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	<title>Arquivos 8M - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos 8M - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Homens matam uma mulher a cada quatro dias em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 12:52:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2025, homens assassinaram 88 mulheres em Pernambuco, 14% a mais que em 2024, quando eles vitimaram 77 mulheres. Isso significa que o estado contabilizou um feminicídio a cada quatro dias somente no ano passado. Pernambuco é o segundo estado do Nordeste onde homens mais cometem feminicídios, ficando atrás apenas da Bahia, onde eles mataram [&#8230;]</p>
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<p>Em 2025, homens assassinaram 88 mulheres em Pernambuco, 14% a mais que em 2024, quando eles vitimaram 77 mulheres. Isso significa que o estado contabilizou um feminicídio a cada quatro dias somente no ano passado. Pernambuco é o segundo estado do Nordeste onde homens mais cometem feminicídios, ficando atrás apenas da Bahia, onde eles mataram 102 mulheres em 2025. Os dados constam no estudo <em>Retrato dos Feminicídios no Brasil</em>, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicado no dia 4 de março.</p>



<p>Essa é a maior quantidade de feminicídios já registrados em Pernambuco desde 2017, quando o então governador Paulo Câmara assinou o decreto que instituiu o feminicídio na classificação dos crimes violentos letais. Dos 88 casos, 15 foram no Recife, seis em Jaboatão dos Guararapes e cinco em Caruaru. A maioria das vítimas tinha entre 35 e 64 anos (38,64%).</p>



<p>Leia, no final desta reportagem, uma entrevista com a premiada socióloga pernambucana Ana Paula Portella.</p>



<p>Confira <a href="https://marcozero.org/homens-estupram-ao-menos-seis-mulheres-e-meninas-por-dia-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> reportagem sobre estupro na última década em Pernambuco.</p>



<p>O Brasil também bateu recorde de feminicídios em 2025, foram 1.568, um crescimento de 4,7% em relação a 2024. O estudo do Fórum detalha com dados o que se repete em todo o país: mulheres negras são as mais expostas à violência letal de gênero (62,6%); na maioria dos casos, o agressor é parceiro ou ex-parceiro íntimo (apenas 4,9% foram assassinadas por desconhecidos); e os crimes, em sua maioria, acontecem dentro de casa (66,3%).</p>



<p>“A evolução das taxas de outros crimes contra mulheres, como ameaça, perseguição, violência psicológica, lesão corporal, estupro e tentativa de feminicídio, também vêm aumentando de forma consistente nos últimos anos, o que indica que o corpo das mulheres segue sendo visto como território alheio, que poderia ser ameaçado, agredido, sexualmente violentado e assassinado”, destaca o Fórum em nota técnica.</p>



<p>Para analisar esse cenário, a <strong>Marco Zero</strong> entrevistou socióloga pernambucana Ana Paula Portella, doutora em Sociologia e mestra em Saúde Pública com mais de três décadas de atuação em pesquisa aplicada, avaliação de políticas públicas, violência de gênero, segurança pública e direitos humanos. Especialista em violência letal contra mulheres, feminicídio, interseccionalidade (gênero, raça e classe) e análise de políticas públicas, ela é autora do livro <em>Como morre uma mulher?</em>.</p>



<p>A publicação é resultado da tese de doutorado de Ana Paula e ganhou o prêmio de Melhor Tese da América Latina e do Caribe conferido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. O livro analisa os contextos e as dinâmicas de produção da morte violenta de mulheres, incluindo os feminicídios, além de propor e aplicar um modelo de análise de dados em contextos de ausência de informações essenciais, como é o caso de muitos bancos de dados do sistema de segurança e justiça.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ana Paula Portella é especialista em violência contra mulheresCrédito: Keila Vieira
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<p>Marco Zero &#8211; <strong>Nunca se debateu e se deu tanta visibilidade aos casos de violência contra mulher. Por outro lado, as reações estão cada vez mais agressivas e os casos de violência de gênero não param de crescer. Como isso se explica?</strong></p>



<p><strong>Ana Paula Portella &#8211; </strong>Existe um debate anterior a isso, que é se a violência de fato está aumentando ou se ela está sendo mais registrada, mais visibilizada e melhor classificada. Casos que, há um tempo, não seriam vistos como feminicídio hoje estão sendo classificados como feminicídio, porque existem protocolos e medidas dentro do sistema de segurança e justiça que orientam seus agentes a observarem os casos de morte violenta feminina de outra maneira e identificarem, nesses casos, o que é feminicídio e o que não é feminicídio.</p>



<p>Esse é um debate, a gente não tem como responder a essa pergunta neste momento e eu não conheço pessoas que estejam fazendo estudos para identificar se realmente a gente tem um aumento de casos ou se a gente tem uma melhora na visibilização do problema e na classificação dos casos.</p>



<p>De qualquer maneira, isso não importa, porque, como a gente está tratando de violência letal, é uma coisa que não deveria acontecer. Então um único caso é excessivo. Essa questão do aumento ou da redução, na minha perspectiva, é irrelevante porque temos que trabalhar com a perspectiva de uma sociedade que não tenha nenhum caso de violência letal contra as mulheres. E temos aqui em Pernambuco número muito maior do que um. Estamos em torno de 300 casos, se não me engano, de violência letal e, entre esses, cerca de 80 feminicídios.</p>



<p>De qualquer maneira, respondendo diretamente a essa preocupação dos casos mais graves, dos casos aparentemente mais violentos do que o que a gente tinha no passado, eu acho que vale a pena chamar a atenção para o recrudescimento do conservadorismo que tem acontecido no mundo inteiro e, aqui no Brasil também, nesses últimos dez ou 15 anos.</p>



<p>Todo esse avanço da extrema-direita — e tivemos aqui o governo Bolsonaro, que institucionalizou esse avanço no Governo Federal — traz com ele uma revalorização e um fortalecimento dos valores conservadores de gênero. Temos toda uma exacerbação das diferenças entre homens e mulheres, de uma maior valorização daquilo que é masculino, daquilo que é viril, daquilo que é violento. E com todo o debate em torno da liberação e do uso das armas de fogo, existe uma exaltação desses padrões, tanto do ponto de vista institucional e político, no campo da extrema-direita, como no campo da moral e da religião, por meio das igrejas neopentecostais.</p>



<p>Isso certamente cria um terreno fértil para a relegitimização da violência contra as mulheres, mas também do contexto de dominação dos homens contra as mulheres. Essa visão sobre as mulheres de que os homens são superiores, de que eles são melhores e que, por isso, têm e podem deter o poder de vida e morte sobre mulheres e crianças. Essas masculinidades agressivas e tóxicas têm sido fortalecidas nesse período. E esse é o período também que a gente vê crescer essa coisa no mundo virtual, desses ambientes da <em>deep web</em>, de debates, de jogos e de conversas, das quais participam majoritariamente meninos e homens jovens.</p>



<p>Esse é um ambiente que tem crescido entre as crianças e entre os meninos adolescentes sem supervisão parental, então é como se tivesse aberto um grande portal nos últimos anos, onde os meninos são efetivamente educados para serem homens a partir desses portais. Então se abre um campo de sociabilidade onde esses meninos têm exemplos a partir dos quais eles podem moldar a sua própria identidade masculina, em que não se tem supervisão nem dos pais nem de outros adultos nem de instituições. Então, ele está correndo livre. O que temos visto é que eles estão caminhando para esse campo do tradicionalismo, do tradicionalismo e do conservadorismo. Esses são ambientes que também valorizam a violência em todas as suas formas.</p>



<p><strong>Apesar do crescimento das denúncias e da busca por informação e acolhimento — prova é que o 180, a cada ano, bate recorde de registros —, ainda é muito difícil interromper o ciclo de violência contra as mulheres. Por quê?</strong></p>



<p>Interromper o ciclo da violência depende de coisas muito sensíveis. Uma mulher que está envolvida em uma situação abusiva precisa, em primeiro lugar, ter consciência de que essa relação é abusiva, precisa perceber e entender que ela está confundindo amor com abuso. Isso requer tempo, conhecimento, informação e apoio externo.</p>



<p>Além disso, mesmo que ela consiga diferenciar e perceber que a relação de fato é abusiva, ela precisa ter uma rede de apoio sólida, consistente e capaz de conter a reação agressiva masculina que fatalmente vai surgir no momento que ela decidir sair dessa relação. Essa rede de apoio tem que ser tanto pessoal e familiar como institucional, porque a contenção da reação masculina não é uma coisa simples. Não é simples conter um homem que está decidido a matar alguém. Nesse contexto que estamos vivendo, esses homens estão decidindo matar as mulheres e matar seus filhos. A situação está realmente ficando mais grave nesse sentido.</p>



<p>Nem todas as mulheres têm acesso a esse tipo de rede — e as mulheres sabem disso e precisam se proteger. Muitas não saem da situação porque sabem que, no momento em que saírem, esse homem vai reagir e ela não tem a quem recorrer. Daí a importância das políticas públicas, da ação do sistema de segurança e justiça, das medidas protetivas, das casas de acolhimento, dos centros de referência. É importante que a mulher saiba que isso existe para saber a quem pode recorrer.</p>



