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	<title>Arquivos MST - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 30 Sep 2025 19:31:44 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos MST - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>O camponês e a medicina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Sep 2025 21:15:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[extrema direita]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[reforma agrária]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Augusto Cezar* Vivemos em um momento histórico de transição, marcado por uma lentidão para a resolução das nossas desigualdades e povoado de contradições. O Brasil segue devendo reparações fundamentais ao seu povo, especialmente àqueles que vivem nas margens desse projeto nacional: populações do campo, da floresta e das águas. A falta de políticas públicas [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Augusto Cezar*</strong></p>



<p>Vivemos em um momento histórico de transição, marcado por uma lentidão para a resolução das nossas desigualdades e povoado de contradições. O Brasil segue devendo reparações fundamentais ao seu povo, especialmente àqueles que vivem nas margens desse projeto nacional: populações do campo, da floresta e das águas. </p>



<p>A falta de políticas públicas estruturantes — como a reforma agrária, urbana e tributária justa — perpetua desigualdades históricas que se tornam mais visíveis quando analisamos a realidade da saúde e da formação médica no país.</p>



<p>Diferente das promessas vazias que escorrem do alto, o Pronera (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária) é um exemplo de política pública transformadora. Ao promover acesso à educação desde a escolarização até as pós-graduações para camponeses e camponesas, esse programa atua diretamente na ruptura do ciclo de exclusão que impede milhões de brasileiros de terem acesso à educação. Até 2025, foram beneficiados 192.764 alunos em todos os níveis de educação.</p>



<p>Nesse sentido, a medicina é um dos campos mais emblemáticos dessa desigualdade. A Demografia Médica do Brasil 2025 apresenta quem são a maioria dos “jalecos brancos”. Brancos e de classe alta: 68,6% dos alunos de Medicina são brancos e 66% vieram do ensino médio privado. Apenas 34% são egressos da escola pública, muito abaixo da média nacional de 65,7% dos estudantes quando comparados a todas as graduações.</p>



<p>Mais grave ainda é a concentração das vagas em instituições privadas: 77,7% das matrículas em Medicina estão em faculdades particulares, que em geral praticam uma política de inclusão pífia ou inexistente.</p>



<p>Apesar dos avanços das cotas raciais e sociais em instituições públicas, o acesso continua restrito e pouco representativo da diversidade brasileira. Dos 266 mil estudantes de medicina em 2023, apenas 9% entraram por programas de reserva de vagas. </p>



<p>A consequência dessa lógica elitista se reflete na distribuição geográfica dos médicos. O Índice de Distribuição de Médicos Capital/Interior (IDCI) mostra que as capitais concentram 366% mais médicos por habitante do que o interior. No Nordeste, o índice chega a 732% de diferença. Isso em um país onde dois terços da população vive em municípios com menos de 500 mil habitantes — ou seja, o Brasil profundo permanece desassistido.</p>



<p>A realidade é conhecida por quem vive longe dos grandes centros: conseguir um médico disponível em áreas rurais e ribeirinhas continua sendo um desafio cotidiano. As políticas de provimento — como o Programa Mais Médicos — avançaram, mas são medidas paliativas se não forem acompanhadas por mudanças estruturais de fixação desses profissionais a longo prazo. </p>



<p>A universidade tem papel central nessa transformação. Para ser um espaço de excelência científica, é necessário refletir e responder ao contexto social brasileiro. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) vem reconhecendo essa urgência ao adotar políticas afirmativas para o acesso ao curso superior há alguns anos, como a licenciatura intercultural indígena.</p>



<p>O Pronera, ao tocar na formação médica, desencadeou um conjunto de reações que misturam o pior do atraso brasileiro, a mesquindade, o individualismo, o racismo e o ódio aos pobres. </p>



<p>Ao realizar oferta supranumerária para o curso de Medicina no campus do agreste pernambucano, pioneiro na interiorização do curso de medicina, para pessoas oriundas do campo a reação foi somente amplificada na versão daqueles que já tem médico para seu cuidado, alimentados pela fábula da meritocracia e da individualização de pequenas conquistas que não reestruturaram a realidade médica nacional e que não respeitam a cor e não pisam nos locais de onde esses estudantes são oriundos.</p>



<p>A própria postura de associações de médicos, inclusive de outros estados assinando notas contrárias ao exercício legal de uma política pública que propõe contribuir na reparação histórica ou a contrariedade às cotas nas vagas de residência médica, só nos permite compreender que essa política mexe com algumas estruturas e causam incômodos.</p>



<p>Movimentos que não observamos aos desafios do exercício profissional como a precarização das relações de trabalho ou desfinanciamento da saúde pública. </p>



<p>Por falar de ciência, no que se refere a estratégias estruturantes para resolver o problema da escassez de médicos no interior, essa é uma das medidas alinhadas às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e às políticas do SUS, especialmente à Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, Floresta e Águas (PNSIPCF).</p>



<p>Universalizar com equidade a formação médica no nosso país, criando dispositivos de acesso que considerem não só a renda, mas também o território de origem dos estudantes. Afinal, formar médicos oriundos desses territórios é uma das formas mais eficazes de garantir que o cuidado em saúde chegue aonde ele é mais necessário.</p>



<p>Contrapor as posições contrárias às políticas afirmativas é parte desse processo. Os que resistem à democratização da medicina não fazem isso em nome da qualidade, mas, sim, da manutenção de privilégios. Não se trata de baixar o rigor — trata-se de temperá-lo com ciência socialmente referenciada. E isso exige coragem institucional e ousadia popular.</p>



<p>Destaque tem sido a acolhida da UFPE, sua comunidade acadêmica de docentes, discentes, técnicos bem como a solidariedade no cenário nacional. O Brasil precisa, com urgência, aumentar a formação de médicos que tenham a vivência dessas localidades, a vida como ela é. Médicos/as que saibam o valor de uma unidade básica no sertão, de um posto fluvial na Amazônia, de uma visita domiciliar em uma comunidade quilombola, que dêem valor às exaustivas viagens à capital em busca de uma especialidade focal. </p>



<p>Médicos/as que falem a língua do povo — não só no sentido simbólico, mas no literal também. Nossa melhor aposta para resolver esse problema dessas comunidades vem delas mesmas, formando seus filhos e filhas para o cuidado médico com ciência e consciência.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*Augusto Cezar é médico e professor da UFPE</p>
    </div>
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		<title>Por que curso de Medicina para assentados e quilombolas virou alvo de ataques e fake news</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Sep 2025 20:27:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[cruso de Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[extrema direita]]></category>
		<category><![CDATA[Incra]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Política pública consolidada, com quase três décadas de existência, o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) virou o mais recente alvo de desinformação e ataques da extrema direita. A criação da primeira turma de Medicina do país pelo Pronera, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Centro Acadêmico do Agreste, em Caruaru, desencadeou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Política pública consolidada, com quase três décadas de existência, o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) virou o mais recente alvo de desinformação e ataques da extrema direita. A criação da primeira turma de Medicina do país pelo Pronera, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Centro Acadêmico do Agreste, em Caruaru, desencadeou uma onda de críticas que misturam notícias falsas e revolta de conselhos e associações médicas. O caso foi parar na Justiça.</p>



<p>Em vídeos viralizados, políticos como o vereador do Recife Thiago Medina (PL-PE) distorceram os fatos: “Quer fazer medicina na UFPE? Agora ficou muito fácil. Mas só se você for do MST (&#8230;). Eles cansaram de roubar a terra e querem roubar a vaga na universidade agora”.</p>



<p>A narrativa falsa de um curso &#8220;exclusivo para o MST&#8221; e sem processo seletivo ignora que a iniciativa é voltada a diversas populações do campo, como assentados, quilombolas e acampados, e que a seleção, conduzida pela universidade, inclui prova e análise de histórico escolar.</p>



<p>Medina denunciou a UFPE numa ação popular na 9ª Vara da Justiça Federal para tentar derrubar a medida. O curso de Medicina pelo Pronera não é o primeiro a sofrer ataques. Formações como Engenharia, Direito e Medicina Veterinária também já foram alvo em outras universidades.</p>



<p>A reação não se limitou às redes sociais nem a parlamentares. Entidades como o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) também se manifestaram publicamente, alegando que a seleção específica “afronta os princípios da isonomia e do acesso universal”.</p>



<p>Os ataques expõem não apenas o histórico brasileiro de resistência a ações afirmativas, mas também a dificuldade de parte da sociedade aceitar a democratização de um curso historicamente elitizado.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Política de Estado sob ataque</h2>



<p>Criado em 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o Pronera é uma política de Estado, não dos governos petistas. Realizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em parceria com instituições de ensino, governos estaduais e municipais, movimentos sociais e sindicais, a iniciativa surgiu com a proposta de democratizar o acesso à educação pública de qualidade.</p>



<p>É fruto da mobilização por educação no campo e consequência direta das ações de violência, como os massacres de Corumbiara e de Eldorado dos Carajás.</p>



<p>Em quase três décadas, o programa já formou quase 200 mil estudantes em 545 cursos em todos os estados brasileiros, da alfabetização à pós-graduação. O curso de Medicina na UFPE terá 80 vagas exclusivas, sendo 40 de ampla concorrência e outras 40 destinadas a quem pode ser atendido por modalidades de ações afirmativas (cotas).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/09/medicina-caruaru.jpg" alt="A foto mostra a fachada de um prédio com uma grande placa branca e faixa vermelha, onde se lê em letras maiúsculas: “CURSO DE MEDICINA”. Acima, aparece o logotipo da Universidade Federal de Pernambuco e a identificação “Campus do Agreste”. Abaixo da faixa, há uma parede pintada em verde e amarelo-claro, com portas de enrolar azuis fechadas. Na frente do prédio, vê-se uma pequena palmeira decorativa." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Campus da UFPE em Caruaru receberá curso do Pronera
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação UFPE</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Estão aptos a se candidatar assentados da reforma agrária e integrantes de famílias beneficiárias do crédito fundiário; educandos egressos de cursos de especialização promovidos pelo Incra; educadores que exerçam atividades voltadas às famílias beneficiárias; acampados cadastrados pelo instituto; e quilombolas.</p>



<p>Apesar das ameaças, a universidade manteve seu posicionamento. O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, destacou a legitimidade da ação e seu compromisso social. “Uma iniciativa amparada pela lei, legítima, justa e transparente (&#8230;). A Universidade Federal de Pernambuco é gigante. Não vai se intimidar nem desviar da sua missão de levar formação de qualidade a todos”.</p>



<p>Ele lembra que a dificuldade de atendimento médico no interior é um problema conhecido e que o curso visa formar profissionais voltados para a realidade do Agreste e do Sertão.</p>



<p>Segundo a coordenadora-geral de Educação, Arte e Cultura do Campo do Incra, Clarice dos Santos, o curso inédito é resultado da parceria articulada pelo Pronera, envolvendo o Incra, movimentos e organizações populares do campo e a UFPE, assim como ministérios, especialmente o da Saúde.</p>



<p>“Celebramos a abertura desta turma pelo compromisso revelado por todas essas instituições na formação de médicos e médicas camponeses, em uma iniciativa que ajuda a fortalecer o SUS no atendimento à saúde nas áreas rurais, ainda um grande desafio no nosso país”, considera a gestora.</p>



<p>O Incra defende que “a Educação do Campo é um direito e se realiza por diferentes territórios e práticas sociais que incorporam a diversidade do meio rural. Garante a ampliação das possibilidades de criação e recriação de condições de existência da agricultura familiar.”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que incomoda tanto?</strong></h2>



