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	<title>Arquivos comunidades terapêuticas - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 13 Nov 2024 16:14:11 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos comunidades terapêuticas - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Novo edital: Prefeitura do Recife já pagou quase R$ 1,5 milhão para comunidades terapêuticas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Nov 2024 19:41:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades terapêuticas]]></category>
		<category><![CDATA[política de drogas]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Prefeitura do Recife está financiando comunidades terapêuticas para acolher pessoas com problemas relacionados ao uso de drogas por meio do programa Acolhe Vida Recife. O município já investiu R$ 1,44 milhões em quatro comunidades terapêuticas, com um edital mais recente disponibilizando até R$ 2,7 milhões para mais nove projetos. Esse financiamento é feito pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Políticas Sobre Drogas, não pela Secretaria de Saúde.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/novo-edital-prefeitura-do-recife-ja-pagou-quase-r-15-milhao-para-comunidades-terapeuticas/">Novo edital: Prefeitura do Recife já pagou quase R$ 1,5 milhão para comunidades terapêuticas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A atuação das comunidades terapêuticas avança na Prefeitura da Cidade do Recife. Várias instituições firmaram contratos entre outubro e novembro para oferecerem vagas dentro do programa Acolhe Vida Recife. O objetivo é internar pessoas com problemas decorrentes do uso abusivo/dependência de drogas. Nos últimos 30 dias, foram assinados e publicados quatro contratos no valor de R$ 360 mil cada, com duração de 12 meses. Até agora, a prefeitura já desembolsou R$ 1,44 milhão.</p>



<p>Esse valor ainda pode aumentar. <a href="https://marcozero.org/com-verba-da-assistencia-social-gestao-joao-campos-financia-entidades-ate-205-km-longe-do-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Como publicado pela Marco Zero em maio</a>, a Prefeitura do Recife poderá financiar com até R$ 2,7 milhões entidades privadas ou religiosas localizadas a até 205 quilômetros da capital pernambucana. O edital de chamamento público nº 002/2024 foi divulgado no Diário Oficial do município em 13 de abril. O comunicado prevê o financiamento de 150 vagas para acolhimento voluntário pelo programa Acolhe Vida Recife.</p>



<p>No site da prefeitura, o programa é descrito como uma ação que “visa promover o cuidado especializado, no âmbito da política sobre drogas, para usuários de drogas e seus familiares, através da escuta qualificada e acompanhamento individual ou em grupos, assim como a realização de encaminhamentos para as redes de serviços.”</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Entidades com contratos assinados e publicados no Diário Oficial: </span>

		<p><strong>Comunidade Acolhedora Terapêutica São Miguel Arcanjo</strong> <strong>– CATSMA</strong>. Recebeu R$ 360 mil. A entidade tem sedes em Caruaru e Fazenda Nova.</p>
<p><strong>Associação Filantrópica e Assistência Social – Recanto Fênix</strong>. Tem sede em Riacho das Almas, no Agreste. Recebeu R$ 360 mil.</p>
<p><strong>Instituto Acolher</strong>. Recebeu R$ 360 mil. Tem unidades em São Lourenço da Mata, no Recife e em Vitória de Santo Antão.</p>
<p><strong>Associação Oasis da Liberdade</strong>. Recebeu R$ 360 mil. Tem unidades no Recife e em Igarassu.</p>
	</div>



<p>Segundo a <a href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/saloes-tatuagens-creches/comunidades-terapeuticas-acolhedoras#:~:text=Comunidades%20Terap%C3%AAuticas%20Acolhedoras%20%E2%80%94%20Ag%C3%AAncia%20Nacional%20de%20Vigil%C3%A2ncia%20Sanit%C3%A1ria%20%2D%20Anvisa" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Nacional de Vigilância Santiária (Anvisa)</a>, as comunidades terapêuticas, geralmente vinculadas a instituições religiosas, não são consideradas serviços de saúde. A Anvisa define essas entidades como de interesse à saúde (ou social), mas não como um serviço de saúde, pois utilizam a convivência entre os pares como instrumento terapêutico e não dependem de profissionais da área.</p>



<p>Por isso, a Prefeitura do Recife repassa os recursos não pela Secretaria de Saúde, mas pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Políticas Sobre Drogas. O Conselho Nacional de Assistência Social, porém, não reconhece as comunidades terapêuticas como parte do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).</p>



<p>O fundo de R$ 2,7 milhões prevê até nove projetos financiados. Cinco deles – com 20 vagas cada – para o gênero masculino a partir dos 18 anos, ao valor de R$ 50 a diária. Duas propostas são voltadas ao gênero feminino, com 20 vagas cada uma e diária de R$ 50. Outros dois projetos poderão somar até 10 vagas para mulheres acompanhadas de seus bebês, com diária de R$ 55.</p>



<p>Essa é a segunda vez que a gestão João Campos valida edital de financiamento direto para comunidades terapêuticas. A primeira foi em março de 2022. Três foram habilitadas à época: Instituto Acolher, São Miguel Arcanjo e Associação Oásis da Liberdade. Esta última, sediada no bairro de Jardim São Paulo, zona oeste da capital, é ligada ao vereador Luiz Eustáquio, filiado ao PSB, mesmo partido do prefeito João Campos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Edital para financiar comunidades terapêuticas fere legislação e transparência, alerta conselho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jul 2024 22:04:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cepad]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades terapêuticas]]></category>
		<category><![CDATA[evangélicos]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[política de drogas]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O edital para financiar comunidades terapêuticas (CTs) com dinheiro público “pode abrir um fato sem precedentes na história das políticas públicas” em Pernambuco. A iniciativa não está sendo construída com a devida transparência, fere a legislação e afronta resoluções recentes dos conselhos nacionais de Saúde e de Assistência Social. Essas são algumas das considerações da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O edital para financiar comunidades terapêuticas (CTs) com dinheiro público “pode abrir um fato sem precedentes na história das políticas públicas” em Pernambuco. A iniciativa não está sendo construída com a devida transparência, fere a legislação e afronta resoluções recentes dos conselhos nacionais de Saúde e de Assistência Social. Essas são algumas das considerações da <a href="https://drive.google.com/file/d/18ZSh-5j8umvo_CykWkfn3hVDTu8C53K0/view" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nota técnica</a> publicada nesta terça-feira (9) pelo Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas (Cepad-PE). Conforme a <strong>Marco Zero</strong> mostrou, em <a href="https://marcozero.org/por-apoio-de-politicos-evangelicos-raquel-prepara-edital-para-favorecer-comunidades-terapeuticas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">matéria</a> publicada na segunda (8), o governo Raquel Lyra (PSDB), em busca de apoio de políticos evangélicos, planeja lançar, nas próximas semanas, um edital que favorece as CTs, entidades privadas que, em sua maioria, pertencem a políticos evangélicos.</p>



<p>Representantes do Cepad-PE, assim como servidores estaduais em cargos de gerência e gestão, foram pegos de surpresa com o anúncio. Nas últimas reuniões do conselho, a Secretaria Executiva de Política sobre Drogas (Sepod) apresentou o planejamento das ações em curso, mas nada disse sobre o edital de financiamento às comunidades terapêuticas. A novidade pode levar Pernambuco a, pela primeira vez, financiar instituições que usam metodologias sem evidências científicas e que não integram a Rede de Atenção Psicossocial nem a Rede de Assistência Social para cuidar de pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de álcool e outras drogas. Os recursos serão oriundos do orçamento da Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Política sobre Drogas.</p>



<p>Raquel segue a mesma linha do prefeito do Recife e seu maior adversário político, João Campos (PSB). Em abril deste ano, ele anunciou uma nova rodada de contratação de vagas para o acolhimento de pessoas maiores de idade em uso abusivo de álcool e outras drogas, através do programa Acolhe Vida Recife. Apesar do nome, a prefeitura poderá financiar com R$ 2,7 milhões entidades privadas ou religiosas localizadas a até 205 quilômetros da capital.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-verba-da-assistencia-social-gestao-joao-campos-financia-entidades-ate-205-km-longe-do-recife/" class="titulo">Com verba da Assistência Social, gestão João Campos financia entidades até 205 km longe do Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/drogas/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Drogas</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Em maio, o Governo do Estado tomou conhecimento do Relatório Parcial de Inspeções realizados pelo Cepad-PE e que tem dados alarmantes. O levantamento apontou que, de um total de 68 relatórios de inspeção e fiscalização, em pelo menos 22 entidades privadas de albergamento, foram encontrados problemas graves, tais como: localização de difícil acesso; internações compulsórias (proibidas para esse tipo de estabelecimento); ausência de projetos pedagógico, social e terapêutico; compulsoriedade religiosa; pouca estrutura interna e externa para atendimento; ausência de equipe psicossocial; superlotação; acolhimento de crianças, adultos e idosos no mesmo ambiente; isolamento dos usuários dos familiares e mundo externo; irregularidades sanitárias; violações de direitos humanos; castigos físicos; contenção química; ausência de corpo profissional e técnico; ausência de intervenções terapêuticas pautadas em Projeto Terapêutico Singular; presença de quartos de castigo; hipermedicalização dos usuários; ausência de garantia a identidade religiosa ou sexual dos acolhidos; e trabalhos forçados.</p>



<p>Sob a justificativa da urgência do cuidado, as CTs vêm ganhando força e financiamento público como modelo de tratamento. Esse mercado muitas vezes é orquestrado com famílias de políticos evangélicos fundamentalistas, como é o caso do deputado estadual <a href="https://marcozero.org/o-jogo-politico-partidario-por-tras-das-comunidades-terapeuticas-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pastor Cleiton Collins e sua esposa, a deputada federal em exercício missionária Michele Collins</a> (vereadora licenciada), que operam a Saravida, e o casal Clarissa Tércio, deputada federal licenciada para concorrer à Prefeitura de Jaboatão, e pastor Júnior Tércio, deputado estadual, <a href="https://marcozero.org/igreja-radio-e-comunidade-terapeutica-o-fundamentalismo-religioso-por-tras-do-casal-tercio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">donos da Comunidade Terapêutica Novas de Paz</a>. </p>



<p>Através da nota, o Cepad-PE mostra-se bastante preocupado com os caminhos tomados pelo Governo de Pernambuco, uma vez que, explica o conselho, esses locais — que muitas vezes se apresentam como clínicas, hospitais ou casas de recuperação e acolhimento —  vão na contramão do que estabelece a Reforma Psiquiátrica brasileira, instituída por lei em 2001, e os avanços promovidos pela luta antimanicomial na garantia dos direitos das pessoas com sofrimento mental. </p>



<p>Além disso, não existe, por ora, monitoramento ou fiscalização dessas entidades privadas. Essas instituições deveriam, por lei, fornecer informações anualmente ao conselho, o que não acontece. O Cepad-PE, portanto, questiona ainda o compromisso dessas entidades privadas na transparência de suas atividades e a responsabilidade do repasse de verba pública para sem o diálogo.</p>



<p>O conselho é enfático ao denunciar a gestão Raquel: “A promessa deste edital ressalta a falta de transparência por parte da gestão da Sepod, pela grave exclusão do Cepad no processo de elaboração do projeto, uma vez que a alocação de recursos públicos para a implantação e implementação de ações e serviços referentes à política de drogas deve ser feita com base em uma análise criteriosa e embasada em evidências, especialmente no contexto das políticas públicas sobre drogas que apresentam recursos limitados”. O conselho considera “ultrajante” a promessa de financiamento, levando em consideração que muitos dos serviços prometidos e pactuados para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) nunca saíram do papel.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Resoluções nacionais não aprovam CTs</strong></h2>



<p>O Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas destaca ainda que o edital que o Governo de Pernambuco pretende lançar afronta duas importantes resoluções recentes a nível federal. Umas delas é a <a href="https://conselho.saude.gov.br/resolucoes-cns/3353-resolucao-n-739-de-22-de-fevereiro-de-2024" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Resolução nº 739</a>, de 22 de fevereiro de 2024, do Conselho Nacional de Saúde, que enfatiza a necessidade da retomada dos investimentos na rede substitutiva aos hospitais psiquiátricos, com iniciativas de cuidado de base comunitária e territorial juntamente com a abolição de qualquer forma de fortalecimento e manutenção do serviço com uma lógica manicomial, inclusive com o fechamento e a suspensão de financiamento de comunidades terapêuticas.</p>