<p>É bom a gente lembrar também que boa parte dos casos de feminicídio acontece justamente quando a mulher pede a separação, depois que ela pede a separação ou depois que ela sai de casa. As mulheres que estão nessas relações sabem disso e procuram se proteger, então é importantíssimo que a sociedade tenha consciência disso e que os círculos próximos dessa mulher se constituam como uma rede de apoio e que isso seja dito muito em voz alta, que ela saiba ‘olha, você pode contar comigo, eu estou percebendo que a sua situação é ruim, então venha para cá’. Que as pessoas conversem sobre isso e se disponham a protegê-la, como também as políticas públicas, que, para a nossa sorte e graças ao movimento feminista nos últimos 40 anos, já existem aqui no país.</p>



<p>O ideal é que a relação abusiva seja interrompida no início, nos seus primeiros sinais, de modo que não dê tempo e não se permita que o homem cultive a sua reação mais violenta e agressiva. Mas, no início, é justamente o momento mais difícil da mulher perceber que a relação é abusiva porque os sinais são ambíguos. Então ela confunde isso com amor. É uma situação que só pode ser resolvida quando a sociedade brasileira como um todo compreender o que é uma relação abusiva, quando todas as pessoas conseguirem identificar esses sinais e quando tivermos realmente essas redes de apoio eficazes para proteger as mulheres e as crianças.</p>



<p><strong>As mulheres negras são a maioria das vítimas de feminicídio. Como o racismo estrutural impacta a vida dessa população e por que, no caso delas, é mais difícil quebrar esse ciclo de abusos?</strong></p>



<p>O racismo estrutural impacta a vida das mulheres imensamente. É, sem dúvida, o tipo de relação de poder e de dominação mais forte e poderoso na sociedade brasileira. Eu diria até que é mais poderoso do que as relações de gênero, mas atua de uma maneira muito articulada com as questões de gênero. Se a gente observar as condições em que vivem essas mulheres, vamos ver que elas têm redes familiares e redes sociais mais frágeis, vivem em condições materiais mais precárias.</p>



<p>Para uma parte importante delas, especialmente as mais jovens, têm menor acesso à informação e ao conhecimento que poderia facilitar procurarem ajuda e buscarem proteção para a violência. Isso as deixa numa situação muito mais frágil do que as mulheres que não são negras e que estão em condições materiais melhores.</p>



<p>Além disso, a questão racial é frequentemente usada como base para o exercício de poder e da dominação. Quando o homem quer destratar uma mulher ou quando as pessoas, em geral, aqui no Brasil, numa sociedade que tem um racismo tão alto e tão vigoroso, a questão da raça é utilizada frequentemente como medida de desvalor, como forma de xingamento, de diminuir essa mulher.</p>



<p>Eles já usam o fato de a gente ser mulher como algo ofensivo. No caso das mulheres negras, você vai ter a junção da questão do racismo e da misoginia atuando conjuntamente para desvalorizar essa mulher, para submetê-la e oprimi-la, o que vai deixá-la em uma situação de muito maior fragilidade do que aquela que não sofre o efeito do racismo.</p>



<p>A questão do racismo é tão essencial que a gente verifica que a maior proporção de vítimas da violência de gênero é de mulheres negras, jovens e pobres que vivem em situação de precariedade social.</p>



<p><strong>A maioria dos feminicidas é o marido, o namorado, o amante ou o ex. O que isso revela sobre o comportamento dos homens e a estrutura da sociedade?</strong></p>



<p>Eu acho que revela muito claramente que a gente vive numa sociedade patriarcal. Essas situações em que os homens matam as mulheres e matam as crianças significam que eles se compreendem como detentores do poder total sobre a vida da família. E isso é a descrição mais clara do patriarcado. A sociedade ainda é complexa, contraditória, é ambígua. A gente convive, ao mesmo tempo, com contextos progressistas, avançados e contextos conservadores, mas, no que se refere ao campo conservador, isso é um evidente traço da permanência das relações patriarcais na sociedade. Ainda tem muita luta pela frente para desfazer isso.</p>
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		<title>Homens estupram ao menos seis mulheres e meninas por dia em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2026 11:37:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[estupro]]></category>
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<p>Homens estupraram ao menos 2.354 mulheres e meninas em Pernambuco em 2025. Isso significa que eles abusaram de, no mínimo, seis mulheres e meninas a cada 24 horas no estado somente no ano passado. Os dados são da Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS-PE) e, sem dúvida, estão subnotificados porque muitas não prestam queixa. A maioria das vítimas (70%) tinha entre zero e 17 anos, ou seja, crianças e adolescentes.</p>



<p>“Nós sempre tratamos o estupro como um caso subnotificado. Esse número tem uma tendência de ser de seis a oito vezes maior do que o que está colocado”, diz a coordenadora-executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) e conselheira do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Edna Jatobá.</p>



<p>O aumento na quantidade de pedidos de ajuda através da Central de Atendimento à Mulher Ligue 180 reflete a realidade — e também o aprimoramento do serviço de informação e acolhimento. Em 2024 (dado mais recente publicado pelo Ministério das Mulheres), o 180 registrou um total de 31.030 atendimentos oriundos de Pernambuco, um aumento de 40,6% em relação a 2023.</p>



<p>O Instituto Patrícia Galvão e o Instituto Locomotiva mostram, em números, o que quase todas as mulheres sentem: é cada vez mais perceptível que não existem espaços totalmente seguros para elas. Em pesquisada realizada pelas duas instituições no ano passado, 82% das entrevistadas declararam ter “muito medo” de sofrer um abuso sexual. Esse percentual era de 78% em 2020.</p>



<p>O temor também está presente na hora de decidir ou não pela denúncia. Muitas têm medo do agressor, sentem vergonha e temem ser desacreditadas, além de haver ainda muita falta de informação sobre os direitos das mulheres. Um outro levantamento publicado, no ano passado, também pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva mostra que oito em cada dez vítimas de violência sexual não buscaram nenhum atendimento.</p>



<p>O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, publicado recentemente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, comprova que ainda é imensa a dificuldade de se punir os agressores. Das 67.157 perícias sexológicas realizadas em 2024, apenas 9,8% resultaram em laudos positivos.</p>





<p></p>



<h2 class="wp-block-heading">Estupro de vulneráveis bate recorde no Brasil</h2>



<p>Quem tem menos de 14 anos é considerado vulnerável pela legislação brasileira, que reconhece que crianças não têm capacidade de consentir sobre relações sexuais, independente de vínculo ou autorização familiar. Em 2024, o Brasil registrou 67.204 casos de estupro de vulneráveis, a maioria do sexo feminino e negra, de acordo com a 19ª edição do Anuário do Fórum. A taxa nacional chegou a 31,6 casos por 100 mil habitantes, o maior número da série histórica.</p>



<p>Na visão da organização, “casos recentes que mobilizaram o debate público reforçam a importância de compreender a dimensão desse problema e de garantir que a proteção da infância seja tratada como prioridade absoluta pelo Estado e pela sociedade”. A decisão recente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que absolveu um homem de 35 anos que manteve relações com uma menina de 12 anos, chocou grande parte do país e gerou uma reação nacional. Depois o desembargador reviu a decisão e condenou o criminoso. Agora, <a href="https://www.poder360.com.br/poder-justica/pgr-pede-inquerito-contra-desembargador-afastado-de-mg/">o próprio magistrado será investigado</a> por suspeita de abuso sexual.</p>



<p>Edna detalha que existe uma tendência maior de notificação dos casos envolvendo crianças e adolescentes graças um sistema garantidor de direitos mais bem estruturado, com serviços vinculantes, conselhos tutelares e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).</p>



<p>Mas, na visão dela, a sociedade não está preparada para enfrentar o debate do estupro. Prova é, segundo destaca, a dificuldade para aprovar, no final de 2024, a resolução 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A medida estabelece um protocolo específico para atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, incluindo a garantia da interrupção legal da gravidez quando decorrente de estupro.</p>



<p>A resolução prevê, por exemplo, o treinamento de profissionais para identificar situações de violência sexual e a garantia de um atendimento rápido, sigiloso e livre de preconceitos, priorizando o cuidado e o respeito à vítima. “Essa resolução sofreu muita resistência, da Câmara de Deputados, do Senado, da igreja e até do próprio Governo Federal inicialmente, mesmo sendo um governo de esquerda”, relembra.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:37% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/edna-1.jpg" alt="" class="wp-image-74802 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/edna-1.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/edna-1-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/edna-1-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Quando temos um tribunal de Justiça e setores do judiciário que entendem como consensual uma relação entre um homem de 35 anos e uma menina de 12 anos e absolvem isso, como aconteceu em Minas Gerais, temos a prova cabal de que a nossa sociedade anui, legitima o estupro, especialmente praticado contra crianças e adolescentes”, avalia Edna.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>“O crime de estupro é muito difícil de detectar sem a ajuda da sociedade. Porque acontecem dentro das residências, dentro das famílias, dentro do lugar onde essas meninas e mulheres deveriam se sentir mais seguras. Existe uma proteção muito grande aos agressores e uma baixíssima proteção às vítimas de violência sexual. Temos uma inversão de valores”, observa.</p>



<p>“E quando tentamos, a partir dos órgãos de controle e dos órgãos colegiados, fazer alguma coisa para diminuir essa distorção, essas iniciativas são rechaçadas pela sociedade a partir do manto do conservadorismo”, aponta a especialista. “Precisamos preparar a sociedade para esse debate e que ele seja realizado à luz da ciência e da garantia de direitos, e não refém do extremismo religioso”, frisa.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Elas não estão seguras dentro de casa</h3>



