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	<title>Arquivos Carnaval do Recife - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 13 Feb 2026 22:14:35 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Carnaval do Recife - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Pás e Vassourinhas explicam como frevo nasceu do suor dos trabalhadores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 20:13:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história de dois dos clubes carnavalescos mais antigos do Brasil, o Clube das Pás e o Vassourinhas, ajudam a entender como o ritmo que é a marca registrada do carnaval pernambucano foi criado por trabalhadores negros de bairros da periferia do Recife. Criadas no final do século XIX como associações que representavam categorias profissionais, [&#8230;]</p>
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<p>A história de dois dos clubes carnavalescos mais antigos do Brasil, o Clube das Pás e o Vassourinhas, ajudam a entender como o ritmo que é a marca registrada do carnaval pernambucano foi criado por trabalhadores negros de bairros da periferia do Recife. Criadas no final do século XIX como associações que representavam categorias profissionais, as duas agremiações seguem varrendo o tempo como guardiãs da cultura popular.</p>



<p>Mais conhecido por seus bailes notunos e pela tradicional gafieira em seu salão de dança no coração de Campo Grande, bairro da zona norte do Recife, o Clube das Pás é bem mais do que um espaço para dançar. O que muitos recifenses talvez não saibam é que ele é o clube carnavalesco mais antigo em atividade na capital pernambucana, que desfila desde 1988 como clube pedestre nos desfiles oficiais organizados pelo poder público.</p>



<p>Fundado em 19 de março de 1888, uma segunda-feira de carnaval, antes mesmo da abolição da escravatura no Brasil, o clube nasceu após um grupo de carvoeiros, trabalhadores que faziam carregamento de carvão, abastecerem um navio durante um período de greve de portuários e escravos de ganho &#8211; pessoas escravizadas que trabalhavam nas ruas fazendo diferentes serviços ou vendendo mercadorias, obrigados a dar parte dos seus rendimentos aos “senhores”.<br><br>Os trabalhadores fizeram o serviço e foram comemorar, com suas pás nas costas, o salário recebido no Clube dos Caiadores, no bairro de São José. Com alguns trocados no bolso e em pleno carnaval, eles tinham motivos para festejar, tanto que decidiram criar o Clube Carnavalesco Misto das Pás.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:44% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c.jpg" alt="" class="wp-image-74620 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“O clube passa, em todos os momentos históricos e políticos do Brasil, 1888, 19 de março, em 13 de maio, a libertação dos escravos. Depois vem a república, o estado novo, a ditadura militar em 64, vem a redemocratização e em todos os momentos, o Clube das Pás participa efetivamente aqui no estado de Pernambuco”, conta Álvaro Melo, diretor de promoções e eventos do Clube das Pás, que é apaixonado pelo clube desde quando o conheceu, há 30 anos. </p>
</div></div>



<p></p>



<p>Hoje, o clube continua desfilando e ganhando prêmios com suas apresentações no grupo especial do Recife. Todos os preparativos acontecem na sede da agremiação, em um espaço acima do famoso salão de dança, com uma equipe de dez pessoas que começa a se preparar até seis meses antes do carnaval. Lá são confeccionadas roupas e adereços.</p>



<p>Os carros alegóricos também são construídos pela própria equipe do Clube das Pás, que, este ano, desfilará no domingo à noite, na passarela da avenida Dantas Barreto concorrendo com outros cinco clubes de frevo &#8211; Reizado Imperial, Amante das Flores, Guaiamum na Vara, Girassol da Boa Vista e o já mencionado Vassourinhas.</p>



<p>Carnavalesca e administradora do barracão, Gislaine Cordeiro, está na função há dois anos e é a pessoa que comanda o espaço e comanda o desenho dos desfiles. “É muita luta, a gente corre muito, a gente tem aquela dinâmica de chegar cedo pra terminar cedo, o mais breve possível. Mas sabe onde é que a gente sente alegria? Quando bota na avenida, até as apresentações pela prefeitura são gratificantes, você se sente feliz é uma emoção, porque você sabe que aquele trabalho saiu de todo um conjunto de pessoal”, conta.</p>



<p>Já quem cuida dos figurinos é Hilário da Silva, carnavalesco responsável pela parte de criação e confecção dos figurinos e adereços, também participa de todos os processos. Na função há 11 anos, ele conta que existe um processo do tema ao protótipo para chegar na confecção e que todos eles são feitos com muita dedicação. “Eu amo, adoro fazer carnaval. Quando eu começo, dedico minha vida, porque se você não se dedicar de corpo e alma, a coisa não sai. Então, quando a gente gosta de carnaval, a gente tem o sangue na veia mesmo, a gente já está pensando no próximo trabalho”, diz.</p>



<p>Mas o clube não é feito apenas por essa equipe, existem centenas de pessoas envolvidas para que as apresentações aconteçam, são entre 250 e 300 pessoas que vão para a avenida em dia de desfiles.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Pas-2-300x171.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Pas-2-1024x582.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Pas-2-1024x582.jpeg" alt="A cena mostra um desfile carnavalesco cheio de cores e detalhes. No centro, há um grande estandarte ornamentado com franjas douradas e símbolos de pás cruzadas, trazendo inscrições que remetem a um clube fundado em 1888. Ao redor do estandarte, pessoas vestem fantasias elaboradas, em tons vivos de amarelo, com enfeites de estrelas e flores nas cabeças. Ao fundo, espectadores assistem sentados diante de uma parede multicolorida." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Clube das Pás e Vassourinhas desfilam na avenida Dantas Barreto, no domingo de Carnaval.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo Clube das Pás</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">“O frevo não é uma brincadeira inocente”</h2>



<p>Um ano depois do surgimento do Clube das Pás, em 1889, um outro grupo de trabalhadores decidiu criar o Vassourinhas, tão importante para a história do frevo por ter como o hino a Marcha nº 1.<br><br>Entre as várias versões que existem sobre o surgimento do grupo, a que mais apresenta evidências históricas, segundo o diretor Thomás Ricardo, conta que um grupo de amigos se reuniu após o trabalho, próximo à Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no bairro de São José, na festa do Dia de Reis, em 6 de janeiro, a primeira depois da abolicão.<br><br>“O Clube Vassourinhas vai surgir justamente no final do século XIX, início do século XX num contexto pós-abolição, num contexto de proclamação da república, onde os populares vão cada vez mais, apesar ainda de muitas restrições impostas, mas esses dois condicionantes, esse contexto vai favorecer para que o clube surja, assim como outras agremiações também vão surgir”, conta Thomás.</p>



<p>Diferente do Clube das Pás, todos os trabalhadores não necessariamente eram varredores de rua, apesar de também existirem em bom número no grupo. Thomás afirma que eles exerciam diferentes funções, mas como era uma tendência da época nomear um clube carnavalesco com o nome de algum instrumento de trabalho ou então com o nome de alguma categoria profissional, assim o fizeram.</p>



<p>“É muito importante a gente sempre reverenciar e destacar que o frevo, ele não é uma brincadeira inocente. O surgimento desse clube não vai ser uma brincadeira pura e simplesmente inocente, não”, reforça Thomás. “As elites não queriam que os populares tivessem direito de acesso às ruas, só que os populares não vão aceitar, assim como também os fundadores do Vassourinhas, eles vão cada vez mais conquistando as ruas, cada vez mais conquistando adeptos, até se transformar no grande clube carnavalesco que vai surgir e que vai justamente conquistar o Brasil”, continua.</p>



<p>Durante o século XX, o clube consolidou sua força. Em 1909, Joana Batista e Matias da Rocha, ambos negros e vindos das periferias do Recife, compuseram o hino que se tornaria quase um sinônimo de frevo, a Marcha nº1.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Clique <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fRPS-Ud-DpU" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui para escutar uma gravação de 1945</a> ou <a href="https://www.youtube.com/watch?v=5pLhkCBo1fY" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui para a versão antológica que levanta multidões</a> já nos primeiros acordes.</p>
        </div>
    </div>



<p>Nos anos 1950, em uma viagem ao Rio de Janeiro para se apresentar oficialmente, a excursão que reuniu aproximadamente 60 músicos da banda da Polícia Militar de Pernambuco, além de fantasias e estandartes, fez uma escala em Salvador que transformou o percurso em um momento histórico.</p>



<p>Segundo Thomás Ricardo, “a cidade de Salvador realmente enlouqueceu com aquela apresentação. Eles nunca tinham visto o frevo, nunca tinham visto um carnaval sendo feito daquela forma”. A multidão se reuniu para assistir ao espetáculo, e o impacto foi tão grande que alguns músicos se machucaram em meio à aglomeração. Para garantir a segurança, surgiu a ideia de colocar os músicos sobre um carro, como solução improvisada que inspiraria Dodô e Osmar na criação do trio elétrico.</p>



<p>Esse detalhe mostra como o Vassourinhas não apenas consolidou o frevo como expressão pernambucana, mas também influenciou diretamente o carnaval baiano. “O Clube Vassourinhas realmente possui uma história muito bonita, que se confunde com a história do Carnaval do Brasil”, resume Tomás, reforçando o papel da agremiação como ponte entre tradições regionais e como catalisadora de novas formas de festa popular.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Próximo objetivo é retomar as ruas</strong></h3>



<p>Hoje, assim como o Clube das Pás, o Vassourinhas de Recife desfila no Grupo Especial do Concurso de Agremiações do Carnaval do Recife, mas o desejo da diretoria é retomar os desfiles de rua que, outrora, foram a marca desses clubes.</p>



<p>Historicamente, os clubes centenários realizavam arrastões pelas ruas da cidade, mas com o tempo, ao migrarem para sedes próprias nas periferias do Recife, ficaram mais restritos a bailes e concursos oficiais. Ele defende que essa prática precisa ser retomada: “eu acho que é muito importante que as agremiações do Recife tenham (seus arrastões). Não só o Vassourinhas, mas eu queria que os Lenhadores, o Clube das Pás também tivessem seus arrastões, porque se a gente for ver nos jornais antigos, essas agremiações faziam arrastão.”</p>



<p>Tomás cita exemplos de Olinda, onde os Lenhadores e o Vassourinhas mantêm seus arrastões, e reforça que o Vassourinhas do Recife, o original, fundado em 1889, deveria seguir essa tradição. Para ele, os arrastões são uma forma de devolver os clubes às ruas, aproximando-os dos foliões e reafirmando sua identidade popular.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55078594301_fa543fb2fc_c.jpg" alt="A imagem mostra Thomás Ricardo, um homem em pé, de braços cruzados, diante de dois estandartes festivos e ornamentados. Ele veste uma camiseta amarela com desenhos que combinam com os símbolos dos estandartes, indicando ligação com o grupo representado. Os estandartes são ricamente decorados em cores vivas como dourado, azul e vermelho, trazendo inscrições que mencionam “Vassourinhas” e “Recife”, além de figuras e emblemas. O conjunto transmite orgulho cultural e celebração de tradições locais." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Agremiações pedestres que contam a história de um tempo</strong></h3>



<p>Luiz Vinícius Maciel, historiador e coordenador de memória do Paço do Frevo, conta a importância da existência desses clubes até hoje. São agremiações pedestres que contam a história de um tempo e que permanecem resistindo aos desafios enfrentados ao longo dos anos.</p>



<p>“Essa trajetória longa que esses clubes têm, que diante de muitos desafios continua existindo até hoje, é valiosa não só para um lugar de salvaguarda e cuidado com a tradição do que é o frevo, de muitos elementos que vêm do passado, de recontar essas histórias, de transmitir essas histórias, esses saberes de como geriam a agremiação e como é que a manifestação acontece na rua, da dança, da música”, aponta o historiador.</p>



