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	<title>Arquivos campanha eleitoral - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 19 Sep 2024 21:20:36 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos campanha eleitoral - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>As razões do sucesso da &#8220;vibe&#8221; de João Campos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Sep 2024 18:57:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação política]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era uma quinta-feira de sol quente na Bomba do Hemetério, zona norte do Recife. Desempregada, Thayane da Silva estava na rua à procura do prefeito João Campos, candidato à reeleição no Recife. Na frente da casa dela, uma ladeira, o esgoto corria com força. Thayane carregava nos braços o filho de três anos, que recentemente [&#8230;]</p>
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<p>Era uma quinta-feira de sol quente na Bomba do Hemetério, zona norte do Recife. Desempregada, Thayane da Silva estava na rua à procura do prefeito João Campos, candidato à reeleição no Recife. Na frente da casa dela, uma ladeira, o esgoto corria com força. Thayane carregava nos braços o filho de três anos, que recentemente recebeu um diagnóstico de autismo. Ele nunca foi para creche, porque a mãe nunca conseguiu uma vaga. “A vez que consegui era muito longe daqui de casa, não dava para levar”, contou.</p>



<p>Apesar desses problemas que afetam diretamente a vida dela, Thayane se derrama em elogios para João Campos. Fica desolada ao saber que ele já foi embora dali e repete por várias vezes o quanto admira o prefeito. “Queria tirar uma foto com ele, imprimir e fazer um banner”, brincou. Pergunto os motivos que ela tem para admirar o prefeito. “O trabalho dele é muito bom”, diz, vagamente. Insisto e ela cita como exemplo as creches, justamente onde o filho dela não conseguiu vaga.</p>



<p>É pelo celular que Thayane acompanha o trabalho do prefeito. E foi por lá que ela passou a admirá-lo.</p>



<p>A comunicação de João Campos nas redes sociais é vista como um caso de sucesso até pelos adversários, que o acusam de mostrar um Recife que não existe. No Instagram, o prefeito tem mais de dois milhões de seguidores. E converte essa popularidade também em votos nesta eleição: nenhuma pesquisa eleitoral o coloca com menos de 70% da intenções de votos.</p>



<p>“Os políticos perceberam que é muito melhor ter um fã do que ter um eleitor”, ressalta João Kamradt, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e professor da Faculdade Ielusc. Mas para conseguir fãs ao invés de meros eleitores, os candidatos e políticos têm que emular o que uma celebridade faz nas redes sociais.</p>



<p>Kamradt cita que um dos precursores desse movimento foi o ex-primeiro ministro britânico David Cameron que já nos anos 2000 se filmava ao lado da família tomando o café da manhã. “Isso parece algo simples, mas abre uma janela para intimidade daquele político”, diz o pesquisador.</p>



<p>“Hoje o que estamos vendo nesses elementos de celebrização da política são políticos tentando buscar lógicas, elementos visuais e narrativas que são comuns às celebridades. É uma busca para criar uma forma de narrativa que o apresente não necessariamente como um político, mas sim como um indivíduo. Alguém que deve ser admirado, almejado. Um ‘íntimo distante’, que é a ideia de uma celebridade. Os políticos mais recentes mostram sua privacidade – ainda que seja uma privacidade controlada – para dar um elemento pós-político, no sentido de ‘eu sou um político, mas isso não é toda a minha vida’”, analisa Kamradt.</p>



<p>O pesquisador não vê tantos elementos da celebrização sendo usados com frequência nas redes de João Campos, já que ele não mostra muito sua privacidade. “Ele é de uma família tradicional da política e tem uma vida privada que é relativamente controlada. Ele se mostra correndo, dançando, incorporando a cultura do Recife, participando ativamente da vida social da cidade. Isso é uma incorporação muito de um político tradicional, ainda que feita de forma bem atual, mas ele não dá aquele passo a mais de abrir a porta da sua privacidade”, diz.</p>



<p>Uma brecha na intimidade que João Campos deu nestas eleições foram os vídeos postados em colaboração com o perfil no Instagram da namorada Tábata Amaral, candidata à prefeitura de São Paulo. “Aparentemente, a gente acha que esses vídeos não contam, mas eles geram um tipo de sensação de intimidade que é muito importante para a conexão com o eleitor”, pontua Kamradt.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/JC-nevou-Loepert.jpg" alt="Foto de perfil de João Campos, ele é um home branco, jovem, olhos verdes, de cabelos pintados de brancos, usando uma camisa de estampado colorido. À direita da imagem, junto dele e em primeiro plano, há um outro homem, de barba e cabelos pretos, mas cujo rosto está completamente desfocado." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ao &#8220;nevar&#8221; os cabelos no carnaval 2024, Campos riu de si mesmo, afirma Fontanella
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Rodolfo Loepert/PCR</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">O prefeito que ri de si mesmo</h2>



<p>Na identificação com a cultura local com que João Campos abastece as redes há muita estratégia por trás, aponta o professor de publicidade da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) Fernando Fontanella. Isso inclui a participação de influenciadores locais, como os astros do bregafunk. No carnaval, Campos postou vários vídeos dançando ao lado do dançarino, produtor e cantor Anderson Neiff, a quem chamou de “amigo querido” e “lenda”, e que tem mais de 7,4 milhões de seguidores no Instagram.</p>



<p>Fontanella cita como o auge dessa estratégia o “nevou” do prefeito durante o carnaval. O vídeo de João Campos revelando o cabelo platinado no instagram teve mais de 25 milhões de visualizações.</p>



<p>“João Campos é um cara branco, da elite. Ele não é da periferia. Mas, a partir dessa mediação com <em>influencers</em> da periferia, ele consegue não parecer falso, não fica forçado. Ele consegue soar autêntico”, avalia.</p>



<p>Outro fator chave que ajuda a construir esse vínculo com os espectadores, e eleitores, é uma<em> vibe</em> – uma sensação, uma vibração – de bom humor, de sempre parecer enérgico e “pra cima”. “Ele não se leva tanto a sério. Tem uma dinâmica que você vai ver também no que o prefeito Eduardo Paes faz no Rio de Janeiro”, diz Fontanella. “João Campos corre muito risco nas redes sociais – como o de parecer ridículo. Um risco por vezes controlado, mas um risco. Há uma nova geração de políticos que topam correr mais riscos”, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Profunda mudança na comunicação política</h3>



<p>Em 2020, João Kamradt defendeu a tese de doutorado <em>Políticos celebridades e celebridades políticas no Brasil: uma análise sobre as eleições presidenciais de 2018</em>. Nela, mostra como o surgimento dos políticos celebridades está relacionado a uma profunda transformação pela qual está passando o conceito de representação.</p>



<p>“Nesse novo processo, há uma reaproximação da posição entre representante e representado. Ou seja, a cultura da fama (especialmente a partir do surgimento dos <em>reality shows</em>) reapresenta a ideia de que alguém que nos representa deve ser alguém como nós. Assim, compartilhará dos mesmos gostos, terá um estilo de vida semelhante e irá ter preocupações parecidas com as nossas”, escreveu na tese,<strong><a href="https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/216375" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> que pode ser lida aqui.</a></strong></p>



<p>Essa busca pelo fator celebridade entre os políticos decorre também pelo fatigado argumento de descrença na política. Como os eleitores já não acreditam que os candidatos e candidatas irão realmente cumprir os que estão prometendo, uma campanha baseada em propostas perde força.</p>



<p>“As pessoas não estão muito preocupadas com as propostas. Muitas vezes elas não têm os instrumentos para interpretar o que pode ser feito ou não, têm até dificuldade de enxergar o efeito prático de um ou outro político na vida dela porque entra prefeito, sai prefeito, mas a queixa segue igual. As pessoas estão interessadas em linhas gerais”, afirma Fontanella. “Começamos a escolher políticos muito pela <em>vibe</em>, tanto na esquerda como na direita”, acrescenta.</p>



<p>Kamradt reforça que hoje os eleitores estão buscando elementos culturais em comum para validar moralmente os políticos. “Então, por exemplo, se você conhece uma pessoa que gosta do seriado <em>The Office</em>, você vai ter uma imagem de qual o tipo de humor que ela tem. É como conhecer uma pessoa nova: a gente vai fazendo pequenos julgamentos baseados em uma série de elementos culturais que essa pessoa vai apresentando”, explica.</p>



<p>Karmadt não acredita, contudo, que o argumento da descrença política explica a totalidade do que vem acontecendo nas últimas eleições: trata-se de uma mudança mais profunda na comunicação.</p>



<p>“É um argumento muito utilizado de como a descrença política leva quase a uma antipolítica. A descrença política que a gente está falando também decorre de uma incapacidade nossa de compreender que tem outros elementos comunicacionais que estão alterando a perspectiva de como é feita a política atual”, diz. “Estamos vendo um Pablo Marçal (um &#8216;antipolítica&#8217;) atrás do outro e me parece que isso está virando meio que uma normalidade. Tem muito mais a ver com uma nova lógica midiática que, na minha visão, ainda não conseguimos compreender totalmente”, destaca.</p>



<p>Se 2018 foi a eleição do Instagram, o pesquisador acredita que esta é a eleição dos cortes do TikTok. E qual é a mudança de uma para a outra? “Cada uma das ferramentas tem funções distintas. Por exemplo, uma publicação para o <em>story</em> tem uma lógica visual e uma narrativa distinta do que aquilo que vai para o feed. Não é todo mundo que compreende isso. Só que isso modifica a forma como você vai se comunicar. O TikTok é um tipo de comunicação que geralmente precisa de um engajamento muito mais presente. Apesar de Marçal ser um <em>coach</em> com muitos seguidores, não era para ser um cara tão relevante assim nessa disputa em São Paulo. Mas ao utilizar a rede social a seu favor, fazendo confronto – e confronto gera engajamento nas redes –, ele conseguiu mobilizar a eleição em volta do nome dele, utilizando elementos que estão presentes nas redes sociais”, analisa.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Um político que sabe escutar</h3>



<p>Assim como as celebridades da internet, os políticos não podem deixar de lado as redes sociais sob o risco de perderem relevância. É uma campanha permanente, que não acontece apenas no período eleitoral. Fernando Fontanella credita o sucesso de João Campos nas redes sociais à adoção de práticas atualizadas – algo que os políticos locais ainda não conseguem explorar bem.</p>



<p>“Na verdade, no Brasil estamos meio desatualizados no uso de tecnologias e dos saberes que o marketing de influência e de mídias sociais têm produzido. E João Campos usa essas boas práticas de forma muito competente”, diz.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Fontanella vê semelhanças entre estratégias de Obama e João Campos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ryan Gleen/Wikimedia Commons</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Um exemplo que Fontanella dá é ainda o da primeira campanha de Barack Obama, em 2008, a do “Yes, we can”, que já foi mais baseada nessa concepção de<em> vibe</em> do que de propostas. “Me dá a impressão que na comunicação do João Campos eles estudam vários casos que deram certo e vão aplicando isso no perfil dele. Mas sabendo fazer, porque não é só copiar. Eu acho que eles estão sabendo muito bem fazer a adaptação para o cenário recifense”, diz.</p>



<p>Um dos trunfos de João Campos, afirma Fontanella, é que ele ouve a equipe de comunicação dele. “Qualquer profissional que trabalhe com marketing político vai dizer que uma das grandes dificuldades dessa área é o próprio político. Geralmente, tendem a ser muito centralizadores e então é difícil que eles escutem a estratégia do pessoal de marketing. O oposto também acontece: candidatos que se entregam demais e aí viram um boneco, tudo meio artificial”, compara.</p>



<p>Para Fontanella, o prefeito do Recife sabe manter um equilíbrio nos bastidores. “João Campos é um cara que ao mesmo tempo que vem de uma dinastia política, que vem sendo preparado desde muito novo, quem trabalha com ele diz que ele escuta muito, que não é um político que acha que sabe mais de marketing que a equipe. Ele combina um certo saber se portar com estar bem assessorado”, afirma.</p>



<p>Outro ponto que não dá para deixar de lado é como as redes sociais de João Campos exploram o fator “candidato bonito”. Neste fim de semana, por exemplo, foi postada uma foto de João Campos tal qual &#8220;super-homem&#8221;, flexionando os bíceps. Na inauguração do parque da Tamarineira, João Campos se molhou nas fontes d’água usando uma camisa branca. “É um fator importante e as pessoas têm até vergonha de falar sobre isso. Mas faz parte da presença digital de João Campos ter uma aparência que as pessoas acham bonita, isso gera um caráter de <em>influencer</em> também. Você não pode dizer, porém, que isso começa com as mídias sociais, porque sempre houve esse fenômeno do candidato acusado de fazer esse tipo de apelo da beleza”, diz Fontanella.</p>





