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	<title>Arquivos cultura - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos cultura - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Quando a luta social das mulheres &#8220;dá vontade de cantar&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jan 2026 21:15:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estreia no próximo domingo (18), às 19h, na TV Pernambuco, a série documental pernambucana Canto Delas, uma celebração do protagonismo feminino através da música. Com 13 episódios, a produção financiada pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) acompanha o encontro entre compositoras brasileiras e mulheres ou coletivos cujas trajetórias são marcadas por superação, resistência e luta [&#8230;]</p>
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<p>Estreia no próximo domingo (18), às 19h, na TV Pernambuco, a série documental pernambucana <em>Canto Delas</em>, uma celebração do protagonismo feminino através da música. Com 13 episódios, a produção financiada pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) acompanha o encontro entre compositoras brasileiras e mulheres ou coletivos cujas trajetórias são marcadas por superação, resistência e luta por transformação social. Cada um dos 13 episódios eterniza o processo de criação em que cada artista cria uma canção inédita, revelando como a música pode traduzir e potencializar histórias reais de mudança.</p>



<p>A série percorre territórios diversos de Pernambuco, da Região Metropolitana do Recife ao Sertão, conectando cultura popular, ativismo e criação contemporânea. Entre os ritmos presentes estão rap, coco, frevo, ciranda e tecnobrega, em sintonia com a diversidade das protagonistas. O público conhecerá iniciativas fundamentais como o Grupo Curumim, as Parteiras Pankararu, o coletivo Pixe Girls, a Coletiva Liberta Elas, a Colônia de Pescadores de Rio Formoso e o Grupo de Mulheres Jurema, entre outras.</p>





<p>Cada episódio é um retrato sensível da capacidade das mulheres de criar redes de afeto, luta e criação. No primeiro, a compositora Bione cria um rap inspirado no Grupo Curumim. Outros encontros notáveis incluem Alessandra Leão com as Parteiras Pankararu, Karina Buhr com a líder comunitária Joelma, e Cátia de França com a colônia de pescadoras de Rio Formoso, demonstrando como a arte nasce do engajamento social.</p>



<p>Mais do que uma série musical, &#8220;Canto Delas&#8221; é um potente registro do movimento social feminino, fortalecendo narrativas de ancestralidade, cuidado com o território e enfrentamento às violências. A produção, da Alumia Filmes e Garimpo Filmes, com direção de Tuca Siqueira, que também atuou como produtora, e Bruna Leite, prioriza a visibilidade de quem transforma realidades a partir da base, alinhando-se a uma comunicação que valoriza as lutas coletivas.</p>



<p>A exibição semanal na TV Pernambuco (canal 46.1 na Região Metropolitana do Recife) oferece ao público a oportunidade de se conectar com essas histórias que, segundo as produtoras Carol Vergolino, Daiane Dultra e Tuca Siqueira &#8220;dão vontade de cantar&#8221;. A série se afirma como um espaço midiático crucial para ecoar as vozes e os cantos que constroem, diariamente, um futuro mais justo a partir das comunidades.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/01/canto-delas-1024x539.jpeg" alt="A imagem mostra uma vista aérea de uma área urbana densamente povoada, com muitas casas pequenas e prédios baixos de telhados planos, alguns com caixas d’água. Ao fundo, aparecem edifícios mais altos, indicando uma região central da cidade. Sobre a imagem, há um texto que diz: “O CANTO DELAS GRUPO CURUMIM E BIONE”." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Abertura do primeiro episódio
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


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		<title>Mostra de Cinema Árabe Feminino chega à 5ª edição com diálogo entre produções árabes e brasileiras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Aug 2025 20:45:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema São Luiz]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A quinta edição da Mostra de Cinema Árabe Feminino transforma telas em trincheiras de resistência cultural, reunindo filmes que atuam como arquivos vivos da História. O evento gratuito, acontece no Recife, entre 13 e 17 de agosto, e no Rio de Janeiro de 22 a 30 de agosto. Na capital pernambucana, as sessões são na [&#8230;]</p>
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<p>A quinta edição da Mostra de Cinema Árabe Feminino transforma telas em trincheiras de resistência cultural, reunindo filmes que atuam como arquivos vivos da História. O evento gratuito, acontece no Recife, entre 13 e 17 de agosto, e no Rio de Janeiro de 22 a 30 de agosto. Na capital pernambucana, as sessões são na Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ Derby) e no Cinema São Luiz. No Rio, a Mostra ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB RJ), o Cine Arte UFF, a FEBF/UERJ e escolas públicas parceiras. A programação completa pode ser conferida no <a href="https://www.cinemaarabefeminino.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site do evento</a>.</p>



<p>A Mostra propõe uma reflexão crítica sobre imagens, afetos e memórias em tempos de massacres, especialmente diante da violência extrema promovida por Israel contra o povo palestino e do silenciamento institucional. Além das exibições, o evento oferece mesas redondas, sessões comentadas, encontros exclusivos com estudantes e uma masterclass online ministrada pela diretora libanesa Rania Stephan.</p>



<p>“Em um contexto marcado pela violência extrema orquestrada por Israel contra o povo palestino e pela tentativa de silenciamento institucional do horror, a Mostra se afirma como espaço de resistência e solidariedade através do cinema”, explicam as curadoras da mostra, Alia Ayman, Analu Bambirra e Carol Almeida.</p>



<p>Uma das novidades é a iniciativa “Solidariedade Brasil-Árabe”, que promove diálogos diretos entre produções árabes e brasileiras. Em Recife, por exemplo, o palestino <em>Slingshot Hip Hop</em> (J. Reem Salloum), sobre resistência cultural através do rap, será exibido junto ao pernambucano <em>Sua Majestade, o Passinho</em> (Mannu Costa e Carol Correia). No Rio, o clássico tunisiano <em>Fatma 75</em> (Selma Baccar) dialogará com o curta brasileiro <em>A Entrevista</em> (Helena Solberg), criando pontes entre lutas feministas de diferentes geografias.</p>



<p>Entre os destaques inéditos no <em>Brasil estão Rainhas</em> (Yasmine Benkiran, Marrocos/França, 2022) e <em>Sudão, Lembre de Nós</em> (Hind Meddeb, França, 2024), este último com exibição exclusiva no Recife. Também integram o catálogo obras como <em>A Canção da Besta</em> (Sophia Al-Maria), <em>Dançando a Palestina</em> (Lamees Almakkawy) e <em>Neo Nahda</em> (May Ziadé), todas resistindo ao apagamento de identidades árabes e às políticas coloniais. O encerramento ficará por conta de <em>Um Estado de Devoção</em> (Carol Mansour e Muna Khalidi), que acompanha o trabalho do cirurgião palestino-britânico Ghassan Abu-Sittah nos hospitais de Gaza após outubro de 2023.</p>



<p>A masterclass “O Caminho para o Arquivo”, ministrada pela diretora libanesa Rania Stephan, já exibida em Locarno e Veneza, abordará sua trajetória e processos criativos, mostrando como memória e montagem podem reconstruir narrativas e ressignificar imagens históricas. Serão exibidos quatro curtas e o longa <em>Os Três Desaparecimentos de Soad Hosni</em> (2011), que recompõe a vida da icônica atriz egípcia a partir de fragmentos de sua filmografia.</p>



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		<title>Produtores culturais questionam resultados do edital Aldir Blanc em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Dec 2024 22:05:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde que os resultados dos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) foram divulgados, no final da semana passada, se acumulam críticas aos critérios de elegibilidade do edital. Vai desde o acesso às vagas para a ampla concorrência, até o descaso dos pareceristas e à falta de cumprimento das vagas especificadas [&#8230;]</p>
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<p>Desde que os resultados dos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) foram divulgados, no final da semana passada, se acumulam críticas aos critérios de elegibilidade do edital. Vai desde o acesso às vagas para a ampla concorrência, até o descaso dos pareceristas e à falta de cumprimento das vagas especificadas no edital. No lançamento, em outubro, o Governo de Pernambuco anunciou que o PNAB deve contemplar cerca de 2.200 projetos culturais em Pernambuco, distribuindo R$ 65,9 milhões em sete editais. A verba é proveniente do Ministério da Cultura (MinC).</p>



<p>A Marco Zero ouviu seis produtoras e produtores da Região Metropolitana do Recife e do Agreste. A maioria preferiu ficar no anonimato, para evitar represálias. Um deles autorizou a publicação do nome, mas decidimos manter o mesmo tratamento dado aos demais.</p>



<p>Uma das reclamações mais recorrentes é sobre os pareceres dados aos projetos. Muitos produtores afirmam que não receberam respostas condizentes aos projetos entregues. Um cineasta que tentou um edital para finalização de um longa-metragem afirmou que dois dos três pareceres eram extremamente genéricos, sem citar qualquer aspecto do arquivo com 70 minutos de imagens que foram enviadas.</p>



<p>Outra produtora reclamou das discrepâncias entre as notas, com pareceristas dando a nota máxima e outro a mínima para o mesmo projeto. Muitos suspeitam de uso de Inteligência Artificial para a avaliação. “Parece que o projeto foi colocado no ChatGPT e saiu uma resposta qualquer. Não parece que leram o meu projeto”, disse um produtor.</p>



<p>Integrante da atual gestão da Diretoria da ABD/APECI (Associação Brasileira de Documentaristas e Associação Pernambucana de Cineastas) e representante da ABD/APECI no Conselho Audiovisual e na Câmara Setorial do Audiovisual, o produtor cultural Mauricio Corrêa enviou uma nota solicitando uma reunião presencial com a Secretaria de Cultura e Fundarpe, responsáveis pela execução do PNAB em Pernambuco.</p>



<p>“O resultado recente do edital revela discrepâncias alarmantes entre os projetos apresentados e as notas de avaliação atribuídas, o que tem gerado um crescente sentimento de descontentamento e de credibilidade no setor. Infelizmente, este não é um caso isolado: problemas semelhantes vêm sendo registrados também nos editais da lei Paulo Gustavo, e agora se repetem na PNAB”, afirmou na nota.</p>



