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	<title>Arquivos democracia - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 30 Jan 2026 16:02:01 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos democracia - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Fátima e Índia no coração do Agente Secreto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2026 16:01:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[O Agente Secreto]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Lua Lacerda* O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, surge em um momento significativo da produção cultural brasileira, quando o país tem sido compelido, histórica, política e simbolicamente, a encarar um de seus maiores traumas: a ditadura militar de 64. Essas narrativas dialogam com um presente em que golpistas e militares foram investigados, julgados [&#8230;]</p>
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<p>por Lua Lacerda*</p>



<p>O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, surge em um momento significativo da produção cultural brasileira, quando o país tem sido compelido, histórica, política e simbolicamente, a encarar um de seus maiores traumas: a ditadura militar de 64. Essas narrativas dialogam com um presente em que golpistas e militares foram investigados, julgados e condenados por tentativas recentes de ruptura democrática. Esse movimento histórico nos força a olhar “para trás”. A ditadura deixa de ser um capítulo encerrado e passa a ser algo que precisa ser constantemente rememorado, remexido, redito. Trata-se de um passado que não se esgota e que, talvez, nunca deva se esgotar.</p>



<p>Nesse contexto, O Agente Secreto se impõe como um filme fundamental. Não porque simplesmente retome a temática da repressão, mas porque o faz a partir de um lugar singular, tanto do ponto de vista estético quanto narrativo. Kleber Mendonça Filho trabalha com uma linguagem cinematográfica sofisticada, marcada por camadas, silêncios, deslocamentos e tensões internas. O filme não se limita a contar uma história, pois pensa o próprio modo de narrar. Seu movimento temporal, com constantes rupturas, retornos e infiltrações do presente, mimetiza o funcionamento da memória, que não se organiza de forma cronológica, mas por fragmentos, lapsos e insistências. É nesse gesto formal que o filme se afasta do relato histórico convencional e se constitui, ele próprio, como uma investigação sobre memória, arquivo e ausência.</p>



<p>Isso tem consequências diretas no modo como a narrativa se organiza e no lugar de onde ela é contada. Um dos aspectos mais relevantes do filme é, justamente, seu caráter profundamente local. A história se passa em Recife, e o personagem de Wagner Moura, Armando, é um professor universitário cuja experiência com a ditadura é situada e marcada pelas tensões regionais e pela xenofobia dos fascistas do Sul. Isso é fundamental. Durante muito tempo, as narrativas sobre o período ditatorial no Brasil se concentraram em certos centros, como Rio e São Paulo, e em experiências tomadas como universais, majoritariamente masculinas e brancas, apagando especificidades regionais, como as do Nordeste racializado. O Agente Secreto reivindica a importância dessas histórias locais como parte do processo de elaboração do trauma. Sem essas histórias faltosas, o trauma não pode ser completamente elaborado. A identificação do público recifense com o filme não é apenas afetiva. Ela também é política. Trata-se de uma forma de reparação simbólica, de reconstrução da memória a partir de um território específico.</p>



<p>Essa lógica se desdobra também no contraste entre diferentes gerações e diferentes modos de lidar com o passado, representado de forma precisa pelas duas jovens personagens pesquisadoras da atualidade. De um lado, a distração, a preguiça de olhar os jornais, de escutar os áudios, de se deter sobre aquilo que gera incômodo. Do outro, a figura da jovem curiosa, “danada”, insistente, elogiada pelo personagem Fernando por sua vontade de cavar arquivos, ouvir registros e buscar rastros. Esse contraste espelha uma tensão contemporânea muito real entre o esquecimento confortável e o trabalho ativo da memória. Essas pessoas que escavam o passado existem, nós somos elas e o próprio diretor também se coloca nesse lugar.</p>



<p>No entanto, um dos núcleos mais importantes do filme tem passado despercebido: a forma como são construídas duas personagens fundamentais, Fátima, interpretada por Alice Carvalho, e a mãe de Armando, conhecida apenas pelo apelido de “Índia”. Embora ocupem lugares muito distintos na narrativa, essas duas mulheres organizam, em camadas diferentes, o debate mais profundo que o filme propõe sobre memória e violência no Brasil. É a partir delas que O Agente Secreto desloca seu eixo da repressão política para algo anterior, estrutural. Uma história mais antiga e mais recalcada no inconsciente do país.</p>



<p><br>Fátima, esposa de Armando e mãe de Fernando, ocupa no filme um lugar tão decisivo quanto paradoxal. Mulher negra e politicamente consciente, ela aparece pouco, quase nunca como presença contínua no enredo, mas retorna de forma insistente como lembrança. Fátima está nas fotografias, na imagem que Armando carrega consigo, na memória do filho. Sua existência no filme se constrói menos pela ação direta do que pela permanência da ausência. Há apenas uma cena em que ela aparece corporalmente, em retrospectiva, no jantar com Armando e Girote. Nela, Fátima se impõe, fala com firmeza, xinga os fascistas. Essa breve aparição é suficiente para afirmar sua força e, ao mesmo tempo, evidenciar algo fundamental: Fátima é uma presença que o filme escolhe manter à margem do presente narrativo.</p>



<p>Parte da recepção tende a reduzi-lo a “mais um filme sobre a ditadura”. Sim, mas também trata-se de um filme que constrói uma longa investigação em torno da história da mãe de Armando, uma busca que atravessa toda a narrativa, inclusive em escolhas aparentemente laterais, como o local de trabalho do personagem. Ao final, o que se revela é silenciosamente violento: essa mulher era chamada de “Índia” porque era, de fato, indígena; foi violentada ainda muito jovem, aos 14 anos, quando vivia em condição de exploração doméstica, como escrava de uma família. Não há documentos, não há registros, não há arquivos. Tudo o que sabemos dela é a forma como era chamada (não o seu nome, mas o nome que lhe foi dado pelos outros).</p>



<p>Entre Fátima e a “Índia” se desenha uma gradação da violência brasileira: da mulher negra cuja presença persiste como ausência, ainda deixando vestígios na memória e nas imagens, à mulher indígena cuja história foi quase inteiramente apagada. Por isso elas estão no coração do filme: porque, embora seja possível narrar a ditadura, investigar seus crimes e reconstituir seus mecanismos de violência, há uma violência fundante, mais antiga e talvez mais decisiva, que permanece inalcançável. A violência colonial, o genocídio indígena e a exploração sexual e racial que estruturam a formação do Brasil não deixaram arquivos organizados, não cabem nos jornais, não aparecem nas gravações. Elas existem como ausência, como lacuna, como trauma sem nome e, ao mesmo tempo, como uma chave possível para compreender a violência que se desdobra posteriormente nesse território.</p>



<p>O gesto mais radical de O Agente Secreto está justamente naquilo que ele não consegue resolver. O filme olha para o passado na tentativa de compreendê-lo, mas reconhece seus próprios limites. Talvez seja justamente aí que ele se torne brilhante: ao admitir que as respostas mais importantes estão naquilo que não pode ser plenamente contado. Trata-se, portanto, de um filme sobre memória, mas também sobre o fracasso da memória. Um filme que investiga, que escava, que é danado e que, ao final, nos confronta com a constatação de que há uma violência fundante da história brasileira que não está nos registros. É nessa ausência, nessa ferida aberta, que o filme encontra sua força mais profunda.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Jornalista e escritora, doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É autora dos livros Ultramar (Editora da União, 2023) e Redemunho (Editora UFPB, 2019).</p>
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		<title>Luciana Veras // É na rua que o frevo faz revolução</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:12:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Beatriz Santana* Há quase 50 anos, o Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho É Pouco arrasta pelas ladeiras de Olinda um dragão vermelho e amarelo que carrega mais do que confete e serpentina: carrega um ideal político e coletivo. Desde o primeiro desfile, em 1977, o bloco se destacou por unir descontração [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="(max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Há quase 50 anos, o Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho É Pouco arrasta pelas ladeiras de Olinda um dragão vermelho e amarelo que carrega mais do que confete e serpentina: carrega um ideal político e coletivo.</p>
</div></div>



