<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos ônibus - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/onibus/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/tag/onibus/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 21 Jan 2026 22:06:07 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos ônibus - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/tag/onibus/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Entenda porque o Ministério Público vai investigar o aumento das passagens de ônibus</title>
		<link>https://marcozero.org/entenda-porque-o-ministerio-publico-vai-investigar-o-aumento-das-passagens-de-onibus/</link>
					<comments>https://marcozero.org/entenda-porque-o-ministerio-publico-vai-investigar-o-aumento-das-passagens-de-onibus/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Jan 2026 21:35:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[aumento da tarifa]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte coletivo]]></category>
		<category><![CDATA[transporte publico]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=74262</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abriu um procedimento para investigar a denúncia da Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco sobre possíveis irregularidades na reunião do dia 15 de janeiro que decidiu o reajuste das tarifas de ônibus. De acordo com o coordenador da Frente e representante da sociedade civil no Conselho Superior [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entenda-porque-o-ministerio-publico-vai-investigar-o-aumento-das-passagens-de-onibus/">Entenda porque o Ministério Público vai investigar o aumento das passagens de ônibus</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abriu um procedimento para investigar a denúncia da Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco sobre possíveis irregularidades na reunião do dia 15 de janeiro que decidiu o reajuste das tarifas de ônibus. De acordo com o coordenador da Frente e representante da sociedade civil no Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), Pedro Josephi, a 43ª reunião do CSTM, que aumentou a tarifa única de R$ 4,30 para R$ 4,50, teria de ser anulada. O deputado Romero Albuquerque (União Brasil) também entrou com uma denúncia no MPPE.</p>



<p>A sociedade civil é minoria no Conselho, ocupando apenas oito cadeiras entre as 25 que o compõem. O colegiado é composto por representantes do Governo do Estado, que o preside por meio do titular da Secretaria de Mobilidade Urbana e Infraestrutura (Semobi), além de representantes da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), das prefeituras e câmaras municipais do Recife, Olinda e Camaragibe, da Agência de Trânsito do Recife (CTTU), do Grande Recife Consórcio, da CBTU, do Sindicato dos Rodoviários e dos sindicatos patronais.</p>



<p>A decisão ocorreu com 13 votos a favor, seis votos contra, três se abstiveram e três não compareceram. No entanto, os votos de abstenção foram de representantes da sociedade civil que também são ocupantes de cargos comissionados no governo do Estado. Com dados da plataforma Tome Conta, do TCE, o site <strong><a href="https://politicacomopiniao.com/as-manobras-que-garantiram-ao-governo-raquel-aprovar-o-aumento-da-tarifa-de-onibus/">Política com Opinião</a></strong>, apontou que Jean Pierre de Lima Moraes está no Conselho como representante de usuário comum, mas, ao mesmo tempo, é assistente técnico na Secretaria de Mobilidade desde junho de 2024.</p>



<p>Leandra Cristina da Silva, que representa a pessoa com deficiência, é assistente na Secretaria de Justiça e Direitos Humanos desde novembro de 2024. Já Eliseu Santana, que também representa o usuário comum, ocupa um cargo em comissão na Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes desde 2017, nomeado por meio do ato de n° 1751.</p>



<p>Além da composição do conselho, Pedro Josephi, aponta outras supostas ilegalidades. A primeira delas foi não seguir um item básico do regimento: a realização de reuniões bimestrais para fiscalizar, discutir e deliberar sobre a política de transporte e mobilidade na região metropolitana, conforme foi determinado quando o Grande Recife Consórcio e o CSTM foram criados, a partir da Lei Estadual nº 13.235, de 2007.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conselho se reuniu só uma vez em um ano</strong></h2>



<p>A última reunião teria ocorrido em dezembro de 2024, ou seja, mais de um ano para discutir a mobilidade do Grande Recife. “Em 2025 nós não tivemos nenhuma reunião do Conselho. Como se os problemas de transporte não estivessem se acumulando, como se a gente não tivesse demandas. Mas é que o governo não tem interesse na participação da sociedade civil. Esse é um governo muito autoritário, muito centralizador e que obstaculiza o controle social e a transparência por parte da sociedade civil e dos outros atores políticos que também integram o consórcio e o conselho”, critica Josephi.</p>



<p>Outro ponto apresentado na denúncia é que o prazo regimental determinado é de 10 dias para que qualquer membro possa apresentar propostas, projetos projetos, estudos a respeito das questões do transporte e o governo não teria cumprido esse prazo. A convocação teria ocorrido em 29 de dezembro, mas os documentos e planilhas que embasaram o reajuste teriam sido encaminhados aos conselheiros apenas nos dias 12 e 13 de janeiro de 2026, reduzindo o prazo de análise para, no máximo, três dias.<br><br>“Pegou todo mundo de surpresa, impedindo que a sociedade civil pudesse exercer o seu papel de fiscalização, de apresentar proposta, de apresentar soluções, de apresentar contrapropostas, então tudo isso foi impossibilitado porque não foram apresentados os pontos de pauta no prazo de 10 dias, que seria o que a lei determina”, ressalta o o conselheiro.</p>



<p>A denúncia aponta que além de apresentar a documentação fora do prazo, também foi apresentada sem o relatório de qualidade das empresas de ônibus, item essencial para o reajuste da tarifa, pois aponta se as empresas cumpriram as metas do ano anterior ou não. São nelas que o Conselho pode analisar questões como pontualidade, assiduidade, trajeto correto, cordialidade, não queima de parada de ônibus para a pessoa com deficiência, para a pessoa idosa, entre outros.</p>



<p>Diante de todas as alegações, o coordenador da Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco, fez tanto o pedido de vista como a questão de ordem para retirar o reajuste de pauta e o conselho estudar, ter mais tempo para avaliar e que os documentos fossem apresentados. No entanto, &#8220;o presidente do conselho que é o secretário de Mobilidade Urbana, não só indeferiu unilateralmente o meu pedido de vista e a minha questão de ordem, como também não as submeteu ao plenário&#8221;, relembra Pedro. Segundo o regimento, por ser um órgão colegiado, formado por vários entes, deveria ter sido submetido ao plenário.</p>



<p>Procurado pela reportagem, o MPPE confirmou que “recebeu as Notícias de Fato tratando do tema e serão analisadas assim que forem prestadas informações pelo Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM)”. Quem acompanha o caso é a 36ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da capital, com atuação na fiscalização do serviço de Transporte da Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>A intenção da Frente Popular é barrar que o aumento de passagem entre em vigência no dia 1º de fevereiro, os próximos passos, caso o MPPE não avance em tempo hábil, é judicializar o caso.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Conferência virtual</strong></h3>



<p>Além de tratar do aumento da passagem, houve outros assuntos durante a 43ª reunião do Conselho, entre eles a realização da Conferência Metropolitana exclusivamente por meio virtual. A Frente Popular também é contrária a essa decisão, pois já não há riscos sanitários para justificar o encontro online e o debate presencial pode levar mais pessoas às plenárias. Segundo a organização, este formato alarga as distâncias para grupos como o de pessoas idosas e com deficiência.</p>



<p>“A conferência, que envolve as 15 cidades da região metropolitana, não pode ser virtual, ela tem que ter reunião em cada uma das cidades de forma presencial, publicizada, para que as pessoas possam participar. Então, isso também foi aprovado lá de sopetão”, reitera Joseph.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira a íntegra da resposta do Governo do Estado:</span>

		<p>O Grande Recife Consórcio de Transporte (CTM) informa que o Governo do Estado de Pernambuco cumpriu os prazos regimentais e forneceu os documentos necessários para a análise das propostas deliberadas pelos conselheiros.</p>
<p>Ciente de que todos os procedimentos foram realizados atendendo às exigências legais e regimentais, o CTM fica à disposição para eventuais esclarecimentos à população ou a qualquer demandante institucional.</p>
<p>O  Grande Recife reforça que busca cumprir todos os preceitos da Administração Pública em todos os seus atos, tendo convicção de que este processo foi conduzido com respeito às regras de convocação e transparência.</p>
<p><strong>Sobre a presença de servidores como membros representantes da sociedade civil: </strong></p>
<p>A Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura reitera o compromisso com a idoneidade e o respeito da importância da participação popular no Conselho Superior de Transporte Metropolitano. Quanto aos nomes citados na reportagem, Jean Pierre de Lima Moraes se encontra como cargo comissionado da Semobi, datado mais de um ano e meio da realização da última reunião conselho realizado no último dia 15/01/2026. Tendo total independência do seu trabalho no CSTM, teve inclusive votos contrários em reuniões anteriores e de abstenção em medidas apresentadas pela presidência desse conselho na última semana.</p>
<p>Há de reforçar também que outros membros do CSTM possuem vínculos com gestões municipais. Não há qualquer impedimento legal para tal exercício.</p>
<p>Quanto a Leandra Cristina da Silva, não há qualquer relação com esta Secretaria.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading"></h3>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entenda-porque-o-ministerio-publico-vai-investigar-o-aumento-das-passagens-de-onibus/">Entenda porque o Ministério Público vai investigar o aumento das passagens de ônibus</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/entenda-porque-o-ministerio-publico-vai-investigar-o-aumento-das-passagens-de-onibus/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Governo recua e adia reunião do órgão que decide aumento da tarifa de ônibus do Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/governo-recua-e-adia-reuniao-do-orgao-que-decide-aumento-da-tarifa-de-onibus-do-grande-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Feb 2024 14:28:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade urbana]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[tarifa de ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[transporte público]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=59203</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* O Governo do Estado reviu a decisão de realizar a reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) na sexta-feira de carnaval. Em ofício assinado digitalmente às 16h40 de quarta-feira (7), o secretário executivo do CSTM, Roberto Ferreira Campos, comunicou aos conselheiros a nova data do encontro que pode aprovar aumento de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/governo-recua-e-adia-reuniao-do-orgao-que-decide-aumento-da-tarifa-de-onibus-do-grande-recife/">Governo recua e adia reunião do órgão que decide aumento da tarifa de ônibus do Grande Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>O Governo do Estado reviu a decisão de realizar a reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) na sexta-feira de carnaval. Em ofício assinado digitalmente às 16h40 de quarta-feira (7), o secretário executivo do CSTM, Roberto Ferreira Campos, comunicou aos conselheiros a nova data do encontro que pode aprovar aumento de valor da tarifa de ônibus, já que a pauta ainda não foi divulgada. “Fica remarcada para o dia 22/02 (quarta-feira) às 08:30h, em primeira convocação, e às 09:00h, em segunda convocação”, avisou.</p>



<p>O CSTM justificou o motivo. “Nem todos os conselheiros confirmaram o recebimento da convocação (encaminhada em 25/01) para a data anteriormente designada, o que poderia comprometer a representatividade e eficácia dos trabalhos do conselho”. Os representantes também se comprometeram a enviar o conteúdo da pauta com antecedência. </p>



<p>Na quarta-feira (7), antes da assinatura do ofício que reviu a decisão, a Marco Zero Conteúdo publicou matéria avisando da reunião do CSTM &#8211; a primeira do governo Raquel Lyra (PSDB) &#8211; para a sexta-feira (9), um dia depois da abertura oficial do Carnaval de Recife e Olinda. A reunião havia sido convocada pelo secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Diogo Bezerra, considerado pessoa de confiança da governadora, com quem já trabalhou em Caruaru.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/governo-do-estado-convoca-reuniao-e-tarifa-de-onibus-pode-aumentar-na-sexta-feira-de-carnaval/" class="titulo">Governo do Estado convoca reunião e tarifa de ônibus pode aumentar na sexta-feira de carnaval</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong>.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/governo-recua-e-adia-reuniao-do-orgao-que-decide-aumento-da-tarifa-de-onibus-do-grande-recife/">Governo recua e adia reunião do órgão que decide aumento da tarifa de ônibus do Grande Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Governo do Estado convoca reunião e tarifa de ônibus pode aumentar na sexta-feira de carnaval</title>
		<link>https://marcozero.org/governo-do-estado-convoca-reuniao-e-tarifa-de-onibus-pode-aumentar-na-sexta-feira-de-carnaval/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Feb 2024 16:16:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade urbana]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=59199</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* O Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), órgão colegiado que decide quanto e quando é reajustado o preço da tarifa de ônibus no Grande Recife, agendou reunião para sexta-feira (9), um dia após a abertura oficial do Carnaval do Recife e Olinda. O CSTM é vinculado à estrutura do Governo do Estado. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/governo-do-estado-convoca-reuniao-e-tarifa-de-onibus-pode-aumentar-na-sexta-feira-de-carnaval/">Governo do Estado convoca reunião e tarifa de ônibus pode aumentar na sexta-feira de carnaval</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>O Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), órgão colegiado que decide quanto e quando é reajustado o preço da tarifa de ônibus no Grande Recife, agendou reunião para sexta-feira (9), um dia após a abertura oficial do Carnaval do Recife e Olinda. O CSTM é vinculado à estrutura do Governo do Estado. De acordo com o ofício de convocação, o encontro está marcado para acontecer de forma virtual e sem pauta definida previamente. O documento é assinado pelo secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Diogo Bezerra, também presidente do Conselho. Detalhe: esta será a primeira reunião em mais de um ano do governo Raquel Lyra (PSDB).</p>