<p>Maciel também aponta a importância desses clubes para as comunidades que estão inseridas até hoje. “São agremiações que nasceram no centro do Recife, mas que por mil motivos, ao longo da história da cidade, foram se espalhando para as periferias. Você tem o Clube das Pás está em Campo Grande, o Vassourinhas está em Afogados, os Lenhadores estão na Mustardinha. E são espaços que muitas vezes vai ter o brega do fim de semana, vai ter a festa da terceira idade, vai ter o velório de alguém, tem situações, às vezes, da escola quebrou o ar-condicionado, a turma vai ter aula no clube. Então, são espaços importantes também para aquelas comunidades de troca social, de sociabilidade, até hoje, em 2026”, reflete.</p>
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		<title>Propaganda de cerveja diante de centro de tratamento de alcoolismo foi removida pela prefeitura do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Mar 2025 21:36:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alcoolismo]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[parque da tamarineira]]></category>
		<category><![CDATA[propaganda de cerveja]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em seu primeiro carnaval como parque público, a Tamarineira, na zona norte do Recife, recebeu um palco onde funciona um polo infantil, que funciona exatamente na frente do Centro de Prevenção Tratamento e Reabilitação de Alcoolismo (CPTRA). Aparentemente, a prefeitura do Recife tomou os cuidados necessários em um espaço destinado às crianças: não há propaganda [&#8230;]</p>
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<p>Em seu primeiro carnaval como parque público, a Tamarineira, na zona norte do Recife, recebeu um palco onde funciona um polo infantil, que funciona exatamente na frente do Centro de Prevenção Tratamento e Reabilitação de Alcoolismo (CPTRA). Aparentemente, a prefeitura do Recife tomou os cuidados necessários em um espaço destinado às crianças: não há propaganda visível de bebida alcoólica nem de sites de jogos de azar para quem está no parque.</p>



<p>Não houve o mesmo cuidado, no entanto, com os pacientes do CPTRA: o verso do material branco que forra o palco e os tapumes são cartazes e banners de uma marca de cerveja.</p>



<p>O problema é que a unidade de saúde está funcionando normalmente, noite e dia, atendendo a pelo menos 20 pacientes dependentes de álcool que estão recebendo acompanhamento para evitar a recaída durante o período carnavalesco. A publicidade da cerveja não ajuda o trabalho da equipe de médicos, enfermeiras e terapeutas.</p>



<p>Poucas horas depois de ser acionada pela Marco Zero, a prefeitura do Recife enviou a seguinte explicação e determinou que a propaganda de cerveja fosse removida:</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>A Prefeitura da Cidade do Recife esclarece que já abriu processo administrativo contra a empresa responsável pela instalação indevida de material no palco do Parque da Tamarineira, o que pode acarretar em multa. A gestão já ordenou a aposição de malhas para cobertura do material instalado indevidamente e este serviço já está sendo realizado.</p>
    </div>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/devassa-3-300x225.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/devassa-3-1024x768.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/devassa-3-1024x768.jpg" alt="Foto noturna de uma lona preta cobrindo tapumes em uma estrutura vista por trás de uma grade e junto a um equipamemto que parece ser um gerador de energia. Ao fundo há copas de árvores iluminadas por luzes artificiais e, à distância, as janelas iluminadas de um prédio." class="" loading="lazy" width="620">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Propaganda em frente ao CPTRA foi removida após a denúncia
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ascom/Pref. do Recife</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

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		<title>Do terreiro à rua: Maracatu Encanto da Alegria mostra a conexão entre religiões afro-indígenas e o carnaval</title>
		<link>https://marcozero.org/do-terreiro-a-rua-maracatu-encanto-da-alegria-mostra-a-conexao-entre-religioes-afro-indigenas-e-o-carnaval/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Feb 2025 22:35:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Alto José do Pinho]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[desfile de agremiações]]></category>
		<category><![CDATA[maracatu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Poder representar a nossa cultura, a nossa ancestralidade e a nossa resistência é muito importante. A cada dia é uma luta diferente para fazer o carnaval, mostrando e valorizando a cultura afro”, explica Bárbara Ramos, de 40 anos. A fala da mulher que, por metade da vida, é a dama de paço da calunga de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Poder representar a nossa cultura, a nossa ancestralidade e a nossa resistência é muito importante. A cada dia é uma luta diferente para fazer o carnaval, mostrando e valorizando a cultura afro”, explica Bárbara Ramos, de 40 anos. A fala da mulher que, por metade da vida, é a dama de paço da calunga de Oxum no Maracatu Nação Encanto da Alegria, do Alto José do Pinho, na zona norte do Recife, resume o peso das manifestações do carnaval para as religiões de origem africana e indígena.</p>



<p>Bárbara começou na agremiação em 2008, quando o Babalorixá Clóvis de Oxum jogou os búzios para saber quem seria a nova dama de paço da orixá. Ela foi escolhida mesmo sem fazer parte do Encanto. “E assim eu estou: todo ano carregando a minha calunga com muita emoção”, completa.</p>



<p>Esse é um dos rituais que envolvem o maracatu nação. O Encanto da Alegria foi fundado no dia 10 de dezembro de 1998, na rua Aurilândia, na Bomba do Hemetério, pela ialorixá Ivanize de Xangô junto com o amigo Clóvis de Oxum. Ambos já faleceram, mas seus familiares e brincantes mantiveram o legado do maracatu. E assim, desde a criação do grupo especial no concurso de agremiações carnavalescas há quase 20 anos, o Encanto faz parte da categoria dos mais respeitados maracatus pernambucanos. </p>



<p>“A gente dá continuidade a esse trabalho, esse legado e essa missão que eles deixaram com a gente. É muito gratificante chegar no dia do carnaval, no dia do nosso desfile e ver que tá tudo pronto. Quando a gente vê tudo formado é uma emoção dá vontade das lágrimas caírem dos olhos, porque é tudo por amor o que a gente faz”, diz Anderson dos Santos, de 32 anos, que começou como príncipe na corte e agora é presidente da agremiação.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/54338697421_e47480c33b_c.jpg" alt="A imagem mostra uma mulher negra vestida com um turbante amarelo e branco, brincos grandes, um colar de contas amarelas e uma roupa amarela brilhante. Atrás dela, há outra pessoa com uma camisa colorida e um ambiente decorado com cores vibrantes." class="" loading="lazy" width="682">
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	                                        <p class="m-0">Bárbara nem fazia parte do Encanto quando foi escolhida para ser dama do paço
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Faltando poucos dias para o carnaval, na última semana foi realizado o arrastão &#8220;trovão vermelho&#8221;, que sai pelas ruas da zona norte marcando o último ensaio antes dos desfiles para valer. Após o arrastão, as calungas são recolhidas para os rituais sagradas e elas só voltam a ser vistas no dia do desfile. O Encanto da Alegria leva a sério todos os ritos religiosos: fazem oferendas aos orixás e eguns [alma ou espírito das pessoas mortas], consagram as calungas e renovam os votos com as entidades do candomblé para que os caminhos sejam abertos.</p>



<p>“O Maracatu pra ser nação, ele tem que estar ligado ao terreiro. Ele tem que nascer e morar dentro de um terreiro. Então, na minha opinião pessoal, o Maracatu que não nasce no terreiro e não tem os fundamentos religiosos, ele não pode ter esse nome, nação. Pra mim, é um grupo percussivo”, sentencia Anderson dos Santos.  </p>



<p>O grupo está ligado ao terreiro Centro Espírita Cigana Saray, que também é a sede da agremiação. O espaço se divide com a tribo Carijós do Recife, o caboclinho mais antigo em atividade no estado, fundado em 1896 pelo estivador Antônio da Costa. As agremiações são diretamente ligadas ao candomblé e a jurema sagrada, de origem africana e indígena, respectivamente.</p>



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	                                        <p class="m-0">&#8220;Se não for ligado a um terreiro, não é maracatu, é grupo percussivo&#8221;, afirma Anderson
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<h2 class="wp-block-heading">Camuflagem para evitar perseguição</h2>



<p>Assim como o maracatu nação e o caboclinho, os afoxés, o maracatu rural, o próprio frevo e os ursos, têm uma forte ligação com a religiosidade. O próprio carnaval começou como uma festa católica, mas foi recebendo elementos e influências dos povos, etnias e culturas para quem a folia era espaço de resistência à opressão dos colonizadores e da elite de origem europeia.</p>



<p>A pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Rita de Cássia Araújo, lembra que a origem da festa é religiosa, ligada à tradição católica, na qual o carnaval é um período de excessos antes dos 40 dias de contenção e o recolhimento da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas. </p>



<p>Durante o Império, a manifestação aos poucos foi sendo apropriada pelas outras etnias, classes e grupos sociais, como os negros escravizados e os indígenas. Sob a vigilância dos governantes católicos e da elite, se recorreu a estratégias para separar a religiosidade. Camuflada como simples divertimento, os ritos africanos e indígenas escapavam da perseguição dirigidas àquilo que era considerado heresias.</p>



<p>Com o passar dos anos, os grupos e etnias continuaram com as tradições no período carnavalesco como forma de honrar os ancestrais e perpetuar a cultura. “Essa questão da religiosidade é um laço identitário, é uma prática cultural, uma questão de pertencimento dessas comunidades, desses grupos, elementos que fizeram com que eles se mantivessem”, avalia a pesquisadora.</p>



<p>“Além da hipótese que a religiosidade que perpassa a vida de muitas das agremiações carnavalescas, sobretudo as populares, é uma das principais responsáveis pela salvaguarda das brincadeiras, pela continuidade das tradições &#8211; que não significa congelamento -, penso que ela, a religiosidade é um dos fortes elementos a dotar a festa de sentidos próprios a cada etnia, grupo, tradição”, completa.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/encanto-1-1024x1020.jpg" alt="A foto mostra um homem negro vestindo uma camisa branca com detalhes vermelhos e uma frase estampada nas costas: EM TERRA NAGÔ REINA O TROVÃO VERMELHO DE XANGÔ, acompanhada de uma coroa e dois machados cruzados com raios. A pessoa usa um chapéu de palha enfeitado com uma fita vermelha e segura um instrumento de percussão no ombro. Ao redor, há outras pessoas vestindo roupas similares, algumas também com chapéus de palha, participando de um evento cultural noturno com iluminação urbana ao fundo." class="" loading="lazy" width="673">
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	                                        <p class="m-0">Religiosidade marca pertencimento a uma comunidade
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Instagram @encantodaalegriaa</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/do-terreiro-a-rua-maracatu-encanto-da-alegria-mostra-a-conexao-entre-religioes-afro-indigenas-e-o-carnaval/">Do terreiro à rua: Maracatu Encanto da Alegria mostra a conexão entre religiões afro-indígenas e o carnaval</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Conheça o Boi Mimoso e o Maracatu Raízes de África, criados por projetos sociais na mesma comunidade do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/conheca-o-boi-mimoso-e-o-maracatu-raizes-de-africa-criados-por-projetos-sociais-na-mesma-comunidade-do-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Feb 2025 18:22:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[bumba meu boi]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[maracatu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre a Bomba do Hemetério e Água Fria — dois bairros conhecidos pela efervescência do carnaval—, na zona norte do Recife, há uma pequena comunidade onde o movimento é intenso às vésperas do carnaval. Pelo menos 200 pessoas de todas as idades estão diretamente envolvidas nos preparativos para colocar nas ruas não apenas uma, mas [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/conheca-o-boi-mimoso-e-o-maracatu-raizes-de-africa-criados-por-projetos-sociais-na-mesma-comunidade-do-recife/">Conheça o Boi Mimoso e o Maracatu Raízes de África, criados por projetos sociais na mesma comunidade do Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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<p>Entre a Bomba do Hemetério e Água Fria <strong>—</strong> dois bairros conhecidos pela efervescência do carnaval—, na zona norte do Recife, há uma pequena comunidade onde o movimento é intenso às vésperas do carnaval. Pelo menos 200 pessoas de todas as idades estão diretamente envolvidas nos preparativos para colocar nas ruas não apenas uma, mas duas agremiações, que representam o Córrego do Bombeirense e se apresentarão no Grupo Especial da capital pernambucana. A escadaria da comunidade abriga duas casas de fachadas coloridas, sedes do Maracatu Raízes de África e do Boi Mimoso.</p>