<p>Um outro produtor questionou a ênfase dada à formação. “Profissionais do audiovisual que têm um histórico grande, mas não têm um currículo de formação em cinema, foram desclassificados em quesitos técnicos”, disse. “Acredito que por mais vontade e disposição que a Secult tenha de fazer algo, eles não têm conhecimento técnico para dialogar, gerir, fomentar. O descaso dos pareceristas que não sabem o que estão avaliando vem desde a Lei Paulo Gustavo. Os critérios adotados pela gestão não andam em sintonia, porque não há escuta, não há transparência, não há diálogo transversal”, disse.</p>



<p>Um produtor que já atuou como pareceirista de projetos para a Secretaria de Cultura de Pernambuco afirma que o &#8220;mercado&#8221; de pareceristas com o PNAB e a Lei Paulo Gustavo aumentou muito e tanto o Governo quanto a Prefeitura do Recife não souberam selecionar os candidatos. &#8220;Apareceu muita gente novata e sem noção. Para piorar, a Secult/Fundarpe fez um credenciamento de pareceristas muito amplo e ao invés de chamar pelo ranking de pontuação, fez sorteio para convocar. Ou seja, a chance de ter alguém despreparado para avaliar um projeto é maior do que ter alguém experiente&#8221;, reclamou. &#8220;A Prefeitura do Recife também fez sorteio e diz que é algo mais isento. Mas é um problema, pois precariza os dois lados sem haver garantia de uma avaliação de qualidade&#8221;, diz. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ampla concorrência de fora do edital?</strong></h2>



<p>Outra reclamação dos produtores e produtoras é que não havia como pessoas de fora das cotas ou da indução de pontos, aprovar um projeto na ampla concorrência, se houvesse pessoas negras, pessoas indígenas ou pessoas com deficiência concorrendo na mesma faixa.</p>



<p>“Tirei a maior nota da minha faixa e fiquei como suplente. E várias pessoas abaixo de mim passaram por conta das políticas afirmativas. Se ter a maior nota da faixa não me faz passar, então de que forma eu passaria?”, questionou uma produtora do Agreste do estado.</p>



<p>Outro produtor notou que mesmo que se tivesse atingido a nota máxima em todos os quesitos não conseguiria passar na ampla concorrência. “Meu projeto poderia ter ficado com 70, tirando notas máximas em todos os quesitos. O projeto com menor nota que passou foi 85, com os indutores de notas. Ou seja, eu nunca tive chance”, afirmou.</p>



<p>“Só queria que isso tivesse sido deixado claro, que era um edital apenas para políticas afirmativas. Escrever um projeto e juntar a documentação é um processo bastante trabalhoso”, disse. “Também não entendi porque mulher trans tinha 20% de indução de nota e homem trans apenas 5%”, questionou.</p>



<p>Além das cotas e dos indutores de notas, havia também prioridade no remanejamento de vagas. “Os percentuais de reserva de vagas foram respeitados nos limites do edital. Mas com o remanejamento priorizando esses proponentes, não havia como alguém que não estivesse concorrendo às cotas conseguisse ser aprovado, com exceção nos casos em que não havia projetos de ações afirmativas concorrendo na linguagem ouregião”, disse. “Na prática, isso significou que todos os proponentes pessoas negras, pessoas indígenas e pessoas com deficiência foram selecionados”, afirmou uma produtora.</p>



<p>Abaixo, segue a íntegra da resposta da secretaria estadual de Cultura para nossos questionamentos:</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Resposta da Secretaria de Cultura</strong></h3>



<p><strong>01 &#8211; Vários produtores(as) estão reclamando que não havia possibilidade de pessoas não cotistas serem aprovadas nos editais, só se não houvesse outros projetos. No edital de economia criativa e solidária, por exemplo, nenhuma PN/PI/PCD deixou de ser selecionada, ainda que alguns projetos tenham tirado notas baixas, menores que a metade da pontuação máxima. As medidas de política afirmativas (além da reserva de vagas, os indutores na pontuação) inviabilizaram a ampla concorrência? </strong></p>



<p><strong>Resposta:</strong> Se tratando do edital de Economia Criativa e Solidária, se observarmos apenas as propostas selecionadas tão somente a partir da ampla concorrência, temos um recorte de 12%. É fundamental ressaltar a visível reparação histórica exercida através dos Editais da PNAB PE através de todas as reservas estabelecidas. Em tempo, a Secretaria de Cultura do Estado enfatiza que todas as etapas da PNAB vem sendo plenamente executadas através de uma plataforma 100% auditável e, em cumprimento a instrução normativa (MinC Nº 10, de 28 de Dezembro de 2023) e o decreto de fomento (§ 2º do Art. 4º do Decreto nº 8.750, de 9 de maio de 2016). No que tange todos os editais da PNAB PE, foi reservado o mínimo de reservas dispostas abaixo:</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-23-at-17.01.10-300x57.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-23-at-17.01.10.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-23-at-17.01.10.jpeg" alt="A imagem apresenta um texto com três itens que descrevem a distribuição de vagas, aparentemente em um edital ou documento formal. Os itens são os seguintes: a) 25% (vinte e cinco por cento) das vagas destinadas a pessoas negras (pretas e pardas); b) 10% (dez por cento) das vagas destinadas a pessoas indígenas; e c) 5% (cinco por cento) das vagas destinadas a pessoas com deficiência." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                
                                            <span>Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Ainda conforme a Instrução Normativa e editais PNAB PE, a Secult-PE destaca que as pessoas que optarem pelas cotas e atingirem nota suficiente para se classificar no número de vagas oferecidas para ampla concorrência não ocuparão as vagas destinadas para o preenchimento das cotas.<br><br>Em conformidade com o Art. 2º da Instrução Normativa MinC Nº 10, de 28 de Dezembro de 2023, a aplicação de bonificação ou critérios diferenciados de pontuação serão utilizados neste Edital como mecanismo de estímulo à participação e ao protagonismo de agentes culturais de forma representativa por mulheres trans e cis, pessoas negras, povos indígenas, povos e comunidades tradicionais de que trata o § 2º do Art. 4º do Decreto nº 8.750, de 9 de maio de 2016, essoas LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência, pessoas idosas, pessoas em situação de rua, e outros grupos vulnerabilizados socialmente. <br><br>A Secult-PE reforça que os critérios diferenciados de pontuação têm como objetivo valorizar e induzir propostas culturais que contemplem ou tenham associação às políticas afirmativas, podendo ser aplicados a pessoas físicas, a pessoas jurídicas e a grupos e coletivos sem constituição jurídica.<br><br>Após a análise das propostas habilitadas será adicionada à nota final um percentual de indução, não cumulativo, conforme orienta o Art. 6º e 7º da Instrução Normativa MINC Nº 10 e de acordo com a tabela abaixo:</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-23-at-17.01.11.jpeg" alt="A imagem apresenta uma tabela dividida em duas colunas: Segmentos Sociais e Percentuais de Indução. Ela descreve diferentes grupos sociais e os percentuais de inclusão reservados para cada um deles. Abaixo está a descrição da tabela: Mulher (cis/trans) Negra ou Indígena ou Travesti Negra ou Indígena - 25%, Pessoa Negra - 20%, Mulher (cis/trans) ou Travesti - 20% Povos e Comunidades Tradicionais (como Indígenas/Povos Originários, Quilombolas, de Terreiros, Rurais de reforma agrária, Ribeirinhos, Pescadores Artesanais, Ciganos, Extrativistas e outras comunidades tradicionais) - 15%, Pessoa não cisgênero (incluindo homem trans, transmasculino, não binária, queer, pessoa sem identidade de gênero ou com condição específica como intersexo) - 5%, Pessoa idosa (com idade igual ou superior a 60 anos) - 5% Pessoa com deficiência - 5%, Pessoas em situação de rua - 5%" class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>02 -Muitos produtores estão reclamando dos pareceres. Dizem que foram genéricos, sem focar no produto analisado. Qual a relação de pareceristas X projetos dos editais? Há alguma política de uso de inteligência artificial na avaliação dos projetos?</strong></p>



<p><strong>Resposta</strong><em>:</em> Todos os pareceristas foram contratados para esse processo de avaliação por meio de um edital de chamamento, que definiu os pré-requisitos para avaliação e a posterior contratação. A Secult-PE ressalta que todas as propostas foram avaliadas por 3 (três) pareceristas, que têm autonomia para discorrer o seu parecer, assim como as suas notas. Vale reforçar que todos os pareceristas foram orientados a avaliar as propostas atribuídas aos seus agentes de maneira técnica, atenciosa e profissional. Dessa maneira, a Secult-PE reitera que repudia veementemente o uso de inteligência artificial em todos os níveis, não sendo permitida como ferramenta pra avaliação das propostas.</p>



<p><strong>03 &#8211; Há também a reclamação de que a Secult não respeitou a quantidade de vagas para cada linguagem, que seria de 3 vagas. Em &#8220;Teatro&#8221;, há a reclamação de que só houve um projeto selecionado. Por que isso ocorreu?</strong></p>



<p><strong>Resposta</strong><em>:</em> Para esse ponto, a Secult-PE lembra o item 5.1.4. do edital que informa que: &#8220;A divisão por linguagem será atendida enquanto for possível respeitar as reservas de cota e regionalização&#8221;. No que tange a reserva de vagas por linguagem, aproximadamente, a secretaria informa que para artes de teatro no edital de Economia Criativa e Solidária foi contabilizado um total de 4 propostas selecionadas do resultado provisório, podendo esse ser alterado a depender do resultado da avaliação pós-recurso.</p>
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		<title>Aprovado título de patrimônio imaterial do Recife para a venda de seu Vital</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Sep 2024 18:57:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[poço da panela]]></category>
		<category><![CDATA[Seu Vital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Só falta a assinatura do prefeito João Campos para que a venda de seu Vital, no Poço da Panela, se torne oficialmente patrimônio cultural imaterial do Recife. O projeto que chancelou a importância do espaço para a cidade, apresentado pela vereadora Cida Pedrosa (PCdoB) foi aprovado por unanimidade, em segunda votação, na Câmara Municipal do [&#8230;]</p>
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<p>Só falta a assinatura do prefeito João Campos para que a venda de seu Vital, no Poço da Panela, se torne oficialmente patrimônio cultural imaterial do Recife. O projeto que chancelou a importância do espaço para a cidade, apresentado pela vereadora Cida Pedrosa (PCdoB) foi aprovado por unanimidade, em segunda votação, na Câmara Municipal do Recife e, agora, segue para a sanção do prefeito.</p>