<p>A casa da vítima ainda é o cenário onde mais situações de violência são registradas. De acordo com a edição 2025 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 65,7% dos casos de estupro em 2024 aconteceram dentro das residências, sendo que 45,5% dos autores do crime eram parentes e 20,3% eram parceiros ou ex-parceiros íntimos.</p>



<p>“O Anuário mais uma vez qualifica os dados, mostrando que a violência de gênero continua associada ao ambiente doméstico, à desigualdade racial e a ciclos de abuso. Mas os casos mais recentes se destacam por trazer um elemento que não pode ser ignorado: a intensidade e a crueldade dos ataques”, diz o Fórum.</p>



<p>Na avaliação de Edna, do Gajop e do CNDH, é preciso olhar para esse tipo de crime como uma questão de segurança pública, mas não só. Para ela, é urgente que a sociedade fortaleça a educação de gênero e a educação sexual, ainda muito rechaçada pelas escolas, além de fortalecer o acesso de mulheres e meninas à informação sobre direitos e canais de denúncia.</p>



<p>Ela também destaca que é preciso fortalecer as mães dessas meninas com políticas públicas que também passem pela geração de renda e de proteção para quando há necessidade de retirada imediata das vítimas dos espaços de denúncia para quebrar o ciclo de continuidade das violências.</p>
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		<title>Em Olinda, mulheres realizam atos em defesa dos direitos e contra a extrema-direita</title>
		<link>https://marcozero.org/em-olinda-mulheres-realizam-atos-em-defesa-dos-direitos-e-contra-a-extrema-direita/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Mar 2025 21:06:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[Córrego do Sargento]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional da mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Dia Internacional da Mulher, mulheres de diferentes bairros da Região Metropolitana do Recife foram às ruas de Olinda para o ato do 8M 2025. Com o tema “Pela vida de todas as mulheres, por direitos, enfrentando a extrema direita e o capital”, o evento reuniu representantes de, pelo menos, 30 organizações e movimentos sociais [&#8230;]</p>
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<p>No Dia Internacional da Mulher, mulheres de diferentes bairros da Região Metropolitana do Recife foram às ruas de Olinda para o ato do 8M 2025. Com o tema “Pela vida de todas as mulheres, por direitos, enfrentando a extrema direita e o capital”, o evento reuniu representantes de, pelo menos, 30 organizações e movimentos sociais que se concentraram no Largo do Varadouro, em frente ao Mercado Eufrásio Barbosa, a partir das 15h. </p>



<p>Segundo a organização do evento, a escolha de Olinda para sediar a manifestação este ano reforça a intenção de descentralizar a mobilização e destacar a luta das mulheres cis, trans e corpos dissidentes por direitos e dignidade. </p>



<p>Entre as principais reivindicações, estavam o fim da escala 6&#215;1 e a rejeição à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 164/2012, que pretende restringir o direito ao aborto legal. A PEC 164/2012, um dos principais alvos de críticas, pretende proibir e criminalizar ainda mais o aborto, mesmo nos casos já previstos em lei, obrigando mulheres e meninas a manterem gestações resultantes de violência sexual. </p>



<p>A manifestação também denunciou a sobrecarga de trabalho imposta às mulheres, principalmente as negras, que enfrentam jornadas exaustivas e, muitas vezes, solitárias. Por isso, a luta pelo fim da escala 6&#215;1 surge como um pedido urgente de melhores condições trabalhistas.</p>



<p>Outras pautas levantadas durante o ato incluíram a luta por tarifa zero e transporte público seguro, educação laica, saneamento básico e justiça climática. Além disso, o combate ao feminicídio, transfeminicídio e lesbocídio foi reforçado como um dos muitos itens da campanha do 8M.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Primeira vez</h2>



<p>Além das militantes e ativistas que sempre participam e também promovem a organização do ato, o 8M deste ano também contou com a presença um grupo de mulheres e meninas que, pela primeira vez, estiveram em uma manifestação do tipo. Elas vieram do Córrego do Sargento direto para as ruas de Olinda, onde encontraram dezenas de outras mulheres que já foram em sua comunidade debater ou ministrar palestras.</p>



<p>De acordo com a jornalista Martihene Oliveira, coordenadora da organização Coletivo Sargento Perifa, falou que esse encontro provocou uma reação inesperada: &#8220;Elas ficaram encantadas por encontrar as ativistas que já estiveram no Córrego do Sargento. Estamos formando uma nova geração de mulheres da comunidades que irão participar das lutas&#8221;, explicou Oliveira.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/8M-768x1024.jpg" alt="A foto mostra uma marcha do Dia Internacional das Mulheres com diversas participantes segurando cartazes e bandeiras. No centro, uma mulher segura um cartaz escrito Rede das mulheres e meninas do Sargento Perifa. Outras pessoas carregam placas com mensagens como Aborto legal e justiça social. Há bandeiras coloridas e uma boneca gigante representando uma mulher com roupas coloridas. A manifestação ocorre ao ar livre, com céu parcialmente nublado e um grande grupo reunido." class="" loading="lazy" width="632">
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: Raíssa Ebrahim/Marco Zero</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/em-olinda-mulheres-realizam-atos-em-defesa-dos-direitos-e-contra-a-extrema-direita/">Em Olinda, mulheres realizam atos em defesa dos direitos e contra a extrema-direita</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Diversas e unidas, mulheres marcham por garantia de direitos no 8M no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/diversas-e-unidas-mulheres-marcham-por-garantia-de-direitos-no-8m-no-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Mar 2024 23:18:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional da mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com uma linha de frente composta por mulheres negras, trans e indígenas, além da presença de cristãs e muçulmanas, o 8M no Recife, nesta sexta-feira, Dia Internacional de Luta das Mulheres, foi marcado pela diversidade. Reunidas em marcha no centro da cidade — do Parque Treze de Maio ao Pátio de São Pedro —, elas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com uma linha de frente composta por mulheres negras, trans e indígenas, além da presença de cristãs e muçulmanas, o 8M no Recife, nesta sexta-feira, Dia Internacional de Luta das Mulheres, foi marcado pela diversidade. Reunidas em marcha no centro da cidade — do Parque Treze de Maio ao Pátio de São Pedro —, elas exigiram em coro o tema do ato este ano, “Pela vida das mulheres: pela legalização do aborto. Contra o racismo ambiental e as violências. Não às privatizações”. </p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> foi para a rua entender o que levou essas mulheres tão diversas e, ao mesmo tempo, tão conectadas a ocuparem as ruas da capital do estado governado, pela primeira vez na história, por duas mulheres (a governadora Raquel Lyra e a vice Priscila Krause) e também líder de feminicídios no Nordeste no ano passado, como mostramos em <a href="https://marcozero.org/pernambuco-e-o-estado-com-mais-feminicidios-no-nordeste/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">matéria</a> publicada nesta quinta (7). Em 2023, 92 mulheres foram assassinadas em Pernambuco pelo fato de serem mulheres. Os dados são da Rede de Observatórios da Segurança.</p>



<p>“Para mim, é importante o movimento das mulheres em busca de direitos e oportunidades e as mulheres negras em busca de equidade”. É com essas bandeiras que a professora Queite Diniz, 48 anos, participa há dez anos de atos feministas. As bandeiras que ela leva às ruas são as que estão fincadas também dentro de casa, na Vila Torres Galvão, em Paulista. Queite, que põe em prática suas referências de aprendizado, estava no 8M com as duas filhas, as estudantes Maria Antônia Diniz, 21 anos, e Maria Vitória Diniz, 17 anos.</p>



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	                                        <p class="m-0">A professora Queite Diniz e as filhas Maria Antônia e Maria Vitória, juntas ao 8M no Recife. Crédito: Arnaldo Sete/MZ </p>
	                
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<p>“Acho extremamente importante, enquanto mulher jovem negra, ocupar esses espaços, estar aqui botando o pé na rua e mostrando que a gente está insatisfeita com as condições que nos são dadas, principalmente por ser a mulher negra que está na base da pirâmide, a que sofre mais”, comenta Maria Antônia. Ela começou a participar dos movimentos de mulheres em 2018, ainda adolescente.</p>



<p>Exaltando o respeito à diversidade, é na rua que mães e filhas se reafirmam. “Para mim, é importante fazer valer o que estudo na teoria e incentivar minhas filhas a darem continuidade a esse movimento”, reforça Queite.</p>





<p>Em todo o Brasil, movimentos e coletivos feministas, mulheres das cidades, do campo, das águas e da floresta, de partidos e sindicatos, se organizaram para tomar as ruas neste 8 de Março. No Recife, o ato teve concentração às 15h e saiu em marcha por volta das 17h, com batucadas, bandeiras, carro de som e toré.</p>



<p>Para a <a href="https://ambfeminista.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB)</a>, organizadora do evento, o tema deste ano mostra que “estas consignas inscrevem o feminismo na luta política nacional e a ocupação das ruas revela sua força, na disputa do país pela esquerda”.</p>



<p>É também na rua que a muçulmana Najdaty Andrade, 55 anos, educadora social e grafiteira, do projeto Cores do Amanhã, no bairro do Totó, na zona oeste, faz valer suas lutas e seu lugar no mundo. “Hoje, para além de estar aqui em favor dos direitos das mulheres, estou lutando em favor das mulheres muçulmanas”. Ela lembra que o grupo tem direitos, mas eles estão sendo violados.</p>



