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	<title>Arquivos Olinda - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 25 Mar 2026 21:03:18 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Olinda - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>“Roda de Memórias” promove encontro para resgatar histórias de moradores de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 20:53:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[história oral]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O projetoRoda de Memóriasrealiza no próximo sábado (28) mais um encontro dedicado à preservação da história oral da cidade alta de Olinda. O evento acontece a partir das 16h, no Gracinha Restaurante, localizado na rua de São Bento, 210. Com uma proposta informal, a iniciativa convida moradores antigos e seus familiares para compartilhar relatos e [&#8230;]</p>
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<p>O projeto<em>Roda de Memórias</em>realiza no próximo sábado (28) mais um encontro dedicado à preservação da história oral da cidade alta de Olinda. O evento acontece a partir das 16h, no Gracinha Restaurante, localizado na rua de São Bento, 210.</p>



<p>Com uma proposta informal, a iniciativa convida moradores antigos e seus familiares para compartilhar relatos e vivências do que foi um dia a “Velha Marim dos Caetés”. A ideia é dar continuidade à construção de um mosaico histórico da região, valorizando as vozes de quem vive ou viveu nesse espaço tão simbólico.</p>



<p>As memórias serão estimuladas por meio de um “passeio” virtual pela cidade alta, utilizando a ferramenta Google Street View, projetada para os participantes. A atividade busca reunir histórias e “estórias” que ajudem a recompor a identidade cultural do local.</p>



<p>A organização do evento pede que os interessados convidem e tragam parentes e amigos mais velhos que tenham ligação com a região. A entrada é livre e aberta ao público.</p>



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		<title>Frevo pede passagem em carta sobre baterias de samba no Carnaval de Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/frevo-pede-passagem-em-carta-sobre-baterias-de-samba-no-carnaval-de-olinda/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 19:01:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após diversos episódios de baterias de samba com som amplificado tomando o lugar do anfitrião e grande responsável pela tradição do Carnaval de Olinda — o frevo —, a associação que representa as agremiações do mais pernambucano dos ritmos resolveu ir a público pedir passagem (literalmente). Além de disputar espaço com as orquestras, algumas baterias [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após diversos episódios de baterias de samba com som amplificado tomando o lugar do anfitrião e grande responsável pela tradição do Carnaval de Olinda — o frevo —, a associação que representa as agremiações do mais pernambucano dos ritmos resolveu ir a público pedir passagem (literalmente). Além de disputar espaço com as orquestras, algumas baterias contam com mais verba da Prefeitura de Olinda do que as agremiações (veja, mais abaixo, alguns cachês).</p>



<p>Um ponto sobre a festa, no entanto, é unânime e une frevo, samba e foliões: o caos de se fazer qualquer desfile no Sítio Histórico de Olinda por causa da falta de ordenamento urbano por parte da prefeitura da cidade. Sobram depoimentos e imagens de bateria e orquestra se cruzando nas ladeiras e ruas estreitas. Mas também não faltam provas de que ambas precisam, a todo tempo, driblar ambulantes, carros de mão, veículos estacionados, motos e até caminhões.</p>





<p>Nesta terça-feira, 10 de fevereiro, a Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo) publicou uma carta aberta sobre as baterias de samba. “A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais”, diz trecho do texto.</p>



<p>A Afrevo, em defesa do ritmo, argumenta que “a crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo”.</p>



<p>“Não se trata de disputa entre culturas, mas de adequação ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de sistemas amplificados de som. Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo”, expõe a associação. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira, na íntegra, a nota a Afrevo</span>

		<p>O Carnaval de Olinda é uma das mais importantes expressões da identidade cultural brasileira, enquanto sua principal trilha sonora, o frevo, é patrimônio imaterial da humanidade reconhecido pela Unesco. Um bem cultural dessa magnitude exige responsabilidade coletiva de preservação.</p>
<p>O frevo arrasta multidões nas ruas estreitas da cidade, nascido e criado com uma formação musical própria para execução acústica, sem a necessidade de amplificação mecânica. As orquestras desfilam há mais de um século em harmonia com os modos de vida do Sítio Histórico de Olinda.</p>
<p>A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo.</p>
<p>Não se trata de disputa entre culturas, mas de adequação ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de sistemas amplificados de som. Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo.</p>
<p>Na nossa terra, junto com o frevo, convivem amorosamente maracatus de baque virado, maracatus rurais, caboclinhos, papangus, caretas e tantas outras manifestações da cultura popular, inclusive o samba quando celebrado harmonicamente com nossas tradições.</p>
<p>O frevo é código-fonte do Carnaval pernambucano. É algo que nos torna únicos no planeta. Nossa impressão digital.</p>
<p>A maestria do frevo no ciclo momesco é generosa e multicultural, mas também é bravia e vigilante nas trincheiras da resistência clássica do povo pernambucano.</p>
<p>A fala do Maestro Oséas sobre a dificuldade frente às baterias de samba amplificadas é um alerta necessário. Proteger o frevo não é conservadorismo pueril. É compromisso com a memória, com a cidade e com o futuro do nosso Carnaval.</p>
<p>Da madeira que o cupim foge do cheiro, é feito o frevo. Eterno!</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os cachês das baterias de samba</strong></h2>



<p>Na esteira das críticas à invasão das baterias, a<strong> MZ</strong> levantou, no Portal da Transparência de Olinda, os cachês dos cinco grupos que mais receberam verba da gestão Mirella Almeida (PSD) na festa de 2025: Auê (R$ 60 mil, por três apresentações), Cabulosa (R$ R$ 66 mil por três apresentações), D’breck (40 mil, por duas apresentações), Fábrica de Samba (R$ 70 mil por quatro apresentações) e Patusco (R$ 60 mil, por três apresentações).</p>



<p>Alguns dos valores estão acima do que receberam algumas das mais tradicionais agremiações de frevo da cidade para realizarem várias saídas carnavalescas no ano passado: Elefante de Olinda (R$ 42 mil), Ceroula (R$ 54 mil), Cariri (R$ 40 mil), Boi da Macuca (R$ 27 mil), John Travolta (R$ 40 mil), Vassourinhas (R$ 43 mil), Menino da Tarde (R$ 12 mil) e Flor da Lira (R$ 12 mil).</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> mostrou, em reportagem publicada nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, que muitos cantores e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural de Pernambuco receberam cachês bem mais altos que agremiações tradicionais. Leia <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>. Vários desses pagamentos também são mais altos do que o das baterias de samba.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Prefeitura de Olinda publica decreto</h3>



<p>De 2001, a chamada Lei do Carnaval de Olinda (5309/2001) regulamenta a questão do som, impedindo sons potentes em pontos fixos que não sejam os polos oficiais. São permitidas freviocas e trios desde que haja autorização. A lei, porém, não versa especificamente sobre as baterias de samba, uma vez que, naquela época, essa não era uma problemática.</p>



<p>Após diálogo com o frevo e o samba, a prefeitura publicou, na tarde desta quarta-feira, 11 de fevereiro,  em seu site, um <a href="https://www.olinda.pe.gov.br/prefeitura-de-olinda-regulamenta-uso-de-equipamentos-de-som-no-carnaval-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decreto temporário (008/2026)</a>, válido para este ano, que regulamenta a utilização de equipamentos móveis de sonorização durante o Carnaval. Entre as medidas, estão: &#8220;as passarelas naturais terão prioridade para a circulação contínua de foliões e, especialmente, das agremiações tradicionais, como blocos de frevo, maracatus e afoxés. Fica proibido o uso de equipamentos sonoros que impeçam ou dificultem a evolução dessas manifestações, bem como qualquer obstrução física ou sonora que comprometa o caráter tradicional da festa.</p>



<p>A utilização de equipamentos móveis de sonorização dependerá de autorização prévia e expressa da Prefeitura. As agremiações interessadas deverão protocolar requerimento com antecedência mínima de 24 horas antes do início do período carnavalesco, apresentando documentação completa, descrição técnica do equipamento, roteiro e cronograma do desfile, além de termo de responsabilidade. A autorização poderá ser suspensa ou cassada a qualquer momento em caso de descumprimento das normas estabelecidas.</p>



<p>O descumprimento das regras poderá resultar na apreensão imediata do equipamento, aplicação de multa inicial de R$ 10 mil, além da perda de incentivos financeiros municipais e responsabilização administrativa, cível ou criminal&#8221;.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Samba reclama da falta de ordenamento urbano</strong></h4>



<p>Em entrevista à <strong>Marco Zero</strong>, o representante da Associação do Samba de Olinda, Deco Guimarães, do Patusco, fundado há 64 anos, disse temer que o acirramento termine em episódios de violência, uma vez que, segundo ele, alguns grupos de samba vêm recebendo ameaças na internet. “São pessoas dizendo que vão quebrar os carros e se juntar para atrapalhar os desfiles”, reporta.</p>



<p>“A questão não é o samba, é o som. Realmente houve um crescimento de baterias, dos blocos de samba e todas utilizam seu som. Mas isso tomou uma proporção tão grande e desnecessária que está se tornando até perigosa para a gente o samba”, comentou, dizendo que agora tudo virou culpa do samba. Na avaliação de Deco, a questão, que se tornou uma “perseguição”, “vai ter que ser resolvida de todo jeito”, mas as mudanças agora “só serão possíveis para o Carnaval 2027”, uma vez que a abertura da folia já é nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, e, há anos, o assunto vem sendo debatido sem surtir qualquer transformação.</p>



<p>Na avaliação do presidente da associação, não há desrespeito ao frevo, e, sim, dificuldade em conciliar todos os ritmos por falta de organização. “O que acontece é que, às vezes, a rua está muito congestionada de ambulantes, carros sem adesivo, carros de serviço, em pleno horário da folia. O problema mais é estrutural”. A sugestão de Deco é também que a prefeitura criasse “corredores da folia”, nos principais pontos de desfile, como Largo do Guadalupe, Ribeira, Ladeira da Prefeitura e Quatro Cantos.</p>



<p>Deco frisa que a associação tem interesse em chegar a um “denominador comum que seja bom para todo mundo”. Deco disse que não vê problema em desfilar na parte baixa de Olinda ou em um polo dedicado ao samba, desde que haja estrutura para isso. </p>



<p>Sobre os cachês pagos pela gestão Mirella, o presidente defende que as agremiações de frevo, sobretudo as mais tradicionais e que arrastam mais foliões, precisam receber mais verba municipal.</p>



<p>A bateria Cabulosa anunciou, nesta terça-feira, 10 de fevereiro, que já este ano não desfilará mais pelas ladeiras. O grupo realizará seu desfile na parte baixa da cidade, na Av Sisnundo Gonçalves, em frente ao Colégio São Bento, com concentração na Praça do Jacaré.</p>



<p>“Diante das últimas notícias, entrevistas e informações que vêm gerando debates entre baterias, foliões, admiradores do frevo, blocos e orquestras, a Bateria Cabulosa optou, de forma consciente e responsável, por evitar embates e transtornos, realizando seu primeiro desfile em um espaço que também é belíssimo, simbólico e plenamente adequado para o Carnaval de Olinda”, diz a nota. Confira <a href="https://www.instagram.com/bateriacabulosa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> a íntegra.</p>
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		<title>Spray de pimenta no bloco e outros abusos da PM nas prévias de Carnaval em Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jan 2026 20:23:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Spray de pimenta nos Quatro Cantos, confusão generalizada no Largo do Amparo e um folião baleado no bairro de Guadalupe. A violência, em alguns trechos do cortejo da tradicional Troça Carnavalesca Mista John Travolta, no último domingo (18), no Sítio Histórico de Olinda, é o retrato do que se repete todos os anos nas prévias [&#8230;]</p>
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<p>Spray de pimenta nos Quatro Cantos, confusão generalizada no Largo do Amparo e um folião baleado no bairro de Guadalupe. A violência, em alguns trechos do cortejo da tradicional Troça Carnavalesca Mista John Travolta, no último domingo (18), no Sítio Histórico de Olinda, é o retrato do que se repete todos os anos nas prévias de Carnaval. Porém, desta vez com um adicional: o aumento do abuso e da truculência por parte da Polícia Militar de Pernambuco, especialmente no desfile de bonecos mais populares.</p>



<p>Com frequência, mesmo sem qualquer motivo aparente, os “laranjinhas” — como é chamado o efetivo recém-egresso dos cursos de formação — atravessam as agremiações fazendo uma espécie de cordão e interrompendo não só a dança e a brincadeira, mas as próprias orquestras.</p>



<p>Quando o desfile do boneco azul e branco de franjinha, no domingo (18), passava pelos famosos Quatro Cantos de Olinda, a PM chegou a parar o cortejo usando spray de pimenta na tentativa de conter a multidão, que cantava, em coro, “essa cidade vai tremer a galera vai suar, arrea, arrea, arrea, arrea arrea, arrea”. A substância atingiu até o maestro Oséas Leão, de 70 anos, à frente orquestra que desfila com o John Travolta, boneco reverenciado por muitas famílias e crianças.</p>



<p>O uso do spray de pimenta foi desproporcional, segundo observação da repórter que aqui escreve, presente em todo o desfile, e também de relatos colhidos pela reportagem. Não havia qualquer sinal de violência por parte do público naquele momento.</p>