<p>A bodega, uma mercearia que mantêm a arquitetura, a decoração e o atendimento dos pequenos estabelecimentos do início do século XX, existe há 56 anos, quando Vital José de Barros comprou o ponto comercial e ficou pagando aluguel dos fundos do imóvel, onde passou a morar com a esposa Severina.</p>



<p>O projeto foi apresentado logo depois que a Marco Zero publicou um perfil caprichado do comerciante Vital José de Barros, de 84 anos, e da intensa vida cultural que gira em torno do seu estabelecimento.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/seu-vital-nao-tem-zap-nem-wifi-nem-pix-mas-o-poco-da-panela-gira-em-torno-dele/" class="titulo">Seu Vital não tem zap, nem wifi, nem pix, mas o Poço da Panela gira em torno dele</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p></p>
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		<item>
		<title>Por que o principal espaço de cultura e lazer agoniza no Cabo de Santo Agostinho?</title>
		<link>https://marcozero.org/por-que-o-principal-espaco-de-cultura-e-lazer-agoniza-no-cabo-de-santo-agostinho/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2024 21:13:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Rafael Negrão* Um dos principais espaços de cultura do Cabo de Santo Agostinho, localizado na rua Joaquim Nabuco, no Centro da cidade, agoniza pelo abandono do poder público. O Teatro Municipal Barreto Júnior, inaugurado em 1985, que leva o nome de José do Rego Barreto Júnior que foi um ator e diretor de teatro [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Rafael Negrão*</strong></p>



<p>Um dos principais espaços de cultura do Cabo de Santo Agostinho, localizado na rua Joaquim Nabuco, no Centro da cidade, agoniza pelo abandono do poder público. O Teatro Municipal Barreto Júnior, inaugurado em 1985, que leva o nome de José do Rego Barreto Júnior que foi um ator e diretor de teatro cabense, nascido em 1903, tendo sido um dos nomes mais importantes do teatro brasileiro empresta o seu nome a dois equipamentos públicos: um no bairro do Pina, no Recife, e outro no Cabo de Santo Agostinho, sua cidade natal, situada na Região Metropolitana.</p>



<p>O teatro do Pina anda em pleno funcionamento, a uns 30 quilômetros do Cabo. Já o do nosso município deteriora em ruínas, tendo completado aniversário do primeiro incêndio, no dia 26 de junho, de 2014. O equipamento público já foi referência na promoção da arte no município que é um celeiro de artistas em diversos segmentos. Em 2017, outro incêndio atingiu o Barreto Júnior causando ainda mais prejuízo que afetou o teto e destruiu parte do palco, além de áreas externas.</p>



<p>Quem, em nossa cidade, não lembra do Festival Nacional de Teatro do Cabo e da Mostra Cabense de Esquetes e Poesias Encenadas (Mocaspe), que reunia milhares de pessoas todos os anos na cidade para prestigiar espetáculos, e performances de vários transformistas e artistas da cidade, da Escola de Artes de Britto? Sem contar com as inúmeras exposições artísticas que traziam vida para o povo do município e de cidades vizinhas. Hoje, o equipamento público só tem servido para o estacionamento dos carros dos policiais do 18° Batalhão da Polícia Militar e para o uso de drogas, prática do sexo, depósito de lixo e entulhos.</p>



<p>Ficam uns questionamentos para os diversos governantes que estiveram e estão à frente da política cultural do município: até quando esse espaço de promoção de cultura e entretenimento será relegado ao descaso? Por que um município que arrecada mais de R$ 1,3 bilhão por ano não prioriza a reforma desse equipamento público? Como mudar esse cenário que coloca a cidade como a 8ª mais violenta do País, segundo o Atlas da Violência de 2024, divulgado na semana passada, no qual ressalta que a juventude pobre, preta e periférica cabense é uma das maiores vítimas da letalidade juvenil, tendo praticamente todos os dias jovens tombando em becos e vielas de nossa cidade conhecida popularmente e midiaticamente como cidade da morte?</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Jornalista, militante dos Direitos Humanos integrante da equipe de Comunicação do Centro das Mulheres do Cabo, sendo colaborador da Agência de Notícias das Favelas e do Programa TVDH/Cátedra Unicap.</strong></p>
    </div>



<p></p>
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		<title>A dura vida de quem trabalha com artes visuais no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/a-dura-vida-de-quem-trabalha-com-artes-visuais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jan 2024 18:54:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[artistas visuais]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura no Recife]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sobreviver da arte é um desafio enfrentado por diversos artistas. Uma inédita pesquisa qualitativa deu contornos mais precisos do que significa esse desafio para 1.535 trabalhadores do campo das artes visuais que atuam no Recife. Por pesquisa qualitativa, entenda-se a análise e aprofundamento de possíveis cenários sobre determinado assunto com um grupo específico. No caso [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sobreviver da arte é um desafio enfrentado por diversos artistas. Uma inédita pesquisa qualitativa deu contornos mais precisos do que significa esse desafio para 1.535 trabalhadores do campo das artes visuais que atuam no Recife. Por pesquisa qualitativa, entenda-se a análise e aprofundamento de possíveis cenários sobre determinado assunto com um grupo específico. No caso da <a href="https://dorso.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa “Dorso”</a>, realizada pela jornalista Nathália Sonatti, entre 2022 e 2023, participaram 30 profissionais de diversas áreas do setor. </p>



<p>A pesquisa identificou que, apesar do talento e competência, esses fazedores da cultura estão constantemente expostos a múltiplas funções, instabilidade e falta de recursos.O estudo partiu de uma metodologia com diferentes métodos de coletas, como entrevistas com agentes culturais do Recife, debates com profissionais das artes visuais e pesquisa histórica.</p>



<p>Quando questionados sobre como é trabalhar com artes visuais no Recife, as respostas que mais se repetem são frases como &#8220;muitos malabarismos e jornadas de trabalho para conseguir pagar as contas&#8221;, &#8220;muita gente termina adoecida, cansada, sem saúde mental&#8221;, &#8220;é trabalhar o tempo todo com instabilidade&#8221; e &#8220;tem que topar fazer de tudo um pouco&#8221;.</p>



<p>As respostas expressam a instabilidade da vida profissional dos artistas visuais e de quem trabalha em atividades dessa área, que convivem com a falta de direitos trabalhistas. &#8220;A maioria dos profissionais de artes visuais não consegue se aposentar por não trabalhar com carteira assinada; ou se aposenta apenas com um salário mínimo&#8221; e &#8220;Muitas vezes as pessoas que trabalham como MEI não têm acesso aos equipamentos necessários para realização do trabalho, como computadores e internet&#8221; foram outras respostas frequentes. </p>



<p>A inquietação de Nathália Sonatti para analisar as condições de trabalho com as artes visuais surgiu após anos de trabalho com o setor. Muitas questões problemáticas e poucas discussões que poderiam embasar estratégias para a melhoria das atividades, foram as principais motivações para chegar até a pesquisa. “A gente acaba tendo que condensar várias funções em poucos profissionais para poder fazer as coisas acontecerem, por causa dessa sobrecarga e das precarizações que existem no setor”, afirma a pesquisadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Longe das políticas públicas</h2>



<p>Quando se fala de políticas públicas e recursos direcionados às artes visuais na capital, poucas são as iniciativas governamentais ou legislativas para favorecer o setor. Da década de 1960 até 2013, por exemplo, foram mapeados apenas 35 ações, entre leis, decretos, conferências, nomeações, criação de movimentos e comissões, planos de orçamento e entre outros, disponibilizados no <a href="https://legis.alepe.pe.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Portal da Legislação Estadual de Pernambuco (Legis).</a></p>



<p>Se o recorte é feito para os últimos dez anos, mais precisamente entre 2013 e 2023, a pesquisa mostra que “não há disponível para consulta pública nenhum decreto ou lei que faça referência a cultura e artes visuais/plásticas no portal LEGIS”. Todas as informações sobre investimentos do setor neste período foram disponibilizadas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).</p>



<p>Quando o assunto é investimentos, a pesquisa aponta que para os editais &#8220;o olhar das bancas avaliadoras é um olhar burocrático. Muitas vezes, importa mais a formatação do documento enviado do que o conteúdo dos projetos&#8221; e &#8220;valores muito baixos e que não são reajustados há anos. Há projetos em que se trabalha 12 meses, mas se recebe o equivalente a cinco ou quatro e se continua trabalhando&#8221;. </p>



<p>Sobre mercado e instituições os artistas entrevistados responderam que &#8220;as instituições não estão preparadas para acolher produções e corpos dissidentes&#8221;, &#8220;Recife é um eixo econômico artístico fora do eixo econômico principal do país e não tem um mercado relevante de colecionadores de arte&#8221;, &#8220;ter alguma visibilidade não significa prosperidade financeira&#8221; e &#8220;apenas trabalhos legitimados por instituições reconhecidas são valorizados pelo mercado&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/01/pesquisa-artes.jpg" alt="Em uma sala fechada de paredes brancas, amplas janelas verticais e piso de cerâmica com figuras geométricas, um grupo de pessoas sentadas formam um plateia em torno de outras quatro pessoas sentadas ao fundo, junto da parede e logo abaixo das janelas." class="" loading="lazy" width="623">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Evento com artistas plásticos recifenses. Crédito: Divulgação</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Assim, o desenrolar dos trabalhos do setor se tornam, além de resistentes, independentes. O estudo revela que &#8220;se não se enquadra no cubo branco &#8211; a galeria, o museu -, se recorre à rua, às festas, à cena noturna&#8221;, &#8220;os equipamentos culturais não recebem verba suficiente para manter uma agenda própria. Para realizar ações nesses espaços, é preciso buscar financiamento de outro lugar (muitas vezes do próprio bolso)&#8221;  e &#8220;é preciso correr muito atrás para fazer um nome, fazer muita coisa de graça, pensar em muitos projetos e tentar financiá-los de alguma forma para conseguir fazer o campo girar, fazer as coisas acontecerem&#8221;.</p>



