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	<title>Arquivos crise econômica e pandemia - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos crise econômica e pandemia - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Um país que sumiu do mapa</title>
		<link>https://marcozero.org/um-pais-que-sumiu-do-mapa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Aug 2021 19:35:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica e pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[democracia em colapso]]></category>
		<category><![CDATA[democracia no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 2016]]></category>
		<category><![CDATA[governo Bolsonaro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto originalmente publicado na newsletter da Marco Zero. Clique aqui para assinar nossa newsletter O relato que ocupará os próximos parágrafos costuma gera reações que vão da tristeza à nostalgia entre as pessoas amigas que já o escutaram. É provável que, registrado por escrito, circulando pela internet entre um público mais diverso e, talvez, mais [&#8230;]</p>
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<p><strong>Texto originalmente publicado na newsletter da Marco Zero. <a href="https://marcozero.us18.list-manage.com/subscribe/post?u=6903930ec168971e947bb728b&amp;id=c1b8b74962">Clique aqui</a> para assinar nossa newsletter</strong></p>



<p>O relato que ocupará os próximos parágrafos costuma gera reações que vão da tristeza à nostalgia entre as pessoas amigas que já o escutaram. É provável que, registrado por escrito, circulando pela internet entre um público mais diverso e, talvez, mais jovem, soe como fantástico, tratando de um tempo e de um país que já não existem.</p>



<p>No entanto, a história que dá a dimensão das expectativas não realizadas e do quanto se tornou difícil viver no Brasil desde 2008, ano em que os fatos narrados aconteceram.</p>



<p>Até aquele ano, várias agências internacionais e fundos europeus que financiavam projetos e entidades da sociedade civil nordestinas que trabalhavam pela redução das desigualdades e na promoção de justiça social tinham escritórios no Recife, cidade que, para algumas delas, sediava toda a operação em território nacional. Então, todas decidiram que era hora de ir embora.</p>



<p>Instituições cuidadosas e responsáveis, convidaram para uma série de reuniões o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), em cujo escritório pernambucano este escriba trabalhava. Como, afinal, muitos dos projetos que apoiavam também eram financiados pela agência da ONU para as crianças e adolescentes, a ideia era fazer uma transição para que a decisão de saída do Brasil não criasse problemas para outros parceiros.</p>



<p>Participei de vários desses encontros com a presença dos técnicos e representantes de uma sopa de letrinhas: tinha gente da belga Volens, da norte-americana CRS (a Cáritas dos Estados Unidos), das alemães DED e GTZ, da britânica Oxfam-GB. Mas, por que essas instituições decidiram interromper o apoio financeiro aos projetos brasileiros? As explicações adicionam à história o tom surreal aos olhos de 2021.</p>



<p>As justificativas para a decisão repetiam frases como essas: “O Brasil está resolvido”; “o país caminha para a consolidação de um Estado do bem-estar social nos moldes europeus”; “O Brasil vive um momento de prosperidade e desenvolvimento irreversíveis”; “Os projetos tendem a se tornar política pública e serão financiados pelo próprio Estado brasileiro”; ou ainda “a classe média brasileira já tem condições financeiras de sustentar as ONGs com doações”.</p>



<p>Vivíamos a metade do segundo mandato do presidente Lula e tudo aquilo parecia sólido, principalmente para o olhar dos estrangeiros, que decidiram concentrar seus esforços e investimentos na África. Uma ou outra daquelas entidades manteve apoio a algumas iniciativas ambientais na Amazônia.</p>



<p>Ainda mantenho contatos esporádicos com algumas pessoas que participavam daquelas reuniões. Pelas redes sociais ou whatsapp, elas e eles me dizem que não conseguem entender como nem porquê as elites brasileiras foram capazes de sabotar o próprio país.</p>



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		<title>Pobreza para quê?</title>
		<link>https://marcozero.org/pobreza-para-que/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Jun 2021 16:56:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica e pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[fome]]></category>
		<category><![CDATA[miséria]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza]]></category>
		<category><![CDATA[Política Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jacques Schwarzstein* Cinco pessoas têm que fazer a travessia de um deserto. Uma tem 3 litros de água, que são insuficientes. A segunda tem 7 litros, que dão para o gasto. As demais têm 12 litros, 19 litros e 58 litros, respectivamente. As cinco estão atadas por correntes invisíveis. Se uma delas desfalecer terá [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jacques Schwarzstein*</strong></p>



<p>Cinco pessoas têm que fazer a travessia de um deserto. Uma tem 3 litros de água, que são insuficientes. A segunda tem 7 litros, que dão para o gasto. As demais têm 12 litros, 19 litros e 58 litros, respectivamente. As cinco estão atadas por correntes invisíveis. Se uma delas desfalecer terá que ser arrastada pelas outras. A água que têm juntas é mais que suficiente para todas mas, nem por isso, chegam a um acordo sobre o compartilhamento da água e sobre a distribuição do peso entre elas.</p>



<p>Trata-se, evidentemente, de uma alegoria do perfil da distribuição de renda no Brasil. Os números são os mesmos. Cada uma das pessoas que deve atravessar o deserto representa 1/5 da população brasileira, ou seja, a 42 milhões de cidadãos. Temos recursos suficientes para fazer do Brasil um país bom para todos, mas esbarramos na descontinuidade das políticas públicas, no desequilíbrio fiscal e na falta de uma vontade política clara. No nosso caso, como na alegoria do deserto, o que falta não é água, mas sim um entendimento básico sobre a melhor maneira de fazer com que ninguém sofra de sede.</p>



<p>Há países onde a pobreza é tanta que nada se pode fazer além de rezar por um crescimento econômico, que nem sempre resolve o problema. Mas não é esse o nosso caso. Nossa pobreza custa caro ao pais, mas é perfeitamente superável com o que temos. A boa notícia é que parece que estamos percebendo que, também nós, estamos atados por correntes invisíveis. A outra boa notícia é que sabemos o que e como fazer. O que falta é pactuar prioridades e correr para o abraço.</p>



<p>O Brasil é reconhecido no mundo todo pelo sucesso obtido por suas políticas públicas, programas e projetos de enfrentamento da miséria. A partir da promulgação da Constituição, em 1988, todos os governos que se alternaram no poder, apoiados por amplos setores da sociedade civil, contribuíram para que, em 2014, nossa pobreza extrema chegasse a 2,5%, ou seja, ao mais baixo patamar histórico da série iniciada em 1990.</p>



<p>Balizamos o caminho, mas o sonho começou a acabar no final de 2014, quando a crise econômica se anunciou sem que conseguíssemos elaborar um plano contingencial e extraordinário de proteção social. O PIB caiu, o déficit fiscal voltou a crescer, a crise política galvanizou as atenções, os investimentos sociais acabaram sendo limitados por lei e a pobreza disparou em V. Em um de seus artigos, Marcelo Neri, economista, ex-presidente do IPEA e ex-ministro, revelou que, de acordo com suas projeções, entre 2014 e 2017, “o aumento de pobreza foi de 29,3%, incorporando, até meados de 2016, 5,5 milhões de novos pobres às estatísticas, só por conta da desaceleração econômica”. Ou seja, retrocedemos em três anos quase 2/3 do caminho vencido em 11 anos. Ficou claro que transitamos o tempo todo numa zona de equilíbrio precário e de alto risco.</p>



<p>Tudo que já ia mal, piorou em 2020 com a chegada da pandemia e foi assim que, diante de uma conjuntura assustadora, achamos ser impositivo pautar com força a necessidade de uma ampla e contundente mobilização de governos e sociedade, direcionada para a superação – desta vez sustentável – da miséria que tanto mal faz ao país como um todo.</p>



