Mulheres do Recife unidas contra Bolsonaro

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Por Helena Dias

Na esteira da comoção causada pelo ataque ocorrido no dia 6 de setembro, a equipe do candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, intensificou a campanha através das redes sociais. A ação, porém, foi surpreendida por fortes manifestações virtuais contrárias a candidatura do ex-capitão do Exército. Mulheres de todo país, que não se sentem representadas com a visão conservadora e violadora dos direitos humanos de Bolsonaro, começaram a se mobilizar no mundo virtual e pretendem, no dia 29 deste mês, ganhar as ruas de vários estados. Em Pernambuco, o Recife faz parte das capitais que já têm evento marcado no Facebook, em sintonia com o grupo “Mulheres unidas contra Bolsonaro”. O grupo foi criado em 30 de agosto por brasileiras de São Paulo e que já tinha mais de um milhão de integrantes quando a reportagem foi escrita.

Com 837,8 mil membras atuantes e outras 646,1 mil aguardando aprovação, o grupo contabiliza uma média de dez mil solicitações por minuto. Os 49% de rejeição a Jair Bolsonaro por parte do eleitorado feminino, registrado em pesquisa do Datafolha em 10 setembro, se concretiza virtualmente com a pretensão de levar quantidade semelhante de mulheres para atos marcados em várias capitais, seguindo um horário padrão de 14h para concentração e início de caminhada às 15h. Na capital pernambucana, o ato está marcado na Praça do Derby.

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Em sua descrição, o “Mulheres unidas contra Bolsonaro” afirma o objetivo de unir “as mulheres de todo o Brasil (e as que moram fora do Brasil) contra o avanço e fortalecimento do machismo, misoginia e outros tipos de preconceitos representados pelo candidato Jair Bolsonaro e seus eleitores.” Se diz apartidário e tem como pré-requisito principal para participação a negativa ao candidato do PSL, não determinando apoio a nenhuma outra candidatura.

Integrante do grupo e militante feminista, a doula Marina Moura, 24 anos, se juntou a mais onze mulheres que decidiram tomar a frente da organização do ato no Recife. ”Vamos sair de mãos dadas para unificar e protegermos umas às outras. Acho que está caindo a ficha que ele pode ganhar as eleições e que podemos sofrer as consequências disso. Se eleito, ele legitimaria o machismo que sofremos cotidianamente dentro e fora de casa”.

As organizadoras do ato em Pernambuco têm idades entre 19 e 29 anos. Não se conhecem pessoalmente e fizeram o primeiro contato através do grupo. Hoje se comunicam pelo whatsapp, quando dividem as tarefas e as coordenadas para a atividade do final do mês. Estão com reunião marcada para a próxima segunda-feira (17) e, enquanto isso, buscam diálogo com movimentos feministas locais para se fortalecer politicamente. Até o fechamento desta apuração, 2,9 mil mulheres confirmaram presença na manifestação.

Atividades culturais estão previstas para o ato, mas a programação deve ser confirmada em breve no evento do Facebook. Ao início, uma oficina de cartazes será montada e a organização pede para que as manifestantes levem cartolinas. Haverá ainda apitaço e arrecadação de brinquedos para crianças em situação de vulnerabilidade social.

Roxo, preto, rosa e branco são as cores escolhidas para a manifestação e as organizadoras pedem que as mulheres deem preferência a esses tons ao sair de para o ato. As cidades que também têm eventos marcados nas redes são João Pessoa (PB), Salvador (BA), Porto Alegre (RS), Blumenau (SC), Belém (PA), São Paulo (SP), Americana (SP), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Viçosa (MG) e Itajubá (MG). Fora do Brasil, mulheres estão se mobilizando em Berlim (DE), Haia (NL) e Sidney (AUS).

 

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