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	<title>Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 16 Oct 2026 18:12:44 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Mais de 120 agremiações de frevo desfilam em apoio a Lula em Olinda no domingo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 18:11:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste domingo (18), o frevo tomará as ladeiras do Sítio Histórico de Olinda em um ato pela reeleição do presidente Lula (PT), com o Bloco da Vitória. Até agora, são 122 agremiações confirmadas (confira a lista completa ao final da matéria) e duas das principais orquestras da cidade, a Henrique Dias e a do Maestro [&#8230;]</p>
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<p>Neste domingo (18), o frevo tomará as ladeiras do Sítio Histórico de Olinda em um ato pela reeleição do presidente Lula (PT), com o Bloco da Vitória. Até agora, são 122 agremiações confirmadas (confira a lista completa ao final da matéria) e duas das principais orquestras da cidade, a Henrique Dias e a do Maestro Oséas. O evento tem concentração marcada para as 14h13, na Praça do Carmo, com desfile às 16h13h.</p>



<p>Um dia antes do primeiro turno, no sábado, 3 de outubro, as orquestras foram impedidas de tocar no evento “Bora Lula”, puxado pelo Eu Acho É Pouco e o Bloco Sem Terra, com Oséas, depois que o vereador Alessandro Sarmento (PL) entrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para barrar o frevo dizendo que se tratava de um showmício. Sarmento se candidatou a deputado estadual e perdeu.</p>



<p>As orquestras estão liberadas para tocar no domingo (18). Segundo dados do TSE, 57% dos eleitores olindenses votaram em Lula no primeiro turno.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Agremiações confirmadas até o momento</span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Corda, A Ema Gemeu, A Porca, A Rede, A Zebra, Amigos da Boa Hora, Abduzidos, Acauã Cia de Dança, Acorda Povo &#8211; Rio Doce, Amantes de Glória, Bacalhau de Herodes, Barrados no Baile, Blefe &#8211; Bloco da Esquerda Festiva, Bloco da Inconveniência, Bloco da Papuda, Bloco da Sopa, Bloco do Case, Bloco Sem Terra, Boi da Macuca, Bota no Lattes, Café 246, Caiu Na Rede é Sereia, Camarote do Gui, Calunguinha Torto, Caraca Moleque, Cariri, Cavalo Branco, Ceroula de Olinda, Chapadinhos na Praia, Cia Brasil Por Dança (Adriana do Frevo), Cia De Danças Olindarte Por Vertinho Do Frevo, Cia Frevança de Dança, Comigo é Assim, Cordas e Retalhos Bloco Lírico, Damas e Valetes, Deusas do Ébano, Dez de Xarque e uma Latinha, Dom Juan do Monte, Du Nada a Gente Sai, Elefante de Olinda, Enquanto Isso na Sala Da Justiça, Entra em Beco Sai em Beco, Eu Acho É Pouco, Eu Gosto Assim, Eu Quero Mais, Feitiço da Estrela, Fique na Sombra, Flor de Eucalipto, Flores do Paulista, Fogo na Bacurinha, Frevo Capoeira e Passo, Fui ajeitar e Piorei, Garoto De Vassoura, Garoto do Cacambu, Garoto do Condor, Garoto Joia, Garoto TBT, Grupo Percussivo Batuques de Pernambuco, Hoje a Mangueira Entra, John Travolta, Jovem Charles, La Ursa do Bonfim, Lenhadores Olindense, Lucinha no Frevo, Maloqueiro do Guadalupe, Manuel Vicente, Maracadonna, Marim dos Caetés, Marinheiro Buçanha, Me Mostra o Teu Mapa Astral, Meia Noite Eu Te Conto, Menino Charmoso, Menino da Tarde, Menino Rosado, Mestre Forró, Metido a Rico Porém Liso, México Peru, Minha Cobra, Minhocão, Mói Di Cuênto, Mulher na Vara, O Birita de Olinda, O Bonde &#8211; Bloco Carnavalesco Lírico, O Cara, O Garoto de JB, Ô polvo feio, O Raparigueiro, O Rodo, O Soberano, O Tabacudo do Vizinho, Olinda Frevo e Folia, Peneirão, Pife Floyd, Pisando na Jaca, Pitombeira dos Quatro Cantos, Quanto Mais Tuba Melhor, Quem Cola Entra, Rapariga Véa, Rebylleurias, Sai Dessa Noia, Samba Soul Delas, Se Eu Flopar Me Beija, Se Me Der Eu Como, Segura a Coisa, Sequeladas de Camus, Seresteiro de Salgadinho, Sibito Baleado, Siri Na Lata, Sobrecu, Sombatuki, Tambores D’Saia, Tá’Qui Pr’Ôces, TCM Sem Nome, Tesourada, Traquinos em Folia, Troça Anárquica Umuarama, Urso Congelado, Urso Pé de Cana, Vai de Terno, Vamos para Cuba, Vassourinhas de Olinda, Zé Puluca, Patusco.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>
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		<item>
		<title>Rosa Amorim renova quadros do PT e inaugura presença feminina do MST no Congresso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 15:48:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[Rosa Amorim]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A eleição de Rosa Amorim para a Câmara dos Deputados marca uma renovação dos quadros do Partido dos Trabalhadores (PT) em Brasília e inaugura a presença feminina do Movimento dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) no Congresso Nacional. Nascida em Caruaru, criada no Assentamento Normandia, negra, atriz e única parlamentar assumidamente lésbica [&#8230;]</p>
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<p>A eleição de Rosa Amorim para a Câmara dos Deputados marca uma renovação dos quadros do Partido dos Trabalhadores (PT) em Brasília e inaugura a presença feminina do Movimento dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) no Congresso Nacional. Nascida em Caruaru, criada no Assentamento Normandia, negra, atriz e única parlamentar assumidamente lésbica da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), ela ocupará um assento no Legislativo nacional num cenário de forte presença do agronegócio.</p>



<p>Maior grupo do Congresso, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) <a href="https://www.poder360.com.br/poder-congresso/bancada-do-agro-reelege-metade-dos-seus-integrantes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reelegeu metade dos seus integrantes</a>. De 345 políticos que compõem o grupo, 173 terão novos mandatos na Câmara ou no Senado. Há cinco deputados pernambucanos da Frente reeleitos: Augusto Coutinho (Republicanos), Felipe Carreras (PSB), Fernando Coelho Filho (União), Fernando Monteiro (PSD) e Silvio Costa Filho (Republicanos).</p>



<p>Em entrevista à <strong>Marco Zero</strong>, Rosa diz ver sua presença no Congresso como uma contraposição à FPA. “A chegada de uma mulher sem terra à Câmara torna visível uma disputa que envolve terra, produção agrícola e modelos de desenvolvimento”, coloca.</p>



<p>A bancada do MST será pequena, na legislatura 2027-2023, diante da enorme representação do agro. Além de Rosa, o movimento terá mais três representantes no parlamento federal, todos reeleitos pelo PT: Valmir Assunção (BA), Mateus Marcon (RS) e João Daniel (SE). Entre as pautas defendidas pelo grupo, estão a reforma agrária, a democratização do acesso à terra, o fortalecimento da agricultura familiar, a produção de alimentos saudáveis, o combate à fome, a educação pública e a proteção ambiental.</p>



<p>Sobre como pretende pautar a reforma agrária e o que é possível fazer diante de um Congresso dominado pela extrema direita, Rosa reconhece que o “cenário é dramático” e que “não será fácil”. Mas destaca que sua eleição manda um recado muito importante para nomes como Coronel Meira (PL), que não conseguiu se reeleger, e Clarissa Tércio (Progressistas), que se reelegeu com 33.493 votos a menos que ela, menos da metade do que tinha obtido em 2022.</p>



<p>“Coronel Meira, numa reunião de comissão, citou que Rosa Amorim não iria se tornar deputada federal, que não teria uma sem terra no Congresso Nacional. Clarissa Tércio, uma das pessoas mais violentas do estado de Pernambuco para as mulheres e para a comunidade LGBT, também assumiu esse discurso. E, no final, nós fizemos mais votos que Clarissa e derrotamos Coronel Meira”, comemora.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/igreja-radio-e-comunidade-terapeutica-o-fundamentalismo-religioso-por-tras-do-casal-tercio/" class="titulo">Igreja, rádio e comunidade terapêutica: o fundamentalismo religioso por trás do casal Tércio</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Disputa geracional e MST</h2>



<p>Aos 29 anos, com uma campanha que combinou redes e rua, Rosa recebeu 144.101 votos. Foi a décima candidata mais votada para federal em Pernambuco e a mais votada da federação PT, PCdoB e PV no estado, com quase 11 mil votos a mais que o segundo colocado do seu partido, Carlos Veras. O resultado mostra a dimensão do salto eleitoral da parlamentar, que teve uma votação cerca de três vezes maior do que a de 2022, quando estreou na Alepe (42.632 votos).</p>



<p>Rosa recebeu votos nos 185 municípios pernambucanos, com uma votação expressiva no Recife (39.849 votos), seguido por Caruaru (13.054), Olinda (10.201), Jaboatão dos Guararapes (9.293) e Petrolina (8.419). Em Caruaru, ela foi a segunda mais votada, depois de Delegado Lessa (Republicanos), que teve 21.844 votos na cidade, mas não foi eleito.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="799" height="533" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-5.jpg" alt="" class="wp-image-77036" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-5.jpg 799w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-5-300x200.jpg 300w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-5-768x512.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-5-150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 799px) 100vw, 799px" /><figcaption class="wp-element-caption">Aos 29 anos, com uma campanha que combinou redes e rua, Rosa Amorim teve 144.101 votos. </figcaption></figure>
</div>


<p>A parlamentar atribui a vitória a três fatores principais: a demanda da juventude de esquerda por renovação política, sua trajetória coletiva no MST e a mobilização de eleitores LGBTQIAPN+. “Para nós, foi uma vitória histórica, porque ela traz junto consigo muitas simbologias”, define.</p>