<p>O Pacto Brasil sem Pobreza é proposto por um coletivo de profissionais da comunicação. Não somos vinculados a nenhum partido, acreditamos na ciência e na importância da diversidade. Não podemos aceitar que, na hora da crise, quem pague a conta sejam os mais pobres, enquanto os mais ricos ficam ainda mais ricos. Temos que encontrar maneiras de manter o equilíbrio fiscal e de acabar com a miséria, sem prejuízo de uma coisa ou de outra. Pode ser difícil, mas não é impossível para um país rico como nosso. Se pretende sair do atoleiro, uma nação que não é miserável, não pode condenar à miséria um quinto de sua população.</p>



<p>Sabemos que não há fórmula mágica para resolver a questão e o que estamos vendo também é que a superação da pobreza não passa apenas pela questão da renda familiar. O que o Pacto Brasil sem Pobreza quer, é estimular um processo de mobilização nacional, participativo, produtivo e criativo, que obrigue os candidatos de 2022 a se comprometer com um projeto integrado de país melhor. Um projeto de um país unido que decidiu, de uma vez por todas, pôr fim à miséria que tanto nos prejudica e ofende.</p>



<p><strong>*Jornalista, ex-coordenador do escritório do Unicef em Recife e cofundador do <a href="https://brasilsempobreza.com.br/">Pacto Brasil Sem Pobreza</a></strong></p>



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		<title>Como, onde e para quem doar alimentos no Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/como-onde-e-para-quem-doar-alimentos-no-grande-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Apr 2021 10:31:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Armazém do Campo Recife]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica e pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[doação]]></category>
		<category><![CDATA[doações de alimentos]]></category>
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		<category><![CDATA[MTST]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Giovanna Carneiro Sem soluções à vista para a pandemia da covid-19 e para o desemprego gerado pelo seu agravamento, as articulações da sociedade civil, de empresas e as iniciativas coletivas de grupos de cidadãos parecem ser uma das poucas respostas para reduzir o sofrimento de 14,3 milhões de pessoas desempregadas, de acordo com o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Giovanna Carneiro</strong></p>



<p>Sem soluções à vista para a pandemia da covid-19 e para o desemprego gerado pelo seu agravamento, as articulações da sociedade civil, de empresas e as iniciativas coletivas de grupos de cidadãos parecem ser uma das poucas respostas para reduzir o sofrimento de 14,3 milhões de pessoas desempregadas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).</p>



<p>As campanhas de arrecadação de alimentos e donativos se multiplicaram pela cidade do Recife e por todo o estado de Pernambuco, onde, apesar de não haver dados recentes, a pandemia dever ter multiplicado as 661 mil pessoas que, sempre segundo o IBGE, eram atingidas pela insegurança alimentar em 2018. Movimentos sociais, organizações não-governamentais (ONGs), empresas e até o poder público estão recorrendo à solidariedade na tentativa de garantir o direito mínimo à alimentação a outras necessidades básicas das populações mais vulneráveis.</p>



<p>Quem quiser ou puder doar, pode optar por uma dessas instituições ou iniciativas:</p>



<h4 class="wp-block-heading">Armazém do Campo do Recife (<a href="https://instagram.com/armazemdocamporecife?igshid=1nrgc2q3hfepj">@armazemdocamporecife</a>)</h4>



<p>Desde março de 2020, o Armazém do Campo do Recife, mantido pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) iniciou a produção de marmitas solidárias na cozinha do estabelecimento para alimentar pessoas que vivem em situação de rua. A iniciativa já distribuiu mais de 500 mil marmitas e precisa de doações de alimentos e donativos para que siga realizando o trabalho. Carne, feijão, arroz e água são os itens mais carentes de doação, mas todos os alimentos não perecíveis são bem-vindos.</p>



<p>Devido à baixa no número de doações, o Armazém lançou a campanha “1 marmita custa R$ 5,28. Quantas você vai doar hoje?”, que incentiva o público a contribuir financeiramente com a ação. Qualquer valor pode ser doado através do pix 09.423.270/0001- 80.</p>



<p>As doações também podem ser feitas presencialmente, de segunda a sexta, das 9h às 17h, no Armazém do Campo Recife, localizado na Avenida Martins de Barros, 387. Para mais informações, entre em contato através do número: (81) 99855-3121.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Central Única das Favelas (<a href="https://instagram.com/cufape?igshid=1jctqha98sjb2">@cufape</a>)</h4>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Divulgação</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A Central Única das Favelas (Cufa) promove ações de mobilização e apoio aos moradores de favelas de todo o Brasil. A organização atua em mais de 5 mil favelas do país e intensificou ainda mais o trabalho de doação de alimentos e donativos com a chegada da pandemia.</p>



<p>Em Pernambuco, a CUFA presta assistência a famílias que moram nas favelas da Região Metropolitana do Recife e que estão em situação de vulnerabilidade social. A maioria das famílias atendidas são compostas por pessoas que perderam o emprego durante a pandemia, pois trabalhavam informalmente, e não estão recebendo o auxílio emergencial do governo.</p>



<p>As doações para o projeto podem ser feitas presencialmente na sede da instituição, localizada na Avenida Norte, 5300. Podem ser doados: alimentos não perecíveis, produtos de higiene e limpeza, roupas, móveis, brinquedos e livros.</p>



<p>Para dar continuidade à iniciativa, a CUFA criou uma vaquinha solidária online. As doações podem ser feitas através do <a href="https://www.vakinha.com.br/vaquinha/projeto-maes-da-favela">site</a> ou do pix: cufape@hotmail.com. Para mais informações, entre em contato através do número: (81) 9 8355-5069.</p>



<h4 class="wp-block-heading">MTST (<a href="https://www.instagram.com/mtstpernambuco/?hl=pt-br">@mtstpernambuco</a>)</h4>



<p>O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que atua em onze estados do Brasil, lançou o projeto “Cozinhas Solidárias”. A iniciativa tem como objetivo ofertar pelo menos uma refeição por dia para as famílias que vivem em situação de vulnerabilidade social nos grandes centros urbanos do país e aos moradores das ocupações do movimento. As arrecadações são destinadas para a construção das cozinhas, para a manutenção dessas estruturas e para a compra de alimentos.</p>



<p>As doações para o projeto podem ser feitas através da <a href="https://apoia.se/cozinhasolidaria">vaquinha virtual</a>, ou do pix: 28.799.171/0001-41.<br>O MTST Pernambuco também aceita doações através do pix: <a href="mailto:mtst.br.pe@gmail.com">mtst.br.pe@gmail.com</a> e realiza campanhas pontuais de doações de donativos, que são divulgadas nas redes sociais do movimento.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Sintraci (<a href="https://instagram.com/sintraci.sindicato?igshid=4hqg22gzq0cc">@sintraci.sindicato</a>)</strong></h4>



<p>O Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal do Recife (Sintraci) está promovendo a doação de cestas básicas para camelôs e ambulantes da cidade. A iniciativa tenta amenizar os impactos causados pelas medidas de isolamento social, decretadas pelo Governo de Pernambuco, que, desacompanhadas de auxílio financeiro, colocam os trabalhadores em uma situação de vulnerabilidade social.</p>



