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	<title>Arquivos PSOL - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 23 Oct 2024 20:26:03 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos PSOL - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Ivan Moraes deixa a vereança, mas continua na política porque &#8220;mandato não é carreira, é missão&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/ivan-moraes-deixa-a-vereanca-mas-continua-na-politica-porque-mandato-nao-e-carreira-e-missao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Oct 2024 20:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[camara dos vereadores]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[PSOL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O texto é uma entrevista com o vereador Ivan Moraes, do PSOL, que está se despedindo da Câmara Municipal do Recife após dois mandatos. Ele explica a decisão de não se candidatar à reeleição, defendendo a necessidade de renovação política e a importância de que a política não seja vista como uma carreira. Moraes também fala sobre o futuro, planejando a publicação de um manual para vereadores e vereadoras, e sobre sua participação contínua na política, através do ativismo, consultoria e produção de conteúdo. Ele argumenta a favor da filiação partidária, criticando a falta de participação da população nas decisões políticas e comparando os governos de Geraldo Júlio e João Campos.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/ivan-moraes-deixa-a-vereanca-mas-continua-na-politica-porque-mandato-nao-e-carreira-e-missao/">Ivan Moraes deixa a vereança, mas continua na política porque &#8220;mandato não é carreira, é missão&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando teve início a campanha eleitoral deste ano, o vereador Ivan Moraes começou &#8211; e não parou mais &#8211; a escutar questionamentos sobre não se candidatar para mais uma reeleição. Uma pergunta em particular o irrita: “Você desistiu da política?”. Primeiro vereador a ser eleito pelo PSOL no Recife, em 2016, o jornalista e comunicador Ivan Moraes <a href="https://www.recife.pe.leg.br/comunicacao/noticias/2023/08/ivan-moraes-anuncia-que-nao-ira-se-candidatar-a-vereador-no-pleito-de-2024" target="_blank" rel="noreferrer noopener">já havia anunciado </a> que não se candidataria a mais que uma reeleição para um mesmo cargo.</p>



<p>A partir do dia primeiro de janeiro de 2025, ele deixa de ser vereador do Recife. O primeiro plano é descansar: vai para a Festa de Louro, em São José do Egito, e depois viajar por duas semanas com a filha que completa 18 anos. </p>



<p>Mas Ivan Moraes enfatiza que, apesar de não ter mais mandato, não vai abandonar a política, nem desistiu de participar de eleições.</p>



<p>“Quando foi que eu disse que eu desisti? Eu nunca desisti. Desistir é quando você tem uma intenção e você desiste. Eu determinei, eu planejei e eu estou seguindo. Estar em um mandato não é meu objetivo de vida. Meu objetivo de vida é mudar o mundo. É trazer justiça social, é a equidade de gênero, é fazer parte de lutas que para mim são importantes, que é lutar por uma nova lei de drogas, é lutar pela regulamentação da comunicação, das plataformas. Por que eu tenho que ver a política como uma carreira? É uma possibilidade, é uma missão que pode me ser dada a partir da vontade de um grupo. Eu não preciso estar o tempo todo em mandato, mas eu posso estar a qualquer momento em mandato ”, disse, em entrevista para a Marco Zero em uma cafeteria na zona norte.</p>



<p>Ivan Moraes afirma que escolher não se candidatar novamente a vereador tem a ver com a ideia de renovação da Câmara dos Vereadores. “O princípio de a gente não entender a política como uma carreira profissional. De se entender a política, ou a participação na política partidária, como uma missão. Se todo mundo fizer política um pouquinho, não precisa ninguém fazer isso a vida inteira. Não deveria ser uma carreira”, afirmou.</p>



<p>O que então era uma princípio, hoje, passados oito anos, virou uma certeza. “Eu acho que mais do que dois mandatos talvez possa ser muito bom para a pessoa que se elege. Mas para o projeto político – se for um projeto político de transformação – o terceiro mandato já não é o ideal. Eu acho que você tem aprendizados que são importantes, mas a roda precisa girar. Você não pode ficar muito acostumado. Não pode ser muito confortável para quem está nessas cadeiras. O que eu fiz foi cumprir o que eu falei. Eu sou esse político estranho que diz o que faz e faz o que diz”.</p>



<p>Para dar continuidade às propostas do mandato, Ivan Moraes apoiou duas candidaturas pelo PSOL, a da produtora cultural Carol Vergolino e a da enfermeira Nise, que trabalha no mandato dele. A primeira teve 4.907 votos; a segunda, 965 votos. Nenhuma foi eleita. Ivan não acredita que ter apoiado duas candidatas, e não apenas uma, tenha enfraquecido as campanhas. “Não sei se eu não consegui passar meus votos, porque se juntar os votos de Carol com os votos de Nise, dá quase os mesmos votos que eu tive em 2020 e não daria para ser eleito este ano. Mas eu não estou olhando para o ponto de vista da derrota. Eu fiz o meu. Estou fazendo”, ponderou.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um manual para a vereança democrática e de esquerda</h2>



<p>Ivan Moraes fez um mandato <a href="https://publico.recife.pe.leg.br/consultas/parlamentar/parlamentar_mostrar_proc?cod_parlamentar=170#proposicao" target="_blank" rel="noreferrer noopener">bastante atuante e propositivo</a> e tem várias ideias para quando deixar a Câmara de Vereadores. Uma delas é a divulgação de um manual do que ele e a equipe de 18 pessoas do mandato aprenderam nesses oito anos na Câmara de Vereadores do Recife.</p>



<p>É uma sistematização da prática do mandato. “O meu mandato é um método que se desenvolveu ao longo de oito anos. Ele tem características que poderiam muito bem ser multiplicadas. É um mandato paritário de raça e de gênero na sua composição. É um mandato transparente, um mandato permeável, que atende a todos os grupos organizados da sociedade que lutam por direitos. Independente de se localizar ou não se localizar no nosso partido político”, afirma.</p>



<p>O documento vai trazer uma metodologia para vereadores e vereadoras de como as demandas entram, de como as demandas são tratadas e de como decisões são tomadas, levando em conta um mandato comprometido com a perspectiva de participação popular. Também vai falar sobre composição da equipe, sobre como se fiscaliza as prefeituras, como se faz a comunicação do mandato e das pautas e lutas que o mandato apoia, como se faz uma blitz e como se organiza uma audiência pública.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/Ivanzinho.jpg" alt="Foto colorida de Ivan Moraes, homem branco, de cabelos curtos encaracolados, barba escura ral e bigode Ele usa óculos de armação redonda e na cor preta, vestindo calça jeans e camiseta cinza onde se vê uma coroa laranja e um olho vermelho e branco estilizado estampadas. Abaixo das ilustrações há palavras na cor branca, das quais a única legível é a palavra forte." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Eu estou no PSOL. O que eu vou fazer depois de amanhã, a gente vê&#8221;, diz Ivan Moraes
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>A ideia é principalmente ajudar pessoas em seus primeiros mandatos. “Para mim, entrar na Câmara como vereador foi um choque. Tem que gostar de gente e entender que você não está lá para falar só com os seus. A política é a arte de falar com o diferente, com o opositor, de tentar o consenso possível naquele lugar. Tem a hora do conflito, tem a hora de fazer pontes”, aconselha. “Dá para transformar a política? Dá para transformar a política. É fácil? Não. É muito difícil. Mas eu estou no jogo”.</p>



<p>A ideia de Ivan é lançar o manual no final do ano e, após férias em janeiro, percorrer o país divulgando o documento. “E vou continuar incidindo nos movimentos sociais, vou continuar prestando minhas consultorias para as organizações da sociedade civil e vou, com certeza absoluta, continuar produzindo comunicação, porque está no meu sangue. Eu já estou escrevendo projetos de audiovisual e estou planejando escrever livros. Tem muita coisa para fazer. Agora, eu vou continuar fazendo tudo o que eu sempre fiz. Porque eu sempre fui um sujeito político”, avisa.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Geraldo Julio X João Campos</span>

		<p>No primeiro mandato, Ivan Moraes fez oposição a Geraldo Julio, prefeito reeleito. Já o segundo, foi o primeiro mandato de João Campos, reeleito agora em outubro. Ambos do PSB, mas, para o vereador, com posturas bem diferentes.</p>
<p>“Geraldo Júlio era muito ruim: um tecnocrata que tinha muito pouca compreensão da coisa pública. Foi lançado ao cargo por Eduardo Campos sem ter tido uma vivência militante que pudesse trazer para ele qualquer ensinamento para além do que ele possa ter aprendido nas instâncias de governo que ele participou. Era um governo travado, difícil”, avalia.</p>
<p>Já João Campos trouxe um certo frescor para a prefeitura do Recife. “Porém é um governo que tem muito a cara dele. E isso tem vantagens e desvantagens. Quando ele tem a audácia de botar o melhor amigo da faculdade dele para ser vice, ele está dizendo ‘eu não preciso de ninguém’. O governo de Geraldo Julio era um governo ruim, mas era um governo mais amplo do ponto de vista das decisões. Você via secretários com um pouco mais de autonomia. Talvez até por ser um ambiente mais disputado internamente”, acredita.</p>
<p>“Na prefeitura de João Campos você vê um aumento na atenção básica da saúde. Moradia não teve melhoras nem em um nem em outro. Há um avanço das creches com João Campos, ainda que terceirizando, o que somos contra. Mas você vê algumas coisas acontecendo. Naturalmente, a conjuntura também atrapalhou Geraldo Julio, que pegou metade do governo dele com Bolsonaro”, avalia.</p>
<p>Um ponto em comum dos dois prefeitos, diz Ivan, são as práticas institucionais arraigadas. “João tem um perfil mais jovem, mais ativo. Geraldo tem um perfil introspectivo. Mas nas práticas políticas e partidárias não têm muita diferença. Nenhum dos dois vai para a Câmara de Vereadores, nenhum dos dois me recebeu. E pedi audiências a ambos”.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Todo mundo devia ser filiado a um partido&#8221;</h3>



<p>Durante esta entrevista, Ivan Moraes foi e voltou sobre um assunto que para ele é muito importante: a filiação a um partido político, democrático e de esquerda. “Todo mundo devia ser filiado a um partido político. Porque a democracia formal se organiza a partir da disputa de poder. E essa disputa só pode acontecer a partir dos partidos”, diz.</p>



<p>Ele próprio demorou a se filiar. Só foi entrar para o PSOL em 31 de março de 2016, quando a data limite para se candidatar na eleição daquele ano era 2 de abril. “Eu me achava politizado, mas não tinha nenhuma vivência partidária. Quem me conhecia não me conhecia por causa do PSOL. Eu me filiei entendendo que na democracia formal você precisa estar num partido para disputar a eleição”, lembra Ivan.</p>



<p>Para ele, é preciso participar das disputas dentro de um partido para que o voto não seja de “segunda mão”. “Apenas 10% de quem tem título eleitor está filiado a um partido político. E os partidos estão tomando todas as decisões. Não é só a decisão de quem vai se candidatar e quem não vai se candidatar, mas também sobre quanto recurso público cada candidatura vai dispor e sobre quem aparecerá quantas vezes na televisão”, enumera.</p>



<p>“Todas essas decisões são mediadas por disputas de poder dentro dos partidos políticos. São disputas dificílimas. São disputas muitas vezes violentas, baseadas em preceitos que nós não concordamos, mesmo nos partidos da esquerda, e não estou falando somente do PSOL. Então, como é que a gente quer transformar a política? Votando de dois em dois anos, mas não prestando atenção nas decisões que são tomadas antes da eleição? Eu acho que assim estamos exercendo pouco o nosso direito”, afirmou.</p>



<p>No PSOL, Ivan Moraes se candidatou duas vezes enquanto vereador: para deputado federal em 2018 e para deputado estadual, em 2022, ficando como terceiro candidato mais votado do PSOL, ajudando na eleição de Dani Portela. Por ora, Ivan não pretende mudar de partido. “Eu estou no PSOL. O que eu vou fazer depois de amanhã, a gente vê. Mas o que eu não vou é deixar de ser filiado a partidos políticos”, disse.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Esquerda será representada só por mulheres na Câmara Municipal do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Oct 2024 12:37:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Cida Pedrosa]]></category>
		<category><![CDATA[esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jô Cavalcanti]]></category>
		<category><![CDATA[Kari Santos]]></category>
		<category><![CDATA[Liana Cirne]]></category>
		<category><![CDATA[PCdoB]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Recife elegeu a maior bancada de mulheres da história da Câmara Municipal, com oito vereadoras — uma a mais que na legislatura atual. Como a partir de 2025 a Casa José Mariano perderá duas cadeiras, passando dos atuais 39 para 37 assentos, a proporção feminina cresceu percentualmente de 18% para 21%, uma representatividade historicamente [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Recife elegeu a maior bancada de mulheres da história da Câmara Municipal, com oito vereadoras — uma a mais que na legislatura atual. Como a partir de 2025 a Casa José Mariano perderá duas cadeiras, passando dos atuais 39 para 37 assentos, a proporção feminina cresceu percentualmente de 18% para 21%, uma representatividade historicamente ainda muito baixa.</p>