<p>O CSTM é formado por representantes dos poderes Executivo e Legislativo de Pernambuco, das prefeituras e câmaras municipais de Recife e Olinda, donos de empresas de ônibus e segmentos de usuários. Ao todo, são 25 conselheiros. A sociedade civil indica apenas oito cadeiras, menos de um terço do colegiado. Dois dos conselheiros, Pedro Josephi e Márcio Morais, entraram com pedido administrativo de remarcação do encontro.</p>



<p>“Considerando que, durante o ano inteiro de 2023, não houve convocação e nem reuniões ordinárias ou extraordinárias deste Conselho; considerando que, após inquéritos civis abertos no Ministério Público estadual, o CSTM se comprometeu a apresentar um calendário de reuniões periódicas, como determina o regimento e a legislação aplicada”, argumenta trecho do documento em favor do reagendamento da reunião.</p>



<p>O presidente do órgão ainda não respondeu sobre o pedido dos conselheiros e, até o momento, a reunião está mantida. Pelas regras de funcionamento do CSTM, a presidência é sempre ocupada pelo secretário estadual da pasta da área.&nbsp;</p>



<p>Pedro Josephi também é advogado. No ano passado, ele entrou com representação junto ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) questionando a não convocação de reuniões por parte do CSTM e mais outros dois pontos: a ausência de ar condicionado nos ônibus e a retirada de veículos da frota em circulação que atende a cerca de 1,8 milhão de pessoas usuárias.&nbsp;</p>



<p>A iniciativa teve desdobramentos e inquéritos civis foram instaurados pelo MPPE. “A gente teve uma primeira audiência agora em janeiro. Após isso, o governo, para dar uma resposta, resolveu convocar essa reunião. Mas sem apresentar pauta nem o que vai ser discutido e votado”, contextualiza Pedro Josephi.&nbsp;</p>



<p>O ofício circular assinado pelo secretário Diogo Bezerra foi emitido no dia 25 de janeiro. “A pauta será devidamente encaminhada nos termos do inciso IV, artigo 10 da Resolução nº 20/2016”, avisa o gestor, no documento endereçado aos demais 24 conselheiros. Na manhã de quarta-feira (7), a reportagem enviou questionamento à Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura em que pergunta se a pauta já foi definida. Mas, até o momento, não recebeu resposta.</p>



<p>“A depender de qual seja, vamos judicializar para que não haja deliberação de aumento de passagem, que precisa seguir um rito de transparência e prazos. ”, informa Josephi.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em 2022 o valor da tarifa subiu para R$ 4,10</strong></h2>



<p>Os governos evitam os termos reajuste ou aumento de passagem. Preferem usar o eufemismo “realinhamento tarifário”. Eufemismo é a figura de linguagem que atenua ou suaviza o impacto das palavras.&nbsp;</p>



<p>O último “realinhamento tarifário” foi aprovado em janeiro do último ano da gestão Paulo Câmara (PSB), de 9,69%. O índice fez o Anel A &#8211; utilizado por mais de 80% dos passageiros &#8211; saltar de R$ 3,75 para R$ 4,10.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/parece-um-forno-mas-e-um-onibus-o-calor-na-rotina-de-quem-usa-transporte-publico-no-grande-recife/" class="titulo">Parece um forno, mas é um ônibus: o calor na rotina de quem usa transporte público no Grande Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/mobilidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Mobilidade</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong>.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/governo-do-estado-convoca-reuniao-e-tarifa-de-onibus-pode-aumentar-na-sexta-feira-de-carnaval/">Governo do Estado convoca reunião e tarifa de ônibus pode aumentar na sexta-feira de carnaval</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cobranças indevidas e atrasos: as queixas de quem usa a Integração Temporal no Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/cobrancas-indevidas-e-atrasos-as-queixas-de-quem-usa-a-integracao-temporal-no-grande-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jun 2023 20:43:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[grande recife consorcio de transportes]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[tarifa de ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[transporte público]]></category>
		<category><![CDATA[urbana-pe]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=55865</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Artur Serrano* Desde que a integração temporal começou a funcionar no primeiro Terminal Integrado (TI) a operar nesse modelo, o de Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes, ainda em 2017, vários problemas têm sido relatados por parte dos passageiros, principalmente quando algum terminal incorporado ao sistema. As queixas mais comuns, mesmo após anos de funcionamento, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/cobrancas-indevidas-e-atrasos-as-queixas-de-quem-usa-a-integracao-temporal-no-grande-recife/">Cobranças indevidas e atrasos: as queixas de quem usa a Integração Temporal no Grande Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Artur Serrano*</strong></p>



<p>Desde que a integração temporal começou a funcionar no primeiro Terminal Integrado (TI) a operar nesse modelo, o de Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes, ainda em 2017, vários problemas têm sido relatados por parte dos passageiros, principalmente quando algum terminal incorporado ao sistema. As queixas mais comuns, mesmo após anos de funcionamento, são o tempo insuficiente das duas horas, mas também a cobrança irregulares de uma nova passagem.</p>



<p>Para quem não tem o costume ou a necessidade de usar ônibus, é preciso conhecer a integração temporal. Trata-se de um período de tempo – duas horas &#8211; em que o usuário não precisa pagar uma segunda passagem quando embarca em um novo ônibus. Esse sistema funciona apenas com o uso do cartão VEM (Comum, Trabalhador, Estudante ou Livre Acesso), nos modais ônibus-metrô, metrô-ônibus ou ônibus-ônibus, a depender do terminal e das linhas. Antes, os passageiros não precisavam utilizar o VEM nos TIs e entravam nos ônibus pelas portas de trás e do meio.</p>



<p>Sobre as queixas mais comuns, os exemplos vêm de duas mulheres. A estudante universitária Elisabeth Neves, 22 anos, leva em média quatro horas para sair da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde estuda, e voltar para casa, em Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho. Por isso, o limite de duas horas não é suficiente. A estilista Rhávila Vieira, de 24 anos, já teve uma segunda passagem cobrada indevidamente no TI Igarassu, ainda dentro do limite de duas horas.]</p>



<h2 class="wp-block-heading">Porque 2 horas é pouco tempo</h2>



<p>Um <a href="https://moovitapp.com/insights/pt-br/Moovit_Insights_%C3%8Dndice_sobre_o_Transporte_P%C3%BAblico-countries?__hstc=171844735.63602ee4cd11ed6eef5332f49a555eba.1674669518733.1674669518733.1674669518733.1&amp;__hssc=171844735.1.1674669518733&amp;__hsfp=1782981590">relatório global</a> feito em 2022 pela empresa israelense de mobilidade Moovit analisou o transporte público de grandes metrópoles do mundo. O estudo une estatísticas do transporte público dessas cidades a uma pesquisa de opinião com os seus usuários. De acordo com o relatório, o Recife é a cidade brasileira com o segundo maior tempo de viagem no transporte público, com uma média de 64 minutos (incluindo caminhadas, espera e tempo de deslocamento), ficando atrás apenas do Rio de Janeiro, com 67 minutos. No entanto, as viagens no Recife são mais curtas, com um percurso médio de 8,22 quilômetros, enquanto na capital fluminense o trajeto médio é de 11,42 quilômetros.&nbsp;</p>



<p>É uma grande disparidade entre as distâncias para apenas três minutos de diferença.</p>



<p>De acordo com o coordenador regional no Nordeste da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), César Cavalcanti, o Rio de Janeiro tem a vantagem de ter mais corredores e faixas exclusivas para ônibus do que o Recife.</p>



<p>O relatório também analisa a proporção de viagens longas, em termos de distância, que são aquelas com mais de 12 quilômetros. Nesse aspecto, 18,6% das viagens de ônibus no Recife são consideradas longas, ficando atrás apenas de Porto Alegre, que tem 19,77%. E, mesmo que a capital gaúcha tenha mais viagens com mais de 12 quilômetros do que a capital pernambucana e esteja quase empatada com o Recife no percurso médio (com 8,18 quilômetros), em Porto Alegre os passageiros ficam bem menos tempo em deslocamento, com média de 47 minutos.&nbsp;</p>



<p>Em relação às viagens que duram duas horas ou mais, o Recife continua na segunda posição com 8,87%, mais uma vez atrás do Rio de Janeiro, que tem 11,73%. As viagens entre uma e duas horas representam 32,21% no Recife (quase um terço do total), colocando a capital pernambucana em terceiro lugar, atrás de São Paulo (33,86%) e Rio de Janeiro (32,72%).</p>



<p>No Recife, além do tempo da viagem em si, os passageiros dependem da sincronia de horários entre as linhas de ônibus e/ou metrô.</p>



<p>Em seu trajeto do estágio, na Prefeitura do Recife, para sua casa, em Itapuama, a universitária Elisabeth Neves pega um ônibus até o Cais de Santa Rita, no centro do Recife, e outro de lá até o TI Cabo, gastando aproximadamente uma hora e meia 1h30. Caso perca o ônibus seguinte da linha 129-Paiva/TI Cabo), por algum atraso no primeiro deslocamento, ela precisa esperar por mais de uma hora pelo próximo veículo e acaba tendo que pagar uma nova passagem. “Agora, por exemplo, eu acabei de fazer esse trajeto e levou mais de 1h30, o que me fez perder o ônibus de 14h20min do Paiva. Agora só sai outro ônibus do Paiva às 16h”, afirma.</p>



<p>Segundo a Coordenadora de Vigilância e Avaliação da <a href="https://www.vitalstrategies.org/">Vital Strategies</a> no Recife, Amanda Maria da Conceição, a demora dos transportes públicos se deve aos engarrafamentos, causados pela relação entre a capacidade viária (o quanto de veículos uma via consegue suportar) e a demanda de veículos (o quanto de automóveis de fato transitam pela via). Ela acrescenta ainda que a estrutura da cidade do Recife estimula deslocamentos concentrados nas horas de pico em direção aos mesmos destinos, em outros horários, os deslocamentos registram tempos muito menores.</p>



<p>A Vital Strategies é uma organização não-governamental global de saúde que, através da iniciativa <a href="https://www.grsproadsafety.org/">Bloomberg </a><a href="https://www.grsproadsafety.org/">para a Segurança Global no Trânsito</a>, trabalha para reduzir mortes no trânsito e promover uma mobilidade segura.</p>



<p>A insuficiência de ônibus para a demanda é outro problema que aflige os passageiros. A estudante Rafaella Alves, 21 anos, usuária do TI Joana Bezerra, relata que a baixa quantidade de ônibus gera enormes filas: “muitas vezes é necessário esperar dois ou três ônibus passarem para você conseguir entrar em um”, explica. A mesma reclamação pode ser ouvida no TI CDU, principalmente por quem utiliza a linha 2920 &#8211; TI Rio Doce/TI CDU.</p>



<p>Isso se confirma no relatório da Moovit, que indica que 23,76% dos usuários do transporte público em Recife pedem por mais ônibus ou menor tempo de espera, sendo este o maior desejo dos recifenses, de acordo com a pesquisa. Outros desejos mencionados pelos usuários na pesquisa são passagens mais baratas (em segundo lugar, com 23,13%) e horários confiáveis (em terceiro lugar, com 14,15%), dentre outros.</p>



<p>Amanda Conceição também garante que o problema da demora pode ser resolvido através da priorização do transporte público, como o uso de faixas exclusivas para ônibus. A aproximação dos percursos mais frequentes é outro caminho apontado, junto com o estímulo à mobilidade sustentável e ao uso de meios de locomoção não poluentes, como bicicletas e caminhadas.</p>



<p>César Cavalcanti, da ANTP, acrescenta que uma possível solução para a velocidade do transporte público no Recife seria o aumento da frota, o que diminuiria o tempo de deslocamento e a superlotação dos coletivos. Ele também defende que a organização do transporte público deve ser aliada a uma política habitacional, para que os passageiros morem em localidades razoavelmente próximas a seus locais de trabalho.</p>



<p>O Grande Recife Consórcio de Transporte foi procurado sobre a possibilidade de aumento do período de duas horas, mas, até a finalização desta reportagem, não houve resposta.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Cobranças indevidas</strong></h3>



<p>Mesmo quando o deslocamento entre o estágio e a sua casa demora menos que o tempo habitual, Elisabeth Neves tem frequentemente uma passagem cobrada de maneira indevida no TI Cabo. Segundo ela, isso acontece sempre que ela pega ônibus de anéis diferentes. A estudante já tentou entrar em contato com a <a href="http://www.urbana-pe.com.br/">Urbana-PE</a> (o sindicato das empresas de ônibus) através do número informado pelo próprio WhatsApp da entidade, mas não foi atendida.</p>