<p>Desde o primeiro desfile, em 1977, o bloco se destacou por unir descontração e seriedade, transformando alegria em posicionamento. “Organizar a raiva em defesa da alegria”, lema criado em plena pandemia, sintetiza a essência do grupo. A jornalista Luciana Veras, voluntária do <em>Eu Acho É Pouco</em>, explica que o bloco sempre foi “um espaço político por excelência”, onde a liberdade de ser e pensar se manifesta em plena rua.</p>



<p>Durante a Ditadura Militar, amigos perseguidos e torturados pelo regime criaram o bloco como forma de protesto. A orquestra e a folia tornaram-se armas simbólicas na defesa da redemocratização. “Passado meio século, estamos onde a gente sempre esteve: numa defesa ferrenha da democracia e também da liberdade de pensar o Carnaval como espaço em que as pessoas podem ser quem elas querem ser. De militância aberta, de esquerda”, afirma Luciana.</p>



<p>Para ela, o bloco continua em militância aberta e cotidiana: “Chegamos até aqui cada vez mais próximos desse ideal que não é utópico. Utopia é algo distante; o nosso ideal é concreto: a política se faz todo dia”.</p>



<p>Sem receber subvenção pública por escolha própria, o <em>Eu Acho É Pouco</em> mantém-se com a força da coletividade. A autonomia é sustentada pela venda de camisetas, eventos e o tradicional Baile Vermelho e Amarelo, realizado desde 1982. </p>



<h2 class="wp-block-heading">É a coletividade que leva o Dragão às ruas</h2>



<p>A agremiação não tem hierarquia nem diretoria: é movida por voluntários que trabalham durante todo o ano. “O Carnaval em Pernambuco vai muito além da sazonalidade. Estamos sempre pensando, planejando e renovando a agremiação”, diz Luciana.</p>



<p>Essa autogestão garante liberdade política e criativa. O bloco já desfilou em apoio à eleição de Dilma Rousseff, em protesto contra o golpe de 2016 e, mais recentemente, participou do ‘Cortejo do Futuro’, durante a posse de Lula em 2023, quando o dragão cruzou a Esplanada dos Ministérios junto ao bloco do Minhocão.</p>



<p>A renovação também passa pelas novas gerações e pela música. O Eu Acho É Pouquinho introduz as crianças à tradição carnavalesca, mostrando que o frevo é liberdade, política e brincadeira. Já a orquestra, regida por Rizonaldo Souza, mantém viva a essência do frevo de rua enquanto renova arranjos e incorpora canções como <em>Arrea a Lenha</em>, <em>Maracatu Atômico</em> e sucessos de Reginaldo Rossi.</p>



<p>Artistas como Ed Carlos e Flaira Ferro, conhecidos por reinventar o frevo, também já subiram aos palcos dos bailes da agremiação. Entre as ladeiras de Olinda e as festas de arrecadação, o <em>Eu Acho É Pouco</em> segue reafirmando o Carnaval como espaço de alegria, memória e resistência.</p>



<p>E, como lembra Luciana Veras, “Carnaval é política, sempre foi e sempre será”.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong> Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
    </div>
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		<title>Jovens Defensores Populares chega a Pernambuco para formar agentes de transformação social</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2025 18:20:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[jovens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O programa Jovens Defensores Populares, uma iniciativa do Governo Federal, foi lançado no auditório do Campus Recife do IFPE. Executado pela Fiocruz, por meio da Agenda Jovem Fiocruz, em parceria com a Secretaria de Acesso à Justiça (SAJU/MJSP) e a Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), o projeto tem como proposta formar agentes de transformação e [&#8230;]</p>
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<p>O programa Jovens Defensores Populares, uma iniciativa do Governo Federal, foi lançado no auditório do Campus Recife do IFPE. Executado pela Fiocruz, por meio da Agenda Jovem Fiocruz, em parceria com a Secretaria de Acesso à Justiça (SAJU/MJSP) e a Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), o projeto tem como proposta formar agentes de transformação e ampliar o acesso à justiça em áreas periféricas. Pernambuco é um dos seis estados brasileiros a receber o programa.<br><br>Aqui, o projeto acontece nas cidades do Recife e de Olinda, envolvendo jovens de bairros como Peixinhos e Xambá em Olinda, e Chão de Estrelas, Linha do Tiro, Santo Amaro e Várzea no Recife. O programa nacional pretende formar mil jovens de regiões periféricas, favelas, comunidades tradicionais e de baixa renda em direitos. Os jovens participantes em Pernambuco têm entre 18 e 29 anos e foram selecionados por busca ativa e articulação com cursinhos populares, organizações da sociedade civil e coletivos de base. São, em sua maioria, jovens negros e negras, de baixa renda e com forte atuação comunitária.<br><br>O programa pretende fortalecer o engajamento cívico e político das juventudes e estimular a criação de soluções locais para desafios sociais, promovendo o acesso à justiça onde ele é mais necessário. Segundo a secretária de Acesso à Justiça do MJSP, Sheila de Carvalho, o projeto nasce do reconhecimento de que os próprios jovens das periferias são os mais capacitados para denunciar e enfrentar as violações que vivem diariamente. O papel do programa é oferecer ferramentas, formações e redes de apoio para que esses jovens se tornem protagonistas na defesa de seus direitos.<br><br>A escolha por Pernambuco se deu pelo histórico alarmante de violações de direitos no estado, incluindo violência policial, racismo, precarização de serviços públicos e ausência de mecanismos de escuta ativa da juventude. O estado, apesar de sua rica cultura popular e tradições, apresenta territórios com grande desigualdade social, com juventudes expostas à violência e baixa presença de políticas públicas estruturantes. Dados reforçam essa realidade: o Atlas da Violência 2023 indica que mais de 75% das vítimas de homicídio em Pernambuco são negras, e quase metade tem entre 15 e 29 anos. Em 2022, a Ouvidoria Nacional registrou mais de 4.200 denúncias de violações de direitos humanos no estado.<br><br>Além de Pernambuco, o programa Jovens Defensores Populares ocorre no Rio de Janeiro e em São Paulo, com Pará, Bahia e Distrito Federal sendo as próximas localidades a recebê-lo. </p>
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		<title>Vereadora do PSOL quer proibir homenagens a golpistas do 8 de janeiro no Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jan 2025 22:23:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[8 de janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[estado democrático de direito]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A vereadora do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Jô Cavalcanti, vai apresentar à Câmara de Vereadores do Recife um Projeto de Lei (PL) proibindo pessoas que participaram dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de receberem homenagens na cidade. O PL faz parte do “Pacote da Democracia”, um conjunto de propostas para reafirmar a defesa [&#8230;]</p>
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<p>A vereadora do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Jô Cavalcanti, vai apresentar à Câmara de Vereadores do Recife um Projeto de Lei (PL) proibindo pessoas que participaram dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de receberem homenagens na cidade. O PL faz parte do “Pacote da Democracia”, um conjunto de propostas para reafirmar a defesa da democracia na capital pernambucana, lançado nesta quarta-feira (8), dia Municipal em Defesa da Democracia.</p>



<p>Entre as ações propostas também está a criação de medalha de reconhecimento a figuras públicas que representam os ideais de luta pela democracia. “A gente reforça o nosso compromisso com o Estado Democrático de Direito. Então, a gente vai ter muita luta, muito desafio, inclusive para passar alguns projetos nossos”, afirmou a parlamentar. As propostas serão protocoladas e entregues às devidas comissões ainda este mês.</p>



<p>Também estiveram presentes no lançamento do pacote representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), do PSOL, do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e da ONG Fase. </p>



<p>O dia 8 de janeiro foi marcado pelos atos antidemocráticos e pela tentativa de golpe de estado que aconteceu em Brasília, em 2023. Mal sucedida, a movimentação dos golpistas acendeu o alerta para o reforço e a necessidade de proteger o Estado Democrático de Direito.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Única mulher negra na Câmara dos Vereadores</strong></h2>



<p>Jô Cavalcanti chega à Casa José Mariano no ano em que o PSOL ocupa apenas uma cadeira. Dos 37 assentos, apenas oito são ocupados por mulheres. Quatro dessas são mulheres de esquerda e apenas Jô é negra. </p>



<p>Vinda do Movimento dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Sem Teto (MTST), a parlamentar é ex-codeputada pelo mandato coletivo Juntas, eleitas na Assembleia Legislativa de Pernambuco em 2018.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Lembrar para não repetir</strong></h2>



