maria Mendes é uma das alunas da primeira turma do curso em Educação Escolar Quilombola da Universidade Federal de Pernambuco. Durante sua trajetória de vida na comunidade, a integrante da coordenação estadual das Comunidades Quilombolas sempre valorizou o modelo de educação e ensino desenvolvido na comunidade. “Nosso principal [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quilombola da comunidade Conceição das Crioulas, Rozeane Maria Mendes é uma das alunas da primeira turma do curso em Educação Escolar Quilombola da Universidade Federal de Pernambuco. Durante sua trajetória de vida na comunidade, a integrante da coordenação estadual das Comunidades Quilombolas sempre valorizou o modelo de educação e ensino desenvolvido na comunidade.</p>



<p>“Nosso principal diferencial é a coletividade e a vivência comunitária que exercemos aqui no território. A gente procura viver a educação o máximo possível junto à comunidade e às famílias. Ao colocar em prática nosso próprio PPP, organizamos também um calendário adaptado à nossa realidade: temos feriados próprios na escola e, enquanto o recesso escolar geralmente acontece em julho, aqui ele ocorre em agosto. Também damos muita atenção aos adolescentes, com ações específicas voltadas para eles. Muitas dessas atividades são consideradas extraclasses, mas acabam contribuindo diretamente com a grade curricular”, afirma Rozeane Maria Mendes.</p>



<p>Para Rozeane, entrar no curso da UFPE representa uma oportunidade de fortalecer o movimento quilombola por meio do diálogo e da troca de experiências com comunidades de outras regiões, além de assegurar respaldo acadêmico às lutas dos quilombos, ampliando sua presença na universidade e a possibilidade de disputar espaços de produção de conhecimento e reconhecimento de saberes.</p>



<p>“Eu acredito que, para além de enriquecer o currículo, o mais importante é essa troca de experiências, de práticas e de vivências com outras comunidades. É também aprender mais sobre a parte teórica, entender o que a universidade está discutindo e vivenciando em relação às comunidades quilombolas. Ao mesmo tempo, vejo que o curso não apenas soma para a gente, mas que nós também damos uma contribuição enorme à universidade. Pelo olhar do sistema, o certo seria a gente ir para a escola apenas para aprender, mas o curso traz essa possibilidade de, além de aprender, compartilhar nossos próprios conhecimentos com o saber teórico acadêmico”, defende Rozeane.</p>



<p>A geógrafa integra a turma que está tendo aulas no município de Santa Maria da Boa Vista, no Instituto Federal do Sertão (IFSertão). Como a instituição fica a 134 quilômetros de distância da comunidade, nos dias de aula Rozeane e outros dez alunos do curso precisam se deslocar até o local. As despesas de transporte e alimentação são custeadas através da bolsa-auxílio que recebem da universidade. De acordo com a aluna, sem essa ajuda de custo, não seria possível a permanência no curso.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/ufpe-300x223.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/ufpe.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/ufpe.jpg" alt="Na foto, vemos um grupo de cerca de vinte pessoas reunidas ao ar livre - maioria jovens mulheres negras -, debaixo de uma grande árvore, próximo a um rio ou lago. A maioria veste camisetas brancas iguais, com detalhes em vermelho e preto, indicando que participam de um mesmo evento ou atividade. Um homem à esquerda está com uma camiseta cinza, diferente das demais. O clima é ensolarado, o céu está limpo." class="" loading="lazy" width="676">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Turma de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola do IFSertão.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo pessoal</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Nós nos organizamos para assegurar que esse auxílio alcançasse todos os estudantes, algo essencial em um curso que tem a proposta de ser descentralizado. Mesmo assim, apenas esse recurso não é suficiente, por exemplo, para viabilizar atividades presenciais reunindo todos em um mesmo espaço. Para que esses encontros aconteçam, muitas vezes dependemos da articulação conjunta entre alunos e professores”, explica o professor Sandro Guimarães.</p>



<p>A coletividade é uma das bases pedagógicas do curso e isso se reflete na maneira com que os alunos se relacionam, como exalta Rozeane Mendes: “o primeiro semestre foi muito, houve muita ligação entre nós mesmos, quilombolas com quilombolas. Tivemos também professores que não são quilombolas, mas que demonstraram uma preocupação muito significativa com as questões que a gente desenvolve. É impressionante como o nosso próprio povo ainda precisa de muitas ações de autoafirmação, e eu senti isso de forma muito forte no curso”.</p>



<p>A aluna faz um apelo para que a iniciativa seja ampliada, defendendo que o curso alcance um número maior de pessoas e outras comunidades. Ela reconhece que se trata de uma turma piloto, pioneira nessa metodologia, mas acredita que a expansão para novos territórios poderia ampliar significativamente o acesso. “Por exemplo, se tivesse um polo em Salgueiro, facilitaria muito a participação de estudantes da própria cidade e de municípios vizinhos do Sertão Central, porque hoje muita gente precisa se deslocar até a região do São Francisco para conseguir frequentar as aulas”, afirma Rozeane.</p>