<p>As doações de cestas básicas, alimentos não perecíveis e materiais de higiene pessoal, podem ser feitas presencialmente no Che Comedoria, localizado na Rua Princesa Isabel, 207, no bairro de Santo Amaro, das 12h às 20h. Também é possível doar qualquer valor através do Pix: f83d8c47-386f-4ff8-b717-dae9ce8fe18e, ou da <a href="https://www.vakinha.com.br/vaquinha/apoio-humanitario-para-acoes-de-combate-a-fome">vaquinha virtual.</a> . Para mais informações, entre em contato através do número: (81) 99806-4120.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Banho de Cidadania Recife (<a href="https://instagram.com/banhorecife?igshid=1ejdvsseci1t6">@banhorecife</a>)</strong></h4>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Banho Recife/Divulgação </p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O projeto social Banho de Cidadania Recife, que foi criado há dois anos, iniciou providenciando banho para pessoas que vivem em situação de rua. Porém, com a chegada da pandemia e o aumento do desemprego, a procura por alimentos aumentou e a responsáveis pela iniciativa precisaram adaptar-se ao novo contexto.</p>



<p>Além de percorrer as ruas do Recife uma vez por semana viabilizando banho e itens de higiene pessoal, os voluntários também doam cestas básicas aos moradores das comunidades que estão em situação de vulnerabilidade. As doações para o projeto podem ser feitas através do pix: 89813521453</p>



<h4 class="wp-block-heading">União Mães de Anjos (UMA) (<a href="https://instagram.com/uniaodemaesdeanjos?igshid=7re7eooxyr2x">@uniaodemaesdeanjos</a>)</h4>



<p>A União Mães de Anjo, criada há cinco anos para acolher mães crianças com microcefalia e suas mães, conta com 431 famílias e 14 pontos de apoio presentes em todas as regiões e microrregiões de Pernambuco. A instituição não governamental precisa de apoio financeiro constante, além da doação de materiais de higiene, como fraldas descartáveis juvenil ou P/M geriátrica, sabonete, lenço umedecido, pomada para assadura e também alimentos não perecíveis.</p>



<p>As doações podem ser feitas na sede da UMA, localizada na Rua André Dias Figueiredo, 152, Barro, Recife ouno <a href="https://www.uniaodemaesdeanjos.com.br/?fbclid=IwAR24dHAsP7nmx6ct1Bf4qLj0wYZ2L-dEE613e1a9tDDvxeLEnUe3jEu7Fl0">site da instituição</a>. Para mais informações, entre em contato através do número: (81) 98748-9065.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Prefeitura do Recife</h4>



<p>A prefeitura está recolhendo doações em diversos locais, porém empresas e instituições que desejarem doar em grandes quantidades devem entrar em contato com o Transforma Recife, através do número (81) 3355-3739. Esses são os locais de arrecadação:</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Pontos de Vacinação Drive-Thru no Recife</strong>: Os pontos de vacinação da Prefeitura do Recife estão arrecadando alimentos não perecíveis para doar às famílias em situação de vulnerabilidade. É importante lembrar que a doação de alimentos não é uma condição para ser vacinado.</li></ul>



<p>Os pontos de Drive-Thru funcionam no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), na Tamarineira; Parque de Exposição de Animais, no Cordeiro; Fórum Ministro Artur Marinho &#8211; Justiça Federal de Pernambuco (Avenida Recife), no Jiquiá; Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Dois Irmãos; Juizados Especiais do Recife, na Imbiribeira; Parque da Macaxeira; Ginásio Geraldão, na Imbiribeira; Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária; Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no Bairro do Recife; Big Bompreço (unidades Casa Forte e Boa Viagem).</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Sede da Prefeitura do Recife</strong>: Localizada no Cais do Apolo, no Centro do Recife, a sede da Prefeitura está recebendo doações de alimentos não perecíveis, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 16h.</li><li><strong>Compaz Escritor Ariano Suassuna</strong>: Localizado no bairro do Cordeiro, a instituição está recebendo doações de alimentos não perecíveis, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 16h.</li><li><strong>Unidades do</strong> <strong>Big Bompreço</strong>: As 10 lojas da rede de supermercados localizadas no Recife estão recebendo doações de alimentos não perecíveis. Elas estão localizadas nos seguintes bairros: Casa Forte, Boa Viagem, Caxangá, Avenida Recife, Domingos Ferreira, Arruda, Aflitos, Benfica, Casa Amarela e Espinheiro.</li></ul>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero</strong>…</p><cite>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.<br><br>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.<br><br>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.<br><br>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.<br><br>É hora de assinar a Marco Zero <a target="_blank" href="https://marcozero.org/assine/" rel="noreferrer noopener">https://marcozero.org/assine/</a></cite></blockquote>
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		<title>Prefeituras distribuem merenda industrializada enquanto alimentos se perdem no campo</title>
		<link>https://marcozero.org/prefeituras-distribuem-merenda-industrializada-mas-alimentos-se-perdem-no-campo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2020 22:26:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[agricultoras]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Auxílio Emergencial]]></category>
		<category><![CDATA[campo]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica e pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Feiras Agroecológicas]]></category>
		<category><![CDATA[PAA]]></category>
		<category><![CDATA[PNAE]]></category>
		<category><![CDATA[segurança alimentar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Os agricultores me ligam dizendo que a produção está estragando e perguntam o que fazer”, conta a coordenadora do Centro de Mulheres Urbanas e Rurais de Lagoa do Carro e Carpina (Cemur), Zita Barbosa. O relato reflete a situação vivida por milhares de várias famílias do campo que estão vendo suas plantações e produções desperdiçadas, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Os agricultores me ligam dizendo que a produção está estragando e perguntam o que fazer”, conta a coordenadora do Centro de Mulheres Urbanas e Rurais de Lagoa do Carro e Carpina (Cemur), Zita Barbosa. O relato reflete a situação vivida por milhares de várias famílias do campo que estão vendo suas plantações e produções desperdiçadas, enquanto suas rendas diminuem e a população sente os impactos na qualidade da alimentação.</p>



<p>Sem as feiras agroecológicas e da agricultura familiar, suspensas para evitar aglomerações e sem aquisições por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e entregas para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), agricultoras e agricultores amargam a espera dos programas de ajuda do Governo Federal.</p>



<p>Após cinco meses de pandemia, o auxílio emergencial destinado às famílias agricultoras do país foi aprovado no Senado, na última quarta-feira (5). Ainda no início do agravamento da crise econômica e sanitária, a ampliação do auxílio federal para estes trabalhadores foi vetada por Jair Bolsonaro. Agora, outro projeto de lei (PL 735/2020) passou pelo Congresso Nacional e segue para sanção presidencial com possibilidade de vetos em pontos específicos.</p>



<p>O auxílio deverá chegar com atraso para quem garante a maior parte da produção de alimentos para consumo interno no Brasil. No mês de maio, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) chegou a emitir um parecer técnico em que apontava preocupação com a agricultura familiar e o abastecimento das cidades.</p>



<p>O órgão sugeria a renda emergencial como forma de dar suporte ao setor, já que os principais pontos de comercialização de produtos estariam fechados para reduzir os riscos de contágio pelo novo coronavírus. Contudo, o Governo Federal tem negado a possibilidade de desabastecimento, assim como vetou o auxílio no início da pandemia. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>LEIA TAMBÉM:</strong> <a href="https://marcozero.org/auxilio-para-agricultura-familiar-ignora-cisternas-mas-beneficia-mulheres/">Auxílio para agricultura familiar ignora cisternas, mas beneficia mulheres</a></p></blockquote>



<p>Organizações internacionais também apontam um cenário de dificuldades para agricultura familiar. De acordo com pesquisa do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), divulgada no dia 28 de julho deste ano, a América Latina pode ter dificuldades no fornecimento de alimentos básicos. O instituto realizou o levantamento entre os meses de maio e junho, ouvindo 118 organizações ligadas à agricultura familiar em 29 países da região.</p>