<p>Há outra acusação frequente contra as redes de João Campos, que nem de longe é uma novidade: a de apresentar um Recife que não existe, ou com um recorte muito específico. “O campo da ética não muda se você está usando marketing digital tradicional ou de influência, é sempre o mesmo. Eu acho que é importante debater isso, porque muitas vezes se olha o que João Campos está fazendo nas mídias sociais e se diz que é fantasia, principalmente a oposição diz isso. Mas quando você olha a propaganda política tradicional, ninguém estava mostrando a realidade também. Nesse sentido, ele não está fazendo uma coisa nova. O que é diferente é que o que ele está fazendo está dando certo”,</p>



<h2 class="wp-block-heading">Há pontos fracos, mas oposição parou no tempo</h2>



<p>Mas se João Campos está nadando de braçada nas redes sociais e nas pesquisas eleitorais, a culpa também é da concorrência. Para Fontanella, todos os demais candidatos à prefeitura do Recife fazem um marketing político tradicional, sem novidades ou capacidade de engajamento nas redes sociais.</p>



<p>“João Campos vem construindo as condições para essa reeleição há anos e você vê os opositores dele completamente despreparados. Me parece que a equipe de Dani Portela (PSOL) sacou o sistema dele, mas ainda não tem uma linguagem estudada, não tem um volume de mídia para se contrapor, não tem investimento. O próprio candidato do PL, o Gilson Machado, se comunica muito mal. Ele tenta imitar algumas coisas do Bolsonaro, mas não tem discurso, nem no marketing tradicional ele está fazendo alguma coisa consistente”, avalia.</p>



<p>“Não estou dizendo que a comunicação de João Campos é ruim, eu acredito que é boa, mas ele está ganhando por WO. Seria interessante vê-lo concorrer com alguém que tem uma boa capacidade de comunicação. Não podemos nos iludir e achar que é um gênio do marketing. Ele está fazendo tudo certo, mas é importante pontuar que ele está no microcosmo do Recife. É um influenciador que está muito impulsionado pela máquina. Ele viralizou dançando lá no Marco Zero no Carnaval, mas ele é o prefeito, claro que vai ter um destaque. Ele sabe usar muito bem a linguagem do Recife Ordinário, de <em>shitposting</em>, só que esses perfis também recebem dinheiro público para publicidade da Prefeitura do Recife. Não dá pra ignorar o fato de que ele está sendo beneficiado, que tem toda uma máquina por trás”, lembra.</p>



<p>Entre os pontos fracos, Fontanella explica que João Campos trabalha muito o aspecto da atração e da atenção, mas que deixa a desejar na retenção. “Ele não trabalha tanto o aprofundamento, nada garante que amanhã ele vá ter um capital político que vai permanecer”, diz o especialista, citando como exemplo as deputadas Erika Hilton e Tabata Amaral. “Elas desenvolvem mais a questão do funil de atração: de ter essa atração com um conteúdo mais rápido, como um vídeo no TikTok, e depois fidelizar o público, os eleitores, com um conteúdo mais aprofundado, como um vídeo no YouTube”, diz.</p>



<p>Assim como as celebridades correm o risco da super exposição, do público se cansar ou enjoar da imagem delas, os políticos que estão super expostos nas redes sociais também correm o mesmo risco. “É impossível você manter esse pico de atenção por um longo prazo. Casimiro [o <em>youtuber</em> e <em>streamer</em> Casimiro Miguel] é um bom exemplo: assim que ele explodiu começou a construir uma outra área de atuação, a Cazé TV”, diz. “Para mim o grande desafio do João Campos é como é que ele vai manter esse capital político que ele criou com as mídias sociais. Ele vai ter que fazer estratégias para fidelizar esse público que ele tem”.</p>



<p>Para João Campos alçar voos mais altos, como o Governo de Pernambuco, será necessário ampliar a influência dele para além do microcosmo do Recife – isso falando essencialmente de comunicação. “Raquel Lyra tem uma presença digital muito fraca. A não ser que ela mude muito rápido, e eu não sei se ela tem esse tempo, vai ser uma disputa difícil para ela. João Campos já tem uma mensagem preparada. Ele pode só fazer quase um ‘ctrl-c, ctrl-v’ da estratégia e procurar influenciadores no interior para trabalhar a imagem dele, assim como fez no Recife”, analisa. “Vamos ter um teste daqui a dois anos e estou curiosíssimo”. Estamos todos.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/JC-Raquel.jpg" alt="Montagem de duas fotos de Raquel Lyra, mulher branca, de cabelos compridos castanhos, usando a mesma bolsa marrom. Na foto à direita, ela usa blusa cor de rosa, tendo na parte inferior da foto o texto segunda. À esquerda, ela está ventindo um top branco, na porção da inferior da foto, a palavra domingo." class="" loading="lazy" width="645">
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	                                        <p class="m-0">Governadora Raquel Lyra não tem a mesma presença nas redes sociais, avalia Fontanella
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução Instagram @raquellyraoficial</span>
                                    </figcaption>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/as-razoes-do-sucesso-da-vibe-de-joao-campos/">As razões do sucesso da &#8220;vibe&#8221; de João Campos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Falta de público leva Bolsonaro a abrir campanha do PL em sinagoga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Aug 2024 21:55:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Gilson Machado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A falta que faz um cartão corporativo da Presidência. Esse poderia ser o resumo da primeira aparição pública do ex-presidente Jair Bolsonaro como cabo eleitoral dos candidatos do PL em Pernambuco. Sem a capacidade de mobilização que a máquina pública propicia, o evento que deveria acontecer no espaço amplo da praça da Independência &#8211; antiga [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A falta que faz um cartão corporativo da Presidência. Esse poderia ser o resumo da primeira aparição pública do ex-presidente Jair Bolsonaro como cabo eleitoral dos candidatos do PL em Pernambuco. Sem a capacidade de mobilização que a máquina pública propicia, o evento que deveria acontecer no espaço amplo da praça da Independência &#8211; antiga pracinha do Diário &#8211; como informado pelo partido na véspera, acabou sendo transferido, de última hora, para a estreita rua do Bom Jesus, mais adequada para fazer algumas centenas de fanáticos parecerem uma multidão. </p>



<p>Depois de passarem pela praça, após sair do restaurante Leite, onde almoçaram, Bolsonaro e seus seguidores foram direto para o Recife Antigo.</p>



<p>Na Bom Jesus, a primeira atividade da campanha de Gilson Machado a prefeito do Recife começou em um lugar inusitado: a sinagoga Kahal Zur Israel, famosa por ser o mais antigo templo da religião judaica nas Américas. De acordo com dados do Censo 2022, em todo o estado de Pernambuco vivem 2.477 judeus, contingente insuficiente até para eleger um vereador do Recife. Apesar do improviso, a escolha teve valor simbólico para a direita evangélica, que mantêm Israel como um lugar mítico em seu imaginário.<br><br>Quando Bolsonaro chegou ao Recife Antigo, o lugar estava fechado para a visitação, mas os políticos do PL conseguiram que ele fosse recebido. Depois de 20 minutos lá dentro, o ex-presidente e |o candidarto apareceram numa janela do 1º andar usando um quipá, a touca tradicional dos judeus. Das janelas dos prédios vizinhos, ocupados em sua maioria por empresas de tecnologia, rapazes e moças faziam o “L” e enviavam dedadas para o séquito da extrema-direita, que revidava com gestos simulando revólveres, fuzis ou metralhadoras.</p>



<p>Apesar das atividades de rua só estarem liberadas a partir do dia 16 de agosto, da sinagoga ele seguiu para Olinda, onde participou de evento ao lado da candidata bolsonarista na cidade, Isabel Urquiza.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Carne barata e mau cheiro</h2>



<p>Trinta e sete motoqueiros – sim, este repórter contou um a um – passaram pela praça do Arssenal escoltando a comitiva.</p>



<p>No final da fileira de veículos 4&#215;4 dos parlamentares e candidatos que acompanhavam a SUV que levava Bolsonaro, as poderosas caixas de som em um carro ecoavam um jingle de campanha cuja letra pedia a volta de Bolsonaro, que “tá tudo complicado” e “caro demais”. Na esquina da Bom Jesus com a praça, um sorveteiro reagiu na hora: “Ôxi, ontem mesmo eu comprei carne para fazer bife a 22 reais o quilo”.</p>



<p>No lado oposto da praça do Arsenal, o comerciante Carlos Moura, proprietário de um bar e um restaurante no local, debochava do público que Bolsonaro atraiu para o bairro: “Sabe o que isso me lembrou? De um navio que ficou ancorado muitos dias bem aí na frente,cheio de búfalos importados. Foi um fedor danado, juntou mosca no bairro todo por causa do estrume e da carniça dos animais que morreram”.</p>
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		<title>Extrema-direita usa as pesquisas eleitorais para atingir credibilidade da imprensa</title>
		<link>https://marcozero.org/extrema-direita-usa-as-pesquisas-eleitorais-para-atingir-credibilidade-da-imprensa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 19:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#eleições2022]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
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		<category><![CDATA[extrema direita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos últimos dias para a eleição do segundo turno há um bombardeio de pesquisas eleitorais. Desta quarta-feira (26) até o sábado (29), véspera das eleições, serão divulgadas pelo menos 11 pesquisas para presidente. Após o primeiro turno deste ano, com vários resultados fora da margem de erro das pesquisas divulgadas dias antes, teve início um [&#8230;]</p>
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<p>Nos últimos dias para a eleição do segundo turno há um bombardeio de pesquisas eleitorais. Desta quarta-feira (26) até o sábado (29), véspera das eleições, serão divulgadas pelo menos 11 pesquisas para presidente. Após o primeiro turno deste ano, com vários resultados fora da margem de erro das pesquisas divulgadas dias antes, teve início um feroz movimento no Congresso para a punição dos institutos de pesquisa.</p>



<p>A busca por criminalizar as pesquisas eleitorais não é algo novo e há registros de projetos de lei neste sentido desde  a primeira eleição da redemocratização do Brasil. Ainda assim, chama a atenção as movimentações das últimas semanas encabeçadas pelo presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, que conseguiu aprovar a urgência de um projeto de lei que amplia multas a institutos de pesquisa e altera o conceito de pesquisa fraudulenta, prevendo até prisão.</p>



<p>Além deste projeto de lei, aliados do presidente Bolsonaro, incluindo o filho Eduardo Bolsonaro (PL), protocolaram na sexta-feira (21) um pedido de uma CPI para investigar os institutos, que também é apoiada por Lira.</p>



<p>Alvo dos bolsonaristas, pesquisadores também têm sido agredidos no Brasil afora. Em nota, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) e a Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel) repudiaram nesta semana as agressões. “As empresas de pesquisa realizam um trabalho importante para o processo eleitoral, fornecendo informações relevantes à população. A tentativa de interferir no trabalho dessas empresas ou descredibilizá-las representa uma afronta à liberdade de expressão e à própria democracia”, afirmam as associações.</p>



<p>Ainda que não devam ser criminalizadas, as pesquisas eleitorais precisam ser olhadas de uma forma mais realista, acreditam especialistas. “A pesquisa é uma estimativa do momento em que foi realizada, e não pode ser encarada como previsão do futuro”, afirma o professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Carlos Figueiredo, pesquisador das áreas de comunicação e economia.</p>



<p>O cientista político Antônio Torres, doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), faz coro ao ratificar que as pesquisas são um retrato do momento. “Não têm a intenção de prever o resultado eleitoral. Uma das formas que se utiliza para ver se os institutos foram bem ou não é comparando com o dia da eleição. Mas existem outras formas mais adequadas. Todas essas situações de incerteza do eleitorado no voto, de migração de última hora para um possível voto útil podem também ter acontecido no primeiro turno. Mas um sintoma que vem sendo identificado é que as pesquisas estão subestimando os votos em Bolsonaro”, avalia Antônio Torres.</p>



