Dez organizações jornalísticas nativas digitais se uniram para criar um Canal de informação para o público jovem. O Reload nasce da necessidade de democratizar e descomplicar a notícia e fazer jornalismo em um formato inovador, como os jovens gostam de consumir: vídeos, histórias em quadrinhos, gifs animados, poesia slam, e lyric vídeos – que são reportagens transformadas em vídeo clipe com trilha original -, a partir dos principais conteúdos produzidos pela Marco Zero, ((o))eco, Agência Lupa, Agência Pública, Amazônia Real, Congresso em Foco, Énois, Ponte Jornalismo, Projeto #Colabora e Repórter Brasil.

Foram três meses de pesquisa para entender a pergunta: Como os jovens consomem notícias? Dessas respostas nasceram três tipos de conteúdos: para engajar, para explicar e para encantar. O formato para engajar será uma produção diária, feita para o Instagram (@canalreload) tanto nos stories quanto no feed. Nos stories, membros das organizações aparecem contando as últimas notícias e bastidores de reportagens. No feed serão publicados vídeos que explicam uma informação rapidamente por meio de imagens e texto. No formato “Explicar” serão publicados dois vídeos semanais no Youtube (reload.news/youtube) com explicações mais detalhadas e contextualizadas sobre determinado assunto. Para encantar o público, o Reload vai publicar notícias em formatos inusitados: gifs animados, poesia slam, lyric vídeos e histórias em quadrinhos.

A grade de programação é decidida colaborativamente, e o conteúdo final é construído junto com um time de 12 jovens comunicadores de diversas regiões, origens e trajetórias.

“Todas as organizações que fundaram o Reload já têm a inovação no seu DNA e um significativo público jovem. Sabemos que eles querem estar bem informados para participarem do debate público e decidimos oferecer um jornalismo de qualidade, pensado para esse público”, diz Natalia Viana, coordenadora geral do Reload.

“A união das dez organizações e o entendimento da necessidade de uma produção de conteúdo direcionada para o público jovem mostram que o Reload veio para revolucionar a comunicação. Não estamos fazendo um jornalismo que achamos que vai ser legal, estamos trabalhando a partir de pesquisas. Escutamos os jovens sobre a forma como gostariam de consumir jornalismo e construímos um canal muito potente”, comenta Inês Campelo, coordenadora de projeto na Marco Zero.

“Um dos pontos que apareceu em nossas pesquisas foi que, para os jovens, credibilidade parte muito de uma conexão e proximidade entre quem passa e quem recebe a informação. Por isso, buscamos não somente aproximar a linguagem mas também trazer jovens comunicadores para o projeto. São 12 influenciadores entre 19 e 27 anos que vão trabalhar junto com os jornalistas na construção e apresentação dos vídeos. E para tentar espelhar a diversidade da juventude urbana brasileira fizemos uma seleção entre quase 100 comunicadores para escolhermos uma equipe bastante plural e com bastante representatividade”, explica Hugo Cuccurullo, diretor do Reload.

O conteúdo do canal será publicado no Instagram e no Youtube, mas também terá contas no Twitter, Facebook e Whatsapp (11-94548.9244).

O Reload foi uma das iniciativas ganhadoras do Google News Innovation Challenge em 2019, projeto do Google News Initiative para ajudar o jornalismo a prosperar na era digital.

Apresentadoras e apresentadores Reload

Com um time de 12 jovens influenciadores de diferentes origens e regiões do Brasil eles vão apresentar o conteúdo escolhido entre as reportagens produzidas pelas 10 organizações do consórcio. A diversidade do grupo também contempla a questão LGBT+, sendo cinco integrantes da comunidade.

A carioca Mia Fidelis, de 24 anos, é uma jovem trans maquiadora e designer de moda. Ela acredita que a sua presença no canal pode construir uma via de mão dupla, onde a sociedade se abre ao diálogo sobre identidade de gênero e pessoas trans possam se empoderar a partir dessa representatividade.

