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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>“Vacinação é obrigação dos pais e direito das crianças”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Oct 2022 20:50:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Verônica Almeida O casal Roberto Barros, 52 anos, e Micheline Alves, não deixa a filha Isabela, de 8 anos, com vacina pendente. Se está no calendário, a garota recebe. “É uma obrigação minha e direito dela. O direito à vacina não é individual, é coletivo, para proteger todas as pessoas. Quem não se vacina, [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Verônica Almeida</strong></p>



<p>O casal Roberto Barros, 52 anos, e Micheline Alves, não deixa a filha Isabela, de 8 anos, com vacina pendente. Se está no calendário, a garota recebe. “É uma obrigação minha e direito dela. O direito à vacina não é individual, é coletivo, para proteger todas as pessoas. Quem não se vacina, adoece e vai passando para as outras”, comenta Barros.</p>



<p>Morador do Recife, ele conhece bem a falta que uma vacina pode fazer. Vítima da paralisia infantil aos 2 anos de idade, quando a vacinação contra a paralisia não alcançava a massa populacional, comprometeu o movimento das pernas e de um dos braços com a doença. “Quase morro. Fiquei sem estudar até os 11 anos, indo pra médico e fazendo tratamento”, conta.</p>



<p>Ciente da importância da vacinação, ele aproveita a militância em defesa dos direitos das pessoas com deficiência para falar também dos benefícios da vacinação em cada palestra que ministra nas comunidades. “É preciso conscientizar para a vacina. O cartão de vacinação deveria funcionar como passaporte de acesso a qualquer serviço público”, defende, lembrando que a “guerra ideológica do mal” precisa ser vencida. “Fomos educados vendo o Zé Gotinha (símbolo das campanhas no Brasil) e ele não existe mais”, completa, criticando a ausência de publicidade na mídia e alertando que a política de vacinação não deve ser de um partido, mas ação de Estado, governamental.</p>



<p>Ludmila Félix de Moura, de 30 anos, já nasceu numa época em que o Programa de Imunização no Brasil já reunia algumas conquistas. “Até hoje guardo minha caderneta de vacinação. Assim como minha mãe cuidou de mim, para que eu tomasse todas as vacinas, faço o mesmo com meus três filhos”, relata. Na casa dela, cartão de vacina tem a mesma importância que Certidão de Nascimento. Os dois ficam devidamente guardados.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ludimila faz o que aprendeu com a sua mãe: manter a vacinação dos três filhos em dia. Nada de atraso. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Os filhos de Ludmila têm 12 anos, 5 anos, e 3 meses. “Mantenho tudo em dia, para que elas não venham pegar vírus e adoecer. Acho um absurdo a família descuidar de levar a criança pra tomar vacina, não custa nada”, diz. Na comunidade onde vive, Ludmila é reconhecida pelos Agentes Comunitários de Saúde como mãe consciente sobre a importância da vacinação.</p>



<p>A poliomielite que Ludmila não deseja aos filhos e que no passado quase matou Roberto é causada pelo polivírus selvagem. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), de cada 100 infectados, cinco a dez desenvolvem sintomas similares ao de uma gripe. “A cada 200 casos, o vírus destrói partes do sistema nervoso, causando paralisia permanente nas pernas ou braços”. O polivírus pode atacar partes do cérebro, afetar a respiração e levar à morte, de acordo com a OMS. No mundo e no Brasil é feita a vigilância para casos suspeitos de paralisia.</p>



<p>*&nbsp;<strong><em>Este conteúdo integra a série Eleições 2022: Escolha pelas Mulheres e pelas Crianças. Uma ação do Nós, Mulheres da Periferia, Alma Preta Jornalismo, Amazônia Real e Marco Zero Conteúdo, apoiada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal</em></strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;página de doação</a><em>&nbsp;ou, se preferir, usar nosso&nbsp;</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>



