naoebemassimSite“Nos últimos anos, o Recife parou de avançar em várias áreas. A educação que era primeiro lugar no Ideb na Região Metropolitana hoje está atrás de Jaboatão e Ipojuca”, João Paulo no programa eleitoral de 19 de setembro.

A divulgação recente do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2015 ainda repercute entre os candidatos a prefeito do Recife. Em contraponto ao atual gestor municipal Geraldo Julio (PSB), o petista João Paulo sugeriu em seu primeiro programa eleitoral desta semana que o desempenho dos alunos do ensino público fundamental do Recife caiu durante a atual administração.

O Truco Eleições 2016 – projeto da Agência Pública em parceria com a Marco Zero Conteúdo em Recife – checou a declaração de João Paulo e concluiu que ela distorce a realidade ao sugerir a estagnação do Ideb do Recife quando, de fato, a nota cresceu ano a ano durante a gestão de Geraldo Julio, embora a capital pernambucana tenha perdido posição no ranking da Região Metropolitana. Ou seja, municípios vizinhos tiveram crescimento mais significativo, mas a nota de Recife continuou subindo. Por isso, o candidato recebe a carta “Não é bem assim”.

Criado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2007, o Ideb funciona como um indicador da qualidade do ensino que toma como base dois conceitos: fluxo escolar (aprovação, reprovação e evasão) e médias de desempenho nas provas de português e matemática. As avaliações são realizadas de dois em dois anos e usam notas de 0 a 10 para anunciar os resultados. Alunos de três séries passam pela análise: a última dos anos iniciais do ensino fundamental (5º ano), a última dos anos finais (9º ano) e a última do ensino médio (3ª série).

O problema da declaração de João Paulo é considerar mais importante a posição no ranking da Região Metropolitana do que a evolução propriamente das notas dos alunos do ensino fundamental público do Recife. A RMR é formada pela capital e mais 12 cidades: Olinda, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Abreu e Lima, São Lourenço da Mata, Igarassu, Itapissuma, Ilha de Itamaracá, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Moreno e Ipojuca.

Considerando as notas do 5o ano, durante a gestão de João Paulo o Recife ocupou por duas vezes a segunda colocação no ranking da RMR e viu a nota de seus alunos crescer de 3,2 para 3,8. Na administração do também petista João da Costa, a nota subiu para 4.1 e estabilizou-se neste patamar, quando o Recife passou a liderar o ranking. Sob Geraldo Julio a nota voltou a crescer passando para 4.2 em 2013 e saltando para 4.6 em 2015.

Em 2007, 2009, 2011 e 2015 o índice do Recife superou ou atingiu a meta estipulada pelo Ministério da Educação para o ano.

Apesar deste resultado, o Recife caiu do primeiro, para o segundo e depois para o quarto lugar no ranking da RMR, indicando que se a nota do Ideb dos alunos da capital deu um salto, as dos estudantes de Jaboatão, Ipojuca e Camaragibe cresceram num ritmo ainda mais vigoroso.

joaopauloidebNo caso do 9o ano, o Recife seguiu sem atingir a meta do MEC durante as gestões dos dois ex-prefeitos petistas e também sob Geraldo Julio. Mas as notas do Recife vêm melhorando ano a ano e a posição no ranking da RMR também. Tendo ocupado a primeira posição no Ideb de 2005, a capital passou para 6o em 2007 – queda registrada no período de João Paulo -, 5o lugar em 2009, novamente 6o em 2011, saltando para o segundo lugar em 2013 e o terceiro agora em 2015, já na Prefeitura comandada por Geraldo. Em dez anos e seis levantamentos, a nota do Ideb para o 9oano no Recife subiu num ritmo menos significativo do que do 5o ano, de 2,8 para 3,5, sempre abaixo das metas definidas pela MEC.

(Laércio Portela e Thayná Campos)