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	<title>Arquivos FioCruz - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 28 Apr 2026 20:51:06 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos FioCruz - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Periferias de Pernambuco e da Paraíba terão rede de comitês populares ambientais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 20:50:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[Mãos Solidárias]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com foco no enfrentamento dos impactos da crise climática sobre a saúde e a alimentação, foi lançada nesta segunda-feira (27), na Fiocruz Pernambuco, a iniciativa “Mudanças Climáticas, Saúde e Alimentação – Rede de Comitês Populares Ambientais em Territórios das Periferias”. O projeto articula instituições públicas, movimentos sociais e comunidades para formar agentes populares e estruturar [&#8230;]</p>
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<p>Com foco no enfrentamento dos impactos da crise climática sobre a saúde e a alimentação, foi lançada nesta segunda-feira (27), na Fiocruz Pernambuco, a iniciativa “Mudanças Climáticas, Saúde e Alimentação – Rede de Comitês Populares Ambientais em Territórios das Periferias”. O projeto articula instituições públicas, movimentos sociais e comunidades para formar agentes populares e estruturar espaços coletivos de mobilização em territórios periféricos.</p>



<p>A proposta é coordenada pela Fiocruz Pernambuco em parceria com o Movimento Mãos Solidárias, a Universidade de Pernambuco (UPE) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A iniciativa pretende criar uma rede de comitês ambientais em Pernambuco e na Paraíba, conectando educação popular em saúde, serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e participação comunitária.</p>



<p>Durante o lançamento, a diretora do Departamento de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Lívia Milena Barbosa, destacou a importância de integrar o debate ambiental à formação de profissionais do SUS. Segundo ela, a proposta vai além da resposta a desastres, buscando atuar na prevenção por meio de processos educativos nos territórios.</p>



<p>A pesquisadora da Fiocruz Pernambuco Idê Gurgel ressaltou a centralidade da relação entre clima, saúde e soberania alimentar no projeto. Para ela, a formação de agentes populares ambientais é estratégica em um contexto de mudanças globais aceleradas e crescente impacto das questões climáticas na agenda política.</p>



<p>A programação do evento também incluiu o debate “Mudanças Climáticas e Saúde nas Periferias”, com a participação da estudante de Saúde Pública Alyne Nascimento, ampliando a discussão sobre como a crise climática afeta diretamente os contextos urbanos mais vulneráveis.</p>



<p>Representando a direção da instituição, a coordenadora Naíde Teodósio enfatizou o compromisso com a chamada “ciência cidadã”, baseada na construção conjunta de conhecimento e soluções com os territórios.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Formação e expansão da rede</h2>





<p>As primeiras ações do projeto começaram ainda em março, com a realização de um curso de formação de monitores no município de Moreno (PE). Ao todo, 27 participantes foram capacitados para atuar na criação dos comitês populares ambientais.</p>



<p>A expectativa é que esses monitores contribuam para a implantação de pelo menos 135 comitês em dois estados do Nordeste, formando cerca de 270 agentes populares ambientais. A proposta segue a lógica de “formação de formadores”, ampliando o alcance da iniciativa nas periferias urbanas.</p>



<p>Para Paulo Mansan, coordenador do Movimento Mãos Solidárias, a ideia é que os comitês atuem diretamente nos territórios, debatendo temas como saneamento, resíduos sólidos, acesso à água e produção de alimentos. “O objetivo é preparar pessoas para melhorar a vida das suas comunidades e enfrentar, na prática, os efeitos das mudanças climáticas”, afirmou.</p>



<p>Na Paraíba, a Universidade Federal da Paraíba participará com estudantes que atuarão na criação de comitês em áreas periféricas de João Pessoa. A professora Gabriela Barreto destacou a importância da experiência na formação acadêmica, especialmente para estudantes das áreas de saúde e educação.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Políticas públicas e atuação nos territórios</h3>



<p>A iniciativa busca transformar diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde e da Política Nacional de Educação Popular em Saúde em ações concretas nas comunidades, incentivando o desenvolvimento de soluções locais para problemas ambientais e sanitários.</p>



<p>A execução contará com apoio da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec), responsável pela gestão administrativa e financeira.</p>



<p>Ao articular instituições, movimentos e comunidades, o projeto aposta na construção de uma rede regional capaz de fortalecer políticas públicas de saúde, ampliar a participação social e enfrentar de forma integrada os desafios da emergência climática no Nordeste.</p>
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		<title>Pesquisa comprova danos à saúde mental de camponeses 10 anos após instalação de eólicas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 17:22:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[eólicas]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dez anos após a instalação do primeiro empreendimento eólico do Brasil, em Caetés, no agreste de Pernambuco, a 240 quilômetros do Recife, o que se vê é uma comunidade, em sua maioria, em sofrimento psíquico. Uma nova pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) campus Garanhuns constatou que [&#8230;]</p>
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<p>Dez anos após a instalação do primeiro empreendimento eólico do Brasil, em Caetés, no agreste de Pernambuco, a 240 quilômetros do Recife, o que se vê é uma comunidade, em sua maioria, em sofrimento psíquico. Uma nova pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) campus Garanhuns constatou que 68% dos camponeses que ali vivem sofrem com problemas de saúde que ultrapassam a condição do corpo, chegando ao adoecimento psicológico e desenvolvimento de transtornos mentais leves, com consequente aumento do uso de remédios psiquiátricos.  </p>



<p>Intitulado <em>Necropolítica dos ventos: determinação social da saúde mental diante da exposição de empreendimentos eólicos em comunidades camponesas de Pernambuco</em>, o levantamento comprova que, diante dos resultados encontrados, percebe-se uma população que vivencia um trauma psicossocial, uma forma de trauma que transcende o indivíduo e afeta a dimensão social e cultural.</p>



<p>Em 2014, empreendimentos eólicos foram instalados nas comunidades rurais de Sítio Sobradinho, em Caetés, com distâncias que vão de 100 e 900 metros entre as casas e as turbinas. Diversos estudos, no entanto, já comprovaram, na última década, que, a até 2 quilômetros, é possível perceber prejuízos à saúde.</p>



<p>A pesquisa entrevistou 50 pessoas, sendo 80% mulheres e 20% homens, de 18 a 89 anos, em sua maioria negros e agricultores familiares. Desse total, 34 corresponderam ao ponto de corte que configura sofrimento psíquico, representando 68% da amostra. Todas estão no território há mais de 10 anos, ou seja, antes da implantação dos aerogeradores. Segundo o levantamento, muitas estão em fase de esgotamento, se recusando a responder questionários de pesquisas diante da pressão das empresas sobre as comunidades.</p>



<p>“Como têm sido implementadas as energias renováveis?”, provoca Felipe Cazeiro, professor da UPE e pesquisador da Fiocruz que está à frente dos estudos sobre o impacto das eólicas no campo da saúde mental. As eólicas são hoje a segunda maior fonte de energia elétrica do Nordeste, atrás apenas da hídrica. A região tem sido a de maior instalação dessas turbinas, abrigando mais de 80% dos empreendimentos em operação no país.</p>



<p>Os ruídos de baixa frequência emitidos pelas turbinas costumam gerar sintomas como dor de cabeça, zumbido e pressão nos ouvidos, náuseas, tonturas, taquicardia, irritabilidade, problemas de concentração e memória e episódios de pânico. Tais ruídos podem ocasionar, além desses sintomas, distúrbios mais graves como a Síndrome da Turbina Eólica e a Doença Vibroacústica.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Síndrome da Turbina Eólica</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Os sintomas compreendem distúrbios do sono, aumento de frequência e/ou gravidade de dores de cabeça, tonturas, instabilidades, náusea, exaustão e alterações no humor; problemas com concentração e aprendizagem, além de zumbido nos ouvidos. Indivíduos com histórico de enxaqueca ou problemas auditivos anteriores ao contato com as eólicas e pessoas idosas são grupos mais suscetíveis.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Doença Vibroacústica</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>É uma doença sistêmica causada pela exposição prolongada (mais de dez anos) a ruído de grandes amplitudes (90 dB) e baixa frequência (&lt; 500Hz, incluindo os infrassons). É uma patologia sistêmica com uma evolução que aparece lentamente e pode afetar vários órgãos e tecidos, como o sistema nervoso, o sistema imunitário, o aparelho cardiovascular e o aparelho respiratório. Além de ser caracterizada por lesões nos tecidos ou órgãos, pode ocasionar uma série de alterações no organismo, como alterações neurológicas, endócrinas, na tensão arterial e na função respiratória, entre outros problemas. Esses efeitos igualmente são resultados da exposição prolongada aos ruídos de baixa frequência, que interferem no funcionamento normal dos sistemas corporais.</p>
	</div>



<p>O levantamento da Fiocruz com UPE, realizado por 11 pesquisadores, utilizou como metodologia o <em>Self-Report Questionary 20 (SRQ-20)</em>, um questionário da Organização Mundial da Saúde (OMS) cujo objetivo é comprovar sofrimento psíquico ou transtornos mentais leves, sem a função de diagnosticar, avaliar ou trazer um quadro específico patológico em saúde mental.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Camponeses pensam em suicídio</strong></h2>



<p>“É muito comum a ideia de que o processo de doença é individual, e não que é determinado socialmente. Então, quando vemos esses dados e vemos a determinação social da saúde, percebemos que a exposição que essas pessoas estão vivendo há 10 anos junto das eólicas tem trazido impactos em diferentes âmbitos, seja na saúde animal, humana, mental ou vegetal, na terra e no território”, comenta Cazeiro, que é doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).</p>



<p>Um dado preocupante foi sobre o item “Tem tido ideia de acabar com a vida?” do questionário. Entre as pessoas que responderam estar com a ideia de tirar a própria vida, uma delas disse que isso aconteceu após a chegada das eólicas e relatou: “me sinto ‘sem controle’ em alguns momentos, os sintomas atrapalham muito a minha vida, sentindo pânico para dormir”.</p>