<p>A outra é a <a href="https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-cnas/mds-n-151-de-23-de-abril-de-2024-555715305" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Resolução nº 151</a>, de 23 de abril de 2024, do Conselho Nacional de Assistência Social, que não reconhece as CTs como entidades e organizações de assistência social e defende sua não vinculação ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS).</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que diz o Governo de Pernambuco</strong></h3>



<p>Nesta segunda (8), a Secretaria Executiva de Política sobre Drogas respondeu aos questionamentos da reportagem enfatizando a ampliação do Atitude (programa estadual de atenção integral aos usuários de drogas e seus familiares) e que o edital para o cofinanciamento de vagas em unidades de acolhimento que funcionem de acordo com as normativas técnicas e legais está sendo elaborado para ampliar as possibilidades de cuidado especialmente em resposta aos pedidos dos municípios.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira a íntegra da nota do Governo de Pernambuco</span>

		<p>A Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas tem concentrado esforços desde 2023 para fortalecer os serviços estaduais voltados ao cuidado de pessoas que fazem uso de drogas. Como por exemplo, a revisão metodológica e ampliação da atuação do Programa Atitude, agora com um investimento anual de R$ 25 milhões.</p>
<p>Ainda sobre a atuação da Secretaria Executiva de Políticas sobre Drogas (Sepod), em reunião ordinária do Conselho Estadual de Política sobre Drogas (Cepad), realizada em maio deste ano, foi apresentado o mapa estratégico da executiva, que prevê o apoio a instituições que trabalham com pessoas que fazem uso de drogas em diversas frentes. O edital para o cofinanciamento de vagas em unidades de acolhimento para pessoas com transtornos decorrentes do uso abusivo de substâncias psicoativas, em regime transitório, de caráter exclusivamente voluntário e que funcionem de acordo com as normativas técnicas e legais, está sendo elaborado para ampliar as possibilidades de cuidado especialmente em resposta aos pedidos dos municípios.</p>
<p>O anúncio oficial sobre essa iniciativa será feito após o término dos trâmites burocráticos, detalhando os procedimentos ao Cepad e à sociedade em geral. Este compromisso do governo visa assegurar cuidado equilibrado e abrangente, qualificando e monitorando os serviços para garantir dignidade e respeito aos direitos humanos e sociais.</p>
	</div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/edital-para-financiar-comunidades-terapeuticas-fere-legislacao-e-transparencia-alerta-conselho/">Edital para financiar comunidades terapêuticas fere legislação e transparência, alerta conselho</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Por apoio de políticos evangélicos, Raquel prepara edital para favorecer &#8220;comunidades terapêuticas&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jul 2024 20:27:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades terapêuticas]]></category>
		<category><![CDATA[drogas]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[voto evangélico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Representantes do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas (Cepad-PE) foram pegos de surpresa com o anúncio do governo Raquel Lyra (PSDB) de que já estão em fase final os preparativos para lançamento de edital de financiamento público às entidades privadas conhecidas como &#8220;comunidades terapêuticas&#8221; (CTs). Servidores estaduais em cargos de gerência e gestão também foram [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/por-apoio-de-politicos-evangelicos-raquel-prepara-edital-para-favorecer-comunidades-terapeuticas/">Por apoio de políticos evangélicos, Raquel prepara edital para favorecer &#8220;comunidades terapêuticas&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Representantes do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas (Cepad-PE) foram pegos de surpresa com o anúncio do governo Raquel Lyra (PSDB) de que já estão em fase final os preparativos para lançamento de edital de financiamento público às entidades privadas conhecidas como &#8220;comunidades terapêuticas&#8221; (CTs). Servidores estaduais em cargos de gerência e gestão também foram surpreendidos. A iniciativa está sendo elaborada pelo governo, mas só recentemente se tornou pública. Os recursos serão oriundos do orçamento da Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Política sobre Drogas.</p>



<p>No dia 2 de maio, o secretário-executivo de Política sobre Drogas (Sepod), Yury Ribeiro, compareceu com sua equipe à reunião do pleno do Cepad-PE. Na ocasião, foi apresentado o planejamento das ações em curso. Nada disseram, porém, sobre edital que favorece as comunidade. Menos de dois meses depois, a gerente geral da pasta fez o anúncio na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) de que o governo está prestes a publicar em Diário Oficial a abertura de fundo orçamentário de financiamento direto.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Comunidades terapêuticas são entidades privadas que se apresentam como casas de recuperação e acolhimento para pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas (álcool e outras drogas, como cocaína e <em>crack</em>). Elas funcionam em regime residencial transitório e, pela legislação brasileira, devem ser de caráter exclusivamente voluntário. Mas há <a href="https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2018/06/Relat%C3%B3rio-da-Inspe%C3%A7%C3%A3o-Nacional-em-Comunidades-Terap%C3%AAuticas.pdf" target="_blank" rel="noopener">denúncias</a> de violação de direitos e de internação compulsória.</p>
        </div>
    </div>



<p>“Nas próximas semanas, estaremos lançando o edital e, acumulado a isso, outras estratégias que a gente tem adotado”, disse a representante da Sepod, Thays Pedrosa. A novidade foi anunciada durante evento da frente parlamentar evangélica da Alepe, no dia 26 de junho. A declaração da gestora, registrada em <a href="https://www.alepe.pe.gov.br/audioalepe/frente-parlamentar-promove-mutirao-pela-vida-e-discute-combate-as-drogas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">matéria</a> publicada no site da Casa, surpreendeu os integrantes do Cepad.</p>



<p>Na ocasião, Thays anunciou que o edital será publicado &#8220;seguindo compromisso firmado pela governadora Raquel Lyra&#8221;. &#8220;Nas próximas semanas, estaremos lançando e acumulado a isso tantas outras estratégias que a gente tem adotado&#8221;, afirmou.</p>



<p>A presidente do colegiado na representação da sociedade civil, a advogada Débora Fonsêca, relembra que &#8220;a secretaria ocupa a vice-presidência do conselho e não houve diálogo&#8221;. &#8220;Foram duas oportunidades para a Sepod apresentar sua política. Em fevereiro, nos foi mostrada uma apresentação precária. Em maio, foi apresentado um documento mais sistematizado, com propostas integradas com outras pastas. Mas nada se falou sobre edital&#8221;.</p>



<p>O Cepad-PE tem composição paritária e é o espaço institucional do contrele social. Metade das cadeiras é ocupada por representações institucionais do governo estadual e a outra metade é indicada para representações da sociedade civil, com a presença, inclusive, das CTs.</p>



<p>Para Débora, o mais grave é o precedente que se abre em Pernambuco: “Aqui no nosso estado, as comunidades terapêuticas nunca foram reconhecidas como parte da Raps, a Rede de Atenção Psicossocial. Mas esse movimento já acontece em alguns estados. Nós, do Cepad, cobramos ações como estruturação do Consultório de Rua e ampliação de vagas nas Unidades de Acolhimento”.</p>



<p>O Colegiado de Saúde Mental da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), formado por gestores de municípios de todas as regiões de Pernambuco, realizou reunião na última sexta (5), na sede da pasta, no Bongi, zona oeste do Recife. Lá, os servidores também desconheciam a elaboração do edital.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">A posição do governo</span>

		<p>No final da tarde desta segunda-feira, dia 8, a Sepod respondeu ao questionamento da MZ: &#8220;a Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas tem concentrado esforços para fortalecer os serviços estaduais voltados ao cuidado de pessoas que fazem uso de drogas. Como por exemplo, a revisão metodológica e ampliação da atuação do Programa Atitude, agora com investimento anual de R$ 25 milhões. Em reunião do Conselho Estadual de Política sobre Drogas, realizada em maio, foi apresentado o mapa estratégico que prevê o apoio a instituições que trabalham com pessoas que fazem uso de drogas em diversas frentes. O edital para o cofinanciamento de vagas em unidades de acolhimento, que funcionem de acordo com as normativas técnicas e legais, está sendo elaborado para ampliar as possibilidades de cuidado especialmente em resposta aos pedidos dos municípios. O anúncio oficial será feito após o término dos trâmites burocráticos, detalhando os procedimentos ao Cepad e à sociedade em geral.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Raquel cedeu à pressão novamente</h2>



<p>Em fevereiro do ano passado, durante a formação dos escalões do governo, Raquel havia nomeado para a Secretaria Executiva de Política sobre Drogas o psicólogo e consultor Rafael West. Mesmo sendo profissional reconhecido na Políticas sobre Drogas, com a experiência de gestão do programa Atitude, <a href="https://marcozero.org/saude-mental-em-pernambuco-esta-sem-comando-desde-janeiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">West foi exonerado dias depois</a>. O motivo: parlamentares do PP haviam pressionado Raquel Lyra com a ameaça de retirar o partido da base de apoio na Assembleia.</p>



<p>Emparedada, a governadora escolheu para a função um nome mais próximo, com quem já havia trabalhado. “Atuou como gerente geral, secretário executivo e secretário municipal de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos de Caruaru”, diz um trecho do portal do Governo do Estado. O que a apresentação oficial do secretário não informa é que ele também é pastor da Igreja Episcopal Carismática do Brasil.</p>



<p>À época, a escolha de Raquel foi defendida por aliados como uma busca por uma solução meio termo. Se, por um lado, cedeu à pressão de parlamentares fundamentalistas, por outro, buscou uma escolha de caráter pessoal. Mas a fissura já havia sido feita. Recentemente o PP, do deputado federal Eduardo da Fonte e da família Collins, aumentou o espaço no primeiro escalão do governo, com a indicação do administrador <a href="https://www.instagram.com/luladafonte/p/C9AEfzCOall/?img_index=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Paulo Nery para a secretaria de Turismo</a>. No mês passado, a governadora esteve com o parlamentar federal e presidente estadual do PP no encerramento do 23º Encontro de Mulheres da Assembleia de Deus de Pernambuco (foto que abre esta matéria).</p>



<p>O gesto a essas lideranças evangélicas deve contribuir para a governo tentar melhorar a correlação de forças na Alepe, onde Raquel Lyra tem sido frequentemente derrotada em votações importantes: teve vetos ao orçamento de 2024 derrubados por acachapantes 30 votos a 10; viu seu desafeto &#8211; e correligionário &#8211; Álvaro Porto antecipar a eleição da mesa diretora e ser reeleito para outro biênio; e teve seu candidato à vaga de conselheiro vitalício do Tribunal de Contas do Estado, Joaquim Lira (PV), perder o cargo para Rodrigo Novaes, filiado ao PSB. Em junho, cinco projetos de interesse do governo, incluindo autorização para obter empréstimo, foram retirados de pauta da Comissão de Justiça.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Collins já sinalizava financiamento</strong></h3>



<p>Depois que Raquel assumiu, a única emenda aprovada pela Alepe para a reforma administrativa da governadora trouxe uma mudança que, à primeira vista, parecia sutil, mas deixou especialistas em alerta. De autoria do deputado Cleiton Collins (PP), coordenador da frente evangélica na Casa, a emenda trouxe pequenas mudanças nas competências da, à época, recém-criada Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança, Juventude e Prevenção à Violência e às Drogas. A pasta depois foi desmembrada, já indicando um movimento em direção ao financiamento das comunidades terapêuticas pelo estado.</p>



