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	<title>Arquivos mortalidade infantil - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos mortalidade infantil - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Desnutrição já mata mais pessoas idosas do que crianças em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Mar 2023 19:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Principal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Adriana Amâncio* “É muito ruim olhar para os quatro cantos e não ver o que comer”, afirma Zilma Maria da Silva, de 59 anos, que mora no bairro dos Coelhos, área central do Recife. Situações como essa são recorrentes em sua casa sempre que o mês chega à metade. Nesse período, a dispensa da [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Adriana Amâncio*</strong></p>



<p>“É muito ruim olhar para os quatro cantos e não ver o que comer”, afirma Zilma Maria da Silva, de 59 anos, que mora no bairro dos Coelhos, área central do Recife. Situações como essa são recorrentes em sua casa sempre que o mês chega à metade. Nesse período, a dispensa da idosa, que é responsável por um neto de 17 anos, fica vazia. Dona Zilma tem como única fonte de renda R$ 600 do Auxílio Brasil, que para ela, nunca deixou de ser o Bolsa Família. Deste total, R$ 110 são reservados para a compra dos remédios para as crises de asma. Com R$ 490, ela compra um botijão de gás e alimentos baratos.&nbsp;</p>



<p>“O que compro mais é ovo e fubá. Dá para passar só 15 dias, depois, a gente vai para a casa da minha filha para comer lá”, afirma. Algumas vezes, Zilma não pode sequer contar com a ajuda da filha e aí, só resta a sorte para aliviar a barriga dela e do neto. Hoje, em Pernambuco, o número de idosos que vêm a óbito com um quadro de desnutrição associado é maior do que o de crianças com idade entre 0 e 5 anos. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, em 2020, foram registrados 268 óbitos de idosos com quadro de desnutrição associado, contra sete óbitos de crianças na mesma condição. Isso quer dizer que morrem quase quarenta vezes mais idosos do que crianças na primeira infância, com quadro de desnutrição.</p>



<p>A nutricionista clínica e especialista em gerontologia, Luisiana Lamour considera o dado importante, pois em linhas gerais, define que a desnutrição joga contra a saúde do idoso e a favor da enfermidade. “A desnutrição está associada à fragilidade, à diminuição da imunidade, torna o idoso suscetível a infecções e enfermidades. Pode não estar associada à causa direta [do óbito], mas indiretamente, sim”, explica. A especialista avalia que é raro identificar esse quadro, “há muita subnotificação sobre a presença da desnutrição como causa associada ao óbito do idoso”, frisa. Com experiência clínica, Luisiana afirma que tem recebido um número cada mais alto de pacientes idosos com quadro de desnutrição extremamente grave. “E não pense que são só idosos com baixa renda, não! Há idosos com renda, mas com falta de acompanhamento especializado”, observa.&nbsp;</p>



<p>De acordo com a gerontologista e integrante do setor de relações Institucionais da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), Áurea Barroso, a falta de acompanhamento especializado é apenas uma dentre as lacunas nas políticas públicas para que os idosos se tornem alvos fáceis da desnutrição. “Falta uma política pública eficiente de combate à desnutrição. Há um desinteresse pela questão dos idosos. A ideia é ‘vamos investir nos jovens, pois eles são a força produtiva’. Os idosos são importantes, muitos são arrimo de família, há alguns que se aposentam e vão trabalhar para manter a família. As crianças têm uma rede de proteção, mas os idosos, não. Quando não tem renda, não tem o BPC [Benefício de Prestação Continuada], fica difícil assegurar uma alimentação segura”, explica.&nbsp;</p>



<p>A falta de renda também é a causa da fome que castiga Margarida do Nascimento, de 65 anos, também moradora do bairro dos Coelhos. Responsável pela neta Vitória de Castro, de cinco anos, cuja mãe se encontra detida em uma colônia penal feminina, Margarida também conta apenas com os R$ 600 do Auxílio Brasil.</p>