<p>Parte expressiva do apoio à deputada está entre os eleitores jovens e ela relaciona isso à necessidade de contrapor novas lideranças feministas a homens jovens da extrema direita. A eleição escancarou, na avaliação dela, uma disputa geracional sobre os temas que devem ocupar o Congresso.</p>



<p>É esse primeiro voto que Rosa diz querer ajudar Lula a conquistar no segundo turno. Ela esteve em assembleias nas universidades, onde foi bastante aplaudida. Mas sua ausência foi sentida na passeata puxada pelos estudantes no último domingo (11) no Recife.</p>



<p>Segundo sua assessoria, ela estava numa agenda pessoal no interior durante o fim de semana. “No entanto, o Levante Popular da Juventude e o MST, movimentos que ela integra, estavam presentes. Inclusive o ato no domingo foi puxado pelas juventudes, assim como os atos nas universidades”, informou a assessoria.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="799" height="533" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-2.jpg" alt="" class="wp-image-77034" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-2.jpg 799w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-2-300x200.jpg 300w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-2-768x512.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-2-150x100.jpg 150w" sizes="(max-width: 799px) 100vw, 799px" /><figcaption class="wp-element-caption">Parte expressiva do apoio à deputada Rosa Amorim (PT) está entre os eleitores jovens. </figcaption></figure>
</div>


<p>Para Rosa, essa renovação do PT abre espaço para uma bancada mais à esquerda e para a defesa de um programa político mais radical em suas propostas sociais. “É onde eu estarei”, antecipa, sem descartar negociações com setores de centro e de direita para viabilizar os projetos que defende e, neste momento, para disputar a reeleição do presidente Lula (PT).</p>



<p>Nestas eleições, o PT de Pernambuco triplicou sua bancada na Câmara Federal, com a eleição de Carlos Veras &#8211; único parlamentar eleito em 2022 -, Liana Cirne e Rosa. Também ampliou a presença na Alepe, passando de três para cinco cadeiras — com Dani Portela, João Paulo, Breno Araújo, João Paulo Costa e Ivete Caetano — e terá dois representantes no Senado, Teresa Leitão, que segue seu mandato, e Humberto Costa, reeleito.</p>



<p>“Esse é também o recado que Pernambuco deixa nos elegendo. E, a nível nacional, é dizer que a extrema direita pode até ter crescido e ser maioria no Congresso, mas nós qualificamos a nossa atuação para o próximo período”, avalia, citando “garra, coragem e vontade para fazer enfrentamento aos fascistas que querem destruir os nossos direitos”.</p>



<p>Quando perguntada sobre que estratégia pensa em adotar no parlamento federal, inclusive para se defender da violência política de gênero, Rosa comentou que o cenário dependerá muito de quem vencer o segundo turno no dia 25. Porém, na entrevista, fez questão de destacar: “A tribuna no Congresso Nacional vai ser um ringue de disputa de projeto ideológico de país”.</p>



<p>Sobre o MST, Rosa acredita que a presença nacional e a história de mobilização ajudaram a sustentar sua campanha. “A memória viva, a luta cotidiana do Movimento Sem Terra e o que ele representa para o Brasil foram muito importantes para que o povo pudesse apostar nesse projeto coletivo”, acredita.</p>



<p>Ao falar sobre o forte apoio da população LGBTQIAPN+ à sua campanha, Rosa destacou o apoio que recebeu da deputada federal Erika Hilton (PSOL). Somente um vídeo gravado por Erika alcançou quase quatro milhões de visualizações nas redes sociais. Para a parlamentar, isso mostra “a necessidade também de conformar uma bancada pelos direitos da população LGBT. Coloquei isso quase como um slogan da nossa campanha, ‘eu voto em LGBT’”, lembra.</p>



<p>Aliás, foi nas redes que Rosa investiu um montante expressivo da sua receita de campanha. A verba de impulsionamento de conteúdos, no Instagram e Facebook, foi, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o primeiro colocado no item de despesas: R$ 600 mil, dos R$ 1,8 milhão, valor recebido quase que na integralidade por repasse do diretório nacional do PT.</p>



<p>Rosa lembra que o Congresso não costuma legislar pelos direitos da comunidade LGBTQIAPN+. Tanto é que vários direitos fundamentais dessa população foram estabelecidos por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) ou por normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e não por leis aprovadas no parlamento. Exemplos disso são o casamento civil homoafetivo, a criminalização da homofobia e da transfobia (enquadrada na Lei do Racismo), o uso do nome social nos tribunais e a alteração de nome e gênero no registro civil.</p>



<p>“Mas por que eu estou trazendo isso como um elemento? Porque a extrema direita cresceu principalmente batendo nas pautas, na vida e na existência das pessoas LGBT. Lucas Pavanato (PL), de São Paulo, se elegeu dizendo que vai acabar com os banheiros trans como sua principal pauta. Nikolas Ferreira (PL) se projetou batendo na comunidade LGBT. Então isso para mim é importante”, explica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Propostas no Congresso</strong></h2>



<p>A atuação de Rosa na Alepe tem se concentrado nos temas de combate à fome, igualdade racial, direitos das mulheres, proteção da população LGBTQIAPN+, agricultura familiar e cultura popular. São esses os temas que ela pretende seguir pautando em Brasília, segundo disse em entrevista por telefone na semana passada.</p>



<p>Ela foi responsável pela criação de 30% de cotas para negros, pardos, indígenas e quilombolas e pelo desarquivamento do Estatuto da Igualdade Racial de Pernambuco, um projeto de lei originalmente dos ex-deputados Teresa Leitão (PT) — hoje senadora — e Isaltino Nascimento (PSB). O projeto virou lei, foi sancionado pela governadora Raquel Lyra (PSD) em 2023.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-8-1024x683.jpeg" alt="" class="wp-image-77037" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-8-1024x683.jpeg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-8-300x200.jpeg 300w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-8-768x512.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-8-1536x1024.jpeg 1536w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-8-2048x1365.jpeg 2048w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/anderson-stevens-8-150x100.jpeg 150w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Presença nacional e a história de mobilização do MST ajudaram a sustentar a campanha. </figcaption></figure>
</div>


<p>Entre suas propostas para a Câmara dos Deputados, estão a defesa do III Plano Nacional de Reforma Agrária, a ampliação do acesso à terra, acelerando desapropriações, arrecadação e destinação de terras públicas, e o fortalecimento do Programa Nacional de Crédito Fundiário.</p>



<p>Rosa disse que também vai pautar o fortalecimento e a modernização do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai); a proteção e regularização dos territórios tradicionais, com aceleração da demarcação, titulação e regularização dos territórios indígenas, quilombolas e de demais povos e comunidades tradicionais; e a criação de um Fundo da Agroecologia e da Economia Popular, para aumentar o financiamento a sistemas agroecológicos, agroflorestas, cooperativas e infraestrutura produtiva.</p>



<p>Pretende ainda se articular para disputar uma vaga nas comissões de Educação, de Cultura e de Clima e prometeu que irá criar um Grupo de Trabalho da Caatinga, dentro da Frente Parlamentar Ambientalista. A Câmara já chegou a aprovar requerimentos para criar uma Subcomissão Especial do Bioma Caatinga, vinculada à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Porém, os registros oficiais indicam que essa iniciativa foi arquivada em 2026.</p>
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		<title>Coragem para o medo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 20:02:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>*por Rodrigo de Abreu Pinto No primeiro turno, a campanha de Lula olhou para trás. Na que deve ser a última eleição do presidente, a aposta foi exibir o legado acumulado em três mandatos e projetar, a partir dele, mais quatro anos. A estratégia esbarrou num dado teimoso: o atual mandato do presidente Lula é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>*por Rodrigo de Abreu Pinto</strong></p>



<p>No primeiro turno, a campanha de Lula olhou para trás. Na que deve ser a última eleição do presidente, a aposta foi exibir o legado acumulado em três mandatos e projetar, a partir dele, mais quatro anos.</p>



<p>A estratégia esbarrou num dado teimoso: o atual mandato do presidente Lula é mal avaliado. Na véspera da votação, em levantamento da Quaest, a aprovação era de 44%, contra 49% de desaprovação.</p>



<p>As urnas confirmaram o diagnóstico. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na frente, ainda que por margem estreita, 47% contra 45% de Lula.</p>



<p>Em eleições assim, com um candidato à reeleição, a disputa é plebiscitária. Vota-se a favor ou contra a continuidade de quem está no poder.</p>



<p>Aqui, a primeira pergunta que o eleitor responde é “você quer mais quatro anos de Lula?”, e a maioria já disse que não (55% dos eleitores votaram em Flávio, Cury, Renan, Caiado e Zema). Resta a segunda, a que de fato decidirá o segundo turno: “mesmo que a continuidade de Lula não seja o ideal, você prefere um governo de Flávio Bolsonaro?”.</p>



<p>É essa que a campanha de Lula precisa responder até o dia 25. Menos legado, mais retrato do que seria o governo de Flávio Bolsonaro. Se o primeiro turno apostou na esperança, o segundo terá de trabalhar o afeto oposto, o medo.</p>



<p>Até aqui, esse medo, onde existe, é pequeno demais para o tamanho da ameaça. No Datafolha de 6 a 8 de outubro, 46% não votariam em Lula de jeito nenhum, contra 43% que rejeitam Flávio. A irritação com o presente ainda pesa mais que o receio do futuro.</p>



<p>Para a esquerda, que se reconhece na defesa de sonhos e projetos, trocar a esperança pelo medo é incômodo. Mas só essa flexibilidade tática pode adiar o fim do mundo, ao menos para que nos organizemos melhor para 2030, apoiados nos jovens progressistas que acabam de chegar ao Congresso. Um deles, Jones Manoel (PSOL-PE), eleito deputado federal com 249 mil votos, resumiu a questão: “o objetivo da gente é ganhar a eleição, e não provar que Lula é maravilhoso”.</p>



<p>Por falar em fim do mundo, o filósofo Günther Anders enfrentou dilema parecido diante do risco nuclear. Depois que a bomba atômica varreu Hiroshima e Nagasaki do mapa, dizia-se por toda parte que o mundo vivia a “Era do Medo”. Anders respondeu:</p>