<p>“A gente configura trabalhar com a arte como uma estratégia muito grande de insistência, em uma tentativa de ter uma ação que acaba sendo extremamente multifacetada também em função dessa sobrevivência, uma vez que se torna um trabalho que, em boa parte das oportunidades, se encontra precarizado, acaba que as pessoas que trabalham com artes visuais lidam com o esgotamento e uma sobrecarga muito grande do que elas fazem”. Essas são as palavras do curador, educador e pesquisador Guilherme Moraes. Ele é um dos fundadores e atual editor da <a href="https://www.instagram.com/propagulo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Propágulo</a>, uma plataforma independente sobre artes visuais em Pernambuco que surgiu como uma revista semestral e agora coexiste com outras produções como livros, podcasts, exposições e outros conteúdos.</p>



<p>Foi constatado que não houve investimento específico para cada linguagem cultural aprovado no orçamento do Legislativo Municipal. A gestão da Prefeitura do Recife destaca que “na programação Municipal destinada às Artes Visuais/Artes Plásticas, normalmente são produzidas exposições de iniciativas da sociedade civil, as quais não envolvem repasse de valores por parte do Poder Público Municipal. Nesses casos ocorrem apenas a cessão do equipamento cultural e tais exposições, desta forma, são realizadas em parceria com os Órgãos Gestores de Cultura do Município”.</p>



<p>Ainda de acordo com as informações via LAI coletadas pela pesquisadora, destaca-se que nos últimos cinco anos, foram realizados investimentos de diferentes fontes, pois o orçamento destinado ao Setor das Artes Visuais/Artes Plásticas tem sido provenientes de parcerias, editais de fomento, patrocínios e do próprio Poder Público Municipal. Foram R$ 413.000,00 pela Lei Aldir Blanc; R$ 927.780,00 pela Prefeitura do Recife e R$ 1.910.599,19, para exposições e outras ações culturais tendo como fontes parcerias com outros agentes sociais.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Atuação coletiva x trabalho individual</h3>



<p>A coletividade é um outro ponto destacado por Nathália Sonatti. Para a pesquisadora, diferente da cadeia produtiva de setores como teatro e música, as artes visuais ainda são vistas numa perspectiva muito individual dos artistas, no entanto, existe uma cadeia produtiva envolvida para que o setor funcione.</p>



<p>“Existe essa demanda para conseguir transformar essas articulações do coletivo, da cadeia dos trabalhadores de artes visuais em estratégias para gerar proposições para cobrar o Estado e fazer as coisas acontecerem de formas mais institucionais e ver mudanças efetivas, com investimentos que envolvam todos, seja por editais ou outros incentivos”, conclui.</p>



<p>Entre todas as demandas, os profissionais participantes da pesquisa trazem à luz possíveis soluções para melhor a qualidade do trabalho. Para o setor público, a &#8220;construção de políticas públicas que de fato funcionem e que sejam proporcionais ao tamanho da cadeia de artes visuais, garantindo a participação de mais trabalhadores nas discussões e formações sobre a categoria&#8221;, além de &#8220;democratizar o acesso às artes visuais, aprofundando o contato com a área na educação de crianças e adolescentes e aumentando a oferta de cursos gratuitos para a população&#8221;. </p>



<p>Já no setor privado, os artistas afirmaram que &#8220;as instituições de artes, ao mesmo tempo que precisam de mais incentivo estatal, também devem atuar voltando esse incentivo à cadeia produtiva, principalmente com a inserção de mais pessoas jovens, negras e LGBTQIA+ nesses espaços&#8221;, consequentemente, &#8220;precisa perceber a potência &#8211; inclusive econômica &#8211; de investir em artistas emergentes, na capacitação e no intercâmbio dentro das artes visuais&#8221;. </p>



<p>Coletivamente, em uma auto organização, os trabalhadores identificaram que precisam &#8220;traçar estratégias para mobilizar e educar a sociedade civil em torno das demandas e potencialidades das artes visuais&#8221;, se articulando para &#8220;desconstruir a tradição elitista das artes visuais, é preciso uma articulação muito transparente entre os esforços do governo, das instituições privadas e da categoria&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/01/artes-Andrea-Rego-Barros_PCR-300x200.jpg">
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	                                        <p class="m-0">Trinta artistas visuais participaram da pesquisa qualitativa. Crédito: Andréa Rego Barros/PCR</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>&#8220;Negritude sem identidade&#8221;: livro de professor da UFPE será lançando nesta quinta-feira</title>
		<link>https://marcozero.org/negritude-sem-identidade-livro-de-professor-da-ufpe-sera-lancando-nesta-quinta-feira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Nov 2023 20:01:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[identitarismo]]></category>
		<category><![CDATA[racialização]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na próxima quinta-feira (09), vai acontecer o lançamento do livro “Negritude sem identidade”, do doutor em filosofia e professor da Universidade Federal de Pernambuco Érico Andrade, na Galeria Maumau, no Espinheiro, Zona Norte do Recife. O evento vai começar a partir das 19h30, com a mediação de Lilian Rodrigues e participação dos artistas Sophia Willian [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na próxima quinta-feira (09), vai acontecer o lançamento do livro “Negritude sem identidade”, do doutor em filosofia e professor da Universidade Federal de Pernambuco Érico Andrade, na Galeria Maumau, no Espinheiro, Zona Norte do Recife. O evento vai começar a partir das 19h30, com a mediação de Lilian Rodrigues e participação dos artistas Sophia Willian e Fykya Pankararu.</p>



<p>Não por acaso, o lançamento acontece no mês da consciência negra para reforçar o debate abordado no livro sobre negritude e desconstrução de identidades coloniais, trazendo uma perspectiva de aquilombamento, com a presença de artistas, estudiosos e empreendedores negros.</p>



<p>“Esse livro, compõe várias camadas, vários elementos da discussão da negritude e que não poderia ser mais interessante lançá-lo no mês da consciência negra para mostrar que a própria consciência negra é diversa, porque nós pessoas negras somos diversos e diversas”, afirma o autor Érico Andrade.</p>



<p>O principal foco da obra é criticar a noção de identidade colonial para pensar subjetividade da experiência de ser negro, propondo uma narrativa singular das pessoas negras a partir do relato pessoal do autor. Com discussões sobre o racismo na filosofia moderna e os seus impactos no Brasil e a construção da racialização, conversando com a psicanálise para romper com o identitarismo branco.</p>



<p>O livro está sendo publicado pela N-1 Edições e o lançamento produzido pela Distro Dysca, que estará com diversos títulos assinados pela editora. </p>



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		<title>Com apoio britânico, Beth de Oxum lança projeto de tecnologia e empreendedorismo em Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/com-apoio-britanico-beth-de-oxum-lanca-projeto-de-tecnologia-e-empreendedorismo-em-olinda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Nov 2023 02:43:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[formação]]></category>
		<category><![CDATA[periferias]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Projeto promove uso consciente das tecnologias e empoderamento de jovens periféricos. Foto: Nin lá Croix/Divulgação</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Abrindo o mês da consciência negra, o LabCoco, com o apoio do Governo Britânico através do <a href="https://www.gov.uk/government/case-studies/uk-brazil-tech-hub-partners-with-future-females-business-school" target="_blank" rel="noreferrer noopener">UK Brazil Tech Hub</a>, lançará neste sábado (04) o <a href="https://www.instagram.com/p/CzJsN0oLwPP/?img_index=1">&#8220;Projeto Tecnologia de Quebrada&#8221;</a>, durante a tradicional Sambada de Coco do Guadalupe, em Olinda, a partir das 20h. Para o lançamento está prevista a roda de conversa &#8220;Papo de cria: tecnologia e identidade&#8221;, com a participação dos parceiros Science Studio e Pajubá Tech, que, ao lado do M.I.N.A.S &#8211; Mulheres em Inovação Negócios e Artes, estarão presentes no processo de formação. </p>



<p>Para promover o letramento digital, o senso de pertencimento, inovação e rentabilidade para negócios de periferias, além do fortalecimento de comunidades a partir do uso consciente das tecnologias, o projeto formará 20 jovens da Região Metropolitana do Recife. &#8220;Vamos aprender juntos, na prática, sobre como usar várias ferramentas digitais para se organizar melhor, construir sua marca e fazer a comunicação&#8221;, afirma a fundadora e presidente de honra do Ponto de Cultura, Mãe Beth de Oxum. </p>



<p>As inscrições ficarão abertas de 04 de novembro à 23 de dezembro, e os detalhes e todas as dúvidas podem ser tiradas no perfil do instagram do LabCoco (<a href="http://@llabcoco" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@llabcoco</a>). E as aulas acontecerão no espaço do Ponto de Cultura Coco de Umbigada que funciona no Beco da Macaíba, em Guadalupe.</p>



<p>A prioridade será para pessoas de comunidades periféricas, negras, indígenas, LGBTQIA+, mães, mulheres, com deficiência, estudantes de escola pública, pertencentes a grupos tradicionais ou comunidades como quilombolas, casas de candomblé, maracatus, cirandas, frevos, grupos de capoeira e coco.</p>