<p>De maneira geral, há uma preocupação em relação à queda na oferta dos alimentos produzidos pelo setor por causa de medo de contaminação. As organizações relatam que os produtos mais afetados são grãos, cereais e vegetais e preveem que as produções de tomate, cebola, repolho e pescados também serão impactadas nos próximos seis meses.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Feiras agroecológicas garantem comercialização (Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo o IICA, as principais dificuldades enfrentadas pela agricultura familiar nesse período são:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>A falta de equipamentos de proteção e protocolos sanitários que permitam aos produtores trabalhar com segurança;</li><li> Limitações de transporte e para a distribuição da produção, devido a restrições de tráfego e mobilidade, o que dificulta a movimentação comercial de produtos; </li><li>Limitações no acesso ao crédito para a produção e reprodução da unidade familiar.</li></ul>



<h2 class="wp-block-heading">Esquecimento e lei ignorada</h2>



<p>O esquecimento do campo se expressa nos três níveis de governo &#8211; federal, estadual e municipal. Segundo Zita Barbosa, a prefeitura do município de Lagoa do Carro só veio iniciar o processo de licitação para contratação por meio do PNAE após quatro meses de pandemia e muita pressão dos trabalhadores locais.</p>



<p>Como medida de contenção de combate à Covid-19, as escolas municipais continuam fechadas. Em abril, foi sancionada a Lei 13.987/20, que garante a distribuição dos alimentos da merenda escolar às famílias dos estudantes da educação básica da rede pública por meio do recursos do PNAE. Mas a distribuição não têm suprido as reais necessidades das crianças e a situação se agrava fora das capitais e regiões metropolitanas.</p>



<p>O problema é que os alimentos vêm em pouca quantidade e também tem baixo valor nutricional, pois a Lei nº 11.947, que determina que, no mínimo, 30% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para o PNAE seja utilizado na compra de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar, não está sendo cumprida, como exemplifica Zita sobre a licitação.</p>



<p>No caso de Lagoa do Carro, até o fechamento da reportagem, a contratação ainda não havia garantido a entrega dos produtos da agricultura familiar destinados à merenda. Há pelo menos cinco meses, o município de Lagoa do Carro não tem cumprido o previsto em lei e produtos industrializados têm tomado conta das merendas distribuídas pela rede municipal.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>LEIA TAMBÉM:</strong> <a href="https://marcozero.org/em-jaqueira-pernambuco-a-violencia-no-campo-nao-fica-de-quarentena/">Em Jaqueira (PE), a violência no campo não respeita quarentena</a></p></blockquote>



<p>São entregues minicestas básicas com sete ou oito itens que garantem, em média, 15 dias de alimentação para as crianças. “Eu tenho conversado com as mães e, se tem dois alunos na casa, só um recebe as minicestas. O sofrimento é tanto do lado dos alunos quanto das agricultoras e dos agricultores, porque não conseguiram vender durante o primeiro semestre.”, explica Zita.</p>



<p>O clima de ano eleitoral faz com que isso não seja percebido pela população. Uma agricultora de Lagoa do Carro, que prefere não ser identificada na matéria, diz que as comunidades receberam essas minicestas apenas duas vezes e que nelas tinham o “básico”. “Não era do melhor, mas era comestível”, acrescenta.</p>



<p>Na casa, quem tem direito à cesta é a sua neta. A agricultora acredita que a qualidade da cesta pode ser justificada por conta do valor repassado pela União a estados e município &#8211; R$ 0,53 por dia letivo para cada aluno da pré-escola. Acontece que antes mesmo da pandemia o PNAE já havia passado por cortes consideráveis.</p>



<p>Em 2017, o Ministério da Agricultura chegou a repassar R$ 1, 24 bilhões para a agricultura familiar por meio do PNAE, mas este ano foram repassados apenas R$ 900 milhões. Do PAA, foi repassada uma verba emergencial durante a pandemia de cerca de R$ 13 mil para Lagoa do Carro e a cooperativa está na expectativa para escoar a produção.</p>



<p>Zita ainda chama atenção para um fator decisivo na prática e desenvolvimento da agricultura local: o município está há seis meses sem suporte de um técnico do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). Um profissional do órgão governamental que atua em Paudalho tem ido para Lagoa do Carro vez ou outra, mas não tem condições de dar a assistência técnica correspondente à demanda do lugar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Pressão dos agricultores</h3>



<p>Em São José do Egito, no Sertão do Pajeú, a agricultora Maria de Lourdes do Nascimento conta que a garantia de repasses do PNAE para agricultura familiar sempre foi uma dificuldade. Durante a pandemia, o que tem garantido algumas contratações da prefeitura é a força de mobilização e articulação coletiva da Associação dos Apicultores e Meliponicultores Orgânicos do Alto Pajeú (Apomel) e da Associação Agroecológica do Pajeú (Asap).</p>



<p>Para ela, os processos de inserção das famílias no PAA e no PNAE têm muita “burocracia e política” que acabam por impedir o acesso da agricultura familiar feita pelos pequenos produtores aos programas. Sobre a política, principalmente em ano de eleições municipais, Lourdes afirma que os chamados “atravessadores”, pessoas que na verdade são produtores de maior porte, conseguem se cadastrar em ambos programas se colocando na vaga dos pequenos. A agricultora afirma que essa situação é recorrente nos cadastros feitos por meio do IPA.</p>



<p>Neste entrave, as famílias agricultoras da região conseguiram garantir participação no PAA deste ano, após terem ficado de fora em 2019. Mas o que tem driblado a crise para estas famílias é a comercialização de verduras porta a porta. São 38 associados na Apomel e 60 na Asap que têm recorrido ao esquema de entregas.</p>



<p>Diferente de Lagoa do Carro, já que que a agricultura familiar de São José do Egito tem participado em algum nível das contratações do PNAE, a merenda não vem em forma de cesta básica. Se apenas as cestas básicas ão suprem as necessidades das famílias, elas fazem falta quando só os alimentos <em>in natura </em>são fornecidos. </p>



<p>“Aqui no sítio tem feijão, milho, batata, macaxeira. Tem jerimum. Principalmente quem mora em sítio, tem. Agora quem mora no centro da cidade é mais complicado. O pessoal está recebendo o auxílio emergencial que dá uma aliviada, mas mesmo assim é difícil a situação. A gente se preocupa porque eu tenho uma criança e você ver a criança pedindo um pão uma bolacha e não ter.”</p>



<p>As associações têm feito doações de alimentos para as comunidades da região. Lourdes avalia que as famílias que comercializavam seus produtos na feira perderam cerca de 30% da renda nos últimos cinco meses.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Cancelamento pelo Whatsapp</strong> no sertão</h3>



<p>Em Flores, também no Sertão pernambucano, um grupo de mulheres que beneficia polpas de fruta da época e fornecem para a merenda escolar fez entregas no mês de fevereiro e depois ficou com o PNAE “suspenso no ar”, como diz a agricultora Vânia Santos. Elas foram informadas que a prefeitura não faria mais contratações pelo whatsapp. O argumento oficial era a de que seus produtos são perecíveis e, por isso, não têm como serem armazenados e entregues para a população.</p>



<p>“Estamos recebendo a merenda com produtos industrializados e eu acredito que grande parte dos agricultores do município que tinham contrato estão na mesma situação. Não fazem entregas e pararam de produzir, que nem a gente perdeu bastante acerola porque não tinha condição de armazenar. Nossos freezers estavam cheios e se continuassem ligados, a conta de energia ia subir. Como não estamos vendendo não temos como pagar a conta. Decidimos ficar com a que temos produzida e não produzir mais.”</p>



<p>As cinco mulheres que fazem parte do grupo têm, em média, de 30 a 40 anos e algumas são chefes de família. Cultivam outros tipos de alimentos e têm tentado comercializar por conta própria. Elas não estão cadastradas no PAA, como lamenta Vânia. De acordo com ela, isso se deve muito à falta de um escritório municipal do IPA.</p>