<p>Ainda neste dia, aconteceu o ato “Dia de Luta”, uma panfletagem em defesa da democracia e da não anistia dos acusados de golpe na rua Sete de Setembro, no Centro do Recife.O ato foi promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Frente Brasil Popular e Povo sem Medo. <br><br>Em Brasília, o Palácio do Planalto realizou a cerimônia Democracia Fortalecida, com a presença do Presidente Lula (PT) e representantes dos três poderes. Entre os discursos, abordaram a importância de proteger a democracia para que não haja a retomada de um regime ditatorial.</p>
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		<title>Democratas vão às ruas contra a tentativa de golpe de Estado</title>
		<link>https://marcozero.org/democratas-vao-as-ruas-contra-a-tentativa-de-golpe-de-estado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2023 23:21:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[defesa da democracia]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de estado]]></category>
		<category><![CDATA[povo nas ruas]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade civil]]></category>
		<category><![CDATA[terrorismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi necessário vencer a exaustão da meses da campanha eleitoral mais tensa da história e anos no esforço contra um governo que se aliou ao vírus que matou quase 800 mil. A tentativa de golpe de Estado por milhares de terroristas de extrema-direita levou torcidas organizadas a deixarem a rivalidade de lado mais uma vez, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Foi necessário vencer a exaustão da meses da campanha eleitoral mais tensa da história e anos no esforço contra um governo que se aliou ao vírus que matou quase 800 mil. A tentativa de golpe de Estado por milhares de terroristas de extrema-direita levou torcidas organizadas a deixarem a rivalidade de lado mais uma vez, a profissionais liberais interromperem as férias, estudantes saíram de casa, militantes a tirarem as surradas camisas vermelhas do guarda-roupas e fiéis de várias religiões a juntarem seus cânticos e rezas aos gritos por democracia. </p>



<p>No Recife e em dezenas de cidades, o povo voltou às ruas. Desta vez, a mobilização de centrais sindicais, movimentos sociais e organizações da sociedade civis não foi motivada por uma ameaça abstrata nem pela concretude de prédios invadidos, vidraças estilhaçadas, obras de arte destruídas e estátuas depredadas. </p>



<p>Quem chegava dizia estar ali porque era necessário fazer algo em defesa da vida e da paz. Os atos terroristas do domingo, 8 de janeiro, em Brasília, demonstraram que extremistas de direita estão dispostos contra as instituições e as vidas de quem pensa ou age diferente. </p>



<p>Talvez, por isso, a quantidade de pessoas que foram até a praça do Derby, numa tarde de segunda-feira do mês mais modorrento do ano, surpreendeu até os coordenadores das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, da Coalizão Negra por Direitos e da Convergência Negra. </p>



<p>O jovem Luan Silva, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, resumiu assim o motivo de estar no Derby por serem inaceitáveis as atrocidades que os fascistas cometeram. &#8220;A democracia brasileira foi construída com várias mãos que tombaram em defesa dela. Por isso, precisamos dar essa resposta&#8221;.</p>



<p>Do Derby, a multidão seguiu pelo tradicional corredor da avenida Conde da Boa Vista até a ponte Duarte Coelho, onde fez uma curva à esquerda rumo ao monumento Tortura Nunca Mais. O encerramento da passeata não poderia ter um local mais simbólico.</p>



<p>Antes do Hino Nacional, que fechou a manifestação, o diretor da Central Única dos Trabalhadores, Paulo Rocha, disse emocionado: &#8220;Somos os verdadeiros patriotas&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">No Derby, multidão começa a se formar em torno da bandeira do Brasil. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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		<title>Após lista de “médicos petistas”, profissionais que votaram em Lula lançam manifesto</title>
		<link>https://marcozero.org/apos-lista-de-medicos-petistas-profissionais-que-votaram-em-lula-lancam-manifesto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Nov 2022 21:10:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[médicos pela democracia]]></category>
		<category><![CDATA[médicos pela vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após o segundo turno que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente, com 50,9% dos votos, uma lista de autoria desconhecida e sem autorização denunciando “médicos petistas” circulou nas redes sociais, especialmente nos grupos de WhatsApp. Como resposta, mais de mil médicos e médicas de vários estados, sendo a maioria de Pernambuco, que votaram em [&#8230;]</p>
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<p>Após o segundo turno que <a href="https://marcozero.org/ta-na-hora-do-jair-embora-lula-eleito-presidente-do-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">elegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente</a>, com 50,9% dos votos, uma lista de autoria desconhecida e sem autorização denunciando “médicos petistas” circulou nas redes sociais, especialmente nos grupos de WhatsApp. Como resposta, mais de mil médicos e médicas de vários estados, sendo a maioria de Pernambuco, que votaram em Lula publicaram esta semana um manifesto pela democracia e pela ciência.</p>



<p>“Tais listas têm suposta finalidade de retaliação, intimidação e boicote. Sem temer esse tipo de ameaça, nos orgulhamos de nosso posicionamento e, como forma de reafirmar nosso compromisso com os princípios expostos acima, publicamos e assinamos este manifesto”, diz o documento.</p>



<p>O manifesto reforça: “nós, grupo de médicos e médicas de Pernambuco que atuam na assistência, ensino e pesquisa, defendemos a vida como um valor inegociável. Além disso, entendemos a saúde e a integridade física e moral como essenciais à dignidade humana. Por atuarmos numa área baseada na ciência, todas as atividades médicas (que incluem ensinar, acolher, curar, cuidar e informar) devem se apoiar nos princípios éticos que regem o exercício da profissão e na construção da consciência coletiva, sempre pautadas nas regras da civilidade, diversidade, equidade e justiça social”.</p>



<p>O Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (Cremepe) publicou uma nota dizendo ter ficado ciente da lista, que, na avaliação da entidade, “tem caráter constrangedor, intimidatório e discriminatório do exercício profissional aos referidos médicos”. Ressaltando o Código de Ética Médica, o conselho repudiou a lista ressaltando que se trata de uma “afronta grave ao livre exercício profissional” e que “compromete a medicina e os médicos pernambucanos, com consequências diretas deletérias à sociedade”.</p>



<p>O Cremepe afirmou ainda que encaminhou o material coletado para apreciação do Ministério Público Estadual e demais autoridades competentes para que a identificação dos responsáveis, seus autores e disseminadores para que sejam tomadas as medidas cabíveis.</p>



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		<title>Há muito o que comemorar, e ainda mais a resistir</title>
		<link>https://marcozero.org/ha-muito-o-que-comemorar-e-ainda-mais-a-resistir/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 18:52:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[atos golpistas]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaristas]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
		<category><![CDATA[golpistas]]></category>
		<category><![CDATA[Lula presidente]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Bia Pankararu Nunca antes na história das eleições, desde a redemocratização do país, tivemos um segundo turno com uma diferença tão pequena entre os dois concorrentes a Presidência da República. Mesmo com a máquina pública a seu favor, Bolsonaro é o primeiro presidente que não consegue se reeleger e Lula o desbancou recebendo 2 [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Bia Pankararu</strong></p>



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<p>Nunca antes na história das eleições, desde a redemocratização do país, tivemos um segundo turno com uma diferença tão pequena entre os dois concorrentes a Presidência da República. Mesmo com a máquina pública a seu favor, Bolsonaro é o primeiro presidente que não consegue se reeleger e Lula o desbancou recebendo 2 milhões de votos a mais que o atual presidente, consolidando sua vitória com 50,90% dos votos válidos.</p>



<p>A vitória de Lula, por mais apertada que pareça à primeira vista, pode ser considerada uma vitória histórica e heroica. Dias antes da eleição, o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, publicou em suas redes sociais mensagens de apoio e pedidos de votos para o atual presidente Bolsonaro. A parcialidade e o aparelhamento das polícias ficou escancarada quando no domingo, dia 30, operações nas rodovias federais e estaduais causaram transtornos, atrasos e uma onda de revolta naqueles que se deslocavam para exercer o direito máximo do voto. Foram registradas 549 operações da PRF em pleno domingo de eleição, sendo 272 destas no Nordeste. Ou seja, 49,50% da operações se concentraram na região que indicava levar a vitória ao ex-presidente Lula. Coincidência?</p>