<p>Essa fenda em relação ao total de votos em Bolsonaro é bem nítida quando se compara o resultado das urnas às pesquisas do dia anterior ao primeiro turno. As pesquisas de voto em Bolsonaro variavam entre 34% (Datafolha e Ipec) e 37,3% (Paraná Pesquisas) – ou seja, de -7,29 a -3,99 pontos em relação ao resultado das urnas que foi de 43,2%. </p>



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<p>Minar a credibilidade da imprensa é uma das principais estratégias da extrema-direita e as pesquisas estão também sendo usadas para isso. Um exemplo é o pedido do Ministro das Comunicações, Fábio Faria, para que os eleitores de Bolsonaro boicotassem as pesquisas. “No primeiro turno, o voto envergonhado pode ter sido o voto em Bolsonaro e não no Lula, como muita gente acreditava. É muito difícil verificar essa hipótese, mas pode ter existido a influência da guerra comunicacional que a extrema-direita trava nos dias que antecedem às eleições, e que pode ter conquistado o eleitor de Ciro Gomes e Simone Tebet. A discrepância entre as pesquisas e o resultado das urnas acaba se tornando um elemento utilizado pela extrema-direita para desacreditar os institutos de pesquisa e a imprensa, que veicula esses levantamentos”, afirma Carlos Figueiredo.</p>



<p>Além da estratégia da extrema-direita, o atraso no Censo, que deixa uma infinidade de dados no Brasil defasados, também pode ter influenciado nas discrepâncias. Figueiredo aponta que o instituto Atlas, que divulgou resultados mais próximos das urnas, usou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de 2021, e não o Censo 2010. “As amostras podem ter representado equivocadamente determinadas classes sociais, grupos religiosos entre outros, pois os dados utilizados para construir as amostras estão defasados e não correspondem mais à realidade. Quanto à metodologia, não sei se seria o caso de mudá-la radicalmente. Mas a construção da amostra deveria utilizar, sim, dados mais recentes”, acredita.</p>



<p>Outro ponto levantado por Carlos Figueiredo é que a abstenção é difícil de ser medida por meio das pesquisas eleitorais. “O cientista político Antônio Lavareda, que possui larga experiência de atuação em campanhas políticas, apontou que a abstenção eleitoral pode ter desempenhado um papel muito relevante. Poucas pessoas confessam que não votarão quando respondem a pesquisas, mas a abstenção alcançou 20,95%, quase 33 milhões de votos. Os números de brancos e nulos também foram muito baixos, cerca de 4,3%, quase metade da média histórica. Esses números apontam para um voto decidido no último momento”, aponta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Pesquisas eleitorais no centro da cobertura</h2>



<p>As pesquisas de intenção de voto são super exploradas pela imprensa? Há um peso exacerbado dessas pesquisas na cobertura jornalística? Tema de vários estudos acadêmicos, é difícil falar de cobertura eleitoral na grande mídia sem que as pesquisas estejam no centro da cobertura eleitoral. Emissoras de TV e grandes portais gastam centenas de milhares de reais com pesquisas, eleições após eleições.</p>



<p>Para o professor da UFS, as pesquisas ocupam essa centralidade porque jornalistas precisam transformar a política em uma narrativa atraente. Mas a cobertura das estratégias dos grupos políticos, embora sejam pratos cheios para narrativas envolventes e com emoção, tendem a ser repletas de informações de bastidores, observações, sentimentos, frases e expressões que carecem de “objetividade”.</p>



<p>“Para comentar sobre política de forma &#8216;objetiva&#8217; os jornalistas precisam de dados que sustentem essa pretensa objetividade. As pesquisas fornecem esse dado objetivo coletado e analisado a partir de uma metodologia sólida. Nos períodos não-eleitorais, é comum jornalistas dos canais de notícias por assinatura discutirem as taxas de aprovação dos governos estaduais e federal, por exemplo. Nas eleições, essa lógica é exacerbada. A partir das mudanças nas pesquisas, que podem sugerir tendências do eleitorado, os comentaristas da mídia postulam possíveis estratégias, dão veredictos, criticam as ações das campanhas dos candidatos, por exemplo, sempre com base em dados que seguem critérios científicos com larga tradição nas ciências sociais”, afirma Carlos Figueiredo.</p>



<p>O cientista político Antônio Torres vê que há uma ansiedade na imprensa e que as pesquisas políticas acabam sendo veiculadas de forma equivocada. “Principalmente quando se chega na reta final da campanha e as manchetes focam nos votos válidos. Acaba sendo um uso que, de certa forma, quer buscar uma antecipação do resultado, que não é o propósito das pesquisas”, diz.</p>



<p>Esse foco nas pesquisas, acredita Antônio, se intensificou nestas eleições com os sites que agregam várias pesquisas e a proliferação dos institutos fazendo pesquisa eleitoral. “É difícil não colocar a pesquisa como central nessa cobertura quando o que temos visto é mais e mais pesquisas sendo feitas. Isso pode confundir os eleitores, porque tem várias pesquisas, com metodologias diferentes que não são comparáveis. E essa diferença de percentuais entre institutos acaba fazendo que haja ainda mais discussões, deixando as pesquisas ainda mais centrais”, diz.</p>



<p>Para Carlos Figueiredo, o problema de colocar as pesquisas nessa centralidade da cobertura é que questões envolvendo os problemas públicos e desafios dos governos a serem eleitos passam ao largo da cobertura, que acaba tomando um rumo despolitizante. “É o que alguns estudiosos chamam enquadramento da &#8216;corrida de cavalos&#8217;. A eleição é tratada como uma corrida em que cada participante traça suas estratégias, cujo sucesso será debatido a cada nova pesquisa eleitoral. O grande problema é que vivemos em um mundo em que as instituições parecem desmoronar diante dos nossos olhos, e determinadas ações como ataques às instituições, desinformação, entre outros, são tratadas simplesmente como &#8216;estratégias&#8217;. É um mundo complexo, e isso exige que os jornalistas políticos se esforcem para explicá-lo ao público”, afirma.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
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		<title>Outubro ou nada</title>
		<link>https://marcozero.org/outubro-ou-nada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2022 19:46:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[30 de outubro]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Lula presidente]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos sociais]]></category>
		<category><![CDATA[representação política]]></category>
		<category><![CDATA[segundo-turno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Carmen Silva* Lula foi vitorioso no primeiro turno. Teve quase 6 milhões de votos à frente do outro candidato aquele que está no governo, tem a máquina e que quebrou o Estado brasileiro. Por que, então, predominou um sentimento de derrota na esquerda? As pesquisas de intenção de voto e a onda de posicionamentos [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Carmen Silva*</strong></p>



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<p>Lula foi vitorioso no primeiro turno. Teve quase 6 milhões de votos à frente do outro candidato aquele que está no governo, tem a máquina e que quebrou o Estado brasileiro. Por que, então, predominou um sentimento de derrota na esquerda? As pesquisas de intenção de voto e a onda de posicionamentos de personalidades públicas a favor da candidatura Lula na última semana gerou uma expectativa alta de vitória no primeiro turno, muito embora nada pudesse garantir isso. E, ao não acontecer, o impacto foi sentido. Certamente, nesta semana, os ânimos serão revigorados e outubro verá a retomada das ruas pelo vermelho da esperança.</p>



<p>A ideia era que o voto útil migrasse das candidaturas da chamada terceira via para a candidatura Lula, entretanto, parte dele migrou para a candidatura Bolsonaro, aumentando o seu percentual de apoio nas eleições. Além disso, a campanha Bolsonaro gerou um mundo paralelo de desinformação e intimidação daqueles que discordam de sua linha. A campanha Lula não conseguiu gerar uma onda de movimentação nas ruas que quebrasse os sentimentos de medo causados pelo outro lado. No dia 2 de outubro muita gente não saiu de vermelho e não colocou adesivos no peito. Muitos ficaram em dúvida se deveriam comemorar caso Lula fosse eleito naquele dia. Tudo isso se deve ao clima de terror que o neofascismo conseguiu implantar no país.</p>



<p>Apesar disso, passados dois dias do resultado eleitoral, vê-se que a leitura dos números demonstrou claramente não apenas a eleição de Lula em primeiro lugar, mas possibilidades fortes de vitória no segundo turno, dia 30 de outubro. No âmbito parlamentar, e para os governos estaduais, ganhou a esquerda e também a extrema direita. Tudo indica que, notadamente, o centro político perdeu. A próxima legislatura será bastante polarizada. Por um lado, a extrema direita com vários ex-ministros do governo Bolsonaro no Senado e muitos deputados eleitos pelo PL na Câmara Federal, por outro lado a esquerda ampliada, como frente democrática, conta com vitória tanto numérica quanto qualitativa. Os partidos da campanha de Lula no primeiro turno, se somados aos que virão no segundo, reúnem o quantitativo necessário para garantir a chamada governabilidade. Do ponto de vista qualitativo destaca-se a renovação, a entrada de parlamentares indígenas, do MST e do movimento negro. Cabe registar que a principal liderança do MTST obteve mais de um milhão de votos em SP para a Câmera Federal.</p>



<p>Um elemento importante dessa polarização que marcou o primeiro turno é que o clã bolsonarista teve que aceitar os resultados eleitorais, ou seja, apesar de todo receio do campo de esquerda, não houve golpe, nem questionamentos às urnas, nem uma onda maior de violência política no dia das eleições, nada disso aconteceu. Isso gera melhores condições para que, com a vitória de Lula no segundo turno, Bolsonaro esteja politicamente impedido de questionar os resultados eleitorais. Obviamente, caso Bolsonaro viesse a ser eleito no segundo turno, ele teria maiores condições e possibilidade de mudar o regime político. Daí entraríamos numa era obscurantista e autoritária, mas isso não vai ocorrer. Lula vai ganhar as eleições no segundo turno, dia 30 de outubro, e a polarização dada fará com que a esquerda fique mais à esquerda porque a direita estará mais à direita. Com isso, as condições de o governo Lula ter apoio mais amplo da frente democrática, que o terá apoiado no segundo turno, são mais reais.</p>



<p>Nesse primeiro turno os movimentos sociais nacionalmente organizados atuaram como sujeitos políticos tanto lançando candidaturas orgânicas como colocando no debate eleitoral plataformas com suas pautas, para as quais angariaram apoio de inúmeras candidaturas para o parlamento e para os governos estaduais. Isso pode ser um elemento que ajude a construir uma correlação de forças no governo Lula mais favorável a estas causas.</p>



<p>A missão neste mês de outubro é eleger Lula Presidente da República, mas para que isso ocorra, com alteração da correlação de forças que marcou o primeiro turno, é necessário que a campanha ganhe as ruas, espaço que os movimentos sociais costumam ocupar com maestria. Não será possível impedir o fascismo de se fortalecer pela via eleitoral apenas ampliando os apoios institucionais.</p>



<p>Em Pernambuco, duas mulheres chegam ao segundo turno para disputar o governo. Seria isso uma vitória do feminismo? Sim e não. Sim porque foi a luta feminista que criou as condições históricas de possibilidade para que isso acontecesse, que mulheres pudessem votar e serem votadas, que mulheres fossem vistas como seres autônomos responsáveis por suas decisões, capazes de se posicionar politicamente e assumir cargos de poder. Mas também não, porque ambas as candidatas não marcaram suas carreiras políticas pelo compromisso com as causas feministas.</p>



<p>Não basta falar da redução da violência contra a mulher, embora isso seja muito necessário, é preciso propor um modelo de desenvolvimento com justiça socioambiental que garanta trabalho, renda e vida digna para todas nós. Uma política que faça com que os lugares em que vivem as mulheres negras chefes de família sejam protegidos da violência, e que também sejam lugares na qual a saúde, educação e lazer estejam presentes, para que seus filhos não sejam disputados pelo crime organizado nem mortos pela polícia do Estado. É preciso ir além de programas sociais e ter uma política econômica que possibilite empregos com direitos para mulheres que vivem na pobreza. É preciso enfrentar o racismo e o sexismo de forma concreta, e não com discursos, com políticas que assegurem a participação e o poder de decisão, que sejam capazes de enfrentar as desigualdades sociais.</p>



<p>Nós, mulheres feministas, temos colocado no debate público a legalização do aborto como um direito de decidir autonomamente sobre nossa vida reprodutiva. Nós queremos decidir ter filhos e poder criá-los com condições de vida dignas, mas também decidir não os ter e poder abortar em segurança, em hospitais públicos, quando ocorre uma gravidez indesejada, ou quando se é vítima de um estupro. Essa é uma pauta que está em debate nesse momento das eleições e mulheres comprometidas com mulheres a apoiam.</p>