<p>Aconteceu também com a estilista Rhávila Vieira. Ao sair do trabalho, no bairro de Campo Grande, até sua casa, em Igarassu, ela pegou um ônibus em direção ao TI Igarassu. Lá, embarcou no 1968 &#8211; TI Igarassu/Ilha de Itamaracá e uma segunda passagem foi cobrada, mesmo estando dentro do limite das duas horas. Rhávila se informou com alguns fiscais, que lhe deram um número de telefone para fazer a reclamação. No atendimento, foi informada de que o valor não poderia ser ressarcido.</p>



<p>O Grande Recife reforça que, em caso de cobrança dupla, o passageiro deve procurar a Urbana-PE pelo telefone 3125-7858. Na reclamação, devem ser informados dia e horário do ocorrido, juntamente com os números do cartão VEM e do CPF. O órgão ainda acrescenta: “Em caso de dúvidas, sugestões e reclamações, o usuário pode entrar em contato com a Central de Atendimento ao Cliente do Consórcio, das 7h às 19h, no número 0800 081 0158, apenas para chamadas de telefone fixo, ou pelo WhatsApp (9.9488.3999), das 5h30 às 21h30, para mensagens de texto, áudio, fotos ou vídeos, exclusivo para reclamações.” A assessoria do Grande Recife foi procurada sobre os casos Elisabeth Neves e Rhávila Vieira, mas, até o término da edição desta reportagem, não houve resposta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/06/integracao-TI-macaxeira-300x189.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/06/integracao-TI-macaxeira.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/06/integracao-TI-macaxeira.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="682">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Maioria dos Terminais Integrados operam a Integração Temporal. Crédito: Divulgação/Grande Recife Consórcio</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Só com o cartão VEM</strong></h3>



<p>Apesar dos problemas relatados, o sistema de integração temporal é útil e ajuda os passageiros, por evitar que os usuários paguem mais de uma passagem em um único trajeto (ida ou volta). No entanto, é necessária a utilização do cartão VEM, o que pode acabar atrapalhando alguns passageiros que não usam o transporte público com frequência. Segundo o Grande Recife, o uso do cartão é indispensável, pois, sem ele, não é possível registrar a hora e nem a linha em que o passageiro embarcou para que seja computada a integração.</p>



<p>César Cavalcanti afirma que existem outras alternativas ao uso do cartão VEM para a realização da integração temporal. Na cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, os passageiros podem pagar suas passagens pelo aplicativo Cittamobi,&nbsp; que funciona, inclusive, na integração temporal. Em Curitiba, é possível pagar as passagens de ônibus com cartões de crédito ou débito, apesar dessa opção não funcionar com a integração temporal da capital paranaense. Mas, tanto o sistema quanto o próprio banco registram a data e a hora da transação.&nbsp;</p>



<p>É possível conseguir um cartão VEM gratuitamente nos terminais de ônibus, ou através de solicitação no site VEM Posto Virtual (<a href="https://vempostovirtual.vemgranderecife.com.br/institucional">https://vempostovirtual.vemgranderecife.com.br/institucional</a>), mediante cadastro, com retirada do cartão no Posto do VEM (Rua das Ninfas, 278, Boa Vista). O telefone para mais informações é 3125-7858. O cartão também pode ser retirado, ao custo de R$4,00, em máquinas de autoatendimento instaladas no Posto do VEM, nos terminais e em alguns locais da cidade, como os Shoppings Recife e RioMar. Em todos os casos, é necessário apresentar documento oficial com foto, que contenha CPF e o nome da mãe. O usuário recebe o cartão imediatamente, que não tem data de validade.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Quais TIs operam a integração temporal?</strong></h4>



<p>Ao todo, 21 dos 26 terminais integrados da Região Metropolitana do Recife funcionam com o sistema em todas as linhas. São eles: Aeroporto, Jaboatão, Cajueiro Seco, Tancredo Neves, CDU, Cabo, Caxangá, Rio Doce, Camaragibe, Abreu e Lima, Igarassu, Afogados, Xambá, TIP, Prazeres, Cosme e Damião, Getúlio Vargas, Santa Luzia, Recife, Largo da Paz e Cavaleiro.</p>



<p>Os outros cinco terminais operam com o sistema de forma parcial. Em julho de 2022, o TI PE-15 passou a operar com o sistema de integração temporal nas linhas 1100 – TI PE-15/PCR/PARADOR, 1913 – TI PE-15/ TI Joana Bezerra e 1963 – TI PE-15/TI Igarassu/Sítio Histórico. Outras linhas do terminal já funcionavam com o sistema: 1923 – Cidade Tabajara/TI PE-15, 1940 – TI PE-15/Circular e 1986 – TI Rio Doce/TI PE-15.</p>



<p>Em dezembro de 2022, o TI Joana Bezerra recebeu a integração temporal nos sentidos ônibus-metrô e ônibus-ônibus, mas apenas nas linhas 021 – TI Joana Bezerra/Shopping Rio Mar, 2043 – TI CDU/TI Joana Bezerra/Parador, 1913 – TI PE-15/TI Joana Bezerra e 104 – Circular/Imip.</p>



<p>O TI Macaxeira (que já fazia integração temporal nas linhas 901 – TI Abreu e Lima/TI Macaxeira, 902 – Mirueira/Macaxeira, 948 – Arthur Lundgren II/Macaxeira, 601 – Bola na Rede/Macaxeira e 604 – Alto Burity/Macaxeira) passou a funcionar com o sistema, no dia 25 de março, nas linhas 1964 – TI Igarassu/TI Macaxeira e 1906 – TI Pelópidas/TI Macaxeira.</p>



<p>O TI Barro passou a operar com o sistema de integração temporal no dia 17 de junho, apenas nos sentidos ônibus-ônibus e metrô-ônibus, nas linhas 103 – UR 11/Barro, 108 – Barro/Ceasa, 128 – UR 3/Barro (Milagres) e 209 – Coqueiral/Barro.</p>



<p>No TI Pelópidas, três linhas passaram a operar com o sistema de integração temporal no último sábado (24). São elas: 1934 – Arthur Lundgren I/TI Pelópidas, 1935 – Paratibe/TI Pelópidas e 1941 – Arthur Lundgren II/TI Pelópidas. Desde o início de junho, as linhas 1931 – Jardim Paulista Baixo/TI Pelópidas, 1932 – Jardim Paulista Alto/TI Pelópidas e 1943 – Mirueira/TI Pelópidas já funcionavam com o sistema.</p>



<p>Em Joana Bezerra, nas demais linhas e no sentido metrô-ônibus, assim como nas demais linhas dos terminais da PE-15, da Macaxeira, do Barro e de Pelópidas, o embarque continua sendo feito pelas portas traseira ou do meio. No TI Barro, no sentido ônibus-metrô, o embarque acontece sem a necessidade de validação do cartão VEM nas catracas.</p>



<p>*<strong>Estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Esta reportagem foi produzida como atividade acadêmica da disciplina Técnica de Entrevista e Reportagem 1, sob supervisão da professora Paula Reis.</strong></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/cobrancas-indevidas-e-atrasos-as-queixas-de-quem-usa-a-integracao-temporal-no-grande-recife/">Cobranças indevidas e atrasos: as queixas de quem usa a Integração Temporal no Grande Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pesquisa da Fiocruz encontra mais coronavírus nos terminais de ônibus do Recife do que em hospitais</title>
		<link>https://marcozero.org/pesquisa-da-fiocruz-encontra-mais-coronavirus-nos-terminais-de-onibus-do-recife-do-que-em-hospitais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jun 2021 05:56:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[aerossol]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[fomite]]></category>
		<category><![CDATA[infecção]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[rodoviarios]]></category>
		<category><![CDATA[terminais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=38806</guid>

					<description><![CDATA[<p>Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco (Fiocruz-PE) ratificou o que os especialistas e o senso comum já diziam: os terminais e os ônibus do Recife são um local de alto risco para a infecção pelo novo coronavírus. Para o estudo, foram colhidas ao todo 400 amostras de superfícies de vários locais e 24,2% [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pesquisa-da-fiocruz-encontra-mais-coronavirus-nos-terminais-de-onibus-do-recife-do-que-em-hospitais/">Pesquisa da Fiocruz encontra mais coronavírus nos terminais de ônibus do Recife do que em hospitais</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco (Fiocruz-PE) ratificou o que os especialistas e o senso comum já diziam: os terminais e os ônibus do Recife são um local de alto risco para a infecção pelo novo coronavírus. Para o estudo, foram colhidas ao todo 400 amostras de superfícies de vários locais e 24,2% vieram com teste positivo para o vírus, um percentual já bem alto. Nas amostras colhidas em corrimões, catracas, banheiros, caixas eletrônicos e bancos de quatro terminais de ônibus do Recife estão os maiores percentuais do estudo: quase metade das amostras (47 de 97/48,4%) deu positiva para o novo coronavírus.<br><br>Em segundo lugar com mais amostras positivas ficaram as unidades de saúde (26,8 %), com parques públicos (14,4%), mercados públicos (4,1%), praias (4,1%) e outros lugares (2,2%) na sequência. O único local em que os testes de todas as amostras deram negativo foi em um mercado público. O vírus foi encontrado com maior frequência em superfícies metálicas (46,3%) e plásticas (18,5%).<br><br>Os achados desse estudo significam, então, que é possível se infectar com o coronavírus ao tocar em superfícies? A resposta não é simples. Em todas as amostras analisadas, não foi encontrado vírus ativo. &#8220;Mas o fato de não encontrarmos vírus ativo não significa que ele não estava ativo antes, naquelas superfícies. Nessa pesquisa nós não fizemos coletas sucessivas, várias vezes ao dia. De cada local foi feita coleta uma única vez&#8221;, explica o coordenador do estudo, o pesquisador e virologista Lindomar Pena.<br><br>Por ora, as pesquisas apontam que a principal forma de contaminação pelo coronavírus é pelo ar, ao se inalar os vírus, seguida por gotículas, no contato mais próximo entre as pessoas. &#8220;Acreditamos nisso também&#8221;, diz o pesquisador. &#8220;Mas há evidências de que a transmissão do novo coronavírus acontece de forma mais eficiente quando se compartilha não apenas o ar, mas também o ambiente&#8221;, explica.<br><br>Como a Covid-19 é uma doença que pode matar, há questões éticas que impedem experiências com seres humanos para melhor compreender como ocorre a transmissão do coronavírus. Por isso, não há como dizer, categoricamente, se há ou não como se infectar ao tocar em superfícies. Também não dá para dizer que, se há vírus ativos, é possível se infectar, já que a quantidade de vírus necessária para a infecção ainda não está estabelecida.<br><br>&#8220;Uma pesquisa feita com furões mostrou que quando os animais estavam no mesmo ambiente houve mais infecções do que quando apenas compartilhavam o mesmo ar. Quando não havia contato com ambiente, a infecção também ocorria, mas de forma menos eficiente. Não temos evidência científica para afirmar que acontece a infecção por fômites (objetos ou superfícies), mas é um fator de risco a mais&#8221;, diz Pena.<br><br>O que a pesquisa mostra claramente é a quantidade de pessoas contaminadas que circulam pelos terminais e, consequentemente, nos ônibus do Recife. Se esses veículos estão lotados, sem distanciamento e, pior cenário, com janelas fechadas e pessoas sem máscara ou com uso incorreto, estabelecem o ambiente perfeito para a disseminação do vírus: ar e ambiente infectados sendo compartilhados, como no experimento com furões.<br><br>Durante a coleta do material, os pesquisadores de campo também fizeram anotações sobre o ambiente. O uso de máscaras teve alta porcentagem, de 94,7%, porém, apenas 57,3% das pessoas usavam a proteção de forma correta. No distanciamento social a adesão foi ainda menor, com apenas 26,3%. Outro dado que mostra como as medidas de mitigação estão desprezadas foi que apenas um dos locais visitados pelos pesquisadores estava com restrição de entrada.<br><br>A coleta das amostras do estudo foi feita entre os dias 02 e 25 de fevereiro, quando o Recife iniciava a subida para o segundo pico de casos e óbitos. Entre abril e junho de 2020, um estudo semelhante foi realizado em Belo Horizonte e, por lá, a positividade geral dos testes foi de 5,25%. Bem abaixo dos 24,2% do Recife. &#8220;Foi um resultado que nos deixou surpresos&#8221;, diz o pesquisador. Entre as razões para essa disparidade, o estudo sugere a diferença do clima entre as capitais e, mais provavelmente, a situação epidemiológica de quando as coletas foram realizadas em cada cidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Governo e empresas minimizaram riscos</h2>