<p>Para a deputada estadual Rosa Amorim (PT-PE), do MST, a reação tem um alvo evidente: a origem social dos futuros médicos. “O fato dos camponeses e povos camponeses, tradicionais, poderem fazer medicina (&#8230;) tem incomodado tanto. Um curso que tradicionalmente sempre foi para os filhos da elite, agora vai dar a oportunidade para que a mão que sempre segurou a enxada possa cuidar do povo”, afirma.</p>



<p>Para ela, a iniciativa “remexeu as estruturas e mostrou complacismo de quem não quer que pobre tenha um diploma na mão”.</p>



<p>A perspectiva é compartilhada por especialistas em saúde pública. Para Cláudia Travassos, diretora do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e pesquisadora da Fiocruz, a iniciativa é uma conquista que vai além do acesso à universidade.</p>



<p>“O curso de Medicina para assentados e quilombolas é uma conquista histórica. Ele reconhece que a formação de profissionais de saúde precisa dialogar com as realidades sociais e territoriais do país, não apenas com os grandes centros urbanos”, avalia. O objetivo, segundo o Cebes, é formar médicos com vínculo comunitário, mais comprometidos com o SUS e com a redução das desigualdades.</p>



<p>A principal crítica das entidades médicas é a suposta quebra de isonomia por um vestibular próprio, sem o Enem. No entanto, processos seletivos específicos para públicos determinados não são novidade. A própria UFPE, assim como a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), já realizam vestibulares diferenciados para indígenas e quilombolas. A UFPE, por exemplo, oferece o curso de licenciatura intercultural indígena exclusivo.</p>



<p>As associações que agora se preocupam com a isonomia, aponta o Cebes, silenciam sobre a barreira econômica do curso de Medicina, com mensalidades que ultrapassam R$ 10 mil nas faculdades privadas.</p>



<p>Fontes ouvidas pela <strong>Marco Zero</strong> acreditam que, embora possa ocorrer judicializações, a jurisprudência favorável a outras turmas do Pronera garantirá a continuidade do curso. O que talvez possa ocorrer é um possível atraso no início do processo seletivo e das aulas. A publicação do resultado final está prevista para até o dia 16 de outubro e o início das aulas, no dia 20 do mesmo mês.</p>
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		<title>Os tempos circulares nos 100 anos de dona Elizabeth Teixeira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Sep 2025 12:31:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Elizabeth Teixeira]]></category>
		<category><![CDATA[Ligas Camponesas]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[Pastoral da Terra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Carol Almeida* Sapé (PB) &#8211; Gurinhém. Palavra que parece ter nascido cantada. Talvez seja. Segundo o geógrafo Teodoro Sampaio, no Vocabulário geográfico brasileiro, existem duas possíveis etimologias para explicá-la: pode vir do tupi gurí-nhé e significar “o rumor dos bagres” ou de guirá-nhë, que significa “o canto dos pássaros”. Gurinhém é o nome do [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Carol Almeida*</strong></p>



<p><strong>Sapé (PB) &#8211;</strong> Gurinhém. Palavra que parece ter nascido cantada. Talvez seja. Segundo o geógrafo Teodoro Sampaio, no <em>Vocabulário geográfico brasileiro</em>, existem duas possíveis etimologias para explicá-la: pode vir do tupi gurí-nhé e significar “o rumor dos bagres” ou de guirá-nhë, que significa “o canto dos pássaros”. Gurinhém é o nome do rio paraibano por onde os automóveis precisam passar – sem ponte, quando não chove muito – para chegar ao Memorial das Ligas e Lutas Camponesas e, pouco mais adiante, à comunidade de Barra das Antas. Gurinhém é também o rio que separa essa comunidade da Fazenda das Antas, onde capangas dos latifundiários, por décadas, costumavam (e ainda costumam) atirar primeiro sem perguntar depois.</p>



<p>Estamos no terraço de uma casa de uma família de acampados, diante do Gurinhém, olhando para as margens onde do lado de lá sobe o mato da concentração fundiária do Brasil. A conversa é com os moradores da casa João Victor Oliveira, 65 anos, e Josefa Dias da Silva Oliveira (dona Zefinha), também com 65, mas também com Joseano Idalino Pereira, 54 anos, e Alane Lima, 31 anos, que, até o começo de 2025, vinha na presidência do Memorial das Ligas e Lutas Camponesas, cargo em que esteve por seis anos, mas que ainda se mantém como uma grande força atuante no espaço, não só na organização de um vasto material de pesquisa sobre as Ligas Camponesas, mas em ações formativas que vêm, nos últimos anos, criando articulações importantes com escolas da região.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Cartaz em homenagem ao centenário de Elizabeth Teixeira, símbolo da luta pela reforma agrária.</p>
	                
                                            <span>Crédito: Luara Olívia</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Na cozinha exatamente colada a esse terraço, bem ao lado da geladeira, um cartaz na parede demarca o estatuto de fé que reúne essas quatro pessoas: “2025: centenário de Elizabeth Teixeira, uma vida inteira de luta pela reforma agrária”. Na foto, a homenageada veste um boné do Movimento dos Sem Terra (MST) e, no colo, carrega também uma bandeira do mesmo grupo. Uma mulher de 100 anos reúne muita gente.</p>



<p>O rio que escuta João Victor, Zefinha, Joseano e Alane conversando sobre luta, reforma agrária, plantações de milho, feijão, macaxeira e fava, infâncias marcadas por violência e fome, carrega a tessitura de natureza mutante e fluxo constante da História. O rio do “canto dos pássaros” cujos voos desconhecem fronteiras é, ele mesmo, um limiar que divide um acampamento de camponeses de uma fazenda onde essas pessoas e seus familiares sempre trabalharam e onde Elizabeth Teixeira nasceu, em 13 de fevereiro de 1925. Mas, como tudo que é da ordem da História é ambivalente, o rio que separa é simultaneamente um ponto de encontro, encruzilhada entre distintos tempos vividos nesse território. Portanto, nas próximas linhas, ele servirá muitas vezes como elo e testemunha de narrações de épocas distintas, porém de processos que se repetem na formação disso que hoje chamamos de Brasil.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">João Victor Oliveira, 65 anos, e Josefa Dias da Silva Oliveira, a dona Zefinha
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Luara Olívia</span>
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<h2 class="wp-block-heading">Algum momento entre 1959 e 1960</h2>



<p>Perseguido por capangas dos fazendeiros, mas também pela polícia que atendia aos interesses da oligarquia local, João Pedro Teixeira carrega na pele marcas das pancadas que leva e sabe exatamente o que lhe aguarda quando é pego por esses sujeitos. Em uma dessas ocasiões, ele consegue se desvencilhar de um grupo de policiais e se joga “nas águas barrentas do rio Gurinhém. No outro dia, João Pedro voltou à noite, todo machucado. Sua preocupação maior não era pela dor que estava sentindo, mas sim pelo prosseguimento da luta. Com o rosto trancado, João Pedro, olhando bem para mim, disse: — Ah! Elizabeth, essa repressão violenta não vai ter fim. Só vai acabar quando conseguirmos quebrar a espinha do latifúndio”. O relato está no livro <em>Elizabeth Teixeira: mulher da terra</em>, de Ayala Rocha, que tenta biografar a vida de Elizabeth na primeira pessoa da personagem-título.</p>



<p>João Pedro Teixeira, líder da primeira Liga Camponesa na Paraíba, fundada no município de Sapé, em 1958, sempre perguntava à sua companheira Elizabeth se ela continuaria sua luta no dia que ele morresse. Ela jamais foi capaz de respondê-lo quando vivo ele ainda estava. </p>



<p>No entanto, logo após João Pedro ser assassinado no começo de 1962 por policiais, numa emboscada que deixou cravados em seu corpo cinco tiros (segundo o relatório <em>Direito à memória e à verdade</em>), Elizabeth assumiu o compromisso que, até então, ela não tinha sido capaz de verbalizar em voz alta – mesmo porque isso implicaria ela reconhecer a iminente morte do marido e pai de seus 11 filhos. Se tornaria, após o assassinato do marido, uma liderança inequívoca das Ligas Camponesas no Brasil – “eu marcharei na tua luta”, ela diria mais tarde –, advogando por uma radical reforma agrária no país. Mas essa história só seria nacionalmente conhecida com o lançamento de certo filme brasileiro em 1984.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/09/Carol-Almeida-1024x273.jpg" alt="Quatro fotos em sequência de uma mulher jovem, parda, de cabelos castanhos presos em coque no alto da cabeça. Ela está manuseando uma bandeira vermelha com um losango preto e uma ilustração branca no centro. Nas totos, feitas de ângulos e distâncias diferentes, a mulher está colocando a bandeira no arame farpado de uma cerca." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Alane Lima com a bandeira das Ligas Camponesas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Luara Olívia</span>
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<p>Antes de chegarmos lá, é importante permanecer nesse tempo que precede à morte de João Pedro, cujo assassinato foi versado em famosos poemas de Ferreira Gullar e Affonso Romano de Sant’Anna. As Ligas Camponesas começaram a se consolidar no país em meados dos anos 1950, resultado direto tanto de diálogos com o naquele momento já criminalizado Partido Comunista do Brasil (PCB) quanto de um processo de industrialização dos anos Juscelino Kubitschek, que havia mecanizado uma boa parte do trabalho agrícola no país, precarizando vertiginosamente um ofício já extremamente precarizado.</p>



<p>Com forte atuação em Pernambuco (na região de Vitória de Santo Antão, onde João Pedro também esteve presente) e na Paraíba (tanto na região de Sapé como nos arredores da zona da mata paraibana), as Ligas irradiaram energia de luta pela reforma agrária no Brasil a ponto de, em 1961, surgir o primeiro Congresso de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas em Belo Horizonte, que reuniu mais de 1,5 mil camponeses e aprovou o primeiro Estatuto do Trabalhador Rural no Brasil. O símbolo da capa desse estatuto: uma mão se livrando de correntes de ferro.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Julho de 2025</h2>



<p>“Era escravidão”, diz Joseano, quando lembra que, ainda criança, trabalhava no canavial e, quando recebia alguma coisa, era um pedaço de papel que só podia ser trocado por alimentos no barracão da própria fazenda. Mas, durante muito tempo, nem o papel ele ganhava. “Botava um punhado de farinha no bolso, forrava um plástico no chão, machucava a cana e jogava a farinha em cima pra comer”. Trabalhava desde muito pequeno porque tinha irmãos menores e sua mãe ficou viúva cedo. O pai que, segundo ele, não gostava de trabalhar, morreu afogado no Gurinhém.</p>



<p>Quando pronuncia a palavra “escravidão”, Joseano tem plena consciência do que diz. O termo volta todas as vezes que ele lembra na conversa desse esquema de pagamento em bilhetes trocados por mantimentos dentro da própria fazenda. A não possibilidade de remuneração e o encarceramento da vida em função apenas de um trabalho braçal extenuante lhe conta de ecos de uma História não muito distante. “Eu não sabia de nada antes de entrar na luta. Agora eu sei de um bocado de coisa. A luta é uma escola.” E como a humanidade existe muitas vezes em não intencionais ambiguidades, não deixo de notar que Joseano, no momento de nosso encontro, veste uma camisa da seleção de Portugal.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/09/IMG_0485-1024x683.jpg" alt="Vista de baixo para cima de uma fachada de prédio, parcialmente enquadrada por telhas de barro no canto inferior esquerdo e folhagens verdes no canto inferior. A parede do prédio, de cor clara, tem uma inscrição em letras grandes, verdes e em itálico que diz: Centro de Formação, Educação Popular Elizabeth Teixeira. O céu, na parte superior, é azul e claro, com algumas linhas de fiação elétrica." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Centro de formação homenageia Elizabeth Teixeira
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Luara Olívia</span>
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<h2 class="wp-block-heading">Algum dia em 1501</h2>