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	                                        <p class="m-0">A muçulmana Najdaty Andrade luta pela liberdade de excercer suas crenças. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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<p>“A gente não tem às vezes o direito de exercer nossa fé e nossa crença abertamente, mesmo sendo um país laico. Mas independente de crença, raça, gênero e fé, temos nossos direitos e lutamos por eles. Para que a gente possa sair com nossos <em>hijab</em> (lenços) sem sermos importunadas na rua”, reivindica.</p>



<p>Para Amanda Karaxu, 37 anos, indígena Karaxuwanassu, de Igarassu, na Região Metropolitana, o que a motiva é a luta coletiva. “A gente tem visto o crescimento do feminicídio, a falta de políticas públicas e o silenciamento nos espaços de poder — e eu tenho sofrido isso constantemente”, denuncia. Pedagoga, estudante de ciências sociais, Amanda é mãe de três filhos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Amanda, indígena Karaxuwanassu, de Igarassu, também esteve no 8M. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
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		<title>Centro das Mulheres do Cabo comemora 40 anos com caminhada do 8M</title>
		<link>https://marcozero.org/centro-das-mulheres-do-cabo-comemora-40-anos-com-caminhada-do-8m/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Mar 2024 12:32:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[Centro de Mulheres do Cabo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na próxima sexta-feira (8), o Centro das Mulheres do Cabo vai comemorar o aniversário de 40 anos com a 40ª caminhada do Dia Internacional das Mulheres na luta por direitos. A concentração vai acontecer às 15h, começando em frente à Praça da Bíblia, no centro do Cabo de Santo Agostinho, e seguindo até a sede [&#8230;]</p>
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<p>Na próxima sexta-feira (8), o Centro das Mulheres do Cabo vai comemorar o aniversário de 40 anos com a 40ª caminhada do Dia Internacional das Mulheres na luta por direitos. A concentração vai acontecer às 15h, começando em frente à Praça da Bíblia, no centro do Cabo de Santo Agostinho, e seguindo até a sede da entidade.</p>



<p>As organizadoras pretendem reunir mais de 2 mil mulheres das diversas comunidades do Cabo de Santo Agostinho e de cidades do entorno, como Ipojuca e Escada. Além da caminhada e das discussões de gênero, raça e território que o evento propõe, também vai haver os shows com a cantora Ava Guimarães e o Coral Orquestra Fantasia da Juventude Lírica.</p>



<p>Para Izabel Santos, coordenadora geral do CMC, a caminhada é um ato político e de comemoração. “Neste dia vamos afirmar os nossos direitos e denunciar todas as violências de gênero e lutar por novas conquistas. Além disso, vamos comemorar os 40 anos da nossa instituição que é pioneira na implementação e monitoramento das políticas de enfrentamento à violência contra a mulher em Pernambuco”, afirmou.</p>



<p>O Centro de Mulheres do Cabo foi fundado em 1984, com o objetivo de combater a violência de gênero na cidade, estendendo a atuação e se tornando referência da luta pela vida das mulheres em todo o estado, com participação nos conselhos municipais de educação e saúde, e no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher.</p>



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	                                        <p class="m-0">CMC é uma das ONGs feministas mais antigas de Pernambuco. Crédito: Marcelo Ferreira/Divulgação
</p>
	                
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/centro-das-mulheres-do-cabo-comemora-40-anos-com-caminhada-do-8m/">Centro das Mulheres do Cabo comemora 40 anos com caminhada do 8M</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Raquel Lyra não cumpre promessa feita no 8 de março e frustra movimento feminista</title>
		<link>https://marcozero.org/raquel-lyra-nao-cumpre-promessa-feita-no-8-de-marco-e-frustra-movimento-feminista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Apr 2023 21:21:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[8 de março]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[movimento feminista]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante o ato do Dia da Mulher, realizado em 8 de março, no Centro do Recife, a governadora de Pernambuco desceu de seu gabinete no Palácio do Campo das Princesas para encontrar as integrantes dos movimentos feministas e fez uma promessa. Acompanhada da vice-governadora e das mulheres que integram o primeiro escalão do governo, Raquel [&#8230;]</p>
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<p>Durante o ato do Dia da Mulher, realizado em 8 de março, no Centro do Recife, a governadora de Pernambuco desceu de seu gabinete no Palácio do Campo das Princesas para encontrar as integrantes dos movimentos feministas e fez uma promessa. Acompanhada da vice-governadora e das mulheres que integram o primeiro escalão do governo, Raquel Lyra ouviu o manifesto elaborado pelas organizações sociais e, em discurso que durou aproximadamente cinco minutos, se comprometeu em reunir algumas representantes dos movimentos para criar um Grupo de Trabalho para debater e elaborar políticas públicas voltadas para as mulheres. </p>



<p>Passado pouco mais de um mês do pronunciamento, a promessa não foi cumprida, lideranças feministas ainda aguardam a convocatória para a criação do Grupo de Trabalho e criticam a falta de diálogo da governadora com os movimentos sociais.</p>



<p>“A criação deste Grupo de Trabalho não foi idealizada por nós, ativistas e militantes dos movimentos feministas. Na verdade, nossa intenção seria compor uma comissão representativa com lideranças das instituições presentes ao final do ato do dia 8 de março para levar ao conhecimento da governadora nossas reivindicações”, declarou a representante da Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco (<a href="https://pt-br.facebook.com/amotranspe/">Amotrans-PE</a>) e da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas, Maria Daniela.  </p>



<p>Maria Daniela relembrou que ao final do 8M estava prevista uma reunião entre as lideranças do movimento de mulheres e Raquel Lyra, que aconteceria em seu gabinete. Porém, enquanto as mulheres se organizavam para entrar no Palácio, a governadora apareceu de surpresa no meio da manifestação, discursou, e depois não recebeu mais as representantes. “Em uma estratégia de não nos atender e ainda se mostrar solícita &#8211; mesmo não sendo -, a governadora resolveu ir à rua, deu uma fala resumida e superficial, e ainda não conversou com a gente”, disse a ativista.</p>



<p>Procuramos o Governo do Estado para saber o porquê da criação do Grupo de Trabalho ainda não ter sido efetivada e se há alguma previsão para que isso aconteça. Perguntamos ainda quais ações com foco em garantir segurança, saúde, empregabilidade e melhora na qualidade de vida das mulheres &#8211; reivindicações apresentadas pelas manifestantes presentes no ato 8M &#8211;  foram ou devem ser implementadas pela atual gestão estadual. Até a publicação desta matéria, não obtivemos respostas. </p>



<p>Hoje, porém, o Governo anunciou uma campanha publicitária para lançar a nova identidade visual e marcar as ações usando personagens femininas para defender suas &#8220;realizações&#8221;.</p>



<p>No dia 4 de março deste ano, o governo do estado implementou um novo regime de trabalho que determinou que as seis delegacias especializadas no atendimento a mulheres vítimas de violência, &#8211; presentes nos municípios de Olinda, Recife, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Petrolina e Caruaru &#8211; , funcionassem em regime de plantão 24 horas durante todos os dias da semana.</p>



<p>A medida tem como objetivo diminuir o índice de violência doméstica contra as mulheres em Pernambuco que, de acordo com dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), teve um aumento de 5,7% em 2022, com o registro de 43.553 denúncias.</p>



<p>A violência contra mulheres &#8211; cis e trans &#8211; é uma das pautas mais importantes para os movimentos feministas e foi bastante enfatizada durante a manifestação do 8M, contudo as ativistas acreditam que o funcionamento 24 horas das delegacias ainda não é suficiente para sanar um problema social tão grave. Por isso, as lideranças dos movimentos de mulheres defendem o estabelecimento de um diálogo direto e constante com o governo estadual, a fim de criar políticas eficazes e pautadas na experiência cotidiana das mulheres, principalmente daquelas que vivem em situação de vulnerabilidade social.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Raquel roubou a cena ao final do ato de 8 de março ao descer do palácio para receber manifestantes. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Falta de diálogo causa frustração</strong></h2>



<p>Diretora de mulheres da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras de Pernambuco (Fetape), Adriana do Nascimento, também estava presente no 8M para reivindicar melhorias para as mulheres agricultoras do estado. Ela admitiu que gostaria de ver mais agilidade da governadora em priorizar o diálogo com os movimentos de mulheres. </p>



<p>“Acredito que, para a pauta das mulheres, ela [Raquel Lyra] poderia traçar outras estratégias, porque independente da linha política de ambas &#8211; governadora e vice &#8211; , mesmo a gente tendo a máxima que nem toda a mulher nos representa, a gente tem uma expectativa. Ela poderia, pelo menos, montar uma portaria para oficializar o Grupo de Trabalho, ou até fazer uma convocatória, uma mobilização virtual, um processo simples, pouco burocrático e que não depende de um grande investimento, mas não fez nada”, disse Nascimento. </p>



<p>A diretora da Fetape participou de um encontro recente com a governadora, uma reunião para debater a agricultura familiar em Pernambuco. Na ocasião, Adriana aproveitou para defender o compromisso de Raquel Lyra com as mulheres que integram a federação. “Ela disse que quer estar junto com as mulheres rurais e nós sinalizamos alguns compromissos que ela precisa ter para fortalecer a nossa luta, entre eles, está a garantia do aporte financeiro para que as mulheres de Pernambuco possam ir até a Marcha das Margaridas, que acontecerá em agosto, em Brasília”, contou a militante. De acordo com Adriana, Raquel Lyra se comprometeu a dar um retorno sobre a pauta da Marcha das Margaridas ainda nesta semana. </p>