<p></p>
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		<title>O que esperar da covid-19 no futuro?</title>
		<link>https://marcozero.org/o-que-esperar-da-covid-19-no-futuro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 17:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[coranavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid19]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
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		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[vacinação de crianças]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passado o tsunami da ômicron na Europa, os países daquele continente passaram a mudar a forma que tratam o Sars-Cov-2. Em Portugal, os boletins com dados da covid-19 passaram a ser semanais. No Reino Unido, há quase dois meses não é exigido mais máscaras nem passaporte vacinal contra a doença. Em abril, não serão mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Passado o <em>tsunami</em> da ômicron na Europa, os países daquele continente passaram a mudar a forma que tratam o Sars-Cov-2. Em Portugal, os boletins com dados da covid-19 passaram a ser semanais. No Reino Unido, há quase dois meses não é exigido mais máscaras nem passaporte vacinal contra a doença. Em abril, não serão mais oferecidos testes gratuitos para a população. Aqui no Brasil, vários estados flexibilizaram o uso de máscaras, alguns até retirando a obrigatoriedade em espaços fechados. </p>



<p>Mas será que é hora de baixar a guarda contra a covid-19? </p>



<p>No mês em que se completa dois anos de pandemia, a Marco Zero perguntou a diversos profissionais, de várias áreas, o que podemos esperar para o futuro da covid-19. Confira as respostas. </p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<h2 class="wp-block-heading">As expectativas para o futuro da covid-19</h2>



<p>&#8220;O direito de imaginar futuros é ato de resistência. Na minha opinião é precipitado falar em endemia, minimizar efeitos ainda devastadores da doença abolindo precocemente uso de máscaras, medidas de proteção individual e coletiva com finalidades diversas que não a defesa da vida. Não temos tempo suficiente nem padrão único da ocorrência da doença para prever o que vai acontecer, mas podemos mudar aqui e agora. Mudar compondo projetos democráticos, apostar nas políticas públicas e na solidariedade. Ao mesmo tempo apostar na vontade e desejo das pessoas na mudança, uma aposta subjetiva portanto. Um duplo movimento de resistência a tudo que violenta e degrada a vida, causa dor e sofrimento, ao mesmo tempo a resistência alegre, criativa e cheia de vida das periferias, das pessoas comuns na diversidade brasileira.&#8221;</p>



<p><strong><em>Bernadete Peres, médica sanitarista, professora do Centro de Ciências Médicas da UFPE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Mudar o status de pandemia para endemia nesse momento não é algo bom. O vírus não vai desaparecer porque a situação mudou de status e, na verdade, pode até passar uma ideia errada para a população. Por exemplo, o Brasil é um país endêmico para dengue e nós sabemos o problema que esse vírus nos causa todo ano. É importante lembrar que o Sars-CoV-2 é um vírus altamente transmissível e que não podemos baixar a guarda agora. Ainda temos muita coisa para aprender sobre esse vírus e sobre a doença que ele causa. O futuro ainda é incerto, afinal ainda estamos tentando entender a dinâmica sazonal do vírus e as melhores medidas sanitárias no combate à covid-19.&#8221;</p>



<p><em><strong>Lorena Chaves, virologista e pesquisadora da Universidade Emory Atlanta (EUA)</strong></em></p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>O vírus não vai desaparecer porque a situação mudou de status e, na verdade, pode até passar uma ideia errada para a população.</p><cite>Lorena Chaves, virologista</cite></blockquote></figure>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Estamos em um período de transição entre hiper pandêmico e pandêmico. Pandemia é a presença de várias epidemias causadas pelo mesmo organismo em vários continentes. E continuamos com uma pandemia de Sars-CoV-2, o causador da covid19. No entanto, podemos dizer que a cepa original, lá de 2019 agora é endêmica, mas pode voltar a ser epidêmica novamente. No entanto a pandemia da cepa ômicron, e outras cepas, continuam independentemente do que cada um acha. Ou seja a pandemia do Sars-CoV-2 continua, são 1,5 milhão de pessoas infectadas por dia e causando mais de seis mil mortes diariamente, no mundo. Não percebo o surgimento de um canal endêmico normal e acho que vai levar tempo para que o vírus se adapte por completo e entre em equilíbrio com o estado imunológico da população.&#8221;</p>