<p>“O dinheiro não dá. Eu compro gás, compro salsicha, compro aos pouquinhos, porque não dá para fazer uma feira. Muita vezes já dormimos com fome, eu e ela’, confessa, apontando para a neta no canto da sala. Mesmo assim, quando começa a segunda quinzena do mês, sem alimento e sem renda, avó e neta apelam para a fé. “Essa semana, por sorte, veio um senhor e deu fubá e uns três pacotes de macarrão”, relembra. Dona Margarida revela que entregou a documentação ao filho mais velho e, até hoje, aguarda o deferimento da solicitação.</p>



<p>Mesmo idosas e em condição de privação alimentar, as avós Margarida e Zilma cuidam, sozinhas, de uma casa, dos seus netos. Essas atividades requerem bastante energia e vigor mental. “E dizem que os idosos não são importantes, essas avós são arrimo de família, são muito importantes”, contesta Áurea. Ainda segundo ela, é preciso ampliar o Benefício de Prestação Continuada e toda a rede de proteção social e de saúde voltada aos idosos.&nbsp;</p>



<p>“A primeira coisa é ampliar o BPC para 60 anos e melhorar as condicionalidades, não ter esse critério de renda per capita de até um quarto de um salário mínimo. Outra coisa, é investir na atenção básica e na proteção social, no acesso aos medicamentos, na questão primária, evitando que essa população idosa não chegue na média e na alta complexidade. Investir no Centro-Dia, onde os idosos conseguem alimentação, recebem acompanhamento multiprofissional’ , observa. O critério atual para ter acesso ao Benefício de Prestação Continuada é ter no mínimo 65 anos e comprovar renda per capita inferior a um quarto de um salário mínimo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Comida só dura até o meio do mês na casa de dona Zilma. Crédito: Arnaldo Sete/Projeto Colabora</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mortalidade infantil em queda</strong></h2>



<p>Para entender porque, diferente do que tem ocorrido no fim da vida, na primeira infância a desnutrição já não é uma ameaça tão presente, é preciso olhar para a história recente do Brasil. A nutricionista e doutoranda em Saúde Pública, Marília Santana, afirma que essa trajetória foi impulsionada pelo curso de um conjunto de políticas sociais e de saúde. “A instituição do SUS, a criação das unidades básicas de saúde nos territórios, perto das crianças, posteriormente, as políticas de segurança alimentar resultaram na diminuição das mortes por desnutrição aguda ou com esse problema associado”, analisa.</p>



<p>Marília relembra que, nos anos 1980, a história do Brasil era intensamente marcada por altas taxas de mortalidade infantil. Nas décadas de 1950 e 1960, prossegue ela, as regiões Norte e Nordeste do Brasil tinham quadros de desnutrição gravíssimos, que atingiam até 20% da população. “Hoje, a gente tem números de menos de 5%. O Bolsa Família, a própria alimentação escolar, as cisternas, o acesso à água garante uma boa alimentação, que vão impactar de forma positiva neste quadro. Hoje a gente tem um perfil populacional que migrou da carência nutricional para um perfil que também preocupa muito, que é de uma população com excesso de peso, com obesidade”, conclui.</p>



<p>A nossa reportagem fez contato com a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco para saber se a notificação dos óbitos de idosos, com quadro associado de desnutrição é feita regularmente. Perguntamos ainda se o órgão oferece serviços de acompanhamento especializado à questão nutricional deste público e se há políticas públicas voltadas para estimular&nbsp; a inserção dos idosos nos programas de transferência de renda. Até o fechamento desta reportagem, não obtivemos resposta do órgão. Se houver retorno às nossas demandas, o texto será imediatamente atualizado.</p>