<p>A emenda mudou o texto de atribuições da secretaria para “redução, prevenção e cuidado”. O final da redação proposta pelo Executivo dizia que a pasta deve atuar em consonância com “as diretrizes do Sistema Único de Saúde e do Sistema Único de Assistência Social e Social”. O deputado acrescentou “através do incentivo à uma política estadual de acolhimento às pessoas em uso abusivo de drogas”. Collins e a esposa, a deputada federal <a href="https://marcozero.org/em-brasilia-michele-collins-manobra-para-impedir-que-suplente-assuma-como-vereador-do-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Michele Collins (PP)</a>, também são <a href="https://marcozero.org/o-jogo-politico-partidario-por-tras-das-comunidades-terapeuticas-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">fundadores da Saravida, uma das CTs mais estruturadas de Pernambuco</a>.</p>
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		<title>Com verba da Assistência Social, gestão João Campos financia entidades até 205 km longe do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Cavalcanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Apr 2024 19:05:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades terapêuticas]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[políticas contra drogas]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A gestão João Campos (PSB) quer transferir recursos públicos às comunidades terapêuticas para a contratação de vagas para o acolhimento de pessoas maiores de idade em uso abusivo de álcool e outras drogas, como cocaína fumada (crack). Apesar do nome do programa, Acolhe Vida Recife, a prefeitura poderá financiar com R$ 2,7 milhões entidades privadas [&#8230;]</p>
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<p>A gestão João Campos (PSB) quer transferir recursos públicos às comunidades terapêuticas para a contratação de vagas para o acolhimento de pessoas maiores de idade em uso abusivo de álcool e outras drogas, como cocaína fumada (crack). Apesar do nome do programa, Acolhe Vida Recife, a prefeitura poderá financiar com R$ 2,7 milhões entidades privadas ou religiosas localizadas até 205 quilômetros da capital pernambucana. Para se ter ideia, Pesqueira, último município do Agreste, está a 203 quilômetros em linha reta no sentido interior do estado pela BR-232. O Conselho Nacional de Assistência Social não reconhece as comunidades terapêuticas como parte do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).</p>



<p>Na prática, há poucas instalações de abrigamento dessas entidades na capital do estado, seja pela dificuldade de encontrar imóvel adequado ou por causa dos valores de aluguel e custeio, seja pelo modelo de funcionamento dessas organizações, que preferem se estabelecer em pontos mais afastados dos centros urbanos, como áreas rurais de municípios do Grande Recife e interior.</p>



<p>O edital de chamamento público nº 002/2024 foi divulgado no Diário Oficial do município de 13 de abril, nas páginas 43 a 52. O comunicado prevê o financiamento de 150 vagas para acolhimento voluntário. Entidades interessadas têm até 28 de maio para enviar proposta.</p>



<p>Profissionais dos serviços de assistência social e saúde ouvidos pela reportagem destacam o fato do total de vagas que poderão ser contratadas fora dos limites do Recife ser mais do que o triplo do tamanho da rede que o município dispõe para o acolhimento residencial e transitório. Atualmente, a capital pernambucana tem três unidades. Cada uma com 15 leitos, somando 45 vagas.</p>



<p>“Essas leitos da Rede de Atenção Psicossocial do Recife são sempre procurados. A unidade de acolhimento Jandira Mansur, a única para mulheres, fica no bairro de Campo Grande, Distrito Sanitário II, e está funcionando abaixo da capacidade porque precisa de uma melhoria no imóvel”, conta um servidor. As outras duas unidades de acolhimento adulto da cidade são a Celeste Aida Chaves, no Cordeiro, e professor Antônio Nery, na Imbiribeira.</p>



<p>“As comunidades terapêuticas acabam tomando o vazio deixado pela falta de uma maior rede de acompanhamento terapêutico e protetivo. Mas como um morador do bairro da Várzea, por exemplo, vai buscar cuidado a centenas de quilômetros dos laços afetivos que podem ajudar no tratamento?”, questiona outro profissional da rede municipal de saúde. Curiosamente, um dos objetivos específicos do edital é o reestabelecimento dos vínculos familiares e comunitários da pessoa em uso abusivo de substâncias.</p>



<p>As 150 vagas previstas no edital são para o atendimento da população recifense. Mas profissionais dos serviços têm receio que, na prática, esses leitos sejam ocupados por moradores de outros municípios, sujeitos à influência e usufruto das relações políticas. O encaminhamento às comunidades terapêuticas se dará pela secretaria-executiva de Políticas sobre Drogas (Sepod) da prefeitura, e não pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Prefeitura aumenta valor e raio de abrangência</strong></h2>



<p>O aviso que foi agora publicado havia sido divulgado no ano passado, em 7 de outubro. Porém, uma portaria no Diário Oficial de 30 de novembro tornou sem efeito a proposta. Já em 2024, o atual edital ganhou publicidade em 20 de janeiro. Para reforçar a iniciativa, a gestão o publicou novamente em 13 de abril. Leia aqui:</p>



<p><a href="https://dome.recife.pe.gov.br/dome/doDia.php?dataEdicao=2024-04-13">https://dome.recife.pe.gov.br/dome/doDia.php?dataEdicao=2024-04-13</a></p>



<p>Há duas alterações relevantes entre o edital cancelado e o que agora está aberto: o custo do município com a parceria com as comunidades terapêuticas, que subiu de R$ 2.44 milhões para R$ 2.71 milhões, e a distância máxima das entidades que podem ser homologadas: de 150 para 205 quilômetros.</p>



<p>O monitoramento acima é do vereador Ivan Moraes (PSOL). “Há um aumento do preço na diária paga que impacta o valor total do edital. Tenho dito que esse tipo de iniciativa é um equívoco da prefeitura, que alega que essa verba não vem da Secretaria de Saúde, mas da pasta da assistência social. É preciso que se diga que isso é uma escolha política, não uma questão orçamentária. Esse mesmo dinheiro poderia estar fortalecendo a RAPS. Bastava uma canetada”.</p>



<p>O fundo de R$ 2,7 milhões prevê até nove projetos financiados. Cinco deles &#8211; com 20 vagas cada &#8211; para o gênero masculino a partir dos 18 anos, ao valor de R$ 50 a diária. Duas propostas são voltadas ao gênero feminino, 20 vagas cada uma e diária de R$ 50. Outros dois projetos poderão somar até 10 vagas para mulheres acompanhadas de seus bebês, com diária de R$ 55.</p>



<p>Essa é a segunda vez que a gestão João Campos valida edital de financiamento direto para comunidades terapêuticas. A primeira foi em março de 2022. Três foram habilitadas à época: Instituto Acolher (no município de São Lourenço da Mata), São Miguel Arcanjo (em Caruaru) e Associação Oásis da Liberdade. Esta última, sediada no bairro de Jardim São Paulo, zona oeste da capital, é ligada ao vereador Luiz Eustáquio. Veterano na Câmara Municipal do Recife, ele é filiado ao PSB, mesmo partido do prefeito.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/drogas-3.jpg" alt="Foto de Luiz Eustáquio discursando no púlpito da Câmara Municipal do Recife. Ele é um homem negro, idoso, de bigode grisalhos e cabelos crespos e curtos, usando paletó cinza, camisa branca e gravata vermelho escuro. À sua frente, há um buquê de flores brancas e follhas verdes." class="" loading="lazy" >
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: Instagram @luizeustaquio</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>PCR responde, mas não detalha o porquê das alterações</strong></h2>



<p>“O edital de 2022 foi atualizado, ampliando o raio de abrangência para que novas organizações pudessem participar. A secretaria reforça que oferece acolhimento e orientação no 6º andar do edifício-sede da prefeitura. Este serviço conta com triagem e, quando necessário, encaminhamento para Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas. Existe ainda o trabalho de prevenção feito de forma itinerante em bairros, escolas e eventos diversos”, limitou-se a responder.</p>



<p>A Sepod é gerida pela advogada Edna Gomes, que trocou o PP pelo PV. Vice-prefeita do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, na gestão de Vado da Farmácia, ela já fazia parte da gestão João Campos até ser nomeada para um cargo mais alto em maio do ano passado, por indicação do deputado federal Clodoaldo Magalhães.</p>



<p>Apesar da presença no alto escalão da capital pernambucana, a secretária mantém atividades relacionadas à atuação política no município do Cabo. Em agosto do ano passado, ela integrou a comitiva do prefeito Keko do Armazém (PP) em viagem a Brasília.</p>



<p>Na estrutura administrativa da prefeitura, a secretaria-executiva de Políticas sobre Drogas é vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Políticas sobre Drogas. A titular da pasta é a assistente social Ana Rita Suassuna. Ela exerce a função desde o início da gestão do PSB no Recife, em 2013, primeiro dos oito anos do governo Geraldo Julio (PSB).</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Conselho de Políticas sobre Drogas foi contra</span>

		<p>De caráter consultivo e formado com paridade entre representações da sociedade civil e governamentais, o Conselho Municipal de Políticas sobre Álcool e Outras Drogas (Compad-Recife) se posicionou contrário ao objeto do edital. Por maioria de votos, o colegiado reprovou a proposta. O único que votou a favor da iniciativa foi o indicado da Sepod para compor o grupo. A reunião foi realizada no dia 25 de outubro de 2023. Mesmo assim, o posicionamento do Conselho foi ignorado e o edital foi lançado.</p>
	</div>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Edital ignora pessoas trans e travestis e não exige laicidade</strong></h3>



<p>Outro ponto de crítica de conselheiros do Compad é a não previsão de pessoas trans e a não exigência de atuação laica por parte das comunidades terapêuticas. “Há um jogo social que empurra as pessoas trans e travestis para a exclusão. Muitas vezes começa na família e se consolida na falta de empregabilidade no mercado de trabalho. A atuação de determinadas lideranças ditas religiosas consolida e perpetua esse estigma”, avalia Júlia Bueno, psicóloga, doutoranda e mulher trans.</p>



<p>Dado da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) aponta para 90% das pessoas dessa população ter como única possibilidade de renda a troca de sexo por dinheiro. “A prostituição, tanto de pessoas trans quanto de pessoas cisgêneras, é um fator que pode elevar a exposição e o risco ao uso de drogas lícitas e ilícitas. Portanto, é necessário que os serviços de cuidado cheguem a esse grupo, ainda mais quando financiado com dinheiro público”.</p>



<p>Para a pesquisadora, esse tipo de iniciativa proposta pela prefeitura em edital fragiliza os Sistemas Único de Saúde e de Assistência Social (SUS e SUAS). “Que são, justamente, ambientes que possuem protocolo de atendimento a essas populações.”</p>
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		<title>Saúde mental em Pernambuco está sem comando desde janeiro</title>
		<link>https://marcozero.org/saude-mental-em-pernambuco-esta-sem-comando-desde-janeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Mar 2023 22:35:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alepe]]></category>
		<category><![CDATA[caps]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades terapêuticas]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde o controverso decreto de janeiro em que a governadora Raquel Lyra (PSDB) exonerou todos os cargos comissionados do Governo de Pernambuco, a vaga de Gerência de Saúde Mental (Gasam) da Secretaria Estadual de Saúde segue vazia. É de responsabilidade do cargo apresentar para os profissionais de saúde do estado as diretrizes que a saúde [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde o controverso decreto de janeiro em que a governadora Raquel Lyra (PSDB) exonerou todos os cargos comissionados do Governo de Pernambuco, a vaga de Gerência de Saúde Mental (Gasam) da Secretaria Estadual de Saúde segue vazia. É de responsabilidade do cargo apresentar para os profissionais de saúde do estado as diretrizes que a saúde mental vai ter ao longo do governo, fazer a ponte com o Governo Federal, além de oferecer capacitação para os profissionais.</p>



<p>Há pelo menos três reuniões a comissão de saúde mental do Conselho Estadual de Saúde cobra uma posição sobre o cargo vago. A Marco Zero questionou a SES-PE sobre o assunto, mas não obteve resposta.</p>



<p>Na última reunião do Conselho, ocorrida na semana passada, a secretária Zilda Cavalcanti pediu paciência e disse que está em busca de um perfil técnico, compromissado e que a questão da saúde mental é de extrema importância dentro da secretaria. Também afirmou que em breve a nomeação deve sair e que as questões que seriam da gerência estão, por ora, com a secretaria executiva de vigilância e atenção primária, comandada por Verônica Cisneiros. </p>



<p>Entre psicólogas, psiquiatras e terapeutas existe o receio de que o cargo esteja sendo avaliado, ou disputado, por políticos evangélicos e conservadores ligados às comunidades terapêuticas. Isso porque, desde que Raquel Lyra assumiu, há uma série de movimentações em relação às políticas de drogas e de saúde mental do governo. Quanto mais demora na nomeação do cargo, maior a desconfiança. </p>



<p>A primeira movimentação dos políticos evangélicos fundamentalistas ocorreu já na única emenda à reforma administrativa de Raquel Lyra aprovada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), em janeiro. A emenda, do deputado Cleiton Collins (PP), que é fundador da comunidade terapêutica Saravida, alterou as competências da Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança, Juventude e Prevenção à Violência e às Drogas. Uma mudança sutil, mas vista por especialistas como uma brecha para o financiamento de comunidades terapêuticas, como acontece na secretaria equivalente da Prefeitura do Recife.</p>