<p>Essa eleição mostrou também a urgência da mudança radical do sistema político brasileiro. Um exemplo concreto é a votação de mais de 80 mil votos para Robeyoncé Lima, uma mulher preta, periférica e travesti, com um programa de esquerda defendido na campanha, que teve todo esse lastro de apoio e não vai nos representar na Câmara Federal, quando outras candidaturas com 60 mil votos foram eleitas deputados federais.</p>



<p>Esse sistema eleitoral, da forma como está organizado legalmente, cria um uma ideia falsa de que o apoio popular para uma candidatura individual é suficiente para elegê-la. Não é. A eleição de uma parlamentar depende do coeficiente atingido pelo seu partido ou federação. Na eleição no Brasil se dá o voto em uma pessoa e ele é somado a todos os votos dados para seu partido/federação. Ou seja, atingir o coeficiente depende também de todas as outras candidaturas daquele partido galgarem uma quantidade boa de votos. A forma como as eleições ocorrem, e as campanhas, passa a ideia de que basta votar em uma pessoa. E, por fim, gera uma injustiça sem proporções, como a que aconteceu com a candidata do PSOL, mas também com outras.</p>



<p>A candidatura de Robeyoncé, com poucos recursos e mais de 80 mil votos, é a demonstração de que o debate feminista, negro e LGBTQIA+ colocado na sociedade brasileira não tem retorno. A bancada de esquerda na ALEPE é outro exemplo, com duas mulheres negras, Dani Portela – PSOL e Rosa Amorim &#8211; PT, sendo eleitas deputadas estaduais.</p>



<p>Nós, do movimento feminista, temos defendido que a eleição seja feita por listas partidárias fechadas como chapas, organizadas com alternância de sexo e raça, com o ordenamento das candidaturas sendo feito pelos encontros partidários, e que os partidos sejam obrigados a apresentar no debate público o programa político que vão defender. Isso permite que as pessoas que queiram ser candidatas se mobilizem para fortalecer seu partido, construir um programa e para estarem na lista em posições que lhes garantam eleição a partir da votação do partido. A eleição em lista fechada seria um elemento para gerar condições de enfrentar a sub-representação de mulheres, pessoas negras e jovens no parlamento, mas também fortaleceria a instituição ‘partido’ na sociedade brasileira e colocaria em discussão projetos políticos, o que não pode ocorrer na forme de hoje, com 35 agremiações partidárias que nada representam em termos de propostas de rumos para o país ou para cada unidade federativa.</p>



<p>Estes dois debates que estou colocando aqui, reforma política no plano federal e políticas públicas para enfrentar a desigualdade das mulheres no plano federal e estadual, são elementos fundamentais que poderemos trabalhar no próximo período. Não só o movimento feminista, mas o conjunto dos movimentos sociais que sai vitorioso dessa eleição pela sua capacidade propositiva.</p>



<p>Agora em outubro, é tudo ou nada. A missão fundamental de todo mundo é ganhar corações e mentes para o apoio à candidatura Lula. Eleger Lula Presidente da República é derrotar o fascismo. Eleger Lula Presidente da República é gerar condições favoráveis para que possamos lutar pela retomada de direitos e pela reconstrução do Estado democrático de direito. Ainda que essa democracia não seja aquela com a qual sonhamos, precisamos dela para construir as possibilidades de sonhar.</p>



<p>*<strong>Carmen Silva é socióloga, constrói o SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia, é militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco e da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.</p><p><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</p></blockquote>
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		<title>Debates nas TVs são um circo ou espaço para a disputa de ideias?</title>
		<link>https://marcozero.org/debates-nas-tvs-sao-um-circo-ou-espaco-para-a-disputa-de-ideias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Sep 2022 19:54:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#eleições2022]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[debate]]></category>
		<category><![CDATA[tv globo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Essa foi a semana dos debates televisivos para o primeiro turno. E quem assistiu aos debates estaduais e o presidencial na TV Globo viu troca de farpas, confusão, perguntas e respostas perfeitas para causar nas redes sociais e pouco tempo para discutir sobre temas que realmente importam para o presente e o futuro do país. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<p>Essa foi a semana dos debates televisivos para o primeiro turno. E quem assistiu aos debates estaduais e o presidencial na TV Globo viu troca de farpas, confusão, perguntas e respostas perfeitas para causar nas redes sociais e pouco tempo para discutir sobre temas que realmente importam para o presente e o futuro do país. </p>



<p>Nas redes sociais, muitas questões foram levantadas sobre a escolha dos que ali estavam debatendo. A presença do autointitulado &#8220;padre&#8221; Kelmon (PTB), que atuou como linha auxiliar de Bolsonaro, levantou dúvidas sobre a lei eleitoral e sobre quem deve receber ou não convite para participar desses programas. Ele desequilibrou o debate, participando como um arruaceiro. Teve sucesso no que foi fazer lá, desestabilizando inclusive o apresentador William Bonner, que, contudo, não o ameaçou de expulsão. </p>



<p>No Twitter, o cientista político Antônio Lavareda fez uma comparação com a eleição norte-americana. &#8220;Imagine se a Jo Jorgensen estivesse nos debates americanos. Ela só teve 1.6% dos votos. Não faria sentido. E é uma intelectual, não uma palhaça como esse padre. O circo dessa noite deve nos fazer a todos refletir sobre nossas regras eleitorais no sentido mais amplo. Elas contribuem para desinteressar a população da política. Parece premeditado&#8221;, escreveu.</p>



<p>Em <a href="https://marcozero.org/engessados-e-previsiveis-debates-perdem-importancia-na-luta-por-eleitor-indeciso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">r</a>eportagem recente publicada aqui na Marco Zero, o professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Carlos Figueiredo, afirmou que para sair da circularidade de ideias e temas dos debates os candidatos buscam frases de efeito. “Essas frases são valorizadas devido ao embate político nas mídias sociais. O candidato pode apresentar uma performance discreta no debate, mas brilhar em duas ou três oportunidades. A equipe de comunicação do candidato pode fazer cortes desses momentos para exibir nas mídias sociais ou no Horário Eleitoral Gratuito”, exemplifica Figueiredo.</p>



<p>Há um evidente desgaste do formato, que tem tido poucas atualizações ao longo do ano<a href="https://marcozero.org/engessados-e-previsiveis-debates-perdem-importancia-na-luta-por-eleitor-indeciso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">.</a> Para o professor de publicidade e propaganda da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Fernando Fontanella, pesquisador de marketing político, participar de um debate nem sempre deve ser a prioridade de uma campanha, do ponto de vista da estratégia. “Em Pernambuco temos quatro candidaturas empatadas, é verdade, mas os quatro têm desafios diferentes. Para uns pode ser mais interessante, para outros não faz tanta diferença assim”, diz. “Para o líder, o debate é sempre uma armadilha”, afirma.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/engessados-e-previsiveis-debates-perdem-importancia-na-luta-por-eleitor-indeciso/" class="titulo">Engessados e previsíveis, debates perdem importância na luta por eleitor indeciso</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
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<p>Fontanella explica que o debate é mais importante para quem é menos conhecido pelo eleitorado. No debate da Globo Nordeste, por exemplo, Miguel Coelho e Raquel Lyra fizeram questão de se apresentar aos telespectadores. “Há três candidatos (os dois citados mais Anderson Ferreira) que têm uma base de votos muito segmentada. São conhecidos e têm muita força nas regiões em que foram prefeitos, mas estes precisam se vender para as outras regiões do estado. Para eles, participar de um debate é muito bom, porque eles se mostram, aparecem e conseguem falar sobre as coisas que fizeram em suas cidades”, acredita.</p>



<p>O debate também funciona como uma vitrine para aqueles que têm pouco tempo no Horário Eleitoral Gratuito. “Ao participar de um debate, eles ganham mais tempo de presença na TV do que todo seu guia. Para esses candidatos, o debate é essencial”, diz.</p>



<p>Quando se parte para quem está na liderança consolidada das pesquisas, como é o caso de Marília Arraes (SD), a história é outra. Desde que começaram a divulgar as pesquisas, a candidata está à frente, ainda que pareça ter atingido um teto. </p>



<p>“Nesse caso, participar do debate é muito questionável. Está se tornando uma regra que o líder não participe, porque só tem a perder. E mesmo para um candidato que não está liderando, dependendo do contexto, não vai fazer tanta diferença assim. Hoje é raro a gente ver uma diferença dramática de intenção de voto por conta de debate. É pelo contexto. E diria mais: frequentemente vemos que o debate é mais causado pela eleição do que a causa de mudança na eleição. Na Bahia, isso é bem visível: está refletindo uma discussão que está acontecendo há algum tempo, que é a autodeclaração como pardo de ACM Neto. Os debates têm se tornado um momento concentrador da discussão”, diz Fontanella.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Debate serve mais para as emissoras</h2>



<p>Tanto no cenário nacional quanto no estadual, o que se tem visto nos últimos debates são tentativas das candidaturas de escapar do formato modorrento. Como Soraya Thronicke (UB) ao confrontar o &#8220;padre&#8221; ao chamá-lo de &#8220;padre de festa junina&#8221; e virar um meme instantâneo nas redes. “Os debates viraram um espetáculo, um festival de provocações. Do ponto da democracia, sim, se deveria mudar o formato. E aí entra uma questão interessante nessa eleição: até que ponto os debates atraem a atenção do público? Informam, cumprem esse papel? O formato que se deve adotar tem que passar por essas duas questões: esse formato está atraindo o eleitor? E, segundo, esse formato melhora a condição do eleitor de formar a decisão do voto dele?”, diz Fontanella.</p>



<p>O pesquisador considera que hoje os debates funcionam para as campanhas como um espaço de credibilidade que oferece material bruto para cortes que serão usados no guia eleitoral e espalhados pelas redes sociais.</p>



<p>Mas se os formatos atuais são mais favoráveis ao circo e não conseguem cumprir a função de ajudar na democracia e de servir para o esclarecimento do eleitor, o não comparecimento das candidaturas é entendido como um desprestígio às emissoras de TV. A atenção que os programas de debate colocam nos faltosos é assim uma forma de punição por desprestigiar a emissora como este espaço de mediação e de vitrine.</p>



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	                                        <p class="m-0">Pouco interessa ao líder das pesquisas ir aos debates, explica Fontanella. Crédito: Reprodução vídeo TV Globo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>“Se não atendem aos eleitores, os debates acabam servindo mais às televisões e aos jornalistas envolvidos que estão criando um show que valoriza a plataforma, colocando a TV como um local privilegiado do debate político e o jornalista como mediador deste debate”, diz Fontanella.</p>



<p>No debate com candidatos ao governo de Pernambuco da TV Globo, constantemente a câmera mostrava as bancadas vazias com os nomes dos que não foram, Anderson Ferreira (PL) e Marília Arraes (SD). Os candidatos presentes também poderiam fazer perguntas aos ausentes &#8211; e ficar no vácuo. </p>



<p>Para Fontanella, o desgaste do formato pode ser uma percepção de que o debate político como um todo migrou para outros espaços. “Essa mediação da TV e do jornalismo tradicional, embora absolutamente necessária, especialmente quando falamos pelo aspecto do jornalismo, na prática teve uma redução de centralidade, de importância”, afirma.</p>



<p>Uma solução é mudar a forma como os debates são pensados e exibidos. “Nos Estados Unidos tem se mexido com o formato, tem se colocado muito mais a participação dos eleitores, que fazem perguntas diretas aos candidatos. Até na sequência de debates entre as emissoras ter uma variação de formatos pode ser algo mais produtivo”, acredita Fontanella. </p>



