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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>&#8220;A gente não vai recuar&#8221;, garante Rosane Borges</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 09:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[antirrascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Internacional da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pensar na construção de uma coletividade que atenda de maneira justa às demandas da sociedade, é pensar na participação direta de todos os grupos que estão sendo impactados com as decisões do Estado. Em uma passagem recente pelo Recife, a professora e pesquisadora Rosane Borges, lançou seu novo livro Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, [&#8230;]</p>
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<p>Pensar na construção de uma coletividade que atenda de maneira justa às demandas da sociedade, é pensar na participação direta de todos os grupos que estão sendo impactados com as decisões do Estado. Em uma passagem recente pelo Recife, a professora e pesquisadora Rosane Borges, lançou seu novo livro <em>Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, visibilidade e formas de gestar o impossível</em>, e trouxe reflexões importantes para projetar um futuro em que grupos ditos minoritários estejam no centro do debate.</p>



<p>Acompanhada pelas jornalistas Kauana Portugal e Catarina de Angola, e pela ativista Ingrid Farias, o debate de lançamento apresentou perspectivas que envolvem política, comunicação, território e transformação social. Com a presença de ativistas, coletivos e organizações da sociedade civil, o encontro fez parte da programação do Julho das Pretas, organizada pelo Observatório Feminista do Nordeste.  </p>



<p>Neste dia internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25), a Marco Zero traz as reflexões da professora para a construção de um novo mundo onde a participação das mulheres negras tecem um futuro de bem-viver para a coletividade. Pessoas negras, pessoas indígenas, pessoas LGBTQIAPN+, corpos dissidentes, brancos, pessoas rurais e pessoas da área urbana trabalhando para que seja um mundo possível para todos. &#8220;É escandaloso ter apenas um grupo que pensa e decide o que é o país, o que é o comum desse país&#8221;, analisa Borges.</p>



<p>A data é comemorada em homenagem ao primeiro Encontro de Mulheres Afrolatinoamericanas e Afrocaribenhas ocorrido em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana. O encontro marcou a história da luta de mulheres afrodescendentes ao reunir centenas de mulheres de mais de 32 países para discutir e encontrar estratégias para combater o racismo e o sexismo. Trinta e quatro anos depois, essas mesmas mulheres continuam na luta para garantir que os direitos conquistados não sejam retirados e que novas formas de viver sejam pensadas em uma dinâmica de justiça social e racial.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:45% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-76246 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-1365x2048.jpg 1365w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-scaled.jpg 1707w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Rosane Borges é referência para os estudos sobre comunicação, raça, gênero e cultura. Jornalista, escritora e professora, é doutora em Ciências da Comunicação pela USP, professora convidada do Diversitas (FFLCH-USP), coordenadora da Escola Online Longa e docente da PUC-SP. Além do livro lançado em julho, ela é autora de diversos livros, entre eles: <em>Fragmentos do tempo presente </em>(2021), <em>Esboços de um tempo presente</em> (2016), <em>Mídia e Racismo</em> (2012) e <em>Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro</em> (2004).</p>



<p></p>
</div></div>



<p>Marco Zero &#8211;<strong>No livro, você parte dos modelos sociais atuais. Então, de uma forma geral, como é que você tem avaliado esses modelos da contemporaneidade?</strong></p>



<p><strong>Rosane &#8211;</strong> São modelos em colapso. Por isso que eu começo falando no meu livro que é a queda de céu, a queda de tudo, na trilha do Davi Kopenawa, porque é um modelo que já se esgotou. Tanto do ponto de vista da política institucionalizada, quando a gente vê o Donald Trump, quando a gente vê Netanyahu, quando a gente vê Milei, quando a gente vê o bolsonarismo, a gente diz que isso se esgotou, porque isso não é política, é antipolítica, é o politicismo.</p>



<p>Do ponto de vista das relações sociais, há o esgarçamento das relações sociais, dos afetos palavra que a gente tá usando muito que tá até desgastada, mas é preciso a gente pensar o que que a gente tá chamando de afeto. Então, tem o esgarçamento dos afetos, tem o esgarçamento da sociabilidade. A pandemia brutalizou a gente no espaço público, acho que tem uma brutalidade. Tem um rebaixamento da inteligência coletiva, eu acho que as redes sociais elas jogam um papel fundamental nesse rebaixamento da inteligência coletiva.</p>



<p>A gente tem uma predação ambiental. A pergunta que até coloco no livro que a gente tem que fazer é: aonde que a gente vai com as nossas trouxas de roupas? Porque os lugares, os territórios estão cada vez mais sendo destruídos e devastados. E não é pela natureza, é pela ação do homem. Então, acho que o que a gente tem hoje no contexto das relações vigentes é a degradação, é o colapso, é um capitalismo de crise que avança para dentro das nossas subjetividades, colonizando as nossas subjetividades. Para além de avançar para fora esse capitalismo que não viu fronteiras, que o dinheiro não tem fronteiras, só as pessoas que são interditadas, a política migratória interdita pessoas, mas não interdita o capital.</p>



<p>Então, esse é um contexto nefasto e ao mesmo tempo contraditório, porque nós chegamos do ponto de vista da performatividade técnica a uma alta performatividade, inteligência artificial, às tecnologias da inteligência em geral, para além da inteligência artificial. A gente tem um contexto de um poder maquínico das máquinas, ou seja, a gente tem uma performatividade técnica elevada, mas que, contraditoriamente, a gente tem um rebaixamento do que a gente chamou de civilização no passado, de pacto civilizatório, de sociedade, de humanidade, de bem-estar, de direito.</p>



<p>Então, eu acho que esse é o contexto que o livro traz no primeiro momento. E aí é preciso, nesse contexto ruim, difícil, que é inviável para a gente, inclusive para a gente cogitar uma vida digna, é um contexto inviável para uma vida digna, a gente cogitar possibilidade de outra forma de existência, que já, inclusive, estão em pleno exercício das matrizes indígenas às matrizes africanas.</p>



<p><strong>Pensando um pouco nesse contexto de transformação da sociedade, quais as principais contribuições das mulheres negras e dos grupos ditos minoritários para o debate sobre democracia, sobre justiça social, sobre a erradicação das desigualdades?</strong></p>



<p>O nosso papel é um papel importante, porque sempre é aquele que faz um movimento antecedente. Ou seja, para além de a gente dizer que a gente precisa participar da vida coletiva dentro de um desenho federativo, qual o nosso passo antecedente? A gente, inclusive, questiona o desenho federativo. A gente não só está pedindo e reivindicando por políticas públicas. E parte das políticas públicas do Brasil só existem graças à reivindicação histórica dos grupos historicamente discriminados, mas ao mesmo tempo que a gente pede por políticas públicas, a gente questiona as normas da institucionalidade.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;a gente reivindica acesso ao mundo, mas também a gente postula transformação desse mundo&#8221;.</p>
</div>


<p>A gente aponta os limites da democracia e a gente diz que não cabe, não vale apenas a gente ter representação num contexto de um mundo do que precisa ser reestruturado. Então, eu acho que nosso papel é bifronte, importante, porque a gente reivindica acesso ao mundo como ele é, a gente precisa reivindicar acesso ao mundo, participar da vida coletiva como ela é, capitalista, excludente, etc., mas também a gente postula transformação desse mundo. Ou seja, eu acho que a nossa grande contribuição é acesso ao mundo como ele é, na mesma medida que também a gente tenta transformar esse mundo, tenta questionar as normas que atribuem reconhecimento diferenciado, como já diria Judith Butler.</p>



<p>Tenta dizer que esse modelo de Estado tem que ser repensado. É por isso que o nosso olhar é sempre um olhar muito utópico. É um olhar que a gente diz, &#8216;tá bom, como é que a gente faz não só para participar da vida, para jogar o jogo, mas para a gente mudar as regras desse jogo&#8217;. E dizer, inclusive, que não é nem mudar as regras do jogo, o jogo tem que ser outro, não são só as regras.</p>



<p><strong>Como é que a gente pode pensar no fim desse mundo e na construção de um mundo possível, pensando também na contribuição da comunicação para essa construção?</strong></p>



