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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Edição 2027 da Marcha das Margaridas já começou na Paraíba</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 14:56:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[Marcha das margaridas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alagoa Grande (PB) &#8211; Os usineiros paraibanos que, em agosto de 1983, pagaram 1,5 milhão de cruzeiros (ou 36,3 mil reais a dinheiro de hoje, corrigidos pela inflação) a uma dupla de matadores profissionais pelo assassinato da líder camponesa Margarida Maria Alves acreditavam que o crime seria o suficiente para gerar pânico entre as famílias [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/edicao-2027-da-marcha-das-margaridas-ja-comecou-na-paraiba/">Edição 2027 da Marcha das Margaridas já começou na Paraíba</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Em parceria com <a href="https://amadomundo.com/margaridas-pela-vida-pelo-alimento-e-por-dignidade/">Amado Mundo</a>, conteúdo do projeto Território do Voto*</strong></li>
</ul>



<p><strong>Alagoa Grande (PB)</strong> &#8211; Os usineiros paraibanos que, em agosto de 1983, pagaram 1,5 milhão de cruzeiros (ou 36,3 mil reais a dinheiro de hoje, corrigidos pela inflação) a uma dupla de matadores profissionais pelo assassinato da líder camponesa Margarida Maria Alves acreditavam que o crime seria o suficiente para gerar pânico entre as famílias agricultoras e de cortadores de cana, colocando um ponto final na luta por direitos sociais e trabalhistas. Não poderiam estar mais enganados.</p>



<p>A morte de Margarida se transformou em um marco. Desde então, os movimentos sociais acumularam força e conquistas nas regiões do Brejo e do Planalto da Borborema. O primeiro exemplo disso foi o <a href="https://aspta.org.br/article/polo-da-borborema-ator-contemporaneo-das-lutas-camponesas-pelo-territorio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polo Borborema</a>, uma articulação de sindicatos de trabalhadores rurais e 150 associações comunitárias de 15 municípios criada em 1993, dez anos depois do crime.</p>



<p>Sete anos depois, veio a <a href="https://www.marchadasmargaridas.org.br/?pagina=homepage">Marcha das Margaridas</a>.</p>



<p>A primeira Marcha das Margaridas pelas avenidas de Brasília aconteceu em agosto de 2000, com a participação de 20.000 trabalhadoras rurais. Inicialmente, o movimento fez parte de uma mobilização global contra a fome e a violência de gênero, a Marcha Mundial de Mulheres.</p>



<p>Naquele momento, a comissão de mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) decidiu que a Marcha aconteceria no primeiro ano de mandato dos presidentes da República, sempre no dia 12 de agosto, data do assassinato de Margarida Alves.</p>



<p>Desde então, foram oito marchas. A próxima já está sendo preparada para acontecer em 2027, independente de quem esteja ocupando o Palácio do Planalto.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">&#8220;Terra é poder&#8221;, sentencia Leônia, resumindo luta das mulheres paraibanas
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“O movimento social do Brasil precisou se reunir para garantir os direitos pelos quais, historicamente, Margarida Maria Alves deu sua vida. Garantir o acesso à terra, à aposentadoria, à própria educação, essas eram as preocupações de Margarida Maria Alves”, recorda Maria Leônia Soares da Silva, agricultora no município de Massaranduba e coordenadora de mulheres da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado da Paraíba (Fetag-PB).</p>



<p>No início de setembro, Leônia, ou Léa, como é mais conhecida, esteve à frente da caminhada com centenas de mulheres de vários municípios paraibanos que marcou o início dos preparativos para a Marcha do próximo ano. O ato público começou diante da casa de Margarida e terminou no Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alagoa Grande.</p>



<p>Ela explicou porque o movimento social atua para manter vivo o nome de Margarida entre os mais jovens: “o caminho que está construído hoje não foi construído da noite para o dia, já vem sendo trilhado há muito tempo. Muitas pessoas vieram construindo as políticas, vieram pautando a questão da educação contextualizada, a questão do acesso à água, da água com dignidade, lembrando que o acesso à terra ainda é um desafio”.</p>



<p>“Ter terra é ter vida, ter terra é ter alimento, ter terra é dignidade, ter terra é poder”, sentencia Leônia.</p>



<p><a href="https://marcozero.org/margaridas-marcham-em-brasilia-por-direitos-no-campo-autonomia-das-mulheres-e-democracia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nenhuma das Marchas das Margaridas foi tão tensa quanto a de 2019</a>, a única sob o governo Bolsonaro. Pela primeira vez, garrafas de vinagre foram incluídas no kit levado pelas participantes e seriam usadas para umedecer os lenços caso a Polícia Militar do Distrito Federal tivesse usado gás lacrimogêneo. No final, nada disso foi necessário e as mulheres acabaram levando as garrafas para usar em suas cozinhas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Outra marcha</h2>



<p>Manifestações assim, conduzidas por mulheres, não são episódios isolados naquela região. Todos os anos, desde 2010, milhares de famílias agriculturas, principalmente mulheres, saem em caminhadas pelas ruas de alguma das cidades da região para cobrar políticas públicas ou denunciar violações de direitos. É a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, organizada pelo Polo Borborema.</p>



<p>Houve casos, como em 2023, em Montadas, quando o número de participantes da marcha era praticamente o mesmo da população do município. Naquela ocasião, a cidade de 5,8 mil habitantes recebeu 5 mil pessoas em uma manhã.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mulheres-da-paraiba-voltam-a-marchar-em-protesto-contra-impactos-dos-parques-eolicos/" class="titulo">Mulheres da Paraíba voltam a marchar em protesto contra impactos dos parques eólicos</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Nas últimas edições, a principal motivação da marcha foi o protesto contra os impactos gerados pelos grandes empreendimentos de energia eólica no interior do Nordeste.</p>



<p>“Como agricultoras, como movimento sindical que está nos territórios, a gente começou a perceber que a forma e o modelo como essas energias chegaram não é viável para a gente continuar no campo fazendo agricultura familiar”, explica Maria do Céu da Silva, agricultora e sindicalista em Solânea, lembrando que a virada de chave em relação às eólicas aconteceu em 2018.</p>



<p>“Foi quando a gente começou a descobrir anemômetros (instrumento que mede a velocidade do vento) implantados nas comunidades rurais. Então, nas visitas de intercâmbios com as mulheres ou com a juventude, a gente percebeu que aquilo não era bom, que esse modelo de energia traz muita violência para a vida das mulheres para o campo, traz muitas doenças, diminui a produção dos animais e das lavouras, vai tirando toda a paz, todo o sossego daquelas famílias”, contou Maria do Céu.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Projeto que regulamenta distância de aerogeradores aguarda sanção
</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>De tanto bater nessa tecla, a marcha das mulheres paraibanas alcançou uma vitória que, por enquanto, é parcial. Em junho, a Assembleia Legislativa do estado aprovou o projeto de lei 2.061, que estabelece a distância mínima de 1.500 metros entre aerogeradores e residências ou edificações de uso público, coletivo ou privado.</p>



<p>O governador Lucas Ribeiro (PP), candidato à reeleição com apoio do presidente Lula (PT), ainda não sancionou a lei.</p>