<p>Os únicos quatro nomes da esquerda serão de mulheres: Liana Cirne (PT), Cida Pedrosa (PCdoB), Kari Santos (PT) e Jô Cavalcanti (PSOL) — esta a única negra e a única de oposição. Liana e Cida irão para o segundo mandato, enquanto Kari e Jô são estreantes na Câmara. Até 2024, <a href="https://marcozero.org/camara-do-recife-teve-apenas-21-mulheres-vereadoras-na-historia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apenas 21 mulheres</a> ocuparam um assento como vereadoras na capital. Tanto PT quanto PSOL perderam uma cadeira nestas eleições.</p>



<p>A legislatura 2025 &#8211; 2028 terá novos nomes de homens da extrema-direita que serão um desafio para as pautas feministas: Gilson Machado Filho (PL) — o segundo parlamentar mais votado, com 16.095 votos —, Thiago Medina (PL), com 10.540 votos, e Alef Collins (PP), 7.131 votos. Clique <a href="https://marcozero.org/bancada-dos-parentes-sera-um-terco-da-camara-do-recife-em-2025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> para saber mais sobre a nova composição da Casa.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> ouviu as quatro mulheres de esquerda eleitas para saber como estão as expectativas e o cenário que estão traçando para o exercício do mandato. Confira mais abaixo, com uma minibio de cada uma delas.</p>



<p>Nacionalmente, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre as candidaturas nas eleições de 2024, 15% foram de mulheres e 85% de homens, somando a corrida para prefeituras e casas legislativas municipais. Porém, entre os eleitos, esse índice cai, sendo apenas 13% de mulheres eleitas e 87% de homens.</p>



<p>Em entrevista coletiva realizada após as eleições de domingo (6), a presidente do TSE, a ministra Cármem Lúcia, lamentou o fato de nenhuma mulher ter sido eleita nas capitais brasileiras em primeiro turno. “Eu acho uma pena”, destacou a ministra, que completou dizendo reconhecer os esforços e o aumento da participação feminina na política.</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Quem são as oito mulheres eleitas:</span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Andreza Romero (PSB) &#8211; 15.785 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Natália de Menudo (PSB) &#8211; 15.198 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Liana Cirne (PT) &#8211; 14.810 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Cida Pedrosa (PCdoB) &#8211; 11.364 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Flávia de Nadegi (PV) &#8211; 11.278 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>6. </span>Kari Santos (PT) &#8211; 9.321 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>7. </span>Professora Ana Lúcia (Republicanos) &#8211; 8.592 votos</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>8. </span> Jô Cavalcanti (Psol) &#8211; 7.619 votos</p>
            </div>
            </div>



<h2 class="wp-block-heading">As quatro mulheres de esquerda</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Liana Cirne (PT)</strong></li>
</ul>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/foto-2.jpg" alt="" class="wp-image-66593 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Em seu segundo mandato, Liana disse que pretende manter a coerência com os princípios petistas e seguir com as propostas na área de combate a violência contra mulheres, valorização dos servidores públicos, em especial os profissionais da educação, cultura popular e inclusão. Com a bancada expressiva da direita e da direita radical, a expectativa dela é que a próxima legislatura seja “um período de embates muito duros”.</p>



<p>Ela teve a terceira maior votação de uma liderança de esquerda no Recife e a maior entre mulheres. Atrás apenas de Humberto nas eleições de 2000, com 27.815 votos, e de Dilson Peixoto, com 15.200 votos, em 2014.</p>
</div></div>



<p>“Teremos um duplo atravessamento, porque nós vamos ter um embate ideológico e um embate de gênero. Porque os de extrema direita que usam técnicas semelhantes ao do Nikolas Ferreira, por exemplo, bem alinhadas ao bolsonarismo e muito agressivos na retórica, são todos homens. E nós que compomos a bancada de esquerda somos mulheres e somos feministas. Então, eu acho que serão quatro anos marcados por embates muito contundentes, em que os vieses ideológicos vão ficar muito evidenciados”, avalia.</p>



<p>Liana, porém, disse que não irá se furtar: “Eu com certeza não vou fugir de nenhuma pauta ideológica. Eu tenho feito a defesa do presidente Lula e do projeto político que o presidente Lula representa e vou continuar fazendo”.</p>



<p>“Quando a gente é vereadora, temos que travar os grandes debates e não podemos fugir deles, porque os grandes debates repercutem diretamente no nosso dia a dia. Mas, ao mesmo tempo, a gente tem que ficar muito atento à realidade do povo, que é a realidade de quem sofre com a falta de um poste de luz, que estuda à noite e que, para chegar em casa à noite, sofre não só o risco de ser assaltado ou sofrer assédio ou violência sexual, mas sofre com medo de cair num buraco que não está enxergando”, exemplifica.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Liana Cirne:</span>

		<p>Liana Cirne tem 53 anos, é mestra em instituições jurídico-políticas, doutora em direito público, advogada ativista, professora de direito da UFPE, especialista em autismo e vereadora. Enquanto parlamentar, foi autora da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Frente Parlamentar da Pessoa Idosa. Apresentou mais de 2,6 mil ações legislativas (Projetos de Leis, requerimentos, reuniões e audiências públicas) e 770 emendas orçamentárias.</p>
<p>É autora da ação popular para o cumprimento do piso salarial dos professores do Recife e ação popular para o cumprimento da lei dos ar-condicionado nos ônibus. Destinou suas emendas para a construção da ciclovia da Av. Caxangá, o Camarim da Cultura Popular, cursos profissionais de formação para mulheres trans e a construção de Centro Integrado para Pessoas Autistas.</p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Cida Pedrosa (PCdoB)</strong></li>
</ul>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/foto-1.jpg" alt="" class="wp-image-66592 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Cida comemorou o crescimento das mulheres na Câmara do Recife, embora ainda haja muita subrepresentação. “Eu tenho uma boa expectativa de termos uma bancada de mulheres de esquerda. A luta pelos direitos das mulheres é absolutamente necessária e permanente e nós precisamos avançar nessa questão”, disse. </p>
</div></div>



<p>Cida também tem uma trajetória ligada ao direito à cultura na cidade e disse que irá mantê-la como prioridade na nova legislatura. Sobre pleitear comissões na Casa, antecipou ter interesse nas comissões de Direitos Humanos e de Cultura.</p>



<p>A respeito do fortalecimento da direita nestas eleições, ela comentou: “Eu sempre fiz a luta com os pés em Recife e com a cabeça na construção nacional. Porque não há como discutir política na cidade sem pensar na conjuntura nacional. Eu disse, durante toda a campanha, em todos os lugares que eu fui, que nós estávamos jogando 2024, mas, na verdade, o grande jogo posto era o de 2026, que cada prefeito progressista que a gente fizesse, cada vereador ou vereadora do campo progressista que a gente fizesse a gente estava fazendo o cordão de luta contra o fascismo e contra a direita em 2026”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Cida Pedrosa:</span>

		<p>Cida Pedrosa, 61 anos, é poeta, escritora, feminista, advogada militante dos direitos humanos e atualmente vereadora do Recife. Sua trajetória na luta pelos direitos humanos começou como advogada do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco (Fetape). Também atuou no Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec) e foi coordenadora do Movimento Nacional de Direitos Humanos. Ganhou o Prêmio Jabuti de Livro do Ano, em 2020, o mais importante da literatura brasileira com o poema <em>Solo para Vialejo</em>. Dois anos depois, foi a primeira pernambucana premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte com <em>Araras Vermelhas</em>, outro livro-poema.</p>
<p>Em 2012, foi secretária de Meio Ambiente do Recife e instituiu a Política Municipal de Sustentabilidade e enfrentamento às mudanças climáticas. Em 2017, se tornou secretária da Mulher do Recife, ajudando a tirar do papel a Brigada Maria da Penha.</p>
<p>Como vereadora, preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e é vice-presidenta da Comissão de Educação, Cultura, Turismo e Esporte. Também é presidenta da Frente Parlamentar Recife Pelo Clima e seu mandato esteve na presidência da Frente Parlamentar pelo Centro do Recife.</p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Kari Santos (PT)</strong></li>
</ul>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/image-2.jpeg" alt="O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é foto-2-1.jpg" class="wp-image-66621 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>À reportagem, Kari lembrou que a ampliação do número de mulheres na Câmara do Recife não significa necessariamente um comprometimento com as pautas feministas. “É lamentável saber que a Câmara Municipal é composta por homens de sobrenome da política tradicional. A expectativa é de fazer um enfrentamento diante de novos quadros da extrema-direita que se elegeram. A gente precisa fazer uma bancada feminista de combate ao conservadorismo e de combate à extrema-direita”, avaliou.</p>
</div></div>



<p>Para ela, é motivo de orgulho ser a vereadora mais jovem já eleita pelo PT na cidade. Kari, que teve apoio do deputado João Paulo, acredita que a vitória é resultado da necessidade de renovação dos quadros políticos e de uma militância que reconhece que é tempo de mulheres e tempo de renovação.</p>



<p>Sobre a polarização com os outros dois mais jovens da Casa, Thiago Medina, de 21 anos, e Alef Collins, de 22 anos, ela lembra que já vem combatendo a extrema-direita e que esses dois nomes já vêm tentando firmar embates desde que ela colocou seu nome à disposição do processo eleitoral. Kari acredita que Medina e Alef vão seguir polarizando dentro da Câmara. “Porque são quadros que não têm nenhum projeto político voltado para a classe trabalhadora. Infelizmente a gente vai ver uma ‘bancada da lacração’ na Câmara Municipal”, acredita.</p>



<p>“Mas agora, com mandato, eu consigo ter mais força para poder fazer esse tipo de enfrentamento. Será um mandato direcionado para a defesa da classe trabalhadora, mas, para que isso também aconteça, a gente tem que frear o avanço da extrema-direita e do fascismo à moda brasileira, que nós conhecemos como bolsonarismo”, comentou.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Kari Santos:</span>

		<p>Kari Santos, 31 anos, é estudante de pedagogia e vereadora eleita mais jovem da história do PT no Recife. Nascida e criada na periferia, no bairro da Mangueira, foi militante do movimento estudantil e da juventude petista. É comunicadora popular e destacou-se nacionalmente pelo ativismo digital contra os bolsonaristas, alcançando quase 1 milhão de seguidores em todas as suas redes.</p>
<p>Teve apoio de figuras nacionais do partido, como José Dirceu, Gleisi Hoffmann e até de Marília Arraes, que nem é filiada à legenda. Fez campanha defendendo a volta do Orçamento Participativo, punição aos que tentarem impedir gestantes de acessarem o aborto legal no Recife, a criação de renda básica municipal e reajuste do auxílio-moradia.</p>
	</div>



<p><strong>Jô Cavalcanti (PSOL)</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="161" height="225" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/foto.jpeg" alt="" class="wp-image-66595 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Sou cria da periferia e conheço de perto as dificuldades que mulheres negras, trabalhadoras e mães solo enfrentam todos os dias. A luta por dignidade e direitos não é nova para mim, é minha história de vida”, anuncia Jô Cavalcanti.</p>



<p>“A partir de 2025, eu serei a única parlamentar negra. Isso contrasta e mostra que não houve avanço, muito menos para a esquerda progressista”, frisa Jô Cavalcanti logo de início, lembrando a grande bancada do PSB e o aumento da presença dos bolsonaristas. </p>
</div></div>



<p>“A gente vai ter muito desafio pela frente levando em conta que nós da esquerda defendemos a política do governo Lula e que as políticas sejam, de fato, voltadas para a população mais vulnerável. A Câmara Municipal será um instrumento que vamos usar como uma ferramenta de disputa da cidade”, complementou.</p>



<p>Ela disse que seguirá enfrentando a oposição, assim como fez quando compunha o mandato coletivo das Juntas Codeputadas na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). “Temos um projeto de sociedade e de consciência”, definiu, lembrando o apoio dos movimentos sociais e de nomes importantes da esquerda durante a campanha este ano, como <a href="https://marcozero.org/marcal-e-um-efeito-surpresa-para-nos-lembrar-de-jamais-subestimar-a-extrema-direita-afirma-erika-hilton/">Erika Hilton</a>, Guilherme Boulos, pastor Henrique Vieira e João Paulo.</p>



<p>“A gente sabe que a Casa do Povo deve fazer com que as pessoas possam ter acesso a ela e que nada seja passado para beneficiar só o grupo A ou B, mas toda a população recifense”, defende Jô, rememorando que, em 2016, o PSOL também fez apenas uma cadeira na Câmara, com Ivan Moraes, “que fez um mandato altivo e responsável”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conheça Jô Cavalcanti:</span>