<p>Mesmo com todas as artimanhas possíveis e imagináveis do bloco bolsonarista, com as Fake News, o orçamento secreto à disposição para compra de votos e a clara manobra da PFR em dificultar a locomoção dos eleitores, mais de 60 milhões de brasileiros compareceram às urnas para sacramentar a saída de Bolsonaro da cadeira presidencial. O primeiro grande passo foi dado para que possamos retornar ao caminho progressista e de civilidade democrática, mas ainda há muito o que ser feito para derrotarmos de vez os ideais bolsonaristas que flertam com o fascismo, o fundamentalismo, a teocracia e o autoritarismo diante da classe trabalhadora e menos favorecida do país.</p>



<p>Lula irá assumir o governo daqui dois meses, mas já estamos de volta ao rol político mundial, retomando o respeito e a credibilidade que Bolsonaro jogou na lata de lixo da diplomacia. Dezenas de chefes de Estado comemoraram e cumprimentaram nosso mais novo presidente eleito. Os investidores externos já sinalizam interesse em reforçar os negócios por aqui e esse sinal se deu com a queda do dólar e a valorização do real um dia após a eleição. As pautas ambientais e climáticas aguardam ansiosas pela participação do governo Lula e temos tudo para sermos protagonistas na defesa do meio ambiente do planeta Terra.</p>



<p>Os povos indígenas conseguem respirar um pouco mais aliviados. Depois de segurar o fôlego por quase quatro anos sofrendo ataques diários, invasões e perseguições em vários territórios ancestrais de norte a sul, com diversas lideranças indígenas e defensores de direitos humanos executados, como Bruno Pereira e Dom Phillips, um caso que ganhou repercussão mundial, mas foi minimizado por Bolsonaro. A promessa de Lula em criar o Ministério dos Povos Originários traz à tona a urgência em termos mais seriedade e protagonismo para aqueles que garantem a preservação de 80% da biodiversidade do mundo. Investimentos em tecnologia, ciência e pesquisas com participação internacional, manejo sustentável e reforço à política socioambiental foram palavras fortes durante a campanha de Lula.</p>



<p>A certeza de que teremos no próximo governo prioridades como o combate à fome e às desigualdades sociais nos trazem de volta ares de esperança em dias melhores. Combater o racismo e a misoginia, defender as crianças e adolescentes, investir na educação para recuperar o atraso escolar causado pela má gestão durante a pandemia serão tarefas constantes para a equipe de Lula. Sem falar na saúde que foi deteriorada de dentro para fora, com vários indícios de corrupção, desvio de verbas e sucateamento do SUS visando as privatizações. Não será uma transição fácil. Não pegaremos a casa organizada e o quanto eles puderem dificultar, irão fazer.</p>



<p>Nesse momento, bolsonaristas estão nos entregando cenas ridículas e vergonhosas pelas estradas do país. Inconformados, vários grupos fecharam BRs por não aceitar a derrota de Bolsonaro nas urnas. De pedidos de intervenção militar, golpe de estado, fechamento do STF, até placas dizendo “ninguém irá comer o meu cachorro”, a realidade paralela em que essas pessoas estão vivendo ultrapassaram, há muito tempo, os limites da liberdade de expressão e chegam a crimes. A mesma PFR que foi tão ativa para realizar operações no dia da eleição segue inerte, compassiva e cumplice dos arruaceiros. Mesmo com a determinação do STF para que os bloqueios das rodovias fossem cessados imediatamente, já são três dias de um show de horrores antidemocráticos em vários pontos do país. Para quem achava que a vitória do PT transformaria o país numa ditadura, pedir golpe de estado para Bolsonaro seguir no poder é a prova da ignorância vil e da incoerência em que essas pessoas vivem. Enquanto os militantes bolsonaristas estão nas estradas causando tumulto, aqueles que os financiam seguem no submundo da civilidade.</p>



<p>Existe uma parcela considerável da população que seguirá se identificando com os discursos e comportamentos racistas, machistas, homofóbicos, xenofóbicos e de total desprezo pelos mais pobres. É exatamente contra essa parcela da sociedade que precisamos seguir em resistência. Células neonazistas estão crescendo no sul do país, principalmente em Santa Catarina. Nesse dia de finados, uma cena escabrosa onde militantes bolsonarista fizeram a saudação nazista, de braços estendidos em direção da bandeira enquanto tocava o hino nacional. São criminosas e doentias ações como essa e devem ser combatidas com veemência.</p>



<p>Como disse Caetano Veloso, “é preciso estar atento e forte”. Uma onda de euforia tomou parte do nosso povo com a volta de Lula, mas uma onda reacionária também toma conta de parte da população e precisamos de estratégia para trazer de volta a sanidade coletiva. Tenho certeza que esse trabalho não será apenas para um mandato de quatro anos, será um trabalho para a nossa geração. É preciso conhecer o passado para pode analisar o presente e, só assim, vislumbrar um futuro. Nosso presente está obscuro demais quando temos, em plena luz do dia, pessoas fazendo saudações nazistas e pedindo um golpe de estado e nada acontece, ninguém é responsabilizado e punido.</p>



<p>Não existem dois Brasis, mas existem dois modelos de sociedade em pauta. Tiramos Bolsonaro da presidência, mas ainda teremos um Congresso e um Senado cheio de bolsonaristas. Nossa missão é entender que o bolsonarismo não representa a maioria do povo brasileiro. A maioria do povo deseja saúde, educação, emprego, comida na mesa e um projeto de sociedade com mais igualdade social. Vamos comemorar sim, vamos encher nossos pulmões de esperança, mas sem baixar  a. Nossa jovem democracia passa por momentos turbulentos e cabe a cada um de nós fazer a nossa parte por um presente e um futuro melhor para todos. A eleição de Lula trouxe um sopro de vitalidade e autoestima na nossa gente, e esse sopro irá acender a chama de bons tempos que virão. Que assim seja.</p>



<p>*<strong>Bia Pankararu tem 28 anos, é mulher indígena, sertaneja, mãe de Otto, LGBT+, técnica em enfermagem e produtora cultural e audiovisual. Ativista pelos direitos humanos e ambientais. Comunicadora da rede @povopankararu.</strong></p>



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		<title>Lula venceu, a luta continua!</title>
		<link>https://marcozero.org/lula-venceu-a-luta-continuaa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 13:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[campanha na internet]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Lula eleito]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Carmen Silva* Chegamos ao final da eleição de 2022. No domingo parecia que chegava o fim do mundo e não terminava a apuração. Foi muito tenso. Todas as pessoas democratas que acompanharam a eleição e, mais ainda, a apuração, estavam produndamente preocupadas com os destinos deste país. A hipótese assustadora de que Bolsonaro pudesse [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Carmen Silva*</strong></p>



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<p>Chegamos ao final da eleição de 2022. No domingo parecia que chegava o fim do mundo e não terminava a apuração. Foi muito tenso. Todas as pessoas democratas que acompanharam a eleição e, mais ainda, a apuração, estavam produndamente preocupadas com os destinos deste país. A hipótese assustadora de que Bolsonaro pudesse permanecer presidente do Brasil era por demais catastrófica. Enfim, Lula venceu. Nos envolvemos todes no livre exercício do direito à alegria. Foram muitas comemorações. Apesar da turba bolsonarista ainda estar tentando impressionar com bloqueios nas estradas, o que demonstra que esta transição não será simples, já é hora de avaliarmos o que aconteceu e projetar desafios para o futuro breve que o próximo período pode contemplar.</p>



<p>Importa reconhecer que não obstante nós tendêssemos mais para a crítica, a amplitude política da frente democrática possibilitou a eleição de Lula. Ela conquistou a vitória e gerou condições para que, no decorrer do próximo período, a questão das relações democráticas do trato político entre adversários de ideias não se transforme em polarizações baseadas em anulação do outro, mas em debate de projetos de país. É um sonho? Pode ser. Mas, certamente, sem a vitória de Lula ele não poderia ser sequer sonhado. Nesta seara, muito precisa ser feito para que possamos realmente retomar e radicalizar a democracia, especialmente a participação social, rumo a construção do poder popular.</p>