<p>Na reportagem anterior sobre debates, os professores Carlos Figueiredo e Heitor Rocha, do departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), falaram sobre a necessidade uma checagem de fatos ao vivo, que fosse exibida durante o próprio programa. No debate de ontem da TV Globo essa necessidade ficou gritante, com candidatos e candidatas despejando fatos e números sem nenhuma confrontação oficial da emissora. Bolsonaro chegou a acusar Lula de assassinato e o candidato do Novo afirmou que o Brasil paga R$ 500 bilhões de juros. Nenhum dos dois apresentou provas, nem foram contestados pela emissora.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
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		<title>Engessados e previsíveis, debates perdem importância na luta por eleitor indeciso</title>
		<link>https://marcozero.org/engessados-e-previsiveis-debates-perdem-importancia-na-luta-por-eleitor-indeciso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2022 19:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#eleições2022]]></category>
		<category><![CDATA[anderson ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
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		<category><![CDATA[mídia]]></category>
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<p>Na semana decisiva para as eleições, a televisão é inundada por debates políticos. Para o governo de Pernambuco, ontem a TV Guararapes/Record exibiu o primeiro debate da semana. Na quinta-feira, às 11h, acontece o da TV Jornal/SBT. E, hoje, aquele deve ter mais audiência e é considerado o mais importante, o da TV Globo, logo após a novela <em>Pantanal</em>. Com um modelo que tem tido poucas mudanças ao longo dos anos, os debates desta semana geram uma expectativa maior pela disputa acirradíssima tanto em Pernambuco, com uma situação inédita com cinco candidatos competitivos, quanto nacionalmente, com a possibilidade de Lula vencer Bolsonaro já no primeiro turno. Mas também levantam questionamentos sobre a importância para as campanhas e os resultados nas urnas. </p>



<p>Para o professor de comunicação da UFPE Heitor Rocha os debates são uma conquista da população e que “não são apenas vitrines, mas uma oportunidade de esclarecimento da população sobre as questões trazidas pelas candidaturas”, diz Heitor. &#8220;Ampliando um pouco, há o guia eleitoral que funciona também como um debate entre as campanhas. Acho que são grandes conquistas do sistema brasileiro”, diz, lembrando que o guia eleitoral foi instituído antes de 1964 e eram exibidos ao vivo.</p>



<p>Para o debate para o governo de Pernambuco na Globo, há duas faltas hoje: Anderson Ferreira (PL), presente em apenas um dos debates, e Marília Arraes (SD), que não foi a nenhum debate. Havia, então, a expectativa de que ambos finalmente fossem ao da Globo, o mais tradicional. Mas Anderson deu preferência a receber hoje pela manhã o presidente Bolsonaro, que fez em Petrolina sua segunda visita ao estado em menos de 15 dias. Já Marília Arraes divulgou agenda sem presença no debate.</p>



<p>O cientista político Antônio Torres, doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), acredita que os debates não são balas de prata, mas estão longe de ser dispensáveis para as campanhas. “Estamos falando aqui em Pernambuco de uma disputa que está muito acirrada. Qualquer movimento, qualquer desempenho que diferencie um candidato dos outros já pode trazer um benefício”, diz.</p>



<p>Mesmo com a previsão do debate acabar perto de 1h, o que seria uma barreira para a audiência, isso não influi nas estratégias de campanhas. “Os debates hoje não funcionam mais como antes, quando o espectador que perdia o debate só iria ver trechos dele nos jornais da própria emissora ou na imprensa. Hoje não é mais assim. Na maioria das vezes, os debates servem para frases de efeito e ataques que sejam rápidos e bem elaborados para que sejam replicados várias e várias vezes nas redes sociais dos próprios candidatos”, diz Torres.</p>



<p>Para o debate de hoje, a expectativa é de muitos ataques a Marília Arraes (estando ou não presente), já que ela está na dianteira da pesquisa. Mas também será preciso que os outros três presentes &#8211; Danilo Cabral (PSB), Miguel Coelho (UB) e Raquel Lyra (PSDB) &#8211; que lutam (com o ausente Anderson Ferreira) pelo segundo turno se ataquem entre si. “Esses ataques visam principalmente destruir a candidatura do oponente para conseguir esse pouquinho de voto que falta para ir ao segundo turno”, afirma Antônio Torres.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Formato não evoluiu</h2>



<p>Os formatos dos debates mudaram pouco ao longo das últimas décadas, com candidaturas fazendo perguntas entre si ou blocos em que jornalistas fazem as perguntas.</p>



<p>O modelo é considerado engessado por muitos pesquisadores. Há o tempo cronometrado, que não favorece o desenvolvimento de ideias ou planos mais complexos. “O formato não ajuda. Quando há perguntas entre candidatos, às vezes fica me parecendo com a escolinha do professor Raimundo”, compara o professor Heitor Rocha.</p>



<p>Outro ponto é levantado pelo professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Carlos Figueiredo, pesquisador das áreas de comunicação e economia: o formato também privilegia um esquema de sabatina por jornalistas que trazem uma agenda muito próxima àquela proposta pelo próprio jornalismo.</p>



<p>“Ou seja, não foge daquilo que é debatido pelos jornalistas nas mesas redondas de canais como GloboNews ou CNN Brasil, por exemplo. Os candidatos já são treinados de forma exaustiva para responder justamente essas perguntas, tornando a discussão circular. Há também os questionamentos entre os candidatos, mas as equipes de comunicação estudam as táticas das candidaturas adversárias, tornando a dinâmica do debate previsível”, diz.</p>



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	                                        <p class="m-0">José Serrra, Marina Silva, Dilma Rousseff e Plínio Arruda Sampaio na Globo, em 2010. Crédito: Thays Cabette</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>Para sair dessa circularidade, analisa Carlos, os candidatos buscam frases de efeito. “Essas frases são valorizadas devido ao embate político nas mídias sociais. O candidato pode apresentar uma performance discreta no debate, mas brilhar em duas ou três oportunidades. A equipe de comunicação do candidato pode fazer cortes desses momentos para exibir nas mídias sociais ou no Horário Eleitoral Gratuito”, exemplifica Carlos.</p>



<p>Para Heitor Rocha uma atualização muito bem-vinda aos debates seria a incorporação da checagem de dados e fatos durante a transmissão. “Iria qualificar e esclarecer melhor a população sobre o que os políticos estão apresentando”, acredita.</p>



<p>Carlos Figueiredo também vê a checagem como um freio para a disseminação de mentiras e desinformação. “A não checagem legitima dados mentirosos usados por candidatos mal-intencionados”, afirma.</p>



<p>Para ele, uma alternativa seria que o último bloco dos programas de debate fosse reservado para que o candidato que traz dados falsos fosse confrontado. “Assim, uma equipe de jornalistas poderia checar esses dados em tempo real. O problema é que os candidatos usam muitos dados e números a serem checados em pouco tempo, mas isso pode ser resolvido com algum ajuste logístico. Creio que um grande problema seria a negociação entre as emissoras de televisão e as equipes dos candidatos quanto às regras dessa checagem. Também pode haver o receio das emissoras de serem acusadas de parciais ao expor as mentiras de um candidato simplesmente porque este mente em profusão. Mas creio que essa é uma medida que deve ser tomada urgentemente pelas emissoras”, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Cenário nacional</h3>



<p>Na quinta-feira, a Globo exibe seu tradicional debate entre as candidaturas à presidência. Deve começar por volta das 22h30 e se estender até depois da 1h, com três intervalos. Vai ser o segundo debate com a presença de Lula e de Bolsonaro &#8211; o primeiro debate, na Band, também teve a participação de ambos.</p>



<p>Assim como em Pernambuco, a disputa está acirrada. Mas é pela decisão no primeiro turno, já que as pesquisas têm colocado Lula com pouco mais de 50% dos votos válidos. “A priori, não enxergo muito espaço para grandes alterações nas escolhas dos eleitores. As pesquisas apontam para um cenário em que os eleitores dos candidatos mais bem colocados apresentam uma convicção muito forte em relação à sua escolha”, acredita Carlos Figueiredo.</p>



<p>Na dianteira, Lula deverá optar por uma estratégia mais segura. “Ele provavelmente buscará não cometer grandes erros no seu discurso, e relembrar os feitos dos seus dois governos, muito bem avaliados, buscando comparações com os números do governo Bolsonaro. Espera-se também que Lula busque atrair os eleitores de Ciro e Simone Tebet dispostos a mudar de voto no último instante para evitar um segundo turno”, diz o professor da UFS.</p>



<p>Já Bolsonaro vai usar o debate como oportunidade para tentar tirar votos de Lula e garantir o segundo turno. “Creio que Bolsonaro tentará relembrar as denúncias de corrupção surgidas nos governos do PT. Entretanto, o eleitor já conhece todos esses casos. Foi um tema exaustivamente debatido e divulgado, e o leitor do Lula parece estar dando de ombros”, diz.</p>



<p>Para Carlos, essa estratégia pode não dar retorno. “Esta eleição não é sobre corrupção. Temas como inflação, custo de vida e retorno da fome parecem preocupar mais o eleitorado”, aponta.</p>



<p>Outro fator importante a ser observado, segundo ele, é a postura dos candidatos que apresentam poucas chances de figurar em um segundo turno. “As interações podem indicar futuras alianças ou, até mesmo, guinadas ideológicas. Como as candidatas Simone Tebet e Soraya Thronicke vão se comportar? Vão acenar para uma composição em um novo governo do ex-presidente ou vão atacá-lo para enfraquecê-lo e poder negociar o posicionamento de seus partidos com Lula ou Bolsonaro em um possível segundo turno? Qual será a postura do candidato do PTB, Padre Kelmon, acusado de ter atuado como linha auxiliar do Bolsonarismo no último debate?”, questiona.</p>



<p>O debate da Globo também vai servir para analisar os rumos futuros de Ciro Gomes, que, pressionado para desistir da candidatura, resolveu prosseguir, com ataques ao PT e Lula. “O grande dilema de Ciro Gomes é que seu discurso vem se aproximando, em termos estéticos e de conteúdo, àquele apresentado pelo bolsonarismo. Isso pode causar um incômodo em seus eleitores posicionados na centro-esquerda do espectro político, levando a uma possível migração para o Lula. Algo que só pode ser confirmado após a apuração dos votos dado o pouco tempo de campanha que resta”, afirma Carlos Figueiredo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong></cite></blockquote>
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		<title>Conciliar cuidados com filhos e campanha eleitoral: o duplo desafio para candidatas negras da periferia</title>
		<link>https://marcozero.org/conciliar-cuidados-com-filhos-e-campanha-eleitoral-o-duplo-desafio-para-candidatas-negras-e-da-periferia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Sep 2022 11:02:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[mães na política]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade e política]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na política]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em meio a uma campanha política intensa e com a agenda cheia de compromissos exaustivos como debates, rodas de conversa, panfletagens e visitas a comunidades, Elaine Cristina, candidata a deputada estadual pelo PSOL, precisou cancelar as atividades para cuidar de seu filho, João Pedro, uma criança de 11 anos portadora de hemimegalencefalia &#8211; um distúrbio [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
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<p>Em meio a uma campanha política intensa e com a agenda cheia de compromissos exaustivos como debates, rodas de conversa, panfletagens e visitas a comunidades, Elaine Cristina, candidata a deputada estadual pelo PSOL, precisou cancelar as atividades para cuidar de seu filho, João Pedro, uma criança de 11 anos portadora de hemimegalencefalia &#8211; um distúrbio congênito raro que afeta o hemisfério cerebral e causa convulsões graves.</p>



<p>Em suas redes sociais, Elaine contou que no dia 9 de setembro seu filho precisou passar por uma cirurgia de emergência e estava na UTI, em processo de recuperação. Na postagem, desabafou que “a vida da mulher negra e mãe não paralisa durante o período de campanha”.</p>



<p>Com um registro recorde de candidaturas de pessoas negras e mulheres nas eleições de 2022 em todo o país, com percentuais de 49,3% e 33,4% respectivamente, de acordo com as estatísticas oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), experiências como a de Elaine expõem as barreiras políticas e sociais impostas pelas desigualdades de gênero e raça.</p>



<p>Mãe solo de uma criança atípica, Elaine explicou as dificuldades em conciliar a maternidade com a política e a importância de se manter candidata: “eu não posso abandonar a campanha, tem mulheres que confiam em mim, que eu represento com a minha candidatura, mulheres mães, negras, periféricas, mães atípicas, que muitas vezes não conseguem nem sair de casa justamente porque não têm condições. Essas mulheres também têm dificuldades de estar na política porque o Estado faz com que a gente não se sinta capaz de ocupar esses espaços e eu estou na disputa justamente para mostrar que essas mulheres são capazes, sim”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A necessidade da rede de apoio</strong></h2>



