Detzineh Guevara Hernandez é uma venezuelana que apostou nas receitas para recomeçar a vida no Recife durante a pandemia de covid-19
Detzineh aprendeu a divulgar melhor os produtos na internet e ampliar o número de clientes. Crédito: Divulgação

Detzineth Guevara Hernandez, 49 anos, aprendeu com uma amiga o segredo da empanada, do pastel e da arepa, massa de pão feito com milho moído ou com farinha de milho pré-cozido típica da Venezuela que pode ser recheada com frango, carne ou queijo. A terapeuta ocupacional apostou nas receitas para recomeçar a vida no Recife durante a pandemia de Covid-19. Mas como tornar os quitutes, famosos no país vizinho, conhecidos na nova cidade e conquistar novos clientes?

“Tenho que fazer boas fotos do meu produto e vídeos mostrando como faço as comidas para mostrar que tomo todos os cuidados e gerar a curiosidade do meu cliente. Também é importante ter um cardápio e uma marca, tudo isso disponível na internet”, afirma Detzineth.

O conhecimento que permite à microempresária falar com desenvoltura e segurança sobre o próprio negócio foi conquistado nos últimos 40 dias. Detzineth e mais 19 imigrantes venezuelanos formaram a primeira turma do curso de marketing digital “Mão na massa”. A qualificação foi oferecida gratuitamente pela Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2, em parceria com a Fundação Interamericana (IAF).

Pratos da culinária venezuelana
Detzineh tem investido nas imagens das arepas para divulgação nas redes sociais. Crédito: Divulgação


A formação foi realizada por meio de videoaulas, materiais de apoio e a assessoria de três profissionais da área de marketing digital. Dos que iniciaram a empreitada, dez se formam esta semana e vão apresentar o logo e as redes sociais da empresa, além dos produtos como bolos, tortas, lanches e outras iguarias da culinária venezuelana, que agora ganharam uma vitrine. Todos receberão certificado.

“No começo foi tudo muito novo para eles, mas agora, no fim do curso, vemos como esses empreendedores estão mais seguros e confiantes. Esse era o nosso objetivo dentro da proposta da Cáritas, que é acolher, promover, proteger e integrar os migrantes”, comemora a educadora social da Cáritas Nordeste 2, Rosana Andrade.

Detzineth, que mora com o esposo e dois filhos em Boa Viagem, onde mantém uma marcenaria para confecção de casinhas para animais de estimação e estojos para instrumentos musicais, agora quer ampliar a renda da família com a recém-lançada Venezifood (@venezifood).

“Antes do curso estava tentando vender os pastéis, as empanadas e arepas com a ajuda dos amigos que compartilhavam com outras pessoas. Agora eu mesma, com a ajuda do meu filho, estou divulgando os meus produtos, destacando o diferencial para atrair os clientes que estão em busca de algo diferente. O curso foi muito importante nessa mudança”, diz.

Esta reportagem é uma produção do Programa de Diversidade nas Redações, realizado pela Énois – Laboratório de Jornalismo Representativo, com o apoio do Google News Initiative”.

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