		<p>Aos 42 anos de idade, Jô Cavalcanti é mulher negra, mãe de Gabriel e cria do Morro da Conceição. Sua vida foi marcada pela luta por sobrevivência e pela busca por justiça social. Deputada estadual eleita em 2018 pela mandata coletiva das Juntas, ela foi a primeira camelô do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a ocupar esse cargo no Brasil.</p>
<p>Tem militância no Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Informal (Sitraci), na Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e na Frente Povo Sem Medo e se articula com o Fórum de Mulheres de Pernambuco, a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas e outros espaços de luta.</p>
	</div>



<p></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>“Bancada dos parentes” será um terço da Câmara do Recife em 2025</title>
		<link>https://marcozero.org/bancada-dos-parentes-sera-um-terco-da-camara-do-recife-em-2025/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Cavalcanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Oct 2024 03:18:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[camara de vereadores]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara Municipal do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[PL]]></category>
		<category><![CDATA[PSB]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A “bancada dos parentes” será a segunda maior da Câmara do Recife e representará um terço das cadeiras. Doze vereadores reeleitos e eleitos são de famílias de políticos em exercício de mandato ou ex-políticos. Conhecido como “filhotismo”, o fenômeno é um dos traços da política brasileira. E, a partir de 2025, será uma das características [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A “bancada dos parentes” será a segunda maior da Câmara do Recife e representará um terço das cadeiras. Doze vereadores reeleitos e eleitos são de famílias de políticos em exercício de mandato ou ex-políticos. Conhecido como “filhotismo”, o fenômeno é um dos traços da política brasileira. E, a partir de 2025, será uma das características do Legislativo municipal. Outra marca será o apoio ao <a href="https://marcozero.org/joao-campos-e-reeleito-como-o-prefeito-mais-votado-da-historia-do-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">prefeito reeleito, João Campos (PSB)</a>. Uma análise da lista dos 37 nomes vencedores permite dizer que o gestor terá, pelo menos, 26 deles na base.</p>



<p>A votação histórica de João Campos se refletiu no desempenho do seu partido na eleição proporcional. Com apliação, o PSB elegeu a maior bancada para a próxima legislatura, com 15 vagas. A legenda emplacou sete representantes entre os dez mais votados. O prefeito também impulsionou a vitória de aliados em outros partidos, ajudando a eleger representantes no MDB, Republicanos e na Federação PT/PCdoB/PV.</p>



<p>Depois do PSB, a federação PT/PCdoB/PV foi quem mais ocupou vagas na Casa José Mariano. Cinco, ao todo. Com 14.810 votos, a vereadora Liana Cirne (PT) conquistou a reeleição como a mais votada do grupo. Mais do que dobrou o apoio nas urnas, em comparação com os 6.819 votos de 2020. Já a comunicadora e ativista <a href="https://marcozero.org/quem-e-a-jovem-recifense-que-se-tornou-alvo-dos-seguidores-de-michele-bolsonaro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Kari Santos (PT)</a> é um dos nomes da renovação na Câmara.</p>



<p>Liana e Kari desbancaram nomes da velha guarda do PT, como Osmar Barreto, Jairo Brito, André Campos e João da Costa. Foram as únicas eleitas pelo partido do presidente Lula. Ambas contaram com o apoio do deputado estadual e ex-prefeito do Recife João Paulo.</p>



<p>Na outra ponta do espectro partidário, o PL &#8211; do ex-presidente Jair Bolsonaro &#8211; terá quatro cadeiras na Câmara do Recife, a partir de 2025. Os vereadores Fred Ferreira e Paulo Muniz obtiveram a reeleição, enquanto que Gilson Machado Filho e Thiago Medina foram eleitos pela primeira vez.</p>



<p>O primeiro é filho do candidato a prefeito do partido, Gilson Machado; o segundo fez campanha como “o candidato oficial” do deputado federal Nikolas Ferreira no Recife. Já o líder da oposição a João Campos, Alcides Cardoso, ligado politicamente à vice-governadora Priscila Krause, não conseguiu se reeleger. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Novo elege mais um, PSOL perde uma vaga</strong></h2>



<p>O partido Novo elegeu, pela primeira vez, representantes para a Casa José Mariano. Felipe Alecrim e o jornalista Eduardo Moura são os nomes da legenda para a próxima legislatura. Alecrim já é vereador, mas se filiou ao Novo em março deste ano. Em 2020, conquistou o mandato pelo PSC. Juntamente com o PL, o Novo deve formar o bloco de oposição a João Campos pela extrema-direita.</p>



<p>O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ocupa hoje duas cadeiras e terá seu espaço reduzido a partir de 2025. A sigla elegeu Jô Cavalcanti, ex-codeputada da Juntas na Assembleia Legislativa em 2018. Em 2022, Jô perdeu a eleição, mas agora deu a volta por cima.</p>



<p>Ela é do Movimento dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Sem Teto (MTST), nacionalmente ligada ao deputado federal Guilherme Boulos (SP), que vai disputar o segundo turno em São Paulo contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/vereadores-Jo.jpg" alt="Foto de Jô Cavalcanti, mulher negra, jovem, de cabelos crespos no alto da cabeça, e óculos de grau. Ela foi fotografada em um ambiente fechado, do tórax para cima. Ela está falando ao microfone sentada em uma poltrona preta e usa uma blusa preta com grafismos brancos. O fundo está desfocado, mas é possível distinguir, à direita, um homem branco de cabelos brancos e máscara cirúrgica no rosto." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Jô, ex-Juntas, desta vez se elegeu em candidatura individual
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ascom/Alepe</span>
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                    </figure>

	


<p>O vereador Ivan Moraes (PSOL) optou por não disputar a reeleição e pediu votos para duas companheiras de partido, Carol Vergolino e Nise Santos, que não conseguiram a eleição. Ivan encerra este ano seu segundo mandato. Já a vereadora Elaine Cristina não conseguiu ultrapassar a barreira dos mil votos.</p>



<p>Em 2020, Elaine ficou na primeira suplência do PSOL quando concorreu por uma chapa coletiva, as Pretas Juntas. Assumiu em janeiro de 2023, com a eleição de Dani Portela para deputada estadual. Mas o projeto político sofreu sucessivos rachas. A vereadora também teve uma atuação apagada, distante dos debates e da tribuna.</p>



<p>Já o MDB elegeu três representantes. PSD e Republicanos ocuparão duas cadeiras cada. Chamou a atenção o fato de a filha do ministro André de Paula (Pesca), Déa de Paula, ter saído derrotada. Além do cargo no primeiro escalão do governo Lula, o pai da candidata tem o controle do partido no estado. Além do PSOL, o PP, PRD e Avante terão uma vaga cada. No PP, a deputada federal Clarissa Tércio não conseguiu eleger sua cunhada Gil de Tércio.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quem é quem na “bancada dos parentes”</strong></h3>



<p>Nove vereadoras e vereadores eleitos são filhos de políticos. Por ordem decrescente de votação, são eles: Gilson Machado Filho, Natália de Menudo, Eriberto Rafael, Felipe Francismar, Marco Aurélio Filho, Eduardo Mota, Flávia de Nadegi, Rodrigo Coutinho e Alef Collins.</p>



<p>Completam a bancada Andreza de Romero, esposa do deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil) e Alcides Teixeira Neto, que teve dois avôs políticos &#8211; um deputado, outro vereador. O mais votado, Romerinho Jatobá, é filho de um ex-presidente do Santa Cruz e primo do ex-vereador José Neves, também ex-dirigente de futebol. Já Fred Ferreira é cunhado dos irmão Anderson e André Ferreira.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<p><strong> Confira os perfis dos 37 eleitos</strong></p>



<p><strong>1. Romerinho Jatobá (PSB) &#8211; 20.264 votos</strong><br>Vereador reeleito, é o atual presidente da Câmara do Recife. É filho do empresário e ex-presidente do Santa Cruz Romero Jatobá. Tem base eleitoral no Arruda e outros bairros da zona norte da cidade. Na eleição passada, obteve 11.500 votos.</p>



<p><strong>2. Gilson Machado Filho (PL) &#8211; 16.095 votos</strong><br>Filho do candidato a prefeito do PL e ex-ministro do Turismo Gilson Machado, está eleito pela primeira vez. Durante a campanha, ao lado do pai, protagonizou uma queda de braço com a família Ferreira, que controla o PL no Estado,</p>



<p><strong>3. Aderaldo Pinto (PSB) &#8211; 15.793 votos</strong><br>Vereador reeleito para o quarto mandato, ampliou a votação em comparação com os 10.062 votos que obteve em 2020. Natural de Caruaru, no Agreste pernambucano, disputou eleição pela primeira vez em 2008. Elegeu-se pela primeira vez quatro anos depois.</p>



<p><strong>4. Andreza Romero (PSB) 15.785 votos</strong><br>Vereadora reeleita, é esposa do deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil) e ex-secretária-executiva dos Direitos dos Animais do Recife.</p>



<p><strong>5. Natália de Menudo (PSB) &#8211; 15.198 votos</strong><br>Vereadora reeleita, é filha do ex-vereador Estéfano Menudo. Ela e o pai estão à frente do Grupo de Apoio ao Subúrbio, com atuação em bairros da periferia.</p>



<p><strong>6. Eriberto Rafael (PSB) &#8211; 14.897 votos</strong><br>Eleito para o quarto mandato, é atual primeiro-secretário da Câmara do Recife. É filho do deputado federal e ex-presidente da Assembleia Legislativa Eriberto Medeiros.</p>



<p><strong>7. Liana Cirne (PT) &#8211; 14.810 votos</strong><br>Vereadora reeleita, foi a mais votada da federação PT/PCdoB/PV. Conseguiu mais do que dobrar o apoio na urna, em relação a 2020. Advogada e professora, contou com o apoio de lideranças do partido, como a senadora Teresa Leitão e o deputado estadual João Paulo.</p>



<p><strong>8. Felipe Francismar (PSB) &#8211; 13.850 votos</strong><br>Vereador reeleito, é filho do deputado estadual Francismar Pontes (PSB). A família tem forte presença em bairros da Zona Norte da cidade. Faz dobradinha com a família Campos nas eleições estaduais.</p>



<p><strong>9. Carlos Muniz (PSB) &#8211; 13.400 votos</strong><br>Vereador reeleito e ex-secretário de Política Urbana e Licenciamento do Recife. Servidor concursado da Companhia Brasileira de Trens Urbanos, foi cedido para a Emlurb em 2003, onde exerceu cargos de gerência, direção e presidência.</p>



<p><strong>10. Samuel Salazar (MDB) &#8211; 13.348 votos</strong><br>Vereador reeleito e atual líder do Governo na Câmara do Recife. Advogado, assumiu pela primeira vez um mandato na Casa em fevereiro de 2019. Foi superintendente do Ministério da Agricultura em Pernambuco e diretor jurídico da Agência Reguladora de Pernambuco.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/Romerinho.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/Romerinho.jpeg" alt="Foto em close de Romerinho Jatobá. Ele é um homem branco, de barba rala castanha e cabelos escuros, com calva pronunciada. Ele está falando ao microfone tendp ao fundo um cenário desfocado." class="" loading="lazy" width="628">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Presidente da Câmara, Romerinho Jatobá foi o mais votado 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ascom/CMR</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>11. Rinaldo Júnior (PSB) &#8211; 12.664 votos</strong><br>Vereador reeleito, atual líder do PSB e vice-líder do Governo na Câmara. Foi líder da oposição ao então prefeito Geraldo Julio (PSB) e, depois, passou para a base socialista. É presidente da Força Sindical de Pernambuco e do Sindicato dos Trabalhadores em Condomínios.</p>



<p><strong>12. Marco Aurélio Filho (PV) &#8211; 12.424 votos</strong><br>Vereador reeleito, é filho do ex-vereador do Recife e ex-deputado estadual Marco Aurélio e atual presidente municipal do PV.</p>



<p><strong>13. Rubem Rodrigues da Silva (PSB) &#8211; 12.240 votos</strong><br>Eleito para o primeiro mandato, tem base eleitoral no bairro da Guabiraba, zona norte do Recife. É policial militar, mas uma de suas pautas é o autismo através do projeto Agora é Rubem Cuidando das Crianças Autistas</p>



<p><strong>14. Davi Muniz (PSD) &#8211; 11.946 votos</strong><br>Reeleito para o quarto mandato na Câmara, assumiu em setembro a vaga do falecido deputado José Patriota (PSB) na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Tem atuação na Várzea e em outros bairros da zona oeste da cidade.</p>



<p><strong>15. Fred Ferreira (PL) &#8211; 11.804 votos</strong><br>Reeleito para o segundo mandato, é genro do ex-deputado Manoel Ferreira e cunhado dos irmãos Anderson e André Ferreira, de quem ganhou o sobrenome emprestado. Tem atuação parlamentar com base nas pautas da extrema-direita. Foi dele o projeto para proibir o uso da chamada linguagem neutra.</p>