<p>As duas agremiações compartilham mais do que o endereço e a paixão dos moradores do Córrego. Tanto o boi quanto o maracatu nasceram em diferentes projetos sociais destinados às crianças do bairro na década de 1990. Os meninos e as meninas cresceram, casaram, tiveram filhos, assumiram responsabilidades e mantiveram vivo o compromisso com a cultura popular.</p>



<p>Toda a preparação do Boi Mimoso acontece ali, bem no meio da escadaria, em frente à casa de dona Nalva, mãe do presidente e cofundador do Boi, Ricardo Estevam. Desde a criação do boi, ela é a guardiã da agremiação, abrindo as portas da sua moradia e a transformando em uma sede improvisada.“Aqui são 27 anos de boi, porque começou lá em 1997, então a comunidade abraçou a brincadeira do boi. Não só a brincadeira do boi, mas o maracatu e os outros que existem aqui dentro da comunidade”, explica Estevam.</p>



<p>A poucos degraus dali, a casa do mestre Walter França, de 74 anos, é o coração do Maracatu Raízes de África. Além de guardar fantasias, estandartes e troféus, a casa também é uma oficina para confecção, conserto e depósito de instrumentos de percussão. “Carnaval tem seus direitos, quem não pode com ele, não se meta&#8221;, justifica França, um dos mais importantes mestres do maracatu em Pernambuco.</p>



<p>Segundo ele, para colocar a agremiação na rua, os principais elementos são intangíveis. “A preparação é ter peito, ter coragem, paciência, calma, dedicação e, acima de tudo, amor. Aí vêm duas coisas importantes, vem o amor e o respeito. Se você não tiver esses dois itens, não vai fazer um bom carnaval&#8221;, reforça o mestre.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mestre Walter ajudou a criar o Raízes de África em 1995
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading">Gente de tudo quanto é idade</h2>



<p>Para conduzir o maracatu na avenida, mestre Walter conta com um auxiliar vindo do boi e com idade para ser seu neto. Joalison Batista, de 22 anos, é um jovem batuqueiro que entrou no mundo da cultura popular com um ano de idade, vendo os pais e toda a família envolvida com o boi. O primeiro presente que ganhou do pai foi um bombo pequeno para seguir os passos dos mais velhos.</p>



<p>Hoje, ele ocupa uma posição de destaque dentro do maracatu, auxiliando o mestre Walter a conduzir as toadas. “Fui me tornando uma referência dentro do boi, depois dentro do maracatu, por causa dessa movimentação que eu fazia e faço até hoje dentro das agremiações”, ressalta</p>



<p>&#8220;A gente brinca o boi e o maracatu, mas, na verdade, isso é uma brincadeira muito séria. Porque a cultura também tem esse movimento. É um movimento que também pode salvar a vida. Eu fico muito feliz, muito alegre em saber que eu tô podendo ajudar pessoas com a música, com a cultura popular. E, principalmente, o pessoal da minha comunidade que são meus amigos, meus tios, meu pai, meu avô&#8221;, afirma o jovem. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Aos 22 anos, Joalison faz parte das agremiações desde o 1º ano de vida
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>De outra geração, o diretor de patrimônio do Raízes de África, Gilberto Estevão, de 53 anos, é mais uma das peças fundamentais para que a festa aconteça. Ele guarda em casa todos os materiais que não cabem na casa de mestre Walter, ajuda na pintura dos instrumentos do boi e do maracatu, organiza a rua quando tem festa. É um coringa.</p>



<p>Diferente de Joalison, se encantou pela cultura do local já adulto, quando parentes foram morar no Córrego. Mas é igualmente apaixonado. “Eu gosto tanto que fazem seis meses que não vou em casa”, diz ele que mora no Alto do Pascoal, mas nessa época se muda para o Bombeirense, onde divide um pequeno espaço com os instrumentos do maracatu. </p>



<p>A história do maracatu se confunde com a trajetória do mestre Walter, homem que tem 70 anos produzindo cultura popular. Ao lado de duas educadoras da Escola Municipal Antônio Tibúrcio, ele era mestre do maracatu Estrela Brilhante do Recife quando viu na percussão uma maneira de evitar a evasão escolar e assim ajudou a criar o maracatu, que, na época, se chamava apenas Raízes.</p>



<p>O projeto precisou ser pausado por alguns anos, mas em 2018, após o mestre deixar o posto no Estrela Brilhante do Recife, voltou com o novo nome, Nação Raízes de África. Nas cores verde, amarelo e vermelho, o maracatu carrega consigo as famílias daqueles que participaram ainda crianças da primeira formação.</p>



<p>“Cada criança tem uma mãe, tem uma irmã, que vieram fazer parte do maracatu Nação Raízes de África. Hoje eu conto com um bocado deles, que eram pequenininhos, que já são pais, entendeu? A minha filha mesmo já é mãe de três e todos participam do Raízes. Ela também foi uma das que vieram pequenininhos do maracatu Raízes, hoje está no maracatu Nação Raízes de África”, conta o mestre.</p>



<p>Assim como o maracatu, o Boi Mimoso se tornou realidade com o incentivo de um projeto social que chegou na comunidade em 1997, quando foi fundado. O que era um sonho dos filhos dos brincantes do Boi Teimoso, que não podiam participar da brincadeira por serem crianças, se tornou realidade. Por falta de estrutura e dinheiro, os adolescentes acabaram por deixar de lado o Boi por alguns anos, que só foi retomado anos depois.</p>



<p></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:40% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/54337793227_84fbbe41fa_c.jpg" alt="" class="wp-image-69197 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/54337793227_84fbbe41fa_c.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/54337793227_84fbbe41fa_c-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/54337793227_84fbbe41fa_c-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p></p>



<p>“De 2002, em diante, eu já estava mais velho. Então, junto com outras pessoas que deram uma força muito grande. A gente volta a resgatar o Boi Mimoso. Porque é uma brincadeira que a gente sempre fez. Então resgatamos com força para que a gente se tornasse uma agremiação”, afirma Ricardo Estevam, presidente do Boi Mimoso.</p>



<p>A comunidade ainda conta com o bloco Sou Criança e Adolescente, antes do carnaval, com o Arraial Arriégua, no período junino, a festa das crianças, em outubro, e ainda organizam um &#8220;dia do lazer&#8221; com um passeio fora da cidade para os integrantes do Boi.</p>
</div></div>



<h3 class="wp-block-heading">Sem pirangagem</h3>



<p>Apesar do pouco tempo de existência, comparadas às agremiações centenárias da folia pernambucana, tanto o boi quanto o maracatu estão no Grupo Especial nas catergorias boi e maracatu nação. E isso exige muita preparação. Os ensaios que começam por volta de agosto, se intensificam no começo do ano e se dividem com as apresentações pré-carnavalescas. E as produções requerem antecedência e a colaboração de todos os envolvidos. Na comunidade, há quem seja artesão e carnavalesco, há quem costure e há quem conserte os instrumentos.</p>



<p>Entretanto, para colocar a agremiação na rua é preciso mais do que a disposição da equipe, é preciso de  recursos financeiros. “É ter dinheiro e não ter &#8216;pirangagem&#8217;, é querer botar a sua grandeza na rua. Porque se você for pensar que tá caro, só tem um maracatu bem bufento, feio, sem ninguém”, reforça o Mestre Walter.</p>



<p>As agremiações carnavalescas recebem uma subvenção, nome do apoio financeiro para o fortalecimento da cultura popular pago pela Prefeitura do Recife. No entanto, o valor é repassado em duas parcelas, uma antes do carnaval e a outra somente após a prestação de contas, o que pode demorar até quatro meses após a festa.</p>



<p>Por isso, editais e apresentações pagas fortalecem a manutenção dos grupos. “A subvenção da prefeitura dá uma grande força. Não é tudo, porque a gente gasta muito mais. A gente gasta três vezes mais do que a gente recebe da subvenção”, admite Eduardo Melo, produtor e vice-presidente do Boi Mimoso. &#8220;Todo o cachê é usado no boi. A gente já tem que se programar, porque a gente sabe que 2026 vem aí. A gente trabalha esse ano, mas já pensando no outro. Porque esse é o motivo da gente fazer, a gente sabe que a gente tem que existir. Se a gente ficar só pensando em 2025, a gente não trabalha outro ano, não&#8221;, completa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/54338913999_ab67c4e857_c.jpg" alt="Jovem negro de costas com uma camisa verde, vermelha e amarela, com a frase Maracatu Nação Raízes de África. Ele está em um ambiente aberto, numa rua de paralelepípedos, segurando um instrumento de percussão." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ensaios do maracatu começam com meses de antecedência
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

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		<title>O homem que estoura o cartão da esposa por causa de um boneco gigante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Feb 2025 12:52:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[boneco gigante]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Kakay]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Tá no couro, tem como fugir disso não”. É assim que o olindense Josemar Chaiarelli, conhecido como Kakay, explica seu vínculo com o carnaval, mais precisamente com o Clube de Bonecos Menino da Gráfica, um dos campeões das divisões de acesso no desfile de agremiações do Recife em 2024. Para sair às ladeiras de Olinda [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Tá no couro, tem como fugir disso não”. É assim que o olindense Josemar Chaiarelli, conhecido como Kakay, explica seu vínculo com o carnaval, mais precisamente com o Clube de Bonecos Menino da Gráfica, um dos campeões das divisões de acesso no desfile de agremiações do Recife em 2024.</p>



<p>Para sair às ladeiras de Olinda e fazer parte da programação oficial do carnaval do Recife, o boneco exige muito empenho e consome as economias da família. Kakay explica que trabalha o ano inteiro para colocar o Menino na rua, mas não conseguiria se não contasse com o apoio dos parentes e amigos. “As pessoas pensam que a gente lucra, mas, na verdade, a gente geralmente até se endivida para colocar o bloco na rua, eu mesmo já estourei o limite de vários cartões da minha esposa, mas a gente faz isso com o maior gosto”, conta o carnavalesco.</p>



<p>O compromisso com o boneco é tão intenso que, ao falar da história da agremiação, seus olhos marejam, mas o sorriso não sai do rosto. É com orgulho que Kakay fala sobre a formação e a trajetória de seu bloco de carnaval, que, em 2025, completa 38 anos de existência.</p>



<p>O Menino da Gráfica surgiu em fevereiro de 1987 quando o irmão mais novo de Kakay improvisou um boneco usando cabos de vassoura e o provocou a colocar um bloco na rua. O nome da agremiação também é uma herança da família, dona de uma gráfica há décadas, como conta seu Kakay: “meu bisavô, meu avô, meu pai, eu e agora meu filho também, todos eram ou são gráficos”.</p>