<p>“Eu compreendo que é um governo de transição, por isso, querendo ou não, tem morosidade nesse processo, então, eu ainda sou otimista que ela vai fazer uma boa gestão”, afirmou Adriana do Nascimento.</p>



<p>Diferente da representante da Fetape, que ainda se diz otimista com o atual governo, Graciete Santos, diretora da Casa da Mulher do Nordeste e integrante do Fórum de Mulheres de Pernambuco, afirma não ter muitas expectativas de diálogo entre o governo e os movimentos feministas.</p>



<p>“O fato dela ser a primeira governadora de Pernambuco é muito simbólico para nós porque, enquanto feministas, lutamos para aumentar a representação política de mulheres e a ocupação delas em cargos de liderança e poder, porém, a gente sempre enfatiza que não basta ser mulher e a trajetória de Raquel durante a campanha mostra que não há a proposta de escuta, nem diálogo com as demandas do movimento feminista no estado. Considerando isso, nós não temos muitas expectativas que esse diálogo venha a acontecer, e isso demonstra a falta de reconhecimento do governo com a importância do movimento de mulheres”, declarou Santos. </p>



<p>Para Maria Daniela, essa falta de diálogo é “muito ruim para todas as mulheres de Pernambuco, tanto cisgêneras, como travestis, mulheres trans, e pessoas de útero. Mostra a que esse governo de direita veio”. </p>



<p>“O fato de ser uma governante mulher serve como fachada e forma de angariar votos e a simpatia do público feminino, favorável às pautas de todas as mulheres. Mas não podemos deixar esta imagem camuflar ‘o lobo em pele de cordeiro’. Apesar de termos uma governadora, o grupo político o qual ela representa e está inserida, é de direita, comprometido com os setores conservadores e neoliberais, nunca teve compromisso real com as lutas populares feministas ou de qualquer outro setor progressista’, criticou a representante da Amotrans e da Renfa. </p>



<p>Apesar do sentimento de frustração presente no relato das lideranças dos movimentos feministas, as representantes enfatizam que continuarão pressionando o governo estadual para implementar ações efetivas que supram as necessidades socioeconômicas das mulheres.</p>



<p>“O nosso papel é de controle social e nós vamos continuar exercendo ele. Para isso vamos nos manter vigilantes e cobrar as ações necessárias”, concluiu Graciete dos Santos.</p>



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		<title>8M: mulheres pedem fim da política de fome e morte do governo Bolsonaro</title>
		<link>https://marcozero.org/8m-mulheres-pedem-fim-da-politica-de-fome-e-morte-do-governo-bolsonaro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 00:45:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[8deMarço]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[8M22]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mais de duas mil mulheres marcharam pelas ruas do Centro do Recife neste 8 de Março para pedir o fim da política de fome e de morte do governo Bolsonaro. Plurais e diversas, elas construíram um 8M histórico e se juntaram a tantas outras mulheres ao redor do Brasil e do mundo na luta contra [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Mais de duas mil mulheres marcharam pelas ruas do Centro do Recife neste 8 de Março para pedir o fim da política de fome e de morte do governo Bolsonaro. Plurais e diversas, elas construíram um 8M histórico e se juntaram a tantas outras mulheres ao redor do Brasil e do mundo na luta contra o machismo, o racismo, o feminicídio e o transfeminicídio.</p>



<p>O ato se concentrou no Parque 13 de Maio, às 15h, e saiu às 17h em direção ao Pátio do Carmo. As batucadas reuniram diversos grupos: mulheres negras, brancas, indígenas, jovens, idosas, LBTQIAP+, trabalhadoras domésticas, mulheres com deficiência, vivendo a fé de diversas formas e que também estavam ali representando as mulheres encarceradas.</p>



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	                                        <p class="m-0">crédito: Arnaldo Sette/Marco Zero</p>
	                
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<p>Duas pautas urgentes da classe trabalhadora marcaram este 8M. Uma foi a mobilização nacional em defesa do piso salarial da enfermagem, categoria em que mulheres são 85% das enfermeiras, técnicas e auxiliares. Houve atos em diversas cidades pela manhã.</p>



<p>A outra é a greve de professores e professoras municipais, iniciada nesta segunda-feira (7), para que a Prefeitura do Recife cumpra a lei federal que estabelece o piso salarial.</p>



<p>No país em que mais de 50 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, uma mulher é assassinada a cada duas horas, sendo que 66% delas são negras. São sobretudo as negras os principais alvos da política da perda de direitos e do desemprego.</p>



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	                                        <p class="m-0">crédito: Arnaldo Sette/Marco Zero</p>
	                
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<p></p>



<p>O Brasil é o campeão mundial em morte materna em decorrência da covid-19, que já vitimou mais de 630 mil pessoas. É o quarto país do mundo que mais mata mulheres cis e número um em assassinato de mulheres trans e travestis &#8211; estas têm sofrido uma <a href="https://marcozero.org/assassinatos-de-travestis-e-mulheres-trans-nao-param-e-entidades-cobram-acoes-do-governo-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">escalada da violência em Pernambuco</a> desde o ano passado.</p>



<p>Ao final do ato no Recife, as mulheres homenagearam as 37 vítimas de feminicídio em Pernambuco no ano de 2021 e fecharam o 8M dando as mãos numa grande ciranda.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mulheres-ocupam-casa-para-criar-centro-de-acolhimento-para-mulheres-vitimas-de-violencia-no-recife/" class="titulo">Mulheres ocupam casa para criar centro de acolhimento para mulheres vítimas de violência no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Acesse <a href="https://drive.google.com/file/d/12pG7mdSO_zGqRvgy9r9MvLZxzON545FZ/view">aqui</a> o manifesto do 8M Recife, com análise de conjuntura assinadas por diversos grupos de mulheres: Rede Autônoma de Travestis e Transexuais de Pernambuco (Ratts), Marcha Mundial das Mulheres, Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, Movimentos Brasileiro de Mulheres Cegas e com Baixa Visão (MBMC), Amotrans, MST, MTST, Secretaria de Mulheres PT, Frente Pernambuco pela Legalização e Descriminalização do Aborto, Renfa, Fórum de Mulheres de Pernambuco, Coletivo de Mulheres da CUT, Coletivo Classista Ana Montenegro (CFCAM-PE), Juventude Operária Cristã (JOC), Liberta Elas, Resistência Feminista, Ameciclo, Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), Cebes e Mulheres da Consulta Popular.</p>



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		<title>Mulheres jornalistas sob ataque</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2020 11:00:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[Abraji]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[dia da mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Amanda Rossi, Cristina Zahar, Katia Brembatti, Maiá Menezes, Natalia Mazzote e Thays Lavor (Diretoras da Abraji &#8211; Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) No rol de estratégias utilizadas para minar instituições democráticas, atacar a imprensa livre é uma velha conhecida. Uma face perversa dessa prática vem se manifestando de forma mais recorrente no Brasil, com [&#8230;]</p>
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<p class="has-small-font-size"><strong>Por  Amanda Rossi,  Cristina Zahar,  Katia Brembatti,  Maiá Menezes,  Natalia Mazzote  e  Thays Lavor  (Diretoras da </strong><a href="https://www.abraji.org.br/"><strong>Abraji</strong></a><strong> &#8211; Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo)</strong></p>



<p>No rol de estratégias utilizadas para minar instituições democráticas, atacar a imprensa livre é uma velha conhecida. Uma face perversa dessa prática vem se manifestando de forma mais recorrente no Brasil, com apoio e participação direta do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos: ofensas de cunho machista e misógino, com o claro intuito de ferir a credibilidade e intimidar jornalistas mulheres.</p>



<p>Os alvos prioritários são profissionais que se destacaram por investigar e revelar aspectos nebulosos sobre a vida política da família Bolsonaro. É o caso de Constança Rezende, Miriam Leitão, Juliana Dal Piva, Marina Dias, Patrícia Campos Mello e Vera Magalhães. São comuns xingamentos de &#8220;vadia&#8221;, &#8220;prostituta&#8221; e insinuações de que mulheres jornalistas venderiam seu corpo por notícia.</p>



<p>Os ataques mais abjetos foram dirigidos contra Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, em fevereiro. Uma enxurrada de imagens e termos de baixo calão se espalhou pelas redes sociais depois que o deputado federal Eduardo Bolsonaro propagou a versão de uma testemunha da CPMI das Fake News, de que a jornalista teria oferecido sexo em troca de informações. As grosserias foram repetidas pelo presidente, mesmo depois de a jornalista apresentar provas de que a testemunha mentira. Na verdade, as mensagens trocadas com a fonte revelam o contrário: a repórter é quem foi assediada. </p>



<p>Análise das postagens no Twitter durante esse episódio evidencia o foco dos ataques em jornalistas mulheres: os perfis que mais receberam respostas foram os de Patrícia Campos Mello, Vera Magalhães, Miriam Leitão, Andréia Sadi e Mônica Waldvogel. </p>