<p>A pesquisa da Fiocruz-PE é um alerta para os usuários. E um apelo para as autoridades sanitárias: para controlar a pandemia, é preciso novas regras para o transporte público, que desde o início da crise sanitária vem sendo negligenciado como um importante propagador do vírus.<br><br>Em janeiro, o secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco Pedro Eurico viralizou com um vídeo, de uma entrevista à Globo Nordeste, em que afirmava que &#8220;é preciso deixar bem claro uma questão: o ônibus, por incrível que pareça, não é o maior causador, não é um vetor importante da contaminação&#8221;, dizia ele, acrescentando que &#8220;a contaminação (acontece) pelo tempo que permanece, e as pessoas ficam pouco tempo no ônibus&#8221;.<br><br>A declaração foi dada em janeiro, duas semanas antes do início das coletas para a pesquisa da Fiocruz-PE. Antes, em agosto de 2020, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE) <a href="https://marcozero.org/rodoviarios-e-especialistas-rebatem-empresas-de-onibus-sim-ha-risco-de-contagio-no-transporte-coletivo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">divulgou gráficos que sugeriam que os ônibus eram ambientes seguros</a>. Somente no final de maio que a Prefeitura do Recife iniciou a vacinação dos rodoviários. De acordo com o último boletim, 1.089 rodoviários já receberam a primeira dose, mas nenhum deles recebeu a segunda. Cento e dezessete receberam a dose única (vacina Janssen).<br><br>Enquanto a pandemia segue descontrolada e o percentual de vacinados com duas doses ainda é muito baixo, as medidas não-farmacológicas seguem indispensáveis. &#8220;Urge que se haja um maior controle do transporte público&#8221;, diz Pena, que enumera as ações que deveriam ser tomadas pelos gestores públicos. &#8220;Diminuir a lotação, distanciamento dos passageiros, limpeza com álcool em gel e, principalmente, o uso correto de máscaras de maior eficácia, como a N95. É mais barato para o estado e empresas prevenir, comprando essas máscaras, do que o custo de leitos de UTI e medicamentos. Prevenção é sempre mais barato e eficiente&#8221;, afirma.<br><br>O artigo da Fiocruz-PE encontra-se em<a href="https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2021.06.14.21258894v1.full.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> <em>preprint</em> na plataforma Medrxiv </a>e já foi encaminhado para revisão de pares para publicação em uma revista científica.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/06/AAABanner-4-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/06/AAABanner-4.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/06/AAABanner-4.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero</strong></em></p><p><em>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</em></p><p><em>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</em></p><p><em>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</em></p><p><em>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</em></p><p><em>É hora de assinar a Marco Zero</em></p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Clique aqui para doar</strong></a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pesquisa-da-fiocruz-encontra-mais-coronavirus-nos-terminais-de-onibus-do-recife-do-que-em-hospitais/">Pesquisa da Fiocruz encontra mais coronavírus nos terminais de ônibus do Recife do que em hospitais</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Transporte público do Grande Recife expõe rodoviários e usuários à Covid-19 e ignora novos modelos de proteção</title>
		<link>https://marcozero.org/transporte-publico-do-grande-recife-expoe-rodoviarios-e-usuarios-a-covid-19-e-ignora-novos-modelos-de-protecao/</link>
					<comments>https://marcozero.org/transporte-publico-do-grande-recife-expoe-rodoviarios-e-usuarios-a-covid-19-e-ignora-novos-modelos-de-protecao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2020 20:46:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[rodoviarios]]></category>
		<category><![CDATA[transporte público]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=28608</guid>

					<description><![CDATA[<p>Pontos de checagem de temperatura para passageiros. Motorista e cobrador protegidos por uma barreira, longe da entrada e saída de passageiros. Embarque pela porta traseira. Cadeiras separadas por cabines. No chão, marcações sugerindo o espaçamento entre os passageiros que seguem viagem em pé. Higienização manual ou automática após cada viagem. Fornecimento de máscaras para os [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/transporte-publico-do-grande-recife-expoe-rodoviarios-e-usuarios-a-covid-19-e-ignora-novos-modelos-de-protecao/">Transporte público do Grande Recife expõe rodoviários e usuários à Covid-19 e ignora novos modelos de proteção</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pontos de checagem de temperatura para passageiros. Motorista e cobrador protegidos por uma barreira, longe da entrada e saída de passageiros. Embarque pela porta traseira. Cadeiras separadas por cabines. No chão, marcações sugerindo o espaçamento entre os passageiros que seguem viagem em pé. Higienização manual ou automática após cada viagem. Fornecimento de máscaras para os passageiros. <br><br>Essas são algumas das recomendações de um <a href="https://diariodotransporte.com.br/wp-content/uploads/2020/04/covid_e_mobilidade_urbana_fgv_ceri.pdf">estudo da Fundação Getúlio Vargas </a>sobre a volta do transporte público durante a pandemia do coronavírus no Brasil. E que também sugere que o transporte público deve ser usado somente quando não há outra alternativa. <br><br>Assim como quase tudo relacionado à doença, ainda há muitas incertezas. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda distância mínima de 1 metro entre pessoas com máscaras, para minimizar a propagação, estudo chinês sugere que o transporte público não tem como ser seguro:  analisando um surto que teve início no dia 22 de janeiro, se observou que passageiros sentados poderiam infectar outras pessoas a mais de 4,5 metros de distância. E que o vírus permaneceria no ar por até 30 minutos, no caso de espirro ou tosse de um infectado. <br><br>Como não dá para cidades grandes funcionarem sem ônibus ou metrô, é preciso fazer o máximo para atenuar os riscos. Em Berlim e Barcelona, por exemplo, não é permitido mais pagar passagens ou comprar cartões de embarque com dinheiro. Em Xangai, na China, a cada viagem os ônibus são higienizados por luzes ultravioletas. Passam de cinco a sete minutos parados para que o processo seja feito. Pequim tem agendamento eletrônico para que o usuário tenha acesso a certas plataformas do metrô. <br><br>Sabendo de tudo isso não dá para não se preocupar com o risco que passageiros, motoristas e cobradores estão passando ao entrar em ônibus cheios na Região Metropolitana do Recife. <br><br>A página do Facebook do Sindicato dos Rodoviários dá uma pequena mostra de como a situação é urgente e dramática: é uma sucessão de notas de luto dos que faleceram vítimas da Covid-19. O presidente do sindicato, Aldo Lima, calcula que 14 rodoviários já perderam a vida durante a pandemia.<br><br>O Governo de Pernambuco, que autorizou a reabertura de shoppings nesta semana, afirma que 70% da frota de ônibus está nas ruas do Grande Recife. O sindicato pede 100%, para que não haja lotação máxima. &#8220;Há um decreto que diz que os ônibus não podem circular com passageiros em pé, mas isso não está sendo cumprido&#8221;, diz o sindicalista. <br><br>O máximo que as empresas têm oferecido aos funcionários são máscaras de tecido e álcool em gel, e não as máscaras N95, usadas por profissionais de saúde e reivindicadas pelo Sindicato dos Rodoviários. <br><br>Além da pandemia, há uma batalha trabalhista sendo travada. Logo no começo da quarentena, em março, 14 empresas demitiram cerca de 3 mil funcionários. Com o sindicato colocando na Justiça e com a mediação do governo, cerca de 1,3 mil funcionários foram readmitidos. Algumas empresas ainda não pagaram as verbas rescisórias, enquanto a Justiça ainda não avaliou os casos. Uma dessas empresas é a Borborema, da família do Secretário de Desenvolvimento de Pernambuco, Bruno Schwambach. Nesse limbo, sem emprego e sem indenizações, o sindicato da categoria está tendo que distribuir cestas básicas para rodoviários. <br><br>Os que continuaram trabalhando e os que foram readmitidos enfrentam o medo da doença que tirou a vida de vários colegas.  &#8220;Estão voltando para um trabalho de altíssimo risco. As empresas não se preocupam com os funcionários, muito menos com os passageiros&#8221;, diz Aldo Lima. Para uma carga horária de 44 horas semanais, motoristas recebem R$ 2.343 e cobradores, R$ 1.078, o menor salário do Brasil. Com a pandemia, as empresas tentaram diminuir o ticket alimentação de R$ 280, o que também está na Justiça.</p>



<figure><iframe src="https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FFrenteDeLutaTransportePublicoPE%2Fvideos%2F302976284074044%2F&amp;show_text=0&amp;width=261" style="border:none;overflow:hidden" scrolling="no" allowtransparency="true" allowfullscreen="true" width="261" height="476" frameborder="0"></iframe></figure>



<p><br>Para o sindicalista, as recomendações da FGV e as ações que acontecem em outros países estão muito, muito longe da realidade do Grande Recife. &#8220;Para que as empresas tenham o lucro ideal, os ônibus têm que andar cheios. Não há fiscalização suficiente. E fica a cargo do motorista dizer que os passageiros não podem mais entrar. Fica uma situação de desconforto&#8221;, relata.  <br><br> Ele diz que até algo simples, como o uso do álcool em gel, é complicado para motoristas que também têm a função de cobrador. &#8220;O motorista que tem que passar troco para  o passageiro não tem tempo hábil para fazer a higienização&#8221;, alerta, lembrando que nos últimos anos várias linhas de ônibus deixaram de ter cobradores. &#8220;Nas fiscalizações que temos feito, encontramos várias linhas que não são autorizadas, trafegando sem cobrador&#8221;.  </p>



<p>Vários protestos estão sendo feitos. No dia 16 de junho, em coletiva de imprensa, o secretário de Planejamento e Gestão Alexandre Rebêlo chegou até a atribuir a lotação dos ônibus a um protesto que havia sido feito pelos rodoviários naquele dia. Hoje, motoristas e cobradores foram de novo às ruas pedir 100% da frota operando e condições de trabalho. </p>



<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/CB3XCEGnTmV/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="12" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/CB3XCEGnTmV/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> <div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;"> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;"></div> <div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;"></div></div></div><div style="padding: 19% 0;"></div> <div style="display:block; height:50px; margin:0 auto 12px; width:50px;"><svg width="50px" height="50px" viewBox="0 0 60 60" version="1.1" xmlns="https://www.w3.org/2000/svg" xmlns:xlink="https://www.w3.org/1999/xlink"><g stroke="none" stroke-width="1" fill="none" fill-rule="evenodd"><g transform="translate(-511.000000, -20.000000)" fill="#000000"><g><path d="M556.869,30.41 C554.814,30.41 553.148,32.076 553.148,34.131 C553.148,36.186 554.814,37.852 556.869,37.852 C558.924,37.852 560.59,36.186 560.59,34.131 C560.59,32.076 558.924,30.41 556.869,30.41 M541,60.657 C535.114,60.657 530.342,55.887 530.342,50 C530.342,44.114 535.114,39.342 541,39.342 C546.887,39.342 551.658,44.114 551.658,50 C551.658,55.887 546.887,60.657 541,60.657 M541,33.886 C532.1,33.886 524.886,41.1 524.886,50 C524.886,58.899 532.1,66.113 541,66.113 C549.9,66.113 557.115,58.899 557.115,50 C557.115,41.1 549.9,33.886 541,33.886 M565.378,62.101 C565.244,65.022 564.756,66.606 564.346,67.663 C563.803,69.06 563.154,70.057 562.106,71.106 C561.058,72.155 560.06,72.803 558.662,73.347 C557.607,73.757 556.021,74.244 553.102,74.378 C549.944,74.521 548.997,74.552 541,74.552 C533.003,74.552 532.056,74.521 528.898,74.378 C525.979,74.244 524.393,73.757 523.338,73.347 C521.94,72.803 520.942,72.155 519.894,71.106 C518.846,70.057 518.197,69.06 517.654,67.663 C517.244,66.606 516.755,65.022 516.623,62.101 C516.479,58.943 516.448,57.996 516.448,50 C516.448,42.003 516.479,41.056 516.623,37.899 C516.755,34.978 517.244,33.391 517.654,32.338 C518.197,30.938 518.846,29.942 519.894,28.894 C520.942,27.846 521.94,27.196 523.338,26.654 C524.393,26.244 525.979,25.756 528.898,25.623 C532.057,25.479 533.004,25.448 541,25.448 C548.997,25.448 549.943,25.479 553.102,25.623 C556.021,25.756 557.607,26.244 558.662,26.654 C560.06,27.196 561.058,27.846 562.106,28.894 C563.154,29.942 563.803,30.938 564.346,32.338 C564.756,33.391 565.244,34.978 565.378,37.899 C565.522,41.056 565.552,42.003 565.552,50 C565.552,57.996 565.522,58.943 565.378,62.101 M570.82,37.631 C570.674,34.438 570.167,32.258 569.425,30.349 C568.659,28.377 567.633,26.702 565.965,25.035 C564.297,23.368 562.623,22.342 560.652,21.575 C558.743,20.834 556.562,20.326 553.369,20.18 C550.169,20.033 549.148,20 541,20 C532.853,20 531.831,20.033 528.631,20.18 C525.438,20.326 523.257,20.834 521.349,21.575 C519.376,22.342 517.703,23.368 516.035,25.035 C514.368,26.702 513.342,28.377 512.574,30.349 C511.834,32.258 511.326,34.438 511.181,37.631 C511.035,40.831 511,41.851 511,50 C511,58.147 511.035,59.17 511.181,62.369 C511.326,65.562 511.834,67.743 512.574,69.651 C513.342,71.625 514.368,73.296 516.035,74.965 C517.703,76.634 519.376,77.658 521.349,78.425 C523.257,79.167 525.438,79.673 528.631,79.82 C531.831,79.965 532.853,80.001 541,80.001 C549.148,80.001 550.169,79.965 553.369,79.82 C556.562,79.673 558.743,79.167 560.652,78.425 C562.623,77.658 564.297,76.634 565.965,74.965 C567.633,73.296 568.659,71.625 569.425,69.651 C570.167,67.743 570.674,65.562 570.82,62.369 C570.966,59.17 571,58.147 571,50 C571,41.851 570.966,40.831 570.82,37.631"></path></g></g></g></svg></div><div style="padding-top: 8px;"> <div style=" color:#3897f0; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:550; line-height:18px;"> Ver essa foto no Instagram</div></div><div style="padding: 12.5% 0;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;"><div> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);"></div> <div style="background-color: #F4F4F4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;"></div> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);"></div></div><div style="margin-left: 8px;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;"></div> <div style=" width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; border-bottom: 2px solid transparent; transform: translateX(16px) translateY(-4px) rotate(30deg)"></div></div><div style="margin-left: auto;"> <div style=" width: 0px; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-right: 8px solid transparent; transform: translateY(16px);"></div> <div style=" background-color: #F4F4F4; flex-grow: 0; height: 12px; width: 16px; transform: translateY(-4px);"></div> <div style=" width: 0; height: 0; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-left: 8px solid transparent; transform: translateY(-4px) translateX(8px);"></div></div></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center; margin-bottom: 24px;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 224px;"></div> <div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 144px;"></div></div></a><p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/CB3XCEGnTmV/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Uma publicação compartilhada por @direitosurbanos</a> em <time style=" font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px;" datetime="2020-06-25T16:36:21+00:00">25 de Jun, 2020 às 9:36 PDT</time></p></div></blockquote> <script async="" src="//www.instagram.com/embed.js"></script>