<p>“Nada é mais falso que o chavão popular de que já vivemos na ‘Era do Medo’. Tentam nos convencer disso somente aqueles que têm medo de que criemos o verdadeiro medo, isto é, aquele medo adequado ao perigo”.</p>



<p>Para Anders, vivia-se, na verdade, a era da banalização do medo. As pessoas não sentiam medo suficiente e, por isso, quase ninguém cobrava dos governos proteção efetiva contra o risco atômico. Daí o seu conselho: “Amedronte seu vizinho como a si mesmo”. É o que falta fazer agora.</p>



<p>Nesse ponto, vale uma distinção. É verdade que o bolsonarismo também vive do medo, mas de um medo que divide. Elege parte da população como ameaça (o morador da periferia tratado como bandido, o nordestino acusado de “votar errado”, o “comunista” que ameaçaria a família, o imigrante que roubaria empregos e os gays e lésbicas, agentes da “ideologia de gênero”) e vende proteção a quem está do outro lado da linha.</p>



<p>Não é desse medo que se trata aqui. Trata-se do que o sociólogo Ulrich Beck examinou no clássico Sociedade de Risco, ao tratar do medo diante de acidentes nucleares, da contaminação química e da crise ambiental. Um medo que, por ser de todos, produz solidariedade.</p>



<p>Com um eventual governo Flávio, há três razões principais para esse medo, e todas precisam chegar ao eleitor:</p>



<p>(a) a perda de direitos sociais, com ataques aos programas sociais e à legislação trabalhista, incluindo a manutenção da escala 6&#215;1;</p>



<p>(b) a milicianização e a captura da máquina pública, na esteira das relações de Flávio com figuras como o miliciano Adriano da Nóbrega, o ex-assessor Fabrício Queiroz e o banqueiro Daniel Vorcaro; e</p>



<p>(c) a entrega de todas as chaves da República a um só partido, dado que o PL já terá, a partir de 2027, a maior bancada da Câmara e também do Senado.</p>



<p>Bom lembrar que o PT já fez esse movimento no segundo turno de 2006. As conquistas dos quatro anos até ali, que ocupavam o centro da campanha como resposta ao mensalão, cederam lugar à associação de Geraldo Alckmin à privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e dos Correios. Resultado: o tucano, que saiu do primeiro turno com quase 40 milhões de votos, terminou o segundo com 37,5 milhões.</p>



<p>Parte de quem vota em Lula já entendeu isso, ainda bem. O melhor exemplo é a série “Revelando”, disponível no YouTube, uma iniciativa do podcast Calma Urgente em parceria com o ICL Notícias e a Mídia Ninja, dedicada a expor os riscos de um eventual governo Flávio. Os episódios lançados até aqui trataram das relações de Flávio com Daniel Vorcaro, de sua atuação na defesa de policiais acusados de homicídio, de sua PEC para a privatização das praias e das suas ameaças à imagem de Nossa Senhora Aparecida.</p>



<p>A lição, porém, parece ainda não ter chegado à própria campanha, a julgar pelos três primeiros programas do horário eleitoral deste segundo turno, cada um com cinco minutos de duração. No &#8220;primeiro programa&#8221; (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=q6hrrjIF6No" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.youtube.com/watch?v=q6hrrjIF6No</a>), só um minuto e meio (os 45 segundos iniciais e os 45 finais) tratou de Flávio. No &#8220;segundo&#8221; (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=WkwB7-Vx548" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.youtube.com/watch?v=WkwB7-Vx548</a>), apenas os 30 segundos finais. Já no &#8220;terceiro&#8221; (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=s4kIzbAYbfg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.youtube.com/watch?v=s4kIzbAYbfg</a>), um minuto e meio (os 45 segundos iniciais e outros 45 na segunda metade) foi dedicado a Flávio. Em nenhum dos três programas, as críticas diretas a Flávio ocuparam mais de 30% do tempo.</p>



<p>Faltam menos de duas semanas. Günther Anders pedia coragem para ter medo, e é exatamente o que falta à campanha: coragem para dizer, com todas as letras, o que seria o Brasil sob Flávio Bolsonaro.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p align="justify"><span style="font-family: Merriweather, serif;"><span style="font-size: medium;">* <strong>Rodrigo de Abreu Pinto</strong> é presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais</span></span></p>
    </div>
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		<title>Veículos de jornalismo se unem pela democracia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Institucional]]></category>
		<category><![CDATA[Direito à informação]]></category>
		<category><![CDATA[eleição 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de expressao]]></category>
		<category><![CDATA[mídia independente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A sociedade brasileira não pode pagar pra ver. E o jornalismo brasileiro não pode vacilar: é hora de adotar uma posição clara em defesa da democracia e contra o autoritarismo. Trata-se de uma situação que já vivemos antes. Em 2018, muitos acreditaram na ilusão de que o status quo político acabaria por moderar Jair Bolsonaro. [&#8230;]</p>
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<p>A sociedade brasileira não pode pagar pra ver. E o jornalismo brasileiro não pode vacilar: é hora de adotar uma posição clara em defesa da democracia e contra o autoritarismo. Trata-se de uma situação que já vivemos antes. Em 2018, muitos acreditaram na ilusão de que o <em>status quo</em> político acabaria por moderar Jair Bolsonaro. Hoje, podemos afirmar com toda a certeza: foi o bolsonarismo que radicalizou o <em>status quo</em>.</p>



<p>O governo de Jair Bolsonaro apresentou sinais documentados de ataques à democracia: investidas contra a credibilidade das eleições, hostilidade à imprensa, uso político das Forças Armadas e tolerância a manifestações antidemocráticas, contestação da alternância de poder e confronto aberto com o Judiciário. O fato de as instituições terem resistido não significa que esses sinais não existiram e nem indica ausência de gravidade. Significa que os mecanismos de contenção funcionaram.</p>



<p>Não há nenhuma razão no horizonte para crer que seu filho teria uma relação melhor com o jornalismo e a democracia. O fato de não ser tão verborrágico e agressivo quanto o pai não faz com que seus atos se tornem menos graves. A promessa primordial de Flávio Bolsonaro é a libertação de Jair e a anulação do julgamento por tentativa de abolir o Estado democrático. Soma-se a isso a ameaça declarada de mudanças na Constituição.</p>



<p>Durante os quatro anos de bolsonarismo, o jornalismo conviveu com o horror da repressão. Agressões verbais promovidas quase diariamente pelo presidente da República contra os repórteres que cobrem o Planalto. Intimidações em todo o território nacional, decorrentes do clima de hostilidade que Bolsonaro promovia contra o exercício da profissão.</p>



<p>Os números ajudam a dimensionar essa escalada de violência. Segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), foram registrados 1.442 casos de violência contra jornalistas e ataques à imprensa entre 2019 e 2022, uma média anual mais de três vezes superior à observada entre 2010 e 2018. Somente em 2022, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) documentou 557 alertas de violações à liberdade de imprensa, dos quais 41,6% envolveram ao menos um integrante da família Bolsonaro.</p>



<p>A mudança de cenário a partir de 2023 é igualmente reveladora: os registros da Abraji caíram para 330 naquele ano e 204 em 2025, enquanto o Brasil passou da 110ª posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, da Repórteres Sem Fronteiras, em 2022, para a 52ª em 2026.</p>



<div style="min-height:493px" id="datawrapper-vis-hjVn2"><script type="text/javascript" defer src="https://datawrapper.dwcdn.net/hjVn2/embed.js" charset="utf-8" data-target="#datawrapper-vis-hjVn2"></script><noscript><img decoding="async" src="https://datawrapper.dwcdn.net/hjVn2/full.png" alt="Gráfico de linha que apresenta a evolução anual dos casos de violência contra jornalistas e ataques à imprensa no Brasil, entre 2009 e 2024, segundo a Fenaj. Os registros passaram de 135 em 2018 para 208 em 2019, 428 em 2020 e 430 em 2021, o maior valor da série apresentada. Em 2022, foram 376 casos. Após esse período, os números caíram para 181 em 2023 e 144 em 2024. O intervalo de 2019 a 2022, correspondente ao governo Jair Bolsonaro, está destacado." /></noscript></div>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>A defesa do jornalismo, porém, vai além do interesse de uma categoria profissional: diz respeito ao direito de toda a população à informação e à própria qualidade da democracia. Esse direito depende de um ambiente de informação íntegro, onde informações confiáveis, verificáveis e plurais possam circular livremente. O jornalismo tem papel essencial na construção desse ambiente, ao investigar casos de corrupção, abusos de poder e violações de direitos, produzindo evidências que ajudam a sociedade a compreender a realidade, cobrar responsabilidades e dar visibilidade a populações frequentemente negligenciadas.</p>



<p>Por isso, ataques sistemáticos à imprensa não atingem apenas jornalistas e veículos de comunicação. Ao intimidar profissionais e desacreditar suas investigações, comprometem o acesso da população a informações de interesse público e enfraquecem a capacidade da sociedade de fiscalizar quem governa e exigir a responsabilização de quem viola a lei.</p>



<p>O que aconteceu durante o governo Jair Bolsonaro tem um longo histórico. Em 1999, ele declarou que, se fosse presidente, fecharia o Congresso Nacional e daria um golpe de Estado. Em 2016, homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturador da ditadura militar.</p>



<p>Já na Presidência, participou, em 2020, de uma manifestação que defendia a intervenção militar e o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2022, reuniu embaixadores estrangeiros para lançar acusações sem provas contra o sistema eleitoral brasileiro, episódio que levou à sua inelegibilidade.</p>



<p>A escalada culminou em um plano de assassinato de autoridades – nomeadamente, Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes –, na tentativa de impedir a alternância de poder após a derrota nas urnas, pela qual Bolsonaro foi condenado pelo STF em 2025.</p>



<p>Esse histórico é indispensável para avaliar as propostas de Flávio Bolsonaro. O senador também tem manifestações próprias que merecem atenção. Em livro publicado em 2017, negou a existência do golpe militar de 1964 e elogiou Ustra. Em julho de 2026, repetiu diante de diplomatas estrangeiros informações falsas sobre a origem das urnas eletrônicas brasileiras.</p>