<p>Casos assim se acumulam desde o início do governo Bolsonaro. Em março de 2019, o presidente e seus apoiadores difundiram nas redes sociais declarações distorcidas da repórter Constança Rezende, que na época trabalhava em O Estado de S.Paulo. Informações falsas também foram utilizadas para desabonar Miriam Leitão. Jair Bolsonaro mentiu ao afirmar que a jornalista e colunista de O Globo integrara a luta armada contra a ditadura militar e que nunca havia sofrido tortura. </p>



<p>Pesquisa lançada em 2018 pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em parceria com a Gênero e Número, revelou que 84% das jornalistas já sofreram alguma situação de violência psicológica no trabalho, incluindo insultos presenciais ou pela internet, humilhação em público, abuso de poder ou autoridade, intimidação verbal, escrita ou física e ameaças pela internet. Além disso, 70% delas já se sentiram desconfortáveis após abordagens de homens no trabalho. </p>



<p>Esse ambiente hostil se exacerba quando o ocupante da Presidência da República se soma aos que atacam as jornalistas. Não são apenas elas que perdem. Ecoar o machismo e a misoginia aumenta o risco para todas as mulheres brasileiras. Desgastar a liberdade de imprensa desfia o nosso já puído tecido democrático. Aqueles que têm apreço pela democracia precisam defender as vozes das mulheres jornalistas e se opor às tentativas de intimidá-las. Caladas, jamais serão.</p>
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		<title>Cinco repórteres da Marco Zero narram suas experiências nas manifestações do 8M</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Mar 2019 01:45:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[8M2019]]></category>
		<category><![CDATA[diadamulher]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Dia Internacional de Luta das Mulheres, cinco repórteres da Marco Zero Conteúdo acompanharam as manifestações do ato “Marielles: livres do machismo, do racismo e pela previdência pública”, que durante mais de seis horas mobilizou cerca de 20 mil mulheres, na caminhada que seguiu da Praça do Derby até a Praça da Independência, no Centro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[No Dia Internacional de Luta das Mulheres, cinco repórteres da Marco Zero Conteúdo acompanharam as manifestações do ato “Marielles: livres do machismo, do racismo e pela previdência pública”, que durante mais de seis horas mobilizou cerca de 20 mil mulheres, na caminhada que seguiu da Praça do Derby até a Praça da Independência, no Centro do Recife. Confira os relatos de Débora Britto, Helena Dias, Maria Carolina Santos, Mariama Correia e Raíssa Ebrahim sobre  o #8M2019.
<h2>Feminismo</h2>
Com sacolas de compras em uma mão e a mão da filha em outra, a contadora Marise Trajano esperava a passeata passar pela Avenida Conde da Boa Vista debaixo da marquise de número 1463. Marise sabia que era o Dia Internacional da Mulher, mas se surpreendeu com o “tumulto”. “É um dia realmente significativo. Na nossa sociedade as mulheres não são respeitadas, seja no ambiente de trabalho ou dentro dos lares. A mulher precisa ser muito impositiva e ter muita integridade para se colocar”, respondeu, quando perguntei da importância do 8 de março.

Para a filha, Aline, Marise deseja um mundo melhor e mais justo para as mulheres. “Eu educo a minha filha para ela saber se posicionar diante da sociedade”, diz. Quando pergunto se ela se considera feminista, Marise cai no equívoco que tanto afasta as mulheres da militância – que luta por igualdade e não superioridade. “Não sou feminista. Me considero mulher e mãe”, diz. Para ela, a palavra “feminismo” separa. “A mulher tem que estar mais integrada, sozinha ela não consegue. Precisamos de todos”.

Se tivesse participado efetivamente do ato, Marise poderia ter visto que há vários feminismos. Poderia ter conhecido e reconhecido parte de suas lutas em mulheres como Eliane Nascimento, da Articulação das Mulheres da Zona da Mata. Eliane foi ao ato na companhia de outras 40 mulheres para pedir uma Delegacia da Mulher na região da Mata Sul. Não há nenhuma. Ou talvez tivesse tido a chance de conversar com a educadora Rejane Pereira, do Movimento de Mulheres Negras de Pernambuco, que defende uma agenda contra a violência que as mulheres sofrem diariamente.

No final da rápida conversa, Marise segue seu rumo, em sentido contrário ao da passeata. “Boa sorte com as suas causas”, me deseja. Nossas causas, Marise. (<strong>Maria Carolina Santos</strong>)
<h2>Por que somos Marielles?</h2>
<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/8-de-março-no-Recife_-4.jpeg"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-13910 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/8-de-março-no-Recife_-4-1024x768.jpeg" alt="Recife, 8 de março de 2019. No Recife, o mote que levará as mulheres às ruas no dia de hoje é “Marielles: livres do machismo, do racismo e pela previdência pública”, homenageando a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada" width="702" height="526" /></a>

<strong>Sãzara Belle (esquerda) &#8211; descendente de Xucuru e estudante de agroecologia</strong>

&#8220;Porque somos contra o machismo, o racismo, toda a perseguição a mulheres pretas e indígenas e não vamos mais aceitar esse domínio que tem classe, nome e cor, que é branco e é homem. Para nós, povos indígenas, é bem simbólica a entrada desse governo, totalmente contra as nossas vidas. Sabemos que o que está acontecendo não é nada de novo. São cinco séculos de perseguição e, agora, esse governo quer voltar aos tempos da ditadura, do horror que praticaram contra os povos indígenas, tudo isso impune. Mas não vão conseguir&#8221;.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/8-de-março-no-Recife_-16.jpeg"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-13922 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/8-de-março-no-Recife_-16-1024x768.jpeg" alt="Recife, 8 de março de 2019. No Recife, o mote que levará as mulheres às ruas no dia de hoje é “Marielles: livres do machismo, do racismo e pela previdência pública”, homenageando a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada" width="702" height="526" /></a>

<strong>Gabriela Lobo &#8211; publicitária</strong>

&#8220;Porque somos todas lutadoras, batalhadoras, tivemos que brigar pelos nossos espaços e mantê-lo todos os dias. Porque vivemos sob ameaças, ameaças que colocaram fim à vida de Marielle, e ela se tornou um representação do que essa força maligna que é o patriarcado quer fazer com a gente, nos eliminar. E conseguimos transformar isso numa força que faz a gente florescer. Marielle virou semente, a gente se tornou Marielle e vamos seguir brotando porque mais Marielles virão.&#8221;

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/8-de-março-no-Recife_-15.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-13921 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/8-de-março-no-Recife_-15-1024x768.jpeg" alt="Recife, 8 de março de 2019. No Recife, o mote que levará as mulheres às ruas no dia de hoje é “Marielles: livres do machismo, do racismo e pela previdência pública”, homenageando a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada" width="702" height="526" /></a>

<strong>Severina Inácia da Silva &#8211; moradora do Engenho Goiabeira, do MST, em Jaboatão dos Guararapes</strong>

&#8220;Estamos aqui provando que somos Marielles porque ela defendia a nossa causa em tudo que ela queria e eu acho injusta a morte dela. Nós como mulheres deveríamos agradecer muito a Deus por ter uma mulher guerreira como ela, que morreu covardemente&#8221;.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/8-de-março-no-Recife_-14.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-13920 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/8-de-março-no-Recife_-14-1024x768.jpeg" alt="Recife, 8 de março de 2019. No Recife, o mote que levará as mulheres às ruas no dia de hoje é “Marielles: livres do machismo, do racismo e pela previdência pública”, homenageando a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada" width="702" height="526" /></a>

<strong>Maria Eduarda Vasconcelos &#8211; estudante</strong>

&#8220;Porque Marielle lutou a favor da gente, então devemos também representá-la na luta que ela sempre defendeu. Por isso há o nome dela na frente do 8M hoje&#8221;. Ela resolveu participar do seu primeiro 8M por um motivo pessoal que preferi não expor aqui, mas que fez Eduarda não conseguir mais conversar comigo, apenas chorar. Minha reação foi então emprestar o celular para que ela conseguisse se comunicar com uma amiga perdida e seguir na luta junto com ela.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/WhatsApp-Image-2019-03-08-at-21.52.20.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-13935 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/WhatsApp-Image-2019-03-08-at-21.52.20-1024x768.jpeg" alt="WhatsApp Image 2019-03-08 at 21.52.20" width="702" height="526" /></a>

<strong>Cris Nascimento &#8211; ativista e integrante da Rede de Mulheres Negras</strong>

&#8220;Somos Marielles porque ela lutou e plantou sementes que nascem a cada dia em nossos corações e nossas lutas. Porque Marielle me representava na cor, na luta LGBT, na periferia, na luta antirracista. Ela já me representava viva e está presente em nós. Esse 8 de Março é para mostrar que somos fortes e vamos continuar juntas, que precisamos umas das outras e precisamos nos aquilombar cada vez mais, nos fortalecendo nas nossas ancestralidades&#8221;.