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	                                        <p class="m-0">Lucineide diz que sua lavoura está colocando comida na mesa da população </p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em Afogados da Ingazeira, também no Pajeú, a situação com o IPA aconteceu de maneira inversa durante o período pandêmico. Há cerca de um mês, o instituto cadastrou cerca de 45 famílias só nas mediações do sítio de Laje do Gato, no PAA. Porém, a agricultora Lucineide Cordeiro afirma que o que tem garantido a comida na mesa dos moradores locais são as suas próprias plantações, já que até então eles não faziam parte dos programas federais.</p>



<p>Ainda não foram feitas entregas para o programa e, ao que parece, o cadastramento chegou tardiamente, porque Lucineide chama atenção para o tempo de chuvas favorável que fortaleceu as lavouras locais nos últimos meses.</p>



<p>“O pessoal aqui se vira como pode, plantando para a própria alimentação. Mesmo nessa pandemia, a questão da agricultura se sobressaiu. O ano foi muito bom de inverno, aqui mesmo na minha comunidade choveu mais de 100 milímetros. Só que, no PAA e do PNAE, aqui na minha comunidade não tinha ninguém cadastrado.”</p>



<p></p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Há quatro meses longe dos palcos, músicos fazem planos para retomar a vida</title>
		<link>https://marcozero.org/musicos-fazem-planos-para-retomar-a-vida/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2020 20:45:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[artistas]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica e pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[motorista de aplicativo]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia e economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Marco Zero acompanhou durante quinze dias o músico Diego Andrade, que ficou sem trabalho nessa pandemia e decidiu garantir a renda como motorista de aplicativo.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se você precisou sair nos últimos dias e utilizou a 99 App nas redondezas do Recife e da Região Metropolitana, talvez tenha feito o trajeto com o músico Diego Andrade ao volante. Trabalhando como motorista de aplicativo há quase uma semana, ele percebeu logo no início da pandemia, que os primeiros serviços de bares e restaurantes a serem impactados pelo agravamento da crise econômica são justamente aqueles considerados “dispensáveis”. Ninguém pede música ao vivo por delivery.</p>



<p>Diego está sem a sua renda há quatro meses. Nos 15 dias em que foi acompanhado pela reportagem da Marco Zero, ele passou de músico sem trabalho para entregador. Desistiu e, logo depois, virou motorista de aplicativo. Antes, solicitou o auxílio emergencial do Governo Federal ainda no começo da pandemia, mas só recebeu a primeira parcela em junho, depois de um longo período com seu cadastro em análise.</p>



<p>Nesse meio tempo, contou com a ajuda da família, com quem mora, enquanto buscava outras formas de continuar tendo na música a principal fonte de renda. Fez parcerias com estabelecimentos que já contavam com o seu serviço, buscou trabalhar por meio das transmissões ao vivo nas redes sociais, mas obteve um retorno aquém do esperado para pagar as despesas.</p>



<p>Ele tem 28 anos, é formado em Redes de Computadores pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e chegou a cursar Sistema da Informação em uma faculdade privada, por meio do Programa de Financiamento Estudantil (Fies). Questionado sobre o porquê de não atuar na área, Diego afirma que também não é fácil encontrar oportunidades mesmo tendo formação.</p>



<p>“Eu comecei como entregador de aplicativo porque é uma oportunidade acessível para qualquer pessoa. Apesar de você não ter nenhum vínculo com a empresa que você trabalha, como dizem os termos de uso da empresa.”</p>



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	                                        <p class="m-0">Sem ter onde tocar, Diego Andrade encostou o instrumento (crédito: Lucas Domingues Graf)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Guitarra encostada</h2>



<p>A relação de Diego com a música começou aos seus 12 anos. É guitarrista, canta, compõe e já participou de um projeto coletivo autoral, mas o dinheiro a partir da profissão só chegou há dois anos quando formou uma dupla com outro músico e passou a fazer apresentações em bares e restaurantes da zona Norte do Recife.</p>



<p>Antes da pandemia, eles tiravam uma média de R$ 600 por semana com as apresentações que também aconteciam em festas particulares. Na fase de relaxamento da quarentena, Diego se cadastrou no aplicativo Rappi antes do São João e comprou a bolsa de entregas no mesmo dia, mas não pôde começar porque foi posto na lista de espera.</p>



<p>Segundo a própria Rappi, a quantidade de entregadores conectados estava grande em relação à demanda de pedidos. Uma situação recorrente para os trabalhadores que recorrem a essa atividade. Basta pesquisar “entregadores em lista de espera” no Google e o primeiro site que aparece na busca é o do Reclame Aqui com comentários dos trabalhadores e retornos das empresas.</p>



<p>No primeiro final de semana após fazer seu cadastro, justamente às vésperas da primeira paralisação nacional dos entregadores de aplicativo do Brasil, realizada no dia 1º de julho, Diego teve seu cadastro liberado para rodar de bicicleta fazendo entregas. Optou por começar depois da greve para apoiar a categoria.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Mensagens do aplicativo Rappi na conta do músico Diego Andrade.</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“A gente já começa endividado, a bag da Rappi custa R$ 80 divididos em duas vezes”, explica. Em seu primeiro dia, trabalhou no período da tarde e esperou três horas para receber um pedido pelo o qual recebeu R$ 4,10. Valor que não iria para as suas mãos, já que estava devendo a compra da bolsa. </p>



<p>Circulou pelas redondezas dos bairros de Casa Forte e Derby até voltar para casa no bairro da Macaxeira com o saldo de apenas um pedido. “Tem seus riscos, a grana é pouca, mas é um trabalho dinâmico pra quem gosta de movimento”, assim Diego classificou o dia de trabalho com ar de riso. Tinha garantido, ao menos, a prática de exercício físico.</p>



<p>Nos dias de chuva após essa primeira experiência, Diego chegou à conclusão de que não conseguiria garantir a renda pelo aplicativo e decidiu mudar a plataforma. Está na lista de espera para trabalhar na Uber e tem feito corridas pela 99 desde a última quarta-feira (8) com um carro que alugou ao preço de R$ 380 por semana. Ainda não sabe quando vai voltar à rotina de tocar sua guitarra, mas pondera que há de ser em um contexto seguro para ele e para todos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Aulas de música</h2>



<p>Nem só de shows vivem os profissionais da música. Para aqueles que se dedicam a dar aulas os impactos da pandemia também foram significativos. É o caso do músico, Eurico Alves, de 50 anos. Formado em Música pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), passou um tempo como “músico da noite” em Brasília e chegou a acompanhar um grupo sertanejo em Goiás.</p>



<p>Já transitou em várias cenas da música local e atua como freelancer, além de compor uma banda de heavy metal chamada Hostinalia, mas sua principal fonte de renda é dar aulas. Decidiu que ganharia a vida na área quando tinha 20 anos e se formou na graduação aos 36. É professor de guitarra em aulas particulares e também no Conservatório Pernambucano de Música, onde leciona desde 2018.</p>



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	                                        <p class="m-0">Músico Eurico Alves. Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>As mudanças impostas pela pandemia do novo coronavírus chegaram na vida de Eurico em um momento nada propício. Ele estava justamente tirando projetos do papel e foi interrompido. “Alguns projetos que eu tinha parado, consegui retomar antes da pandemia. São as coisas que você gosta de tocar e não consegue fazer como músico profissional, mas chega um momento em que você diz: poxa, eu quero fazer isso também. Então esses projetos começaram a ficar viáveis, mas agora parou tudo.”</p>