<p>Um pouco mais à frente, no início da Rua do Amparo, membros da agremiação relatam que uma policial militar — que não foi identificada pela diretoria, mas se dizia no comando do efetivo — ameaçou acabar com a festa se o novo boneco não saísse da casa de Sílvio Botelho, &#8220;pai dos bonecos gigantes de Olinda&#8221;. Era um dia especial para o “Jontra”. Na comemoração de seus 47 anos, houve a apresentação do novo boneco, confeccionado por Sílvio. Mas, por questões inerentes às grandes festas carnavalescas, a homenagem aconteceu com alguns minutos de atraso.</p>



<p>Em vídeo ao qual a <strong>MZ</strong> teve acesso, dá para ouvir a PM gritando “porra” e “caralho” diversas vezes se dirigindo a membros da agremiação. Na sequência, ela esbraveja “se a porra do boneco novo não sair”.</p>



<p>Para o presidente da troça, Eraldo José Gomes, este ano houve um aumento da agressividade da corporação. E ele acrescenta: “a polícia abandonou o nosso cortejo no meio do caminho, como em 2023, e nunca termina o trabalho dela até o final do desfile. Isso dificulta o nosso trabalho com os foliões que gostam e amam o nosso John Travolta”.</p>



<p>Há três anos, após dois anos sem Carnaval por causa da pandemia de covid 19, músicos e foliões do John Travolta foram surpreendidos com um toque de recolher imposto pela PM encerrando o cortejo, sob ameaça de voz de prisão. A <strong>MZ</strong> publicou reportagem na época, relembre <a href="https://marcozero.org/acao-truculenta-de-pms-interrompe-cortejo-de-troca-em-olinda-e-acende-alerta-para-toque-de-recolher-nas-previas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>



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	                                        <p class="m-0">John Travolta tradicionalmente reúne famílias e crianças em Olinda. Crédito: Anderson Stevens/cortesia</p>
	                
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<p>Filha do presidente Eraldo, Mayara Joanna Gomes, também da diretoria da troça, lamenta a atuação da PM no momento da troca dos bonecos, na rua do Amparo. “Eu lembro que a policial falou ‘ou bota a porra desse boneco para andar ou vou acabar com esse caralho’. Em algum momento, ela também falou ‘ou sai agora ou vai dar merda’. Não vi necessidade daquilo. Um momento que a gente esperou, que era para ser mágico e de alegria acabou se tornando um caos”, relata, frisando que houve muita agressão verbal e que o cacetete da policial terminou atingindo o bonequeiro.</p>



<p>“Tínhamos uma surpresa preparada para ser revelada naquele momento. Após meses de trabalho, o John ganhava, pela primeira vez, um irmão gêmeo. A missão era apresentar isso aos foliões durante o cortejo, em frente à casa de Silvio (Botelho). Houve contratempos, como acontece em qualquer manifestação popular de rua. Mas nada que justificasse o que veio a seguir”, avalia Vika Lima, que atua na troça.</p>



<p>“A partir daí, instalou-se o caos: pressão, ataques verbais, intimidação, medo. O clima era de completo descontrole. Em vários momentos, temi que essa policial partisse fisicamente para cima das pessoas. O que está acontecendo com a Polícia Militar? Estamos regredindo a cada dia? O mínimo respeito não está sendo garantido?”, questiona.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">John Travolta carrega 47 anos de tradição,trabalho coletivo e do compromisso com a festa de rua
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>A agremiação publicou uma <a href="https://www.instagram.com/p/DTtOhzOEjFV/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">carta aberta</a>, nesta segunda (19), em suas redes sociais, sobre os ocorridos do domingo (18).</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira trecho da carta do John Travolta</span>

		<p>“Repudiamos todo e qualquer tipo de violência. Seja a violência praticada por agentes da Polícia Militar, que desrespeitaram foliões, a diretoria e o nosso boneco símbolo maior da nossa festa, seja por pessoas que provocam brigas e colocam em risco quem está na rua para celebrar. Infelizmente, não foi possível encerrar o cortejo como gostaríamos. A interrupção do percurso aconteceu diante de episódios de violência ao longo do trajeto, e nos solidarizamos profundamente com a pessoa ferida, um folião presente em nossa história, que merece todo respeito e cuidado. Aproveitamos para compartilhar que a grande surpresa deste ano era a chegada do segundo boneco. Um gesto de continuidade e expansão, pensado para que o John Travolta possa alcançar ainda mais espaços.”</p>
	</div>



<p>O final do cortejo foi bruscamente interrompido após um folião e morador do Sítio Histórico ser baleado na rua Severino Judeu Ramalho, no Guadalupe. Ele fraturou o braço com o impacto do projétil e segue hospitalizado, com quadro estável, aguardando uma cirurgia ortopédica. Em resposta à reportagem, a Polícia Militar informou que “até o momento, não há identificação de autoria”. Disse também que “o caso foi devidamente registrado e encaminhado à Polícia Civil de Pernambuco, que instaurou procedimento investigativo para apurar as circunstâncias do fato”.</p>



<p>O rapaz foi acolhido e protegido, durante alguns minutos, por um cordão formado por amigos e outros foliões, porque o Samu, apesar de rapidamente solicitado, não chegou. Somente após pedido do secretário-executivo de Cultura de Olinda, Alexandre Miranda, que acompanhava o desfile, é que integrantes do 1º Batalhão de Polícia Militar, já presentes no local, socorreram a vítima para a UPA de Tabajara e posteriormente encaminharam ao Hospital Miguel Arraes. Nesta terça (20), o folião ferido foi transferido para o Hospital Santo Amaro, área central do Recife.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Poder público um passo atrás de organizar a festa”</strong></h2>



<p>Diretor da Troça Carnavalesca Mista Cariri Olindense, Patrimônio Vivo de Pernambuco, fundada em 1921, João Nires diz que a truculência da Polícia Militar de Pernambuco nas prévias e no Carnaval não é novidade. Mas ele percebe que o abuso “tem se intensificado no ruge-ruge na frente das orquestras”. “Qualquer coisinha a polícia já chega e já bate. Nas agremiações mais periféricas, isso tem sido uma prática constante”, diz.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Novo boneco do John Travolta em frente à sede do Cariri Olindense no bairro de Guadalupe, em Olinda. Crédito: Raíssa Ebrahim/Marco Zero</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>“Mesmo a gente sendo os criadores, organizadores e idealizadores, a festa tem problemas sociais que não cabem a gente resolver, como o controle urbano, de trânsito e de garrafas e a violência. Esses são papéis da prefeitura e do governo do estado. Mas parece que todo ano é uma surpresa quando o Carnaval está chegando. Todo ano tem Carnaval e prévia, mas parece que o poder público sempre é pego de surpresa e está um passo atrás de organizar a festa”, opina João.</p>



<p>Para ele, também falta mapear e agir nas “zonas de perigo”: “há locais onde a gente sabe que vai ter problema e confusão. A gente já foge desses locais, mas só quem não vê isso é a polícia, só quem não vê isso é o Estado na hora de nos proteger. Esses e outros fatores são uma eterna ameaça para a festa”.</p>



<p>No domingo (18), uma pessoa também foi baleada no Recife, durante o bloco CDU na Folia, quando 20 pessoas foram detidas pela Polícia Militar na capital. No dia seguinte, o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, comentou os casos do Recife e de Olinda. Segundo ele, como são eventos que reúnem muitas pessoas, “em determinados momentos, pode ser que aconteça algum tipo de ocorrência”.</p>



<p>“É uma festa que reúne muitas pessoas. Então, em determinados momentos, pode ser que aconteça algum tipo de ocorrência. Nós trabalhamos para prevenir ou, em ocorrendo, para que a gente dê uma resposta o mais rápido possível”, afirmou.</p>



<p>Quem também foi a público comentar os fatos, na segunda (19), foi o diretor de planejamento operacional da PM, coronel João Barros. Ele falou que “organizadores de eventos exercem grande influência sobre a segurança pública”. Barros garantiu que as ocorrências não tiveram relação com falta de efetivos nas ruas.</p>



<p>“Alguns fatos atribuídos a blocos não ocorreram, de fato, durante os desfiles. Um exemplo é o caso de uma pessoa baleada no Vasco da Gama, que aconteceu após o encerramento do bloco, quando já não havia mais foliões no local. O mesmo ocorreu em Olinda, na Joaquim Nabuco, onde o bloco já havia se encerrado. Esses casos estão sob investigação da Polícia Civil, e ainda não há autoria definida”, afirmou. Sobre Olinda, no entanto, isso não é verdade, o cortejo do John Travolta seguia ainda seu curso.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Efetivo da PM cresce sem qualidade</strong></h2>



<p>Folião e morador de Olinda, Igor Travassos, mostra o que mudou, na opinião dele, em relação a anos anteriores: “A diferença para os últimos anos é a quantidade. Não tem como negar que agora o efetivo aumentou, mas a qualidade não seguiu o mesmo caminho. Formam inúmeros policiais e os colocam na rua sem qualquer experiência, parece que eles foram treinados para bater independente de qualquer coisa. O que se viu, em diversos momentos, foram policiais completamente despreparados. E, se você pedisse calma ou tentasse qualquer diálogo, ouvia gritos e mais truculência. A pergunta que fica é: se nas prévias está assim, imagina durante o Carnaval?”.</p>



<p>“Me espanta a quantidade de efetivo policial sem qualquer inteligência. As câmeras espalhadas pelo Sítio Histórico de Olinda não deveriam ajudar o trabalho policial? Se todo final de semana tem prévias, por que os postos de observação só são colocados no carnaval?”, questiona.</p>



<p>E acrescenta: “Um outro ponto importante é sobre gestão urbana. Em vários momentos, o empurra-empurra, natural do Carnaval, se intensifica não por causa do frevo ou da multidão, mas por falta de ordenamento urbano, com carros estacionados em vias importantes, ambulantes parados em locais de muita movimentação sem qualquer orientação e inúmeros buracos em todo o Sítio Histórico. Na esquina das ruas José Ramalho e Orlando Silva, onde aconteceu o tumulto e os disparos, eu vi três policiais caindo seguidamente numa vala aberta. Pode parecer que não, mas tudo isso contribui para que a violência se instaure”.</p>



<p>Para a foliã e advogada popular Luana Varejão, somente a presença de efetivo policial não garante a segurança. “É importante o policiamento, é importante a segurança pública durante o Carnaval, mas é importante isso ser feito com estratégia, não com a polícia ficando parada, fazendo cordão de isolamento e agredindo as pessoas gratuitamente porque não podem chegar perto dela, mesmo numa situação em que todo mundo está extremamente imprensado”.</p>



<p>Ela defende que é possível um outro ordenamento da PM, com o efetivo estrategicamente posicionado perto das paredes e nas laterais dos desfiles, e não no meio dos blocos empurrando as pessoas com cassetete.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a Polícia Militar de Pernambuco</strong></h2>



<p>Em nota à <strong>Marco Zero</strong>, a PMPE informou que “as prévias carnavalescas de Olinda ocorrem desde o dia 7 de setembro, com planejamento operacional contínuo e integrado” e justificou o uso de spray de pimenta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira a nota da PMPE na íntegra</span>

		<p>A Polícia Militar de Pernambuco informa que as prévias carnavalescas de Olinda ocorrem desde o dia 7 de setembro, com planejamento operacional contínuo e integrado. Em média, cerca de 250 policiais militares são empregados por evento, com reforço aproximado de 40% no efetivo no Sítio Histórico durante o período pré-carnavalesco, ampliando a presença policial e a capacidade de resposta.</p>
<p>Nos fins de semana e em eventos de maior porte, a atuação proativa da PMPE resulta em intervenções e detenções relacionadas a práticas delituosas e condutas incompatíveis com a ordem pública, com encaminhamento dos envolvidos às autoridades competentes. Sobre o uso de espargidores químicos segue-se a doutrina do uso progressivo da força e é empregado de forma pontual para conter tumultos e evitar agressões mais graves, sempre de maneira escalonada e proporcional.</p>
<p>Sobre a ocorrência registrada no domingo (18/01), até o momento não há identificação de autoria. O caso foi devidamente registrado e encaminhado à Polícia Civil de Pernambuco, que instaurou procedimento investigativo para apurar as circunstâncias do fato. A vítima foi socorrida por uma viatura do 1º BPM para a UPA de Tabajara e, posteriormente, encaminhada ao Hospital Miguel Arraes.</p>
	</div>