<p>O LabCoco promove capacitação em tecnologia nas periferias desde 2005, reunindo tecnologia, arte, cultura, representatividade e ancestralidade por meio de plataformas de games educativos, laboratórios com metodologias para a construção de jogos e soluções em software e formação cultural para combater a desigualdade social, o preconceito, o racismo e a intolerância religiosa.  <br></p>





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		<title>Quem é Adélia Sampaio, a primeira cineasta negra a gravar um longa-metragem na América Latina</title>
		<link>https://marcozero.org/quem-e-adelia-sampaio-a-primeira-cineasta-negra-a-gravar-um-longa-metragem-na-america-latina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Nov 2023 02:07:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cinema brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Algumas pessoas com quem eu trabalhei diziam ‘o dia em que você alisar o cabelo vai melhorar muito a tua vida’, mase eu respondia ‘então, meu amor, eu vou ficar na pior’”. Primeira diretora negra a produzir um longa-metragem no Brasil, Adélia Sampaio sempre soube da importância em assumir a identidade negra e exibir seu [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Algumas pessoas com quem eu trabalhei diziam ‘o dia em que você alisar o cabelo vai melhorar muito a tua vida’, mase eu respondia ‘então, meu amor, eu vou ficar na pior’”. Primeira diretora negra a produzir um longa-metragem no Brasil, Adélia Sampaio sempre soube da importância em assumir a identidade negra e exibir seu black nos sets de filmagens. </p>



<p>Se, atualmente, ainda não há um contexto de equidade racial nas produções cinematográficas e audiovisuais realizadas no Brasil, em 1984, quando o longa <em>Amor Maldito</em> produzido por Adélia Sampaio foi lançado, a situação era ainda mais difícil. Sem nenhum recurso ou financiamento a cineasta negra realizou a produção do filme inteiramente de modo cooperativo. “Eu realizei todos os meus trabalhos com um ajuntamento de pessoas porque eu acredito que cinema é isso: a arte do coletivo”, declarou Adélia. </p>



<p>Aos 13 anos, Adélia Sampaio teve o seu primeiro contato com o cinema e, desde então, conviveu com a certeza que um dia veria um filme seu exibido nas telas. “Eu queria fazer um filme, eu tinha certeza que era isso que queria fazer e falei isso para a minha irmã assim que terminou a sessão”, disse a diretora. A jornada até se tornar diretora foi longa e, no caminho, passou por diversas outras funções.</p>



<p>Em 1968, no Rio de Janeiro, Adélia Sampaio conseguiu um emprego como telefonista na <a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicao637459/difilm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Difilm</a>, produtora que lançou grandes nomes do movimento Cinema Novo. O convívio com realizadores do cinema, como Glauber Rocha, influenciou o trabalho da cineasta negra, que passou a exercer outras funções na Difilm. Adélia foi maquiadora, continuísta, câmera, montadora e produtora, antes de chegar ao posto de diretora e realizar o sonho de fazer seus próprios filmes. </p>



<p>Sua estreia como diretora aconteceu em 1979 com o curta <em>Denúncia Vazia</em>. Entre as décadas de 1970 e 80, Adélia Sampaio dirigiu também os curtas <em>Agora um deus dança em mim</em>, <em>Adulto não brinca</em> e<em> Na poeira das ruas</em>. </p>



<p>Em 1982, a cineasta negra se tornou pioneira ao começar a dirigir e produzir o primeiro longa-metragem em toda a  América Latina. A obra <em>Amor Maldito</em> é uma ficção baseada em fatos reais que retrata a relação amorosa entre duas mulheres, a executiva Fernanda e a ex-miss Sueli, que termina em tragédia, sucedida por um julgamento criminal repleto de falhas e preconceitos. Devido a todas as polêmicas que envolvem a trama, o longa foi rejeitado pela <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Embrafilme" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Embrafilme</a> e, por isso, não pôde ser exibido e distribuído nas salas de cinema do Brasil. Adélia Sampaio precisou aceitar lançar o filme na categoria de pornô para que ele entrasse em cartaz em apenas oito cinemas de São Paulo. </p>



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	                                        <p class="m-0">Adélia Sampaio em um set de gravações. Crédito: Arquivo Pessoal </p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Adélia dirigiu outros dois longas-metragens documentários: <em>Fugindo do Passado</em> (1987) e <em>AI-5 – O Dia que não existiu</em> (2001), em codireção com o jornalista Paulo Markun. Como produtora, Adélia participou dos filmes <em>Parceiros da Aventura</em> (1980), <em>Ele, Ela, Quem?</em> (1980) e<em> O Segredo da Rosa</em> (1974). Algumas das obras estão disponíveis no<a href="https://www.youtube.com/@adeliasampaio9383" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong> </strong>canal do Youtube da cineasta</a>. </p>



<p>Agora, aos 79 anos, Adélia Sampaio segue produzindo documentários e viaja pelo Brasil em atividades de exibição e debate sobre as suas obras. “Eu acredito que o cinema tem que mostrar a realidade para as pessoas, causar impacto”, defende.</p>



<p>Em passagem pelo Recife, para participar da <a href="https://www.caixacultural.gov.br/Paginas/Programacao.aspx?idEvento=1023" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mostra Sétima Arte Feminina em homenagem a sua carreira &#8211; que acontece até o dia 05 de novembro na CAIXA Cultural do Recife </a>&#8211;  Adélia Sampaio conversou com a Marco Zero Conteúdo sobre o pioneirismo de suas obras, a conjuntura do cinema brasileiro e o combate ao racismo.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>***</strong></p>



<p>Marco Zero Conteúdo<strong> &#8211; Como a primeira mulher negra a conseguir lançar um longa-metragem na América Latina,  o que você tem a falar sobre as dificuldades que enfrentou e a diferença de tratamento entre pessoas negras e brancas na produção cinematográfica? </strong></p>



<p><strong>Adélia Sampaio</strong> &#8211; Bem, houve um apagamento dos meus trabalhos dentro da<a href="https://www.cinemateca.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Cinemateca Brasileira</a>. A instituição, literalmente, sumiu com todos os negativos e eu consegui resgatar algumas das minhas obras porque eu conhecia pessoas que tinham feito cópias, então é claro que isso é uma tentativa de apagamento mesmo da minha história. Para que acabar com os meus filmes, que eu fiz com tanto sacrifício? É óbvio que é uma questão de cor. </p>



<p>Quando eu vejo os comerciais, um negro vendendo um carro zero, é alucinante, porque eu vivi em 80 como produtora de um filme, eu vivi na carne o racismo. A gente tinha 80% de atores negros no elenco da produção e a Embrafilme mandou me chamar e disse ‘não, você não pode, você tem que diminuir esse percentual porque preto não vende’ e eu respondi ‘mas como que preto não vende? A Chica da Silva não vende?’. Quando saiu o resultado do recurso, nossa produção foi contemplada, mas éramos o menor orçamento, mas pelo menos brigamos e conseguimos, e é isso, temos que brigar para conseguir cada vez mais financiamento. </p>



<p>Claro que as dificuldades existem, porém eu faço sempre um discurso prático, eu fiz cinema a minha vida inteira, então é isso que eu quero: que outras pessoas semelhantes a mim possam fazer e a gente vai conseguindo alcançar os espaços, a gente está se fortalecendo, a gente diz por que veio. Eu espero tudo de uma forma sempre muito positiva, como positiva eu levei a vida, com todos os percalços, com todas as tentativas de apagamento da minha história, eu sigo em frente porque eu sempre acho que atrás vem gente. </p>



<p><strong>Como era viver no set nas décadas de 1970 e 80 sendo uma das poucas, quiçá a única, mulher negra naquele ambiente? </strong></p>



<p>Eu só queria fazer cinema e tinha o sonho de conseguir isso, então eu acabei arrumando um emprego na Difilm como telefonista porque assim eu estaria perto do cinema e de quem fazia o cinema. Só depois eu descobri que era uma empresa do Cinema Novo, aí eu conheci o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Glauber_Rocha" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Glauber Rocha</a> e tive uma convivência direta com ele e com outros diretores. Então, eu fiz um curso de continuísta, o primeiro set que eu frequentei foi para ser continuísta, porque naquela época mulher era continuísta, maquiadora ou claquetista, três funções que não tinham a menor importância e eu fui realmente a primeira mulher negra que se enfiou lá no set, mas o set era todo composto pelos negros, que a gente chamava &#8216;o pessoal da pesada&#8217;. Todo mundo dizia, ‘não pode dar o cargo de diretora de produção para uma mulher porque o pessoal da pesada não vai receber ordem de mulher’. Só que aí, depois de fazer curso de maquiadora, eu fui chamada para comandar a produção de um filme do <a href="https://www.museudatv.com.br/biografia/alcino-diniz/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Alcino Diniz</a>, e eu já conhecia o pessoal, a maioria morava na Baixada, no subúrbio, eram pessoas queridas.</p>



<p>E aí, toda vez que eu chegava no set e dizia, ‘olha o almoço está pronto’, o Alcino dizia assim ‘vamos rodar um planinho aqui, depois vocês vão almoçar’. Até que um dia eu cheguei no set e o Walter, que era o eletricista-chefe disse que os técnicos estavam almoçando muito tarde, e eu respondi ‘vocês estão comendo tarde porque querem, o negócio é o seguinte, quando eu chegar falando que o almoço tá pronto e o homem pedir pra fazer mais um plano você desliga a luz e pronto, se você fizer isso você ganha a minha confiança’. E no outro dia eles fizeram isso e eu percebi que tinha uma ligação com os técnicos, tinha um respeito entre a gente. </p>



<p>Daí em diante eu comecei a defender a tese de que o eletricista e o maquinista eram pessoas importantes do set e, por isso, precisariam ter acesso ao roteiro também. Foi uma confusão! Naquela época, era mimeógrafo, fazer cópia era caro. Os produtores ficaram com ódio de mim, acharam que era uma invenção de uma maluca, porque naquela época uma mulher andando pelo set exibindo um black não era levada a sério. </p>