<p>Quando decidiu ser candidata a vereadora no Recife, em 2020, Elaine Cristina não teve uma agenda de campanha muito movimentada, afinal, a corrida eleitoral ocorreu em meio a uma fase crítica da pandemia de Covid-19 no Brasil e muitos dos compromissos eram realizados remotamente. Este ano, no entanto, a rotina é outra. Concorrendo a um cargo maior e com muitas demandas de atividades presenciais, Elaine passa mais tempo fora de casa e consequentemente precisa deixar seu filho sob os cuidados de outras pessoas.</p>



<p>“Pedro é muito apegado a mim porque eu estou todos esses anos em casa cuidando dele e, por isso, é novidade para ele que eu precise me ausentar com tanta frequência. [&#8230;] Quando você tem um pai presente, e não apenas um genitor, é diferente, você tem um apoio constante, mas infelizmente na maioria das vezes não é assim e por isso é preciso ter uma rede de apoio para ajudar nos cuidados”, afirmou a candidata.</p>



<p>Elaine, que conta com a ajuda das irmãs para cuidar de Pedro durante o período de campanha, enfatizou a solidariedade das mulheres, sobretudo das mulheres negras, em dar suporte umas às outras. “A verdade é que só mulheres pretas estão realmente preocupadas em ajudar outras mulheres pretas a construir uma rede de apoio”, disse.</p>



<p>A candidata a deputada estadual contou que anos atrás seria impossível concorrer a um cargo político devido às condições de saúde do seu filho, que demorou a ter um diagnóstico médico preciso para viabilizar um tratamento eficaz. “Antes, quando Pedro não tinha um diagnóstico correto e eu não fazia o uso da <em>Cannabis</em> no tratamento dele, era impossível sair de casa porque ele tinha muitas convulsões, mas depois da <em>Cannabis</em> isso mudou, e hoje eu consigo sair de casa tranquila e deixar ele com outras pessoas”. Sabendo da importância da planta na melhoria da qualidade de vida do seu filho, e consequentemente na sua, Elaine Cristina fez da legalização das drogas e do cultivo da cannabis uma das bandeiras de sua campanha e adotou o “Mãeconheira” como um dos seus motes. </p>



<p>Não bastasse todos esses problemas, Elaine também luta para conseguir uma nova cadeira de rodas para que Pedro consiga se locomover de forma mais confortável e segura, uma vez que a atual já não o comporta mais. &#8220;Ele já devia ter recebido a cadeira há muito tempo, mas a entrega do Governo do Estado está atrasada. Já tiramos as medidas para a nova cadeira mais de uma vez, mas nada dela chegar e não dão nenhum prazo para a entrega&#8221;. Com a renda do Benefício de Prestação Continuada (BPC) sendo insuficiente para custear as despesas da família, <a href="https://www.instagram.com/p/CiZ5SkfLFUV/?igshid=YmMyMTA2M2Y=" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Elaine também faz de suas redes sociais uma rede de apoio para conseguir manter o tratamento de Pedro</a>. &#8220;Eu não queria ter que expor ele, mas foi a forma que eu encontrei para conseguir apoio. Tem dado certo&#8221;, afirmou a candidata. </p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Mães periféricas</strong></h3>



<p>A candidata a deputada federal pelo PSOL Janielly Azevedo, moradora do bairro de Zumbi do Pacheco, em Jaboatão dos Guararapes, também reconhece a importância da rede de apoio para garantir a ascensão política de mulheres negras. Mãe de Lua Maria, de 18 anos, e Alabà, de 8 anos, a Ialorixá e produtora cultural conta como é desafiador adaptar a rotina de cuidados com as filhas às outras atividades do dia a dia: “É muito difícil encontrar alguém que queira ficar com a Alabà porque eu sei que ela não é fácil, criança dá trabalho mesmo, mas porque a gente não faz o mesmo questionamento para os pais e responsabiliza só as mães por esse cuidado?”</p>



<p>“Acho que o desafio é sempre financeiro também, porque quando você tem dinheiro para pagar alguém que possa cuidar de seus filhos você fica com uma preocupação a menos, mas a realidade das mães da periferia não é essa”, defendeu Janielly.</p>



<p>A condição financeira é uma das questões que difere as experiências políticas de mulheres brancas e negras, e a coordenadora da plataforma Eu Voto em Negra, Piedade Marques, explica o porquê: &#8220;Há estruturas de desigualdades muito bem estabelecidas no Brasil. Por isso, as mulheres negras são totalmente desamparadas, mas as mulheres brancas têm dinheiro para garantir que o cuidado seja garantido. Enquanto a gente tem mulheres negras em uma estrutura ainda precarizada do cuidado com as suas crias, as mulheres brancas conseguem colocar os filhos em escolas de tempo integral, contratar cuidadoras e tudo é relacionado ao poder aquisitivo. Muitas vezes as mulheres brancas estão indo para o trabalho e é a mulher negra que está cuidando das crianças&#8221;, Piedade Marques, coordenadora da plataforma Eu Voto em Negra.</p>



<p>Janielly contou também que tem preocupações redobradas pois sua filha mais velha está grávida e enfrenta uma gestação de risco e sua filha mais nova é cardiopata e asmática. Contudo, graças a sua rede de apoio, formada por mulheres negras da periferia, incluindo sua própria mãe, a candidata tem cumprido seus compromissos políticos. “Apesar dos desafios e dificuldades, a gente precisa continuar participando ativamente das campanhas porque se nós não estivermos nos lugares nós somos esquecidas e invisibilizadas. As pessoas não estão preocupadas em saber porque você deixou de participar de alguma atividade, elas querem que nós estejamos presentes”, afirmou Janielly.</p>



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	                                        <p class="m-0">Janielly Azevedo e sua filha Alabà em plena atividade eleitoral. Crédito: Reprodução/Instagram @janiellyazevedopsol </p>
	                
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<p>“É muito importante que a gente tenha uma rede de apoio dentro da própria política, pois a gente percebe que as mães estão preocupadas umas com as outras, justamente porque compartilham das dificuldades. Eu me preocupo com as companheiras do partido que são mães como Elaine, Raphaela, Luiza Carolina, mas juntas nós vamos construindo um espaço político onde nos sentimos acolhidas e fortes para continuar a luta. Todas nós entendemos a importância de ocuparmos esses espaços”, concluiu a candidata.</p>



<p>Corroborando com o relato de sua correligionária, Elaine Cristina reconheceu a capacidade do ambiente político em criar uma rede ainda mais ampla para apoiar as mulheres. Ela contou que nunca se sentiu tão acolhida como agora: &#8220;Toda a minha campanha é feita com base no afeto, no amor e uma rede de apoio que eu nunca tinha tido antes, e para nós mães, principalmente mães de crianças atípicas, é muito importante não nos sentir sozinhas. Mesmo nos momentos em que eu preciso me ausentar para cuidar do meu filho, as minhas companheiras políticas me ajudam a colocar a campanha na rua”.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Pautar a <strong>maternidade na política</strong></h4>



<p>Não há nenhum dado formal sobre a incidência das mães na política e o crescimento numérico de suas candidaturas. No entanto, o recorde de candidatas mulheres nas eleições de 2022 traz ao debate público as pautas da maternidade. Um exemplo disso é a candidatura da professora e ativista ambiental Adriana Souza. Moradora da periferia do bairro Industrial, em Contagem (MG), Adriana é candidata a deputada estadual pelo PT em Minas Gerais.</p>



<p>Mulher negra e mãe de três crianças, de 18, 12 e 4 anos, a professora escolheu o lema “Maternar a política” como o principal tema de sua campanha eleitoral. “A minha vida inteira eu vi as mulheres pretas e mães da periferia sendo responsáveis pela vida de todos que vivem na comunidade, eram elas que gestavam aquele lugar. Eu me inspirei muito nisso. Então, quando eu comecei a entrar no movimento feminista, na militância, e pensar de forma mais política eu comecei a sentir falta dessas mulheres [mães negras] ocupando aquele lugar”, afirmou Adriana.</p>



<p>Neta e filha de mulheres negras e mães solo, Adriana enfatiza a necessidade de ter mais representatividade na política institucional: &#8220;Porque, até hoje, nós ainda não temos um sistema amplo de creches que atenda toda a população brasileira? É porque as mães, sobretudo as mães pretas e periféricas, não são protagonistas na política institucional do Brasil e isso precisa mudar. Só quem passa pela experiência de ter que conciliar trabalho e cuidado com os filhos e a família é que sabe a importância de ter uma creche garantida”.</p>



<p>“Quando eu penso e falo em maternar a política é no sentido de garantir uma política do cuidado, cuidado com a infância, com a juventude, com os idosos, com o meio ambiente, um cuidado que nós mães já estamos habituadas a fornecer, principalmente no contexto de periferia no Brasil. A gente precisa ter mais mulheres negras e mães na política institucional justamente para cobrar esse cuidado do Estado, um cuidado que nós conhecemos e exercemos muito bem”, reforçou a petista.</p>



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	                                        <p class="m-0">Adriana Souza e suas filhas. Crédito: Reprodução/Instagram @adrianasouza.13</p>
	                
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<p>Adriana contou ainda que diferente das mulheres de sua família ela tem o apoio de seu companheiro na criação de seus filhos, mas isso não impede que ela sofra durante sua trajetória política. “É muito comum as pessoas perguntarem às mães ‘você está aqui fazendo campanha e quem está cuidando dos seus filhos?’, mas a gente não vê o mesmo acontecer com os homens que são pais”, disse.</p>



<p>Além das dificuldades de uma experiência materna marcada por abandono paterno e exercida de forma solitária e sem um apoio financeiro por mulheres negras, a violência a que essas mulheres estão expostas na vida política e pública também precisam ser levadas em consideração. De acordo com a pesquisa Violência Política Contra Mulheres Negras, realizada pelo Instituto Marielle Franco, mais de 70% das candidatas negras que disputaram as eleições municipais em 2020 foram agredidas em suas campanhas. Refletindo sobre o papel central que as mulheres negras têm no sustento e na manutenção de milhões de famílias, sobretudo nas que vivem nas periferias, é fundamental garantir um espaço de disputa política seguro e justo para essas mulheres.</p>



<p>“Para essa campanha nós tivemos que montar um esquema de segurança rigoroso, porque, como eu ando sempre com camisas do PT e de Lula, os bolsonaristas me ameaçam mesmo, então eu evito ir sozinha às ruas. Uma vez, um deles comentou a minha semelhança com Marielle Franco em um tom de ameaça mesmo, como se estivesse desejando que acontecesse comigo o mesmo que aconteceu com ela”, contou Adriana Sousa.</p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong><em>.</em></cite></blockquote>



<p></p>
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		<title>Deputado de Pernambuco gastou mais com redes sociais do que Lula e Bolsonaro</title>
		<link>https://marcozero.org/deputado-de-pernambuco-gastou-mais-com-redes-sociais-do-que-lula-e-bolsonaro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Sep 2022 15:49:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[danilo cabral]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Facebook]]></category>
		<category><![CDATA[google]]></category>
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		<category><![CDATA[Marília Arraes]]></category>
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<p>O político pernambucano que mais gastou dinheiro impulsionando postagens e anúncios nas redes sociais durante o primeiro mês de campanha eleitoral não foi nenhum dos candidatos ou candidatas ao governo estadual. Quem fez as maiores despesas para garantir mais visibilidade no Instagram, Facebook e WhatsApp foi o deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil), que pretende se reeleger este ano.</p>



<p>No ranking nacional, Albuquerque foi o quarto que mais usou recursos de campanha para patrocinar postagens, mais até do que o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula. Em 2020, sua esposa, que usa o nome de urna Andreza de Romero, também foi a política pernambucana que mais investiu recursos nas mesmas redes sociais até a realização do 1º turno. </p>



<p>De acordo com a <a href="https://pt-br.facebook.com/ads/library/report/?source=archive-landing-page&amp;country=BR" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Biblioteca de Anúncios da Meta</a>, empresa que controla o Insta e o Face, Romero investiu mais de R$ 472 mil para impulsionar anúncios em que se apresenta, junto a esposa Andreza, candidata a deputada federal, como “embaixadores da causa animal”. Provavelmente para preservar sua imagem de paladino dos bichos de estimação, as postagens veiculadas no período eleitoral não fazem referência ao seu projeto para liberar em Pernambuco o porte de armas para caçadores e atiradores.</p>



<p>De acordo com a prestação de contas apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os gastos com as redes sociais do chamado Metaverso, de Mark Zuckerberg representam 64,9% das despesas de campanha de Romero até o momento. </p>