<h2 class="wp-block-heading">Periferia é a mais afetada</h2>



<p>As desigualdades sociais e de raça nos deslocamentos urbanos aumentam o risco de contágio em moradores das periferias e a redução da frota de ônibus tende a piorar as condições de contágio por conta das aglomerações e da lotação. Essas foram algumas das conclusões da Rede de Pesquisa Solidária, que reúne 40 especialistas de várias áreas, ao analisar a redução da frota de ônibus em algumas capitais brasileiras. <br><br>Recife não foi analisada, mas as imagens de ônibus deixando os terminais já lotados revelam que a realidade por aqui não deve ser tão diferente.  &#8220;Os trabalhadores que moram nas periferias, além de se deslocarem por mais tempo, são mais dependentes do transporte público e estão sujeitos a taxas mais elevadas de lotação nos ônibus&#8221;, diz trecho da<a href="https://redepesquisasolidaria.org/wp-content/uploads/2020/06/boletim-10-pps_11junho.pdf"> nota técnica emitida no dia 11 de junho</a>. <br><br>Para evitar o contágio, o estudo propõe a utilização de veículos adicionais em trechos de maior lotação, juntamente com veículos expressos e diretos entre grandes terminais e polos de origem e destino de viagens. E também o reforço de linhas locais. Mais ônibus do que o normal &#8211; e não menos, como está sendo feito na Região Metropolitana do Recife. <br><br>Coordenador da Frente de Luta pelo Transporte Público, o advogado Pedro Josephi critica a insuficiência da frota, que hoje está em 70%, de acordo com o governo. &#8220;Estamos pressionando o governo para retirar as demandas dos terminais de passageiros integrados. Ou seja, permitir que os ônibus com linhas de maior demanda possam seguir direto dos bairros para o centro&#8221;, diz.  <br><br>Seria uma forma de diminuir não apenas o tempo de deslocamento dos passageiros, mas também de evitar aglomerações nos terminais, que têm registrado longas filas.  &#8220;Temos problemas estruturais. As plataformas dos terminais integrados não dão conta da demanda. Pode até ter ônibus, mas a plataforma para que as pessoas possam subir nos ônibus e irem sentadas é insuficiente. O metrô tem operado em horário reduzido, o que aumenta a demanda pelo transporte de ônibus. O Governo do Estado e o Grande Recife Consórcio de Transporte precisam garantir 100% da frota, se a gente quer que os passageiros andem sentados, minimizando o contágio&#8221;, diz. <br><br>A Frente de Luta Pelo Transporte Público cobra também que haja um monitoramento da lotação em tempo real feito pelo Simop (Sistema de Monitoramento de Operações), que ainda não está operando. &#8220;Se estivesse, facilitaria o controle de viagens por parte das empresas&#8221;, diz.  <br><br>A entidade já denunciou ao Ministério Público de Pernambuco as irregularidades. &#8220;O MPPE instaurou um procedimento para que as empresas de ônibus sejam obrigadas a apresentar qual é o planejamento e as medidas adotadas de prevenção ao coronavírus e que isso seja informado regularmente ao MPPE&#8221;, diz Pedro Josephi. Paralelamente, a Frente de Luta Pelo Transporte Público tem pedido que passageiros enviem denúncias de lotação para as <a href="https://www.facebook.com/FrenteDeLutaTransportePublicoPE/">redes sociais da entidade,</a> para embasar as denúncias ao MPPE. </p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><strong>Entrevista//</strong> Pesquisador  da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), Gregório Costa Luz de Souza falou com a Marco Zero, por e-mail, sobre o estudo. <br><br><strong>Uma das principais recomendações para o transporte público durante a pandemia do coronavírus é de que haja espaço entre os passageiros. Mas o que se vê em muitas capitais, como no Recife, é a diminuição da frota de ônibus, já que as empresas alegam que há menos usuários. O que as empresas de ônibus precisam priorizar neste momento de crise?</strong><br><br> Neste momento é importante que as empresas de transporte público priorizem a saúde dos passageiros e dos seus funcionários e forneça um nível de serviço adequado para evitar o contágio e propagação da COVID-19.<br><br>No entanto, a preocupação das empresas quanto aos impactos financeiros de prover uma oferta de serviço proporcionalmente superior a demanda também é válida. O modelo de remuneração dos serviços, na maioria das cidades brasileiras, se baseia apenas nas tarifas pagas pelos usuários. Por conta disso, a queda de demanda provocada pelas medidas de isolamento social afetou o equilíbrio econômico financeiro dos contratos de forma significativa. A situação é especialmente crítica para as empresas menores, que possuem pouca liquidez para sustentar os prejuízos por um período prolongado. Segundo a Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos (NTU), já existem empresas falindo pelo país e as perspectivas não são das melhores.<br><br><strong>Manter ônibus em circulação com baixa demanda e uma frota que permita o distanciamento social é uma operação de alto custo. Qual o papel do poder público, j aá pressionado pelas demandas da saúde, nesse cenário? <br></strong><br>A crise gerada pelo novo coronavírus configura um evento de força maior, e enseja em reequilíbrio da situação econômico financeira acordada em contrato entre operadores e poder público. Por se tratar de um serviço público e essencial, a falência das empresas de transporte prejudica não apenas a elas próprias, mas também os usuários do serviço e sociedade como um todo. Ademais, a continuidade dos serviços também é importante para servir como catalisador da retomada econômica quando a pandemia acabar. Neste sentido, é fundamental que haja uma resposta rápida da administração pública para garantir a liquidez e manutenção dos contratos das empresas de ônibus.<br><br>Essa resposta, no entanto, não está pronta e exige uma construção conjunta entre operadores e poder público. Os governos municipais foram os principais afetados financeiramente com a crise do COVID-19 e não são capazes de socorrem as empresas sozinhos neste momento. Portanto, é importante que o governo federal se posicione sobre a situação e ajude a construir a solução para este impasse. Uma alternativa seria o financiamento pelos bancos públicos.<br><br><strong>Em países da Ásia e da Europa foram implementadas uma série de medidas para garantir a diminuição do risco de contágio no transporte público, como higienização por luzes ultravioleta e marcação da hora de embarque. A realidade brasileira às vezes parece muito distante disso. Como fazer para que as empresas se adaptem ao que as medidas sanitárias exigem? Serão necessários novos contratos?</strong> <br><br>Para que as empresas se adaptem às exigências das medidas sanitárias é necessária uma forte atuação da regulação, não apenas requerendo tais medidas mas também fiscalizando o seu cumprimento. O problema é que em muitas cidades brasileiras a regulação do transporte urbano é fraca, as entidades regulares muitas vezes inexistem ou possuem corpo técnico insuficiente e/ou pouco qualificado, o que dificulta o cumprimento das exigências. Junto das exigências feitas pelas entidades reguladoras, também é necessário uma sinalização do governo de que essas empresas serão ressarcidas por estes gastos extras, não previstos nos contratos. <br><br> Em relação a necessidade de novos contratos, não acredito que este seja o caminho. Primeiro, em função dos contratos já em vigor e do enorme custo de transação e; segundo, a introdução de novos contratos sem uma capacidade de <em>enforcement </em>pelos órgãos reguladores não mudaria este quadro.<br><br><strong>No artigo &#8220;A incompletude dos contratos de ônibus em tempos de COVID-19: consequências e propostas&#8221; se afirma que não é plausível que os operadores assumam sozinhos os riscos econômicos da pandemia. Além da ajuda dos governos (prefeituras e estados), é possível prever um cenário de aumento de tarifas acima da média, em um futuro próximo? </strong><br><br>O ideal é que não haja este aumento das tarifas. Os segmentos de renda mais baixo, além de serem os maiores utilizadores do transporte, são os mais afetados pela crise. As tarifas mais altas podem impedir que esses usuários utilizem o serviço, e fazer com que os demais usuários migrem para o transporte individual ou compartilhado. Essa queda no número de passageiros pagantes levaria à tarifas ainda mais altas para cobrir os custos do sistema e, consequentemente, à maior queda de demanda no futuro. Ou seja, esta não é uma solução sustentável.<br><br>Como mencionei, é importante que o governo se posicione e que a solução seja construída conjuntamente com os operadores. É preciso se pensar em novas formas de financiamento da operação, discussão que não é nova no setor, mas que ganha importância com essa crise. Caso a demanda continue abaixo dos padrões pré-pandemia no futuro, é necessário se pensar na reestruturação dos serviços</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/transporte-publico-do-grande-recife-expoe-rodoviarios-e-usuarios-a-covid-19-e-ignora-novos-modelos-de-protecao/">Transporte público do Grande Recife expõe rodoviários e usuários à Covid-19 e ignora novos modelos de proteção</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/transporte-publico-do-grande-recife-expoe-rodoviarios-e-usuarios-a-covid-19-e-ignora-novos-modelos-de-protecao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quase às escondidas, Conselho de Transporte aumenta passagens de ônibus</title>
		<link>https://marcozero.org/quase-as-escondidas-conselho-de-transporte-aumenta-passagens-de-onibus/</link>
					<comments>https://marcozero.org/quase-as-escondidas-conselho-de-transporte-aumenta-passagens-de-onibus/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Feb 2019 20:38:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[transporte]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=13810</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Governo do Estado e as empresas de transporte aproveitaram a distração geral do período pré-carnavalesco para aprovar o aumento das passagens de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR). Às vésperas da folia, nesta quinta-feira (28), Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) se reuniu na Secretaria das Cidades, no prédio sede do Detran, e [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/quase-as-escondidas-conselho-de-transporte-aumenta-passagens-de-onibus/">Quase às escondidas, Conselho de Transporte aumenta passagens de ônibus</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[O Governo do Estado e as empresas de transporte aproveitaram a distração geral do período pré-carnavalesco para aprovar o aumento das passagens de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR). Às vésperas da folia, nesta quinta-feira (28), Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) se reuniu na Secretaria das Cidades, no prédio sede do Detran, e decidiu pelo reajuste de 7,07% das tarifas. Assim, os anéis A e B, por exemplo, saltam de R$ 3,20 e R$ 4,40 para R$ 3,45 e R$ 4,70, com os arredondamentos que devem ser feitos pela Agência Reguladora de Pernambuco (Arpe). Os novos valores passam a valer no dia 2 de março, em pleno Sábado de Zé Pereira.

A reunião que definiu o aumento das passagens foi atípica. Não teve a presença dos grupos da sociedade civil organizada, que geralmente fazem protestos nos arredores. A convocação na “semana pré” foi estratégica para desmobilizar a capacidade de reação de movimentos como a Frente de Luta Pelo Transporte e a Articulação Recife Pelo Transporte. Eles vinham conseguindo conter a pressão do Consórcio Grande Recife e do sindicato das empresas de ônibus, Urbana-PE, pela redefinição tarifária desde o ano passado, com mandados de segurança e ações na Justiça.