<p>Não é possível ignorar a trajetória de um grupo político que questionou a legitimidade das eleições, confrontou instituições responsáveis por fiscalizar o poder e agora pretende modificar algumas dessas mesmas instituições.</p>



<p>O risco não se resume a um novo golpe de Estado: está também na possibilidade de enfraquecimento progressivo dos mecanismos que impedem a concentração de poder e garantem a responsabilização de governantes.</p>



<p>A população depende de uma imprensa livre para fiscalizar o poder. E uma imprensa livre depende de instituições capazes de assegurar direitos, garantir acesso a informações públicas, proteger profissionais contra intimidações e responsabilizar quem tenta impedir seu trabalho.</p>



<p>A experiência do governo Bolsonaro mostrou como a hostilidade promovida pelo presidente pode repercutir sobre a liberdade de imprensa. Se os mecanismos de controle do poder também forem enfraquecidos, tornam-se mais frágeis as condições para que jornalistas investiguem e publiquem informações de interesse público com independência. É assim que ataques ao jornalismo, enfraquecimento institucional e erosão democrática podem se alimentar mutuamente, abrindo caminho para o avanço do autoritarismo.</p>



<p>Nesse sentido, este editorial é também um apelo a veículos de comunicação e jornalistas para que reflitam sobre sua responsabilidade neste momento histórico. Não se trata de defender governos, partidos ou tribunais, mas de reconhecer que a liberdade de imprensa, a independência das instituições e o direito da sociedade à informação são inseparáveis. Em nome de um futuro viável, o Brasil precisa preservar sua democracia, com todas as suas imperfeições, contradições e conquistas. Afinal, a história mostra que o autoritarismo pode chegar ao poder pelas urnas, mas seus efeitos sobre os direitos e as liberdades podem levar décadas para ser revertidos.</p>



<p>Agência Diadorim<br>Agência Envolverde<br>Agência Mural<br>Ambiental Media<br>AzMina<br>Cansei de ser pop<br>Conexão Planeta<br>Conquista Repórter<br>Correio Sabiá<br>De Olho nos Ruralistas<br>Eco Nordeste<br>Eficientes<br>Emerge Mag<br>Eufêmea<br>Gênero e Número<br>InfoAmazonia<br>Kerovi<br>Jornal Espaço do Povo<br>Jornalistas&amp;Cia<br>Juicy Santos<br>Le Monde Diplomatique Brasil<br>Mangue Jornalismo<br><strong>Marco Zero</strong><br>Matinal<br>Meus Sertões<br>Mídia Caeté<br>MigraMundo<br>Nonada<br>Notícias da TV<br>Núcleo Jornalismo<br>Plural<br>Ponte Jornalismo<br>Portal BnT Online<br>Portal Catarinas<br>Portal dos Jornalistas<br>Portal Gerais<br>Porvir<br>Projeto Preserva<br>Psicodelicamente<br>O Joio e O Trigo<br>Outras Palavras<br>Revista Afirmativa<br>Revista Alagoana<br>Revista O Grito!<br>Sul21<br>Sumaúma<br>The Conversation Brasil</p>
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		<title>Fãs com adesivo de Lula são barrados em show de João Gomes em Petrolina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 20:37:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[abrace um denguinho]]></category>
		<category><![CDATA[censura]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[joão gomes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A professora Katiuscia Maria da Silva estava entrando no show de João Gomes nesta segunda-feira (12), em Petrolina, quando foi abordada por uma segurança do evento, que pediu a garrafa de água que ela segurava, com um adesivo de Lula colado. “Aí eu perguntei: ‘Não pode entrar com água?’. Ela respondeu que era por causa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A professora Katiuscia Maria da Silva estava entrando no show de João Gomes nesta segunda-feira (12), em Petrolina, quando foi abordada por uma segurança do evento, que pediu a garrafa de água que ela segurava, com um adesivo de Lula colado. “Aí eu perguntei: ‘Não pode entrar com água?’. Ela respondeu que era por causa do adesivo, ‘que não pode fazer propaganda política aqui dentro’. Aí eu disse: ‘Não vou fazer propaganda política. É apenas um adesivo meu’”, conta Katiuscia. Para conseguir entrar, ela teve de tirar o adesivo da garrafa.</p>



<p>Assim como Katiuscia, dezenas de pessoas relataram o mesmo tratamento para entrar no evento Abrace um Denguinho. Há vídeos, fotos e relatos de pessoas sendo barradas por estarem com adesivos e camisetas de Lula. O PT de Pernambuco afirmou hoje que vai tomar providências. “Vamos encaminhar uma representação ao Tribunal Regional Eelitoral (TRE) sobre o fato, bem como ao juiz eleitoral do município de Petrolina”, afirmou o advogado Cláudio Carraly, da campanha do PT no estado.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O <strong>Abrace um Denguinho</strong> é um projeto beneficente idealizado por João Gomes e feito em parceria com a Prefeitura de Petrolina no Dia das Crianças, no Parque Municipal Josepha Coelho. A programação era gratuita e contou com a participação de outros artistas, como Ivete Sangalo. A entrada era condicionada à doação de 1 kg de alimento não perecível para o Transforma Petrolina, programa da prefeitura, e o evento também arrecada doações para o Hospital Dom Tomás, organização filantrópica que atende pacientes com câncer. No ano passado, a campanha arrecadou mais de R$ 1 milhão para o hospital e cerca de seis toneladas de alimentos.</p>
        </div>
    </div>



<p>O presidente do PT em Petrolina, Herlon Bezerra, acionou a Justiça Eleitoral ainda no início da noite desta segunda-feira, ao receber relatos de que seguranças da empresa RTX Segur barravam quem usasse adesivo de Lula. Segundo ele, militantes distribuíram material de campanha na rua em frente ao evento e o público colava os adesivos no corpo ou guardava na bolsa antes de entrar. Os seguranças, diz Herlon, não apenas exigiam a retirada dos adesivos como abriam bolsas e jogavam fora o material. Ele relata que várias mulheres denunciaram ter tido as bolsas revistadas e que o partido tem orientado essas pessoas a registrar boletim de ocorrência.</p>



<p>Ainda durante o evento, a juíza Elisama de Sousa Alves, da 145ª Zona Eleitoral, expediu uma decisão para assegurar a entrada de pessoas com adesivos. Na decisão, a juíza afirma que o adesivo é manifestação individual e silenciosa protegida pela Constituição. Diz também que evento apoiado com dinheiro público ou feito em bem de uso comum deve estar aberto a todos em igualdade de condições, e que só a Justiça Eleitoral, e não organizadores ou agentes públicos, pode controlar propaganda eleitoral.</p>



<p>Na decisão, à qual a Marco Zero teve acesso, a juíza determinou aos organizadores do evento que se abstivessem, imediatamente, de proibir, restringir, dificultar ou condicionar o ingresso ou a permanência no evento de qualquer cidadão em razão do porte de “adesivo, broche, vestimenta ou similar alusivo a candidato, partido político, federação ou coligação, inclusive mediante exigência de retirada ou ocultação do material, assegurando-se o livre acesso de todos em condições de igualdade, observados apenas critérios objetivos de capacidade do local e segurança”.</p>



<p>A decisão visava proteger a manifestação individual do eleitor e não autorizou a realização de “atos de campanha, a distribuição de material de propaganda ou a fixação de adesivos em bens públicos no interior do evento, condutas que permanecem regidas pela legislação eleitoral”. A juíza advertiu que o descumprimento poderia configurar crime de desobediência e deu ciência ao Ministério Público Eleitoral, para que tome as providências que entender cabíveis.</p>



<p>Segundo Herlon, o oficial de Justiça foi ao evento antes de o mandado ser formalizado no sistema judicial e entrou em contato com ele por volta das 19h30. Os dois foram juntos à entrada e falaram apenas com a segurança, não com a organização. “A segurança do evento foi muito educada conosco. Disseram que estavam simplesmente cumprindo ordens de não deixar ninguém entrar com nenhuma manifestação política dentro do espaço. Ordem da organização do evento”, relata. Depois disso, as pessoas passaram a entrar com adesivos. “Mas, infelizmente, muita gente já estava voltando para casa. Quando de fato tivemos o direito ao livre trânsito com adesivos assegurado, o show já estava nos momentos finais”, lamentou.</p>



<p>Em nota enviada à Marco Zero, a Prefeitura de Petrolina afirmou que nunca orientou ninguém a impedir a entrada ou exigir a retirada de adesivos, “praguinhas” ou qualquer propaganda eleitoral no Parque Josepha Coelho e que o parque recebe milhares de pessoas por dia sem restrição a camisas ou material partidário. A prefeitura descreveu o Abrace um Denguinho como uma ação solidária integrada pelo cantor João Gomes e pela própria gestão, em parceria pelo segundo ano seguido.</p>



<p>A prefeitura disse que cedeu a área do estacionamento do parque para o festival e que o controle de público ficou a cargo de uma segurança privada. Em nota de esclarecimento publicada nas redes sociais, a organização do Abrace um Denguinho atribuiu o episódio a uma “atitude individual” de um profissional da empresa de segurança contratada, que teria restringido manifestações políticas. Nenhuma das notas informa quem contratou a empresa RTX Segur. A MZ não conseguiu falar com a empresa até o fechamento desta matéria.</p>



<p>O dirigente do PT de Petrolina contesta a versão da prefeitura de que apenas cedeu o estacionamento. Ele relaciona o episódio ao apoio público do prefeito<a href="https://www.instagram.com/p/DeMljjsFlyX/?img_index=1"> Simão Durando, filiado ao União Brasil</a>, a Flávio Bolsonaro (PL) depois do primeiro turno e fala em tentativa de intimidação política. “Houve a tentativa de dizer que a gente quis entrar com bandeiras. Não é verdade, porque nós nem temos mais bandeiras: todas foram embora no primeiro turno. Hoje estamos na cidade só com camisetas e adesivos para carro e para o corpo. Foi uma tentativa de inibir a livre manifestação política”, afirma.</p>