<p>A prática de ocupa maciçamente os espaços digitais ajudaram Romero a se eleger vereador em 2016. Seis meses depois, no entanto, ele chegou a ser cassado pela Justiça Eleitoral em primeira instância, mas acabou mantendo o mandato porque o pleno do TRE-PE anulou a decisão anterior em dezembro de 2017. O motivo do processo foi exatamente por abuso de poder econômico em razão do grande volume de impulsionamento de publicidade eleitoral na internet.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/andreza-romero-gastou-em-redes-sociais-o-mesmo-que-a-soma-de-todos-os-eleitos/" class="titulo">Andreza Romero gastou em redes sociais o mesmo que a soma de todos os eleitos no Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A segunda candidatura que mais investiu em redes sociais ainda não é de nenhuma chapa majoritária. O deputado federal Felipe Carreras (PSB) direcionou para Instagram e Facebook R$ 383 mil, o que representa 21% de seu orçamento nos primeiros 30 dias de campanha. O relatório da Meta, no entanto, indica que foram veiculados o equivalente a R$ 198 mil do valor já contratado. Com o Google, que controla o YouTube, o gasto foi bem menor: R$ 25 mil.</p>



<p>Outro candidatura proporcional de Pernambuco que gastou mais do que alguns majoritários foi Liana Cirne (PT), com pouco mais de R$ 107 mil nas duas principais plataformas da Meta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Diferentes estratégias digitais</strong></h2>



<p>Marília Arraes (Solidariedade) foi a que mais gastou com redes sociais entre os nomes que disputam o governo de Pernambuco, com R$ 232 mil, porém isso foi o equivalente a 5% do total das despesas declaradas ao TSE até o momento. Depois dela, está Miguel Coelho, cujos anúncios patrocinados consumiram R$ 210 mil de seus gastos (3,1% do total), dos quais R$ 144 mil já foram veiculados nas postagens que estão “rodando” no Face, WhatsApp e Insta.</p>



<p>As prestações de contas parciais, realizadas obrigatoriamente pelas campanhas até 13 de setembro, revelam a diferença das estratégias digitais dos candidatos. Marília, candidata mais conhecida em todas as regiões do estado por ter ido ao 2º turno pela prefeitura do Recife e feito a pré-campanha para o governo em 2018, investiu mais nas redes sociais do que no YouTube, via Google.</p>



<p>Os demais, com nomes mais conhecidos em seus municípios, gastaram bem mais no YouTube e em anúncios do buscador Google. A coordenação de comunicação de Raquel Lyra (PSDB), por exemplo, direcionou R$ 610 mil (6,9% do total) para essa plataforma e apenas R$ 59 mil para o Facebook. Anderson Ferreira (PL), declarou R$ 370 mil gatos com o Google/YouTube (8,7% do total) e impulsionou R$ 102 mil nas redes sociais.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Ranking nacional</strong></h3>



<p>Nacionalmente, foi a candidata a presidente pelo MDB, Simone Tebet, que lidera o ranking de gastos com as plataformas da Meta/Facebook, com quase R$ 1 milhão (exatamente R$ 998.936,00). Curiosamente, o segundo lugar não é ocupado por nenhum outro candidato a presidente, mas por Roberto Cláudio, candidato a governador do Ceará pelo PDT, de Ciro Gomes, que direcionou R$ 577 mil para essa finalidade. Em seguida, aparece o próprio Ciro, que gastou R$ 461 mil até o momento.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> página de doação</a><em> ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong></cite></blockquote>
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		<title>Movimentos sociais e candidaturas progressistas disputam 7 de Setembro no Grito dos Excluídos</title>
		<link>https://marcozero.org/candidaturas-e-movimentos-progressistas-disputam-7-de-setembro-no-grito-dos-excluidos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Sep 2022 20:50:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#eleições2022]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[danilo cabral]]></category>
		<category><![CDATA[Grito dos Excluídos]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Marília Arraes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há 28 anos o Grito dos Excluídos é um questionamento e um contraponto ao ufanismo dos desfiles militares do Dia da Independência. Neste 7 de setembro, a 25 dias para as eleições, se tornou também uma passarela para políticos de vários espectros da esquerda, assim como acontece em anos eleitorais. A diferença dessa vez talvez [&#8230;]</p>
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<p>Há 28 anos o Grito dos Excluídos é um questionamento e um contraponto ao ufanismo dos desfiles militares do Dia da Independência. Neste 7 de setembro, a 25 dias para as eleições, se tornou também uma passarela para políticos de vários espectros da esquerda, assim como acontece em anos eleitorais. A diferença dessa vez talvez tenha sido uma presença ainda mais forte de militâncias de candidatos e candidatas. E um receio da esquerda de disputar a data, que vem se consolidando no governo Bolsonaro como uma parada de orgulho da extrema direita.</p>



<p>Nacionalmente, o Partido dos Trabalhadores (PT), o maior partido de esquerda do Brasil, preferiu se afastar da data da Independência. Lula não teve agenda pública. Nas redes sociais, afirmou que “tenho fé que o Brasil irá reconquistar sua bandeira, soberania e democracia”. Fernando Haddad, ex-candidato a presidente e hoje candidato ao governo paulista, cancelou agenda no interior de São Paulo por conta de ameaças consideradas graves por sua equipe de segurança.</p>



<p>No Recife, uma multidão foi para Boa Viagem com a bandeira nacional como se fosse a bandeira de Jair Bolsonaro e da extrema direita. No centro do Recife, não dá para dizer que o Grito dos Excluídos teve pouca gente ou não deu um bom público. Foi uma passeata cheia e vibrante do Parque 13 de Maio até a Praça da Independência, conhecida como Pracinha do Diário. Mas sem as militâncias partidárias talvez não tivesse o mesmo vigor.</p>



<p>Primeira colocada em todas as pesquisas de intenção de voto, Marília Arraes, do Solidariedade, fez uma rápida passagem pelo Grito, acompanhada da irmã Maria Arraes, candidata à deputada federal. Há anos ela participa da manifestação e dessa vez levou a maior militância ao Grito dos Excluídos, com direito a muitas bandeiras e um mini maracatu. Tinha até uma “animadora de bandeiras”, para deixar sempre as dezenas de bandeiras de Marília vibrando no ar. Tanto as bandeiras quanto as camisas da militância eram em vermelho, e destacavam o nome de Lula.</p>



<p>Candidato oficial de Lula em Pernambuco, Danilo Cabral (PSB) não foi visto nem se fez ver no Grito dos Excluídos. Pela manhã, cumpriu agenda no Complexo Esportivo Santos Dumont, em Boa Viagem. Não havia militância, nem bandeiras da sua candidatura na manifestação. Nem mesmo candidatos da sua coligação exibiam o rosto de Danilo em panfletos ou adesivos.</p>



<p>Da chapa majoritária da Frente Popular, a Marco Zero encontrou apenas Teresa Leitão (PT), que concorre ao Senado. Professora e sindicalista, ela falou sobre a importância de estar ali. “Das 28 edições, foram poucas as que eu não vim. Esse ano fiz questão de comparecer porque nunca a resistência dos excluídos foi tão necessária no Brasil”, disse à Marco Zero.</p>



<p>Sobre a falta de bandeiras de Danilo Cabral na manifestação, ela afirmou que “o Grito nos recebe, mas o Grito sempre separa (as bandeiras das candidaturas e partidos das dos movimentos sociais e sindicais). Por isso que nossa campanha veio, estamos aqui, com adesivos, mas a gente acha que hoje as bandeiras principais são as do Grito, que estão contidas nas nossas campanhas e isso é suficiente, para não confundir a visibilidade do povo, por isso que não trouxemos as nossas”, disse Teresa, que levou pelo menos três bandeiras à manifestação. Todas com foto ao lado de Lula, e sem menção a Danilo Cabral (PSB), cuja imagem aparecia no adesivo que ela usava.</p>



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	                                        <p class="m-0">Este ano, a sindicalista Teresa Leitão participou do Grito como candidata ao senado. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Desfile de candidaturas</h2>



<p>Ao iniciar a caminhada do Parque 13 de Maio até a Praça da Independência, uma voz no microfone avisou: bandeiras de candidaturas e partidos ficam atrás. Mas eram tão numerosas que, tirando aquelas que abriam a passeata, quase todas eram bandeiras de candidaturas ou partidos. Havia bandeiras e grupos da Unidade Popular, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), do PSOL e de muitas candidaturas do espectro de esquerda. Houve até a presença de um representante do MDB.</p>



<p>Marília Arraes era, disparado, a candidatura mais organizada da manifestação. Mas candidatos como Vini Castello (PT) e Rosa Amorim (PT) também eram numerosas, ao lado de bandeiras de sindicatos, organizações estudantis e do MST.</p>



<p>No discurso, muitas das mais de 15 candidatas e candidatos que a Marco Zero entrevistou defenderam a retomada das cores e da bandeira nacional, discurso usado também pelos representantes de movimentos sociais que foram ao Grito dos Excluídos. O tema desse ano, que homenageou também o padre Reginaldo Velozo, foi “<em>Brasil, 200 anos de (in)dependência para quem?</em>”. A passeata trouxe na frente uma enorme bandeira do Brasil manchada de sangue. Logo atrás, uma mulher caminhou vestida com uma enorme bandeira do Brasil, e usando um boné do MST. “Essa bandeira não é de partido, é do povo brasileiro, que hoje grita pela volta de um presidente que ame o seu povo”, disse Hélida Nogueira, a mulher vestida de verde e amarelo.</p>



<p>Para o ex-deputado federal e candidato Fernando Ferro (PT) o uso dos símbolos nacionais pela extrema direita é “uma técnica fascista que funcionou com Hitler, com Mussolini, mas o povo brasileiro vai derrotar Bolsonaro. Não podemos permitir que os símbolos da nossa pátria sejam partidarizados”. Também ex-deputado e candidato, Paulo Rubem Santiago (Rede) defendeu que a população que vota nas esquerdas deve ir às ruas “para consolidar uma independência não só política, mas econômica e social. Esse é o espírito da manifestação do Grito dos Excluídos”.</p>



<p>Tentando a reeleição, o deputado federal Túlio Gadelha (Rede) foi uma surpresa para quem acompanha o Grito dos Excluídos, já que não é um participante frequente da manifestação. Ao lado da Bancada Indígena, candidatura coletiva para a Assembleia Estadual de Pernambuco que tem o apoio de dez etnias, Túlio falou que há o receio de parte da população de participar de manifestações porque a violência se tornou algo comum no ambiente político. &#8220;O bolsonarismo tem uma parcela significativa de culpa nisso, com uma política autoritária e armamentista. A gente precisa enfrentar isso com debate político”, disse. </p>



<p>Também candidata pela Rede, a ativista Sylvia Siqueira Campos disse que não tinha como comparar as duas manifestações do Sete de Setembro. “Hoje parte da esquerda está aqui, mas tem muito mais gente da esquerda conquistando nos territórios. Hoje a gente sabe que o poder de mobilização é tão grande quanto antes, mas temos contra a gente uma narrativa que está pesando há anos. E as forças econômicas que elegeram Bolsonaro não desapareceram”, disse.</p>



<p>Vereadora pelo PT no Recife e também candidata, Liana Cirne Lins defende a escolha de Haddad e de Lula de não participar de manifestações hoje. “Nós temos que preservar quem carrega o futuro da democracia do país. Mas a vida é feita de coragem e estamos aqui defendendo os valores da democracia. Todo mundo que está aqui foi alertado sobre o risco de sofrer atos terroristas por parte de fundamentalistas da extrema-direita e fizemos uma escolha política de não nos curvar e não deixar o medo vencer a esperança”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Luta de massas mais urnas</h3>



<p>As esquerdas estão convocando também para outra manifestação no próximo sábado, dia 10. O PSOL divulgou uma nota colocando como prioridade uma “mobilização democrática massiva” no sábado, que seria uma resposta ao 7 de Setembro da extrema-direita. Danilo Cabral (PSB) postou uma convocação para a passeata do sábado nas suas redes sociais.</p>



<p>Talvez o único candidato ao governo de Pernambuco a fazer todo o percurso da caminhada &#8211; além de Marília, João Arnaldo (PSOL) também passou pelo Grito -, Jones Manoel (PCB) considera essa estratégia pulverizada de manifestações um risco.</p>



