Repórter da Marco Zero Conteúdo filma documentário em Moçambique

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Milhares de quilômetros e um oceano separam as moçambicanas Judite, Júlia, Amélia, Madalena, Graça e Rami da jornalista pernambucana Débora Britto, repórter da Marco Zero Conteúdo. Mas foi pelo olhar dessas mulheres de um território tão distante que Débora se viu mais próxima de sua própria identidade enquanto mulher negra. Essa história começou em 2014, quando a pernambucana fez um intercâmbio universitário na cidade de Maputo, capital de Moçambique, na África. Esse caminho de descobertas pessoais profundas é o fio narrativo do documentário “Hixikanwe – Estamos Juntas”, dirigido e idealizado por Débora. Ela se prepara para retornar ao continente africano no dia 7 de agosto, onde reencontrará as mulheres que a conduziram  nos primeiros passos dessa jornada e finalizar as filmagens do projeto.

Débora não está sozinha nessa, como bem diz o nome do documentário (Hixikanwe significa estamos juntos na língua materna do Sul de Moçambique, o Xi-Changana). A equipe do filme reúne seis profissionais do Recife, do Rio de Janeiro, da Bahia e de Moçambique. Todas mulheres negras com idades entre os 20 e os 30 anos. Muitas das integrantes do grupo tiveram experiências de descoberta semelhantes à da diretora, que de certo modo também se fazem presente como inspiração na narrativa.

Débora Britto, Safira Moreira, Gabriela Palha

Débora Britto, Safira Moreira e Gabriela Palha (técnica de som). Foto: Juh Almeida.

A reflexão sobre a própria existência explorada pelo filme também é mote de outros projetos premiados da produção audiovisual negra no Brasil, como citam as próprias realizadoras. Um exemplo é o documentário Travessia, de Safira Moreira, diretora de fotografia do Hixikanwe. Nele, Safira constrói a história de sua família por meio de fotos ou pela ausência delas.

Agora juntas, Débora, Safira e as mulheres da equipe do Hixikanwe fortalecem a produção audiovisual negra, feminina e independente no Brasil. Ao potencializarem suas vozes, elas abrem caminho para outras mulheres. “As oportunidades de trabalho na área são poucas, especialmente para as mulheres. Então, não faz sentido falar sobre mulheres negras e não gerar condições de trabalho para elas. O processo todo precisa ser colaborativo”, explica.

Essa forma colaborativa de fazer cinema se faz presente até no modelo de financiamento do trabalho. Embora o projeto tenha recebido recursos do Funcultura, “atravessar o continente não é uma tarefa simples”, explica Débora. “Mas ser mulher negra, sobreviver, resistir e produzir nossas próprias narrativas também nunca foi fácil”, completa. A estratégia das realizadoras para arrecadar recursos adicionais foi fazer uma campanha de financiamento coletivo pela internet. Com intensa mobilização nas redes sociais e uma comunicação voltada ao público jovem, elas conseguiram levantar os R$ 25 mil para cobrir despesas como transporte, alimentação, entre outras, e passaram da meta. “A gente bateu a meta antes do tempo!”, comenta Débora, surpresa com o apoio do público.

matéria hixikanwe

Mulheres moçambicanas. Fotos: Débora Britto

Hixikanwe

O documentário “Hixikanwe – Estamos Juntas” deve ser finalizado no primeiro semestre do próximo ano. As primeiras filmagens aconteceram em 2014 e as etapas finais das gravações serão realizadas durante o próximo mês, durante viagem da equipe à Moçambique.

 

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Sobre o autor

Mariama Correia trabalhou por mais de três anos como repórter do caderno de Economia da Folha de Pernambuco. Antes disso, adquiriu ampla experiência atuando como freelancer e em assessorias de imprensa. Tem cursos nas áreas de jornalismo de dados (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), fact-checking e mídias digitais (Kings Brighton).

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