Na sala onde os debates do CSTM aconteceram, a portas fechadas, o ambiente também foi incomum. Apenas 19 dos 24 conselheiros compareceram &#8211; 13 votaram na proposta do governo, que terminou sendo aprovada. Dois conselheiros, Pedro Josephi e Márcio Morais, representantes da sociedade civil, se retiraram antes que o presidente do Conselho, o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Bruto, anunciasse a decisão.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/propostaRecomposicaoTarifaria.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-13816" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/propostaRecomposicaoTarifaria.jpg" alt="Recomposição tarifária" width="720" height="534"></a>

“O aumento de 7,07% é superior à inflação do ano passado e, por isso, irregular. Ele fere a norma do Manual de Operações do Sistema de Transporte Público, que vincula os aumentos ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)”, argumentou Pedro Josephi, que representa os estudantes no CSTM e também integra a Frente de Luta pelo Transporte. “Além disso, chamar uma reunião que tem impacto profundo na vida das pessoas um dia antes do Carnaval é uma manobra que demonstra falta de transparência por parte do governo”, criticou.

Não somente o aumento anunciado agora, mas todos os reajustes realizados desde 2015 aconteceram acima da inflação do período. Por isso, os conselheiros que representam a sociedade civil no CSTM defenderam, sem sucesso, uma redução de cerca de 9% nos preços das passagens.

<div id="attachment_13818" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/Reunião-aumento-de-passagens-de-ônibus.jpeg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-13818" class="wp-image-13818 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/Reunião-aumento-de-passagens-de-ônibus-1024x662.jpeg" alt="Reunião aumento de passagens de ônibus" width="702" height="453"></a><p id="caption-attachment-13818" class="wp-caption-text">Reunião do CSTM definiu aumento de passagens de ônibus na RMR. Crédito: Mariama Correia/MZ Conteúdo</p></div>

O último reajuste tarifário na RMR aconteceu em 2017. No ano passado, em período eleitoral, os movimentos sociais conseguiram evitar os aumentos. No mês de janeiro de 2018, em resposta à uma ação popular movida pela sociedade civil, a Justiça concedeu uma liminar suspendendo qualquer aumento da passagem de ônibus na RMR até que fossem apresentado documentos sobre a gestão do sistema de transporte público.

Em janeiro deste ano, o tema voltou à tona. No dia 25 de janeiro, o CSTM convocou reunião para tratar da revisão das passagens, mas, novamente por ação dos movimentos sociais, a Justiça proibiu que aumentos fossem anunciados. Um novo encontro do CSTM aconteceria em 12 de fevereiro, porém, sob protestos dos movimentos sociais, que chegaram a fechar a Avenida Guararapes, no Centro do Recife, a agenda foi desmarcada. A recente convocação às vésperas do feriado, entretanto, deixou os grupos sociais de mãos atadas.

Outra manobra, essa na Justiça, também enfraqueceu a resistência da sociedade civil.&nbsp; Esta semana, as denúncias que foram apresentadas em ação civil pública pelos movimentos sociais passaram das mãos do juiz Djalma Andrelino, da 4º Vara da Fazenda Pública, para o juiz Paulo Onofre, da 6ª Vara. A decisão causou estranheza. “O próprio juiz Andrelino se declarou incompetente para assumir o processo, mesmo acompanhando há dois anos os trâmites judiciais e as denúncias da sociedade civil; tendo chamado uma audiência informal entre a Articulação Recife pelo Transporte e representantes do estado para apresentação e explicação dos argumentos”, explicou a Articulação Recife pelo Transporte por meio de nota oficial. Ainda não há previsão de uma decisão definitiva da Justiça.

O secretário Marcelo Bruto, presidente do CSTM, negou que&nbsp;a reunião tenha sido marcada às pressas e que a data tenha sido escolhida de forma proposital. “Todos os prazos foram respeitados. Inclusive foi dado um período para que a sociedade civil apresentasse suas contestações”. Bruto disse ainda que sabe que a sociedade tem sido penalizada, mas que o aumento era inevitável diante dos altos custos das empresas e da redução de passageiros. “Ainda temos uma das menores tarifas do país”, argumentou.

Presidente do Grande Recife Consórcio, André Melibeu, afirmou que o reajuste aplicado agora considera um período retroativo de dezembro de 2016 a dezembro de 2018, por isso é superior ao índice inflacionário de 2018. Disse ainda que a “regra do IPCA é válida apenas para os contratos das permissionárias”, isso porque os contratos das empresas de ônibus atualmente se dividem entre concessões e permissões. Para as concessões, por exemplo, além do dinheiro extra com o aumento tarifário, o governo do estado ainda é obrigado a injetar R$ 200 milhões todos os anos para reequilibrar as contas do sistema.

Os conselheiros da sociedade civil não aceitaram os argumentos do governo e das empresas e prometeram mover novas ações na Justiça contra a decisão do CSTM.
<h3><b>Carnaval com ônibus mais caro</b></h3>
No final da história, como sempre, quem se prejudica é o usuário sistema de transporte público, que neste Carnaval pagará mais caro para usar os ônibus. Na saída da reunião, um grupo de vigias do Detran esperava a passagem dos jornalistas para perguntar sobre o aumento das tarifas. Espantado com o novo valor do Anel B, que vai para quase R$ 5, um deles disse, sem querer ser identificado na matéria: “É quase R$ 10 todo dia para ir e voltar do trabalho. Só o que não aumenta é o salário da gente”.
<blockquote>
<h3>Bem-te-vi não se rende</h3>
<em>Por Inácio França</em>

A manobra do governo estadual para aprovar o aumento das passagens de ônibus sem pressão popular, praticamente às escondidas, na véspera do carnaval e mantendo a imprensa confinada num refeitório a centenas de metros do local da reunião do Conselho, só não deu 100% certo por causa de Bem-te-vi. Coube ao veterano militante, a missão de incomodar e expor a operação despiste montada por governo, prefeitura e os empresários de transporte público.

Bem-te-vi, nascido Jeremias Nascimento da Silva há 63 anos, saiu cedinho de Abreu e Lima, fez baldeações em dois terminais integrados e chegou na calçada do Detran antes mesmo de começar a reunião. Estava ciente que não encontraria uma multidão, mas espantou-se por ser o único manifestante disposto a protestar contra mais um aumento decidido por quem não tem de pegar ônibus para trabalhar todos os dias.

Sem acesso aos conselheiros, Bem-te-vi pendurou-se num poste da Celpe e danou-se a esbravejar palavras de ordem, apertar sua buzina verde-e-amarela, enfim, fazer barulho. O mais provável é que não tenha sido escutado, mas não deixou o encontro passar em branco, tanto que é personagem único deste texto.

<div id="attachment_13807" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/Protesto-ônibus-bem-te-vi_-e1551385477852.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-13807" class="wp-image-13807 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/02/Protesto-ônibus-bem-te-vi_-1024x682.jpg" alt="Bem-te-vi foi o único manifestante na reunião do aumento das passagens" width="702" height="467"></a><p id="caption-attachment-13807" class="wp-caption-text">Bem-te-vi foi o único manifestante na reunião do aumento das passagens. Crédito: Beto Figueirôa</p></div>

Bem-te-vi é onipresente nos atos públicos, passeatas e manifestações puxadas por partidos de esquerda e movimentos sociais. Poucos sabem seu nome de batismo, mas, sempre com uma placa com slogans políticos pendurada no pescoço, chama a atenção da militância, posa para selfies, é festejado por jovens. Quase sempre é o primeiro a chegar e o último a sair. “A gente não pode parar de protestar nunca, tem de denunciar os governantes mesmo”, afirma, em tom de quem anuncia sua razão para viver.

Eleito duas vezes vereador de Abreu e Lima pelo PTB, agora filiado ao PCdoB, Bem-te-vi garante que perder o mandato não o fez desistir da luta política. “Sou líder comunitário voluntário, mas líder comunitário mesmo, não sou cabo eleitoral pago, não. Nunca comprei votos. Estou sempre lá em Caetés denunciando a UPA caindo aos pedaços, as escolas abandonadas, o lixo na rua”, afirma.

Questionado se sua disposição de protestar contra o governo estadual não incomoda as lideranças do seu partido, que tem a vice-governadora do Estado, Bem-te-vi tem a resposta na ponta da língua: “Incomoda sim. Eu incomodo até o Satanás”.

&nbsp;</blockquote><p>O post <a href="https://marcozero.org/quase-as-escondidas-conselho-de-transporte-aumenta-passagens-de-onibus/">Quase às escondidas, Conselho de Transporte aumenta passagens de ônibus</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/quase-as-escondidas-conselho-de-transporte-aumenta-passagens-de-onibus/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aumento das passagens de ônibus. Outra solução é possível?</title>
		<link>https://marcozero.org/aumento-das-passagens-de-onibus-outra-solucao-e-possivel/</link>
					<comments>https://marcozero.org/aumento-das-passagens-de-onibus-outra-solucao-e-possivel/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jan 2019 14:42:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[transporte público]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=12928</guid>

					<description><![CDATA[<p>O preço das passagens de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR) pode aumentar a partir desta sexta-feira (25). As empresas de transporte querem 16,18% de acréscimo nas tarifas para atenuar os impactos da progressiva redução de passageiros pagantes em contraposição aos aumentos dos custos do setor. Já o Governo do Estado, por meio do [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/aumento-das-passagens-de-onibus-outra-solucao-e-possivel/">Aumento das passagens de ônibus. Outra solução é possível?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[O preço das passagens de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR) pode aumentar a partir desta sexta-feira (25). As empresas de transporte querem 16,18% de acréscimo nas tarifas para atenuar os impactos da progressiva redução de passageiros pagantes em contraposição aos aumentos dos custos do setor. Já o Governo do Estado, por meio do Consórcio Grande Recife, defende um reajuste de 7,07% esperando&nbsp; compensar o congelamento das tarifas no ano passado. Mas será que colocar a conta no bolso dos passageiros é a única solução?

Especialistas do setor de transporte e movimentos sociais dizem que não. Professor da área de Transporte e Gestão de Infraestrutura Urbana da Universidade Federal de Pernambuco, Oswaldo Lima Neto considera possível subsidiar o sistema sem onerar ainda mais o custo das passagens. “Existem várias alternativas, entre elas a criação de um fundo especial de financiamento derivado dos impostos sobre os combustíveis”, argumentou.

A criação desse fundo especial é um assunto debatido nacionalmente. Atualmente, inclusive, tramita na Câmara dos Deputados uma Proposta de Emenda Constitucional 159/2007 que altera a distribuição dos recursos da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), tributo sobre os combustíveis, cujo recolhimento é destinado em maior parte à União (70%). O restante é dividido entre estados (29%) e&nbsp;parte da parcela estadual vai para os municípios (25%).

A municipalização da Cide poderia financiar o transporte público. Um estudo feito pela Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU) junto com a Fundação Getúlio Vargas mostrou que a atual taxação da Cide de R$ 0,10 sobre o litro da gasolina permitiria uma redução de até 30% nas tarifas do transporte público, caso fosse repassada aos municípios. Isso representa uma economia de aproximadamente R$ 1 por passagem.

Mas os proprietário de carros pagariam a conta do transporte público? Neste ponto vale uma reflexão sobre a importância dos ônibus para as condições de mobilidade das cidades. De acordo com a NTU, os carros ocupam 75% das vias enquanto transportam somente 20% das pessoas. Por outro lado, os ônibus ocupam 20% do espaço urbano para transportar 70% da população. Ou seja, os coletivos beneficiam mais gente e, sem eles, o trânsito das cidades se tornaria inviável.

A articulação Recife Pelo Transporte, que agrupa movimentos sociais na defesa pela redução do preço das passagens na RMR, diz que o transporte público é um direito social definido pela Constituição. Algo tão importante quanto a saúde ou a educação, que deve ser custeado pela coletividade. “Não são apenas os passageiros os beneficiados. As empresas em geral se beneficiam do fluxo de clientes e empregados. Isso vale para as indústrias, o comércio e, até mesmo de forma indireta, para as pessoas que usam carro,na medida que elas ocupam um espaço muito maior nas vias em relação à quantidade de passageiros do transporte público”, argumentou Thiago Scavuzzi, advogado do Centro Popular de Direitos Humanos, que integra a Articulação.