<p>A trajetória de Rozeane, que participou da construção do projeto político-pedagógico de Conceição das Crioulas e atualmente integra a primeira turma do curso de Educação Escolar Quilombola da UFPE, evidencia a força de um processo coletivo de formação e aprendizagem. Essa experiência contribui diretamente para a efetivação da Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas públicas e privadas do ensino fundamental e médio. O fortalecimento de iniciativas como o curso da UFPE e da consolidação de escolas quilombolas nos territórios é fundamental para que a legislação seja aplicada de forma contextualizada, dialogando com as realidades e vivências das diferentes comunidades.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Políticas para ampliar a educação quilombola</h2>



<p>O Novo Pronacampo (Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas) é uma política do Governo Federal criada em 2024 para ampliar, qualificar e garantir o acesso, a oferta e a permanência dos estudantes nas escolas voltadas às populações do campo, das águas e das florestas, em todas as etapas e níveis de ensino. A proposta vai além do acesso à escola: ela fortalece o reconhecimento da diversidade, o protagonismo político, pedagógico e epistêmico dessas populações e promove ações de formação, produção de materiais didáticos, melhoria de infraestrutura e elaboração de diretrizes curriculares específicas, inclusive para realidades como classes multisseriadas, comuns em territórios tradicionais. A política também incorpora princípios como justiça climática, sustentabilidade e agroecologia, articulando educação e território.</p>



<p>Para a educação quilombola, o Pronacampo representa um eixo estratégico de fortalecimento. Ele incentiva a valorização dos saberes tradicionais, apoia a participação de mestres e mestras das comunidades na política educacional e reforça a implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tratam do ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena. A política também estimula a produção de conhecimentos a partir de perspectivas não eurocêntricas e a formação intercultural, reconhecendo as trajetórias históricas e epistemológicas dos territórios quilombolas. Iniciativas como a Escola Nacional Nego Bispo de Saberes Tradicionais, em parceria com instituto federal, exemplificam essa diretriz ao ofertar formação continuada em saberes afro-brasileiros, indígenas e quilombolas.</p>



<p>Além da dimensão pedagógica, o programa se materializa em investimentos concretos em infraestrutura escolar. De acordo com dados do MEC, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), em 2024 foram entregues 13 escolas indígenas e nove quilombolas. A previsão é de que sejam construídas ainda 117 escolas indígenas e 48 quilombolas. Outras 49 escolas indígenas e 13 quilombolas estão previstas, a partir de parceria entre o Ministério da Educação (MEC) — por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) —, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) — por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) — e o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops).</p>



<p>Segundo dados do Censo Escolar 2024 divulgados pelo MEC, o Brasil possui aproximadamente 2.618 escolas em comunidades remanescentes quilombolas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.33-225x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.33-768x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.33-768x1024.jpeg" alt="Na foto, aparece uma pequena casa com um mural colorido pintado em uma de suas paredes externas. O mural mostra uma figura grande de uma pessoa de cabelos cacheados, sorridente, com as mãos levantadas, cercada por desenhos menores de crianças e elementos lúdicos. Há também uma frase escrita: “amo meu quilombo”. Atrás do prédio há uma árvore, e o céu está parcialmente nublado. A cena transmite alegria e acolhimento, como uma expressão artística comunitária em espaço público." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Mural na Comunidade Quilombola Conceição das Crioulas. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Giovanna Carneiro</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Márcia Crioula, integrante do Coletivo Nacional de Educação e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), reflete sobre os desafios e os avanços da educação quilombola.</p>



<p>“A gente vem construindo caminhos e também enfrentando muitos desafios, como o de ocupar a universidade, que deveria ser um espaço aberto a diferentes conhecimentos e saberes, mas que, na prática, ainda exclui quilombolas e indígenas. Ao mesmo tempo, vemos que a educação tem gerado frutos importantes. Pode até parecer pouco para quem olha de fora, mas é uma imensidão: a produção de livros pela própria comunidade, as pesquisas realizadas pelas crianças e pelos jovens, além da formação de professoras e doutoras quilombolas”, destaca.</p>



<p>A trajetória que liga Carapotós, Conceição das Crioulas e a UFPE revela que a educação quilombola não é apenas uma modalidade de ensino, mas um campo de produção de conhecimento, de disputa epistêmica e de reconstrução histórica. Ao entrar na universidade, esses saberes não deixam de ser territoriais, eles ampliam o território para dentro da academia. A licenciatura em Educação Escolar Quilombola, assim, não é ponto de chegada, mas parte de um movimento maior: o de afirmar que ciência, pedagogia e pensamento crítico também se constroem nos quilombos.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>A série de reportagens <em>Ciência dos saberes ancestrais: a força da Educação Quilombola</em> foi contemplada na &#8220;Seleção Petrobras de Jornalismo – Ciência e Diversidade&#8221;.</p>
    </div>