<p>Os movimentos sociais e, mais precisamente, os movimentos populares serão reconhecidos pelo novo governo como sujeitos políticos com causas próprias e não apenas como apoiadores da linha traçada nos gabinetes do planalto. É um sonho maior ainda? Pode ser. Mas há que se ver que sem os movimentos, coletivos periféricos, comitês populares, a campanha não teria chegado ao enraizamento que chegou. Sem as músicas em todos os ritmos, os piseiros, as mobilizações locais, a produção de material de propaganda próprio, as banquinhas de vira voto, a campanha não teria tomado a dimensão que tomou. É preciso que estes sujeitos sejam ouvidos com suas próprias vozes. E o movimento feminista popular é um deles.</p>



<p>A disputa nas redes sociais, por sua vez, demonstrou a sua importância, mas, ao mesmo tempo, apresentou a dificuldade de uso do todo o potencial tecnológico e pragmático que as redes têm sem que se perca a perspectiva ética da política, que é cara para a esquerda. O mundo paralelo que o bolsonarismo criou é muito dificilmente acessado pelos que transitam na esfera pública como a conhecemos. Neste campo, este momento pode contribuir para a aprendizagem sobre o que de fato acontece massivamente com as pessoas a partir de campanhas sistemáticas de desinformação, manipulação das emoções, articulação simbólica de referências e produção de novas sociabilidades levadas a efeito pelos aplicativos mensageiros e redes sociais com potencial imagético. Vai ser necessário debater o que isso implica no sentimento do que é verdade ou mentira e nas identidades políticas que vão sendo construídas ao longo do tempo e que se manifestam em um momento de enorme fluxo de relações de poder como é o momento eleitoral.</p>



<p>Os desafios que enfrentamos nesta campanha estão vivos: a divergência que bifurcou o país, seguirá. Não que todos os eleitores de Bolsonaro sejam bolsonaristas, não o são. Muitas pessoas foram capturadas pela polarização, pelo antipetismo, pela orientação de voto dada pelo pastor ou pelo patrão e pela desinformação em geral. A campanha mobilizou muitos sentimentos que ainda precisam ser estudados. Mas importa reafirmar que cada eleitor dele tinha um Bolsonaro pra chamar de seu, ou seja, eles trabalharam com a ideia de grupos perfilados e cada perfil de grupo social recebia imagens de Bolsonaro que se adequavam aos seus desejos.</p>



<p>Os mecanismos comunicacionais usados pelo bolsonarismo em quatro anos, e não só na campanha, toldaram o debate eleitoral. Isso desafia a reconstrução do país em bases democráticas, incluindo aí a comunicação pública. É preciso discutir o sistema de comunicação e, mais ainda, a internet, tanto no sentido das desigualdades regionais e sociais de acesso, como na ausência total de padrões éticos que inibam manipulações como as que assistimos. As pessoas, e nossas subjetividades, estão sendo capturadas pelas grandes corporações através dos algoritmos. Produzimos dados para elas e elas manipulam nossas preferências, emoções, sentimentos e linhas políticas gerais. Certamente é possível resistir, mas para ampliar nossa força precisamos garantir uma ambiência a ser gerada pela democratização da internet. Esta é uma pauta fundamental para o próximo período.</p>



<p>Um outro desafio que teve centralidade no reduzido debate programático da campanha foi a questão ambiental, e mais precisamente a Amazônia. Eu diria que se trata de uma questão de justiça socioambiental. A discussão deve ser, na nossa perspectiva, sobre a mudança de padrão da relação entre nós seres humanos e os outros entes vivos, a quem chamamos de natureza. E quais implicações esta relação tem para nossas condições de vida e das futuras gerações. Aqui há muito a ser revisto em relação ao primeiro período do governo petista, e muito a ser feito.</p>



<p>Não é possível neste espaço resgatar todos os desafios que o momento político coloca para a sociedade brasileira. Todavia, quero fechar trazendo à tona o debate sobre o direito ao aborto. Na legítima disputa pelo voto dos contrários, Lula colocou na pauta do último debate de TV esta questão. Ele, que em outros momentos já defendeu que o aborto é uma questão de saúde pública, neste momento trouxe o tema para fazer a crítica ao adversário colocando-o no lugar de defensor. Ocorre que a fala de Bolsonaro, de trinta anos atrás, citada no debate, defendia, a bem da verdade, o controle da natalidade usando como método o aborto. O controle da natalidade, contrário ao planejamento familiar, é uma prática eugenista de impulsionar o desenvolvimento reduzindo a população pobre, majoritariamente preta. Ele foi implantado no Brasil com a esterilização em massa de mulheres negras e submetidas à pobreza na década de 1970, situação que foi confrontada pelo nascente movimento feminista. Lula poderia ter usado o mesmo discurso para expor a tendência nazista do adversário. Para nós, do movimento feminista, o aborto é um direito, fundamentado em nossa autodeterminação reprodutiva e na autonomia sobre nossos corpos. E desta luta não abrimos mão.</p>



<p>*<strong>Carmen Silva é socióloga, constrói o SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia, é militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco e da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político.</strong></p>



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		<title>Eleição de Lula inaugura agenda de reconstrução nacional</title>
		<link>https://marcozero.org/eleicao-de-lula-inaugura-agenda-de-reconstrucao-nacional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 21:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[eleição 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Lula presidente]]></category>
		<category><![CDATA[presidente eleito]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O governo de reconstrução e reconciliação proposto por Lula em seu discurso da vitória estará repleto de desafios nas áreas política, econômica e social. Ninguém melhor do que o ex-presidente para enfrentá-los. O mandatário que deixou a Presidência com o maior índice de aprovação da história, elegeu e reelegeu sua sucessora, foi judicialmente perseguido e [&#8230;]</p>
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<p>O governo de reconstrução e reconciliação proposto por Lula em seu discurso da vitória estará repleto de desafios nas áreas política, econômica e social. Ninguém melhor do que o ex-presidente para enfrentá-los. O mandatário que deixou a Presidência com o maior índice de aprovação da história, elegeu e reelegeu sua sucessora, foi judicialmente perseguido e preso por 580 dias até sua libertação e a reabilitação de seus direitos políticos para construir uma frente ampla democrática, unindo adversários históricos, e derrotar nas urnas a máquina de Jair Bolsonaro.</p>



<p>“Eu me considero um cidadão que teve um processo de ressurreição na política brasileira, porque tentaram me enterrar vivo e eu estou aqui para governar esse país numa situação muito difícil, mas eu tenho fé em Deus que, com a ajuda do povo, nós vamos encontrar uma saída para que esse país volte a viver democraticamente, harmonicamente”, disse Lula em sua primeira fala pública depois de proclamado o resultado.</p>



<p>Antes de ter efetivamente a caneta na mão para governar, o presidente eleito precisa do acesso a informações detalhadas do governo Bolsonaro, incluindo as contas públicas, para preparar sua administração. Isso se dá por meio da montagem de um governo de transição com equipes dos dois lados, do atual e do futuro presidente, que deve funcionar nos dois meses que antecedem a posse.</p>



<p>A transição é regulamentada por lei de 2002 e decreto de 2010. O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB-SP), o ex-ministro Aluízio Mercadante (PT-SP) e a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann (PR), são cotados para presidir o gabinete de transição de Lula. A questão é saber o quanto Bolsonaro e seu governo vão colaborar com o processo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Transição política e orçamento</strong></h2>



<p>O acesso aos dados das contas públicas, projetos e programas federais é considerado fundamental para que o presidente eleito abra negociações para ajustar a proposta do Orçamento de 2023 encaminhada pelo atual governo ao Congresso e tenha alguma margem de manobra para tirar do papel, ainda no primeiro ano de mandato, compromissos assumidos na campanha.</p>



<p>A proposta orçamentária elaborada pelo governo Bolsonaro não prevê reajuste do salário mínimo e nem garante recursos para a manutenção do Auxílio Brasil de 600 reais. Lula se comprometeu a dar aumento real ao SM em todos os anos de seu governo e a ampliar o Auxílio Brasil incluindo 150 reais por criança para as famílias beneficiadas.</p>