<p>A corporação, no entanto, não respondeu a alguns questionamentos da reportagem: se a policial militar que agiu com violência, segundo os relatos, foi identificada, qual seu nome e patente, o que justifica a prática dos cordões dos “laranjinhas” no meio dos desfiles e por que ela seria eficaz na avaliação da PM e, por último, por que, durante as prévias, não há, em Olinda, a instalação de postos de observação, como acontece no Carnaval.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/spray-de-pimenta-no-bloco-e-outros-abusos-da-pm-nas-previas-de-carnaval-em-olinda/">Spray de pimenta no bloco e outros abusos da PM nas prévias de Carnaval em Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Prévias de Olinda: planejamento urbano para a salvaguarda da folia e do patrimônio</title>
		<link>https://marcozero.org/previas-de-olinda-planejamento-urbano-para-a-salvaguarda-da-folia-e-do-patrimonio/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Jan 2026 20:17:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[prévias]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Bruno Firmino* “Olinda,Das perspectivas estranhas,Dos imprevistos horizontes,Das ladeiras, dos conventos e do mar.”(Joaquim Cardozo) Há 100 anos o poeta-engenheiro e engenheiro-poeta maquinava suas emoções no poema que dedicou a Olinda, cidade-patrimônio e marco de tantas histórias. Nem a alma do poeta poderia dar conta do quanto os horizontes seriam imprevisíveis no século que nos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Bruno Firmino*</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Olinda,<br>Das perspectivas estranhas,<br>Dos imprevistos horizontes,<br>Das ladeiras, dos conventos e do mar.”<br>(Joaquim Cardozo)</p>
</blockquote>



<p>Há 100 anos o poeta-engenheiro e engenheiro-poeta maquinava suas emoções no poema que dedicou a Olinda, cidade-patrimônio e marco de tantas histórias. Nem a alma do poeta poderia dar conta do quanto os horizontes seriam imprevisíveis no século que nos separa do seu poema que desliza pela geografia olindense.</p>



<p>Além da imagem de uma paisagem postal secular, quando se pensa em Olinda logo se lembra de seu carnaval. Uma celebração que na época do poema de Joaquim Cardozo ainda era miúda e com o passar dos anos foi remodelando e trazendo novas tradições para o carnaval de Pernambuco e do Brasil. Nesse mar de animação estão agremiações de frevo, maracatu, afoxés, bateria de samba, boi, ursos, bloco do eu sozinho e tudo o que couber na folia.</p>



<p>Essa constelação de agremiações é mantida pelos moradores. Certa vez vi a historiadora olindense Aneide Santana falando que o carnaval olindense é um movimento de dentro pra fora: de dentro das casas e quintais pra rua. São nesses estreitos espaços que é pensada a folia em forma de sonho. Essa população forma toda a cadeia do carnaval olindense e consegue manter a brincadeira viva, que se reinventa e vai passando por gerações.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-prefeitura-omissa-moradores-de-olinda-sofrem-com-desequilibrio-entre-festas-e-preservacao/" class="titulo">Com prefeitura omissa, moradores de Olinda sofrem com desequilíbrio entre festas e preservação</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Toda essa concentração de saberes não acontece da noite pro dia, necessita de uma feitura anterior com os ensaios de passistas e músicos ou a fabricação da parte de figurinos e adereços para as festas. São momentos de transmissão de saberes, onde os mais experientes vão instruindo os mais novos, possibilitando a circularidade das práticas. Os ensaios também servem para cativar e atrair novos praticantes, uma vez que acontecem de maneira aberta e franca para quem quiser ver.</p>



<p>De dez anos para cá, as prévias carnavalescas aumentaram em público e em calendário, ocupando as ruas com bem mais pessoas e fazendo dos finais de semana uma constante de festa sem dar tanta trégua para o descanso de uns e silêncio para outros. Essa mudança mexeu radicalmente nas dinâmicas urbanas do Sítio Histórico.</p>



<p>Com o aumento das prévias aumentaram também os problemas: ausência de banheiros públicos, coleta de lixo e limpeza das ruas ineficientes, comércio ambulante desordenado, emissão de ruídos exagerada por bares e espaços de ensaio — todos aspectos que denunciam uma falta de planejamento e gestão municipal. Somam-se episódios de violência urbana que são superdimensionados pelas redes sociais e por uma mídia sensacionalista que tenta traduzir as prévias em barbárie.</p>



<p>Mas o banho de euforia que lava as ladeiras poderia ser utilizado em prol de Olinda. É necessário pensar o futuro dos espaços e gerenciar o presente, garantindo que o planejado seja cumprido ou revisado. Mas essas duas escalas do urbanismo precisam de um corpo técnico capacitado e que atue de maneira contínua, mas o que encontramos hoje em Olinda é sucateamento devido às aposentadorias ou falecimentos de servidores e ausência de concursos públicos.</p>



<p>Evidente que para que essas ações possam acontecer é necessário interesse político, convergindo os desejos dos principais atores envolvidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como usar as prévias para um carnaval melhor</strong></h2>



<p>Quem frequenta as prévias com assiduidade já conhece o circuito percorrido pelas agremiações. Essa previsibilidade dos percursos dos desfiles ajuda a pensar em ações para que as festas nas ruas sejam boas para quem faz, trabalha, brinca ou quem vê pelas janelas de casa. Ainda ajuda o fato de que as agremiações, através de um formulário, informam à prefeitura de Olinda o horário e local de saída e trajeto.</p>



<p>Essas informações, em tese, deveriam servir para pensar as ações, mas o único braço do poder público que marca presença nas ruas é a polícia, que muitas vezes excede o seu papel tentando coagir agremiações a terminar os desfiles por conta de horário ou perpetram o racismo abordando ou batendo em jovens pela cor da pele.</p>



<p>Ciente desse cenário, a primeira ação de planejamento seria manejar o trânsito, criando bloqueios e rotas de desvios durante as concentrações e desfiles. Antes disso, ainda seria mais importante um plano de mobilidade para o Sítio Histórico, uma vez que vemos veículos em portes e situações que colocam em risco o patrimônio edificado e as pessoas — mas esse também é assunto para um outro texto.</p>



<p>Ainda olhando para a mobilidade: é muito comum encontrar os pontos de ônibus lotados, carros de aplicativos com preços exorbitantes e às vezes ausência de táxi pela alta demanda. O ponto da Praça do Carmo no sentido Olinda/Recife é um exemplo. A situação aponta para uma pesquisa do tipo origem-destino com esse público sazonal, permitindo a construção de ações públicas como linhas expressas para determinadas localidades ou ações culturais descentralizadas, dinamizando cultural e economicamente outras áreas, evitando deslocamentos e diminuindo a pressão de público em uma área histórica. A descentralização das prévias também permitiria levar agremiações do Sítio Histórico para outras áreas de Olinda.</p>



<p>Outra frente de planejamento diz respeito ao comércio de bebidas, informal e formal. O comércio informal é uma oportunidade para que populações vulnerabilizadas do entorno levem uma renda extra para casa. É uma presença obrigatória nas ladeiras, então nada mais justo do que entender como parte da dinâmica das festas de rua. Por ser um tipo de comércio que depende do movimento, sempre está relacionado com as rotas das agremiações e alguns pontos de maior concentração de público, a exemplo dos Quatro Cantos e Rua do Amparo.</p>



<p>É muito comum encontrar ambulantes em lugares inadequados que trazem risco para eles e para quem está passando, seja pelos espaços estreitos das ruas, seja pelo posicionamento de barracas com churrasqueiras e chapas a gás. Nada mais coerente do que posicionar esses ambulantes, levando para as esquinas das ruas transversais ou posicionando à frente ou no final das agremiações para quem quiser seguir trabalhando acompanhando o desfile. </p>



<p>Da mesma forma, manter em local seguro e mais afastado do ruge-ruge quem trabalha com churrasqueiras e chapas. Claro que esse tipo de solução passa por instruções e cadastramento dos trabalhadores, como de orientação constante e fiscalização por parte do poder público, mas a regra nas ladeiras é uma total ausência de agentes de controle urbano.</p>



<p>A mesma lógica de planejamento serve para a locação de banheiros, fazendo um cruzamento entre os trajetos, pontos de aglomeração e espaços disponíveis para instalação dos banheiros químicos que teriam o posicionamento indicado por uma sinalização temporária que poderia ser instalada em postes nos finais de semana de mais movimento das prévias.</p>



<p>A paisagem sonora das prévias de Olinda também é composta pelos sons que vêm dos bares e dos ensaios das baterias. Os primeiros fazem uso do som para prender a atenção e a presença de público dentro ou na sua fachada; os segundos usam o som para garantir que parte da instrumentação chegue ao público. Nos dois casos há excessos que precisam ser coibidos, permitindo que a vizinhança desfrute de menos desconforto e não haja interferências nas manifestações de rua, como uma orquestra de frevo que conta apenas com os pulmões dos músicos.<br><br>Para os bares, a resolução é mais prática e direta, passando por conscientização e aplicação das legislações vigentes sobre emissão de ruídos. No caso das baterias de samba há uma manifestação que acontece fora de contexto, pois os quintais e espaços públicos são utilizados como palco para uma emissão absurda de decibéis, tornando insalubre a vida da vizinhança. A prática de ensaios de baterias que funcionam como festas fechadas é incompatível com uma área com predominância de residências, uma vez que esses ensaios acontecem nos quintais que não possuem nenhum tipo de amenização de sonorização e ainda numa região formada por sobrados que dividem os limites dos lotes, levando todo o som para dentro das casas sem grandes dificuldades.</p>



<p>Toda essa movimentação das baterias poderia servir como indutor de ocupação de outras áreas da Cidade Alta, como a parte da orla e equipamentos públicos que estão quase sempre ociosos ou subutilizados, levando movimentação e reocupação para áreas que precisam da presença de pessoas e garantindo que as atividades ocorram sem tantas intercorrências com o entorno.</p>



<p>Os desfiles das baterias pelas ladeiras se mostram incompatíveis com aspectos culturais locais, pelo uso de paredões de som que funcionam como minitrios elétricos puxados por carros. Além do impacto que a vibração e a emissão de som trazem para o casario, representam também um risco em trechos íngremes e de pavimentação lisa pelo desgaste natural das ladeiras. Essa combinação pode ocasionar acidentes graves, como a colisão do veículo no casario ou no público ao redor. Pelo conjunto de riscos, essa também é uma movimentação que precisa ocorrer fora das ladeiras do Sítio Histórico. Não se trata aqui de menosprezar as baterias de samba, mas de transferir um tipo de atividade que traz um latente conflito com áreas residenciais e com a conservação do patrimônio histórico.</p>



<p>A soma dessas ações se encontra com um trabalho de zeladoria do espaço público, garantindo uma vistoria da pavimentação e dos postes e iluminação adequada, especialmente nos corredores da folia, evitando colocar vidas em riscos. Claro que esse conjunto de ações precisa vir de um corpo técnico capacitado que se soma a um projeto político que entenda o patrimônio imaterial e material como relevante para sociedade, buscando alternativas que sejam viáveis dentro de um contexto financeiro e social de uma cidade que não possui grandes fontes de renda. </p>



<p>O que traz a necessidade de buscar fontes de financiamento no setor público e privado, com captações diversas e articulações nas esferas estadual e federal. Cenário improvável diante do que acontece em Olinda, ainda mais vindo de um grupo político que na gestão passada perdeu R$ 49 milhões em recursos federais que seriam voltados para restauração de 12 monumentos históricos.</p>



<p>Entendendo as prévias como ensaios e preparativos para o carnaval, algumas práticas poderiam ser empregadas como laboratório e aplicadas no carnaval de maneira mais aprimorada. Mas o que estamos vendo hoje são ações danosas e omissões ganhando continuidade e amplitude no carnaval, deixando um gosto de nostalgia dos carnavais passados.</p>



<p>O conjunto de ideias que aqui foram apresentadas são muito mais uma exposição de possibilidades do que um caminho único para a resolução de conflitos gerados pelas prévias. Talvez sirva muito mais como uma provocação para situações que são dinâmicas e costumam mudar com o sabor do tempo.</p>



<p>Vale seguir pelas palavras de Joaquim Cardozo que alertou que “um dia os aviões surgiram e libertaram a distância/Os aviões desceram e levaram os caminhos”. No nosso caso é torcer que o som dos frevos que sobrevoam nossas cabeças, tão rápidos quanto aviões, também tragam sopros de construção de novos caminhos e ideias através do diálogo constante que só a paixão de quem vive as ladeiras da Cidade Alta podem garantir.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Bruno Firmino é arquiteto e urbanista, mestre e doutorando. É pesquisador e professor universitário. Diretor do Instituto de Arquitetos do Brasil — Departamento Pernambuco. Diretor do Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda.</p>
    </div>



<p></p>
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		<title>Instabilidade do solo e falhas de drenagem ameaçam Sítio Histórico de Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/instabilidade-do-solo-e-falhas-de-drenagem-ameacam-sitio-historico-de-olinda/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 22:29:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
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		<category><![CDATA[preservação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Parte do Sítio Histórico de Olinda está afundando. Com um solo majoritariamente arenoso, com muitas minas de água, um crescente desmatamento e a ocupação irregular de encostas, boa parte do solo da Cidade Alta precisa de atenção redobrada. Dois relatórios feitos por consultorias como parte do projeto Iphan/UFPE para subsidiar a nova portaria de normatização [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Parte do Sítio Histórico de Olinda está afundando. Com um solo majoritariamente arenoso, com muitas minas de água, um crescente desmatamento e a ocupação irregular de encostas, boa parte do solo da Cidade Alta precisa de atenção redobrada. <a href="https://lup-ufpe.net.br/temp/download/consultoria-solos-parecer-tecnico-referente-a-avaliacao-geotecnica-preliminar-do-perimetro-tombado-do-sitio-historico-de-olinda-pe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Dois relatórios feitos por consultorias</a> como parte do projeto Iphan/UFPE para subsidiar a nova portaria de normatização da área trazem dados que mostram que, além de cuidar dos monumentos e do casario secular, a cidade também vai ter que investir em obras para evitar deslizamentos de terras, afundamento de ruas e infiltrações nos imóveis, além de preservar o verde que ainda resta.</p>