<p>Outra evidência da pressão dos fundamentalistas evangélicos foi a exoneração do secretário executivo de Políticas sobre Drogas, Rafael West, militante pela redução de danos, que saiu antes mesmo de assumir, poucos dias após ter sido nomeado.</p>



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	                                        <p class="m-0">Zilda Cavalcanti. Crédito: Mª Eduarda Bione/SES-PE</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Já na Alepe, foi criada em fevereiro a Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Mental dos Pernambucanos com o deputado evangélico fundamentalista Joel da Harpa (PL) na presidência e entre os membros os pastores Júnior Tércio (PP) e Cleiton Collins.</p>



<p>Até hoje as secretarias de saúde &#8211; tanto estadual quanto a do Recife &#8211; seguem “blindadas” dos avanços das comunidades terapêuticas. Mas há o receio de que haja uma pressão por espaço. “Até agora a Secretaria de Saúde não apresentou um fluxograma de ações. Não pode ficar só apagando incêndios, tem que ter planejamento e diretrizes. A gerência de saúde mental é quem faz o monitoramento das ações de saúde mental dos municípios. É um modelo descentralizado e tem que haver os gestores”, critica a coordenadora de saúde mental do Conselho Estadual de Saúde, Íris Maria. </p>



<p>Para ela o governo Raquel Lyra está também perdendo tempo em não estreitar relações com Governo Federal, que recentemente reativou seu departamento de saúde mental, que havia sido desmantelado no governo Bolsonaro. “É uma vaga que tem, sim, o interesse dos políticos conservadores, que é um grupo hermético, que não tem muita discussão. Mas hoje temos um caminho bem interessante para discutir saúde mental no Brasil junto ao Governo Federal. Raquel Lyra vai querer ir na contramão desse movimento?&#8221;, questiona Irís.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Leis “barram” comunidades terapêuticas</h2>



<p>Irís Maria lembra que em julho vai ter a 17ª Conferência Nacional de Saúde, evento para discutir e melhorar as políticas públicas em saúde. É um momento importante de construção coletiva e, por isso, municípios e estados devem estar bem preparados. A demora em nomear um gestor pode enfraquecer essa preparação. </p>



<p>Nas conferências participam os segmentos de usuários, trabalhadores e gestores. &#8220;As políticas públicas de saúde mental precisam ser implementadas e melhoradas. O controle social é quem é o guardião dessa política, no sentido de avançar, de ver os processos de financiamento&#8221;, explica.  As conferências de saúde mental acontecem a partir da convocatória do Conselho Nacional de Saúde. Pernambuco finalizou em agosto do ano passado a IV Conferência Estadual de Saúde Mental, evento que precede a conferência nacional, reforçando a luta pela Rede de Atenção Psicossocial (Raps), com tratamento no território e em liberdade. O tema foi &#8220;A Política de saúde mental como direito: Pernambuco pela defesa do cuidado em liberdade, rumo à avanços e garantia dos serviços da atenção psicossocial no SUS&#8221;. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Íris Maria, coordenadora da comissão de saúde mental do Conselho Estadual de Saúde</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>O psicólogo clínico João Marcelo Costa, mestre em Gestão Pública, estava como gestor do Gasam de 2015 até a exoneração em janeiro deste ano. Na visão do ex-gestor, a reforma psiquiátrica, aprovada como lei em 2001, que prevê o fechamento gradual de leitos de longa permanência, e a portaria estadual 747, de 2018, que estabelece as políticas de saúde mental em Pernambuco, são impeditivos legais para as comunidades terapêuticas avançarem na pasta da saúde.</p>



<p>As comunidades terapêuticas, mantidas por grupos religiosos, pregam a reclusão para tratamento. Elas estariam, portanto, na contramão da legislação. “A política estadual não é ditada por uma gestão, mas é toda coletiva. Está nítido nela que não há permissão de nenhum tipo de cuidado baseado nos princípios asilares. A política é muito clara ao não conceber o hospital psiquiátrico como ponto de atenção e ao colocar que não cabe tipo algum de modelo asilar (de reclusão) na rede de cuidados”, afirma João Marcelo.</p>



<p>Pernambuco, que já teve quase três mil leitos exclusivos de saúde mental, tem hoje 235 leitos divididos entre um hospital contratado pelo município de Serra Talhada e o Ulysses Pernambucano, na Tamarineira, a grande referência de urgência e emergência psiquiátrica do estado. Há também 89 vagas em hospitais regionais, que receberam capacitação para atender os pacientes de saúde mental.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Faltam Caps</h3>



<p>Ao contrário de outras áreas da saúde, ter menos leitos em hospitais psiquiátricos é algo desejável. Mas o avanço da reforma psiquiátrica passa também pelo fortalecimento e expansão dos Centros de Atenção Psicossocial, os Caps, geridos pelos municípios com fundos principalmente do Governo Federal, e que têm caráter aberto, integrado e comunitário. E isso não está acontecendo, nem aconteceu na gestão passada. É um desafio complexo, que ficou ainda mais sofrido com a pandemia. No Recife, por exemplo, há apenas três Caps voltados para crianças.</p>



<p>A Marco Zero conversou com duas militantes da reforma psiquiátrica que trabalham em Caps no Grande Recife. Uma delas relatou que os dez Caps com atendimento 24 horas na capital não estão dando conta. No relato, ela fala que o imóvel do Caps Davi Capistrano, no Ipsep, foi interditado com as chuvas de maio do ano passado e ainda está em reforma, com a equipe atendendo no Caps Livre Mente, em Setúbal. E cobrou que o estado tenha mais participação no financiamento da rede. </p>



<p>Há também o adoecimento dos profissionais, que, muitas vezes, trabalham sobrecarregados. “A pandemia aumentou muito o número de pessoas com depressão, ansiedade e tentativas de suicídio. E os profissionais de saúde não ficaram imunes a isso. Há uma sobrecarga de trabalho e a rede de Capes e de unidades de acolhimento, para pessoas com problemas abusivos de álcool e outras drogas, não estão sendo expandidas. Também não temos clareza qual o direcionamento que o governo do estado vai dar para a saúde mental”, criticou outra servidora, que preferiu não se identificar.</p>



<p>A vaga na gerência de saúde mental é uma das muitas que ainda não foram preenchidas na Secretaria Estadual de Saúde. Na sexta-feira passada, a deputada estadual Dani Portela (Psol) protocolou uma indicação à secretaria para que preencha 678 cargos que ainda se encontram vagos. Entre eles, há 210 postos de médicos, 129 vagas de analistas em saúde, 119 vagas de assistentes em saúde, 147 vagas de auxiliares em saúde e 40 (quarenta) vagas de fiscais da vigilância sanitária sem nomeação na secretaria.</p>



<ul class="wp-block-list"><li>ERRATA: este texto foi corrigido às 15:07 de 22 de março. Inicialmente publicamos que a equipe do Caps do Ipsep estava atendendo, desde maio do ano passado, no Caps Espaço Azul, de Casa Amarela, quando o correto é que os profissionais foram alocados temporariamente no Caps Livre Mente, em Setúbal.</li></ul>



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		<title>A ofensiva bolsonarista para controlar a política sobre drogas em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/a-ofensiva-bolsonarista-para-controlar-a-politica-sobre-drogas-em-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Feb 2023 22:36:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cleiton Collins]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades terapêuticas]]></category>
		<category><![CDATA[evangélicos]]></category>
		<category><![CDATA[política de drogas]]></category>
		<category><![CDATA[políticas sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[Tércio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A ofensiva bolsonarista para liderar a política sobre drogas em Pernambuco teve um novo episódio esta semana. Deputados estaduais de extrema-direita e apoiadores de comunidades terapêuticas conseguiram, nesta segunda-feira (13), a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Família, da Vida e de Políticas sobre Drogas, uma iniciativa do deputado Pastor Cleiton Collins (PP). Além [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A ofensiva bolsonarista para liderar a política sobre drogas em Pernambuco teve um novo episódio esta semana. Deputados estaduais de extrema-direita e apoiadores de comunidades terapêuticas conseguiram, nesta segunda-feira (13), a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Família, da Vida e de Políticas sobre Drogas, uma iniciativa do deputado Pastor Cleiton Collins (PP). Além de autor da proposta, Collins assumiu a frente como coordenador-geral.</p>



<p>Junto com ele no colegiado, estão parlamentares do PL, União e Republicanos, além do próprio PP, incluindo o Pastor Júnior Tércio, deputado estadual mais votado de Pernambuco nas últimas eleições. Com a esposa, Clarissa Tércio (PP), a segunda do estado a mais receber votos para a Câmara Federal, o casal que apoiou os atos golpistas de 8 de janeiro é o retrato do conservadorismo que teve ótimos resultados nas urnas com <a href="https://marcozero.org/igreja-radio-e-comunidade-terapeutica-o-fundamentalismo-religioso-por-tras-do-casal-tercio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um discurso e uma estrutura que mesclam mídia, política e religião</a> em nome de “Deus, da pátria e da família”.</p>



<p>Também em parceria com a esposa, a vereadora do Recife Missionária Michele Collins (PP), o Pastor Collins é fundador da Saravida, uma das comunidades terapêuticas mais estruturadas localmente. Os Tércio também estão à frente desse tipo de entidade, com o Centro de Recuperação Novas de Paz. Juntas, as duas famílias lideram o lobby e a influência política em defesa de um modelo de tratamento de usuários de álcool e outras drogas que ganhou força e financiamento público durante o governo Bolsonaro.</p>



<p>Em 2019, a <strong>Marco Zero</strong> revelou o jogo político-partidário por trás das comunidades terapêuticas em Pernambuco. Sob a justificativa da urgência do cuidado, esse tipo de iniciativa, alvo de diversas denúncias no Brasil, muitas vezes viola direitos humanos e tem no isolamento, na prática religiosa, no militarismo e no trabalho forçado um caminho de atuação e “salvação”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-jogo-politico-partidario-por-tras-das-comunidades-terapeuticas-em-pernambuco/" class="titulo">O jogo político-partidário por trás das comunidades terapêuticas em Pernambuco</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>A brecha para as comunidades terapêuticas </strong></h2>



<p>Em janeiro, a única emenda aprovada pela Alepe na reforma administrativa da governadora Raquel Lyra (PSDB), abriu <a href="https://marcozero.org/unica-emenda-aprovada-pela-alepe-na-reforma-de-raquel-lyra-abre-brecha-para-financiamento-de-comunidades-terapeuticas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">brecha para o financiamento de comunidades terapêuticas</a> no estado, conforme mostrou a <strong>Marco Zero</strong>. De autoria de Collins, foi uma mudança sutil nas competências da recém-criada Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança, Juventude e Prevenção à Violência e às Drogas. A emenda muda o texto de atribuições da secretaria de apenas “redução” ao uso abusivo de drogas para “redução, prevenção e cuidado”.</p>



<p>O final do texto proposto pelo Executivo dizia que a secretaria deve atuar em consonância com “as diretrizes do Sistema Único de Saúde e do Sistema Único de Assistência Social e Social”. O deputado acrescentou “através do incentivo à uma política estadual de acolhimento às pessoas em uso abusivo de drogas”. Parece pouco, mas pode ser um movimento em direção ao financiamento das comunidades terapêuticas pelo Governo do Estado. Os termos “cuidado” &#8211; bastante forte no léxico evangélico, mas também na área de saúde mental &#8211; e “incentivo” a uma “política estadual de acolhimento”, ainda é inexistente, levantaram as sobrancelhas, mas é o próprio autor da emenda e a comemoração que ele fez da aprovação nas redes sociais que chamou mais a atenção de especialistas ouvidas pela reportagem no mês passado.</p>



<p>Já neste mês de fevereiro, a pressão de partidos evangélicos levou a governadora Raquel Lyra a exonerar o secretário executivo de Políticas sobre Drogas da nova pasta, o psicólogo e consultor das Nações Unidas Rafael West. Sem nem ter iniciado os trabalhos, ele foi retirado do cargo menos de uma semana após ser nomeado. West é referência internacional em política sobre drogas e nome importante do Atitude, programa do governo Eduardo Campos (PSB) de acolhimento a usuários reconhecido internacionalmente.</p>