<ul class="wp-block-list"></ul>



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			</item>
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		<title>Antes da universidade, o quilombo já ensinava</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 21:03:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades quilombolas]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição das Crioulas]]></category>
		<category><![CDATA[educação quilombola]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Localizada a pouco mais de 500 quilômetros do Recife, a comunidade Conceição das Crioulas, no município de Salgueiro, no Agreste pernambucano, é o território quilombola mais populoso do estado, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. De acordo com levantamento, a localidade reúne pelo menos 2.370 moradores. A relevância da comunidade, no entanto, vai além [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Localizada a pouco mais de 500 quilômetros do Recife, a comunidade Conceição das Crioulas, no município de Salgueiro, no Agreste pernambucano, é o território quilombola mais populoso do estado, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. De acordo com levantamento, a localidade reúne pelo menos 2.370 moradores. A relevância da comunidade, no entanto, vai além do número de habitantes e se expressa no forte investimento em educação no próprio território.</p>



<p>Conceição das Crioulas está entre os territórios tradicional com maior número de escolas quilombolas, somando quatro unidades: a Escola Quilombola Bevenuto Simão de Oliveira, a Escola Quilombola José Néu, a Escola Quilombola José Mendes e a Escola Estadual Quilombola Professora Rosa Doralina Mendes. As instituições atendem estudantes desde a educação infantil até o ensino médio, fortalecendo a formação educacional dentro da própria comunidade.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>Com mais de dois séculos de história, Conceição das Crioulas tem sua origem registrada tanto em documentos oficiais quanto na tradição oral mantida pelos mais velhos que relatam a chegada de seis mulheres negras livres (as crioulas) à região no fim do século XVIII.</p>
<p>Por meio da fiação de algodão, do cultivo agrícola e da produção artesanal, elas conseguiram adquirir as terras em 1802, marcando o início da consolidação do território. O próprio nome do quilombo reafirma o protagonismo dessas mulheres na conquista da terra e sua devoção a Nossa Senhora da Conceição, cuja imagem teria sido levada por elas ao local.</p>
	</div>



<p>O fortalecimento da identidade e da formação quilombola na comunidade ganhou força a partir da década de 1990, conduzido por lideranças locais que tiveram papel central no processo de reconhecimento do território como quilombo. Nascido e criado na própria comunidade, o líder João Alfredo de Souza recorda episódios marcantes da mobilização em defesa das terras quilombolas e do processo de afirmação identitária e cultural do grupo:</p>



<p>“Conceição das Crioulas já era um quilombo desde o século 18, pelo que contaram os mais velhos. Mas foi em 1802 que nós conseguimos uma escritura registrada com o título oficial de Conceição das Crioulas, título conquistado por um grupo de mulheres quilombolas que vieram pra cá. Depois de arrendar a área, as mulheres trabalharam e pagaram pela terra, assim hoje nós temos oficialmente cerca de 17 mil hectares. E até os anos 1990 a gente não aprofundava muito os debates sobre quilombo, sobre raça, mas decidimos ir atrás de registrar nossa história e foi nas ações das comunidades eclesiásticas de base que esse interesse foi despertado, principalmente em 1988 quando o tema da campanha da fraternidade foi “Fraternidade e o Negro”, isso chamou nossa atenção”.</p>



<p>“Foi a partir daí que nós começamos a entender e olhar para a nossa condição, tendo que enfrentar falta de água, de saneamento básico, de educação, um descaso do Estado com a gente, e com isso começamos a nos organizar para cobrar. E quando decidimos que iríamos buscar o desenvolvimento para a nossa comunidade nós definimos o que seria prioridade nessa luta e a educação era uma das principais”, concluiu o líder comunitário.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.39-300x225.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.39-1024x768.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-10-at-14.30.39-1024x768.jpeg" alt="A imagem mostra um homem em pé diante de um prédio branco com uma porta amarela. Acima da porta, está escrito em letras grandes: “Casa Comunitária Francisca Ferreira – Conceição das Crioulas – Salgueiro-PE”. Na parede há pinturas: o rosto de uma mulher em tons de laranja e branco e a figura de uma pessoa de saia segurando um objeto verde. À direita da porta, há um cartaz afixado na parede." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">João Alfredo de Souza em frente a Associação Quilombola de Conceição das Crioulas (AQCC)
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Giovanna Carneiro</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Graças a articulação dos líderes quilombolas, a primeira escola da comunidade, a Escola José Néu, foi inaugurada em 1994. Naquela época, os professores que atuavam na instituição de ensino eram em sua maioria de outros municípios e não eram quilombolas, e na comunidade apenas Givânia Maria, uma das fundadoras da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), estava terminando a graduação para começar a lecionar. </p>



