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	<title>Arquivos grafitti - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 02 May 2024 20:57:33 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos grafitti - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Cor, arte e fé nas crianças marcam o mutirão de graffiti no Córrego do Sargento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 May 2024 20:42:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Córrego do Sargento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se tem uma coisa que criança gosta é de brincar e estar junto de outras crianças. Foi esse o retrato do mutirão de graffiti que aconteceu no Córrego do Sargento, comunidade do bairro de Linha do Tiro, na zona norte do Recife. Com pincéis, tintas e sprays nas mãos, meninos e meninas ajudaram a colorir [&#8230;]</p>
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<p>Se tem uma coisa que criança gosta é de brincar e estar junto de outras crianças. Foi esse o retrato do mutirão de graffiti que aconteceu no Córrego do Sargento, comunidade do bairro de Linha do Tiro, na zona norte do Recife. Com pincéis, tintas e sprays nas mãos, meninos e meninas ajudaram a colorir as ruas da comunidade. Foram aproximadamente 50 pessoas, entre moradores e voluntários, que não deixaram a chuva que caiu no final de semana passado atrapalhar a ação.</p>



<p>Mas o dia não foi marcado apenas pelas pinturas nas paredes. Aconteceram duas oficinas, uma de pintura e outra de break dance, além do Cine RSS, com a exibição de dois filmes produzidos por cineastas recifenses, oferecidos pelos integrantes do coletivo <a href="https://www.instagram.com/originalrederrs/">Rede Resistência Solidária</a> (RSS).</p>



<p>Laisa Costa, de 12 anos, é moradora da rua Frei Jorge, que dá acesso ao Córrego e foi convidada pelas amigas para participar, entre as atividades, ela participou da competição de quem “estica” mais tinta, onde as crianças precisam pintar o maior espaço possível com o material disponibilizado. “A gente aprendeu sobre a arte e aprendeu sobre os nossos ancestrais. Eu já ouvi falar no <em>hip hop</em>, que às vezes o meu pai escutava, mas eu não seguia essas músicas. Eu gosto muito de arte desde pequena, então, eu aprendi que a arte é importante”, afirma a menina.</p>





<p>Diferente de Laisa, Pietra de Lima, de nove anos, é moradora do Córrego e participa do Projeto Social Riselda Amorim, um dos quase 20 projetos integrantes do Coletivo Sargento Perifa, atuante na comunidade. Para a pequena, ação serviu para aproveitar o tempo com os colegas. “Foi muito bom. Foi uma alegria, porque se não tivesse isso eu ia ficar na minha casa e não ia poder brincar (na rua)“, relata.</p>



<p>Este mutirão acontece há quase 20 anos pela RSS, são grafiteiros de diferentes bairros do Recife e Região Metropolitana, unidos de forma independente para levar a arte aos territórios periféricos. De acordo com o artista Galo de Souza, de 45 anos, estiveram na ação pelo menos dez artistas, mas, ao longo dos anos, já houve mutirão com 170 artistas participando.</p>



<p>“O objetivo do mutirão é ter essa troca mesmo, é fortalecer o grupo da comunidade que está puxando o mutirão. Quem faz é a comunidade e a gente faz a parte da cooperação, quem tá fazendo hoje é o Sargento Perifa e a gente tá somando junto como uma ciranda, de mãos dadas”, explica Galo, grafiteiro há quase 30 anos e um dos criadores do evento.</p>



<p>A ideia é que as ações sejam voluntárias e coletivas, contando apenas com a colaboração entre artistas e comunidade, que, geralmente, entra com alimentação e suporte, já os artistas entram com as artes, os materiais e o conhecimento. “É uma forma autônoma de fazer uma ação. A comunidade consegue um pequeno apoio, a gente vai conseguindo tintas por doações e vai fazendo assim, a ideia é que não dependa de projeto, de governo, de nada. Você faz uma ação independente e uma ação de caridade também, você doa um dia do mês da sua vida para estar pintando a comunidade, pintando com as crianças”, completa.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O coletivo Sargento Perifa é um coletivo de comunicação popular localizado no Córrego do Sargento, no bairro da Linha do Tiro. Com uma equipe majoritariamente jovem, o coletivo tem em torno de 70 integrantes, distribuídos em 20 projetos, que atuam para garantir a justiça social e a melhoria da comunidade através da saúde, esportes, educação e comunicação.</p>
        </div>
    </div>