<p>Outra pessoa respondeu que a ideia de tirar a própria vida não apareceu com a chegada das eólicas, ela tinha diagnóstico prévio de depressão, mas relatou que a ideação suicida piorou com a chegada dos aerogeradores: “às vezes, tenho medo de mim”. Ambas tomam psicotrópicos, porém estão desassistidas de um acompanhamento de saúde contínuo.</p>



<p>“O Estado não tem dado nenhuma assistência às comunidades, essa é a maior dificuldade, existe pouca atenção e há um discurso antagônico. O Estado acha que as comunidades são contra o desenvolvimento, mas as comunidades não são contra o desenvolvimento, são contra o desenvolvimento sustentável da forma como ele está sendo feito, sem preocupação com as famílias. A mesma coisa são as empresas”, adiciona o pesquisador.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma pesquisa-ação</strong></h2>



<p>Esse trabalho desenvolvido em Caetés é uma pesquisa-ação. Nesse âmbito, foi criada a Escola dos Ventos, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT Nordeste II), como um coletivo que possui como objetivo ser um espaço baseado no saber popular de Paulo Freire, em que as comunidades passaram a refletir coletivamente sobre seus problemas e traçar estratégias de defesa de seus territórios, além da reivindicação de direitos, numa iniciativa conjunta com Fiocruz e UPE.</p>



<p>A escola realizou diversos encontros e debates ao longo do ano. O objetivo é ampliar o debate e estimular a mobilização contra os impactos causados pelo modelo centralizador e concentrador de geração de energia renovável. A ideia do projeto de pesquiusa-ação é procurar saídas comunitárias para uma transição energética justa, que respeite verdadeiramente o meio ambiente e as populações do campo.</p>
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		<title>Oficina Nacional debate estratégias de comunicação para a saúde da população negra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2025 19:31:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[população negra]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Marco Zero Conteúdo esteve presente na Oficina Nacional de Comunicação para o Fortalecimento da Saúde da População Negra, evento promovido pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz que aconteceu nos dias 22 e 23 de janeiro, em Brasília. A oficina reuniu comunicadores de todo o Brasil para debater estratégias que contribuam para o avanço [&#8230;]</p>
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<p>A Marco Zero Conteúdo esteve presente na Oficina Nacional de Comunicação para o Fortalecimento da Saúde da População Negra, evento promovido pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz que aconteceu nos dias 22 e 23 de janeiro, em Brasília. A oficina reuniu comunicadores de todo o Brasil para debater estratégias que contribuam para o avanço da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. A repórter Giovanna Carneiro, mestre em Comunicação pela UFPE, representou a MZ na atividade.</p>



<p>Essa política, instituída há 16 anos, tem como objetivo reduzir as desigualdades étnico-raciais e combater o racismo institucional no Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar da sua relevância, apenas 371 dos 5.570 municípios brasileiros aderiram à iniciativa e possuem estruturas para coordenar ações específicas voltadas à população negra, segundo dados do Ministério da Saúde.</p>



<p>Durante a oficina, foram discutidos caminhos para ampliar o alcance e a efetividade da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Um dos principais resultados do evento foi a criação de um Grupo de Trabalho, que irá apoiar a construção de um plano de ação para fortalecer as pautas prioritárias na saúde da população negra.</p>



<p>A Marco Zero Conteúdo se soma a essa mobilização, reconhecendo o papel essencial da comunicação para dar visibilidade à luta contra o racismo e para promover o direito à saúde de forma mais equitativa e inclusiva.</p>
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		<item>
		<title>Do laboratório de Exu saiu Alzira Almeida, uma das maiores especialistas em peste do mundo</title>
		<link>https://marcozero.org/do-laboratorio-de-exu-saiu-alzira-almeida-uma-das-maiores-especialistas-em-peste-do-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Aug 2023 17:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[exu]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[peste em Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Exu &#8211; Na troca de cartas para a sua primeira missão para investigar a peste em Pernambuco, o consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) Marcel Baltazard deixou bem claro: não queria treinar uma mulher. Como o trabalho dos estrangeiros em Exu eram feitos por consultorias, a ideia era que um brasileiro ficasse sempre no [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Exu</strong> &#8211; Na troca de cartas para a sua primeira missão para investigar a peste em Pernambuco, o consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) Marcel Baltazard deixou bem claro: não queria treinar uma mulher. Como o trabalho dos estrangeiros em Exu eram feitos por consultorias, a ideia era que um brasileiro ficasse sempre no laboratório. “Ele é contra o treinamento de uma mulher, pois para a solução que buscamos será preciso um indivíduo polivalente”, escreveu o então diretor do Instituto Nacional de Endemias Rurais (INERu), José Rodrigues da Silva.</p>



<p>O desejo inicial do pesquisador francês nunca foi atendido. O perfil que ele queria, lá em 1964 &#8211; “bacteriologista, ecologista, organizador” -, não foi encontrado entre os homens, na época. Mas do Plano Piloto de Exu saiu uma das maiores especialistas sobre a peste no mundo. Uma mulher.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-esquecida-historia-da-mortal-epidemia-de-peste-em-pernambuco/" class="titulo">A esquecida história da mortal epidemia de peste em Pernambuco</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Contrariando a recomendação de Baltazard, Frederico Simões Barbosa, então diretor do Instituto Aggeu Magalhães, convidou Alzira para compor a equipe do laboratório. Pesquisadora emérita da Fiocruz-PE desde 2019, Alzira de Paiva Almeida foi trabalhar em Exu ao lado do então noivo, o biólogo Célio Almeida, em 1966. Na cidade sertaneja, também enfrentou o machismo: o marido era “doutor&#8221; Célio. Ela, “dona” Alzira.</p>



<p>Desde então, ela tem se dedicado ao estudo da peste. Não há material científico sobre peste produzido no Brasil nas últimas décadas que não cite Alzira Almeida, que é doutora em microbiologia pela Universidade Paris VII. Uma de suas várias conquistas é ter deixado o Brasil autossuficiente para o diagnóstico da peste, após ter aprendido novas técnicas para produção do antígeno no Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos. Também ajudou a Pernambuco ter uma das maiores coleções de cepas da <em>Yersinia pestis</em> do mundo, com cerca de mil exemplares.</p>



<p>De Exu, foi trabalhar no laboratório de peste de Garanhuns e depois veio para o Recife. Após 46 anos como servidora, Alzira Almeida se aposentou em 2012, mas, aos 80 anos, segue como pesquisadora na Fiocruz-PE. Em Exu, terra onde tudo começou, ela conversou com a Marco Zero.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>***</strong></p>



<p><strong>O que a senhora aprendeu na Exu dos anos 1960? Como começou a coleção de cepas da <em>Yersinia pestis</em>?<br></strong>Aprendi a identificar os roedores, fazer a identificação taxonômica, identificar os diferentes tipos de pulgas. E principalmente técnicas bacteriológicas, de necropsia de roedores, coletas de amostras para fazer cultura, para isolar a bactéria. Em Exu foi iniciada a coleção da bactéria <em>Yersinia pestis</em>. Essa coleção foi ampliada em Garanhuns, onde depois de Exu funcionou o laboratório nacional de peste. E depois também em Recife, com as amostras do último surto de peste que ocorreu no Brasil, de setembro de 1986 a novembro de 1987, na Paraíba.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>A coleção de bactérias</strong></p>



<p>A coleção de <em>Y. pestis</em> da Fiocruz foi iniciada em 1966 e, atualmente, conta com quase mil cepas. É um dos maiores acervos do mundo e o mais importante do país, possibilitando estudos sobre o bacilo dos diversos focos de peste do Brasil. A maioria das cepas foi isolada no período de 1966 a 1986 ,nas Chapadas do Araripe e da Borborema, Triunfo, Serras da Ibiapaba e Baturité, no Ceará, mas também há cepas da Bahia e de Minas Gerais. As coleções brasileiras mais antigas, contendo as cepas das primeiras décadas do século XX, se perderam por falta de conservação.</p>



<p>Recentemente, o genoma completo de 411 cepas da <em>Y. pestis </em>foi sequenciado. As análises do genoma de cepas, que eram de diversos focos e de diferentes períodos epidemiológicos, permitiram confirmar a hipótese de apenas uma única introdução da peste no Brasil.</p>
</blockquote>



<p><strong>Foi dessa época a última morte por peste no Brasil?<br></strong>Neste surto na Paraíba ocorreram as últimas mortes. O último caso registrado no Brasil foi em 2005, no Ceará, em uma área que se sabia que historicamente havia peste e o estado mantinha uma vigilância ativa. O doente foi tratado rapidamente. Na Paraíba, na época desse último surto, o estado estava sem recursos e a vigilância havia sido desativada há uns oito ou dez anos, e ninguém esperava mais que a peste fosse aparecer lá.</p>



<p><strong>Ninguém espera que a peste apareça de novo, parece uma doença muito antiga.<br></strong>É o perigo da peste: quando ela reaparece após alguns anos, as pessoas não estão preparadas. Nem a população preparada para reconhecer os sinais, nem as autoridades de saúde com equipamentos ou equipes preparadas. Os primeiros casos passam despercebidos, só são percebidos quando alguém vai a óbito e se faz uma investigação. Mas aí já está epidemizado e vários casos se sucedem.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-peste-a-doenca-que-sempre-volta/" class="titulo">A peste, uma doença que sempre volta</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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<p><strong>Sua vida de trabalho foi toda dedicada à peste?<br></strong>Algumas pessoas veem isso até como uma crítica: como uma pessoa passa quase 60 anos fazendo a mesma coisa? Mas é que a peste é uma doença que tem muitas facetas. Para pessoa trabalhar com peste tem que saber história, geografia, ecologia…Fui acumulando conhecimentos sobre todos os elos da cadeia epidemiológica. Adquiri conhecimentos sobre roedores, sobre pulgas, sobre técnicas bacteriológicas, técnicas sorológicas, fiz minha tese de doutorado sobre técnicas moleculares e, agora, estamos fazendo um trabalho de sequenciamento de DNA. Faço colaborações com diversas áreas. Tem a pesquisadora Elainne Gomes, que trabalha muito com georreferenciamento e análise espacial, que junta geografia e clima com dados históricos. E meu trabalho é estudar os dados históricos sobre a peste, agora com novas tecnologias, temos tidos muitos resultados com o georreferenciamento, indo desde o início, em 1966.</p>