<strong>Juliana Vitorino &#8211; pedagoga e coordenadora da comissão provisória de mulheres do Psol</strong>

&#8220;Somos Marielles porque nós mulheres, sobretudo as negras, sentimos o amargo bater na nossa boca naquele 14 de março de 2018. E para dizer para nós mesmas o quanto temos que ocupar certos espaços. Ela colocou para a gente que é possível, só que naquele momento a gente pensou que estava tudo acabado. Mas hoje não está. Muita gente fala, romantiza a questão da semente. Mas não queremos ser só semente, queremos ser fruto, folha, tronco, árvore, raiz. A gente quer ser floresta. Dentro de mim bate uma Marielle, dentro de você também. E essas Marielles precisam ocupar os espaços, sejam eles de síndica de prédio a presidente de República&#8221;.<em> </em><em>(<strong>Raíssa Ebrahim</strong>)</em>
<h2><strong>Para lembrar</strong></h2>
Há um campo energético de proteção e força que envolve o 8 de Março, não consigo encontrar descrição melhor para a manifestação que acompanho nos últimos três anos. Me sinto invencível quando percorro a Avenida Conde da Boa Vista ao lado de todas aquelas mulheres, falo enquanto jornalista, mulher e militante. É como se os motivos que nos levam às ruas, a gritar por igualdade, não pudessem nos tocar naquele momento, porque estamos juntas e somos literalmente grandes.

Ali, não sou uma “estranha” ou “revoltada”. O espaço é nosso e é seguro para nós, nele projetamos o Brasil e o mundo onde queremos viver. É como um ritual que anuncia, ao som das batucadas do Fórum de Mulheres de Pernambuco e da Marcha Mundial das Mulheres, que a luta e a resistência não podem parar e que não estamos sozinhas.

Ainda na concentração do ato, um cartaz me chamou atenção:
<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/P_20190308_154934_vHDR_Auto.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-13956 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/P_20190308_154934_vHDR_Auto-1024x575.jpg" alt="P_20190308_154934_vHDR_Auto" width="702" height="394" /></a>
A frase fala da censura sob os nossos corpos, mas eu levo a interpretação para mais além. Acredito que, quando não estamos atentas e conscientes, o patriarcado nos faz acreditar que não temos forças para contê-lo e tenta calar ou esconder quem diz o contrário. Tentaram nos fazer acreditar que não podemos ser presidentas da República, quando o golpe de 2016 depôs Dilma Rousseff, uma chefe de estado democraticamente eleita. Tentaram nos fazer acreditar que uma mulher negra, favelada e lésbica não pode ocupar espaços de poder, quando assassinaram Marielle Franco.

É tudo mentira! E nós não só sabemos, mas também sentimos que podemos ocupar estes espaços e resistir contra a reforma da Previdência do governo Bolsonaro. O 8 de março vem para nos lembrar que a nossa unidade pode mover as antigas engrenagens do mundo e, sobre isso, Marielle já falava muito bem: “Eu sou porque nós somos”. (<strong>Helena Dias</strong>)
<h2>Reforma da Previdência</h2>
<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/8-de-março-no-Recife_-5.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-13911" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/8-de-março-no-Recife_-5-1024x768.jpeg" alt="Recife, 8 de março de 2019. No Recife, o mote que levará as mulheres às ruas no dia de hoje é “Marielles: livres do machismo, do racismo e pela previdência pública”, homenageando a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada" width="702" height="526" /></a>

Entre tantas causas pelas quais as mulheres foram às ruas no Brasil, neste 8 de março, a defesa da Previdência pública foi uma bandeira que conseguiu unir vários movimentos feministas. Isso porque a reforma da Previdência proposta pelo governo de Jair Bolsonaro é uma ameaça real aos direitos conquistados pelas trabalhadoras brasileiras. O texto dificulta a aposentadoria das mulheres ao subir a idade mínima dos 55  para os 62 anos, com tempo de contribuição igualado ao dos homens em 20 anos.

A aprovação do texto seria andar para trás mesmo sabendo que, apesar dos avanços nas últimas décadas, ainda temos um longo caminho a percorrer rumo à igualdade de oportunidades no mundo do trabalho. Abismos imensos ainda nos separam dos nossos objetivos. Neste 8  de março, por exemplo, o IBGE divulgou uma pesquisa que mostra a diferença de rendimento entre homens e mulheres no mercado de trabalho brasileiro. Nós recebemos 79,5% do rendimento deles, de acordo com o levantamento realizado em 2018.

E, como se não bastassem os salários menores, ainda pesam barreiras para a evolução na carreira e a sobrecarga da dupla jornada, entre outras coisas. As mulheres gastam duas vezes mais horas que os homens em afazeres domésticos no Brasil, segundo o Ipea.

Os problemas que já eram grandes, se agigantaram depois da reforma trabalhista. Agora, o ataque vai ser nas aposentadorias. Por isso, a luta contra as mudanças previdenciárias encabeçou as manifestações feministas por todo país. As mulheres que participam de movimentos das trabalhadoras e de sindicatos, com as quais conversei, são unânimes em apontar que as mudanças apresentadas até agora representam o fim da Previdência pública para as trabalhadoras.

A situação é ainda pior para as professoras. No caso delas, o tempo de contribuição aumentaria dos 25 atuais para 30 anos, mesmo tempo dos homens. Já a idade mínima subiria de 50 para 60 anos. “Não estão levando em conta que professoras geralmente acumulam mais de um vínculo empregatício para ter um rendimento digno, isso sem contar as responsabilidades com os filhos e com a família”, lembrou Valéria Silva, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe).

&#8220;O peso das aposentadorias vai para as costas das trabalhadoras e nosso dinheiro para as mãos de banqueiros”, disse Cláudia Ribeiro da Central Sindical e Popular Conlutas. Ela se referia ao modelo que o governo pretende adotar, onde as contribuições de cada trabalhador seriam administradas em uma espécie de fundo de rendimentos, que pode ser gerenciado por instituições privadas.

Cláudia ressaltou que as manifestações desta sexta-feira (8) marcaram o começo das mobilizações das trabalhadoras e dos trabalhadores contra a reforma da Previdência. No próximo dia 23 devem acontecer manifestações e greves por todo o país. (<strong>Mariama Correia</strong>)
<h2>A luta não tem fim</h2>
<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/WhatsApp-Image-2019-03-08-at-21.55.26.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-13949" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/WhatsApp-Image-2019-03-08-at-21.55.26-940x1024.jpeg" alt="Movimento negro no 8 de março" width="702" height="764" /></a>As palavras de ordem e músicas de guerra são conhecidas de outras marchas e outros atos. Mas nenhum 8 de Março é igual a outro. O primeiro após o assassinato brutal de Marielle Franco comprovou algo que há muito se anuncia: as mulheres negras movem as estruturas da sociedade.

Foram elas, todas vestidas de branco, pois sexta-feira é dia de santo, que convocaram as mulheres a aquilombar e combater o racismo. As mulheres negras da Rede de Mulheres Negras e outros movimentos gritavam por suas ancestrais, por Marielle e pela vida das juventudes negras em comunhão com outras mulheres que, assim como eu, se emocionavam com o afeto e a força presentes, ali, em plena marcha.

Receber o abraço e o desejo de axé de Vera Baroni é uma bênção para quem entendeu que as lutas que travamos para viver e ser livres não acabam ao fim de uma batalha.

Marchar pelas ruas do Recife no 8 de março, em 2019, ainda é lutar contra as estruturas dos engenhos, da política velha e podre, dos quartos de empregada nas casas da elite, de direita e de esquerda. As mulheres cansadas nas paradas de ônibus ainda são, em grande maioria, mulheres negras que não têm a oportunidade de marchar por seus direitos. Marchar em 2019 contra o racismo é lembrar que um jovem negro morre a cada 23 minutos, e não existe condição de plena segurança para qualquer pessoa que seja negra. Mas é, apesar de tudo, a chance de olhar para os lados e caminhar junto a outras e outros, aquilombar, e levar adiante o ensinamento de quem veio antes de nós: as pretas e os pretos são a chave para a revolução. (<strong>Débora Britto</strong>)

[Best_Wordpress_Gallery id=&#8221;80&#8243; gal_title=&#8221;8 de março no Recife&#8221;]<p>O post <a href="https://marcozero.org/cinco-reporteres-da-marco-zero-narram-suas-experiencias-nas-manifestacoes-do-8m/">Cinco repórteres da Marco Zero narram suas experiências nas manifestações do 8M</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Mulheres vão às ruas do Recife em homenagem a Marielle e contra a reforma da previdência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Mar 2019 11:56:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Após um carnaval de resistência repleto de manifestações contra o governo de Jair Bolsonaro (PSL), o país voltou à rotina nas vésperas do Dia Internacional de Luta das Mulheres, o 8 de março, que deve mobilizar milhares de brasileiras por todo o país nesta sexta-feira. No Recife, o mote que levará as mulheres às ruas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Após um carnaval de resistência repleto de manifestações contra o governo de Jair Bolsonaro (PSL), o país voltou à rotina nas vésperas do Dia Internacional de Luta das Mulheres, o 8 de março, que deve mobilizar milhares de brasileiras por todo o país nesta sexta-feira. No Recife, o mote que levará as mulheres às ruas no dia de hoje é “Marielles: livres do machismo, do racismo e pela previdência pública”, homenageando a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada em 14 de março de 2018, e se posicionando contra a reforma da previdência que está sendo articulada no Congresso Nacional pelo presidente da República e sua equipe. A concentração do ato será às 14h, na Praça do Derby, e a saída está prevista para as 16h.