<p><em><strong>Ernesto Marques, médico virologista e professor da Universidade de Pittsburgh (EUA)</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A covid-19 caminha para ser endêmica, no Brasil e no mundo, mas reforço que ainda é precoce afirmar que entramos nessa fase. Os estudos mais recentes e, sobretudo, os dados de queda proporcional de mortes diante do aumento de casos, são indícios claros da importância da vacinação. No entanto, as coberturas vacinais ainda estão longe de serem consideradas as ideais e, atualmente, em particular no que tange ao universo infantil. Este é um problema que necessitaria enfrentamento urgente e coordenado, o que, sabemos, não partirá dos gestores nacionais. Caberia então, aos estados e munícios ampliarem campanhas de vacinação das crianças, e esclarecimento aos familiares acerca da comprovada segurança das vacinas.  Acredito que, assim como fazemos anualmente em relação à influenza, teremos que adotar doses anuais de reforços, adequadas às cepas preponderantes. Mas para que esta medida alcance sucesso, temos que retomar o que sabíamos fazer tão bem: campanhas de vacinação, ampla divulgação, capilarização de postos de aplicação das doses, etc. Outro hábito que deveria ser incorporado é o uso de máscaras diante do surgimento de sintomas respiratórios. Mas, reforço: ainda não podemos decretar o fim da pandemia, embora este seja o desejo de todos nós.&#8221;</p>



<p><strong><em>Tereza Maciel Lyra, professora da Universidade de Pernambuco (UPE) e médica sanitarista na Fiocruz-PE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A vacinação no Brasil começou lentamente, mas depois foi expandindo e hoje temos quase ¾ da população completamente imunizada e mais de 80% que receberam pelo menos uma dose. O novo coronavírus tem se mostrado como um vírus imprevisível e dinâmico. Assim, muita coisa pode mudar de uma semana para outra. Entretanto, acredito que haverá uma redução contínua do número de novos casos e o vírus vai continuar circulando de forma endêmica. Creio que será importante realizar a revacinação da população pelo menos uma vez ao ano e que as vacinas necessitarão ser atualizadas para refletir a variante mais prevalente em circulação.&#8221;</p>



<p><strong><em>Lindomar Pena, virologista e pesquisador na Fiocruz-PE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;O avanço da vacinação está diretamente associado à redução dos casos de agravamento e óbito por covid-19, em todo o mundo. Por mais mórbido que pareça, o número de óbitos tende a cair ainda mais não só pelo avanço da vacinação, mas também pelo número cada vez menor de pessoas intencionalmente não-vacinadas… visto que são hoje as principais vítimas do Sars-Cov-2. Indivíduos completamente vacinados tem 17 vezes menos chances de ir à UTI, e 20 vezes menos chances de ir à óbito, em comparação com os indivíduos parcialmente vacinados ou sem vacinação (4 de cada 5 brasileiros que vão à UTI e ao óbito, estão parcialmente ou não-vacinados). </p>



<p>Um aspecto importante a ser considerado é que variantes de preocupação como a delta e a ômicron, por exemplo, conseguem escapar parcialmente dos anticorpos induzidos pelas vacinas contra Sars-Cov-2. O significado disso, é que mesmo pessoas completamente vacinadas, inclusive com a terceira dose, ainda podem se infectar e transmitir o vírus. Essa constatação é ainda mais relevante para indivíduos com a saúde fragilizada, como os imunosuprimidos, que já devem tomar a quarta dose de reforço, e os idosos que, por serem também grupo de risco devem continuar, mantendo rigorosamente os seus cuidados de prevenção. Em síntese, infelizmente o Sars-Cov-2 veio para ficar, portanto, temos que aprender a conviver com ele da forma mais segura possível, em relação ao impacto na saúde de nossa população. Isso significa dizer que temos de manter a nossa imunidade, indo se vacinar sempre que chegar a sua vez, e evitar situações maiores de exposição. Não é hora de baixar a guarda, e só com a ajuda de todos (governo, empresas e cidadãos) que conseguiremos sair dessa situação de emergência sanitária.&#8221;</p>