<p><strong>Desde 1980 não se registra mais casos de peste em humanos em Pernambuco. Por que é importante manter vigilância, mesmo passados mais de 40 anos?<br></strong>Tem uma frase que eu ouvi uma vez de Jarbas Barbosa, que hoje é diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) : “Vigilância é estar preparado para lutar contra um inimigo que talvez nunca venha”. No caso da peste, isso é mais ou menos verdade. Talvez ela nunca venha. Mas é possível que ela venha. Sabemos que nenhum país do mundo conseguiu se livrar totalmente da peste. Foram feitas várias tentativas nos Estados Unidos, Rússia, China…mas todas foram infrutíferas. Depois de todos os esforços, todo dinheiro despendido, a peste voltou depois de anos, e sempre nos mesmos locais de onde se tentou exterminá-la. Ela sempre retorna para lugares onde desapareceu há 20, 30, 50 e até 100 anos. </p>



<p>Do ponto de vista histórico, temos as evidências das pandemias que ocorreram na era cristã. Teve a primeira no reinado de Justiniano. Passou alguns anos silente e depois veio a segunda, na Idade Média. Depois de alguns séculos, a terceira pandemia que, segundo alguns autores, ainda estamos vivendo essa terceira pandemia, que já dura mais de um século. A peste não se expande mais tanto, pois tem meios de impedi-la, mas ainda ocorre entre as fronteiras terrestres, até por meio dos roedores. No último parágrafo de <em>A peste</em>, de Albert Camus, ele relata as pessoas festejando e o médico observando: as pessoas festejavam porque não sabiam o que a medicina sabia, que a peste pode reaparecer em uma comunidade feliz, para a desgraça da humanidade. A mensagem de Camus é muito válida.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“</em>Na verdade, ao ouvir os gritos de alegria que vinham da cidade, Rieux lembrava-se de que essa alegria estava sempre ameaçada. Porque ele sabia o que essa multidão eufórica ignorava e se pode ler nos livros: o bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido nos móveis e na roupa, espera pacientemente nos quartos, nos porões, nos baús, nos lenços e na papelada. E sabia, também, que viria talvez o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz<em>.”</em></p>



<p><em><br></em>Trecho de<em> A peste, </em>de Albert Camus</p>
</blockquote>



<p><strong>A senhora falou que há ainda alguns mistérios sobre a peste. O que a ciência ainda não sabe?<br></strong>Entre eles, a questão de como eclodem e como desaparecem as epidemias. Como é que ela vai reaparecer depois de até vários séculos, provocando grande número de casos, e como ela se extingue. Esse é um dos grandes pontos ainda a se estudar. Nenhum país ainda conseguiu descrever o mecanismo do reaparecimento da peste. Na época atual, que tem registros mais precisos, em Yunnan, na China, a peste reapareceu dois anos atrás no mesmo local onde a doença havia desaparecido há cem anos. Na América do Sul, reapareceu no Peru, no Equador e na Bolívia no início deste século. No Brasil, em alguns focos já estamos com 50 anos de silêncio. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/tabocas-o-povoado-do-sertao-de-pernambuco-que-nao-esqueceu-a-peste/" class="titulo">Tabocas, o povoado do sertão de Pernambuco que não esqueceu a peste</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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<p>Sobre outros aspectos, há a necessidade de melhoramentos. Na década de 1990 surgiram algumas cepas da <em>Yersinia pestis</em> resistentes a todos os antibióticos. Felizmente, isso não evoluiu. Mas há sempre o risco da resistência e, por isso, é necessário o estudo de novos antibióticos ou novos meios de tratamento. Também não existe uma vacina contra a peste. Desde Oswaldo Cruz, aqui no Brasil, se iniciou a produção de uma vacina, mas não era eficaz. Vários países, durante alguns anos, chegaram a produzir e usar vacinas, mas até hoje não se tem nenhuma que realmente funcione.</p>



<p></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Alzira Almeida concedeu entrevistou durante a passagem por Exu. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
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			</item>
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		<title>A esquecida história da mortal epidemia de peste em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/a-esquecida-historia-da-mortal-epidemia-de-peste-em-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Aug 2023 19:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[bubônica]]></category>
		<category><![CDATA[exu]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[peste]]></category>
		<category><![CDATA[peste em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[roedores]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Exu (PE) &#8211; Foi no que hoje é um conjunto de ruínas e casas por trás do memorial criado por Luiz Gonzaga, perto da entrada de Exu, que uma parte importante da ciência em Pernambuco começou a ser construída. Importante, mas esquecida: quem sabe ou lembra que Pernambuco foi um dos estados mais atingidos pela [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Exu (PE) &#8211;</strong> Foi no que hoje é um conjunto de ruínas e casas por trás do memorial criado por Luiz Gonzaga, perto da entrada de Exu, que uma parte importante da ciência em Pernambuco começou a ser construída. Importante, mas esquecida: quem sabe ou lembra que Pernambuco foi um dos estados mais atingidos pela epidemia de peste do século 20? Sim, a mesma doença que séculos antes devastou a Europa e que se acredita que já matou mais de 200 milhões de pessoas.</p>



<p>E foi também em Exu que descobertas científicas importantes foram feitas para entender melhor a doença, que até hoje desafia cientistas.</p>



<p>Uma peça-chave para entender o que foi a epidemia de peste em Pernambuco &#8211; e no Brasil &#8211; é a pesquisadora emérita da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-PE) Alzira Almeida, coordenadora do Serviço Nacional de Peste, que há mais de 50 anos estuda a doença.</p>



<p>Andando nas ruínas do que um dia foi o ousado Plano Piloto de Peste em Exu, ela conta que o projeto tinha o intuito de responder a uma grande questão: havia peste silvestre no Brasil? Ou seja, os roedores e pulgas silvestres participavam do intrincado processo de transmissão da bactéria <em>Yersinia pestis</em> para o ser humano? Por muito tempo, se achou que apenas os ratos domésticos carregassem a doença.</p>



<p>Para responder essa questão, durante sete anos, foram realizados em Exu estudos sobre a peste, sob orientação da equipe francesa e iraniana do Instituto Pasteur. O estudo abarcava diferentes disciplinas, como a epidemiologia e a zoologia. “Se trabalhou com roedores para identificar os que existiam na região, o papel dessas espécies, se eram sensíveis ou resistentes à peste, quais eram as pulgas vetores. E também se observou os efeitos das modificações climáticas, ao longo do tempo, sobre a doença nos roedores e nos casos humanos”, conta Alzira.</p>



<p>Os surtos de peste com mais casos e mortes ocorreram em Pernambuco antes do desenvolvimento dos antibióticos e das sulfas, medicamentos que chegaram ao Brasil nos anos 1940 e fizeram despencar a letalidade da doença.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/08/missao-exu-ruinas.jpg" alt="Terreno baldio onde se vê o que sobrou de muros e paredes de uma construção. Á direita da foto, um homem de camisa branca e calça jeans, fotografado de corpo inteiro e à distância, está com as mãos na cintura, olhando para seu lado direito. Á esquerda da foto, junto a uma parede, está uma mulher idosa, de cabelos brancos, calça preta e blusa estampada." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Missão da Fiocruz visita ruínas do laboratório da peste em Exu. Crédito: Arnaldo Sete/ MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>No final dos anos 1920, o então próspero município de Triunfo viveu uma das maiores epidemias do estado, com mais de mil casos.”É um município com um histórico triste de peste: era uma cidade muito próspera até a década de 1920, tanto que se vê construções muito bonitas, mas em 1926 eclodiu uma epidemia de peste, que destruiu a economia local e a cidade demorou a se reerguer”, conta Alzira Almeida. Em meados dos anos 1930, Exu também perdeu muitas vidas, principalmente no distrito de Tabocas.</p>



<p>Aliado aos antibióticos, o controle de roedores nas áreas urbanas, o uso dos repelentes e inseticidas corretos e a limpeza dos ambientes controlaram a doença. Nos anos 1950, se pensou até que a peste estava erradicada de Pernambuco. Mas em meados dos anos 1960 os casos voltaram a aparecer e crescer &#8211; e nos mesmos municípios atingidos nas décadas anteriores.</p>



<p>“Na época, estava havendo epidemias em vários países do mundo. O Brasil, na década de 1960, era o terceiro país do mundo em números de casos de peste, atrás do Vietnã, em plena guerra, e da Birmânia”, conta a pesquisadora.</p>



<p>Pelos dados oficiais, de 1935 até 2005, a epidemia de peste atingiu 7.050 pessoas no Brasil, matando 1.134. Porém, esses números, principalmente das primeiras décadas, são considerados por pesquisadores como subnotificadoseincompletos.</p>



<p>Eram mais de 600 casos por ano no Brasil. “Para peste, é um número muito alto. Não podemos comparar com os números da covid-19, por exemplo, porque o óbito da peste pode ser muito rápido, em menos de 72 horas, e pode “epidemizar” também muito rápido. Um único caso de peste pneumônica, que é a que afeta os pulmões, já tem potencial para causar uma epidemia”, diz Alzira Almeida.</p>