A divisão do custo da operação do sistema de transporte público entre os beneficiários diretos e indiretos está prevista na Política Nacional de Mobilidade Urbana, uma lei federal. Mas, o que acontece na prática é que o serviço é bancado pelas tarifas pagas pelos usuários, ou seja, pelos mais pobres. Por outro lado, o poder público subsidia os carros particulares no Brasil, na avaliação da professora da área de Transportes da Universidade Federal de Alagoas, Jessica Lima. &nbsp;“O governo gasta bilhões com o alargamento das vias (foram R$ 260 bilhões até 2011) para que as pessoas possam estacionar seus carros. Todos os anos a manutenção dessas vias alargadas custa R$ 5,2 bilhões à política de transporte no Brasil”, comentou.

Os custos de ampliação e manutenção das vias para os automóveis poderiam ser amenizados com a criação de um pedágio urbano, como propõe a Política Nacional de Mobilidade Urbana. A receita desse pedágio, segundo a Lei, deveria ser aplicada exclusivamente no subsídio das tarifas e nas infraestruturas dos modos não motorizados e do transporte público coletivo. Esse modelo já é utilizado em algumas cidades do mundo, como Londres, na Inglaterra, e Buenos Aires, na Argentina.

<b>Quem paga a conta é o passageiro</b>

Os periódicos aumentos das passagens na RMR vão de encontro à Política Nacional de Mobilidade Urbana, que destaca a garantia da modicidade das tarifas para os usuários, ou seja, um valor baixo, acessível à população. Em dez anos (2008 a 2018), no entanto, o preço das passagens subiu 100% no Recife, de acordo com o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (IPDT). &#8220;Na década de 70, o custo do transporte era 5,8% dos gastos de uma família brasileiro.&nbsp; Hoje já está em 15%”, apontou a professora da área de Transportes Jéssica Lima.

Em 2015, os gastos com transporte público já chegavam a comprometer 25% da renda de uma trabalhadora doméstica no Recife, de acordo com a plataforma Mobilidados do IPDT. De 2014 a 2017, o comprometimento do salário mínimo com esse tipo de gasto aumentou, passando de 14,85% para 17% na capital pernambucana.

<p style="text-align: center;"><iframe loading="lazy" src="https://docs.google.com/spreadsheets/d/e/2PACX-1vRmb97HFaXmbWu3S47hnfY87juLWjRGmmnUKn_cUef0ZvLf26TdZt9uaeBC2qtow_MhBBRYwnh7IXMh/pubchart?oid=1750697785&amp;format=interactive" scrolling="no" seamless="" width="600" height="371" frameborder="0"></iframe>
Fonte: Plataforma Mobilidados

O aumento das tarifas em 7,07% este ano, como quer o Governo do Estado, faria o Anel A, usado por 70% dos passageiros, subir dos atuais R$ 3,20 para R$ 3,45 (no provável arredondamento). Considerando o salário mínimo atual e uma média de 44 viagens ao mês, as passagens consumiriam mais de 15% da renda mensalmente.

“O passageiro é quem paga tudo, mas ele é a parte mais fraca dessa questão. As pesquisa de origem e destino mostra que a maioria das pessoas acessa o transporte público para ir ao trabalho ou para procurarem emprego, mas, sobretudo nos bairros mais pobres, é comum ouvir relatos de pessoas que não têm como arcar com o alto custo das passagens. É importante lembrar também que 40% da população brasileira sobrevive de atividade informal”, argumentou a professora Jessica Lima.

<b>Novo modelo de remuneração</b>

É preciso criar um novo modelo remuneratório para o transporte público de passageiros, diz advogado e militante da Frente de Luta Pelo Transporte, Pedro Josephi.&nbsp;Ele explicou que a&nbsp;remuneração das concessões de transporte público leva em consideração o fluxo de passageiros pagantes, quando deveriam ser baseadas nas horas de serviço e na quantidade de viagens realizadas pelas empresas. Disse também que o estado direciona subsídios com base em contas mensais de quilometragem e passageiros pagantes. “O governo garante antecipadamente o subsídio no diesel para o mês seguinte, mas não se tem um controle ideal sobre essas contas das empresas. Então é uma zona cinzenta”, argumentou.

O estudo tarifário divulgado pelo Consórcio Grande Recife mostra que os subsídios e isenções concedidos pelo governo estadual se aproximam dos R$ 240 milhões ao ano. Em nota, o Consórcio Grande Recife informou que para “manter a modicidade tarifária, o Governo do Estado isentou o ICMS do óleo diesel e da aquisição de veículos novos e tomou a decisão de arcar com os custos da gestão do Grande Recife Consórcio de Transporte, que antes estava inserida na tarifa”.

<div id="attachment_12156" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/pern2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12156" class="wp-image-12156 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/pern2-1024x768.jpg" alt="pern2" width="702" height="526"></a><p id="caption-attachment-12156" class="wp-caption-text">Desequilíbrio financeiro do sistema é bancado pelos passageiros</p></div>

O texto informa que &nbsp;“outra decisão do governo foi arcar com os custos de manutenção e operação (conservação, limpeza, vigilância, porteiro, facilitador de acesso, energia e água) dos Terminais Integrados e estações de BRT, que conforme o regulamento do Sistema, deveriam estar incluso nos custos da tarifa.&#8221; Caso o Governo do Estado não aportasse esses subsídios, a necessidade de reajuste tarifário seria superior aos praticados nas últimas recomposições, diz a nota.

Os movimentos sociais contestam essa lógica apontando para distorções, como o fato das gratuidades de idoso e de deficientes impactarem na tarifa do usuário pagante ou os créditos do VEM (Vale Eletrônico Metropolitano), que são repassados diretamente para a conta do sistema, quando poderiam ser melhor direcionados pelo Estado.

A Frente Nacional de Luta pelo Transporte, que realiza ato contra o aumento das passagens nesta quinta-feira (24), no Centro do Recife, também defende a criação de um fundo com aportes do Estado e da União para subsidiar o transporte público. Em concordância com essa proposta, a professor Transportes Jéssica Lima diz que parte das multas de trânsito poderiam ser direcionadas para fundos dessa natureza, assim como a receita com vendas de espaço publicitário pelas empresas de transportes, que ainda pode ser melhor aproveitada. Thiago Scavuzzi, da Articulação Recife Pelo Transporte, disse que é importante criar &nbsp;de grupos focais no estado para debater alternativas de financiamento. &#8220;Há soluções, mas falta a decisão governamental de priorizar o transporte público&#8221;.

<b>Caixa preta</b>

O discurso de desequilíbrio das contas das empresas não pode ser argumento de aumento de passagens. Isso porque as variações e a frustração de demanda de passageiros são um riscos&nbsp;da operação, que são assumidos pelas concessionárias na licitação, segundo a Articulação Recife Pelo Transporte.&nbsp;&nbsp;Além disso, a relação entre receitas e despesas de transporte público na RMR não é totalmente conhecida. As contas das empresas são mantidas em sigilo, embora os movimentos sociais cobrem mais transparência.

No ano passado, a Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco entrou com um pedido de informação dos dados operacionais das empresas junto à secretaria das Cidades do estado, que preside o Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), responsável por definir os reajustes.“Até agora as informações não foram disponibilizadas. Na última segunda-feira foi apresentada uma planilha de custos das empresas, mas sem a possibilidade de fiscalizar os dados, que não são auditados. Não há, por exemplo, como medir se as informações sobre depreciação dos veículos são reais”, comentou o advogado Pedro Josephi.

A falta de transparência que faz o passageiro bancar o desequilíbrio do sistema geram um contrassenso. Enquanto não procuram alternativas de receita, as empresas oferecem serviços cada vez mais caros e menos atrativos para os&nbsp; 60% da população da Região Metropolitana do Recife que utilizam os ônibus como transporte. “Toda empresa que perde clientes busca recuperá-los oferecendo um serviço melhor e reduzindo seus preços, menos as empresas de ônibus. Pelo contrário, os serviços são cada vez piores e mais caros, mas ninguém mexe nas concessões públicas desses grupos. Então é cômodo para as empresas e o governo colocar a conta no colo dos passageiros”, argumentou o professor da área de Transportes Oswaldo de Lima Neto.

Na visão de Lima Neto o modelo de gestão do sistema gera um ciclo vicioso. A cada aumento da passagem, mais pessoas deixam de andar de ônibus e a receita das empresas cai. Então, as empresas e o governo fazem novos reajustes tarifários para cobrir o rombo, alimentando o ciclo. “Muita gente prefere comprar uma moto ou até andar de Uber por ser mais viável financeiramente. Já a faixa mais pobre da população é obrigada, muitas vezes, a andar a pé por falta de opção”.

<b>Aumento ZERO</b>

No ano passado, os movimentos sociais conseguiram barrar o aumento das passagens na RMR. Este ano, as empresas reacenderam a disputa pedindo um reajuste retroativo. O governador Paulo Câmara disse que a proposta da Urbana-PE, de 16,18% de aumento, que faria o Anel A saltar para R$ 3,70 é “descabida”. Ele quer reunir as tarifas nos anéis A e B, o que deve ser discutido na reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano marcada para esta sexta-feira (25).

Antes que o Conselho se reúna para decidir o novo preço das passagens, os movimentos sociais fazem pressão para, não somente barrar os reajustes, como também pedir a redução das tarifas. A Articulação Recife pelo Transporte enviou um Pedido de Liminar à 4ª Vara da Fazenda da Comarca da Capital solicitando cancelamento da reunião do Conselho ou suspensão dos efeitos da recomposição tarifária.

Em dezembro passado, o movimento ajuizou uma Ação Popular apontando irregularidades do funcionamento do referido Conselho e da eleição de seus conselheiros que ainda não tomaram posse. O movimento considera impossível que, na mesma reunião de posse, os conselheiros votem um tema tão complexo quanto o aumento das passagens e sugerem 45 dias entre a posse, a entrega dos documentos subsidiários das propostas e votação da tarifa.
<blockquote>Atualização

Nesta quinta-feira (24), o&nbsp;juiz da 4º da Vara da Fazenda Pública da Capital, Teodomiro Noronha, determinou que o CSTM se abstenha&nbsp; &nbsp;de discutir sobre o equilibro econômico-financeiro do STTP/RMR e de definir qualquer tipo de reajuste das tarifas de ônibus no Grande Recife na reunião convocada para a sexta-feira (25). A decisão acolhe o mandado de segurança impetrado pelos conselheiros do CSTM Pedro Josephi e Márcio Morais. O descumprimento da decisão pode gerar multa diária de R$ 500.</blockquote><p>O post <a href="https://marcozero.org/aumento-das-passagens-de-onibus-outra-solucao-e-possivel/">Aumento das passagens de ônibus. Outra solução é possível?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/aumento-das-passagens-de-onibus-outra-solucao-e-possivel/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bloco-ônibus &#8220;Eu Acho é Caro&#8221; desfila neste domingo (18)</title>
		<link>https://marcozero.org/bloco-onibus-eu-acho-e-caro-desfila-neste-domingo-18/</link>
					<comments>https://marcozero.org/bloco-onibus-eu-acho-e-caro-desfila-neste-domingo-18/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Mar 2018 17:27:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[bloco]]></category>
		<category><![CDATA[coletivos]]></category>
		<category><![CDATA[eu acho é caro]]></category>
		<category><![CDATA[grande recife]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[passagem de ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[protesto]]></category>
		<category><![CDATA[transporte público]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=7506</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Bota a planilha no sol, governador” é o tema do protesto que&#160;‘bloco-ônibus’ “Eu Acho é Caro” faz neste domingo (18). A saída será às 8h30, do Trevo de Beberibe (Praça da Convenção) em direção à praia do Pina. O embarque é gratuito. Crítica à falta de transparência das informações sobre as receitas das empresas de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/bloco-onibus-eu-acho-e-caro-desfila-neste-domingo-18/">Bloco-ônibus &#8220;Eu Acho é Caro&#8221; desfila neste domingo (18)</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[“Bota a planilha no sol, governador” é o tema do protesto que&nbsp;‘bloco-ônibus’ “Eu Acho é Caro” faz neste domingo (18). A saída será às 8h30, do Trevo de Beberibe (Praça da Convenção) em direção à praia do Pina. O embarque é gratuito.

Crítica à<a href="http://marcozero.org/falta-de-transparencia-marca-debate-sobre-reajuste-das-passagens-de-onibus/"> falta de transparência</a> das informações sobre as receitas das empresas de ônibus na Região Metropolitana do Recife, o Carnaval fora de época da agremiação quer relembrar&nbsp;a ação popular movida pela Rede de Articulação pela Mobilidade (RAMO), com assessoria jurídica do Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), movida em janeiro deste ano.&nbsp; Na época, a RAMO solicitou ao consórcio Grande Recife os documentos que comprovam custos e ganhos das empresas de ônibus fossem divulgados, mas, até agora&nbsp;as informações não foram disponibilizadas.