<p>Um outro ponto delicado será a discussão do que se convencionou chamar de Orçamento Secreto, emendas do relator ao orçamento que podem ser feitas sem a identificação dos deputados e senadores. Lula criticou veementemente a medida adotada na gestão Bolsonaro associando-a à compra de apoio político. Para 2022, o Congresso aprovou R$ 16,5 bilhões. Em 2023, a previsão é de R$ 19 bilhões para essas emendas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Base parlamentar e Frente Ampla</h2>



<p>Por falar em Congresso, a construção de uma base parlamentar de sustentação política ao governo será um dos principais desafios de Lula, considerando a presença significativa de parlamentares da direita e até da extrema-direita no Parlamento.</p>



<p>Na Câmara, 187 dos 513 (36,4%) deputados eleitos pertencem a partidos que integraram a coligação de Bolsonaro, enquanto que a coligação de Lula elegeu 122 deputados (23,8%). No Senado, os bolsonaristas também se saíram melhor com 23 dos 81 senadores (28,4%) e os apoiadores de Lula ficaram com 11 vagas (13,6%).</p>



<p>O que significa que não há como garantir uma maioria sem buscar apoio de partidos de centro e centro-direita que não estiveram engajados oficialmente na campanha petista, como MDB e PSD, e mesmo algum nível de aproximação com parlamentares do famigerado Centrão, incluindo Republicanos e União Brasil, por exemplo. Lula terá três meses para costurar a base porque os novos deputados e senadores só assumem seus mandatos no início de fevereiro.</p>



<p>O começo da legislatura será marcado pelo processo de eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado, um momento chave que costuma dar o norte da relação entre o Poder Legislativo e o Executivo nos anos seguintes. Bolsonarista de primeira hora, o atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pode chegar enfraquecido à disputa em caso de tentativa de reeleição. O contrário do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que conteve a tramitação de vários projetos do atual governo naquela Casa. </p>



<p>Isso considerando a perspectiva do campo progressista, mas a disputa dependerá, como sempre dependeu, da correlação de forças a ser estabelecida entre governistas e oposicionistas nas duas casas legislativas.</p>



<p>Uma questão fundamental é saber o quanto a Frente Ampla construída por Lula durante a campanha pode impactar as costuras políticas partidárias com repercussão dentro e fora do Congresso. Figuras importantes da campanha como a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e o vice-presidente eleito Geraldo Alkcmin (PSB-SP) devem jogar um papel importante nesse processo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Economia, investimento social e imprensa</strong></h2>



<p>A gestão da política econômica de um governo de esquerda, ou de centro-esquerda, está sempre sob o escrutínio e a pressão do mercado financeiro e da grande mídia, que atua na maior parte das vezes como sua porta-voz. Recentes editorias da Folha de SP, primeiro exigindo de Lula que antecipasse o nome do seu ministro da Economia e, depois, que desse “mostras imediatas de responsabilidade orçamentária e disposição de rumar ao centro, política e economicamente” só confirmam a premissa.</p>



<p>O apoio no segundo turno a Lula de ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central nos governos Fernando Henrique, como Armínio Fraga e Edmar Bacha, podem fazer alguma diferença dessa vez no tratamento do mercado e da imprensa à agenda do futuro presidente que é economicamente ambiciosa porque está atrelada à melhoria da qualidade de vida de milhões de brasileiros e brasileiras que hoje vivem em situação de insegurança alimentar e precarização do trabalho.</p>



<p>Lula tem dito que o Brasil precisa de credibilidade, responsabilidade e previsibilidade, tendo se comprometido durante a campanha com uma “política fiscal que siga regras claras e realistas compatíveis com o enfrentamento da emergência social que vivemos e com a necessidade de reativar o investimento público e privado para arrancar o país da estagnação”.</p>



<p>Essa agenda inclui a retomada de obras paralisadas e de programas como o Minha Casa, Minha Vida; nova lei trabalhista; reforma tributária solidária, justa e sustentável, que simplifique tributos e onde os pobres paguem menos e os ricos mais; renegociação das dívidas das famílias; programa de crédito a juros baixos para pequenos empreendedores; e a isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais por mês.</p>



<p>Pelo menos duas questões a serem enfrentadas por Lula podem tensionar a relação com setores financeiros. Lula é contra a privatização da Eletrobrás, dos Correios e da Petrobrás. Também deve propor a revisão da regra do teto de gastos, que vincula o aumento de gastos da União à inflação do ano anterior.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Protagonismo internacional</strong></h2>



<p>Uma das tarefas mais importantes do próximo governo será a remontagem do aparato institucional de proteção ao meio ambiente e defesa dos povos originários. As boiadas por onde passaram a política de devastação idealizada pelo ex-ministro do Meio Ambiente e agora deputado eleito Ricardo Salles (PL-SP). Marcada pelo aumento do desmatamento da Amazônia, redução drástica da fiscalização e aplicação de multas, defesa de grileiros e perseguição a servidores que atuam na proteção de territórios indígenas.</p>



<p>O presidente eleito se comprometeu a criar o Ministério dos Povos Originários e colocar no seu comando um(a) indígena.</p>



<p>Anunciada a vitória de Lula, o governo da Noruega informou que irá retomar o apoio financeiro à preservação da Amazônia e a redução do desmatamento. Durante os primeiros mandatos de Lula, o presidente eleito fechou acordo com o governo da Noruega, em parceria também com a Alemanha, para a constituição de um fundo bilionário de cooperação internacional, que foi cortado no primeiro ano da gestão Bolsonaro.</p>



<p>O tema da Amazônia e das mudanças climáticas é um dos que mais mobiliza a opinião pública internacional e os países mais influentes. As ações de reconstrução da política de proteção vão reabrir para o Brasil as portas dos fóruns internacionais mais importantes e devem garantir ao país o protagonismo que já teve no passado na agenda global ambiental. </p>



<p>A vitória de Lula deve fortalecer espaços multilaterais como o Mercosul, o Brics e o G-20, ampliando a voz e a articulação geopolítica dos chamados países em desenvolvimento. As crises diplomáticas do Brasil com a China – nosso principal parceiro comercial no mundo – devem ficar definitivamente para trás.</p>



<p>O resultado da eleição no Brasil fortalece também os laços do país com os vizinhos latino-americanos, uma marca da diplomacia dos dois primeiro mandatos presidenciais de Lula, entre 2003 e 2010. Com Lula no governo, os seis países que possuem as maiores economias e populações locais passarão a ter presidentes do campo da esquerda e da centro-esquerda, caso do Brasil, Argentina, México, Peru, Colômbia e Chile.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Convivência e reconciliação democrática</strong></h2>



<p>Para que toda essa imensa agenda de reconstrução nacional possa ser articulada e sair do papel é preciso baixar a temperatura política nacional. Lula deixou evidente essa prioridade: “A partir de 1º de janeiro de 2023 vou governar para 215 milhões de brasileiros e brasileiras. Não apenas para aqueles que votaram em mim. Não existem dois Brasis. Somos um único país, um único povo, uma grande nação”.</p>



<p>O discurso sinaliza a troca da retórica do ódio produzida por Bolsonaro para uma postura de conciliação nacional encampada por Lula e que pretende distensionar o ambiente da política institucional e também da vida cotidiana dos brasileiros e brasileiras. “A ninguém interessa viver num país dividido, em permanente estado de guerra. Este país precisa de paz e de união. Este povo não quer mais brigar. Este povo está cansado de enxergar no outro um inimigo a ser temido ou destruído. É hora de baixar as armas, que jamais deveriam ter sido empunhadas. Armas matam. E nós escolhemos a vida”.</p>



<p>No campo institucional, Lula já anunciou que vai recriar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social agregando empresários, trabalhadores e movimentos sociais para discutir os grandes temas da agenda nacional no modelo do seu primeiro mandato. Entre suas primeiras medidas de governo, estará a convocação de um encontro com os 27 governadores eleitos e os 27 prefeitos de capital para tratar, entre outros temas, do combate à forme; a retomada de obras de infraestrutura e moradia; e a estruturação da relação federativa na área da segurança pública, que ganhará um ministério específico.</p>