<p>Herlon contou também que alguns seguranças, eleitores de Lula, disseram depois que se sentiram incomodados com a ordem. “Não queremos fazer nada intempestivo nem acusar ninguém, inclusive os companheiros que estavam lá trabalhando como seguranças. Alguns deles vieram depois comentar conosco que estava sendo chato para eles, porque votam no presidente Lula”, afirmou.</p>



<p>Em entrevista à Marco Zero, a advogada eleitoral Júlia Matos afirmou que, pelo que foi divulgado até agora, o episódio parece ter mais ligação com o direito constitucional do que com o eleitoral. “O eleitor tem direito de manifestar sua preferência eleitoral de forma silenciosa e individual, inclusive no dia da eleição. Condicionar a entrada em um evento público à retirada do adesivo seria um problema do direito constitucional e civil, já que a questão central é de liberdade de expressão. Ou seja, seria uma censura”, afirmou.</p>



<p>A advogada também esclarece que quem se sentiu lesado pela organização do evento pode entrar com processo por danos morais e fazer uma denúncia, que pode ser anônima, ao Tribunal Superior Eleitoral, pelo aplicativo Pardal.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Basta clicar aqui para acessar o app <a href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/pardal-eleicoes-2026" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pardal, do TSE</a></strong></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading">João Gomes é cobrado a se posicionar</h2>



<p>O episódio acontece em um momento em que João Gomes é fortemente cobrado por fãs a declarar posição política. Com mais de 17,5 milhões de seguidores no Instagram, o cantor ganhou no ano passado um Grammy Latino com o projeto Dominguinho, ao lado de Mestrinho e Jota.pê, que já declararam voto em Lula.</p>



<p>“Eu me identifico muito com João Gomes, porque ele conseguiu realizar um sonho saindo de uma família simples. Ele morava no mesmo bairro que eu, e algumas vezes eu o via quando era garoto. Hoje sou fã e vou sempre aos shows. Justamente por ser nordestino, por ter saído de onde saiu e por conhecer a cultura do Nordeste, eu ando muito decepcionada com ele”, comentou a professora Katiúscia.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:40% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="767" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/Joao-Gomes-PT-2-767x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-77009 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/Joao-Gomes-PT-2-767x1024.jpeg 767w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/Joao-Gomes-PT-2-225x300.jpeg 225w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/Joao-Gomes-PT-2-768x1025.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/Joao-Gomes-PT-2-1151x1536.jpeg 1151w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/Joao-Gomes-PT-2-640x853.jpeg 640w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/Joao-Gomes-PT-2-150x200.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/Joao-Gomes-PT-2.jpeg 1199w" sizes="auto, (max-width: 767px) 100vw, 767px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Neste momento, pessoas formadoras de opinião como ele, que levou o Nordeste para o mundo, poderiam dar uma palavra pelo Nordeste, que fortalecesse o sentimento de pertencimento. Vejo negativamente esse não posicionamento do João Gomes. Acho que o tempo agora é de as pessoas, principalmente os artistas, se posicionarem”, acrescentou. Em Petrolina, Lula teve 60% dos votos contra 32% de Flávio Bolsonaro.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>Em comentário nas redes sociais, a influenciadora Ary Mirelle, esposa de João Gomes, afirmou que o artista não se posicionou nesta eleição por conta do que enfrentou há quatro anos. “João não é uma pessoa ruim (&#8230;). Da última vez que João se posicionou em uma eleição, ele foi extremamente cancelado, tem que ouvir coisas horríveis até hoje, e até hoje também ele toma antidepressivos fortes, porque se não tomar, ele nem consegue levantar para trabalhar. João tem uma depressão e é mais difícil do que vocês imaginam, precisa ser acompanhado. Talvez para muitos isso nem justifique nada. Mas João hoje tem dois filhos. Recebemos mensagens de pessoas ameaçando nossos filhos (dois bebês) todos os dias”, escreveu.</p>



<p>João Gomes está entre os 40 artistas que mais receberam dinheiro público por shows no país. Segundo o relatório Farras, do observatório <a href="https://deolhonosruralistas.com.br/2026/07/01/dossie-farras/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">De Olho nos Ruralistas</a>, que analisou 20 mil contratos públicos, o cantor fechou R$ 74 milhões em contratos com prefeituras e governos estaduais entre janeiro de 2024 e março de 2026, com 147 apresentações.</p>



<p></p>
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		<title>Movimento social vai à Justiça para garantir transporte público no 2º turno</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 19:39:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte coletivo]]></category>
		<category><![CDATA[transporte público]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma representação à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público tenta impedir que, no dia do segundo turno, se repita o que aconteceu no domingo, 4 de outubro, quando pouco mais da metade da frota do sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana do Recife circulou. De acordo com a Frente de Luta pelo Transporte Público [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma representação à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público tenta impedir que, no dia do segundo turno, se repita o que aconteceu no domingo, 4 de outubro, quando pouco mais da metade da frota do sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana do Recife circulou. De acordo com a Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco, apenas 1.308 ônibus, de um total de 2.482, estiveram à disposição dos eleitores no primeiro turno.</p>



<p>Por conta disso, o coordenador da Frente, Pedro Josephi, que também é integrante do Conselho Superior de Transporte Metropolitano, e o dirigente estadual do PT Adriano da Silva Costa, protocolaram a petição junto à Procuradoria Regional Eleitoral, ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) e à Defensoria Pública da União. Outros dois requerimentos administrativos foram apresentados ao Consórcio Grande Recife e na EPTI (Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal) para que disponibilizem a frota integral no dia das eleições.</p>



<p>A inclusão da EPTI nesse requerimento se justifica porque a ausência de transporte na zona rural também foi percebido no interior do estado.</p>



<p>“Esperamos que a justiça determine que o Governo do Estado e as prefeituras cumpram as decisões judiciais do STF e do TSE para garantir a tarifa zero, além de apresentarem a listagem integral dos veículos e da frota que vai operar. Diminuir a frota ou não disponibilizá-la configura crime eleitoral”, afirmou Pedro Josephi.</p>



<p>De acordo com os autores da representação, a taxa de abstenção em Pernambuco está relacionada à falta de veículos disponíveis para os eleitores. “Cruzamos os dados e tivemos abstenção maior nos lugares que faltaram transporte. Somente no Ibura, quase 20 mil eleitores não foram votar”, explica Adriano Costa, que mapeou a abstenção em todos os municípios do estado e nos bairros do Recife.</p>



<p><strong>Abstenção maior no Grande Recife</strong></p>



<p>A abstenção em Pernambuco no primeiro turno deste ano foi de 18,18%, nada muito diferente dos 18,21% da primeira votação em 2022. Em números absolutos, 1,3 milhão de eleitores não compareceram às suas seções eleitores para votar.</p>



<p>Nas cidades da Região Metropolitana, no entanto, a ausência de eleitores em 2026 foi maior do que há quatro anos. No Recife, por exemplo, quase 16% dos eleitores não foram às urnas (em 2022, a abstenção foi de 14,2%); em Olinda, a abstenção este ano passou de 15% (em 2022, foi de 13,16%), enquanto que em Jaboatão dos Guararapes chegou a 20,76% (há quatro anos não chegou a 19%).</p>



<p>No interior, o município pernambucano com maior percentual de eleitores ausentes foi Buíque, com 27,7% de abstenção.</p>



<p>De acordo com Adriano Costa, esse percentual pode ser reduzido se a decisão do STF e do TSE for cumprida. “Listamos todos os veículos (ônibus e vans) que rodam no sistema de transporte público onde tem contrato, os escolares, aqueles adquiridos com verba federal e todos que a justiça determinou a utilização para transporte gratuito de passageiros. O problema é que grande parte não operou no 1º turno”, comenta Costa.</p>



<p>No total, foram identificados 108 ônibus escolares federais, 599 ônibus escolares estaduais comprados e 741 ônibus e vans municipais.</p>
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		<title>Estudantes da UFPE são presos pela PM após cartazes contra Bolsonaro e liberados pela PF</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Oct 2026 18:57:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quatro jovens estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), todos entre 22 e 24 anos, foram levados pela Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), no início da tarde deste sábado, 10 de outubro, após colarem cartazes do tipo lambe-lambe em orelhão desativado nas proximidades do mercado público de Casa Amarela, na zona norte do Recife. O [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quatro jovens estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), todos entre 22 e 24 anos, foram levados pela Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), no início da tarde deste sábado, 10 de outubro, após colarem cartazes do tipo lambe-lambe em orelhão desativado nas proximidades do mercado público de Casa Amarela, na zona norte do Recife.</p>



<p>O material caseiro, impresso em folha de papel comum, continha mensagens contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL), com fatos amplamente noticiados e comprovados, como a manutenção da escala de trabalho 6 X 1 e os cortes no programa Farmácia Popular, em caso de vitória do bolsonarismo nas urnas neste segundo turno.</p>



<p>Os quatro estudantes são voluntários, não têm vínculo com qualquer partido político ou fazem parte de campanhas oficiais do presidente Lula (PT) nem estavam trabalhando para qualquer candidato.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/cartaz-bolsonaro-casa-amarela-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-76984" style="width:407px;height:auto" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/cartaz-bolsonaro-casa-amarela-576x1024.jpeg 576w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/cartaz-bolsonaro-casa-amarela-169x300.jpeg 169w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/cartaz-bolsonaro-casa-amarela-768x1365.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/cartaz-bolsonaro-casa-amarela-864x1536.jpeg 864w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/cartaz-bolsonaro-casa-amarela-150x267.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/cartaz-bolsonaro-casa-amarela.jpeg 900w" sizes="auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure>
</div>


<p>Flagrados por câmeras da Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS-PE), eles foram abordados por uma viatura da PMPE e, na sequência, outra viatura chegou ao local. Após serem levados para a delegacia da Polícia Federal pela PMPE, numa tentativa de flagrante delito, uma vez que, em tese, é proibido colar lambes em espaços públicos, os jovens foram liberados pelo delegado de plantão da PF.</p>