“Muitas vezes, não somos levadas a sério por boa parte da população. Esse protagonismo que o Reload está proporcionando para mim é muito importante para que gere um entendimento de que mulheres trans são capazes de exercer qualquer tipo de trabalho, assim como qualquer pessoa cis. Não somos apenas objetos sexuais. A partir dessa semente que é plantada, espero que meu trabalho em um canal de jornalismo abra a cabeça não só da sociedade, mas também de meninas como eu. Que elas possam se espelhar e acreditar que também podem ocupar todos os lugares”, celebra.

“A diversidade entre os apresentadores faz jus a um Brasil miscigenado, que raramente tem um apresentador negro ou indígena, por exemplo. O Reload evidencia nós pessoas negras, os LGBT+ os indígenas. Temos duas apresentadoras indígenas a Priscila Tapajowara e a Samela Sateré-Mawé”, explica Bell Puã, do Recife.

Para o pernambucano Júnior Silva o protagonismo dos jovens na apresentação de um programa para jovens mostra o potencial do canal. “Simplificar a linguagem jornalística, que muitas vezes não é acessível aos jovens é fundamental para aproximar, mobilizar esse público a consumir notícias e democratizar a informação. Esse Canal fortalece o discursos de que a comunicação é um direito de todos. Acredito que vai ser um processo muito valoroso por toda diversidade que ele engloba”, comenta.

Bell Puã – 26, Recife. Poeta, cantora, compositora, atriz e mestra em História pela UFPE. Integra o Coletivo Afronte e a Coletiva Slam das Minas PE. @dalemaga

Junior Silva 25, Recife. Professor de Educação Física, ator, fotógrafo, grafiteiro e comunicador periférico da Frente Favela Brasil e Agência de Notícias das Favelas. @juniorgrama

Roberta Camargo 23, São Paulo. Jornalista, produtora e podcaster. Vê a comunicação como criadora de pontes. Faz um jornalismo Simplão. @robertacmrg

Adriano Melancia 24, São Paulo. Comunicador formado em Multimeios pela PUC. Ator, roterista e podcaster da quarentena. Se a música tem letra, ele provavelmente vai errar. @drixsadeck

Mc Martina 22, Rio de Janeiro. Diretamente do Complexo do Alemão. Rapper, poeta e produtora. Organizadora do Slam Laje, um dos slams pioneiros a acontecerem dentro de uma favela no Rio. @mcmartina_

Mia Fidelis 24, Rio de Janeiro. Influenciadora Trans&proud. Designer de moda e maquiadora. Adora trabalhar, desconstruindo e aprendendo sempre. @miafidelis

João Freire 19, Rio de Janeiro. Ator, produtor que canta & dança & modela & fala MUITO. @ojoaofreire

Priscila Tapajowara 27, Santarém. Co-coordenadora da Mídia Índia, formada em Produção Audiovisual, fotógrafa, cineasta, ativista climática e carimboleira. Sommelier de açaí e tacacá. @priscilatapajowara

Samela Sateré-Mawé 23, Manaus. Estudante de biologia, ativista e artesã. Integrante da Associação de Mulheres Indígenas Sateré-Mawé e do Movimento Estudantes Indígenas do Amazonas. @sam_sateremawe

Tawane Theodoro 21, São Paulo. Escritora, slammer e nutricionista em formação. Organizadora do Sarau do Capão e do Slam do Bronx. Leva a poesia como estilo de vida. @pretata_

Larissa Venturini 21, Rio de Janeiro. Pisciana, atriz e cantora. Scarlet Moon no musical Dancin’Days. Desenhista, apaixonada por teatro e péssima andando de bicicleta. @larissaventurini

Letícia Wexell 22, São Paulo. Jornalista, criadora de conteúdo sobre cultura pop, animes, games e fã de My Little Pony. @leticinios