<p>Com coordenação do professor da Universidade de Pernambuco (UPE) e engenheiro Alexandre Gusmão, junto ao grupo de pesquisa Grupo de Pesquisa de Engenharia Aplicada ao Meio Ambiente (Ambitec), foi realizada uma consultoria especializada que resultou em um parecer técnico do solo do Sítio Histórico. O relatório mostra problemas generalizados no sistema de drenagem da área &#8211; com escoamento de água muitas vezes obstruído &#8211; e ocupação humana desordenada, com intervenções irregulares como corte de encostas e descarte irregular de lixo e entulho.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/estudo-da-ufpe-e-iphan-indicara-caminhos-para-nova-legislacao-do-sitio-historico-de-olinda/" class="titulo">Estudo da UFPE e Iphan indicará caminhos para nova legislação do Sítio Histórico de Olinda</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
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<p>O professor Alexandre Gusmão explica que os movimentos de solo em Olinda estão frequentemente relacionados à remoção da cobertura vegetal, o que facilita a infiltração da água. “A presença da água é um fator agravante para a instabilidade, pois diminui a resistência do solo e aumenta seu peso, favorecendo os movimentos. O tipo de solo do Sítio Histórico, quando submetido à água, seja por chuvas, água servida, esgoto ou fossas, pode ter movimentação, explicando a aceleração do movimento durante as épocas chuvosas”, explica o professor.</p>



<p>Um achado importante da consultoria foi a hipótese que explica a movimentação lenta e progressiva observada nas casas no entorno da Bica dos Quatro Cantos. Embora a inclinação nesta área seja relativamente baixa (inferior a 30º), a instabilidade é atribuída ao fluxo subsuperficial (água correndo dentro do solo, logo abaixo da superfície) da chuva e da bica – a água não consegue penetrar mais fundo porque há rochas no subsolo. A presença dessa camada de rocha menos permeável acaba por direcionar o fluxo da água de forma horizontal, o que compromete a estabilidade do solo e das construções da região. No relatório, vários moradores reclamam de fissuras nas paredes das residências.</p>



<p>Moradora da rua da Bica dos Quatro Cantos há três anos, a professora Dilma Costa conta que quando chove a rua vira um rio. “O esgoto aqui da esquina com a rua Joaquim Cavalcanti estoura e fica saindo água pela tampa. A rua fica toda esburacada depois das chuvas, essa parte perto da esquina é toda afundada”, conta ela. “A infraestrutura do Sítio Histórico deixa muito a desejar. E todos os moradores aqui falam pela mesma boca. Aqui tem muito buraco e tem muitas ruas em que falta água direto”, reforça a musicista Aglaia Costa.</p>



<p>Outra rua que tem destaque no relatório é a Bertioga, uma transversal da Ladeira da Misericórdia. A análise de estabilidade realizada para o talude (encosta) entre a rua Bertioga e o Observatório de Olinda (Rua Bispo Coutinho) indicou um Fator de Segurança (FS) de 1,30, abaixo do Fator de Segurança Mínimo recomendado de 1,5, o que torna a área provavelmente instável. Além do risco de deslizamentos, o relatório mostra que a região enfrentou intervenções que descaracterizam o patrimônio: na área entre a rua Bertioga e a rua Bispo Coutinho foram aplicados geossintéticos (as mantas para proteção das encostas) de cor azul, o que destoa dos princípios de preservação do Sítio Histórico. A obra, feita com recursos estaduais, custou R$ 2,65 milhões.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-8-solo.jpg" alt="Maria Aparecida da Silva está em pé em uma rua de paralelepípedos, em uma área residencial tranquila. Ela veste uma blusa azul-marinho sem mangas e calça preta. Seu olhar está voltado levemente para cima, transmitindo uma expressão serena e contemplativa. A rua é estreita e inclinada, ladeada por muros e casas pintadas em tons de azul e branco, com plantas e vegetação ao longo do caminho." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Maria Aparecida vê a rua Bertioga cada ano mais íngreme
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Moradora há 30 anos rua Rua Bertioga, Maria Aparecida da Silva vê todo ano buracos se abrirem no calçamento – que recebem da prefeitura, no máximo, um tampão. Mas ela também nota o afundamento da rua. “A rua parece que está caindo, ficando mais íngreme”, diz Maria. “A reforma da encosta era necessária, porque ali quando chovia tinha muito barulho, fazia medo de arriar a barreira e levar as casas. Mas a obra só ficou em uma parte da encosta, não pegou a parte que fica atrás da minha casa”, reclama.</p>



<p>O professor Alexandre Gusmão ressalta que afundamentos pontuais observados em áreas como a Ladeira da Misericórdia, que podem envolver tubulações rompidas, muitas vezes são problemas de manutenção de serviços (água e esgoto) e não necessariamente instabilidade de encosta. “Muitos dos problemas atuais de Olinda decorrem da própria evolução urbana da cidade. A remoção de grandes massas de solo para a criação de espaços, como a Praça da Preguiça, entre a Igreja do Carmo e a Igreja de São Pedro, desestabilizou as estruturas ao redor, causando movimentação e fissuras na torre da Igreja do Carmo, por exemplo”, conta o professor, lembrando que, na década passada, a UFPE realizou um trabalho para estabilização do morro onde fica a Igreja do Carmo, que já estava sofrendo danos estruturais por conta da movimentação da terra do morro.</p>



<p>Para resolver os problemas de estabilidade, o estudo sugere que o trabalho de mapeamento do solo continue e se aprofunde, permitindo a identificação e a hierarquização das ações mais críticas. “Para uma solução definitiva, é necessário um trabalho em escala &#8220;um para um&#8221;, ou seja, o desenvolvimento de projetos específicos para cada rua ou encosta. É fundamental entender a causa da patologia para fornecer um diagnóstico e tratamento adequados. Em alguns casos, o simples disciplinamento das águas, como uma drenagem, pode ser suficiente para estabilizar a encosta”, diz o professor.</p>



<p>A intervenção em solos de sítios históricos é sempre um grande desafio. As obras nessas áreas são mais caras e demoradas do que em locais sem valor histórico por conta dos protocolos mais restritivos. “Qualquer escavação, por exemplo, pode exigir validação de arqueólogos para evitar a descaracterização do sítio”, pontua Gusmão. Embora os moradores possam estar apreensivos devido às fissuras e rachaduras, de modo geral, não há um risco iminente de desabamento em Olinda: os movimentos são lentos e associados à estação chuvosa. “Mas também não é algo que pode ser deixado para depois indefinidamente. É como uma doença degenerativa que, sem intervenção, vai piorando progressivamente”, alerta Alexandre Gusmão.</p>



<p>A Marco Zero questionou a assessoria de comunicação da Prefeitura de Olinda sobre se alguma medida já foi tomada após o recebimento do estudo, publicado em agosto deste ano, mas não obtivemos resposta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Horto Del Rey sofre ocupações e perde<strong> </strong>vegetação</h2>



<p>Outra consultoria para o projeto da UFPE/Iphan analisou a<a href="https://lup-ufpe.net.br/temp/download/consultoria-cobertura-vegetal-o-componente-vegetal-como-atributo-para-a-conservacao-do-centro-historico-de-olinda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> cobertura vegetal do Sítio Histórico de Olinda</a>. Chama a atenção a situação do Horto Del Rey, a maior área verde do território tombado, e que está perdendo espaço para ocupações, principalmente com a construção de casas na divisa com o bairro de Amaro Branco. O subsetor C3 do Sítio Histórico de Olinda, onde o horto está localizado, é um dos locais com ambiguidade na atual legislação: é definido como &#8220;área especial de proteção florestal&#8221; na normativa federal, mas é permitido intervenções e ocupações, ainda que limitadas a 5% da área.</p>



<p>Com 14 hectares, no local funcionou por quase 50 anos do século 19 o Horto Botânico de Olinda, servindo também como sede para aulas de botânica e agricultura a partir de 1829, sendo pioneiro no ensino de botânica em Pernambuco. Em 1854, foi vendido e foi perdendo as características que o faziam se destacar, como a ampla variedade de espécies, muitas delas vindas de outros jardins botânicos do Brasil. Hoje, a área pertence à família Manguinhos – daí o nome Sítio Manguinhos, pelo qual o espaço também é conhecido – e está praticamente abandonado. Sem segurança, há denúncias de uso e tráfico de drogas no local, além das ocupações, o que inviabilizou a visita dos pesquisadores ao Horto.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/horto-300x177.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/horto-1024x604.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/horto-1024x604.png" alt="A imagem mostra uma vista aérea de um bairro residencial em Olinda, Pernambuco. As casas estão dispostas de forma compacta, com telhados próximos uns dos outros e ruas estreitas entre elas. Algumas das vias identificadas são a Rua Jataúba, Travessa Sarapião, Rua Frei Afonso Maria e Rua João Ubaldo de Miranda. Há pontos de referência marcados, como a “Casa de Campo Olinda – Aluguel por temporada”, o “Farol de Olinda”, o local chamado “Clê CGO” e a igreja “IEADPE Amaro Branco (Área 20)”. A vegetação é escassa, predominando construções urbanas." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Imagem de satélite mostra ocupações dentro da área do Horto D&#8217;El Rey.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Google Maps/Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em entrevista por e-mail para a Marco Zero, a secretária de Patrimônio e Cultura de Olinda, Marília Banholzer, afirmou que o Horto Del Rey é tratado como prioridade ambiental e de preservação. “A prefeitura já avançou em iniciativas técnicas: há intenção de tratar o tema no âmbito do Conselho de Preservação, com a formação de um grupo de trabalho intersetorial (patrimônio, meio ambiente, segurança, habitação) para propor ações integradas, como proteção, identificação de responsabilidades fundiárias, medidas de controle de invasões e intervenções de segurança que permitam fiscalização efetiva. Além disso, o Horto foi recentemente reconhecido em processos de Unidade de Conservação (cadastro nacional), o que facilita articulação técnica com órgãos ambientais”, afirmou.</p>



<p>A Marco Zero questionou se a prefeitura ainda pretende desapropriar a área e assumir a administração do Horto, como já foi anunciado em mandatos anteriores. A secretaria informou que não há decisão consolidada sobre desapropriação do Horto. “Esse tipo de medida envolve estudos técnicos, levantamento fundiário, análise orçamentária e projeto jurídico-administrativo. O que podemos confirmar é que a prefeitura tem manifestado interesse em proteger e qualificar a área, estudando medidas de gestão (inclusive diálogo institucional com proprietários e propostas de gestão compartilhada), e que o assunto está na agenda técnica do município para avaliação”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-prefeitura-omissa-moradores-de-olinda-sofrem-com-desequilibrio-entre-festas-e-preservacao/" class="titulo">Com prefeitura omissa, moradores de Olinda sofrem com desequilíbrio entre festas e preservação</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
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		<p>O post <a href="https://marcozero.org/instabilidade-do-solo-e-falhas-de-drenagem-ameacam-sitio-historico-de-olinda/">Instabilidade do solo e falhas de drenagem ameaçam Sítio Histórico de Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/instabilidade-do-solo-e-falhas-de-drenagem-ameacam-sitio-historico-de-olinda/feed/</wfw:commentRss>
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			</item>
		<item>
		<title>Estudo da UFPE e Iphan indicará caminhos para nova legislação do Sítio Histórico de Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/estudo-da-ufpe-e-iphan-indicara-caminhos-para-nova-legislacao-do-sitio-historico-de-olinda/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Dec 2025 20:22:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[iphan]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[patrimoniolinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[preservação]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Olinda é único. Uma mistura da arquitetura de seis séculos, em meio a um vasto verde, emoldurada pelo céu azul e o verde do mar. É só olhar para o horizonte do Alto da Sé para entender que o Sítio Histórico é algo que o Brasil deve preservar [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/estudo-da-ufpe-e-iphan-indicara-caminhos-para-nova-legislacao-do-sitio-historico-de-olinda/">Estudo da UFPE e Iphan indicará caminhos para nova legislação do Sítio Histórico de Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Olinda é único. Uma mistura da arquitetura de seis séculos, em meio a um vasto verde, emoldurada pelo céu azul e o verde do mar. É só olhar para o horizonte do Alto da Sé para entender que o Sítio Histórico é algo que o Brasil deve preservar a todo custo. O tombamento de Olinda pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) veio em 1968. Em 1982, foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco. A segunda cidade brasileira a receber o título, depois de Ouro Preto, em Minas Gerais.</p>