<p>Defensor de uma política sobre drogas menos violenta e encarceradora e mais integrada para garantir a vida, a saúde e a cidadania das pessoas usuárias, ele também já coordenou a Câmara Temática de Enfrentamento ao Crack do Pacto Pela Vida e foi presidente do Conselho de Políticas Sobre Drogas de Pernambuco.</p>



<p>Em nota de repúdio, o coletivo de entidades que forma a Frente Pernambucana em Defesa da Saúde Mental, publicou que “Não é difícil associar essa exoneração ao jogo político que se encena em torno do apoio de setores fundamentalistas ao atual governo, marcado pelas perseguições da bancada evangélica contra propostas de democratização, laicização, cientificidade e participação social da Política de Drogas. Também sabemos o quanto esse setor tem galgado espaço em busca de financiamento público para as Comunidades Terapêuticas. Por isso, a falta de sustentação de Rafael West no cargo levanta questionamentos preocupantes quanto ao real compromisso da atual governadora com as pautas públicas construídas ao longo do tempo e com os rumos da atual Política de Drogas no estado.</p>



<p>Se a exoneração de West resultou da pressão dos bolsonaristas, a vitória desses grupos não foi completa, pois o nome escolhido para substitui-lo foi de Yury Francisco Ribeiro, um respeitado técnico que atuou nesta área em Caruaru sob o comando de Raquel Lyra e não é ligado aos fundamentalistas evangélicos</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.slideshare.net/IncioFrana2/politica-drogas-nota-de-repdio-0902pdf
</div></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>PSOL e PT criticam viés conservador da frente</strong></h3>



<p>Em discurso durante a sessão parlamentar desta segunda (13), Collins defendeu a importância da Frente Parlamentar em Defesa da Família, da Vida e de Políticas sobre Drogas “principalmente por causa do crescimento no consumo do crack”. “O mundo vive uma verdadeira pandemia em virtude do uso dessa droga e os efeitos são devastadores para a sociedade. Temos de nos unir para debater ações de combate a essa realidade”, argumentou. Segundo ele, o colegiado deverá discutir tanto a atuação de comunidades terapêuticas quanto de grupos focados na política de redução de danos.</p>



<p>A deputada Dani Portela (PSOL) criticou o viés conservador da frente em voto contrário e lamentou a ausência de deputadas na composição do grupo. Para ela, chamou a atenção o fato de o requerimento dos demais deputados que assinaram a frente ser de uma bancada conservadora (não necessariamente evangélica). “Mas que traz esse debate num campo distinto do que a gente acredita”, pontuou a parlamentar, que lançou seu nome para presidir a comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular da Alepe.</p>



<p>“Já estamos numa Alepe que tem a menor bancada feminina da última década em participação de mulheres. Quando se fala que a frente é em defesa da família, de que família estamos falando? Mais de 30% dos lares de Pernambuco são chefiados por mulheres. Não se vê a presença de mulheres nessa frente. Eles estão falando de um modelo de família. Família, no singular, não abarca a pluralidade”, rebate, lembrando das famílias LGBTQIA+, por exemplo.</p>



<p>“É uma perspectiva do enfrentamento às drogas, associada à morte. Mas nós temos uma perspectiva, de tratar a questão das drogas como política pública, e não como caso de polícia ou segurança pública. Olhar para o usuário como um cidadão ou uma cidadã de maneira mais integrada, trazendo a questão para o âmbito da redução de danos e da saúde pública, do atendimento e o fortalecimento do SUS, com acesso a outras políticas públicas como educação, geração de emprego, renda e moradia”, explica Dani.</p>



<p>Na avaliação do deputado João Paulo (PT), que também pediu a palavra durante a sessão de segunda (13), uma frente parlamentar com esse viés é “remanescente de um bolsonarismo enrustido ainda de lideranças políticas de Pernambuco e do Brasil”. “Acredito que essa onda de extrema-direita e conservadora teve uma derrota eleitoral com a vitória do presidente Lula. Mas foi uma derrota que teve uma expressão política, do ponto de vista da quantidade de votos, importante na disputa eleitoral, com uma diferença de dois milhões de votos para um governo de extrema-direita”, destacou.</p>



<p>O dia 14 de fevereiro é o Dia Estadual da Redução de Danos, um projeto de João Paulo, que virou lei há quatro anos. “Redução de danos é mais que uma política de drogas. É uma filosofia de vida, que inclui cuidado, respeito, saúde, responsabilidade, liberdade religiosa, a luta contra o encarceramento, contra o manicômio, contra o racismo, o machismo e a lgbtfobia”, publicou o deputado nas redes sociais.</p>



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<p><strong>Uma questão importante!</strong></p>
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		<title>Única emenda aprovada pela Alepe na reforma de Raquel Lyra abre brecha para financiamento de Comunidades Terapêuticas</title>
		<link>https://marcozero.org/unica-emenda-aprovada-pela-alepe-na-reforma-de-raquel-lyra-abre-brecha-para-financiamento-de-comunidades-terapeuticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Jan 2023 20:51:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades terapêuticas]]></category>
		<category><![CDATA[Pastor Cleiton Collins]]></category>
		<category><![CDATA[reforma administrativa]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi uma mudança sutil. A única emenda aprovada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para a reforma administrativa da governadora Raquel Lyra (PSDB) traz pequenas mudanças nas competências da recém-criada Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança, Juventude e Prevenção à Violência e às Drogas. De autoria do deputado pastor Cleiton Collins (PP), a emenda muda o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Foi uma mudança sutil. A única <a href="https://www.alepe.pe.gov.br/proposicao-texto-completo/?docid=10309&amp;tipoprop=e" target="_blank" rel="noreferrer noopener">emenda</a> aprovada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para a reforma administrativa da governadora Raquel Lyra (PSDB) traz pequenas mudanças nas competências da recém-criada Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança, Juventude e Prevenção à Violência e às Drogas. De autoria do deputado pastor Cleiton Collins (PP), a emenda muda o texto de atribuições da secretaria de apenas “redução” ao uso abusivo de drogas para &#8220;redução, prevenção e cuidado&#8221;. O final do texto proposto pelo executivo dizia que a Secretaria deve atuar em consonância com “as diretrizes do Sistema Único de Saúde e do Sistema Único de Assistência Social e Social&#8221;. O deputado acrescentou &#8220;através do incentivo à uma política estadual de acolhimento às pessoas em uso abusivo de drogas”.</p>



<p>Parece pouco, mas pode ser um movimento em direção ao financiamento das Comunidades Terapêuticas pelo Governo do Estado. Na nova redação das atribuições da secretaria estadual, os termos “cuidado”, que é bastante forte no léxico evangélico, mas também na área de saúde mental, e o “incentivo” a uma “política estadual de acolhimento”, que ainda é inexistente, levantam sobrancelhas, mas é o próprio autor da emenda e a comemoração que ele fez da aprovação nas redes sociais que chamou mais a atenção das especialistas ouvidas pela Marco Zero Conteúdo. Além de pastor e deputado, Collins e a esposa, a vereadora do Recife Michelle Collins, são fundadores da Saravida, <a href="https://marcozero.org/o-jogo-politico-partidario-por-tras-das-comunidades-terapeuticas-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma das CTs mais estruturadas localmente</a>.</p>



<p>Integrante do Conselho Estadual de Saúde e do Conselho Regional de Psicologia em Pernambuco, Íris Maria afirma que a emenda é um movimento do deputado em busca de financiamento para as CTs . “A família dos Collins se apoderou da narrativa de redução de danos também. Como eles perderam o financiamento das comunidades terapêuticas no âmbito da Saúde, eles passaram a afirmar que as CTs fazem redução de danos. São estratégicos: criam um projeto que dialoga com a proposta, mas não dizem como é feita essa redução de danos”, afirma.</p>



<p>Coordenadora do Centro de Prevenção às Dependências, Ana Glória Melcop critica e lamenta também o fim da Secretaria de Políticas de Prevenção à Violência e às Drogas, que com a reforma administrativa de Raquel Lyra foi incorporada à Secretaria de Desenvolvimento Social.</p>



<p>“Pouquíssimos estados do Brasil tinham uma secretaria exclusiva. Mas essa secretaria ficou mesmo mais ligada à execução do Programa Atitude e do Juventude Presente. Não foi uma secretaria que avançou na política sobre drogas. Não contemplou povos indígenas, mulheres, adolescentes. De fato, o estado de Pernambuco precisa de uma política sobre drogas”, afirmou Melcop, fazendo um adendo. “Mas não cabe nesta política o financiamento às CTs. Primeiro, pelo princípio e origem das CTs no Brasil, ligadas à questão religiosa, quando nosso estado é laico. E é necessário uma equipe de profissionais da saúde. Um usuário de álcool, por exemplo, pode entrar em crise de abstinência e morrer, porque não há médicos. Não há tratamento adequado nas CTs”, diz.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/o-jogo-politico-partidario-por-tras-das-comunidades-terapeuticas-em-pernambuco/" class="titulo">O jogo político-partidário por trás das comunidades terapêuticas em Pernambuco</a>
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<p>Em relação ao Governo Raquel Lyra, Melcop espera que haja diálogo com a sociedade civil. “Pernambuco é vanguarda nessa área. Há mais de 30 anos se começou a política de redução de danos no governo de Jarbas Vasconcelos. Também tivemos recentemente a lei de plantio e uso da cannabis medicinal. Nossa expectativa é de que Pernambuco venha a ter de fato uma política sobre drogas. Democrática, que atenda todos os segmentos da sociedade, e que haja um impacto de fato e que as pessoas possam ter sua liberdade&#8221;, afirma Melcop.</p>



<p>A extinção da Secretaria é vista com preocupação por Íris Maria. “Quando um gestor assume um cargo, ele deve fazer uma abertura para o diálogo. Não houve. Sou do Conselho Estadual de Saúde e só houve uma conversa antes do governo começar. É muito pouco para a complexidade do estado de Pernambuco. A política de drogas ainda tem um viés proibicionista, visando apenas a abstenção e prisão dos usuários”, critica.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Recife, que já foi exemplo, hoje financia CTs</h2>



<p>A movimentação com a emenda, acreditam as especialistas, pode ser algo como se viu na Prefeitura do Recife, durante a gestão de Geraldo Julio (PSB). Com verbas para as CTs barradas na Secretaria de Saúde, o deputado Cleiton Collins (PP) e a vereadora Michelle Collins (PP) moveram suas estratégias para a Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Políticas sobre Drogas, que, a partir de 2018, começou a dar verbas para CTs. Em 2019, a então secretária Clara Marques exaltava que Recife era a única cidade do Estado de Pernambuco a oferecer vagas em CTs. </p>



<p>O financiamento das Comunidades Terapêuticas tem continuado no governo de João Campos (PSB). Só no primeiro semestre do ano passado, a prefeitura liberou quase de R$ 4 milhões paras as CTs e nada para a Rede de Atenção Psicossocial, de acordo com <a href="https://www.brasildefatope.com.br/2022/06/22/recife-investiu-quase-r-4-mi-em-comunidades-terapeuticas-e-nada-no-servico-equivalente-do-sus" target="_blank" rel="noreferrer noopener">levantamento do Brasil de Fato</a>. </p>



<p>Íris Maria acredita que a meta dos Collins com a emenda é também conseguir verbas do Governo do Estado por meio da nova Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança, Juventude e Prevenção à Violência e às Drogas.“É a mesma estratégia que usaram na Prefeitura do Recife. Saíram da área da saúde, porque foram barrados, e agora estão indo buscar financiamento na assistência social”, disse. “ Encontraram um terreno fértil justamente em um governo que na campanha ficou isento em relação a várias temáticas”, diz Isís.</p>



<p>A psicóloga e redutora de danos Alda Roberta Campos lembra que a cidade do Recife já foi considerada um exemplo em política sobre drogas, com a criação do programa Mais Vida, em 2003, na gestão do prefeito João Paulo. Durou até 2016, no início do governo de Geraldo Julio. “Foi feita a integração da política de saúde mental e álcool e outras drogas”, afirma. Hoje, enquanto as CTs recebem milhões da prefeitura, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) estão sucateados.</p>