<p>O que nos conforta é que pensar um outro mundo, pensar os futuros possíveis, não nos leva a pensar na lógica do grau zero, da tábula rasa: &#8216;ah, vamos reiniciar da página em branco&#8217;. O que nos conforta é que quando a gente diz que a gente precisa pensar esse outro mundo, mundo, já existem experiências, laboratórios desse mundo. Eu digo que nós estamos no metaverso desde o 14 de maio, não é? Então a gente tem mundos paralelos, eu acho que o que nos conforta é que esses mundos paralelos de resistência, de reinvenção, de criação, de produção, eles precisam ser projetados como matriz coletiva de uma outra experiência de vida.</p>



<p>E a comunicação é fundamental nesses tópicos, porque também a gente não parte da comunicação como veículo, como a tecnologia, o instrumento. Não é o celular, não é a rede social. Mas a comunicação é uma troca, é um sistema de vínculo que nos proporciona criar a possibilidade de conexão com o outro, sem que esse outro fique no lugar do outro. Contudo, que esse outro projete, também, todos os eus. Então, no momento de alterofobia, na morte do outro, é preciso que a gente reposicione também o debate de comunicação, pois não pode ser reduzido ao debate das <em>big techs</em>. Passa por elas, porque a gente precisa destituir o capitalismo algorítmico, mas é preciso também compreender que a comunicação hoje não deve passar apenas pela lógica algorítmica que orienta perfis, comoditiza as vidas, porque você faz uma curadoria de si.</p>



<p>Pensar comunicação nesse sentido é fundamental, porque ela deixa de ser apenas uma estratégia para determinado fim, mas ela passa a ser também um princípio que acompanha estratégias de produção de vínculo, de construção de subjetividades, de instituição de outras plataformas e etc.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9455DSC04256-1024x683.jpg" alt="A imagem mostra um debate em uma livraria com quatro pessoas sentadas em um palco diante de um público em cadeiras brancas. O espaço tem paredes laranjas, plantas decorativas e um painel verde com o nome “Jardim”. À esquerda, um telão exibe o cartaz “Imaginários Emergentes e Mulheres Negras” com ilustrações de uma mulher, um tigre e o símbolo feminista. O mesmo cartaz aparece à direita em um suporte próximo a livros, reforçando o tema literário e cultural do evento." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Rosane Borges, Kauana Portugal, Catarina de Angola e Ingrid Farias debatem os futuros possíveis
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Mariana Lira</span>
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                    </figure>

	


<p><strong>Qual a importância de mulheres negras e periféricas na construção do imaginário de um futuro possível, justo e menos difícil?</strong></p>



<p>Eu acho que a importância é exatamente no sentido que a gente olha. Se a gente pensar hoje o contexto das eleições, a gente vive, em termos de enunciado, um imaginário empobrecido, porque do ponto de vista social, a gente tem uma narrativa empobrecida sobre o que é política, sobre o que é política pública e etc. Então, qual o nosso papel enquanto mulheres negras? Quando eu digo no livro que é preciso que a gente geste o impossível, que a gente amplia os horizontes do possível. O nosso papel é trazer narrativas que sejam mais ousadas. </p>



<p>Veja, a gente está na narrativa que a gente não quer que a extrema-direita venha, a gente não quer que ditadura venha. Então, a gente está numa narrativa, inclusive, reativa. A gente deixou de ter uma narrativa propositiva. Quando a gente fala em imaginário, a gente está propondo, a gente não está só reagindo. A gente não está só combatendo a regressão. A gente está dizendo também como é que pode vir a emancipação. </p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;é preciso que a gente amplie os horizontes do possível. O nosso papel é trazer narrativas que sejam mais ousadas&#8221;. </p>
</div>


<p>O nosso grande papel, quando a gente fala de imaginários na política, a gente está falando também de possibilidades, de sonhar, de emancipar, de criar uma narrativa em que as pessoas possam dizer: essa narrativa coletiva, é uma narrativa do sonho, da esperança, da transformação. E não apenas da manutenção, da contenção da crise, da defesa. Porque é isso, a gente está no contexto da defesa ao monstro que continua arriscando não só o Brasil, mas o mundo e a América Latina. Se a gente pensar o que são as eleições desse ano, a América Latina é um horror.</p>



<p><strong>No lançamento do livro, o Observatório Feminista do Nordeste fez a provocação de quem tem sido reconhecido como capaz de imaginar o futuro do Brasil. </strong><strong>Então, queria perguntar a você: quem tem sido reconhecido por imaginar o futuro do Brasil?</strong></p>



<p>Homens brancos, urbanos, de preferência sudestino, que a eles é atribuído o discurso competente de pensar a coisa pública e os destinos de uma coletividade. Isso é tão terrível e, ao mesmo tempo, tão cristalino tão real, porque é um país que segue dando a homens brancos o poder de definir os destinos de uma coletividade, é um país que coloca em risco a sua própria democracia.</p>



<p>Se a gente pensar a origem da democracia grega, tem um pensador que eu gosto muito, o Jacques Rancière, que ele vai dizer que a democracia grega começa com o vício de origem. E é a democracia grega que vai inspirar a democracia ocidental liberal. Ele vai dizer qual é o vício de origem que a democracia grega nasce, ela carrega. Na democracia grega nem todo mundo podia falar, as mulheres não podiam falar, a criança não tinha o direito à fala. O artesão estava ocupado com o trabalho manual, então ele não falava no espaço público.</p>



<p>Aí ele dizia o seguinte, quem falava na democracia grega? Homens adultos que definiam os destinos de uma coletividade, definiam o comum. O comum é isso, é a economia, é a política, é o vestimento, é a cultura, são as regras que ordenam uma comunidade. Se a gente pensar o Brasil, a gente também carrega esse vício da democracia grega com um acréscimo terrível, a exclusão de mulheres, de indígenas e de pessoas negras, de mulheres negras, da população LGBTQIAPN +.</p>



<p>Por que a gente fica um dia assim e outro também, que nós temos que ter uma mulher no Supremo Tribunal Federal (STF)? Max Weber dizia que as três instâncias do poder, eram direitos (social), economia e política. Se a gente pensar que esse é o tripé que sustenta o poder de uma sociedade, a gente está ausente. Quando a gente olha para o STF, a nossa instância máxima, nós não estamos. Quando a gente olha os acordos econômicos, seja a economia privada, os financistas, também nós não estamos. É até bom que a gente não esteja mesmo, porque aquilo ali é o terror. Mas quando a gente pensa em economia pública, nós não estamos.</p>



<p>Quando a gente pensa política, nós estamos chegando com muita luta com as mandatas, a vereança e etc. Mas nós também não somos ministras para além dos lugares que eles acham que a gente deve estar. Pensar os destinos de uma coletividade é ter uma corporeidade que não seja apenas a corporeidade branca. A gente não tá querendo excluir as pessoas brancas a gente quer dizer &#8216;é o seguinte, para pensar os destinos de uma coletividade, você tem que ter pessoas negras, mulheres negras, pessoas indígenas, pessoas LGBTQIAPN +, corpos dissidentes, brancos, pessoas rurais e pessoas da área urbana&#8217;. Não se trata apenas do cálculo da representatividade, trata-se de você pensar o poder e a corporeidade do poder. É escandaloso ter apenas um grupo que pensa e decide o que é o país, o que é o comum desse país.</p>



<p>Você ter o ministro da economia, ele está definindo os destinos de todo mundo. E normalmente, hora a hora, é só o homem branco que define os destinos de uma coletividade. E a gente veio para dizer o seguinte, na linha da Érica: não toleraremos mais. A gente não quer só ser destinatário de políticas públicas. A gente não quer só ser exibida pelos governos, mesmo progressistas, que dizem &#8216;olha, o que eu fiz por vocês&#8217;. Não. A gente reconhece que tem que ter política mesmo para quem está na base. A gente não está querendo dizer que não tem que ter.</p>