<p>Exercício fabulativo: uma família de indígenas potiguara que habita o território onde hoje existe o município de Sapé se banha no Gurinhém quando um trovão anuncia uma abrupta mudança no tempo: a pouco mais de 65 quilômetros dali, no litoral, seus parentes potiguaras avistam a chegada da primeira nau portuguesa àquele território. Hoje, ainda existe uma pequena comunidade potiguara no litoral norte paraibano. Mas desde que a monocultura da cana-de-açúcar tomou a paisagem da zona da mata daquela região, não existem mais famílias potiguaras em Sapé.</p>



<h2 class="wp-block-heading">1940</h2>



<p>“O rio Gurinhém passava o ano quase todo seco. Estreitinho, somente aqui e ali deixava vestígios de sua passagem, em pequenas faixas d’água empoçadas. Na areia fina ficavam em baixo-relevo os pés dos viandantes, por muitos dias.” Esse é um trecho do primeiro romance de Permínio Asfora, cujo título coloca em relevo o território de onde se fala: <em>Sapé</em>. O livro foi escrito no período em que Permínio, vindo do Piauí, morava num casebre ao lado da linha férrea que cortava a cidade levando cana e algodão para o litoral. A linha era um empreendimento da Great Western Railway no Brasil, uma empresa inglesa que servia, claro, aos interesses do império britânico.</p>



<p>Pouco depois de seu lançamento, <em>Sapé</em> foi retirado das prateleiras a mando do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do governo Getúlio Vargas. Entra nessa história o famoso Grupo da Várzea, um conjunto de famílias herdeiras de engenhos escravocratas que, até hoje, manda e desmanda na Paraíba. É por influência dessa oligarquia e seus contatos com o governo Vargas que o livro de Asfora é, por várias décadas, completamente apagado da História.</p>



<p>Mas o escritor insiste. Passa os próximos anos elaborando seu próximo romance, <em>Noite grande</em>, um livro que ficcionaliza a chegada de seu pai ao Brasil, vindo da Palestina. O realismo social permanece: “[Jorge] não tinha pátria nenhuma, pois a terra onde nascera vivia sempre dominada. Um dia com a Turquia e agora com a Inglaterra. […] Quando seria que cada país, por pequeno que fosse, seria senhor de suas ventas?”. Pouco depois de concluir <em>Noite grande</em>, em 1947, o império britânico, que por alguns anos se manifestava concretamente no apito de trem em Sapé, traía o povo palestino fazendo um acordo com um projeto sionista colonial de tomar o território para criar Israel em 1948.</p>



<h2 class="wp-block-heading">8 de outubro de 2023</h2>



<p>A cúpula do Senado Federal, na Praça dos Três Poderes, é iluminada com a projeção da bandeira de Israel em resposta aos ataques que o país sofrera no dia anterior, vindos do grupo político que controla a Faixa de Gaza, o Hamas, numa reação aos 75 anos de ocupação de Israel no território palestino. A senadora Daniella Ribeiro, da Paraíba, declara: “um massacre sem precedentes que nos deixa em alerta com a escalada de violência no Oriente Médio. O mundo pede paz!”</p>



<h2 class="wp-block-heading">2007</h2>



<p>Na página 55 do documento <em>Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos</em>, publicado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos do Governo Federal, lê-se: “Os nomes dos mandantes da emboscada que vitimou João Pedro Teixeira, segundo escritura declaratória feita por Francisco de Assis Lemos Souza, foram Aguinaldo Veloso Borges (usineiro), Pedro Ramos Coutinho e Antônio José Tavares, o ‘Antônio Vitor’, conforme decisão do Juiz Walter Rabelo, dada em 27/03/1963.”</p>



<p>Aguinaldo Veloso Borges, um dos nomes mais fortes do chamado Grupo da Várzea, morreu em 1990 sem ser julgado por esse crime. Dois de seus netos são hoje grandes forças políticas da Paraíba: o deputado federal Aguinaldo Ribeiro e sua irmã… Daniella Ribeiro, senadora.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/09/IMG_0588-1024x683.jpg" alt="Close de uma bandeira vermelha em tecido, presa a uma pequena estaca de madeira e ligeiramente ondulada. No centro da bandeira, há um losango (forma de diamante) preto, e dentro dele, um círculo branco com um desenho de um machado cruzado com uma foice. A bandeira está em um ambiente externo, à luz do sol, com o fundo desfocado mostrando árvores, galhos e folhagens verdes." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">A bandeira das Ligas Camponesas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Luara Olívia</span>
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<h2 class="wp-block-heading">21 de julho de 2025</h2>



<p>Cauã, 7 anos, gosta de pescar no Gurinhém. Mas hoje ele está acompanhado de sua irmã, Dandara, de três, e os dois estão naquela dinâmica típica de brincar e brigar e chamar atenção dos adultos. Seus pais, Alane e Weverton, tentam administrar a euforia dos dois enquanto preparam o espaço do Memorial das Ligas e Lutas Camponesas, antiga casa de Elizabeth Teixeira e João Pedro, para receber uma semana de atividades intensas na 6ª edição da Semana das Ligas Camponesas. Alane Lima, que tinha entregado na madrugada daquele mesmo dia o texto para qualificação de mestrado em Geografia Agrária na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) sobre mulheres camponesas, ia atrás das bandeiras das Ligas e de outras para decorar o ambiente, como as do MST, uma bandeira LGBT e uma da Articulação da Juventude Camponesa (AJC). Pergunto pela bandeira palestina e ela me diz que ficou com alguém no dia do centenário de Elizabeth Teixeira e que ainda não devolveram ao Memorial.</p>



<p>Uma das grandes funções do Memorial, no gesto de preservação da memória de luta e simultaneamente de transformação dessa memória em material de educação de base, “é desmitificar o entendimento subjetivo das pessoas sobre o assistencialismo”. Estamos numa área em que os donos de grandes propriedades ainda são “padrinhos” de casamento ou de batismo de crianças camponesas, conseguem remédios e consultas médicas para algumas famílias, fazem pequenos favores em troca de uma obediência servil.</p>



<p>O próprio termo “camponês”, Alane lembra, é ainda um tabu: “pergunte aqui por perto quem se considera camponês e quem se considera agricultor? As pessoas têm medo ainda de assumir a identidade camponesa porque a palavra está ligada a uma demanda por direitos básicos, enquanto agricultor não tem implicações políticas”. Penso imediatamente que se “o agro é pop”, a consciência política pelo direito à agricultura é somente perigosa para o slogan da concentração de renda e destruição ambiental no país. Alane, que tem pavor desse “agro”, não se abala. Filha de pais hoje assentados num território ali perto, e nascida em Barra de Antas, ela faz questão de dizer que foi “formada e forjada na luta”.</p>



<p>Weverton Elias Santos Rodrigues, 37 anos, marido de Alane e também pesquisador e membro da equipe do Memorial, estava responsável naquela semana por ser o guia da exposição sobre o centenário de Elizabeth Teixeira para alunos e professores de escolas da região. Escolas, vale dizer, que com frequência estão localizadas em territórios de usinas de cana para onde uma boa parte dos pais e avós dessas crianças trabalharam e trabalham. </p>



<p>O nome de Elizabeth Teixeira entre esses adultos cruza com frequência as duas margens de um mesmo rio: de um lado, respeito pela trajetória de vida e luta, do outro, medo por toda a violência oligárquica que se desdobra dessa luta. Entre eles, o fluxo da História que se produz em um emaranhado de violências, mas também de processos de resistência. Uma mulher de 100 anos que assusta muita gente.</p>



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	                                        <p class="m-0">Memorial recebe visitas de professores e alunos da região
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Luara Olívia</span>
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<p>Em 2024, Weverton concluiu sua dissertação de mestrado em Direitos Humanos na UFPB justamente sobre a disputa da memória com a criação do espaço que existe desde 2006 e foi tombado pelo Governo do Estado da Paraíba em 2018. Hoje, pensa em um projeto de doutorado na área de literatura que envolve não somente os romances de Permínio Asfora e a presença de forças de colisão política no território, como também o cruzamento disso com obras do chamado Ciclo da Cana de José Lins do Rego, e seus momentos de nostalgia de um período no começo do século XX da zona da mata paraibana em que os engenhos, boa parte deles ainda movidos à água, viviam seus últimos dias de glória.</p>



<h2 class="wp-block-heading">1910</h2>



<p>Alguns quilômetros para cima de onde o Gurinhém cruza a comunidade de Barra de Antas, ainda no município de Sapé, a família do poeta Augusto dos Anjos assiste ao processo de alienação do Engenho Pau-d’Arco, em Sapé, que era de propriedade da família até então. A decadência de alguns desses engenhos está ligada a um contexto histórico de transferência de poder que, se antes estava totalmente concentrado com os senhores de engenho, agora via o fluxo da exportação da cana-de-açúcar ser tomado por empresas estrangeiras. Tais como aquela empresa inglesa que havia construído uma ferrovia perto de onde moraria, anos mais tarde, Permínio Asfora. 1910 era o ano em que, com sua família financeiramente falida, Augusto dos Anjos chega ao Rio de Janeiro ao lado da esposa. Tudo ao redor assume um tom sombrio, pessimista, funesto, quase um pressentimento de sua morte prematura aos 30 anos.</p>



<p>“Acostuma-te à lama que te espera!/ O Homem, que, nesta terra miserável,/ Mora entre feras, sente inevitável/ Necessidade de também ser fera”, diz um verso de seu mais famoso poema, <em>Versos íntimos</em>. Por esses caprichos da História, a biblioteca municipal de Sapé, que leva o nome de Augusto dos Anjos em sua fachada, fica exatamente do outro lado da rua de uma escola pública de ensino médio chamada Gentil Lins, que foi a primeira sede das Ligas Camponesas de Sapé fundada por João Pedro Teixeira, no fim dos anos 1950, e onde hoje, no seu quadro de professores, tem a historiadora Juliana Elizabeth Teixeira, neta de dona Elizabeth, e atual presidenta do Memorial das Ligas e Lutas Camponesas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">1984</h2>



<p>Estamos no tempo que se desenrola um ano depois do assassinato da líder camponesa e sindicalista Margarida Maria Alves. Executada em 12 de agosto de 1983 com um tiro no rosto na presença de seu marido e de seu filho, sua morte também foi investigada e, entre os mandantes do crime, segundo ação do Ministério Público em 1995, está novamente Aguinaldo Veloso Borges, avô da senadora Daniella Ribeiro e patriarca parente de vários outros políticos do estado. Margarida movia mais de 70 ações contra proprietários de terra no brejo paraibano quando foi morta.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/09/IMG_0448-1024x683.jpg" alt="Imagem em preto e branco de Elizabeth Altina Teixeira, uma mulher com rosto marcado e expressão séria ou pensativa, olhando ligeiramente para o lado direito da foto. Ela veste uma blusa estampada com um padrão floral ou de folhagens. A foto é parte de um painel de exibição. À direita dela, há um texto em português que começa com a frase: Desse dia em diante, voltei a ser Elizabeth Altina Teixeira. À esquerda da imagem, um vão de porta ou parede interna, pintada de branco com a borda emoldurada em azul e um pedaço de folha de papel com a frase Eu marcharei na tua luta visível. Um pedaço de madeira vertical e fino separa o painel do vão de porta." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Casa onde Elizabeth Teixeira morava é hoje o Memorial das Ligas e Lutas Camponesas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Luara Olívia</span>
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<p>É nesse contexto que, em 1984, é lançado no Brasil o filme <em>Cabra marcado para morrer</em>, de Eduardo Coutinho. Algumas das primeiras imagens do documentário, filmadas em 1962, são feitas diante da casa onde Elizabeth Teixeira morava com João Pedro e seus filhos, onde hoje funciona o Memorial das Ligas e Lutas Camponesas, ali bem próximo ao Gurinhém.</p>