<p>Segundo um dos advogados que foi à delegacia da PF acompanhar o caso, Cláudio Carraly, membro da campanha jurídica de Lula em Pernambuco, o delegado de plantão, após analisar o caso, enviou um comunicado formal afirmando que via ali um caso atípico e por isso liberaria os quatro jovens. O arquivamento do caso deve acontecer na segunda (12).</p>



<p>De acordo com Carraly, esse tipo de situação aconteceu bastante no primeiro turno, sobretudo no interior do Estado, com eleitores e militantes de esquerda. Na avaliação dele, caberia uma determinação para que esses atos fossem cessados após apreensão do material sem que houvesse necessidade de deslocamento de duas viaturas e de atendimento pela PF, como aconteceu no caso de Casa Amarela, gerando inclusive gastos ao erário público.</p>



<p>“Esse tipo de situação pode até gerar precedentes graves para impedir as pessoas de votarem”, alerta, fazendo uma equiparação ao fato de a Polícia Rodoviária Federal (PRF) ter, em 2022, feito blitzes e impedido pessoas de chegarem aos locais de votação.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> entrou em contato com as assessorias da PMPE e do Governo do Estado e aguarda retorno.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Atualização</span>

		<p>Às 18h20 deste sábado (10), a PMPE e a SDS-PE enviaram uma nota à reportagem.</p>
<p>Confira a nota na íntegra:</p>
<p><em>A Polícia Militar de Pernambuco informa que, na manhã de deste sábado (10), policiais do 11º BPM foram acionados para averiguar uma possível ocorrência de crime eleitoral nas proximidades do Mercado de Casa Amarela, no Recife. No local, quatro pessoas foram identificadas afixando cartazes e, em seguida, conduzidas à Polícia Federal para as providências cabíveis.</em></p>
<div></div>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Pesquisadores e cientistas da religião publicam carta aberta em defesa da democracia e do Estado laico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 17:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência da Religião]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[teologia]]></category>
		<category><![CDATA[universidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nós, pesquisadores, cientistas da religião, mestrandos e doutorandos, acompanhamos com preocupação o momento político vivido pelo Brasil e, especialmente, a maneira como discursos religiosos vêm sendo usados no debate eleitoral. Estudamos a religião em suas diferentes formas, tradições e relações com a sociedade e reconhecemos a importância de preservar os princípios democráticos e o respeito [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><strong>Um grupo de 43 pesquisadores e cientistas da religião do <a href="https://portal.unicap.br/w/ciencias-da-religiao">Programa de Pós-Graduação de Ciências da Religião da Unicap</a> elaborou uma <em>Carta aberta de pesquisadores e cientistas da religião em defesa da democracia e Estado laico</em>, publicada abaixo:</strong></p>
        </div>
    </div>



<p></p>



<p>Nós, pesquisadores, cientistas da religião, mestrandos e doutorandos, acompanhamos com preocupação o momento político vivido pelo Brasil e, especialmente, a maneira como discursos religiosos vêm sendo usados no debate eleitoral. Estudamos a religião em suas diferentes formas, tradições e relações com a sociedade e reconhecemos a importância de preservar os princípios democráticos e o respeito à diversidade religiosa que caracteriza nosso país.</p>



<p>A Constituição Federal de 1988 nasceu com a redemocratização do Brasil e ajudou a reconstruir um país marcado por mais de duas décadas de ditadura. Foi ela que reafirmou princípios fundamentais para a nossa vida em sociedade, como a dignidade da pessoa humana, o pluralismo político, a liberdade de consciência e de crença e o livre exercício das diferentes religiões. Também garantiu algo igualmente importante, o direito de não ter religião e de mudar de crença livremente.</p>



<p>Essas garantias não existem por acaso. Elas são parte de uma conquista democrática construída ao longo de muitos anos e deixam claro que a fé pertence ao campo da liberdade individual e coletiva, não ao exercício do poder do Estado. É a existência de um Estado laico que permite que cristãos, judeus, muçulmanos, espíritas, seguidores das religiões de matriz africana, integrantes de outras tradições religiosas, ateus e agnósticos possam conviver sob as mesmas garantias constitucionais. Nenhuma religião deve ocupar uma posição privilegiada diante das demais, assim como nenhum cidadão pode ter seus direitos limitados por professar uma crença ou por não seguir religião alguma.</p>



<p>Por isso, como pesquisadores que têm a religião como objeto de estudo e reflexão, recebemos com profunda preocupação a declaração de um candidato à Presidência da República de que pretende “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Embora sua campanha tenha afirmado posteriormente que a declaração tinha um sentido simbólico, entendemos que manifestações desse tipo merecem atenção, especialmente quando aproximam a identidade religiosa de uma parcela da população da representação política de todo o país.</p>



<p>Nossa preocupação não nasce de uma posição contrária à religião. Muito pelo contrário. As Ciências da Religião nos mostram diariamente a riqueza, a diversidade e a importância das experiências religiosas na vida de milhões de pessoas. Reconhecemos também a contribuição histórica de diferentes comunidades religiosas para a cultura, a solidariedade e a organização da sociedade brasileira. O que questionamos é a utilização da fé como instrumento de confronto político e como referência para definir quem pertence ou não a determinado projeto de país.</p>



<p>Também preocupa o uso crescente da religião como instrumento de disputa eleitoral. Nas últimas semanas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, tornou-se alvo de acusações relacionadas à divulgação de informações falsas envolvendo Nossa Senhora Aparecida, acusações que a própria entidade negou. A CNBB também tem defendido que os eleitores façam suas escolhas de maneira livre, responsável e consciente. Episódios como esse mostram como questões religiosas podem ser levadas ao centro de disputas políticas, ampliando tensões entre grupos e comunidades. Transformar divergências políticas em guerras religiosas não fortalece a fé nem a democracia. Apenas aprofunda divisões que já preocupam a sociedade brasileira.</p>



<p>Como estudiosos do fenômeno religioso, sabemos que religião, identidade e poder podem estabelecer relações complexas e, muitas vezes, tensas. Por isso, vemos com preocupação um ambiente político em que adversários passam a ser tratados como inimigos, o diálogo perde espaço e grupos religiosos buscam ampliar sua influência direta sobre decisões que pertencem ao conjunto da sociedade. Em uma democracia, nenhuma maioria religiosa pode retirar direitos de uma minoria, da mesma forma que nenhuma crença pode ser transformada em medida para definir quem pertence ou não ao país.</p>



<p>A democracia também não se resume à realização de eleições. Ela depende do respeito às instituições, à Constituição, às diferenças, aos direitos fundamentais e às regras que garantem que ninguém possa impor sua visão de mundo a toda a sociedade.</p>



<p>O Brasil conhece o preço da ruptura democrática. Os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 mostraram até onde pode chegar a radicalização política quando instituições, resultados eleitorais e regras democráticas passam a ser atacados. Por isso, declarações sobre mudanças profundas na Constituição feitas ainda durante o processo eleitoral precisam ser acompanhadas com atenção pela sociedade.</p>



<p>Defender a Constituição de 1988 não significa impedir qualquer mudança constitucional. A própria Constituição estabelece os mecanismos para que ela seja modificada. Significa defender seus princípios fundamentais, a democracia, os direitos individuais, a liberdade religiosa, a separação entre Estado e religião, a autonomia das instituições e as políticas públicas que garantem proteção social e enfrentamento das desigualdades.</p>



<p>Para nós, pesquisadores e pesquisadoras das Ciências da Religião, há um princípio que precisa ser reafirmado com clareza. O Estado laico não é um Estado contra a religião. Ao contrário, é a laicidade que protege a liberdade religiosa e impede que o poder público seja utilizado para favorecer uma crença ou impor valores religiosos ao conjunto da população. Defender esse princípio é defender uma sociedade em que as diferenças possam existir e ser respeitadas, sem que a identidade religiosa determine o acesso aos direitos e à cidadania.</p>



<p>Neste momento, entendemos que a resposta precisa acontecer dentro das regras da democracia e por meio de seu instrumento mais direto, o voto. Reafirmamos nossa oposição a qualquer projeto que coloque em risco o Estado laico, enfraqueça direitos sociais, ataque a autonomia das universidades, reduza garantias democráticas ou ameace princípios fundamentais da Constituição Cidadã de 1988.</p>



<p>Diante do cenário político atual e das posições apresentadas pelos candidatos neste segundo turno, nós, pesquisadores, mestrandos, doutorandos e cientistas da religião que subscrevemos esta carta, declaramos nosso apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.</p>



<p>Nossa manifestação representa uma posição coletiva, assumida pelos signatários a partir dos compromissos democráticos, constitucionais e do respeito à diversidade que orientam esta carta.</p>



<p>Recife-PE, 6 de outubro de 2026.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Assinam esta carta pesquisadores, mestrandos, doutorandos e cientistas da religião comprometidos com a defesa da democracia, da liberdade religiosa e do Estado laico<em>.</em></li>
</ul>



<ol class="wp-block-list">
<li>Amanda Nascimento da Costa &#8211; PPGCR/Unicap</li>



<li>Beatriz Ayres Nogueira &#8211; PPGCR/Unicap</li>



<li>Bill Clinton Nunes Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Carlos Alberto Pinheiro Vieira- PPGCR/Unicap</li>



<li>Carlos André de Araújo Alves (Aral)- PPGCR/Unicap</li>



<li>Clara Varjão Schettini- PPGCR/Unicap</li>



<li>Cynara Rodrigues Carneirog Rolim- PPGCR/Unicap</li>



<li>Cyntia Virginia Farias D&#8217;Amorim- PPGCR/Unicap</li>



<li>Daniel Carlos Nunes- PPGCR/Unicap</li>



<li>Fábio Henrique Sales de Lima Lau- PPGCR/Unicap</li>



<li>Filipe Francisco Neves Domingues- PPGCR/Unicap</li>



<li>Flavio Valdez Martins da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Geraldino José de Souza- PPGCR/Unicap</li>



<li>Hélio Lúcio Dantas da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Idelbrando Alves de Lima- PPGCR/Unicap</li>



<li>Isaías Gomes da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Jair Nery de Medeiros- PPGCR/Unicap</li>