<p>Nesse cenário, a composição de um quadro docente formado integralmente por quilombolas tornou-se uma reivindicação central das lideranças locais, como recorda José Alfredo: “nós não queríamos escola de maquiagem, nós queríamos uma escola que ajudasse a fortalecer a nossa identidade, que pudesse ajudar aos alunos, nossos filhos, nossos netos, nossos irmãos, a poder ir para essa escola e resgatar na escola também a autoestima deles, e sobretudo garantir a identidade negra, cultural, para que ela não morresse”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>Conceição das Crioulas recebeu um primeiro título de suas terras em 2000, por meio da Fundação Cultural Palmares, mas a permanência de ocupantes externos impediu a consolidação da posse plena do território. Em 2004 foi aberto um novo processo no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que segue em tramitação. O território reivindicado soma aproximadamente 17 mil hectares. Parte dessa área já foi assegurada: entre 2014 e 2015, o INCRA emitiu títulos de propriedade que totalizam aproximadamente 2.080 hectares, registrados em nome da Associação Quilombola Conceição das Crioulas. Ainda assim, o processo administrativo principal (n.º 54141.001339/2004-80), voltado ao reconhecimento, desapropriação e titulação de cerca de 16.865 hectares, permanece inconcluso. Embora o decreto de desapropriação tenha sido publicado em 2009, etapas como a retirada de fazendas sobrepostas, a regularização cartográfica e a titulação coletiva definitiva do território ainda não foram finalizadas.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Plano Político Pedagógico diferenciado</h2>



<p><a href="https://repositorio.unb.br/handle/10482/31319" id="https://repositorio.unb.br/handle/10482/31319">Em sua dissertação de conclusão do mestrado em Desenvolvimento Sustentável Junto a Povos e Territórios Tradicionais</a>, defendida na Universidade de Brasília, Márcia Juscilene do Nascimento, conhecida como Márcia Crioula, apresentou a pedagogia crioula, uma metodologia de ensino desenvolvida a partir da sua experiência como professora e também como liderança que integrou o projeto de construção do plano político e pedagógico das escolas de Conceição das Crioulas.</p>



<p>O trabalho desenvolvido pela professora e pesquisadora foi fundamentado a partir da sua experiência na Escola Professor José Mendes, primeira escola da comunidade que utilizou de um programa pedagógico que tem como base a cultura e a história do quilombo. De acordo com o PPP desenvolvido, a pedagogia crioula contém sete fundamentos principais, são eles: território, história, identidade, organização, saberes e conhecimentos próprios, gênero e interculturalidade.</p>



<p>Márcia Crioula explica que o Projeto Político-Pedagógico (PPP) das escolas de Conceição das Crioulas é anterior à formalização das próprias instituições de ensino, pois nasce das concepções, ideias e do projeto de vida da comunidade. Segundo ela, o PPP não pode estar desvinculado do que se pensa para o território e para o futuro coletivo, já que expressa os caminhos que o grupo escolhe trilhar. Assim, mais do que criar algo do zero, a comunidade sistematizou uma construção que já vinha sendo gestada desde o fim dos anos 1980, período em que as lutas sindicais também integravam esse processo de formação política e social.</p>



<p>“A gente começou com a prática. Mesmo antes de existir no papel o nosso PPP, sempre priorizamos a história e a cultura do nosso quilombo no processo de educação da comunidade. Entendemos que, se a história do nosso povo é uma história de resistência, baseada na luta coletiva, isso também precisava estar presente nas escolas, até para fortalecer a autoestima dos alunos”, conta Márcia Crioula sobre o processo de construção do PPP de Conceição das Crioulas.</p>



<p>De acordo com a dissertação de Márcia Jucilene do Nascimento, a pedagogia crioula é definida como uma concepção de educação construída a partir da experiência histórica, cultural e política do quilombo de Conceição das Crioulas, articulando escola, território, memória e luta coletiva. Mais do que um método de ensino, ela valoriza os saberes tradicionais, a história local, a identidade quilombola e as formas comunitárias de organização, entendendo a escola como parte do projeto de vida do território. </p>



<p>É a educação voltada ao fortalecimento da autoestima, do pertencimento e da consciência de direitos, em que ensinar e aprender também significam formar sujeitos politicamente engajados, afirmar a cultura negra e produzir conhecimento desde a realidade da própria comunidade, configurando uma pedagogia de resistência, territorializada e emancipatória.</p>



<p>“Graças ao trabalho coletivo da comunidade, hoje o nosso quilombo é referência em educação e um dos poucos territórios onde todos os professores são quilombolas”, celebra Márcia Crioula.</p>



<p>“Mas é importante também afirmar que nós não queremos que o nosso PPP seja um modelo universal para todas as comunidades quilombolas, muito pelo contrário. Nós queremos mostrar que é possível que cada comunidade crie seu plano de acordo com suas culturas porque cada território tem sua história”, conclui a professora.</p>