<p>O filme, um marco na história de nosso cinema, relata não somente a frustração de um projeto de um outro filme que nunca existiu em função da ditadura militar no Brasil, que confiscou quase todo o material – a ideal inicial era reencenar os dias que antecederam a morte de João Pedro com os próprios camponeses e com Elizabeth como protagonista –, como efetivamente projeta para o Brasil o nome de Elizabeth Teixeira. Com o reencontro entre Coutinho e Elizabeth anos depois daquelas primeiras filmagens nos anos 1960, descobrimos um histórico de liderança dela na luta camponesa, o trabalho como professora de crianças no campo e os 17 anos em que precisou desaparecer do mapa com o nome fictício de Marta Maria da Costa, no Rio Grande do Norte, em função da perseguição da ditadura militar.</p>



<p>Na época, o crítico literário Roberto Schwarz faz um texto emocionado sobre o filme e escreve: “a constância triunfa sobre a opressão e o esquecimento. Metaforicamente, a heroína enfim reconhecida e o filme enfim realizado restabelecem a continuidade com o movimento popular anterior a 64, e desmentem a eternidade da ditadura, que não será o capítulo final.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">13 de fevereiro de 2025</h2>



<p>Gente do Brasil inteiro cruza o rio Gurinhém para chegar ao Memorial da Ligas e Lutas Camponesas, onde estão sendo celebrados os 100 anos de Elizabeth Teixeira, marcados por uma ilustração do artista paraibano Shiko, em que a vemos cercadas dos pássaros que cantam para além das fronteiras. Chapéus e bandeiras dispostos no chão em reverência a ela. Elizabeth sorri, recebe presentes e cumprimenta autoridades. Entre elas, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, que anunciava na ocasião o processo de desapropriação de 130 hectares (de um total de mais de 1000 hectares) da Fazenda Antas, onde Elizabeth nasceu e para onde, depois do rio, está virado o quintal de dona Zefinha e seu João Victor, presentes nas celebrações desse dia e felizes de reencontrar dona Elizabeth, cujo nome vai batizar o prometido assentamento a 30 famílias da região.</p>



<p>César Aldrighi, presidente do Incra, que também estava na cerimônia dos 100 anos, afirma que “o dinheiro foi empenhado em dezembro (de 2024) e o processo está em tramitação no cartório para que possamos criar o assentamento”. Na região, em função das lutas organizadas dos camponeses, existem alguns outros assentamentos – poucos – já regularizados em antigos latifúndios que não cumpriam com sua função social.</p>



<h2 class="wp-block-heading">22 de julho de 2025</h2>



<p>“A gente tem que correr atrás, não adianta ficar aqui esperando só o papel sair do cartório, não pode ficar de cabeça baixa esperando pelo Incra”, diz seu Joseano na conversa sobre esse anúncio do futuro e tão esperado assentamento Elizabeth Teixeira. Curiosamente, e quem lembra disso é Alane, o Incra começava naquele dia a ser ocupado, em quase todas as suas sedes nas capitais do país, pelo MST, numa demanda por um plano concreto de reforma agrária. A pontuar que, nessa região da Paraíba, a força mais atuante politicamente pelo direito à terra – e herdeira direta das Ligas Camponesas, não é o MST, mas sim a Comissão Pastoral da Terra (CPT).</p>



<p>João Victor, ao lado de seu Joseano, lembra que está há 28 anos lutando nessa batalha pelo assentamento – trata-se do mais demorado no processo histórico da reforma agrária no estado da Paraíba. Ambos estão cientes de todas as tensões presentes no território há muitos anos. Um dos motivos de preocupação, durante alguns anos, foi a ameaça de “afogar” (o verbo, com todo o peso que carrega, é usado por Alane) todo esse território – que geograficamente se encontra em um vale – com um projeto de barragem na região que só não foi para frente porque o Memorial das Ligas e Lutas Camponesas foi tombado em 2018 pela prefeitura (e ainda existe uma campanha pelo tombamento da mesma casa endereçada ao Iphan) e porque a comunidade de Barra de Antas foi também reconhecida há pouco tempo como comunidade tradicional ribeirinha e, portanto, precisa ser consultada previamente.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2025-09-17-at-22.45.44-1024x683.jpeg" alt="Cena externa de um evento ao ar livre, no final da tarde. Uma mulher com um vestido branco e um chapéu de palha está de pé no centro, à frente de uma construção baixa, simples e branca. Ela segura um pedaço de tecido grande, vermelho e amarelo, que tem uma inscrição, provavelmente um estandarte. No gramado ao lado, há outras pessoas e várias bandeiras coloridas e faixas, algumas com logotipos de organizações (como AJC). O fundo é um belo céu azul com coqueiros e um pequeno monte gramado no horizonte." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Sapé (PB) celebrou os 100 anos de nascimento de Elizabeth Teixeira
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Luara Olívia</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">13 de fevereiro de 2025</h2>



<p>Entre os presentes que Elizabeth recebe em seu 100º aniversário está um buquê de flores, dado pela primeira-dama da cidade de Sapé, Denise Ribeiro, que postou sua visita ao local em suas redes sociais. O encontro não foi muito bem visto pelos aliados políticos do Grupo da Várzea. A imprensa local de Sapé, ao contrário da imprensa nacional, decidiu não comentar muito sobre o evento. Uma mulher de 100 anos incomoda muita gente.</p>



<h2 class="wp-block-heading">1985</h2>



<p>Pouco depois do lançamento de <em>Cabra marcado para morrer</em>, Elizabeth começa a ser convidada para eventos importantes no Brasil. É chamada para receber uma homenagem do Dia Internacional da Mulher, em São Paulo. Na visita à cidade, se encontra com outra paraibana: Luíza Erundina, então prefeita da capital paulista.</p>



<h2 class="wp-block-heading">26 de julho de 2025</h2>



<p>Quarenta anos depois daquele primeiro contato, Erundina, agora aos 90 anos, reencontra Elizabeth na casa desta, em João Pessoa. Casa que foi comprada e dada a Elizabeth com o dinheiro que Eduardo Coutinho recebeu do retorno do filme no Brasil e fora dele. As duas posam para a foto sorrindo. Ambas tinham acabado de receber da UFPB o título de Doutoras Honoris Causa, cuja tradução do latim não poderia ser mais direta: “por causa de honra”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">22 de julho de 2025</h2>



<p>Depois que saio da casa de João Victor e dona Zefinha, reencontro um grupo de mulheres e homens debulhando feijão perto do campo de futebol que fica ao lado do Memorial. Uma dessas pessoas é Maria da Conceição, ou melhor, Ceça, 43 anos. Fala bastante sobre os anos em que passou trabalhando em casa de famílias em João Pessoa (desde os 14), e dos anos que conseguiu juntar um dinheiro para comprar uma casa em Barra de Antas, “daqui não saio mais”. Debulha o feijão que come e que a comunidade vende. Mas não quer ser fotografada porque está acostumada com dinâmicas extrativistas de gente de fora que chega lá e “faz ouro” no estrangeiro “com imagens de nossas mãos”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">19 de julho 2025</h2>



<p>João Pedro Teixeira tem 10 anos de idade e veste um chapéu de camponês. Escuta atentamente ao discurso de sua mãe, Juliana Elizabeth Teixeira, numa cerimônia na UFPB que está dando o título de Doutora Honoris Causa a dona Elizabeth Teixeira, avó de Juliana, e bisavó de João Pedro. Quando o discurso termina, o menino tira o chapéu e faz uma reverência à sua mãe e avó. Juliana me diz que ficou emocionada. Ela e a geração de netos de dona Elizabeth hoje têm plena consciência do que simbolicamente sua avó produz no campo da luta política pelo direito à terra no Brasil. Mas nem sempre foi assim.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2025-09-19-at-12.04.38-1024x683.jpeg" alt="Uma mulher, a mesma da primeira foto, de pele clara e cabelo escuro preso, está falando em um microfone. Ela veste uma camiseta preta e gesticula com a mão direita aberta. Ela tem uma expressão de fala animada. Atrás dela, há uma parede branca e um telhado de madeira e telhas. No lado esquerdo, é visível uma bandeira vermelha com o símbolo do MST e, mais ao fundo, a bandeira do Brasil com o mesmo símbolo, confirmando o contexto do movimento. À direita da mulher, a cabeça de uma pessoa mais velha é visível. A luz do sol está forte." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Juliana Elizabeth Teixeira, neta de dona Elizabeth e atual presidenta do Memorial
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Luara Olívia</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Ela me fala que a geração dos filhos de Elizabeth foi muito marcada pela violência e perseguição que sua mãe e seu pai viveram. E que, por isso, criou-se por muito tempo um tabu de não falar sobre as Ligas Camponesas dentro de casa. Foi somente com a projeção de <em>Cabra Marcado para Morrer,</em> já num contexto de redemocratização do Brasil, que algumas palavras puderam voltar a ser pronunciadas em voz alta.</p>



<p>Tanto Juliana, que acaba de assumir a presidência do Memorial das Ligas e Lutas Camponesas, quanto Alane me falam que dona Elizabeth não costuma mais conversar tanto, mas que existem algumas palavras que despertam sua atenção e sobre a qual ela insiste em não esquecer. Se chegar perto dela e perguntar da “reforma agrária” e de “João Pedro”, ela começa a conversar. Uma mulher de 100 anos lembra somente do que é preciso lembrar.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><em><strong>Este texto é dedicado à luta dos povos indígenas, a resistência dos quilombos e aos membros e vítimas de lutas pelo direito à terra no Brasil: a Cabanagem na região de Belém do Pará, a Balaiada no Maranhão e no Piauí, a Guerra de Canudos na Bahia, a Guerra do Contestado em Santa Catarina e no Paraná, o movimento Caldeirão no Ceará, o movimento Pau de Colher na divisa entre Bahia, Piauí e Pernambuco, as Ligas Camponesas, a Guerrilha de Porecatu no norte do Paraná, a luta armada de Trombas e Formoso em Goiás, a Guerrilha do Araguaia no sul do Pará e em Tocantins, a resistência camponesa em Corumbiara, Rondônia, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) que surge nos anos 1970, o MST que se organiza em meados dos anos 1980 e a Liga dos Camponeses Pobres, fundada nos anos 1990 após o massacre de Corumbiara e a tantos outros grupos de luta no Brasil. E, claro, a dona Elizabeth Teixeira e à luta do povo palestino.</strong></em></li>
</ul>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>Carol Almeid</strong>a é pesquisadora, professora e curadora de cinema. Formada em Jornalismo, trabalhou durante mais de 15 anos em meios impressos e online, com especialidade em jornalismo cultural. Possui um prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos. Doutora no programa de pós-graduação em Comunicação na UFPE, com pesquisa centrada no cinema contemporâneo brasileiro. Faz parte da equipe curatorial do Festival Olhar de Cinema/Curitiba, da Mostra de Cinema Árabe Feminino e da Mostra que Desejo, além de ter participado da equipe curatorial de festivais em todo o país. Ministra aulas sobre curadoria, cinema brasileiro, cinema palestino e representação de mulheres no cinema. Membro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema (Socine).</p>
    </div>
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		<item>
		<title>MST elege 133 candidaturas no Brasil, oito delas em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Oct 2024 19:24:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou um feito inédito e elegeu 133 candidaturas apoiadas pelo movimento nas eleições municipais em 19 estados. Das candidaturas eleitas, 110 ocuparão os cargos de vereador ou vereadora e 23 prefeituras e vice-prefeituras. Neste ano, o MST apoiou cerca de 700 candidaturas comprometidas com pautas da reforma [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou um feito inédito e elegeu 133 candidaturas apoiadas pelo movimento nas eleições municipais em 19 estados. Das candidaturas eleitas, 110 ocuparão os cargos de vereador ou vereadora e 23 prefeituras e vice-prefeituras.</p>