<p>A pressão pela sanção contou com o reforço da Procuradoria da República na Paraíba, que emitiu uma <a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-pb/noticias/mpf-defende-sancao-integral-de-lei-sobre-distancia-minima-de-torres-eolicas-na-paraiba" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nota Técnica sobre o tema</a> assinado pelo procurador José Godoy Bezerra de Souza. O documento defende considerar os impactos socioambientais da expansão eólica e aponta a necessidade de regulamentações que garantam a proteção das comunidades.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Quem tenta calar as vozes das mulheres do campo? | Territórios do Voto" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/pzCz8Gfm4EM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><span style="font-weight: 400;">*</span><span style="font-weight: 400;">O projeto<strong> Territórios do voto</strong> é uma parceria do canal Amado Mundo com os veículos independentes</span><a href="https://vozdascomunidades.com.br/"> <span style="font-weight: 400;">Voz das Comunidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, no Rio de Janeiro; </span><a href="https://agenciamural.org.br/"><span style="font-weight: 400;">Agência Mural</span></a><span style="font-weight: 400;">, em São Paulo, e</span><span style="font-weight: 400;"> Marco Zero</span><span style="font-weight: 400;">, em Pernambuco, na cobertura das eleições 2026.</span> <span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;">A produção desse material conta com o apoio do Instituto Betty e Jacob Lafer (IBJL)</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
    </div>
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			</item>
		<item>
		<title>Agricultores saem, torres ficam: Governo de PE e complexo eólico fecham acordo para retirar famílias</title>
		<link>https://marcozero.org/agricultores-saem-torres-ficam-governo-de-pe-e-complexo-eolico-fecham-acordo-para-retirar-familias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 21:49:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Complexo Ventos de São Clemente]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mppe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um mês após serem alvo de uma ação inédita por danos socioambientais, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e o complexo eólico Ventos de São Clemente, no agreste de Pernambuco, firmaram um acordo judicial que privilegia os aerogeradores em detrimento da permanências das famílias impactadas nos territórios onde elas vivem e trabalham há gerações. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um mês após serem alvo de uma <a href="https://marcozero.org/complexo-eolico-e-cprh-sao-alvos-de-acao-inedita-em-pernambuco-por-danos-socioambientais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ação inédita por danos socioambientais</a>, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e o complexo eólico Ventos de São Clemente, no agreste de Pernambuco, firmaram um acordo judicial que privilegia os aerogeradores em detrimento da permanências das famílias impactadas nos territórios onde elas vivem e trabalham há gerações.</p>



<p>Por não cumprir requisitos obrigatórios para renovação, o empreendimento atua, há mais de um ano, sem licença de operação. As torres estão funcionando somente graças a uma liminar concedida pela Justiça em segunda instância. O complexo é operado pela Echoenergia e formado por oito parques e 126 aerogeradores nos municípios de Caetés, Venturosa, Pedra e Capoeiras.</p>



<p>O termo de compromisso firmado entre CPRH e a empresa prevê a realocação das famílias que vivem a até 280 metros das torres. Na prática, os camponeses saem e as torres ficam.O acordo, no entanto, não explicita o que acontecerá no caso daquelas famílias que não quiserem, por algum motivo, deixar seu local de origem. </p>



<p>Outra problemática do termo, segundo o MPPE e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que representa os agricultores, é que ele não inclui uma solução para todas as pessoas comprovadamente já impactadas pelo complexo, apesar das tentativas de conciliação já se arrastarem desde o final de março de 2025.</p>



<p>&#8220;Na prática, as famílias estão sendo expulsas. Aceitar deixar o território é a única forma que elas estão encontrando de se verem livres do sofrimento que estão suportando há mais de 10 anos. Mas não são as famílias que deveriam ter que sair, não são elas que estão irregulares, é o empreendimento. É uma inversão muito grande. E o próprio Governo de Pernambuco e o Judiciário vendem essa imagem de que não é possível tirar as torres e que são as famílias que têm que deixar seus territórios&#8221;, avalia a advogada da Pastoral da Terra Mariana Vidal.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>Confira <a href="https://marcozero.org/complexo-eolico-e-cprh-sao-alvos-de-acao-inedita-em-pernambuco-por-danos-socioambientais/" target="_blank" rel="noopener">aqui</a> a linha do tempo que a <strong>Marco Zero</strong> publicou, no mês passado, mostrando a cronologia dos danos provocados por eólicas em Caetés e adjacências desde 2012, quando a Casa dos Ventos (hoje Ventos de São Clemente) chegou prometendo renda mensal complementar, emprego para os filhos, dinamização da economia da região, melhoria da qualidade de vida e energia elétrica mais barata.</p>
	</div>



<p>Os trabalhadores rurais que vivem entre 500 e mil metros das torres continuarão sem possibilidade de realocação ou qualquer outra forma de indenização, a menos que haja comprovação que as torres ultrapassam os limites sonoros. O &#8220;detalhe&#8221; é que a comprovação poderá ser feita pela própria empresa operadora do complexo, apesar de diversos estudos já terem demonstrado que quem reside a uma distância de pelo menos 500 metros está submetido a ruídos de intensidade acima dos parâmetros adotados por ordenamento jurídico.</p>



<p>Na última sexta-feira, 17 de abril, o MPPE protocolou, por meio da Central de Recursos Cíveis, um agravo interno para reformar a homologação do acordo entre CPRH e Ventos de São Clemente. O procurador de Justiça Sílvio Tavares quer a revogação do acordo e a inclusão da cláusula aditiva proposta pelo MPPE, que agora aguarda apreciação pelo TJPE.</p>



<p>Essa cláusula aditiva tem como finalidade ampliar o raio de indenizações e elevar as sanções pecuniárias pelos danos socioambientais. Segundo Tavares, o acordo firmado carece de especificidade e cria brechas para interpretações subjetivas que prejudicam diretamente as famílias afetadas.</p>



<p>“Ao rechaçar as condicionantes, o acordo esvazia a proteção integral do meio ambiente e viola o interesse público, pois representa uma diminuição injustificada do patamar de proteção ambiental e social já consolidado. O Ministério Público, por fim, considera inadmissível que as populações vulneráveis, destinatárias dos efeitos do acordo, não tenham participado de sua formatação e fiquem desprovidas de salvaguardas claras que garantam a sua segurança jurídica e subsistência”, fundamentou o procurador.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Veja o que pede o MPPE</span>

		<p>1- Elaboração de plano de realocação das famílias;</p>
<p>2- Realocação ou indenização justa para todas as famílias que residem em raio de até 500 metros de aerogeradores, com pagamento de auxílio-aluguel até a efetiva realocação dos moradores;</p>
<p>3- No caso de moradores entre 500 e 1.000 metros dos aerogeradores onde os limites sonoros forem ultrapassados, respeito à opção da família pela realocação ou descomissionamento da torre;</p>
<p>4- Contratação de órgão independente (não contratado pela empresa) a fim de assegurar isenção na emissão dos laudos de ruídos e na avaliação dos imóveis para pagamento de indenização;</p>
<p>5- Participação comunitária na construção das soluções.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Eólica opera sem licença</h2>



<p>Para pressionar a CPRH, as comunidades atingidas, organizadas em parceria com outros atores, promoveram um protesto, em fevereiro de 2025, ocupando a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), no Recife. O órgão ambiental, na época, indeferiu o pedido de renovação da Licença de Operação da Ventos de São Clemente, determinando a imediata paralisação dos aerogeradores. </p>



<p>A empresa iniciou então o desligamento dos aerogeradores. No entanto, isso durou pouco tempo. O empreendimento logo recorreu e, em segundo instância, conseguiu retomar as atividades graças a uma liminar. Poucos dias depois, em março, uma torre aerogeradora se rompeu e despencou, num terreno onde, felizmente, não havia circulação de pessoas e não houve feridos.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Empresa e governo estadual são alvo por danos socioambientais</h3>



<p>É extensa a lista de violações apresentadas à Justiça de Pernambuco, no mês passado, pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em ação inédita no estado, contra a Ventos de São Clemente e a CPRH. Pela primeira vez em Pernambuco, empresas eólicas são alvo de uma Ação Civil Pública (ACP) por danos socioambientais.</p>



<p>Além da Ventos de São Clemente Holding S.A., também são rés no processo judicial a Casa dos Ventos Energias Renováveis S.A. e a Echoenergia Participações S.A. A MZ detalhou a situação em <a href="https://marcozero.org/complexo-eolico-e-cprh-sao-alvos-de-acao-inedita-em-pernambuco-por-danos-socioambientais/">reportagem</a> publicada no dia 23 de março.</p>