<p>Além de sermos pessoas faltantes pela tragédia da escravidão, pela manutenção disso no capitalismo, nós também somos pessoas de inteligência, de tática, que pensam, que articulam. Que entendem de economia, de política, de jurisprudência, de lei, de cultura, de artes, de educação, de matemática e de inteligência artificial. A gente também está querendo ser reconhecida nesse lugar. Para além do lugar que é real, ninguém está negando isso, das sujeitas assaltantes a quem o Estado precisa prover com políticas públicas em escala.</p>



<p><strong>Nesses lugares de representação, que estratégia a gente precisa adotar enquanto sociedade para aumentar essa representação de mulheres negras nesse espaço de poder?</strong></p>



<p>Primeiro é a luta, o que a gente aprendeu com quem veio antes. É ter o campo da denúncia, da luta. De não transigir de alguns princípios, de saber aquilo que a gente negocia e aquilo que a gente não negocia e ter estratégias de formação das nossas meninas e mulheres para dizer o que cabe a cada uma de nós.</p>



<p>Há quem quer estar na universidade, há quem quer estar na política institucional, há quem quer estar na mídia, na imprensa, há quem quer estar nos territórios, nas organizações não governamentais. Então, acho que a gente precisa ter estratégia de essa coisa de ninguém largar a mão de ninguém, se ela tem uma verdade, é a verdade do ponto de vista da estratégia de dizer quem nós somos, de onde a gente veio e para onde a gente quer ir.</p>



<p>E é pensar isso coletivamente, pensar isso de maneira estratégica. E dizer que a gente não vai recuar. De onde a gente veio até onde a gente chegou não há possibilidade mais de recuo, nem do ponto de vista discursivo, nem do ponto de vista da prática.</p>



<p></p>
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		<title>Quando a luta social das mulheres &#8220;dá vontade de cantar&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jan 2026 21:15:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres periféricas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estreia no próximo domingo (18), às 19h, na TV Pernambuco, a série documental pernambucana Canto Delas, uma celebração do protagonismo feminino através da música. Com 13 episódios, a produção financiada pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) acompanha o encontro entre compositoras brasileiras e mulheres ou coletivos cujas trajetórias são marcadas por superação, resistência e luta [&#8230;]</p>
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<p>Estreia no próximo domingo (18), às 19h, na TV Pernambuco, a série documental pernambucana <em>Canto Delas</em>, uma celebração do protagonismo feminino através da música. Com 13 episódios, a produção financiada pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) acompanha o encontro entre compositoras brasileiras e mulheres ou coletivos cujas trajetórias são marcadas por superação, resistência e luta por transformação social. Cada um dos 13 episódios eterniza o processo de criação em que cada artista cria uma canção inédita, revelando como a música pode traduzir e potencializar histórias reais de mudança.</p>



<p>A série percorre territórios diversos de Pernambuco, da Região Metropolitana do Recife ao Sertão, conectando cultura popular, ativismo e criação contemporânea. Entre os ritmos presentes estão rap, coco, frevo, ciranda e tecnobrega, em sintonia com a diversidade das protagonistas. O público conhecerá iniciativas fundamentais como o Grupo Curumim, as Parteiras Pankararu, o coletivo Pixe Girls, a Coletiva Liberta Elas, a Colônia de Pescadores de Rio Formoso e o Grupo de Mulheres Jurema, entre outras.</p>





<p>Cada episódio é um retrato sensível da capacidade das mulheres de criar redes de afeto, luta e criação. No primeiro, a compositora Bione cria um rap inspirado no Grupo Curumim. Outros encontros notáveis incluem Alessandra Leão com as Parteiras Pankararu, Karina Buhr com a líder comunitária Joelma, e Cátia de França com a colônia de pescadoras de Rio Formoso, demonstrando como a arte nasce do engajamento social.</p>



<p>Mais do que uma série musical, &#8220;Canto Delas&#8221; é um potente registro do movimento social feminino, fortalecendo narrativas de ancestralidade, cuidado com o território e enfrentamento às violências. A produção, da Alumia Filmes e Garimpo Filmes, com direção de Tuca Siqueira, que também atuou como produtora, e Bruna Leite, prioriza a visibilidade de quem transforma realidades a partir da base, alinhando-se a uma comunicação que valoriza as lutas coletivas.</p>



<p>A exibição semanal na TV Pernambuco (canal 46.1 na Região Metropolitana do Recife) oferece ao público a oportunidade de se conectar com essas histórias que, segundo as produtoras Carol Vergolino, Daiane Dultra e Tuca Siqueira &#8220;dão vontade de cantar&#8221;. A série se afirma como um espaço midiático crucial para ecoar as vozes e os cantos que constroem, diariamente, um futuro mais justo a partir das comunidades.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/01/canto-delas-1024x539.jpeg" alt="A imagem mostra uma vista aérea de uma área urbana densamente povoada, com muitas casas pequenas e prédios baixos de telhados planos, alguns com caixas d’água. Ao fundo, aparecem edifícios mais altos, indicando uma região central da cidade. Sobre a imagem, há um texto que diz: “O CANTO DELAS GRUPO CURUMIM E BIONE”." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Abertura do primeiro episódio
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
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                    </figure>

	


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<p>O post <a href="https://marcozero.org/luta-das-mulheres-vontade-de-cantar/">Quando a luta social das mulheres &#8220;dá vontade de cantar&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Centro de Mulheres do Cabo encerra campanha &#8220;Rompa o Silêncio! Você Não Está Sozinha&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 15:26:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Centro de Mulheres do Cabo]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, as integrantes do Centro das Mulheres do Cabo (CMC) e do Comitê de Monitoramento da Violência e do Feminicídio no Território Estratégico de Suape (Comfem), fazem o encerramento da campanha “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher: Rompa o Silêncio! Você Não [&#8230;]</p>
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<p>Neste 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, as integrantes do Centro das Mulheres do Cabo (CMC) e do Comitê de Monitoramento da Violência e do Feminicídio no Território Estratégico de Suape (Comfem), fazem o encerramento da campanha “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher: Rompa o Silêncio! Você Não Está Sozinha”.</p>



<p>A campanha percorreu as cidades de Sirinhaém, Palmares, Água Preta, Rio Formoso, Ribeirão, Escada, Cabo de Santo Agostinho realizando rodas de diálogos, seminários e atos na região da Mata Sul de Pernambuco.</p>



<p>De acordo com Izabel Santos, coordenadora do CMC, é urgente que as mulheres saíam às ruas exigindo uma vida sem violência: “não admitimos esse extermínio contra as mulheres todos os dias. O nosso país é o quinto no ranking que mais mata a população feminina no mundo. Pernambuco registrou quase 80 feminicídios este ano. Em 2024, 1.492 mulheres foram vítimas desse crime cruel”.</p>
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		<title>Recife recebe encontro internacional de lideranças femininas e LGBTQIA+ da América Latina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 May 2025 19:42:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Conecta Latinas]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
		<category><![CDATA[protagonismo feminino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desta quinta-feira, 22 de maio, até domingo, dia 25, o Recife será palco do Conecta Latinas, um encontro internacional que reunirá aproximadamente 200 mulheres negras, indígenas e LGBTQIA+ de mais de 20 países da América Latina e Caribe. Contando com participações do continente africano, o evento tem a intenção de fortalecer o debate sobre a [&#8230;]</p>
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<p>Desta quinta-feira, 22 de maio, até domingo, dia 25, o Recife será palco do Conecta Latinas, um encontro internacional que reunirá aproximadamente 200 mulheres negras, indígenas e LGBTQIA+ de mais de 20 países da América Latina e Caribe. Contando com participações do continente africano, o evento tem a intenção de fortalecer o debate sobre a democracia por meio do protagonismo político de quem atua nos territórios onde o Estado não chega.</p>



<p>Promovido pelo <a href="https://www.institutoupdate.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Update</a> em parceria com 12 organizações internacionais, o Conecta é aberto ao público e vai acontecer na Torre Malakoff, no Recife Antigo, com inscrições via Sympla. A <a href="http://institutoupdate.org/conectalatinas">programação</a> inclui mais de 20 atividades entre debates, atividades culturais, exibição de filmes e o Festival de Música e Imaginação Política. Entre os destaques estão a presença da ex-deputada Robeyonce Lima, além de lideranças como Valdecir Nascimento (Brasil), Paola Cabezas (Equador), Mikaelah Drullard (Colômbia) e Leonela Massocolo (Angola).</p>