<p>“As equipes estão adoecidas, precisam de suporte e supervisão. O jeito de um governo dizer que algo não funciona é sucateando. Se houver investimento, cuidado e interesse de fazer acontecer, dá certo. Práticas como o aluguel social, a reinserção no trabalho e o retorno à vida escolar, com um trabalho com equipe multidisciplinar, dão certo”, afirmou a psicóloga.</p>



<p>A ideia das Comunidades Terapêuticas foi criada pelo psiquiatra sul-africano Maxwell Jones, na década de 40. No Brasil, o termo foi apropriado há mais de 40 anos por setores evangélicos, que desvirtuaram o conceito. “Enquanto Jones pregava um substitutivo do hospital psiquiátrico, com a auto gestão e a valorização da escuta, no Brasil, as CTs se transformaram em manicômios renomados. Há uma mistura do que é tratamento e o que é missão religiosa, o que é um risco imenso. Dentro da Lei da Reforma Psiquiátrica há a desinstitucionalização e o que se vê nas CTs são pessoas trancafiadas por meses, muita LGBTIfobia e violação dos direitos humanos”, diz Alda.</p>



<p>Para se contrapor aos avanços das CTs, Alda defende um diálogo maior entre a sociedade civil, as organizações sociais e os governos, o fortalecimento dos conselhos e comitês da área de saúde mental, para que possam fiscalizar e monitorar as atividades dessas comunidades.</p>



<p>“Outra coisa importante é a necessidade de todos os serviços serem laicos. Na pandemia vimos os danos relacionados ao negacionismo, que ceifaram vidas. O governo de Pernambuco não pode repetir essa história e colocar na mão de negacionistas o cuidado com a vida das pessoas. É fundamental uma política de drogas no âmbito estadual. As CTs estão aí e não adianta fazer de conta que não existem. Há estudos, há comprovação científica de que o tratamento em liberdade, dentro do território, nos conceitos do Sistema Único de Saúde (SUS), é a solução para o tratamento do uso abusivo de drogas. As CTs precisam ser fiscalizadas”, afirmou.</p>



<p>A Marco Zero entrou em contato com o deputado pastor Cleiton Collins para saber porque ele propôs as mudanças na redação das atribuições da secretaria, mas não obteve retorno. A Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança, Juventude e Prevenção à Violência e às Drogas também foi questionada se haveria alguma mudança com a emenda, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong><br><br>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</p></blockquote>
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		<item>
		<title>Acordo na Assembleia mantém Comunidades Terapêuticas fora do SUS em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/acordo-na-assembleia-mantem-comunidades-terapeuticas-fora-do-sus-em-pernambuco/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Sep 2019 22:34:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades terapêuticas]]></category>
		<category><![CDATA[política de drogas]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O projeto de lei para regulamentar as Comunidades Terapêuticas (CTs) em Pernambuco teve mais um capítulo nesta segunda-feira (23). Pela primeira vez, o assunto, que envolve questões políticas e ideológicas, foi&#160;discutido &#8211; com muitos embates &#8211; em uma audiência pública na Assembleia Legislativa, com o auditório lotado de usuários e trabalhadores. Depois de alguns substitutivos, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[O projeto de lei para regulamentar as Comunidades Terapêuticas (CTs) em Pernambuco teve mais um capítulo nesta segunda-feira (23). Pela primeira vez, o assunto, que envolve questões políticas e ideológicas, foi&nbsp;discutido &#8211; com muitos embates &#8211; em uma audiência pública na Assembleia Legislativa, com o auditório lotado de usuários e trabalhadores. Depois de alguns substitutivos, o texto que agora tramita na Casa, após mudança da Comissão de Educação e Cultura, deixou de conter, graças a um acordo, o artigo que incluía as CTs, em sua maioria religiosas, na Rede de Atenção Psicossocial (Raps), pertencente ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Esse era o principal ponto de divergência entre quem milita pela saúde pública, na luta antimanicomial e a favor da redução de danos e os donos e fundadores de comunidades, a exemplo da família Collins. O PL, inclusive, foi desarquivado pelo deputado estadual Pastor Cleiton Collins (PP), fundador, com a esposa, a vereadora do Recife Missionária Michele Collins (PP), da rede Saravida, uma das mais estruturadas e reconhecidas do estado.

Diante de uma Assembleia Legislativa que tem se mostrado bastante conservadora, a mudança no texto pode ser considerada uma vitória do movimento antimanicomial, contrariando a proposta inicial de Collins. Isto porque as CTs não mais entrarão na disputa pela já escassa verba pública da saúde estadual. Caso o PL seja aprovado sem alterações, as entidades que funcionam em Pernambuco só poderão continuar recebendo verba do governo federal ou das prefeituras em outras rubricas, que não a da saúde.

<div id="attachment_19235" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/photo4920329863492118585.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19235" class="size-large wp-image-19235" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/photo4920329863492118585-1024x576.jpg" alt="Audiência pública lota auditório da Alepe para discutir regulamentação das Comunidades Terapêuticas (crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo)" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-19235" class="wp-caption-text">Audiência pública lota auditório da Alepe para discutir regulamentação das Comunidades Terapêuticas (crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo)</p></div>

Durante a audiência pública, o clima na Alepe foi de disputa entre polos políticos e ideológicos distintos, com gritos, cartazes, aplausos e cantoria de músicas religiosas no final. Os ânimos ficaram acirrados diante de algumas falas. Faltou tempo e espaço para tanta gente querendo se colocar na defesa do SUS e a favor das Comunidades Terapêuticas como instrumento de acolhimento existente há mais de 50 anos no Brasil.

O projeto agora irá voltar para nova apreciação na Comissão de Constituição, Legislação e Justiça, além de passar por outras comissões da Alepe. Só depois segue para votação em plenário. Nas palavras do deputado Collins, o resultado final de hoje foi um “consenso, atendendo aos dois lados”. Para ele, o foco agora é conseguir, através do projeto, definir o que é Comunidade Terapêutica para poder regular, fiscalizar e ajudar. O deputado vem frisando, desde o início, que é necessário “separar o joio do trigo”.

As CTs passaram nacionalmente a ser dispositivos da Raps desde o primeiro governo Dilma Rousseff (PT) e cada estado ficou com a missão de organizar o seu funcionamento. Aqui em Pernambuco uma pactuação excluiu esse tipo de entidade da rede de atenção psicossocial. Ficou acordado que os tratamentos de dependentes de álcool e outras drogas seriam feito em Unidades de Acolhimento, junto com o Programa Atitude, do Governo do Estado, e não em CTs.

“É preciso continuar acompanhando a tramitação do projeto nas várias comissões, sobretudo por ser uma lei tão cheia de controvérsias. Mas o fato de já haver uma compreensão de que as Comunidades Terapêuticas não são um serviço de saúde nem da assistência e, portanto, não vão disputar os recursos financeiros do SUS nem do SUAS (Sistema Único de Assistência Social), foi bastante positivo”, avalia Rita Acioli, enfermeira, professora da UFPE e integrante do Núcleo de Luta Antimanicomial Libertando Subjetividades.

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<h2>O problema da fiscalização</h2>
Um ponto fundamental ainda gera preocupação: a fiscalização. Não mais do que 10 CTs estavam representadas hoje na audiência pública, justamente as mais estruturadas, sendo que Pernambuco tem atualmente quase 80 entidades desse tipo. As denúncias de violação de direitos humanos, torturas, castigos e má conduta são recorrentes. Nem o estado nem a própria Federação das Comunidades Terapêuticas consegue, segundo Rita, padronizar a questão nem apurar como se dá esse trabalho em casas que geralmente ficam afastadas da região metropolitana.

A responsabilidade de fiscalização é, na teoria, dos conselhos estadual e municipais de política sobre drogas, o que costuma acontecer com a presença do Ministério Público. No entanto, a maioria dos municípios sequer tem um conselho e, em nível estadual, a equipe técnica é muito pequena para apurar todas as denúncias.

Um <a href="http://www.mpf.mp.br/atuacao-tematica/pfdc/midiateca/nossas-publicacoes/relatorio-da-inspecao-nacional-em-comunidades-terapeuticas-2017/view" target="_blank" rel="noopener noreferrer">relatório</a> de inspeção nacional do Ministério Público Federal (MPF) publicado em 2018, com dados de 2017, aponta situações do cotidiano e práticas adotadas em Comunidades Terapêuticas nas cinco regiões do Brasil – duas estão em Pernambuco. Em todas as 28 CTs vistoriadas, foram identificadas práticas que configuram violações de direitos humanos. A inspeção identificou a adoção de métodos que retomam a lógica da internação como primeiro e único recurso de tratamento.

<iframe src="https://www.youtube.com/embed/qLLp-l7NbDI" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe><p>O post <a href="https://marcozero.org/acordo-na-assembleia-mantem-comunidades-terapeuticas-fora-do-sus-em-pernambuco/">Acordo na Assembleia mantém Comunidades Terapêuticas fora do SUS em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Após revés na Alepe, Comunidades Terapêuticas querem entrar na rede estadual de política de drogas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Aug 2019 12:49:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O debate em torno da regulamentação das Comunidades Terapêuticas (CTs) tem pautado a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta primeira quinzena da volta do recesso parlamentar. O assunto, até então restrito às comissões, nesta semana passou a ocupar o plenário da casa. O Projeto de Lei desarquivado (1940/18) é de autoria do deputado Pastor Cleiton [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[O debate em torno da regulamentação das Comunidades Terapêuticas (CTs) tem pautado a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta primeira quinzena da volta do recesso parlamentar. O assunto, até então restrito às comissões, nesta semana passou a ocupar o plenário da casa. O Projeto de Lei desarquivado (1940/18) é de autoria do deputado Pastor Cleiton Collins (PP), fundador da rede de CTs Saravida, juntamente com a esposa, a vereadora Missionária Michele Collins (PP). Depois que o governo Bolsonaro mudou a Política Nacional de Drogas, incluindo as Comunidades Terapêuticas no Sistema Nacional de Políticas Públicas Sobre Drogas, a briga, na prática, agora é por financiamento.

A novidade mais recente é que a bancada evangélica sofreu um revés na Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular. Por 3 a 2, foi aprovado o substitutivo apresentado pelo mandato coletivo das Juntas e por isso o novo texto será reanalisado na próxima terça-feira (20) na Comissão de Constituição, Legislação e Justiça. Além das Juntas, os votos a favor foram de João Paulo (PCdoB), que pediu vistas, e de Isaltino Nascimento (PSB), líder do governo na Alepe. Afora o próprio Collins, votou contra o substitutivo a deputada Clarissa Tércio (PSC), cuja família também está à frente de Comunidade Terapêutica. Um audiência pública está marcada para acontecer, mas ainda sem data.

<div id="attachment_18291" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/cdh_comunidadesterapeuticas.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18291" class="wp-image-18291 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/cdh_comunidadesterapeuticas-1024x682.jpeg" alt="cdh_comunidadesterapeuticas" width="702" height="467"></a><p id="caption-attachment-18291" class="wp-caption-text">Reunião da Comissão de Direitos Humanos da Alepe (crédito: Juntas/divulgação)</p></div>

Os argumentos do substitutivo se baseiam em questões de ilegalidade e inconstitucionalidade. Segundo o texto, as CTs não devem integrar a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), do SUS, por não serem serviço de saúde, e, sim, de apoio. O substitutivo também cita que o PL viola e ultrapassa a competência do Legislativo, adentrando em questões exclusivas do Executivo. Somente depois da nova avaliação o projeto poderá ser votado em plenário.

Diante da votação e da pressão dos movimentos de luta antimanicomial, que são contrários à inserção das CTs na Raps, e ocuparam as galerias da Alepe na última quarta-feira (20), a Federação Pernambucana de Comunidades Terapêuticas, presidida por Rawilsean Calado, que também é presidente da Saravida, passou a mirar os recursos da Rede Estadual de Políticas de Drogas, em vez da Raps. Collins apresentará um ofício da federação na CCLJ em que sugere essa mudança, mais precisamente no artigo 10 do projeto de lei original.

