Crédito: Veetmano/AgenciaJCMazella

Mais uma vez Mirtes foi às ruas reivindicar justiça pela morte de Miguel. Mais uma vez Mirtes mostrou que a justiça pela morte de seu filho tem um significado coletivo e social.

“Eu espero que essa luta que vocês estão vendo que eu estou tendo sirva de exemplo para várias mães que, infelizmente, perderam seus filhos de uma forma brusca e violenta. Não se calem por isso. Busquem justiça. Independente se vocês têm condições financeiras ou não.” (Mirtes Renata Souza, mãe de Miguel)

Foi com a frase citada acima que ela descreveu a sua luta na manhã desta segunda-feira (13) no ato que cobrou o Ministério Público de Pernambuco (MP-PE) para que siga a conclusão do inquérito policial e denuncie Sarí Gaspar Corte Real à Justiça por “abandono de incapaz resultando em morte”, que tem pena prevista de 4 a 12 anos de prisão.

A mobilização saiu em caminhada da Praça da República, no Centro do Recife, e seguiu até a sede do Ministério Público, na Avenida Visconde Suassuna. Contou com a presença de familiares e movimentos sociais. O órgão tem até esta terça-feira (14) para se posicionar sobre o caso.

Desde o dia 3 deste mês, o inquérito que investigou a morte do menino de 5 anos está sob apreciação do Ministério Público, quando começou a contar o prazo para oferecimento ou não da denúncia. Para além destas opções, o MPPE pode arquivar o caso ou pedir mais esclarecimentos da investigação para a Polícia Civil. Contudo, a expectativa de Mirtes é de que o órgão faça a denúncia contra sua ex-patroa.

“Ela (Sarí) tem que estar presa atrás das grades, porque se fosse eu estaria presa desde o primeiro dia. Eu não tenho 20 mil reais para pagar de fiança. Tem que acabar com isso. Nosso país tem lei. A lei tem que ser igual para todos, a lei não pode ser favorável a só quem tem dinheiro, tem nome e influência.”, criticou.

Mirtes Renata, mãe de Miguel, durante ato em frente ao Ministério Público de Pernambuco Crédito: Veetmano/AgenciaJCMazella

Assim como ela alerta para o significado da justiça pela morte de seu filho como algo que representa um exemplo de igualdade para todos perante a lei, uma prima da família, Amanda Souza, também reforça o sentimento de que o caso tomou grandes proporções. Direcionando a fala para Sarí pelo microfone do carro de som, questionou: “Está com medo que a sociedade te julgue? O Brasil tá vendo, o mundo todo tá vendo o que você fez. Não adianta pagar de santa, porque você sabe o que fez”.

Miguel caiu do 9o andar do prédio de luxo no Centro do Recife, conhecido por Torres Gêmeas, quando sua mãe passeava com a cadela dos empregadores. Sarí, a empregadora, ficou responsável por Miguel enquanto fazia as unhas no apartamento.

Desde a morte do menino de 5 anos, Mirtes e a família não andam sozinhos. O tom expresso em ambas as falas fazem parte de uma articulação de cuidado em prol de que a causa não seja silenciada, mas sim expandida.

É evidente a quantidade de mulheres e, principalmente, de mulheres negras que acompanham os passos da mãe de Miguel por justiça. Nesta segunda, não foi diferente. O Fórum de Mulheres de Pernambuco, a Rede de Mulheres Negras e a Articulação Negra por Direitos compuseram boa parte do ato.

Em vídeo publicado no instagram, a integrante da Rede de Mulheres Negras, Mônica Oliveira, explica que os movimentos vem acompanhando o caso desde o início e em muitas frentes.

“Estamos fazendo incidência no espaço do processo. Existem instituições como o Gajop, os advogados e as advogadas negras que estão acompanhando o caso em diálogo com Mirtes e a família. Estamos acompanhando do ponto de vista das ações de comunicação, nacionalizando o caso de Miguel. É fundamental que a gente estabeleça uma estratégia para desconstruir as narrativas que buscam inocentar Sarí Corte Real. E a gente está aqui para exigir justiça.”, enfatizou Mônica.

A caminhada seguiu entre os carros que circulavam no trajeto, com faixas de luto que pediam justiça por Miguel levantadas durante todo o percurso.

O ato acabou por volta das 13h quando Mirtes fez uma fala em frente à sede do Ministério Público, ressaltando que Sarí foi indiciada por abandono de incapaz pela Polícia Civil. Após a mobilização, a mãe de Miguel e os movimentos aguardam o posicionamento do órgão que será feito nesta terça-feira. O nome do promotor responsável pela apreciação do caso não foi divulgado pelo MP-PE.

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