<p>A organização comunitária de Conceição das Crioulas se dá por meio da Associação Quilombola de Conceição das Crioulas (AQCC), que reúne associações de produtores e trabalhadores rurais dos diferentes sítios do território. A entidade estrutura sua atuação em diversas frentes, por meio de comissões temáticas que atendem áreas estratégicas da vida coletiva, como saúde, patrimônio, juventude, mulheres, geração de renda e educação. Esta última é coordenada por Márcia Crioula, que atua diretamente no fortalecimento das ações educacionais da comunidade.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>Trabalho comunitário na prática</strong></h2>



<p>Caminhar pela comunidade de Conceição das Crioulas e conhecer o interior de suas escolas é entender na prática o conceito da pedagogia crioula. Além do perfil do alunado e do professorado negro, as paredes falam. São painéis de arte, pinturas, frases, cartazes, desenhos, que contam a história da comunidade quilombola e também celebram toda uma história afro-brasileira. Além disso, consta no PPP das escolas o contato direto com lideranças e referências quilombolas que fazem parte da comunidade, como conta a gestora da Escola José Neu de Carvalho, Antônia Raimunda da Silva: “aqui nós trabalhamos em equipe, tanto com os pais dos alunos quanto com as pessoas mais velhas da comunidade, as lideranças. Para nós eles são a memória viva da nossa comunidade então muitas vezes eles vêm aqui para dar palestra, conversar com os alunos sobre a história e a cultura do quilombo e isso é muito importante porque a gente sente o envolvimento dos alunos nessas atividades”.</p>



<p>Segundo a gestora, a Escola José Neu, que atende aproximadamente 150 estudantes da educação infantil e do ensino fundamental, ainda não possui reconhecimento oficial do Ministério da Educação como escola quilombola, embora há anos se identifique dessa forma.</p>



<p>Outro passo importante foi a criação da primeira creche na comunidade, inaugurada em 2024. A professora quilombola e formadora da Creche Maria Auxiliadora de Jesus, Maria da Penha, conta como foi o processo de criação da instituição: “algumas pessoas da comunidade, inclusive lideranças, não defendiam a creche, por causa da vivência que as crianças têm com os mais velhos, de sentar no terreiro, tomar banho no mar sul, ouvir as histórias, e havia o medo de que a creche tirasse isso delas. Mas eu sempre fui defensora. Sempre disse que, quando essa política chegasse, a gente iria trabalhar do nosso jeito, respeitando a forma de ser e de se organizar da comunidade. A ideia de creche que vem da cidade é uma, mas aqui a pedagogia e a metodologia são voltadas para o nosso jeito de ser no quilombo”.</p>



<p>A pedagoga afirma que a defesa da creche na comunidade ocorre desde o início dos anos 2000, quando tiveram início as discussões sobre o projeto político-pedagógico das escolas. Atualmente, a unidade atende cerca de 40 crianças e conta com quatro professoras quilombolas concursadas por meio de seleção específica, além de uma coordenação composta por integrantes da própria comunidade. Os profissionais que atuam na creche também participam de formações contínuas e direcionadas, com o objetivo de aplicar, na prática, o PPP construído pela comunidade.</p>



<p>Com a implantação da creche, a comunidade de Conceição das Crioulas fortalece um percurso educativo que vai desde os primeiros anos de vida das crianças até o final da adolescência e início da vida adulta, sustentado por uma formação cultural e escolar baseada em demandas, valores e objetivos definidos pela própria comunidade. É um projeto de educação articulado ao projeto de vida coletivo que mobiliza educadores e educadoras do território.</p>



<p>“Os professores e professoras têm feito um trabalho maravilhoso e a gente vê o resultado no senso de pertencimento ao território, no olhar, no gesto, no movimento das crianças e dos jovens da comunidade e isso não tem preço, é algo que emociona”, enfatiza Maria da Penha.</p>