Onze eixos temáticos englobam a manifestação que vem sendo organizada desde janeiro, através de reuniões abertas ao público e pelas mãos de diversos movimentos feministas. A Marco Zero entrevistou cinco representantes de diferentes movimentos que fizeram parte da elaboração do ato recifense para entender a construção do 8 de março deste ano e os principais pontos que nortearam a primeira grande mobilização de mulheres após a vitória de Bolsonaro nas urnas.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/52394576_2326385587380150_6360646230921445376_n.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-13887 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/52394576_2326385587380150_6360646230921445376_n-300x210.jpg" alt="52394576_2326385587380150_6360646230921445376_n" width="300" height="210"></a>
<blockquote>As mulheres continuam à frente da resistência, assim como aconteceu durante as eleições de 2018 com o levante “Ele não”. Confira os eixos:

1. Contra o Racismo: Vidas Negras Importam!

2. Pelo direito de viver e amar. Lesbofobia e Transfobia é Crime!

3. Pelo direito à proteção social: Não às Reformas Trabalhista e Previdenciária!

4. Por uma democracia justa e participativa para e pelas mulheres.

5. Pela Vida das Mulheres: Não ao Feminicídio!

6. A proibição das drogas mata e encarcera o povo negro. Pelo fim da guerra!

7. Legalização do aborto: pela autonomia e proteção das mulheres.

8. Em defesa dos territórios e da agroecologia: Margaridas do campo, das florestas, das águas e da cidade.

9. Não foi tragédia ambiental! Punição para os crimes da mineração!

10. Em defesa dos direitos e dos territórios das populações indígenas e quilombolas.

11. Pelo direito das mulheres com deficiência a uma vida plena! Abaixo a discriminação!</blockquote>
Segundo a integrante do Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMPE), Sophia Branco, a formação do 8 de março é um momento de “desafio”, mas também de “crescimento” para os movimentos envolvidos. Os eixos estabelecidos são o resultado de um extenso diálogo que acontece de maneira mais densa em relação às outras mobilizações do calendário feminista. “É uma construção que dura mais ou menos dois meses e possibilita que a gente amadureça as ideias, o que é bem diferente de nos encontrarmos em uma plenária pontual.”, explica. Para ela, a grande tarefa nos últimos três anos de ato tem sido abarcar a “pluralidade das reivindicações” das mulheres e, com o governo Bolsonaro, essa preocupação se tornou ainda maior já que as demandas aumentam conforme os retrocessos da atual gestão se concretizam.

São cerca de cinco movimentos lidando diretamente com a organização do ato. De acordo com a militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Elisa Maria, o 8 de Março é também um “exercício muito amplo de unidade”. “A gente consegue demarcar com muita evidência os dois lados, não é?! Do lado de cá somos companheiras que sofremos com o machismo e do lado de lá (do governo Bolsonaro) temos um sistema machista, racista, capitalista e patriarcal. Então, temos mulheres com estratégias diversas, mas que não estão dispersas.”, afirma.
<h2><strong>#Elenão</strong></h2>
<a href="https://marcozero.org/elenao-a-tag-que-uniu-as-mulheres-contra-bolsonaro-nas-redes-e-nas-ruas/">A tag que uniu mulheres contra a candidatura de Jair Bolsonaro nas redes e nas ruas</a>, durante as eleições de 2018, gera expectativa para a mobilização do 8 de Março. Desde os dois atos #Elenão, ocorridos no final dos meses de setembro e outubro do ano passado, mulheres que até então não participavam das construções destes tipos de manifestações políticas, agora se aproximam dos movimentos.

A integrante da Rede de Mulheres Negras, Liliana Barros, conta que há três anos faz parte da organização do ato, mas este ano ficou surpresa com a presença de mais mulheres não necessariamente ligadas a movimentos ou coletivos. “Para nós, este 8 de março traz um desafio ainda maior de estarmos cada vez mais juntas. Me surpreendi na primeira reunião da organização, tinham mais de 150 mulheres participando e as portas da sala nem fechavam. Estou com uma expectativa muito grande em relação a estas mulheres no ato”, conta Liliana.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/bannerAssine.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-13083 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/bannerAssine.jpg" alt="bannerAssine" width="730" height="95"></a>
<h2><strong>Reforma da Previdência</strong></h2>
Principal ponto de convergência entre os setores do movimento feminista, a recusa à reforma da previdência do governo de Jair Bolsonaro, que determina o aumento da idade mínima e do tempo de contribuição para as mulheres se aposentarem, de 60 para 62 anos e de 15 para 20 anos, respectivamente, afeta diretamente a vida das mulheres.

Segundo a integrante da Central Única dos Trabalhadores (CUT-PE), Jorgiane Araújo, as temáticas anuais do 8 de março têm mudado significativamente desde o golpe de 2016, que depôs a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “Nos anos anteriores ao golpe, a nossa luta era por direito ao nosso corpo, à igualdade salarial e direito à creche, por exemplo. Em 2016, nossos direitos sociais começaram a ser mais ameaçados. A previdência e a saúde pública cada vez mais sucateadas. As nossas escolas, a educação e os professores sem terem valorização. Outras bandeiras foram acrescentadas às nossas bandeiras que eram voltadas para o corpo das mulheres e a violência contra a mulher”.
<h2><strong>Desafios</strong></h2>
Para além do 8 de março, os movimentos feministas enxergam desafios a serem superados que ficaram mais evidentes após a eleição de Bolsonaro e o avanço do campo político mais conservador no Brasil. A militante da Marcha Mundial das Mulheres, Elisa Maria, acredita que o momento agora é de “territorializar as lutas”.&nbsp; “Somos um movimento nacional, mas o importante é termos núcleos de mulheres resistindo juntas em bairros e escolas, em locais de trabalho. É o que chamamos de trabalho de base e, para isso acontecer, temos que nos enxergar base. Nos enxergar criando laços onde estamos. Nós provocamos muitas companheiras a criar núcleos onde moram”, disse.

<div id="attachment_13892" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/40712699801_0ebfad472a_h.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-13892" class="wp-image-13892 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/40712699801_0ebfad472a_h-1024x768.jpg" alt="Dia Internacional de Luta das Mulheres, 8 de Março de 2018. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="702" height="526"></a><p id="caption-attachment-13892" class="wp-caption-text">Dia Internacional de Luta das Mulheres, 8 de Março de 2018. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Já Sophia Branco, do FMPE, enxerga os desafios em um contexto para além dos movimentos de mulheres. “Eu acho que toda esquerda tem passado por um processo de reavaliação. Alguns setores de forma mais intensa e mais pública e outros de forma mais interna. O movimento feminista tem um acúmulo metodológico que tem a ver com a escuta interna da nossa pluralidade, a não dissociação entre a política e a nossa vida, uma preocupação com o autocuidado da horizontalidade, estes são elementos que fazem com que nossa construção política seja singular, o que não significa que a gente não esteja fazendo uma autocrítica melhor ou pior”, esclareceu.
<h2><strong>Pacote anticrime</strong></h2>
Militante da Rede de Mulheres Negras, Liliana Araújo afirma que ao conversar com as mulheres negras da periferia o sentimento que permeia em relação ao governo Bolsonaro, a reforma da previdência e o pacote anticrime proposto pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, é o “medo”.

“O medo, porque a polícia chega com mais força, com mais evidência e liberdade de ação dentro das nossas comunidades. E, depois dessa licença para matar (pacote anticrime), dada pelo governo, o receio é muito grande. Nossa juventude está sendo exterminada. A cada 23 minutos um jovem nosso é assassinado. O medo é muito grande, o medo e a fome são duas coisas muito evidentes nas comunidades. Mas o povo negro, o nosso nome é resistência. E, para nós, a resistência é luta mesmo.”

O Pacote Anticrime proposto por Moro, apresentado ao Congresso Nacional em fevereiro, causou polêmica sobre diversos pontos, mas principalmente no que se refere à legítima defesa. O ministro propôs alterações no Código Penal e no Código de Processo Penal, que visam a possibilidade de o juiz reduzir a pena pela metade ou não aplicá-la quando o excesso na legítima defesa “decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção”. Ainda propõe que seja considerada legítima defesa a ação do agente policial ou de segurança pública que esteja em situação de conflito armado ou em risco iminente de conflito armado e em situações com vítimas reféns.

<div id="attachment_13889" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/39818250415_68afd203fb_h.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-13889" class="wp-image-13889 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/39818250415_68afd203fb_h-1024x682.jpg" alt="Dia Internacional de Luta das Mulheres, 8 de Março de 2018. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="702" height="467"></a><p id="caption-attachment-13889" class="wp-caption-text">Dia Internacional de Luta das Mulheres, 8 de Março de 2018. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>

Sobre este mesmo pacote, a integrante da Rede de Feministas Antiproibicionistas (Renfa), Priscila Gadelha, afirma que ele é a continuidade de medidas que já vêm sendo tomadas mesmo que não oficialmente. “É a continuidade de um projeto genocida do povo negro com amplitude. A gente vê o governo do Rio de Janeiro que assume a mesma linha e os índices de mortes de policiais e da população quase duplicados nos primeiros dias de 2019. Isso é a legitimidade de uma necropolítica, de que algumas pessoas podem morrer e outras não. E o debate da gente sempre foi esse, de que não dá para a gente ficar qualificando as vidas das pessoas e quantificando isso, dizendo quem pode e quem não pode morrer”.<p>O post <a href="https://marcozero.org/mulheres-vao-as-ruas-do-recife-em-homenagem-a-marielle-e-contra-a-reforma-da-previdencia/">Mulheres vão às ruas do Recife em homenagem a Marielle e contra a reforma da previdência</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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