<p>As lideranças que fazem a diferença em seus territórios estarão juntas para trocar estratégias, fortalecer alianças e ampliar a visibilidade de suas atuações, neste momento em que os direitos das mulheres vêm sendo atacados em diversas partes do mundo.</p>



<p>Durante o evento, também será lançado o <em>Mapeamento de iniciativas de apoio à liderança política na América Latina</em>, um levantamento inédito feito em parceria com a Better Politics Foundation, que identificou 207 iniciativas de mulheres e dissidências políticas na América Latina. O relatório é resultado de mais de um ano de escuta virtual e presencial com iniciativas do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México.</p>



<p>De acordo com a organização, o estudo revela um ecossistema robusto e diverso de iniciativas majoritariamente lideradas por mulheres e dissidências negras, indígenas, jovens, populares e LGBTQIA+ que têm ampliado a representatividade e inovação nas práticas políticas a partir dos seus territórios. O documento indica  que já existe um movimento articulado, consistente e interseccional que transforma a política com ações concretas, conquistando garantia de água, terra, educação, proteção e soberania para suas comunidades.</p>



<p>“A democracia só se torna real quando reconhece quem já a constrói todos os dias nos territórios. Essas mulheres estão formulando soluções concretas, sustentadas por ancestralidade, solidariedade e coragem política. Com o mapeamento, queremos mostrar que elas não são exceção”, afirma Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update.</p>
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		<title>Ser trabalhadora e mãe, a conta não fecha!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 May 2025 19:37:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[6x1]]></category>
		<category><![CDATA[dia das mães]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[redução de jornada de trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Manuela d&#8217;Ávila* e Eugênia Lima** A proximidade entre o 1º de maio, Dia das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, e o Dia das Mães, comemorado neste ano no dia 11 de maio, é uma oportunidade para refletirmos sobre o descompasso entre a forma como está organizado o mundo do trabalho e o papel social atribuído às [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Manuela d&#8217;Ávila* e Eugênia Lima**</strong></p>



<p>A proximidade entre o 1º de maio, Dia das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, e o Dia das Mães, comemorado neste ano no dia 11 de maio, é uma oportunidade para refletirmos sobre o descompasso entre a forma como está organizado o mundo do trabalho e o papel social atribuído às mães. </p>



<p>A consolidação da escala de trabalho 6&#215;1 se deu em um momento histórico no qual vigorava a ideia de que o principal papel das mulheres na sociedade era o de cuidadora da família e do lar. Apesar de sabermos que a dedicação exclusiva aos trabalhos domésticos nunca foi uma realidade para as mulheres pobres e negras, que sempre lidaram com a sobrecarga da busca pelo sustento material e o trabalho doméstico, a crescente presença das mulheres no mercado de trabalho, resultado de décadas de luta feminista, escancara a contradição entre o direito ao trabalho e a responsabilização solitária pelo cuidado.</p>



<p>O trabalho de cuidado é essencial à sustentação da vida. Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que, se contabilizado, o trabalho relacionado aos afazeres domésticos e cuidado da família acrescentaria 13% ao PIB brasileiro. O mesmo estudo indica ainda que esse trabalho não pago é realizado majoritariamente pelas mulheres, que em média dedicam mais que o dobro de horas por semana a essas atividades do que os homens. </p>



<p>Mesmo em contextos urbanos como o da Região Metropolitana do Recife, a desigualdade é gritante: mulheres chefes de família gastam até 22 horas semanais apenas com tarefas domésticas. Essa sobrecarga retira o direito de nós mulheres ao descanso, ao lazer, à plena participação na vida cultural e política e é um importante obstáculo à construção de nossa autonomia financeira. Apesar das mulheres terem alcançado níveis educacionais mais altos que os homens, ainda somos minoria nos cargos de chefia e ocupamos mais trabalhos em tempo parcial, o que faz com que as mulheres brasileiras tenham um rendimento médio 20% menor do que os homens.</p>



<p>A invisibilidade histórica do cuidado como trabalho é sustentada por uma lógica patriarcal que transfere às mulheres, especialmente às mães, a obrigação exclusiva de sustentar a vida. A superação de tal situação requer medidas amplas e diversas voltadas à valorização do cuidado como direito e responsabilidade coletiva. Meninos e homens precisam ser educados para o exercício do cuidado de si, do outro e do ambiente em que vivem. O setor privado deve se responsabilizar e arcar com os custos da sustentação da vida. O Estado, além de prover políticas públicas que absorvam o trabalho de cuidado realizado pelas mulheres com, por exemplo, ampliação de vagas em creches, em escolas de tempo integral e serviços de saúde, deve induzir mudanças amplas para a promoção do cuidado como responsabilidade coletiva. No lugar da omissão e do silêncio, é urgente que as políticas públicas reconheçam o cuidado como uma função social que sustenta o conjunto da vida em sociedade.</p>



<p>É nesse sentido que estamos propondo legislações concretas voltadas à promoção de direitos para trabalhadoras e trabalhadores que exercem o cuidado cotidiano. Uma das medidas mais urgentes é a que garante o abono de faltas para quem precisa acompanhar filhos, tutelados ou pessoas sob sua responsabilidade em situações de saúde ou escolares. Elas buscam transformar a contratação pública em instrumento de indução de práticas justas e inclusivas, fortalecendo uma rede de proteção à infância, à família e às cuidadoras e cuidadores.</p>



<p>Atualmente, a CLT assegura ao trabalhador e à trabalhadora o direito de se ausentar do trabalho, sem prejuízo do salário, em duas situações específicas relacionadas aos filhos: para acompanhar crianças de até seis anos em consultas médicas e para participar de reuniões escolares, limitado a um dia por ano. Qualquer pessoa que acompanha minimamente a rotina de uma criança ou adolescente sabe que esta regulamentação é completamente insuficiente. É chocante pensar que a legislação brasileira parte do pressuposto de que sempre haverá uma pessoa sem vínculo empregatício, disponível para levar crianças maiores de seis ao serviço de saúde. Nesse sentido, nossa proposta diz também sobre os direitos de pessoas vulneráveis como crianças, adolescentes e idosos de terem o devido acesso ao cuidado.</p>



<p>Atualmente, mulheres dependem da boa vontade e favores de chefes para exercer o cuidado. E sabemos que relações trabalhistas desregulamentadas são um campo fértil para abusos e assédios.</p>



<p>Essa medida é especialmente benéfica para as mulheres mães, que historicamente carregam o maior peso das responsabilidades domésticas e do cuidado com os filhos, muitas vezes acumulando jornadas duplas ou triplas de trabalho. Políticas públicas que promovem o compartilhamento do cuidado ampliam a participação de mulheres na política e assim, a democracia. Além disso, a rigidez das relações de trabalho e a falta de políticas de apoio à parentalidade contribuem para que muitas sejam prejudicadas em suas carreiras, com menos oportunidades de contratação, crescimento e maior vulnerabilidade à demissão. </p>



<p>Um direito como esse representa um avanço necessário para reduzir a desigualdade de gênero no mundo do trabalho e reconhecer, ainda que minimamente, o valor social do cuidado. Mas ele também representa algo mais profundo: a chance de transformar a cultura patriarcal que ainda estrutura o trabalho e a vida no Brasil.</p>