<p>O percurso educacional de Conceição das Crioulas mostra que a educação quilombola é um projeto de território, de vida e de futuro coletivo. Quando esse projeto encontra a universidade por meio da licenciatura da UFPE, não se trata apenas de formação superior, mas de um encontro entre dois sistemas de conhecimento. É nesse cruzamento que os saberes ancestrais, organizados em práticas como a pedagogia crioula, passam a ocupar o espaço acadêmico.Com a chegada do curso superior em Educação Escolar Quilombola, na Universidade Federal de Pernambuco, esse percurso formativo ganhou uma nova etapa que se conecta com a história de Conceição das Crioulas como veremos na próxima reportagem da série <strong>Ciência dos saberes ancestrais: a força da Educação Quilombola.</strong></p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/antes-da-universidade-o-quilombo-ja-ensinava/" class="titulo">Antes da universidade, o quilombo já ensinava</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Esta série de reportagens foi contemplada na “Seleção Petrobras de Jornalismo – Ciência e Diversidade”.</p>
    </div>
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			</item>
		<item>
		<title>Empresários apagam vídeos das bandas da &#8220;farra dos cachês&#8221; no Carnaval de Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/empresarios-apagam-videos-das-bandas-da-farra-dos-caches-de-olinda/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 18:45:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[a farra dos cachês]]></category>
		<category><![CDATA[cachês do carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vídeos que comprovam a realização dos shows das bandas e dos cantores de pouca expressão que receberam cachês de valores elevados no Carnaval de Olinda em 2025 já não estão disponíveis no YouTube. As peças começaram a ser retiradas do ar no início da tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, horas após a reportagem sobre [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p>Vídeos que comprovam a realização dos shows das bandas e dos cantores de pouca expressão que receberam <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cachês de valores elevados no Carnaval de Olinda em 2025</a> já não estão disponíveis no YouTube. As peças começaram a ser retiradas do ar no início da tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, horas após a reportagem sobre a farra dos cachês, publicada pela <strong>Marco Zero</strong>. A <strong>MZ</strong>, no entanto, baixou e salvou a maioria dos filmes e fez um compilado dos &#8220;melhores momentos&#8221;. Confira:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Compilado shows (Reportagem Farra dos Cachês)" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/IlYsLYhzT8U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><br><br>Os primeiros vídeos a serem retirados foram do cantor Maurinho e banda, que tinha as imagens de suas apresentações postadas na página da empresa M. Lira Produções. Maurinho recebeu R$ 120 mil em cachê por três shows em Rio Doce. Dois deles foram em festas promovidas por blocos e outro no polo oficial da prefeitura. Para efeitos de comparação, a tradicional Pitombeira dos Quatro Cantos recebeu R$ 123 mil por vários desfiles ao longo de todo o ano de 2025.</p>



<p>A M. Lira pertence ao empresário Marcos Pinheiro de Lira Júnior. De acordo com o site <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=13444210000110&amp;nomeFornecedor=M%20LIRA%20PRODUCOES%20LTDA&amp;tipoCredorPessoa=2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tome Conta</a>, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), a produtora forneceu camisetas para um festival de teatro patrocinado pela prefeitura em 2012, mas só voltou a prestar serviços para o poder público em Pernambuco em 2024. A empresa participou de 17 licitações em Pernambuco, gerando em seu favor 24 empenhos municipais das prefeituras de Goiana, Gravatá, Jucati e Olinda, além de outros quatro empenhos emitidos pelo Governo do Estado.</p>



<p>Em 2025, a prefeitura de Olinda emitiu 11 empenhos em favor desse CNPJ, dos quais nove foram efetivamente pagos, todos direcionados para fazer pagamentos a atrações do Carnaval: Rabo da Gata, Pegada Prime e o já mencionado Maurinho.</p>



<p>À noite, foram retirados os vídeos da banda Arreda e Dance, que tocou cinco vezes no último Carnaval, a um cachê de R$ 50 mil para cada apresentação, totalizando R$ 250 mil pagos com verba pública. Todos os shows tinham comprovação publicada no Youtube. Em contato com o produtor da banda, a reportagem questionou quanto seria o cachê para uma suposta festa particular. Recebeu como resposta a informação que seria entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.</p>



<p>De acordo com o <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=36486990000167&amp;nomeFornecedor=BRENO%20NASCIMENTO%20DE%20ANDRADE%20PRODUCOES&amp;tipoCredorPessoa=2">site do TCE</a>, a produtora da Arreda e Dance, a AO Produções, foi beneficiária de 25 empenhos de duas prefeituras, todos no ano de 2025. Desse total, 14 empenhos são da prefeitura de Goiana e 11, de Olinda. Entre os empenhos de Olinda, cinco foram pagos e seis deles acabaram sendo anulados e substituídos em seguida pelos outros que foram efetivamente pagos, tendo como objetivo o pagamento das bandas Amarula e Forrozão Arreda e Dance.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" class="titulo">A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Não tenho nada a ver com Mirella e Lupércio&#8221;</h2>



<p>A AO Produções, junto com outras três empresas cujas bandas foram beneficiadas por contratos com cachês no valor em torno de R$ 50 mil por apresentação, dividem o mesmo endereço, o número 1000 da rua Maria Luiza da Silva, em Igarassu, Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>De acordo com o empresário Anderson Oliveira, pai do responsável jurídico pela produtora, o jovem Breno Nascimento de Andrade, as bandas Amarula e Arreda e Dance apenas cumpriram aquilo que dizia o edital da prefeitura. Segundo ele, seu maior desconforto com a publicação da reportagem &#8220;foi ver meu nome como se eu estivesse metido com Mirella e Lupércio, pois eu nem gosto desses dois, não tenho nada a ver com essa mulher e esse homem. Politicamente para mim é péssimo vocês terem me colocado junto com esses dois&#8221;. Anderson diz ser comunista, do PCdoB, há 25 anos.</p>