<p>E Pernambuco era o estado onde havia o maior número de casos nos anos 1960. Os registros foram tantos que o governo brasileiro, através do Instituto Nacional de Endemias Rurais (INERu), pediu ajuda à Organização Mundial da Saúde (OMS), que enviou o pesquisador francês Marcel Baltazard, que havia dirigido o Instituto Pasteur do Irã. Especialista em raiva e peste, Baltazard percorreu o interior de Pernambuco em abril de 1965, acompanhado do então presidente do Instituto Aggeu Maggalhães, Frederico Simões Barbosa.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“A escolha de Exu foi porque lá parecia ser um foco fechado de peste, que se poderia estudar devido a barreiras ecológicas em torno da área. A cidade de Exu fica localizada no pé da serra do Araripe, uma chapada sedimentar com duzentos quilômetros de extensão e quarenta de largura, e a uma altitude de aproximadamente setecentos metros. No sopé dessa chapada, que é uma zona agrícola, tinham os brejos, onde ocorriam os casos de peste. Historicamente, desde 1917, os primeiros casos de peste aconteceram em Exu. Essa chapada era circundada pela caatinga, pelo sertão” &#8211; Célio Rodrigues de Almeida, biólogo, em depoimento à Fiocruz e UFPE</p></blockquote>



<p>A expedição de Baltazard deu as bases para a implementação, dois anos depois, do Programa de Peste no Brasil. Foi em Exu que consideraram o melhor local para estudar a peste, pelo número de casos, a geografia e a existência das instalações de uma escola agrícola nunca usada. Surgia assim o Plano Piloto de Exu, o primeiro laboratório de peste do Brasil.</p>



<p>Trabalhando com Baltazard, havia também consultores da França e do Irã,notadamente os médicos iranianos Younes Karimi e Mahmoud Bahmanyar, que fizeram algumas missões a Exu durante os sete anos do projeto. Junto com a equipe brasileira &#8211; que contava com Alzira Almeida e o biólogo Célio Almeida, marido dela &#8211; os trabalhos na Chapada Araripe colaboraram com importantes descobertas sobre a peste.</p>



<p>Uma delas foi a resistência da pulga de roedores (<em>Xenopsylla cheopis</em>) e a pulga “humana” (<em>Pulex irritans</em>) a um tipo de de classe de inseticidas (os organoclorados), que era inclusive entregue pelo governo aos moradores de áreas de foco de peste. O grupo também ajudou na criação de uma metodologia para um teste rápido.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>A peste &#8211; </strong>É uma doença que afeta humanos e outros mamíferos. É causada pela bactéria <em>yersinia pestis</em> e geralmente é contraída pelos humanos após serem picados por uma pulga de roedor que carrega a bactéria. É possível se contaminar também ao manusear um animal infectado. A peste é famosa por ter matado milhões de pessoas na Europa durante a Idade Média. Hoje, os antibióticos são muito eficazes contra a doença. Sem tratamento imediato, a peste pode levar à morte.<br><br><strong>A peste pode se apresentar de três formas:</strong></p><p><strong>Bubônica</strong> &#8211; É a mais comum. Ocorre quando a pessoa é picada por um pulga infectada e a bactéria se multiplica nos linfonodos, geralmente o mais perto da picada, que ficam inflamados, formando os chamados bubões. Há febre alta, calafrios, dor de cabeça e fraqueza, entre outros sintomas.</p><p><strong>Septicêmica</strong> &#8211; Pode ocorrer por conta de picadas de pulga e manipulação de animais doentes ou ainda como uma complicação da bubônica. Um sintoma característico é a necrose de extremidades do corpo, como dedos dos pés e das mãos.</p><p><strong>Pneumônica</strong> &#8211; É a mais grave. Ocorre tanto como uma complicação dos outros tipos, como também pode ser pela manipulação de animal morto. Pode passar de pessoa para pessoa com extrema facilidade, por gotículas e aerossóis da tosse e da fala. Sem tratamento, mata quase todos os doentes. O tratamento com antibióticos adequados deve ser feito nas primeiras 24h de sintomas.</p></blockquote>



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	                                        <p class="m-0">No mapa, os focos no Brasil, com base nos registros de ocorrência de peste humana e animal, do Manual de Controle e Vigilância da Peste</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os roedores silvestres</strong> e a transmissão da doença</h2>



<p>A descoberta mais importante feita em Exu, contudo, foi a confirmação de que roedores nativos e outros pequenos mamíferos são responsáveis pela conservação da peste na natureza. Antes, havia uma forte corrente que defendia que apenas os ratos domésticos carregavam a bactéria. Foram décadas de controvérsia sobre o assunto. E décadas focando o combate à doença apenas nos ratos domésticos.</p>



<p>Essa linha de pensamento ganhou mais força quando, em 1940, o pestólogo chileno Atílio Machiavello Varas, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), fez estudos no Brasil e refutou a ideia de peste silvestre, culpando apenas os ratos (<em>Ratus rattus</em>).</p>



<p>Na década seguinte, outro pestólogo estrangeiro veio para Pernambuco. O argentino José Maria de la Barrera visitou várias cidades, como Triunfo, e concluiu o contrário: sim, havia contaminação de peste nos roedores silvestres. Seu relatório, no entanto, circulou pouco, não foi publicado e não diminuiu as dúvidas do Ministério da Saúde.</p>



<p>Na época que chegou a Pernambuco, Baltazard, que dirigia o departamento de epidemiologia do Instituto Pasteur de Paris, era a maior autoridade do mundo sobre o estudo da peste. Junto com Karimi e outros pesquisadores, já havia comprovado o papel dos roedores silvestres na transmissão da peste em epidemias no Curdistão e no Azerbaijão.</p>



<p>Baltazar queria vir passar três semanas em Pernambucom mas acabou ficando três meses, com um salário mensal de 900 dólares pagos pela OMS. Viria outras vezes, assim como Karimi e Bahmanyar.</p>



<p>A convivência dos estrangeiros com a equipe brasileira nem sempre foi fácil. Em carta, Bahmanyar reclamava aos superiores de que não havia pesquisadores cultos: queria alguém que falasse inglês e francês. Também era difícil conseguir funcionários qualificados que quisessem ir morar em Exu. Não havia energia elétrica na cidade em 1967 &#8211; o plano piloto usava um gerador a diesel &#8211; e, até hoje, o abastecimento de água na cidade é problemático.</p>



<p>Exu também passava por um período violento de guerra entre as famílias Saraiva, Alencar e Sampaio, que fez até Luiz Gonzaga levar o pai Januário para o Rio de Janeiro. Apesar de tudo isso, o empenho da equipe de brasileiros era enorme. Não demorou para Alzira e Célio caírem nas graças de Bahmanyar. “Meus colaboradores, especialmente Célio e Alzira, estão me ajudando extraordinariamente e aprendendo avidamente todas as fases do trabalho”, escreveu ao diretor do INERu, José Rodrigues da Silva.</p>



<p>Poucas semanas depois de chegar em Exu, o iraniano conseguiu isolar a <em>Yersinia pestis</em> em um <em>Bolomys lasiurus</em>, um pequeno roedor comum na Caatinga e no Cerrado. Vinte dias depois, um caso da doença em humanos foi descoberto em Exu.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>As espécies de roedores da caatinga e doença</strong></p><p>Das quase 2 mil espécies de roedores catalogadas no mundo, cerca de 230 albergam naturalmente a <em>Yersinia pestis</em>. Mas somente de 30 a 40 espécies servem como reservatórios básicos ou primários, com as demais atuando como reservatórios secundários, assegurando a manutenção e a difusão da doença.</p><p>O pequeno pixuna (<em>Necromys lasiurus</em>) é considerado o principal responsável pela epizootização &#8211; o conceito de epidemia aplicado aos animais &#8211; da peste nos focos do Nordeste, por ser também um dos roedores silvestres mais numerosos.</p><p>As famílias de roedores <em>caviidae</em> e<em> echimydae</em> também têm importância epidemiológica, tanto para a epizootização como para a manutenção da bactéria. O preá é relativamente resistente à Y. pestis, enquanto o punaré é extremamente sensível.</p></blockquote>



<p>O médico infectologista Celso Tavares, falecido em 2020, escreveu a tese de doutorado dele sobre o Plano Piloto de Exu. É de onde tiramos as informações sobre as cartas dos pesquisadores que estão nesta matéria, por exemplo. Na publicação, se explicita que os brasileiros não tinham acesso aos relatórios de Bahmanyar e de Karimi e que as publicações de Baltazard “compunham-se basicamente de descrições e comentários”. Os brasileiros chamavam as anotações de “romance de Baltazard”. Havia também muitas disputas entre os pesquisadores.</p>



<p>Em 1971, Baltazard morreu de repente. “&#8230;O que fez com que aquele patrimônio se perdesse entre as querelas e o desinteresse do DNERu/SUCAM, Bahmanyar, Karimi e Mollaret (sucessor de Baltazard)”, escreveu Tavares. O último relatório de Baltazard sobre Exu só foi publicado em 2004, graças a Alzira.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/08/exu-missao-francisco.jpg" alt="Homem idoso, negro, de cabelos ralos e cavanhaque brancos, vestindo camisa rosa claro, gesticula em frente a uma casa de parede branca onde se vê uma porta fechada e janelas abertas." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Francisco começou varrendo o chão e se formou em Biologia. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h3 class="wp-block-heading">Formação de pesquisadores</h3>



<p>Muito além do trabalho científico dos estrangeiros, o Plano Piloto de Exu foi importante para a formação de técnicos e pesquisadores da peste no Sertão. O biólogo Francisco Gomes começou lá varrendo o chão. Terminou pesquisador. Para fazer a graduação em biologia, ia todo dia para o outro lado da Chapada do Araripe, no Crato, em um ônibus fretado por Luiz Gonzaga para ajudar os estudantes de Exu. Só no lado cearense havia faculdade &#8211; até hoje é assim.</p>



<p>Trabalhou como “guarda de endemias” capturando roedores na caatinga. Também atuou fazendo punção nos bubões &#8211; bolhas resultantes do inchaço doloroso do linfonodo, que atinge os tecidos da axila ou da virilha &#8211; dos acometidos pela peste bubônica. Nunca teve medo de se contaminar. “Só fui pensar nisso na verdade quando chegou a covid-19. E aí me lembrei da época da peste e de como não passava na minha cabeça essa preocupação”, afirmou. Apesar de ter tratamento eficaz, a peste bubônica é uma doença muito dolorida. “Lembro que quando ia coletar o material dos bubões, as pessoas deliravam de dor, até desmaiavam”, lembrou.</p>