<p><em><strong>Rafael Dhalia, cientista e pesquisador da Fiocruz-PE</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Como estamos vendo nos dados epidemiológicos de vários países, e também nos estudos clínicos das vacinas, as vacinas reduzem muito o nível de óbitos e agravamento (hospitalizações), em um nível coletivo (após alta cobertura vacinal). Também vemos uma redução na quantidade de pessoas sintomáticas (o que ajuda a reduzir transmissão), mas essa redução é bem menor. Tendo isso em vista, é importante saber que, para termos um status endêmico e seguro, precisamos &#8220;ajudar&#8221; as vacinas com outras medidas de redução da transmissão. Se deixarmos o status endêmico da covid ser nesse nível, teremos um excesso de óbitos em vulneráveis muito maior do que tínhamos até então. É importante estabelecer essa diferença entre endêmico e seguro! Hoje, o futuro que se desenha, infelizmente, é esse de um alto nível de casos e, por consequência disso, um número absoluto de mortes muito além do esperado.&#8221;</p>



<p><strong><em>Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Acho ainda muito temeroso tratar como uma endemia uma vez que tem várias coisas ainda incertas quanto ao Sars-Cov-2. Uma das coisas que se pensou lá no início é que o vírus realmente ia se tornar endêmico e ia ter um padrão sazonal como influenza. Mas até agora não temos visto esse padrão sazonal. Na verdade, isso representa mais o surgimento de novas linhagens e essas novas linhagens que têm uma característica diferente de escape imune ou de de maior transmissibilidade. E esse surgimento de linhagem está diretamente relacionado a uma transmissão muito alta, então quanto mais pessoas infectadas maior a chance do surgimento dessas linhagens.  Que podem acarretar uma nova onda de infecção, fugindo assim do padrão sazonal dos outros vírus respiratórios. Realmente ainda não entendemos a dinâmica do Sars-COv-2 a ponto de conseguir tratá-lo como os outros vírus respiratórios onde existem padrões muito claros. O Sars-Cov-2 ainda está nos pregando peças com o surgimento de novas linhagens. São aparecimentos imprevisíveis e o máximo que nós conseguimos fazer é detectá-las rapidamente e tentar tomar decisões baseada em fatos. Precisamos ainda ter cautela e manter determinadas medidas restritivas, como o uso da máscara, distanciamento para diminuir a transmissão, porque realmente com a transmissão alta sempre vamos ter uma maior probabilidade de do surgimento de novas linhagens com capacidade de causar ondas de infecção e novamente sobrecarregar o sistema de saúde.&#8221;</p>



<p><em><strong>Gabriel Wallau, biólogo e pesquisador da Fiocruz-PE</strong></em></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;É um processo natural da pandemia se tornar endemia, uma coisa que vai acontecer. Questão é querer fazer isso de forma forçada. Não é bem assim. Vai chegar o momento em que nós vamos passar dias sem ter mortes ou uma transmissibilidade muito baixa e, naturalmente, isso vai acontecer e vai ser definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma coisa importante também pra levar em consideração. A OMS vai avaliar os parâmetros no mundo para definir se acabou ou não a pandemia. Claro que os os países não são obrigados a aceitar, mas no geral aceitam.  Quando a gente vive uma endemia, não é essa situação de gerar um caos no sistema de saúde, além dos prejuízos principalmente humanos, de vidas, e também financeiro onde tudo é afetado. Uma endemia não chega a esse ponto, mas é uma forma também de mantermos a vigilância pra que não fique essa gangorra, esse vai e vem. Essa é uma vigilância contínua, vai chegar o momento que vai se tornar endemia, mas esse não é o momento. Temos muitas mortes diariamente, ainda temos o vírus circulando consideravelmente, a gente ainda precisa ter a vacinação de reforço, que hoje está na casa dos 30%. Ainda precisamos avançar na vacinação da segunda dose de crianças e adolescentes, ainda precisamos da vacinação de crianças de zero a quatro anos, que é o grupo de maior risco e de fatalidade entre crianças e adolescente. Não é simplesmente falar, &#8220;olha, acabou, agora é endemia&#8221;. Os números precisam mostrar isso, os casos precisam mostrar isso.&#8221;</p>



