Teclado de computador na cor cinza com desenhos das logomarcas de algumas redes sociais nas teclas (Instagram, facebook, twitter etc)
Crédito: Wikimedia Commons

O político pernambucano que mais gastou dinheiro impulsionando postagens e anúncios nas redes sociais durante o primeiro mês de campanha eleitoral não foi nenhum dos candidatos ou candidatas ao governo estadual. Quem fez as maiores despesas para garantir mais visibilidade no Instagram, Facebook e WhatsApp foi o deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil), que pretende se reeleger este ano.

No ranking nacional, Albuquerque foi o quarto que mais usou recursos de campanha para patrocinar postagens, mais até do que o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula. Em 2020, sua esposa, que usa o nome de urna Andreza de Romero, também foi a política pernambucana que mais investiu recursos nas mesmas redes sociais até a realização do 1º turno.

De acordo com a Biblioteca de Anúncios da Meta, empresa que controla o Insta e o Face, Romero investiu mais de R$ 472 mil para impulsionar anúncios em que se apresenta, junto a esposa Andreza, candidata a deputada federal, como “embaixadores da causa animal”. Provavelmente para preservar sua imagem de paladino dos bichos de estimação, as postagens veiculadas no período eleitoral não fazem referência ao seu projeto para liberar em Pernambuco o porte de armas para caçadores e atiradores.

De acordo com a prestação de contas apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os gastos com as redes sociais do chamado Metaverso, de Mark Zuckerberg representam 64,9% das despesas de campanha de Romero até o momento.

A prática de ocupa maciçamente os espaços digitais ajudaram Romero a se eleger vereador em 2016. Seis meses depois, no entanto, ele chegou a ser cassado pela Justiça Eleitoral em primeira instância, mas acabou mantendo o mandato porque o pleno do TRE-PE anulou a decisão anterior em dezembro de 2017. O motivo do processo foi exatamente por abuso de poder econômico em razão do grande volume de impulsionamento de publicidade eleitoral na internet.

A segunda candidatura que mais investiu em redes sociais ainda não é de nenhuma chapa majoritária. O deputado federal Felipe Carreras (PSB) direcionou para Instagram e Facebook R$ 383 mil, o que representa 21% de seu orçamento nos primeiros 30 dias de campanha. O relatório da Meta, no entanto, indica que foram veiculados o equivalente a R$ 198 mil do valor já contratado. Com o Google, que controla o YouTube, o gasto foi bem menor: R$ 25 mil.

Outro candidatura proporcional de Pernambuco que gastou mais do que alguns majoritários foi Liana Cirne (PT), com pouco mais de R$ 107 mil nas duas principais plataformas da Meta.

Diferentes estratégias digitais

Marília Arraes (Solidariedade) foi a que mais gastou com redes sociais entre os nomes que disputam o governo de Pernambuco, com R$ 232 mil, porém isso foi o equivalente a 5% do total das despesas declaradas ao TSE até o momento. Depois dela, está Miguel Coelho, cujos anúncios patrocinados consumiram R$ 210 mil de seus gastos (3,1% do total), dos quais R$ 144 mil já foram veiculados nas postagens que estão “rodando” no Face, WhatsApp e Insta.

As prestações de contas parciais, realizadas obrigatoriamente pelas campanhas até 13 de setembro, revelam a diferença das estratégias digitais dos candidatos. Marília, candidata mais conhecida em todas as regiões do estado por ter ido ao 2º turno pela prefeitura do Recife e feito a pré-campanha para o governo em 2018, investiu mais nas redes sociais do que no YouTube, via Google.

Os demais, com nomes mais conhecidos em seus municípios, gastaram bem mais no YouTube e em anúncios do buscador Google. A coordenação de comunicação de Raquel Lyra (PSDB), por exemplo, direcionou R$ 610 mil (6,9% do total) para essa plataforma e apenas R$ 59 mil para o Facebook. Anderson Ferreira (PL), declarou R$ 370 mil gatos com o Google/YouTube (8,7% do total) e impulsionou R$ 102 mil nas redes sociais.

Ranking nacional

Nacionalmente, foi a candidata a presidente pelo MDB, Simone Tebet, que lidera o ranking de gastos com as plataformas da Meta/Facebook, com quase R$ 1 milhão (exatamente R$ 998.936,00). Curiosamente, o segundo lugar não é ocupado por nenhum outro candidato a presidente, mas por Roberto Cláudio, candidato a governador do Ceará pelo PDT, de Ciro Gomes, que direcionou R$ 577 mil para essa finalidade. Em seguida, aparece o próprio Ciro, que gastou R$ 461 mil até o momento.

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