<p><strong>16. Eduardo Mota (PSB) &#8211; 11.786 votos</strong><br>Filho do ex-deputado estadual Nilton Mota, eleito pela primeira vez. Antes da eleição, ocupou cargo comissionado de gerência na prefeitura do Recife. Seu pai foi deputado estadual, secretário de Educação no governo Eduardo Campos e ocupou cargos no governo Paulo Câmara.</p>



<p><strong>17. Cida Pedrosa (PCdoB) &#8211; 11.364 votos</strong><br>Vereadora reeleita, é advogada e poeta, vencedora de prêmios nacionais de poesia. Na Câmara Municipal, fez parte da base de apoio do prefeito João Campos (PSB) e atuou na defesa de pautas como cultura e direitos humanos. Exerceu as funções de secretária de Meio Ambiente e da Mulher do Recife na gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB).</p>



<p><strong>18. Flávia de Nadegi (PV) &#8211; 11.278 votos</strong><br>Filha da prefeita de Camaragibe, Nadegi de Queiroz (Republicanos), e irmã do deputado estadual João de Nadegi (PV). Eleita pela primeira vez para a Câmara.</p>



<p><strong>19. Zé Neto (PSB) &#8211; 11.027 votos</strong><br>Vereador reeleito. Antes, foi gestor por mais de dez anos na Assembleia Legislativa de Pernambuco, assessor parlamentar da Câmara Federal e chefe de Gabinete da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur). Ligado ao deputado federal Felipe Carreras.</p>



<p><strong>20. Thiago Medina (PL) &#8211; 10.540</strong> <strong>votos</strong><br>É o mais novo entre os vereadores eleitos, com 21 anos. É jovem ativista da extrema-direita, apoiado pelo deputado estadual Renato Antunes (PL) e pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL).</p>



<p><strong>21. Luiz Eustaquio (PSB) &#8211; 10.474</strong> <strong>votos</strong><br>Reeleito para o sexto mandato consecutivo, já foi filiado ao PT e líder sindical da categoria dos previdenciários. É ligado à Assembleia de Deus e comanda uma comunidade terapêutica.</p>



<p><strong>22. Júnior de Cleto (PSB) &#8211; 9.922 votos</strong><br>Empresário, tem atuação no transporte complementar em bairros da zona norte do Recife. Filiou-se ao PSB em fevereiro deste ano e foi uma das candidaturas prioritárias do partido.</p>



<p><strong>23. Hélio Guabiraba (PSB) &#8211; 9.793 votos</strong><br>Vereador reeleito, tem atuação política em bairro da zona norte da cidade, com forte presença na Guabiraba.</p>



<p><strong>24. Fabiano Ferraz (MDB) &#8211; 9.778 votos</strong><br>Reeleito para o segundo mandato, é guarda civil do Recife, servidor da CTTU e bacharel em Direito. Uma das suas principais pautas é o armamento da Guarda Municipal.</p>



<p><strong>25. Wilton Brito (PSB) &#8211; 9.496</strong><br>Vereador reeleito, tem forte presença política no Ibura, bairro da Zona Sul da cidade.</p>



<p><strong>26. Paulo Muniz (PL) &#8211; 9.395 votos</strong><br>Vereador reeleito, tem atuação como gestor na área de saúde, foi secretário-executivo do Trabalho e Qualificação de Pernambuco</p>



<p><strong>27. Kari Santos (PT) &#8211; 9.321 votos</strong><br>Tem 30 anos. É ativista, comunicadora popular e criadora de conteúdo nas redes sociais, onde ganhou notoriedade pela oposição ao bolsonarismo e defesa do governo Lula e PT. É o nome da renovação do PT.</p>



<p><strong>28. Alcides Teixeira Neto (Avante) &#8211; 8.909 votos</strong><br>Eleito para o terceiro mandato, é presidente municipal do Avante. Os seus dois avôs foram políticos, o ex-deputado Alcides Teixeira e o ex-vereador Edson de Oliveira. Tem parte considerável do eleitorado em Santo Amaro, área central da cidade, e em bairros da zona norte.</p>



<p><strong>29. Professora Ana Lúcia (Republicanos) &#8211; 8.592 votos</strong><br>Reeleita para o terceiro mandato. Educadora e concursada na prefeitura do Recife, foi conselheira representante do segmento de gestoresno Conselho Municipal de Educação do Recife. Presidiu o colegiado.</p>



<p><strong>30. Rodrigo Coutinho (Republicanos) &#8211; 8.317 votos</strong><br>Reeleito para o terceiro mandato, é ex-secretário de Esportes do Recife. Filho do deputado federal Augusto Coutinho e neto do ex-deputado federal José Mendonça, já falecido, um dos expoentes do antigo PFL.</p>



<p><strong>31. Júnior Bocão (PSD) &#8211; 7.985 votos</strong><br>Vereador reeleito para o terceiro mandato, se elegeu em 2020 pelo Cidadania, com 6.256 votos. Tem base eleitoral em Roda de Fogo, Torrões e Jordão.</p>



<p><strong>32. Felipe Alecrim (Novo) &#8211; 7.901 votos</strong><br>Eleito pela primeira vez em 2020 pelo PSC, tem atuação conservadora. É ministro da Sagrada Comunhão Eucarística e comanda uma comunidade católica. No seu perfil oficial do site da Câmara, diz que seu propósito é promover “um projeto político cristão”.</p>



<p><strong>33. Jô Cavalcanti (Psol) &#8211; 7.619 votos</strong><br>Foi feirante e ambulante, antes de ser a primeira mulher eleita para um mandato coletivo na Assembleia Legislativa de Pernambuco em 2018. Construiu sua militância em movimentos sociais pelos direitos à moradia e ao trabalho. É do Movimento dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Sem Teto (MTST).</p>



<p><strong>34. Alef Collins (PP) &#8211; 7.131 votos</strong><br>Estudante de direito, com 22 anos, é filho da deputada federal e vereadora do Recife licenciada e do deputado estadual Cleiton Collins (PP). A família tem atuação fundamentalista e é dona de uma comunidade terapêutica e de espaços em emissora de rádio. A família é conhecida por liderar posições de negação de direitos a grupos sociais.</p>



<p><strong>35. Tadeu Calheiros (MDB) &#8211; 6.916 votos</strong><br>Reeleito para o segundo mandato, ex-Podemos, foi vice-líder da oposição na atual legislatura.</p>



<p><strong>36. Eduardo Moura (Novo) &#8211; 5.283</strong><br>Jornalista com mais de duas décadas de atuação, foi repórter e apresentador de televisão. Elege-se pela primeira vez vereador do Recife. Foi um do críticos das gestões do PSB no Recife e Pernambuco.</p>



<p><strong>37. Gilberto Alves (PRD) &#8211; 4.985 votos</strong><br>Reeleito para o segundo mandato. Apesar de não ser filiado ao PSB, tem proximidade com o partido. Foi coordenador da campanha de Eduardo Campos a governador em 2006. Depois, assumiu a Gerência de Articulação Regional do governo.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/bancada-dos-parentes-sera-um-terco-da-camara-do-recife-em-2025/">“Bancada dos parentes” será um terço da Câmara do Recife em 2025</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>“Marçal é um efeito surpresa para nos lembrar de jamais subestimar a extrema-direita”, afirma Erika Hilton</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Cavalcanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 19:37:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Erika Hilton]]></category>
		<category><![CDATA[mulher trans]]></category>
		<category><![CDATA[PSOL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se há uma figura pública que entende do enfrentamento à extrema-direita, essa pessoa é a deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo. E ela é firme em cravar: “classifico Pablo Marçal como pior do que Bolsonaro”. A disposição de Erika para o debate e o bate-boca com parlamentares bolsonaristas tem sido reconhecida. Na [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se há uma figura pública que entende do enfrentamento à extrema-direita, essa pessoa é a deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo. E ela é firme em cravar: “classifico Pablo Marçal como pior do que Bolsonaro”. A disposição de Erika para o debate e o bate-boca com parlamentares bolsonaristas tem sido reconhecida. Na semana passada, ela foi anunciada vencedora do Prêmio Congresso em Foco 2024, na votação popular da categoria “Melhores da Câmara”.</p>



<p>Na madrugada da terça-feira (3), mesmo com o pé machucado, a deputada manteve a vinda ao Recife. O principal compromisso da agenda foi um ato, à noite, na praça da Várzea, de demonstração de apoio à candidatura da colega de partido, Jô Cavalcanti. A atividade contou também com a presença da candidata a prefeita Dani Portela. Durante o dia, porém, Erika aproveitou para gravar mensagens de apoio a outras candidaturas e conceder entrevista à imprensa. Num estúdio localizado no centro, conversou com a <strong>Marco Zero</strong>, depois de falar ao portal Afoitas.</p>



<p>Marco Zero &#8211; <strong>Esta é a primeira eleição depois da disputa presidencial disputada por Lula e Bolsonaro. Como a extrema-direita tem buscado atuar?</strong></p>



<p><strong>Erika Hilton</strong> &#8211; Acho que há um esforço muito forte de tentar retomar a força que foi perdida com a derrota do bolsonarismo. Agora, nas eleições municipais, a extrema-direita está ensaiando para se organizar para o que será 2026. A gente, então, tem que tomar muito cuidado. Não podemos subestimar essa força. O inimigo foi derrotado nas urnas em 2022, mas pode fazer um estrago absurdo nas principais capitais do País.</p>



<p><strong>Como a senhora avalia o efeito Pablo Marçal em São Paulo e no Brasil?</strong></p>



<p>Marçal é um efeito surpresa para nos lembrar de jamais subestimar a extrema-direita. Ele é um homem perigoso, um condenado pela justiça, mas que tem uma capacidade de se vender como popular, de vender sonhos fáceis, de se comunicar com as massas de maneira assustadora. Precisamos desmascará-lo. Precisamos nos comunicar com as massas. Não merecemos um coach que vende ilusões como soluções para os desafios que demandam estratégia, planejamento, experiência e organização.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230; a visão do Nordeste é diferenciada e torço muito por isso (&#8230;) de que o Nordeste seja de novo esse fiel da balança&#8221;</p>
</div>


<p><strong>Mas como fazer isso?</strong></p>



<p>A gente precisa tirar das pessoas essa sensação de que, de maneira simples e por um caminho curto, elas vão ter as suas necessidades e dores solucionadas. Porque é isso que ele vende e é dessa maneira que ele se conecta com grande parte das pessoas, em especial com as periferias de São Paulo. A gente precisa de um antídoto para lembrar quem é esse senhor, como ele construiu a sua riqueza. Precisamos desmontar essa estratégia de comunicação da venda de soluções milagrosas. Eu o classifico como pior do que Bolsonaro, porque acho que, do ponto de vista econômico, de fingir ter um verniz democrático, ele se coloca como um cara moderado, apesar de ser mentira. A gente viu ele no programa Roda Viva acenando ao Supremo Tribunal Federal, dizendo que o país merece ser repactuado. Isso é característica de um estrategista.</p>



<p><strong>A impressão que dá é que o sistema político não está preparado para alguém que age como ele. A Justiça Eleitoral bloqueou as contas no Instagram. Pouco tempo depois, outras recém-criadas já tinham mais de 3 milhões de seguidores.</strong></p>



<p>O Poder Judiciário, em especial nas eleições, avançou, tomou medidas importantes, mas precisa se revisitar para entender quais são e como funcionam esses mecanismos digitais utilizados pela extrema direita para atacar, mentir e cooptar parte da sociedade. As eleições não podem ser sequestradas por essas narrativas e métodos. As eleições precisam ser baseadas em propostas e debates.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Erika-5-com-Jo-1.jpg" alt="Foto noturna de Erika Hilton entre outras duas mulheres em cima de um palco ou palanque iluminado. Erika Hilton usa blusa e calça azul em tonalidade semelhante a jeans. Ela é uma mulher de pele escura, cabelos lisos e loiros, está fazendo um gesto de coração pela metade com a mão esquerda. À esquerda da imagem, de perfil, está Jô Cavalcanti, uma mulher negra com cabelos trançados, colar colorido e vestido na cor bordô. À direita dela, aparece uma mulher negra, de conjunto lilás, levemente desfocada." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Erika Hilton elogiou postura da Justiça Eleitoral
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/PSOL</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Na eleição presidencial de 2022, o Nordeste se mostrou um contraponto ao bolsonarismo. Para a senhora, como essa polarização se dará na região nas eleições municipais?</strong></p>



<p>Torço muito para que o Nordeste siga nessa frente. Tivemos governos de direita em algumas partes, mas acho que a visão do Nordeste é diferenciada e torço muito por isso. As eleições são uma incógnita. Não tenho acompanhado a fundo o cotidiano nas principais capitais, mas tenho esperança de que o Nordeste seja de novo esse fiel da balança, para dizer que não há espaço para o fascismo.</p>



<p><strong>Recentemente, o resultado do PIB foi divulgado e se mostrou melhor do que a análise de parte da grande mídia e do mercado financeiro. A que a senhora atribui esse tipo de postura?</strong></p>