<p>A luta pelo reconhecimento da maternidade como trabalho não é apenas uma reivindicação por direitos — é uma convocação para reorganizarmos a sociedade em torno do cuidado e da vida. Por isso, não basta denunciar. É hora de agir. É hora de legislar. E de fazer do cuidado uma política de Estado. A maternidade é trabalho. E precisa virar lei.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*É jornalista e doutoranda em políticas públicas pela UFRGS. Foi a vereadora mais jovem de Porto Alegre, deputada federal mais votada do Brasil e deputada estadual mais votada em 2014.</strong></p>
<p>**<strong>Vereadora de Olinda, advogada e mestra em desenvolvimento urbano.</strong></p>
    </div>
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		<title>Segurança pública é o maior problema do Brasil para 8 em cada 10 mulheres nordestinas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 May 2025 19:49:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Nordeste, 82% das mulheres consideram a segurança pública o principal problema do Brasil. É o que revela a pesquisa Mulheres em Diálogo, realizada pelo Instituto Update em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA, que investigou percepções femininas em diferentes regiões do país. O dado reforça a gravidade do tema especialmente entre as nordestinas, [&#8230;]</p>
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<p>No Nordeste, 82% das mulheres consideram a segurança pública o principal problema do Brasil. É o que revela a pesquisa <em>Mulheres em Diálogo</em>, realizada pelo Instituto Update em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA, que investigou percepções femininas em diferentes regiões do país. O dado reforça a gravidade do tema especialmente entre as nordestinas, que também demonstram forte preocupação com a saúde pública e a falta de acesso a serviços essenciais.</p>



<p>Considerando o levantamento nacional da pesquisa, 77% das mulheres do Brasil apontam a segurança como a maior preocupação. A aflição é mais forte entre mulheres de 35 a 44 anos e acima dos 60, com mais de 80% desses grupos destacando o tema. De acordo com o estudo, a preocupação atinge mulheres de diferentes classes sociais, faixas etárias e aspectos políticos ideológicos.</p>



<p>“Questões como igualdade salarial e segurança refletem preocupações universais entre as mulheres brasileiras e podem ser a base para ações que promovam avanços nos direitos das mulheres”, afirma Carolina Althaller, diretora executiva do Instituto Update.</p>



<p>A saúde também é prioridade para boa parte das entrevistadas — principalmente no Nordeste (57,5%) e Centro-Oeste (56,9%). Entre as nordestinas, destaca-se o engajamento com pautas relacionadas à melhoria da infraestrutura e do acesso ao atendimento médico.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Consensos e divisões</strong></h2>



<p>O consenso mais forte revelado pela pesquisa diz respeito à igualdade salarial: 94% das mulheres concordam total ou parcialmente que homens e mulheres devem receber a mesma remuneração por cargos equivalentes. Já a saúde figura entre as três maiores preocupações para 47% das brasileiras. A desinformação (<em>fake news</em>) aparece como preocupação relevante para mulheres com maior escolaridade, sobretudo no Sul do país.</p>



<p>A representatividade feminina na política também conta com apoio expressivo: 72% das entrevistadas defendem o aumento da presença de mulheres em cargos políticos.</p>



<p>Apesar dos diversos pontos de consenso, a pesquisa revela divisões marcantes em temas morais e ideológicos. Apenas 48% das entrevistadas se identificam como feministas, enquanto 43% rejeitam essa identidade. A adesão ao feminismo é maior entre jovens de 16 a 44 anos, com ensino médio ou superior e pertencentes às classes AB e C. Já entre mulheres mais velhas, evangélicas e de classes D/E, o termo é amplamente rejeitado.</p>



<p>A descriminalização do aborto enfrenta ampla rejeição: somente 16% das mulheres apoiam a medida. Mesmo entre as que se consideram progressistas, 61% são contrárias à legalização. Entre as conservadoras, esse índice chega a 82%. O índice sobe ainda mais entre mulheres que são mães — 85% rejeitam a legalização. Apesar disso, a maioria das entrevistadas é contrária à prisão de mulheres que realizam o procedimento fora das exceções legais.</p>



<p>Outro ponto de divergência é a influência religiosa nas decisões políticas. Para 53% das mulheres, valores religiosos devem orientar decisões políticas; 43% discordam. Evangélicas e católicas praticantes tendem a apoiar essa influência, enquanto mulheres sem religião e católicas não praticantes são majoritariamente contrárias.</p>



<p>Para a diretora do Instituto Update, os dados revelam tanto caminhos para as possibilidades de diálogo quanto a complexidade da realidade feminina. “Compreender como idade, religiosidade e classe social moldam as percepções é essencial para promover um diálogo respeitoso e produtivo a fim de construir soluções que representem verdadeiramente a diversidade de experiências femininas no Brasil”, analisa Carolina Althaller.</p>



<p>A pesquisa <em>Mulheres em Diálogo</em> contou também com a colaboração da cientista política Camila Rocha e da cientista social Esther Solano, e <a href="https://www.institutoupdate.org.br/proyecto/mulheres-em-dialogo/">está disponível na íntegra no site do Instituto Update</a>.</p>
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		<item>
		<title>Centro das Mulheres do Cabo e Rádio Mulher fazem aniversário nesta terça, 25 de março</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2025 19:31:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Centro de Mulheres do Cabo]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação Comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta terça-feira (25), o Centro das Mulheres do Cabo (CMC), realiza um Seminário no Centro de Formação Elmo de Freitas, a partir das 14h, celebrando 41 anos em dose dupla. A organização feminista que se tornou referência do feminismo na Região Metropolitana do Recife tem, há 27 anos, o Programa Rádio Mulher como principal estratégia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nesta terça-feira (25), o Centro das Mulheres do Cabo (CMC), realiza um Seminário no Centro de Formação Elmo de Freitas, a partir das 14h, celebrando 41 anos em dose dupla. A organização feminista que se tornou referência do feminismo na Região Metropolitana do Recife tem, há 27 anos, o Programa Rádio Mulher como principal estratégia de comunicação . </p>



<p>O programa teve sua primeira edição no dia 25 de março de 1997, em Palmares, na Mata Sul de Pernambuco, com o objetivo de levar informações qualificadas sobre violência contra a mulher, direitos sexuais, reprodutivos, políticas públicas e o empoderamento para as mulheres da zona canavieira vítimas do machismo e patriarcado. Rádio Mulher vai ao ar de segunda a sexta, das 8h às 8h55, na Rádio Comunitária Calheta FM 98.5.</p>



<p>Este ano, o programa completa 27 anos de existência, sendo uma voz na luta pelos direitos das mulheres e populações vulneráveis que utilizam a comunicação comunitária como um instrumento de denúncia e controle social conforme destaca a coordenadora e locutora do Rádio Mulher, Manina Aguiar.</p>



<p>“O Rádio Mulher foi um marco no campo da comunicação e da organização das mulheres na Mata Sul e dos municípios vizinhos onde a programação era sintonizada. Ficamos por sete anos naquela região marcada por um alto grau de analfabetismo que prejudicava a vida das mulheres e suas filhas e filhos. Em 2005, trouxemos a experiência para ser realizada no município do Cabo, onde levamos todos os dias informações que garantam uma vida melhor para meninas, mulheres e populações vulnerabilizadas”, afirmou a co municadora.</p>



<p>O Rádio Mulher pode ser ouvido também pela página do <a href="https://www.facebook.com/centrodasmulheresdocabo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">facebook.com/centrodasmulheresdocabo</a> ou Instagram<a href="https://www.instagram.com/centro.das.mulheres?igsh=MWtrNXRvajdiYTdzbw==" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> centro.das.mulheres.</a> Quem quiser também pode sintonizar através do aplicativo da rádio. A programação é temática com destaque para as sextas especiais com pautas ligadas aos direitos das juventudes, LGBTTs, meio ambiente e a volta do Rádio Mulher na Mata Sul.</p>



<p></p>
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		<title>&#8220;Ainda Estou Aqui&#8221;, a ditadura sob uma perspectiva feminina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Dec 2024 13:07:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ainda estou aqui]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[Eunice Paiva]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Lua Lacerda* Há muitos filmes sobre a ditadura militar brasileira, mas Ainda Estou Aqui traz uma perspectiva diferente: enquanto diversos outros filmes se concentram na história de homens revolucionários que sacrificaram suas vidas pela liberdade do país ou de mulheres combativas e destemidas, como Dilma Rousseff, a obra de Walter Salles narra a trajetória [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Lua Lacerda*</strong></p>