<p>*<strong><a href="https://linktr.ee/AdrianaAmancio?fbclid=PAAaarbVfyoxn7Ma8U7VJ-CkX9PvPkULV-aoAcOwM_h3BBaZKWXKRUiyAC9Rg">Adriana Amâncio</a></strong>&nbsp;é&nbsp;<strong>jornalista freelancer, com 12 anos de atuação na cobertura de pautas nas áreas de direitos humanos, meio ambiente e gênero.</strong></p>



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		<title>Redução da mortalidade infantil desacelera</title>
		<link>https://marcozero.org/reducao-da-mortalidade-infantil-desacelera/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Sep 2022 18:37:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[fundação oswaldo cruz]]></category>
		<category><![CDATA[mortalidade infantil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>* Por Verônica Almeida O pesquisador Cristiano Boccolini, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-RJ), estudioso da epidemiologia social e da saúde materno-infantil, afirma que a taxa de mortalidade em crianças de até um ano de vida teve sua redução paralisada nos anos mais recentes [&#8230;]</p>
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<p><strong>* Por Verônica Almeida</strong></p>



<p>O pesquisador Cristiano Boccolini, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-RJ), estudioso da epidemiologia social e da saúde materno-infantil, afirma que a taxa de mortalidade em crianças de até um ano de vida teve sua redução paralisada nos anos mais recentes no Brasil. “Desde 2016 e 2017 a velocidade de redução tem diminuído ou ficado estagnada. Nos dois anos da pandemia de Covid-19 em alguns casos até aumentou a mortalidade infantil. O Norte e o Nordeste apresentam taxas de 50% a 70% maiores que as da região Sul, expondo um Brasil continental desigual”, afirma. No país são pelo menos vinte mil mortes evitáveis anuais de crianças com até 1 ano de vida, incluindo as causadas por diarreia e pneumonia.</p>



<p>Em números absolutos, a quantidade de menores de 1 ano que morrem nessa fase da infância significa menos da metade dos óbitos registrados em 2000 (ver quadro com dados do Observatório da Saúde na Infância). Ocorre que a queda na taxa de mortalidade infantil, que foi acelerada até 2015, já não se comporta assim. Em 2000, a mortalidade infantil no Brasil era de 21,23 mortos por mil nascidos vivos. Depois de uma década, havia caído mais de sete pontos, chegando a 13,93 em 2010. Já em 2015, caiu mais um pouco para 12,42. Em 2016, voltou a subir, atingindo 12,71. Manteve-se na casa dos 12 óbitos por mil nascimentos até 2019. No ano seguinte, caiu discretamente para 11,49 e, em 2021, voltou a crescer um pouco, atingindo 11,87 mortes por mil nascidos vivos. No quadro, é possível observar que nos anos de 2019 e 2021, no Brasil, o número absoluto de óbitos foi menor que o de anos anteriores, mas a taxa de mortalidade mostrou-se superior. É que o cálculo, esclarece Cristiano Boccolini, considera a quantidade de nascidos vivos no período, ou seja, nesses anos houve menos nascimentos e mais mortes.</p>



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<p>No Recife, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, em 2020 foi registrada mortalidade infantil de 11,2. Os dados de 2021 apurados até o momento indicam 10,2 óbitos por mil nascidos vivos. Por local de moradia das mães, observam-se diferenças para mais e para menos da média na capital. Em 2020, nos distritos um (área central), quatro (bairros ao longo da Avenida Caxangá), sete (morros da Zona Norte) e oito (morros da Zona Sul), a mortalidade foi de 11,7, 15, 13,8 e 12,2 óbitos por mil nascidos vivos, respectivamente. As informações sobre mortalidade infantil em 2021 apontam taxas maiores que a média da capital mais uma vez nos distritos um (14,2 mortes por mil nascidos vivos), quatro (11,1), oito (11) e também no cinco (11,9), que é formado por bairros da Zona Oeste, de Afogados ao Totó.</p>