<p>A grande mídia mantém um certo ranço. O problema não é do governo, é de um mercado que não aceita políticas pensadas para determinados grupos sociais. Há um atachamento de uma série de questões. Mas é um governo que prioriza ainda o povo. Estamos dentro de um Estado e uma sociedade capitalistas, que não aceitam, mesmo com números favoráveis, políticas voltadas às minorias, à classe trabalhadora, ao povo pobre e preto. Ainda que o governo Lula não caminhe na perspectiva de ser o governo mais socialista do mundo, até porque a correlação do Congresso Nacional jamais permitiria, ele ainda é um governo que está puxando o debate fiscal e econômico para o lado de cá. Prioridades como educação, saúde e meio ambiente são pautas secundárias para o mercado. Então, mesmo com o PIB acima da expectativa, a diminuição do desemprego e a valorização real do salário mínimo e aumento do consumo, a gente ainda vê essas críticas.</p>
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		<title>O PSOL, as eleições de Recife e a coletividade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 May 2024 18:34:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[PSOL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Samuel Herculano* A disputa na eleição de quadros para o poder Legislativo de uma capital como Recife nunca é uma tarefa fácil para quem faz a luta contra as estruturas de poder hegemônicas. Mas o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em Pernambuco tem uma característica fundamental que o faz contornar, em certa medida, as [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Samuel Herculano*</strong></p>



<p>A disputa na eleição de quadros para o poder Legislativo de uma capital como Recife nunca é uma tarefa fácil para quem faz a luta contra as estruturas de poder hegemônicas. Mas o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em Pernambuco tem uma característica fundamental que o faz contornar, em certa medida, as dificuldades e que o torna competitivo: sua coletividade. É ela quem permite ao partido ter feitos inimagináveis com pouca estrutura e, a cada processo eleitoral, surpreender. A coletividade e a diversidade, para o PSOL, não são somente características ou princípios. São, sobretudo, o coração que faz pulsar as lutas e mover todo o corpo partidário em frente.</p>



<p>Neste ano eleitoral no Recife, este corpo tem uma chapa competitiva e bastante representativa, que traz fortemente o combate aos problemas sociais, como é tradição da sigla. Com uma formação majoritariamente composta de mulheres e pessoas negras, o PSOL demonstra que é a alternativa da população marginalizada para fazer a disputa eleitoral. Trata-se de um verdadeiro instrumento da classe trabalhadora, da população negra, das mulheres, da população LGBTQIA+, da militância por Justiça Climática e por Igualdade, enfim, trata-se de um instrumento de todas as lutas.</p>



<p>Mesmo com a possibilidade de uma liderança importante como Robeyoncé Lima não estar no pleito deste ano, a centralidade da tática eleitoral do PSOL é disputar a Câmara Municipal do Recife, com o objetivo de manter ou ampliar a bancada, que hoje é composta por dois mandatos (Ivan Moraes e Elaine Cristina). Para atingir tal objetivo, a direção partidária vem construindo uma chapa formada por lideranças respeitadas de inúmeros setores da sociedade recifense.</p>



<p>Elaine Cristina, por exemplo, mulher negra, mãe atípica e defensora da medicina da maconha, é vereadora e concorrerá à reeleição. O partido também traz duas ex-codeputadas das JUNTAS: Carol Vergolino, militante da cultura e do movimento feminista, e Jô Cavalcanti, liderança nacional do MTST e militante da luta pelo direito à moradia e ao trabalho.</p>



<p>Além delas, o PSOL tem as pré-candidaturas de Nise Santos, que é enfermeira, militante histórica do partido e das lutas antimanicominal e antiproibicionista; Ailce Moreira, jornalista e integrante da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito; Eduardo Paysan, militante LGBTQIA+ e dos Direitos Humanos; Carmem Dolores, professora sindicalista; Yasmin Alves, professora de sociologia, militante feminista e mulher de terreiro; e Uilder Lima, militante anticapacitista e pai atípico. Essas, assim como tantas outras pessoas de luta, têm plenas condições de disputar o Legislativo Municipal com competitividade e manter a representatividade parlamentar do partido.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tradição e horizonte</strong></h2>



<p>A centralidade do PSOL é combater o crescimento da extrema direita em todo o território nacional. O partido visa fortalecer bancadas progressistas e independentes em todo o país. A manutenção ou a ampliação da bancada existente dentro da Câmara do Recife, hoje, faz parte dessa tática nacional de combate à extrema direita, que é absolutamente central. Por isso, a Presidência do PSOL Pernambuco acredita que um dos principais objetivos da pré-candidata Dani Portela, que representa o projeto do partido para a majoritária, será de impulsionar e alavancar ainda mais as candidaturas proporcionais.</p>



<p>Mas chegar até aqui, com todo esse acúmulo, não foi de uma hora para outra. O partido faz história em Pernambuco há mais de década e se posiciona, de maneira firme e coerente, a partir não só da conjuntura nacional, mas também das conjunturas estadual e municipal. O PSOL é o único partido com representação parlamentar que sempre fez oposição de esquerda aos governos do PSB em Pernambuco, tanto a nível de estado, quanto de município.</p>



<p>Em 2014, o partido conseguiu eleger o primeiro parlamentar estadual, Edilson Silva, homem negro e com historico de luta no estado. No Recife, o PSOL é oposição desde o primeiro governo de Geraldo Júlio, em 2012, antes mesmo de eleger seu primeiro parlamentar municipal. Depois da eleição de Ivan Moraes, em 2016, a atuação qualificada, que é característica do partido, foi levada para dentro do Legislativo. Recentemente, o mandato de Ivan publicou um estudo técnico sobre os gastos da Prefeitura do Recife com propaganda e apontou diversos problemas, qualificando o debate e propondo um uso justo e adequado da verba pública para a comunicação.</p>



<p>Em 2018, o PSOL conseguiu eleger as Juntas Codeputadas, a primeira mandata parlamentar coletiva da história de Pernambuco, que tinha uma atuação feminista e antirracista. Em 2020, com uma eleição polarizada com o PSB, Dani Portela foi a vereadora mais bem votada da capital, dobrando a bancada do partido junto com Ivan. Isso ampliou ainda mais a atuação da sigla na Câmara Municipal e possibilitou feitos inéditos. A vereadora Elaine Cristina, que assumiu uma das cadeiras do partido após a eleição de Dani para a Alepe, aprovou, dentre outros projetos e numa conjuntura com elevado grau de conservadorismo, o dia municipal da conscientização sobre o uso da cannabis medicinal.</p>



<p>Vê-se que é absolutamente necessária a atuação do PSOL para a cidade do Recife. Neste ano, como todos os outros anos eleitorais, o partido mostrará sua força, a coletividade, a unidade na diversidade, que permitem ao partido contornar os obstáculos. Se “toda pessoa sempre é as marcas / Das lições diárias de outras tantas pessoas”, como dizia Gonzaguinha, imagine um grande coletivo composto por várias organizações, movimentos e grupos? O PSOL é essa grande marca da população preterida, é o partido de todas as lutas.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*<strong>Educador físico e</strong><b> presidente do diretório estadual do PSOL em Pernambuco</b></p>
    </div>
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		<title>Ausência de Robeyoncé na disputa eleitoral dificulta ocupação do PSOL na Câmara do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/ausencia-de-robeyonce-na-disputa-eleitoral-dificulta-ocupacao-do-psol-na-camara-do-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 May 2024 19:12:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[PSOL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com a aproximação do período de campanha para as Eleições 2024, diversas figuras políticas já se mobilizam para apresentar as suas pré-candidaturas e se articulam em busca de alianças. Mesmo que as convenções partidárias e o registro das candidaturas só ocorram entre julho e agosto, de acordo com o calendário divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com a aproximação do período de campanha para as Eleições 2024, diversas figuras políticas já se mobilizam para apresentar as suas pré-candidaturas e se articulam em busca de alianças. Mesmo que as convenções partidárias e o registro das candidaturas só ocorram entre julho e agosto, de acordo com o calendário divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral, é de se esperar que aqueles e aquelas que possuem uma trajetória marcante na política já apresentem à sociedade os cargos que pretendem disputar.</p>



<p>Quando esta movimentação não ocorre, as dúvidas sobre a participação do candidato ou candidata nas eleições começam a surgir. É isto que acontece atualmente com a candidata Robeyoncé Lima (PSOL). Eleita pela primeira vez em 2018, quando integrava o mandato coletivo Juntas, a advogada se tornou a primeira travesti negra a ocupar a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), quando as codeputadas receberam mais de 39 mil votos.</p>



<p>Na última eleição, em 2022, Robeyoncé lançou sua candidatura como deputada federal e foi a segunda mais votada da federação PSOL-Rede, recebendo 80,7 mil votos. Mesmo sendo a 21ª colocada no ranking das 25 vagas reservadas para Pernambuco na Câmara dos Deputados, a advogada não foi eleita devido ao sistema de proporcionalidade, que leva em consideração os coeficientes eleitoral e partidário. A federação PSOL-Rede recebeu a quantidade de votos válidos suficientes para eleger apenas um representante para a Câmara dos Deputados, com isso, a vaga ficou com o deputado Túlio Gadêlha, que recebeu 134,3 mil votos.</p>



<p>Com duas campanhas de votações expressivas, Robeyoncé se tornou um nome forte para o PSOL. Porém, a advogada deve ficar de fora das Eleições municipais deste ano. Isso é o que indica a deputada estadual e pré-candidata à Prefeitura do Recife pelo PSOL, Dani Portela.</p>



<p>“Robeyoncé ainda vai publicizar a sua decisão, mas o fato dela não concorrer, de não ter o rosto dela em uma urna, não significa que ela está fora da política. Ela segue firme na luta com a gente, junto com o partido compondo a campanha, ela foi convidada a compor a campanha majoritária”, declarou Dani Portela.</p>



<p>Questionada pela reportagem sobre a sua decisão de não disputar as eleições, Robeyoncé afirmou que se pronunciará em breve, “assim que possível”.Recentemente, a advogada fez uma postagem nas redes sociais para defender a pré-candidatura de Dani Portela como prefeita do Recife. </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Toda minha solidariedade à Dani Portela, que vem sofrendo violência política racista e misógina. <br><br>Dani Portela é sim à pré-candidata a Prefeitura do Recife pela Federação PSOL- Rede. A voz de uma mulher negra não pode ser silenciada. <a href="https://t.co/OqhmnMjceK">pic.twitter.com/OqhmnMjceK</a></p>&mdash; Robeyoncé Lima (@RobeyonceLima) <a href="https://twitter.com/RobeyonceLima/status/1788253192247021935?ref_src=twsrc%5Etfw">May 8, 2024</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O futuro do PSOL no Recife</strong></h2>



<p>Em 2016 o PSOL elegeu o primeiro vereador no Recife, o jornalista Ivan Moraes. Na ocasião, o então candidato recebeu 5.203 votos. Em 2020, o partido teve a maior votação para o cargo de vereança com a eleição de Dani Portela, que recebeu 14.114 votos. Neste mesmo ano, Ivan foi reeleito com 6.319 votos.</p>



<p>Em 2018, com a candidatura de Dani Portela para governadora de Pernambuco, o partido ficou em terceiro lugar na disputa majoritária com 188 mil votos. Neste mesmo ano, o PSOL ocupou a Alepe com o mandato coletivo Juntas, que recebeu 39.175 votos. Em 2022, foi a vez de Dani Portela se tornar a representante do PSOL na Alepe, com 38 mil votos. Neste mesmo ano, Robeyoncé conquistou mais de 80 mil votos em sua primeira candidatura solo como deputada federal.</p>



<p>Diante dos números expressivos de votação, Ivan Moraes, Dani Portela e Robeyoncé Lima são nomes importantes para possibilitar que o PSOL ocupe um maior número de cargos políticos, sobretudo nos cargos de sistema proporcional, que é utilizado nas eleições para câmaras municipais, assembleias legislativas e Câmara dos Deputados.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O sistema proporcional tem como objetivo fortalecer os partidos políticos. O sistema funciona por meio de um cálculo que considera o quociente eleitoral e quociente partidário. Para se eleger, o candidato (a) deve cumprir dois requisitos: 1 &#8211;  ter votação equivalente a pelo menos 10% do quociente eleitoral; e 2-  estar dentro das vagas a que o seu partido ou federação terá direito, que é determinado pelo quociente partidário. Para fazer o cálculo de quociente partidário, as federações de partidos são consideradas como um único partido político. Sendo assim, quanto mais votos o partido receber, maior será o seu quociente partidário e mais vagas ele terá.</p>
        </div>
    </div>



<p>No entanto, para as eleições municipais de 2024, o partido tem um desafio: nenhum dos três candidatos deve disputar o cargo de vereador/a e, com isso, o PSOL pode perder votos, consequentemente seu quociente partidário diminuirá. Além disso, a partir de 2025 a Câmara Municipal do Recife terá dois vereadores a menos, e isso acontece porque o artigo 29 da Constituição estabelece que, quando a população da cidade for menor do que 1.500.000 habitantes, a representação no Legislativo deve ser de até 37 parlamentares, e de acordo com o Censo 2022, a população do Recife caiu de 1.537.704 para 1.488.920. </p>