<p>As mais de 500 famílias afetadas, segundo a pastoral, vivem nas comunidades Pau Ferro, Pontais, Laguinha, Barrocas, Tanque Novo, Paraguai, Mulungu, Quitonga, Piado, Exu, Montevidéu, Toquinho, Vermelha e Serrote. São famílias que, em geral, têm um longo histórico de posse da terra, que remonta a várias gerações, e que vivem da agricultura familiar e da criação de animais.</p>



<p>A operação das turbinas provocou, em 10 anos, uma série de danos tanto à saúde física e mental quanto à produção agropecuária e consequentemente à segurança alimentar e à geração de renda dessas pessoas.</p>



<p>Relembre <a href="https://marcozero.org/complexo-eolico-e-cprh-sao-alvos-de-acao-inedita-em-pernambuco-por-danos-socioambientais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> em reportagem da <strong>MZ</strong>.</p>



<p>À reportagem, a CPRH informou que não comenta casos judicializados. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a Ventos de São Clemente</span>

		<p>Em nota, a Echoenergia afirmou que ainda não foi notificada sobre o agravo do MPPE, que segue com as ações mitigatórias e permanece empenhada em assegurar o cumprimento integral das obrigações ambientais do complexo eólico.</p>
<p><strong>Confira a nota na íntegra</strong></p>
<p><em>A Echoenergia mantém seu compromisso com a responsabilidade socioambiental, condicionantes ambientais legais e condução da operação do Complexo Eólico Ventos de São Clemente. O termo de compromisso assinado com a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH) consolida um conjunto de medidas já em execução pela Echoenergia, destinadas à mitigação de eventuais impactos socioambientais, garantindo transparência, rigor técnico e a participação efetiva das famílias em todas as etapas previstas.</em></p>
<p><em>A companhia ainda não foi notificada sobre o agravo interno mencionado, no entanto, Echoenergia vai adotar as medidas cabíveis para proteger suas prerrogativas legais assim que for intimada.</em></p>
<p><em>Desde que assumiu a gestão de Ventos de São Clemente, a Echoenergia vem implementando um conjunto estruturado de ações voltadas à mitigação de impactos ambientais adicionais aos previamente avaliados no processo de licenciamento, em conformidade com as condições e padrões estabelecidos pela legislação ambiental vigente e pelas condicionantes da licença de operação original. As ações visam o atendimento das comunidades do entorno do empreendimento, beneficiando 130 famílias das comunidades onde se localiza o complexo eólico. Além disso, foram construídas 192 cisternas, que beneficiaram no total 453 famílias, em 14 comunidades.</em></p>
<p><em>A Echoenergia segue com as ações mitigatórias e permanece empenhada em assegurar o cumprimento integral das obrigações ambientais do Complexo Eólico Ventos de São Clemente – como medida de proteção, ainda que não se existam danos atestados – conduzindo as iniciativas com responsabilidade, transparência e alinhamento às melhores práticas socioambientais do setor.</em></p>
	</div>



<p><em>Reportagem atualizada em 24 de abril de 2026, às 10h54</em></p>
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		<title>Complexo eólico e Governo de Pernambuco são alvo de ação inédita por danos socioambientais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 19:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[CPRH]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[eólicas]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É extensa a lista de violações apresentadas à Justiça de Pernambuco pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em ação inédita no estado, contra os responsáveis pela instalação e operação do complexo eólico Ventos de São Clemente, formado por oito parques e 126 aerogeradores nos municípios de Caetés, Venturosa, Pedra e Capoeiras, no agreste. Pela primeira [&#8230;]</p>
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<p>É extensa a lista de violações apresentadas à Justiça de Pernambuco pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em ação inédita no estado, contra os responsáveis pela instalação e operação do complexo eólico Ventos de São Clemente, formado por oito parques e 126 aerogeradores nos municípios de Caetés, Venturosa, Pedra e Capoeiras, no agreste.</p>



<p>Pela primeira vez em Pernambuco, empresas eólicas são alvo de uma Ação Civil Pública (ACP) por danos socioambientais. A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) também foi denunciada na ação, protocolada na sexta-feira 13 de março. Além da Ventos de São Clemente Holding S.A., também são rés no processo judicial a Casa dos Ventos Energias Renováveis S.A. e a Echoenergia Participações S.A.</p>



<p>Na última segunda (16), famílias camponesas junto à Escola dos Ventos e à CPT fizeram uma mobilização em frente à Vara Única da Comarca de Caetés. Formada por agricultores, pastoral, representantes da Fiocruz e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a escola é um coletivo de mobilização, pesquisa e ação contra os impactos das eólicas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/caetes-1-1024x768.jpeg" alt="A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas em frente a um prédio, segurando um grande banner preto com letras brancas pintadas à mão. O texto no banner diz “EÓLICAS MATAM”, em português, indicando um protesto contra projetos de energia eólica. Ao fundo, há paredes revestidas de azulejos brancos, colunas de tijolos vermelhos, além de plantas e palmeiras que compõem o cenário externo. É uma cena de manifestação pública, marcada pela crítica a empreendimentos ligados às turbinas de vento." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Moradores prejudicados já fizeram vários protestos contra eólicas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Cortesia/CPT</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Linha do tempo: das promessas aos problemas</strong></h2>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> montou uma linha do tempo com base nas informações da Ação Civil Pública, mostrando a cronologia dos danos provocados por eólicas em Caetés e adjacências desde 2012, quando a Casa dos Ventos chegou prometendo renda mensal complementar, emprego para os filhos, dinamização da economia da região, melhoria da qualidade de vida e energia elétrica mais barata. Depois o complexo foi adquirido pela Echoenergia, em 2017.</p>



<p>A linha do tempo vai até os dias atuais, envolvendo um embate jurídico e o complexo eólico Ventos de São Clemente funcionando sem licença de operação, autorizada apenas por uma liminar obtida em segunda instância na Justiça.</p>





<div style="height:780px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading">A extensão dos danos</h2>



<p>As mais de 500 famílias afetadas, segundo a pastoral, vivem nas comunidades Pau Ferro, Pontais, Laguinha, Barrocas, Tanque Novo, Paraguai, Mulungu, Quitonga, Piado, Exu, Montevidéu, Toquinho, Vermelha e Serrote. São famílias que, em geral, têm um longo histórico de posse da terra, que remonta a várias gerações, e que vivem da agricultura familiar e da criação de animais.</p>



<p>Muitas têm ascendência indígena, plantam milho, feijão, batata doce, macaxeira e palma, criam vacas para produção de leite e queijo e também porcos, cabras, ovelhas e galinhas. A operação das turbinas provocou, em 10 anos, uma série de danos tanto à saúde física e mental quanto à produção agropecuária e consequentemente à segurança alimentar e à geração de renda dessas pessoas.</p>



<p>Os problemas apresentados na Ação Civil Pública incluem ainda rachaduras nas casas após uso de explosivos para detonação e abertura de estradas; diminuição da disponibilidade hídrica em face do soterramento de barreiros e da destruição de lajedos e caldeirões; perda de vegetação nativa com a supressão de caatinga sem reposição no mesmo território; adoecimento da população; desenvolvimento de doenças diversas, de natureza tanto psíquica quanto física, como insônia, diminuição da capacidade auditiva, dor de cabeça, ansiedade. depressão, irritação nos olhos, problema de visão, fadiga, alergia na pele, palpitações no coração e hipertensão.</p>