<p>Os projetos não foram os únicos interrompidos. As aulas ficaram quase paralisadas. De 20 alunos particulares, apenas cinco mantiveram a rotina com Eurico. Como a maioria dos são alunos jovens e adolescentes, o músico atribui a redução à dificuldade dos pais em conciliar as aulas com o dia a dia da escola na vida dos filhos.</p>



<p>Antes da pandemia, sua renda mensal chegava a R$ 3 mil. Agora, varia entre R$ 2 mil e R$ 2.100 mil. Questionado se chegou a cogitar trabalhar com outra profissão, ele afirma que não. “O músico apesar de não ganhar bem tem sempre aquela coisa de se reinventar e fazer algo que a gente não estava fazendo.” Eurico vê nas videoaulas e lives boas oportunidades para não sucumbir à crise vivendo de música.</p>



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	                                        <p class="m-0">Professora Lila Farias se apresentando em apresentação religiosa. Crédito: Arquivo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Já no caso da professora de canto, Lila Farias, a pandemia tirou de cara o seu principal trabalho com a paralisação de um coral do qual é regente. Juntando com a pausa do hotelzinho onde ela leciona musicalização, a baixa na sua renda mensal foi correspondente a 60%. “Na escola, nem chegamos a iniciar as aulas desse ano por causa da Covid-19”.</p>



<p>Ela é formada maestrina pelo Conservatório Pernambucano de Música e atua na área desde 2014, após 10 anos trabalhando como técnica de enfermagem. Não teve evasão nas suas aulas particulares porque, segundo ela, o canto é mais fácil de adaptar para o formato virtual. O mesmo não aconteceu com o hotelzinho, que perdeu mais da metade das crianças que estavam matriculadas para o ano letivo.</p>



<p>A questão toda é a “aglomeração”, como aponta Lila. As atividades que eram feitas coletivamente, como o coral, foram as mais afetadas e sem previsão de volta. Para lidar com a baixa na renda nesses quatro meses, a professora tem contado com o auxílio emergencial e equilibrado as contas com a renda do marido, que trabalha para aplicativos.</p>



<p>“É bem difícil, porque nós que trabalhamos com música, somos quase 100% por cento autônomo. Poucos trabalham com carteira assinada e isso faz a gente ir se virando como dá”.</p>



<p>A professora deixou a enfermagem por ter a “música no sangue” e não se vê atuando em outra profissão. Tem planos de abrir um negócio de vendas na área de saúde junto ao companheiro, mas deixa claro que isso é algo para o futuro. Para ela, o único ponto positivo dessa pandemia foi ter se reunido com antigos amigos de escola para gravar um vídeo de canto. Fora isso, as expectativas continuam incertas para o pós pandemia.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/musicos-fazem-planos-para-retomar-a-vida/">Há quatro meses longe dos palcos, músicos fazem planos para retomar a vida</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Frente Ampla contra Bolsonaro precisa pactuar agenda econômica, defende Laura Carvalho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2020 19:31:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica e pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[editora Todavia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A economista Laura Carvalho tem se consolidado como uma referência na reflexão sobre os caminhos da economia brasileira e sua relação tumultuada com o mundo da política. Em 2018, no seu primeiro livro (Valsa Brasileira: do boom ao caos econômico, Todavia), ela traçou o percurso que levou o país da euforia a uma das maiores [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p> A economista Laura Carvalho tem se consolidado como uma referência na reflexão sobre os caminhos da economia brasileira e sua relação tumultuada com o mundo da política. Em 2018, no seu primeiro livro (<a rel="noreferrer noopener" aria-label="Valsa Brasileira: do boom ao caos econômico (abre numa nova aba)" href="https://todavialivros.com.br/livros/valsa-brasileira" target="_blank">Valsa Brasileira: do boom ao caos econômico</a>, Todavia), ela traçou o percurso que levou o país da euforia a uma das maiores crises da sua história em curtíssimo tempo, do segundo mandato de Lula até o impeachment de Dilma. Agora, acaba de lançar, a quente, o livro <a rel="noreferrer noopener" aria-label="Curto-Circuito: o vírus e a volta do Estado (abre numa nova aba)" href="https://todavialivros.com.br/livros/curto-circuito" target="_blank">Curto-Circuito: o vírus e a volta do Estado</a> sobre o papel do Estado e os impactos econômicos do coronavírus no Brasil. O texto faz parte da Coleção 2020: Ensaios da Pandemia, da editora Todavia.</p>



<p>Laura Carvalho é doutora em economia pela New School for Social Research e professora da Faculdade de Economia e Administração da USP. Foi colunista do jornal Folha de S.Paulo e atualmente escreve para o Nexo.</p>



<p>Em entrevista para a Marco Zero Conteúdo, ela analisa o aumento da demanda por mais Estado a partir dos desafios impostos pelo enfrentamento à Covid-19, o quanto esse novo cenário tensiona a aliança das elites econômicas com o governo Bolsonaro, e defende a necessidade de que a Frente Ampla de oposição ao atual presidente tenha como ponto de partida um denominador comum de política econômica que garanta os papéis do Estado definidos na Constituição de 1988 e até avance em novos consensos, como o de uma reforma tributária.   </p>



<p> &#8220;Eu acho que a gente consegue ter um denominador comum na construção de  uma Frente Ampla para afastar ou retirar o presidente Bolsonaro. Que é  no momento a Frente Ampla mais urgente. Há várias frentes possíveis e  acho que aquela de 2022 ainda está muito distante e que ela é diferente dessa frente que hoje se propõe e que envolve uma união em torno do  impeachment. Essa união em torno do impeachment me parece que ela também tem que ter um denominador comum no sentido de como será esse governo,  que tipo de política econômica teremos&#8221;. </p>



<p>Para Laura, a Frente Ampla deve agregar tanto as pessoas e grupos que apoiaram o golpe parlamentar contra a ex-presidenta Dilma Roussef (PT), em 2016, quanto os que foram vítimas do golpe. Uma política econômica pactuada poderá dar legitimidade democrática a um governo que siga até 2022.  &#8220;Depois disso, pode não ter uma frente eleitoral, eu acho que aí pode ter  disputa de projetos distintos e é saudável para a democracia que seja  assim&#8221;, avalia. </p>



<p></p>



<p><strong>Segue a entrevista</strong>:</p>



<p><strong>Você tem dito
que a pandemia fortaleceu a visão de que é preciso mais e não
menos Estado. No seu livro Curto Circuito – o vírus e a volta do
Estado (Todavia, 2020) lançado recentemente você cita 5 funções
do Estado. Afinal, de que Estado exatamente nós estamos falando?</strong></p>



<p>Há uma série de funções do Estado que se tornaram cristalinas com essa pandemia e que eu tento mostrar não só pensando no que a gente teve de possibilidade por conta da existência de alguns instrumentos, mas também coisas que a gente pode pensar pro futuro e até erros do passado. O primeiro é o papel de estabilizador do Estado. Todas as grandes crises econômicas geram essa postura defensiva do setor privado que faz com que famílias e empresas cortem os seus gastos e o Estado se faça necessário como o único motor possível para atenuar os efeitos da crise. Pensando no futuro, o papel estabilizador do Estado depende de algo que a gente até na pandemia aliviou, por conta de um decreto de calamidade pública, que acabou retirando uma série de restrições e regras orçamentárias que o Estado tem que cumprir. Precisamos de uma reformulação do regime fiscal brasileiro, que é composto por regras como o teto de gastos e as metas de resultados primários.  </p>



<p>A segunda função é a do Estado investidor em infraestrutura, como saneamento básico, por exemplo. O setor privado até investe em infraestrutura em lugares em que isso já gera lucro, mas está na natureza desses investimentos o fato de serem de alto risco e custo muito elevado e de retorno de muito longo prazo, o que acaba afastando os investimentos em infraestrutura em localidades e regiões mais pobres. Isso vale também para transporte urbano, para moradia, vários elementos que têm aparecido nessa pandemia como vetores de desigualdade no contagio. </p>