<p>Cumprindo sua promessa de campanha, Ivan Moraes já afirmou diversas vezes que não será candidato e explica o motivo: “eu tenho a tarefa de mostrar que dá para fazer política de forma diferente, por isso, eu sempre afirmei que não concorreria por mais de dois mandatos consecutivos de um mesmo cargo. Tentei ser candidato a prefeito do Recife, mas o partido entendeu que não era o melhor momento e eu respeito a decisão, então vou cumprir meu segundo mandato como vereador e não tentarei me eleger novamente”.</p>



<p>“Isso não significa que eu estou abandonando a política, pelo contrário, continuarei trabalhando fortemente, mas dessa vez quero poder ajudar a eleger outras pessoas que também merecem ocupar esse espaço. E para isso apoiarei a campanha de duas companheiras que trabalham no meu gabinete, vamos tirar o homem da Câmara e colocar duas mulheres”, completou o vereador ao falar sobre as possíveis candidaturas de sua assessora parlamentar, Nise Santos, e da ex-codeputada da Juntas, Carol Vergolino.</p>



<p>Já a deputada estadual Dani Portela teve a sua pré-candidatura à Prefeitura do Recife lançada no dia 15 de maio. Na ocasião, a federação PSOL-Rede lançou também a pré-candidatura de Alice Gabino a vice-prefeita.</p>



<p>Em entrevista à Marco Zero, a candidata falou sobre o desafio de enfrentar João Campos (PSB), favorito à reeleição nas pesquisas de intenção de voto.</p>



<p>“A eleição vai revelar muitas coisas e é muito difícil que alguém consiga chegar à eleição em um percentual tão bem colocado quanto o dele [João Campos]. Então nossa estratégia é realizar uma campanha voltada para o Recife real, que é o Recife que tem o Centro abandonado, degradado, com prédios que poderiam servir de moradia popular, uma capital com altos índices de desemprego, feminicídio e déficit habitacional. Para mostrar que esse Recife ideal só existe nas redes sociais do prefeito”, disse Dani Portela.</p>



<p>Após revelar a decisão de Robeyoncé em não disputar o cargo de vereadora, Dani Portela afirmou que não vislumbra nenhuma candidatura que possa atuar como “puxadora de votos” para o coeficiente partidário do PSOL nesta eleição, mas declarou que isso não deve influenciar na campanha eleitoral do partido. “Nós temos sim um desafio grande, mas lá atrás nós também não imaginávamos eleger a vereadora mais votada do Recife. Nós não estamos disputando apenas votos, estamos disputando mentes e corações e entendemos que essa campanha é importante não só para as eleições deste ano”, disse a pré-candidata.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Nota de Robeyoncé</span>

		<p>Após a publicação da reportagem, Robeyoncé enviou a seguinte nota:</p>
<p><em>&#8220;Recebemos com surpresa e lamentamos profundamente o conteúdo veiculado na matéria &#8220;Ausência de Robeyoncé na disputa eleitoral dificulta ocupação do PSOL na Câmara do Recife&#8221; da Marco Zero Conteúdo, pois fui contactada estando prestes a embarcar em uma viagem e não poderia dar entrevistas naquele momento. Minha vida política sempre foi pautada pela transparência e pelo diálogo franco e direto. Informamos, por oportuno, que qualquer manifestação política de nosso projeto é veiculado sempre nos nossos canais oficiais de comunicação. O Partido Socialismo e Liberdade em Pernambuco possui diversos quadros políticos importantes e expressivos. Aproveitamos para expressar e reafirmar o nosso compromisso com um projeto de sociedade à esquerda, livre de racismo, machismo, LGBTQIAPN+fobia, justo e igualitário&#8221;.</em></p>
	</div>



<p><em><strong>A reportagem foi atualizada às 13h08 do dia 25/05/2024</strong></em></p>
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		<title>Sobre a civilidade na política e as &#8220;fontes&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 20:39:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Dani Portela]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[PSB]]></category>
		<category><![CDATA[PSOL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Marco Mondaini* No domingo passado, 5 de maio, recebi no Trilhas da Democracia (TV247/TVT/RBdF) a deputada estadual do PSOL, Dani Portela, para uma entrevista ao vivo sobre o encarceramento em massa, a onda punitivista e as condições do sistema prisional em Pernambuco – nas palavras da própria governadora do estado, Raquel Lyra: “o pior [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Marco Mondaini*</strong></p>



<p>No domingo passado, 5 de maio, recebi no <a href="https://youtu.be/HvrODYZI8q0?feature=shared">Trilhas da Democracia</a> (TV247/TVT/RBdF) a deputada estadual do PSOL, Dani Portela, para uma entrevista ao vivo sobre o encarceramento em massa, a onda punitivista e as condições do sistema prisional em Pernambuco – nas palavras da própria governadora do estado, Raquel Lyra: “o pior sistema penitenciário do Brasil”.</p>



<p>Como das vezes anteriores em que tive a oportunidade de entrevistá-la no Trilhas, a deputada demonstrou conteúdo qualificado e aguçado senso crítico, sem, em nenhum momento, recorrer à agressividade que vem caracterizando as falas no cenário político nacional desde, pelo menos, a ascensão da extrema-direita bolsonarista.</p>



<p>Para minha surpresa, no dia seguinte, o Brasil 247 publicou matéria na qual Dani Portela é definida por uma “fonte da federação” PSOL-Rede como sendo uma candidata “muito tranquila para João Campos porque PSOL e PSB são, formalmente e na prática, aliados de primeira hora na Alepe”, havendo, “inclusive uma relação pessoal da deputada com o prefeito, com direito a publicações nas redes sociais quando este a visitou após o parto do seu filho, em fevereiro desse ano”.</p>



<p>Na mesma “matéria”, os vereadores do PSOL na Câmara Municipal do Recife, Ivan Moraes e Elaine Pretas Juntas, são definidos como “menos governistas que a maioria”, ainda que tenham “poupado a gestão municipal de críticas mais sistemáticas”.</p>



<p>Por fim, a “matéria” chega ao seu fim com a afirmação de que, segundo “uma fonte da Câmara do Recife”, Dani Portela seria “uma candidatura auxiliar à gestão municipal”.</p>



<p>Pois bem, gostaria de registrar o meu absoluto estranhamento em relação ao que foi afirmado pelas “fontes” da federação e da Câmara do Recife que informaram a matéria acima citada.</p>



<p>Evidentemente, falo em meu nome e mais ninguém. Tenho um ponto de vista, que é a vista de um ponto, que não se pretende imparcial, muito menos isento. Possuo um lado, da defesa intransigente da democracia e dos direitos humanos, na sua versão contra hegemônica, que se localiza hoje, de maneira não exclusiva, em termos político-partidários num espaço ocupado pelo PT e pelo PSOL, e, no campo dos movimentos sociais, pelo MST e pelo MTST.</p>



<p>E, tendo como base tais princípios irrenunciáveis, insurjo-me contra toda e qualquer tentativa de desqualificação de biografias políticas, nas disputas internas ao campo democrático, apelando-se para a acusação de uma candidatura (de oposição) se prestar a ser linha auxiliar de outra candidatura (governista).</p>



<p>No passado, fui professor daquele que viria a ser o vereador Ivan Moraes, que, desde os tempos do Movimento Ocupe Estelita, me dá “aulas práticas” de luta pela democracia e pelos direitos humanos, particularmente de direito humano à comunicação. Tive o prazer de entrevistá-lo algumas vezes no Trilhas e sempre pude ouvir da sua boca posicionamentos críticos às gestões do PSB na cidade do Recife e no estado de Pernambuco.</p>



<p>O mesmo posso afirmar dos posicionamentos da deputada estadual Dani Portela, mulher negra sensível à múltiplas dimensões das violações aos direitos humanos no Brasil, Pernambuco e Recife, que, quando ainda era vereadora, teve sancionada pelo prefeito João Campos uma lei de sua autoria que proíbe homenagens a violadores dos direitos humanos em monumentos e locais públicos no Recife, e não merecia ter o nome de seu filho citado numa insinuação de proximidadepessoal.</p>



<p>A política não é o <em>Cândido </em>de Voltaire, mas não precisa ser o <em>Inferno </em>de Dante.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*É professor titular do departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</strong></p>
    </div>
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		<title>Expulso do PCB, Jones Manoel tenta voltar ao &#8220;partidão&#8221;, mas tem portas abertas no PSOL para 2024</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Aug 2023 09:32:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Jones Manoel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* Comunista, comunicador, educador popular, youtuber e pernambucano. É assim que Jones Manoel da Silva, 33 anos, se descreve no Spotify, plataforma onde também hospeda o conteúdo que produz sobre política, economia e história para o canal que mantém no YouTube há cinco anos. São 932 vídeos publicados, 273 mil inscritos e a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Comunista, comunicador, educador popular, youtuber e pernambucano. É assim que Jones Manoel da Silva, 33 anos, se descreve no Spotify, plataforma onde também hospeda o conteúdo que produz sobre política, economia e história para o canal que mantém no YouTube há cinco anos. São 932 vídeos publicados, 273 mil inscritos e a certeza que o maior megafone desse militante leninista-marxista está nas redes sociais, onde coleciona também críticos e <em>haters</em> (odiadores, em inglês). O alcance digital de Jones será ferramenta útil para a tarefa que vai encarar em 2024: as eleições municipais no Recife.</p>



<p>Historiador formado pela Universidade Federal de Pernambuco, Jones Manoel acrescentou no ano passado outro atributo ao currículo: candidato a governador do estado pelo PCB com uma votação quase três vezes maior do que a do postulante do PSOL, João Arnaldo. Foram 33.931 votos, dos quais 14 mil no Recife. Ficou em sexto entre as dez candidaturas. O detalhe é que Jones fez campanha com R$ 50 mil doados por pessoas físicas, espaço reduzido nos programas de TV e &#8211; por conta da legislação &#8211; de fora do guia eleitoral e dos debates ao vivo entre a(o)s candidata(o)s.&nbsp;</p>



<p>O camarada Jones deseja manter esse ativo político e eleitoral na disputa da sucessão no Recife e a serviço da organização da classe trabalhadora. “Se Túlio Gadelha for o candidato da federação PSOL-Rede, há a obrigação política e pedagógica de impedir que ele se apresente como esquerda. Na política pernambucana, ele é aliado da governadora Raquel Lyra. Em Brasília, parece que é deputado federal por Marte, porque não trata das questões de Pernambuco”, avalia Jones, em conversa com a reportagem da Marco Zero Conteúdo.</p>



<p>Os partidos Socialismo e Liberdade e Rede Sustentabilidade oficializaram em maio de 2022 a federação partidária, válida por quatro anos, em que o PSOL é majoritário. Mas há a possibilidade de Tulio Gadelha (Rede) ser o candidato a prefeito se o agrupamento que vencer o congresso estadual do PSOL &#8211; em curso neste momento &#8211; formar&nbsp; uma composição com o deputado, bancando seu nome. Caso Tulio decida disputar por outro partido, o prazo mínimo de filiação é de seis meses antes do dia do pleito.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Embate com Túlio e o cartão VEM</h2>



<p>Jones tem usado as redes sociais para contestar a atuação política do deputado. “Túlio Gadelha foi cobrado em um podcast sobre seu apoio a Raquel Lyra e promessas como pagar o piso da enfermagem. Vamos gravar um vídeo sobre o tema. É um debate válido demais”, escreveu Jones na legenda do post publicado em 7 de junho no Instagram, em que reproduz trecho da entrevista do parlamentar. Nesta rede, o comunicador soma 238 mil seguidores.</p>



<p>Túlio devolveu a Jones no mesmo tom. “No mundo real, localizamos o espectro político dos parlamentares pelos seus posicionamentos e a forma como votam as matérias. Na esquerda, os que me criticam nunca tiveram a capacidade de apontar um voto errado. Nossas alianças medem nossa capacidade de diálogo e construção coletiva. A história nos mostra que o radicalismo é perigoso e nocivo à democracia&#8221;, rebateu o parlamentar.</p>



<p>Durante o processo eleitoral de 2022, em sabatina à Rádio Jornal, o então candidato a governador pelo PCB viralizou com a frase “sou o único candidato que sabe voltar pra casa se estiver no Cais de Santa Rita só com um VEM”.&nbsp;</p>



<p>À declaração, o complemento: “eu não sou filho de político, não sou rico, sou um trabalhador, filho da classe trabalhadora; pego e peguei ônibus a minha vida toda”. Na ocasião, o comunicador fazia referência aos cinco postulantes que disputavam a ida ao 2º turno: Marília Arraes, Raquel Lyra, Danilo Cabral, Anderson Ferreira e Miguel Coelho, todos filhos ou netos de políticos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A saída do “partidão”</strong>&nbsp;</h3>