<p>A ideia inicial era que o bloco nascesse no dia 7 de fevereiro, data em que comemora-se o Dia Nacional do Profissional Gráfico, mas devido a dificuldades logísticas só foi possível fazer o desfile no dia 23. Mas representar e homenagear os profissionais da área segue sendo a razão de ser da agremiação.</p>



<p>O bloco nasceu no improviso, mas foi ganhando força e o boneco, antes feito com cabos de vassoura, ganhou uma primeira versão feita por um amigo de Kakay. Alguns anos depois, por insistência do carnavalesco, a família investiu e o Menino da Gráfica ganhou uma versão caprichada feita pelo renomado artista plástico Silvio Botelho.</p>



<p>A figura do boneco é uma representação jovem de Kakay, que conta como ela foi idealizada: “Silvio disse para mim ‘eu não posso fazer um boneco velho porque o nome do bloco é Menino da Gráfica, então o boneco tem que ser jovem’. Aí ele pediu uma foto minha mais novo, e eu entreguei uma foto de quando eu tinha 19 anos. Daí nasceu a escultura”.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Neste ano, o bloco presta homenagem a Dodô Madeira, percussionista e músico olindense falecido em 2024. Kakay era amigo próximo de Dodô e se emociona ao lembrar do convívio com o músico: “ele merece ser homenageado porque ele era gente da gente e faz muita falta”. Dodô também é um dos homenageados pela Prefeitura de Olinda no Carnaval deste ano.</p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Não tem satisfação maior do que ver as pessoas felizes”</strong></h2>



<p>A falta de apoio financeiro dos órgãos públicos e de patrocinadores nunca impediu que Kakay e sua família desfilassem com o Menino da Gráfica. O carnavalesco conta que o ajuda que recebe da Prefeitura de Olinda é a disponibilização de uma orquestra para acompanhar o desfile do bloco, que acontece no domingo de Carnaval, com saída na Igreja de Guadalupe.</p>



<p>“Aqui em Olinda a prefeitura nos dá duas opções: receber uma orquestra ou três mil reais. Mas a prestação de contas desse dinheiro é tão burocrática, muitas vezes o dinheiro demora tanto a sair, que eu prefiro receber a orquestra”, diz Kakay.</p>



<p>Anos atrás, a agremiação chegou a promover uma festa privada, com direito a <em>open bar</em> e <em>open food</em>, e com isso arrecadar recursos para a agremiação. Mas conta que mesmo assim era difícil obter lucro. “Eu gosto mesmo é de fartura, de ver o povo comendo e bebendo do melhor, aproveitando mesmo a festa porque Carnaval é só uma vez por ano. Para mim não tem satisfação maior do que ver as pessoas felizes, elogiando a festa e pedindo mais, não tem preço que pague a sensação. Por isso, o que eu ganhava com a vinda dos abadás da festa era quase tudo para gastar na organização do evento”, conta Kakay saudoso.</p>



<p>A festa não acontece mais porque ficou difícil para o gráfico conciliar a organização do evento com outras demandas pessoais e profissionais. Com isso, hoje o Clube de Bonecos depende da fidelidade dos amigos, familiares e foliões que, apaixonados pelo Menino da Gráfica, seguem participando do bloco. Há quem ajude fazendo contato pelo <a href="https://www.instagram.com/meninodagraficaoficial/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram do bloco</a>.</p>





<h3 class="wp-block-heading">É brincadeira, mas é organizada</h3>



<p>Além do desfile do bloco em Olinda, o Menino da Gráfica participa do concurso de agremiações do Recife. A apresentação acontece na manhã de terça-feira de Carnaval, na avenida do Forte, zona oeste da capital. No ano passado, pela primeira vez, o clube de bonecos olindense foi campeão do Grupo 2.</p>



<p>De acordo com as regras do concurso, o clube de bonecos deve apresentar um enredo e desfilar por 25 minutos. A agremiação é composta por alas de passistas que devem vestir abadás e fantasias. A condução do boneco também é uma característica importante na avaliação do concurso e o responsável por carregar o Menino da Gráfica não e qualquer um: a tarefa cabe ao sobrinho de Kakay, conhecido por &#8220;Nelsinho Delícia&#8221;, que também é um dos carregadores do calunga do Homem da Meia-Noite.</p>



<p>Caso consiga ser campeão novamente, o Menino da Gráfica passará a ocupar o Grupo Especial. “Esse é o nosso maior desejo e eu estou muito esperançoso, porque chegar ao grupo especial é sinônimo de maior visibilidade, maior credibilidade, é uma oportunidade de conseguir mais parcerias e mais patrocinadores para continuar com nossas atividades”, revela Kakay.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-19-at-11.27.37-1-300x200.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-19-at-11.27.37-1-1024x682.jpeg" alt="Foto de Kakay ao lado do boneco gigante Menino da Gráfica. Ele é um negro idoso, com cabelhos grisalhos, cavanhaque e bigode brancos, vestindo uma camisa colorida com a foto de uma mulher negra sobre a qual se lê em letras vermelhas Zenaide Bezerra - para eternizar. As mãos do homem, pousadas sobre o ombro do boneco, têm anéis prateados em todos os dedos. A foto foi feita durante o dia em um ambiente fechado cobertos com telhas de amianto, parecendo uma garagem ou galpão." class="" loading="lazy" width="629">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O boneco é uma representação de Kakay quando jovem
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Os campeões do Grupo Especial também recebem uma premiação maior, no valor de R$ 25 mil. Com isso, mirando a conquista, os integrantes do clube de bonecos estão dando mais atenção aos ensaios, coisa que acontecia com pouca ou nenhuma frequência. Afinal, como reforça o presidente do Menino da Gráfica: “todo mundo sabe que Carnaval é uma brincadeira, mas poucos sabem que para muitos ele é sinônimo de responsabilidade”.</p>



<p>Além da chegada ao grupo especial no concurso de agremiações, o gráfico que tem o Carnaval como propósito na vida, possui outro grande desejo: conseguir que alguém componha um frevo em homenagem ao Menino da Gráfica.</p>



<p>“Eu estou sempre correndo atrás disso, umas três pessoas já me prometeram, mas até agora nunca entregaram”, conta Kakay. Enquanto o desejo não se realiza, o carnavalesco segue festejando cada ano em que seu boneco ganha as ruas e avenidas e se contenta em garantir que outras pessoas compartilhem dessa alegria.</p>



<p>“Eu quero mesmo é ganhar o concurso para festejar. Se a gente ganhar esse ano e subir pro grupo especial eu vou fazer uma grande festa com comida e bebida à vontade para o povo. A gente sempre consegue se organizar e fazer o desfile do ano seguinte porque temos o povo com a gente e cada vez mais pessoas chegam para somar com o Menino da Gráfica. Isso precisa ser comemorado”, concluiu Kakay.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>No ano em que foi campeão, o Menino da Gráfica homenageou Zenaide Bezerra, a passista mais antiga em atividade no Brasil, eleita Patrimônio Vivo da Cultura do Recife. Para este ano, a  agremiação prepara um enredo em homenagem à pesquisadora da Cultura Popular e referência no estudo sobre o Frevo Patrimônio, Carmem Lélis.</p>
        </div>
    </div>
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		<title>Escolha da rainha e do rei do carnaval do Recife, uma festa do frevo e do povo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Feb 2025 15:19:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval 2025]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[pátio de São Pedro]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[rainha do carnaval]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A montagem dos palcos está só no começo, as atrações nacionais nem desembarcaram, as costureiras dão os últimos retoques nos estandartes, o galo não interditou a ponte Duarte Coelho e as agremiações ainda vendem camisas ou promovem prévias para completar o orçamento da festa. Mesmo assim, nas comunidades e para os artistas populares, o carnaval [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A montagem dos palcos está só no começo, as atrações nacionais nem desembarcaram, as costureiras dão os últimos retoques nos estandartes, o galo não interditou a ponte Duarte Coelho e as agremiações ainda vendem camisas ou promovem prévias para completar o orçamento da festa. Mesmo assim, nas comunidades e para os artistas populares, o carnaval do Recife começou faz tempo.</p>



<p>Há pelo menos 70 anos, a escolha da rainha e do rei do carnaval — ou rei momo — é um dos eventos populares que antecedem a folia e acabou sendo incorporado pelo poder público ao calendário oficial.</p>



<p>Sem nomes famosos e longe dos espaços nobres da festa, o concurso costuma ser ignorado pela mídia, mas não pelo povo. Na sexta-feira, 14 de fevereiro, o pátio de São Pedro, no bairro de São José, estava lotado para acompanhar a disputa. Este ano, 14 homens e 25 mulheres se apresentaram na tentativa de conquistar a coroa, o cetro, o conforto de passar o carnaval hospedado em um hotel da zona sul, com carro e motorista à disposição para levá-los a marcar presença nos palcos.</p>



<p>O prêmio em dinheiro também não é nada mau: R$ 30 mil para cada uma das majestades.</p>



<p>Doze jurados e juradas — secretários municipais, professores e gente ligada ao mundo da dança e das artes — avaliam o frevo no pé, figurino, desenvoltura no palco e como candidatos e candidatas se saem ao responder uma pergunta entregue pela organização com antecedência. Segundo o apresentador Albermar Araújo, diretor de Memória Social e Manifestações Culturais da prefeitura do Recife, a ideia é saber quem, além de ter talento, também sabe se virar na frente de um microfone e de<br>uma multidão.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/rainha-2-patio-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/rainha-2-patio.jpg" alt="A imagem mostra um grupo de 10 mulheres em um palco, de costas para a câmera, vestidas com trajes coloridos e brilhantes. Elas estão se apresentando em frente a uma grande igreja histórica de estilo colonial, com duas torres e uma fachada ornamentada. A apresentação parece ser um evento noturno, pois o céu está escuro e há iluminação artificial. A plateia está reunida em frente ao palco, assistindo à apresentação." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Escolha do rei e rainha levou multidão ao pátio de São Pedro
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dores, dívida e sonho</strong></h2>



<p>O que o júri não tem condições de julgar são as dores e as esperanças que cada moça e cada rapaz levam para o palco.</p>



<p>Nos bastidores, minutos antes do início das apresentações, enquanto os músicos da Orquestra Popular do Recife, regidos pelo veterano maestro Ademir Araújo, o ambiente entre os concorrentes era de tranquilidade. Não havia aquela tensão e expectativa das grandes decisões.</p>



<p>De semblante sério, Jean Carlos da Silva aparentava ser um dos mais concentrados. No entanto, aceitou falar. Bailarino do Veneza Water Park, em Maria Farinha, aos 26 anos, era sua segunda participação no concurso. &#8220;Estou aqui porque, um pouquinho antes de morrer, um dos meus melhores<br>amigos me fez prometer que eu não iria desistir. Antes de fechar os olhos e partir, ele me disse a importância de continuar lutando para realizar nossos sonhos&#8221;, revelou, com ar ainda mais compenetrado do que no início da conversa.</p>



<p>O amigo em questão se chamava Luan Freitas, também dançarino e passista de frevo, morto ano passado por complicações da diabetes. Seu nome foi lembrado por outros competidores no palco.</p>