<p>Há muitos filmes sobre a ditadura militar brasileira, mas <em>Ainda Estou Aqui</em> traz uma perspectiva diferente: enquanto diversos outros filmes se concentram na história de homens revolucionários que sacrificaram suas vidas pela liberdade do país ou de mulheres combativas e destemidas, como Dilma Rousseff, a obra de Walter Salles narra a trajetória de Eunice Paiva. O filme encarna uma versão feminina — entre tantas possíveis — sobre os anos de chumbo, representando a experiência de uma esposa branca inserida na elite intelectual e política da época.</p>



<p>A narrativa nos leva ao ambiente doméstico, ao cotidiano de uma família de elite, para revelar o lado ‘do lar’ da tortura. Em vez de heróis públicos, vemos quem carrega as chagas do autoritarismo na “esfera privada”: uma mulher forçada a criar os filhos sozinha, em meio à violência dos “gorilas”, sem sequer derramar uma lágrima. “Nós vamos sorrir”, afirma Eunice Paiva quando os jornalistas pedem uma foto séria e triste da família. Como ela consegue ser tão forte? Claro que nós sempre questionamos e nos surpreendemos com a força das mulheres. </p>



<p>Afinal, poucas pessoas estão interessadas nas versões femininas sobre os eventos históricos. Na ditadura — e ainda hoje — os heróis masculinos frequentemente ocultam as contribuições e os sofrimentos femininos. O impacto das decisões “públicas” desses homens, no entanto, recai sobre elas. E, assim, sem a participação e as demandas femininas, a agenda pública vai refletindo os interesses dos homens.</p>



<p>Por isso, quando Eunice questiona Baby, personagem de Dan Stulbach que é amigo de seu marido, ela revela o coração da narrativa: “Baby, por que o Rubens foi preso? Eu estive lá, eu vi. Tenho o direito de saber o que Rubens estava fazendo”.<em> </em>Destinadas à gestão da casa e ao cuidado dos filhos, essas mulheres eram frequentemente excluídas da participação política nas decisões tomadas por seus maridos. Essa exclusão era justificada pela ideia da fragilidade feminina branca, que demanda proteção, e pela visão da família como uma instituição sagrada, que cabia às mulheres zelar e preservar. Esse é o ângulo do filme: a experiência de uma mulher branca da elite intelectual e política durante a ditadura militar. </p>



<p>Enquanto via sua vida desmoronar, criando cinco filhos sozinha, Eunice foi negada até mesmo à verdade sobre a prisão e a morte do marido. Sem sequer saber do envolvimento de Rubens Paiva, ex-deputado, com pequenas ações contra os militares, ela passa a suportar sua dor em silêncio. Por isso, o pôster de divulgação do filme captura a cena de uma fotografia de família: marido e filhos estão sorrindo, mas Eunice se dispersa. Nesse instante, ela fita os caminhões do exército que passam ao fundo. Seu olhar é introspectivo e aflito. Como responsável pelo cuidado do marido e dos filhos, Eunice teme que a “normalidade” de sua família seja comprometida pela ditadura.</p>



<p>No entanto, é justamente o destroço causado pelo exército, literalmente no seio de seu lar, que a convoca a assumir um papel socialmente ativo. Ela retorna à faculdade e passa a desempenhar um papel importante na luta pelos direitos dos povos indígenas do país. A ditadura arranca o véu da estabilidade familiar, da proteção e do heroísmo masculino, forçando-a a um protagonismo que parecia distante de seu destino inicial.</p>



<p>A história de Eunice não se distancia do Brasil de hoje. O autoritarismo ainda nos ronda e os homens continuam a assumir uma postura paternalista em relação às mulheres. Sim, claro que o sofrimento de Eunice foi causado pela ditadura militar, mas, ao nos contar a perspectiva da esposa e mãe, o filme também evidencia como a dita “proteção” masculina, tantas vezes, condena à ausência de escolha feminina. Para fazer um gancho com a atualidade, basta observarmos o controle sobre os direitos reprodutivos das mulheres. Muitas vezes mulheres são excluídas do direito de intervir, de colocar suas perspectivas à mesa e dizer o óbvio: “querido, eu carrego o peso das suas decisões”<em>. </em>Sim, ainda às custas das mulheres que muitos revolucionários são feitos.</p>



<p>Claro que a história de Eunice Paiva é apenas uma entre as diversas perspectivas femininas possíveis daquele período. Por isso, o filme está sendo tão criticado por apresentar “mais do mesmo”: o sofrimento de uma família branca e rica. Em <em>Ainda Estou Aqui</em>, testemunhamos a ruptura da aparente normalidade de uma família abastada do sul do país. Momentos familiares — danças em grupo, encontros com amigos, copos de whisky e partidas de gamão — são interrompidos pela brutalidade da ditadura.</p>



<p>Sim, para a classe média progressista, a violência do regime era uma novidade, enquanto, para os pobres e negros, ela já era cotidiana. Assassinatos por mãos fardadas, prisões arbitrárias, encarceramento em massa, maternidade solo e a ausência de redes de apoio sempre fizeram parte de suas realidades. Talvez seja por isso que a história dos Paivas provoca tanta comoção, enquanto as histórias daqueles que vivem sob constante tortura não são contadas? É uma possibilidade.</p>



<p>Mas, francamente, o que o filme de Walter Salles nos adverte, ao narrar pelos olhos de Eunice, é precisamente isso: há histórias que, quando finalmente narradas, ampliam nossa compreensão dos acontecimentos. </p>



<p>Ao mesmo tempo em que abre portas para uma nova perspectiva, o filme também nos deixa evidente o quanto ainda falta conhecer histórias de outras mulheres — negras, pobres, operárias, camponesas, militantes de base e tantas outras — que também enfrentaram a brutalidade do regime. Somente ao contarmos essas histórias seremos capazes de enfraquecer o discurso de que “a ditadura só afetou uma pequena parcela progressista da classe média” e compreender a dimensão concreta do autoritarismo brasileiro. </p>



<p>Após assistir <em>Ainda Estou Aqui, </em>o que fica é a certeza de que ainda há muitas outras histórias para serem contadas — mulheres de outras classes sociais, regiões, sexualidades e realidades. Dizemos que é preciso “relembrar para não esquecer”, mas precisamos também desafiar o risco da história única, como alerta Chimamanda Ngozi Adichie. Precisamos continuar discutindo e produzindo sobre a ditadura militar brasileira, mas optando por novas perspectivas, por personagens que ainda não foram narradas. Muito além de Eunice, inúmeras pessoas tiveram suas vidas marcadas pelo silêncio imposto pelo autoritarismo e pela violência.<br><br>São histórias que ainda aguardam para serem contadas.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*Jornalista e escritora, mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É autora dos livros <em>Ultramar</em> (Editora da União, 2023) e <em>Redemunho</em> (Editora UFPB, 2019).</p>
    </div>
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		<title>Levante Feminista realiza 1º Encontro Nacional para combater violência de gênero</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Nov 2024 19:46:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[feminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Lesbocídio]]></category>
		<category><![CDATA[tranfeminicídio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O 1º Encontro Nacional da Campanha Levante Feminista Contra o Feminicídio, Lesbocídio e Transfeminicídio acontece de 02 a 04 de novembro, em Brasília, reunindo 130 mulheres de 20 estados do país. O evento busca unir forças e discutir estratégias para combater a violência de gênero que matou quase 1500 mulheres no ano passado, de acordo [&#8230;]</p>
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<p>O 1º Encontro Nacional da Campanha Levante Feminista Contra o Feminicídio, Lesbocídio e Transfeminicídio acontece de 02 a 04 de novembro, em Brasília, reunindo 130 mulheres de 20 estados do país. O evento busca unir forças e discutir estratégias para combater a violência de gênero que matou quase 1500 mulheres no ano passado, de acordo com o <a href="https://apidspace.forumseguranca.org.br/server/api/core/bitstreams/1d896734-f7da-46a7-9b23-906b6df3e11b/content">Anuário de Segurança Pública de 2024</a>. </p>



<p>A principal reivindicação do Levante Feminista é a implementação de medidas concretas por parte do Estado e governos para combater os crimes de feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio. O movimento denuncia a persistência desses crimes no Brasil, motivados por questões de gênero, raça e desprezo à condição da mulher. A banalização da violência é apontada como um fator preocupante, demandando mudanças culturais e o engajamento da sociedade na luta por justiça.</p>