<p>Antes das eleições no Recife, porém, Jones tem pela frente uma questão política mais imediata a solucionar. Só depois do desfecho do processo que originou sua recente expulsão do Partido Comunista Brasileiro será possível saber se ele será candidato a prefeito ou vereador. O dirigente está agora envolvido na tentativa de organização do 17º Congresso Extraordinário do PCB, por onde acredita poder construir seu retorno à legenda. E afirma que, em Pernambuco, 90% da militância defendem a realização do encontro.</p>



<p>Procurado pela reportagem, o secretário político do PCB no Estado, Roberto Arrais, afirmou que o &#8220;expurgo&#8221; de Jones junto com outros militantes se deu em função do descumprimento do centralismo democrático da legenda. E que Jones &#8211; até então integrante da direção estadual e do comitê central &#8211; já havia sido advertido antes. “Nosso partido não admite tendências. Jones começou a levar o debate do partido às redes. Antes do desligamento foi chamado a atenção e, depois, suspenso.”</p>



<p>Além de Jones, foram expulsos o ex-secretário-geral do partido Ivan Pinheiro, de 77 anos, a médica baiana Ana Karen e  outros dois militantes. No site oficial do partido, a direção publicou uma série de<a href="https://pcb.org.br/portal2/30691" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> notas</a> os acusando, na melhor tradição bolchevique de desqualificar dissidentes, de &#8220;fracionismo&#8221;, &#8220;divisionistas&#8221; e &#8220;isolacionistas&#8221;, ou seja, de tentar criar &#8220;frações&#8221;, tendências e se isolarem.  O dirigentes partidários não reconhecem a convocação do tal 17º Congresso que os apoiadores dos comunistas expulsos estão tentando organizar.</p>



<p>O PCB foi fundado em 1922. Atuou por décadas sob a clandestinidade e dois dos seus maiores nomes foram Luís Carlos Prestes e o pernambucano Gregório Bezerra. Conhecido como &#8220;partidão&#8221;, pelo tamanho e importância que chegou a ter na sociedade brasileira entre os anos 1930 e 1960, teve como filiados Carlos Drummond de Andrade, Carlos Marighella, João Saldanha, Cândido Portinari e Graciliano Ramos. Os sucessivos rachas e o desmantelamento da União Soviética reduziram a sua importância até a atual condição de não ter nenhum mandato em todo o país. </p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>PSOL de portas abertas</strong></h3>



<p>Jones sabe que o esforço para enfrentar, via congresso extraordinário, os dirigentes do minúsculo ex-partido deve resultar em uma longa batalha judicial. No entanto, o PSOL está de portas abertas para o youtuber comunista que influencia Caetano Veloso (ver vídeo abaixo). No entanto, ao ser questionado sobre as chances de se filiar ao PSOL, Jones prefere não dar ênfase a isso. Volta a destacar a importância do congresso extraordinário e diz que decisões como essa precisam ser debatidas e construídas em coletivo. “Sou um militante disciplinado”, garante.</p>



<p>No PSOL, a possibilidade de Jones filiar-se é tida como &#8220;possível&#8221; e até &#8220;tranquila&#8221;. Se falta proximidade ideológica, sobram contatos afetivos: um dos seus melhores amigos é o presidente estadual do partido, Tiago Paraíba, com quem j<a href="https://marcozero.org/a-cor-da-fome/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">á dividiu a autoria de artigos</a> de crítica social.</p>



<p>Há ressalvas na simpatia do PSOL por Jones Manoel. Os dirigentes do partido com quem a Marco Zero conversou sugerem que, dificilmente, ele seria aceito como candidato a prefeito para não causar desconforto com a própria Dani e com o vereador Ivan Moraes, ambos dispostos a entrar na disputa. O PSOL aceitaria oferecer a legenda para Jones ser candidato a vereador, sem perder o <em>timing</em> nem desperdiçar seu capital político. Em compensação, ele reforçaria a chapa proporcional em 2024, ajudando ao partido a manter ou ampliar a presença de duas cadeiras na Câmara Municipal do Recife, ao lado de nomes como os de Robeyonce Lima, Jô Cavalcanti, Carol Vergolino, Elaine Cristina e Aldo Lima.</p>



<p>*<strong>Jornalista com 19 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã.</strong></p>





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<p></p>
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		<title>&#8220;O campo progressista precisa ter respeito com a gramática da fé&#8221;, alerta pastor Henrique Vieira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 May 2023 15:59:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[CPMI]]></category>
		<category><![CDATA[evangélicos]]></category>
		<category><![CDATA[neopentecostalismo]]></category>
		<category><![CDATA[pastor]]></category>
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		<category><![CDATA[religião e política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na contramão dos parlamentares evangélicos ultraconservadores que compõem o Congresso Nacional, o pastor Henrique Vieira, &#8211; eleito deputado federal pelo PSOL no Rio de Janeiro com 53.933 votos -, se apresenta como um defensor do Estado laico, dos direitos humanos, de pautas identitárias e antiproibicionistas.  Henrique Vieira é conhecido nacionalmente devido tanto às suas atividades [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na contramão dos parlamentares evangélicos ultraconservadores que compõem o Congresso Nacional, o pastor Henrique Vieira, &#8211; eleito deputado federal pelo PSOL no Rio de Janeiro com 53.933 votos -, se apresenta como um defensor do Estado laico, dos direitos humanos, de pautas identitárias e antiproibicionistas. </p>



<p>Henrique Vieira é conhecido nacionalmente devido tanto às suas atividades como professor &#8211; formado em História, Sociologia e Teologia -, escritor, militante, quanto pelas suas participações no filme “Marighella”, de Wagner Moura, e no disco AmarElo, do rapper Emicida. Aos 36 anos, exerce seu segundo cargo eletivo. Antes, de 2013 a 2016, o pastor foi vereador do município de Niterói, no Rio de Janeiro, sua cidade natal.</p>



<p>Durante as eleições de 2022, o líder da Igreja Batista do Caminho foi responsável pela campanha “Derrotar Bolsonaro é um ato de amor”, movimento que teve o objetivo mobilizar os cristãos contra a reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro.Henrique Vieira se recusou a compor a Frente Parlamentar Evangélica, &#8211; composta majoritariamente por deputados e deputadas bolsonaristas e que apresenta um histórico de defesa do conservadorismo e contra pautas identitárias que envolvem, por exemplo, a legalização do aborto e o direito de pessoas LGBTQIA+ &#8211; e afirmou que não fará um mandato em prol dos interesses da igreja.</p>



<p>Em visita ao Recife, onde cumpriu uma agenda de encontros com lideranças políticas e religiosas, &#8211; como as deputadas estaduais Dani Portela (PSOL), Rosa Amorim (PT) e o babalorixá Pai Ivo de Xambá &#8211; , e participou de um evento do Movimento Negro Evangélico, Henrique Vieira conversou com a Marco Zero Conteúdo sobre as expectativas para o seu mandato, a luta em combate ao fundamentalismo religioso e a sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) que vai investigar os atos golpistas do 8 de janeiro, prevista para ser instalada na próxima quinta-feira, 25 de maio.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>***</strong></p>



<p>Marco Zero Conteúdo<strong> &#8211; Durante esses poucos meses de atuação, quais são os pontos positivos e negativos de sua experiência no Congresso Nacional? </strong></p>



<p><strong>Henrique Vieira</strong> &#8211; O ponto positivo é que o mandato está conseguindo encaixar pautas importantes. Nós estamos como um dos vice-líderes do governo Lula na Câmara, estamos como representantes do governo na comissão de Segurança Pública enfrentando a indústria armamentista e o bolsonarismo raiz, estamos conseguindo ter uma articulação ampla dentro do campo democrático, dentro do campo progressista. Vamos participar da CPMI do dia 8 de janeiro como um dos nomes indicados pelo PSOL. Estamos com a iniciativa de duas frentes parlamentares, uma em defesa do Estado laico, outra em defesa das comunidades quilombolas. Já estamos em articulação com muitos movimentos, desde MTST e MST, passando por uma articulação nacional do movimento Hip Hop. Estamos também acompanhando a pauta do combate ao trabalho análogo a escravidão, a pauta da saúde mental e o enfrentamento a lógica manicomial das comunidades terapêuticas. Então, eu acredito que é um mandato que está com pautas relevantes, com articulações importantes dentro da Câmara e com isso vem ganhando algum nível de destaque e de visibilidade.</p>



<p>O ponto negativo é, de fato, o tamanho da extrema direita na Câmara. A extrema direita foi derrotada nas urnas mas ainda não foi derrotada no horizonte da história, ela tem força institucional e capilaridade popular. A extrema-direita coloca uma gramática muito tóxica e muito violenta no parlamento, é a vitória da mediocridade, é o rebaixamento da capacidade de divergir com inteligência. A extrema-direita é um problema do nosso tempo, tenho visto isso no cotidiano do parlamento. Outro ponto negativo, que eu tenho observado, é a dificuldade do governo Lula em produzir maioria. Se você soma a extrema-direita, o centrão e a influência do Arthur Lira, é um governo que tem dificuldade de avançar nas pautas via Congresso.</p>



<p><strong>Nesse contexto, de um Congresso ainda tomado pelo bolsonarismo e pela extrema-direita, é possível estabelecer diálogo com os políticos evangélicos mais conservadores?</strong></p>



<p>É muito difícil. Eu consigo algum diálogo com poucos, mas somos expressões muito diferentes do que é o evangelho, do que é ser discípulo de Jesus e do que é a política. Eu já encontrei alguns bolsonaristas que tem disposição ao diálogo, mas é um recorte minoritário. A maioria usa a gramática da beligerância, da lacração, das frases de efeito, da ameaça, da intimidação, da personalização do debate, por isso eu não consigo encontrar espaço para o diálogo. Nisso eu me refiro à extrema direita, porém, eu já vi eleitores e deputados próximos ao Bolsonaro com quem eu consigo dar uma distensionada e produzir ali algum diálogo, alguma reflexão, mesmo que na divergência.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-default"><blockquote><p>&#8220;A extrema-direita coloca uma gramática muito tóxica e muito violenta no parlamento, é a vitória da mediocridade, é o rebaixamento da capacidade de divergir com inteligência&#8221;. </p></blockquote></figure>



<p><strong>Ainda antes de ser eleito, você defendia que política e religião podem sim se misturar, apesar da participação de pastores evangélicos na política brasileira ter produzido um cenário de ascensão do discurso fundamentalista no Brasil. Agora, atuando na Câmara dos Deputados, essa percepção entre política e religião mudou de alguma forma?</strong></p>



<p>Eu acredito que religião e política necessariamente se misturam. O que não tem relação com religião é se apropriar do Estado, isso eu sou contra. A questão é que nós não vamos conseguir colocar a religião num confinamento privado, que não tenha nenhuma relevância pública, eu nem defendo isso. Acho que a religião pode ser útil para a sociedade na promoção do bem comum, da justiça social, de uma cultura de paz. A questão não é se a religião se relaciona com a política, eu parto da constatação de que se relaciona sim, por isso, já que necessariamente existe uma relação qual é a qualidade dessa relação e o objetivo dela? Quando essa relação se dá por um projeto de poder isso é antidemocrático, anti-laico, autoritário e perigoso. Você pega uma moral religiosa e tenta impor à sociedade por meio do Estado, é isso que o fundamentalismo procura fazer. Agora, quando a religiosidade inspira uma ação pública em prol do bem comum eu vejo isso com alegria. A importância dos terreiros para uma vida mais comunitária e democrática, a soberania alimentar, a importância das tradições da espiritualidade indígena, tudo isso é muito importante.</p>



<p>A religião pode ser útil, ela não tem que se transformar num projeto de poder que se sobrepõe à constituição e que usa o Estado para fazer proselitismo religioso. A minha percepção continua a mesma. A religião pode servir a sociedade numa perspectiva de pluralismo, de diálogo, de convívio nas diferenças em prol do bem comum.</p>



<p><strong>Após o grande número de votos que Bolsonaro recebeu dos evangélicos, e que foi decisivo na eleição que garantiu a vitória dele em 2018, o diálogo com esse público virou uma pauta política importante para a formulação da extrema direita no país. Com isso, como podemos dialogar com os evangélicos e criar estratégias para que nas próximas eleições não tenhamos que enfrentar uma forte projeção política da extrema direita?</strong></p>



<p>Existe uma coisa que é estratégia de governo e existe uma outra coisa que é a estratégia como sociedade civil, e eu diferencio isso.</p>



<p>O governo, na minha opinião, deve criar um espaço para que as religiões, no plural, possam contribuir com uma agenda de país com valores da democracia, do estado laico, dos direitos humanos, da justiça social, do combate a fome, ou seja, eu não defendo que o governo deve ter uma linha prioritária de diálogo com os evangélicos.<strong> </strong>Eu não considero isso estratégia de governo dentro de um Estado que é laico, e que a gente precisa proteger e garantir essa laicidade. Eu defendo que o governo valorize o fenômeno religioso porque faz parte da vida, do cotidiano, da cultura, da perspectiva laica e plurireligiosa. Isso pra mim é estratégia de governo: criar um espaço institucional, um conselho, uma secretaria, um departamento, para que as diversas experiências religiosas possam contribuir com uma agenda de país.</p>