<p>O luto não era a única dor que Jean carregava. &#8220;Há dois dias sofri um acidente de moto, estou todo ralado&#8221;, explicou, apontando para perna direita, admitindo que as feridas provavelmente atrapalhariam sua apresentação. Se a dor física o incomodou, ninguém percebeu. Nos poucos minutos em que esteve no palco manteve o sorriso enquanto executava os difíceis passos do frevo.</p>



<p>Entre as mulheres, Lohana Lima contou que participa da competição para honrar a dívida que tem com frevo. E isso tem a ver com o fato de ter cursado Odontologia na UFPE: &#8220;A universidade é pública, mas se formar em odonto é caro, pois é preciso comprar todo o instrumental. E eu só consegui porque era passista de frevo, então era sempre chamada para me apresentar&#8221;.</p>





<p>Além de trabalhar como dentista no Janga, em Paulista, Lohana também se tornou professora da disciplina de Cirurgia na universidade onde se formou. Ela concilia a profissão e a docência com a vida artística, dando vida à boneca do <a href="https://www.mundobita.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mundo Bita</a>. Onde arruma tempo pra tanta coisa? A resposta é imediata: &#8220;Sou muitas, igual ao carnaval de Pernambuco&#8221;.</p>



<p>Antes do resultado sair, Aléssya Rodrigues já se considerava vencedora. Mulher trans, ao subir no palco e fazer sua apresentação, ela realizou um dos sonhos de sua vida aos 35 anos, sete depois de fazer a transição de gênero. &#8220;Só o fato de estar aqui é uma vitória, é tudo pra mim&#8221;, contou. No palco, ela emocionou a plateia ao dizer que passou a infância e adolescência assistindo ao concurso no meio do povo, &#8220;ainda como um menino&#8221;.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">87 é de Célia</span>

		<p>A eleição de Célia Meira em 1987 foi um marco na história do concurso. Naquele ano, a prefeitura do Recife decidiu organizar e &#8220;democratizar&#8221; a escolha, transformada em evento, instituindo comissão julgadora e<br />
promovendo uma festa no extinto Atlético Clube de Amadores, em Afogados. &#8220;Eu nem queria participar, pensei que era coisa para miss, sou baixinha, não sou modelo, mas fui assim mesmo&#8221;, recorda Célia, que na época era atriz e bailarina do Balé Popular do Recife.</p>
<p>Quando o mestre de cerimônias fez uma pergunta sobre arte erudita e popular, Célia começou a responder, mas logo afirmou que iria demonstrar, na prática, o que era a dança popular: &#8220;Tirei o sapato e comecei a frevar, indo até a frente do palco fazendo o &#8216;patinho&#8217;, um passo muito difícil, que a gente faz agachada. O público veio abaixo&#8221;.</p>
<p>Aquilo mudou para sempre os rumos do evento, que deixou de ser um concurso de beleza entre <em>top models</em> — tendência da época — para se transformar numa celebração para quem tem frevo no pé e compromisso com a cultura popular.</p>
<p>Na edição deste ano, Célia foi uma das ex-rainhas homenageadas pela prefeitura com uma nova faixa &#8220;real&#8221;.</p>
	</div>





<h2 class="wp-block-heading">A festa</h2>



<p>Com 39 concorrentes, 39 torcidas dividiram o espaço do pátio de São Pedro e fizeram uma festa barulhenta e alegre. A presença de pais, mães, irmãos, irmãs, primos e amigos dos candidatos e candidatas criaram um clima que era ao mesmo tempo de disputa e confraternização, afinal<br>muitas daquelas pessoas se conheciam de outros eventos e do convívio nas comunidades. Queixas mesmo só se ouviram as dirigidas aos cinegrafistas e fotógrafos que, por trás da mesa da comissão julgadora, atrapalhavam a visão.</p>



<p>Quem passava pelo palco era saudado com os gritos, balões, cartazes, apitos, enfim, tudo o que poderia ajudar a demonstrar apoio, para quem estivesse se apresentando percebesse que não estava só. A torcida da candidata Larissa Carla, por exemplo, levou balões pretos e brancos, as cores do figurino que ela vestia. Já o concorrente José Tiago Oliveira, o &#8220;Tor&#8221;, frevou ao som dos metais da orquestra e da estridência dos berros da prima Silvana.</p>



<p>E era no meio do público que Victoria Marques do Nascimento e José Roberto Severino da Silva estavam quando seus nomes foram anunciados como a rainha e o rei do carnaval do Recife em 2025.</p>



<p>Enquanto os vencedores abraçavam quem aparecesse pela frente no caminho de volta ao palco para receber as respectivas coroas, seus parentes e amigos contaram um pouco sobre a trajetória de cada um.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/rainha-6-torcedora-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/rainha-6-torcedora.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/rainha-6-torcedora.jpg" alt="A imagem mostra uma mulher de cabelos longos, cacheados e soltos, vestindo uma roupa verde. Ela está no meio de uma multidão e parece estar torcendo ou chamando alguém, com a boca aberta e a mão próxima ao rosto, como se estivesse gritando. Seu rosto expressa emoção e entusiasmo. Ao fundo, há várias pessoas, algumas sorrindo e assistindo a algo, além de um balão verde inflado segurado por alguém na plateia." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Silvana apoiou primo José Tiago com fervor
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Victoria é <em>influencer</em> com mais de <a href="https://www.instagram.com/viictoria_marquesoficial?igsh=dXozdDdjeGFycnUx" target="_blank" rel="noreferrer noopener">500 mil seguidores no Instagram</a>, tem 27 anos e dança &#8220;desde que se entende por gente&#8221;, segundo seu irmão Vinícius Leonam. Ao se apresentar, ela já havia falado do seu compromisso com a ancestralidade, mas, depois da coroação, homenageou sua mãe Salete, falecida em outubro de 2023.</p>



<p>Eufórico, Márcio, amigo e colega de trabalho do rei José Roberto Severino, disse que ele é mais conhecido pelo apelido &#8220;<a href="https://www.instagram.com/robertojbill?igsh=eTZ3OTNpbWR0OW4z">J.Bill</a>&#8220;. Formado em Serviço Social e cursando uma segunda graduação em Pedagogia, aos 28 anos, &#8220;J.Bill&#8221; também é dançarino da quadrilha Raio de Sol, multicampeã<br>dos festejos juninos, e trabalha em uma creche no Alto Treze de Maio, zona norte do Recife. &#8220;Escreva que ele é o cara, simplesmente o cara&#8221;, pediu Márcio. Pedido atendido.</p>



<p>No palco, &#8220;J.Bill&#8221; afirmou que esse reinado será da &#8220;negritude&#8221;. Lá em cima, Victoria acabou fazendo uma homenagem involuntária a sua antecessora Célia Meira, a rainha de 1987, ao tirar os sandálias para<br>frevar com mais liberdade.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/02/rainha-8-rei-e-rainha.jpg" alt="A imagem mostra um casal majestoso vestido com trajes luxuosos e coloridos em uma celebração noturna. O homem, representando um rei, usa uma coroa dourada e uma capa azul brilhante com detalhes coloridos e ondulados. Sua roupa é cheia de brilhos e bordados sofisticados. A mulher, representando uma rainha, veste uma fantasia azul clara e brilhante, com penas e detalhes exuberantes. Ela usa uma coroa vermelha adornada com pedras e brilhos. Eles posam com confiança e alegria, olhando para o público ou para algo ao redor. Ao fundo, há uma imponente igreja colonial de fachada branca com duas torres, iluminada pela luz artificial da cidade." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">J.Bill e Victoria Marques, prometeram reinado da negritude
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/escolha-da-rainha-e-do-rei-do-carnaval-do-recife-uma-festa-do-frevo-e-do-povo/">Escolha da rainha e do rei do carnaval do Recife, uma festa do frevo e do povo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Todos os carnavais de Alceu Valença</title>
		<link>https://marcozero.org/todos-os-carnavais-de-alceu-valenca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Feb 2024 23:02:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Alceu Valença]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Érika Muniz* Numa época intensa para muita gente, como é o carnaval, existem nomes de nossa cultura que dão vida a muitos símbolos que integram a imaginação dos foliões. Inclusive, o ano inteiro. Quando se pensa na música que habita o carnaval de Pernambuco, sobretudo no Recife – com suas noites inesquecíveis no Marco [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Érika Muniz*</strong></p>



<p>Numa época intensa para muita gente, como é o carnaval, existem nomes de nossa cultura que dão vida a muitos símbolos que integram a imaginação dos foliões. Inclusive, o ano inteiro. Quando se pensa na música que habita o carnaval de Pernambuco, sobretudo no Recife – com suas noites inesquecíveis no Marco Zero, que recebe diversos artistas nos quatro dias de folia – ou ainda pelo sobe e desce ladeiras de Olinda, é impossível não escutar a voz de Alceu Valença, cantando sucessos como <em>Diabo Louro</em>, o <em>Hino do Elefante,</em> <em>Caia por Cima de Mim</em>, e tantos outros.</p>



<p>Nascido em São Bento do Una, Alceu Valença sempre traz em suas falas memórias e algumas das referências que compõem sua criação artística desde a infância. Revisitando canções que fazem parte de muitos carnavais, ele acaba de lançar o álbum <em>Bicho Maluco Beleza: É Carnaval</em>, que convida artistas como Maria Bethânia, Lia de Itamaracá, Juba, Lenine e Ivete Sangalo para dividir os vocais de músicas que marcam o seu repertório. Numa tarde na semana anterior à folia que já está pegando fogo, a Marco Zero conversou com esse grande artista sobre o significado dessa tão importante festa para ele, algumas de suas lembranças dessa época do ano e como percebe a celebração na cultura brasileira. A entrevista, você lê a seguir:</p>



<p><br>Marco Zero &#8211; <strong>Alceu, o que o carnaval, essa época do ano que a gente tanto espera sua chegada, significa para você que é uma das nossas vozes e corpo do carnaval?</strong></p>



<p><strong>Alceu Valença &#8211; </strong>Carnaval? Significa lembranças de carnavais. Carnaval na rua dos Palmares, onde eu morei, onde eu absorvi toda essa cultura carnavalesca, porque na frente da minha casa um desfile passava e ia. Talvez para poder passar na frente da casa do Maestro Nelson Ferreira, que era do lado direito. Lá, eu ouvia maracatu tocando, ouvia caboclinhos tocando, blocos líricos desfilando. Tudo passava lá, orquestras de frevo também tocavam. Isso ficou dentro da minha cabeça. O carnaval me lembra momentos incríveis quando vivenciava o carnaval em Olinda e ia para a rua e brincava no Eu Acho É Pouco, que era o bloco que eu saía atrás, como qualquer outro folião. O Segura a Coisa eu também saía nele. Dá uma certa tristeza porque eu não posso mais fazer isso, porque se eu for participar, vão ser <em>selfies</em> demais e aí não dá. Tem uma história engraçadíssima, que é um dia em que eu arranjei uma namorada no carnaval. Eu estava com ela e, de repente, encontro uma mulher que pede um autógrafo para mim, com um disco meu. Dentro do carnaval. Ninguém tinha câmera no celular para fotografar. O que acontece? Dei o autógrafo e fui na casa de Manoel Messias. A gente brincava também. De repente, a moça não quis mais falar comigo de jeito nenhum e eu não entendia porquê. Na quarta-feira de cinzas, perguntei: “Por que você está dessa maneira comigo? Não estou entendendo, não fiz nada.” Ela fez: “Por causa da mulher do autógrafo.” Ciúme. O ciúme é a véspera do fracasso. Acabou logo ali. Na minha cabeça vem esse tempo que eu podia brincar, mas aí, tem a coisa que eu gosto mais no mundo é palco. Palco, para mim, é vitamina. A, da alegria, e E, da energia. Palco é demais. Hoje, a gente estava para ir para outro canto e, de repente, não fomos. Aí, eu já queria fazer show hoje. Amanhã tem dois, depois tem mais dois e mais dois e encerra o carnaval.</p>