<p>A legislação municipal que rege o Sítio Histórico é de 1992, mas, em 2023, o Ministério Público de Pernambuco recomendou que a lei fosse atualizada, levando em conta as novas dinâmicas da cidade. A legislação federal é da década de 1980. Para fazer essa atualização, o Iphan fez uma parceria técnica com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que, desde o ano passado, está fazendo pesquisas para diagnósticos que foram publicamente lançados de julho a setembro deste ano. O estudo, que segue até o próximo ano, traz um panorama da atual situação do Sítio Histórico de Olinda.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/instabilidade-do-solo-e-falhas-de-drenagem-ameacam-sitio-historico-de-olinda/" class="titulo">Instabilidade do solo e falhas de drenagem ameaçam Sítio Histórico de Olinda</a>
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                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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<p>“Em relação a outras cidades históricas, Olinda já era mais ou menos privilegiada, porque já tem essa normativa federal desde 1982. E agora estamos fazendo esses estudos que vão dar os recursos para que essa normativa possa ser revista e atualizada pelo Iphan”, explicou a professora de arquitetura e urbanismo da UFPE Natália Miranda Vieira-de-Araújo, que coordena o estudo junto com a pesquisadora Juliana Barreto, do Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural da UFPE.</p>



<p>A ideia é que a próxima legislação seja mais detalhada, com parâmetros bem definidos, e que evite conflitos entre diferentes níveis de normas. “Em alguns setores, a sobreposição com a normativa federal ou planos posteriores revela inconsistências. Por exemplo, no Setor B do Sítio Histórico, existe a definição de uma taxa máxima de ocupação de 35%, o que conflita com a recomendação de preservar as características da vizinhança”, explica Juliana Barreto.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Falta de fiscalização é o grande problema</h2>



<p>Apesar de várias fachadas do Sítio Histórico estarem claramente fora das normas – como se vê em uma rápida visita aos bares dos Quatro Cantos –, em grande parte as fachadas permanecem preservadas, mostra o diagnóstico. O desafio maior é no que acontece nas áreas internas das edificações, nos quintais e no âmbito da gestão municipal. “A legislação está defasada, mas a fiscalização é hoje o grande problema de Olinda. O controle urbano está muito prejudicado e houve uma erosão do setor de patrimônio na prefeitura. O Iphan também tem poucos técnicos”, aponta Natália.</p>



<p>Um dos maiores conflitos é o desrespeito à vocação residencial do Sítio Histórico, o que gera o abandono de imóveis e o uso inadequado de espaços. “A prefeitura muitas vezes demonstra pouca clareza na aplicação da lei. Existem usos que, em grande proporção, entra em conflito diretamente com o uso residencial do imóvel&#8221;, aponta a arquiteta e urbanista Juliana Barreto. Outro problema grave é a falta de capacitação dos servidores, o que impacta na aprovação desses projetos, permitindo intervenções inadequadas: &#8220;Já vimos projetos arquitetônicos que foram aprovados dizendo que vai ter demolições internas que não são permitidas. Então, o próprio corpo técnico da prefeitura aprova projetos que a lei atual não permite. É preciso mais rigor nessas avaliações”, acredita.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/setorizacao1-209x300.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/setorizacao1.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/setorizacao1.png" alt="O mapa apresenta o acervo arquitetônico e urbanístico do Sítio Histórico de Olinda, em Pernambuco, destacando os setores que compõem a área protegida da cidade. A delimitação da zona tombada é indicada por uma linha vermelha, chamada de “Polígonal de Tombamento”. Dentro dessa área, os setores são organizados por cores: verde claro para os setores A1 e A2, verde amarelado para os setores B1 a B4, verde escuro para os setores C1 a C4, e amarelo para os setores D1 e D2. Cada setor representa diferentes níveis de preservação e características urbanas. O mapa também utiliza símbolos para marcar bens tombados (quadrados vermelhos) e monumentos não tombados (círculos amarelos). À direita, o Oceano Atlântico aparece como referência geográfica, e há uma escala gráfica que indica distâncias de até 600 metros, além de uma rosa dos ventos apontando o norte." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O Sítio Histórico de Olinda dividido em setores.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: LUP/UFPE</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A integridade paisagística também está em risco devido à perda da cobertura vegetal, uma característica essencial de Olinda. Natália Vieira-de-Araújo lembra que, na década de 1960, o consultor da Unesco Michel Parent, que foi o responsável pelo primeiro parecer feito sobre o patrimônio de Olinda, disse que a cidade era &#8220;um jardim pontuado por igrejas e pelo casario histórico&#8221;. “Essa citação dimensiona a importância da cobertura vegetal para a paisagem de Olinda. O parecer de Parent serviu para iluminar o processo de tombamento nacional da cidade”, diz.</p>



<p>A consultoria da pesquisa revelou uma diminuição significativa da vegetação nos últimos 20 anos, com destaque para os quintais. Não foi possível quantificar essa perda, mas as imagens mostram que a citação já não é mais verdade: o verde está restrito a bolsões. Muitas das áreas verdes privadas, nos quintas, foram sendo transformadas em puxadinhos e espaços para festas, com a retirada de árvores e a construção de bares. A fiscalização precária também permite a circulação de veículos de grande porte nas ladeiras e ruas estreitas, o que é proibido por lei desde 1987, além de causar acidentes e fissuras nas paredes históricas devido à trepidação.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-prefeitura-omissa-moradores-de-olinda-sofrem-com-desequilibrio-entre-festas-e-preservacao/" class="titulo">Com prefeitura omissa, moradores de Olinda sofrem com desequilíbrio entre festas e preservação</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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        </div>

		


<p>A pesquisadora Natália Vieira-de-Araújo ressalta que é preciso achar um equilíbrio. “A aplicação prática da legislação também enfrenta a falta de continuidade do serviço público, um problema crônico na gestão brasileira. Com a rotatividade de secretários e a aposentadoria dos técnicos mais antigos sem reposição por concurso público, o conhecimento e o compromisso com a preservação se perdem”, diz.</p>



<p>Apesar da falta de comprometimento das gestões municipais e da ameaça de descaracterização, Olinda ainda mantém seu fascínio. Recentemente, Natália ajudou a organizar um seminário internacional sobre patrimônio com pesquisadores e pesquisadoras do Chile, Bolívia, Espanha, Itália, Argentina, México e Estados Unidos, que ficaram hospedados em um convento no Alto da Sé. Todos ficaram encantados com a beleza do Sítio Histórico. “Mesmo com todos os desafios encontrados em Olinda, ainda temos muito pelo que brigar. Tem muito problema, tem muita transformação, mas temos um tesouro ali. A história não está perdida”, afirma Natália.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Os desafios atuais do Sítio Histórico de Olinda</span>

		<p>Os diagnósticos elaborados pela pesquisa da UFPE/Iphan <a href="https://lup-ufpe.net.br/temp/" target="_blank" rel="noopener">estão disponíveis no site do LUP</a>. Aqui, um pequeno resumo da caracterização e dos desafios de cada setor do Sítio Histórico:</p>
<p><b>Setor A</b> <b>(Área urbana de preservação rigorosa)</b><span style="font-weight: 400;">: É o núcleo urbano com maior densidade monumental, incluindo Amparo e Carmo. É caracterizado pela presença de casario e sobrados de caráter colonial. A normativa federal atual estabelece um maior compromisso com o rigor das ações interventivas, buscando a preservação ampliada das tipologias construtivas de longa duração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal desafio deste setor é a gestão dos detalhes: a lei em vigor reconhece a necessidade de &#8220;Planos especiais de quadras&#8221; para orientar as intervenções, mas eles nunca foram desenvolvidos. A legislação municipal, embora mais detalhada, é considerada difusa e, em alguns pontos, flexível demais, concentrando muita responsabilidade no servidor que analista a questão. Além disso, como parte da colina histórica, o Setor A enfrenta a ameaça persistente de riscos geotécnicos, como infiltrações e deslizamentos de terra. Os estudos identificaram também a degradação das estruturas de contenção, como muros, em edifícios religiosos e monumentos, além de sinais de movimentação lenta e progressiva do solo, fenômeno que afeta as estruturas históricas.</span></p>
<p><b>Setor B (Área urbana de preservação ambiental)</b><span style="font-weight: 400;">: É a zona de transição entre a área de proteção rigorosa e as ocupações mais recentes, incluindo trechos de Varadouro, Carmo, Guadalupe e Bonsucesso. Abrange áreas importantes onde se concentra a ocupação a partir do século XX, apresentando casas com afastamentos frontais e laterais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior desafio aqui é a imprecisão da legislação. A lei federal para o Setor B é criticada por utilizar parâmetros pouco precisos e que podem causar tensões, como a recomendação de que gabaritos e cores sejam assumidos em relação ao &#8220;caráter da vizinhança&#8221;. O diagnóstico revelou problemas de adensamento construtivo e ocupação irregular de quintais, principalmente em vias como a Estrada do Bonsucesso. Há também conflitos na paisagem, com o plantio de espécies vegetais sendo realizado sem levar em conta a essência do lugar e a visibilidade da paisagem histórica.</span></p>
<p><b>Setor C (Área verde de preservação rigorosa): </b><span style="font-weight: 400;">É caracterizado pela densa vegetação, incluindo áreas dos bairros do Carmo e do Monte. É o setor que possui a segunda maior extensão do Polígono de Tombamento e tem forte presença da cobertura vegetal, incluindo as cercas conventuais, como do Mosteiro de São Bento e do Convento de São Francisco, o antigo Horto Del Rey (Sítio dos Manguinhos) e o Sítio de Seu Reis.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O principal desafio do Setor C é a preservação da vegetação e a gestão fundiária. A legislação existente é limitada em relação a definições e controle de usos para essas áreas verdes. Há uma pressão crescente por conta de ocupações irregulares, notadamente nas margens do Horto D’el Rey. Embora os conventos permaneçam, a forma de uso se modificou, impactando a continuidade da manutenção dessas áreas. Além disso, a lei exige a definição de parâmetros claros para as intervenções, o que ainda não foi totalmente consolidado.</span></p>
<p><b>Setor D</b> <span style="font-weight: 400;">(Área de proteção e ambiência da colina histórica): </span>É a área ao redor da colina histórica, delimitando partes dos bairros de Guadalupe, Bonsucesso, Monte, Amparo e Amaro Branco. É marcado por ocupação espontânea e relativamente recente, sendo distinta dos Setores A e B pela escassez de qualidades arquitetônicas e históricas significativas no casario. Este setor é crucial para a proteção do ambiente e visibilidade do sítio.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal desafio é a fragilidade da paisagem visual e a falta de detalhamento normativo. A lei federal exige que o ambiente e a visibilidade sejam &#8220;desembaraçados de quaisquer elementos nocivos&#8221;, mas não detalha os procedimentos para isso. O diagnóstico de campo revelou que o local está comprometido pela presença de elementos adulterados e não tradicionais, como fiação exposta, postes, caixas d&#8217;água, equipamentos de climatização e publicidade excessiva, que interferem drasticamente na paisagem. Outro ponto crítico é a ausência de trabalhos acadêmicos específicos sobre a formação dessa vizinhança e sobre as manifestações culturais de raízes afro-indígenas que ali existem, resultando em menos subsídios para uma gestão culturalmente integrada.</span></p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-6-solo.jpg" alt="A imagem mostra uma rua de paralelepípedos em uma área residencial, vista de um ângulo baixo próximo ao chão. Os paralelepípedos estão molhados, indicando chuva recente, e há pequenos tufos de grama entre eles. À esquerda, parte de um carro preto é visível; mais adiante, um carro branco está estacionado próximo a cones laranja. A rua tem uma leve inclinação e é ladeada por casas com fachadas coloridas. O fundo desfocado destaca o relevo e a textura das pedras no primeiro plano." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Deslocamento e afundamento do solo põem monumentos em risco
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/estudo-da-ufpe-e-iphan-indicara-caminhos-para-nova-legislacao-do-sitio-historico-de-olinda/">Estudo da UFPE e Iphan indicará caminhos para nova legislação do Sítio Histórico de Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Com prefeitura omissa, moradores de Olinda sofrem com desequilíbrio entre festas e preservação</title>
		<link>https://marcozero.org/com-prefeitura-omissa-moradores-de-olinda-sofrem-com-desequilibrio-entre-festas-e-preservacao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Dec 2025 14:45:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[patrimoniolinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[preservação]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Antes de se mudar para o Sítio Histórico de Olinda, o chef de cozinha Thiago das Chagas achava que não iria ter problemas em morar lá. Afinal, tinha os pré-requisitos que achava necessários: gostava de carnaval e de música. Ele só não contava com o barulho constante, sem intervalos, da batucada de samba colada com a casa dele durante todo e qualquer domingo. Antes mesmo da Pitombeira decretar o início das prévias no dia 7 de setembro, as batucadas começam a ensaiar em quintais e praças de Olinda. Quando não queriam curtir a folia, ele e a companheira tinham que deixar a Cidade Alta. “A gente não conseguia nem conversar dentro de casa. Não conseguia assistir televisão, nada”, lembra.</p>