<p>Agora, o PSOL como partido, como movimento social, sem estar dentro da esfera do Estado, pode ter uma estratégia de diálogo mais específico com o campo evangélico, porque se entende que é um campo que cresce, que se entende e que daqui a pouco vai ser a maior religião do Brasil, e vai ter um forte caráter preto, popular, periférico, composto majoritariamente por mulheres. É uma parcela da classe trabalhadora, por isso, me parece interessante ter uma estratégia de diálogo com esse campo para contribuir com uma perspectiva de democracia.</p>



<p>São muitos caminhos e, como diz o poeta, o caminho se faz ao caminhar, ou seja, não tem resposta pronta, tem que te fazer experiência. Eu acredito muito ainda na leitura popular e comunitária da Bíblia, ou seja, disputar a memória e interpretação da Bíblia, tirar a lente do fundamentalismo e resgatar o sentido mais generoso, amoroso, social e político da escritura, da vida de Jesus. A leitura e a interpretação da Bíblia, na minha opinião, são chaves de disputa e de produção de símbolos e comportamentos, mas não só isso, eu acho que tem que ir na mística, na espiritualidade, na liturgia, no canto, no culto. A gente precisa entender que as pessoas pensam o mundo também pelos seus afetos, por suas emoções.</p>



<p>A mística é um elemento de consolo, de estender a mão, de aliviar o coração diante das dores da vida e isso não pode ser visto necessariamente como um processo de alienação. Eu acredito que o campo progressista precisa ter respeito com a gramática da fé e estabelecer, a partir desse respeito, uma conexão, e assim, com a leitura popular da bíblia e da mística cristã, pensar um projeto de país.</p>



<p><strong>Você foi escolhido pela federação PSOL-Rede para compor a Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar os atos golpistas de 8 de janeiro. Quais são as expectativas para a CPMI e qual vai ser seu principal objetivo nessa atuação?</strong></p>



<p>A CPMI é uma oportunidade histórica de derreter a extrema direita no Brasil a fim de não permitir o apagamento da memória sobre o que o governo Bolsonaro fez e também de responsabilizar pessoas por atitudes irresponsáveis, ilegais e criminosas, ou seja, de impedir uma anistia.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Eu quero colocar uma lupa na CPMI sobre essa relação entre fanatismo religioso, extrema direita, golpismo e autoritarismo no Brasil, inclusive, indo aos nomes dos gestores desse caos em nome da religião.</p></blockquote></figure>



<p>O Brasil vem produzindo e perpetuando violências pela falta de memória. Eu não estou falando de vingança, não estou falando de linchamento, nada disso habita meu coração. Não é revanchismo, mas é produção de memória. Talvez porque não tenhamos dado nome ao holocausto que foi a escravidão o racismo esteja tão presente até hoje. Talvez porque não tenhamos responsabilizado de fato os gestores da ditadura civil militar que  Bolsonaro tenha sido eleito em 2018. Se você não dá nome e não gera memória e responsabilidade, é mais fácil a atrocidade se atualizar no tempo, e continuar voltando. Por isso, eu acredito que a CPMI cumpre um papel necessário, urgente e pedagógico.</p>



<p>Com as devidas e corretas investigações e o direito de defesa e presunção de inocência dos acusados, nós queremos ir às últimas consequências sobre a tentativa de golpe e o significado do bolsonarismo e da extrema-direita no Brasil. Por isso, a nossa estratégia é chegar aos financiadores, aos idealizadores e aos operadores da tentativa de golpe. No meu caso, com uma lupa específica sobre a participação de religiosos nesse processo.</p>



<p>Estou muito interessado em entender se houve uma participação mais direta de determinadas lideranças religiosas na arquitetura do golpe. Que existe relação simbólica e política, disso não tenho a menor dúvida. Silas Malafaia fazia vídeos abertamente chamando Bolsonaro a defender a democracia, ou seja, a dar um golpe de Estado e não respeitar o resultado eleitoral, isso está dito. Mas eu quero saber se, nos bastidores, tem mais do que isso, eu quero colocar uma lupa na CPMI sobre essa relação entre fanatismo religioso, extrema direita, golpismo e autoritarismo no Brasil, inclusive, indo aos nomes dos gestores desse caos em nome da religião.</p>



<p><strong>Em uma de suas falas na atuação do filme “Marighella”, seu personagem afirmou que Jesus era negro e muita gente discordou e contestou essa fala. Recentemente você também lançou o livro <em>O Jesus Negr</em>o: <em>O grito antirracista da bíblia</em>. Por que é importante reforçar a imagem e a história do Jesus negro e por que essa perspectiva incomoda? </strong></p>



<p>Incomoda porque o racismo é estrutural e ele é estrutural inclusive dentro da teologia cristã hegemônica. A relação do cristianismo hegemônico com a escravidão, com a colonização, com o embranquecimento ideológico da figura de Jesus, cumpre uma função histórica de acomodar opressões, por isso um Cristo negro incomoda tanto. Porque o Jesus branco parece natural, já o Jesus negro soa forçação de barra, pois o racismo produz a naturalização e a universalização daquilo que é branco e o negro é o exótico, é o estranho, é o forçado.</p>



<p>Eu acredito que falar do Jesus negro é denunciar esse racismo estrutural, não só da sociedade como um todo, mas da própria teologia cristã e hegemônica. É resgatar o contexto histórico do evangelho de Jesus. Ora, Deus se fez gente em Jesus, mas onde e em que circunstância? Como parte de um povo oprimido e explorado. James Cone [James Hal Cone], teólogo que defende uma teologia negra, fala sobre isso: se Jesus foi um judeu na Palestina do primeiro século, então ele é negro nos Estados Unidos de agora. E, eu diria, ele também é negro no Brasil, porque Deus escolheu o rosto do oprimido para ser o seu semblante na história.</p>



<p>Esse não é um critério circunstancial ou casuístico, é um critério histórico que permanece. Eu vou continuar discernindo o corpo de Cristo no corpo daquele que sofre, e nessa terra há a produção crônica de um sofrimento sobre o corpo negro. Então, eu me sinto autorizado pelo testemunho bíblico de dizer ‘olha o rosto de Cristo no Brasil tem a marca da pele preta, tem a marca da experiência negra, mais do que a epiderme, é a experiência política, histórica e existencial negra’. Isso não deveria incomodar, o próprio incômodo já gera ou já denuncia o racismo. O Jesus branco você passa para a próxima página, o Jesus negro tem que fazer um livro pra explicar.</p>



<p>Se o povo branco tivesse sido escravizado por quatro século, se houvesse uma abolição inconclusa da escravidão sobre o povo branco, se a cada 28 minutos um jovem branco fosse executado, se eu ligasse a TV e visse uma sub-representação dos brancos nos espaços de privilégio, então, Jesus seria branco. Não é uma questão ontológica, existencial, é uma questão histórica relacional, Jesus pra mim vai sempre aparecer prioritariamente no rosto daquele que sofre.</p>



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	                                        <p class="m-0">Cartaz de lançamento do livro O Jesus Negro. Crédito: Reprodução/Instagram. </p>
	                
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<p><strong>Você ganhou uma grande notoriedade e atualmente é uma referência para o movimento evangélico progressista. Você acredita que é possível que outros líderes religiosos progressistas ganhem força política diante de um contexto onde os evangélicos conservadores parecem ter protagonismo?</strong></p>



<p>Eu não sou o primeiro, não sou o último, nem o único. Eu sou parte de uma tradição, e não vou nem dizer só evangélica, mas cristã, e o cristianismo tem disputas e fissuras dentro dele. Tinham os escravocratas, mas tinham as pessoas que, a partir da fé em Jesus, lutavam contra a escravidão. O cristianismo na sua história também tem Tereza d&#8217;Ávila, São Francisco de Assis, Frei Tito, Martin Luther King e comunidades, para além de nomes cristãos, que atuaram na história em favor da emancipação humana, dos direitos humanos, da justiça social, da luta contra as diversas formas de opressão e violência.</p>



<p>Eu me sinto parte dessas pegadas, dessa espiritualidade cristã à margem do poder, à margem das grandes estruturas religiosas, mas eu não quero só me colocar como uma exceção ou uma pessoa excêntrica, uma novidade do momento, um pastor da hora, tem pegadas atrás de mim e irmãos ao meu lado. Eu caminho ao lado de Felipe dos Anjos, Ronilson Pacheco, Nancy Cardoso, pastor Wellington e tantos outros nomes que amam Jesus, que amam o evangelho, que têm um ímpeto generoso dentro do coração, que fazem diálogo inter-religioso, que produzem teologia negra, teologia feminista, que estão pensando direitos humanos, justiça social, combate a fome, que estão fazendo um trabalho de base na periferia, no campo, na cidade. Eu sou parte desse campo espiritual, histórico e político, inclusive na arena da política institucional e não ocupo esse lugar para fazer proselitismo religioso, nem para defender interesse de igreja, mas para dar um testemunho. Para poder dizer: ‘olha, tenho fé em Jesus e estou aqui defendendo o Estado laico, a democracia, a escola pública, o posto de saúde. Estou aqui defendendo reforma agrária, o direito de culto dos povos tradicionais das religiões de matriz africana. Estou aqui defendendo a dignidade e cidadania para LGBTs. Estou aqui defendendo a Amazônia, a Mata Atlântica, as comunidades quilombolas e a demarcação de terras indígenas’.</p>



<p>Eu quero que mais pessoas possam dizer que a fé não precisa ter como consequência a barbárie, que é o que a extrema direita faz, um fanatismo religioso que atualiza o espírito das fogueiras da inquisição em pleno século 21, e isso mata. Então, eu quero que mais gente se contraponha a isso e que tenham essa disposição no coração, para essas pessoas eu quero dizer: ‘você não está sozinho’.</p>



<p>Tem um monte de gente com essa inquietude no coração, sentido vergonha das principais representações evangélicas nos espaços de poder. É gente que discorda de Edir Macedo, Silas Malafaia, Valdemiro, R.R. Soares. E eu quero dizer que esses caras não têm o controle e o monopólio sobre o cristianismo e sobre Jesus.</p>



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		<title>Dani Portela assume a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Alepe</title>
		<link>https://marcozero.org/dani-portela-assume-a-presidencia-da-comissao-de-direitos-humanos-da-alepe/</link>
		
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		<pubDate>Tue, 14 Mar 2023 17:43:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A deputada estadual Dani Portela (PSOL) é a nova presidenta da Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular da Assembleia Legislativa de Pernambuco. A definição foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (14). Dani Portela ocupa a presidência do colegiado no lugar do mandato coletivo das Juntas e, com isso, o PSOL se firma [&#8230;]</p>
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<p>A deputada estadual Dani Portela (PSOL) é a nova presidenta da Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular da Assembleia Legislativa de Pernambuco. A definição foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (14).</p>



<p>Dani Portela ocupa a presidência do colegiado no lugar do mandato coletivo das Juntas e, com isso, o PSOL se firma à frente da comissão há três legislaturas. “Essa é uma conquista não só minha, mas de toda a sociedade civil organizada. […] Nós iremos continuar o trabalho importantíssimo desenvolvido pelas Juntas Codeputadas na última legislatura e isso é tanto uma alegria, quanto uma responsabilidade imensa”, declarou a deputada.</p>



<p>Em seu primeiro mandato na Alepe, Dani Portela se candidatou para ocupar a presidência da comissão ainda no início dos trabalhos parlamentares e contou com o apoio de mais de 70 organizações da sociedade civil, que assinaram um manifesto endossando a sua indicação.</p>



<p>A deputada ressaltou a importância simbólica de ter a confirmação de seu nome para assumir a presidência da comissão neste 14 de março, dia em que se completam cinco anos da morte de Marielle Franco.</p>



<p>“Neste dia uma defensora de direitos humanos foi morta no país que mais assassina defensores em todo mundo. O nosso compromisso reforça que os Direitos Humanos não é uma pauta única, mas sim um guarda-chuva mais amplo de todos os direitos. A presidência dessa comissão é um espaço fundamental na luta por um Pernambuco mais justo e igualitário para todas e todos”, concluiu Dani Portela.</p>



<p>A Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular é responsável por analisar matérias relativas aos temas de violência, direitos dos cidadãos e cidadãs, da criança, do adolescente e do idoso; discriminações raciais, étnicas, sociais, de identidade de gênero e orientação sexual, entre outras. Além disso, é a CCDHPP que fiscaliza o sistema prisional; o acompanhamento às vítimas de violência e a seus familiares; os direitos do consumidor e do contribuinte; as políticas de segurança pública do Estado e as sugestões legislativas apresentadas pela sociedade civil.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
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