<p>A partir disso eu comecei a conversar sobre a possibilidade da gente inaugurar um sindicato de técnicos do cinema e a gente conseguiu fundar, até hoje ele existe. Com isso, eu acabei sendo eleita &#8216;a rainha da pesada&#8217; e a &#8216;pesada&#8217; deixou de ser uma coisa pejorativa e passou a ser uma coisa muito legal para os técnicos, eles passaram a ter consciência da importância do que eles faziam para o cinema.</p>



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	                                        <p class="m-0">Adélia Sampaio durante as gravações do longa &#8220;Amor Maldito&#8221;. Crédito: Arquivo Pessoal </p>
	                
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<p><strong>Você falou em uma outra entrevista que nós avançamos em termos de consciência negra, mas ainda não chegamos lá. O que falta para que essa conscientização aconteça de forma mais incisiva?</strong></p>



<p>Hoje as emissoras estão inserindo atores e personalidades negras, isso é muito bom porque o negro se vê na tela e ele percebe que pode ser mais, então isso é importante, traz um alívio para quem brigou tanto para ocupar esses espaços. Mas eu acho que falta um discurso mais direto. </p>



<p>Por exemplo, nós estamos vivendo agora a questão de Israel que está brigando com a Faixa de Gaza, mas o povo esqueceu que Israel nunca existiu, eles invadiram um território e viraram um país, entendeu? Se você trouxer para o Brasil, quando os portugueses chegaram aqui os indígenas já estavam aqui e depois vieram os negros, então essa terra é mais do indígena e do negro do que do branco, e isso não precisa estabelecer um conflito como tem acontecido em Israel, mas é necessário que cada pessoa de cor tenha noção disso e precisamos acabar com esse negócio de ‘eu sou pardo, eu sou mulata’, tem preto, branco e amarelo, e ponto.</p>



<p>A gente tem que ter consciência e falar sobre isso sempre, entendeu? Pegar um menino que está entrando na emissora que é preto e e dizer para ele, ‘olha, não tripudie, para você estar aí muita gente já foi tripudiado, então, o que você tem que fazer é convocar a sua turma para invadir esse espaço porque esse espaço também é do negro’. Precisamos conversar com a meninada e mostrar para eles qual é a força que cada um deles tem. </p>



<p><strong>Atualmente você tem participado de diversas atividades que aproximam o público das suas obras. Para você, qual a importância de eventos de cinema como esse, mostras, cineclubes, que aproximam o cinema do público?</strong></p>



<p>O cineclube da minha geração era o chamado formador de plateia, era um jovem que montava um cineclube na sua escola e, ali, fomentava o desejo e a vontade de assistir e fazer cinema. Todo o meu processo tem relação com isso porque, na década de 1980, Luiz Carlos Barreto, o famoso Barretão, me convidou para cuidar dos cineclubes, então, eu tinha que pegar os filmes, levar até os estudantes e depois tinha que conversar sobre as obras e era muito bom, porque não é apenas assistir, é a importância do debate também. E claro, tinham também muitos cinemas de rua, que eram fundamentais para aproximar o público das obras, na minha época, a gente comprava uma entrada e podia passar o dia inteiro no cinema, e assim podíamos assistir e reassistir a obra, hoje em dia não, se a sessão terminar e você não tiver entendido nada do filme fica por isso mesmo. Além disso, as salas de cinema foram diminuindo, na década de 1960 nós tínhamos salas que comportavam 700 pessoas, hoje é tudo micro, por isso é fundamental estarmos sempre brigando pelo cinema para que essa arte se mantenha viva. </p>



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	                                        <p class="m-0">De telefonista da Difilm até diretora de cinema, Adélia Sampaio realizou produções de forma cooperativa. Crédito: Fernando Torquatto</p>
	                
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                    </figure>

	


<p><strong>Ouvindo você falar sobre brigar pelo cinema me faz lembrar que aqui em Pernambuco diversos realizadores do cinema e da cultura estão brigando com o Governo do Estado pela reabertura do Cinema São Luiz, que está fechado há meses…</strong></p>



<p>Eu acho que, ao invés de fechar o cinema, os governantes deveriam criar eventos que possibilitassem a manutenção da estrutura do cinema. O prédio, o espaço do cinema pode ter mil e uma utilidades, não precisa ser só a exibição de filmes, sabe? Criem eventos de música, teatro, dança, porque o cinema ocupa apenas um determinado horário do prédio e há muitas outras horas ociosas que podem ser muito bem utilizadas pelas pessoas, essa é a dica que eu daria para a governadora manter o cinema de portas abertas e em funcionamento. </p>



<p><strong>E como você vê o atual cenário do cinema brasileiro, em termos de financiamento e possibilidades de produção e ganho para os realizadores?</strong></p>



<p>Bom, nós tínhamos um órgão chamado Embrafilme e ele não existe mais, um financiamento que vinha direto do governo, nós tínhamos a lei do curta, que determinava que você ficava com o percentual da renda do filme estrangeiro para o seu curta, mas isso também não existe mais. Então, foram caindo as coisas que deveriam garantir uma remessa de lucro. Então, não adianta a gente pegar a lei do Paulo Gustavo, porque são coisas que não tem grandes dotações, na verdade, quem tem que comandar a verba e o dinheiro para o cinema e toda a atividade cultural do país é o governo.  </p>



<p>A gente ficou mais de cinco anos brigando até conseguir ter a Embrafilme, um órgão tão potente, tão forte, que quando houve a eleição do Collor, ele acabou com a Embrafilme e declarou que iria acabar com a Embrafilme porque o pessoal de cinema não votou nele e ainda fazia campanha contra. A partir dali não aconteceu mais porque não existe, vamos dizer assim, aglomeração em torno de uma ideia, o que no passado existia quando surgiu o Cinema Novo. </p>



<p>Eu realizei todos os meus trabalhos sempre com um ajuntamento de pessoas porque eu acredito que o cinema é a arte do coletivo, se não for assim você não consegue realizar nada. Você não faz uma ideia de um filme isoladamente você tem que ter uma rede de pessoas e pensamentos em torno da sua ideia.</p>



<p><strong>Você continua na ativa produzindo filmes e viajando o Brasil para divulgar as suas obras. Conta um pouco sobre os seus planos para o futuro e os próximos trabalhos.</strong></p>



<p>Eu tenho viajado bastante para falar do meu trabalho, acho que antes da pandemia eu viajei quase o Brasil, pelo projeto SESC, e foi muito bom porque depois veio a pandemia e eu fiquei quieta em casa.</p>



<p>Eu acho que a gente tem que brigar mesmo por exibição para mostrar para as pessoas trabalhos relevantes como <em>Amor Maldito,</em> que é uma obra importantíssima onde eu falo da violência doméstica, que é uma coisa que ainda está aí na latência, falo da questão da homossexualidade e de como as relações de abuso e poder se entrelaçam. </p>



<p>E eu continuo filmando, meu último trabalho é um curta que foi finalizado há uns seis meses e se chama <em>O olhar dos anos 60</em>, que fala da minha geração, uma geração fantástica, que protagonizou muitas revoluções, que era muito inquieta, e que infelizmente foi devastada e atropelada pela ditadura e também pela AIDS, então, no filme eu tento mostrar isso, como uma geração tão alegre e enérgica acabou se tornando uma verdadeira tristeza coletiva.</p>
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		<title>Kleber Mendonça Filho fala sobre política cultural, defesa da cidade e a paixão por cinema</title>
		<link>https://marcozero.org/kleber-mendonca-filho-fala-sobre-politica-cultural-defesa-da-cidade-e-a-paixao-por-cinema/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Oct 2023 11:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Erika Muniz* Desde a infância, Kleber Mendonça Filho já se encantava com as potencialidades do cinema. E essa relação recebeu incentivo de sua família desde sempre, sobretudo por parte da sua mãe, a historiadora Joselice Jucá. Mas também – como é roteiro na vida de muitos que se propõem a seguir uma carreira ligada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Erika Muniz*</strong></p>



<p>Desde a infância, Kleber Mendonça Filho já se encantava com as potencialidades do cinema. E essa relação recebeu incentivo de sua família desde sempre, sobretudo por parte da sua mãe, a historiadora Joselice Jucá. Mas também – como é roteiro na vida de muitos que se propõem a seguir uma carreira ligada às áreas artísticas – encontrou quem acreditasse que seria passageiro, que se tratava de um hobby ou que não imaginava que aquele interesse e dedicação fossem resultar numa parte importante de sua vida, sua profissão – mas, felizmente, é o que aconteceu. Hoje, já são mais de duas décadas deste pernambucano como realizador.</p>



<p>Diretor de obras como <em>O Som ao Redor</em>, <em>Aquarius</em> e <em>Bacurau</em>, entre muitas outras, Kleber lançou este ano <em>Retratos Fantasmas</em>, que, na melhor das sínteses, é um filme “sobre esse cinema” – essa linguagem capaz de reunir multidões em uma fila ao redor do Cinema São Luiz, na rua da Aurora, durante um festival dedicado a essa arte, seus sentimentos e seus encontros.</p>



<p>Além de cineasta, Kleber se dedica à coordenação de cinema do Instituto Moreira Salles, mas já trabalhou também como crítico no Jornal do Commercio e como programador do Cinema da Fundação, participando da construção de repertório de gerações de cinéfilos e cinéfilas recifenses.</p>



<p>“Tem a história do Paul Schrader, o roteirista de <em>Taxi Driver</em>, que é cineasta também. Ele sempre diz que descobriu o cinema aos 18 anos. Muito impressionante. Acho bonito até, a pessoa ter chegado tão tarde à ideia de cinema. Se apaixonar por um filme pela primeira vez aos 18 anos. Acho que é uma loucura e acho incrível que ele seja Paul Schrader e fale isso. Mas, no meu caso, realmente foi desde criança, desde pequeno. Eu ia para a máquina de escrever da minha mãe para poder escrever pedidos, com até o horário da sessão, para a gente ver um filme no cinema”, relembra o artista, durante nossa conversa, e complementa: “É coisa antiga.”</p>



