Lula “paz e tesão” quer ir às ruas e liderar oposição a Bolsonaro

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Com informações de Mariana Filgueiras

No discurso que marcou sua volta a São Bernardo do Campo, em São Paulo, o ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva apontou uma ligação clara entre Bolsonaro e as milícias cariocas: “Ele foi eleito para governar para o povo brasileiro e não para os milicianos do Rio de Janeiro. Ele tem que explicar onde está o Queiroz. Como construiu um patrimônio de 17 casas?”

Foi a primeira vez em que uma liderança do primeiro escalão da política nacional ousou estabelecer esse nexo de maneira tão clara, demonstrando, na prática, o “tesão de 20 anos” para continuar na luta política, que havia anunciado em vídeo na noite anterior e repetido durante o discurso no ABC paulista.

Lula também fez um chamado à militância e aos seus eleitores, enfatizando a necessidade de mobilizar as ruas, deixando claro que pretende ser a cara e a voz da oposição a Bolsonaro. Em tom de alerta, ele afirmou que “só teremos condições de salvar este país se a gente tiver coragem de fazer um pouco mais”.

Crédito: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Crédito: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Em vários momentos, ele insistiu em convocar a multidão: “Estou disposto a voltar a andar por esse país. Não é possível que a gente viva neste país vendo os ricos ficarem mais ricos e os pobres ficarem mais pobres!”, seguido de “não tem outro jeito. Não tem ninguém que conserte este país se vocês não quiserem consertar. Não adianta ficar com medo”.

Ou ainda: “Não podemos permitir que os milicianos acabem com esse país que nós construímos. Queremos que esta gente saiba que esse país é nosso” – essa em um desafio claro ao bolsonarismo, a essa altura do discurso já identificado com as violentas milícias da periferia carioca.

É bem provável que o engajamento de Lula nas ações de rua comece pelo Cais da Alfândega, no Recife, onde, no próximo domingo, 17 de novembro, vai acontecer o Festival Lula Livre.

A repórter Mariana Filgueiras esteve em São Bernardo para acompanhar o evento de recepção a Lula. Relembre alguns dos momentos marcantes da cobertura exclusiva que ela fez para a Marco Zero:

Crédito: Mariana Filgueiras/MZ Conteúdo

Crédito: Mariana Filgueiras/MZ Conteúdo

9:00 - Apoiadores, vindos de todo Brasil, começaram a chegar para o evento de recepção preparado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo várias horas antes do horário previsto para a sua fala. Pouco depois das nove da manhã, pequenos grupos começavam a se formar em torno do sindicato.

10:00 - Alice Oliveira, 54 anos, e a amiga Maria do Rosario Lopes, 51, por exemplo, vieram de Santo André na manhã de hoje ver o pronunciamento do ex-presidente Lula e já guardaram lugar perto do carro de som: “Eu não pude vir quando ele foi preso, então não poderia deixar de recebê-lo solto”, disse Rosário.

10:05 – Josias Camargo, 32 anos, e Ana Cláudia Santos, 28, estavam na vigília de Curitiba e vieram num comboio ontem à noite para São Bernardo: “Viemos direto, assim que ele foi solto”.

10:08 – Muitas pessoas chegavam trazendo instrumentos musicais, o que gerou a formação de, pelo menos , um conjunto improvisado. Assim, antes do carro de som ser ligado, as músicas das campanhas eleitorais animavam a multidão que ia se aglomerando.

11:16 - Desta vez, os simpatizantes de Lula usaram também a um recurso que ficou conhecido nas manifestações da direita: um bonecão inflável.

Crédito: Mariana Filgueiras/MZ Conteúdo

Crédito: Mariana Filgueiras/MZ Conteúdo

11:20 - Por sinal, o boneco com a faixa “Lula Livre” ainda não havia incorporado a nova palavra de ordem “Lula é inocente”, usada na faixa que, na véspera, o próprio ex-presidente exibiu ao sair da sede da Polícia Federal, em Curitiba. A palavra “inocente”, presente em bandeiras, cartazes e em várias faixas penduradas nas janelas do sindicato, parece indicar tanto a nova luta a ser travada a partir de agora pela anulação do processo quanto a estratégia de propaganda política que o PT irá adotar desde já.

11:25 - Enquanto esperavam o evento começar, as pessoas se aglomeravam próximo ao carro de som, que toca muitos sambas de Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e pagodes clássicos, como “Deixa acontecer”.

11:41 - Um número cada vez maior de drones sobrevoavam a multidão e os profissionais de  imprensa ocupavam, além de um caminhão específico que ameaçava virar, todas as sacadas disponíveis na vizinhança. Nas ruas, os ambulantes vendem todo tipo de memorabilia de esquerda, de camiseta de Che Guevara a pequenos bustos de Lenin. Àquela altura, uma lata cerveja já era vendida a R$ 10,00 perto do carro de som.

12:50 - A multidão toma a rua em frente ao sindicato.  A expectativa era de mais de uma hora de espera pelo ex-presidente Lula.

15h22 - Muitas pessoas começavam a passar mal – fazia calor em São Bernardo. Lula interrompeu o discurso várias vezes para pedir ajuda a quem estava perto de desmaiar.

Na saída, com a sabedoria de quem, na política, a disputa se faz com imagens, Lula desceu do trio elétrico e repetiu a cena de abril de 2018: foi carregado nos braços da multidão até a entrada do sindicato. No meio do percurso de poucas dezenas de metros, pediu a um militante uma pequena bandeira do Brasil, somando um elemento para ampliar o alcance da mensagem.

Crédito: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Crédito: Paulo Pinto/Fotos Públicas

 

 

 

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