Na mesma ação, a RAMO também pede as informações sobre <a href="http://marcozero.org/relatorio-do-tce-ja-alertava-sobre-erros-nas-concessoes-de-onibus-em-2013/">contratos das permissionárias do sistema</a>, planilhas analíticas e demonstrativos de fluxo de caixa das operadoras,&nbsp;<a href="http://marcozero.org/quem-da-as-cartas-no-conselho-que-decide-pelo-aumento-da-passagem-de-onibus/"> os critérios para reajustes</a>&nbsp; das passagens, entre outras informações. “Várias informações deveriam ser públicas, mas não são, e a sociedade civil precisa saber e ter seus direitos respeitados”, argumenta Thiago Jerohan, um dos organizadores do protesto.

O bloco Eu Acho é Caro foi formado este ano por várias entidades da&nbsp;sociedade civil, entre elas o Movimento RUA &#8211; Juventude Anticapitalista, Centro Popular de Direitos Humanos, Grupo Contestação, Coletivo Anarcofestivo Ocupe Estelita, CicloAção, UEP, Ameciclo. Em janeiro passado, a agremiação realizou seu primeiro desfile com o ônibus tarifa zero e, no último Carnaval, saiu no Sábado de Zé Pereira ao lado dos prédios gigantes do bloco Empatando Tua Vista.

&nbsp;<p>O post <a href="https://marcozero.org/bloco-onibus-eu-acho-e-caro-desfila-neste-domingo-18/">Bloco-ônibus &#8220;Eu Acho é Caro&#8221; desfila neste domingo (18)</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/bloco-onibus-eu-acho-e-caro-desfila-neste-domingo-18/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Relatório do TCE já alertava sobre falhas nas concessões de ônibus em 2013</title>
		<link>https://marcozero.org/relatorio-do-tce-ja-alertava-sobre-erros-nas-concessoes-de-onibus-em-2013/</link>
					<comments>https://marcozero.org/relatorio-do-tce-ja-alertava-sobre-erros-nas-concessoes-de-onibus-em-2013/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Feb 2018 20:52:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[aumento de passagens]]></category>
		<category><![CDATA[coletivos]]></category>
		<category><![CDATA[grande recife]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[passagens de ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[reajuste de tarifas]]></category>
		<category><![CDATA[RMR]]></category>
		<category><![CDATA[tarifa única]]></category>
		<category><![CDATA[TCE]]></category>
		<category><![CDATA[transporte]]></category>
		<category><![CDATA[urbana-pe]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=7195</guid>

					<description><![CDATA[<p>O atual silêncio do Poder Público e das empresas de transporte sobre o reajuste das passagens de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR), cogitado no começo do ano, dá ao cidadão uma falsa ideia de trégua neste terreno. Embora o debate tenha sido abafado por soluções temporárias &#8211; como a suspensão provisória de reajustes [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/relatorio-do-tce-ja-alertava-sobre-erros-nas-concessoes-de-onibus-em-2013/">Relatório do TCE já alertava sobre falhas nas concessões de ônibus em 2013</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[O atual silêncio do Poder Público e das empresas de transporte sobre o reajuste das passagens de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR), cogitado no começo do ano, dá ao cidadão uma falsa ideia de trégua neste terreno. Embora o debate tenha sido abafado por soluções temporárias &#8211; como a suspensão provisória de reajustes por sentença judicial e a estratégia do governo de desviar-se do tema em ano eleitoral &#8211;&nbsp;&nbsp;o alto custo e a má qualidade do serviço público permanecem. Muitos desses problemas resultam de erros acumulados desde a licitação dos contratos das operadoras, em 2013, como já apontava uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) publicada no mesmo ano.

Comprometimento da competitividade; mau dimensionamento dos objetos de licitação; e critérios pouco claros são alguns dos achados do relatório de auditoria especial realizado pela Gerência de Licitações do TCE-PE, ao qual a reportagem teve acesso. O material avalia mais diretamente a concorrência de dois dos sete lotes de linhas de ônibus nos quais o Sistema de Transporte Público de Passageiros da RMR foi dividido. Esses dois lotes tiveram contratos assinados em setembro de 2013, que ainda estão em vigor no sistema BRT (Bus Rapid Transit), formado pelos corredores Norte-Sul e Leste-Oeste.

Na época, tanto a condução da licitação como o teor dos editais levou os auditores do TCE a concluírem que a economicidade e a modicidade da tarifa foram prejudicadas. Em outras palavras, o custo-benefício dos contratos para a administração pública e a garantia de um preço de passagens acessível a todos os cidadãos ficaram comprometidas no processo.

As peças soltas nas concorrências foram observadas pelos auditores desde uma primeira tentativa de licitação das linhas de ônibus, cujo objeto abarcava todos os sete lotes do sistema de transporte. O edital foi lançado em abril de 2013, mas as&nbsp;empresas não apareceram. Assim, o certamente foi refeito e, em junho do mesmo ano, uma segunda concorrência foi lançada levando em conta algumas recomendações do TCE. Porém,&nbsp;sem que todos os problemas estivessem sanados,&nbsp;outras irregularidades ainda foram acrescentados na lista, na análise dos auditores.

O segundo edital limitou a concorrência a apenas dois lotes correspondentes ao BRT, deixando 70% do sistema de transporte de fora da disputa. Além disso, as regras foram alteradas para permitir “a participação de uma quantidade ilimitada de empresas por consórcio”. Antes, os consórcios eram limitados a três empresas. Na prática, significa dizer que todas as antigas operadoras do sistema poderiam ter formado agrupamentos ilimitados para ganhar uma parte do bolo, algo que comprometeria a competitividade, na avaliação dos especialistas do órgão.

O relatório aponta que a concorrência, cujo valor global foi de de R$ 4,5 bilhões, resultou em apenas uma proposta para cada um dos lotes em disputa, sendo “cada uma dessas propostas feita pelas empresas que já operavam as linhas do lote antes da licitação (Consórcio Conorte, formado pelas empresas Cidade Alta, Itamaracá e Rodotur, no lote um, e a Rodoviária Metropolitana, no lote 2)”. Neste ponto, os auditores concluíram que“combinações e arranjos entre os operadores podem sugerir conluio”.

Para piorar o quadro, diz a auditoria especial, &#8220;essas empresas ofertaram exatamente o valor máximo que a administração se propõe a pagar pela prestação dos serviços”. O relatório ainda apontava falta de transparência no modelo de reajustes dos contratos previsto no edital do BRT. Isso porque a fórmula matemática não estava expressa na licitação, nem foram considerados os ganhos de produtividade das concessionárias e a transferência deles para os usuários, algo que poderia ajudar a reduzir o preço das passagens na RMR.

O levantamento do TCE também apontou incoerência do edital ao deixar em aberto a “possibilidade de indenizações aos operadores em caso de frustração de demanda”. Em uma situação de redução da frota, por exemplo, a aplicação dessa regra não levaria ao reequilíbrio do contrato reduzindo o seu valor, mas poderia resultar numa indenização aos operadores.

Esses e outros achados negativos levaram a equipe técnica do Grupo de Licitações do TCE a concluir, na época, que “o edital não deveria prosperar”. O processo, contudo, não foi suspenso porque os conselheiros do TCE julgaram que as irregularidades apontadas nos relatórios sobre as licitações dos ônibus foram meramente formais ou &#8220;decorreram de excesso de zelo da equipe de auditoria&#8221;, diz o julgamento da casa que considerou regular, com ressalvas, a auditoria realizada nos editais de licitação do Consórcio de Transportes da Região Metropolitana do Recife.

<strong>Novos contratos</strong>

Os cinco lotes que ficaram de fora da segunda disputa também foram objeto de um terceiro edital (Concorrência 03/2013), lançado posteriormente, e de auditoria do TCE. Diz o relatório dos auditores:
<blockquote>&#8220;O Edital de Concorrência 03/2013 apresenta algumas mudanças em relação ao edital da Concorrência 01/2013, e basicamente repete o conteúdo do edital da concorrência 02/2013. Lembra-se que na Concorrência 03/2013 estão em disputa cinco dos sete lotes em que o STPP/RMR foi dividido, pois os outros dois lotes já foram licitados na Concorrência 02/2013. (&#8230;) inconsistências apontadas quando da análise do edital da Concorrência 02/2013 continuam a ser apontadas na análise do edital da CC 03/2013. Estas inconsistências, segundo a opinião desta equipe técnica, comprometem a competitividade da licitação e, em consequência, a economicidade e a modicidade tarifária, comprometendo assim a prestação de serviço adequado (&#8230;) Esse comprometimento é devido (&#8230;) à divisão do STPP/RMR em apenas 7 lotes e à possibilidade de participação na licitação de consórcios com quantidade ilimitada de empresas, situação que pode fazer com que os atuais operadores se distribuam em arranjos nos quais todos continuem, após a licitação, a operar as mesmas linhas anteriores à licitação.&#8221;</blockquote>
Embora essa terceira concorrência tenha sido realizada, os contratos não foram assinados. Não há total clareza sobre os reais motivos que levaram a não assinatura, mas uma explicação viável estaria ligada a problemas&nbsp;nos editais. &#8220;Da forma como os editais foram feitos, a assinatura de novos contratos se tornou inviável do ponto de vista financeiro”, argumenta Pedro Joseph, advogado da Frente de Luta pelo Transporte Público. Sem contratos de concessão, as empresas atuam como permissionárias, algo que gera insegurança jurídica, avalia o advogado do Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), Thiago Scavuzzi. &#8220;Contratos de permissão têm menor complexidade e, por isso, até a fiscalização do cumprimento das normas por parte das empresas fica comprometida&#8221;, aponta.

É notável então que a má condução das licitações, como apontou o TCE, tem boa parcela de culpa na conta cara do transporte coletivo, paga pelo governo e, no fim da ponta, pelos usuários diários do serviço. Por ano, o governo&nbsp; injeta cerca de R$ 200 milhões em subsídios no sistema. Do outro lado, o cidadão é penalizado com passagens caras e serviços precários. Desde 2014, somente a tarifa A, a mais usada, passou de R$ 2,15 para atuais R$ 3,20.

No começo deste ano, um novo aumento de 11%, que elevaria o Anel A para R$ 3,55, começou a ser negociado entre o Consórcio Grande Recife, a Urbana-PE e o Governo do Estado. Por iniciativa da sociedade civil, que moveu uma ação para barrar o reajuste, uma sentença judicial determinou que um novo preço somente poderia começar a valer quando o estado&nbsp;realizar a Conferência Metropolitana de Transporte e cumprir outras determinações, como divulgar os custos das operadoras do sistema. A Conferência deveria ter acontecido no ano passado para eleger novos membros do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM).

Segundo o Consórcio Grande Recife, a Conferência está sendo organizada, mas ainda não teve sua data divulgada. O Consórcio ainda informou que o estudo sobre a viabilidade de uma tarifa única no sistema de transporte coletivo da RMR, prometida desde a campanha pelo governador Paulo Câmara (PSB), ainda não foi concluído. A Frente de Luta pelo Transporte Público e alguns conselheiros do CSTM, inclusive, protocolaram um pedido de estudo técnico de implementação da tarifa única no último dia 12 de janeiro na Secretaria Estadual de Cidades, que não foi respondido. Por nota, a Frente informou que, no dia 2 de fevereiro, apresentou um pedido de audiência com o governador para tratar das questões relacionadas ao transporte e à mobilidade, mas também não obteve resposta.

O Grande Recife Consórcio preferiu não comentar os apontamentos feitos no relatório do TCE ao qual a reportagem teve acesso. A Urbana-PE, sindicato das empresas de ônibus, também não comentou o relatório do TCE, mas se posicionou em relação à não assinatura dos contratos dos cinco lotes restantes.&nbsp;&nbsp;Por nota, a Urbana-PE informou que a continuidade do processo &#8220;representa uma melhoria dos serviços prestados pelas operadoras e possibilidade de investimentos a longo prazo que, aliadas à priorização do transporte coletivo através dos corredores BRT e faixas exclusivas, impactará significativamente na qualidade do transporte público na região&#8221;.

Para quem usa o sistema no mundo real, e não no cenário idealizado pelas empresas, os efeitos nocivos do jogo de empurra entre o Consórcio Grande Recife, a Urbana-PE e o Governo do Estado, persistem e se agravam ano após ano.

Confira o relatório da auditoria especial do TCE:

<iframe loading="lazy" src="https://docs.google.com/presentation/d/e/2PACX-1vSdLyGjzcKiHR0k57B_3_YpdWxLhbI15azdDwMcIsoxSvJMGUyh-39PKyYif1kDIxPsrv3mua0_dtbT/embed?start=true&amp;loop=true&amp;delayms=3000" allowfullscreen="allowfullscreen" width="767" height="1084" frameborder="0"></iframe><p>O post <a href="https://marcozero.org/relatorio-do-tce-ja-alertava-sobre-erros-nas-concessoes-de-onibus-em-2013/">Relatório do TCE já alertava sobre falhas nas concessões de ônibus em 2013</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/relatorio-do-tce-ja-alertava-sobre-erros-nas-concessoes-de-onibus-em-2013/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