<p>Segundo o empresário, sua empresa ainda tem dinheiro a receber da prefeitura de Olinda. Realmente, de acordo com o Tome Conta, um empenho de R$ 50 mil relativo a um show da banda Amarula aparece como liquidado, mas com o pagamento ainda em aberto. Questionado diretamente pela <strong>MZ</strong> se teve de dividir o valor dos cachês com algum vereador ou gestor municipal de Olinda, ele negou: &#8220;não trabalho com isso, não&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Trabalhismo e profissionalismo&#8221;</h3>



<p>A única artista citada na reportagem que entrou em contato com a <strong>Marco Zero</strong> foi a cantora Natália Rosa. Agenciada pela MSC Promoções, ela tem 24,5 mil seguidores em seu perfil de Instagram. Segundo o portal da transparência da Prefeitura de Olinda e o <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=47534968000161&amp;nomeFornecedor=MSC%20PROMOCOES%20LTDA&amp;tipoCredorPessoa=2">portal do TCE</a>, ela fez dois shows no Carnaval 2025 com cachês de R$ 70 mil cada, recebendo, portanto, R$ 140 mil da gestão. As apresentações foram nos blocos Rainha e Urso do Pote de Ouro.</p>



<p>De acordo com sua assessoria de imprensa, “o cachê atualmente praticado pela artista Natalia Rosa é fruto de um processo contínuo de construção de carreira, pautado pelo trabalho, profissionalismo e investimento em divulgação e posicionamento artístico”.</p>



<p>Com presença em programas de televisão em Pernambuco e na Paraíba, “além de citações e matérias publicadas na Folha de Pernambuco”, ela teria – sempre de acordo com a assessoria -, conquistado um “histórico de visibilidade, aliado ao crescimento do público e à consolidação de sua atuação no mercado musical, compõe critérios objetivos e legítimos para a definição de cachê, conforme as práticas adotadas no setor cultural”.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Dia do Frevo: o ritmo que surgiu na folia do povo negro do Recife e faz Pernambuco ferver</title>
		<link>https://marcozero.org/dia-do-frevo-o-ritmo-que-surgiu-na-folia-do-povo-negro-do-recife-e-faz-pernambuco-ferver/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2026 12:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval 2026]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Embriaga, entra na cabeça, toma o corpo e acaba no pé e é um dos maiores orgulhos dos pernambucanos. Comemorado no dia 9 de fevereiro, o frevo, mais que um ritmo ou uma dança, é uma expressão cultural que remete à luta política e social desde o século XIX. A data foi escolhida por causa [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Embriaga, entra na cabeça, toma o corpo e acaba no pé e é um dos maiores orgulhos dos pernambucanos. Comemorado no dia 9 de fevereiro, o frevo, mais que um ritmo ou uma dança, é uma expressão cultural que remete à luta política e social desde o século XIX. A data foi escolhida por causa do primeiro registro na imprensa, assinado pelo jornalista Oswaldo Oliveira no Jornal Pequeno, em 1907, encontrado nos anos 1990 pelo historiador e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Evandro Rabelo.</p>



<p>O historiador e coordenador de Memória do Paço do Frevo, Luiz Vinícius Maciel, explicou como ocorreu essa descoberta e a importância da relação entre o frevo e a imprensa para o reconhecimento dessa identidade cultural.<br><br>“Em 9 de fevereiro de 1907, o Clube Empalhadores do Feitosa, lá entre os bairros do Hipódromo e Encruzilhada, anunciava seu repertório &#8216;vamos apresentar a marcha tal, a marcha tal, e uma delas se chamava o Frevo&#8217;. Então, provavelmente, não era o frevo &#8211; como expressão cultural -, era uma marcha chamada O Frevo. Esse foi, durante muito tempo, o registro mais antigo que a gente tinha sobre o frevo, de algum documento histórico”, conta o historiador.</p>



<p>Após essa descoberta, o frevo passou a ter um dia só pra ele instituído em Pernambuco. O que não se imaginava naquele momento é que, em 2015, outro pesquisador, Luiz Santos, funcionário do Paço do Frevo, encontraria mais um registro enquanto realizava sua pesquisa em jornais digitalizados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. A notícia havia sido publicada no Diário de Pernambuco e era ainda mais antiga.</p>



<p>“Ele buscou por &#8216;frevo&#8217; e encontrou uma data anterior. Era a troça Tome Farofa, em 11 de janeiro de 1906, anunciando seu repertório também e lá tinha a mesma marcha: O Frevo. Então essa canção da época, essa marcha, O Frevo que o Empalhadores do Feitosa apresentou em 1907, o Tome Farofa também saiu com ela no ano anterior”, conta.</p>