<p>Esta entrevista aconteceu numa manhã de quarta-feira, no parque das Graças, em meio à agenda de viagens que o diretor vem realizando para a divulgação de sua mais recente produção, cuja estreia mundial aconteceu no Festival de Cannes – e, inclusive, já ultrapassa 70 mil espectadores. Bem próximo ao Capibaribe, o intenso calor do Recife deu uma trégua naquele turno e conversamos sobre <em>Retratos Fantasmas</em>, política pública de cultura, direito à cidade, mas também sobre ficção, poesia, “real”, a cidade que se deseja e sobre, como não poderia deixar de ser, o fazer cinema.</p>



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	                                        <p class="m-0">Cinema São Luiz marca a vida do cineasta e de várias gerações de recifenses. Crédito: João Carlos Lacerda</p>
	                
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<p>Marco Zero Conteúdo<strong> &#8211; Em <em>Retratos Fantasmas</em>, você traz sua mãe, a historiadora Joselice Jucá, para a narrativa. E ela lhe levava para a sala de cinema. A primeira vez que fui ao cinema, foi com a tia Eliane, que hoje trabalha lá. Foi justamente no São Luiz, ele que me apresentou o que é uma sala de cinema. Queria saber como foi a construção de sua relação com o cinema, que passa pela sua mãe. E, também, o que é o que o Cinema São Luiz significa para você?</strong></p>



<p><strong>Kléber Mendonça Filho</strong> &#8211; Bom, feito você, eu também tive essa experiência de ir pela primeira vez numa sala de cinema no São Luiz. Fui com minha mãe, acho que foi em 1973. Eu tinha 4 anos e ela me levou para ver um festival <em>Tom &amp; Jerry</em>, só desenho animado. E o São Luiz… claro que se tivesse sido em qualquer outro cinema, seria memorável. Mas, por sorte, foi o São Luiz, que é uma sala muito especial, e que permanece, né? Ela foi salva, digamos assim, ela sobreviveu. Tanto é que você, de uma geração que veio depois, também teve essa experiência. E hoje a sua tia trabalha no São Luiz. Mas o São Luiz foi só o início de uma relação muito próxima que eu tive – e que foi estimulada pela minha mãe – de ir ao cinema. Ir ao cinema no Recife, depois, quando ela foi estudar na Inglaterra, ir ao cinema na Inglaterra, ir ao cinema em vários lugares que a gente viajou. Ela me dar uma câmera fotográfica para tirar fotos, quando eu era adolescente. Então, todas essas relações passam muito por ela. A ideia de contar histórias passa por ela também. Ela não era só uma contadora de histórias de maneira informal, mas era uma historiadora, né? E ela ia geralmente nas fontes que não eram… que ninguém prestava muita atenção naquelas fontes. Pessoas chamadas “comuns”, que não são “pessoas comuns”, são pessoas. Mas dentro da ideia da Academia, eram “pessoas comuns”, não eram acadêmicos e intelectuais “que tinham algo a falar”. Isso tudo, para mim, é muito formador.</p>



<p><strong>Ainda sobre <em>Retratos Fantasmas</em>, queria que você contasse um pouco sobre essa seleção das imagens que foi utilizada e sobre o roteiro também.</strong></p>



<p>O roteiro, na verdade, não existiu. Não teve roteiro. Claro que agora que o filme está pronto, pensando no processo, alguém pode tentar argumentar que é claro que teve roteiro, que ele foi construído, mas ele foi construído na montagem. A montagem que me pedia – a montagem não é ninguém, é o filme sendo feito –, mas o filme me pedia que eu escrevesse determinadas falas para o filme. Aí, dia a dia, fui escrevendo novas falas e dia a dia, eu levava nessa hora, inclusive, para casa de Matheus (Farias, montador, diretor e roteirista), onde a gente trabalhava na montagem do filme. Então, ele não teve roteiro. <em>O Agente Secreto</em>, que é o meu novo filme, tem um roteiro, de 167 páginas. Até por uma questão de responsabilidade fiscal, tem que ter um roteiro, mas o <em>Retratos Fantasmas </em>foi se fazendo pelo material que encontrei. É como um historiador mesmo, que encontra depoimentos, encontra fotos, encontra documentos que vão construindo a ideia do historiador, da historiadora, sobre o que está escrevendo. É muito isso mesmo, é um filme de História ao pé da letra.</p>



<p><strong>Que cidade você deseja para a gente, Kleber? Falando sobre direito à cidade, mas também sobre direito à cultura.</strong></p>



<p>Desejo uma cidade onde a cultura estabeleça o estado de espírito da cidade. E eu desejo uma cidade onde o mercado não domine o estado de espírito da cidade. Acho que o mercado pode existir e faz parte da sociedade, mas o mercado não pode estabelecer o batimento cardíaco da cidade e acho que é isso que acontece em muitas cidades do mundo, brasileiras e tem acontecido com o Recife. “O mercado decidiu que o centro da cidade não é mais interessante.” Não, alguém precisa ignorar isso. “O mercado decidiu que o lugar para passear é o shopping center.” Isso não pode acontecer. “O mercado decidiu que o lugar para ver filme é o multiplex.” Isso não pode acontecer. A gente deveria ser capaz de somar coisas, não de aniquilar coisas para o mercado poder se aproveitar. E a cidade precisa ter uma governança humana. Porque a cidade é para muita gente, não é para uma tribo especial. Então, essa é a cidade que eu quero.</p>



<p><strong>Tem uma frase de <em>Retratos Fantasmas</em> que me marcou e muita gente tem comentado: “filmes de ficção são os melhores documentários”. Quanto de ficção tem no real e quanto de real existe na ficção?</strong></p>



<p>Bom, esse parque aqui (O parque das Graças, localizado no bairro homônimo), ele é o que ele é. Ele é um parque, ele foi projetado e foi construído. E você pode ter uma visão bem seca e pragmática dele, que acho que seria a “realidade”. Mas o que você coloca de bom no parque, que vem de você, talvez seja uma ficção. Mas acho que ela também é baseada na realidade. Você pode anular o Recife, dizer: “essa cidade é horrível”. Mas você pode dizer: “não, essa cidade é interessante…” O interessante é a sua parte, que você consegue trazer pra ela. É você que poetiza um pouco a cidade. Essa é a parte talvez ficcional da realidade, o quanto você consegue trazer de você mesmo para algo que é pragmático. Acho que o <em>Retratos Fantasmas</em> é sobre coisas reais, mas tem uma carga muito forte de poesia ali, né? E, na carga de poesia, existe também um sentimento real, por exemplo: pegar um uber é uma ação real, do mundo real, mas, a partir de um momento, a partir de uma determinada hora da noite talvez eu começo a sair fora da realidade, quando estou num uber. Às vezes, até a conversa com o motorista ou a motorista me leva a isso. Então, essa fronteira se torna bem difícil de estabelecer.</p>



<p><strong>Você se formou na UFPE. Como foi esse momento para você e como você vê a importância da valorização da universidade pública?</strong></p>



<p>A universidade pública é uma das bases da sociedade. No Brasil, com certeza; na Europa, com certeza. Nos Estados Unidos, ainda estão trabalhando nisso, mas espero que eles cheguem lá. Para mim, foram anos de formação muito importantes, entre 1988 e 1992. Conheci muita gente que me desafiou, que me fez companhia em pensamentos e que, até hoje, são parte da minha vida. Tive professores que me formaram, que me trouxeram ideias. A grande Nelly Carvalho, Inês Amorim são professoras que me acompanham até hoje em ideias. No uso do Português, na ideia de neologismo e nas fotografias. A universidade pública precisa sempre ser valorizada e defendida pelo Brasil. Não só pela gente, mas pelos governos. É uma base muito importante da sociedade brasileira.</p>



<p><strong>Em sua obra, alguns de seus filmes me fazem pensar muito sobre os lugares. Sobre a nossa relação com esses lugares, com a casa, com a cidade. E o centro da cidade também aparece. Mas de que lugares são feitos para você?</strong></p>



<p>Eles são feitos de história, de geografia… mas, como falei na outra resposta, eles são feitos também de você mesmo. É o que você consegue fazer do lugar. O São Luiz, por exemplo, não é só o São Luiz. É o que ele agregou ao longo de 70 anos em relação à população dessa cidade. E [agregou] a também muita gente que não é da cidade e, por acaso, se viu no São Luiz ao longo da vida. Alguém que veio numa viagem de trabalho, alguém que veio ficar com a família e terminou sendo levado para uma sessão no São Luiz. Tudo isso faz parte da experiência pessoal, a experiência pessoal é projetada no lugar. E o lugar também se projeta na pessoa. Isso, para mim, é fascinante. Acho que é por aí que surge a ideia de um sentimento fantasmagórico. Porque, no São Luiz, quando você vai no São Luiz… sei lá, quando você vai de manhã no São Luiz e estão fazendo a faxina e você entra naquela sala e vê aquela sala vazia, é muito forte. Porque, na verdade, você tem a experiência de estar naquele lugar repleto de gente. Essa carga se torna histórica. E, ao ser histórica, ela é cultural também. E ela é social. Porque o São Luiz é um dos poucos lugares no Recife que juntam uma diversidade muito grande de pessoas. Isso é muito forte. Aí, você está falando de cultura, de indústria – cinema é indústria também –, mas é cultura, é formação, é ponto de vista e identidade cultural.</p>



<p><strong>Às vezes, a gente escuta tanto no jornalismo cultural, como também na crítica de cinema, uma ideia de “cinema pernambucano”. O que é que você pensa sobre isso? Existe, na sua percepção, uma identidade do cinema pernambucano?</strong></p>