<p>Como presidente-eleito e, depois, presidente de fato, Lula estará diariamente produzindo falas e gestos políticos que necessariamente vão ser visibilizados pela mídia de massa e reforçarão pelo exemplo de cima o compromisso com o distensionamento das relações entre adversários no país. </p>



<p>A postura pode &#8211; em médio ou longo prazo &#8211; influenciar corações e mentes de fiéis evangélicos, grupo mais visado pelas mentiras bolsonaristas que reforçaram o antipetismo, e &#8220;desarmar&#8221; os pastores mais conservadores e extremistas. Os evangélicos já são 31% da população brasileira e há estimativas de que passem de 50% em 2032. </p>



<p>Importante dizer que Bolsonaro ainda tem dois meses de governo à frente da Presidência e perdeu por uma margem estreita de votos para Lula o que o coloca como a grande liderança de oposição à futura administração federal. Mesmo sem apoios relevantes no Brasil e fora para dar um golpe de estado, ele pode fazer ainda muito estrago no ambiente político do país. O atual presidente já falou a aliados nos bastidores que teme que ele e seus filhos sejam presos quando deixar o Planalto. O medo nunca foi um bom conselheiro.</p>



<p>A diferença é que, agora, do outro lado da arena, está a maior liderança popular da história recente do Brasil, respaldado pela vitória inconteste na urnas, saudada por líderes de países de todos os continentes como um “alívio” para o mundo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><cite><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
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		<title>O dia D para a democracia no Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/o-dia-d-para-a-democracia-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Oct 2022 01:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Lula 2022]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa eleitoral]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mais de 156 milhões de brasileiros e brasileiras estão aptos a votar neste domingo (30) para eleger o próximo presidente da República. A maioria (53%) de mulheres. Em 12 estados, incluindo Pernambuco, eleitores e eleitoras também vão às urnas escolher o governador ou governadora nesse segundo turno. Uma eleição atípica em que o presidente e [&#8230;]</p>
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<p>Mais de 156 milhões de brasileiros e brasileiras estão aptos a votar neste domingo (30) para eleger o próximo presidente da República. A maioria (53%) de mulheres. Em 12 estados, incluindo Pernambuco, eleitores e eleitoras também vão às urnas escolher o governador ou governadora nesse segundo turno.</p>



<p>Uma eleição atípica em que o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) passou meses desqualificando o processo eleitoral, questionando as urnas eletrônicas e <a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2022/10/27/bolsonaro-reforca-ataques-ao-tse-para-tentar-terceiro-turno-se-perder.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">atacando ministros</a> do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)<a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2022/10/27/bolsonaro-reforca-ataques-ao-tse-para-tentar-terceiro-turno-se-perder.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">.</a> Mais até: incentivando a desobediência à lei e incitando apoiadores a praticar atos de violência.</p>



<p>As <a href="https://g1.globo.com/rj/sul-do-rio-costa-verde/noticia/2022/10/23/roberto-jefferson-resiste-a-ordem-de-prisao-do-stf-e-fere-a-tiros-policiais-federais.ghtml">rajadas de tiros de fuzil</a> do ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, <a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/eleicoes/noticia/2022/10/bolsonaro-diz-que-nao-tem-uma-foto-com-roberto-jefferson-mas-e-desmentido-por-imagens-que-circulam-nas-redes-sociais-cl9luxr0j004b014u73p385a0.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aliado de primeira hora de Bolsonaro</a>, contra policiais federais que cumpriam mandado de prisão contra ele são o exemplo mais emblemático e prático da combinação entre o discurso de ódio e a política armamentista bolsonarista.</p>



<p>A propagação de fake news e desinformação, especialmente nas redes sociais, whatsapp, telegram e nos púlpitos das igrejas evangélicas, foi novamente o maior desafio para as autoridades eleitorais. A conhecida pressão dos pastores bolsonaristas sobre os fiéis se ampliou para grupos de empresários e comerciantes que ameaçaram <a href="https://piaui.folha.uol.com.br/eleicoes-2022/crescem-denuncias-de-empresarios-chantageando-empregados-e-fornecedores-votar-em-bolsonaro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">demitir funcionários</a> que não votassem em Bolsonaro.</p>



<p>Para o cientista político Túlio Velho Barreto, essa é uma eleição de uma importância sem precedente no país desde o processo de redemocratização nos anos 1980. “Da primeira eleição direta para presidente, em 1989, até agora, jamais a democracia esteve tão ameaçada”, afirma, lembrando o caminho político percorrido para chegarmos até aqui: do questionamento das regras do jogo por <a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2014/10/psdb-pede-ao-tse-auditoria-para-verificar-lisura-da-eleicao.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Aécio Neves em 2014,</a> que abriu as portas para <a href="https://jornalggn.com.br/noticia/historia-do-breve-golpe-de-2016/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o golpe contra Dilma</a>, em 2016, ao protagonismo da extrema-direita <a href="https://esquerdaonline.com.br/2018/11/02/a-extrema-direita-mundial-parabeniza-jair-bolsonaro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a partir de 2018</a>.</p>



<p>Túlio afirma que o governo Bolsonaro e suas lideranças agiram à margem da lei desde que chegaram ao poder em 2019 e sem um projeto para o país. A referência histórica do bolsonarismo é a ditadura civil-militar de 1964-1985 e ele atua com o intuito de destruir a Constituição Federal de 1988 e o seu legado.</p>



<p>O cientista político acredita que Bolsonaro aposta no segundo mandato para construir um arranjo institucional autoritário e exercer um poder sem os limites hoje impostos pela Constituição e o controle dos poderes Legislativo e Judiciário. O presidente citou, inclusive, a possibilidade de encaminhar projeto ao Congresso para ampliar o número de ministros do STF e garantir maioria. A última vez que isso aconteceu foi justamente na <a href="https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2022/10/11/stf-historia-ministros-jair-bolsonaro-ditadura-militar-venezuela-hungria.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ditadura militar</a>. Com a repercussão negativa, tem se comprometido a manter o total de 11 cadeiras na Corte.</p>



<p>Historicamente, parte importante de todo projeto autoritário é descredibilizar, atacar e calar a imprensa. Não à toa, durante os quatro anos de governo, Bolsonaro, seus filhos, ministros e principais autoridades públicas federais <a href="https://marcozero.org/normalizacao-de-ataques-a-imprensa-e-parte-da-erosao-da-democracia-no-pais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pressionaram e ameaçaram</a> sistematicamente profissionais da comunicação, especialmente as mulheres jornalistas.</p>



<p>“O que está em jogo na eleição desse domingo é a defesa da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa nesse país, onde em setembro do 2022 aconteceram mais de 250 ataques contra jornalistas e comunicadores de modo geral. O que está em jogo é a defesa da liberdade das pessoas que atuam no campo dos direitos humanos”, enfatiza Ana Veloso, professora de comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, coordenadora do Observatório de Mídia e integrante do coletivo Intervozes.</p>



<p>A <a href="https://marcozero.org/retrospectiva-a-pandemia-que-nao-deixou-2020-comecar-ou-terminar/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">política negacionista</a> e a falta de empatia com as vítimas da pandemia de Covid-19 se conformou como a experiência mais radical vivida no governo Bolsonaro que dá a medida do projeto autoritário citado por Túlio e Ana. O Brasil contabiliza 688 mil mortes. O <a href="https://especiais.gazetadopovo.com.br/coronavirus/casos-no-mundo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">segundo país no mundo</a> em números absolutos de óbitos por Covid, perdendo apenas para os Estados Unidos, que superaram a marca de 1 milhão de vítimas fatais. Com 3% da população mundial, o Brasil possuiu 10% do total de mortos por Covid-19 no planeta.</p>



<p>“Tivemos uma altíssima mortalidade de indígenas, uma maioria de negros, idosos e pobres. Somos o último país a ter um governante a ainda negar a gravidade do que foi e do que ainda é a pandemia. Ele se recusou a reconhecer luto nacional, continua a fazer propaganda de produto sem eficácia, incentivou a invasão de hospital, agressão a profissionais de saúde, e sabotou todas as respostas possíveis para o enfrentamento da pandemia, desdenhou do sofrimento e da morte”, critica Bernadete Perez, médica sanitarista, professora da UFPE e vice-presidenta da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).</p>