<p>Não foram poucas as vezes em que batia a hora estabelecida para o fim da festa e a música alta seguia. “Eu era o primeiro a ligar para todos os órgãos competentes, às 20h. Tem um órgão da prefeitura que cuida dessa parte de barulho, o controle urbano. Mas só quem aparecia era a polícia”, reclama. Quando a filha do casal nasceu, decidiram que não dava mais: as paredes da casa onde moravam vibravam com o som incessante da batucada. A família se mudou.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/instabilidade-do-solo-e-falhas-de-drenagem-ameacam-sitio-historico-de-olinda/" class="titulo">Instabilidade do solo e falhas de drenagem ameaçam Sítio Histórico de Olinda</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Nos últimos dez anos, o Sítio Histórico de Olinda sofre os efeitos das omissões e ações que mudaram o convívio dos moradores com a festa. Sendo um lugar com intensa atividade cultural e patrimônio histórico tombado, reconhecido internacionalmente pela Unesco, Olinda tem que se equilibrar nessa linha fina entre festa e preservação. Mas especialistas e moradores ouvidos pela Marco Zero acreditam que esse equilíbrio há muito foi para as cucuias. E os moradores, pilares da manutenção do Sítio Histórico, estão insatisfeitos.</p>



<p>“A gente sabe que Olinda precisa ter a folia, precisa ter o comércio, mas quem segura o Sítio Histórico são os moradores. Por exemplo, no processo de revitalização para o centro do Recife estão correndo atrás de quê? De moradia. Estão doidinhos atrás de gente pra morar no Centro, que está abandonado. Olinda ainda tem gente interessada em morar lá. Quem segura qualquer sítio histórico são os moradores. O que deixa ele vivo são os moradores. Óbvio que tem que existir o turismo, o comércio, essa organicidade toda tem que existir. Só que o pessoal confunde isso com bagunça”, critica Thiago, que segue morando no Sítio Histórico, mas agora na parte baixa, longe do barulho.</p>



<p>“Olinda é uma cidade à venda”, diz a arquiteta e urbanista Vera Milet, professora aposentada da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e integrante do Conselho de Preservação de Olinda e da Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta (Sodeca). A afirmação tem dois sentidos: um deles é que o Sítio Histórico está aberto a toda sorte de especulação. A outra, é mais literal. “Quando uma localidade perde moradia, isso significa que ela vai se deteriorar. Porque quem assegura que os imóveis fiquem preservados é o morador. É ele que vai cuidar da casa”, diz Milet, que mora no Sitío Histórico há mais de cinco décadas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-5-geral.jpg" alt="A foto aérea mostra uma parte do sítio histórico de Olinda vista do alto, revelando um conjunto de casas antigas com telhados de cerâmica vermelha alinhadas ao longo de ruas estreitas. As fachadas são coloridas, em tons de amarelo, azul, branco e vermelho, típicas da arquitetura colonial da cidade. Árvores grandes e áreas de mata cercam algumas quadras, criando manchas verdes entre as construções. Ao fundo, o terreno sobe em direção às ladeiras de Olinda, onde surgem igrejas, casarões e mais casas espalhadas pelas colinas. No horizonte, já distante, aparece parte da região metropolitana, com prédios mais altos e estruturas urbanas modernas." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Equipe responsável pela manutenção do Sítio Histórico foi desarticulada pelo ex-prefeito Lupércio
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<p>Entre os censos de 2000 e de 2010, a área do Polígono de Tombamento – que corresponde ao Sítio Histórico de Olinda e tem cerca de 1,5 quilômetro quadrado &#8211; perdeu mais de 3 mil residentes, indo de 17.363 habitantes para cerca de 14 mil. Não há, ainda, dados do Censo mais recente, de 2022. A população do Sítio Histórico responde por, mais ou menos, 4% da população total do município de Olinda. “Por onde você passar, qualquer rua, tem uma casa para vender no Sítio Histórico. As pessoas estão indo embora porque não aguentam mais tanto barulho dos bares, das festas. Não aguentam mais conviver com xixi entrando pelos portões, porque a Prefeitura de Olinda não coloca banheiros públicos, e, quando coloca, não limpa com frequência”, reclama.</p>



<p>Olinda, que já foi pioneira na gestão de seu patrimônio, estabelecendo em 1973 a Fundação Centro de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda — a primeira estrutura municipal desse tipo na América Latina — viu sua base técnica ser sistematicamente desmantelada em gestões recentes, culminando na situação crítica atual. Embora a estrutura de Fundação tenha sido convertida em Secretaria de Patrimônio em 1995, trocando autonomia técnica por maior influência política, o golpe mais severo veio com a administração de Lupércio (PSD), de 2017 a 2023, que desarticulou o corpo técnico de preservação da prefeitura, e segue na gestão da prefeita Mirella Almeida, também do PSD.</p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;O pior momento para o patrimônio histórico&#8221;</h2>



<p>Este período é classificado pela arquiteta e urbanista Vera Milet como o pior para a preservação de Olinda, pois houve o corte de pessoal com décadas de experiência e perda de receita. Milet relata que todo esse processo visou desarticular a governança da preservação. “Como consequência direta, cerca de R$ 46 milhões em recursos destinados a projetos de restauro, captados pela gestão anterior de Renildo Calheiros (PCdoB) junto ao Governo Federal, foram perdidos porque os projetos não foram executados”, conta.</p>



<p>O desmonte da prefeitura transformou o controle urbano em uma função ineficaz. Olinda tem um controle urbano específico para o Sítio Histórico, como é exigido pelo tombamento, mas com apenas três funcionários. Outros órgãos simplesmente deixaram de existir. O Laboratório de Bens Móveis, essencial para o restauro de objetos sacros das igrejas e documentos históricos como o livro de tombos da cidade, foi desativado completamente pela prefeitura após a aposentadoria dos técnicos, sem que o Conselho de Preservação conseguisse reverter a decisão.</p>



<p>A própria sede do Conselho, na rua do Amparo, está sem uso por conta de uma infiltração que deteriorou o teto do imóvel. O acesso ao Fundo de Preservação – que é para onde deveriam ir o pagamento de multas e taxas de preservação – está bloqueado há anos pela prefeitura. Além disso, desde a primeira gestão de Lupércio que as decisões do Conselho não são acatadas, com exceção das autorizações para reformas.</p>



<p>Há apenas duas únicas arquitetas responsáveis pela fiscalização do patrimônio de Olinda – focadas em reformas e construções fora dos padrões do tombamento. “As profissionais até notificam as irregularidades, mas a estrutura judicial e administrativa não dá prosseguimento às ações, minando o trabalho técnico”, diz Milet.</p>



<p>No entanto, há sinais de mudanças recentes, ainda pequenas, mas que dão alguma esperança de progresso. Em 2023, o Governo Federal anunciou uma série de investimentos no patrimônio de Olinda pelo Novo PAC, como a restauração da Igreja de São Pedro e restauração do Cine Teatro Duarte Coelho, que ainda aguarda liberação da verba. Em setembro, Iphan e Fundarpe anunciaram a liberação de R$ 1,2 milhão para o início da reforma da Igreja de São Pedro Mártir de Verona, no Carmo.</p>



<p>A movimentação da Fundarpe junto ao Iphan e ao Governo Federal trouxe uma certa pressão política para Mirella, que é do mesmo partido da governadora Raquel Lyra (PSD). Em agosto deste ano, houve mudança na secretaria de Patrimônio e Cultura, com a jornalista Marília Banholzer assumindo a pasta. Houve também a nomeação de uma técnica especializada, Márcia Chamixaes, para a secretaria executiva do Patrimônio. “As novas secretárias têm escutado as nossas reivindicações. Elas foram para uma reunião recente do conselho, coisa que há uns dez anos que ninguém da prefeitura fazia”, reconhece Milet.</p>



<p>Outra esperança é o convênio entre o Iphan e a UFPE para elaborar subsídios técnicos visando a criação de uma nova lei para o Sítio Histórico de Olinda, já que a legislação federal é de 1982 e está defasada. <a href="https://marcozero.org/estudo-da-ufpe-e-iphan-indicara-caminhos-para-nova-legislacao-do-sitio-historico-de-olinda/">Em outras duas reportagens</a>, a Marco Zero aborda esse estudo.</p>



<p>Solicitamos uma entrevista com a secretária de Patrimônio e Cultura, Marília Banholzer, para falar sobre a situação do Sítio Histórico de Olinda. Ela preferiu responder as perguntas por e-mail. Sobre a falta de funcionários, a secretária informou que a estratégia da prefeitura nessa área é “é objetiva e legal: reposição por meio da convocação dos profissionais aprovados em concurso público. Assim que houver vacância efetiva ou necessidade formalizada, a administração acionará a lista de aprovados, priorizando técnicos com experiência em patrimônio, museologia, conservação preventiva e arquivos. Paralelamente, estamos fortalecendo parcerias técnicas (universidades, IPHAN) e implementando rotina de manutenção preventiva para reduzir passivos de conservação”.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center"><strong>Paredão de som com aval oficial</strong></h2>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:45% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="575" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-1-paredao-575x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-73751 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-1-paredao-575x1024.jpeg 575w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-1-paredao-168x300.jpeg 168w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-1-paredao-150x267.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-1-paredao.jpeg 584w" sizes="(max-width: 575px) 100vw, 575px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Na semana passada, para comemorar o Dia do Samba, Olinda recebeu a escola de samba Viradouro, do Rio de Janeiro, e várias batucadas locais. A festa enveredou madrugada adentro, em plena quinta-feira. Já tarde da noite, um morador do Sítio Histórico se espantou ao ver um paredão de som no Largo do Amparo, em frente da igreja – construída no século 17 e, como todo Sítio Histórico, tombada. “O problema não é o repertório nem o estilo musical, e sim o uso de paredões de som para amplificar voz e instrumentos, prática inexistente no frevo”, contou o morador, que preferiu ficar no anonimato. </p>
</div></div>



<p>“Essa prática é uma agressão às tradições e ao patrimônio arquitetônico”, reclamou o mesmo olindense. Poucos dias depois, no domingo, outro paredão de som estava na Prudente de Morais, também com uma batucada, em um evento patrocinado por uma grande empresa de delivery.</p>



<p>O próprio instagram da Prefeitura de Olinda mostrou o paredão de som no Dia do Samba. A secretária Marília Banholzer informou à MZ que “foi permitido apenas um veículo com o equipamento de som necessário para a apresentação dos intérpretes de samba”. A resposta também afirma que a bateria da Viradouro levou para as ruas o enredo &#8220;Malunguinho Viradouro&#8221;, do Carnaval 2025, que celebra o líder quilombola. “A visita é uma contrapartida ao investimento feito pela Empetur na realização do enredo, e que visou promover o intercâmbio cultural, divulgando o turismo de Pernambuco no carnaval carioca. O evento contou com a participação voluntária das demais baterias de samba que ensaiam em Olinda, com seus instrumentos percussivos”.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h3 class="wp-block-heading">Casas desocupadas e briga de vizinhos</h3>



<p>Com um ateliê na rua 27 de Janeiro, o artista Henry da Cruz Melo aponta as casas que estão desocupadas ao redor do seu local de trabalho. São pelo menos cinco: muitas delas ficam vazias o ano todo e só são ocupadas no carnaval ou alugadas para festas. Morando há alguns anos em Casa Caiada, Henry, que nasceu e se criou na Cidade Alta, diz que não tem &#8220;nem um pouquinho de vontade de passar uma noite&#8221; por lá. “Fico acompanhando o grupo de WhatsApp dos moradores e não é raro ter alguém dizendo que não consegue voltar para casa, porque não tem como entrar de carro na rua. Quando você quer se divertir e vai pro carnaval, é uma coisa. Mas você morar aqui dentro, qualquer hora pode ser carnaval”, diz.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/estudo-da-ufpe-e-iphan-indicara-caminhos-para-nova-legislacao-do-sitio-historico-de-olinda/" class="titulo">Estudo da UFPE e Iphan indicará caminhos para nova legislação do Sítio Histórico de Olinda</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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	            </div>
        </div>

		


<p>Henry lembra quando ainda morava no Sítio Histórico e a cachorrinha que criava faleceu na sexta-feira antes do carnaval. “Pedi um táxi, que não conseguiu entrar e parou na frente do Colégio São Bento. Peguei a cachorrinha e fui andando com ela no braço, enrolada em um pano, por uns 40 minutos, atravessando o carnaval. Foi muito estranho e triste. Você simplesmente não tem acesso à sua casa”, contou. “E agora é carnaval o ano todo, não para”, diz Henry, que vê como positiva a solidariedade entre os moradores que esse “isolamento” gerou. “Como padaria e supermercado ficam meio longe, um vizinho ajuda o outro com leite, pão…”, conta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-2-henry.jpg" alt="A foto mostra Henry Melo, um homem de pele clara e cabelos grisalhos, sentado em uma cadeira dentro de um ateliê de pintura. Ele veste uma camiseta vermelha e um short bege, com postura relaxada e expressão séria, olhando diretamente para a câmera. À sua volta, o ambiente está repleto de quadros coloridos apoiados nas paredes: retratos, figuras humanas, elementos fantásticos e paisagens. À direita, sobre um cavalete, há uma pintura em andamento de um cachorro marrom deitado sobre um fundo vibrante composto por quadrados com flores multicoloridas. Partes da tela ainda estão em esboço. O chão é de ladrilhos antigos e a mesa ao lado está repleta de materiais de trabalho, como pinceis, tintas e uma paleta." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Cinco casas ao redor do ateliê de Henry Melo passam a maior parte do ano vazias
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Mas a falta de controle no Sítio Histórico de Olinda também mina as relações entre os próprios moradores. Háaproximadamente três anos, o quintal da casa 111 da rua 27 de Janeiro passou a receber todo domingo os ensaios de um bloco de samba. O quintal, que tem barracas para vendas de bebidas e palco, pertence à família do artista Zé Som, falecido em 2020.</p>