<p>Também moradora de Exu, Mirtes Saraiva era uma estudante do colegial quando foi trabalhar no laboratório de peste. Só ela e Alzira de mulheres. Ficava com receio apenas quando tinha que acompanhar a captura das pulgas: se passava um pente fino nos roedores, levando as pulgas a caírem numa vasilha com água e ficarem imobilizadas. Mas o sentimento que lembra da época não é de medo, mas de orgulho de trabalhar ali. “Na cidade, todos me tratavam com respeito. Me agradeciam por estar ajudando a fazer um trabalho que beneficiava a região, principalmente os mais pobres, e ajudava a nos livrar de uma doença tão terrível”.</p>



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	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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		<title>A peste, uma doença que sempre volta</title>
		<link>https://marcozero.org/a-peste-a-doenca-que-sempre-volta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Aug 2023 19:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[bubônica]]></category>
		<category><![CDATA[exu]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[peste em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[roedores]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Exu (PE) &#8211; No mês de julho, uma equipe de nove pesquisadores da Fiocruz de Pernambuco e do Rio de Janeiro, do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de Campina Grande (UFCG) refizeram a rota do pesquisador Francês Baltazard, do Instituto Pasteur, e do então presidente do Instituto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Exu (PE)</strong> &#8211; No mês de julho, uma equipe de nove pesquisadores da Fiocruz de Pernambuco e do Rio de Janeiro, do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de Campina Grande (UFCG) refizeram a rota do pesquisador Francês Baltazard, do Instituto Pasteur, e do então presidente do Instituto Aggeu Maggalhães, Frederico Simões Barbosa, pelo interior de Pernambuco, na década de 1960. </p>



<p>Em uma semana, percorreram os municípios de Garanhuns, São José do Belmonte, Triunfo e Exu, revisitando as instalações onde funcionaram os laboratórios e serviços de vigilância da peste, buscando registros e testemunhos de antigos trabalhadores do Programa de Peste.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/a-esquecida-historia-da-mortal-epidemia-de-peste-em-pernambuco/" class="titulo">A esquecida história da mortal epidemia de peste em Pernambuco</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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<p>Em Exu, o laboratório de peste ainda está de pé, com máquinas, mas fica fechado e não faz mais análises ou capturas de animais. De lá, as pesquisadoras levaram para a sede da Fiocruz-PE cadernos de laboratório e várias lâminas com pulgas preservadas.</p>



<p>Nos outros lugares que visitaram, não havia a mesma estrutura. Em Triunfo, o laboratório estava sendo encaixotado e esvaziado. O de Garanhuns não existe mais, todavia o prédio segue em boas condições. O serviço de São José do Belmonte, que fazia apenas capturas de animais, estava fechado.</p>



<p>Além de fazer o resgate dos registros históricos dessa epidemia quase esquecida, os pesquisadores queriam analisar as condições dos laboratórios para uma eventual necessidade de uso.</p>



<p>O último caso de peste registrado em Pernambuco foi em 1980, em Ipubi. Foi também a última morte no estado, encerrando uma epidemia que durou de 1976 a 1980. Desde os anos 1990, as ocorrências de peste humana no Brasil se limitam a raros e esporádicos casos. O último caso notificado de peste em ser humano foi em 2005, no município de Pedra Branca, no Ceará.</p>



<p>Mas se o estudo da peste ensinou alguma coisa, é que ela é impossível de ser erradicada.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Notícias do Diário de Pernambuco na década de 1960. Crédito: Acervo Biblioteca Nacional
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Doença milenar, a peste teve seu primeiro registro no livro de Samuel, do Antigo Testamento da Bíblia, que narra uma epidemia na cidade de Ashod, na Palestina, em 1320 antes de Cristo.</p>



<p>Durante a era cristã, ocorreram três grandes pandemias: a primeira, a Peste de Justiniano (542-602 d. C.), que começou no Egito e teria ajuda no declínio do Império Romano. A segunda, a devastadora Peste Negra, teve início na Ásia e se espalhou pelo norte da África e por toda a Europa, matando mais de 40 milhões de pessoas entre os séculos 14 e 16. A terceira pandemia é chamada de Contemporânea. Teve início na cidade de Yunnan, na China, no final do século 19, e do porto de Hong Kong se espalhou para áreas em que a peste nunca havia chegado, como as Américas.</p>



<p>Em junho de 1894, o bacteriologista franco-suíco Alexandre Yersin isolou o bacilo da peste pela primeira vez, em Hong Kong. Ele também demonstrou que a bactéria estava presente tanto no rato quanto no ser humano. Quatro anos depois, o médico francês Paul-Louis Simonddescobriu que a pulga era a ponte entre os dois. </p>



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<p>Os primeiros casos da doença no Brasil foram documentados em outubro de 1899 pelos cientistas Vital Brasil e Oswaldo Cruz. A porta de entrada foi o porto de Santos, em São Paulo, e a doença chegou ao Nordeste em 1900, com os primeiros casos em Fortaleza. Em Pernambuco, foi registrada pela primeira vez em 1902. A partir dos anos 1910, atingiu as zonas rurais de cidades do interior do Nordeste.</p>



<p>Há alguns aspectos da peste que ainda são incompreendidos pela ciência. Sabe-se que os roedores silvestres são reservatórios permanentes da<em> Yersinia pestis</em>, mas o mecanismo pelos qual as epidemias eclodem e acabam ainda não é totalmente compreendido. Estudos do Instituto Pasteur do Irã mostraram que a bactéria pode sobreviver alguns anos em tocas na terra, quando um animal doente morre e é decomposto. Em superfícies, vive apenas por poucas horas ou dias. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>“</strong>Os flagelos, na verdade, são uma coisa comum, mas é difícil acreditar neles quando se abatem sobre nós. Houve no mundo tantas pestes quanto guerras. E contudo, as pestes, como as guerras, encontram sempre as pessoas igualmente desprevenidas.”</p>



<p><em>A peste</em>, Albert Camus</p>
</blockquote>



<p>Desde que os antibióticos foram desenvolvidos, é no começo dos surtos que os óbitos são mais prováveis de acontecer, porque ninguém espera que a peste volte depois de décadas ou até séculos de silêncio da doença.</p>



<p>“Os médicos não têm mais aulas de peste na faculdade e desconhecem os sintomas e quais antibióticos são eficazes. A estreptomicina foi o mais usado na época de combate à peste, mas atualmente tem as tetraciclinas e cloranfenicol. Se tratar o doente com penicilina, por exemplo, o paciente vai a óbito, porque é ineficaz contra a peste. Pode até ter uma impressão enganosa: <em>in vitro</em>, o exame de antibiograma dá que é sensível à penicilina, mas na prática o remédio não funciona”, explica Alzira Almeida.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/08/Missao-exu-sobreira-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/08/Missao-exu-sobreira.jpg" alt="Foto colorida de duas mulheres em uma sala onde funcionava antigo laboratório. Em primeiro plano, fotografada da cintura para cima, mulher de meia idade, cabelos castanhos curtos encaracolados, usa uma blusa azul turquesa e mostra uma placa encardida de cultura de material biológico. Ao seu lado esquerdo (à direita da imagem), porém mais distante da câmera, está a segunda mulher, idosa, cabelos brancos cursos e encaracolados, está com a mão direita levantada em direção à câmera." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Pernambuco abandonou vigilância da peste em 2017</strong></h2>



<p>Com tratamento eficaz e o último caso em Pernambuco tendo ocorrido há 43 anos, é compreensível que a peste esteja bem longe das prioridades de saúde de um governo. Mas, como é uma doença que passa por longos períodos de silêncio, pesquisadores defendem que pelo menos a vigilância epidemiológica continue sendo realizada nos municípios que, historicamente, são focos da peste.</p>



<p>Durante muito tempo, a vigilância era feita com a captura de roedores &#8211; tanto domésticos como silvestres &#8211; que ficavam de quarentena nos laboratórios. Quando morriam, passavam por necrópsia e era feita uma cultura para ver se carregavam a <em>Yersinia pestis</em>. Esse tipo de análise ainda é feito pontualmente, mas apenas para pesquisas acadêmicas.</p>



<p>Em 2007, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica mudando a metodologia de vigilância para o exame sorológico de mamíferos &#8211; geralmente cães e gatos de zonas rurais, nas cidades de foco. “O animal pode ter peste e morrer ou pode ter peste e se curar espontaneamente. Esses que se curam, principalmente cachorros, desenvolvem anticorpos que permanecem por longos meses, quase um ano, dependendo do animal e do tempo de vida. Podemos fazer uma vigilância retrospectiva”, explica Alzira Almeida.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
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                <a href="https://marcozero.org/do-laboratorio-de-exu-saiu-alzira-almeida-uma-das-maiores-especialistas-em-peste-do-mundo/" class="titulo">Do laboratório de Exu saiu Alzira Almeida, uma das maiores especialistas em peste do mundo</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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<p>Mas em Pernambuco desde 2017 nenhum tipo de vigilância é feito. “Na época, o governo do estado alegou que estava sem condições. É uma questão econômica: como o último caso humano em Pernambuco foi em 1980, logicamente os recursos minguaram e foram para outros problemas considerados maiores”, diz Alzira. Algumas prefeituras ainda continuaram por mais alguns poucos anos, a exemplo de Triunfo.</p>



<p>No Brasil, hoje, apenas três estados mantêm a vigilância epidemiológica nos focos de peste: Ceará, Minas Gerais e Alagoas. Em Pernambuco, o laboratório do Serviço Nacional de Peste, da Fiocruz-PE, é o único capaz de fazer diagnóstico da doença.&#8221;Quase sempre que se procura peste em animais nos municípios que tiveram focos, se encontra&#8221;, diz Alzira. </p>