<p>A ação acontece sempre no último domingo do mês em uma comunidade diferente. Trabalhos como esses são importantes para levar, através da arte, o embelezamento das ruas das periferias e para fortalecer o pertencimento dos moradores desses territórios. A ideia é que os artistas retornem ao Córrego do Sargento para continuar as pinturas nos locais previamente marcados, tendo em vista que a ação ficou limitada por causa da chuva.</p>



<p>“É interessante a gente resistir mesmo com o tempo nublado e chuvoso, resistir com cor e transmitir a mensagem de coragem para quem tem vontade de começar a pintar e não tem oportunidade. É especial”, afirma o artista Carlos Net, de 36 anos, que, assim como Galo, começou adolescente na grafitagem e hoje passa seus conhecimentos da arte para outras pessoas, principalmente crianças e adolescentes.</p>
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		<title>Córrego do Sargento recebe mutirão de graffiti no próximo domingo</title>
		<link>https://marcozero.org/corrego-do-sargento-recebe-mutirao-de-graffiti-no-proximo-domingo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Apr 2024 20:27:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Córrego do Sargento]]></category>
		<category><![CDATA[grafitti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma parceria entre o coletivo Sargento Perifa e a Rede Resistência Solidária (RRS) vai promover um dia inteiro de atividades voltadas para a cultura hip hop no Córrego do Sargento, comunidade do bairro de Linha do Tiro, na zona norte do Recife. O evento é colaborativo, aberto ao público e vai acontecer no próximo domingo [&#8230;]</p>
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<p>Uma parceria entre o coletivo <a href="https://www.instagram.com/sargento_perifa/">Sargento Perifa</a> e a <a href="https://www.instagram.com/originalrederrs/">Rede Resistência Solidária </a>(RRS) vai promover um dia inteiro de atividades voltadas para a cultura hip hop no Córrego do Sargento, comunidade do bairro de Linha do Tiro, na zona norte do Recife. O evento é colaborativo, aberto ao público e vai acontecer no próximo domingo (28), a partir das 9h.  </p>



<p>A programação vai até às 18h e inclui um mutirão de graffiti, oficina de <em>break dance</em> ministrada por Diego Galdino, batalha de rima e o cine RRS. A ideia é levar a cultura das ruas para os moradores, jovens e adultos, da comunidade, além de contribuir para o fortalecimento da periferia. </p>



<p>A Rede Resistência Solidária, composta por artistas e ativistas, atua desde 2005 transformando os territórios periféricos da Região Metropolitana do Recife com arte e cultura. A cada mês, eles levam ações para comunidades diferentes, levando o legado da colaboração e das expressões artísticas. </p>





<p></p>
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		<title>Amarémangue &#8211; 11º Encontro Internacional de Artes do Coletivo Pão e Tinta será no início de setembro, no Pina</title>
		<link>https://marcozero.org/amaremangue-11o-encontro-internacional-de-artes-do-coletivo-pao-e-tinta-sera-no-inicio-de-setembro-no-pina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Aug 2023 14:05:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Martihene Oliveira Já parou para refletir que a arte na periferia é uma porta para mudança de vidas? Por meio da arte, pessoas anônimas se tornam visíveis e gritos abafados são ouvidos. O coletivo Pão e Tinta, da comunidade do Bode, no Pina, zona sul recifense, desde 2012, movimenta o território com o graffiti. [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Martihene Oliveira</strong></p>



<p>Já parou para refletir que a arte na periferia é uma porta para mudança de vidas? Por meio da arte, pessoas anônimas se tornam visíveis e gritos abafados são ouvidos. O coletivo Pão e Tinta, da comunidade do Bode, no Pina, zona sul recifense, desde 2012, movimenta o território com o graffiti. Dispostos a provocarem o “sistema”, os jovens, que se tornaram referências na cidade, utilizam a arte como meio de transformação social com força ativa nas periferias da comunidade.</p>



<p>Por meio do trabalho do coletivo, espaços em abandono foram e são restaurados. Anualmente, o grupo produz um encontro internacional no qual junta diversos artistas para mensagens de protesto e provocação social que resgatam e fortalecem a juventude periférica. O Leilão em Chamas Pirata é outra iniciativa, com foco na economia criativa e no empreendimento periférico, remunerando artistas independentes. Se o assunto é a luta pelo direito à cidade, o Pão e Tinta é um dos protagonistas, na busca pela democratização dos espaços de cultura, seu núcleo reúne um grupo de debate que atua sob as nuances da diversidade.&nbsp;</p>