<li>Janny Andréa de Almeida da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Jany Rosaria Barros Nascimento- PPGCR/Unicap</li>



<li>Jardson Alves Lemos- PPGCR/Unicap</li>



<li>Joana Caroline Gomes Cipriano de Oliveira- PPGCR/Unicap</li>



<li>João Luís Carvalho Paes- PPGCR/Unicap</li>



<li>José Romélio Rodrigues dos Santos Junior- PPGCR/Unicap</li>



<li>Juane Brauna Alves- PPGCR/Unicap</li>



<li>Juliana Maria dos Santos- PPGCR/Unicap</li>



<li>Kenitt Oliveira da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Lindailton Trajano Gonçalves Jr.- PPGCR/Unicap</li>



<li>Manoel da Silva Araújo Júnior- PPGCR/Unicap</li>



<li>Marcio Javan Camelo de Lima- PPGCR/Unicap</li>



<li>Marcondes José Rodrigues- PPGCR/Unicap</li>



<li>Maria Auricleide Andrada Bezerra- PPGCR/Unicap</li>



<li>Marise de Souza Morais e Silva Santos- PPGCR/Unicap</li>



<li>Nelson Gonçalves- PPGCR/Unicap</li>



<li>Quiercles Severino Santana- PPGCR/Unicap</li>



<li>Rivaldo do Nascimento Júnior- PPGCR/Unicap</li>



<li>Samuel Francisco de Lira Filho- PPGCR/Unicap</li>



<li>Sarah Silva de Lima- PPGCR/Unicap</li>



<li>Severino Alves de Souza Júnior- PPGCR/Unicap</li>



<li>Vagner de França Souza- PPGCR/Unicap</li>



<li>Valdemir de França Souza- PPGCR/Unicap</li>



<li>Valmir Assis da Silva Filho- PPGCR/Unicap</li>



<li>Vera Lúcia Herculano da Silva- PPGCR/Unicap</li>



<li>Wellington Silva de Andrade- PPGCR/Unicap</li>
</ol>
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		<item>
		<title>Flávio Bolsonaro: um risco para o Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 15:30:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Adilson Paes de Souza]]></category>
		<category><![CDATA[eleição 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Adilson Paes de Souza* A eleição presidencial não é apenas um rito democrático. É a escolha de quem terá em mãos o destino de milhões de brasileiros. Nesse contexto, a candidatura de Flávio Bolsonaro representa não apenas uma opção política, mas um perigo real para a democracia, para a justiça e para a vida [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Adilson Paes de Souza*</strong></p>



<p>A eleição presidencial não é apenas um rito democrático. É a escolha de quem terá em mãos o destino de milhões de brasileiros. Nesse contexto, a candidatura de Flávio Bolsonaro representa não apenas uma opção política, mas um perigo real para a democracia, para a justiça e para a vida do povo.</p>



<p>Uma trajetória marcada por escândalos<em>:</em> Flávio Bolsonaro nunca construiu carreira fora da política. Desde cedo – aos 20 anos, seu primeiro emprego foi como assessor parlamentar &#8211; esteve envolvido em gabinetes e denúncias de irregularidades, como o esquema da “rachadinha”, que desviava salários de assessores. Como deputado estadual, condecorou criminosos ligados a milícias e ao assassinato de Marielle Franco. Esses atos não foram coincidências: foram escolhas políticas que revelam afinidade com o crime organizado.</p>



<p>As ligações com milícias: o senador, quando era deputado estadual na Alerj, empregou familiares de milicianos em seu gabinete e manteve proximidade com figuras diretamente ligadas a assassinatos. Mais recentemente, como senador, sua assessoria negociou emendas parlamentares com um miliciano condenado pelo assassinato de Marielle Franco. Esses episódios reforçam a suspeita de cumplicidade com redes criminosas.</p>



<p>Vamos aos fatos:</p>



<p>Adriano da Nóbrega: ex-policial militar acusado de integrar a milícia de Rio das Pedras e o Escritório do Crime: Flávio concedeu a ele duas homenagens: a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e a Moção de Louvor. Além disso, Flávio e Jair Bolsonaro visitaram Nóbrega na prisão para entregar a medalha. Nóbrega foi morto em 2020 em uma operação policial na Bahia.</p>



<p>Homenageou também os PMs Élcio de Queiroz (condenado pelo assassinato de Marielle), Edson Alexandre e Ronald ambos envolvidos com assassinatos e ocultação de cadáver.</p>



<ol class="wp-block-list"></ol>



<p>Emprego de familiares de milicianos: Flávio manteve em seu gabinete na Alerj Raimunda Veras Magalhães (mãe de Adriano da Nóbrega) e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega (esposa de Adriano). Essas contratações reforçam a proximidade do senador com o núcleo familiar de um dos mais conhecidos líderes milicianos.</p>



<p>Negociações de emendas parlamentares: em 2023, sua assessora parlamentar negociou a liberação de R$ 200 mil em emendas com Robson Calixto (“Peixe”), condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes.</p>



<p>“Peixe” foi apontado como quem forneceu a submetralhadora usada no crime. A Polícia Federal investiga indícios de desvio de recursos dessas emendas.</p>



<p>Segurança pública: a contradição. Enquanto promete combater o crime, sua trajetória mostra o contrário: homenagens a milicianos, empregos para familiares de criminosos e declarações favoráveis à legalização das milícias. No governo de seu pai, a Amazônia foi literalmente entregue às organizações criminais, com o desmonte de toda estrutura de fiscalização na região. Não há como acreditar que alguém com esse histórico vá proteger a população. A política de liberação de armas de seu pai, na realidade armou o crime organizado. Uma deputada estadual eleita pelo estado de São Paulo, pelo mesmo partido de Flávio (PL), declarou publicamente que o feminicídio não existe, que é da natureza do homem ser mais violento e que as mulheres devem ser submissas. Vamos permitir que a violência contra as mulheres seja ignorada, desprezada e normalizada? Nunca.</p>



<p>Não dá para acreditar que um candidato com esse tipo de relações está preocupado com o combate ao crime organizado e com a segurança da população.</p>



<p>Escândalos financeiros e enriquecimento suspeito: a franquia da Kopenhagen de Flávio movimentou milhões em dinheiro vivo (sua franquia recebeu mais de 1.500 depósitos em dinheiro vivo entre 2015 e 2018), levantando suspeitas de lavagem de dinheiro. A compra de uma mansão em Brasília, sem explicação convincente sobre a origem dos recursos, soma-se a investigações sobre negócios incompatíveis com sua renda. Flávio também aparece em investigações ligadas a Daniel Vorcaro, empresário citado em esquemas de corrupção, fraude bancária e financiamento suspeitos. O padrão é claro: enriquecimento sem transparência.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;Flávio defende aplicar no Brasil o modelo de Javier Milei na Argentina, marcado por cortes brutais em saúde, educação e programas sociais&#8221;.</p>
</div>


<p>Propostas econômicas desastrosas:<em> </em>Flávio defende aplicar no Brasil o modelo de Javier Milei na Argentina, marcado por cortes brutais em saúde, educação e programas sociais. O resultado já é conhecido: fome, extrema pobreza, desemprego e miséria. Importar esse projeto seria condenar milhões de brasileiros à exclusão e ao sofrimento. Um senador da base política de Flávio defende, além da flexibilização dos direitos trabalhistas, uma jornada de trabalho de 16 horas diárias. O que vai acarretar, ainda mais, um agravamento da saúde dos trabalhadores.</p>



<p>Catástrofes climáticas, destruição, morte e prejuízo para milhões de pessoas: Flávio nega o aquecimento global e os consequentes danos à vida e à saúde das pessoas, indo na contramão do que pesquisadores em todo mundo estudaram, estudam e tem alertado. Em razão disto a destruição da floresta amazônica, tal qual havida no governo do seu pai, ocorrerá e chegará a um patamar irreversível. Quando perguntado sobre qual política adotará para fazer frente às mudanças climáticas (notem as catástrofes que assolam os brasileiros – furacões, secas, incêndios, inundações), ele respondeu dizendo que a solução era mais saneamento básico. Um absurdo. Uma total falta de respeito com a vida e o patrimônio das pessoas. Negacionismo total.</p>



<p>Flávio Bolsonaro não representa renovação, moralização ou segurança. Representa ligações com pessoas suspeitas da prática de corrupção, com o crime organizado e com o retrocesso social. Sua eleição será um risco direto à democracia e à dignidade do povo brasileiro.</p>



<p>Por isso, é preciso afirmar com clareza: Flávio Bolsonaro não pode ser presidente da República.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Adilson Paes de Souza </strong>é coronel aposentado da Polícia Militar do Estado de São Paulo, doutor em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pelo Instituto de Psicologia da USP</p>
    </div>
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		<title>Quando cuidar volta a ser problema de família</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 14:57:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[creche]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Infância]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Carolina Marsicano* Há uma frase no plano de governo de Flávio Bolsonaro que merece ser lida devagar: “O Estado não pode assumir esse cuidado no lugar da família, mas pode dividi-lo com ela.” À primeira vista, parece razoável. Afinal, ninguém está propondo substituir vínculos familiares pelo Estado. O problema aparece quando perguntamos o [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Ana Carolina Marsicano*</strong></p>



<p>Há uma frase no plano de governo de Flávio Bolsonaro que merece ser lida devagar: “O Estado não pode assumir esse cuidado no lugar da família, mas pode dividi-lo com ela.”</p>



<p>À primeira vista, parece razoável. Afinal, ninguém está propondo substituir vínculos familiares pelo Estado. O problema aparece quando perguntamos o que significa definir a família como primeira responsável pelo cuidado em um país onde esse trabalho tem gênero.</p>



<p>Família, quando o assunto é cuidar, quase sempre significa mulher. É a mãe que reduz a jornada porque não conseguiu vaga na creche. A filha que acompanha o pai com Alzheimer. A avó que assume os netos. A mulher que deixa o mercado de trabalho para cuidar de uma pessoa com deficiência. O próprio plano de Flávio reconhece que o trabalho de cuidado recai “quase sempre sobre as mulheres da família”. Mas reconhecer uma desigualdade não significa construir uma política para transformá-la.</p>