<p>Com o avanço da pobreza e da fome no país, os prognósticos não são positivos. “É uma situação grave, com consequências nutricionais e biológicas. A má alimentação leva à anemia, desnutrição e até à obesidade. Na impossibilidade de comprar alimentos saudáveis, as famílias tendem a buscar os ultraprocessados, mais calóricos e que aparentemente seriam mais baratos, mas sem qualidade nutricional adequada, como biscoitos e macarrão instantâneo. A deficiência de nutrientes tem implicações no desenvolvimento cognitivo e até mesmo físico, com consequências a longo prazo como o retardo na aprendizagem”, explica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Repercussão na vida adulta dos sobreviventes</strong></h2>



<p>A privação de direitos sociais mais básicos durante a infância reflete na vida adulta. Segundo Boccolini, um estudo realizado na Holanda, no pós Segunda Guerra Mundial, mostrou que crianças submetidas à fome tornaram-se adultos com baixa estatura e com mais propensão a doenças crônicas, como a pressão alta e diabetes. Os determinantes sociais, afirma, condicionam a qualidade de vida, o acesso à moradia, saneamento, escola e a serviços de saúde. “São fundamentais para o pleno desenvolvimento das crianças do zero aos 6 anos um ambiente social seguro, com saneamento básico, os bens úteis como geladeira para preservar alimentos, educação e assistência à saúde”, diz, incluindo a garantia de comida saudável, atendimento de qualidade nos serviços do SUS, o que vai além do acesso, considerando também a forma como o usuário é abordado, se a linguagem dos profissionais é compreensível, se são ofertados os recursos para tratamento e promoção da saúde.</p>



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	                                        <p class="m-0">Para o pesquisador Cristiano Boccolini, segurança alimentar e um ambiente social seguro, com acesso a saúde e educação de qualidade, são condições para o desenvolvimento saudável de crianças entre zero e seis anos de idade. Crédito: Raquel Portugal &#8211; Icict/Fiocruz</p>
	                
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<p>De acordo com o pesquisador, que estudou determinantes sociais no aleitamento, embora as mães nordestinas amamentem seus filhos por um período mais longo que as de outras regiões, elas não conseguem manter o aleitamento materno exclusivo por seis meses quando expostas ao subemprego ou ao trabalho doméstico.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ir atás de comida ou no posto vacinar?</strong></h2>



<p>Cristiano Boccolini é um dos coordenadores do Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância), que avalia bases de dados nacionais para medir impactos na mortalidade infantil. Patrícia Boccolini, outra coordenadora do Observatório, pesquisadora da Faculdade de Medicina de Petrópolis do Centro Universitário Arthur de Sá Earp Neto (Unifase), afirma que o aumento da insegurança alimentar durante a pandemia de Covid-19 traz mais um desafio, que é o de ampliar a cobertura vacinal para todas as doenças imunopreveníveis.</p>



<p>“Num contexto de pandemia, aumento de desemprego e da fome, o que eu vou comer é mais imediato do que vacinar”, diz. A campanha de vacinação contra sarampo e influenza, realizada em maio no Brasil, teve baixa cobertura. Antes da pandemia, lembra Patrícia, estudos apontavam que mães com escolaridade e renda menores vacinavam mais seus filhos. “Elas exibiam os cartões de vacina com orgulho e procuram mais a atenção primária do SUS”.</p>



<p>Além do desestímulo oficial à vacinação nos últimos dois anos, as mulheres ficaram sobrecarregadas com a pandemia e, como foi retardada a imunização de crianças contra a Covid-19, muitas também evitaram levar seus filhos aos postos, preocupadas com a exposição ao coronavírus.</p>



<p><strong>LEIA MAIS:</strong></p>



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<p>* <strong><em>Este conteúdo integra a série Eleições 2022: Escolha pelas Mulheres e pelas Crianças. Uma ação do Nós, Mulheres da Periferia, Alma Preta Jornalismo, Amazônia Real e Marco Zero Conteúdo, apoiada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal</em></strong></p>



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