<p>Em 2023, o 11º Encontro Internacional de artes do Pão e Tinta &#8211;&nbsp; Amarémangue, será realizado entre os dias 6 e 10 de Setembro,&nbsp; e contará com 41 artistas selecionades, dos quais 10 no “monte sua panela”, projeto de curadoria que reúne indicação de nomes apresentados para votação, por 12 grupos da Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>Segundo a coordenadora do encontro deste ano, Yanni Inay, “a proposta é integrar os diferentes ramos da cultura ao debate social, unindo a arte ao ativismo e divulgando os ideais comunitários para o público com atrações ligadas ao cenário sócio-político local”. Conforme ela explica, a cada ano, um tema ligado à cultura é escolhido e é explorado nos murais de graffiti entrelaçados com outras expressões artísticas enfatizando a cultura Hip Hop que, para além do graffiti, também alcança os dj’s, rappers, mc’s e o breaking.&nbsp;</p>



<p>A cultura tradicional como coco, capoeira, maracatu e forró pé-de-serra também fazem parte da programação, sempre respeitando “a paridade de gênero e buscando contemplar a maior diversidade de artistas, seja por questões territoriais ou tempo de experiência, principalmente artistas LGBTQI+, que se destacam não só no graffiti, mas também em performances, poesias e apresentações musicais”, complementa.&nbsp;</p>



<p>Para a realização do festival, o Pão e Tinta conta com a parceria da Coletiva Cabras e da Livroteca Brincante do Pina, ambas da comunidade do Bode. Além destes, o <a href="http://pacs.org.br/">Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs)</a> &nbsp;e as secretarias executivas da Juventude, da Inovação Urbana e da Cultura também apoiam as atividades.&nbsp;</p>



<p>Por não possuir muitas fontes de renda, o grupo precisa de mesas, cadeiras, alimentos não perecíveis, materiais de limpeza e materiais de pintura. O pix disponível é <a href="mailto:paoetinta@gmail.com">paoetinta@gmail.com</a> .</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Confira a programação completa:</strong></p><p>06/09 &#8211; Abertura do evento &#8211; Recepção e credenciamento dos artistas;</p><p>07/09 &#8211; Mutirão de Graffiti, corte de cabelo, pintura de rosto e cultural na Livroteca Brincante do Pina;</p><p>08/09 &#8211; Vivência artística, oficinas e produção de telas;</p><p>09/09 &#8211; Pintura de painéis, oficinas e cultural na Livroteca Brincante do Pina.</p><p>10/09 &#8211; Pintura de painéis, oficinas, oficinas infantis, batalha de tag, batalha de rima, batalha de breaking, roda de diálogo sobre os 50 anos de Hip-Hop e encerramento cultural na Livroteca Brincante do Pina.&nbsp;</p></blockquote>
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		<title>Coletivo Pão e Tinta celebra dez anos levando arte periférica para galeria do Sesc Santo Amaro</title>
		<link>https://marcozero.org/coletivo-pao-e-tinta-celebra-dez-anos-levando-arte-periferica-para-galeria-do-sesc-santo-amaro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 May 2022 14:33:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[arte periférica]]></category>
		<category><![CDATA[arte urbana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quantas lutas cabem em uma década? Quantas missões cabem em uma dádiva? Quantas voltas nós damos em uma década fechada? Com quantas palafitas se faz morada? É com essas provocações que o Pão e Tinta (@coletivopaoetinta), coletivo de artistas e ativistas residentes na Comunidade do Bode, zona sul do Recife, completa dez anos. Desde 2012 [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quantas lutas cabem em uma década? Quantas missões cabem em uma dádiva? Quantas voltas nós damos em uma década fechada? Com quantas palafitas se faz morada? É com essas provocações que o Pão e Tinta <a href="https://www.instagram.com/coletivopaoetinta/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(@coletivopaoetinta)</a>, coletivo de artistas e ativistas residentes na <a href="https://marcozero.org/organizacoes-ocupam-predio-publico-abandonado-na-zona-sul-do-recife-e-reivindicam-centro-cultural/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Comunidade do Bode</a>, zona sul do Recife, completa dez anos. Desde 2012 que diversos artistas visuais <a href="https://marcozero.org/corpxs-em-alvo-festival-na-comunidade-do-bode-promove-politica-com-tintas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">promovem política e resistência</a> nos muros. Sob o lema “pão para viver e tinta para pintar pelo que viver”, o grupo constrói uma política feita na base e que discute direito à cidade, moradia, juventude, racismo e violência.</p>