<p>&#8220;Esse vai ser o momento da gente renovar a estratégia, de pensar como vamos continuar enquanto uma campanha permanente, de trazer no rol da discussão também a questão da diversidade, dos diferentes contextos, de como a gente vai fazer essa luta com as mulheres indígenas, as mulheres quilombolas. De como a gente vai dar visibilidade às questões aos assassinatos das mulheres trans e travestis, das mulheres lésbicas, que a gente está chamando de lesbocídio&#8221;, afirma Analba Teixeira, articuladora da Campanha Levante Feminista.</p>



<p>O Encontro Nacional visa fortalecer a rede de apoio e promover um debate amplo sobre as formas de ativismo e organização do movimento. A programação inclui a participação de especialistas, troca de experiências entre os participantes e discussões sobre estratégias de ação para o futuro. Também estarão presentes as ministras da Mulher, Cida Gonçalves, dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo  e da Igualdade Racial, Anielle Franco.  No dia 05, após o evento, as mulheres vão fazer incidência política em diferentes espaços da cidade.</p>



<p>A Campanha Levante Feminista surgiu em março de 2021, em meio à pandemia de Covid-19, com o lançamento do manifesto &#8220;Nem Pense em Me Matar&#8221;. O período, marcado pelo aumento da violência contra a mulher, evidenciou a necessidade de ações efetivas para proteger mulheres em situação de vulnerabilidade. O movimento, autoconvocado e autofinanciado, reúne mulheres de diversos estados brasileiros, incluindo coletivos, organizações, pesquisadoras e ativistas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                                            <span>Crédito: Divulgação/Levante Feminista</span>
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		<title>Esquerda será representada só por mulheres na Câmara Municipal do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Oct 2024 12:37:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Cida Pedrosa]]></category>
		<category><![CDATA[esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jô Cavalcanti]]></category>
		<category><![CDATA[Kari Santos]]></category>
		<category><![CDATA[Liana Cirne]]></category>
		<category><![CDATA[PCdoB]]></category>
		<category><![CDATA[PSOL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Recife elegeu a maior bancada de mulheres da história da Câmara Municipal, com oito vereadoras — uma a mais que na legislatura atual. Como a partir de 2025 a Casa José Mariano perderá duas cadeiras, passando dos atuais 39 para 37 assentos, a proporção feminina cresceu percentualmente de 18% para 21%, uma representatividade historicamente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Recife elegeu a maior bancada de mulheres da história da Câmara Municipal, com oito vereadoras — uma a mais que na legislatura atual. Como a partir de 2025 a Casa José Mariano perderá duas cadeiras, passando dos atuais 39 para 37 assentos, a proporção feminina cresceu percentualmente de 18% para 21%, uma representatividade historicamente ainda muito baixa.</p>



<p>Os únicos quatro nomes da esquerda serão de mulheres: Liana Cirne (PT), Cida Pedrosa (PCdoB), Kari Santos (PT) e Jô Cavalcanti (PSOL) — esta a única negra e a única de oposição. Liana e Cida irão para o segundo mandato, enquanto Kari e Jô são estreantes na Câmara. Até 2024, <a href="https://marcozero.org/camara-do-recife-teve-apenas-21-mulheres-vereadoras-na-historia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apenas 21 mulheres</a> ocuparam um assento como vereadoras na capital. Tanto PT quanto PSOL perderam uma cadeira nestas eleições.</p>



<p>A legislatura 2025 &#8211; 2028 terá novos nomes de homens da extrema-direita que serão um desafio para as pautas feministas: Gilson Machado Filho (PL) — o segundo parlamentar mais votado, com 16.095 votos —, Thiago Medina (PL), com 10.540 votos, e Alef Collins (PP), 7.131 votos. Clique <a href="https://marcozero.org/bancada-dos-parentes-sera-um-terco-da-camara-do-recife-em-2025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> para saber mais sobre a nova composição da Casa.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> ouviu as quatro mulheres de esquerda eleitas para saber como estão as expectativas e o cenário que estão traçando para o exercício do mandato. Confira mais abaixo, com uma minibio de cada uma delas.</p>



<p>Nacionalmente, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre as candidaturas nas eleições de 2024, 15% foram de mulheres e 85% de homens, somando a corrida para prefeituras e casas legislativas municipais. Porém, entre os eleitos, esse índice cai, sendo apenas 13% de mulheres eleitas e 87% de homens.</p>



<p>Em entrevista coletiva realizada após as eleições de domingo (6), a presidente do TSE, a ministra Cármem Lúcia, lamentou o fato de nenhuma mulher ter sido eleita nas capitais brasileiras em primeiro turno. “Eu acho uma pena”, destacou a ministra, que completou dizendo reconhecer os esforços e o aumento da participação feminina na política.</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Quem são as oito mulheres eleitas:</span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Andreza Romero (PSB) &#8211; 15.785 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Natália de Menudo (PSB) &#8211; 15.198 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Liana Cirne (PT) &#8211; 14.810 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Cida Pedrosa (PCdoB) &#8211; 11.364 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Flávia de Nadegi (PV) &#8211; 11.278 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>6. </span>Kari Santos (PT) &#8211; 9.321 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>7. </span>Professora Ana Lúcia (Republicanos) &#8211; 8.592 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>8. </span> Jô Cavalcanti (Psol) &#8211; 7.619 votos</p>
            </div>
            </div>



<h2 class="wp-block-heading">As quatro mulheres de esquerda</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Liana Cirne (PT)</strong></li>
</ul>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/foto-2.jpg" alt="" class="wp-image-66593 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Em seu segundo mandato, Liana disse que pretende manter a coerência com os princípios petistas e seguir com as propostas na área de combate a violência contra mulheres, valorização dos servidores públicos, em especial os profissionais da educação, cultura popular e inclusão. Com a bancada expressiva da direita e da direita radical, a expectativa dela é que a próxima legislatura seja “um período de embates muito duros”.</p>



<p>Ela teve a terceira maior votação de uma liderança de esquerda no Recife e a maior entre mulheres. Atrás apenas de Humberto nas eleições de 2000, com 27.815 votos, e de Dilson Peixoto, com 15.200 votos, em 2014.</p>
</div></div>



<p>“Teremos um duplo atravessamento, porque nós vamos ter um embate ideológico e um embate de gênero. Porque os de extrema direita que usam técnicas semelhantes ao do Nikolas Ferreira, por exemplo, bem alinhadas ao bolsonarismo e muito agressivos na retórica, são todos homens. E nós que compomos a bancada de esquerda somos mulheres e somos feministas. Então, eu acho que serão quatro anos marcados por embates muito contundentes, em que os vieses ideológicos vão ficar muito evidenciados”, avalia.</p>



<p>Liana, porém, disse que não irá se furtar: “Eu com certeza não vou fugir de nenhuma pauta ideológica. Eu tenho feito a defesa do presidente Lula e do projeto político que o presidente Lula representa e vou continuar fazendo”.</p>



<p>“Quando a gente é vereadora, temos que travar os grandes debates e não podemos fugir deles, porque os grandes debates repercutem diretamente no nosso dia a dia. Mas, ao mesmo tempo, a gente tem que ficar muito atento à realidade do povo, que é a realidade de quem sofre com a falta de um poste de luz, que estuda à noite e que, para chegar em casa à noite, sofre não só o risco de ser assaltado ou sofrer assédio ou violência sexual, mas sofre com medo de cair num buraco que não está enxergando”, exemplifica.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Liana Cirne:</span>