<p>Apesar disso, a data continua com essa primeira descoberta. Ela marca um tempo, mas é uma manifestação que já estava envolvendo os recifenses. Maciel analisa que “se chegou no jornal, é porque já está na rua há muito tempo. As pessoas já falavam sobre isso há muito tempo, provavelmente. O trânsito entre a boca das pessoas na rua, a oralidade, e isso até virar notícia de jornal tem um percurso”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55069856300_a13c2a5eee_c-300x200.jpg">
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            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Luiz Maciel acredita que o frevo existia nas ruas antes de chegar aos jornais
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Da boca do povo aos jornais</strong></h2>



<p>O frevo surge entre o final do século XIX e o início do século XX, em um momento em que o Brasil e o Recife viviam um contexto de industrialização e reforma do porto, com a chegada de muito mais navios cargueiros. Maciel relembra que foi nesse momento também foi o de pós-abolição, em que parte da população negra começou a migrar, inclusive, para grandes centros comerciais, como o Recife, vindo de locais de produção agrícola, dos canaviais ao redor da cidade.</p>



<p>“A cidade que está com a população nova, se encontrando e produzindo culturalmente, vai ter um trânsito cultural de expressões vindo de fora, mas também de expressões culturais aqui de Pernambuco. E é nesse contexto que o frevo começa a aparecer, sobretudo nos bairros centrais do Recife. Isso é muito importante destacar. São José é, vamos dizer assim, o coração pulsante e originário do frevo, por ser um bairro muito comercial e também muito residencial, com uma concentração de população trabalhadora”, pontua.</p>



<p>E foi assim que o Frevo se popularizou entre os trabalhadores e caiu na boca do povo e da imprensa local. Na época, o Recife tinha vários jornais, como o Jornal Pequeno, a Província, Correio da Manhã, Diário da Noite, Diário do Pernambuco, o mais antigo deles. Responsáveis por informar a população e, sobretudo, difundir o carnaval.</p>



<p>Maciel lembra de uma figura importante para essa difusão, o jornalista Oswaldo Almeida. Um homem negro, formado na faculdade de Direito que, pela sua trajetória de vida e os locais que começou a acessar, usava o pseudônimo de Pierrot para fazer as vezes de interlocutor entre esse carnaval popular, que acontecia em bairros distantes ou em localidades mais empobrecidas, com a grande imprensa.</p>



<p>“E ele foi uma figura super importante pra dizer onde vai ter o ensaio, qual é o repertório. Muitas vezes as agremiações se organizavam para mandar a lista dos componentes e a data do ensaio, mandando pra ele na redação. A publicação nos jornais era um momento também de autorreconhecimento, de autoestima para essas populações”, destaca.</p>



<p>Além dos jornais tradicionais daquele tempo, muitas agremiações tinham seus próprios jornaizinhos. “O Vassourinhas editava ‘A vassoura’. Os espanadores editavam ‘O espanador’. Os caiadores editavam ‘O caiador’. Eram pequenos jornais efêmeros de quatro folhas distribuídos às vezes na rua, falavam do repertório do ano, faziam piada, crítica social, falavam mal do abastecimento de água, falavam mal da limpeza pública urbana”, diz o historiador.</p>



<p>Esse espaço da imprensa se torna, então, também um espaço para a população incidir politica e socialmente. O coordenador de Memória do Paço do Frevo também destaca que isso ocorria, muitas vezes, através dos diretores e presidentes das agremiações que eram, em sua maioria, homens negros formados no Liceu de Artes e Ofícios, ou exerciam outras profissões como operários de gráfica, de tipografia, onde aprendiam a ler e escrever. </p>



<p>E assim, o Frevo que é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(UNESCO), segue até hoje na boca do povo e no coração dos foliões. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">História preservada</span>

		<p>Quem tem interesse em conhecer a história do Frevo de perto, pode ir até o Paço do Frevo, espaço mantido pela Prefeitura do Recife, na Praça do Arsenal, no Recife Antigo, que salvaguarda e perpetua o legado do ritmo com exposições permanentes e temporárias, escolas de dança e música, além de um centro de documentação, um estúdio de gravação e uma rádio online. As atividades do Paço acontecem o ano todo e os ingressos custam R$ 10, inteira, e R$ 5, meia entrada, nas terças-feiras a entrada é gratuita.</p>
	</div>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/frevo.jpg" alt="Foto de um palco durante uma apresentação musical ao vivo. Ao centro, uma passista de frevo em pleno salto no ar, com fantasia verde brilhante e grande adorno de cabeça, pernas abertas e braços erguidos. Ao fundo, uma banda com vários músicos tocando instrumentos de sopro diante de estantes de partitura. À direita, um cantor idoso usa boné azul e segura o microfone enquanto se inclina para o público. Luzes fortes iluminam a cena e um painel colorido com a inscrição “Pátio de São Pedro” aparece ao fundo." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">A história do frevo é a história do povo negro e trabalhador do Recife
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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