<p><strong><em>Gustavo Cabral, imunologista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP)</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>Muitos políticos querem que a covid seja uma doença endêmica por questões meramente econômicas,</p><cite>Gauss Cordeiro, estatístico</cite></blockquote></figure>



<p>&#8220;Muitos políticos querem que a covid seja uma doença endêmica por questões meramente econômicas, tentando assim que a população possa ter uma vida normal. Por exemplo, o número total diário nesta semana de novos infectados na Europa supera 500 mil e os novos óbitos diários oscilam em torno de mil infectados. No Brasil, a média móvel de 7 dias de novos infectados supera atualmente 45 mil casos,mesmo sendo subestimada (não contempla os autotestes). E devemos saber que a eficácia da última dose daqueles que se vacinaram está sendo reduzida com o tempo. Entendo que seja um grande risco considerar a covid como uma doença endêmica, por conta de novas variantes atuais e futuras. Tenho convicção que o vírus persistirá evoluindo em certos lugares e medidas não farmacológicas mais efetivas deverão ser consideradas.&#8221;</p>



<p><strong><em>Gauss Cordeiro, estatístico e professor da UFPE</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;Em relação a tratar com uma uma endemia eu acho precoce, ainda não é hora disso. Para caracterizar como endemia precisamos ter um um patamar de estabilidade, ter minimamente uma previsão sobre os próximos passos, ter valores &#8220;aceitáveis&#8221;, bem entre aspas, de mortos e de casos. E ainda estamos longe disso. Me parece que querer chamar de endemia é forçar o fim de uma pandemia que não acabou. A gente está tentando mudar os conceitos que já existiam antes da covid-19 para tentar adequar para dizer &#8216;pronto, agora voltou à normalidade&#8217;. É uma negação da realidade. Está melhorando, tem vacina, tem medicamento. Estamos caminhando para sair e pra virar uma endemia sim, mas eu ainda acho cedo dizer que, a partir de agora, é uma endemia. É um discurso conveniente no ano eleitoral, o que precisa ser levado em consideração. E o que esperar para o futuro da covid-19? Eu acredito que a covid-19 vai fazer parte das nossas infecções virais anuais. Assim como o vírus da influenza faz desde o surto lá de 1918. Acredito que o caminho que a covid vai tomar é parecido. Vai se transformar numa gripe e espero que caia a letalidade. Hoje a covid-19 mata duas, três vezes mais que a gripe, mesmo em locais onde a população está mais imunizada que no Brasil, então eu acho que a gente vai caminhar pra algo nesse cenário. Vamos entrar no equilíbrio com a existência do vírus na nossa sociedade. E resta saber se vamos ter picos de infecções anuais, assim como acontece com a influenza e, de tempos em tempos, vai ter um surto pior com uma uma variante mais letal, uma variante que escape minimamente das vacinas que existem. É difícil a gente fazer esses exercícios de futurologia, porque  estamos tentando prever um comportamento da natureza,de um evento completamente incerto.&#8221;</p>