<p>Para a pesquisadora da Fiocruz-PE Marise Sobreira, vice-coordenadora do Serviço Nacional em Peste, é fundamental manter a vigilância. “Quando a peste fica nesses períodos longos de silêncio, o maior risco é descontinuar a vigilância, e isso, infelizmente, foi o que vimos nessa viagem. Estão desconsiderando o silêncio da doença. Temos focos naturais da peste e deveria se investir também na formação dos profissionais, principalmente os novos, que não estudam mais a peste. Com a modernização e a reforma curricular, as faculdades de Medicina têm dado espaço para as tecnologias mais modernas e negligenciam essas áreas, que são importantes para a saúde pública”, afirma.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A peste como arma de bio-terrorismo</strong></h3>



<p>Nos Estados Unidos, a peste chegou na mesma onda do Brasil, em 1900. Nunca conseguiram eliminar a doença: de acordo com dados do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), há uma média de sete casos de peste por ano nos EUA. A grande maioria, 80%, é de casos de peste bubônica, a forma mais “leve” da doença.</p>



<p>Em 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) mapeou mais de 30 países onde ocorrem casos de peste. São entre mil e 2 mil casos humanos reportados a cada ano, mas a OMS acredita que esse número é bem maior, por conta da subnotificação. Nos últimos anos, os casos têm se concentrado em países africanos.</p>



<p>Após o 11 de setembro, e as novas políticas anti-terrorismo dos Estados Unidos, a peste passou a ser vista como uma possível arma para um ataque bioterrorista. “ A <em>Yersinia pestis</em> provavelmente seria usada em um ataque de aerossol, com pequenas partículas ou gotículas contendo a bactéria sendo liberadas no ar (por exemplo, poeiras, névoas ou vapores). As pessoas que inalam a <em>Yersinia pestis</em> podem então desenvolver peste pneumônica, a forma mais grave da doença e a única que pode ser transmitida de pessoa para pessoa”, diz o site do CDC. Não há nenhum registro do uso da peste como arma biológica.</p>



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			</item>
		<item>
		<title>Estudo calcula 20 mil crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual no Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/estudo-calcula-20-mil-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-exploracao-sexual-no-grande-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 May 2023 17:31:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[crianças e adolescentes]]></category>
		<category><![CDATA[exploração sexual]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[freedom fund]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=55356</guid>

					<description><![CDATA[<p>Hoje, 18 de maio, Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual das Crianças e Adolescentes. Por essa razão, neste mês está sendo lançado um conjunto de estudos que revelam um cenário desolador na Região Metropolitana do Recife, com uma estimativa de 20 mil crianças e adolescentes em situação de exploração sexual comercial. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hoje, 18 de maio, Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual das Crianças e Adolescentes. Por essa razão, neste mês está sendo lançado um conjunto de estudos que revelam um cenário desolador na Região Metropolitana do Recife, com uma estimativa de 20 mil crianças e adolescentes em situação de exploração sexual comercial. </p>



<p>Realizada pela<a href="https://freedomfund.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Freedom Fund</a> em parceria com a <a href="https://www.cpqam.fiocruz.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fiocruz</a> e a ONG <a href="https://gestos.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gestos</a>, a pesquisa &#8220;Um holofote sobre vítimas invisíveis: crianças em situação de exploração sexual comercial na RMR, Pernambuco, Brasil&#8221; ouviu 603 profissionais do sexo, atualmente com idades entre os 18 e os 21 anos, que estiveram envolvidas há pouco tempo em situações de Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes (ESCCA). </p>



<p>Todas as entrevistadas pela pesquisa eram mulheres cis. Por questões éticas, a equipe de pesquisa não pôde entrevistar pessoas com idade inferior a 18 anos que estão atualmente submetidas a situações de abuso ou exploração. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<p>De acordo com Débora Aranha, do Freedom Fund, não existe outra pesquisa atual no Brasil que tenha estimado a população de crianças e adolescentes exploradas sexualmente. &#8220;As pesquisas existente trabalham basicamente com os dados oficiais nos registros, que são extremamente subnotificados&#8221;, afirma. </p>



<p>Mas analisando as pesquisas mais antigas sobre o tema, Recife fica em uma péssima posição. &#8220;Uma outra pesquisa da Fiocruz, já antiga, apontou que na capital pernambucana 63% das profissionais do sexo foram exploradas sexualmente com menos de 18 anos, e era a maior porcentagem entre as 12 capitais pesquisadas&#8221;, cita. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Perfis de envolvidos na exploração sexual comercial </h2>



<p>Outra pesquisa sobre o tema e também lançada neste mês foi realizada pelo Freedom Fund em parceria com Instituto Promundo e, por meio de 52 entrevistas qualitativas, traçou dois tipos de perfis: o da pessoa que pratica a exploração sexual contra a criança e/ou adolescente, e o perfil de facilitadores envolvidos na organização do processo de exploração sexual comercial e que se beneficiam desta exploração.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Perfil do explorador-comprador:</strong></h3>



<p class="has-text-align-left">• Homem entre 40 e 50 anos, casado, com uma boa condição financeira (em comparação à criança e/ou adolescente).<br><br><strong>• </strong>Não possui relação familiar com as vítimas.<strong><br></strong><br>• 50% têm uma clara preferência por pessoas com menos de 18 anos (percentual estimado por adultos que fazem trabalho sexual).<br><br>• Majoritariamente brasileiros, mas em territórios turísticos são encontrados também estrangeiros.<br><br>• O que leva os homens a esse tipo de comportamento é uma característica negativa e intrínseca aos mesmos, descrita como “safadeza”. A “safadeza” é entendida como uma escolha dos homens, não uma patologia.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Perfil do explorador-facilitador:</strong></h3>



<p>• Entre todos os perfis de entrevistados, a maior parte dos relatos apontou para uma recorrência significativa de mães intermediando seus/suas filhos/as.<br><br><strong>• </strong>A situação econômica das famílias está diretamente ligada à ocorrência da ESCCA.<br><br>• É menos claro quantas mães ou familiares sabem que suas filhas estão envolvidas na ESCCA e não fazem nada para impedir a exploração, contra quantas usam força ou ameaças para submeter suas filhas à ESCCA.<br><br>• Guias turísticos podem ser intermediários das situações de exploração.<br><br>• Em relação aos valores recebidos em troca dos atos sexuais e ao montante que é repassado para a criança/adolescente, os entrevistados estimam que aproximadamente entre 5% e 25% dos valores ficam com a criança/adolescente, enquanto o restante é retido pelo/aintermediário/a.</p>



<p>Os estudos foram financiadas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, no âmbito do Programa para Erradicação da Escravidão Moderna, por meio do Freedom Fund.Há também outro estudo feito pela Universidade Federal de Pernambuco com a Universidade de Nottingham, também em parceria com o Freedom Fund, que analisou as experiências de atendimento nos serviços de apoio. Todas os estudos estão disponíveis no <a href="https://freedomfund.org/programs/hotspot-projects/brazil-hotspot/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site da Freedom Fund</a>. </p>



<h3 class="wp-block-heading">Duas perguntas para Débora Aranha, do Freedom Fund no Brasil</h3>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/05/18-de-maio-abuso-banner.jpg" alt="Cartaz em dois tons de laranja com desenho de uma flor de pétalas amarelo escuro e botão central laranja, ao lado de frases escritas em letras pretas: 18 de Maio - Faça Bonito - Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes." class="" loading="lazy" width="394">
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<p><strong>A pesquisa mostra dados chocantes da exploração sexual no Grande Recife, como o fato de 21,3% das entrevistadas tinham menos de 15 anos quando estiveram envolvidas numa situação de ESCCA pela primeira vez. Como o poder público pode/deve agir para proteger as crianças e adolescentes?<br></strong>Existem muitas ações que precisam ser feitas pelo poder público para erradicar a exploração sexualidade de crianças e adolescentes, no campo da prevenção, responsabilização de autores e atendimento a crianças e adolescentes vítimas. As pesquisas apresentam dezenas de recomendações, com destaque para a necessidade de elaboração de um plano setorial de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, que estabeleça prioridades, garanta orçamento adequado e articule as políticas e programas de forma que não sejam ações isoladas. <br><br>Há um grande desafio na prevenção, que não está garantida nem na legislação nem na política, e é fundamental: uma estratégia de prevenção onde a escola possua um papel central na educação para auto-proteção da violência sexual, na identificação dos sinais do abuso e da exploração sexual e notificação de casos. É preciso que os profissionais do sistema de garantia de direitos da criança e do adolescentes sejam qualificados para o atendimento adequado e bom acolhimento das vítimas, de forma empática, e levando em consideração a criança como um sujeito de direitos. O acesso ao sistema especializado de justiça da infância e juventude também precisa melhorar. É fundamental a integração dos serviços e a implantação da lei da escuta protegida. Essas são algumas das ações fundamentais. Além disso é importante que o poder público fortaleça as ações de enfrentamento ao racismo e a violência de gênero, visto que as vítimas são na maioria meninas negras.</p>



<p><strong>Qual a importância de pesquisas como essas para a construção de políticas públicas de enfrentamento a ESCCA?</strong><br>Esperamos que essas pesquisas possam informar as políticas públicas e os programas para que elas sejam mais efetivas, baseadas nos dados científicos. E baseada também no que as crianças e adolescentes, que são vítimas e são atendidas nos serviços de apoio, nos dizem. As políticas públicas precisam estar baseadas em dados científicos robustos e nas vozes das crianças e adolescentes sobreviventes. Estas pesquisas nos trazem essas perspectivas.</p>