<p>Para coroar os 10 anos de vida, o coletivo inaugura, nesta quarta-feira, 25 de maio, a exposição coletiva “Pão e Tinta: Uma Década”, no Sesc Santo Amaro (Praça do Campo Santo, 1101), área central da cidade, às 19h. Com curadoria de Pedro Stilo, serão expostas obras de artistas do coletivo e da cena do graffiti recifense, com destaque para uma enorme palafita no centro da galeria, feita com pedaços das <a href="https://marcozero.org/depois-do-fogo-dia-de-fazer-o-rescaldo-e-de-recomecar-a-vida-nas-palafitas-do-pina/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">palafitas do Pina que queimaram</a> recentemente.</p>



<p>“A arte também é uma forma de denúncia e nós sempre fizemos o debate da moradia digna e do direito à cidade”, ressalta Stilo, que, além de curador, é comunicador periférico e acelerador social. Ele também lembra as muitas transformações sociais e artísticas feitas no Pina através do Pão e Tinta e que muita coisa ainda precisa ser feita e passada à frente. Anualmente o coletivo promove um festival que toma os becos do Bode com arte, debates, shows, apresentação, batalha de MCs e serviços à comunidade.</p>



<p>O último festival presencial foi em 2019. Veja <a href="https://marcozero.org/corpxs-em-alvo-festival-na-comunidade-do-bode-promove-politica-com-tintas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> a cobertura da Marco Zero:</p>





<p>“Foi uma década de amadurecimento, de ouvir, aprender, ensinar e se consolidar como um grande coletivo respeitado pelas construções em rede”, comemora Stilo, reforçando que o desafio constante é o “de se manter ativo, viver da parada sem ser envolvido e estar nos espaços políticos mais com os pés no movimentos sociais”.</p>