<p>É justamente aí que aparecem duas concepções diferentes de cuidado. No governo Lula, o Brasil instituiu, em dezembro de 2024, sua primeira Política Nacional de Cuidados. A Lei nº 15.069 define o cuidado como direito: direito de ser cuidado, de cuidar e de exercer o autocuidado. Estabelece que essa responsabilidade deve ser compartilhada entre Estado, famílias, sociedade civil e setor privado e coloca no centro da política a desigualdade entre homens e mulheres. Entre seus objetivos estão reconhecer, reduzir e redistribuir o trabalho não remunerado de cuidado, realizado principalmente por mulheres, e promover a corresponsabilidade entre homens e mulheres. Pode parecer uma diferença de palavras. Não é.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;Família, quando o assunto é cuidar, quase sempre significa mulher&#8221;.</p>
</div>


<p>Uma política pergunta: como ajudar a mulher que cuida? A outra acrescenta uma pergunta anterior: por que é ela quem continua cuidando? Essa mudança é fundamental para o feminismo porque retira o cuidado do terreno exclusivo da vocação feminina, do amor e da obrigação familiar e o coloca no campo do trabalho, dos direitos e da responsabilidade pública. A política construída no governo Lula envolveu 20 ministérios e reuniu áreas como assistência social, saúde, educação, trabalho, direitos humanos, igualdade racial e políticas para as mulheres. Prevê ampliar creches, atendimento domiciliar e centros-dia, apoiar trabalhadores remunerados e não remunerados do cuidado e promover uma divisão mais igualitária dessas responsabilidades. Essa institucionalidade também importa. Lula recriou o Ministério das Mulheres em 2023. Agora, segundo a Folha de S.Paulo, a campanha de Flávio Bolsonaro avalia a criação de uma grande pasta social que poderia incorporar o atual ministério. A proposta não está formalizada no plano, mas merece atenção porque o Brasil já conhece os efeitos da perda de autonomia dessa agenda.</p>



<p>No governo Bolsonaro, embora “Mulher” permanecesse no nome do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, as políticas específicas para mulheres ficaram concentradas em uma secretaria dentro de uma estrutura mais ampla. Estudos do Ipea apontam redução de sua centralidade e fortes restrições orçamentárias: os recursos autorizados para políticas para mulheres caíram, em termos reais, 56% em 2021 e outros 33% em 2022. Discutir a existência de um Ministério das Mulheres, portanto, não é uma questão meramente administrativa. Estrutura própria significa capacidade de disputar orçamento, coordenar políticas e fazer com que as desigualdades entre homens e mulheres sejam reconhecidas como problema específico de governo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Já vimos essa história antes</h2>



<p>No governo Bolsonaro, a família deixou de ser apenas uma dimensão das políticas sociais e passou a ocupar um lugar central na própria organização da proteção social. A ideia de subsidiariedade orientava essa concepção: caberia ao Estado fortalecer famílias, comunidades e outras instituições para que desempenhassem determinadas funções sem depender diretamente da provisão estatal. A combinação era particular: de um lado, a valorização moral da família como espaço privilegiado de proteção, cuidado e socialização; de outro, a redução da expectativa de que o Estado assumisse diretamente funções de bem-estar. A família aparecia como responsável pela educação, proteção e cuidado. Um dos formuladores ligados à Secretaria Nacional da Família chegou a criticar políticas que estariam “livrando” as mulheres das obrigações domésticas por meio de creches, abrigos e centros de convivência para idosos.</p>



<p>A discussão, portanto, nunca foi apenas sobre a existência desses serviços. Era sobre quem deveria ser responsável por eles. Essa concepção alcança também a educação. Quando a família é tomada como responsável prioritária pela formação dos filhos, abre-se espaço para agendas como o <em>homeschooling</em>, modalidade em que crianças e adolescentes recebem a educação básica principalmente em casa, sob responsabilidade dos pais, em lugar da frequência regular à escola. A regulamentação está em discussão no Senado e encontra uma correlação de forças mais favorável em uma Casa que terá maioria de parlamentares de direita a partir de 2027. Isso não significa que todos apoiem a proposta, mas amplia o espaço político de uma agenda historicamente defendida por setores conservadores. </p>



<p>A Secretaria Nacional da Família falava também em fortalecer a “autogestão” familiar. O Estado deveria criar condições para que as famílias realizassem suas funções, evitando aquilo que seus formuladores consideravam uma atuação excessivamente paternalista do poder público. Dentro dessa família havia uma expectativa específica sobre as mulheres. Elas podiam ser independentes, trabalhadoras, empreendedoras, “guerreiras” e “empoderadas”, sem que isso significasse redistribuir as responsabilidades domésticas e de cuidado. A mulher poderia trabalhar, produzir renda e empreender. O que não deveria deixar de fazer era cuidar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Um familismo atualizado</h3>



<p>É por isso que o plano de Flávio Bolsonaro não é simplesmente uma cópia do governo de seu pai. Há uma atualização. No início do governo Bolsonaro, o familismo vinha acompanhado de uma linguagem mais explicitamente moral: matrimônio, autoridade, vínculos conjugais, maternidade, diferença sexual. </p>



<p>No plano de Flávio, especialmente no capítulo dedicado ao cuidado, aparecem outras palavras: autonomia, trabalho, empreendedorismo, eficiência, parceria, voucher e tecnologia. A mulher não é apresentada simplesmente como dona de casa. Ela precisa trabalhar, estudar, produzir renda e empreender. Mas a família continua sendo a primeira responsável pelo cuidado. </p>



<p>É um familismo adaptado ao século XXI. Não é necessário mandar as mulheres de volta para casa. Basta construir uma política em que elas possam entrar no mercado sem que a sociedade precise reorganizar profundamente quem cuida das crianças, idosos, pessoas com deficiência e doentes. A solução passa a ser ajudá-las a conciliar tudo. Mas “conciliação” é uma palavra enganosa quando apenas um dos lados precisa conciliar.</p>



<h3 class="wp-block-heading"> Creche não basta</h3>



<p>O plano de Flávio promete creches, centros-dia, atendimento domiciliar e outras formas de suporte. Em 2025, o próprio senador apresentou um projeto para instalação de centros-dia destinados a pessoas idosas atendidas pelo Sistema Único de Assistência Social. O problema, portanto, não é saber se haverá creche ou assistência a idosos. É perguntar qual função esses equipamentos cumprem e quem continua responsável quando suas portas se fecham. No programa de Flávio, eles aparecem principalmente como suporte para que a família continue desempenhando sua função de cuidar. </p>



<p>E “família”, no cotidiano de alimentar, dar banho, acompanhar consultas, organizar medicamentos ou interromper o próprio trabalho diante de uma emergência, costuma ter um rosto concreto: o das mulheres. Uma política de cuidado pode usar creches e centros-dia para retirar parte desse trabalho do espaço privado e redistribuí-lo socialmente. Outra coisa é oferecê-los para que a família continue como principal provedora do cuidado.</p>



<p>É essa segunda lógica que aparece na frase: “O Estado não pode assumir esse cuidado no lugar da família, mas pode dividi-lo com ela.” A hierarquia está dada: primeiro a família; depois, o Estado como apoio. Se o próprio plano reconhece que o cuidado familiar recai majoritariamente sobre mulheres, a consequência precisa ser considerada: reconhece-se a sobrecarga sem necessariamente alterar o mecanismo que a produz. Duas políticas podem construir creches e partir de projetos muito diferentes. Em uma, a creche integra uma estratégia de redistribuição do cuidado e ampliação da responsabilidade pública. Na outra, ajuda as mulheres a conciliar emprego, maternidade e família sem necessariamente colocar em questão a divisão sexual do trabalho. O prédio pode ser parecido. A política não é.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A pergunta que fica</strong></h3>



<p>A Política Nacional de Cuidados criada no governo Lula transforma a própria organização do cuidado em problema público. Parte da ideia de que não é natural que uma mulher abandone o trabalho para cuidar da mãe idosa, que a ausência de creche seja solucionada pelo afastamento profissional da mãe ou que homens disponham de mais tempo porque uma mulher garante o trabalho necessário para que eles trabalhem. </p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;Por isso não basta reconhecer que as mulheres estão sobrecarregadas. É necessário perguntar o que uma política pretende fazer com essa constatação&#8221;.</p>
</div>


<p>O cuidado sempre esteve na economia. Durante muito tempo, apenas ficou fora das contas — e de grande parte daquilo que aprendemos a chamar de política. O feminismo ajudou a mostrar que aquilo que acontece dentro de casa não é simplesmente privado. Ali também se distribuem tempo, dinheiro, trabalho, poder e oportunidades. Por isso não basta reconhecer que as mulheres estão sobrecarregadas. É necessário perguntar o que uma política pretende fazer com essa constatação.</p>



<p>O plano de Flávio afirma que quer devolver tempo às mulheres. Mas é possível devolver tempo sem redistribuir responsabilidade? A experiência do governo Bolsonaro mostra que a familiarização das políticas públicas pode reorganizar o papel do Estado sem necessariamente extinguir serviços. Ao devolver centralidade à família, devolve também responsabilidades ao espaço doméstico. E esses custos não são distribuídos igualmente: recaem principalmente sobre as mulheres. É por isso que a frase do plano merece atenção: “O Estado não pode assumir esse cuidado no lugar da família.” O problema nunca foi substituir famílias pelo Estado. É decidir quanto da responsabilidade por sustentar a vida continuará sendo tratada como assunto privado e quanto será assumida coletivamente.</p>



<p>No fundo, a pergunta é simples: queremos ajudar as mulheres a carregar melhor uma responsabilidade que continua sendo delas ou queremos mudar quem carrega esse peso? No papel, a diferença pode parecer pequena. Na vida das mulheres, ela se mede em tempo, autonomia, renda e futuro.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Ana Carolina Marsicano</strong> é socióloga, pós-doutoranda pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e  pesquisadora do Laboratório de Estudos de Religião e Política, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj)</p>
    </div>
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