<p>Os animais domésticos, por sua vez, apresentam sinais de estresse, adoecimento, morte prematura e alteração reprodutiva. As famílias relatam seus animais estão visivelmente estressados (com sinais de agitação e agressividade); as vacas vêm produzindo menos leite; as galinhas vêm pondo menos ovos ou quase nenhum; os poucos ovos postos terminam por não “gorar”, isto é, não desenvolvem o embrião, que apodrece durante a incubação; há cada vez maior incidência de filhotes (bezerros, porcos, pintos e outros) natimortos ou que, nascidos vivos, vêm a óbito em poucos dias, porque estão debilitados; e as galinhas vêm morrendo prematuramente.</p>



<p>De 2013 para cá, também houve diminuição ou desaparecimento da fauna silvestre, com diminuição drástica da presença de pássaros, morcegos e abelhas, importantes polinizadores e disseminadores de sementes. Houve ainda redução da produtividade agrícola e diminuição da geração de renda familiar e da segurança alimentar.</p>



<p>Muitas edificações racharam, comprometendo a segurança das casas e a inutilidade das cisternas. Os parques eólicas também foram responsáveis por uma quebra da inversão térmica noturna, alteração do padrão natural do vento e a diminuição da umidade do solo.</p>



<p>Embora os complexos Ventos de São Clemente e Ventos de Santa Brígida tenham sido construídos pelo mesmo empreendedor (Casa dos Ventos Energias Renováveis S.A.) e conformem juntos um único complexo maior, denominado Complexo Caetés, com um total de 233 aerogeradores, as licenças foram solicitadas em separado, o que, segundo a CPT, facilitou a burocracia para operação e questões de comprovação de possíveis impactos.</p>



<p>Além disso, não se levou em consideração os sítios vizinhos às turbinas, que têm sido diretamente atingidos pelo seu funcionamento, apesar de não terem torres instaladas e por isso não receberem qualquer contrapartida financeira. Na prática, elas também arcam com todos os ônus e prejuízos de terem, a poucos metros de distância, os aerogeradores em funcionamento.</p>



<p>Atualmente já se sabe, por meio de estudos, que famílias residentes a uma distância de pelo menos 500 metros de distância das torres estão submetidas a ruídos cuja intensidade está acima dos parâmetros adotados pelo ordenamento jurídico.</p>



<h3 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>Um complexo que opera sem licença</strong></h3>



<p>As comunidades atingidas, organizadas em parceria com outros atores (inclusive com a população atingida pelo complexo Ventos de Santa Brígida), promoveram um novo protesto, em fevereiro de 2025, desta vez ocupando a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), no Recife, para pressionar a CPRH.</p>



<p>O órgão ambiental, na época, indeferiu o pedido de renovação da Licença de Operação, determinando a imediata paralisação dos aerogeradores. A Ventos de São Clemente iniciou então o desligamento dos aerogeradores. No entanto, isso durou pouco tempo. A empresa logo recorreu e, em segundo instância, conseguiu retomar as atividades graças a uma liminar. Poucos dias depois, em 12 de março, uma torre aerogeradora se rompeu e despencou, num terreno onde, felizmente, não havia circulação de pessoas e não houve feridos.</p>



<p>Instaurou-se então um processo de conciliação, na tentativa de uma solução consensual entre a CPRH e a Ventos de São Clemente/Echoenergia. Não houve, contudo, participação ativa de representantes das comunidades atingidas, denuncia a CPT. Essa tentativa de conciliação já se arrasta desde o final de março de 2025.</p>



<p>Uma das mais recentes movimentações foi a apresentação de um quinto plano pela Echoenergia, após os quatros anteriores terem sido indeferidos pela CPRH, que prevê tão somente a permuta de terras para as famílias situadas a até 280 metros dos aerogeradores e dispostas a sair do território.</p>



<p>“A proposta é, portanto, de que as famílias abram mão de seus terrenos e recebam, em troca, outras terras previamente selecionadas pela Echoenergia. O plano deixa expresso que ‘não serão oferecidas compensações financeiras ou alternativas’, mas apenas a realocação para terras equivalentes, identificadas como ‘elegíveis’ pela Echoenergia”, reclama a CPT em ação.</p>



<p>Com relação às famílias que não pretendem deixar o território, a Echoenergia não apresentou qualquer proposta sobre como pretende afastar e reinstalar as torres aerogeradoras em locais seguros. Mesmo assim, em audiência judicial realizada em outubro de 2025, a CPRH posicionou-se no sentido de aprovar o 5º Plano da Ventos de São Clemente/Echoenergia. Em seguida, elaborou e firmou um Termo de Compromisso com a empresa.</p>



<p>A <strong>MZ</strong> procurou a Echoenergia e a CPRH para ouvi-los, mas não houve qualquer retorno até o fechamento desta reportagem.</p>
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		<title>Pesquisa comprova danos à saúde mental de camponeses 10 anos após instalação de eólicas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 17:22:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[eólicas]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dez anos após a instalação do primeiro empreendimento eólico do Brasil, em Caetés, no agreste de Pernambuco, a 240 quilômetros do Recife, o que se vê é uma comunidade, em sua maioria, em sofrimento psíquico. Uma nova pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) campus Garanhuns constatou que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dez anos após a instalação do primeiro empreendimento eólico do Brasil, em Caetés, no agreste de Pernambuco, a 240 quilômetros do Recife, o que se vê é uma comunidade, em sua maioria, em sofrimento psíquico. Uma nova pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) campus Garanhuns constatou que 68% dos camponeses que ali vivem sofrem com problemas de saúde que ultrapassam a condição do corpo, chegando ao adoecimento psicológico e desenvolvimento de transtornos mentais leves, com consequente aumento do uso de remédios psiquiátricos.  </p>



<p>Intitulado <em>Necropolítica dos ventos: determinação social da saúde mental diante da exposição de empreendimentos eólicos em comunidades camponesas de Pernambuco</em>, o levantamento comprova que, diante dos resultados encontrados, percebe-se uma população que vivencia um trauma psicossocial, uma forma de trauma que transcende o indivíduo e afeta a dimensão social e cultural.</p>



<p>Em 2014, empreendimentos eólicos foram instalados nas comunidades rurais de Sítio Sobradinho, em Caetés, com distâncias que vão de 100 e 900 metros entre as casas e as turbinas. Diversos estudos, no entanto, já comprovaram, na última década, que, a até 2 quilômetros, é possível perceber prejuízos à saúde.</p>



<p>A pesquisa entrevistou 50 pessoas, sendo 80% mulheres e 20% homens, de 18 a 89 anos, em sua maioria negros e agricultores familiares. Desse total, 34 corresponderam ao ponto de corte que configura sofrimento psíquico, representando 68% da amostra. Todas estão no território há mais de 10 anos, ou seja, antes da implantação dos aerogeradores. Segundo o levantamento, muitas estão em fase de esgotamento, se recusando a responder questionários de pesquisas diante da pressão das empresas sobre as comunidades.</p>



<p>“Como têm sido implementadas as energias renováveis?”, provoca Felipe Cazeiro, professor da UPE e pesquisador da Fiocruz que está à frente dos estudos sobre o impacto das eólicas no campo da saúde mental. As eólicas são hoje a segunda maior fonte de energia elétrica do Nordeste, atrás apenas da hídrica. A região tem sido a de maior instalação dessas turbinas, abrigando mais de 80% dos empreendimentos em operação no país.</p>