<p>“É um erro histórico de parte da esquerda o esvaziamento do Sete de Setembro e do Grito dos Excluídos, que é um dos protestos mais tradicionais da esquerda brasileira. E é um erro porque o 10 de setembro também não está muito mobilizado e talvez seja até menor que o Grito, particularmente aqui em Pernambuco. Há uma parte da esquerda que faz uma opção equivocada de esvaziar as ruas achando que o voto na urna vai resolver tudo. Mas precisamos combinar a luta de massas com o voto contra Bolsonaro. Agora e após a eleição, porque Bolsonaro perdendo no primeiro ou no segundo turno vai ser presidente do Brasil até 31 de dezembro, e vamos ter muita luta para fazer para impedir uma manobra golpista”, afirmou.</p>



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	                                        <p class="m-0">Jones Manoel acredita que esquerda erra ao pulverizar manifestações de rua. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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		<title>Menos de 1,5% das candidaturas de policiais são por partidos de esquerda</title>
		<link>https://marcozero.org/menos-de-15-das-candidaturas-de-policiais-sao-por-partidos-de-esquerda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Sep 2022 17:17:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#eleições2022]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral]]></category>
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		<category><![CDATA[Policiais Antifascismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma análise do Fórum de Segurança Pública, a partir dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostrou que o número de candidaturas de policiais nas eleições do Brasil cresceu 28,5% em relação às eleições de 2018. Agora em 2022 serão, pelo menos, 1.888 candidatos das forças de segurança pública e defesa. Em 2018, foram 1.469 [&#8230;]</p>
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<p>Uma análise do <a href="https://forumseguranca.org.br/">Fórum de Segurança Pública</a>, a partir dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostrou que o número de candidaturas de policiais nas eleições do Brasil cresceu 28,5% em relação às eleições de 2018. Agora em 2022 serão, pelo menos, 1.888 candidatos das forças de segurança pública e defesa. Em 2018, foram 1.469 candidaturas.</p>



<p>No total de candidaturas de cada estado, a média nacional é de 6,6% de participação de policiais. Amazonas, Distrito Federal e Rondônia ficam acima desse patamar com, respectivamente, 11%, 10,9% e 10,1% do total das candidaturas. Palco de um motim da Polícia Militar no ano passado, o Ceará surpreende com um percentual de 4,4%, sendo o estado com a menor participação de policiais nestas eleições.</p>



<p>Pernambuco também fica abaixo da média nacional: do total de candidaturas, 5,3% são de policiais. Em números absolutos, são 59 candidatos e candidatas.</p>



<p>Na análise do Fórum, das 1.888 candidaturas, pelos menos 192 candidatos se declararam policiais civis ou federais e 824 policiais militares. Neste último caso, houve um crescimento de 10,9% em relação a 2018. A lista traz ainda militares reformados (244 candidaturas), bombeiros militares (119), membros das forças armadas (60) e outras ocupações (449). O levantamento foi feito a partir das ocupações e dos nomes de urna dos candidatos.</p>



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<p>Salta aos olhos o espectro político das candidaturas: 68,5% é de direita contra apenas 1,4% de esquerda. No meio, há só 3,8% no centro-esquerda e 26,3% no centro-direita.</p>



<p>Em 2018, 89,9% dos profissionais de segurança concorreram a cargos públicos por agremiações à direita do espectro político. Agora em 2022, 94,9% das candidaturas de policiais e demais profissionais da área são por partidos de centro direita e de direita.</p>



<p>O PL, partido pelo qual o presidente Jair Bolsonaro concorre à reeleição, é o partido com maior número de policiais candidatos, com 232 nomes. Na sequência, o PTB lançou 142 policiais candidatos, seguido do Republicanos e do União Brasil, ambos com 135. PL e Republicanos formam, junto com o PP, a coligação que dá sustentação ao projeto de reeleição do atual presidente. O PTB, por sua vez, é presidido por Roberto Jefferson, e radicalizou o discurso de extrema-direita.</p>



<p>No documento, o Forúm resgata uma análise da edição de 2020 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública para afirmar que o crescimento do fenômeno dos policiais na política partidária tem múltiploas motivos. “Mas também precisa ser lido pela construção de uma narrativa que tem conseguido resumir a política à guerra contra o mal, na qual os policiais são vistos como os guerreiros que irão repor a ordem, a moral e os bons costumes. E, de forma adicional, guerreiros injustiçados e desvalorizados pelos “governos de esquerda”, diz a análise.</p>



<p>Ainda que Bolsonaro não tenha estabelecido uma política pública de segurança coordenada e articulada, a análise afirma que, ao ser o primeiro presidente da República que, desde 1988, assumiu o tema como sua responsabilidade, “ele capturou a agenda para o seu projeto e, paradoxalmente, enfraqueceu as lideranças tradicionais”.</p>



<p>Isso porque, com mais policiais estimulados a participar das eleições, há o risco de que os votos sejam diluídos e acabe provocando uma redução no número de policiais eleitos. “E, mesmo que consigam crescer ou ao menos manter a bancada atual, o perfil das candidaturas desses profissionais indica que a pauta de direitos dos trabalhadores da segurança pública será obscurecida pela agenda regressiva de costumes e direitos que deve ser colocada em prática em uma eventual segunda gestão de Jair Bolsonaro”, diz o texto.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">E os policiais antifascismo?</h2>



<p>Em março de 2018, um grupo de policiais de alguns estados do Brasil lançou o “<a href="https://policiaisantifascismo.blogspot.com/2018/03/manifesto-dos-policiais-antifascismo-o.html?view=classic&amp;m=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Manifesto dos Policiais Antifascismo</a>”. Era a embalagem para lançar um movimento contrário à ascensão do bolsonarismo. A intenção era levar mais consciência de classe para os policiais, colocar os direitos humanos em pauta e aproximar o discurso das esquerdas do ambiente policial. Hoje, são poucos mais de 400 policiais antifascismo, que têm uma reunião por mês.</p>



<p>Em anonimato, um policial que faz parte do movimento em Pernambuco diz que é muito difícil conseguir que os policiais adotem as pautas ou entrem no grupo. “Somos a minoria, infelizmente. Há uma resistência à esquerda nas forças de segurança, não precisa nem ter a vivência diária que tenho para dizer isso, estou apenas ratificando um senso comum”, diz. “Quem conseguiu capturar boa parte dos sentimentos dos profissionais da segurança foi o bolsonarismo. Não é de hoje: quem comandou a ditadura foram os militares, tem toda uma doutrina que ainda persiste”, diz o militar.</p>



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	                                        <p class="m-0">Áureo Cisneiros. Crédito: Sinpol/PE</p>
	                
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<p>Também solicitando não divulgar o nome dele nesta reportagem, outro policial do grupo diz que as mudanças, se vierem, vão levar tempo. “A mobilização dos policiais antifascistas é um sinal de resistência, apenas. É incapaz de sensibilizar o policial, que perdeu sua capacidade de se reconhecer como classe trabalhadora explorada. A única coisa que pode melhorar é a eleição de políticos progressistas e a mudança na grade curricular de formação dos policiais, sobretudo no campo de direitos humanos”, diz.</p>



<p>Os pedidos de anonimato são por conta da perseguição enfrentada pelo ex-comissário da polícia civil Áureo Cisneiros, a voz mais conhecida do grupo em Pernambuco e ex-presidente do sindicato da categoria. Ele passou por 21 processos administrativos e foi demitido da Polícia Civil em janeiro do ano passado. “O PSB aqui em Pernambuco se comporta como um partido de direita, que persegue sindicalistas”, disse um policial do grupo.</p>



<p>Na época da demissão, a Secretaria de Defesa Social emitiu nota afirmando que parecer da Procuradoria Geral do Estado reforçou que o processo administrativo que fundamentou a demissão foi “instaurado e conduzido de acordo com as prescrições legais e constitucionais, tendo sido garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório&#8221;. E que, desde 2015, 310 profissionais da segurança pública de Pernambuco foram demitidos ou excluídos do serviço público.</p>



<p>Por conta dessa demissão, o Ministério Público Eleitoral solicitou a impugnação da candidatura de Áureo a deputado estadual. Ele é candidato pelo PSOL e o único representante dos policiais antifascismo em Pernambuco nestas eleições. Também ex-presidente do Sinpol, Rafael Cavalcanti saiu do movimento e é candidato a estadual pelo União Brasil, partido de direita, resultante da união entre o PSL e o DEM, e que foi base de apoio nos quase quatro anos do governo Bolsonaro.</p>



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<p>Áureo Cisneiros segue em campanha normalmente. “Minha candidatura, judicialmente, não está impugnada. Foi pelo MPF o pedido de impugnação, mas a justiça até agora não julgou”, afirmou para a Marco Zero. “Nossa defesa ao judiciário eleitoral foi justamente informando que a demissão foi por perseguição, juntamos (no processo) a judicialização da minha demissão, colocando todos os processos administrativos, por atividade sindical, em que fui condenado. Mostrando o abuso de autoridade cometido pelo governo. Eu fui o segundo sindicalista a ser demitido em Pernambuco por atividade sindical. O primeiro foi Paulo Rubem, do sindicato dos professores. Com um agravante: Paulo Rubem foi no regime militar e eu no país regido pelo Estado Democrático de Direito”, reclama.</p>



<h3 class="wp-block-heading">A esquerda e as forças de segurança</h3>



<p>Na análise da pesquisa sobre as candidaturas de policiais, o Forúm Brasileiro de Segurança afirma que, em 2020, o que chamou a atenção em relação às esquerdas é que, “ao invés de se reaproximarem do universo policial e realizarem um trabalho de base e formação política que pudesse rivalizar com a narrativa de centro-direita e direita, partidos de esquerda buscaram lançar alguns candidatos policiais a prefeito e vice-prefeito que gozam de prestígio social em suas cidades, como Rio de Janeiro e/ou Bahia, para fazerem contraponto ao discurso conservador sem, no entanto, construírem um discurso alternativo sobre ordem e segurança.”</p>



<p>A crítica segue afirmando que “na lógica partidária, (…) insiste-se em modelos que tangenciam os problemas estruturais, e não avançam em propostas capazes de oferecer alternativas que provoquem ressonância entre os profissionais da área”, diz o documento ,que afirma que ainda é cedo para avaliar as propostas para 2022, mas que “há o reconhecimento de que é preciso falar de reestruturação das carreiras policiais e de se pensar a segurança pública como direito fundamental”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Policiais se identificam com o discurso da extrema-direita. Crédito: Webysther/Wikimedia Commons</p>
	                
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<p>Para um dos policiais antifascismo ouvidos pela Marco Zero, os partidos de esquerda ainda não aprenderam a falar com os policiais. “Tem que adotar um discurso que mexa com a condição do policial no dia a dia. Por exemplo, quando você chega e diz que a polícia tem que acabar, isso é um choque. O policial pensa que estão querendo tirar o ganha pão dele. É preciso se fazer entender, adequar o discurso para quem está ali. A questão da segurança pública também torna os policiais vítimas. A esquerda até agora não está conseguindo fazer essa comunicação. Quem está conseguindo é Bolsonaro”, critica.</p>



<p>Áureo Cisneiros diz que, desde a redemocratização, a esquerda não pensou em um projeto de segurança pública que incluísse o diálogo com os profissionais de segurança pública. “Talvez esse seja um dos motivos de termos essa classe tão conservadora. Temos a mesma estrutura e quase a mesma formação da época da ditadura. Embora tenhamos tido um governo progressista por 13 anos (do PT, no poder central) não conseguimos debater com profundidade a segurança pública nem reestruturá-la”, diz.</p>



<p>Para Cisneiros, os resquícios da ditadura militar ainda reverberam nas forças de segurança do Brasil. “Existe também uma ideia à esquerda de que policial é bandido por natureza. Do outro lado, a direita construiu discurso muito mais sedutor, que é a do policial herói. Rejeitamos os dois: policial nem é bandido nem herói, policial é trabalhador. Abominamos que a direita coloca &#8220;heróis&#8221; porque isso é trágico, porque diz que o policial tem que dar a vida muitas vezes por algo que não sabe o que é, trabalhando em condições desumanas e sem valorização”, diz, acrescentando que “a lição pra esquerda é fazer um debate de segurança pública com a profundidade que merece o tema na sociedade brasileira e incluir os trabalhadores da segurança pública nesse debate. Já que essa área continua ser central no debate eleitoral esse ano”.</p>



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