		<p>Liana Cirne tem 53 anos, é mestra em instituições jurídico-políticas, doutora em direito público, advogada ativista, professora de direito da UFPE, especialista em autismo e vereadora. Enquanto parlamentar, foi autora da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Frente Parlamentar da Pessoa Idosa. Apresentou mais de 2,6 mil ações legislativas (Projetos de Leis, requerimentos, reuniões e audiências públicas) e 770 emendas orçamentárias.</p>
<p>É autora da ação popular para o cumprimento do piso salarial dos professores do Recife e ação popular para o cumprimento da lei dos ar-condicionado nos ônibus. Destinou suas emendas para a construção da ciclovia da Av. Caxangá, o Camarim da Cultura Popular, cursos profissionais de formação para mulheres trans e a construção de Centro Integrado para Pessoas Autistas.</p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Cida Pedrosa (PCdoB)</strong></li>
</ul>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/foto-1.jpg" alt="" class="wp-image-66592 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Cida comemorou o crescimento das mulheres na Câmara do Recife, embora ainda haja muita subrepresentação. “Eu tenho uma boa expectativa de termos uma bancada de mulheres de esquerda. A luta pelos direitos das mulheres é absolutamente necessária e permanente e nós precisamos avançar nessa questão”, disse. </p>
</div></div>



<p>Cida também tem uma trajetória ligada ao direito à cultura na cidade e disse que irá mantê-la como prioridade na nova legislatura. Sobre pleitear comissões na Casa, antecipou ter interesse nas comissões de Direitos Humanos e de Cultura.</p>



<p>A respeito do fortalecimento da direita nestas eleições, ela comentou: “Eu sempre fiz a luta com os pés em Recife e com a cabeça na construção nacional. Porque não há como discutir política na cidade sem pensar na conjuntura nacional. Eu disse, durante toda a campanha, em todos os lugares que eu fui, que nós estávamos jogando 2024, mas, na verdade, o grande jogo posto era o de 2026, que cada prefeito progressista que a gente fizesse, cada vereador ou vereadora do campo progressista que a gente fizesse a gente estava fazendo o cordão de luta contra o fascismo e contra a direita em 2026”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Cida Pedrosa:</span>

		<p>Cida Pedrosa, 61 anos, é poeta, escritora, feminista, advogada militante dos direitos humanos e atualmente vereadora do Recife. Sua trajetória na luta pelos direitos humanos começou como advogada do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco (Fetape). Também atuou no Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec) e foi coordenadora do Movimento Nacional de Direitos Humanos. Ganhou o Prêmio Jabuti de Livro do Ano, em 2020, o mais importante da literatura brasileira com o poema <em>Solo para Vialejo</em>. Dois anos depois, foi a primeira pernambucana premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte com <em>Araras Vermelhas</em>, outro livro-poema.</p>
<p>Em 2012, foi secretária de Meio Ambiente do Recife e instituiu a Política Municipal de Sustentabilidade e enfrentamento às mudanças climáticas. Em 2017, se tornou secretária da Mulher do Recife, ajudando a tirar do papel a Brigada Maria da Penha.</p>
<p>Como vereadora, preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e é vice-presidenta da Comissão de Educação, Cultura, Turismo e Esporte. Também é presidenta da Frente Parlamentar Recife Pelo Clima e seu mandato esteve na presidência da Frente Parlamentar pelo Centro do Recife.</p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Kari Santos (PT)</strong></li>
</ul>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/image-2.jpeg" alt="O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é foto-2-1.jpg" class="wp-image-66621 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>À reportagem, Kari lembrou que a ampliação do número de mulheres na Câmara do Recife não significa necessariamente um comprometimento com as pautas feministas. “É lamentável saber que a Câmara Municipal é composta por homens de sobrenome da política tradicional. A expectativa é de fazer um enfrentamento diante de novos quadros da extrema-direita que se elegeram. A gente precisa fazer uma bancada feminista de combate ao conservadorismo e de combate à extrema-direita”, avaliou.</p>
</div></div>



<p>Para ela, é motivo de orgulho ser a vereadora mais jovem já eleita pelo PT na cidade. Kari, que teve apoio do deputado João Paulo, acredita que a vitória é resultado da necessidade de renovação dos quadros políticos e de uma militância que reconhece que é tempo de mulheres e tempo de renovação.</p>



<p>Sobre a polarização com os outros dois mais jovens da Casa, Thiago Medina, de 21 anos, e Alef Collins, de 22 anos, ela lembra que já vem combatendo a extrema-direita e que esses dois nomes já vêm tentando firmar embates desde que ela colocou seu nome à disposição do processo eleitoral. Kari acredita que Medina e Alef vão seguir polarizando dentro da Câmara. “Porque são quadros que não têm nenhum projeto político voltado para a classe trabalhadora. Infelizmente a gente vai ver uma ‘bancada da lacração’ na Câmara Municipal”, acredita.</p>



<p>“Mas agora, com mandato, eu consigo ter mais força para poder fazer esse tipo de enfrentamento. Será um mandato direcionado para a defesa da classe trabalhadora, mas, para que isso também aconteça, a gente tem que frear o avanço da extrema-direita e do fascismo à moda brasileira, que nós conhecemos como bolsonarismo”, comentou.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Kari Santos:</span>

		<p>Kari Santos, 31 anos, é estudante de pedagogia e vereadora eleita mais jovem da história do PT no Recife. Nascida e criada na periferia, no bairro da Mangueira, foi militante do movimento estudantil e da juventude petista. É comunicadora popular e destacou-se nacionalmente pelo ativismo digital contra os bolsonaristas, alcançando quase 1 milhão de seguidores em todas as suas redes.</p>
<p>Teve apoio de figuras nacionais do partido, como José Dirceu, Gleisi Hoffmann e até de Marília Arraes, que nem é filiada à legenda. Fez campanha defendendo a volta do Orçamento Participativo, punição aos que tentarem impedir gestantes de acessarem o aborto legal no Recife, a criação de renda básica municipal e reajuste do auxílio-moradia.</p>
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<p><strong>Jô Cavalcanti (PSOL)</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/foto.jpeg" alt="" class="wp-image-66595 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Sou cria da periferia e conheço de perto as dificuldades que mulheres negras, trabalhadoras e mães solo enfrentam todos os dias. A luta por dignidade e direitos não é nova para mim, é minha história de vida”, anuncia Jô Cavalcanti.</p>



<p>“A partir de 2025, eu serei a única parlamentar negra. Isso contrasta e mostra que não houve avanço, muito menos para a esquerda progressista”, frisa Jô Cavalcanti logo de início, lembrando a grande bancada do PSB e o aumento da presença dos bolsonaristas. </p>
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<p>“A gente vai ter muito desafio pela frente levando em conta que nós da esquerda defendemos a política do governo Lula e que as políticas sejam, de fato, voltadas para a população mais vulnerável. A Câmara Municipal será um instrumento que vamos usar como uma ferramenta de disputa da cidade”, complementou.</p>



<p>Ela disse que seguirá enfrentando a oposição, assim como fez quando compunha o mandato coletivo das Juntas Codeputadas na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). “Temos um projeto de sociedade e de consciência”, definiu, lembrando o apoio dos movimentos sociais e de nomes importantes da esquerda durante a campanha este ano, como <a href="https://marcozero.org/marcal-e-um-efeito-surpresa-para-nos-lembrar-de-jamais-subestimar-a-extrema-direita-afirma-erika-hilton/">Erika Hilton</a>, Guilherme Boulos, pastor Henrique Vieira e João Paulo.</p>



<p>“A gente sabe que a Casa do Povo deve fazer com que as pessoas possam ter acesso a ela e que nada seja passado para beneficiar só o grupo A ou B, mas toda a população recifense”, defende Jô, rememorando que, em 2016, o PSOL também fez apenas uma cadeira na Câmara, com Ivan Moraes, “que fez um mandato altivo e responsável”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Jô Cavalcanti:</span>

		<p>Aos 42 anos de idade, Jô Cavalcanti é mulher negra, mãe de Gabriel e cria do Morro da Conceição. Sua vida foi marcada pela luta por sobrevivência e pela busca por justiça social. Deputada estadual eleita em 2018 pela mandata coletiva das Juntas, ela foi a primeira camelô do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a ocupar esse cargo no Brasil.</p>
<p>Tem militância no Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Informal (Sitraci), na Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e na Frente Povo Sem Medo e se articula com o Fórum de Mulheres de Pernambuco, a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas e outros espaços de luta.</p>
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