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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Pobreza como causa e complicador: prematuridade e bebês de baixo peso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Sep 2022 18:40:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Verônica Almeida* Os riscos à infância começam antes do nascimento da criança, quando a situação social compromete a saúde e a alimentação da gestante. A neonatologista Manuela de Abreu e Lima, do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam- Maternidade da Encruzilhada), um dos hospitais da Universidade de Pernambuco (UPE), lembra que o [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Verônica Almeida</strong>*</p>



<p>Os riscos à infância começam antes do nascimento da criança, quando a situação social compromete a saúde e a alimentação da gestante. A neonatologista Manuela de Abreu e Lima, do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam- Maternidade da Encruzilhada), um dos hospitais da Universidade de Pernambuco (UPE), lembra que o baixo peso de recém-nascidos não deve-se apenas à idade avançada da mãe e a doenças que carregue. Também pode ter relação com a vulnerabilidade social da mulher: gravidez na adolescência, doença hipertensiva não controlada, alcoolismo, tabagismo e outros males associados à pobreza.</p>



<p>“Estudos mostram mulheres que passaram fome na infância tendo tendência à obesidade, com chance de desenvolver hipertensão e diabetes. Filhos dessas mães têm mais riscos de nascer com baixo peso e prematuros”, explica a médica. São considerados de baixo peso aqueles com menos de 2,5 quilos e, prematuros, os que nascem antes da 36ª semana de gestação.</p>



<p>No Recife, de acordo com registros da Secretaria Municipal de Saúde, 8,7% dos nascidos vivos em 2021 apresentaram baixo peso ao nascer, sendo que 1,4% tinham muito baixo peso (menos de 1,5 kg). Cerca de 11,4% eram prematuros (menos de 36 semanas de gestação) e a hipóxia nos primeiros cinco minutos de vida foi comum a 0,9%. As regiões com pior situação de indicadores foram o distrito um (área central da cidade), que teve 10,1% dos nascidos vivos com baixo peso, o distrito oito (morros da Zona Sul), com 1,6% dos nascidos vivos com muito baixo peso, o distrito cinco (Zona Oeste), que apresentou 12,1% de prematuros, e o distrito sete (morros da Zona Norte), com 1,2% dos nascidos apresentando hipóxia no quinto minuto de vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Desafios após alta da UTI Neonatal</strong></h2>



<p>A vulnerabilidade reforça os riscos depois do nascimento, mesmo quando são superados os estados graves. “É uma pena a questão social desses bebês, às vezes a gente luta muito para que sobrevivam, eles passam dois, três ou quatro meses na UTI recebendo ventilação mecânica, alimentação parenteral, antibiótico, vários medicamentos, e quando saem de alta vão para um local sem saneamento, sem cuidados”, relata Manuela de Abreu e Lima.</p>



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	                                        <p class="m-0">Fachada do CISAM &#8211; Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>De acordo com a médica, os prematuros e de baixo peso muitas vezes guardam sequelas, com chance maior de retardo do desenvolvimento psicomotor, de desenvolver doença pulmonar crônica, ter infecções respiratórias, problemas oculares. “Precisam de cuidado na alimentação, porque o intestino é frágil, teve que amadurecer fora do útero da mãe. São necessários cuidados na higiene, condições mínimas em casa. Têm desenvolvimento mais lento, precisam ser acompanhados por equipe multidisciplinar, com neuropediatra, fisioterapeuta e fonoaudiólogo”, completa.</p>



<p>A coordenadora da UTI Neonatal do Cisam, Manuela Nóbrega, considera a insegurança alimentar um triste cenário, sendo “indubitável o impacto no desenvolvimento infantil pelo fato de famílias não estarem em lar seguro e com acesso à alimentação saudável”. As fragilidades, afirma, afetam não só a saúde do corpo, mas também a emocional e a segurança física da criança.</p>



<p>Segundo Manuela Nóbrega, no primeiro semestre de 2022 nasceram 1.802 bebês no Cisam, dos quais 349 (19,3%) com peso abaixo de 2,5 Kg, sendo 25 deles (1,3% dos nascidos) com menos de um quilo. Apesar do esforço para que os prematuros superem a fase crítica, ganhem peso e possam se desenvolver, a realidade fora da maternidade muitas vezes não ajuda. “Tivemos o caso de uma criança que nasceu no oitavo mês de gestação, com 2 kg e boa viabilidade. Ficou um tempo internada em outro hospital e foi para casa. Mas infelizmente acabou morrendo tempo depois”, conta. A mãe tinha outras crianças, a agente de saúde não conseguia encontrar ela em casa, não havia uma rede de apoio a essa mulher e, quando a assistência chegou e deu conta do adoecimento do bebê, já era tarde.</p>



<p><strong>LEIA MAIS:</strong></p>



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<p>* <strong><em>Este conteúdo integra a série Eleições 2022: Escolha pelas Mulheres e pelas Crianças. Uma ação do Nós, Mulheres da Periferia, Alma Preta Jornalismo, Amazônia Real e Marco Zero Conteúdo, apoiada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal</em></strong></p>



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