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		<title>Pobres do Recife têm três vezes mais chances de pegar dengue do que ricos e classe média</title>
		<link>https://marcozero.org/pobres-do-recife-tem-tres-vezes-mais-chance-de-pegar-dengue-do-que-ricos-e-classe-media/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Apr 2023 19:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[arbovirose]]></category>
		<category><![CDATA[chikungunya]]></category>
		<category><![CDATA[dengue]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quanto menor a renda, mais fácil para um morador do Recife ser contaminado por uma arbovirose. A diferença da “força da infecção” chega a três vezes entre os moradores de um bairro rico e de um bairro pobre. Enquanto a grande maioria da população tem anticorpos contra algum dos quatro tipos de dengue, doença que [&#8230;]</p>
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<p>Quanto menor a renda, mais fácil para um morador do Recife ser contaminado por uma arbovirose. A diferença da “força da infecção” chega a três vezes entre os moradores de um bairro rico e de um bairro pobre. Enquanto a grande maioria da população tem anticorpos contra algum dos quatro tipos de dengue, doença que voltou a circular por aqui há mais de 25 anos, metade já teve zika, que teve seus primeiros casos no Recife há oito anos. As conclusões são de uma pesquisa sobre arboviroses na população recifense realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco (Fiocruz-PE).</p>



<p>“A diferença entre classes sociais é, na verdade, algo bem óbvio”, diz a pesquisadora Cynthia Braga, que liderou os estudos. As pesquisas foram realizadas em duas etapas com coletas em 2005/2006 e em 2018/2019. “A transmissão das arboviroses é muito alta em toda cidade, mas a maior intensidade de transmissão se dá nos ambientes mais pobres, nos bairros mais precários”, diz.</p>



<p>A Fiocruz-PE visitou residências em três áreas socioeconômicas e ambientais distintas de Recife. Nas duas fases foram recolhidas e analisadas amostras de sangue de apro dois mil indivíduos.</p>



<p>Na <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19896921/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">primeira pesquisa</a>, a soroprevalência da dengue &#8211; ou seja, a detectação de exposição prévia ao vírus &#8211; foi alta em todas as camadas sociais. Mas houve diferenças importantes: 74,3% dos moradores de áreas com melhores condições socioeconômicas &#8211; no estudo, os bairros de Casa Forte e Parnamirim &#8211; já haviam tido um dos quatro tipos de dengue. A pesquisa não fez diferenciação entre os quatro tipos. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-que-falta-para-a-vacina-contra-a-dengue-chegar-aos-postos-de-saude/" class="titulo">O que falta para a vacina contra a dengue chegar aos postos de saúde</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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<p>Nos bairros mais pobres, esse percentual dá um salto para 91,1% &#8211; o bairro utilizado foi Brasília Teimosa. O bairro intermediário foi o Engenho do Meio, e, por lá, a soroprevalência ficou apenas um pouco menor do que no bairro mais pobre, com 87,4%. </p>



<p>A força da infecção, porém, é bem maior nos bairros de baixa renda. A pesquisa verificou que 59% das crianças já haviam sido expostas ao vírus da dengue aos 5 anos de idade. A estimativa da força de infecção foi três vezes maior do que na área privilegiada. O risco de infecção aumentou com a idade nas três áreas. “Nas áreas intermediárias e privilegiadas, as curvas de prevalência por idade atingiram platôs por volta dos 20 anos, sugerindo que, em vez de uma força constante de infecção, elas experimentaram picos de incidência em algum momento nos últimos 20 anos”, diz o artigo sobre a primeira pesquisa.</p>



<p>A segunda fase para o recolhimento de amostras ocorreu entre 2018 e 2019, já com um cenário em que duas novas arboviroses estavam circulando no Recife: a zika e a chikungunya, que foram o foco do estudo.</p>



<p>O artigo sobre a pesquisa está em <em>pré-prin</em>t, ou seja, ainda não foi revisado por pares, mas mostra um cenário preocupante: a primeira onda de chikungunya e zika foi um verdadeiro tsunami no Recife. Após a chegada dos vírus, em 2014/2015, cerca de 50% (zika) e 30% (chikungunya) da população do Recife apresentava marcadores de exposição a essas arboviroses, demonstrando a alta vulnerabilidade da população para as doenças transmitidas pelo mosquito <em>Aedes aegypti</em>.</p>



<p>Cynthia Braga conta que muitas vezes as três infecções são confundidas e quando está ocorrendo uma alta de casos de dengue, pode ser, na verdade, zika ou chikungunya. “Até o exame feito durante a infecção dá muita reação cruzada. A zika é muito difícil de diferenciar, porque nem sempre apresenta as manchinhas vermelhas. Às vezes é somente uma febre, uma moleza. Então, esse rastreamento posterior é importante para mostrar o tamanho dessa primeira onda de zika no Recife”, diz a pesquisadora.</p>



<p>Ela cita um outro estudo de rastreio de arboviroses, também realizado entre 2018/2019, mas feito somente com grávidas, em uma maternidade. “Surpreendentemente, a maior parte das infecções prévias era de Chikungunya e Zika. Praticamente não encontramos casos de dengue. O sistema de notificação diz que é dengue, mas muitas vezes é chikungunya ou zika. O diagnóstico só na clínica é muito difícil de diferenciar”, explica.</p>



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	                                        <p class="m-0">Primeiro surto do zika vírus em Pernambuco provocou nascimento de crianças com microcefalia. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Acesso à água é um dos pilares da prevenção </strong></h2>



<p>Os altíssimos índices de soroprevalência não são por acaso: dois terços da população recifense vive em áreas de alto risco para arboviroses. “As cidades nordestinas têm condições ambientais favoráveis para as arboviroses: temperatura ideal e a falta de estrutura”, aponta Cynthia.</p>



<p>Ela cita a irregularidade no fornecimento de água como um dos principais fatores de risco, principalmente nas áreas mais pobres. “Sem ter água todo dia nas torneiras, as pessoas vão ter que acumular água em caixas d&#8217;água, tonéis, bacias. As arboviroses são uma consequência da falta de saneamento, da falta de estrutura urbana da cidade. Temos 60% da população vivendo em condições precárias. É sujeira, meio ambiente degradado, tudo isso favorece a proliferação dos mosquitos”, diz.</p>



<p>As infecções por zika e chikungunya, segundo o estudo mais recente, foram associadas a níveis educacionais mais baixos como indicador de desigualdades em saúde e um fator de risco independente para a infecção em quase todas as camadas socioeconômicas. Além disso, viver em uma casa, em vez de um apartamento, aumentou em três vezes o risco de exposição à infecção por chikungunya ou zika. “No Recife, nos bairros mais ricos as pessoas moram em edifícios, o que dificulta para o mosquito. E também há a super população das habitações nos bairros pobres”, diz a pesquisadora.</p>



<p>Para Cynthia Braga, a prevenção às arboviroses passa sim pelo desenvolvimento de vacinas e por novas tecnologias &#8211; como os <a href="https://portal.fiocruz.br/noticia/pesquisador-fala-sobre-importancia-da-expansao-da-producao-de-mosquitos-com-wolbachia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mosquitos modificados</a> que estão sendo testados pela Fiocruz &#8211; mas a principal ferramenta de prevenção é o saneamento básico, com acesso universal à água encanada.</p>



<p>“Vacinas são importantes, mas não resolvem o problema. Outras arboviroses podem aparecer. Há dez anos, por exemplo, não tínhamos aqui nem zika, nem chikungunya. Então a gente roda e roda e volta para a questão da pobreza, da miséria, das condições de vida da população. É preciso se pensar a médio e longo prazo em termos de cidades saudáveis para todos. E a saúde tem que ser um tema transversal a todas as políticas urbanas. Não só para arboviroses, mas para tantas outras doenças que temos no Recife, como a leptospirose, tudo passa pelo saneamento, pelo acesso à água, pela limpeza, pela educação. Será que um país como o Brasil não tem condições de melhorar as vidas nas cidades?”, questiona.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Dengue em alta pelo Brasil</h3>



<p>Depois de um período com queda de casos &#8211; ou queda de notificações? &#8211; durante a pandemia, o número de casos de dengue têm voltado aos patamares “normais” ou até ultrapassando a média histórica.</p>



<p>O Brasil teve 1.016 mortes por dengue no ano passado, segundo o Ministério da Saúde. Foi o recorde de óbitos pela doença, ficando na frente de 2015, quando 986 mortes foram registradas. O que vem chamando a atenção de pesquisadores é que em lugares com climas mais amenos a dengue tem avançado. No ano passado, por exemplo, o Rio Grande do Sul registrou 66 óbitos pela doença, sendo o quinto estado com mais mortes. O centro-oeste é o que tem concentrado o maior número de casos, em 2023. </p>



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<p>Os meses entre janeiro até o final de junho são considerados a época de sazonalidade das arboviroses. Mas essa sazonalidade está cada vez mais difícil de se perceber, com a doença ocorrendo ao longo de todo o ano.</p>



<p>“Antes, quando circulava só dengue, havia uma sazonalidade mais definida. Após o período das chuvas é que circulava mais, mas como temos a circulação de três vírus distintos, não conseguimos enxergar muito essa sazonalidade. Nos últimos anos, tem realmente sido nos primeiros meses do ano. Mas em geral o vírus circula permanentemente. Quando o sistema de informação identifica o aumento de casos, o vírus já está circulando na população com intensidade. O sistema detecta tardiamente, cerca de um mês depois”, diz Cynthia.</p>



<p>O boletim epidemiológico mais recente de Pernambuco aponta 6.539 casos suspeitos de dengue, 1.721 de chikungunya e 270 de Zika. Não houve nenhuma confirmação de óbito para dengue, nem zika, mas foram confirmadas duas mortes por chikungunya.</p>



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		<title>Instituto Butantan procura voluntários para teste da nova vacina da gripe no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/instituto-butantan-procura-voluntarios-para-teste-da-nova-vacina-da-gripe-no-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Mar 2023 18:19:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Butantan]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[gripe]]></category>
		<category><![CDATA[Hospital Português]]></category>
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		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Instituto Butantan precisa da ajuda dos pernambucanos para implementar uma vacina mais eficaz contra a gripe. Hoje, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece para a população a vacina trivalente, que protege contra três cepas do vírus influenza, causador da gripe. Mas é possível comprar em clínicas privadas a vacina tetravalente, mais completa, já [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Instituto Butantan precisa da ajuda dos pernambucanos para implementar uma vacina mais eficaz contra a gripe. Hoje, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece para a população a vacina trivalente, que protege contra três cepas do vírus influenza, causador da gripe. Mas é possível comprar em clínicas privadas a vacina tetravalente, mais completa, já que é eficaz contra quatro cepas. É para levar também para o SUS uma vacina tetravalente que foram reabertos os testes aqui no Recife.</p>



