Quatro jovens estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), todos entre 22 e 24 anos, foram levados pela Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), no início da tarde deste sábado, 10 de outubro, após colarem cartazes do tipo lambe-lambe em orelhão desativado nas proximidades do mercado público de Casa Amarela, na zona norte do Recife.
O material caseiro, impresso em folha de papel comum, continha mensagens contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL), com fatos amplamente noticiados e comprovados, como a manutenção da escala de trabalho 6 X 1 e os cortes no programa Farmácia Popular, em caso de vitória do bolsonarismo nas urnas neste segundo turno.
Os quatro estudantes são voluntários, não têm vínculo com qualquer partido político ou fazem parte de campanhas oficiais do presidente Lula (PT) nem estavam trabalhando para qualquer candidato.
Flagrados por câmeras da Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS-PE), eles foram abordados por uma viatura da PMPE e, na sequência, outra viatura chegou ao local. Após serem levados para a delegacia da Polícia Federal pela PMPE, numa tentativa de flagrante delito, uma vez que, em tese, é proibido colar lambes em espaços públicos, os jovens foram liberados pelo delegado de plantão da PF.
Segundo um dos advogados que foi à delegacia da PF acompanhar o caso, Cláudio Carraly, membro da campanha jurídica de Lula em Pernambuco, o delegado de plantão, após analisar o caso, enviou um comunicado formal afirmando que via ali um caso atípico e por isso liberaria os quatro jovens. O arquivamento do caso deve acontecer na segunda (12).
De acordo com Carraly, esse tipo de situação aconteceu bastante no primeiro turno, sobretudo no interior do Estado, com eleitores e militantes de esquerda. Na avaliação dele, caberia uma determinação para que esses atos fossem cessados após apreensão do material sem que houvesse necessidade de deslocamento de duas viaturas e de atendimento pela PF, como aconteceu no caso de Casa Amarela, gerando inclusive gastos ao erário público.
“Esse tipo de situação pode até gerar precedentes graves para impedir as pessoas de votarem”, alerta, fazendo uma equiparação ao fato de a Polícia Rodoviária Federal (PRF) ter, em 2022, feito blitzes e impedido pessoas de chegarem aos locais de votação.
A Marco Zero entrou em contato com as assessorias da PMPE e do Governo do Estado e aguarda retorno.
Às 18h20 deste sábado (10), a PMPE e a SDS-PE enviaram uma nota à reportagem.
Confira a nota na íntegra:
A Polícia Militar de Pernambuco informa que, na manhã de deste sábado (10), policiais do 11º BPM foram acionados para averiguar uma possível ocorrência de crime eleitoral nas proximidades do Mercado de Casa Amarela, no Recife. No local, quatro pessoas foram identificadas afixando cartazes e, em seguida, conduzidas à Polícia Federal para as providências cabíveis.
Vencedora do Prêmio Cristina Tavares com a cobertura do vazamento do petróleo, é jornalista profissional há 12 anos, com foco nos temas de economia, direitos humanos e questões socioambientais. Formada pela UFPE, foi trainee no Estadão, repórter no Jornal do Commercio e editora do PorAqui (startup de jornais de bairro do Porto Digital). Também foi fellowship da Thomson Reuters Foundation e bolsista do Instituto ClimaInfo. Já colaborou com Agência Pública, Le Monde Diplomatique Brasil, Gênero e Número e Trovão Mídia (podcast). Vamos conversar? raissa.ebrahim@gmail.com