<p><em><strong>Bruno Issao Matos Ishigami, médico infectologista</strong> <strong>do Hospital Universitário Oswaldo Cruz</strong></em><strong><em> (UPE)</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8220;A imunidade coletiva, com as n-variantes em circulação, parece mesmo impossível de ser alcançada como publicado <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-021-00728-2">há exatamente 1 ano</a> [mais precisamente, em 18 de mar de 2021]. Assim, seguimos avançando, mais ainda figuramos como um dos países que menos vacinou no mundo, considerando terceira dose e tamanho da população. O mais grave disso, e aqui no Brasil também, parece ter sido mesmo a ausência de comunicação sobre <a href="https://www.irrd.org/covid-19/ricci/, https://irrd.tech/interactive-risk-diagrams/">Risco Pandêmico</a> e a forma errônea de comunicar à população como as vacinas emergenciais funcionariam. Por isso, parece que estamos perdendo a efetividade das vacinas muito rapidamente,<a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2119451" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> mesmo as doses de reforço</a>. Basta compararmos os dados de alguns dos países que hoje mais imunizaram suas populações, com suas respectivas taxas de ocupação de leitos. Assim, para o futuro, observando o risco mundial, que vinha em boa trajetória em direção à zona verde (baixo risco), mantém uma piora desde 2 de março de 2022, reapontando o risco [bolinha branca, ultimo dia medido] para zona vermelha (risco alto). sugere piora na pandemia, na infecção mundial, não endemia, não ainda.&#8221;</p>



<p class="has-text-align-center"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://lh6.googleusercontent.com/6JxbNSGXPsLNWvvtVMeFZPAi9t_pRmFrII27PfvNI02pP0rjrS-jFmpOezrUEq0isuztS-Hgv302DcK3wnrMbRg-aZ6VFfWeEB4ql6I-jroOSm-s0XxycF2iRKQJlQ0t95MUz47J" width="602" height="444"></p>



<p><strong><em>Jones Albuquerque, cientista do IRRD e do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami &#8211; UFPE e professor da UFRPE</em></strong></p>



<p>Também perguntamos aos especialistas quais teriam sido as principais lições aprendidas ao longo desses dois anos de pandemia. As respostas estão no link abaixo:</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-que-aprendemos-em-dois-anos-de-pandemia-de-covid-19/" class="titulo">O que aprendemos em dois anos de pandemia de covid-19?</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


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		<title>Crianças quilombolas correm risco de ficar fora da fila de prioridade da vacina contra covid-19</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jan 2022 00:47:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[vacina covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[vacina infantil]]></category>
		<category><![CDATA[vacinação de crianças]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com a chegada da segunda remessa de vacinas infantis contra a covid-19, com mais 60 mil doses, nesta terça-feira (18), Pernambuco autorizou a imunização de todas as crianças, de 5 a 11 anos, com comorbidades, com deficiência e também aquelas pertencentes às Comunidades Tradicionais Quilombolas. Mas há um problema, segundo a Coordenação Nacional de Articulação [&#8230;]</p>
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<p>Com a chegada da segunda remessa de vacinas infantis contra a covid-19, com mais 60 mil doses, nesta terça-feira (18), Pernambuco autorizou a imunização de todas as crianças, de 5 a 11 anos, com comorbidades, com deficiência e também aquelas pertencentes às <a href="https://marcozero.org/quilombolas-temem-impacto-do-coronavirus-e-sofrem-com-descaso/">Comunidades Tr</a><a href="https://marcozero.org/quilombolas-temem-impacto-do-coronavirus-e-sofrem-com-descaso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">adicionais Quilombolas</a>. Mas há um problema, segundo a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).</p>



<p>A Conaq aponta que os dados estaduais, a que a <strong>Marco Zero</strong> teve acesso através da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), não condizem com a realidade e que há muito mais meninos e meninas quilombolas do que mostra o levantamento. O temor é que algumas crianças demorem mais que outras a serem vacinadas, dentro do plano de priorização pactuado entre estado e municípios e que segue a diretriz do governo federal. De acordo com a SES-PE, os dados enviados já são de 2022.</p>



<p>No entanto, a Conaq em Pernambuco está fazendo por conta própria um levantamento do número de crianças em cada comunidade do estado, coletando informações junto aos agentes de saúde e às escolas. Ainda com dados preliminares, a coordenação já aponta que há discrepâncias preocupantes.</p>