<p>A arquiteta Conceição Sarmento, viúva do artista, ainda mantém o ateliê e a casa, mas diz que quando quer tranquilidade, viaja para a praia de Serrambi, no litoral sul. Para ela, as batucadas de samba têm todo o direito de ocupar o Sítio Histórico, assim como as orquestras de frevo, os grupos de maracatu e de afoxé. “Tem um movimento que quer tirar o samba dos quintais e colocar nas praças. Mas se isso acontecer as batucadas vão ficar sem nenhum respaldo de segurança, de banheiros. Porque a prefeitura não coloca banheiro químico em nenhum evento que acontece por aqui”, aponta Conceição.</p>



<p>Para ela, as reclamações contra as festas de samba que acontecem no Sítio Histórico são preconceituosas. “Às vezes a gente tá dormindo e passa um bloco na zoeira de meia-noite. Mas as batucadas não podem? Eu acho que é porque os frequentadores não são daqui, são da periferia, dos Bultrins, Rio Doce, e são pretos. Eu acho que é uma discriminação, uma falsa moralidade”, denuncia.</p>



<p>Vizinha de muro, Anésia Eulálio sempre liga para o controle urbano de Olinda quando o barulho incomoda. E isso é em praticamente toda festa. Desde que se mudou para a rua 27 de Janeiro, há menos de três anos, não consegue descansar aos domingos. “Não tem nada de preconceito. Aqui passam dezenas de maracatus, de sambas, de troças. Mas só passam. A orquestra da Pitombeira fica aqui na rua um tempo e depois vai embora, sai pelas outras ruas. A batucada no quintal não: é sem parar. Às vezes começa às 8h30 e vai até 20h, barulho alto o tempo todo. É desesperador estar dentro da sua própria casa em um dia de domingo e não poder descansar, não poder nem conversar. Não tem mais almoço de domingo, não tem mais aniversário”, lamenta.</p>



<p>Anésia conta que já organizou um abaixo-assinado com vizinhos para solicitar que a prefeitura de Olinda impeça as festas aos domingos. Não deu em nada. “A prefeitura já prometeu muita coisa, mas nunca fez nada. Eu ligo para o controle urbano, a pessoa às vezes até vem, mas fica parada aqui na frente. Diz que não pode fazer nada, que a festa é autorizada pela prefeitura”, conta Anésia, que tem um restaurante na casa onde mora. “Desisti de abrir aos domingos. Não tenho condições de cozinhar. Não conseguia nem atender as pessoas que chegavam, tamanho é o barulho”, disse. A desavença entre vizinhas já foi parar na delegacia, com uma registrando boletim de ocorrência contra a outra.</p>



<p>Na entrevista por e-mail para a Marco Zero, a secretária Marília Banholzer falou que “o Sítio Histórico é regido por legislação que disciplina usos e atividades (Lei n.º 4.849/92), com regras para preservar a paisagem, a vizinhança e a qualidade de vida. Ensaios de rua e atividades culturais são parte da vida da cidade, mas devem respeitar normas de ruído, horários e boa convivência” e que a prefeitura atua mediante denúncias e fiscalizações. “Quando há reclamação, a equipe de Controle Urbano verifica enquadramento (horários, intensidade do som, alvará) e aplica orientações ou medidas administrativas cabíveis. É importante destacar que a Lei municipal 4.849/92 não traz norma específica que libere ou proíba ensaios em quintais, por isso a atuação é feita caso a caso, com foco em diálogo e disciplinamento para evitar impacto aos vizinhos”, escreveu.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/12/Olinda-3-anesia.jpg" alt="A foto mostra Anésia Eulálio, uma mulher idosa de pele clara e cabelos grisalhos curtos, apoiada na janela aberta de um casarão antigo e vibrante no sítio histórico de Olinda; ela veste uma camisa roxa e observa a rua com expressão tranquila, com os braços cruzados sobre o parapeito azul. A fachada do prédio é pintada em tons fortes de azul e laranja, com grades também azuis nas portas e janelas, e acima dela há um letreiro que diz “Rango de Mãe – Restaurante”, indicando o funcionamento de um pequeno restaurante familiar. A rua estreita exibe construções antigas em sequência, fios elétricos sobrepostos e um clima típico de bairro histórico." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Por causa do barulho, Anésia deixou de abrir restaurante aos domingos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para o arquiteto e urbanista Bruno Firmino esse descontrole no Sítio Histórico de Olinda – uma área em que, segundo dados da prefeitura de 2018, 87% das cerca de 1,5 mil edificações são de uso residencial – acontece porque a Prefeitura de Olinda não tem ações de educação patrimonial, não tem planejamento nem faz as fiscalizações necessárias. “Em um lugar como Olinda é necessário trabalhar com a educação patrimonial de maneira contínua. E quanto mais educação patrimonial a gente tiver, menor vai ser a necessidade de fiscalizar, porque as próprias pessoas vão ter consciência do uso adequado daquele espaço”, diz. “Se a gente for olhar para trás, para a gestão de Luciana Santos (PCdoB), por exemplo, algumas situações que pareciam ser impossíveis depois que a Lei do Carnaval foi colocada na rua (em 2001) voltaram devido ao afrouxamento de políticas de controle urbano e das políticas de patrimônio”, diz.</p>



<p>Entre as situações que já estão naturalizadas o urbanista aponta carros de som em festas e no carnaval do Sítio Histórico. Nos últimos carnavais, foram registradas batucadas com caixas de som e orquestras ficaram sem conseguir se locomover, por conta da quantidade de carros estacionados nas ruas e também da quantidade de integrantes dos grupos de samba, que, claro, andam juntos.</p>



<p>Para Firmino, a questão mais urgente hoje em Olinda é o disciplinamento das prévias. “A dinâmica das prévias mudou e agora acontecem com muito mais intensidade e também com mais quantidade de pessoas. E praticamente o ano todo. Mas não estamos vendo nenhum tipo de ação que coordene a gestão do espaço público nessa época. E isso acaba gerando uma série de conflitos: conflito entre comerciantes, entre quem faz carnaval, entre visitante e, principalmente, entre moradores. Porque tá todo mundo meio que jogado à própria sorte”, afirma. “Quando uma agremiação vai pra rua, ela preenche um formulário falando o dia e o horário que vai sair. Mas não há nenhum tipo de apoio no dia da prévia. Não há desvio de trânsito, controle urbano, nada. No final das contas, o único braço do Estado que aparece nesses períodos é a polícia”, diz ele, que também é carnavalesco.</p>



<p>Para Firmino, a prefeitura de Olinda deveria se preparar para reforçar o suporte adequado ao Sítio Histórico na longa temporada de prévias. “Já teve situação de gente que levou choque. A mureta do Largo do Amparo por mais de uma vez teve problema estrutural. Aí só no carnaval que colocavam tapume. É como se a prefeitura estivesse contando com a sorte, sabe?”. O urbanista afirma que a prefeitura deveria ter um protocolo com regras para antes, durante e depois dos blocos passarem. “A prévias poderiam servir também como laboratório de testes de algumas medidas para o carnaval. Um sítio histórico demanda uma zeladoria séria, ainda mais quando recebe uma quantidade muito grande de pessoas”, afirma.</p>



<p>Neste sábado, haverá um seminário  aberto ao público, convocado pela vereadora petista Eugênia Lima, na Prefeitura de Olinda (rua de São Bento, 123 – Varadouro) com o tema “Cabe todo mundo no carnaval”. A ideia é discutir sobre planejamento e gestão urbana do carnaval, além de fomento e incentivo à cultura popular. As mesas de debate acontecem das 8h às 12h.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Outras perguntas para a secretária de Patrimônio e Cultura de Olinda, Marília Banholzer</span>

		<p><!-- wp:heading {"level":3} --></p>
<p><strong>A Prefeitura pretende implementar o plano aprovado pelo Conselho de Preservação para impedir passagem de veículos pesados na Cidade Alta? Quando?</strong></p>
<p>Sim. Recentemente, a prefeita Mirella Almeida assegurou um investimento, via emenda parlamentar, no valor de R$ 2 milhões para a implementação de balizadores hidráulicos em 12 pontos específicos da Cidade Alta. Hoje a execução depende da liberação do recurso e da conclusão do projeto executivo, que está sendo elaborado para ser licitado e executado: assim que o projeto for concluído e recursos assegurados, o cronograma de implantação será divulgado oficialmente. Além disso, a Secretaria Executiva de Patrimônio tem enviado ofícios de orientação a diversos órgãos, como a empresa de coleta de resíduos, reforçando a necessidade de cumprimento de regras específicas sobre a circulação de veículos de grande porte no Sítio Histórico de Olinda.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Há casas com fachadas descaracterizadas, especialmente nos Quatro Cantos (ex.: Black Bar). Quais processos a prefeitura usa para identificar, embargar e multar essas intervenções? Existe projeto para melhorar a fiscalização?<br />
</strong><br />
A prefeitura atua com instrumentos técnicos e administrativos previstos na legislação de preservação (leis municipais e resoluções do Conselho de Preservação):</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:list --></p>
<ul class="wp-block-list">
<li style="list-style-type: none;">
<ul class="wp-block-list"><!-- wp:list-item --></p>
<li><strong>Identificação:</strong> vistoria técnica da equipe de Patrimônio/Controle Urbano e registro fotográfico das intervenções.</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p><!-- /wp:list-item --> <!-- wp:list-item --></p>
<ul class="wp-block-list">
<li style="list-style-type: none;">
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Medidas imediatas:</strong> notificação formal ao proprietário/estabelecimento, aplicação de autos de infração e, quando necessário, embargo de obra/uso.</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p><!-- /wp:list-item --> <!-- wp:list-item --></p>
<ul class="wp-block-list">
<li style="list-style-type: none;">
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Segurança jurídica:</strong> encaminhamento de processos administrativos com apoio técnico do Conselho de Preservação para caracterização do dano ao bem tombado. Para melhorar a fiscalização contínua, a gestão está revisando fluxos internos, aumentando integração entre fiscalização (controle urbano), gabinete jurídico e Conselho de Preservação, e estudando a ampliação da capacidade técnica via convocações de aprovados em concurso e cooperação técnica com institutos (USP/UFPE/IPHAN) para laudos e pareceres. O objetivo é transformar as decisões técnicas do Conselho em medidas de campo mais céleres e efetivas.</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p><!-- /wp:list-item --> <!-- wp:list-item --></p>
<ul class="wp-block-list">
<li style="list-style-type: none;">
<ul class="wp-block-list">
<li>Vale ressaltar que o próprio imóvel citado foi notificado pela gestão municipal.</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p><!-- /wp:list-item --></p>
<p><!-- /wp:list --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Diante da importância do Conselho de Preservação, a gestão municipal assegurará que as definições técnicas do Conselho sejam respeitadas e transformadas em ações práticas</strong>?</p>
<p>A Administração reconhece o papel consultivo do Conselho de Preservação e está empenhada em traduzir suas deliberações em ações concretas.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>João Pedro Nires // Cariri busca equilíbrio entre resistência cultural, juventude e transformação social</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:10:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Beatriz Santana* Em 1921, cinco amigos talvez não imaginassem que criariam o grupo responsável por anunciar a chegada do carnaval em Olinda. A Troça Carnavalesca MistaCariri Olindense, hoje Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, conquistou oficialmente esse título em 2016, mas já carregava há muito tempo o reconhecimento popular como símbolo de tradição. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="(max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Em 1921, cinco amigos talvez não imaginassem que criariam o grupo responsável por anunciar a chegada do carnaval em Olinda. A Troça Carnavalesca Mista<br>Cariri Olindense, hoje Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, conquistou oficialmente esse título em 2016, mas já carregava há muito tempo o reconhecimento popular como símbolo de tradição.</p>
</div></div>



<p>A história começou com o encontro de Augusto Canuto de Santana, Cosmo Botão, Jacinto Martinho, Isnar Colombo e Eugênio Cravina com um velho mascate vindo do Sertão do Cariri, região entre Pernambuco, Paraíba e Ceará, para vender ervas medicinais no centro do Recife. Encantados com sua figura, pediram permissão para homenageá-lo na agremiação que estavam fundando.</p>



<p>Desde então, todos os anos, o Cariri sai da sede, no bairro de Guadalupe, às quatro da manhã. À frente do cortejo, um homem fantasiado de mascate, com barbas brancas, chapéu de palha e montado em um burro, guia os foliões pelas ladeiras. A lenda dizia que o mascate “pegava crianças”, uma brincadeira inventada para impedir que os pequenos saíssem de casa durante a madrugada.</p>



<p>Quem melhor conta essa história é o educador musical e diretor de preservação e memória do Cariri Olindense, João Pedro Nires. Em entrevista exclusiva, ele explica que a troça é, para ele, quase um parente: “É aquele primo ou tio que exige atenção o tempo todo. Já demandou esforço, tempo e dinheiro da família”.</p>