<p>Neste ano, o MST apoiou cerca de 700 candidaturas comprometidas com pautas da reforma agrária, alguns deles assentados e lideranças do movimento. A maioria das candidaturas eram do Partido dos Trabalhadores (PT). No Nordeste, os estados que mais elegeram candidaturas apoiadas pelo MST, consecutivamente, foram Ceará, Bahia e Pernambuco.</p>



<p>Em Pernambuco, oito nomes apoiados pelo MST foram eleitos Ademar Nonato (Lagoa Grande), César Lucena (Camocim de São Félix), Edilson Barbosa de Lima (Caruaru); Gilson Julião (Santa Cruz do Capibaribe), Jobinho (Agrestina), Lucas Souza (Ibimirim), Professora Alzenir da Safra (Santa Maria da Boa Vista) e Tato Mendes (João Alfredo). </p>



<p>Tato Mendes é presidente do diretório municipal do PT no município de João Alfredo e trabalhou diretamente com Rosa Amorim, como assessor de articulação política. Já Edilson Lima, o Edilson Sem Terra, é vice-presidente do PT em Caruaru e assentado da reforma agrária.</p>



<p>Colégio eleitoral importante em Pernambuco, a vitória de Edilson Sem Terra em Caruaru foi bastante comemorada pelo MST. “Hoje fizemos história na Princesa do Agreste! Elegemos Edilson Sem Terra vereador de Caruaru em uma vitória linda e vamos construir um mandato do tamanho da luta do povo desse chão”, <a href="https://www.instagram.com/p/DAzU8tMNshy/?igsh=MzN6MTBnOHBnYXJr">declarou a deputada Rosa Amorim em postagem nas redes sociais.</a></p>



<p>O advogado e coordenador da campanha Mãos Solidárias PE, Tomás do MST, candidato apoiado pelo movimento e pela deputada Rosa Amorim para representar o MST na Câmara de Vereadores do Recife, não conseguiu se eleger. O candidato pelo PT recebeu 4.920 votos. “Não obtivemos a vitória eleitoral, mas seguiremos onde sempre estivemos: na luta, em defesa de uma vida melhor para o nosso povo”, <a href="https://www.instagram.com/p/DAzSUggu6_F/?igsh=NXFqNnluanRoaXZw">declarou Tomás em postagem nas redes sociais.</a> </p>



<p>Na Bahia, foram eleitos 10 prefeitos ligados ao movimento nos municípios de Abaré, Amari, Caravelas, Guaratinga, Iramaia, Mirante, Pau Brasil, Prado, Vereda e Wagner, além de um vice-prefeito em Wenceslau Guimarães. Na Paraíba, o prefeito eleito de Aparecida, no sertão do estado, também recebeu apoio dos sem-terra.</p>



<p></p>



<p><strong><br></strong></p>
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		<title>MST lança 43 candidaturas para as eleições municipais 2024 em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Aug 2024 17:26:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[política em Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nas eleições de 2022, que marcou a volta de Lula ao cargo de presidente do Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) pela primeira vez em seus 40 anos de existência apoio candidaturas de seus representantes à disputa política eleitoral. O movimento, que tem 40 anos de existência, lançou 15 candidatos e candidatas em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nas eleições de 2022, que marcou a volta de Lula ao cargo de presidente do Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) pela primeira vez em seus 40 anos de existência apoio candidaturas de seus representantes à disputa política eleitoral. O movimento, que tem 40 anos de existência, lançou 15 candidatos e candidatas em 12 estados, elegendo seis representantes para os cargos de deputados federais e estaduais em Pernambuco, Ceará, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Em Pernambuco, Rosa Amorim disputou pelo PT e foi eleita deputada estadual com 42,6 mil votos. </p>



<p>Para as eleições municipais deste ano, o MST colocou ainda mais força em seu projeto de ocupar as casas legislativas do país e multiplicou em quase 50 vezes o número de candidaturas lançadas. No dia 9 de julho, em um encontro que ocorreu na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema, no interior de São Paulo, o movimento anunciou mais de 700 pré-candidaturas que irão disputar as eleições de 2024 para prefeito e vereador. Destes, 250 participaram pessoalmente do evento. Em Pernambuco, serão 43 candidatos e candidatas às Câmaras de diversos municípios.</p>



<p>“Historicamente o MST sempre participou, de forma orgânica, das campanhas eleitorais. Mas desde 2021 nós optamos por fazer uma mudança tática e decidimos lançar nomes próprios do movimento para a disputa eleitoral. Isso aconteceu devido à conjuntura política que o Brasil passou a viver no período da pandemia, com um governo fascista e com a extrema-direita crescendo e a gente percebeu que precisava estar dentro dessa disputa também”, declarou o dirigente do MST, Paulo Mansan.</p>



<p>Apesar dos candidatos e candidatas estarem espalhados por diversos partidos, a maioria deles disputam o pleito pelo PT, aliado histórico do movimento, que, além da legenda, oferece apoio logístico e financeiro às candidaturas. O próprio presidente Lula tem uma relação parceira com o MST e reconhece a influência do movimento nas políticas agrárias, incluindo a presença de representantes do movimento ocupando cargos no Ministério do Desenvolvimento Agrário, no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e no grupo responsável por estabelecer os critérios para a distribuição de recursos da safra da agricultura familiar.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A disputa em Pernambuco</h2>



<p>Militantes e agricultores assentados são a maioria entre as 43 candidaturas de integrantes diretos do movimento, que vai apoiar outras 21 pessoas aliadas que dialogam e contribuem com a articulação.</p>



<p>A votação expressiva de Rosa Amorim e suas articulações políticas junto a outros assentados e militantes do MST é motivo de inspiração para que surjam mais candidaturas do movimento em Pernambuco, como afirma Paulo Mansan: “Rosa teve praticamente 15 mil votos no Recife e foram votos de pessoas que simpatizam com a luta do MST, que é uma luta histórica em defesa dos empobrecidos, em defesa daqueles que mais precisam, por isso nós acreditamos que temos força para eleger alguns candidatos sim, em especial nas grandes cidades como Recife, Caruaru, Serra Talhada, Petrolândia e Trindade”.</p>



<p>“Mais de noventa por cento dos nossos candidatos e candidatas são do PT, mas temos também alguns do PCdoB, PSOL, PDT e Rede. Todos estes candidatos têm vínculos diretos com seus devidos partidos, mas aqueles que integram o MST nós tentaremos contribuir para que sejam eleitos. Para isso nós temos um grupo da direção do MST que reflete sobre as táticas políticas e ajudam a dar o norte às campanhas”, explicou.</p>



<p>As candidaturas do MST se espalham por diversos municípios do estado, entre eles: Recife, Caruaru, Serra Talhada, Petrolina, Olinda, Santa Maria da Boa Vista, Petrolândia, Moreno, Aliança, João Alfredo, Trindade, Bezerros, Nazaré da Mata e Águas Belas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Tomás é a aposta no Recife</h2>



<p>Uma das principais esperanças do movimento está na pleito para a Câmara de Vereadores do Recife. O nome dos sem-terra na capital é Tomás Agra, advogado e candidato a vereador pelo PT no Recife, conhecido como Tomás do MST. Ele tem uma relação direta com a deputada estadual Rosa Amorim e acredita que a campanha eleitoral realizada por ela em 2022 abriu espaço para que outros nomes do movimento possam ocupar as casas legislativas. </p>



<p>“O MST tem 40 anos de história e demorou muito, foi tarde a decisão da gente entrar na vida política institucional, eleitoral, para ocupar esse espaço do poder. Mas a campanha da Rosa mostrou a força do MST e mostrou também que o movimento tem um acúmulo de grandes feitos em sua história, o que pode ajudar a nossa sociedade a se transformar e a ter pautas importantes nas casas legislativas”, declarou Tomás.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/tomas.jpg" alt="A imagem mostra um grupo de pessoas participando de uma manifestação ou evento público. Caminhando à frente de duas mulheres jovens, está Tomás Agra, um homem jovem, branco, de barba curta e bem feita, usando camisa polo vermelha e um boné vermelho com o símbolo do MST. As pessoas estão segurando bandeiras vermelhas com um círculo branco e um símbolo preto no meio, que é característico do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Brasil. Algumas pessoas estão vestindo camisetas vermelhas com o texto “BRASIL POPULAR” em letras brancas e grandes, sugerindo que este é um evento relacionado a questões sociais ou políticas brasileiras. Além disso, uma pessoa está segurando um instrumento musical semelhante a um chocalho decorado com contas coloridas. Ao fundo, há árvores e prédios altos e modernos, indicando que o evento está ocorrendo em um ambiente urbano." class="" loading="lazy" width="646">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O advogado Tomás Agra é candidato a vereador do Recife pelo PT
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Rebeca Martins/Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“O grande número de candidaturas nas eleições municipais é um reflexo desse um ano e meio de Rosa na Alepe também porque ela está conseguindo fazer um bom trabalho, tem sido respeitada naquele espaço e tem se mostrado capaz, e poder levar essa experiência para as câmaras de vereadores é o nosso objetivo, por isso nós reunimos nomes de diversas cidades que já possuem um trabalho na militância, seja no campo ou na cidade, para lançar na disputa”, acrescentou o candidato, que iniciou sua trajetória na militância através do Levante Popular da Juventude.</p>



<p>Tomás passou a atuar como advogado do MST Pernambuco, estreitando ainda mais os laços com o movimento através da campanha Mãos Solidárias, que surgiu na pandemia da covid-19 para doar alimentos e refeições a população que vive em situação de vulnerabilidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Trindade, Serra Talhada e Caruaru</h3>



<p>O histórico de militância, sobretudo no que diz respeito à reforma agrária e à agricultura familiar, é o fator determinante para os candidatos e candidatas do MST. E apesar da maioria dos candidatos serem homens, é possível notar que há uma diversidade de gênero nas candidaturas que irão participar das eleições municipais de 2024 pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).</p>



<p>Entre as candidatas está Maria José da Silva, conhecida como Zezinha do MST. Agricultora no assentamento de reforma agrária Josué de Castro, esta é a primeira vez que Zezinha participa da disputa eleitoral para o cargo de vereadora da cidade de Trindade. A agricultura é uma das principais articuladoras e militantes do MST na região do Araripe e integra o movimento há 24 anos.</p>



<p>“Nunca tinha me candidatado, mas enquanto liderança do Movimento Sem Terra aqui na região, a gente tem acompanhado alguns amigos e companheiros, e também outras pessoas que são parceiros, que saíram pré-candidatos, tanto para prefeito, como vice-prefeito, como também para vereadores. Tem várias bandeiras do movimento que a gente pode estar defendendo, mas as principais que eu vou estar defendendo aqui no município de Trindade, em relação à política, vai ser valorizar a questão da reforma agrária popular, garantir os direitos do sujeito LGBT e também garantir os direitos das mulheres e da juventude do campo”, declarou a candidata, que é mulher lésbica e filiada ao PT.</p>



<p>Agricultora, educadora popular e militante do MST há mais de 20 anos, Sandra Nogueira disputa o cargo de vereadora no município de Serra Talhada com apoio do movimento. </p>



<p>Com uma vida dedicada à luta pela reforma agrária e pela educação no campo, e representando as mulheres negras que integram o MST, Sandra aceitou o desafio proposto pelo movimento e participará da disputa eleitoral pela primeira vez, uma decisão que, segundo ela, foi bastante desafiadora e difícil.</p>