<p>Para essa nova etapa, estão sendo aceitos como voluntários crianças e adolescentes entre 3 e 17 anos (que devem ser levados pelos pais ou responsáveis) e idosos com idade maior ou igual a 60 anos. Todos os participantes irão receber uma vacina da gripe: a maioria vai receber a nova formulação tetravalente e os demais a vacina trivalente que já é aplicada no SUS. Ou seja, nenhum voluntário vai receber placebo (substância sem efeito) e todos estarão de certa forma protegidos contra a gripe. Todas são vacinas atualizadas, com proteção contra a cepa Darwin, que causou o <a href="https://marcozero.org/em-meio-a-apagao-de-dados-veja-o-que-voce-precisa-saber-sobre-os-novos-surtos-do-virus-da-gripe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">surto no final de 2021 e começo de 2022</a>.</p>



<p>O estudo da vacina tetravalente deveria ter ficado pronto no ano passado, mas não conseguiu voluntários suficientes entre crianças e idosos. Isso porque os protocolos da pesquisa só permitiam a participação de crianças que nunca haviam se vacinado na vida e de idosos que não haviam sido vacinados ainda naquele ano.</p>



<p>“A possibilidade de se encontrar uma criança, desta faixa etária, nunca vacinada contra a gripe é muito remota, e por este motivo essa faixa etária não foi preenchida. No outro extremo, a faixa etária de 60 anos também não foi completamente preenchida, pois a maioria desta população já estava vacinada (por ser grupo prioritário) e pelo fato da campanha de vacinação contra a gripe já estar bem avançada em 2021, quando iniciamos o estudo”, explica o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco (Fiocruz-PE) Rafael Dhalia, que é um dos coordenadores do estudo da nova vacina da gripe.</p>



<p>Os novos protocolos, aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), agora permitem uma participação mais ampla de voluntários. Só não podem participar pessoas que já tomaram a vacina da gripe em 2023, pessoas com doenças crônicas não controladas; pessoas que fazem uso de medicamento imunossupressor; alérgicos a ovo; e grávidas ou pessoas que têm intenção de engravidar.</p>



<p>O objetivo do estudo é conseguir dois mil voluntários em quatro meses de recrutamento. Quem participar será acompanhado até o fim da pesquisa por uma equipe multidisciplinar formada por médicos, farmacêuticos e biomédicos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Quem quiser ser voluntário e colaborar para que a vacina tetravalente chegue mais rapidamente ao SUS, deve ligar a partir desta sexta-feira (17) para o número (81) 3416-7967 ou enviar uma mensagem para os WhatsApps: (81) 99476-2173 (81) 99487-6755 (81) ou 998951-7781 para marcar a vacinação. Além do Butantan e da Fiocruz, são parceiros da pesquisa o Instituto Autoimune de Pesquisa e Educação Continuada e o Real Hospital Português, onde é feita a vacinação. Também é possível se inscrever pelo site: <a href="https://materiais.institutoautoimune.com.br/vacina-influenza" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://materiais.institutoautoimune.com.br/vacina-influenza</a></p></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Três perguntas para Rafael Dhalia, coordenador da pesquisa</strong></h3>



<p><strong>Quais as vantagens de se participar de um estudo como esse, que não usa placebo?<br></strong>A grande vantagem é que além de ter uma chance quatro vezes maior de tomar a vacina Tetravalente da Gripe, que hoje só está disponível na rede privada, todos os voluntários serão acompanhados por uma equipe multidisciplinar especializada formada por médicos, enfermeiras e farmacêuticos. Outra vantagem é que como não tem placebo, todos serão vacinados contra a gripe.</p>



<p><strong>Quando o estudo deve ser concluído e qual a previsão para essa vacina chegar no SUS?<br></strong>A previsão da vacina era já entrar no SUS em 2023, mas como o estudo teve de ser reaberto para concluir as faixas etárias não completamente preenchidas em 2021, acreditamos que conseguiremos concluir o estudo em 2023 e que a vacina Tetravalente da Gripe do Instituto Butantan chegue ao SUS em 2025.</p>



<p><strong>Por que é importante que o SUS tenha uma vacina tetravalente contra a gripe?<br></strong>As duas vacinas disponíveis no SUS, também produzidas pelo Instituto Butantan, são trivalentes: possuem duas cepas de Influenza A (H1N1 e H3N2) e uma cepa de Influenza B (que pode ser a Victoria ou a Yamagata). Todos os anos é feita uma vigilância de prevalência da dispersão das cepas virais de Influenza B, para identificar qual está mais prevalente no mundo. A mais prevalente é escolhida para fazer parte da formulação da vacina trivalente do ano seguinte. O problema é que nos últimos anos aumentou bastante a prevalência de ambas as cepas de Influenza B, fazendo-se necessário incluir as duas cepas (tanto a Victoria como a Yamagata) para aumentar a eficiência da vacina contra a gripe. Resumindo: a vacina tetravalente é importante para que o SUS ofereça para a população uma vacina ainda mais eficaz, que as vacinas trivalentes já disponíveis.</p>



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		<title>Casos de covid-19 voltam a aumentar depois do carnaval</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Mar 2023 20:47:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A notícia não é boa, mas, por conta das aglomerações no carnaval em todo o país, não chega ser surpreendente: o novo Boletim InfoGripe Fiocruz divulgado hoje, dia 10 de março, indica o aumento de casos de covid-19 pelo Brasil. Nas semanas anteriores, este crescimento estava restrito aos estados do Amazonas e São Paulo, mas, [&#8230;]</p>
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<p>A notícia não é boa, mas, por conta das aglomerações no carnaval em todo o país, não chega ser surpreendente: o <strong><u><strong><a href="https://agencia.fiocruz.br/sites/agencia.fiocruz.br/files/u34/resumo_infogripe_2023_09.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">novo Boletim InfoGripe Fiocruz</a> </strong></u></strong>divulgado hoje, dia 10 de março, indica o aumento de casos de covid-19 pelo Brasil. Nas semanas anteriores, este crescimento estava restrito aos estados do Amazonas e São Paulo, mas, agora, os dados indicam que essa tendência é nacional, com números mais significativos no Ceará e Rio de Janeiro, além dos primeiros sinais de aumento no Mato Grosso do Sul e Pará.</p>



<p>O boletim inclui os dados de 26 de fevereiro a 4 de março, com base nos dados inseridos no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) até o dia 6 de março.</p>



<p>Também há informações positivas no mais recente boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). De acordo com o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, os dados apontam para desaceleração do crescimento entre as crianças e adolescentes, pois o avanço da doença está acontecendo entre a população adulta. Ainda assim, a ocorrência de casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG) entre crianças e adolescentes não está necessariamente associada à covid, pois em alguns estados há um ligeiro crescimento de notificações por rinovírus, causa mais frequente do resfriado comum.</p>



<p>&#8220;O aumento de SRAG em crianças observado em estados de todas as regiões do país ainda não possui associação clara com algum vírus respiratório específico. Na Bahia, no Mato Grosso do Sul, no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em São Paulo, existe o aumento nos casos positivos para rinovírus nas crianças até 11 anos&#8221;, informou Marcelo Gomes.</p>



<p>O boletim indica que, o Sars-CoV-2, o vírus da covid-19, foi responsável por quase metade (49,7%) dos testes com resultado positivo entre pacientes com sintomas respiratórios nas últimas quatro semanas epidemiológicas, além de 2,8% para influenza A; 3% para influenza B; e 26,8% para vírus sincicial respiratório (VSR). A covid também foi responsável por 91,4% dos óbitos de pacientes do SRAG.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Aumento em 18 estados</strong></h2>



<p>Dezoito estados apresentam crescimento de SRAG nas últimas seis semanas, mas Pernambuco não aparece nessa lista, composta por Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.</p>



<p>O boletim informa que “no Amazonas, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo, observa-se crescimento em praticamente todas as faixas etárias analisadas. No Amazonas, os dados laboratoriais apontam associação principalmente ao aumento de casos de covid-19, porém aliado ao crescimento simultâneo de casos de gripe por influenza A”. No Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo, há crescimento de covid-19 na população adulta, mas ainda não é possível identificar causa específica entre os casos em crianças e adolescentes.</p>



<p>No Pará e Mato Grosso do Sul, como mencionado antes, também se verifica indícios iniciais de aumento de covid na população a partir de 80 anos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Vacinação ampliada</strong></h3>



<p>Pernambuco avança nova fase de imunização com vacinas bivalente e atualiza esquema vacinal para crianças imunocomprometidas<br><br>Desde quarta-feira (08), pessoas acima de 60 anos já podem tomar a vacina bivalente da Pfizer contra a covid-19. A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) estima que quase 700 mil pessoas vão poder se imunizar nesta nova fase.<br><br>As vacinas bivalentes estavam até então apenas para maiores de 70 anos, imunocomprometidos e outros grupos. A procura, porém, tem sido pouca: apenas cerca de 20 mil doses foram aplicadas desde o início da campanha, há dez dias.<br><br>A SES-PE também atualizou o esquema em crianças imunocomprometidas de 5 a 11 anos de idade. A partir de agora, o esquema de proteção contra a covid-19 tem três doses e uma aplicação de reforço, quatro meses após a terceira dose.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/especialistas-explicam-porque-vacinar-criancas-contra-a-covid-e-necessario-e-seguro/" class="titulo">Especialistas explicam porque vacinar crianças contra a covid é necessário e seguro</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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