<p>O terceiro papel é o do Estado protetor e aí eu discuto como que as nossas redes de proteção social se mostraram insuficientes nessa crise, inclusive a resposta com o auxílio emergencial como uma maneira de lidar com essa massa de vulneráveis, trabalhadores informais, pessoas que não têm nenhum colchão de renda e que, num momento que você precisava que ficassem em casa, isso se faz ainda mais presente e dramático. Eu debato a diferença entre as propostas.  </p>



<p><strong>Diferenças bem
grandes entre o campo progressista e o ministro Guedes.</strong></p>



<p>Sim, a proposta da renda básica universal, ela é muito diferente da proposta do ministro Paulo Guedes de um imposto de renda negativo como substituto de outros papéis do Estado de bem-estar, então ali se pensa que as pessoas vão ter um voucher, ou seja, um cheque, um dinheiro, e vão lá adquirir os serviços de educação e saúde privada. É algo muito distinto de se pensar a renda básica universal como um direito a não ser pobre, um direito à dignidade, com efeitos, inclusive, de poder de negociação no mercado de trabalho, não aceitar condições indignas de trabalho, coisas que estão em debate no mundo hoje, dadas as transformações que a gente tem visto nas relações trabalhistas. Eu discuto como é que a gente poderia financiar uma rede como essa e isso inclui uma discussão pelo lado da tributação mais justa.  </p>



<p>O quarto é o Estado prestador de serviço. E ai talvez seja o que mais foi valorizado nessa pandemia, sobretudo o SUS, que se mostrou essencial, mas que também mostrou que tem insuficiências de financiamento, desigualdades no acesso. O que eu discuto nessa parte do livro tem a ver também com qual é o modelo que a gente deseja ter de Estado de bem-estar social e, com isso, qual é o tamanho que a sociedade brasileira quer que esse Estado tenha porque é evidente que para que a gente consiga prestar serviços de qualidade, a gente também precisa arrecadar mais recursos e isso significa que a gente vai ter que ter uma carga tributária mais próxima de países que têm esses serviços.  </p>



<p><strong>E </strong><strong>qual o
papel da quinta função, do Estado empreendedor?</strong></p>



<p>Eu uso o termo da Mariana Mazzucato, que está relacionado ao papel do Estado no desenvolvimento tecnológico e científico das cadeias produtivas do país. A gente viu na pandemia uma discussão sobre reconversão industrial. Sobre a falta de capacidade de produzir insumos médicos, como respiradores, máscaras, e até testes. Enfim, uma série de insumos que ficaram escassos e dependem de matéria-prima que hoje só na China se produz. Fica claro que os investimentos em ciência e no desenvolvimento tecnológico do setor privado e público são coisas que têm que ser planejadas e que dependem de uma visão de longo prazo. </p>



<p>No século XXI, a gente ainda precisa do Estado para pensar essas políticas, mas essas políticas precisam ser acopladas às demandas da sociedade, às outras quatro funções, então as próprias carências e combate à desigualdade que as outras funções requerem podem servir de vetor também para desenvolver tecnologias. O complexo industrial da saúde é um exemplo completo disso.</p>



<p><strong>O quanto essa
demanda por mais Estado coloca em xeque a política ultraliberal do
ministro Paulo Guedes? Você fala que a chegada de Bolsonaro ao poder
é fruto de uma aliança entre o autoritarismo militarista e a agenda
de fortalecimento do mercado. Como você acha que as elites
econômicas podem flutuar do ponto de vista do apoio político a
Bolsonaro com a mudança desse cenário. </strong>
</p>



<p>O título do livro Curto-Circuito tem um duplo sentido. O primeiro é o curto-circuito macroeconômico que a pandemia gerou, quebrando o elo entre produtores e consumidores, impedindo a oferta e também a demanda. Mas o outro sentido do título do livro é justamente o curto-circuito que foi provocado no bolsonarismo e no pensamento econômico, de alguma maneira, a partir de uma demanda de um tipo de atuação que ia frontalmente contra aquilo que havia sido defendido dentro da plataforma eleitoral do Bolsonaro, mas também até anteriormente. Já estávamos há 5 anos com um tipo de política econômica cujo foco principal era a redução do papel do Estado, dos gastos e do tamanho do Estado na economia. Fica claro que essa posição era insustentável e incapaz de lidar com os desafios apresentados por uma crise como essa. O que obrigou o governo a ter algum tipo de atuação, que é claro que foi insuficiente e equivocada em várias áreas. Mas que deixou evidente que mesmo um governo com um discurso de Estado Mínimo teve que ter uma resposta até mesmo de expansão de gastos.  </p>



<p>A questão que está
colocada, na verdade, é se esse pilar fundamentalista de mercado do
bolsonarismo será mantido ou se ele será abandonado. Esse pilar foi
útil para atrair elites econômicas em 2018, mas essas elites
econômicas começaram a abandonar o barco do bolsonarismo sobretudo
por conta das respostas à pandemia e à própria saída de Sérgio
Moro. Tanto a saúde quanto a corrupção funcionaram como um estopim
para o desembarque de parte da elite econômica do país, justamente
onde Bolsonaro logrou uma maioria, um percentual maior de votos nas
eleições presidenciais. 
</p>



<p>Aí fica a dúvida se o governo Bolsonaro vai tentar trocar essa base e apostar em algum apelo popular, seja a partir da concessão de benefícios mais vultuosos, a partir dessa experiência do auxílio emergencial; seja a partir do discurso que tenta transferir a culpa da crise econômica às medidas tomadas por governadores, à postura da imprensa e a todos aqueles que respeitam as orientações da Organização Mundial da Saúde.  </p>



<p>Acho que, nesse momento, o bolsonarismo está numa encruzilhada. De um lado, o Guedes quer continuar no ano que vem na agenda anterior, quer voltar a fazer cortes agressivos de gastos, e reformas ainda mais aceleradas, privatizações&#8230; O que seria trágico do ponto de vista da desigualdade e da situação econômica do país. Estaremos com uma economia em frangalhos e esse tipo de estratégia muito agressiva pode ser um golpe fatal, colocar uma massa ainda maior de pessoas numa espiral de pobreza. </p>



<p>Mas, por outro lado, há a opção de tentar mudar a orientação da política econômica para uma atuação maior do Estado e uma política que gere algum resultado concreto para a população poderia servir para conquistar uma base social pro bolsonarismo e, portanto, uma base social pro seu projeto autoritário, o que nos deixa preocupados. Na verdade, nenhuma das duas situações é sem risco para a democracia. Ambas carregam riscos enormes para a democracia.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Livros de Laura Carvalho publicados pela editora Todavia traçam panorama recente da economia no Brasil</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Temos debatido muito no Brasil sobre a crise política, a aliança do governo Bolsonaro com o Centrão, as ameaças ao STF, a ação dos grupos de extrema-direita pró-intervenção militar. Mas estamos falando pouco de como a economia pode influenciar essa crise. Em suas análises você sempre relaciona a economia à política. E aí me vem a frase “É a economia, estúpido” quando a gente discute a crise política nacional, especialmente porque sabemos que a economia é um pilar importante de sustentação de qualquer governo. Como é que você vê a crise que vem pela frente e como a economia pode impactar o jogo político? </strong> </p>