<p>“Respondendo a um chamado do MST eu coloquei meu nome a disposição para a disputa eleitoral. Entendendo que nosso objetivo é também pensar e articular candidaturas populares, que ajudem a organizar a política, para que chegando lá nesse espaço nós possamos incentivar outros movimentos e outras frentes de luta a ocupar as casas legislativas, porque nós queremos furar essa bolha e aproximar o povo desse espaço”, explicou Sandra.</p>





<p>Também com uma história antiga no MST como assentado da reforma agrária, Edilson Barbosa, conhecido como Edilson Sem Terra, concorre ao cargo de vereador no município de Caruaru. Esta é a segunda vez que o candidato disputará as eleições, também pelo Partido dos Trabalhadores. Integrante da direção do MST por dois mandatos e vice-presidente do PT em Caruaru, Edilson está confiante na vitória e se vale da forte influência que o MST tem no município junto com as lideranças da agricultura familiar que atuam no Assentamento Normandia, um dos maiores centros de formação do movimento no Nordeste.</p>



<p>“Apesar de ser uma cidade que tem sim um grande conservadorismo, Caruaru elegeu o presidente Lula com quase setenta por cento dos votos, então o PT tem um prestígio atualmente na cidade. Além disso, Rosa Amorim é do Assentamento de Normandia e tem uma relação direta com Caruaru e recebeu muitos votos aqui, isso com certeza vai ter um peso na nossa campanha”, disse o candidato, que também tem como uma de suas principais propostas a defesa da reforma agrária e dos direitos dos assentados, e o incentivo a agricultura familiar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O fator Rosa </h3>



<p><strong>Foi em</strong> Pernambuco que o MST elegeu a representante mais jovem para ocupar o cargo de deputada estadual. Eleita pelo PT, Rosa Amorim recebeu mais de 42 mil votos e teve uma das campanhas eleitorais mais bem sucedidas do país.</p>



<p>Jovem, negra, lésbica, atriz e militante do MST desde criança, filha dos assentados Jaime Amorim &#8211; da direção nacional do MST &#8211; e Rubneuza Leandro &#8211; militante da educação no campo -, Rosa foi eleita aos 25 anos, tendo como mote de sua campanha as causas de luta da reforma agrária, do combate à fome, e do enfrentamento às desigualdades sociais, econômicas, raciais e de gênero, em conformidade ao que defende o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/rosa-amorim-e-o-nome-e-o-rosto-do-mst-nas-eleicoes-2022-em-pernambuco/" class="titulo">Conheça Rosa Amorim, nome e rosto do MST na eleição 2022 em Pernambuco</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Para Rosa Amorim, tanto a sua chegada até a Alepe quanto o número expressivo de candidaturas nas eleições municipais 2024 são reflexo da mobilização do movimento em suas bases de formação: “é uma avaliação coletiva do Movimento Sem Terra e o reconhecimento de que nesse momento histórico em que o Brasil vive nós precisamos endossar representações que de fato tenham inclinação a luta social para estar nos espaços de decisão política [&#8230;] Então não é necessariamente só a minha candidatura que incentiva, incentiva também, mas para além disso é uma decisão do movimento sem terra de lançar candidaturas nos municípios de todo o país”.</p>



<p>“Nas eleições de 2022 nós perdemos no Congresso Nacional, no Senado, nas Assembleias Legislativas, nos Governos dos Estados, portanto, o voto em Lula não necessariamente se transfere para um voto em candidaturas proporcionais, principalmente para o legislativo, por isso nós precisamos mudar esse cenário se a gente quer mudar a correlação de forças na sociedade, principalmente no campo da política institucional”, concluiu Amorim.</p>



<p>A deputada estadual tem acompanhado de perto toda a mobilização do MST para as eleições municipais e além de participar de eventos importantes, como o Seminário Estadual Eleitoral que reuniu todos os candidatos do movimento, cumpre agendas de mobilização e planejamento por todo o estado de Pernambuco para fortalecer as candidaturas.</p>



<p>“O nosso trabalho é processual e estamos trabalhando pela vitória. Mesmo que não tenhamos uma vitória eleitoral teremos uma grande vitória política por ter dado esse passo importante na disputa da institucionalidade e da mobilização das nossas bases”, declarou Rosa Amorim.</p>
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		<title>Projeto digitaliza 200 vídeos populares produzidos em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jul 2024 20:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[SOS Corpo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Será lançado, nesta sexta-feira (26), o projeto Acervo do Vídeo Popular em Pernambuco, que recuperou quase 200 fitas captadas por movimentos sociais e organizações populares atuantes no estado entre os anos de 1980 e 1990. As produções são da TV Viva, do SOS Corpo e do Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Foram dois anos [&#8230;]</p>
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<p>Será lançado, nesta sexta-feira (26), o projeto Acervo do Vídeo Popular em Pernambuco, que recuperou quase 200 fitas captadas por movimentos sociais e organizações populares atuantes no estado entre os anos de 1980 e 1990. As produções são da TV Viva, do SOS Corpo e do Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Foram dois anos de pesquisa e digitalização. O evento de lançamento será às 18h no Centro de Cultura Luiz Freire, em Olinda, e contará com a exibição de oito desses vídeos, seguida de uma roda de conversa. O site/repositório <a href="http://videopopularpe.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">videopopularpe.com.br</a> disponibiliza gratuitamente o acervo digitalizado e categorizado.</p>



<p>Essa produção audiovisual incidiu e participou de acontecimentos decisivos da história pernambucana recente, como a campanha pelas eleições diretas e a formulação da Constituição de 1988, ficando conhecida, em conjunto com produções de outras regiões, como Movimento do Vídeo Popular.</p>



<p>Entre os filmes dessa primeira mostra, desta sexta (26), estão <em>Profissão Doméstica</em>, de 1985, da TV Viva; cenas do grupo de Teatro Loucas da Pedra Lilás, filmadas em 1989 pelo SOS Corpo; e o discurso de Jaime Amorim em frente ao Fórum de São Bento do Una, em 1998, registrado pelo MST. A ocasião marca também a celebração dos 40 anos da TV Viva, um dos principais coletivos de comunicação independente de Pernambuco.</p>





<p>A mostra faz parte de um ciclo de exibições públicas que, neste segundo semestre, passará também pelo Armazém do Campo (equipamento cultural do MST), pela sede da organização feminista SOS Corpo e pela Cinemateca Pernambucana. A programação completa está no Instagram <a href="https://www.instagram.com/acervodovideopopularpe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@acervodovideopopularpe</a>. O projeto tem incentivo do Sistema de Incentivo a Cultura (SIC), da Prefeitura do Recife, e da Lei Paulo Gustavo.</p>



<p>“O projeto nasce da pergunta ‘O que a produção audiovisual gestada na parceria entre realizadores e movimentos sociais no passado recente tem a nos ensinar hoje?&#8217;”, explica Vinícius Andrade, coordenador da pesquisa. “Era um contexto de vitalidade e participação democrática e popular efervescentes que são muito inspiradoras e que precisam ser preservadas&#8221;, afirma Caioz, produtor e responsável pela gestão técnica do projeto. &#8220;O material vasto que digitalizamos tem a potência de narrar as lutas a partir do ponto de vista autônomo dos movimentos sociais e isso é precioso e não pode se perder com o tempo&#8221;, completa.</p>


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		<title>Com vaias a Raquel e João Campos, enfermagem &#8220;sequestra&#8221; evento de Lula no Geraldão</title>
		<link>https://marcozero.org/com-vaias-a-raquel-e-joao-campos-enfermagem-sequestra-evento-de-lula-no-geraldao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Mar 2023 23:33:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[enfermeiras]]></category>
		<category><![CDATA[Fetape]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[PAA]]></category>
		<category><![CDATA[presidente Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O evento promovido com jeito de campanha para a reeleição do prefeito João Campos (PSB) e repleto de bons anúncios de programas do Governo Federal foi &#8220;sequestrado&#8221; por pelo menos dois mil profissionais de enfermagem, em sua maioria técnicos e auxiliares. Nas arquibancadas do Geraldão &#8211; vitrine da gestão municipal do PSB -, a categoria [&#8230;]</p>
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<p>O evento promovido com jeito de campanha para a reeleição do prefeito João Campos (PSB) e repleto de bons anúncios de programas do Governo Federal foi &#8220;sequestrado&#8221; por pelo menos dois mil profissionais de enfermagem, em sua maioria técnicos e auxiliares. Nas arquibancadas do Geraldão &#8211; vitrine da gestão municipal do PSB -, a categoria mobilizada por dois sindicatos roubou a cena e deu o tom da cerimônia, cobrando do presidente, do prefeito João Campos e da governadora Raquel Lyra o pagamento do piso salarial da categoria, em greve há 12 dias. Os protestos não cessaram nem mesmo durante o discurso de Lula.</p>



<p>“Ô, Lula, cadê você, assina logo a MP&#8221; e &#8220;Respeita a enfermagem&#8221; foi o que mais se ouviu no ginásio. Mas, quando chegou a vez de Raquel Lyra (PSDB) falar, pouco antes do presidente, a enfermagem em peso vaiou. E sem parar. Foram vários minutos seguidos de vaias, todo o discurso, com enfermeiros e enfermeiras vaiando e de costas para o palco. O MST até tentou puxar aplausos, mas foi sufocado. Raquel apelou iniciando o discurso com um &#8220;viva&#8221; para políticos que ajudaram a construir a democracia no Brasil. Até Eduardo Campos, do PSB, pai do adversário político João Campos, ela mencionou.</p>



<p>Lula bem que tentou apaziguar os ânimos se posicionando ao lado da governadora &#8211; como fez com sucesso durante a campanha para dar suporte ao então candidato Danilo Cabral (PSB). Desta vez, não teve efeito algum. Lula não silenciou o Geraldão. A governadora também não se calou e não fez nenhum aceno de negociação para a categoria. Ao final do discurso, disse que iria &#8220;trabalhar por vocês e para vocês&#8221;, citando &#8220;aqueles que estão de costas&#8221; como se ainda fosse candidata e não estivesse há quase três meses como governadora.  </p>



<p>Ao assumir o microfone, às 19h20min, mais de quatro cansativas horas depois do horário anunciado, o presidente estava irritado e optou por fazer um gesto político a Raquel: &#8220;Quando vocês estavam vaiando a governadora, vocês estavam me vaiando. Ela não está aqui porque quis, mas porque foi convidada. Poderiam ter vaiado Bolsonaro nos quatro anos em que ele esteve na presidência. Temos que aprender a conviver como adversários, não como inimigos. A governadora pode ser adversária política, mas ela foi eleita e iremos respeitá-la”. </p>



<p>O presidente, porém, não estava falando em um evento de campanha, só entre os seus. Os protestantes não recuaram. &#8220;Uma pena que tudo que era anunciado aqui era pequeno diante da vontade de vaiar a governadora. Podem me vaiar à vontade, mas, por favor, respeitem meus convidados”, pediu o contrariado Lula, sem intimidar as arquibancadas do Geraldão, que responderam em coro: &#8220;Respeita a enfermagem!”</p>



<p>Demorou um tempo para que o assunto Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) surgisse com força nas falas dos ministros e outras autoridades que usaram o microfone antes de Lula. O primeiro a falar, por exemplo, foi o ministro chefe da Secretaria Geral, Márcio Macedo (PT), que tratou logo de tentar acalmar o pessoal da enfermagem, com um discurso apaziguador: &#8220;Como deputado federal, votei a favor do piso. O presidente Lula tem compromisso, a equipe da saúde está trabalhando e a Casa Civil está trabalhando junto com o STF para que, muito breve, o presidente possa assinar a MP do piso&#8221;. Não adiantou, como se viu depois.</p>



<p>Àquela altura, a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti e a vice-governadora Priscila Krause (Cidadania) já tinham recebido suas fartas cotas de vaias.</p>