<p>Por exemplo, em Custódia, o levantamento da secretaria mostra que há 387 crianças quilombolas, enquanto a Conaq diz que há mais de mil. Em Salgueiro, enquanto a SES computa 313 meninos e meninas quilombolas, a coordenação contabiliza 563, sem ter ainda finalizado o levantamento. Outro exemplo é Mirandiba: são 134 crianças, de acordo com o estado, e 144, de acordo com o levantamento dos próprios quilombolas, ainda em andamento. Os três municípios ficam no sertão.</p>



<p>Pernambuco não é o único estado em que pode haver problemas quanto à vacinação de crianças quilombolas dentro dos grupos prioritários. Um levantamento nacional da Conaq, que deve ser finalizado e publicado na próxima semana, mostra que, até agora, diante das doses que estão chegando a conta-gotas, poucos estados incluíram meninos e meninas das comunidades, apesar da diretriz do Ministério da Saúde.</p>



<p>Segundo o presidente da Conaq, Antônio Crioulo, o Governo de Pernambuco havia informado, até então, após ser procurado pela entidade, que não tinha informações sobre o quantitativo de crianças quilombolas. “O que nos deixou mais preocupados ainda, pois é a prova de que o governo estadual não realizou nenhuma política pública que atendeu à população quilombola”, lamentou. Antônio ficou sabendo da tabela da SES-PE pela reportagem.</p>



<p>Em nota, a secretaria informou que “as estimativas populacionais dos públicos da campanha (de vacinação) podem ser revisadas, havendo comprovação/necessidade. Esse trabalho vem sendo realizado desde o início da campanha, sem prejuízo à vacinação dos pernambucanos”, assegurou.</p>



<p>“Desde o início da pandemia que a gente vem sofrendo com esse processo. Quem fez o levantamento dos quilombolas infectados fomos nós, sem apoio, e começamos a fazer boletins”, acrescenta Antônio. De acordo com ele, a população só conseguiu realizar a própria contagem até novembro de 2020, quando já havia mais de 30 quilombolas mortos em Pernambuco em decorrência da covid-19.</p>



<p>“Não é só o Ministério da Saúde que está fragilizado. É toda a estrutura de saúde, não há planejamento de ações para o povo, assim como nas questões ambientais e raciais. Foram colocadas pessoas estratégicas (no governo e nos órgãos federais) para desestruturar direitos”, critica Antônio.</p>



<p>A população quilombola conseguiu ser incluída nos grupos prioritários pelo Governo Federal somente após ir ao Supremo Tribunal Federal (STF). A determinação foi publicada em fevereiro do ano passado. A decisão teve origem numa Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) aberta pela Conaq e <a href="https://marcozero.org/psb-pede-ao-stf-a-inclusao-de-quilombolas-no-plano-nacional-de-vacinacao-mas-gestao-os-deixa-de-fora-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cinco partidos políticos</a> (Rede, PSB, Psol, PT e PCdoB).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Crianças de 11 anos serão as primeiras, após prioridades</h3>



<p>Além da autorização para vacinar crianças com comorbidades, com deficiência e também quilombolas, na terça-feira também ficou definida, por orientação do Comitê Técnico Estadual para Acompanhamento da Vacinação e pactuação entre o estado e os gestores municipais, a autorização para iniciar a imunização das crianças por faixa etária, de forma decrescente. Isto é, começando com as de 11 anos, a partir da disponibilidade em cada município das doses da Pfizer/Comirnaty, indicada para o uso pediátrico.</p>



<p>“Em nosso Estado, contamos com uma estimativa de 178.405 na faixa etária dos 11 anos, e neste momento, é primordial a absorção dos grupos elegíveis visando o início de novos esquemas vacinais e a ampliação da oferta da proteção para novos grupos etários. Para a próxima semana, esperamos receber novo quantitativo de doses, o que possibilitará o incremento do grupo formado por crianças com 11 anos de idade”, afirmou a superintendente de Imunizações, Ana Catarina de Melo, em comunicado à imprensa.</p>



<p>Atualizado em 19/1/22, às 11h15</p>



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