<p>É curiosos você citar essa frase porque tem até um trecho do livro em que eu menciono a expressão “É a economia, estúpido” para falar que, no momento, “É a pandemia, estúpido”, que a pandemia agora é a origem da crise econômica. Sem combater a pandemia não teremos o combate à crise econômica, e a pandemia é a origem da crise política que se exacerbou. Tudo depende não só da economia, mas dependente do que vai acontecer com esse contágio pelo vírus que é o que está na raiz dessa crise econômica. É evidente que, num primeiro momento, essa tentativa de transferir a culpa da crise econômica, que será a maior da história e que vai durar muito tempo, para os governadores e as medidas quarentenárias de forma geral, é uma tentativa que esbarra na realidade que o número crescente de mortes tende a trazer para a população. Aqueles que são mais vulneráveis à crise econômica são também os mais vulneráveis à crise na saúde e isso, ao meu ver, gera um custo muito alto para o governo e torna difícil essa estratégia que a gente traçou de se tentar conquistar uma base social por meio de programas de transferências de renda ou de outras políticas com maior resultado. Esse é um primeiro ponto.  </p>



<p>O segundo ponto é que é também a pandemia que vai dar o cenário dos próximos anos. Não basta você ter a reabertura e o relaxamento das medidas quarentenárias para que a economia deslanche. Enquanto houver um risco e uma insegurança em relação ao contágio pelo vírus, você não vai conseguir fazer com que as pessoas retomem as suas atividades de consumo e isso significa que você não terá a possibilidade de retomada pelo lado da demanda e também não terá pelo lado da oferta, porque enquanto os produtores não tiverem a segurança de que não haverá novas ondas e novos surtos de contágio é difícil tomar decisões de investimento e de produção.  </p>



<p>Tudo indica que a gente vai ter um quadro que se já não era fácil – e é bom lembrar que a economia brasileira já vinha de uma situação de estagnação, de muita fragilidade, ao contrário de outros países ricos que vinham de uma taxa de desemprego muito baixa &#8211; vai piorar nesse ano que vem e acho que isso gera um desgaste progressivo do governo ainda mais numa população que já vinha frustrando suas expectativas de retomada desde 2015 e 2016, como eu tratei no Valsa Brasileira (Todavia, 2018). Essa sucessão de frustrações, inclusive, explica esse voto no Bolsonaro como algo que pudesse ser capaz de mudar, explica também a aposta no impeachment da ex-presidenta Dilma Roussef (PT), e nenhuma dessas coisas resolveu a crise econômica porque a agenda não mudou na economia e tudo indica que Bolsonaro também vai pagar o custo. Ele vai tentar transferir essa responsabilidade, mas não deve conseguir fazer isso por muito tempo.  </p>



<p><strong>Eu vi uma <em>live</em> em que você defendia a definição de uma pauta mínima no campo econômico para a formação da Frente Ampla, enquanto todo mundo fala em bases consensuadas no campo da política. Que propostas econômicas seriam a base de consenso mínimo pró-Frente? Sem esse pacto, os liberais podem ganhar o protagonismo num segundo momento e, mesmo com a queda de Bolsonaro, manter de pé a agenda ultraliberal?</strong></p>



<p>Eu acho que a gente consegue ter um denominador comum na construção de uma Frente Ampla para afastar ou retirar o presidente Bolsonaro. Que é no momento a Frente Ampla mais urgente. Há várias frentes possíveis e acho que aquela de 2022 ainda está muito distante e que ela é diferente dessa frente que hoje se propõe e que envolve uma união em torno do impeachment. Essa união em torno do impeachment me parece que ela também tem que ter um denominador comum no sentido de como será esse governo, que tipo de política econômica teremos. No impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, o pacto que se fez para a derrubada da ex-presidenta envolveu o programa A Ponte para o Futuro, do PMDB, que era aquele programa da reforma trabalhista, da previdência, o teto de gastos e assim por diante.  </p>



<p>Agora, precisamos de
um programa que seja mínimo e aglutine tanto participantes que
estiveram nesse golpe parlamentar de 2016 quanto pessoas que sofreram
esse golpe. Essa frente para a retirada de Bolsonaro exige a
participação de ambos os setores. Mas teria que, é claro, ter um
programa que acomode minimamente ambos os setores. O que não é
fácil necessariamente, porque a política econômica é o que opõe
esses projetos, é uma das coisas principais que opõem esses
projetos eleitoralmente. 
</p>



<p><strong>Qual a base para
esse acordo?</strong></p>



<p>É possível a gente partir de um mínimo e eu acho que a Constituição de 1988 dá um bom norte pra esse mínimo porque o que tem ocorrido nos últimos anos é um ataque, um desmonte de uma série de direitos que estavam postos na Constituição de 1988. Então, se a gente consegue pactuar alguma coisa que, pelo menos, preserve esses papéis do Estado previstos na Constituinte e, claro, eventualmente até acrescente coisas que têm ganho consenso na sociedade como, por exemplo, uma reforma tributária, eu acho que poderíamos ter um governo com legitimidade democrática para ir até 2022, que é o que a gente precisa imaginar agora. Depois disso, pode não ter uma frente eleitoral, eu acho que aí pode ter disputa de projetos distintos e é saudável para a democracia que seja assim.</p>



<p><strong>O debate que sempre acontece nas situações de grave crise econômica é o do chamado fim do neoliberalismo. Você cita isso no capítulo conclusivo do seu livro. Faz a distinção das origens e efeitos da crise financeira de 2008 em relação à pandemia de coronavírus em 2020. Antes como agora, vem à tona o discurso de fim do neoliberalismo por grupos que me parecem excessivamente otimistas.</strong></p>



<p>Me parece que a crise de 2008 já tinha mesmo chacoalhado as bases do sistema e trazido um questionamento crescente a essas ideias de mercados autorregulados como a melhor forma de alocar os recursos da sociedade. Trazido o tema da desigualdade para uma centralidade no debate, trazido mudanças na atuação dos bancos centrais e dos governos ao redor do mundo e tem até o argumento no livro que essas transformações de 2008 lentamente contribuíram para que a gente nessa pandemia tivesse uma resposta, ainda que insuficiente, para evitar o colapso e o escancaramento das desigualdades. Uma resposta significativa e um peso dado para essas desigualdades na maneira como a pandemia está sendo analisada e observada muito maior do que teria ocorrido se a gente não tivesse passado esses dez anos amadurecendo essas ideias.  </p>



<p>Essa é a parte boa, que talvez a gente tenha uma tendência a uma mudança de paradigma e que essa tendência deve ser exacerbada e até acelerada com a pandemia, mas isso não quer dizer que vamos caminhar automaticamente para um mundo pós-pandemia mais justo e sustentável. </p>



<p>As pessoas tendem a vislumbrar o mundo pós-pandemia como algo descolado daquilo que ocorre durante a pandemia e, na verdade, não é. Seguimos muito distantes da transformação social se a gente percebe como não estamos sendo capazes na pandemia – que está no auge &#8211; de responder à altura e de evitar uma tendência forte de concentração de renda e riqueza que virá como resultado da crise, nem de evitar a morte de tantas pessoas pobres.  </p>



<p>Temos a tendência que é favorável a uma mudança e a uma transformação social, uma tendência lenta, mas a gente tem uma crise que abala as estruturas concentrando ainda mais a renda, o que também bate de frente com esse objetivo porque quanto mais concentrada é a renda e a riqueza mais concentrado o poder e, assim, mais difícil será implementar uma mudança prática nos governos ao redor do mundo. </p>



<p>Muitas vezes você tem tendências contraditórias e as bases sobre as quais essas tendências irão operar não são as mesmas e o resultado disso ainda está muito indefinido. Eu evito fazer esse tipo de futurologia, o que eu consigo é identificar que você tem elementos contraditórios até nesse quadro atual e que certamente levarão alguns países para uma direção e outros países para cenários ainda piores de autoritarismo e de crise democrática.</p>
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