Crédito: Marinha do Brasil

A Marinha determinou que o casco do porta-aviões São Paulo se distancie da costa brasileira e designou a Fragata União e o Navio de Apoio Oceânico Purus para realizar o acompanhamento do rebocador que está conectado ao casco. Segundo a Autoridade Marítima Brasileira (AMB), a empresa Sök Denizcilik Tic Sti não cumpriu as providências necessárias para a manutenção do casco na área que havia sido indicada, a 24 milhãs náuticas da costa, cerca de 46 quilômetros. Na manhã desta sexta (20), o casco do porta-aviões já estava a 340 quilômetros do porto de Suape, litoral Sul de Pernambuco.

Uma inspeção realizada pela AMB constatou “severa degradação das condições de flutuabilidade e estabilidade” do casco, que não possui seguro de proteção e indenização, nem contrato para atracação e reparo da estrutura com nenhum estaleiro capaz de executar os serviços, com o agravante de que desde novembro a Sök interrompeu o pagamento à empresa contratada para realizar o reboque do casco.

“Com o propósito de garantir a segurança da navegação e a prevenção da poluição ambiental na costa brasileira e seus portos, a AMB, dadas as condições em que o casco se encontra, não autorizará a aproximação deste de águas interiores ou terminais portuários, em face do elevado risco que representa, com possibilidade de encalhe, afundamento ou interdição do canal de acesso a porto nacional, com prejuízos de ordem logística, operacional e econômica ao Estado brasileiro”, informou a Marinha.

Entenda o caso

Após arrematar o casco do porta-aviões São Paulo, a empresa Sok Denizcilik ve Ticaret contratou a MSK para transportá-lo até o porto turco de Aliaga, no mar Egeu, onde a embarcação seria desmontada para ser vendida por sucata. Ao mesmo tempo, ambientalistas, engenheiros, médicos, advogados e até políticos da região de Yzmir, região onde fica Aliaga, deram início a uma campanha contra a chegada do navio.

Com fortes indícios de que o casco do porta-aviões carrega quase 700 toneladas de amianto, produto bastante cancerígeno, o governo turco cedeu à pressão e suspendeu a licença ambiental para o desmanche do navio no país. Com isso, o São Paulo – que tinha saído do Rio de Janeiro no dia 4 de agosto -, não pôde sequer atravessar o estreito de Gibraltar, principal acesso ao Mediterrâneo. E, no início de setembro, sem ter onde aportar, iniciou sua viagem de volta.

No dia 1 de outubro, quando estava na altura do litoral do Espírito Santo, a poucas horas do seu porto de origem, a base da Marinha no Rio de Janeiro, o rebocador deu meia-volta em direção a Suape. A razão para esta mudança de destino nunca foi explicada pela Marinha ou pelas empresas envolvidas no transporte.

No dia 5 de outubro, o Governo de Pernambuco barrou a entrada da sucata do porta-aviões contaminado em Suape, mas o rebocador permaneceu com o casco na costa pernambucana, fazendo voltas no sentido norte-sul, a, no máximo, 37 quilômetros do litoral do estado.

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