<p>Os ruídos de baixa frequência emitidos pelas turbinas costumam gerar sintomas como dor de cabeça, zumbido e pressão nos ouvidos, náuseas, tonturas, taquicardia, irritabilidade, problemas de concentração e memória e episódios de pânico. Tais ruídos podem ocasionar, além desses sintomas, distúrbios mais graves como a Síndrome da Turbina Eólica e a Doença Vibroacústica.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Síndrome da Turbina Eólica</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Os sintomas compreendem distúrbios do sono, aumento de frequência e/ou gravidade de dores de cabeça, tonturas, instabilidades, náusea, exaustão e alterações no humor; problemas com concentração e aprendizagem, além de zumbido nos ouvidos. Indivíduos com histórico de enxaqueca ou problemas auditivos anteriores ao contato com as eólicas e pessoas idosas são grupos mais suscetíveis.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Doença Vibroacústica</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>É uma doença sistêmica causada pela exposição prolongada (mais de dez anos) a ruído de grandes amplitudes (90 dB) e baixa frequência (&lt; 500Hz, incluindo os infrassons). É uma patologia sistêmica com uma evolução que aparece lentamente e pode afetar vários órgãos e tecidos, como o sistema nervoso, o sistema imunitário, o aparelho cardiovascular e o aparelho respiratório. Além de ser caracterizada por lesões nos tecidos ou órgãos, pode ocasionar uma série de alterações no organismo, como alterações neurológicas, endócrinas, na tensão arterial e na função respiratória, entre outros problemas. Esses efeitos igualmente são resultados da exposição prolongada aos ruídos de baixa frequência, que interferem no funcionamento normal dos sistemas corporais.</p>
	</div>



<p>O levantamento da Fiocruz com UPE, realizado por 11 pesquisadores, utilizou como metodologia o <em>Self-Report Questionary 20 (SRQ-20)</em>, um questionário da Organização Mundial da Saúde (OMS) cujo objetivo é comprovar sofrimento psíquico ou transtornos mentais leves, sem a função de diagnosticar, avaliar ou trazer um quadro específico patológico em saúde mental.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Camponeses pensam em suicídio</strong></h2>



<p>“É muito comum a ideia de que o processo de doença é individual, e não que é determinado socialmente. Então, quando vemos esses dados e vemos a determinação social da saúde, percebemos que a exposição que essas pessoas estão vivendo há 10 anos junto das eólicas tem trazido impactos em diferentes âmbitos, seja na saúde animal, humana, mental ou vegetal, na terra e no território”, comenta Cazeiro, que é doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).</p>



<p>Um dado preocupante foi sobre o item “Tem tido ideia de acabar com a vida?” do questionário. Entre as pessoas que responderam estar com a ideia de tirar a própria vida, uma delas disse que isso aconteceu após a chegada das eólicas e relatou: “me sinto ‘sem controle’ em alguns momentos, os sintomas atrapalham muito a minha vida, sentindo pânico para dormir”.</p>



<p>Outra pessoa respondeu que a ideia de tirar a própria vida não apareceu com a chegada das eólicas, ela tinha diagnóstico prévio de depressão, mas relatou que a ideação suicida piorou com a chegada dos aerogeradores: “às vezes, tenho medo de mim”. Ambas tomam psicotrópicos, porém estão desassistidas de um acompanhamento de saúde contínuo.</p>



<p>“O Estado não tem dado nenhuma assistência às comunidades, essa é a maior dificuldade, existe pouca atenção e há um discurso antagônico. O Estado acha que as comunidades são contra o desenvolvimento, mas as comunidades não são contra o desenvolvimento, são contra o desenvolvimento sustentável da forma como ele está sendo feito, sem preocupação com as famílias. A mesma coisa são as empresas”, adiciona o pesquisador.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma pesquisa-ação</strong></h2>



<p>Esse trabalho desenvolvido em Caetés é uma pesquisa-ação. Nesse âmbito, foi criada a Escola dos Ventos, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT Nordeste II), como um coletivo que possui como objetivo ser um espaço baseado no saber popular de Paulo Freire, em que as comunidades passaram a refletir coletivamente sobre seus problemas e traçar estratégias de defesa de seus territórios, além da reivindicação de direitos, numa iniciativa conjunta com Fiocruz e UPE.</p>



<p>A escola realizou diversos encontros e debates ao longo do ano. O objetivo é ampliar o debate e estimular a mobilização contra os impactos causados pelo modelo centralizador e concentrador de geração de energia renovável. A ideia do projeto de pesquiusa-ação é procurar saídas comunitárias para uma transição energética justa, que respeite verdadeiramente o meio ambiente e as populações do campo.</p>
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		<title>Impacto das linhas de transmissão de energia em comunidades rurais entra na agenda política</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2025 20:46:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[Tracunhaém]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No próximo dia 26 de novembro, o Sítio Agatha, em Tracunhaém (PE), vai receber uma visita da comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para fazer uma escuta comunitária que deve ampliar a visibilidade sobre os conflitos gerados pela instalação das linhas de transmissão de energia no Complexo Prado. O encontro reunirá [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No próximo dia 26 de novembro, o Sítio Agatha, em Tracunhaém (PE), vai receber uma visita da comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para fazer uma escuta comunitária que deve ampliar a visibilidade sobre os conflitos gerados pela instalação das linhas de transmissão de energia no Complexo Prado. O encontro reunirá moradores e entidades sociais diante de representantes de órgãos públicos que devem ser pressionados por medidas concretas em relação às denúncias prejuízos à agroecologia e violações de direitos. </p>



<p>A iniciativa é uma resposta do legislativo estadual às falhas no processo de licenciamento ambiental e à ausência de consultas prévias às comunidades afetadas. Nesse cenário, famílias agricultoras relatam perda de terras, redução de áreas cultiváveis e até problemas de saúde relacionados à proximidade das torres de alta tensão. Projetos sustentáveis, como o do Sítio Agatha, têm sido diretamente prejudicados por empreendimentos da chamada “energia limpa”.</p>



<p>Entidades como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Fundo Casa e o Fundo Labora apoiam a resistência das famílias, enquanto a comissão de Meio Ambiente da Alepe, presidida pela deputada estadual Rosa Amorim (PT), já realizou vistorias técnicas com a deputada Rosa Amorim. A expectativa é que a escuta comunitária pressione órgãos como Incra, Ibama, CPRH e MPF a fiscalizar e exigir reparações adequadas.</p>



<p>O caso do Complexo Prado evidencia um padrão recorrente em megaempreendimentos energéticos no Brasil: benefícios concentrados em grandes centros e impactos distribuídos em regiões periféricas. Em 2023, a Marco Zero foi até o Sítio Ágatha para conhecer a história de Luiza Cavalcante, que também é presidente da Associação Sítio Ágatha, para entender como os moradores são afetados.</p>



<p>A linha de transmissão  500 kV Campina Grande III – Pau Ferro que atravessa parte da propriedade do Sítio Agatha, que foi instalada durante a pandemia da covid-19. Esta linha tem aproximadamente 130 quilômetros de extensão, passando por 15 municípios de Pernambuco e da Paraíba, e pertence a empresa Rialma S/A.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/linha-de-transmissao-de-energia-eolica-causa-desmatamento-em-terras-da-agricultura-familiar/" class="titulo">Linha de transmissão de energia eólica causa desmatamento em terras da agricultura familiar</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/energias/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Energias</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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		<item>
		<title>Governo Federal sugere que estados regulamentem energia eólica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Oct 2025 13:50:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[COP30]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante a coletiva de abertura da Caatinga Climate Week, a Semana do Clima da Caatinga, nesta quarta-feira (1º), em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, o ministro da secretaria-geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, informou que o Governo Federal está sugerindo que os estados, através das Assembleias Legislativas, regulamentem o funcionamento de parques de energia [&#8230;]</p>
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<p>Durante a coletiva de abertura da <a href="https://marcozero.org/caatinga-climate-week-coloca-o-bioma-e-os-saberes-locais-no-centro-do-debate-climatico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Caatinga Climate Week</a>, a Semana do Clima da Caatinga, nesta quarta-feira (1º), em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, o ministro da secretaria-geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, informou que o Governo Federal está sugerindo que os estados, através das Assembleias Legislativas, regulamentem o funcionamento de parques de energia eólica, sobretudo em Pernambuco e no Rio Grande do Norte.</p>