<p>A <a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/01/volta-do-brasil-ao-mapa-da-fome-e-retrocesso-inedito-no-mundo-diz-economista.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">volta do Brasil ao Mapa da Fome</a> é também um dos símbolos mais gritantes da falta de empatia com os mais pobres e de políticas continuadas e consistentes, como o aumento real do salário mínimo e o apoio à agricultura familiar, de combate à desigualdade. Dados de junho do 2<sup>o</sup> Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar apontavam o número de 33,1 milhões de brasileiros sem ter o que comer diariamente. Uma volta aos anos 1990.</p>



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	                                        <p class="m-0">Eleitora de Lula mostra cartaz de apoio em caminhada do ex-presidente na cidade de São Gonçalo, Rio de Janeiro. Crédito Ricardo Stuckert</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pesquisas de véspera dão vantagem a Lula</strong></h2>



<p>Duas pesquisas divulgadas na noite do sábado (29), véspera da votação, confirmaram a vantagem de Lula nas intenções de voto dos eleitores na reta final do segundo turno. No <a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/pesquisa-eleitoral/noticia/2022/10/29/ipec-lula-tem-54percent-dos-votos-validos-2o-turno-e-bolsonaro-46percent.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ipec</a>, encomendada pela TV Globo e realizada entre quinta e sábado, Lula obteve 54% dos votos válidos contra 46% de Bolsonaro. Os dois aparecem com os mesmos percentuais da pesquisa anterior, de 24 de outubro.</p>



<p>No <a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/pesquisa-eleitoral/noticia/2022/10/29/datafolha-lula-tem-52percent-dos-votos-validos-no-2o-turno-e-bolsonaro-48percent.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Datafolha</a>, encomendado pela Globo e pela Folha de SP, a diferença é menor e caiu na margem de erro na comparação com a anterior. Agora, Lula tem 52% dos votos válidos contra 48% de Bolsonaro. Os dois aparecem, portanto, empatados no limite da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. No levantamento anterior, a diferença era de 53% para 47%.</p>



<p>Considerando os votos totais no Datafolha, Lula aparece com os mesmos 49% de antes e Bolsonaro oscilou positivamente de 44% para 45%. Quatro por cento das pessoas ouvidas disseram votar em branco ou que vão anular o voto e 2% seguiam indecisos. Os dados do Datafolha também revelam que essa é uma eleição de rejeições, do antipetismo contrta o antibolsonarismo: 46% dos eleitores dizem não votar de jeito nenhum em Lula e 50% dizem o mesmo sobre Bolsonaro.</p>



<p>Ao longo da eleição, as pesquisas mostraram que Lula possui mais votos entre as mulheres, os católicos e a população com renda abaixo de 2 salários mínimos. A região mais petista do Brasil é o Nordeste. Já Bolsonaro tem mais votos entre os homens, evangélicos e nos estratos de renda acima de 2 salários mínimos. A região mais bolsonarista é o Sul do Brasil.</p>



<p>No entanto, a que mais mobilizou a atenção dos dois candidatos no segundo turno foi a Sudeste, onde estão os três maiores colégios eleitorais do país e Bolsonaro ganha nos válidos por 52% a 48% na pesquisa de véspera do Datafolha.</p>



<p>Em Pernambuco, as duas pesquisas dão vantagem para Raquel Lyra (PSDB) na disputa com Marília Arraes (Solidariedade). No Ipec, Raquel tem 54% contra 46% de Marília nos votos válidos. Mesmo percentual da pesquisa Datafolha. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Frente ampla contra o bolsonarismo</h2>



<p>No segundo turno, Lula conseguiu ampliar significativamente a <a href="https://www.terra.com.br/noticias/eleicoes/lula-ganha-apoio-formal-de-tebet-e-fhc-e-amplia-leque-de-aliancas-para-2-turno,6dc3a96b84cf4184524094699989987d4hdoi1w0.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">frente pela democracia</a> com o engajamento e apoio de Simone Tebet (MDB-MS), do PDT de Ciro Gomes, da ex-ministra Marina Silva, da maior parte do PSDB, incluindo ex-ministros da Economia e presidentes do Banco Central do governo Fernando Henrique Cardoso. O próprio FHC, e até o ex-senador José Serra, declararam voto em Lula nesse segundo turno.</p>



<p>Artistas globais e não globais também aderiram em peso à campanha, incluindo ex-lavajatistas arrependidos como o ator Marcelo Serrado e o deputado Alexandre Frota. O arco de apoios cresceu a ponto de incluir grandes empresários alinhados à centro-direita, representantes do mercado financeiro e figuras políticas como J<a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2022/10/15/joao-amoedo-declara-voto-em-lula-no-segundo-turno.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">oão Amoêdo</a>, candidato a presidente do Novo em 2018. Houve também um movimento importante de religiosos – evangélicos, católicos e de matriz africada – em defesa da democracia e declarando o voto em Lula para se contrapor às mentiras difundidas nas igrejas contra o ex-presidente.</p>



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	                                        <p class="m-0">Marina Silva, Lula, Simone Tebet e Janja em agenda em ato de campanha na Grande Belo Horizonte. Crédito: Ricardo Stuckert</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Bolsonaro contabilizou o apoio dos atuais <a href="https://recordtv.r7.com/fala-brasil/videos/governadores-do-sudeste-declaram-apoio-a-bolsonaro-no-segundo-turno-05102022" target="_blank" rel="noreferrer noopener">governadores dos três estados do Sudeste</a>: Romeu Zema (Novo) em Minas, de Claúdio Castro (PL), no Rio, ambos reeleitos, e do governador de São Paulo Rodrigo Garcia (PSDB), terceiro colocado no primeiro turno. Também declararam votos em Bolsonaro o jogador Neymar Jr. e alguns dos principais <a href="https://g1.globo.com/df/distrito-federal/eleicoes/2022/noticia/2022/10/17/bolsonaro-cantores-sertanejos-brasilia.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">representantes da música sertaneja</a>, como Leonardo, Zezé de Carmargo, Chitãozinho, Gustavo Lima e Sula Miranda.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Projeto de reconstrução nacional</h2>



<p>São dois os desafios postos para os democratas no Brasil. Primeiro, derrotar Bolsonaro nas ruas, depois construir maiorias para tocar uma agenda de reconstrução nacional. “É isso o que está em jogo agora: impedir em definitivo a morte da democracia, sequestrada e torturada que foi com a ascensão da extrema-direita ao poder, ou ter que enfrentar um regime autocrático e terrorista ainda que construído a partir de eleições, o que lhe daria um fajuto verniz de democracia”, analisa Túlio Velho Barreto.</p>



<p>“Trata-se de impedir, em última instância, a barbárie; para dar início à reconstrução do projeto civilizatório propiciado pela Constituição Federal de 1988, aprofundado nas décadas de 1990, mas, sobretudo, na primeira década deste século (durante os dois mandatos de Lula)”, argumenta.</p>



<p>Túlio acredita que uma vitória de Lula por uma pequena margem deve ser seguida de um questionamento legal e político pelo atual presidente e seus apoiadores – nos moldes de Aécio Neves em 2014 &#8211; e não descarta o que chama de ações terroristas como a praticada por Roberto Jefferson. “Essas duas bombas de efeitos retardados foram montadas por Jair Bolsonaro e aliados durante todo o seu mandato. E dão consequências ao modus operandi da linha-dura que atuou na ditadura e na reação ao retorno da democracia, da qual alguns militares do governo  fizeram parte ou são tributário de seu legado terrorista”.</p>



<p>Para a médica sanitarista Bernadete Perez, é preciso afirmar que os brasileiros e brasileiras não estão condenados ao retrocesso civilizatório dos últimos anos, mas à possibilidade real da mudança. “O que a gente tem que fazer imediatamente é por fim democraticamente a esse pesadelo. Precisamos recuperar a vontade das pessoas, dos grupos, dos coletivos para a construção de projetos críticos e alternativos à descrença, ao pessimismo, às redes frias de violação dos direitos humanos e pra isso a gente precisa de esperança, reencantamento, práxis dos territórios, alegria dos territórios, diversidade cultural e de resistência insistente e criativa. A ocorrência de transformações depende sempre do desejo também, de imaginar futuros e novas utopias possíveis”.</p>



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