<p><br><strong>Já que você falou em lembranças, quando a gente pensa em grandes artistas de nossa música brasileira, você é um dos nomes que vêm à cabeça. Quando você pensa na música, no que ela lhe dá e o que você troca com ela, ao estar no palco, gravando, cantando, o que você lembra?</strong><br>Com a música, eu mergulho. Como te falei, se eu estou cantando, por exemplo, <em>Bicho Maluco Beleza</em>, meu mergulho é quando a compus em Olinda, tinha um rapaz que era meu fã e fã de Raul Seixas. Ele era alagoano, o nome dele era Antônio da Sé. Eu estava na varanda lá de casa, quando vi Antônio da Sé, com duas moças e vestido de Raul Seixas. Bem, daí, diante daquela cena surreal, fez com que fizesse <em>Bicho Maluco Beleza,</em> porque Raul Seixas era chamado de Maluco Beleza. Ele estava fantasiado com aquelas botas de Raul Seixas. Eu penso nisso e vem na minha cabeça isso também, são lembranças. Acho que nós, seres humanos, vivemos de lembranças e projeções na cabeça. Ontem, foi maravilhoso o show em Olinda. Eu posso estar em Olinda, eu levei o carnaval de Pernambuco para São Paulo, com o bloco Bicho Maluco Beleza, se entrar nas redes sociais vai olhar aquelas imagens de drone, que é um absurdo do absurdo A gente começou vagarosamente e foi crescendo de uma maneira incrível.</p>



<p><strong>Alceu, a seu ver, por que festejar, celebrar é algo que faz parte da nossa cultura, no Brasil? Por que é importante esse processo de celebração, comemoração, festejo do carnaval?</strong></p>



<p>Para mim, Pernambuco é o local que mais é carnavalesco que eu já vi. Tem uma multiculturalidade dele mesmo, não é preciso você trazer uma banda da Inglaterra para tocar rock aqui. Que papo é esse? Não tem nada a ver com o nosso carnaval. Pode vir, não estou colocando… Uma banda americana ou inglesa, de rock, pode vir fazer uma semana, duas antes do carnaval. Mas não tem nada a ver. Eu primo em seguir as coisas da minha própria cultura. Não tem papo, não faço a menor concessão a nada. Por isso é que sempre fui uma pessoa que nunca participei de movimentos nenhum. Vou fazendo a minha, do jeito que eu quero e do jeito que meu coração manda. Não estou ligando. Mas estou colocando, para Pernambuco, a grande história é ficar em cima do diferencial, porque se não tudo o que é carnaval vai ser igual. Rimou! Um exemplo, você pode ter um carnaval no Acre, mas se, de repente, você começar botando tudo o que não é do carnaval do Acre, termina acabando com o dele. Você poderia, até, fazer uma coisa maravilhosa, que era pegar todas essas manifestações e botava uma semana antes do carnaval, um gênero, depois, duas semanas outro e três… Nesse caso, o nosso Recife passaria a ser um destino inacreditável porque você, que foi ver o carnaval pernambucano poderia ver até o rock’n roll da Inglaterra. A multiculturalidade acho uma coisa maravilhosa, tem que ter. Agora, em determinados momentos, ela tem que ter uma coisa que vai para o tradicional. </p>



<p>Eu, Alceu Valença, é o seguinte: quando estou no São João, não vou cantar carnaval; canto São João, pego uma música muito mais ligada às minhas raízes de São Bento do Una, às minhas raízes do sertão profundo, da cultura nossa, que é meridional, é agreste, mas é a cultura também do sertão profundo. Quando chega no carnaval, é carnaval. Se você pensar <em>La Belle du Jour</em> é um ijexá, por isso está dentro do roteiro que estou cantando. Tem uma outra coisa que é preciso a gente pensar de maneira de curadoria. Existem relações entre gêneros, por exemplo, você vai ter uma relação da marcha de São João com o frevo, aí, você pode chamar um maestro genial como Duda e ele vai fazer um arranjo. Então, você vai fazer: “Olha pro céu, meu amor! / Veja como ele está lindo” [Alceu solfeja batidas do frevo, mostrando a ligação entre um gênero musical e outro]. Isso não está ferindo absolutamente nada. Quando faço isso, eu me inspirei em Claudionor Germano. Ele pegou aquela música <em>Tropicana</em>, porque uma coisa tem conexão com a outra.<br><br><strong>Quando a gente lhe assiste no palco, a nossa energia também vai lá para cima. Qual é o mistério e o segredo, se é que existe, para levar esse público para cima, como você faz?</strong></p>



<p>Minha música pode vir a bater na alma, no inconsciente dessas pessoas. Uma pessoa está lá, ela teve um pai, um avô, um bisavô e, acho que existe dentro da cabeça da gente sabe o quê? HDs de memória, com as memórias da gente. As minhas são tão incríveis, vê só… Eu não sei cantar uma balada. Música brasileira, eu sei, canto, divido, brinco com ela. Se botar uma música maravilhosa dos Beatles ou dos Rolling Stones, não sei cantar, não. Não consigo cantar dentro daquele ritmo, talvez porque dentro do meu HD, fui tão acostumado a ouvir forró e, no carnaval, o frevo, na frente da minha casa, desde pequeno, em São Bento do Una, minha terra, onde tinha a banda Santa Cecília e aquela coisa entrou na minha cabeça e outras não fazem parte disso. Posso até ouvir e gostar, mas não está dentro do meu DNA.</p>



<p><strong>Em 2023, o movimento Manguebeat completou 30 anos. Você falou que nunca participou de nenhum movimento, como você percebe a importância desse e de outros movimentos para a cultura nordestina, outro exemplo, a Tropicália…</strong></p>



<p>Todos são maravilhosos, mas por um acaso, eu não participei de nenhum. Vou explicar porquê. Eu nunca morei no Recife. Em 1971, eu fui embora para o Rio de Janeiro e encontrei Geraldo Azevedo. Foi a única amizade que fiz com artista. Depois, claro, Moraes Moreira foi até meu amigo, mas muitos anos depois, perto da década de 1990. Então, Geraldinho Azevedo, que era daqui. Eu toco violão, mas nunca tive professor, tem coisas que eu não sei nem fazer. Vamos dizer, se você quer pegar uma música, eu posso até cantar, mas acompanhar numa música de Bossa Nova, eu não sei. Eu ficava lá e não vinha para Pernambuco, porque… primeiro, situação monetária difícil, e não dava para vir para cá, então, passei a minha década até 1980, sem vir para cá ou vir rapidamente e caía fora. Então, os movimentos maravilhosos que existiram aqui, não participei. Por exemplo, teve um movimento muito bom, que depois vi num disco, a turma do Ave Sangria. Naquele momento, tinham vários grupos que faziam parte porque estavam juntos. Um convivia com o outro e sabia o som. Eu, não sabia nada. Estava lá no Rio de Janeiro. Não tenho radiola, nunca tive radiola. Aliás, minha mulher me deu uma radiola e eu nunca ouvi. Só fui acostumado a ouvir música, no rádio porque o meu pai não queria que eu fosse artista. Ele achava que eu tinha um jeitinho e achava que se eu fosse incentivado, ia fazer música. Na minha casa, então, não tinha. Eu não participei, mas se eu estivesse aqui, na certa, poderia ter participado. Na certa, teria participado, mas eu não estava aqui, eu não vivia aqui. </p>



<p>Então, o movimento, quando ele acontece… Por exemplo, você falou do Tropicalismo. O Tropicalismo não aconteceu no Rio de Janeiro, aconteceu em São Paulo, quem morava lá? Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Rogério Duprat, que fazia os arranjos. No Rio de Janeiro, eu conhecia uma pessoa, a única com quem eu convivia era Geraldo Azevedo e Paulo Guimarães, que era daqui e foi para lá, o outro era Carlos Fernando. Ninguém mais. Não conheci um artista no Rio de Janeiro, famoso. Quem conheci, já na década de 1980, na rua, foi Tom Jobim, porque ele saía de manhã da casa dele e ia na Banca Piauí, que era uma banca perto lá de casa. Então, não participei. É dessa maneira. Tiveram algumas pessoas daqui que foram e tocaram comigo, tocaram a minha música. Agora, o movimento Manguebeat, muito bom! E eu também estava longe, depois até o Chico Science foi à minha casa, no Rio, e a gente deu uma entrevista juntos. Eu e ele, na minha casa. Uma vez ele foi à minha casa em Olinda também. Eu o conheci dessa maneira. Quando eu estava no Rio de Janeiro, não existia internet, se tivesse, na certa, saberia.</p>





<p><br><strong>Para a gente terminar, queria que você falasse como você percebe a importância dessa alegria de uma festa como o carnaval no Brasil?</strong></p>



<p>Vejo como várias coisas. Vejo o carnaval como uma festa popular maravilhosa, que todo mundo brinca e vejo também por outro lado, vejo como uma coisa chamada economia criativa. O carnaval, o que ele traz de emprego é o absurdo do absurdo. É muito emprego e o que gera de imposto é muito grande. Então, antigamente, havia a demonização de artistas. Vou dizer uma coisa para você, por exemplo, quando eu canto, num show público, estou cantando, mas eu posso ganhar muito mais cantando sozinho, num evento privado. Comigo não fizeram, não, mas às vezes há a demonização sobre cultura. E o que acontece é o seguinte, a cultura é uma coisa que impulsiona os impostos, os empregos. Por exemplo, quanto gera um carnaval de Pernambuco para o Estado, para a prefeitura? Você vai ver uma coisa, a rede hoteleira cheia, você vai ter os bares lotados, os restaurantes lotados, o Airbnb alugado, casas alugadas, o homem da pipoca ganhando, o cara da carrocinha ganhando. É uma coisa impressionante. E esse tipo de economia vai cada vez mais crescer muito, então, é muito necessário para Pernambuco que ele foque no seu diferencial porque se não qualquer capital do Brasil vai fazer o carnaval. Aí, ela pega e contrata pessoas, porque não é obrigado um carnaval ser parecido com o outro. Aí, coloca o polo rock’n roll, o polo pagode, o polo nordestino, de forró, o polo funk, o polo frevo e pronto, as pessoas vão, beberão e será muito bom para a economia do Estado. </p>



<p>Outra coisa que estou alertando o tempo todo: o Brasil precisa ser divulgado lá fora, aproveitar determinadas coisas e que eu não vejo isso. Por exemplo, dois anos depois da pandemia, a gente fez turnês pela Europa toda, a gente foi para a Irlanda, Inglaterra, Alemanha, Holanda, uma ilha no Mediterrâneo, a gente fez Madri, Barcelona, fomos para Portugal, no Porto. O Brasil deveria ter uma coisa que vai acontecer, eu acredito, “destino Brasil”, porque, no Brasil, um turista quando ele vem, vai procurar algo prazeroso. Esse algo prazeroso é uma praia, que a gente tem praias inigualáveis. Você vai encontrar o turismo ecológico, que é para o paraense fazer isso. Você chega no nosso Pernambuco é um carnaval incrível. Se você divulgar o São João, vem gente para cá. É o turismo externo e o interno. Agora mesmo, vi um fluxo muito grande da Paraíba, de João Pessoa. Pelo fato do Recife estar fazendo o carnaval dele, e é muito forte, vem muita gente para cá, eles fazem na semana anterior.</p>