<p>A tal Medida Provisória para a enfermagem se tornou necessária depois que o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, suspendeu a obrigatoriedade de pagamento do piso aprovado em agosto de 2002 e condicionou sua implantação à regulamentação da origem dos recursos financeiros que sustentarão o aumento dos salários. É exatamente uma MP com esse conteúdo que está sendo cobrada de Lula.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/satenpe-um-sindicato-de-parar-o-transito/" class="titulo">Satenpe, um sindicato de parar o trânsito</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/trabalho/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Trabalho</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Após o evento, já na saída do Geraldão, o presidente do Sindicato Profissional dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem em Pernambuco (Satenpe), Francis Herbert, afirmou que não engoliu o “esporro” que Lula deu em sua categoria. “O presidente foi eleito com os votos dos trabalhadores, mas hoje ele ficou contra o trabalhador, ficando ao lado da governadora que não negocia com a enfermagem. Se as coisas chegaram a esse ponto, é culpa do presidente&#8221;, disse. </p>



<p>Sobre a fala inflamada de Lula que disse que não era para se vaiar uma convidada, o presidente do Satenpe foi taxativo. &#8220;Ele tratou esse evento como se fosse um ato particular dele e disse que nós não fomos convidados”, reclamou Herbert, cujo sindicato é filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT). </p>



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	                                        <p class="m-0">Auxiliares e técnicas de enfermagem vaiaram o prefeito e a governadora. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading">E o PAA?</h2>



<p>Em meio aos protestos, bons projetos foram anunciados em um evento que seria longo e confuso, mesmo se não tivesse contado com a participação explosiva da enfermagem. Mais de uma dúzia de pessoas falaram ao microfone. Na sua fala, o líder nacional do MST Jayme Amorim disse acreditar que o PAA resolverá “vários problemas. Um é o nosso: os agricultores vão produzir mais porque sabem que vão vender. Outro é que ter um estoque de alimentos é soberania nacional. Resolve o problema da falta de alimentos e de quem passa fome”.</p>



<p>Cícera Nunes, presidenta da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Pernambuco (Fetape), convidou Lula e a esposa Janja a participar da Marcha das Margaridas deste ano, além de ressaltar o papel do PAA para a população do campo: &#8220;somos milhares de agricultores e agricultoras e seguramos a alimentação desse país. E sofremos sem crédito e sem dinheiro para produzir. O PAA vai nos ajudar bastante e também para que as mulheres tenham liberdade econômica&#8221;.</p>



<p>Cícera aproveitou para fazer um aceno a Raquel Lyra pedindo para que seu governo invista em políticas públicas para a agricultura familiar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Chuvas na pauta</h3>



<p>Antes de Lula, o evento ofereceu a oportunidade para que ministros e autoridades locais pudessem mostrar serviço. O prefeito João Campos e o ministro das Cidades Jáder Barbalho Filho, por exemplo, assinaram no palco a ordem de serviço para o início das obras de contenção de encostas no Córrego do Sargento, na Linha do Tiro, zona norte do Recife. O valor de R$ 8 milhões já foi liberado hoje pelo Governo Federal e faz parte de um pacote de R$ 66 milhões anunciados para a prevenção de novas tragédias nos morros. </p>



<p>Em tom de campanha eleitoral, o prefeito prometeu que “para cada um real que o governo federal colocar, a prefeitura vai colocar mais um real&#8221;. O prefeito também foi vaiado pela enfermagem e, ao contrário da governadora, interrompeu o discurso, bastante incomodado com a reação da arquibancada. Mas conseguiu retomar a fala, com a ajuda de apoiadores que estavam na plateia do evento. </p>



<p>A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, assinou um acordo de cooperação com o Governo Estadual para a implantação de um sistema de monitoramento de cheias e morros. &#8220;É para evitar que eventos climáticos levem vidas&#8221;, resumiu, explicando que o sistema vai funcionar como um alerta de riscos, com monitoramento 24 horas, incluindo sensores capazes de medir a umidade das encostas em até quatro metros de profundidade. Um alerta será enviado quando a umidade dos terrenos estiver alta. &#8220;E a Defesa Civil recebe o alerta para retirar as pessoas das áreas de risco&#8221;, detalhou a ministra.</p>



<p>Outro ministro pernambucano, o da Pesca  e Aquicultura, André de Paula também ocupou o palco, o microfone e a caneta para assinar um convênio de qualificação de pescadores e pescadoras artesanais com os reitores da UFPE e UFRPE. Além de oficinas de capacitação, os convênios têm um objetivo que interessa diretamente às famílias que vivem da pesca. “Os restaurantes universitários vão comprar a produção de peixes da pesca artesanal. São mais de 10 mil refeições diárias. É uma compra sem atravessador. Um projeto piloto que começa aqui em Pernambuco, mas vai se espalhar pelo Brasil inteiro&#8221;, resumiu André de Paula.</p>



<p><strong>* </strong><em><strong>Colaborou Inácio França</strong></em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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			</item>
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		<title>Centro de formação do MST é pichado com suástica e casa de coordenadora é incendiada em Caruaru</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Nov 2022 21:08:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Assentamento Normandia]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[violência no campo]]></category>
		<category><![CDATA[Violência Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Centro de Formação Paulo Freire, do Movimento Sem Terra (MST), localizado no assentamento Normandia, em Caruaru, no agreste de Pernambuco, foi invadido por bolsonaristas e pichado com suásticas, símbolo nazista, e com a palavra “mito”. A casa onde mora a coordenadora do espaço foi arrombada e incendiada. O caso aconteceu na madrugada do último [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O <a href="https://marcozero.org/qual-a-importancia-do-centro-paulo-freire-fomos-a-normandia-para-entender/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centro de Formação Paulo Freire</a>, do Movimento Sem Terra (MST), localizado no assentamento Normandia, em Caruaru, no agreste de Pernambuco, foi invadido por bolsonaristas e pichado com suásticas, símbolo nazista, e com a palavra “mito”. A casa onde mora a coordenadora do espaço foi arrombada e incendiada. O caso aconteceu na madrugada do último sábado (12), por volta das 3h.</p>



<p>Segundo a <a href="https://www.instagram.com/p/Ck66mjALyWX/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nota</a> publicada pelo MST nas redes sociais, inicialmente foram vistas quatro pessoas, com camisas amarelas, que aproveitaram para invadir o espaço enquanto acontecia uma festa de vaquejada no Parque de Vaquejada Milanny, em frente ao assentamento. Ainda de acordo com a nota, a militância que mantém o centro foi alertada e conseguiu apagar o incêndio. A casa, entretanto, foi parcialmente queimada, principalmente as camas, os telhados e os pertences.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Pichação de suástica, símbolo nazista, no Centro Paulo Freire, no assentamento Normandia, em Caruaru. crédito: MST</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A <a href="https://marcozero.org/rosa-amorim-e-o-nome-e-o-rosto-do-mst-nas-eleicoes-2022-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">deputada estadual eleita Rosa Amorim</a> (PT), da direção do MST, lembra que essa região do agreste tem muitos grupos bolsonaristas organizados, principalmente em Santa Cruz do Capibaribe, distante apenas 40 quilômetros. Pela segunda eleição consecutiva, o município foi o único de Pernambuco que deu vitória ao presidente Jair Bolsonaro (PL). “Temos nessa região um histórico de ataques”, frisa Rosa. “Há indícios de que existem grupos fascistas organizados nessa parte do agreste”, alerta.</p>



<p>Em setembro, a duas semanas do primeiro turno, Bolsonaro esteve em Santa Cruz do Capibaribe para uma motociata ao lado dos candidatos derrotados ao governo de Pernambuco, Anderson Ferreira (PL), e ao Senado, Gilson Machado (PL). Ambos foram derrotados nas urnas.</p>



<p>Em junho do ano passado, um <a href="https://g1.globo.com/pe/caruaru-regiao/noticia/2021/06/18/jovem-expulso-de-shopping-em-caruaru-por-usar-suastica-no-braco-e-apreendido-pela-policia-civil-e-sera-encaminhado-ao-mppe.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">jovem de 17 anos foi expulso de um shopping em Caruaru</a> por usar suástica no braço. Uso de símbolos nazistas é crime no Brasil e tem pena de reclusão de um a três anos, além de multa.</p>



<p>Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco, sem citar o nome do(a) delegado(a) responsável pelo caso, informou que “registrou, no dia 12.11, através da 14ª Delegacia Seccional de Caruaru, uma ocorrência de incêndio doloso na zona rural do município”. Disse também que “um inquérito policial foi instaurado e outras informações poderão ser repassadas após a completa elucidação dos fatos”. A resposta da polícia, porém, não menciona a questão das pichações. A reportagem questionou e aguarda retorno.</p>



<p>Em entrevista à reportagem, Rosa Amorim também disse que os cursos no centro continuam normalmente. E lembrou que o MST “é conhecido historicamente por um movimento que cuida da segurança, tem mecanismo próprios de segurança e que estão sendo reforçados”.</p>



<p>&#8220;Lamentamos muito ter que fazer este informe, já que saímos de uma jornada eleitoral polarizada e acirrada. O Brasil e o povo brasileiro clamavam por atitudes e empenho para resgatar a democracia, os preceitos constitucionais do estado democrático de direito e uma postura enérgica contra a fome, contra a violência, contra o ódio e contra todo tipo de preconceito. Os bolsonaristas foram derrotados nas eleições, mas uma minoria, movida pela intolerância, pelo preconceito e pelo ódio de classe, de raça e de gênero, não aceitou os resultados da democracia e está querendo nos impor um terceiro turno&#8221;, diz a nota do movimento. </p>



<p>&#8220;Felizmente, desta vez ninguém se feriu, os danos materiais a gente resolve, mas fica mais uma vez a lição de que não podemos &#8216;baixar a guarda&#8217;. Temos que manter o alerta para proteger nossas estruturas e garantir a posse de Lula no primeiro de janeiro. Até lá, alerta máximo. Cuidar e proteger nossas estruturas e nossas lideranças contra a ira do ódio, do preconceito e da intolerância dos grupos fascistas. Contra todo o tipo de ódio e intolerância, venceremos!&#8221;, finaliza o texto.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/qual-a-importancia-do-centro-paulo-freire-fomos-a-normandia-para-entender/" class="titulo">Qual a importância do Centro Paulo Freire? Fomos à Normandia para entender</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Centro foi alvo de ação de despejo em 2019</strong></h2>



<p>Em 2019, no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), o Centro Paulo Freire foi <a href="https://marcozero.org/centro-de-formacao-do-mst-em-caruaru-e-alvo-de-reintegracao-de-posse-solicitada-pelo-incra/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">alvo de uma ação de reintegração de posse</a> solicitada pelo próprio Incra e determinada pela 24ª Vara Federal, no agreste, pelo juiz federal Thiago Antunes. A reintegração de posse terminou sendo barrada na época após uma forte mobilização, mas o caso segue tramitando na Justiça.</p>



<p>O centro foi criado em 1998, é um dos principais do Nordeste e funciona para fins coletivos de capacitação. Desde então, trabalhou para consolidar-se como um referência, por meio de parcerias com universidades públicas, institutos federais, governo do estado e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Mais de 100 mil pessoas já passaram pelos cursos práticos e teóricos no local, onde há salas de aulas, alojamentos, auditório, creche, quadra esportiva e outros aparatos.</p>