<p>Esse esforço coletivo foi essencial para impedir que a tradição se interrompesse. Em 2008, quando o Cariri não desfilou, o bairro reagiu com indignação. “Saiu até no jornal: ‘revolta no bairro do Guadalupe’. Porque o Cariri não saiu”, relembra João.</p>



<p>O sentimento de pertencimento se renova a cada cortejo. Os versos do hino <em>“Lá vem o Cariri ali / Com saco de pegar criança / Pegando menino e moça / Pegando tudo o que a vista alcança”</em> embalam os foliões, que seguem o bloco com devoção.</p>



<p>No passado, a manutenção da troça dependia do “Livro de Ouro”, que circulava de casa em casa recolhendo doações. Hoje, além da contribuição da comunidade, o Cariri se sustenta com a venda de camisetas, ingressos de festas e patrocínios pontuais, além da bolsa do título de Patrimônio Vivo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entre tradição e renovação</strong></h2>



<p>Para muitos moradores de Guadalupe, o som da orquestra do Cariri é o verdadeiro anúncio de que o carnaval começou. “Era uma agremiação bem restrita à sua saída às 4 horas da manhã. E de um tempo para cá, por vários fatores, o público vem mudando, vem chegando a juventude para brincar o Cariri, vem chegando uma galera de Recife, vem chegando a galera branca, é vem chegando a galera de São Paulo, de outros estados, enfim, para curtir”, conta João.</p>



<p>O desafio, agora, é equilibrar tradição e crescimento. “A logística se torna mais difícil: garantir espaço para os músicos, para os estandartes, para o burro do Cariri. Controlar não é dizer ‘vai pra cá, vai pra lá’, é trazer conforto”, explica.</p>



<p>Ainda assim, João vê a chegada do novo com entusiasmo. “A juventude vai chegar com mais gás, com mais energia, com mais potência. O novo sempre vem”, diz. Para ele, cabe às gerações anteriores orientar e equilibrar essa energia, garantindo que o “transe coletivo” continue.</p>



<p>João alerta para os perigos de um discurso que idealiza o passado. “É uma armadilha muito grande, principalmente para nós jovens, cair nesse discurso da essência, do que era original, do que é raiz”, afirma. Para ele, congelar o frevo e o carnaval em uma forma fixa é negar sua própria natureza transformadora.</p>



<p>Essa reflexão ganha ainda mais peso quando entra em pauta a inclusão. “A Troça Carnavalesca Mista, com ‘M’ de mista, inclui homens e mulheres. Algumas agremiações ainda não têm esse ‘M’. A gente vai manter isso em nome da tradição?”, provoca.</p>



<p>Preservar o Cariri é manter viva a memória coletiva e o pertencimento do bairro de Guadalupe, mas também aceitar que a tradição, como o frevo e o carnaval, só sobrevive se continuar se transformando. Afinal, como lembra João, “se o carnaval é o momento em que tudo pode ser, por que não pode também ser reinventado?”</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>* Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
    </div>
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			</item>
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		<title>Catarina DeeJah // Carnaval vivido o ano inteiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 20:51:18 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="(max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Catarina Lins de Aragão, mais conhecida como Catarina do Amparo, Catarina DeeJah ou Mciririca, é um dos nomes mais singulares da cena artística olindense. Multiartista por definição, transita entre as artes plásticas, a música e o frevo, sempre guiada por uma relação profunda com a cidade onde nasceu e vive.</p>
</div></div>



<p>Filha de pais apreciadores de arte, cresceu em um ambiente em que o cotidiano e a criação se misturavam. A casa da família, o Ateliê Iza do Amparo, localizada no Sítio Histórico de Olinda, é ao mesmo tempo lar, galeria e ponto de encontro de expressões culturais diversas. “Aqui a gente abre a janela e respira cultura, respira vida. É uma cidade que tem um charme que lembra o interior, meio bucólica, mas também é boêmia”, diz Catarina.</p>



<p>Graduada pela “universidade a céu aberto”, como ela mesma define Olinda, Catarina constrói uma obra que reflete a pluralidade do lugar onde vive. Em suas criações, o popular e o contemporâneo convivem naturalmente. “Tenho desenvolvido um trabalho de tipografia que contextualiza esse meu imaginário e esse amor que tenho pela cultura daqui”, conta.</p>



<p>A artista lembra com emoção o momento em que, ainda criança, observava Olinda à noite da janela do apartamento do pai. “A cidade pulsava. As luzes oscilavam. Era metafísico. Falei: ‘meu Deus, isso é um campo de força, é a guerra-magia mesmo’. Ao mesmo tempo que era assustador, era incrível.” Essa mistura de mistério e encantamento se tornaria uma marca da sua produção artística.</p>



<p>O carnaval e seus mestres são o combustível de Catarina. Foi assim quando recebeu o convite para criar o primeiro estandarte da <em>Troça Elétrica</em>, projeto da banda Nação Zumbi com Siba e a Fuloresta. “Eu fiquei meio perdida. Fui bater na casa do Seu Fernando, do Guadalupe. Ele me mostrou o processo e eu fui fazendo do meu jeito. Fiz questão de levar pra ele, que disse: ‘você fez e fez do seu jeito’. Isso, pra mim, é um grande mestre, porque ele não impõe”, relembra.</p>



<p>A experiência reforçou seu desejo de respeitar a tradição sem abrir mão da liberdade criativa. “Não quero tirar o espaço nem o holofote de quem vive disso e tem essa ciência”, completa.</p>



<p>Para Catarina, o frevo é a expressão maior desse equilíbrio entre passado e presente. “O frevo é expressão, tem que se renovar. Eu adoro ir pro Vassourinhas e ver a galera tirando os frevos originais. Tem versões, adaptações, mas eu gosto mesmo dos originais. E é isso: viver aqui é estar entre vários mundos, entre a fantasia e a realidade.”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Carnaval como linguagem</strong></h2>



<p>Em suas criações visuais, Catarina transforma elementos do carnaval em experimentação contemporânea. As bandeirinhas de papel picado são uma releitura dos tradicionais estandartes e refletem o cotidiano de uma cidade quase sempre em clima de festa. Já os confetes, que chama de “sopa de letrinha carnavalesca”, ganham forma de sombrinhas de frevo e casinhas recortadas em papel, lançadas pelas ladeiras de Olinda durante o carnaval.</p>



<p>Na música, também segue o caminho da mistura. Se aventura pelo forró e por experimentações com samplers, como o que criou a partir da introdução da Orquestra de Pau e Corda. Embora suas experimentações causem estranhamento em alguns ouvintes, ela segue fiel à busca por novas formas de expressão sem perder o vínculo com o popular.</p>



<p>“Não espere de mim o que todo mundo já lhe dá”. O lema de Catarina resume sua trajetória. “Aprendi com meu amigo Chico Science que a gente pode ter os pés fincados na lama, mas a mente tem que estar na imensidão.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>* Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/catarina-deejah-carnaval-vivido-o-ano-inteiro/">Catarina DeeJah // Carnaval vivido o ano inteiro</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Ossos humanos, louças e cerâmicas são encontrados em reforma do Mosteiro de São Bento, em Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jul 2025 14:18:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[achado arqueológico]]></category>
		<category><![CDATA[descoberta arqueológica]]></category>
		<category><![CDATA[iphan]]></category>
		<category><![CDATA[Mosteiro de São Bento]]></category>
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<p>Fragmentos de ossos humanos — incluindo parte de um crânio — e de animal, além de vidros, louças, cerâmicas e metais foram encontrados durante as obras da parte externa da restauração do Mosteiro de São Bento, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Por enquanto, foram identificados, na área onde funciona o estacionamento do mosteiro, 43 fragmentos ósseos, sendo 42 de humanos e um bovino, alguns associados a sepultamentos antigos. Mas esse número pode ser bem maior.</p>



<p>Para conseguir traçar algum perfil dos achados e dizer a quem pertenciam, seria necessário que uma escavação arqueológica identificasse mais indivíduos e mais material, como aconteceu, em 2022, na Comunidade do Pilar, no Bairro do Recife. Com mais de 100 ossadas humanas e mais de 40 mil fragmentos de objetos diversos, o local é considerado o <a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2022/04/18/entenda-o-que-e-o-achado-arqueologico-urbano-onde-foram-encontradas-mais-de-100-ossadas-humanas-no-recife.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">maior achado arqueológico urbano do Brasil</a>, segundo a prefeitura da capital.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:45% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="464" height="555" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/cranio-mosteiro-sao-bento.jpg" alt="" class="wp-image-71843 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/cranio-mosteiro-sao-bento.jpg 464w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/cranio-mosteiro-sao-bento-251x300.jpg 251w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/cranio-mosteiro-sao-bento-150x179.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 464px) 100vw, 464px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Quem irá decidir se o Mosteiro de São Bento passará ou não por uma escavação arqueológica é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que ainda não se manifestou sobre o assunto. Em nota à <strong>Marco Zero</strong>, a instituição afirmou, na semana passada, que, até aquele momento, não havia sido ainda oficialmente informado pela empresa de arqueologia responsável pelas escavações sobre eventuais achados no local.</p>



<p></p>
</div></div>



<p>“Tão logo o relatório arqueológico seja protocolado, a equipe técnica do Iphan procederá à sua análise”, disse a nota. A reportagem apurou que o relatório foi protocolado nesta segunda-feira, 28 de julho.</p>



<p>Segundo a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), responsável pelas obras e notificada sobre os achados, os itens encontrados serão acondicionados no Laboratório de Conservação e Restauração de Acervos e Educação Patrimonial, Museu de Arqueologia e Ciências Naturais da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).</p>



<p>Com os dados atuais, ainda não é possível extrair muitas informações. Por enquanto, já se sabe quais ossos são do lado esquerdo ou direito do corpo e que não há restos mortais de crianças. </p>



<p>Como antigamente não existiam cemitérios como os que conhecemos hoje, os sepultamentos eram realizados no entorno das igrejas — quem tinha mais condições financeiras era levado para ser sepultado no interior dos templos. Essa prática se deu até meados de 1835, período em que o Cemitério de Nossa Senhora do Guadalupe foi construído.</p>



<p>A reforma do Mosteiro de São Bento foi anunciada em outubro do ano passado. As obras visam restaurar os bens artísticos e integrados da igreja do mosteiro, além de consolidar e estabilizar suas fundações. Realizada pelo Governo de Pernambuco por meio da Fundarpe, a restauração conta com um investimento de R$ 15,3 milhões disponibilizados pelo Iphan por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).</p>





<p>A obra de restauração inclui intervenções na nave, sacristia, coro e na capela-mor. Além disso, as capelas do Santíssimo e abacial, e a sala capitular do Mosteiro de São Bento também serão restauradas. Na obra civil, serão realizados serviços de drenagem e consolidação das fundações, subcobertura e implantação do sistema de prevenção e combate a incêndio.</p>



<p>A edificação é a segunda instalação beneditina em terras brasileiras. Construído a partir de 1586, o mosteiro foi reconstruído a partir de 1654, no estilo Barroco. O mosteiro foi tombado pelo Iphan em 1938. O edifício é parte essencial da herança histórica de Olinda, reconhecida como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco, em 1982.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Relatório recomenda intervenções</strong></h2>



<p>O relatório arqueológico, que é público, foi feito entre maio e junho deste ano pela empresa LB Arqueologia, contratada pela Multiset, a licitada responsável por tocar as obras civis do mosteiro. A <strong>MZ</strong> tentou contato com a Multiset, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.</p>



<p>No documento, a LB Arqueologia afirma que todo o material encontrado foi devidamente acondicionado, higienizado, catalogado e analisado. Ainda de acordo com o relatório, a empresa recomenda que sejam feitas futuras intervenções devido ao alto potencial arqueológico do loca, evitando assim mais perdas de contexto arqueológico e danos aos remanescentes ósseos e outros vestígios</p>



<p>O Iphan pode decidir, por exemplo, realizar uma prospecção arqueológica, uma mudança de traçado do projeto para que o patrimônio arqueológico continue no mesmo local ou que a engenharia use outras tecnologias menos invasivas.</p>





<p>Os vestígios ósseos foram encontrados a uma profundidade entre 1,10 e 1,20 metro, em uma camada de sedimento mais escuro, com presença de conchas e fragmentos de cerâmica. Possivelmente as pessoas sepultadas no pátio externo do mosteiro não estavam ligadas diretamente à ordem beneditina, uma vez que monges e religiosos geralmente eram enterrados no claustro ou pátio interno.</p>



<p>Em nota enviada na semana passada, a Fundarpe informou que “o acompanhamento arqueológico está portariado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e seguindo as devidas normativas que tratam do Patrimônio arqueológico”. Disse ainda que “no momento, esses achados arqueológicos estão em análise, com relatório sendo produzido, e em breve estará disponibilizado para consulta pública”.</p>



<p>“A Fundarpe esclarece que a obra civil no Mosteiro de São Bento não está paralisada, tendo sido suspenso apenas o serviço de execução de dreno profundo das áreas externas, em decorrência do período de chuvas, com previsão de ser retomado já no mês de agosto deste ano”, concluiu a nota.</p>
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