<p><strong>*Erika Muniz é jornalista, formada em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e em Comunicação Social pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Pesquisa a área de cultura, assinando trabalhos na Revista Continente, Quatro Cinco Um, Revista O grito! e JornaldoCommercio.</strong></p>
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		<item>
		<title>Sobre o Galo, cachaça na ladeira e outras artes (ou artimanhas)</title>
		<link>https://marcozero.org/sobre-o-galo-cachaca-na-ladeira-e-outras-artes-ou-artimanhas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Feb 2024 18:36:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Carvalheira na Ladeira]]></category>
		<category><![CDATA[Galo da Madrugada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Fabio Atanásio de Morais* “.. Não deixem não, que o bloco campeão; / guarde no peito a dor de não cantar&#8230;”, diria que esse apelo do poeta não mais faria sentido nos dias atuais, frente àquilo que o Galo da Madrugada passou a ser, um “grandes eventos de massa”, como costumamos nominar. Não só [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Fabio Atanásio de Morais*</strong></p>



<p>“.. Não deixem não, que o bloco campeão; / guarde no peito a dor de não cantar&#8230;”, diria que esse apelo do poeta não mais faria sentido nos dias atuais, frente àquilo que o Galo da Madrugada passou a ser, um “grandes eventos de massa”, como costumamos nominar. Não só ele, outros mais recentes, a exemplo da Carvalheira na Ladeira, provavelmente também não deixarão de cantar.</p>



<p>Decorrido quase um ano desde que escrevi um breve artigo exteriorizando a minha indignação diante da apropriação indébita de espaço público para fins privados, mencionando na oportunidade a relação que classifico como “espúria”, evidenciando as benesses recebidas por iniciativas carnavalescas, exemplo do Galo da Madrugada, em Recife, e da Carvalheira na Ladeira, em Olinda, cá estamos mais uma vez “malhando em ferro frio”. No entanto, dou crédito ao dito popular “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.</p>



<p>Pois bem, mais uma vez nos deparamos, desta feita mais grandiosa do que nunca, com o mirabolante carnaval realizado tanto pelo Galo de Madrugada quanto pela Carvalheira na Ladeira.</p>



<p>Em nome da honestidade, não posso abstrair do significado do Galo enquanto âncora do tão enaltecido Carnaval de Recife, esse ano chamado de “O maior em linha reta”, que, a bem da verdade, reconhecendo as minhas limitações intelectuais digo que não entendo muito bem o que significa tal slogan, ou melhor, me pergunto qual o valor agregado desse suposto fato para tornar o Carnaval do Recife ainda mais grandioso do que supostamente já é?</p>



<p>Como escrito no meu artigo anterior ,“o próprio Enéas Feire, nem nos seus melhores sonhos, teria imaginado na sua origem que essa agremiação carnavalesca se tornasse o que se tornou: mais do que ‘o maior bloco de carnaval do planeta’, um empreendimento altamente lucrativo”, que segue, talvez pela sua grandeza e importância, se locupletando das benesses do poder público, evidentemente que ao arrepio da lei, uma vez que a pergunta por mim arguida segue sem resposta: sob qual instrumento legal se privatiza o público em benéfico do Galo da Madrugada, inclusive para salvaguardar a mim próprio, ratifico que estou tão somente exercendo uma prorrogativa constitucional (Constituição Federal de 1988, no Art. 5º, Inciso XXXIV, Alínea “a”).</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-carnaval-comeca-muito-antes-do-galo-da-madrugada/" class="titulo">O carnaval começa muito antes do Galo da Madrugada</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Ressalto que, quando me refiro ao Galo, me valho de uma figura de linguagem &#8211; não me ocorre diminuir a importância da alegoria -, para tentar entender sob qual pretexto poucas pessoas são “abençoadas” em detrimento do direito de muitas. Insisto: não sou contra o Galo, mas não me permito calar diante do descalabro aos cofres públicos sob a égide do Galo da Madrugada.</p>



<p>No que tange a Carvalheira na Ladeira, diria que é ainda mais escandaloso, visto que o apelo dessa iniciativa é tão somente maximizar os lucros dos seus titulares. O carnaval é tão somente a desculpa, oferecendo entretenimento exclusivo para os mais aquinhoados, e bota “aquinhoamento” nisso, considerando os valores cobrados aos que pertencem a suposta elite, sem deságio, pagam módicos R$ 1.000,00 por ingresso individual por cada dia de acesso as suas instalações.</p>



<p>O evento Carvalheira na Ladeira, suntuosamente montado no Memorial Arcoverde, mostra de forma incontestável a competência que falta aos gestores públicos na promoção de dias de festas que, literalmente, embriaga e fascina os privilegiados.</p>



<p>A propósito, para não dizer que não falei das flores, chama atenção que os artistas, ou seja, aqueles que se autoproclamam comprometidos com a cultura e seus valores, e que costumam enaltecer as suas “competências críticas”, “compromisso social” e outros “blá, blá, blá”, sequer ruborizam diante de tamanho desmando, deixando claro que interessante mesmo é o “cachê” que recebem.</p>



<p>Sublinho que, sobretudo para não parecer indelicado, grosseiro, ou mesmo o tipo de sujeito que vive procurando “pelo em ovo” para esconder as suas decepções, frustrações – antecipando um argumento repetido por quem é avesso ao pensamento crítico &#8211; me dei ao trabalho de buscar nos portais da transparência, na imprensa e redes sociais uma única pista que fosse para entender ou mesmo tão somente conhecer quais ou qual instrumento legal autoriza essa suposta “parceria pública-privada”.</p>



<p>Não encontrei rigorosamente nada para além de informações sobre o evento. Significando dizer que a suposta cessão efetivada, até prova em contrário, se deu por discricionariedade da autoridade pública que teria o dever de cuidar do bem público, isto ao arrepio do que dispõe a lei <a href="http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2014.133-2021?OpenDocument">nº 14.133, de 1º de abril de 2021</a> <strong>– </strong>que substituiu a<strong> </strong>Lei n<sup>o </sup>8666, de 21 de junho de 1993 -, e da lei nº 13.019 ,de 31 de julho de 2014, além de outras mais que também versam ou orientam sobre essa questão, significando dizer, como escrito em artigo anterior “essas relações não se estabelecem discricionariamente”, ou seja, a juízo e vontade do administrador público, mas mediante adoção de procedimentos que privilegiem o melhor interesse público e ofereça a possibilidade de estabelecimento de concorrência frente à finalidade então pretendida”.</p>



<p>Assim, mais uma vez me assento na esperança de que possa ser ouvido por alguma das autoridades que integram qualquer um dos órgãos de controle, quando nada para virem a público para assegurar que, ao menos as questões aqui arguidas se encontram na mais perfeita regularidade, portanto, não cabendo quaisquer elocubrações que versem em contrário.</p>



<p>Pelo dito, parece que no fazer contemporâneo restou tão somente o circo, haja vista que o pão vem sendo progressivamente negado. Fora isso, é esperar que os clarins do “bobo da corte”, ou melhor “os clarins de Momo” pelo povo aclamado com todo ardor possam, de fato, exaltar as tradições e o esplendor que habitavam a cabeça do saudoso Clídio Nigro.</p>



<p><strong>*Servidor público do município de Olinda, ex-coordenador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), no Nordeste e na Amazônia; ex-presidente da Fundação de Cultura do Município de Belém (Fumbel)</strong></p>
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		<title>Fui vítima de violência sexual no Carnaval. O que fazer e para aonde ir no Recife e em Olinda?</title>
		<link>https://marcozero.org/fui-vitima-de-violencia-sexual-no-carnaval-o-que-fazer-e-para-aonde-ir-no-recife-e-em-olinda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Feb 2024 19:02:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Violência sexual]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A violência contra as mulheres historicamente cresce no período de Carnaval. Além dos mecanismos de defesa e proteção, é importante saber o que fazer para denunciar e também para cuidar das questões de saúde quando se é vítima ou ao tentar ajudar uma vítima. O que fazer e para onde ir? A Marco Zero reuniu [&#8230;]</p>
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<p>A violência contra as mulheres historicamente cresce no período de Carnaval. Além dos mecanismos de defesa e proteção, é importante saber o que fazer para denunciar e também para cuidar das questões de saúde quando se é vítima ou ao tentar ajudar uma vítima. O que fazer e para onde ir? A <strong>Marco Zero</strong> reuniu informações do Governo de Pernambuco e das prefeituras do Recife e de Olinda sobre o assunto para quem vai curtir a folia nos polos das cidades irmãs. Confira mais abaixo.</p>



<p>A maioria das mulheres já foi vítima de importunação sexual, independente de época do ano, e é importante que se saiba que o ato configura crime previsto no Código Penal, com pena de um a cinco anos de prisão. Piadas, insistência e toque no corpo sem consentimento podem configurar assédio.</p>



<p>Em caso de violência sexual, é fundamental procurar o serviço o mais rápido possível, sendo os melhores resultados para a prevenção de gravidez indesejada e proteção contra IST/Aids se a assistência ocorrer em até 7 2horas após a agressão, conforme norma técnica do Ministério da Saúde. Após avaliação da equipe, poderá ser ofertado o uso de contraceptivo de emergência, o coquetel profilático para IST/HIV, e exames subsequentes.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Atenção!</strong></h4>



<p> O <strong>Ligue 180</strong>, serviço telefônico gratuito de orientação e encaminhamento de denúncias sobre violências contra as mulheres, passou a ter, desde 2023, também um canal de <strong>WhatsApp</strong>. Para adicionar, basta salvar na agenda o número <strong>(61) 9610-0180</strong>. Em caso de risco iminente, a orientação é ligar para o <strong>Disque 190</strong>, da polícia.</p>



<p>A greve deflagrada pela <strong>Polícia Civil de Pernambuco</strong> poderá impactar alguns dos serviços. A reportagem tentou contato com o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) para entender os detalhes da paralisação, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>RECIFE</strong></h2>



<p>Desta quarta-feira (7) até a terça-feira (13), a Secretaria da Mulher do Recife estará com um espaço na <strong>Praça do Arsenal</strong> para atender e orientar mulheres em situação de violência doméstica/sexista,vítimas de assédio, importunação sexual e outras formas de agressão. O stand funcionará das 16h às 2h e contará com uma equipe multidisciplinar formada por psicóloga, advogada e assistente social do Centro de Referência Clarice Lispector.</p>



<p>Além disso, a Brigada Maria da Penha estará no local, encaminhando mulheres à delegacia especializada ou a outro serviço da rede de enfrentamento, caso necessário.</p>



<p>A sede do <strong>Centro de Referência Clarice Lispector</strong> (rua Dr. Silva Ferreira, 122, Santo Amaro), de acolhimento e orientação de mulheres, vai funcionar 24 horas durante os festejos de Momo, em regime de plantão. O serviço telefônico gratuito do local também estará disponível sem pausa para orientação, via <strong>whatsapp: (81) 99488-6138</strong>.</p>



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	                                        <p class="m-0">O Centro de Referência Clarice Lispector, em Santo Amaro, vai funcionar 24h durante o Carnaval. Crédito: Rodolfo Loepert/PCR</p>
	                