<p>“Tenho conversado com o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) para que a gente possa influenciar nesse processo (dos leilões) e ter previsão de compensação ambiental para essas comunidades atingidas que vivem no entorno das usinas. Para que a gente possa primeiro resolver os problemas que já tem e que eles não possam se multiplicar no país. Porque a energia eólica é uma realidade que veio para ficar”, disse Macêdo.</p>



<p>“Essa questão da energia eólica é muito séria. O impacto é muito grande na vida das pessoas. Então é necessário que tenha regulamentação estadual e leis sobre isso”, complementou. No Brasil, cada estado é responsável pela própria legislação referente às iniciativas de energia renovável.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/WhatsApp-Image-2025-10-01-at-14.21.05-1-1024x683.jpeg" alt="Foto do ministro Márcio Macêdo, um homem de pele clara e cabelos grisalhos, curtos e encaracolados, aparece em primeiro plano, sentado, segurando um microfone próximo à boca. Ele veste uma camisa social branca e olha em direção à câmera com expressão séria. O fundo é neutro, em tons claros, com parte de uma estrutura escura desfocada à direita da imagem." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Márcio Macêdo participou de evento em Caruaru
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Beto Figueiro/Caatinga Climate Week</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A maior parte das usinas eólicas no Nordeste está localizada no semiárido, que abriga a Caatinga, o único bioma exclusivamente brasileiro. Fortemente ameaçada pelas mudanças climáticas, a região enfrenta outra grave ameaça: a falta de uma transição energética justa.</p>



<p>Entre os diversos <a href="https://marcozero.org/agricultores-e-povo-kapinawa-ocupam-predio-do-governo-em-mais-um-protesto-contra-eolicas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">impactos dos empreendimentos eólicos</a>, estão a perda de territórios, as remoções forçadas, os <a href="https://marcozero.org/eolicas-assumem-controle-de-terras-com-contratos-longos-e-sem-garantia-aos-agricultores/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">contratos abusivos</a> e os danos ambientais e à saúde das famílias que vivem próximas aos aerogeradores. Os efeitos também são sentidos pelos animais, como bois, porcos e abelhas, que diminuem suas produções com consequente impacto na renda das famílias.</p>



<p>Uma pesquisa da Universidade de Pernambuco (UPE) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou que mais de 70% das pessoas que moram ao lado das turbinas têm depressão, estresse, ansiedade ou problemas de visão.</p>



<p>No ano passado, a gestão da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), publicou um instrução normativa prevendo algumas regulamentações para tentar minimizar os impactos socioambientais provenientes desse tipo de empreendimento. A medida, no entanto, foi bastante criticada pelas comunidades agricultoras impactadas e pela sociedade civil que acompanha essa realidade. </p>



<p>Isso porque a instrução não previu uma regra para um dos principais pedidos das famílias agricultoras: a definição de uma distância mínima entre os aerogeradores e as residências. Cada empresa pode estabelecer uma distância.</p>



<p>Nas palavras dos representantes do Centro Sabiá, organizador da Caatinga Climate Week, “a ausência de políticas mais rigorosas facilita acordos desonestos entre empresas e as comunidades, com aval dos governos municipais e estadual. Foi o caso dos parques instalados em Venturosa e Caetés (no Agreste de Pernambuco), que tiveram suas licenças renovadas após dez anos de efeitos negativos para as comunidades”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Janja e enviadas especiais da COP30 ouvem demandas</strong></h2>



<p>A coletiva de imprensa desta quarta (1º) foi a primeira agenda em Caruaru das Enviadas Especiais para a COP30 dentro do projeto Vozes dos Biomas. Essa é iniciativa inédita que busca levar as vozes da sociedade civil diretamente aos espaços de negociação da COP30. É liderada pela primeira-dama Janja Lula da Silva (responsável pelo tema Mulheres), pela advogada de direitos humanos e ativista feminista Denise Dora (Direitos Humanos e Transição Justa) e pelamédica, comunicadora e ativista pelos direitos humanos Jurema Werneck (Igualdade Racial e Periferias).</p>



<p>Durante a Caatinga Climate Week, o Vozes dos Biomas realizou a edição dedicada à caatinga, reunindo lideranças locais, povos tradicionais, organizações da sociedade civil e movimentos sociais do semiárido para apresentar às enviadas as principais demandas do bioma.</p>



<p>Essas demandas vão compor documentos que serão entregues diretamente aos negociadores da COP30, com a missão de garantir que os saberes locais e as perspectivas de quem vive os impactos da crise climática estejam representados no mesmo nível de importância que as orientações oficiais, ampliando a participação e o alcance político da sociedade civil brasileira no debate global sobre o clima.</p>



<p>“A busca por financiamento é hoje a principal demanda da sociedade civil. Assim como existe o Fundo Amazônia, precisamos pensar em fundos para os outros biomas brasileiros. A Pampa, por exemplo, é trinacional e um dos mais degradados. Essa preocupação deve estar na carta final da Semana do Clima da Caatinga, que vamos apresentar na COP”, afirmou Janja.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/WhatsApp-Image-2025-10-01-at-14.21.05-300x200.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/WhatsApp-Image-2025-10-01-at-14.21.05-1024x683.jpeg" alt="Foto da primeira-dama Janja, mulher de pele clara e cabelos castanhos lisos, na altura dos ombros, aparece em primeiro plano, sentada diante de um painel branco com os logos “Caatinga Climate Week” e “COP30 Brasil Amazônia”. Ela usa óculos de armação escura, casaco claro e segura um microfone na mão direita, enquanto gesticula com a esquerda. Olha para frente com expressão atenta, como se respondesse a uma pergunta ou fizesse uma intervenção no debate." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Janja é uma das enviadas especiais da COP30 ao semiárido
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Beto Figueiro/Caatinga Climate Week</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Por meio de oficinas presenciais realizadas nos seis biomas brasileiros, o Vozes dos Biomas promove escutas qualificadas com as populações de cada bioma, ouvindo experiências, desafios e soluções resilientes diante da crise climática. A partir desses encontros, serão elaboradas seis cartas, uma por bioma.</p>



<p>A iniciativa já realizou encontros na Amazônia, Mata Atlântica e Pampa, e agora chegou à Caatinga, antes de seguir para o Cerrado e o Pantanal.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Caatinga Climate Week</h3>



<p>Inspirada em encontros internacionais como os de Nova York e Londres, a Caatinga Climate Week segue até o sábado (4) percorrendo sete municípios do agreste e do sertão pernambucanos com o objetivo de colocar o bioma no centro da agenda climática de olho na COP30, que acontece em novembro, em Belém. O evento é uma iniciativa do Centro Sabiá em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA).</p>



<p>Durante o evento, mais de 100 lideranças indígenas, quilombolas, assentados da reforma agrária, agricultoras e agricultores agroecológicos, cientistas e organizações sociais se reúnem para discutir soluções locais já testadas, integrando saberes tradicionais e conhecimento científico.</p>



<p>Os participantes vão conhecer de perto, por exemplo, sistemas produtivos da agricultura familiar, tecnologias sociais para adaptação climática, saberes ancestrais, como funcionam as economias territoriais, bancos de sementes crioulas</p>



<p>Historicamente estigmatizada pela pobreza, mas rica em biodiversidade e resistência cultural e um dos biomas mais eficientes na captura de carbono, a Caatinga, que abriga cerca de 28 milhões de pessoas, é um dos territórios mais impactados do planeta pela desertificação e o primeiro a registrar uma zona árida no Brasil.</p>



<p>Segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, do MapBiomas, mostrou que mais de 3 mil hectares da Caatinga já foram desmatados por empreendimentos de energia renovável, sobretudo os parques fotovoltaicos.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>A repórter viajou a convite da Caatinga Climate Week</strong></li>
</ul>