O detalhe é que, em Pernambuco, a política de drogas está vinculada à Secretaria de Políticas de Prevenção à Violência e às Drogas, criada na reforma administrativa de Paulo Câmara (PSB) no início do ano e comandada pelo mineiro Cloves Benevides, filiado ao mesmo partido de Collins.

<strong>Conheça o Projeto de Lei:</strong>

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Os movimentos em defesa da Raps, da luta antimanicomial e da redução de danos veem o recuo como uma manobra para que, em vez de receber verba do SUS, as CTs passem a captar verba direta do Governo do Estado por meio da política de drogas. Na avaliação de Rita Acioli, enfermeira, professora da UFPE e integrante do Núcleo Luta Antimanicomial Libertando Subjetividades, a mudança proposta pela federação &#8211; e consequentemente pelos Collins &#8211; abre portas para que as CTs recebam recursos do governo estadual, podendo posteriormente, por exemplo, ser criados fundos ou outros meios de financiamento.

“É um passo de recuo em relação ao SUS, mas não deixa de ser preocupante. As Comunidades Terapêuticas são um espaço de acolhimento de pessoas, mas sem garantia do atendimento prestado”, diz. Um dos principais pontos de embate, entre os vários, é que os movimentos defendem que a CTs não devem receber verba do SUS por não serem equipamentos de saúde. Não contam, por exemplo, com médicos.

Especialistas e trabalhadores da Raps acreditam que o financiamento público de Comunidades Terapêuticas pode acontecer em desfavor das políticas públicas de saúde mental abertas e de base comunitária e, num contexto de desmonte e de congelamento dos investimentos em saúde e educação, pode comprometer a ampliação da rede, que atua a partir da redução de danos, do acesso e da promoção de direitos das pessoas, baseados na convivência em sociedade e nos preceitos legais da desospitalização e da construção da autonomia do indivíduo.

<div id="attachment_18297" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/protesto_comunidadesterapeuticas2.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18297" class="size-large wp-image-18297" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/protesto_comunidadesterapeuticas2-1024x768.jpeg" alt="58 entidades protestam contra as Comunidades Terapêuticas na Alepe (crédito: Juntas/divulgação)" width="702" height="526"></a><p id="caption-attachment-18297" class="wp-caption-text">58 entidades protestam contra as Comunidades Terapêuticas na Alepe (crédito: Juntas/divulgação)</p></div>

Rita sustenta que, mesmo fora do SUS, as CTs passariam a disputar recursos para, por exemplo, consultas, medicamentos e exames, uma vez que, sem esses serviços, teriam amparo para procurar a assistência pública. O problema é que, segundo ela, as pessoas acolhidas nas Comunidades Terapêuticas são pacientes muitas vezes sem protocolo do próprio SUS, criando-se assim um fluxo fora da rede. O risco, portanto, é o estado passar a funcionar como um cabide, um anexo, das CTs.

Elas são instituições sem fins lucrativos que existem há mais de 50 anos no Brasil focadas no tratamento de usuários de álcool e drogas. O problema é que muitas vezes violam os direitos humanos e têm no isolamento, na prática religiosa e no trabalho forçado seu caminho de atuação. Quem aponta isso é o Ministério Público Federal em relatório de inspeção nacional publicado em 2018, com dados de 2017, em que mostra situações do cotidiano e práticas adotadas em Comunidades Terapêuticas nas cinco regiões do Brasil. Em todas as 28 instituições inspecionadas, foram identificadas práticas que configuram violações de direitos humanos.

LEIA TAMBÉM: <a href="http://marcozero.org/o-jogo-politico-partidario-por-tras-das-comunidades-terapeuticas-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O jogo político-partidário por trás das comunidades terapêuticas em Pernambuco</a>
<h2>Família Collins também faz pressão na Câmara de Vereadores</h2>
<div id="attachment_18293" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/michelecollins2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18293" class="wp-image-18293 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/michelecollins2-1024x682.jpg" alt="michelecollins2" width="702" height="467"></a><p id="caption-attachment-18293" class="wp-caption-text">Vereadora Michele Collins discursa a favor das Comunidades Terapêuticas (crédito: site Câmara de Vereadores do Recife)</p></div>

No mesmo dia em que o assunto chegou ao plenário da Alepe, na Câmara de Vereadores do Recife a Missionária Michele Collins (PP) cobrou o Governo do Estado a respeito do <a href="http://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?id=38865" target="_blank" rel="noopener noreferrer">decreto</a> do governador Paulo Câmara (PSB) que, há um ano, criou o Programa de Apoio às Comunidades Terapêuticas de Pernambuco. A iniciativa, destinada a “qualificar e fortalecer as parcerias com a sociedade civil e o Governo do Estado” nunca avançou. Estariam habilitadas a participar do programa somente Comunidades Terapêuticas aprovadas por meio de seleção pública. Mas o edital ainda não foi divulgado e nenhum recurso liberado.

“Isso nos deixa muito tristes e preocupados. Nós que militamos na área e também trabalhamos com Comunidades Terapêuticas enfrentamos muitas dificuldades”, disse Michele em seu discurso na tribuna. E complementou: “Isso (o programa) é muito importante porque há clínicas e instituições que não fazem um trabalho sério e são confundidas com comunidades terapêuticas. Esses locais prestam um desserviço”.

A vereadora anunciou que esteve, também na quarta (14), no Ministério Público para protocolar um documento com o CNPJ das duas instituições denunciadas por irregularidades na inspeção do MPF para mostrar que não são CTs. “Precisamos fazer, cada vez mais, a divisão entre o joio e o trigo. Diferenciar instituições sérias das que não têm compromisso com a vida e com a família, como nós temos”. A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> já conversou com o gerente de uma delas, que se colocou contra os direitos humanos. Clique <a href="http://marcozero.org/o-jogo-politico-partidario-por-tras-das-comunidades-terapeuticas-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui</a> e saiba mais.
<h2>Os&nbsp;argumentos de Cleiton Collins</h2>
<div id="attachment_18298" style="width: 970px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Saravida_inauguracao_oracao-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18298" class="size-full wp-image-18298" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Saravida_inauguracao_oracao-1.jpg" alt="Casal Collins em oração na inauguração da sede da Saravida, no Recife, em 2015 (crédito: site Saravida)" width="960" height="720"></a><p id="caption-attachment-18298" class="wp-caption-text">Casal Collins em oração na inauguração da sede da Saravida, no Recife, em 2015 (crédito: site Saravida)</p></div>

Na quarta (14), enquanto os movimentos a favor da Raps ocupavam a Alepe com faixas e gritos como “nenhum passo atrás, manicômio nunca mais”, o deputado Pastor Cleiton Collins (PP), que assegura que as CTs não trabalham com acolhimento involuntário, andava impaciente de um lado para o outro do plenário. Ao final da sessão, a reportagem conversou com o parlamentar. Foi quando ele adiantou sobre o ofício da Federação Pernambucana de Comunidades Terapêuticas e aproveitou para enfatizar que não é dono de Comunidade Terapêutica, e, sim, “voluntário” e “incentivador”, para usar suas palavras.

“Existem lugares onde o estado nunca chegou, mas que entidades como igrejas estão ali e fazem um trabalho social (&#8230;) É uma bandeira importante que precisa ser levantada (&#8230;) A gente quer respeito e reconhecimento”, defende ele, que é ex-usuário e contou com ajuda da Igreja Congregacional no processo de recuperação. “Quem me viu defender manicômio aqui alguma vez?! Eu sou a favor do tratamento voluntário, quando o ser humano diz ‘eu não quero morrer, eu quero viver’. Eu sou uma desses que tive oportunidade.”

“Quem reconheceu as CTs na Raps foi o próprio governo federal, então o projeto não é inconstitucional, como estão dizendo. Hoje ele está no padrão da regulamentação da lei nacional”, afirma Collins, que defende que o PL não gera qualquer custo para o Executivo, uma vez que não legisla sobre finanças. “E o governo dando o reconhecimento não quer dizer que ele tem obrigação de contratar as Comunidades Terapêuticas”, complementa o parlamentar .

“A gente precisa regular essas comunidades. Há uma confusão muito grande entre Comunidades Terapêuticas e Residências Terapêuticas”, enfatiza. Porém, os dois equipamentos são bastante distintos, com públicos e serviços diferentes. As Residências Terapêuticas, integradas à Rede de Atenção Psicossocial do SUS, são casas onde residem, em média, 10 pessoas e voltadas para pacientes que saíram de hospitais psiquiátricos de longa permanência e que perderam vínculos familiares ou parentes e por isso não têm para onde ir. Essas residências não tem a ver com dependência de álcool e drogas. São serviços de desinstitucionalização com uma equipe pequena de cuidadores e funcionam, todas em centros urbanos, como lugar de morada, e não de atividades de recuperação.

Um serviço que se aproxima das CTs é o das Unidades de Acolhimento (UAs). São casas bancadas pelo SUS onde residem no máximo 10 adolescentes ou 15 adultos usuários, sempre na zona urbana, com tempo de permanência de seis meses. Diferentemente das CTs, as pessoas não ficam isoladas. Elas têm liberdade para passar o dia fora trabalhando e estudando e voltar à noite. Recife conta com apenas três UAs. Mas existe uma pactuação para implantar mais de 20 em todo o estado, expansão que ficou impedida por conta da Emenda Constitucional que congelou os gastos com saúde e educação.

Entres os principais argumentos legais de Collins na defesa da regulamentação, estão duas portarias do Ministério da Saúde, a <a href="http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nº 3088/2011</a> e a <a href="http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2016/prt1482_25_10_2016.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nº 1482/2016</a>. A primeira delas, do governo Dilma Rousseff (PT), inclui as CTs como pontos da Raps na atenção residencial de caráter transitório. Na avaliação de Rita Acioli, a portaria é uma grande contradição existente na política de saúde mental do Brasil e não foi digerida pela militância da luta antimanicomial e também por parte da academia.

Ela inclui as CTs na Raps, assim como Samu, hospital geral, Unidades de Acolhimento (UAs), Programa Saúde da Família (PSF), entre outros equipamentos. Mas diz também que a implantação será feita de acordo com a necessidade de cada localidade. “Em Pernambuco, passamos os últimos oito anos seguindo esse passo a passo. Fizemos levantamentos nas 12 regionais do estado e, em vez de colocar as Comunidades Terapêuticas na rede, a pactuação, finalizada no ano passado, optou pelas Unidades de Acolhimento, junto com o Programa Atitude”, explica.

O Atitute, reconhecido internacionalmente, foi criado no governo de Eduardo Campos (PSB) e é baseado na prevenção, na atenção e no acolhimento a usuários de drogas e seus familiares nos territórios. Equipes multidisciplinares fazem atendimentos nas ruas com um trabalho de sensibilização e encaminhamento à rede pública. O programa conta ainda com espaços de acolhimento 24h e oficinas de arte, cultura, reciclagem e cidadania. Possui quatro núcleos: Recife, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho e Caruaru. Com um orçamento de R$ 17 milhões, atende em média 3 mil pessoas ao ano.

A outra portaria, do início do governo de Michel Temer (MDB), incluiu, após pressão da bancada evangélica, as Comunidades Terapêuticas no do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. “Foi uma ordem do Governo Federal, está vigente. Mas, um mês depois da publicação da portaria, um levantamento em todo o Brasil mostrou que todas as Fazendas Esperança (Comunidades Terapêuticas da Igreja Católica) já estavam aptas a receberem recursos. Para isso é preciso aprovação da Vigilância Sanitária. Como deu tempo de habilitar todas elas (são 86 no Brasil)?”, questiona Rita.<p>O post <a href="https://marcozero.org/apos-reves-na-alepe-comunidades-terapeuticas-querem-entrar-na-rede-estadual-de-politica-de-drogas/">Após revés na Alepe, Comunidades Terapêuticas querem entrar na rede estadual de política de drogas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Dono de comunidade terapêutica, Pastor Cleiton Collins desarquiva projeto para regulamentar entidades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jul 2019 21:36:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O deputado estadual Pastor Cleiton Collins (PP) desarquivou um projeto de lei para regulamentar as Comunidades Terapêuticas (CTs), instituições privadas, geralmente religiosas e instaladas em locais isolados, de acolhimento e recuperação de dependentes de álcool e drogas. O próprio pastor é, juntamente com a esposa, a vereadora do Recife Missionária Michele Collins (PP), dono de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[O deputado estadual Pastor Cleiton Collins (PP) desarquivou um projeto de lei para regulamentar as Comunidades Terapêuticas (CTs), instituições privadas, geralmente religiosas e instaladas em locais isolados, de acolhimento e recuperação de dependentes de álcool e drogas. O próprio pastor é, juntamente com a esposa, a vereadora do Recife Missionária Michele Collins (PP), dono de uma das maiores redes do estado, a Saravida. O PL deve ser um dos destaques na volta do recesso parlamentar na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta quinta-feira (1º).