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<p>O <strong>Serviço Especializado Regionalizado (SER) Clarice Lispector</strong> (avenida Recife, 700, Areias), também local de acolhimento e orientação, vai funcionar das 7h às 19h. A festa vai contar, ainda, com o serviço da Unidade Móvel de Atendimento à Mulher. O equipamento, que tem como objetivo ampliar a oferta de informação e garantia de acesso das mulheres às ações de prevenção e enfrentamento a violência, vai funcionar no polo Ibura, das 18h às 0h.</p>



<p>Outra opção de encaminhamento das vítimas é o <strong>Centro de Atenção à Mulher Vítima de Violência Sony Santos</strong>, no <strong>Hospital da Mulher do Recife</strong>, na BR-101, no bairro do Curado. Outras opções são os Compaz Eduardo Campos, no Alto Santa Terezinha; Ariano Suassuna, no Cordeiro; e Dom Hélder, na Ilha Joana Bezerra. O funcionamento é de segunda a sexta, das 8h às 17h.</p>



<p>Já nos <strong>polos descentralizados</strong>, equipes volantes da Secretaria da Mulher vão realizar ações de prevenção, reforçando as informações sobre os serviços de atendimento à mulher em situação de violência, além de distribuir exemplares do <em>Manual de Como Não Ser um Babaca no Carnaval</em>, que ajuda a desconstruir comportamentos machistas naturalizados na sociedade.</p>



<p>A <strong>Gerência da Livre Orientação Sexual (Glos)</strong> estará presente no Carnaval do Recife com a campanha<strong> Recife Sem Preconceito e Discriminação</strong>, com cartazes educativos em banheiros químicos de todos os polos carnavalescos (centralizados e descentralizados) e adesivos da campanha<strong> Banheiro Para Todos</strong>. O adesivo faz referência aos vários tipos de identidade de gênero, chamando a atenção para o uso do banheiro feminino por todas as mulheres e uso do banheiro masculino por todos os homens, sem discriminação e a partir da identidade de gênero da pessoa.</p>



<p>A Glos também fixará adesivos de divulgação das leis municipais que punem e proíbem atos discriminatórios no Recife (16.780/2002 e 17.025/2004), dos serviços do Centro Municipal de Referência em Cidadania LGBTI+ do Recife e da <a href="https://denunciaslgbt.recife.pe.gov.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">plataforma de denúncias do município</a>, que também está no aplicativo Conecta Recife.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>OLINDA</strong></h2>



<p>O <strong>Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam)</strong> estará presente no posto do <strong>Carmo</strong>, com uma equipe composta por advogados, assistente social e psicólogo, junto com a guarda feminina e a Delegacia da Mulher, aberto de sábado a terça de Carnaval, das 8h às 16h. Já o Ceam no <strong>Bairro Novo</strong> ficará aberto 24 horas (R. Maria Ramos, 131).</p>



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	                                        <p class="m-0">O Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) estará presente no Carmo junto com a Delegacia da Mulher. Crédito: PMO</p>
	                
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<p>Durante todos os dias da folia, agentes sociais e arte-educadores estarão nas ruas promovendo a distribuição de materiais informativos sobre a <strong>população LGBTQIA+</strong>, incluindo folders, panfletos e adesivos, dotados de conteúdo de conscientização. Sob o tema <em>Que o Respeito Vença o Preconceito</em>, a iniciativa vai percorrer os principais corredores de trajeto das agremiações.</p>



<p>Para casos de irregularidades ou qualquer tipo de ameaça à integridade, os cidadãos serão orientados a acionar as forças de segurança presentes no local ou ainda contar com o atendimento do <strong>Disque Denúncia, pela central 190</strong>.</p>



<p>Haverá um espaço de acolhimento de possíveis vítimas de LGBTfobia, <strong>ao lado do Camarote de Acessibilidade</strong>. O atendimento será do Sábado de Zé Pereira até a Terça-feira de Carnaval, das 10h às 15h.</p>



<p>Equipes estarão disponíveis nos polos de saúde, que vão operar durante todo o período carnavalesco, com serviços de acolhimento às mulheres vítimas de violência. As equipes estarão disponíveis, incluindo exames, medicação e todos os direcionamentos necessários:</p>



<p>O ponto principal é na <strong>Policlínica Barros Barreto</strong>, entre a quinta (8) a (13), funcionando 24 horas com atendimento médico e de enfermagem, oferta da anticoncepção de emergência, Profilaxia Pós-Exposição ao HIV e à sífilis (PEP), sala de medicação, sala vermelha, sala de sutura, uma ambulância tipo básica e uma tipo UTI.</p>



<p>Já a rede de apoio funcionará com pronto atendimento em Peixinhos, também 24 horas, com clínica médica pediátrica, clínica médica adulto e de enfermagem, sala de medicação, sala vermelha, sala de sutura, vacina e soro antirrábico. E também na UPA Municipal Professor Germano Coelho, funcionando em período integral com os mesmos serviços, à exceção de vacina e soro antirrábico.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>PERNAMBUCO</strong></h2>



<p>Em relação a Polícia Civil, a novidade para este ano é a ativação do plantão da <strong>Delegacia Especializada da Mulher</strong>, nas proximidades da <strong>praça do Carmo</strong>, em Olinda, atuando em conjunto com a Secretaria da Mulher do município. O plantão da <strong>Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher de Olinda</strong> segue funcionando 24h. Também em regime de plantão há as <strong>Delegacias da Mulher do Recife (Santo Amaro), Cabo, Paulista, Jaboatão dos Guararapes (Prazeres), Caruaru e Petrolina</strong>.</p>



<p>No período de Momo, o <strong>Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa (SAMWL)</strong>, sediado no <strong>Hospital Agamenon Magalhães (HAM)</strong>, permanecerá de portas abertas. A equipe multiprofissional do Wilma Lessa é formada por assistentes sociais, médicas(os), enfermeiras(os) e psicólogas(os).</p>



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	                                        <p class="m-0">O Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa fica no Hospital Agamenon Magalhães, na zona norte do Recife. Crédito: Governo de PE</p>
	                
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<p>O serviço funciona 24h por dia, sete dias por semana atendendo e acolhendo as pessoas com útero/vagina (mulheres cis e homens trans) vítimas de violência, principalmente sexual, acima de 12 anos de idade. O acesso ao atendimento pode ser de forma espontânea ou por meio de encaminhamento de unidade de saúde ou serviço de proteção.</p>



<p>Além do SAMWL, há outras unidades de referência que realizam o atendimento integral às vítimas de violência sexual. São elas:</p>



<p><strong>I GERES:</strong> Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam – Pró-Marias) – Recife; Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) – Recife; Hospital da Mulher do Recife (Centro de Atenção à Mulher Vítima de Violência Sony Santos) – Recife; Hospital Agamenon Magalhães (Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa) – Recife; Policlínica e Maternidade Arnaldo Marques &#8211; Recife; Maternidade Bandeira Filho – Recife; Unidade Mista Prof Barros Lima – Recife; Hospital Geral de Camaragibe Aristeu Chaves &#8211; Camaragibe;<br><strong>IV GERES:</strong> Hospital Jesus Nazareno – Caruaru;<br><strong>VII GERES:</strong> Hospital Regional Inácio de Sá – Salgueiro;<br><strong>VIII GERES:</strong> Hospital Dom Malan – Petrolina;<br><strong>XI GERES:</strong> Hospital Professor Agamenon Magalhães – Serra Talhada.</p>
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		<title>Mobilizados, afoxés tentam evitar redução de apresentações no carnaval do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Feb 2024 16:10:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* Dezesseis afoxés tiveram reduzido o número de apresentações nos quatro dias de folia nos polos descentralizados da programação oficial do Carnaval do Recife. Doze deles verificaram que só teriam uma apresentação individual, cada. Por conta disso, os grupos decidiram se mobilizar. Na segunda-feira (5), uma comitiva foi até o 15º andar do [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Dezesseis afoxés tiveram reduzido o número de apresentações nos quatro dias de folia nos polos descentralizados da programação oficial do Carnaval do Recife. Doze deles verificaram que só teriam uma apresentação individual, cada. Por conta disso, os grupos decidiram se mobilizar. Na segunda-feira (5), uma comitiva foi até o 15º andar do prédio sede da prefeitura, onde se reuniu com o secretário municipal de Cultura, Ricardo Mello, para pleitear maior espaço na grade.&nbsp;</p>



<p>A movimentação dos grupos com atuação no Grande Recife surtiu algum efeito. A gestão acenou com a possibilidade de cada afoxé voltar a ter, ao menos, duas apresentações individuais este ano. “Isso foi o que ficou como possibilidade de resposta (da gestão). Mas precisamos coadunar mais força”, disse, num vídeo selfie, Fabiano Santos, presidente do Alafin Oyó, sediado em Olinda. O grupo foi um dos que tiveram o espaço reduzido para apenas uma apresentação, no polo de Três Carneiros, na zona sul do Recife. </p>





<p>Fundador e presidente do Ará Omin, sediado em Nova Descoberta, zona norte da cidade, Lourival Santos avalia como prejudicial a redução do espaço da linguagem da cultura popular. “É prejudicial porque o trabalho de um afoxé é o ano todo. Na nossa comunidade, além das oficinas gratuitas de percussão e dança, fazemos campanhas solidárias. Um afoxé é mais do que um grupo cultural, é uma forma de organização social, um quilombo”, avalia.</p>



<p>O Ará Omin fez duas apresentações individuais ano passado, para além da presença no Ubuntu, que reúne todos os grupos para abrir o Carnaval na quinta-feira à tarde no Bairro do Recife. Este ano, pela programação oficial divulgada, teria uma só apresentação, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, na zona sul.</p>



<p>No Recife, o afoxé é reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial desde 2022, por conta da aprovação pela Câmara Municipal de um projeto de lei de autoria do vereador Ivan Moraes (PSOL). No ano passado, a União dos Afoxés de Pernambuco pediu ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o reconhecimento da linguagem também como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil, o que ainda está em análise.</p>



<p>Procurada pela reportagem, a gestão informou que novos afoxés foram habilitados no edital do Carnaval 2024, assim como novos representantes das demais linguagens da cultura popular. “O esforço da gestão é para conseguir contemplar na programação dos 49 polos a maior quantidade possível de grupos culturais, seja afoxés, maracatus, grupos de dança, tribos, caboclinhos, orquestras, escolas de samba e demais linguagens”.&nbsp;</p>



<p>Para este ano, a Secretaria e a Fundação de Cultura do Recife destacam que quatro afoxés passaram a integrar a cerimônia do Ubuntu, totalizando 29 grupos. “Cada um deles recebe R$ 25 mil por essas participações. Para além delas, os afoxés também integram a programação de chão de polos centralizados, descentralizados, infantis, corredores da folia e o Circuito de Pátio a Pátio”.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Plano Recife Matriz da Cultura Popular</strong></h2>



<p>Lançado em dezembro do ano passado, no Teatro Santa Isabel, o Plano pretende garantir até R$ 17 milhões de investimento municipal nos próximos dois anos, a partir do redesenho de mecanismos já existentes, como subvenções, premiações, cachês e editais. “A gente lança um movimento para mostrar a matriz da nossa cultura popular e poder trazer uma nova releitura, entender o contemporâneo, sem perder a nossa essência”, disse o prefeito João Campos (PSB), no evento de lançamento.</p>



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	                                        <p class="m-0">Vinte e nove afoxés participarão do Ubuntu, cerimônia de blocos afro na abertura do carnaval do Recife. Crédito: Camila Leão/PCR</p>
	                
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<p>*<strong>Jornalista com 20 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong>. </p>
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