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		<title>&#8220;Corpxs em Alvo&#8221;: festival na Comunidade do Bode promove política com tintas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Sep 2019 21:41:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade do Bode]]></category>
		<category><![CDATA[grafitti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Festival Internacional Pão e Tinta, que acontece há oito anos na Comunidade do Bode, Zona Sul do Recife, já se consolidou como uma das principais datas do grafitti no Brasil. É um evento sobre arte, mas principalmente sobre política. Política feita na base, política que discute direito à cidade, juventude, racismo e violência. Com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://www.paoetinta.siteo.one" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Festival Internacional Pão e Tinta</a>, que acontece há oito anos na Comunidade do Bode, Zona Sul do Recife, já se consolidou como uma das principais datas do <em>grafitti</em> no Brasil. É um evento sobre arte, mas principalmente sobre política. Política feita na base, política que discute direito à cidade, juventude, racismo e violência.</p>
<p>Com o tema “Corpxs em Alvo”, durante três dias, de 6 a 8 setembro (sexta a domingo), dezenas de artistas de vários estados se reuniram para pintar os muros da comunidade tradicional pesqueira onde vivem 25 mil pessoas, cravada no bairro do Pina, um dos metros quadrados mais caros do país. Também veio gente do Equador, da Argentina, França e Alemanha.</p>
<p><div id="attachment_18870" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/PÃO-E-TINTA036_menor.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18870" class="wp-image-18870 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/PÃO-E-TINTA036_menor-1024x682.jpg" alt="(crédito: Thiago Miranda/divulgação)" width="702" height="467"></a><p id="caption-attachment-18870" class="wp-caption-text">Na foto, o trabalho de Alexsandra (@alexsandraribeiro_dinha), do Bode e moradora do Farol. Crédito: Thiago Miranda/Divulgação</p></div></p>
<p>“Não são só os muros pintados. Pintar se tornou a parte mínima, o Pão e Tinta é um movimento político”, resume Shell Osmo (<a href="https://www.instagram.com/shell.osmo/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@shell.osmo</a>), artista e um dos idealizadores e organizadores do festival. “No mês de setembro, a gente passou a ir para a capa dos jornais, e não foi com morte nem carro roubado”.</p>
<p>“Cada dia mais o Pão e Tinta se transforma num coletivo de arte que pauta a política, de maioria favelada e preta, todo ano com um tema que reflete a nossa realidade”, explica Stilo Santos (<a href="https://www.instagram.com/stilosantos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@stilosantos</a>), acelerador social, agitador cultural e também um dos idealizadores e organizadores. Sobre os corpos que sempre estiveram em alvo, ele conta que perdeu 26 amigos vítimas de homicídio em 2017. “Não é fácil descapitalizar. Por isso temos que nos aquilombar nas lutas, descristalizar esse sistema nos juntando”.</p>
<p><div id="attachment_18865" style="width: 806px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/paoetinta2019.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18865" class="size-full wp-image-18865" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/paoetinta2019.jpg" alt="(arte: Wendell Araújo - @wendellnarkedmi)" width="796" height="960"></a><p id="caption-attachment-18865" class="wp-caption-text">Arte: Wendell Araújo &#8211; @wendellnarkedmi</p></div></p>
<p>O Festival Pão e Tinta é sobre isso, é sobre a força de resistir e salvar vidas. O mais recente Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicado em junho, mostrou um patamar recorde de violência, em que 75,5% das vítimas de homicídio no país são pessoas negras, a maior proporção da última década (em 2007, esse percentual era de 63,3%). Enquanto 16 mil pessoas não negras foram assassinadas, 49,5 mil corpos negros foram alvo de violência letal.</p>
<p>“Sete de Setembro, independência para quem?”, questiona Stilo, na problematização sobre a data, no sábado, enquanto o Festival Pão e Tinta tomava conta dos becos do Bode com o mutirão de <em>grafitti</em> e também com shows, poesia, batalha de break e de rap e oficinas, sem contar com o estímulo à economia e ao consumo locais.</p>
<p>Segundo os organizadores do evento, o conceito de mutirão de <em>grafitti</em> nasceu nas periferias do Recife e se espalhou pelo mundo. Hoje inspira iniciativas como o famoso <a href="https://www.meetingofavela.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Meeting of Favela (MOF)</a>, que virou tradição na Vila Operária, em Duque da Caxias, no Rio de Janeiro.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/uiVBbJiOe_E" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Tanto a abertura na sexta (6) quanto o domingo (8) do festival não poderiam ter acontecido num local mais simbólico, o terreno de 21 hectares (cerca de 21 campos de futebol) do antigo Aeroclube do Recife, área fechada em 2013 para a construção da Via Mangue. A prefeitura da cidade já anunciou que pretende construir os residenciais Encanta Moça 1 e 2 em uma parte da área, que deve ser transformada num espaço multiuso. Mas as comunidades do Bode e de Brasília Teimosa reivindicam mais unidades habitacionais para que mais famílias possam ser contempladas.</p>
<p>Segundo Shell, mais de 100 casas já foram medidas para desapropriação por técnicos da Prefeitura do Recife este ano e a informação dada aos moradores e às moradoras é que as negociações começam em janeiro do ano que vem.</p>
<h2>“Monte sua panela”</h2>
<p>Como todo ano tinha reclamação de que o festival só escolhia “a panelinha” &#8211; expressão recifense usada quando só se escolhe gente de um grupo restrito -, o Pão e Tinta resolveu montar um conselho de curadoria coletiva. Foi daí que surgiu a ideia do “Monte sua panela”. Quinze coletivos listaram suas preferências, minimamente paritárias entre homens e mulheres, e a organização tirou uma média dos nomes que mais apareceram, sendo que quatro deles foram de pessoas LGBTQI.</p>