<p>O assentamento Normandia, onde fica o centro, se dedica ao desenvolvimento da agricultura familiar. No local, além do Centro Paulo Freire, funcionam cooperativa agrícola, associação, agroindústria e escola multisseriada até o quinto ano.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/em-seu-35-anos-mst-assegura-espacos-das-mulheres-lgbt-e-para-formacao-da-militancia/" class="titulo">Em seu 35º aniversário, MST amplia espaços das mulheres, LGBT e para formação da militância</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
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<p><strong>Uma questão importante!</strong></p>
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		<title>Conheça Rosa Amorim, nome e rosto do MST na eleição 2022 em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/rosa-amorim-e-o-nome-e-o-rosto-do-mst-nas-eleicoes-2022-em-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Sep 2022 21:04:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura orgânica]]></category>
		<category><![CDATA[combate à fome]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
		<category><![CDATA[sem terra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ela é filha de assentados da reforma agrária e cresceu nas fileiras do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). De Caruaru, no Agreste do estado, Rosa Amorim, 25 anos, foi escolhida pelo movimento para disputar um cargo legislativo. Ocupar a política institucional não era pretensão do MST – nem de Rosa. Mas muita coisa mudou [&#8230;]</p>
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<p>Ela é filha de assentados da reforma agrária e cresceu nas fileiras do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). De Caruaru, no Agreste do estado, Rosa Amorim, 25 anos, foi escolhida pelo movimento para disputar um cargo legislativo. Ocupar a política institucional não era pretensão do MST – nem de Rosa. Mas muita coisa mudou no Brasil nos últimos anos. A perda de direitos e a fome de 33 milhões de brasileiros fez os dirigentes dos sem-terra reprogramarem a rota e lançarem, nestas eleições, 15 candidaturas próprias ao redor do Brasil pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Rosa é uma delas.</p>



<p>Jovem, negra, lésbica, atriz e estudante de teatro, ela é a síntese da pauta de transformação da sociedade no campo e na cidade pregada pelo MST – que o presidente Jair Bolsonaro (PL) vê como seu principal inimigo e tenta criminalizar a qualquer custo. Foi pelo perfil e histórico de lutas que Rosa foi escolhida para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), um espaço historicamente de baixa representatividade dos movimentos sociais, num cenário em que o Executivo estadual também dialoga pouco com os movimentos.</p>



<p>“O MST, há muito tempo, não vem lutando só pela terra. A gente compreende que a luta pela reforma agrária é uma luta do campo e da cidade. Porque não tem como pensar o campo sem pensar a cidade. Porque, se o campo não planta, a cidade não janta”, cita Rosa. Ela concedeu entrevista à <strong>Marco Zero</strong> esta semana e contou sobre suas propostas, suas estratégias e seus desafios.</p>



<p>É nessa costura campo-cidade e na necessidade de renovação do quadro político que entra o nome de Rosa Amorim. Desde cedo envolvida no movimento estudantil, ela é militante do Levante Popular da Juventude e diretora de cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE). No Recife, está à frente de iniciativas políticas de solidariedade do MST, que, durante a pandemia, doou, no Brasil, 10 mil toneladas de alimentos para as periferias, além de ter construído diversas cozinhas solidárias.</p>



<p>Somente na capital pernambucana, o movimento tem inserção em mais 50 comunidades. Rosa construiu a campanha Mãos Solidárias e coordena o Armazém do Campo no centro da capital, loja de produtos orgânicos e agroecológicos da reforma agrária, onde também funcionam mercado, livraria e bar.</p>



<p>Ela é filha de Jaime Amorim, da direção nacional do MST e da coordenação da Via Campesina Internacional, e de Rubneuza Leandro, militante da educação que ajudou a formular a concepção de educação no campo e participou da primeira turma de formação de nível superior do MST. Na entrevista, a reportagem pediu que ela falasse também da mãe, já que as pessoas, de modo geral, se referem mais ao seu pai. “Tem uma frase da minha mãe que eu gosto muito: ‘é possível plantar feijão e ser doutor’”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Combate à fome e desapropriação de terras</strong></h2>



<p>“A gente não quer só doar alimento, a gente precisa organizar o povo. Então é através da questão da fome e da distribuição de comida que a gente vem tocando os trabalhos de base”, explica. Entre as principais propostas da sua plataforma política, está incentivar o governo e os parlamentares de Pernambuco por um compromisso de combate emergencial à fome.</p>



<p>“Hoje, o MST tem nove cozinhas comunitárias espalhadas pela Região Metropolitana do Recife e a gente precisa fazer com que o Estado, que tem condições, crie restaurantes populares”, defende. “Não adianta dizer que o feijão está caro, que o arroz está caro, porque o povo chega no mercado e a conta não fecha no final do mês. Isso vai demorar para a gente ter uma mudança novamente na qualidade de vida da população. Então é preciso criar restaurantes para que as pessoas tenham onde se alimentar”, reforça.</p>



<p>Um outro ponto que Rosa defende como pauta é a criação de um mecanismo estadual para desapropriação de terras. “Queremos que o estado de Pernambuco compre terras para fins de reforma agrária, através de um órgão específico responsável pelo processo de democratização das nossas terras, que regulamente e dê destinação”, coloca.</p>



<p>Rosa tem uma verba de campanha enxuta, em torno de R$ 200 mil. É menos da metade do que têm outros nomes do PT que, junto com ela, têm expectativa de votação expressiva pelo partido, como Doriel Barros e João Paulo, ambos com verbas na casa de R$ 500 mil.</p>



<p>Com uma militância bastante orgânica e jovem, a campanha de Rosa tem ocupado espaços e eventos de rua no Recife com bandeirões do MST e batucadas, usando como um de seus símbolos o boné vermelho do movimento, que ganhou o desenho de uma rosa na lateral, a marca dela. No interior, Rosa tem realizado plenárias e encontros em diversos municípios com agricultores e agricultoras familiares.</p>



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	                                        <p class="m-0">Rosa Amorim Assentamento Normandia, em Caruaru. crédito: Rebeca Martins</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>“Uma carne assada, mas também uma boa salada orgânica”</strong></h3>



<p>Filiada ao PT em março deste ano, para concorrer às eleições, Rosa destaca a mudança de discurso de Lula. “Lula antes falava que o povo brasileiro no governo dele comia uma picanha no final de semana. Lula hoje quer que o povo volte a comer a sua carne assada, mas também uma boa salada orgânica”, compara ao ser perguntada sobre que demandas o movimento tem colocado à mesa nas negociações com Lula nessa nova relação construída nos últimos anos.</p>



<p>“Quem produz essa salada orgânica e quem vem lutando por uma comida sem veneno é o MST. E qual é o meio principal hoje de escoação da nossa produção? São as nossas cooperativas”, acrescenta Rosa, falando do entendimento com Lula de que o desenvolvimento dos assentamentos, dos acampamentos e da agricultura familiar passa por ter os próprios meios de produção e de escoamento. O MST é o maior produtor de arroz orgânico do Brasil e da América Latina.</p>



<p>Outro ponto de pactuação com Lula é a criação de um Ministério da Reforma Agrária, que cuide da agricultura familiar, com um olhar específico para o campo, e não de desenvolvimento agrário.</p>



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		<title>Bancadas bolsonarista e evangélica votaram  a favor de título de cidadão pernambucano a coordenador do MST</title>
		<link>https://marcozero.org/bancadas-bolsonarista-e-evangelica-votaram-a-favor-de-titulo-de-cidadao-pernambucano-a-coordenador-do-mst/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Dec 2021 22:29:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alepe]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita]]></category>
		<category><![CDATA[Isaltino Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Mansan]]></category>
		<category><![CDATA[PSB]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A radicalização do debate político tornou o ambiente tão tenso nas assembleias legislativas e câmaras de vereadores do país que qualquer proposição rotineira, antes aprovada sem maiores discussões, passou a ser motivo de acirrados embates ideológicos. A proposta de conceder o título de cidadão pernambucano ao gaúcho Paulo Mansan, coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores [&#8230;]</p>
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<p>A radicalização do debate político tornou o ambiente tão tenso nas assembleias legislativas e câmaras de vereadores do país que qualquer proposição rotineira, antes aprovada sem maiores discussões, passou a ser motivo de acirrados embates ideológicos. A proposta de conceder o título de cidadão pernambucano ao gaúcho Paulo Mansan, coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), tinha tudo para gerar um desses confrontos no plenário da Assembleia Legislativa.</p>



<p>Não foi o que aconteceu: o título acabou sendo aprovado por todos os 33 parlamentares presentes. Até bolsonaristas e evangélicos votaram a favor da homenagem ao líder do MST. Na verdade, nem discussão houve. Uma surpresa, afinal, há três anos, a Assembleia Legislativa rejeitou conferir o título de cidadão ao catarinense Jaime Amorim, veterano dirigente do movimento. As duas propostas partiram do mesmo deputado, Isaltino Nascimento (PSB).</p>



<p>De acordo com Isaltino, que é líder do governo Paulo Câmara na Assembleia, a aprovação do título se deu de maneira tranquila graças a um acordo entre as lideranças partidárias costurado por ele. “Isso foi construído no diálogo com o conjunto da Casa e com as lideranças. Foi indagado se alguém teria tem algum questionamento, alguma dúvida, mas não houve nada nesse sentido. Mesmo entre o pessoal de pensamento mais conservador, não houve nenhum tipo de questionamento”, explicou o deputado socialista.</p>



<p>A lista de parlamentares conservadores ou mesmo de extrema-direita favoráveis à honraria ao coordenador do MST é grande, incluindo Manoel Ferreira (PSC), talvez a principal liderança evangélica na Alepe. Pai do prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira, e ligado à Assembleia de Deus, ele confirmou, por meio de sua assessoria, que realmente houve o acordo de lideranças mencionado pelo líder do Governo para aprovar quase uma centena de resoluções. A proposta do título de Mansan estava entre elas.</p>



<p>Já o coronel Alberto Feitosa (PSC), um dos mais convictos defensores de Jair Bolsonaro no estado, assegurou saber o que estava fazendo quando votou favoravelmente. Lançando mão de um discurso moderado, explicou sua posição, mas afirma que não se alinhou ao acordo de líderes: “Eu voto contra quando acho que tenho de votar contra, mas não sou intolerante, não sou dessa turma que diz que tudo que vem de Bolsonaro não presta ou tudo que vem de Lula não presta. O currículo do Paulo é muito bom, não há nada que desabone sua conduta. Estudei o currículo bem direitinho, é professor, tem pós-graduação”. Feitosa recordou que, na tentativa de conferir o título de cidadão a Jaime Amorim, ele votou contra e fez campanha para não aprovar a homenagem.</p>



<p>Eleito com apoio e votos da Igreja Universal, o deputado William Brígido (PR), enviou uma nota para explicar seu voto: “O Republicanos faz parte da base do Governo do Estado e a proposta é de autoria do líder do governo na Alepe. Além disso, vejo como um bom gesto em conceder o título de cidadão pernambucano a quem tem serviços prestados ao estado. Afinal de contas, Paulo Mansan vem coordenando o projeto Mãos Solidárias, que agrega grupos e movimentos populares para realizar ações de distribuição de alimentos e máscaras descartáveis em Recife, o que tem sido de grande importância para os mais necessitados”.</p>



<p>Um dos votos favoráveis mais curiosos foi o do deputado Clóvis Paiva (PP), proprietário da usina Bom Jesus, no Cabo de Santo Agostinho, e principal representantes dos interesses dos usineiros no legislativo. Apesar desse <em>curriculum vitae, </em>ele também concordou com o título para o coordenador do movimento que é alvo de fazendeiros e usineiros na Zona da Mata. Infelizmente, não será possível conhecer as razões do deputado, pois sua equipe não respondeu ao e-mail enviado pela Marco Zero Conteúdo.</p>



<p>Entre os parlamentes de direita, conservadores ou explicitamente bolsonaristas que apoiaram o título para Mansan estão Henrique Queiroz Filho (PL, também ligado ao agronegócio), Cleiton Collins (PP) Delegado Erick Lessa (PP) e Priscila Krause (sem partido). Ironicamente, Doriel Barros e Dulci Amorim (ambos do PT) não votaram.</p>



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