No estado, o assunto envolve um intrincado <a href="http://marcozero.org/o-jogo-politico-partidario-por-tras-das-comunidades-terapeuticas-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">jogo político-partidário</a> e pode ameaçar a sobrevivência da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), referência nacional na luta antimanicomial e no modelo de redução de danos. A verba e a estrutura do SUS são o centro da disputa. Atualmente as CTs em Pernambuco recebem dinheiro federal via Ministério da Cidadania. No Recife, os recursos também chegam por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.

O PL de Collins, depois de desarquivado, em abril, passou pela Comissão de Constituição, Legislação e Justiça &#8211; inclusive com aprovação do deputado Isaltino Nascimento (PSB), líder do governo Paulo Câmara na Assembleia &#8211; e pode ir a plenário a qualquer momento. Alguns dias antes do recesso parlamentar, o deputado João Paulo (PCdoB) pediu vistas e o projeto será debatido na Comissão de Direitos Humanos, presidida pelo mandato coletivo Juntas (Psol).

A votação da&nbsp;Comissão de Direitos Humanos exercerá um grande peso no processo, mas uma rejeição não impede o PL de ir a plenário.

“É necessário ouvir as pessoas, os conselhos, a sociedade civil, para depois tomar uma posição, foi por isso que pedi vistas”, diz João Paulo. “Vamos discutir agora a questão do mérito. Nós estamos vivendo um momento de grande turbulência provocado pelo governo Bolsonaro, que quer desconstituir o SUS, privatizar os serviços de saúde e colocar serviços prioritários para serem entregues à iniciativa privada”, argumenta.

Diversas entidades, junto com o Movimento de Luta Antimanicomial &#8211; que vem se articulando para analisar a possibilidade de uma frente &#8211; estão unidas num grupo de articulação para discutir a questão e articular o movimento para tentar barrar o projeto na Alepe.

Mas não é só no estado que os Collins mostram sua força. No Recife, a atual secretária-executiva de Políticas sobre Drogas, Ana Paula Marques, era coordenadora geral da Saravida. O prefeito de Olinda, Professor Lupércio (Solidariedade), também é fundador de uma comunidade terapêutica, a Casa de Recuperação Cristo Liberta, em Igarassu.

&#8220;Cleiton Collins quer onerar duplamente o Estado incluindo as Comunidades Terapêuticas na&nbsp;Rede de Atenção Psicossocial para receberem verba do SUS. Mas elas não têm aparato de saúde, não têm médico, enfermeiro, assistente social. Não são equipamentos de saúde, e o próprio projeto de lei diz isso&#8221;,&nbsp;argumenta&nbsp;Carol Vergolino, codeputada&nbsp;das Juntas.

<strong>LEIA TAMBÉM:</strong>&nbsp;<a href="http://marcozero.org/o-jogo-politico-partidario-por-tras-das-comunidades-terapeuticas-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O jogo político-partidário por trás das comunidades terapêuticas em Pernambuco</a>

<strong>Entidades reunidas contra o PL de Collins:
</strong>Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme)
Conselho Federal de Psicologia
Conselho Municipal de Saúde
Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Renfa)
Coletivo Intercambiantes PE
Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco
Universidade de Pernambuco (UPE)
Fórum de Trabalhadores de Saúde Mental do Recife
Movimento de Luta Antimanicomial Libertando Subjetividades

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<strong>Parlamentares que votaram a favor do PL de Collins na Comissão de Constituição, Legislação e Justiça:
</strong>Waldemar Borges (PSB) &#8211; presidente da comissão
Tony Gel (MSB)
Isaltino Nascimento (PSB)
Priscila Krause (DEM)
Alberto Feitosa (Solidariedade)
João Paulo Costa (Avante)
Romário Dias (PSD)
Antônio Moraes (PP)
Romero Sales Filho (PTB)
<h2>O embate de legislações</h2>
O grupo contrário ao projeto de lei argumenta que, apesar do movimento nacional, existe uma lei estadual sobre política de drogas (14.561/2011) que já reconhece, como um de seus eixos, as Comunidades Terapêuticas como entidades da sociedade civil organizada na condição de rede complementar. “Por que então uma lei específica focada em apenas um dispositivo dentro da oferta de serviços já previstos na lei de drogas?”, questiona Marcela Lucena, psicóloga, sanitarista, militante da redução de danos e integrante do movimento Libertando Subjetividades.

Além disso, a <a href="http://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?tiponorma=1&amp;numero=11064&amp;complemento=0&amp;ano=1994&amp;tipo=&amp;url=" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Lei 11.064, de 16 de maio de 1994</a>, da reforma estadual psiquiátrica, descreve uma rede de serviços em que não constam Comunidades Terapêuticas nem hospitais psiquiátricos. Qualquer dispositivo que não esteja listado na lei teria que passar pelo Conselho Estadual de Saúde.

O grupo de articulação também aponta outro choque entre legislações: Pernambuco conta com uma resolução (747/2018) do Conselho Estadual de Saúde que, em 2018, aprovou uma remodelagem da Raps nas 12 regionais de saúde que não reconhece as Comunidades Terapêuticas.

Por fim, já existe um documento <a href="http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2011/res0029_30_06_2011.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">(RDC 29 de 2011)</a> que regulamenta, por meio da vigilância sanitária, as CTs quando elas prestam serviços no âmbito da saúde, o que, como explicado acima, não é o caso de Pernambuco.

“As entidades não são contra as organizações da sociedade civil, desde que elas respeitem os direitos humanos. Mas não com financiamento público porque isso significa retirar recursos do serviço público, enquanto o financiamento da Rede de Rede de Atenção Psicossocial está congelado”, explica Marcela.

“Na Rede de Atenção Psicossocial, além da presença do Programa Atitude, viemos, ao longo dos últimos anos, construindo a ideia de que a abstinência pode ser resultado de um processo, a partir das possibilidades e desejos do usuário, mas não a única condição de tratamento. Porque a questão não é a droga em si, é a relação que cada sujeito estabelece com a droga. E isso tem a ver com contexto, histórico de vida, vulnerabilidade social”, acrescenta.
<h2>Por dentro das Comunidades Terapêuticas</h2>
<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/FOTO-ANDRE-BORGES-AGÊNCIA-BRASÍLIA3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-17793" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/FOTO-ANDRE-BORGES-AGÊNCIA-BRASÍLIA3.jpg" alt="FOTO ANDRE BORGES AGÊNCIA BRASÍLIA" width="640" height="399"></a>

As CTs não são consideradas equipamentos da rede pública de saúde nem contam com regulamentação federal. No governo Jair Bolsonaro (PSL), elas passaram a fazer parte do Sistema Nacional de Políticas Públicas Sobre Drogas. Num contexto de congelamento de gastos públicos com saúde e educação (Emenda Constitucional do Teto de Gastos), o governo federal vem, através do ministro da Cidadania, Osmar Terra, apoiando abertamente esse modelo e aumentando os volumes de financiamento.

O modelo das Comunidades Terapêuticas vai de encontro ao processo de desospitalização, iniciado no Brasil no começo dos anos 2000 e previsto na <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Lei da Reforma Psiquiátrica</a>. Sem a presença constante de uma equipe multidisciplinar de saúde, essas instituições muitas vezes atuam com trabalho forçado, a chamada “laborterapia”, e impõem rotinas rígidas de orações. Também costumam ser promotoras de exclusão e de maus-tratos e veem na abstinência o único caminho possível de tratamento.

Um <a href="http://www.mpf.mp.br/atuacao-tematica/pfdc/midiateca/nossas-publicacoes/relatorio-da-inspecao-nacional-em-comunidades-terapeuticas-2017/view" target="_blank" rel="noopener noreferrer">relatório do Ministério Público Federal</a> publicado em 2018 inspecionou 28 CTs nas cinco regiões do Brasil, duas delas em Pernambuco, e o resultado foi alarmante: em todas elas, foram identificadas práticas que configuram violações de direitos humanos.

A reforma administrativa do governador Paulo Câmara (PSB), no início do ano, quando assumiu o segundo mandato, trouxe como uma das principais novidades a criação da Secretaria de Políticas de Prevenção à Violência e às Drogas. Quem assumiu a pasta, com um orçamento de R$ 37,6 milhões, foi o então secretário de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude, o mineiro Cloves Benevides. Ele é filiado ao PP e indicação de Eduardo da Fonte, deputado federal e presidente estadual do partido que tem no Pastor Cleiton Collins uma das suas principais lideranças e detém a segunda maior bancada da Alepe, com 10 deputados eleitos em 2018.
<h2>Principais pontos críticos do PL de Collins</h2>
A pedido da <strong>Marco Zero Conteúdo</strong>, Iris&nbsp;Maria, representando o&nbsp;Fórum de Trabalhadores de Saúde Mental&nbsp;do Estado de Pernambuco, elencou os principais pontos críticos do Projeto de Lei para regulamentar as Comunidades Terapêuticas em Pernambuco.&nbsp;Iris também faz parte do Conselho Municipal de Saúde e trabalha na Raps Recife.&nbsp;Atuou na saúde mental durante 14 anos e foi gerente clínica do Centro de Atenção Psicossocial &#8211; Álcool e outras Drogas (CAPs AD) Vicente Araújo, em Campo Grande; e do CAPs AD CPTRA (Centro de Prevenção, Tratamento e Reabilitação de Alcoolismo), na Tamarineira.
<blockquote>1. A política nacional vigente em Pernambuco aprovada em pleno ordinário do Conselho Estadual de Saúde tem como diretrizes a redução de danos.&nbsp;A diretriz da clínica não está apresentado no PL;

2. O artigo 2º é contraditório no que se refere às práticas de cuidado que vêm sendo desenvolvidas nas CTs, sem considerar a saúde integral dos usuários, prevista pela Lei Orgânica da Saúde. Se as CTs pressupõem acolhimento e cuidado, ele precisa ser universal e igualitário, e não apenas&nbsp;atender demandas sociais. O artigo nega o princípio da equidade, previsto tanto no SUS quanto no SUAS (Serviço Único de Assistência Social);

3. O PL usa o termo &#8220;drogas&#8221;. Mas é <span style="color: #000000;">importante definir a que drogas o projeto se refere e sua base legal.</span> Levando em consideração que o uso de drogas é multifatorial e, em função disso, a intervenção não pode ser parcial.&nbsp;<span style="color: #000000;">As CTs não levam em consideração o cuidado integral;</span>

4. Se as CTs são dispositivo do SUAS, então suas obrigações não competem aos conselhos de saúde. Pois a política da assistência social possui seus dispositivos específicos de controle pela sociedade;

5. A inclusão das CTs na Rede de Atenção Psicossocial (Raps) não cabe ao &#8220;poder público&#8221;, como é citado no PL. Ela teria que estar em concordância com o controle social, órgão máximo e deliberativo composto pelo governo, trabalhadores e sociedade civil. Se não for assim, fere do princípio da participação social, sendo portanto inconstitucional;

6. O PL não fala sobre as internações compulsórias (por medida judicial), deixando lacuna para uma interpretação subjetiva, inclusive de familiares, que muitas vezes não entendem a situação. Existe outra normativa, a Lei da Reforma Psiquiátrica (10.216), que direciona como isso acontece.</blockquote>
<em>Atualizado em 1/8/19, às 8h00</em><p>O post <a href="https://marcozero.org/dono-de-comunidade-terapeutica-pastor-cleiton-collins-desarquiva-projeto-para-regulamentar-entidades/">Dono de comunidade terapêutica, Pastor Cleiton Collins desarquiva projeto para regulamentar entidades</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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