<p></p>
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		<item>
		<title>Usinas de energia solar já ocupam 22 mil hectares na Caatinga</title>
		<link>https://marcozero.org/usinas-de-energia-solar-ocupam-22-mil-hectares-da-caatinga/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Aug 2025 15:02:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[energia fotovotaica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[energia solar]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um novo estudo realizado pelo MapBiomas Brasil traz à luz dados importantes sobre o desmatamento para instalação de usinas fotovoltaicas para geração de energia elétrica no país. Os números mostram que o crescimento dos investimentos solares se deu a partir de 2016. Naquele ano, havia 822 hectares ocupados por instalações de médio a grande porte. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um novo estudo realizado pelo <a href="https://brasil.mapbiomas.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">MapBiomas Brasil</a> traz à luz dados importantes sobre o desmatamento para instalação de usinas fotovoltaicas para geração de energia elétrica no país. </p>



<p>Os números mostram que o crescimento dos investimentos solares se deu a partir de 2016. Naquele ano, havia 822 hectares ocupados por instalações de médio a grande porte. Em 2024, saltou para 35,3 mil hectares. Quase metade (44,5%, ou 15,7 mil hectares) da área convertida nesse tipo de usina era antes formações savânicas e 36,6% (12,9 mil hectares) eram pastagens.</p>



<p>Do total do território desmatado, dois terços (62%, ou 21,8 mil hectares) estão na Caatinga; pouco menos de um terço (32%, ou 11,2 mil hectares) fica no Cerrado; e 6% (2,1 mil hectares) estão na Mata Atlântica.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O MapBiomas é uma organização que há 10 anos mapeia a transformação do uso e da cobertura da terra através da ciência e tecnologia, com dados abertos e gratuitos.</p>
        </div>
    </div>



<p>Especialistas alertam que a transição energética, central na agenda climática, exige atenção especial ao caráter da ocupação anterior dos terrenos destinados às fontes renováveis.</p>



<p>Esse indicador chama atenção para o debate sobre a transição energética justa — conceito que defende que projetos ambientais não apenas reduzam as emissões de gases de efeito estufa, mas também respeitem direitos territoriais, incluam a participação das comunidades locais e promovam benefícios socioeconômicos ampliados.</p>



<p>Juntos, os estados de Minas Gerais, Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte possuíam 74% da área mapeada com usinas fotovoltaicas em 2024, totalizando 25,9 mil hectares. Desse total, um terço fica em Minas Gerais.</p>



<p>Depois do Rio Grande do Norte vem Ceará (3.226 ha) e, em sexto lugar, Pernambuco (2.668 ha), cujo município com a maior área ocupada por usinas solares é São José do Belmonte.</p>
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		<title>Atingidos por Renováveis querem intervir no modelo energético nacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 May 2025 21:31:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[energia solar]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Planejamento Espacial Marinho (PEM) do Nordeste foi lançado hoje (26), no Rio Grande do Norte, mas comunidades de pesca artesanal não foram convidadas. Mesmo assim, o Movimento dos Atingidos/as por Renováveis (MAR) estava lá, logo depois de realizar, no final de semana, seu primeiro encontro nacional, realizado de 23 a 25 de maio, em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Planejamento Espacial Marinho (PEM) do Nordeste foi lançado hoje (26), no Rio Grande do Norte, mas comunidades de pesca artesanal não foram convidadas. Mesmo assim, o Movimento dos Atingidos/as por Renováveis (MAR) estava lá, logo depois de realizar, no final de semana, seu primeiro encontro nacional, realizado de 23 a 25 de maio, em Lagoa Seca, na Paraíba.</p>



<p>O movimento reúne 79 organizações da sociedade civil, entre as quais comunidades pesqueiras, indígenas, camponesas e quilombolas, afetadas pelos grandes empreendimentos eólicos e solares. No 1º Encontro do MAR, todas as falas demonstrou a disposição para articular e reforçar, nacionalmente, as lutas de resistência que já são travadas em cada território.</p>



<p>A participação nos debates do Planejamento Marinho, que acontecerão em toda costa brasileira, foi uma das ações planejadas durante encontro. Para os representantes do Movimento, o projeto das eólicas <em>offshore</em>, que autoriza a construção destes empreendimentos em alto-mar, sequer poderia ter sido discutido sem a participação das populações que serão impactadas. E nenhuma concessão para funcionamento pode ser emitida sem a realização deste estudo, que deve contar com ampla participação social.</p>



<p>O cenário não traz boas perspectivas. Essa foi uma das conclusões dos integrantes do MAR, afinal o plano de expansão energética brasileiro prevê a construção de centenas de empreendimentos eólicos e solares, sobretudo no Nordeste.</p>



<p>“Não existe transição energética, nem desenvolvimento. O que existe é o mesmo colonialismo extrativista de sempre com um discurso falacioso”, afirma Nevinha Valentim, que faz parte do Movimento, contestando o discurso utilizado pelo governo e empresas para justificar esta expansão.</p>



<p>A resistência inclui comunidades que já sofrem o impacto de usinas eólicas e solares instaladas em seus territórios. São pessoas que perdem a saúde física e mental; que veem sua produção de alimentos ser reduzida drasticamente; que são forçadas a abandonar seus territórios, modos de vida e laços afetivos.</p>



<p>Celeste de Souza, pescadora do delta do Parnaíba, no Piauí, relata que, além de terem suas casas destruídas e a saúde abalada, os pescadores afetados têm a própria sobrevivência ameaçada pelas alterações provocadas no ecossistema e, por isso, lutam em sua defesa. “Elas causam problemas pra toda biodiversidade. As tartarugas desviam sua rota de reprodução; e algumas espécies de peixes que são fundamentais para toda a cadeia alimentar pesqueira, como a saúna e a tainha, estão ameaçadas”, diz Celeste.</p>



<p>Os problemas não estão restritos às eólicas. Zuíla Santos, da Associação Quilombola de Pitombeira, na Paraíba, é uma das que sentem os impactos das usinas fotovoltaicas.</p>



<p>“Durante a implantação, devido ao uso de dinamite para nivelamento do solo, nossas casas e nossas cisternas ficaram todas rachadas e até agora não conseguimos reparação. Sofremos com o calor por conta da destruição da vegetação que existia antes. Os animais, expulsos de seu ambiente e sem ter mais seu alimento, estão invadindo nossas casas. Raposas e gatos do mato, que têm hábito noturno, estão comendo nossas galinhas à luz do dia. Animais peçonhentos, como cobras, estão constantemente nos visitando porque não têm mais seu ambiente natural”, relata.</p>