<p>Eu até acho que existe. Porque o cinema pernambucano é muito peculiar no jeito de… tem uma personalidade forte. Não existe, por exemplo, um cinema pernambucano comercial genérico. O cinema pernambucano, geralmente, é bem autoral. Hoje, neste momento, não sei muito bem como está o conjunto coletivo do cinema pernambucano. Eu tinha uma visão mais clara há dez anos, por exemplo. Acho que com a pandemia, com os anos de Bolsonaro, é como se tivessem botado água. Mas, de toda forma, esse cinema existe. E é um cinema que tem um ponto de vista que é muito diferente do cinema, por exemplo, sudestino, que domina, de uma certa forma, o cinema comercial, a teledramaturgia. É muito diferente de tudo isso. Durante muito tempo foi um padrão no Brasil, talvez ainda seja um padrão. Mas o cinema pernambucano tem um sotaque e um ponto de vista muito peculiar e muito nosso.</p>



<p><strong>A gente tem acesso a notícias da mídia de um filme brasileiro quando sai lá fora. Mas como costuma ser a reação do público? Como trocam com você sobre os seus filmes?</strong></p>



<p>Tenho a sorte de ter feito filmes que, de alguma maneira que eu não entendo muito bem como, eles se comunicam fora do Brasil também. É claro que um filme americano visto no Brasil não tem a mesma reação que ele pode ter numa cidade nos Estados Unidos. A mesma coisa com um filme brasileiro. Talvez se percam alguns aspectos relacionados à linguagem, a observações da vida no Brasil, mas em geral são filmes que… tipo, <em>Aquarius</em> é um filme que é muito visto na França, lançado nos Estados Unidos. Bacurau também, em muitos países. Acho que é muito boa a forma como esses filmes chegam. <em>Retratos Fantasmas,</em> muita gente, no início, que acho que vem de uma visão muito provinciana daqui, reagiu assim: “Ah, mas o filme é muito daqui, a produção é daqui, não sei se esse filme vai ser entendido lá fora, porque ele é muito sobre a ponte Duarte Coelho”. Lá fora, a ponte Duarte Coelho é uma ponte, você não sabe qual é o nome da ponte. A ponte da Boa Vista é uma ponte de ferro que você vê no filme, não acho que tem tanta diferença, não. Acho que o brasileiro tem uma tendência a achar que nossos filmes talvez não sejam compreendidos lá fora. Mas a gente vê filmes feitos no Brooklyn ou na Suécia e a gente os entende.</p>



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	                                        <p class="m-0">Kléber Mendonça acredita que público internacional entenderá Retratos Fantasmas. Crédito: Divulgação</p>
	                
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<p><strong>A gente está falando de arte, mas sobretudo de audiovisual. Qual a importância, na sua percepção, das políticas públicas de cultura para o desenvolvimento dessa cadeia produtiva no Brasil?</strong></p>



<p>Elas são totalmente importantes, são parte da Constituição. Você poder se expressar e ter os meios para poder se expressar, num mundo onde a gente recebe tudo pronto e empacotado dos Estados Unidos, é uma questão política, é uma questão de identidade cultural, é uma questão de cidadania. Então, que artistas brasileiros continuem tendo os meios para continuar pensando, produzindo e se expressando. Quando um filme como <em>Retratos Fantasmas</em> passa no Festival de Nova York – como vai passar – e tem matéria no New York Times, você está marcando presença como cultura, como país. Quando um filme como <em>Retratos Fantasmas </em>é lançado na França – como vai ser, no dia 11 de novembro –, você está dizendo: “a gente faz parte da discussão cultural.” E isso vem de um filme que foi feito com recursos públicos, um filme que custou 1 milhão de reais, o que é muito, muito pouco, sobretudo para um longa. Acho que prova que o sangue da cultura é feito pelas obras feitas no país. E que essas obras sejam cada vez mais diversas, que sejam do Rio Grande do Sul, que sejam de Tocantins, da Paraíba, do Rio de Janeiro, do Recife, que a periferia faça filmes, que o pessoal do Amazonas faça filmes e que tudo isso faça parte de um caldeirão de ideias e que isso seja feito com investimento do Estado, porque esse investimento vai voltar. Ele volta na quantidade de gente que trabalha no filme, na quantidade de gente que divulga o filme, nas pessoas que escrevem sobre o filme, que estão também ao redor dessa cadeia. E, tudo dando certo, nas pessoas que vão ao cinema ver o filme, ou no <em>streaming</em> que vai comprar o filme. Tudo isso faz parte do sangue da cultura. E esse dinheiro não é investimento ou fundo perdido, como muita gente diz, é um dinheiro que volta, ele faz parte da sociedade.</p>



<p><strong>Tenho amigos que fazem ou fizeram cinema, e você é uma das referências. Queria que você falasse, para quem está começando a fazer cinema agora. O que você gostaria de ter ouvido quando começou?</strong></p>



<p>Acho que hoje quem está fazendo cinema, e é muito jovem, está fazendo cinema numa época que é incrível, porque a tecnologia lhe permite se expressar. Hoje, com um telefone, como esse que você está segurando, você pode fazer algo incrivelmente bem-acabado, 100 vezes melhor do que eu conseguia fazer quando estava na universidade. Tinha acesso a um equipamento VHS, com fitas grandes e qualidade bem baixa. A parte que os jovens precisam entender é que tecnicamente a coisa está muito mais fácil, mas a capacidade de expressar ideias continua sempre o mesmo desafio. O mesmo desafio do início do século XXI, quando eu estava na faculdade, continua hoje. O que você vai colocar para fora? O que você vai expressar? Isso vem de experiência de vida, de talento artístico. Talento não é algo que você consegue comprar nem baixar um aplicativo. E da sua formação como pessoa, né? Isso vem de livros, vem da sua capacidade de interagir e entender o mundo, vem de filmes que você vê, vem de toda uma formação pessoal, que aí é você que tem que trilhar o seu próprio caminho. E você precisa estar de olhos e ouvidos abertos para o mundo. Essa é a parte que eu não tenho muito como ajudar, porque cada um trilha o seu caminho.<br><br>C<strong>omo nasce uma história que você queira realizar e queira contar nos seus filmes? Como ela costuma nascer? Ou ela não tem uma lógica?</strong></p>



<p>Não tem uma lógica. É algo que você vai pensando aos poucos, aos poucos e depois passa um tempo e você acha que aquela ideia realmente continua na sua cabeça e você está realmente pensando em desenvolvê-la. É algo que leva muito tempo e você tem que testar a ideia por um tempo, não através de uma prova com itens, mas você deixa o tempo passar e entende que aquilo realmente é algo que você quer fazer.</p>



<p><strong>Como é sua expectativa com relação à possibilidade de <em>Retratos Fantasmas</em> ir para o Oscar?</strong></p>



<p><em>Retratos Fantasmas</em> é o filme brasileiro de maior presença internacional este ano e, como tal, ele vai representar o Brasil no Oscar. Eu, como sempre, divulgo os meus filmes e trabalho para os meus filmes. Vou aonde os meus filmes vão. Vou para os Estados Unidos na semana que vem, vou para Los Angeles no final do mês e vou fazer tudo o que o filme quer que eu faça para divulgá-lo. É um filme sobre o cinema e Hollywood gosta de filmes que falam sobre o cinema. Encaro tudo isso com muita tranquilidade. Sei que é um pandemônio, as pessoas pensam em Oscar, mas, para mim, é um desafio como qualquer outro. O filme vai para o Festival de Cannes, vou para o Festival de Cannes; as pessoas fazem perguntas, tento responder às perguntas; a imprensa quer falar comigo, falo com a imprensa. Tudo isso faz parte do trabalho do filme. Acho que o Oscar é isso, talvez numa energia mais alta, mas estou sempre pronto para trabalhar para o filme.</p>



<p><strong>Sobre a política de Cota de Tela para produções cinematográficas nacionais. Como você percebe a relevância disso para a formação do público brasileiro?</strong></p>



<p>É totalmente importante e elas precisam voltar o mais rápido possível. O agronegócio tem cotas. Os sul-coreanos e os franceses usam cotas para defender o mercado nacional de filmes estrangeiros, de Hollywood. O <em>Retratos Fantasmas</em> já está com 70 mil espectadores – o que é muito bom e sem cotas – mas se tivesse cota, teriam muito mais, porque os cinemas precisam cumprir as cotas e ao tentar evitar as multas, vão procurar filmes brasileiros e geralmente eles pegam filmes que estão muito em evidência. <em>Retratos Fantasmas </em>é um filme que está em evidência, o <em>Elis &amp; Tom</em> é um filme que está em evidência, o <em>Nosso Sonho</em> é um filme que está em evidência, então, todos esses filmes se beneficiariam da Lei de Cota de Tela. Defendo e quero que ela volte o mais rápido possível.</p>



<p><strong>E, para finalizar, por que cinema?</strong></p>



<p>Porque, para mim, é fascinante poder capturar imagens e retransformá-las. Gosto muito da ideia dessas imagens serem vistas daqui a 300 anos. [risos] Tudo dando certo, vão ficar guardadas em algum lugar. E acho também que é uma maneira de eu colocar a minha mão para cima e dizer que tenho algo a falar. O grande desafio é entender se tenho algo a falar. O grande perigo é você colocar a mão para cima e quando vai falar, não tem o que dizer. Esse é o meu maior medo, talvez. Mas até agora estou indo de uma maneira que geralmente tenho algo a falar. <em>Retratos Fantasmas </em>foi esse último exercício, cronologicamente, no sentido de dizer que tenho algo a falar. O próximo é <em>O Agente Secreto</em>. Acho que cinema é como se fosse a criação de um álbum de imagens.</p>



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	                                        <p class="m-0">O papel do mercado na vida da cidade é alvo das críticas do diretor. Crédito: Cinemascópio</p>
	                
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<p><strong>*Erika Muniz é jornalista formada em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco e em Comunicação Social pela Universidade Católica de Pernambuco. Pesquisa a área de cultura, assinando trabalhos na Revista Continente, Quatro Cinco Um, Revista O grito! e JornaldoCommercio.</strong></p>



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