<p>Marqx (<a href="https://www.instagram.com/maxmottawtf/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@maxmottawtf</a>) foi um dos selecionados do “Monte sua panela”. Designer gráfico e artista visual nascido nos Torrões, Zona Oeste do Recife, ele grafita desde 2003 e conta que, desde que voltou, em janeiro, de uma temporada de quase seis anos no Sudeste, esperava ansioso pelo Pão e Tinta &#8211; “é o principal evento do ano”.</p>
<p>O portão antes e depois de receber o <em>grafitti</em> de Marqx:</p>
<p><div id="attachment_18866" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/WhatsApp-Image-2019-09-07-at-17.08.42.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18866" class="size-large wp-image-18866" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/WhatsApp-Image-2019-09-07-at-17.08.42-1024x576.jpeg" alt="(crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo)" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-18866" class="wp-caption-text">Antes. Crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p><div id="attachment_18868" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/WhatsApp-Image-2019-09-07-at-17.08.491.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18868" class="size-large wp-image-18868" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/WhatsApp-Image-2019-09-07-at-17.08.491-1024x576.jpeg" alt="(crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo)" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-18868" class="wp-caption-text">Depois. Crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Ao todo, a curadoria este ano selecionou 70 artistas, que foram custeados pelo evento e receberam material da Paris 68, uma das principais marcas de tinta spray do mercado. Além dela, o Pão e Tinta contou com apoio da Escola de Ativismo, Action Aid, Pacs e Fase.</p>
<p>Mas as atividades rolam mesmo é através do esforço coletivo e da vontade de fazer acontecer. “A gente começou fazendo um luau, reunindo os amigos e cada vez foi chegando mais gente. A própria comunidade passou a pedir para a gente pintar, para se empoderar no lugar daquele cinza que já não existia mais”, relembra Shell.</p>
<p>Ele é dos leiloeiros do “Leilão em chamas”, que também rolou durante o festival. Funciona assim: os artistas colocam seus trabalhos na roda e um lance mínimo é dado. Se ninguém levar, a obra é queimada.</p>
<p><div id="attachment_18869" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/photo5168104143091509241.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18869" class="wp-image-18869 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/photo5168104143091509241-1024x576.jpg" alt="(crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo)" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-18869" class="wp-caption-text">Na foto, Hugão e João, de Fortaleza, que pintaram o mesmo portão em 2017 &#8211; @hashtag.eu Crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo</p></div></p>
<h2>Mulheres no <em>grafitti</em></h2>
<p>“Assumir e impor a nossa presença no <em>grafitti</em> é uma batalha diária para nos superarmos e sermos respeitadas”, diz Cona (<a href="https://www.instagram.com/cona.opg/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@cona.opg</a>), artista de Ouro Preto, Olinda, no <em>grafitti</em> desde 2017. Junto com um grupo de mais de 10 mulheres, elas formam o Pixe Girls (<a href="https://www.instagram.com/pixegirls/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@pixegirls</a>) e brigam por espaço na cena. “Eu já tive que ouvir frases do tipo ‘vou salvar teu trampo’”, conta Mila Barros (<a href="https://www.instagram.com/millabaarros/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@millabaarros</a>), que é mãe e luta também pelo lugar da maternidade solo nesse universo. “É para que a gente esteja no rolé sem ter que ouvir ‘com quem tu deixou teu filho?’”.</p>
<p><div id="attachment_18872" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/photo5168104143091509247.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18872" class="size-large wp-image-18872" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/photo5168104143091509247-1024x576.jpg" alt="Parte do coletivo Pixe Girls (crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo)" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-18872" class="wp-caption-text">Parte do coletivo Pixe Girls. Crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>A presença de Naara Tati (<a href="https://www.instagram.com/naaratati/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@naaratati</a>), artista e organizadora do Point Bomb, movimento que reúne <em>grafitti</em> e hip hop, foi também representativa da resistência das mulheres e das pessoas com deficiência. “Esse universo é uma resistência para mim que sou mulher e tenho um defeito no olho, para mostrar que podemos, sim, quebrar barreiras”, defende.</p>
<p>Ela costuma fazer trabalhos de grande porte para provocar, “para as pessoas ficarem encucadas mesmo, pensando ‘porra, é uma mulher’”. Naara fala da necessidade e importância de olhar o próximo, de prestar atenção nos corpos em alvo ao redor.</p>
<p><div id="attachment_18871" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/PÃO-E-TINTA022_menor.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18871" class="size-large wp-image-18871" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/PÃO-E-TINTA022_menor-1024x683.jpg" alt="Naara Tati (crédito: Thiago Miranda/divulgação)" width="702" height="468"></a><p id="caption-attachment-18871" class="wp-caption-text">Naara Tati. Crédito: Thiago Miranda/Divulgação</p></div></p>
<p>O artista que&nbsp;aparece na foto de&nbsp;abertura desta matéria é Rodolfo de Araújo Tavares (<a href="https://www.instagram.com/antsocialmfc/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@antsocialmfc</a>)</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/corpxs-em-alvo-festival-na-comunidade-do-bode-promove-politica-com-tintas/">&#8220;Corpxs em Alvo&#8221;: festival na Comunidade do Bode promove política com tintas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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