<p>Para Sara Payayá, da comunidade indígena Payayá, na Chapada Diamantina (BA), outros dois problemas se sobrepõem a esses. “Eu vejo a história da colonização se repetir, com nossas mulheres sendo ludibriadas pelos homens que chegam com estes empreendimentos e novas formas de estupro. E estou em defesa também das pinturas rupestres que estão nas nossas serras. Cada torre instalada sobre estas inscrições destroem um pedaço de nossa história”, diz.</p>
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		<title>Cisternas com placas de energia solar reduzem custo da agricultura familiar no Piauí</title>
		<link>https://marcozero.org/cisternas-com-placas-de-energia-solar-reduzem-custo-da-agricultura-familiar-no-piaui/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 May 2025 20:28:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[energia fotovotaica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[energia solar]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[semiárido brasileiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há um ano, a agricultora Raimunda Juliana Coelho, de 38 anos, recebeu a notícia de que teria direito a uma cisterna com capacidade para armazenar 52 mil litros, o suficiente para garantir a produção de sua lavoura. Com a alegria, porém, também veio a preocupação em relação à conta de energia elétrica, que “aumentaria e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há um ano, a agricultora Raimunda Juliana Coelho, de 38 anos, recebeu a notícia de que teria direito a uma cisterna com capacidade para armazenar 52 mil litros, o suficiente para garantir a produção de sua lavoura. Com a alegria, porém, também veio a preocupação em relação à conta de energia elétrica, que “aumentaria e muito por causa da bomba” necessária para retirar a água da tecnologia e irrigar o roçado.<br><br>“Para quem só tem R$ 600 do Bolsa Família, mesmo com a tarifa de baixa renda a conta de energia é cara. A gente precisa da bomba para molhar as plantas e ter nossa produção, mas gastaria muito no fim do mês”, explica Raimunda, que mora com o esposo e o filho, na comunidade Trás da Serra, em São Francisco de Assis do Piauí (PI).<br><br>A preocupação da agriculora levou a <a href="https://kolping.org.br/#box" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Obra Kolping</a> – organização social internacional sediada na Alemanha, cuja representação no Brasil faz parte da <a href="https://asabrasil.org.br/">Articulação Semiár</a><a href="https://asabrasil.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">i</a><a href="https://asabrasil.org.br/">do Brasileiro</a> (ASA) – construiu a cisterna-calçadão na propriedade de Raimunda junto com um kit com bomba, placa fotovoltaica de 100 Watts e disjuntor. O sistema transforma a luz do sol em energia elétrica e permite acionar o equipamento para puxar a água da cisterna sem custo adicional para a família.<br><br>“Essa ideia da bomba solar foi uma bênção para nós. Hoje tenho goiaba, manga, limão, mamão, moringa, pimentão, pimentinha, alface, cenoura, tomate, cheiro verde, feijão e milho para consumo da família, fora a criação de galinhas, porcos, perus e cabras. Tudo graças à cisterna e sem pagar mais caro pela energia, só aproveitando o sol para puxar a água para a caixa, levar para o irrigador e molhar as plantas”, comemora Raimunda.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/cisterna-solar-1-300x240.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/cisterna-solar-1-1024x819.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/cisterna-solar-1-1024x819.jpg" alt="A fotografia mostra uma cisterna de captação de água da chuva em um ambiente rural, sob um céu azul com algumas nuvens esparsas. A cisterna, feita de concreto, tem formato circular e tampa cônica clara, levemente inclinada. Ao lado dela, sobre uma pequena base elevada de concreto, há uma caixa d’água azul da marca “Fortlev”. Um pequeno painel solar está instalado próximo à tampa da cisterna, indicando o uso de energia solar no sistema. A vegetação ao fundo é densa, com árvores típicas da caatinga. O solo ao redor é de terra avermelhada, característica de regiões semiáridas." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Kit de energia solar custa R$ 1,3 mil e é bancado com recursos próprios da Kolping
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Almir Orsano/Obra Kolping PI</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><br><br>O kit de bomba solar está sendo instalado junto com as cisternas do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), que faz parte do Programa Cisternas do Governo Federal e tem financiamento da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na propriedade de 150 famílias. Além de moradores de São Francisco de Assis do Piauí como Raimunda, agricultores da zona rural do município de Betânia do Piauí (PI) também estão sendo beneficiados com a novidade.<br><br>“A gente ficou muito ansioso quando soube da chegada da cisterna de segunda água, porque água para produzir é muito importante para melhorar a nossa renda. Mas a minha cisterna, por exemplo, ficaria distante da casa, aí teria gasto com energia e com fio. Mas a novidade dessa placa solar qpermite utilizar o produto que a gente mais tem que é o sol”, diz o agricultor Vicente Severino de Sousa, 39, que vive na comunidade do Sítio Vereda, em São Francisco de Assis, com a esposa e três filhos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Autonomia no semiárido</h2>



<p>De acordo com o coordenador estadual da Obra Kolping, Raimundo João, os kits foram adquiridos com recursos próprios da organização ao custo de R$ 1,3 mil cada. Esse modelo simplificado não dispõe de bateria, ou seja, não permite armazenar a energia elétrica.<br><br>O sistema, portanto, só pode ser usado durante o dia. O que não é um problema, já que o estado piauiense está localizado no chamado “cinturão solar brasileiro” e tem uma irradiação média de 5,9 kWh/m² e cerca de 12 horas diárias de luz solar, superando a média do próprio Brasil.<br><br>Além de oferecer a infraestrutura para energia solar, a instituição vai promover, no segundo semestre deste ano, um curso gratuito para as famílias aprenderem a fazer a manutenção, sobretudo, do painel fotovoltaico que tem garantia de 25 anos.<br><br>Pelo menos 400 famílias agricultoras no Piauí utilizam placas fotovoltaicas em suas propriedades, algumas delas há pelo menos dez anos. Essa, no entanto, é a primeira vez que a inovação é aplicada em um lote do Programa Cisternas. renovável.<br><br>Para o coordenador do programa, Antônio Barbosa, a estratégia reforça a alternativa defendida pela ASA frente ao avanço dos grandes empreendimentos de energias renováveis no Semiárido. “Essa junção da cisterna de produção com a energia solar ainda contribui com a nossa proposta do Programa Um Milhão de Tetos Solares, que tem em uma de suas linhas, justamente, apoiar as famílias agricultoras a terem acesso à energia fotovoltaica para a produção de alimentos”, afirma.</p>
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		<title>Comunidades atingidas por projetos de energia renovável realizam encontro na Paraíba</title>
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		<pubDate>Wed, 21 May 2025 20:31:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O município de Lagoa Seca, na Paraíba, sediará um encontro inédito neste final de semana, de 23 a 25 de maio: o 1º Encontro do Movimento de Atingidas/os pelas Renováveis (MAR). Participantes de todos os estados do Nordeste, representando comunidades tradicionais, movimentos sociais, sindicatos, organizações pastorais e instituições de pesquisa. O objetivo é denunciar violações [&#8230;]</p>
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<p>O município de Lagoa Seca, na Paraíba, sediará um encontro inédito neste final de semana, de 23 a 25 de maio: o 1º Encontro do Movimento de Atingidas/os pelas Renováveis (MAR). Participantes de todos os estados do Nordeste, representando comunidades tradicionais, movimentos sociais, sindicatos, organizações pastorais e instituições de pesquisa. O objetivo é denunciar violações provocadas pelo atual modelo de expansão das energias renováveis no Brasil que, apesar de apresentadas como sustentáveis, têm deixado um rastro de impactos socioambientais profundos em territórios historicamente vulnerabilizados.</p>



<p>Com o lema “Em defesa de um modelo energético justo e popular!”, o encontro busca dar visibilidade a relatos de desapropriações, degradação ambiental, doenças causadas pelo barulho constante das torres eólicas, perda de renda e precarização do trabalho rural e pesqueiro. Os participantes também denunciam a violação da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece o direito à consulta livre, prévia e informada aos povos e comunidades tradicionais.</p>



<p>De acordo com integrantes do MAR, os grandes empreendimentos de energia eólica e solar no Nordeste reproduz práticas que remontam a lógicas coloniais, racistas e patriarcais, em nome da chamada “energia limpa”. Para os organizadores, é urgente romper o silêncio que cerca essas iniciativas e promover um debate público sobre quem realmente se beneficia do atual modelo energético — e quem paga o preço.</p>



<p>O encontro propõe ainda a construção de alternativas que respeitem os direitos humanos, sociais e ambientais. Os participantes exigem dos governos federal, estaduais e municipais o compromisso com políticas energéticas inclusivas, com mecanismos de controle social e reparação dos danos já causados às populações atingidas.</p>



<p>A expectativa é de que os relatos e experiências compartilhadas no encontro do MAR contribuam para o fortalecimento de uma agenda política voltada à justiça energética e à preservação dos territórios e modos de vida do povo nordestino, colocando os representantes dos territórios como protagonistas na formulação de propostas para um futuro energético que sirva aos povos, e não apenas ao lucro de grandes corporações.</p>
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